AGUIAR, Asdrúbal António de - VITRIOLAGEM. [Por]... Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. [S.l.], [s.n. - Costa Carregal - Porto], 1953. In-4.º (23x16 cm) de 45, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a vitriolagem, acto de derramar ácido sulfúrico ou outra substância corrosiva no corpo de uma pessoa - quando propositado - para causar queimaduras graves e desfiguração permanente.
Ensaio invulgar e muito curioso, publicado em separata do Jornal Médico, XXI (519) 5-22, 1953.
"Os corpos químicos corrosivos, entrando em contacto com a pele, provocam queimaduras mais ou menos extensas em superfície e mais ou menos profundas. [...]
Entre as queimaduras por cáusticos que mais vezes se observam contam-se as motivadas pelo ácido sulfúrico concentrado. Porque a este ácido também se chama «vitríolo» ou «óleo de vitríolo», designam-se as queimaduras por ele criadas de efeitos de vitriolagem. [...]
A vitriolagem é acidental ou criminosa. A primeira, a acidental ou fortuita, sobrevém inesperadamente sem que a vontade de quem quer que seja intervenha. [...]
A vitriolagem criminosa é quase sempre passional. Os crimes são, em geral, executados por mulheres. O seu número excede bastante o dos casos em que o acto violento é lavado a cabo pelos homens.
Nas vitriolagens efectuadas pelas mulheres os pacientes são, quase constantemente, os amantes que as abandonam deixando-as grávidas, que casam com outras ou que com outras passam a viver, ou os próprios maridos por quem experimentam ciúmes extremos, ou que se lhes tornam igualmente odiosos por as trocarem por outras mulheres ou mulher, suas rivais que lhes pretendem roubar ou que de facto lhes roubaram os mesmo amantes ou esposos.
Também por vezes as mulheres, porque são invertidas, vitriolam outras da sua afeição para desforço destas se afastarem ou se inclinarem para mulheres diversas, se também forem homossexuais, ou para homens se forem heterossexuais.
A contar há ainda as vitriolagens, se bem que excepcionais, de «souteneurs», executadas pelas meretrizes, suas amantes predilectas, em presença de ameaças de abandono, de abandono real ou em face de interesse que outras companheiras de mester por eles mostrem.
As vitriolagens levadas a cabo por homens são, como já se registou, em número reduzido. No entanto, há casos de indivíduos atirarem ao rosto das mulheres suas amantes que os repelem, que se entregam a outros, que com outros pretendem casar ou que estão a ponto de o fazer, ou de mulheres que lhes não aceitam propostas amorosas.
Casos se verificam, ainda que muito raros, de maridos vitriolarem as esposas por estas os atraiçoarem. [...]
Na vitriolagem passional os lugares do corpo escolhidos para a efectivarem são, na sua quase totalidade, o rosto e o pescoço..."
(Excerto do Estudo)
Asdrúbal António de Aguiar (Lisboa, 1883-1961). "Foi um médico legista, professor universitário, pioneiro da sexologia em Portugal. Teve um papel fundamental no desenvolvimento científico e na estruturação da medicina legal no país durante a primeira metade do século XX. Foi docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e exerceu o cargo de diretor do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. Foi considerado um dos maiores especialistas do país em patologia forense. Destacou-se pela abordagem científica e descomprometida (para a época) de temas fracturantes, escrevendo extensivamente sobre crimes sexuais, homossexualidade e a evolução dos costumes sob uma perspetiva médico-legal. Como perito forense, esteve envolvido em momentos marcantes da história portuguesa, incluindo a realização de exames periciais no cadáver do ex-presidente da República, Sidónio Pais, após o seu assassinato em 1918. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse científico e criminal.
20€

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