17 novembro, 2023

SANTOS,
Maria Carlota de Almeida - O LUGAR DA MULHER NA RECONSTRUÇÃO DO MUNDO
. Lisboa, Tipografia «Élite», 1944. In-8.º (16x11 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência anti feminista proferida em 17 de Junho de 1944 na Federação Espírita Portuguesa sobre o papel da mulher no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial).
Raro e muito interessante, em contra corrente com o "espírito libertador" da época.
"Depois da conflagração mundial de 1914/18 a mulher perdeu parte da sua personalidade. Tudo o que tinha de feminino, de requintado, de subtilmente superior, quási se eclipsou pelo desejo ardente das reivindicações a que, tam erradamente, chamaram, femininas.
Essas reivindicações, que não eram mais que o fruto da opressão forçada do homem mantendo a mulher num nivel de inferioridade pelas exigências do seu sexo, não foi um brado de luz, mas sim, um brado de treva, porque o gerou a revolta. E assim vimos a mulher sem preparação alguma, numa completa desordem moral, invadir lugares até aí desempenhados ùnicamente por homens. O combate pelas aspirações femininas obrigou inùmeras jóvens, soberbamente dotadas pela natureza, a dedicarem-se a carreiras opostas à sua capacidade congénita, atrofiando os seus talentos e faculdades, e isso teve por efeito torná-las estéreis, dando origem a um desperdício inútil de energias humanas.
Muitas mulheres convenceram-se de que o essencial era imitar os homens, não apenas no que era nobre, mas em tudo: nas funções, nos vícios, nos costumes, e até nas aberrações!"
(Excerto da Conferência)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

16 novembro, 2023

GUIMARÃES, Delfim – AOS SOLDADOS SEM NOME
. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1921. In-8.º (16,5 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo publicado em 1921, no seguimento da decisão do governo português em homenagear o Soldado Desconhecido.
"Em Portugal, a 18 de Março de 1921 o Governo autorizou a transladação de dois Soldados Desconhecidos, um da França (Flandres) e outro da África (Moçambique), para o Panteão da Batalha. Foi, ainda, decidido que a cerimónia seria efectuada no dia 9 de Abril de 1921 e para tal decretou esse dia como feriado nacional. (Diário da Câmara dos Deputados, 41ª Sessão,18 de Março de 1921, p. 21)"
(Fonte: www.momentosdehistoria.com)

"Portugal vai honrar dous modestos soldados,
Prestando, no tributo aos peitos denodados
Que souberam morrer,
Um justo galardão aos que na paz ou na guerra
Dão o melhor do sangue em prol da linda terra
Que um dia os viu nascer!...
[…]
Que importa que ninguem vos desvendar consiga
Os nomes familiais?! A Patria, santa amiga,
Conhece-os muito bem…
Ela sabe quem sois, quem foste, honrada gente!
Viu-vos morrer com gloria, a alma e o sangue ardente
Dando por vossa Mãe.

Ela sabe quem sois; seguiu-vos carinhosa;
Convosco padeceu, chorou, e, lacrimosa,
Vos abriu o coval…
Pode pois escrever, sobre a vossa jazida,
A singela inscrição, legenda enternecida:
Filhos de Portugal!
"

(Excerto do texto)

Delfim de Brito Monteiro Guimarães (1872-1933). "Republicano convicto. Escritor e Poeta prestigiado, com extensa obra publicada. Fundador da Livraria Editora Guimarães."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.

Indisponível

15 novembro, 2023

FREITAS, Pedro de - MEMÓRIAS DUM FERROVIÁRIO (revisor de bilhetes). Descrição de 40 anos vividos em combóios: sugestiva lição de vida social, ferroviária, sexual, educativa, profissional, psicológica, etc. Montijo, [Edição do Autor], 1954. In-8.º (19,5 cm) de 262, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de Amílcar Mota (Barreiro).
Interessante e curiosíssima colecção de crónicas de experiências do autor, funcionário da CP, antigo combatente na Grande Guerra, ao longo de quatro décadas de actividade na empresa.
Livro ilustrado no interior, e no início, com um retrato de corpo inteiro do autor, aos 60 anos de idade (à data desta publicação - Maio de 1954).
Contém dados estatísticos da época, logísticos e humanos, importantes para a compreensão da história e dimensão da empresa.
"Às voltas com as calamidades da guerra, um dia, nos campos de batalha da Flandres, em França, leio no jornal O Século, estar aberto concurso para revisores de bilhetes nos caminhos de ferro do Estado, direcção do Sul e Sueste.
Longe da Pátria e da família, suportava eu bem duramente os amargos efeitos da monstruosa guerra. Ao ler no jornal essa notícia, foi duplo o meu sofrimento moral por verificar que, sendo eu um ferroviário com direito à notificação do dito concurso, pelas vias competentes, se não fora a coincidência da leitura, para ali ficaria votado ao esquecimento.
Em missão oficial no estrangeiro, envergando uma farda que era a honra do meu país, não era de admitir que por essa circunstância melindrosa da minha vida de soldado eu fosse compelido a prejudicar os meus interesses e a comprometer o meu futuro.
Mas a providência é grande. E o acaso fez que eu visse nesse dia o jornal que deu, à minha alma, tão grande consolação.
Não deixo perder o momento de atingir o que mais ambicionava na minha profissão e, em requerimento feito em papel de campanha, pelas vias competentes do Corpo Expedicionário Português - C. E. P. - envio à Direcção dos caminhos de ferro esse documento.
E desde então ainda mais se me aviva o desejo de voltar aos ares pátrios, à vida dos combóios, ao seio da minha classe. Mas a maldita guerra parecia ser infinita, nunca mais acabaria...
Porém, ela - como de resto tudo no Mundo tem seus dias contados - um dia acabou.
Não foi operação imediata o meu regresso à vida da Pátria; só seis meses passados após o termo das hostilidades, eu piso as terras benditas do meu velho Portugal.
Alegria nos corações libertos de tantos e tantos pesadelos; alegria nos lares, nos amigos, nas coisas nossas conhecidas e estimadas e, após arrumação de vários assuntos inadiáveis, eu apresso-me a saber do resultado do meu requerimento para o concurso de revisor.
Por intermédio do Ministério da Guerra, e com alguns pareceres e muitos carimbos extravagantes, esse desconhecido papel de campanha, que me custara meio franco, entrara, para os devidos efeitos, na repartição competente. Mas seria eu admitido?!... - eis a grande interrogação.
As vagas eram largamente disputadas; os pretendentes são muitos e as «cunhas» apertadas. A minha qualidade de combatente parece servir de alguma consideração e, na devida altura, eu sou admitido ao concurso."
(Excerto do Cap. XIII, Revisor de bilhetes)
Índice
:
Ex-Libris. Abertura. Primeira Parte - Cemitério ferroviário: I - A angústia dum capataz em manobras. II - O funeral da carruagem-salão. III - O carril. IV - A locomotiva. V - A oficina, o telégrafo e a sinalização. VI - O barco a vapor e a via fluvial. VII - A estação. VIII - O bilhete. IX - O salão de primeira classe - n.º 61- Segunda Parte - Vida profissional e suas vicissitudes: X - O princípio de uma vida. XI - Na vida dos combóios (guarda-freio e condutor). XII - Movimentos sociais da classe - Dois comandantes frente a frente. XIII - Revisor de bilhetes. Terceira Parte - Vida ferroviária: XIV - Revisor e fiscal (Alta escola de ensinamentos psicológicos e sociais). XV - Humorismo ferroviário. XVI - Na vida burocrática do caminho de ferro, os papéis é que mandam. Quarta Parte - No campo da reforma: XVII - O último combóio. XVIII - Retalhos duma vida. XIX - A vala dos «mortos-vivos». Nota final.
Pedro de Freitas (1894-1987). Natural de Loulé. "Escritor, jornalista e musicógrafo. Em 1916 era ferroviário, guarda-freio dos comboios e, no ano seguinte, parte para a guerra, em França. Aí narra um dos episódios de guerra numa carta que alguns meses mais tarde acaba por ser publicada num jornal. Fez toda a Campanha em França como membro do Corpo Expedicionário Português, integrando o Batalhão de Sapadores de Caminhos-de-Ferro. Todos os acontecimentos vividos a partir do momento do desembarque na Flandres seriam rigorosamente apontados por Pedro de Freitas e estão presentes no seu livro “As Minhas Recordações da Grande Guerra”, um livro que constitui “um manancial de descrições, informações e sentimentos de carácter pessoal, baseado nas experiências concretas vividas por Pedro de Freitas durante a Primeira Grande Guerra Mundial”. “Este livro apresentou detalhe histórico e coerência relativamente às datas dos eventos presenciados por Pedro de Freitas. Nesse sentido, o autor conferiu alguma ênfase na evolução das batalhas do dia 21 de março e do 9 de abril de 1918. Pelo realismo e sentimentalismo expresso no mesmo foi possível reajustar uma interpenetração entre a visão particular do interlocutor da história com uma análise histórica mais distanciada e, por isso mesmo, mais crítica dos acontecimentos”, refere Susana Barrote, na sua tese “Pedro de Freitas: A vida e a obra de um escritor e musicógrafo nacionalista”.
(Fonte: http://www.avozdoalgarve.pt/detalhe.php?id=4058)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
30€

