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17 outubro, 2025

CARVALHO, Avelino Cardoso Ferreira de -
SOBRE O EXERCICIO ILLEGAL DE MEDICINA EM VILLA NOVA DE FAMALICÃO. (A proposito de um caso de obstetricia). Dissertação Inaugural. Porto, [s.n. - Impressa em machina "Marinoni" na Typographia Minerva de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão - V. N. de Famalicão], 1906. In-8.º (22,5x16,5 cm) de 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Tese académica apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
A propósito de um caso de obstetrícia, o autor ataca a classe farmacêutica de Famalicão que acusa de charlatanice e prática ilegal da medicina, aproveitando o desconhecimento e crendice da população.
Trabalho insólito, raro e muito curioso.
"De todas as artes liberaes, a que mais tendencias manifesta para se tornar presa do charlatanismo, certamente é a medicina a que se mostra mais favorecida.
As tendencias verdadeiramente extraordinarias que na humanidade se manifestam para tudo o que é maravilhoso, phantastico e rodeado de mysterio, tornam-se inexplicaveis; a necessidade de phantasia é tendencia tão propria da natureza do homem, que se é forçado a convir que corresponde a uma das leis da nossa organisação, que é um dos attributos da nossa natureza e, por assim dizer, uma das condições da nossa existencia.
Os prejuizos que para a sciencia medica se manifestam numerosos e variados, exercem grande predominio entre todas as classes da sociedade, na média e burgueza, na rica e aristocratica, na popular e ignorante, se bem que se possa admittir que os camponezes, gente simples, cujo duro mister não deixa repoiso para trabalhos de intelligencia, sejam facilmente seduzidos por chimeras que, mesmo rodaeadas dum véu de religiosidade, não têm mais credito. [...]
Que differença existe entre o homem civilisado d'hoje, que consulta as mezas rolantes e comsigo traz amuletos e medalhas, para o preservar de doenças e de outro qualquer accidente, e os antigos que consultavam o vôo das aves e adoravam os fétiches?
As tendencias que manifestam ainda agora homens de espirito nivelado pela evolução dos mais solidos predominios da mentalidade moderna para as mesmas aberrações, que são de todas as épocas e de todas as latitudes, nada mais é que o resurgir da velha historia das obsessões, dos encantos, dos exorcismos e de toda a bagagem magica, que para sempre parecia sepultada nas ruinas da idade média.
É uma observação triste, um dos phenomenos dos mais inexplicaveis da historia da humanidade esta credulidade incuravel, esta facilidade de admittir, sem exame e sem contestação, tudo o que tenha alguma apparencia de sobrenatural, ao passo que a verdade não é acceita senão com a maior lentidão e a maior reserva."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado. Capas ligeiramente sujas.
Raro.
45€

25 janeiro, 2025

VALLE, Libanio Northway do - GRANDE ALMANACH DE SAUDE. Vade-mecum therapeutico e pharmacologico. Compilação de indicações, descripção de doenças e seu tratamento propriedade e dozagem dos medicamentos. Pelo Facultativo civil e major de infanteria reformado... Cavalleiro da Real Ordem Militar de S. Bento de Aviz, antigo alumno do Real Colegio Militar. Anno de 1897. Lisboa, Editor - J. M. O. Valle, 1896. In-8.º (14x9,5 cm) de 192 p. ; E.
1.ª edição.
Precioso almanaque, abrangendo diversas áreas da saúde, sobretudo as relacionadas com o diagnóstico das doenças e farmácia e preparação de medicamentos.
Obra rara. A BNP não menciona.
Índice:
Epocas memoraveis - Computo ecclesiastico - Temporas - Festas moveis - Estações do anno - Ferias - Bençãos matrimoniaes - Eclipses | Meses e dias santos | Pharmacia - Indicações geraes | Hygiene Therapeutica | Therapeutica - Formulario therapeutico | Envenenamentos | Formulario [Preparação de medicamentos].
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Interior correcto, escurecido.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

06 março, 2023

O ENSINO DE FARMÁCIA.
Uma questão já velha... [S.l.], [s.n], [1926]. In-8.º (22 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição independente.
Polémica relacionada com o ensino superior de Farmácia. Artigo vertido em separata, anteriormente publicado no Jornal «A Montanha» em Dezembro de 1925 e Janeiro de 1926, pouco tempo antes da instauração do regime da Ditadura Nacional em Portugal.
"Questão de interêsse geral, para bem a esclarecer, teremos de fazer um pequeno bosquejo histórico sôbre o ensino de Farmácia em Portugal.
Até 1902 existiam entre nós dois cursos de Farmácia: o irregular ou de 2.ª classe e o regular ou de 1.ª classe.
O primeiro obtinha-se mediante uns exames liceais e oito anos de boa prática farmacêutica nas farmácias particulares a que se seguia um exame geral de Farmácia feito nas escolas de Medicina, perante um juri de três membros, um dos quais farmacêutico e professor do Dispensário farmacêutico anexo às Escolas de medicina, e o segundo ou regular, que era cursado em dois anos nas Escolas médicas, após toda a preparação liceal.
O primeiro era feito por todo o grande número de indivíduos que sem posses para mais, iam praticando nas farmácias particulares e estudando; o segundo pelos alunos de medicina e quási sempre por sport ou para aumentar o número dos seus diplomas.
Resultado final: dois cursos incompletos.
Um tinha a prática laboratorial mas faltavam-lhe os conhecimentos scientíficos absolutamente necessários: o outro tinha a preparação geral mas faltavam-lhe os conhecimentos técnicos. [...]
Criado pela lei de 1902, o curso superior de Farmácia, ficou assim e desde logo numa justa visão do que devia ser o ensino e o exercício da profissão farmaceutica, unificado êsse curso.
Não mais farmaceuticos de duas qualidades; apenas farmaceuticos com iguais habilitações para ricos e pobres, cidades e aldeias.
Mas surge o advento do novo regime e com êle o advento também de alguns reformadores...
Logo em 1911 nova reforma: criação do curso de farmaceutico-químico,  a seguir a licenciatura e, finalmente, o doutoramento.
Pelo meio, esparsas como flores em canteiro mal tratado, uma reformecas para uso do auctor.
Não se fez logo a reforma, a única que devia ter sido feita, isto é, um curso de tal forma organisado que dêle saíssem profissionais sabedores, competentes, podendo entrar mal saídos ainda da sua escola, na vida prática com confiança em si próprios, e tendo a confiança dos outros."
(Excerto da exposição)
Exemplar em brochura, preso por atilhos - tal como foi distribuído -, em bom estado geral de conservação. Frágil, com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
15€

12 setembro, 2022

PEREIRA, Alfredo - OPERAÇÕES E PREPARAÇÕES PHARMACEUTICAS. (Apontamentos para uso dos estudantes de pharmacia). Por... Pharmaceutico pela Escola Medico-Cirurgica do Porto..., etc.
Porto, Typographia Occidental, 1899. In-8.º (21,5 cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual farmacêutico para elaboração das mais variadas drogas e medicamentos. Nada foi possível apurar acerca do autor desta curiosa obra, para além da informação impressa no frontispício, uma vez que não existem referências ao livro, incluindo na Biblioteca Nacional.
Livro ilustrado com 23 desenhos ao longo do texto.
"A Technica das manipulações pharmaceuticas, por mais que sobre ellas se escreva e diga, só ao laboratorio pertence, isto é, ao laboratorio em que os utensilios e apparelhos necessarios existam e no qual o pharmaceutico em vez de patrão seja professor.
Theoricamente pouco ha, sobre ellas, que dizer. Apenas definições, modo de corrigir as alterações e modo de conservação, as ultimas duas coisas, que em vista das incessantes descobertas da sciencia, unicamente podem utilisar-se. O que á pratica pertence não ha que tirar-lh-o.
Resumindo, pois, n'este pequeno volume o que sobre as preparações pharmaceuticas, mais importantes por generalisadas, de essencial convém conhecer tenho simplesmente em vista auxiliar os praticantes ou ajudantes de pharmacia na comprehensão de que a technica, de per si, não póde ensinar-lhes e ao mesmo tempo preparal-os para o estudo da pharmacia galenica, parte importante do seu exame final.
A inscripção das fórmulas, comprehendidas, por cada manipulação na Pharmacopêa Portugueza, considero-a vantajosa, visto que assim essas formulas se rememoram e mais facilmente se especificam."
(Preâmbulo)
"A pharmacia divide-se em pharmacotechnia e em pharmacologia. A primeira comprehende o estudo das manipulações pharmaceuticas; a segunda o estudo das substancias que entram n'essas manipulações. Arte pela primeira a pharmacia é sciencia pela segunda.
De um modo geral, pois, pharmacia pode dizer-se a arte que ensina a preparar os medicamentos, tendo-se préviamente conhecimento scientifico indispensavel dos simplices que os constituem."
(Excerto de Preliminares)
Exemplar em brochura, revestido por capas simples, lisas, em bom estado de conservação. Carimbo oleográfico e assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

23 julho, 2022

ALCOBAÇA, Bernardo d' - O MEDICO DA FAMILIA.
Tratado pratico de medicina e de pharmacia usual, indispensavel em todos os lares. Compilação feita sobre os trabalhos dos melhores auctôres portuguezes e extrangeiros
. Lisboa, João Romano Torres & C.ª - Editores, [191-]. In-8.º (19 cm) de 312 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Capa de Moraes (Alfredo de Morais, 1872-1971).
Interessante "enciclopédia" de saúde compilada pelo conhecido Bernardo d'Alcobaça, pseudónimo literário de Pedro Herculano de Morais Leal, "tradutor de culto" do 1.º quartel do século XX, cujo trabalho incidiu, na sua maioria, em verter para português obras do género erótico e 'médico-erótico'.
Raro e muito interessante. A BNP não menciona.
Livro ilustrado com quadros e tabelas ao longo do texto.
Indice das Materias:
Doenças peculiares aos dois sexos: Doenças inorganicas. Doenças do tubo digestivo: - Bôcca; - Garganta; - Estomago. Doenças intestinaes. Doenças do abdomen. Doenças dos rins. Doenças da bexiga. Doenças do figado. Doenças das vias respiratorias. Doenças do coração. Doenças infecciosas. Doenças dos olhos. Doenças dos ouvidos. Doenças da pelle e do couro cabelludo. Nevróses. Doenças do cerebro. Doenças por intoxicações. | Doenças peculiares do sexo masculino. | Doenças peculiares do sexo feminino. | Creação da creança. | Doenças das creanças. | Conhecimentos praticos. | Alimentação. | [Indice alphabetico].
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam margens algo desgastadas.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

12 maio, 2015

[CHERNOVIZ, Pedro Luís Napoleão] - MEMORIAL THERAPEUTICO OU BREVE INDICAÇÃO DE VARIAS FORMULAS EMPREGADAS COM INEXCEDIVEL EXITO NO DECURSO DE MAIS DE TRINTA ANNOS DE EXERCICIO PRATICO DE CLINICA E PHARMACIA NO IMPERIO DO BRAZIL. Acompanhado como additamento de uma exposição botanica das plantas medicinaes brazileiras, cujos usos vão indicados no texto d'esta obra. Lisboa, Typgraphia Universal de Thomaz Q. Antunes, Impressor da Casa Real, 1873. In-8.º peq. (13,5cm) de [2], 123, [1] p. ; E.
1.ª (e única) edição.
Curiosíssimo trabalho publicado sob anonimato, sabe-se que o seu autor foi Pedro Luís Napoleão Chernoviz, médico polaco, durante muitos anos radicado no Brasil. O livro divide-se em duas partes:
O Memorial Therapeutico, que inclui 185 preparados;
A Descripção das Plantas Medicinaes Brazileiras citadas em varias fórmulas d'este Memorial.
Mais tarde, o autor integraria esta obra em edições posteriores do seu conhecido Formulario ou Guia Médica (1841), julgamos que, a partir da 10.ª edição (1879).
"A presente publicação nada tem de commum com essa alluvião de formularios, que um desejo de ganhar nome, ou a cubiça do lucro acarretam quasi quotidianamente para o mercado dos livros; não passando a maior parte das vezes de meras especulações, com que se illude a credulidade do vulgo ignaro sem proveito da sciencia.
As fórmulas recoplidas n'este livrinho, e entregues hoje á publicidade, são exclusivamente o fructo de conscenciosas observações e experiencias medico-pharmaceuticas, emprehendidas e executadas no periodo de tres decadas de annos em que o auctor residiu e exerceu os dois ramos da arte de curar no imperio de Vera Cruz."
(excerto da introdução)
Pedro Luiz Napoleão Chernoviz (1812-1881). "O doutor Pedro Luiz Napoleão Chernoviz, nome abrasileirado de Piotr Czerniewicz, nasceu na Polônia (Lukov), em 1812. Em 1830, já como estudante de medicina na Faculdade de Varsóvia, foi obrigado a sair de seu país, ainda bem jovem, por ter participado de um levante contra o domínio russo. Assim como milhares de outros poloneses, recebeu abrigo em território francês, onde pôde continuar seus estudos, doutorando-se, aos 25 anos, em medicina pela Faculdade de Montpellier.
Na busca de fama e fortuna, resolveu, em 1840, aventurar-se pelas terras brasileiras, uma vez que o país era visto como promissor na área da saúde. Em dezembro do mesmo ano, teve seu diploma reconhecido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi aceito na Academia Imperial de Medicina, como membro titular. Entretanto, ao entrar em contato com as vivências e costumes da capital brasileira, percebeu que, para atingir seus propósitos de enriquecimento, o meio mais eficaz não seria clinicar ou dedicar-se à arte cirúrgica. Isto porque já existiam muitos consultórios médicos e de cirurgiões renomados na cidade carioca.
Entretanto, esse quadro não se repetia nos vilarejos interioranos, afastados dos grandes centros urbanos. Havia uma numerosa população rural carente de todo tipo de assistência relacionada à saúde. A partir dessa constatação, Chernoviz dedicou-se à idéia de produzir manuais em língua portuguesa, que tivessem explicações sobre o conjunto posológico e indicações de procedimentos básicos, que pudessem orientar leigos e acadêmicos nos atendimentos diários e nos primeiros diagnósticos.
A idéia viria a se materializar com as publicações do Formulário e Guia Médico (1841) e do Dicionário de Medicina Popular e das Ciências Acessórias (1842), que se tornaram referência para as questões médicas. Grande foi a aceitação desses manuais, o que resultou na publicação de várias edições. Segundo o estudioso Hilton Seda, possivelmente em virtude das críticas que estava recebendo pelo fato de seus manuais facilitarem o acesso dos leigos à medicina, Chernoviz teria se desligado, em 1848, da Academia Imperial de Medicina.
Em 1855, retornou a França, em companhia de sua mulher Julie Bernard e de seus seis filhos (um dos quais daria continuidade a seu grande projeto editorial) e morreu, em Paris, em 1881. Sem dúvida, foram várias as contribuições de Chernoviz para o campo da saúde: publicou diversos artigos na Revista Médica Fluminense e na Gazeta Médica da Bahia. Entretanto, não ficou conhecido no Brasil por sua atuação acadêmica ou clínica, mas por seus manuais médicos, que se tornaram instrumentos essenciais para disseminar práticas e saberes aprovados pelas instituições médicas oficiais no cotidiano daquela população.
A imagem de Chernoviz foi, assim, associada aos próprios manuais, como fica claro a partir do poema Dr. Mágico, de Carlos Drummond de Andrade: "Dr. Pedro Luís Napoleão Chernoviz / Tem a maior clientela da cidade. / Não atende a domicílio / Nem tem escritório. / Ninguém lhe vê a cara. / Misterioso doutor de capa preta ou invisível, (...)"."
(Fonte: http://www.museudavida.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=40&sid=30)
Encadernação inteira de percalina com título da obra gravado a seco e a ouro na pasta frontal.
Raro.
Indisponível

28 março, 2013

PHARMACOPÊA PORTUGUEZA. Edição Official. Lisboa, Imprensa Nacional, 1876. In-8.º (22 cm) de LII, [1], 547, [1] p. ; E.
1.ª edição.
"Tendo a commissão nomeada por decreto de 15 de novembro de 1871 feito subir á minha real presença o projecto de pharmacopêa geral do reino, que foi encarregada de elaborar; e atendendo a que no mesmo projecto estão convenientemente consideradas e aproveitadas as indicações das sciencias aplicaveis, no seu progressivo desenvolvimento, o que torna esta obra recomnendavel para o ensino e pratica da pharmacia em harmonia com as exigências da epocha:
Hei por bem conceder a minha real aprovação ao mencionado projecto, e determinar que, sob a denominação de Pharmacopêa portugueza, fique substituindo para todos os efeitos legaes o «Codigo pharmaceutico lusitano» aprovado por decretos de 6 de outubro de 1835 e 14 de fevereiro de 1861, o que todavia só terá execução depois de decorridos seis mezes a contar da publicação d’este decreto no Diario do governo.
O ministro e secretario d’estado dos negócios do reino assim o tenha entendido e faça executar. Paço, em 14 de setembro de 1876.
REI.
Antonio Rodrigues Sampaio."
(Reprodução do Decreto, aprovando o projecto de pharmacopêa)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível