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12 março, 2026

MACHADO, José Timóteo Montalvão -
COMO LI HISTÓRIA DE PORTUGAL NOS HOMENS, MONUMENTOS E PAISAGENS DO BRASIL.
Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História : 8.º série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, 1966. In-4.º (25,5x19 cm) de [2], 11, [3] p. (351-361 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante comunicação do autor a propósito de uma viagem empreendida ao Brasil, e dos locais e monumentos históricos da era colonial que teve oportunidade de visitar.
"Duma viagem, que recentemente fiz ao Brasil, trouxe inolvidáveis recordações, que aqui quero traduzir, uma vez que levei representação da Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Quero acentuar desde já que muito me entusiasmaram as belezas naturais, a flora pujantíssima, os edifícios gigantescos. Mas, para além dessas grandezas, naturais ou humanas, o que mais chamou a minha atenção, obrigando-me a meditar e a venerar, foi um vasto conjunto de lugares, monumentos e memórias, que representavam o folhear de muitas páginas da nossa História gloriosa."
(Excerto do Preâmbulo)
José Timóteo Montalvão Machado (1892–1985). "Foi um eminente médico, historiador e jornalista português, natural de Chaves. Destacou-se pela sua vasta produção intelectual que cruzava o rigor científico da medicina com a investigação histórica e a genealogia.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Exerceu funções como Delegado de Saúde no Distrito de Setúbal. Foi sócio efetivo de instituições prestigiadas como a Academia Portuguesa da História, a Associação dos Arqueólogos Portugueses e a Sociedade da Independência de Portugal. Foi diretor do jornal "Notícias de Trás-os-Montes"."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

08 março, 2026

MACHADO, José Timóteo Montalvão -
DIFICULDADES DO POVOAMENTO DE TRÁS-OS-MONTES DURANTE A 1.ª DINASTIA.
Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História : 8.ª série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, MCMLXVI [1966]. In-4.º (205,5x19 cm) de 14 p. ; (139-149 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo acerca do povoamento medieval de país, e em especial na província de Trás-os-Montes.
"[...] Quando se formou a nossa nacionalidade, Portugal era quase desabitado, e a escassez de população continuou a ser o grande obstáculo, que tolhia todas as iniciativas, durante a dinastia afonsina.
O primeiro numeramento de fogos, digno de algum crédito, feito em Portugal, foi o de D. João III, de 1527 a 1532, que permitiu avaliar a população do reino em cerca de 1 300 000 almas. E havia quase 400 anos que a nacionalidade de formara!...
Isto nos leva a crer que, nos primeiros tempos, Portugal não devia contar mais de 500 000 habitantes, e, se a este número subtrairmos as mulheres, as crianças, os velhos e os enfermos, devemos admitir que os reis afonsinos não podiam contar com mais de 50 000 homens válidos para agricultar os campos, servir as artes e ofícios, defender as costas marítimas e fazer a guerra."
(Excerto do Estudo) 
José Timóteo Montalvão Machado (1892–1985). "Foi um eminente médico, historiador e jornalista português, natural de Chaves. Destacou-se pela sua vasta produção intelectual que cruzava o rigor científico da medicina com a investigação histórica e a genealogia.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Exerceu funções como Delegado de Saúde no Distrito de Setúbal. Foi sócio efetivo de instituições prestigiadas como a Academia Portuguesa da História, a Associação dos Arqueólogos Portugueses e a Sociedade da Independência de Portugal. Foi diretor do jornal "Notícias de Trás-os-Montes"."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

24 fevereiro, 2026

BORGES, J. G. Calvão -
A FAMÍLIA DE CAMÕES (novos documentos)
. Cascais, [s.n.], 1986. In-4.º (24,5x18,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a familia flaviense do grande vate português, continuação de um ensaio do autor sobre o mesmo tema publicado em 1974 com o título A família flaviense de Camões. Trabalho publicado em separata da revista «Miscelânia Histórica de Portugal», n.º 5, 1986.
Tiragem limitada a 150 exemplares rubricada pelo autor, sendo este o n.º 29.
"E tese das raízes flavienses de Luiz de Camões nem vindo a ser pacientemente elaborada, alicerçando-se num conjunto de documentos históricos cuja autenticidade e credibilidade não têm sofrido contestação.
Pondo de parte os documentos posteriores ao século XVI e que apenas à descendência da família interessam, temos como suportes essenciais da tese, pela ordem em que foram encontrados:
- uma habilitação para o Santo Ofício de um primo co-irmão do Poeta, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo;
- um conjunto de matrículas de ordinandos de tios e primos do Poeta, no Arquivo da Universidade do Minho em Braga;
- uma pedra de armas no Convento de Cristo em Tomar;
- o Tombo das propriedades de Igreja de Vilar de Nantes, Chaves, no Arquivo de Universidade do Minho."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - As Rações de Vilar de Nantes: A) Registos respeitantes a uma ração da Igreja de Chaves (não associada à Igreja de Vilar de Nantes); B) Registos respeitantes à ração da Igreja de Santa Maria de Chaves, em Vilar de Nantes que lhe estava anexa (não usufruída por membros da família Camões); C) Registos respeitantes à Capelania de Vilar de Nantes; D) Registos respeitantes à ração da Igreja de Santa Maria de Chaves, em Vilar de Nantes que lhe estava anexa (usufruída pela família Camões). III - Análise dos documentos: A) Intervenientes; B) Conteúdo do Registo. IV - Os dois novos Simão Vaz. | Notas | Documentos [Reprodução de 11 Documentos].
José Guilherme Calvão Borges (1931-2001). "Natural de Chaves. Foi um militar e heraldista português. Licenciou-se em Engenharia Aeronáutica pela Universidade de Michigan (EUA). Seguiu a carreira militar, atingindo os postos de Major-General e de Brigadeiro Aeronáutico. Escreveu sobre Genealogia dezoito extensos trabalhos, para além de mais uma dúzia sobre Heráldica."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse camoniano.
20€

14 dezembro, 2025

GUIMARÃIS, J. Afonso -
CALDAS DE CHAVES.
[Por]... Professor da Faculdade de Medicina do Porto, Director Clínico das Caldas de Chaves. [S.l.], [s.n. - Composto e Impresso das Oficinas Gráficas da Sociedade de Papelaria - Porto], 1965. In-4.º (24x16 cm) de 44 p. ; il. ; B
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história das Termas de Chaves. Inclui a apresentação do projecto do novo Balneário da estância, com alguma minúcia, que integra esquema funcional do equipamento em página inteira.
Obra impressa em papel de superior qualidade, com tiragem limitada a 500 exemplares (de acordo com a BNP).
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Eduardo Arantes e Oliveira (1907-1982), conhecido engenheiro e político português, figura de proa do Estado Novo, ministro das Obras Públicas entre 1957 e 1964.
"A presente publicação - salvo a diferente ordenação de assuntos e as modificações impostas pela necessidade da sua actualização - reproduz a minha resposta ao questionário organizado em 1959 pelo Dr. Manuel Marques da Mata, incluída na última e notável edição do «Anuário Médico-Hidrológico de Portugal» (1963), da autoria e coordenação daquele ilustre inspector de águas minerais.
É seu essencial propósito o de chamar a atenção para a água medicinal, tantas vezes injustamente esquecida ou erradamente considerada, cuja acção terapêutica me tem sido dado verificar e proclamar desde a minha nomeação, em 1950, para Director Clínico da Estância Termal, onde é utilizada, água que há milénios brota na margem direita do rio Tâmega, dentro de Chaves, cidade que, pela sua excepcional situação - entre montanhas de incomparável encanto, num dos mais longos e mais férteis vales do país - e pela graça, beleza ou interesse histórico do seu velho casario e seus arruamentos, das suas igrejas, pontes e torre, dos seus fortes e palácios, das suas escolas e seu hospital, e de muitas outras edificações com que tem sido ùltimamente dotada, bem merece particular distinção, não só como cidade termal - feição em que procura, com indiscutível direito, definir e valorizar os seus destinos - mas ainda como centro de turismo duma das mais belas regiões da terra portuguesa."
(Preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | Nascentes | Bosquejo analítico | Estabelecimentos termais ou balneários | Técnicas termais | Acção fisiológica do tratamento hidromineral | Meios acessórios de diagnóstico e de tratamento | Indicações terapêuticas | Contra-indicações do tratamento termal | Higiene e Urbanismo | Situação e clima, vias de acesso, duração da época termal | Divertimentos, Excursões | Informações gerais (hotéis, meios de transporte, curiosidades históricas, etc.).
Bases gerais orientadoras do projecto do Novo Balneário da Estância Termal de Caldas de Chaves (apresentadas à Ex.ma Câmara Municipal de Chaves em Janeiro de 1964).
José Afonso Dias Guimarães (1900-1987). "Nasceu no Porto no início do século XX e foi figura proeminente da Faculdade de Medicina do Porto e da investigação em Portugal. Passou pelo Instituto de Fisiologia de Lisboa, o Institut Solvay de Physiologie, em Bruxelas e o National Institute for Medical Research, em Londres. Trabalhou com individualidades como Abel Salazar, Marck Athias, Jean Demoor e Henry Dale. Desenvolveu trabalhos sobre a secreção interna das glândulas sexuais, secreção salivar, pressão arterial e mediadores da neurotransmissão. Foi Professor Catedrático de Fisiologia e Diretor do Serviço de Fisiologia da Faculdade de Medicina do Porto. Paralelamente às atividades universitárias, fez clínica particular, foi Diretor Clínico das Termas de Chaves e Diretor do Serviço de Fisiopatologia do Hospital de São João, funções que desempenhou com a sua característica dedicação e competência. Era um eloquente comunicador, pessoa culta, bibliófilo e colecionador de Arte. É reconhecido como fundador do Laboratório de Fisiologia da Faculdade de Medicina do Porto."
(Fonte: https://sigarra.up.pt/fmup/pt/pub_geral.pub_view?pi_pub_base_id=531469)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

24 novembro, 2025

GRANJO, Antonio -
DO POVO A SUA MAGESTADE A RAINHA D. AMELIA
. Villa Real, Imprensa Moderna, 1909. In-8.º (22,5x16 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Raríssimo opúsculo da autoria de António Granjo, figura incontornável do futuro regime republicano, publicado no ano seguinte ao atentado que vitimou em Lisboa o rei D. Carlos e de D. Luís Filipe, o príncipe herdeiro. Trata-se de uma obra poética, por certo com tiragem reduzida, onde Granjo pretende justificar os acontecimentos do Terreiro do Paço, no sentir e nas palavras do povo (e dos regicidas), que no fundo é quem passa a mensagem em verso, e que termina com um aviso à rainha... para recolher a França com o filho que lhe resta, única forma de o não perder também.
Obra de gosto duvidoso, dadas as circunstâncias, que reflete, de certa forma, a aversão à família real e o estado de espírito de larga franja da sociedade civil e militar em vésperas da revolução.

"Senhora!
Não sabeis, certamente, o meu nome.
Chamo-me um dia - Crime, e noutro dia - Fome.
Ás vezes tenho o gesto insolente e brutal
Dum bandido sem lei - sacerdote do mal
Levantando nas mãos em sangue, para o céo,
Transformado em raiva, o beijo que me deu
Minha mãe ao nascer. Mas no fundo, Senhora,
Eu sou um bom christão...

Apenas brilha a aurora
Abro logo o postigo, agarro logo a enxada,
E ponho-me a caminho ao longo d'essa estrada,
Que alguns chamam - a Vida, e outros chamam - o Inferno.
Ai! Senhora!... As manhãs nevoentas d'inverno,
Quando a geada cae e quando a neve cae,
E do peito s'capa o coração n'um ai,
E cá dentro nos roe a idêa tenebrosa
De que Tartuffo dorme um somno côr de rosa
No vosso quarto azul, n'esse encantado paço,
Feito da minha carne, erguido p'lo meu braço!...

... Custa muito, Senhora, abandonar o ninho,
Quente, caricioso e doce como arminho,
E ir campina fóra, envolto na mortalha
Do nevoeiro, atraz d'um osso, uma migalha...
Mas, emfim, que fazer? Senhora, que fazer?
A gaveta vasia... Os filhos e a mulher?!...

Não me conheceis, não...

Eu vivo nas cavernas."

(Excerto do poema)

António Granjo (1881-1921). "Político português nascido a 27 de dezembro de 1881, em Chaves, e falecido a 19 de outubro de 1921, em Lisboa. Tirou o curso de Teologia no Porto, em 1889, e tornou-se bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1907. Ingressou na Maçonaria em 1911. Foi advogado, deputado e administrador do concelho de Chaves. Em 1919 foi viver para Lisboa e participou na revolta de outubro de 1918 e na de janeiro de 1919. A partir deste ano enveredou por uma carreira política, vindo a ocupar o cargo de ministro da Justiça, ao mesmo tempo que exercia a função de diretor do jornal República. Foi ministro do Interior no governo efémero de Francisco Costa, tendo vindo a ocupar em seguida outros cargos políticos, como o de chefe de governo. Faleceu na "noite sangrenta" de 19 de outubro de 1921."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos; apresenta vinco vertical.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
85€

20 agosto, 2025

MACHADO, J. T. Montalvão -
COMO E PORQUÊ SE IMPRIMIU EM CHAVES O PRIMEIRO LIVRO DE LÍNGUA PORTUGUESA.
Pelo académico correspondente... Separata dos «Anais» - II Série, Vol. 24, Tomo I. Lisboa, Academia Portuguesa de História, 1977. In-4.º (26x19,5 cm) de [4], 59, [1] p. ; (41-99 pp.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história do livro e da tipografia em Portugal, centrado sobretudo na circunstância da impressão do «Tratado de Confissom» em Chaves, na época vila, durante décadas considerado o primeiro livro impresso entre nós.
Estudo invulgar e muito interessante, sem menção na BNP.
Ilustrado com 6 estampas distribuídas por 3 folhas separadas do texto reproduzindo desenhos esquemáticos (marcas de água do papel), mapa do norte de Portugal e Galiza e fotografias de vistas e paisagens da cidade de Chaves, outra do Castelo de Monterrei (Espanha) e de costumes galegos.
"Visto que nos apareceu um livro, impresso em Chaves, no ano de 1489, é pela impressão que nós começaremos.
Desde o aparecimento do incunábulo foi revelado ao público, pelo artigo do Diário de Notícias, de 25 de Maio de 1965, um dos motivos de surpresa resultou do facto de a obra se dizer impressa na vila de Chaves. Como e porquê tal impressão foi ocorrer na afastada vila da nossa raia setentrional?"
(Excerto de E - A hipótese Zamora)
Índice:
A - O aparecimento do incunábulo. B - Críticas ao incunábulo recém-chegado. C - Edição fac-similada com leitura diplomática. D - Incunábulos impressos em Portugal. E - A hipótese Zamora. F - A hipótese israelita. G - A hipótese de Monterrei. H - A imprensa em Monterrei.I - Monges de Chaves. J - Frei João de Chaves. L - Quem escreveu o «Tratado de Confison»? M- Livros de autores anónimos. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa vincada no canto inferior direito.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

13 março, 2025

NOBREGA, Padre Silvino Rodrigues da & HOMEM, Francisco de Barros F. Cabral Teixeira - ALVES CARDOSO.
Homenagem da Povoação de Samaiões - (Chaves)
. Chaves, Tipografia Gutenberg, 1930. In-4.º (23,5 cm) de 10 p. ; [8] p. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem de dois insignes flavienses a um filho adoptivo da terra - o pintor Alves Cardoso (1883-1930). Livrinho publicado a expensas dos autores assinalando a morte do artista que havia ocorrido poucas semanas antes.
Obra ilustrada em separado com um fotografia do homenageado em página inteira e 16 reproduções de alguns dos seus quadros mais emblemáticos distribuídos por 7 páginas.
Exemplar n.º 291 de uma tiragem declarada de 400 exemplares numerados e rubricados pelos autores.
"Poucas semanas são passadas sobre a catastrofe nacional, que foi a morte de Alves Cardoso e a sua lembrança pesa ainda sobre aqueles, que o estimaram, como uma abobada de chumbo.
Fazia precisamente dois meses que com a familia deixara esta casa, que para meu deleite espiritual e proveito desta terra costumava quasi todos os anos visitar por alguns meses.
Aqui pintou a maior parte das suas paisagens e quadros de costumes a partir de 1912, ano em que pela primeira vez por aqui veio, ainda solteiro a convite do Snr Manuel M. Alves da Nobrega, que com ele travara conhecimento em Lisboa."
(Excerto de O amigo intimo - Pe. Silvino Nobrega)
"Morreu ha precizamente um mez em plena pujança do seu formosissimo talento, uma das mais fortes organisações de artista que jamais se creou em Portugal.
Artur Alves Cardoso, vitimado por uma septicemia, deixa nas regiões da arte um vácuo que só muito tarde poderá ser preenchido. [...]
Quem escreve estas linhas sem brilho, mas com as lagrimas a mourejarem-lhe os olhos e a pena mal segura na mão trêmula, relembra o seu vulto gentilissimo perpassando em quasi vinte annos de convivencia amiga; é que Alves Cardoso adoptára como sua esta doce minha terra, e no verão anciosamente o esperavamos sendo certa a sua permanencia de meses n'esta freguezia."
(Excerto de Pintor Alves Cardoso - Francisco de Barros)
Artur Alves Cardoso (1883-1930). "Foi discípulo dos pintores Carlos Reis, Cormon e Jean-Paul Laurens. Demonstrando, no início, ainda fortes influências académicas da Pintura de História, foi posteriormente seguidor do Naturalismo ar-livrista e de género, integrando-se no Grupo Silva Porto. Tratou essencialmente temas paisagísticos, animalistas e de costumes populares, caracterizados por um cromatismo vivo e luminoso, de que são exemplo as telas Poeirada de Luz (Museu do Chiado), Outono, O Rebanho e A Merenda (coleção particular dos herdeiros do artista). Tocou, por vezes, o Realismo, tal como atestam Sagrado Viático (coleção particular) e A Morte do Boi (coleção particular). Pintor de cavalete, dedicou-se pontualmente a decorações de interiores como em São Bento e na Maternidade Alfredo da Costa. Foi condecorado com a medalha de honra em Pintura na Sociedade Nacional de Belas-Artes e com a medalha de ouro na Exposição Internacional Panamá-Pacífico."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/Paginas/BiogAlvesCardoso.aspx)
Exemplar em brochura, bem conservado. Ilustrações algo oxidadas.
Muito invulgar.
20€

16 janeiro, 2025

OLIVEIRA, A. de Sousa & CASTRO, L. de Albuquerque e -
A IGREJA ROMÂNICA DE SANTA LEOCÁDIA
. Braga, Congresso Histórico de Portugal Medievo, 1964. In-4.º (23,5x17,5 cm) de 10, [8] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata de Bracara Augusta : Vol. XVI-XVII - N.os 39-40 (51-52).
A história e a lenda associadas à igreja medieval de Santa Leocádia, Chaves.
"A Igreja de Santa Leocádia é uma das mais antigas do aro de Chaves, cuja cronologia de construção deverá rondar os finais do século XIII. Ao certo, sabe-se que o templo já existia em 1264." (https://www.visitchavesverin.com/pages/952?poi_id=333)
Bonita monografia, ilustrada com 8 estampas fora do texto.
"Diz-nos uma lenda regional flaviense que uma matrona de Chaves, tendo por nome Maria Mantella, não acreditando na possibilidade de dois gémeos serem filhos dum mesmo pai foi castigada, dando à luz, simultâneamente, sete crianças, todas do sexo masculino. Como o marido estava ausente, receou que ele suspeitasse da sua fidelidade e então resolveu mandar, por uma serva de confiança, lançar seis dos recém-nascidos ao rio Tâmega.
Mas o destino tece-as e a criada foi surpreendida no caminho pelo amo, que estava de regresso, vendo-se obrigada a confessar tudo. Aquele recomendou-lhe segredo e entregou as crianças a seis diferentes amas, que não suspeitaram do caso. Sete anos depois apresentou os filhos a sua mulher, levando-a ao arrependimento e perdoando-lhe o, felizmente, frustrado crime.
Na igreja matriz de Chaves, onde ela foi sepultada com a sua prole, lia-se numa campa rasa este epitáfio:
«Aqui jaz Maria Mantella
Com sete filhos ao redor della».
Diz ainda a lenda que todos os rapazes se ordenaram sacerdotes e fundaram sete igrejas na terra de Chaves, ma das quais, Santa Leocádia, constitui o motivo desta comunicação."
(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem f. ante-rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

30 setembro, 2024

BARRADAS, Lereno A. -
VIAS ROMANAS DAS REGIÕES DE CHAVES E BRAGANÇA.
[Por]... Sócio da Associação dos Arq. Portugueses. Guimarães, [s.n. - Oficinas Gráficas da Companhia Editora do Minho, Barcelos], 1956. In-8.º (22,5x16 cm) de 
1.ª edição independente.
Separata do volume LXVI da «Revista de Guimarães».
Interessante subsídio histórico para o conhecimento das vias romanas na região de Trás-os-Montes.
Ilustrado com inúmeras fotografias em página inteira e quadros, tabelas e mapas, sendo alguns deles desdobráveis.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. José Coelho, "estudioso das vias romanas de Portugal".
Numa rápida passagem por Chaves, nos fins de 1938, tivemos a sorte de tomar conhecimento de um miliário de Augusto, inédito, abandonado na Serra da Pastoria, publicando acerca dele na boa revista «Brotéria», de Maio de 1939, e por amabilidade especial do saudoso Pe. Eugénio Jalhay, um artigo intitulado: «Um marco miliário da via romana de Braga a Chaves».
Voltando novamente à região, na passagem de 1954 para 1955, com mais demora,  procuramos esclarecer certas dúvidas que então se nos depararam sobre o que escrevemos, por meio de mais pormenorizada visita aos sítios por onde se supõe que tenha passado a via romana a que esse padrão deveria pertencer. Infelizmente o tempo foi bem mais escasso do que prevíamos, e por outro lado, insensìvelmente, fomos alargando o campo estudado a outras vias romanas das regiões de Chaves e Bragança."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo | I - Vias romanas. II - O tempo e as vias romanas. III - Esquema viário das regiões de Chaves e Bragança. IV - Via «Bracara Augusta - Aquas Flavias». V - Via «Aquae Flaviae - Asturicam Augustam». VI - Via «Aqua Flaviae - Pallantiam». VII - Via «Asturica Augusta - Campo mineiro de Jales». VIII - Via «Iria Flavia - Durium». IX - Via «Lucus AugustI - Durium» (Régua). X - O significado do «Padrão dos Povos». XI - Os padrões viários das regiões de Chaves e Bragança. | Apêndice | Obras consultadas | Quadros e Gráficos | Índice das gravuras.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Cadernos soltos.
Muito invulgar.
Indisponível

16 junho, 2024

CARVALHO, António G. G. Ribeiro de -
CAMPAS DE SOLDADOS. Lisboa, Edição Limitada do Autor Inteiramente Fora do Comércio, 1960. In-4.º (23x17,5 cm) de 27, [5] p. ; [4] f. il. ; B.

1.ª edição.
Homenagem aos combatentes do concelho de Chaves que se distinguiram em França, na Grande Guerra.
Edição do autor, fora de mercado, impresso em papel de superior qualidade e ilustrado em separado com 4 gravuras impressas sobre papel couché.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Raul Rego (1913-2002).
 "Pertenço a uma geração votada ao sacrifício. O falecido Dr. Alberto da Cunha Dias, que foi meu graduado quando entrei para esse estabelecimento de tão belas tradições que é o colégio da Luz, escreveu algures o seguinte: «Ribeiro de Carvalho, que, como Gomes da Costa, foi educado no Real Colégio Militar, pertenceu a uma geração que pagou largo tributo à morte: Passos e Sousa, morto no combate da Mongua; Viriato de Lacerda, morto na Serra M'cula; Humberto de Athayde, morto em Moçambique; e dois aviadores, Óscar Torres e Azeredo de Vasconcelos, mortos em combate no ar».
Um número tão elevado de mortos gloriosos, os mais formosos da guerra, ceifados na flor da mocidade, num curso de pouco mais de 30 alunos, mostra bem o clima moral exaltado em que fomos educados. [...]
O país deve aos mortos da Grande Guerra a conservação das nossas províncias ultramarinas, que grandes potências tinham partilhado entre si, mas que a nossa participação no conflito salvou."
(Excerto de Sacrifícios duma geração)
Índice:
Sacrifícios duma geração | Os Mortos do Concelho de Chaves | Capitão Aníbal de Azevedo | Capitão Luiz de Sousa Gonzaga | Coronel Daniel Fernandes Aguiar. 
Gravuras:
- Na capa: Túmulo de Humberto de Athayde, em Moçambique. 1 - Retrato do tenente Augusto Valdez de Passos e Sousa. 2 - Cenotafio dos Mortos da Grande Guerra do concelho de Chaves (projecto do arquitecto João Luis Monteiro, director da Escola Nacional de Belas Artes). 3 - Retrato do capitão Luiz de Sousa Gonzaga. 4 - Dedicatória do retrato do Capitão Gonzaga (no verso do seu retrato). 5 - Retrato do Coronel Daniel Fernandes Aguiar.
António Germano Guedes Ribeiro de Carvalho (1889-1967). "Nasceu em Chaves a 30 de Outubro de 1889. Estudou no Colégio Militar, na Escola Politécnica e na Escola do Exército onde cursou Infantaria que concluiu em 1909. Serviu em Moçambique e depois em França, integrado no Corpo Expedicionário Português (CEP), onde se distinguiu por feitos em combate, o que lhe valeu a promoção por distinção ao posto de major e a obtenção de altas condecorações, nacionais e estrangeiras. No regresso a Portugal, em 1919, tomou parte nas operações em Trás-os-Montes contra os revoltosos monárquicos onde uma vez mais se destacou e foi ferido.
A par da carreira de oficial do Exército desenvolveu intensa actividade política. Primeiro, ainda no período denominado de Nova República Velha, como ministro da Guerra entre 18 de Dezembro de 1923 e 26 de Fevereiro de 1924, depois como deputado em 1925 pela Acção Republicana e mais tarde contra a Ditadura Militar e o Estado Novo, conspirando, em diversas ocasiões, para os derrubar.
Foi por isso preso em 1930 e 1933, abatido ao efectivo do Exército em 1931 por ter sido considerado desertor e dele demitido em Março de 1933. Exilou-se para fugir à perseguição que lhe foi movida pelas autoridades e evitar o cumprimento de uma pena de seis anos de desterro a que foi condenado. Porém, em 1939, regressou a Portugal e entregou-se, tendo nessa altura sido novamente julgado e condenado a dois anos de prisão correccional, suspensa por igual período. Posteriormente, em 31 de Outubro de 1959, pediu para ser reintegrado no Exército, o que lhe foi concedido no ano seguinte com o posto de coronel, ao abrigo de uma amnistia concedida, em 1950, pelo Governo. Morreu a 17 de Fevereiro de 1967."
(Fonte: ihc.fcsh.unl.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
35€

25 março, 2024

SALES, José Eduardo Moreira
- O LIVRO DO CIDADÃO-SOLDADO. Por... Tenente de Infantaria e Professor de Ginastica no Colegio Militar. Patria e Republica. Lisboa, Papelaria Fernandes & C.ª, 1912. In-8.º (15,5x11 cm) de 112 p. ; B.
1.ª edição.
Capa de "A. Quaresma" - gravado n'A Illustradora.
Obra patriótica de propaganda republicana. Trata-se da rara edição original deste curioso livro, que conheceu várias reedições ao longo do 1.º quartel do século XX.
"O discurso republicano produzido em Portugal na transição do século XIX para o século XX enfatizou a figura do cidadão-soldado como parte do culto cívico da Pátria, então fomentado em alternativa às crenças e rituais do catolicismo." (Pintassilgo, Joaquim, Actas Educar para a guerra ou educar para a paz, UAL-FCG, 2004)
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "à redacção da Lucta", jornal da União Republicana, órgão oficioso do partido.
No final do último capítulo - Educação Civica - o autor desenvolve questões momentosas da época, dando-lhe actualidade imediata, mormente em: Vantagens da Republica - Os inimigos de Republica e Os Defensôres da Republica - O combate de Chaves, e à parte deste alguns episódios marcantes do combate em "Episódios Èpicos": I. O Capitão Maia de Magalhães; II. O Contra-Mestre de Clarins; III. O 114 e o 151 de cavalaria 6. Além disso, felicita o grupo Civil de Chaves, com especial menção  para o srs. Carlos Augusto Coelho e Antonio Granjo, e inclui a lista dos nomes dos oficiais que concorreram para a vitória em Chaves.
"- O que é a nossa Patria?
- É tudo o que nos cerca, é tudo o que nós amamos.
A casa onde nascemos, onde recebemos os primeiros carinhos de mãe e o lugar sagrado onde ela repousa, são pedaços da nossa Patria que trazemos sempre no coração.
A nossa aldeia com as suas arvores frondosas e o campanario alegre; a ribeira que proximo corre por entre as ortas e pomares vicejantes; a planicie extensa e fecunda que enche os celeiros do melhor trigo; as encostas com as suas vinhas que produzem os magnificos vinhos de mesa, muito superiores aos das terras estrangeiras; as aldeias, vilas e cidades; o azul celeste do firmamento que nos cobre e o belo clima que gozam os, tudo isto é a nossa Patria."
(Excerto do Cap. I - Educação patriotica - Patria)
"Já passava das 7 horas da manhã  dos dia 8, quando apareceu em Chaves, um camponês que vinha, esbafurido, participar que a colúna de Couceiro marchava sobre a vila.
Dado o alarme, aos poucos soldados que restavam, juntáram-se os esforços dos civis os quais, com uma dedicação admiravel, prestáram relevantes serviços na defêsa de Chaves.
Ao tôdo, o número de combatentes não ia alêm de 160, armados simplesmente de espingardas.
O inimigo apareceu junto ao espaldão da carreira de tiro, donde fazia nutrido fôgo de fusilaría. A artilharia dos paivantes despeja as suas granadas sobre o quartel de Infantaria 19 e sobre o hospital!"
(Excerto de O combate de Chaves)
Indice:
I - Educação Patriotica. II - Virtudes militares. III - Instrução profissional do soldado. IV - Higiene. V - Educação Civica.
José Eduardo Moreira (Atouguia da Baleia, Peniche, 1880-1942). Publicista e militar. Participou na Grande Guerra, em França, como Capitão de Infantaria do C.E.P. Foi presidente do Sport Lisboa e Benfica (1912). Escreveu livrinhos de propaganda republicana e organizou diversas actividades cívicas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

11 março, 2024

O CORONEL BENTO ROMA (1884-1953). Homenagens e consagrações em 1954 e 1955. Prefácio do General Ferreira Martins. Lisboa, [s.n. - Impresso nas oficinas gráficas da «Gazeta dos Caminhos de Ferro», Lisboa, [1955]. In-8.º (21,5 cm) de [10], 234, [8] p. ; [30] p. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Bento Roma, insigne militar português, que se distinguiu em combate nas campanhas do sul de Angola, em 1915, e, mais tarde, a partir de 1917, em França, integrando o Corpo Expedicionário Português.
Livro muito ilustrado com fotogravuras em folhas intercaladas no texto.
"Há indivíduos que a morte faz desaparecer, sem que, da sua efémera passagem por este mundo, fique qualquer rasto por onde se verifique que a sua existência não foi inteiramente inútil para a sociedade em que viveram. Outros há que, pelo contrário, deixaram vestígios fundos de que, em sua vida, longa ou curta, alguma coisa de útil fizeram em prol da Humanidade ou, pelo menos, da Pátria a que pertenceram.
Inclui-se neste último grupo o grande Português que em vida se chamou Bento Esteves Roma."
(Excerto do Prefácio)
"Bento Roma, que era o comandante da primeira companhia, quis ir comandar os seus serranos do Marão e compartilhar com eles dos perigos e das vicissitudes da luta nas trincheiras, desprezando as comodidades e a segurança do seu aboletamento à retaguarda.
Foi promovido no lugar de 2.º comandante do batalhão, onde revelou excepcionais qualidades de dirigente e condutor de soldados.
Ali, a ordem e a disciplina eram perfeitas, e nenhum subordinado deixava de cumprir os seus deveres perante a presença constante, rígida e austera do Capitão Bento Roma.
Entretanto, chega o 9 de Abril, e o bombardeamento de artilharia do adversário, que foi um dos mais intensos e devastadores da primeira Grande Guerra, desorganiza as comunicações e as ligações com o Comando da Brigada, deixando o 13 entregue aos seus próprios destinos.
O Capitão Bento Roma não esmorece: multiplicando-se em actividade, dispõe as tropas para o combate, e Ele próprio dá-nos o formidável exemplo de desprendimento pela vida, subindo ao parapeito, debaixo da chuva intensa de estilhaços de granada, no momento em que os soldados têm que deixar os entrincheiramentos para avançar, em terreno raso, ao encontro do inimigo.
A luta no Reduto de Lacouture é titânica, e aquele pequeno núcleo de portugueses, envolvidos pela avalanche germânica, resiste, durante 31 horas, ao apertado cerco, só se rendendo depois de esgotamento total das munições. É o maior exemplo de como os soldados portugueses sabem combater, quando têm chefes da têmpera de Bento Roma!
Parte para o cativeiro da Alemanha, de fronte erguida, e suporta, com estoicismo e dignidade, a fome e as misérias da vida do prisioneiro de guerra."
(Excerto da alocução do Dr. Sá Vieira)
Índice:
Prefácio. | I - Solenidades realizadas. A) Em Lisboa. B) Em Vila Real de Trás-os-Montes. C) Em Chaves. D) Em Angola. E) Em França. | II - Artigos comemorativos publicados na imprensa. [Seguem-se 15 artigos]. | III - Outras manifestações. [De personalidades civis, eclesiásticas e militares].
Bento Esteves Roma (1884-1953). "Natural de Chaves. Foi um militar português. Assentou praça, como voluntário, no Regimento de Cavalaria n.º 6, a 5 de Agosto de 1903 e, até 1906, tirou as preparatórias na Universidade de Coimbra e nas Escolas Politécnicas de Lisboa e do Porto. Frequentou a Escola do Exército, entre 1906 e 1909. Foi promovido a alferes, em 1909, atingindo o posto de coronel, em 1933. Depois de prestar serviço em várias unidades no continente, participou no combate às incursões monárquicas. Foi mobilizado para Angola em 1912, onde permaneceu até ao ano seguinte, tendo comandado o posto de Binde, no distrito de Benguela e posteriormente o de S. João do Pocolo. Em 1915, participou nas campanhas militares do sul de Angola. Regressou em 1916, sendo enviado a França para preparar a participação portuguesa na frente ocidental, junto das forças inglesas. Foi para a Flandres com o C.E.P., no qual se destacou por actos de bravura. Foi feito prisioneiro, na Batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, e libertado depois do Armistício. Comandou a companhia portuguesa na parada da vitória no 14 de Julho, em Paris. No pós-guerra, organizou e instalou, em Tancos, a Escola de Instrutores de Infantaria, com o objectivo de preparar grupos de instrutores para as escolas de recrutas. Entre 1920 e 1923, foi governador dos distritos de Cubango, Lunda, que acumulou o com o de governador interino de Moxico. Foi neste período que consolidou a ocupação de todo o território, em operações militares, numa das quais foi ferido. A 5 de Fevereiro de 1922 foi feito Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Exerceu ainda o cargo de governador do distrito da Huíla, e, em 1930, ocupou o cargo de Governador-Geral de Angola de 31 de Março a 3 de Julho de 1930, pedindo nesta data a sua demissão. Em 1929, entrou ao serviço da Companhia de Moçambique onde prestou serviço até 1933, data em que regressa definitivamente a Portugal. A 5 de Outubro de 1932 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Império Colonial. É, então, nomeado sub-director do Instituto Feminino de Educação e Trabalho, actual Instituto de Odivelas, tendo ocupado o cargo até 1938. Em 1949, apoiou a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, fazendo parte da sua Comissão Central. Faleceu em Lisboa, a 23 de Dezembro de 1953."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente manchadas, com pequenos defeitos.
Invulgar.
25€

12 fevereiro, 2024

AGOSTINHO, Porfírio Maio -
OS CARRETEIROS : romance
. Estoril, Edição do Autor, 1994. In-8.º (20,5x14,5 cm) de [4], 371 p. ; B.
1.ª edição.
Romance realista, impressionante, baseado nas vivências do autor quando jovem, sobre as condições de vida dos "carreteiros" - transportadores de pessoas e mercadorias por zonas transmontanas de difícil acesso - no primeiro quartel do século XX.
Edição de autor, por certo com tiragem reduzida. Apesar de relativamente recente, esta obra não se encontra registada na base de dados da Biblioteca Nacional.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Quando a Linha do Corgo ficou concluída, 21 de Agosto de 1921, naquelas paragens transmontanas, uma nova actividade surgiu e se desenvolveu - os carretos. No entanto, a partir de 1918, já o comboio chegava a Vidago.
E das principais estações do Caminho de Ferro, para as povoações limítrofes, eram as mercadorias, de várias espécies, transportadas às costas, em alimárias e em pachorrentos carros de bois, principalmente as maias pesadas.. E de Vidago a Boticas eram dezassete quilómetros, aproximadamente, através da serra. Era um trajecto difícil, por uma alcantilada, sinuosa e estreita vereda que a serra atravessava como uma gigantesca e fantasmagórica serpente. [...]
Embora, difusamente, não podemos imaginar o quão difícil se tornava subir ou descer as encostas, do Sr. do Monte, com os carros carregados. Quando chovia era o piso molhado, lamacento, escorregadio, uma constante armadilha para homens e animais. Também um autêntico inferno experimentavam, no mesmo trajecto, quando a canícula estonteava as cabeças e as moscas e moscardos, sem piedade, os ferravam.
Em 1930, partindo de Boticas, atravessando os Soutos da Costa, em direcção ao Alto de Pinho, aqui também, homens e animais, num esforço doido, golpeando a serra, davam forma a mais um troço da Estrada nº 311. - Vidago era o objectivo. [...]
Entretanto, os carretos, faziam-se pela serra do Sr. do Monte. Carreteiros se chamavam, aos homens que a este duro e penoso trabalho se dedicavam, em sintonia com os restantes trabalhos da lavoura. Os ganhos eram magros e o raio da filharada nunca era atacada pelo fastio. Vida de cão. Nada fácil. Lembrança de tempos passados. Eram homens rudes, simples, honestos e laboriosos. Teceram, por assim dizer, as malhas da rede de um estrato de tempo."
(Excerto do preâmbulo)
Porfírio Maio Agostinho (1947-2005). "Escritor, natural de Eiró, Freguesia e Concelho de Boticas, nasceu a 02-08-1947 e faleceu em 2005. Completou a Instrução Primária com dez anos de idade. Até aos 13 anos trabalhou no campo a ajudar os pais. À procura de uma vida mais digna, foi para a Capital onde, com 13 anos de idade, começou a trabalhar numa fábrica de cortiça. Foi, contudo, em Angola, cumprimento do Serviço Militar (1969/1971), mercê do contacto com outras gentes e outras culturas, rasgando-se à sua frente novos horizontes, que sentia a necessidade de ir mais longe. Para isso tinha que estudar, e fê-lo. Como trabalhador-estudante, fez o 12º ano e frequência da Universidade, mas é como autodidacta que se valoriza, faz várias pesquisas, procura ir sempre mais além. A sua colaboração literária é vasta por Jornais Regionais como: Ecos de Boticas, Negócios de Valpaços; Voz de Chaves; Falcão do Minho; Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro e Revista Unearta, que ajudou a fundar. É autor de diversos livros, como Os Carreteiros; Natália; Tinísia e os Guerreiros; O Sonho é Um Desatino e, por fim Torneio de Ervededo."
(Fonte: Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses, (Volume I, Coord. Barroso da Fonte, Editora Cidade Berço, 1998)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Pequeno rasgão na contracapa, junto da lombada, sem perda de suporte.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

10 dezembro, 2023

GRANJO, Antonio - AGUAS. Famalicão, Typ. Minerva de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1909. In-8.º (22 cm) de 104 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra poética de António Granjo. Um olhar diferente do "herói da República" através de 35 composições em verso.
Edição impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com bonitas vinhetas tipográficas encimando cada um dos poemas que compõem a obra.

"Nas lettras d'um missal, no pó d'um pergaminho,
Eu vejo sempre um que d'encanto e de carinho.
Um livro antigo é sempre a voz d'um coração
Que nos veio poisar na palminha da mão,
É sempre a imagem casta e simples d'uma freira
Que arremessou ao fogo a trança derradeira
E só levanta o olhar agora para o ceo...

Um livro antigo é sempre um peito que soffreu,
Uma dor feita verbo, um ai feito oração,
Uma gota de de sangue errando pelo chão
Dos claustros do Passado, a fé d'um cavalleiro
Partindo uma manhã, num barquinho velleiro,
Em demanda da India...

É sempre um livro antigo
Um conselho de pae, o braço d'um amigo."

(Os livros antigos)

António Joaquim Granjo (1881-1921). "Nasceu em Chaves, a 27 de Dezembro de 1881 e faleceu em Lisboa, a 20 de Outubro de 1921. Ingressou no seminário de Braga, em 1893, seguindo os estudos eclesiásticos até 1898, tirando o curo de Teologia no Porto, em 1899, e daí partiu para Coimbra, tendo tirado o bacharelato em Direito na Universidade de Coimbra, em 1907. Nesse ano, regressa a Chaves para exercer advocacia mudando-se para Lisboa em 1919. Assentou praça no regimento de Cavalaria 6 e integrou o Corpo Expedicionário Português no posto de alferes-miliciano. Foi iniciado na Maçonaria em 1911, no triângulo 187, de Santa Marta de Penaguião, com o nome simbólico de Buffon, tendo pertencido também à Carbonária de Chaves. Foi membro do Partido Republicano Português, do Partido Evolucionista e do Partido Liberal. A sua acção política iniciou-se com a participação no Comité Revolucionário Académico, organizando o núcleo revolucionário em Chaves e participando no Comité Revolucionário de Trás-os-Montes e Beiras. Com a implantação da Republica, ascendeu a administrador do concelho de Chaves, vindo a representar esta cidade como deputado de 1911 a 1921. Depois do assassinato de Sidónio Pais, António Granjo insurgiu-se contra a Monarquia do Norte, em 1919. Iniciou a sua carreira governamental como ministro da Justiça durante o governo do coligação de Domingos Leite Pereira e serviu o país como o Chefe do Governo por dois breves mandatos, de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, num governo liberal, e novamente, de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921. António Granjo foi assassinado na noite de 19 para 20 de Outubro de 1921, conhecida por Noite Sangrenta."
(LOFT, Manuel e FERREIRA, Sofia in http://resistencia.centenariorepublica.pt/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com pequenos defeitos nas capas e na lombada.
Raro.
45€

12 maio, 2023

MACHADO, J. T. Montalvão - HOUVE ENVENENAMENTOS NA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA?
Lisboa, [s.n.], 1974. In-4.º (23,5 cm) de 27, [1] p. (47-73 pp.) ; B. Separata do Tomo IV - n.º 1 da Revista «Língua e Cultura» : Sociedade de Língua Portuguesa
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre os casos de morte suspeita por envenenamento na Família Real Portuguesa.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao General Tassara Machado.
"O envenenamento, ou seja a morte por ingestão de substâncias tóxicas, pode verificar-se em condições muito diversas. Por inadvertência ou ignorância, pode um indivíduo ingerir uma substância tóxica e mortal, sem que o facto revele um propósito de morte. [...]
Com o propósito de suicídio, várias pessoas ingerem substâncias altamente tóxicas, precisamente porque desejam pôr termo à vida.
É todavia com o propósito de matar que se observa o maior número de envenenamentos, confiando-se na impunidade e fazendo-se crer na morte natural.
Há ainda uma 4.ª forma de envenenamento, hoje desaparecida nos países cultos, empregada outrora como execução duma sentença, como se diz ter acontecido com Sócrates, condenado a beber cicuta, pelos adversários das suas teorias filosóficas.
É apenas a 3.ª variedade de envenenamento, isto é, dos envenenamentos criminosos, que desejamos aqui tratar. Mais particularmente, nos queremos deter sobre os casos de envenenamento, verdadeiros ou supostos, que surgiram, em épocas várias, em pessoas da Família Real Portuguesa."
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
A - Preâmbulo. B - Rainha D. Leonor, viúva do Rei D. Duarte. C - Filhos do Infante D. Pedro. D - D. João II. E - Príncipe D. José. F - D. João VI. G - Príncipe D. Augusto de Leuchtenberg. H - D. Pedro V e seus irmãos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e forense.
25€

04 janeiro, 2023

LOPO, Júlio de Castro - UM INTELECTUAL - Monsenhor Doutor Manuel Alves da Cunha : notas biográficas e bibliográficas - subsídios. Luanda, Imprensa Nacional, 1948. In-4.º (27 cm) de 79, [1] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Livro-homenagem ao ilustre flaviense Monsenhor Manuel Alves da Cunha, publicado poucos meses após a sua morte.
Ilustrado em separado com três retratos do missionário - um desenho (colagem) no início - e duas fotogravuras no interior.
"Alves da Cunha era um homem liberal e tolerante. O biógrafo que traçar seu perfil, terá de estudá-lo convenientemente dentro das épocas respectivas e sob estes aspectos: o homem, o português, o  missionário e o intelectual.
O homem trouxe do século XIX uma das grandes virtudes morais: - êle tinha horror pela existência do escravo.
O português limitava seu nacionalismo às proporções que a moral e a justiça determinam, mas pondo sempre, acima de tudo e de todos, os superiores interesses nacionais.
O missionário imprimia aos seus actos a afabilidade natural de julgar todos os nossos semelhantes com direito aos convenientes benefícios terrenos e às bem-aventuranças da «outra vida».
O intelectual tinha consciência do que fazia; e tudo o que fazia, era digno de saber-ser e de estudar-se."
(Excerto da Introdução)
Monsenhor Manuel Alves da Cunha (1872-1947). "Nasceu em Chaves, em 8.6.1872 e faleceu em Luanda, em 4.6.1947. Concluiu o bacharelato em Teologia na Universidade de Coimbra (1894). Foi professor do ensino particular na sua Terra (1897) e em 22.9.1900, é ordenado sacerdote. Em 31.10.1901 é nomeado Cónego de Luanda e nos anos seguintes, passa a provisor, e vigário geral, deão da Sé, vice reitor do Seminário Liceu vigário capitular, prelado doméstico, governador do bispado, protonotário apostólico e director das missões católicas. Foi ele que criou o liceu de Salvador Correia e aí foi professor e reitor. Também foi vereador da Câmara de Luanda e provedor da Misericórdia da mesma cidade. Em 1926 o Ministro João Bello chamou-o a Lisboa para com ele estudar o estatuto das Missões e a reorganização do Ministério do Ultramar. Regressou a Angola e prosseguiu a sua brilhante carreira polivalente, ao nível religioso, académico e político. Em tudo o que fez se mostrou um patriota impoluto, um intelectual de fino recorte, um amigo de Angola, um Transmontano inconfundível. Em 1933 foi alvo de uma homenagem pública que envolveu todos os sectores da vida angolana, a coroar uma simpatia invulgar, um trato social incomum, uma cultura fora de série. Em 1.11.1941 embarca compulsivamente no Cubango e desembarca em Lisboa, em 27 do mesmo mês. Só regressa a Angola em 2.1.1943. Nesse lapso de tempo publica e anota o III Vol. da História das Guerras Angolanas de Cadornega (1942). Alberto de Lemos, seu biógrafo e seu aluno, escreveu: "é um dos maiores vultos da História de Angola. Durante 15 anos da vacância episcopal foi sustentáculo válido duma Igreja batida pelo abandono e pelas agressões duma política que não tinha a compreensão das melhores conveniências do Ultramar Português e também atormentada pelas agressões de potências estrangeiras que ambicionavam deslocar nos dos territórios e das posições das influências em África. Dotado de inteligência superior e muito culto, modelo de virtudes cristãs, foi sempre colaborador indispensável e amado pela hierarquia que com ele privou. Polígrafo de muitos méritos, foi historiador, etnólogo, ensaísta de muito saber, mestre incomparável de todos os contemporâneos do seu convívio: Foi conselheiro prudente e auxiliar devotado de muitos governadores gerais. "A sua obra literária foi vastíssima, passando pelo jornal O Apostolado, Boletim da Diocese, Revista "Arquivos de Angola"."
(Fonte: https://de_svo.blogs.sapo.pt/30766.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível