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04 maio, 2025

MENDIA, Henrique de -
CATALOGO DESCRIPTIVO DAS PLANTAS FLORESTAES Á VENDA NOS VIVEIROS DA TAPADA DO CAMPO GRANDE -
N.º 1 : 1881-1882. Divisão Florestal do Sul. Lisboa, Imprensa Nacional, 1881. In-4.º (23x15 cm) de 28 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso catálogo arbóreo, publicado com o objectivo de vulgarizar o assunto e impulsionar a plantação de árvores por todo o país, dada a sua importância económica. Inclui descrição de 88 plantas disponíveis para venda a preços módicos.
Publicação interessante e muito invulgar. A BNP não menciona.
"Tendo a divisão florestal do sul ampliado consideravelmente os seus viveiros da tapada do Campo Grande e desejando promover por todos os modos a divulgação pelo paiz do maior numero de especies arboreas, a fim de auxiliar e contribuir, quanto em seus meios cabe, para o acrescimo da nossa riqueza florestal, serão postas em venda por preços minimos todas as especies de que consta o presente catalogo. Os preços indicados deverão estender-se para todas as plantas que não excedam de um anno, soffrendo um augmento de 50 por cento o custo de cada exemplar cuja idade for superior a este limite. Terão um abatimento de 20 por cento na sua importancia total todos os pedidos de mais de cem arvores.
As despezas de empacotamento, acondicionamento e transportes correrão por conta do comprador, ao qual serão igualmente fornecidos os vasos que desejar mediante o pagamento do seu custo que nunca poderá exceder 15 réis."
(Advertencia)
Índice:
Advertencia | Coniferas - Idéa geral do seu aspecto, estructura, cultura e utilidades | Arvores folhosas de folha permanente | Arvores folhosas de folha caduca | Additamento.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel à cabeça, que se prolonga para a 1.ª folha do livro.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

03 julho, 2024

MANUAL DO JARDINEIRO.
Noções geraes sobre o tratamento das plantas e cultura especial das plantas e flores. 5.ª edição. Inteiramente refundida, augmentada e baseada nos melhores tratados nacionaes e estrangeiros e illustrada com gravuras. Lisboa, Editor - Arnaldo Bordalo, 1900. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 257, [1] p. ; il. , E.
Interessante tratado de jardinagem, muito ilustrado com desenhos exemplificativos ao longo do livro.
Esta 5.ª edição do Manual, por vontade do editor, foi completamente reformulada e aumentada, argumentos valiosos quando comparado com as antecessoras.
"Recorreu-se para a composição do Manual a dois elementos: ao theorico e ao pratico. Para o primeiro consultaram-se os melhores praxistas; para o segundo os melhores technicos. Entre êstes, pela sua extrema bondade, pelo desinterêsse com que nos prestou o seu valioso concurso, revendo o nosso Manual, cumpre especializar o Ex.mo Sr. Rogério da Encarnação, botanico-amador tão modesto quanto distincto, e conhecedor dos menores segredos da arte de Le Notre. [...]
A quinta edição do Manual do Jardineiro, como os nossos leitores poderão verifica, constitue um trabalho completamente novo, onde resumidamente, mas em termos claros, cada uma das flôres é tratada em especial sob o ponto de vista scientifico e pratico. Esta methodisação a que sujeitámos o nosso trabalho, pareceu-nos a melhor entre d'entre as muitas até hoje adoptadas em trabalhos similares."
(Excerto de Ao leitor)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

13 dezembro, 2023

OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' - O JARDIM NA SALA. Por... Redactor do Jornal de Horticultura Pratica. Socio correspondente da Real Associação de agricultura e botanica de Gand e da Associação de arboricultura da Belgica. Porto, Typ. de Bartholomeu H. de Moraes, 1876. In-8.º (20 cm) de 306 p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual oitocentista de horticultura e floricultura.
Ilustrado com inúmeras gravuras ao longo do texto e o retrato do autor em separado.
"Se quereis saber o que são affeições, é tractar de flores.
Ellas pagam nos perfumes, no colorido das petalas e na frescura da folhagem, os nossos carinhos, mas se lhes negaes o mimo, a assiduidade do tractamento, se as privaes da agua e da luz, se as deixaes emfim ao abandono, vel-as-heis tristes, desfallecidas, mortas, e a sua morte será o vosso desespero e a accusação que vos dirigem.
O amador de plantas deve ter um coração de mãe, um sentimento apurado, uma intuição da natureza. Cada planta é um filho. É preciso velar pelo seu destino, acompanhal-a desde o berço, sorrir-lhe todos os dias, observar o seu desenvolvimento.
É, pois, dever de qualquer amador o possuir tudo o que fôr necessario, não só para a conservação da planta, mas para a sua reproducção. A horticultura tem hoje um arsenal variado, e entre os diversos instrumentos que a industria horticola tem inventado, deve mencionar-se em primeiro logar o estufim ou estufa pequena."
(Excerto de O jardim na sala)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias, sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908). A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de surpreendente.
Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio, quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas. Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(Fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada com defeitos.
Raro.
45€

27 setembro, 2023

SEQUEIRA, Eduardo -
BOTANICA RECREATIVA.
Com 191 Gravuras e o Retrato do Auctor. Porto, Gazeta das Aldeias, 1910. In-8.º (18,5 cm) de 311, [1] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo botânico que inclui a descrição, plantação, aplicações e o aproveitamento ornamental de inúmeros frutos e espécies vegetais. Manual raro e muito curioso, algo surpreendente.
Muito ilustrado no texto com bonitos desenhos, e em separado, com um retrato do autor e o seu Cão de Água Português, cliché da casa Marques Abreu & C.ª, do Porto.
"As ultimas palavras de Goethe, o grande escritor allemão, foram: Luz, mais luz, muita luz!
E, como muito bem accentuou o divino escriptor francez Michelet em um dos seus mais encantadores volumes, o que o grande genio, filho dilecto de Deus, disse nos seus ultimos momentos, repete-o em cessar toda a criação, desde o mollusco que vive no fundo do mar, até á ave que vôa nas mais altas regiões do ceu, desde a mais humilde planta até ás arvores gigantes das florestas seculares.
A luz é a vida, a luz é a alegria, a luz é a força e o vigor. Todo o ser animal ou vegetal, privado de luz, enfraquece de prompto e morre em breve, precocemente caduco. É facil verificar, em poucas horas, os effeitos da falta de luz nas plantas, semeando, por exemplo, grãos de Trigo em um pequeno vaso, que se mantem em local escuro, mas sempre com a terra sufficientemente humida, affim de favorecer a germinação do grão. Os pequeninos vegetaes, assim privados de luz, não só rebentam sem vigor, mal podendo erguer as suas debeis hastes, mas tambem estas nascem completamente brancas. Retirados da escuridão e levados gradualmente para a luz, fortalecem-se, levantam triumphalmente as suas hastes e adquirem, de prompto, o seu lindo e brilhante colorido verde.
A planta procura sempre a luz.
D'ahi o vermos frequentemente, nos campos, nos jardins, nos bosques, arbustos e arvores plantados proximo de muros ou em locaes assombrados parcialmente por qualquer obstaculo, torcerem-se, perderem a sua usual fórma erecta, para irem procurar, em direcção irregular e forçada, a luz que é a sua alegria, a sua vida."
(Excerto de O effeito da luz nos vegetaes)
Indice das materias contidas n'este livro:
Dedicatoria. | Os effeitos da luz nos vegetaes. | Os casamentos das plantas. Fecundações naturaes e ecundações artificiaes. | Germinações curiosas. | Germinação instantanea de sementes. | Os infinitamente pequenos. | A flora das moedas e das notas. | Sementes que se fazem transportar. Sementes com harpões. | Sementes que voam. | Sementes que saltam. | As sementes lagartas. | Folhas que dançam. | Plantas que andam. | A teimosia das plantas. | O enraizamento das plantas. | As raizes extravagantes. | Os caprichos das raizes. | As enxertias das Cacteas. | Os caprichos das flores. | Curiosa planta barometro. | Higrometros vegetaes. | A bussula de Flora. | Plantas detonantes. | Uma planta electrica. | A planta renda. | A Sensitiva. | As plantas bebedouros. | Colchico do outono. | As flores comestiveis. | A historia da arvore. | As bengalas rusticas. | Jogos e divertimentos varios. | As Cerejas. | Os enffeites de fructos sêccos. | Illuminações e fogos d'artificio com fructos. | Fructos com desenhos e fructos em garrafas. | As applicações populares do Sabugueiro. | Os instrumentos musicaes primitivos. | O Chocalho de Junco. | As flores e fructos pittorescos. | Cestas para flores. | Trabalhos com gramineas. | Desenhos de flores. | As ornamentações com flores sêccas. | Grão que dança e salta, e Maçã magica. | As folhas sêccas. | A colorisação das flores. | Uma planta extravagante. | Cultura recreativa dos Jacinthos. | As Aboboras e um Repuxo original. | Arvores em vaso. | Indice das gravuras. | Indice das plantas e fructos estudados ou mencionados n'este livro.
Encadernação lisa inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura e posse na f. ante-rosto. Capa algo oxidada.
Raro.
Indisponível

28 janeiro, 2023

VASCONCELLOS, J. de Carvalho e & FRANCO, J. do Amaral - AS PALMEIRAS DE LISBOA E ARREDORES.
Por... Separata de: «Portugaliae Acta Biológica» : Vol. II, fac. 4, págs 289-425
. [S.l.], [s.n.], 1948. In-4.º (24 cm) de 137, [1] p. (289-425 pp.) ; (XXXI) f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante trabalho monográfico com interesse histórico e botânico. Trata-se, julgamos, do único trabalho com a grandeza e pormenor dedicado a esta planta/árvore ornamental, que passa pelo levantamento exaustivo de todas as espécies de palmeiras existentes na a área metropolitana de Lisboa - com a respectiva descrição técnica -, amostra que, reconhecidamente, reflete a realidade do território nacional.
Livro ilustrado a p.b. com 31 desenhos e fotografias em página inteira.
"A necessidade de possuirmos bases seguras para a identificação das palmeiras cultivadas em Portugal é a causa do presente trabalho, em que as referidas bases são procuradas.
Como não nos foi possível de momento fazer o reconhecimento minucioso das espécies cultivadas em todo o País, iniciámos este estudo pela identificação das cultivadas em Lisboa e seus arredores, onde, sem dúvida, a maior parte está representada e na posse destes elementos será mais fácil de futuro completar esta identificação.
As palmeiras constituem motivo ornamental frequente nos nossos jardins, parques, avenidas e outros locais, vegetando grande número das suas espécies, entre nós cultivadas, perfeitamente ao ar livre, florescendo e frutificando regularmente e algumas mesmo tendo em determinadas condições regeneração natural. Embora nem sempre concordemos com o seu emprego, não deixamos de considerar que têm o seu lugar próprio entre a Flora ornamental utilizável no nosso País. Como possuem aspectos estéticos diferentes, dimensões diversas, exigências particulares, as variadas espécies de palmeiras apresentam aplicações apropriadas a cada caso, em que a sua utilização seja aconselhável. Por esse motivo, torna-se necessária a sua perfeita determinação e conhecimento, a fim de evitar erros de identificação que conduziriam possìvelmente à aplicação menos adequada dos indivíduos erròneamente classificados."
(Excerto da Introdução)
Matérias:
I - Introdução. II - Referências gerais. III - Descrição das palmeiras estudadas. | Autores citados. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

23 novembro, 2022

BARBOSA, Joaquim Casimiro - O JARDIM : manual do jardineiro-amador. Volume primeiro [Segundo e Terceiro]. Porto, José Marques Loureiro - Editor, 1892-1893. 3 vols in-8.º (20 cm) de XI, 516 p. (I) ; 544 p. (II) ; 610 p. (III) ; il. ; E.
1.ª edição.
Obra de referência em três volumes (completa) de leitura agradável, ainda hoje actual, sendo uma das mais interessantes que sobre este assunto se publicaram entre nós.
Trata-se de um importante tratado de jardinagem onde é enfatizada, pela descrição e exemplo, a arte e técnica da floricultura. Mas não só: também a horticultura e a fruticultura são abordadas com algum detalhe e consistência técnica para a época.
Livros muito ilustrados ao longo do texto com desenhos esquemáticos.
Joaquim Casimiro Barbosa (1841-1921). "Nasceu no Porto, em Massarelos, a 22 de março de 1841.
Em 1861 concluiu o curso Farmacêutico na Escola Médico-Cirúrgica do Porto e fez também os cursos de Agricultura e Botânica da Academia Politécnica do Porto.
Em 1875, durante a sessão do conselho académico de 4 de fevereiro, foi nomeado 1.º oficial do Jardim Botânico da Academia Politécnica, em substituição de Agostinho da Silva Vieira. Casimiro Barbosa foi secretário do Instituto Industrial e Comercial do Porto entre 1877 e 1921 e chefe dos Jardins e Arvoredo da Câmara Municipal do Porto (1913).
Foi colaborador e amigo, com Duarte de Oliveira (1848-1927), do famoso horticultor e floricultor José Marques Loureiro (1830-1898).
Publicou trabalhos sobre horticultura e jardinagem, tais como A roseira: sua cultura e multiplicação (1880, em co-autoria com J. Pedro Costa), A Horta: tratado das hortaliças e outras plantas hortenses: sua descrição, multiplicação e cultura (1884, 1.ª de várias edições), O jardim: manual do jardineiro amador (três volumes, 1892).
Foi redator do Jornal de Horticultura Pratica (publicado entre 1893 e 1906), da Real Companhia Hortícola-Agrícola, assim como do Jornal Hortícola Agrícola, e colaborou com periódicos congéneres.
Sócio fundador do Centro Farmacêutico Português, em 1869, e da Sociedade de Instrução do Porto em 1880, foi membro da Sociedade Farmacêutica Lusitana (1851) e sócio extraordinário da Societas Botanica Edinburgum (1905).
Após a fundação da Universidade do Porto em 1911, Joaquim Casimiro Barbosa foi convidado a lecionar a cadeira de Botânica, mas declinou o convite.
Morreu no Porto a 1 de agosto de 1921."
(Fonte: https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=antigos%20estudantes%20ilustres%20-%20joaquim%20casimiro%20barbosa)
Encadernações em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

13 janeiro, 2022

ROSSIGNON, Julio - MANUAL DO JARDINEIRO E DO ARBORICULTOR OU ARTE DE COMPÔR, DIRIGIR E ADORNAR TODA A QUALIDADE DE JARDINS.
De cultivar e propagar as flores, as hortaliças; de podar e enxertar as arvores fructiferas; formar latadas, aclimar as plantas exoticas na America meridional, por... e traduzido do hespanhol por José de Castro Freire de Macedo. Com estampas
. Paris, Livraria de Vva J.-P. Aillaud, Guillard e Cia, 1866. In-8.º (16,5 cm) de [4], XI, [1], 320 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Interessantíssimo manual de jardinagem publicado no 3.º quartel do século XIX. No frontispício pode observar-se, lado a lado, ao centro, o brasão de armas de Portugal e do Império do Brasil.
Ilustrado com bonitos desenhos ao longo do livro.
"Não ha divertimento mais grato, mais recreativo e mais util do que o da jardinagem e o da arboricultura. Os cuidados que exigem não nos desviam das obrigações da vida social, e quando esta nos deixa alguns momentos de escanço, não podemos empregar melhor o tempo do que entregando-nos á cultura das flores e das arvores. Aquellas deleitam-nos pelas suas côres variadas e pelos seus perfumes; estas pelas suas formas, ou pelos seus frutos.
Para cultivar umas e outras ha regras certas e determinadas, estabelecidas pela experiencia e pela intelligencia dos homens que com verdadeiro amor se têem entregado a esta cultura; estas regras são as que apresentâmos compendiadamente neste Manual, que por isso se torna muito util, porque evita a Portuguezes e Brazileiros a aquisição de muitos livros, nos quaes se acham espalhadas as materias, que systematica estão colleccionadas neste livro.
Os nossos leitores Luso-Brasileiros encontrando neste Manual as noções preliminares de botanica; o modo de semear, educar e conservar as plantas e as arvores frutiferas; a theoria dos differentes enxertos acompanhada de estampas illustrativas; e o modo de arranjar os pomares, as hortas e os jardins, têem ao seu alcance todos os meios de fazer devida e regularmente esta cultura, restando-lhes apenas fazerem as modificações que são destinadas pela differença dos climas, e pela differença de zonas, o que a experiencia facilmente fará conhecer."
(Excerto da apresentação d'O Traductor)
"A arte de arranjar os jardins, e de dirigir a cultura das hortaliças e das lores tem chegado na Europa ao mais alto gráo de perfeição. Muitas obras se têem publicado obre a cultura das flores, das arvores frutiferas, das plantas exoticas, etc.; mâs ate agora ainda se não publicou um livro deste genero para os Americanos e para as Colonias; e é por ventura devido a esta falta o atrasamento em que se acha a horticultura americana. Apesar disto todos os dias se vai introduzindo naquelles formosos paizes o gosto pelas flores; fazem-se ensaios de acclimação; e a America procura multiplicar as arvores frutiferas da Europa, e augmentar o numero das suas flores com as do antigo mundo. [...]
Dâmos principio ao Manual do jardineiro com algumas noções elementares de botanica horticola, que são indispensaveis para se comprehenderem perfeitamente todos os phenomenos da vegetação; os cuidados que exigem as plantas; as precauções que se devem tomar para exentar, cruzar e modificar as varias especies de verduras de flores, de frutas, etc. Depois tratâmos da composição dos terrenos, e dos processos empregados para modifica-los e faze-los susceptiveis de cultura, qualquer que seja a sua primitiva composição."
(Excerto da Introducção)
Jules Rossignon (? - 1883). "Foi um professor francês, escritor, agricultor científico e cafeicultor internacional. Cultivou café em Las Victorias, Alta Verapaz, Guatemala, fazenda convertida em parque nacional desde 1980. Rossignon foi professor na Universidade de Paris e director científico da empresa Belgian Colonization Company."
(Fonte: wikipédia) 
Encadernação inteira de pele trabalhada, com dourados na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Páginas levemente oxidadas.
Raro.
Indisponível

08 março, 2020

MANUAL DO JARDINEIRO E DO CULTIVADOR OU MODO DE CULTIVAR OS JARDINS EM QUE SE TRATA DA VARIEDADE DAS FLORES E DA SUA MELHOR CULTIVAÇÃO. Augmentado com a Linguagem do Emblema das Flores. Quarta edição correcta. Lisboa, Livraria Editora de Joaquim José Bordalo, 1883. In-12.º (14,5 cm) de 144 p. ; E.
Curioso manual de jardinagem que reflecte o gosto crescente na época, entre nós, pelo cultivo das flores e o arranjo dos jardins.
Relativamente à presente obra, com a devida vénia, reproduzimos parte de um artigo de Ana Duarte Rodrigues, da FCSH da UNL, com o título Pequenos livros para jardineiros: os almanaques - publicado na revista Jardins - Jardineiros - Jardinagem, do CECS da Universidade do Minho.
"O Manual do Jardineiro do Cultivador ou modo de cultivar os jardins, publicado em Lisboa na Imprensa de Francisco Xavier de Souza, em 1858, é dos poucos livros deste tipo que inclui oito estampas de flores. Em 1883 há uma quarta edição, [sem ilustrações], com o título Manual do Jardineiro e do Cultivador ou Modo de Cultivar os Jardins em que se trata da variedade das Flores e da sua melhor cultivação, augmentado com a linguagem do emblema das flores, publicado em Lisboa pela editora Joaquim José Bordalo. Este manual também inclui algum conteúdo semelhante aos tratados pois aborda a questão do traçado dos jardins em terraços, tendo em consideração e desenvolvendo cinco pontos essenciais: o terreno, a situação, a água, a exposição e as vistas. Mesmo no que toca à água, não aborda só a questão da necessidade, mas também a do recreio, como o facto da água ser o elemento que mais contribui para o recreio: “sendo bem distribuída, seja em repuxos, seja em cascatas, fontes e tanques” (p. 12)."

(Fonte: Rodrigues, Ana Duarte - Pequenos livros para jardineiros: os almanaques, in https://core.ac.uk/download/pdf/55629999.pdf)
"As diversas flores com que se ornam os jardins, e mesmo aquellas que - modestas e desconhecidas - vegetam nos prados, fazem a admiração das pessoas que, dotadas d'um genio melancolico e pensador, gostam de contemplar as creações da natureza.
A grandeza de Deus é demonstrada evidentemente na belleza, na perfeição e no grato aroma de algumas flores, que parece foram exclusivamente destinadas e proclamar a sua omnipotencia. [...]
No campo, onde a natureza se desenvolve com mais vigor e liberdade, é o local onde as flores ostentam a sua galhardia. [...]
As flores foram queridas em todos os tempos, e conhecidas por todos os povos. Desde as regiões mais selvagens até ás nações mais cultas que offerecem quantias fabulosas pela semente d'uma planta de pura fantasia, as flores andam ligadas á existencia das creaturas. Nos bailes, nas bodas, as flores são sempre estimadas, e até nos sacrificios da antiguidade tinham ellas um distincto logar.
A janella da mmais modesta habitação, a mesa dos ricos e poderosos, o mimoso seio da noiva, os macios cabellos da donzela, os arcos de triumphos, as salas de baile, os altares da egreja; tudo em fim é ornado de flores, como para dar um testemunho solemne da sua universal estimação.
Nós, que amamos deveras as flores, publicando este Manual não fazemos mais que render a nossa homenagem a todas as flores, servindo ao mesmo tempo de alguma utilidade ás pessoas que se dedicam á sua cultura."
(Excerto da introdução, A quem ler)
Matérias:
A quem ler. | Cultura das Flores. - Na terra; Do estrume; Da agua e da rega; Das sementes; Das raizes e das cebolas; Dos alfobres; Da plantação; Da mergulhia e alporques; Da enxertia; Nota. | Descripção das Flores - [segue-se uma breve descrição de 153 plantas]. | Tratamento das arvores fructiferas - [segue-se breve descrição do tratamento de 10 árvores de fruto]. | Nova cultura de morangueiros. | Enxertos de diversas especies de fructos da mesma arvore. | Noções sobre a cultura do ananaz. | Linguagem das flôres, plantas e arvores. | Indice.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada apresenta rótulo colado na extremidade inferior. Folha 134/136 apresenta rasgão de cerca de 4,5 cm, ao centro, sem perda de papel.
Raro.
Indisponível

21 janeiro, 2020

OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' - O JARDIM NA SALA. Por... Redactor do Jornal de Horticultura Pratica. Socio correspondente da Real Associação de agricultura e botanica de Gand e da Associação de arboricultura da Belgica. Porto, Typ. de Bartholomeu H. de Moraes, 1876. In-8.º (20 cm) de 306 p. ; [1] f. il. ; il. ; C.
1.ª edição.
Curioso manual de horticultura oitocentista. Ilustrado com inúmeras gravuras nas páginas de texto e o retrato do autor em separado.
"Se quereis saber o que são affeições, é tractar de flores.
Ellas pagam nos perfumes, no colorido das petalas e na frescura da folhagem, os nossos carinhos, mas se lhes negaes o mimo, a assiduidade do tractamento, se as privaes da agua e da luz, se as deixaes emfim ao abandono, vel-as-heis tristes, desfallecidas, mortas, e a sua morte será o vosso desespero e a accusação que vos dirigem.
O amador de plantas deve ter um coração de mãe, um sentimento apurado, uma intuição da natureza. Cada planta é um filho. É preciso velar pelo seu destino, acompanhal-a desde o berço, sorrir-lhe todos os dias, observar o seu desenvolvimento.
É, pois, dever de qualquer amador o possuir tudo o que fôr necessario, não só para a conservação da planta, mas para a sua reproducção. A horticultura tem hoje um arsenal variado, e entre os diversos instrumentos que a industria horticola tem inventado, deve mencionar-se em primeiro logar o estufim ou estufa pequena."
(Excerto de O jardim na sala)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias, sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908). A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de surpreendente.
Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio, quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas. Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(Fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Encadernação "caseira" cartonada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas e miolo com picos de acidez.
Raro.
Indisponível