14 novembro, 2023

FERREIRA, J. Bethencourt e SANTOS JÚNIOR, J. R. dos -
A PEDRA DE COBRA.
Algumas considerações sôbre medicina popular das mordeduras de víbora. Separata da «Revista Lusitana», vol. XXIX. Pôrto, Imprensa Portuguesa, 1932. In-8.º (24x16,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso ensaio sobre medicina popular e superstição.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Dr. Júlio Bethencourt Ferreira ao conhecido romancista e dramaturgo Júlio Dantas.
"As cobras ou serpentes ocupam lugar importante nas actuais superstições populares portuguesas, como o ocupavam já nas antigas.
São muitas as lendas em que moiras encantadas, protectoras desveladas de tesoiros, deixam na manhã de S. João a forma de cobra que vivem todo o ano no fundo das fontes, poços ou regatos e, tomando figura humana, veem pentear fora de água os seus cabelos de oiro cintilantes.
O folclore português é rico em quadras alusivas àquele réptil.
Até há superstições ou lendas nas quais transparecem vestígios do culto ofiolátrico. Assim sucede numa colhida no centro do país, na qual se conta que num hiante algar, junto à serra, vivia uma serpente que, se por necessidade saísse daquele antro, assolaria a região. Segundo é lenda, os campónios iam ali mugir diàriamente algumas cabras, vertendo o leite numa depressão cavada na rocha, o qual, seguindo por um conduto para o interior da caverna, era absorvido pela serpente, que dessa forma mantinham prisioneira.
Quantas superstições! quantas lendas! existem espalhadas do norte ao sul de Portugal, nas quais a cobra intervém, ora como agente benéfico e protector, ora como agente daninho e maligno."
(Excerto do ensaio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
15€

13 novembro, 2023

GONÇALVES, Fausto da Silva - AO CAIXEIRO INDIFERENTE. Beja, Tipografia Porvir, 1917. In-8.º (16,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história do anarco-sindicalismo em Portugal.
Trata-se de um folheto de doutrina sindical publicado em época de acentuada degradação das condições de vida da população, de confronto entre o operariado e o patronato, quando o movimento sindicalista dava os primeiros passos entre nós. Este ano - 1917 - foi também o ano em que o primeiro contingente do C.E.P. embarcou para a Flandres, parte do esforço de guerra português no conflito mundial, mais agravando a situação.
Não se conhece qualquer publicação em nome de Fausto Gonçalves, incluindo na Biblioteca Nacional, que não possui nada em seu nome.
"Já pensaste no que aconteceria se as tuas Associações morressem?
Talvez não tenhas pensado. Felismente o destino nunca dará realidade a tal hipotese, mas, se algum dia a desse... veriamos, nesse dia, como tu te queixarias de tal desastre, filho da tua atitude egoista e do teu mau procedimento.
Queres mudar de rumo?
Queres? Então vem comnosco! Vem, porque melhorarás bem depressa a tua negtra situação.
Estás ainda a tempo e a organisação da classe no momento actual é uma necessidade imperiosa.
Cremos que de boa vontade colaborarás na obra de conjugação de esforços e energias.
Em pleno seculo XX não se pode de forma alguma ficar silencioso em face do procedimento da maior parte dos comerciantes, retrogados aos nossos direitos, que venham aniquilar uma causa justa como é a nossa e impedir o caminho da civilisação, do nosso bem estar e do progresso.
Bastará ver o que se passa em Lisboa e no Porto, onde constantemente se movimenta o patronato, exercendo as maiores represálias e as maiores infamias contra as nossas regalias.
Bastará ver o mesquinho salário que recebes ao fum dum determinado numero de dias em troca dum trabalho extenuante, forçado, e muitas vezes prejudicial á tua saude.
Bastará ver o que se passa pelas cidades, vilas e aldeias, onde caixeiros ha, que não auferem descanço semanal e regulamentação de horas de trabalho.
Bastará ver o que se passa, finalmente, por todas as terras do paiz, onde o patronato explora vil e tiranamente o pobre marçano, nosso companheiro de trabalho, que em nenhum caso e sob nenhum pretexto, poderá deixar de lhe ser concedido o descanço semanal.
Por consequencia, não demonstres mais o desinteresse pelas tuas Associações. Elas teem sido zelosas e teem-se sacrificado até ao ultimo ponto em teu proveito e para o teu bem estar social.
Quanto maior numero de associados a Associação tiver, tanto mais forte, mais vigorosa e mais vital ela se torna."
(Excerto de Por mau caminho...)
Índice:
Por mau caminho... | Trabalhador (Da brochura editada pela «Federação Geral do Trabalho de França») | Despertai!
Fausto da Silva Gonçalves (1899-1977)."Nascido em Tomar, no ano de 1899, filho mais velho de um abastado industrial e comerciante de calçado, José Gonçalo, sai de casa aos 17 anos, sem completar os estudos liceais. Dado a convívios e leituras de cariz revolucionário, entrou, muito novo, em forte litígio com o ambiente familiar muito conservador, mesmo provavelmente reaccionário, gerado por seu pai. O Congresso Operário Nacional, realizado em 1914 na sua cidade natal, desperta a sua consciência de adolescente, já solidária com as classes trabalhadoras. Começa a escrever. Lê toda a literatura que lhe passa ao alcance. Lateralmente, diverte-se a jogar futebol e é um dos fundadores do União de Tomar, que se vem a tornar um importante clube de província.
Sai da casa paterna para uma situação problemática. Encontra trabalho no Comércio em Torres Vedras, mais tarde em Beja, até se fixar em Lisboa. Abraça por inteiro o Jornalismo e a luta política. Fausto Gonçalves torna-se companheiro de Alexandre Vieira, Manuel Joaquim de Sousa, Mário Araújo, Cristiano Lima e Mário Castelhano, figuras grandes do Anarco-Sindicalismo, ideologia que respeita mas onde encontra incapacidades de afirmação para o futuro da luta dos trabalhadores. Escreve em “A Batalha”, órgão da Confederação Geral do Trabalho - que vem a tornar-se o 2º ou 3º diário português em tiragem, tendo colaboradores como Ferreira de Castro e Julião Quintinha.
Em 1917, a Revolução Russa leva-o à adesão às ideias bolcheviques e a integrar o grupo dos fundadores da Federação Maximalista Portuguesa, que surge em 1919 e vai anteceder a criação do Partido Comunista Português, ao qual pertence desde a primeira hora, estando assinalado como seu membro em toda a vigência da 1ª República. Colabora em “A Bandeira Vermelha”, dirigido por Manuel Ribeiro, além de jornalista, escritor de assinalar. Este é preso em 1920, mas quando sai da prisão assume um comportamento político diferente do que apresentava e torna-se um católico conservador."
(Fonte: https://www.tribunaalentejo.pt/artigos/120-anos-do-nascimento-de-fausto-goncalves-celebrados-na-casa-do-alentejo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Interior correcto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

12 novembro, 2023

HUBBARD, Elbert - A MENSAGEM A GARCIA. Por... Trad. Wladimiro. Lisboa, Composto nas oficinas do Jornal de Seguros : Impresso no «Instituto dos Pupilos do Exercito», 1920. In-8.º (20x14 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição. 
Importante ensaio sobre liderança e motivação, sendo um dos maiores best-sellers de sempre à escala mundial. A expressão "Levar a mensagem [ou a carta] a Garcia" é utilizada por líderes de todo o mundo - gestores, professores, políticos, economistas, etc. -, com a finalidade de sensibilizar os seus subordinados para a importância de honrar e cumprir com os seus deveres e objectivos, horários e tarefas quotidianas. Lembra o homem que, para além dos direitos inerentes à sua condição humana, também tem obrigações, como o "compromisso" e a "honra".
Edição original portuguesa - 1.ª independente - deste sucesso editorial, verdadeiro clássico da literatura motivacional mundial. Missiva publicada pela primeira vez no n.º 344 do Jornal de Seguros, apenas 15 dias antes da sua publicação em separata (a presente).
"O artigo, que segue, devido á pena do ilustre escritor norte-americano Mr. Elbert Hubbard, é um trabalho sem pretensões literarias, mas substancioso e que alcançou, traduzido em muitas linguas, a formidavel circulação de mais de quarenta milhões de exemplares. Na sua simplicidade encerra um valioso e profundo ensinamento. O autor, inteligentemente, obriga-nos a meditar e a investigar as suas razões e, após esse pequeno esforço, ficamos desejosos de imitar o portador da Mensagem a Garcia. Todo o homem, na sua opinião, deve ser capaz de levar a Mensagem a Garcia. Lembrar aos novos o feito de Mr. Rowen não é mais que lembrar que o triunfo só depende da nossa vontade e que a educação desta nos deve merecer o mais carinhoso e persistente cuidado.
Seja quem fôr, pertença a que classe pertencer, quem conseguir levar uma Mensagem a Garcia tem conquistado, de forma positiva, o direito de viver."
(Introdução do tradutor, A proposito...)
"Esta insignificancia literaria - A mensagem a Garcia - foi escrita uma noite, numa hora, depois de jantar. Estavamos a 22 de Fevereiro de 1899, aniversario de Washington, e ia entrar na maquina o numero de Março da nossa revista Philistine. Brotou candente do meu coração, redigida como foi, após um fatigante dia destinado a estimular certos indolentes da cidade, do apatismo em que se encontravam, infiltrando-lhes, a um tempo, radiotividade.
A ideia original surgiu, quando tomavamos o chá, duma pequena discussão em que meu filho Bert afirmava ter sido Rowen o autentico heroi da guerra de Cuba.
Rowen, sosinho, realizou o seu proposito: levou a mensagem a Garcia! A minha mente de subito iluminou-se: na verdade, pensei, o rapaz tem razão - heroi é aquele que cumpre o seu dever, o que leva a mensagem a Garcia.
Levantei-me da mesa e escrevi então A mensagem a Garcia."
(Excerto do preâmbulo)
"Em toda a questão de Cuba, ha um homem que sobresai no horisonte da minha memoria, como o planeta Marte no seu perisferio.
Quando se declarou a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, tornou-se indispensavel comunicar prontamente com o chefe dos insurretos. Garcia encontrava-se no territorio da ilha, mas ninguem sabia do seu paradeiro. Toda a comunicação com ele, quer pelo telegrafo, quer pelo correio, era impossivel e não obstante o Presidente da Republica necessitava de contar, sem perda de tempo, com a sua cooperação.
Como vencer a dificuldade?
Alguem disse ao Presidente: Ha um homem de apelido Rowen que pode encontrar Garcia, se porventura este se pode encontrar.
Chamado Rowen, é-lhe cometido o encargo de entregar uma carta a Garcia.
Como foi que Rowen, aconchegando ao peito a sua carteira de couro, onde cautelosamente guardara a carta presidencial, conseguiu, após uma viagem ardua de quatro dias, desembarcar de noite, dum barco sem coberta, nas costas de Cuba, e, internando-se nas montanhas, atravessar a pé, um paiz hostil, durante tres semanas, para surgir do lado oposto da ilha e entregar, afinal, a mensagem ao general cubano - são episodios que não interessa conhecer, nem tenho desejo de narrar em todos os seus detalhes. Mas quero que se saiba que Mac-Kinley, Presidente dos Estados Unidos, depositou uma carta nas mãos de Rowen com destino a Garcia e que Rowen, recebida a carta, não perguntou:
Onde está Garcia?
Louvado seja Deus! Eis um homem, cuja figura deve ser fundida em bronze imperecivel, para ser colocada em todas as escolas do paiz!
Não é do ensino que os livros ministram, nem do conhecimento de especialidades que a mocidade carece; de que esta necessita, é do enrijamento das suas vertebras para que seja fiel cumpridora dos seus deveres; para que atue com diligencia; para que, finalmente, faça esta simples coisa - levar a mensagem a Garcia.
O general Garcia já não existe, mas existem outros Garcias."
(Excerto da Carta)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta um vinco vertical sensivelmente a meio do opúsculo.
Muito raro.
Com indubitável interesse histórico e bibliográfico.
Peça de colecção.
A BNP dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
30€

11 novembro, 2023

AGUILAR, Eduardo de -
ALMAS GENTIS DE NAMORADOS : romance campestre
. Segunda edição. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco, [192-]. In-8.º (19x12 cm) de 328 p. ; E.
Capa de Fonseca.
Romance "campestre" cuja acção decorre no Minho, na zona de Ponte de Lima.
"Quando em Coimbra, o Luís Cunha concluiu o curso de Direito, despediu-se, com saudades, das lindas margens do Mondego e, desejoso de abrir caminho na vida, de conquistar a independencia, para valer á mãe que, já velha e doente, cuidava do casal, dirigiu-se a Lisboa, no firme proposito de se consagrar a causas importantes, fazer nome, criar clientela. Tinha um sonho, um desejo supremo. Provar aos soberbos Menezes, da sua aldeia, a linda S. Pedro de Arcos, junta aos vergeis de Britiandos, em Ponte de Lima, que o trabalho e o talento eram superiores a todos os pergaminhos e brazões. Para chegar esse resultado meter-se-ia em todos os campos a exigirem energia e perseverança."
(Excerto do Cap. I)
Eduardo de Aguilar (1875-1942). "Nasceu no Porto a 5 de Março de 1875, falecendo em Lisboa no ano de 1942. Além da função de contabilista que exerceu mais tardiamente, é com ligação à área das letras, nomeadamente através da actividade jornalística, que Eduardo de Aguilar se estreia no plano profissional. Com uma obra literária de cariz popular que oscila entre a tendência neo-romântica e incursões no realismo, Eduardo de Aguilar foi autor do livro de versos Cantigas à Bandarra (1924), a única obra poética que se lhe conhece, tendo-se destacado, sobretudo, enquanto romancista e autor dramático. No âmbito do romance, género a partir do qual granjeou a simpatia da crítica jornalística, publicou, no ano de 1912, A morgadinha de Silvares, a edição a favor da Sociedade das Escolas Liberais intitulada De profundis e O mistério da ressurreição. No ano seguinte, foi autor do romance Tragédias de Roma, que atraiu a atenção e as melhores críticas da imprensa da época, e, em 1921, publicou Amores Trágicos e o romance realista A caminho das trevas. Seguiram-se-lhes Almas gentis de namorados e Os fidalgos do cruzeiro, ambos publicados em 1922, e posteriormente O ilustre Bernardo, Vida de miseráveis e Entre espadas e amores, tendo sido ainda autor do romance campestre Os sinos da minha aldeia (1941)."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=43&Itemid=122#porto_01)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

09 novembro, 2023

FORD, Henry - O JUDEU INTERNACIONAL. Porto Alegre, Edição da Livraria do Globo : Barcellos, Bertaso & Cia, 1933. In-8.º (19x14 cm) de 432 p. ; il. ; E.
1.ª edição em português (Brasil).
Obra polémica, não publicada em Portugal, atribuída a Henry Ford, fundador e proprietário da Ford Motor Company, fabricante de automóveis americana sediada em Dearborn, Michigan, num subúrbio de Detroit. Terá tido influência decisiva no pensamento de Adolf Hitler e na sua abordagem doutrinária em Mein Kampf à "Questão Judaica".
Ilustrada com o retrato do autor.
"Em 1920, O Dearborn Independet, jornal de H. Ford, publicou uma série de artigos sobre a questão judaica. Esses artigos, muito documentados e serenos, obtiveram tanto sucesso que o jornal adquiriu imediatamente uma expansão enorme. Depois os mesmos artigos foram reunidos num livro, intitulado The Internacional Jew. Os judeus ficaram profundamente indignados, porque o adversario era serio. E encetaram contra Ford uma violenta campanha que durou diversos anos e só terminou em 1927.
Angustiado por graves embaraços financeiros, processado pelos judeus perante os tribunais americanos, vitima de um grave acidente automobilistico que se diz ter sido muito misterioso, Ford escreveu ás organizações judaicas uma carta em que desmentia tudo o que publicára contra os judeus. Estes, depois de o deixarem algum tempo na incerteza, aceitaram a retratação. Os processos em andamento foram sustados e corre o boato de que, se o arrependimento de Ford for sincero, póde-se pensar no seu nome, para a presidencia dos Estados Unidos."
(Excerto do preâmbulo)
"Vivemos de novo em uma época em que o judaismo atráe a atenção  crítica do mundo inteiro. Sua entrada durante a guerra nos círculos escolhidos financeiros, politicos e sociais, foi tão geral e ostensiva, que sua posição, poderio e fins foram acolhidos sob uma crítica acerba, e na maioria dos casos inspirou repulsão. Perseguições não são novidade para os judeus. O que é novo para êle, para o seu sêr e sua ética racial, é esta exaltação. É bem verdade que esta povo sofre ha 2.000 anos os efeitos de um antisemitismo instintivo das outras raças, mas tal aversão não chegou jamais a ser consciente, nem se pôde nunca expressar concreta nem claramente. Em troca,  hoje está por assim dizer submetido ao miscroscopio da observação cientifica, que nos dá a conhecer e compreender as verdadeiras origens de seu poderio, de seu insulamento e também de suas amarguras."
(Excerto de Primeira Parte - Cap. I. Os judeus: seu caráter individual e sua atividade produtiva)
Indice:
[Preâmbulo] | Primeira Parte: I - Os judeus: seu carácter individual e sua atividade produtiva. II - Como a Alemanha se defende dos judeus. III - História dos judeus nos Estados Unidos da America. IV - É real ou imaginaria, a questão do judaismo? V - Enraizará o antisemismo nos Estados Unidos? VI - A questão judaica abre caminho nas revistas. VII - Mr. Arthur Brisbane, defensor do judaismo. VIII - Existirá um programa judaico-universal determinado? IX - Fundamentos históricos da aspiração judaica é hegemonia universal. X - Uma introdução aos Protocolos judeus ou dos Sábios de Sion. XI - Apreciação judaica da natureza humana do não-judeu. XII - Os Protocolos judeus requerem em parte a admiração a que fazem jus. XIII - Um plano judeu de solapar mediante as "idéIas" a sociedade humana. XIV - Teriam previsto os judeus a guerra mundial? XV - Será o kahal judeu idêntico ao atual soviet russo? XVI - Como influe a questão judaica sôbre a agricultura. XVII - O judaismo predomina na imprensa mundial? XVIII - Como se explica o poder politico judaico? XIX - A U. R. S. S.  (Russia Vermelha) creatura do pan-judaismo. XX - Um testemunho judaico a favor do bolchevismo. Segunda Parte: Do Prefacio pessoal do Sr. Henry Ford | I - Nos Estados Unidos os judeus mistificam seu número e poder. II - Os judeus constituem uma nação. III - Judeus contra não-judeus na alta finança de Nova York. IV - A curva ascendente do poderio financeiro judaico. V - Baruch, o "Disraeli americano" e "Procônsul de Judá na America". VI - O predominio israelita no teatro norte-americano. VII - O primeiro "trust" teatral judeu. VIII - O lado judeu de problema cinematografico. IX - A preponderancia israelita no mundo cinematografico. X - Nova York sob o "kahal" judeu. XI - Crítica dos "Direitos judeus". XII - A ordem universal dos "B'nai B'rith". XIII - Como Disraeli caracteriza os judeus. XIV - O chefe de estado que teve de inclinar-se perante o judeu internacional. XV - História de Bennett, o editor jornalistico independente. XVI - A informação de Morgenthau sôbre a Polonia. XVII - O acorrentamento da Polonia pela Conferencia de Paz. XVIII - Panorama atual da "Questão Judaica". XIX - Um intervalo literario: que é o jazz? XX - Os viveiros do bolchevismo nos Estados Unidos. XXI - Confissões de um superior da ordem de "Binai Brith". XXII - Kuhn, Loeb & C.ª, de Nova York, e M. M. Warburg & C.ª, de Hamburgo. XXIII - A sêde de ouro americana sob o controlo financeiro dos judeus. XXIV - A influência judaica na vida intelectual americana. XXV - Os planos financeiros dos judeus internacionais.
Henry Ford (1863-1947). "Empreendedor americano, fundou a Ford Motor Company e foi o primeiro a aplicar a montagem em série de forma a produzir automóveis em massa em menos tempo e a um menor custo. A introdução de seu modelo Ford T revolucionou os transportes e a indústria dos Estados Unidos. Ford foi um inventor prolífico, tendo registado 161 patentes nos Estados Unidos. Como único dono da Ford, tornou-se um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo."
(Fonte: https://www.portaldalideranca.pt/lideres/137-listagem/2517-henri-ford)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas algo cansadas.
Raro.
Com interesse histórico.
A BNP tem registo deste livro (Porto Alegre, 1933), com a indicação "sem informação exemplar".
25€

08 novembro, 2023

NEVES, Hermano -
COMO TRIUMPHOU A REPUBLICA.
Subsidios para a historia da revolução de 4 de outubro de 1910. Lisboa, Empreza Editora "Liberdade", 1910. In-8.º (21,5 cm) de 143, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Capa icónica de L. Pimentel.
Edição original de uma das mais apreciadas obras pós (e pró) República, publicada poucos dias após a mudança de regime em Portugal, saída do movimento revolucionário republicano.
Conheceu três edições em 1910, e uma outra, recentemente (em 2010), fac-símile da primeira.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com fac-símiles de documentos, retratos e fotogravuras alusivas ao movimento revolucionário, sendo algumas delas em página inteira.
"Como triumphou a Republica?...
Averiguem, e as respostas a esta simples questão, que afflora ainda aos labios de milhões de creaturas attonitas, divergem como o dia da noite. As opiniões entrechocam-se, e fornecem geralmente dos mais seguros symptomas para o diagnostico irrefutavel de um crédo politico ou de uma convicção religiosa.
Falle, antes de tudo, o funccionario conservador, para justificar o velho aphorismo de que «o melhor fica para o fim».
O typo é anodyno, balôfo, indolente. Na pupila manhosa descorinam-se ainda vagos vislumbres de terror:
- Como triumphou?... Ora... pela regra natural de que o mundo vae cada vez a peor. Se haviamos de esforçar-nos por defender os principios estabelecidos, uma monarchia com tradicções gloriosas de quasi oito seculos, onde, graças a Deus, nunca faltou justiça a quem a reclamou dos poderes constituidos, não senhor... Vieram os exaltados, os lunaticos, os maçonicos. Metteram-se, como piolho por costura, no segredo das casernas, das repartições do Estado. Illudiram o povo. Minaram tudo, n'um trabalho de sapa, como toupeiras escavando n'um sub-solo galerias subterraneas em todas as direcções."
(Excerto da abertura)
Hermano Neves (Alvares, Góis, 1884 - Lisboa, 1929). "Introdutor da grande reportagem na imprensa nacional, é considerado por muitos o pai do Jornalismo moderno no país. Hermano Neves foi o primeiro enviado especial português a cobrir uma guerra [WW1].
Em 1910, o país mudou. O repórter seguiu de perto os acontecimentos de 4 e 5 de outubro, que culminaram na implantação do regime republicano. A sua cobertura jornalística acabou por dar origem à obra Como triumphou a Republica, publicada pouco depois da revolução. Mas a sua consagração jornalística viria a ser conquistada na redação d’A Capital. No periódico moderno e de pendor republicano, Hermano Neves amadureceu enquanto jornalista e tornou-se um dos mais dinâmicos e requisitados repórteres da publicação. Foi pioneiro no desenvolvimento do género moderno de reportagem, incluindo trabalhos sobre as incursões monárquicas, durante as quais chegou a ser confundido com um espião.
Considerado o pai do jornalismo moderno, Hermano Neves ficou imortalizado como um dos mais célebres repórteres do seu tempo, destacando-se na crítica, no comentário, na crónica e, especialmente, enquanto introdutor da grande reportagem na imprensa portuguesa."
(Fonte: https://www.newsmuseum.pt/pt/imortais/hermano-neves)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel. Miolo em bom estado, sendo no entanto fraca a qualidade do papel. Pelo interesse e raridade, deve ser encadernado.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

07 novembro, 2023

VILELA, A. Lobo - A MORTE É VIDA. (O Problema da Sobrevivência). 2.ª edição. Lisboa, Edições da Federação Espirita Portuguesa, 1930 [Capa, 1940]. In-8.º (18x13 cm) de 80, [4] p. ; il. ; B.
Interessante ensaio sobre a vida e a morte.
Ilustrado com três fotogravuras em página inteira.
"Quem há no mundo que não se tenha debruçado sôbre um túmulo? - Uma estranha metamorfose se produziu! Daqueles que amámos resta apenas um corpo inanimado; e a scentelha divina que neles brilhava, a luz sublime que parecia inextinguível, apagou-se ao rijo sôpro do desconhecido. A noite do mistério, descendo, abriu o seu manto de treva!
A morte é uma lei inexorável e geral que nos atinge sem que lhe possamos escapar e por isso nos interessa tanto saber em que consiste. Durante a vida é que precisamos de pensar nela para que não nos encontre desprevenidos quando vier visitar-nos, e para que o pensamento possa iluminar o seu mistério.
Se a morte infunde terror e até os mais corajosos vacilam e tremem quando ela se apresenta, é apenas o pavor próprio do desconhecido. Enquanto a desconhecermos, não deixaremos de a temer, nem mesmo saberemos compreender a vida que a ela conduz, necessàriamente.
O maior segredo da vida, só a morte o pode revelar."
(Excerto do Cap. I - Exórdio)
"Há quem não creia na imortalidade e pense que morte seja o aniquilamento total. Contudo, a existência do «nada» seria a sua própria negação. Para êles a morte tem qualquer coisa de trágico e de lúgubre, de perverso e odiento, como um fantasma de treva que apunhalasse a vida com um punhal de silêncio.
Por isso ficam na vida carpindo saudades sem esperança, vergados ao pêso da mágua cruciante. E nas suas almas torturadas restam apenas destroços de sonhos, boiando num mar negro de ilusões desfeitas, cinzas de aspirações queimadas, sombras profundamente tristes e desoladas que o pranto não dissolve, que o tempo não dilui!"
(Excerto do Cap. II - Da Imortalidade da Alma)
Índice:
Prefácio da 2.ª Edição | I - Exórdio. II - Da Imortalidade da Alma. III - Da Comunicação com os Espíritos. IV - Da Revelação Religiosa. V - Dos Grupos Espiritas Familiares. VI - Conclusão | Gravuras: Katie King; A pequena Stásia; Moldagem transcendental.
António Eduardo Lobo Vilela (Vila Viçosa, 1902 - Lisboa, 1966). "Foi um engenheiro geógrafo, professor licenciado em Matemática, Ciências Pedagógicas e espírita português. A sua actividade mais intensa exerceu-a como político, ensaísta, panfletário e escritor, tendo publicado uma vasta obra literária e científica."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

06 novembro, 2023

OS SUPPLICIADOS NA PRAÇA NOVA NOS DIAS 7 DE MAIO E 9 DE OUTUBRO DE 1829.
Porto : 17 de Julho de 1878. [Porto], [s.n.], 1878. In-8.º (20 cm) de 16 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Homenagem aos "Mártires da Liberdade" - os 12 liberais executados na Praça Nova (actual Praça da Liberdade), Porto, em 1829.
"Há 190 anos a cidade do Porto foi palco de uma barbárie, seguramente das mais marcantes da sua história: o enforcamento de 12 liberais pelo regime Miguelista na então Praça Nova, hoje Praça da Liberdade, no seguimento da rebelião liberal ocorrida em maio de 1828 nas cidades do Porto e de Aveiro. A 7 de maio de 1829 foram executados 10 homens e, a 9 de outubro, os restantes dois. A Misericórdia do Porto deu um exemplo de independência face ao poder político e de sentido de humanismo cristão, quando tratou de os acompanhar desde a Cadeia da Relação até ao local da forca, e de recolher e enterrar os seus corpos."
(Fonte: https://www.mmipo.pt/pt-pt/noticias/a-descoberta-do-porto-liberal-os-martires-da-liberdade)
"Todas as grandes ideias téem seus martyres; teve martyres a grande doutrina de Christo, cuja moral só poderia reconstituir uma sociedade viciada; teve martyres o grande emprehendimento dos povos em prol da civilisação de hordas indigenas; e téem finalmente martyres as grande innovações.
O Porto possuiu d'esses martyres, o Porto colloca os seus nomes ao lado dos brazões da cidade da Virgem, o Porto condecorado com esses vultos gloriosos toma para si o nome de - berço da liberdade.
Sim, foi elle que primeiro levantou grito contra a oppressão e foi elle que mais denodadamente appareceu em campo para anniquilar aquillo que d'ahi a pouco, quando a Europa inteira fosse livre, para elle constituiria um verdadeiro opprobrio.
O sangue que os venturosos martyres da liberdade derramaram sobre o cadafalso será um signal de profundo respeito para esta cidade, repetimos, - o berço da nossa liberdade, o defensor convicto dos grandes principios. [...]
Quem ha ahi que não conheça o triste drama de sangue em que figuraram os benemeritos cidadãos a quem esses despojos pertencem?
Quem haverá que não estremeça, recompondo na imaginação as atrocidades espectaculosas de 7 de maio e 9 de outubro de 1829, desdobradas no seio d'esta cidade, á custa da morte vilipendiosa de 12 cidadãos apenas réus da sua dedicação pela liberdade?"
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | Programma da Transladação das ossadas dos Martyres da Patria, do pateo da Igreja da Misericordia, para o cemiterio privativo da Santa Casa, no Prado do Repouso, no dia 17 de junho de 1878 | Auto de desenterramento feito a 7 de maio de 1836 | Auto de prestito e desenterramento | 7 de maio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Frágil, com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
30€

05 novembro, 2023

A SÉ CATEDRAL DE LAMEGO -
GUIA DO VISITANTE
. [Lamego], Edição da Paroquial da Sé, 1966. In-8.º (21x15 cm) de 23, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante guia da Sé de Lamego.
Acompanha a descrição pormenorizada do monumento fotografias a p.b. de alguns dos locais mais emblemáticos que integram o conjunto.
"Erigida no século XII, é constituída pela igreja de três naves, capela-mor, capela do Santíssimo Sacramento, sacristia e sacristia-pequena, torre dos sinos, claustro e suas capelas, casa do cabido, cartório e outros edifícios." (Introdução)
"O bispado de Lamego é de fundação antiquíssima e, pelo menos, já existia pelos anos de 572 da era de Cristo. Tomada a cidade pelos Mouros em 982, ficou sem prelado e assim continuou até que, depois de ter sido reconquistada por D. Fernando Magno em 1038 e de ter sido edificada a nova catedral por mandado do Conde D. Henrique, foi restaurada, sendo o seu primeiro bispo D. Mendo, eleito cerca de 1146."
(Excerto de Reconstituição Histórica)
Índice:
[Introdução] | Torre | Frontaria | Naves | Capela-mor | Capela do Santíssimo Sacramento | Sacristia | Sacristia-pequena | Claustro | Capelas do claustro: Capela de São Nicolau; Capela de Santo António | Coro-alto | Reconstituição Histórica | Notas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

04 novembro, 2023

LEI DE PROTECÇÃO AO POMBO-CORREIO.
Decreto-lei n.º 36:767, de 26 de Fevereiro de 1948. Decreto-lei n.º 37:469, de 5 de Julho de 1949. Lisboa, Federação Portuguesa de Columbofilia, [1957]. In-8.º (15,5x11 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da columbofilia em Portugal. Trata-se dos dois decretos-lei que regulamentaram a actividade lúdica, competitiva e comercial do sector no nosso país em finais dos anos 40 do século passado, com os efeitos da 2.ª Guerra Mundial ainda bem presentes, tal o interesse manifesto no aproveitamento militar dos animais.
"Considerando que é necessário regulamentar a existência e a instalação dos pombais e dos pombos-correios em Portugal;
Considerando que convém promover e organizar um serviço de fiscalização que impossibilite a existência de pombais clandestinos, a espionagem por meio de pombos e a detenção de pombos estranhos;
Considerando que se deve desenvolver tanto quanto possível a columbofilia desportiva civil, tendo em vista o seu imediato aproveitamento nos casos de estado de guerra, de condições anormais, ou mesmo durante a paz;
Considerando que o progressivo desenvolvimento do desporto columbófilo em Portugal exige que seja condicionada a sua prática por meio de normas que conciliem e garantam os interesses do País e os dos amadores columbófilos;
Considerando que se torna conveniente publicar um diploma onde se sistematizem e coordenem as normas de protecção aves tão úteis à defesa nacional e as normas relativas ao desporto destinado a desenvolver e a aprefeiçoar as suas faculdades de orientação e de resistência."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Lei de protecção ao pombo-correio - Decreto-lei n.º 36:767: [Introdução]. I - Disposições preliminares. II - Dos pombais, da importação de pombos-correios e dos pombos-correios extraviados. III - Das anilhas. IV - Do comércio de pombos-correios. V - Das penalidades. VI - Disposições gerais. Decreto-lei n.º 37:469 (Esclarecimentos ao Decreto-Lei n.º 36:767).
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

03 novembro, 2023

DURO, Alfredo - HISTÓRIA DO PRIMEIRO AUTOMÓVEL ENTRADO EM PORTUGAL. Por... Lisboa, [Edição do Autor], 1955. In-4.º (25 cm) de [6], IV, 38 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Monografia histórica sobre a introdução do veículo automóvel em Portugal.
Trabalho invulgar e muito curioso.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com desenhos, retratos, fotogravuras e fac-símiles de jornais e revistas da época.
"Foi identificado o primeiro automóvel ligeiro, um Panhard et Levassor, entrado no nosso país - A preciosa relíquia vai ser oferecida ao Automóvel Clube de Portugal, ficando exposta numa sala do novo palácio do A. C. P. na Secção Regional do Norte."
(Uma revelação sensacional)
"Fez, no passado dia 12 de Outubro, cinquenta e oito anos que foi despachado, na Alfândega de Lisboa, o primeiro automóvel ligeiro accionado por motor de explosão: um Panhard et Levassor, comprado em segunda mão, em Paris, pelo sr. Conde de Avilez (Jorge).
Desse carro sem cavalos tem-se ocupado a Imprensa, através dos tempos, em artigos e simples n otas, por vezes destituídas de verdade técnica e histórica.
Quando um dia pensei escrever a História do Automóvel - cuja ideia levou trinta anos de incubação! - publicada inicialmente em fascículos e, que, dentro de pouco tempo aparecerá em volumes com artística encadernação, resolvi também averiguar da história e da existência do automóvel do sr. Conde de Avilez (Jorge).
Porque uma História do Automóvel sem a história do primeiro carro ligeiro sem cavalos entrado em Portugal, não era história...
E tal como um técnico, crítico ou investigador de coisas de arte que procura um quadro ou escultura valiosa, agi, com a mesma técnica e pertinácia.
Consultei muitos documento oficiais, revistas e jornais. Bati à porta de inúmeros automobilistas e chauffeurs da velha guarda. Como se fosse um bom detective, infiltrei-me no bas-fond dos corados, onde, à marretada, foram destruídos os automóveis da Família Real portuguesa, entre os quais, o Fiat que ganhou a corrida Figueira-Lisboa, como tantos outros veículos célebres, para os transformarem em lingotes-metal."
(Excerto da Nota prévia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e automobilístico.
25€

02 novembro, 2023

NOGUEIRA, R. de Sá -
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA LINGUAGEM DAS SALINAS.
Por... (Separata de "A Língua Portuguesa", Vol IV). Lisboa, [s.n.], 1935. In-4.º (23,5 cm) de 70, [2] p. (75-144 pp.) : [8] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio filológico e etnográfico sobre a "linguagem" dos salineiros. Trata-se do glossário de termos, parte de um plano mais vasto que o autor nunca viria a concretizar.
Livro ilustrado em 4 páginas com:
- Mapa de Portugal, em página inteira, com a indicação por meio de setas, das regiões onde há salinas.
- Plantas de localidades salineiras distribuídas por 3 páginas:
• Aveiro, Figueira da Foz e Buarcos;
• [Vila Franca de Xira] - marinhas localizadas a norte e sul de Ponta d'Erva, Póvoa de Santa Iria e Unhos;
• Setúbal, Álcacer do Sal e Montalvo.
Ilustrado ainda no final, em separado, com 12 fotogravuras de momentos da faina espalhadas por 8 páginas.
"«O Dicionário da Língua», completo e seguro, é das obras mais urgentes e meritórias que podem ocupar o espírito dos nossos investigadores da matéria filológica. Êsse dicionário, porém, completo e seguro, é inexqüível, enquanto não forem publicados trabalhos parciais, que sirvam de base ao lexicógrafo. [...]
É necessário, pois, que trabalhos subsidiários apareçam. Dêstes, os mais preciosos e urgentes são glossários parciais, como o do presente estudo, sobretudo se forem feitos com escrúpulo e minuciosidade.
Calcule-se o que será a tarefa do lexicógrafo no dia em que houver um glossário perfeito da linguagem das salinas, outro da linguagem da pesca, outro a das cortiças, outro da dos lacticínios, etc., etc.
Quanto não vale mais publicar um trabalho dêsses, completo e substancioso, do que artigos dispersos e superficiais sôbre muitos e variados assuntos.
Foi com esta convicção que me levou a empreender o estudo da linguagem das salinas."
(Excerto da Introdução)
Rodrigo de Sá Nogueira (1892-1979). "Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi 1.º oficial da Academia das Ciências de Lisboa. Doutor de Capelo e Borla pela Universidade de Coimbra, foi autor de várias publicações sobre filologia: Contribuição para o estudo das onomatopeias (1948), Elementos para um tratado de fonética portuguesa (1989), Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (1995), Guia Alfabética de Pontuação: acompanhada com os termos gramaticais conexos com a pontuação (1989), Estudos sobre as onomatopeias (1950), Dicionário Ronga-Português (1960), entre outras obras."
(Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/autores/rodrigo-de-sa-nogueira/169/pagina/1 [consultado em 18-08-2023])
Exemplar brochado em bom estado de geral conservação. Ligeiramente oxidado.
Raro.
45€

01 novembro, 2023

SÁ, D. Anna Maria Ribeiro de -
MATHILDE.
Romance original. Com um prologo do Ill.mo e Ex.mo Sr. M. Pinheiro Chagas. Bibliotheca Universal : Dedicada ao visconde de Castilho - N.º 9. Lisboa, Lucas & Filho, 1874. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 277, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance baseado em factos do conhecimento da autora, cujas descrições assentam, nas palavras de Pinheiro Chagas, em "sobriedade de bom gosto, uma reserva elegante". Bem redigido, algo ingénuo, primeira obra da autora escrita em "plena fôr da vida", trata-se de um exemplo típico do romantismo literário.
"Quem não conhece, ao menos por tradição, a Varzea de Collares?
É delicioso aquelle sitio cheio de sombras e do frescura, como um idylio namorado. A agua corre alli, torcendo-se em graciosos meandros no seu leito todo bordado do flôres. As arvores dobrando-se do um para outro lado da corrente enlaçam os troncos amigos e a hera vem logo estreitar esta alliança, lançando-lhes por cima os seus abundantes festões. [...]
Ao pé da repreza ha um espaço sombreado pelos ramos de formosos platanos e onde se reunem todas as pessoas que vem de Cintra e de Collares passar algum tempo no logar mais ameno de quantos ha pelos arredores d'esta villa.
Ahi estavam ha bem poucos annos, sentadas nos bancos de pedra collocados á sombra das arvores, algumas pessoas e entre ellas duas, cuja historia talvez tenha algum interesse para quem deseja estudar o coração humano nas suas innumeraveis contradições.
Tinham dado duas horas e era chegado o momento em que as elegantes de Cintra vem passeiar até á Varzea. N'aquelle dia, fosse porque fosse, era pequena a concorrencia e apenas trez ou quatro familias tinham vindo para o favorito ponto de reunião. Só nos demoraremos a descrever as duas figuras mais importantes do grupo.
Uma d'ellas era um homem de sessenta annos, alto e robusto, com uma d'essas physionomias em que se lê como n'um livro aberto. São tão raras as caras assim! Tinha as feições bem accentuadas, e, apezar das rugas que lhe cortavam a fronte larga, e dos cabellos brancos, que abundantes lhe emmolduravam nos anneis de prata as fontes pensadoras, conheciam-se-lhe ainda vestigios de uma belleza varonil, que os pezares e o tempo não tinham podido apagar de todo. A cabeça tinha-a elle um pouco inclinada para traz com um gesto cheio de naturalidade, nos olhos pretos e brilhantes luzia a intelligencia e a franqueza; não usava barba alguma e a bocca desenhava-se-lhe graciosa, deixando perceber uma certa tendencia para a ironia fina, que, bem combinada, nem sempre prejudica a bondade; o nariz era aquilino. [...]
O homem de quem acabamos de esboçar o retrato, chamava-se Pedro da Silveira; passeiava encostado á sua bengala, e só interrompia o passeio para vir de vez em quando parar um instante diante de uma menina, que sentada desfolhava uma rosa sobre o liso espelho das aguas, onde se perdia o seu olhar distraído.
Esta menina era sobrinha de Pedro da Silveira e chamava-se Luiza. Teria pouco mais de dezoito annos e era bella; não da belleza sensual e robusta d'essas formosas estatuas em que só a custo se divisa o espirito, mas do outra mais elevada em que as feições são apenas um diaphano véo, atravez do qual scintilla a formosura d'alma. Era formosa, formosissima até, mas Rubens não a saberia retratar; só Raphael acharia nas suas paletas divinas o segredo de transportar para a tela toda a etherea expressão d'aquelle rosto angelico."
(Excerto do Cap. I)
"O visconde de Lorval era um elegante do primeira ordem, e parece-me que muito pouco mais. Não tinha feia figura e o seu rosto poderia até chamar-se formoso, se não fosse a nullidade intellectual, que a natureza, ajudada pela educação, tinha gravado nas suas feições, bellas, mas frias, porque raras vezes as aquecia a chamma do pensamento.
O visconde julgava-se muito intelligente e muito instruido. Era um d'estes papagaios da civilisação, que aprendem nas modernas encyclopedias tanto quanto é preciso para estar pouco mais ou menos á altura de todas as conversações, que se podem travar na sociedade. Aprendem do cór meia duzia de nomes proprios, uma certa quantidade de bons pensamentos, e algumas definições scientificas, que sabem empregar menos mal. Ordinariamente os sabios d'esta tempera são bastante habeis para se retirarem a tempo quando o terreno começa a ser escabroso, e quando das generalidades se passa a questões mais positivas, em que só a verdadeira sciencia não faz naufragio. O peior é que o apparato falso com que se apresentam engana muito, e estes eruditos improvisados passam ás vezes por homens muito instruidos.
O visconde de Lorval tinha tambem a pretenção de falar muito bem francez. Despresava profundamente a lingua materna, e para elle uma pessoa que não falasse francez e que não tivesse maneiras do parisiense, era pouco mais de um aborto."
(Excerto do Cap. II)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade desvanecida, à cabeça, acompanha as primeiras 10 páginas do livro.
Raro.
Indisponível