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29 agosto, 2024

NUNES, Sousa - MOURAS E MOUROS E SUA EXPULSÃO DO ALGARVE : romance histórico. Lisboa, Depositária Livraria Popular de Francisco Franco, 1950. In-8.º (18,5x12 cm) de 189, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante romance histórico cuja acção reporta ao reinado de D. Afonso III e aos esforços do monarca para a conquista definitiva do Algarve, dando forma às fronteiras do país que prevalecem até hoje.
"Dom Sancho I, reunindo um grande exército, cujo comando entregou a seu cunhado, o conde Dom Gonçalo Mendes de Sousa, mais conhecido por Conde Sousão, marchou sobre a capital do Algarve a que pôs cerco, com o auxílio de uma armada de cruzados dinamarqueses, flamengos, holandeses e frígios, em 1189.
Silves ou Chelb capítulou, depois de uma resistência a todos os títulos heróica, perante um inimigo tão numeroso. A generosidade do rei lusitano quis conceder a um vencido tão pertinaz a regalia de retirar com  todos os seus haveres, mas não lho consentiram os aliados, a que Dom Sancho se viu obrigado a expulsar da cidade à força das armas, depois mesmo de a terem pilhado!
Assegurada a posse desta, o monarca retirou para o Alentejo, tomando na sua passagem várias povoações e castelos, enquanto seu filho, Dom Martim Sanches, deixado por governador, se apossava de quase todo o Algarve ocidental.
A perda de Silves não podia deixar de ferir o coração do Emir Almuad Iacub El-Mensor que, recebendo a notícia do desastre, constituiu um exército em África e caiu sobre o Algarve, sitiando a capital, que as forças de Dom Martim defenderam com denodo. Sem se obstinar diante dos seus muros, para que não houvesse tempo de ser socorrida, o emir internou-se no seio do país, pondo tudo a ferro e a fogo, na sua passagem."
José de Sousa Nunes. Pouco foi possível apurar a respeito do autor. Natural de Angra do Heroísmo(?)/Algarve(?), com bibliografia impressa nessa cidade insular. Escreveu também sobre assuntos algarvios.
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta sujidade marginal. Assinatura de posse datada na f. ante-rosto.
Raro.
50€

18 abril, 2022

NUNES, Sousa - O AMOR NO DEGRÊDO : romance.
Por...
Deposito - Livraria Popular de Francisco Franco, 1929. In-8.º (19 cm) de 112 p. ; B.
1.ª edição.
Romance algo exótico, levemente erótico, cuja acção decorre maioritariamente em Angola, durante o período da Ditadura Militar, principia com o embarque de Paulo - o "herói" da trama - em Cascais rumo ao degredo. A história acaba mal.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa de José de Sousa Nunes, datada de 31-12-929, "ao seu ilustre amigo o Cap. Carlos Cordeiro".
"O navio parou nas alturas de Cascais, para meter deportados, na calada a noite, com destino às colónias. Era um acontecimento banal, naquele período de efervescência revolucionária, a que já se não dava importância, mas desta vez, por excepção, uma curiosidade invencível estimulava todos os espírito e não deixava ninguém arredar pé, sem ver chegar certo prêso.
Tratava-se dum chefe algarvio, e quem os jornais se ocupavam vivamente, publicando-lhe fotografias espaventosas e criando-lhe um prestígio romanesco, que era qualquer coisa de considerável para as almas apaixonadas das nossas mulheres portuguesas.
Oficial dos mais distintos nos últimos tempos do democratismo, tanta gente se lembrava dêle em Lisboa, de o verem estadear a sua bela figura de militar cheio de garbo, quer à frente do seu pelotão de cavalaria da Guarda, nos dias solenes de parada, quer numa reünião oficial, o peito constelado de medalhas e cordões, lado a lado do seu Ministro, de quem muitas vezes foi ajudante, ou numa estação de desembarque, à espera dalgum adido militar estrangeiro, no impedimento do mestre de cerimónias legítimo!
Obrigado a residir em Faro, após o advento da ditadura, era detido, tempos depois, em Moncarapacho, sob o pêso duma acusação gravíssima, de que lhe resultou ser julgado sumàriamente, demitido do seu pôsto, privado de todos os seus direitos cívicos e deportado para Luanda, até lhe ser dado melhor destino.
Pouco haverá quem tenha esquecido aquela aterradora conspiração no Algarve, em que se viram envolvidos os mais ilustres e graúdo nomes do Sul, de todos os graus da sociedade, onde entravam generais e superabundavam os doutores e as classes produtoras.
Pois o jovem tenente de cavalaria, Paulo Faisão de Tôrre de Ares, êsse simpático oficial moreno, tão elegante como um  mosqueteiro, que fez durante anos o encanto e delícia das raparigas de Lisboa, foi o chefe dêsse conluio - dizia-se."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente manchadas; pequena falha de papel na lombada.
Raro.
Indisponível

12 agosto, 2019

NUNES, Sousa - GARRETT E AS SUAS HEROÍNAS. A Rainha Menina : romance histórico. Lisboa, Depósito: Livraria Popular de Francisco Franco, [1953]. In-8.º (19,5 cm) de 251, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Romance biográfico sobre o grande vate português.
"João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu no Porto, no dia 4 de Setembro de 1799. [...]
Aos 4 anos, vendo o pai quanto João se distanciava do primogénito, resolveu destiná-lo à igreja, e, na mira de o ter mais isolado, levou a família para uma quinta que possuíam no sul do Douro, de nome «Castelo».
Por essa época enchia Napoleão o mundo inteiro com o ruído do seu nome, que tanto aterrava o espírito fraco das velhas fanáticas. João Baptista passou a contar-se no número dos seus maiores admiradores e quanto mais mal ouvia dizer do grande cabo de guerra e dos seus companheiros de armas, mais a imaginação se lhe exaltava a seu favor.
Um dia viu-lhe o retrato na feira de S. Lázaro, no Porto, e comprou-o logo, com o dinheiro que lhe deram para santinhos, gaitinhas e outras bugigangas que faziam a delícia dos mais rapazes, o que lhe mereceu um bom puxão de orelhas do pai.
Quando o General Soult entrou no Porto, partiu António Bernardo com toda a família para a Ilha Terceira, e Garrett frequentou as aulas de latim do professor João António.
Em 1811, foi para aquela ilha seu tio Alexandre, bispo de Luanda, e passaram a viver juntos.
Aos 15 anos descobriram-lhe o primeiro amor e, reconhecendo-se que a carreira eclesiástica não convinha a um carácter amoroso, como o de João Baptista, puseram-no a estudar direito na Universidade de Coimbra."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, ligeiramente oxidadas, com pequenos defeitos.
Invulgar.
Indisponível