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01 junho, 2020

FERREIRA, Izidoro Sabino - MEMORIAS DO ACTOR IZIDORO. Escriptas por elle mesmo precedidas do retrato do auctor e de uma carta do Ex.ᵐᵒ Sr. F. Palha. Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, 1876. In-8.º (18,5 cm) de 172, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do actor Isidoro, um dos nomes mais marcantes do teatro nacional no século XIX. Terminadas em Novembro de 1875, as suas Memórias foram publicadas em 1876, pouco antes do seu falecimento.
Livro muito valorizado com o retrato do autor extratexto, dado que raramente acompanha a obra.
Contém um apontamento biográfico da autoria de Júlio César Machado transcrito de uma obra por ele publicada em 1859, e que merece alguns comentários de Isidoro ao longo do texto.
"É difficil escrever uma carta analysando o seu livro.
Eu não sou a Critica, louvado Deus; e que o fosse, não me parece que ella tenha muito que fazer com um trabalho despido de pretensões, fructo de algumas horas de ocio, recordações ao correr da penna d'alguns factos da sua vida de artista, quasi collecção de anecdotas contadas ao publico com a semcerimonia de quem esta habituado a tratal-o familiarmente.
Para mim teem essas paginas, além do merecimento de haverem sido escriptas por um actor portuguez, o de me avivarem a doce memoria dos saudosos tempos que não voltam! A todas estas seducções accresce a sympathia que me desperta sempre a coragem de qualquer tentativa n'este paiz de má lingua e das senhoras visinhas. Não me acoime de iberico por este beliscão dado na querida patria nossa."
(Excerto da Carta de Francisco Palha)
Isidoro Sabino Ferreira (1828-1876). Categorizado actor português da segunda metade do século XIX. Nasceu em Lisboa. De origens humildes, teve uma infância difícil. Ambicioso e trabalhador, subiu a pulso na carreira teatral, actuando nos principais palcos da capital. No início, a fim de contribuir para a economia doméstica, emprega-se como aprendiz de tecelão numa fábrica em Xabregas. "Mais tarde, a paixão de Isidoro pelo teatro e o seu talento mudaram a sua vida. Após uma breve passagem como figurante no Teatro Nacional, o tecelão iniciou a carreira como actor profissional no Teatro do Salitre, e integrado numa sociedade de actores, trocando definitivamente o tear pelo palco. Em 1863, é contratado pelo Teatro Nacional, chegando mesmo a ser classificado pelo Conselho Dramático como artista de primeira. Isidoro era um homem empreendedor, cheio de força, a par de um enorme talento, reconhecido pela crítica, pelo público e pelos seus pares, o que lhe valeria, em 1875, as insígnias de «cavaleiro da antiga, nobilíssima e esclarecida ordem de S. Tiago de mérito científico, literário e artístico». E não se pense que ele era apenas um grande ator cómico. Isidoro era capaz de ir do drama à alta comédia, passando pela farsa e pela tragédia, sempre com a mesma classe, aplaudido pela sua personalidade e não pelos seus bonitos olhos ou por ter um palminho de cara engraçado. Aliás, ele tinha dois grandes olhos num rosto de feições vulgares, mas pouco belas! Tinha, porém, a seu favor um ar jovial, risonho, patusco, que despertava empatias por onde passava." [Faleceu relativamente jovem, em 1876, pouco depois da publicação da presente obra.].
(Fonte: jornalaudiencia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa suja com defeitos, e pequeno restauro no canto superior direito.
Raro.
Indisponível

14 maio, 2020

FERREIRA, Izidoro Sabino - 1862 : Revista em 3 actos e 6 quadros. Por... Dedicada ao Ill.ᵐᵒ e Ex.ᵐᵒ Senhor Conde do Farrobo. Para o theatro Gymnasio Dramatico. Lisboa, Imprensa de Sousa Neves, 1862. In-8.º (16,5 cm) de 57, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Primeira incursão de Isidoro como autor na produção deste tipo de peças, ele que até aí apenas representava, tendo traduzido uma ou outra peça. A publicação da Revista é dedicada ao Conde do Farrobo “o decidido protector de todas as artes em geral, e da arte e letras dramaticas em particular” de quem o autor se confessa devedor, pois afirmando que os conhecimentos ultimamente adquiriu “foram tomados dos livros que V. Ex.ª em tanta abundância possui”.
"A [Revista] do ano de 1862, no Ginásio, foi uma aventura literária do actor Isidoro, que, apesar da experiência sobre os palcos, revelou fragilidades na composição dos diálogos. A opinião de Machado é que faltou a Isidoro a arte de transpor em palavras as suas ideias, e mesmo a de ajustar o texto às exigências do género revista. Notou-se ainda que Isidoro confiou demasiado nos conhecimentos do público: “enganou-se o autor em cuidar que cada espectador estivesse tanto ao facto das mais leves particularidades ocorridas durante o ano, como ele próprio, que pensou em tomar apontamento de todas elas. O resultado é que ou o público não percebe as alusões, ou demora-se a cismar na frase que se disse sem fazer reparo na frase que se está dizendo” (RS 13.1.1863)."
(Ferreira, Licínia Rodrigues - Júlio César Machado Cronista de Teatro: Os Folhetins d’A Revolução de Setembro e do Diário de Notícias, 2011)
Exemplar em brochura (capas simples), bem conservado.
Raro.
25€