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24 julho, 2022

MORAES, Antonio Maria de Jesus Castro e – UM BREVE ESBOÇO DOS COSTUMES DE S. THOMÉ E PRINCIPE
. Alguma coisa relativa á família Agua-Izé e ao general Luiz Joaquim Lisboa. A TRAIÇÃO porque foi colhido o governador da provincia Joaquim Bento d’Almeida no reinado de D. Miguel 1.º e as calumnias de que foi victima. Por… Professor jubilado da escola principal da dita provincia. Lisboa, Tip. Adolpho de Mendonça, 1901. In-8.º (22,5cm) de 96 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio coevo para a história e conhecimento da antiga colónia portuguesa. Ilustrado com bonitas vinhetas.
Livo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"E’sta minha humilíssima obra, consta de três partes distinctas. […] No meu plano não tive em mira passar o meu nome á posteridade, ou grangear emeritos encómios: o meu fim especial consiste apenas no desejo de que as inteligências superiores á minha, venham noticiar melhor os assumptos em que n’ella me ocupei. Declaro porém que escrevi conscienciosamente, porque, nunca foi meu costume romantizar ou adulterar a verdade dos factos, seja pela palavra falada, ou pela escripta. Os que me conhecem bem, sabem perfeitamente que o meu feitio especial, nem se adapta, nem se amolda a intrujices ou imposturas. O que é, é, e com isso tenho dito tudo."
(Excerto do prefácio)
Índice:
Um breve esboço dos costumes de S. Thomé e Principe: I – Evitando o feitiço; II – Cidadão importante; III – A mulher importante; IV – A mulher casada e solteira; V – O casamento indígena; VI – As lavadeiras; VII – Juramento de fidelidade; VIII – A justiça divina; IX – O milagre das vassoiras; X – Acompanhamento fúnebre; XI – A missa do setimo dia; XII – Tirar a lema; XIII – Os estudantes e o feitiço; XIV – Persignar; XV – Filhos acompanhando os paes á sepultura; XVI – Herva malicia e herva parceira; XVII – Mais superstições; XVIII – Curandeiros; XIX – O danço do Congo; XX – Dança infantil; XXI – Festa do Deus Padre e da Senhora da Graça; XXII – Festa do Apostolo S. Thomé; XXIII – Festa e S. Lourenço na ilha do Principe; XXIV – Bisca piedosa; XXV – Lóbéto cálhô. Protesto de summa consideração. Ao sr. Ministro do Ultramar.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
45€

28 junho, 2022

SANTO, Carlos Espírito - A GUERRA DA TRINDADE
. Lisboa, Cooperação, 2003. In-8.º (21 cm) de 567, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história colonial portuguesa em São Tomé e Príncipe. Relato dos acontecimentos que conduziram a um período conturbado da história são-tomense.
Livro muito ilustrado no texto com quadros, documentos fac-símile e fotografias a p.b. e a cores, algumas delas em página inteira.
"A 27 de Março de 1945 foi nomeado governador de São Tomé e Príncipe Carlos de Sousa Gorgulho, tendo procurado, nos três primeiros anos de governação, conquistar a simpatia da população, realizando vários melhoramentos sócio-económicos. Pouco tempo depois iniciou uma época de verdadeiro terror nessas ilhas, de tal forma que diversos moradores negros, mestiços e brancos se viram obrigados a enviar, no dia 30 de Setembro de 1950, uma representação ao ministro as Colónias, denunciando as perseguições de que eram vítimas. Dominado pela fúria, imbuído de espírito de vingança, Gorgulho («troglodita façanhudo, hidrópico e ululante»), exacerbou a repressão, tal como refere Salustino Graça neste extracto:
«Sob o ponto de vista político, as prisões em massa que se faziam, passaram a ser efectuadas disfarçadamente por intermédio de regedores das freguesias que mandam proceder a intimações de qualquer cidadão sem distinção de classe para irem prestar serviço nas Obras do Estado sem se olhar pela profissão de cada um nem tampouco pelo inconveniente de ficarem assim emperradas as engrenagens de honestas e úteis actividades particulares, empregando para estas intimações polícias rurais.»
Por tais razões, foi-se desenvolvendo entre os nativos a ideia de independência política para São Tomé e Príncipe."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução. | I - Fundamentos a epopeia sangrenta: I. Raízes da tragédia: 1.1. O espírito bélico dos colonos portugueses; 1.2. Acabar com o espírito de superioridade dos forros; 1.3. A contratação involuntária dos forros; 1.4. Propósito de dizimar sectores da população nativa; 1.5. A destruição da vida económica dos nativos; 1.6. A erradicação de determinados grupos socioprofissionais; 1.7. Trindade, a vila condenada; 1.8. Perseguição aos membros de organizações proto-nacionalistas; 1.9. Divisão entre os nativos; 1.10. Racismo e anticomunismo; 1.11. Vontade de saber; 1.12. Gorgulho pretendia ser governador-geral de Angola; 1.13. Desequilíbrio emocional de Gorgulho; 1.14. Paixões disfóricas. 2. Ocorrências que fizeram desencadear o conflito: 2.1. A entrevista do inspector Franco Rodrigues divulgada num jornal do arquipélago; 2.2. Panfleto de revolta; 2.3. As rusgas de Fevereiro. II - Tempo de repressão: 1. Os começos: 1.1. A morte de um nativo; 1.2. Trindade a ferro e fogo. 2. Medidas de segurança; 2.1. Protecção aos serviços estratégicos; 2.2. A comunicação vigiada. 3. Prisões sem motivo: 3.1. As principais detenções inclusive fora do arquipélago; 3.2. Príncipe, ilha do desterro. 4. Formas de suplício: 4.1. Punições infligidas aos presos nos estabelecimentos prisionais; 4.2. As brigadas de malfeitoria. 5. Crimes gorgulhanos: 5.1. As privações flageladoras dos presos; 5.2. Roubo de bens valiosos, incêndio de moradias e violação sexual; 5.3. Agentes do mal. III - A resistência dos são-tomenses: 1. Acção jurídica. 2. Solicitação de apoios no exterior de São Tomé e Príncipe. IV - O processo judicial: 1. Queixas contra o Estado Português e os verdugos. 2. As sentenças dos juízes. V - As consequências da guerra: 1. Agravos de foro pessoal. 1.1. Deficiências físico-psiclógicas; 1.2 Prejuízos económico; 1.3. Orfandade. 2. A criação do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe. | Anexo.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

22 abril, 2022

DOMINGUES, Mario - DELICIOSO PECADO.
Por...
Lisboa, Imprensa Libanio da Silva, 1923. In-8.º (16,5 cm) de 24 p. ; B. Col. Novela Sucesso, N.º 8
1.ª edição.
Capas e ilustrações do pintor/ilustrador modernista Bernardo Marques (1898-1962).
Novela escandalosa. Aquando da sua publicação, foi proibida de circular e apreendida pela censura, apesar das amplas liberdades editoriais que vigoravam. História dos amores incestuosos entre pai e filha, fórmula utilizada pelo autor - anarquista  militante na época - "como forma libertadora de impulsos reprimidos".
Opúsculo ilustrado com dois belíssimos desenhos de Bernardo Marques em página inteira.
"Sabia que ela era bonita, que sua voz terna se insinuava em meu ânimo e me apaziguava todas as iras, que os beijos de filha submissa lhe afloravam aos lábios rubros, frescos, como reflexos dourados e irrequietos do sol, brincando nos serros vermelhos dessa terra algarvia - mas só naquela tarde, ao sol-pôr, quando regressávamos juntos do passeio habitual, descobri que os seus desasseis anos eram duma perturbante sedução..."
(Excerto da Novela)
Mário José Domingues (Roça Infante D. Henrique, Ilha do Príncipe, 1899 - Costa da Caparica, 1977). "Foi um escritor, publicista, jornalista, tradutor e historiador, considerado um dos mais fecundos no panorama literário português. Colaborou em diversos periódicos anarco-sindicalistas. Com inúmeros pseudónimos estrangeiros, alguns dos quais muito popularizados, escreveu algumas centenas de romances policiais, "cor-de-rosa" e de aventuras, que se venderam geralmente com grande êxito.
Com dezoito meses de idade foi enviado para Lisboa, sendo educado pela avó paterna. Aos dezanove anos de idade aderiu ao ideário do anarquismo e iniciou colaboração no diário anarco-sindicalista A Batalha e, posteriormente, no jornal anarquista A Comuna, da cidade do Porto. Nesse período participou nas atividades de um grupo libertário que, entre outros, integrava Cristiano Lima e David de Carvalho. Fez parte da redação da revista Renovação (1925-1926) e colaborou na organização do congresso anarquista da União Anarquista Portuguesa (UAP). Publicou diversas obras de ficção, entre as quais Hugo, o Pintor (1922), Delicioso Pecado (1923), A Audácia de um Tímido (1923), Entre Vinhedos e Pomares (1926) e O Preto de Charleston (1930). Após a Revolução de 28 de Maio de 1926 dedicou-se ao jornalismo e tornou-se escritor profissional. Voltou-se para a história, escrevendo mais de uma dezena de volumes. Também se dedicou ao romance policial, de aventuras e à literatura cor-de-rosa recorrendo a pseudónimos pretensamente estrangeiros.
A 10 de julho de 1970, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, preso por agrafe, em bom estado geral de conservação. Frágil. Cadernos separados das capas.
Raro.
Indisponível

