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26 agosto, 2024

MATTOS, Prof. Julio de -
CURSO CLINICO DE DOENÇAS MENTAES E NERVOSAS.
Conferencias do... (Reportagem de Bartholomeu Severino). 1.ª Serie de 10 Conferencias. Porto, Livraria Editora de Lopes & C.ª - Successor, 1910. In-8.º (22,5x16 cm) de 109, [3] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Interessante e pouco conhecida série de conferências sobre transtornos mentais proferidas por Júlio de Matos, no Porto, pouco antes de se estabelecer em Lisboa para dirigir o Hospital Miguel Bombarda (1911-1923) e leccionar a cadeira de Clínica Psiquiátrica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Obra rara, porventura das menos conhecidas do iminente médico psiquiatra português, não vem mencionada na maioria das bio-bibliografias consultadas. Este conjunto de 10 conferências é tudo quanto foi publicado.
Ilustrada no texto com o "Schema [esquema] de Grasset", e em separado, com o retrato do Prof. Júlio de Matos.
Índice das conferências:
1.ª  - Evolução historica da loucura. 2.ª - Causas dos doenças mentaes e nervosas. Necessidade do estudo da psiquiatria. 3.ª - Causas endogenicas e exogenicas. A hereditariedade; traumatismo e infecções. A idiotia e a demencia. O que a psiquiatria espera da quimica organica. 4.ª - Uma incursão pela psicologia. 5.ª - Resumindo. 6.ª - O acto reflexo. 7.ª - Uma doente com alucinações auditivas e ilusões visuaes. 8.ª - Como se constitue uma percepção. 9.ª - Os dez grupos de delirios e a sua redução a cinco. 10.ª - Uma mulher atacada da fobia dos contatos, em seguida a uma infeção puerperal e enfraquecimento organico.
Encadernação em sintético com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Júlio Xavier de Matos (1856-1922). "Cirurgião médico pela Escola Medico Cirúrgica do Porto, diretor do Manicómio do Conde de Ferreira, depois diretor do Manicómio Bombarda, e vice reitor da Universidade de Lisboa. Nasceu no Porto a 26 de janeiro de 1856, sendo filho do distinto advogado Joaquim Marcelino de Matos. Fez o curso com muita distinção, e defendeu tese a 24 de julho de 1880. Nomeado médico adjunto do hospital de alienados do Conde de Ferreira, foi depois seu diretor, vindo para Lisboa, mais tarde, por morte do dr. Miguel Bombarda, tomar a direção do Manicómio de Lisboa, onde se tem conservado. Quando ultimamente se estabeleceram as universidades de Lisboa e do Porto, foi também nomeado vice-diretor da de Lisboa. Como alienista, o sr. dr. Júlio de Matos adquiriu uma grande e merecida reputação, dentro e fora do país. Como escritor, alia à sua correção pouco vulgar, notável brilho de expressão. As suas conferências sobre psiquiatria marcaram época em meio tão avesso a estes cometimentos. Professor muito distinto, foi eleito para presidir ao congresso do professorado do ensino secundário do Porto."
(Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/xaviermatosjulio.html)
Exemplar em bom estado de conservação. Capa frontal apresenta assinatura de posse e pequenas falhas de papel à cabeça.
Raro.
120€

30 dezembro, 2022

CORRÊA, Antonio Augusto Mendes - O GENIO E O TALENTO NA PATHOLOGIA
(esboço critico)
. Porto, Imprensa Portugueza, 1911. In-8.º (20 cm) de [6], 184 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio dedicado à análise das capacidades artísticas evidenciadas por pacientes internados em instituições consagradas às doenças do foro psiquiátrico, e outras patologias que, não se enquadrando nessas, eram tratadas como tal.
Primeira obra do autor, tendo servido de dissertação final ao curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Livro ilustrado com 17 figuras, sendo a maior parte em página inteira, reproduzindo trabalhos de doentes, os mais variados: desenho; pintura; artefactos de madeira, partituras, etc., produzidos em Rilhafoles, mais tarde Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), e no Hospital do Conde Ferreira (Porto).
"São velhos e banaes os conceitos de que «não ha grandes homens para os seus creados de quarto» e de que creaturas de mentalidade superior «não teem o juizo todo». A não ser que uma idolatria apaixonada, motivada as mais das vezes por uma conformidade de opiniões, venha suspender um tal criterio depreciativo, a cada passo de apontam, a meia voz e entre risinhos ironicos, excentricidades, manias bizarras, singularidades intimas, extravagancias ridiculas de creaturas notaveis, o que se leva tudo á conta de perturbações de saude mental. [...]
O medico moderno abandonou o papel restricto dos seus antecessores e, firmado na somma enorme de conhecimentos que a sciencia lhe fornece, entrou de alargar legitimamente o seu campo de acção. A medicina hoje tem, por exemplo, um importante aspecto social e ao medico exige-se em muitos casos que seja doublé de sociologo. Na hygiene, em medicina legar, etc., o medico não é o physico antigo, o remoto cirurgião, o humillimo curandeiro archaico, mas um verdadeiro sociologo, que põe em jogo factos sociaes e intervem poderosamente na vida colectiva das sociedades humanas.
Um campo novo se lhe abriu tambem na psychologia. O fôro da consciencia era antigamente quasi do exclusivo dominio do ministro da religião. A actividade do espirito não era devassada habitualmente pelo medico; nas proprias perturbações mentaes, nos casos de loucura, chamava-se o padre para com bençãos e exorcismos expulsar o espirito maligno do desventurado possesso, ou, com um pittoresco optimismo e uma crendice suprema, cuidava-se - noutras épocas - de adorar as victimas de taes perturbações como se uma inspiração divina sobre ellas tivesse baixado."
(Excerto de A medicina e a critica)
Matérias: A medicina e a critica. | Conceitos do genio e do talento. | A historia da questão da morbidez do genio e do talento. | As doutrinas de Moreau ( de Tours) e de Max Nordau. | A doutrina de Lombroso. | O genio e o talento nos alienados. | Conclusões.
António Augusto Esteves Mendes Correia (1888-1960). "Antropólogo português, nasceu a 4 de abril de 1888, no Porto, e morreu a 7 de janeiro de 1960, na cidade de Lisboa. Licenciou-se em Medicina em 1911 e foi nomeado assistente de Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde começou a ensinar Antropologia. Dois anos mais tarde, em 1913, fez provas públicas nesta mesma faculdade, apresentando a dissertação: "Os Criminosos Portugueses (Estudos de Antropologia Criminal)".
Apesar de ser licenciado em Medicina, António Mendes Correia dedicou-se sobretudo ao ensino e à investigação científica. Foi professor de Geografia e Etnologia na Faculdade de Letras do Porto e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da mesma cidade. Para além da docência, Mendes Correia ocupou diversos cargos diretivos, tendo sido Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Faculdade de Ciências do Porto (1923), Diretor da Escola Superior Colonial, que mais tarde se veio a chamar Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1946), e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), entre outros.
António Mendes Correia ajudou ainda a fundar diversos institutos, sociedades, museus e laboratórios científicos tais como o Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. No âmbito da política, foi Presidente da Câmara Municipal do Porto de 1936 a 1942 e Deputado da Assembleia Nacional a partir de 1945.
António Mendes Correia foi um dos nomes mais importantes da Antropologia portuguesa do século XX. Para além de professor de Antropologia, Mendes Correia soube acompanhar as mais relevantes correntes do seu tempo e contribuir para a sedimentação desta ciência em Portugal.
Conhecedor de múltiplos saberes, Mendes Correia publicou inúmeros estudos no âmbito da Antropologia, Arqueologia, Criminologia e História. Da sua vastíssima obra destacam-se as seguintes publicações: 1911, O Génio e o Talento na Patologia; 1913, Criminosos Portugueses; 1915, Crianças Delinquentes; 1915, Antropologia; 1919, Raça e Nacionalidade; 1921, Homo; 1924, Os Povos Primitivos da História; 1925, A Antropologia nas suas relações com a Arte; 1931, A Nova Antropologia Criminal; 1932, Origens da Cidade do Porto; 1934, Da Biologia à História; 1940, Da Raça e do Espírito; 1946, Uma Jornada Científica na Guiné Portuguesa; 1954, Antropologia e História.
(Fonte: infopédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

28 setembro, 2020

MATTOS, Julio de - ALLUCINAÇÕES E ILLUSÕES. Ensaio de psychologia medica. Por... Medico adjuncto do Hospital de Alienados do Conde de Ferreira, Socio Correspondente da Academia Real das Sciencias, da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa e Membro Associado Estrangeiro da Sociedade Medico-Psychologica de Paris. S. Paulo, Teixeira & Irmão - Editores, 1892. In-8.º (21 cm) de 96 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho publicado pelo autor em S. Paulo, Brasil, e por si dedicado "aos estudantes de medicina portuguezes e brazileiros".
Esta pode ser considerado uma primeira edição, já que foi completamente restruturada, alterada e muito acrescentada, pouco sobrando do folheto original, publicado em 1880, com o título Allucinações.
"Este livro não é propriamente uma reedição do que, sob titulo de Allucinações, publiquei em 1880 n'uma tiragem extremamente limitada. Dos onze annos que me separaram d'essa data, perto de nove teem decorrido para mim no internato de um hospital de alienados; e esse tempo de experiencia, permittindo-me tomar do assumpto um conhecimento mais intimo, fez-me comprehendel-o melhor e sentir a importancia dos seus aspectos clinico e medico-legal, esquecidos no antigo trabalho e agora postos em relevo.
Assim, posso dizer que do primitivo estudo aproveitei muito pouco para esta edição definitiva. Escrevi capitulos novos, modifiquei pontos vista nos antigos de, dei um logar importante aos resultados colhidos pelo emprego da suggestão hypnotica na provocação experimental das allucinações, emfim alterei a propria fórma litteraria n'um intuito de maior clareza, tendo em vista que os estudantes de medicina constituirão naturalmente a maioria dos meus leitores."
(Excerto do Prefacio)
Indice:
Prefacio. | I - Definições e divisões. II - Etiologia. III - Theorias pathogenicas. IV - Frequencia e valor clinico. V - Medicina legal.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel marginais. Miolo correcto. Deve ser encadernado.
Raro.

Indisponível