20 abril, 2020

CAJÃO, Luís - A ESTUFA : romance. Lisboa, Sociedade de Expansão Cultural, 1964. In-8.º (19 cm) de 299, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Romance neo-realista cuja acção decorre na ilha do Príncipe, no arquipélago de S. Tomé. Inclui no final do livro um glossário dos termos indígenas. Obra "maldita" pelo Estado Novo, foi proibida de circular em S. Tomé e Príncipe, sendo que tal não terá sido possível no continente dada a rapidez com que esgotou.
"Para ele Filipe, a família iniciava-se com o avô Bernardo. Esse avô de barba um tanto híspida, olhinhos míopes e irónicos, mento perfeito, no qual pressentia o homem capaz de, sózinho, enfrentar legiões, mitos e procelas.
Infortunadamente já mal o recordava: de uma queda em que galgando até ao fundo a escada o velho se quedara leso, murchamente a pender para um lado (se o esquerdo, se o direito, não lhe seria fácil precisá-lo); e das já raras vezes em que num Minerva ia a Sintra colher (soubera-o mais tarde) as ternuras parisienses de «mademoiselle» Juliette.
Sim, com que dramática rapidez se desvanecia o avô desse período! Pouco mais, afinal, que um fantasma!
No empenho de reconstituir o velho, dera-se Filipe, inequívoco, a um longo escavar sentimental, sujeito, já se vê, a muito de poético e de subtil desdobramento. Seria até inevitável. Sobretudo na medida em que ambicionava poder um dia repeti-lo.
Verberando os tempos de hoje - «tempos de loucura e de impiedade!» -, asseverava a tia Olímpia que homens como ele, bravos, inflexíveis, quase heróicos, muito poucos ou já nenhum haveria."
(Excerto do Cap. I)
José Luís Cajão (1920-2008). Natural da Figueira da Foz. Escritor português cuja obra se insere na corrente do neo-realismo. "Contista, romancista, ensaísta e musicólogo. Diplomado pela Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra foi, durante cerca de dois anos, administrador de uma roça na Ilha do Príncipe, São Tomé (1958), altura em que escreveu o romance A Estufa e Panorâmica de São Tomé e Príncipe. A propósito de A Estufa, Luís Cajão seria por Agostinho Veloso, na Brotéria, situado «entre os melhores mestres da novelística contemporânea», ao passo que As Escarpas do Medo ganharia especial popularidade ao ser adaptado por Jorge Brum do Canto a episódios televisivos. João Gaspar Simões (cf. Crítica IV) escreve a respeito de Luís Cajão: «Devem-se-lhe algumas páginas de ficção muito dignas de figurar entre as melhores que se escreveram no nosso tempo.»"
(in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998)
Exemplar brochado em bom estado deconservação.
Invulgar.
15€

31 março, 2020

DEMOUTIEZ, O. M. I, P. & CUNHA, Maria Teresa Pereira da - AVE MARIA! NOSSA SENHORA DA FÁTIMA PEREGRINA DO MUNDO. II [Segunda Jornada]. Madeira - Açores - África Portuguesa. Pelo... e... [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas da Gráfica - Leiria], [1950]. In-4.º (25 cm) de [2], 104, [4] p. ; [40] p. il. ; B.
1.ª edição.
Périplo da imagem de Nossa Senhora pelas ilhas atlânticas e pelas colónias africanas. Relato da viagem, muito ilustrado ao longo de 40 páginas intercaladas no texto, assinalando os momentos mais emblemáticos da peregrinação.
"O «Lima», embandeirado em arco, largou do Tejo, numa tarde clara e brilhante do mês de Abril de 1948. A primavera em flor sorria à Rainha que iniciava a sua viagem a terras de Além-Mar. O rio era um vasto espelho e o barco deslizava brandamente. No convés, rodeada de flores que corações devotos Lhe quiseram oferecer, a Senhora Peregrina parecia debruçar-se ternamente e sorrir a tantos, que no cais Lhe acenavam com lenços brancos, em saudosa despedida...
Nas margens do Tejo, os homens do trabalho interrompiam por instantes as suas ocupações e ficavam-se a olhar a Senhora branca e luminosa, que se ia de longada até Portugal de Além-Mar.
Torre de Belém... Oeiras... São Julião da Barra... Cascais...
A Imagem Peregrina recolhe ao jardim de inverno, transformado gentilmente em capela pela Direcção da Companhia Insulana.
O «Lima» balança um pouco. Estamos na barra.
E agora é o mar... O Oceano Atlântico tão conhecido dos nossos navegadores!..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Madeira. | Cabo Verde. | Açores: Terceira; Graciosa; S. Miguel; S. Jorge; Pico; Faial; Corvo; Flores; Santa Maria. | S. Tomé. | Angola: Luanda; Nova Lisboa; Silva Porto. | Moçambique: Lourenço Marques; Beira; Nampula.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na 1.ª folha.
Invulgar.
Com interesse mariano.
25€

21 janeiro, 2016

SANTOS, António de Almeida - COIMBRA EM ÁFRICA. Com um prefácio do Prof. Dr. Afonso Queiró. [Coimbra], Edição do Orfeão Acdémico de Coimbra, 1950. In-4.º (23,5 cm) de 308, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada nas páginas do texto com fotografias a p.b., a maioria em página inteira.
Relato da viagem efectuada pelo Orfeão Académico de Coimbra ao Ultramar Português, no Verão de 1949. Inclui a relação dos orfeanistas estudantes que participaram nesta viagem cultural.
"A viagem do Orfeão Académico a África não poderia encontrar melhor cronista do que Almeida Santos, que dispõe de uma pena fácil, realmente apta para descrever com colorido e emoção os momentos inolvidáveis que a cento e tal estudantes universitários de Coimbra foi dado viver e sentir nas férias grandes de 1949.
A leitura deste «reportagem» vai facultar aos que não puderam ir connosco percorrer percorrer também aqueles longos mares que navegámos, serem apoteòticamente recebidos naquelas terras portuguesas (e tão portuguesas!) das duas costas, seguir-nos nas caminhadas que fizemos por terra, pelos rios, pelo ar, em busca de sensações antes só sonhadas, até surpreendermos a vida íntima do mato, nas suas maravilhas e nas suas agruras. E ao fechar da última página, o leitor ficará como os que foram e tiveram o primeiro contacto físico com as nossas terras do equador e trópicos: temperado por uma salutar lufada de optimismo e de fé nos destinos ultramarinos de Portugal."
(Excerto do prefácio)
Índice:
Prefácio. - O surgir dum anseio. - Antes. - Um espectáculo de despedida em Lisboa. - A partida. - Uma grande família. - Na Pérola do Atlântico. - Catorze dias no mar. - Luanda, a cidade que tem coração. - Lobito e Benguela. - Entre uma e outra costa. - Lourenço Marques. - A cidade da Beira. - De novo em Lourenço Marques. - Cape Town. - Moçâmedes, a Princesa do Deserto. - Sá da Bandeira. - Nova Lisboa. - De Nova Lisboa ao Lobito. - Adeus, Luanda! - S. Tomé. - Uma Ilha dos Amores. - A chegada. - Depois. - Relação dos orfeanistas estudantes da Universidade do Coimbra que constituíram a Embaixada Cultural ao Ultramar Português, no Verão de 1949.
António de Almeida Santos (1926-2016). Advogado, político e escritor português. Figura histórica e presidente honorário do PS. Foi Presidente da Assembleia da República durante a década de 1990. Natural de Seia, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Terminado o curso, Almeida Santos rumou a Moçambique e estabeleceu-se na então Lourenço Marques, actual Maputo, onde se envolveu em actividades políticas e de apoio a nacionalistas, fazendo oposição a Salazar. Ali viveu durante duas décadas, regressando a Portugal em 1974, a convite do então Presidente da República António Spínola. O envolvimento na política levou-o a ser um dos protagonistas no Portugal pós-25 de Abril de 1974, como ministro de várias pastas, desde o I Governo Provisório. Mais tarde foi conselheiro de Estado, presidente da Assembleia da República e presidente do PS, tendo sido um dos mais próximos colaboradores de Mário Soares. Foi autor de dezenas de livros, tinha várias condecorações, designadamente as portuguesas Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e da Ordem Militar de Cristo. Actualmente era o presidente honorário do PS.
(Fonte: www.publico.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€

28 novembro, 2015

AMBRÓSIO, António - ALMADA NEGREIROS : africano. Lisboa, Editorial Estampa, 1979. In-8.º (18,5 cm) de 191, [1] p. ; [24] p. il. ; B. Colecção Polémica, N.º 22
1.ª edição.
Capa de Soares Rocha. Ilustração da capa: Retrato de Almada Negreiros - Desenho de João Abel Manta.
Polémico estudo, distribuído por 22 capítulos. Biografia familiar de Almada Negreiros. Ilustrada com fotografias de imóveis, retratos, fac-símiles, etc., impressos sobre papel couché em folhas separadas do texto.
"«É completamente impossível conhecer inteira uma árvore genealógica; o que pode é cada um possuí-la toda no seu carácter. A árvore genealógica não funciona como ciência. É mesmo o contrário de ciência: mistério! Um mistério que se espelha só em cada um de nós! Um verdadeiro mistério humano que ultrapassa a sociedade e a ciência, que respira apenas ar de Arte e Religião!»
Nome de Guerra, O. C., vol II, p. 7
Nestas palavras de Almada Negreiros encontramos, talvez, a chave da explicação para um dos maiores enigmas da sua obra. Referimos-nos ao facto de que, havendo dado, teoricamente, tanta importância à árvore genealógica, e sabendo-se de origem africana, e conhecendo pelo menos a sua próxima filiação, Almada Negreiros nunca tivesse, como artista, (poeta-pintor), nem sequer uma dedicatória, ou referência directa, aos seus pais - António Lobo de Almada Negreiros e Elvira Freire Sobral - à ilha de S. Tomé onde nasceu, à África e aos africanos."
(Apresentação)
José de Almada Negreiros (São Tomé , 1893 - Lisboa , 1970). "Desenhador, pintor, escritor, poeta, ensaísta, caricaturista, ilustrador, publicista, bailarino, cenógrafo e figurinista, o perfil plurifacetado de Almada Negreiros enriquece-se com a amplitude de direcções que a sua obra adoptou. Desde a sua aparição na Exposição Livre, de 1911, que a sua acção seria relevante como introdutor e agitador de ideias vanguardistas, artista de ruptura e depois classicista. Após participar na I Exposição dos Humoristas, de 1912, realiza em 1913 a sua primeira exposição individual e, quase em simultâneo, em 1914, inicia-se na escrita, protagonizando alguns dos melhores momentos da literatura portuguesa desta época. Com uma breve e desiludida passagem por Paris entre 1919–20, participa e promove muitos dos acontecimentos, publicações e exposições mais relevantes do período: primeiro as ligadas à introdução do Futurismo em 1916–17, como a exposição 5 Independentes de 1923, a decoração do café A Brasileira e do Bristol Club, o I Salão dos Independentes de 1930 e, a partir de 1941, algumas das Exposições de Arte Moderna. Em 1927 parte para Madrid onde permanece até 1932, estabelecendo relações com os arquitectos da Geração de 25 e com membros da Sociedade de Artistas Ibéricos, que lhe favoreceu exposições, decorações em edifícios públicos e uma intensa actividade no campo do desenho humorístico e da ilustração. De regresso a Lisboa abre novas frentes, em especial na área da decoração, desenvolvendo numerosos projectos de vitrais e pintura mural, entre os quais se destacam os painéis das Gares Marítimas de Alcântara (1943–1945) e Rocha de Conde de Óbidos (1946–1948). Percurso que se encerra com uma obra marcante da arte nacional, o grande painel inciso em pedra, intitulado Começar, para a sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa."
(Fonte: www.museuartecontemporanea.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Manuseado; capas apresentam vincos nos cantos.
Invulgar.
Indisponível