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10 setembro, 2026

GOMES, Padre António -
VIAGEM QUE FEZ O PADRE ANT.º GOMES, DA COMP.ª DE JESUS, AO IMPERIO DE DE (SIC) MANOMOTAPA; E ASSISTENCIA QUE FEZ NAS DITAS TERRAS D.e ALG'UNS ANNOS.
Notes by E. A. Axelson. Lisboa, Centro de Estudos Históricos Ultramarinos : Portugal, 1959. In-4.º (23,5x16 cm) de [2] 88 p. (155-242 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Importante documento. Trata-se da transcrição fiel do manuscrito da viagem de evangelização empreendida e relatada pelo padre jesuíta António Gomes por terras de Moçambique no segundo quartel do século XVII.
O relato do Padre António Gomes é considerado uma joia da historiografia africana pela sua riqueza etnográfica e pelo seu tom surpreendentemente pragmático. O documento permaneceu praticamente esquecido na Biblioteca Nacional de Portugal até ser transcrito e publicado pela primeira vez em 1959 na revista académica Studia.
Ao contrário de muitos religiosos da época que viam as tradições africanas apenas sob a lente do "pecado" ou da "feitiçaria", Gomes descreve a sociedade local com um olhar quase antropológico. Explica como funcionavam as audiências perante o imperador ou os chefes locais (fumos), detalhando as leis consuetudinárias e o papel dos conselheiros. Descreve a poligamia, os dotes e os rituais de matrimónio, tentando traduzir o significado social destas alianças para a mentalidade europeia. Relata o uso de ervas medicinais e o papel dos curandeiros. O que mais impressiona os historiadores modernos são os registos das suas conversas diretas com os africanos, nas quais ele questionava as razões por trás das suas práticas. (IA)
"Nosso Gloriozo Patriarcha S. Ignacio, alumiado e illustrado p Ds N. S., vendo quanta necessid.e tinhão varias Regiõis de obreiros, p.ª cultiuaré a vinha da S. M.e Igr.ª, tratou a infancia, desta minima Comp.ª de Ihs, de mandar, Religiozos de vertude e Santid.e p.ª cultiuação, de tantas almas, rimikdas cõ preço, de vossa Redempção Christo Ihs Senhor nosso.
Este Diuino preço, fez abalar, aquelle Gloriozo Aplõ da India, p.ª este Oriente, Sam Fran.co Xauier, e depois de tantas marauilhas, quantas obrou, descorrendo per todos os mares delle, veio a acabar, cõ Gloriozos trofeus na ilha de Samchão, e dahy, trazido, e depozitado este Santissimo thezouro, na Igreía do Bom Ihs e caza Professa de Goa, onde he venerado de todo o Oriente, e obra de Deos nosso sõr pela sua intercesão muitas marauilhas."
(Excerto da Narrativa)
António Gomes (1595-16--). Foi enviado para a missão jesuíta no sudeste africano (vale do Zambeze, atual território de Moçambique e Zimbabué) no final da década de 1620 ou inícios da década de 1630. Ali realizou a sua "assistência" (residência e trabalho missionário) durante cerca de uma década. Foi um período de violenta instabilidade política, onde testemunhou as complexas alianças e guerras de sucessão no Império de Mutapa. A sua história confunde-se com os perigos das navegações da época. Ao regressar de África em direção à Índia (por volta de 1640), António Gomes sobreviveu a um naufrágio. Nesse desastre, perdeu todos os seus cadernos, diários de campo e anotações originais recolhidas ao longo dos dez anos em que viveu no Império de Mutapa. Após o naufrágio, fixou-se em Goa (o centro administrativo e religioso do Padroado Português no Oriente). Tornou-se Coadjutor da Sociedade em Goa e exerceu funções como pároco na Igreja de Varca, em Salsete. Em 1648, o seu superior jesuíta, Giovanni Maracci, ordenou-lhe que passasse para o papel as suas memórias da missão africana. Sem as notas que tinham afundado no mar, António Gomes redigiu todo o manuscrito com base nas suas recordações. É por este motivo que o texto não segue uma ordem cronológica rígida, assemelhando-se mais a um grande compêndio temático de memórias vivas, conversas gravadas na mente e descrições dos povos que conheceu. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico, etnográfico e religioso.
20€

16 maio, 2026

CORRÊA, António de Albuquerque Jácome -
UMA VIAGEM AO ORIENTE.
[Prefácio de J. Almeida Pavão]. Ponta Delgada, Edição e Propriedade do Autor, 1984. In-8.º (22x15 cm) de 79, [1] p. ; [14] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa da viagens que o autor empreendeu pelo Oriente "português" e outras paragens visitadas pelos portugueses nessa zona do globo.
Livro publicado em Ponta Delgada, por certo com tiragem reduzida, valorizado pelo extenso preâmbulo do Prof. José de Almeida Pavão (1919-2003), vulto incontornável da cultura micaelense.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com 14 fotografias a cores dos locais visitados em folhas separadas do texto, impressas sobre papel couché.
"O nosso velho e muito apreciado Amigo, Dr. António de Albuquerque de Jácome Corrêa, homem muitíssimo viajado e culto, quis distinguir-nos com a honra de prefaciar este livro, que intitulou Uma Viagem ao Oriente.
Concebida em hora feliz a ideia de tal publicação, devemos confessar que o interesse que nos suscitou a sua leitura se transformou em entusiasmo, de molde a o termos «devorado» quase de uma só vez. E, ao chegarmos ao fim, um só pesar nos ficou: o de ter sido tão curta a narrativa de uma matéria tão rica e tão variada de cambiantes, qual deles o mais curioso e original. É que o Oriente se constitui, na verdade, num alfobre inesgotável de exotismo que, sem excluir certos aspectos negativos, que o autor não deixa por vezes de salientar, aparece nimbado de uma beleza estranha - mas é sempre beleza - à sensibilidade do ocidental. E o exótico - não é preciso reafirmá-lo - é fonte perene de encantamento, correspondente àquela atracção natural do homem pelo que é diferente do seu mundo, daquele mundo em que vive, no espaço e no tempo."
(Excerto do Prefácio)
António de Albuquerque Jácome Correia (Ponta Delgada, 1922-1996). "Foi um veterinário, dirigente corporativo da lavoura e político. Veterinário municipal do Concelho da Lagoa até à sua aposentação, foi durante muitos anos presidente do Grémio da Lavoura do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi vogal da Junta Regional dos Açores para a agricultura, pesca e indústria e deputado à Assembleia Regional dos Açores (1976-1980) eleito nas listas do CDS pelo círculo eleitoral da ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. Ex-libris do autor impresso no verso da folha de dedicatória.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

13 maio, 2026

SEPULVEDA, Christovam Ayres de Magalhães -
ORGANISAÇÃO MILITAR DOS ARABES NA PENINSULA.
Por…Capitão de cavallaria. Lente da Escola do Exercito... [etc.]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1901. In-4.º (25x16,5 cm) de 137, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo pioneiro e histórico sobre a ocupação árabe da Península Ibérica em todas as suas vertentes: militares, políticas, religiosas e motivacionais.
Obra rara e muito interessante, com relevância para a nossa própria história e organização civil e militar.
Ilustrada no texto com desenhos de apetrechos e equipamento militar para a guerra, a pé e a cavalo, e em separado, com duas estampas: I - Iatagan moderno, 1218 de Hegira - (Da collecção do Dr. Teixeira de Aragão) - [a duas cores]; II - Capacete arabe - (Da collecção de Sua Magestade El-Rei).
"A mesma curiosidade em assumptos que, por dever de officio, e natural pendor, versamos, e a mesma orientação no que toca ao criterio e methodo a applicar no estudo da historia, nos levou a dar toda a importancia a um periodo da historia da peninsula hispanica que tanta influencia teve na nossa antiga organisação militar, e tão intimamente se liga com a historia militar portuguesa. É o periodo da dominação dos arabes em todo esse territorio peninsular e das luctas que as armas christãs tiveram de sustentar a fim de rehaver para a nossa raça e para a nossa crença o que em má hora perdera, pelo predominio de outras crenças e outras raças. Essas lutas tinham produzido uma tão importante modificação na maneira de ser militar dos dois povos, primeiro em opposição, e mais tarde em intimo contacto e em fusão, que um e outro apresentaram, num periodo largo da historia da peninsula, uma feição caracteristica, cujo estudo se torna indispensavel para comprehendermos bem a nossa organização militar e a nossa historia guerreira na Idade Media.
Esse estudo não estava feito entre nós ; d'ahi a necessidade que tive de o produzia, embora com os fracos recursos de que dispunha. É um simples ensaio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Constituia a guerra para o musulmano uma necessidade, um dever, uma religião.
Era a guerra o instrumento mais poderoso da sua fé; pela guerra dilatára o seu dominio pelo mundo inteiro, e com elle um novo credo religioso dimanado como a fé christã, dos preceitos fundamentaes da Biblia.
Foi inspirado o espirito do proselytismo, diz Sedillot, que Mohamede se propoz desenvolver o genio militar dos arabes «persuadindo-os de que Deus lhes dava o mundo em partilha»; redobrava-lhes as forças; uma exaltação religiosa se apoderava de todas as almas; com estas simples palavras «na vossa frente está o paraiso, atraz o inferno», os chefes arrastavam os seus soldados ao meio de uma furiosa refrega; e esse delirio supersticioso, essa vehemencia de sentimento e de acção destruia os maiores obstaculos."
(Excerto do Estudo)
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (1853-1930). "Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda nasceu em Goa, a 27 de março de 1853, e faleceu em Lisboa, a 10 de junho de 1930. Formado no curso de infantaria e cavalaria da Escola do Exército e no Curso Superior de Letras, foi promovido a alferes graduado em 1876 e a coronel em 1911, tendo sido também lente na Escola de Guerra. Eleito deputado pelo Partido Regenerador por três vezes, desempenhou os cargos de governador civil de Bragança e de promotor de justiça do 2° Conselho de Guerra da 1ª divisão. Integrou a redação do Jornal do Comércio e das Colónias, do qual veio a ser diretor.
Foi cofundador, em 1911, da Sociedade Nacional de História, ao lado de Fidelino de Sousa Figueiredo, David de Melo Lopes e José Leite de Vasconcelos. Ao longo da sua vida, Cristóvão Aires pertenceria ainda ao Instituto de Coimbra, à Real Academia de História de Madrid e à Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido também vogal da Comissão Nacional para as comemorações da Guerra Peninsular em 1908.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 8 de abril de 1886, tendo aí exercido os cargos de Inspetor da Biblioteca (1907-1913), Secretário da Classe de Letras (1910; 1915), Vice-Secretário (1914) e Secretário Geral (1921-1930). Integrou ainda a Comissão de Inventário do Museu Maynense."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/45)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

27 dezembro, 2025

AYRES, Christovam -
LONGINQUAS.
(Phantasias Orientaes). Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1891. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 167, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de contos de sabor oriental, bem redigidos, alguns históricos, mas todos relacionados com a Índia Portuguesa, de onde o autor era natural.
"Na base de um outeiro, vestido com a opulenta vegetação dos tropicos, escondia-se entre a verduras uma casita. As olas dos coqueiros, entretecidas, abrigavam-na lateralmente, formando grandes alpendres, e cobrindo-a de alto a baixo em camadas sobrepostas, protecção necessaria contra as fortes chuvas que costumam desabar do céu em catadupas. [...]
A espaços fuzilavam os relampagos, alumiando a vastidão dos campos, das verzeas e dos céus carregados de nuvens.
Estava iminente a tempestade.
A casita permanecia silenciosa e queda, como gazella timida que se tivesse agachado, com receio de ser presentida, e pedisse ao toldo das arvores e ás trevas da noite abrigo contra as iras do céu.
Quando o vento abrandou, sentiu-se no palmar um sussurro, similhante ao rastejar da bôa sobre folhas, e no silvo agudo como o silvo da capêllo.
Uma janella da casita se abriu para o lado do palmar, e uma cabeça de mulher espreitou, recolhendo espavorida.
Um grupo de homens que, cosidos com os troncos das arvores, e com a respiração tomada, como os pescadores de coral no fundo das aguas, deslizavam na sombra.
Nas trevas luziam-lhes sinistramen te os olhos, e uns punhaes curvos como crescentes.
- Segui-me! murmurou uma voz."
(Excerto de Os Salteadores)
Indice:
A Rainha | A Borboleta Azul | As Torres do Silencio | O Corvo | A Flôr Morta | Soror Maria | Os Salteadores.
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (Goa, 1853 - Lisboa, 1930). "Coronel de Cavalaria no Exército Português, deputado na Assembleia Portuguesa, Governador Civil de Bragança e de Coimbra e Membro da Academia das Ciências de Lisboa, percurso profissional que revela claras afiliações a uma identidade portuguesa. Em termos de percurso intelectual, Cristóvão Aires ficaria conhecido como historiador, prosador amador (Lentejoulas.Contos. (1890) Lisboa: Imprensa Nacional; Longínquas. Fantasias Orientais. (1891) Lisboa: Imprensa Nacional), e autor de várias antologias poéticas (Indianas e Portuguesas: 1870-1875 (1879, segunda edição 1881); Novos Horizontes: 1875-1881 (1882), Íntimas (1884, segunda edição 1889); Anoitecer. Versos. (1912) e Cinzas ao Vento (1921))."
(Fonte: https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/ea938b47-d143-493c-9245-a1c36530bfef/content)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar por aparar em bom estado de conservação.
Raro.
50€

13 junho, 2025

GONÇALVES, Doutor Luís da Cunha -
A VIDA RURAL DO ALENTEJO : breve estudo léxico-etonográfico.
Conferência feita na Academia das Sciências de Lisboa. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922. In-4.º (23x15 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a ruralidade alentejana nos seus mais variados aspectos, publicado em separata do «Boletim da Classe de Letras», volume XV.
"Se a língua é um dos elementos mais salientes em que se afirmam a autonomia nacional, a unidade político-económica, a solidariedade psíquica e moral dum povo, ela é também a revelação claríssima das suas faculdades criadoras, da riqueza da sua imaginação, que lhe faz encontrar, para cada idéa, cada acção ou facto, cada coisa ou entidade, cada emoção ou sentimento, modalidades e cambiantes, uma distinta palavra, que a exprime ou abrange. Sob êste ponto de vista, pode considerar-se a língua portuguesa uma das mais perfeitas e ricas, como o têm já afirmado, em prosa e verso, muitos dos mais notáveis cultores dela e o têm reconhecido todos os filólogos e lexicógrafos."
(Excerto de I - Generalidades - Linguagem - População - Território - Excelências da agricultura)
Luís da Cunha Gonçalves (1875-1956). "Nasceu em Nova Goa a 24 de agosto de 1875 e faleceu em Lisboa a 24 de março de 1956. Licenciou-se e doutorou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, seguindo a carreira como docente, tornando-se catedrático de Direito Civil, Político e Administrativo do Instituto de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa. Jurista conceituado, publicou diversos trabalhos no domínio do Direito, com destaque para p “Tratado de Direito Civil em Comentário ao Código Civil Português”.
Foi membro da Associação dos Arqueólogos de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia de Jurisprudência e Legislação de Madrid e da International Law Association.
Recebeu o doutoramento "Honoris Causa" pela Universidade de São Paulo e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 24 de fevereiro de 1911, passando à categoria de efetivo a 11 de abril de 1929, na 2.ª secção (Ciências Jurídicas e Políticas)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21027)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais. Interior correcto.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€

20 janeiro, 2025

MARTINS, José F. Ferreira -
ANGRID (romance oriental).
Por... Colecção Civilização N.º 85. Pôrto, Livraria Civilização, 1938. In-8.º (14x9,5 cm) de 204, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre, na sua maioria, no Oriente antigo português.
"Êste romance tem algum fundamento histórico, como todos os outros trabalhos de igual natureza por mim escritos.
Um pequeno episódio concernente à sociedade portuguesa no Oriente foi a chave que me serviu para bordar o enrêdo, que romantizei, ampliando-o com aspectos curiosos da vida movimentada dos tempos que dominávamos no Oriente.
Angrid, de-facto existiu e foi um célebre corsário, temido no Oceano índico, e cuja amizade os vice-reis, por mas de uma vez, procuraram e obtiveram em certas condições.
Muitos portugueses, franceses e ingleses serviram nas suas Armadas, e todos eram unânimes em exaltar as suas qualidades: valente na guerra e generoso na paz.
Angrid, lugar-tenente do célebre Corsário, é personagem principal do romance. Singularmente expressiva em tôdas as manifestações, formosa e ousada, objectiva e genuína mulher portuguesa do Século XVIII."
(Excerto do preâmbulo - Angrid)
"Acabavam de soar as últimas badaladas na tôrre da vélha igreja, tocando as Avé-Marias. Alguns peões retardatários, acabada a faina do dia, caminhavam apressados para chegarem a tempo a casa, pela vélha estrada cheia de buracos e entulhos, que do Lumiar ia a Odivelas.
Era noite escura e o céu triste de trovoadas.
Dois homens, no entanto, parecendo não ter pressa, de quando em quando suspendiam a marcha, discutindo com calor e lamentando que os seus magros salários mal chegassem para o pão. Estavam nesta altura em frente duma casa senhorial, cercada de muro que lhes dava pelos ombros. Um dêles num repente mal disfarçado, olhando para as janelas donde coava luz em jorros, comentou com um riso escarninho.
- A êste, aqui - apontando para o palácio - nada falta para ser feliz!...
Triste ilusão...
Lá dentro, na sumptuosidade dos vastos salões, de ricos doirados, tapeçarias e exquisitos candelabros, havia mais do que tristeza, havia dor, haviam lágrimas... Pairava uma pesada nuvem de tormentos mil. Um desastre lançava negra sombra n alma torturada de seus ricos moradores, os quais, talvez, preferissem, naquela hora, a mediania e até a pobreza de muitos dos seus vizinhos."
(Excerto do Cap. I - Hora fatal)
José Frederico Ferreira Martins (Nova Goa, 1874 - Lisboa, 1960). "Historiógrafo, romancista e tradutor. Depois de ter frequentado algumas escolas e universidades inglesas sem nelas ter completado qualquer curso, dedicou-se ao ensino, tendo sido professor liceal em Lisboa e em Goa. Foi vogal do Conselho de Instrução Pública da Índia e administrador da Imprensa Nacional de Luanda, cargo em que se aposentou nos anos trinta, vindo viver para Portugal onde passou a dedicar-se exclusivamente à escrita. Durante a sua estada na Índia havia desenvolvido uma importante atividade de investigação, cujos resultados estão presentes nos numerosos ensaios que publicou sobre a presença portuguesa no Oriente e vieram também a refletir-se numa parte da obra de ficção. Colaborou em O Oriente Português, de Goa, em O Instituto, de Coimbra, e em O Mundo Português, no Boletim da Sociedade de Geografia, de Lisboa."
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado. Folha 139/140 alvo de restauro.
Muito invulgar.
15€

12 junho, 2024

BRAGANÇA-CUNHA, T. -
ESCRAVATURA HIPÓCRITA. Por... [S.l.], Editor: O advogado Venctexa V. Sar Dessai, Com o curso do liceu. [Composto e Impresso na Tip. Bragança & C.ª - Nova Goa], [1929]. In-8.º (20x13 cm) de [2], 36 p. ; B.
1.ª edição.
Protesto do autor contra os abusos e arbitrariedades da administração portuguesa de Goa, que reputa de medieval, e acusa de enganar e escravizar os naturais da colónia.
Opúsculo clandestino, raro, sem menção bibliográfica na Biblioteca Nacional.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor à Redacção do jornal República.
"Emquanto os senhores congressistas e conselheiros do govêrno entretinham-se em esboçar planos de valorização do emigrante e outros projectos destinados a ficar no papel, chegou ao nosso conhecimento um facto escandaloso e revoltante que vem fazer luz sôbre a triste realidade do problema da nossa emigração, e temos por dever levá-lo ao conhecimento do público.
Em Maio de 1926, alguns curumbins de Vernã e Cortalim fôram engajados por um cavalheiro, funcionário do Estado, residente em Carambolim, a irem trabalhar naquela aldêa do Concelho das Ilhas e daí fôram enviados pelo mesmo cavalheiro para um destino desconhecido. As familias dêsses desgraçados - pais, mães, maridos, mulheres, - ignoram desde então o seu paradeiro. Possuimos os nomes dum certo número dessas pessoas, algumas delas menores de idade, de cuja ignorância se abusou no propósito evidente de ganhar dinheiro fornecendo mão de obra barata a alguma empresa estrangeira. O engajador recusa-se obstinadamente a dizer para onde elas foram enviadas. Pensa-se que foram para uma dessas plantações em Assam ou em Ceilão, onde os fazendeiros ingleses que cultivam o chá e o ópio, costumam enriquecer-se explorando gente pobre e reduzindo-a á escravidão.
Não teria êste facto chegado ainda ao conhecimento dos nossos governantes?"
(Excerto de Uma agência de escravatura)
Índice:
Nota introdutória | Uma agência de escravatura | Goa, mercado de escravos | Tráfico de escravos | Escravatura encoberta de Assam | Cidadãos-escravos | Resposta á imprensa oficiosa | Novos escravos de Goa | Libertados! | Páginas suplementares: O catolicismo, instrumento de dominação política.
Tristão Bragança Cunha (1891-1958). Herói da resistência goesa. "Nascido a 2 de Abril de 1891, o jovem Tristão estava destinado a liderar o movimento patriótico dos goeses que almejavam a libertação de Goa do domínio português. Quando a Índia se tornou independente da Grã Bretanha em 1947, tornou-se incongruente que um minúsculo território integrado nas fronteiras físicas da Índia pudesse continuar sob o domínio de Portugal.
Tristão completou os seus estudos franceses em Pondicherry e em Paris, onde se envolveu em actividades anti-imperialistas conduzidas pelo Comité Pro-indiano da Agência de Informação fundada por Romain Rolland na capital francesa. Deu publicidade à causa da Índia e de Goa num conjunto de artigos em jornais franceses e publicou em episódios um estudo biográfico de Mahatma Gandi, antes de Romain Rolland elaborar o seu.
Em 1926, Tristão de Bragança Cunha voltou a Goa onde, como seria de esperar, era um homem marcado, e foi perseguido pelo Governo por causa dos seus escritos nacionalistas. Em 1929 lançou uma campanha contra os produtores britânicos de chá de Assam, que tinham aliciado kunbis (membros de castas inferiores) goeses a trabalhar nas plantações como trabalhadores escravizados e, por volta de 1940, conseguiu que fossem repatriados para Goa. Angariou fundos para ajudar o povo de Salcete e Mormugão atingidos por chuvas torrenciais de monção em 1941.
Publicou diversas brochuras de propaganda, tais como Índia Portuguesa e Desnacionalização dos Goeses, tendo o Governo Português pedido ajuda ao Governo Britânico para confiscar as cópias distribuídas em Bombaim. Todavia, revertendo a decisão do procurador MC Chagla do Supremo Tribunal de Bombaim, a proibição foi levantada.
Seguiu-se uma sistemática perseguição em Goa a Tristão Bragança da Cunha. Foi preso, espancado, e encarcerado na prisão de Aguada. Foi julgado e condenado a oito anos de detenção no Forte de Peniche, em Portugal. Foi libertado dois anos mais cedo, graças a uma amnistia, em 1952, mas não foi autorizado e regressar a Goa.
Tendo porém obtido meio de chegar a Paris, com um passaporte de turista, foi daqui até Bombaim, onde recomeçou, com redobrado vigor, a militar na causa goesa, publicando textos no quinzenário concani Azad Goem, e noutros periódicos, até à sua morte em 26 de Setembro de 1958. Foi condecorado a título póstumo pelo Conselho para a Paz em Estocolmo com a medalha de ouro da paz.
Os seus restos mortais repousam no memorial T. B. Cunha erguido nos Monumento aos Mártires em Panjim."
(Fonte bibliográfica: J. Clement Vaz, Profiles of Eminent Goans. Past and Present. Nova Delhi, Concept Publishhing Company, 2016 & Wikipedia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
85€

15 abril, 2024

COSTA, Maria Clara Pereira da -
OS DA CARREIRA DA ÍNDIA E MINA OU DE TORNA-VIAGEM COM BENS PATRIMONIAIS NO ORIENTE, NOS AÇORES E NO NORTE DE ÁFRICA. [O testamento do cavaleiro fidalgo da Casa de Sua Magestade Barnabé Fernandes]. Separata do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira - vol. XLI (1983). [S.l.], [s.n. - Gráfica Maiadouro - Maia], [1986]. In-8.º (21,5 cm) de [1], 74 p. (206-279 p.), [1] p. ; il. B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio histórico sobre Barnabé Fernandes, navegador português torna-viagem natural de Almeirim, que fez a Carreira da Índia, com forte ligação à Ilha Terceira - porto de escala no regresso - pelo casamento.
Trabalho invulgar, com relevância para a história desta rota marítima e da genealogia dos primeiros colonizadores da Ilha.
Ilustrado com 8 gravuras distribuídas por outras tantas páginas: uma de Santarém, outra de Goa e seis de Angra do Heroísmo.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora ao Dr. Francisco Santana, conhecido académico e historiador.
"Trago como tema de estudo a este colóquio um só documento que nem original é. [...] É certo, contudo, que para nós os arquivistas todo e qualquer documento em sentido absoluto é digno da melhor atenção, mas nem sempre é fácil encontrar-se a técnica adequada a que o seu valor como testemunho se torne se torne útil ao historiador. Tentaremos com o o documento em causa fazê-lo e neste momento com um encanto especial pois irei darei a mão a Barnabé Fernandes (assim se chama o cavaleiro fidalgo de torna-viagem que estudaremos), e com ele e o seu testamento passear a minha infância pelas ruas de Angra, a imaginação pelas guerra de Arzila, a saudade pela velha Goa, os desencontros da vida, a presença dos mortos, a lonjura dos sonhos pelos lábios ressequidos que o meu Atlântico salgou; e isto sem qualquer singularidade por individual que pareça, nem traição ao ofício por regado de emoção, uma vez que são estes, nós os ilhéus bem o sabemos, os dados essenciais do processo histórico que gerou o homem atlântico. De facto, de tudo isto Barnabé Fernandes fará história, pois se o mundo não é para esquecer e se a história entre o mais é memória funcional das coisas, temos de dar voz ao homem colectivo imediato e às múltiplas formas de pressão que o condicionam, mas ainda ao rochedo que é, ao lugar, ao homem imediato, à marca que o devir da sua viagem no fluir das gerações acaso deixar."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

04 outubro, 2023

GOA E O GRÃO-MOGOL. Editores Jorge Flores e Nuno Vassallo e Silva. [Lisboa], Fundação Calouste Gulbenkian em colaboração com Scala Publishers, London, 2004. In-4.º (28x23 cm) de 240 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo publicado por ocasião da exposição Goa e o Grão-Mogol, realizada no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, Galeria de Exposições da Sede, entre  9 Junho e 5 de Setembro de 2004.
Belíssima peça da bibliografia oriental portuguesa, elaborada com grande apuro gráfico e sentido estético, impressa em papel de superior qualidade e profusamente ilustrada a cores.
"Goa e o Grão-Mogol pretende pôr em evidência as diversas facetas da relação que se estabeleceu nos séculos XVI e XVII entre a Índia portuguesa e o império mogol. Para os mogóis, os portugueses são mais um vizinho, seguramente menos perigoso que os safávidas, os uzbeques ou os otomanos. Menos perigoso mas algo “exótico”, tanto mais que os portugueses foram os primeiros firangis com que o imperador Akbar privou. A escrita dos cronistas mogóis não reflecte o fenómeno, mas, em contrapartida, o trabalho dos artistas da corte não se alhearia tão cedo da presença desses estrangeiros no império. Já para os portugueses, com capital em Goa desde 1510 e mantendo um rosário de estabelecimentos marítimos que se prolongava até ao Gujarat, do sucesso da relação com oMogor dependia a sua própria sobrevivência na Ásia do Sul. Tal é o pano de fundo de uma relação que durou mais de dois séculos e se corporizou em diversos domínios. Relação comercial, construída nos portos do Gujarat e do Bengala. Relação política e diplomática, de que dá testemunho um vasto corpo documental relativo a embaixadas, tratados, mediadores e espiões. Relação religiosa, indelevelmente marcada pela influência dos jesuítas na corte de Akbar e Jahangir. Relação cultural e artística, assente nas múltiplas contaminações de objectos, ideias, gostos e estilos.
Os dez ensaios escritos, por um conjunto de especialistas internacionais, expressamente para esta obra, exploram as diferentes facetas de uma relação que durou mais de dois séculos e se corporizou em diversos domínios (comercial, político e diplomático, religioso, cultural e artístico). Todos os ensaios são profusamente ilustrados com magníficas miniaturas mogóis, livros, pinturas europeias e diversos objectos seus contemporâneos que, entre outros, integram a exposição com o mesmo título. O livro contém ainda uma relação exaustiva das peças presentes na exposição, acompanhada pela respectiva bibliografia específica."
(Fonte: https://gulbenkian.pt/museu/agenda/goa-e-o-grao-mogol/)
"O presente ensaio foi concebido como um modesto contributo para a história da complexa relação multilateral que existiu em finais do século XVI e inícios do século XVII entre quatro potências um tanto desiguais: a primeira, o império mongol em crescimento na Índia Setentrional, que conheceria uma expansão avassaladora nas décadas que se sucederam a 1560; a segunda, os sultanatos do Decão, mais a sul, e especialmente os reinos de Bijapur e Ahmadnagar; a terceira, o Estado Português da Índia, com o seu centro político em Goa, e posições subsidiárias em Damão, Diu e na Província do Norte; e, por fim, o estada safávida no Irão, o qual, desde o seu início por volta de 1500, mantivera relações privilegiadas com os soberanos muçulmanos do Decão."
(Excerto do ensaio A expansão mongol no Decão, 1570-1605: perspectivas contemporâneas)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

17 junho, 2023

XAVIER, Felippe Nery - COLECÇÃO DOS FAC-SIMILES DAS ASSIGNATURAS, E RUBRICAS DOS VICE-REIS, E GOVERNADORES GERAES DO ESTADO DA INDIA, COORDENADA, POR DETERMINAÇÃO DO Ill.mo e Ex.mo S.or Visconde D'Ourem, GOVERNADOR GERAL DO MESMO ESTADO, POR... Official-maior graduado - Chefe da primeira Secção da Secretaria do Governo Geral, e Director da Imprensa Nacional. Nova-Goa: Na Imprensa Nacional, 1853. In-8.º (21 cm) de [246] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra impressa em Goa. Trata-se da colecção dos fac-símiles das assinaturas dos Vice-Reis e Governadores do Estado da Índia, desde o 1.º Vice-Rei, D. Francisco de Almeida (1505-1509) até ao mandato governativo de José Joaquim Januário Lapa, Visconde de Vila Nova de Ourém (1851-...), época em que foi publicado o presente livro. Acompanham os fac-símiles das assinaturas breve apontamento biográfico dos governantes.
Inocêncio atesta a sua raridade: "Estas colecções são muito raras na Índia, e ainda mais em Lisboa".
"Os alludidos Fac-similes, são extrahidos das originaes assignaturas que á força de enfadonhas buscas descubrimos humas exaradas nos autos das posses, e assentos doss Conselhos do Estado, e do extincto Conselho da Fazenda, e outras finalmente em diversas Cartas, Patentes, Alvarás, e Provisões de épocas remotas que reunimos; e ainda que se possa afiançar da sua exactidão com os originaes; com tudo he preciso dizer que a nitidez que parece faltar-lhe he devida á difficuldade em a conseguir neste Paiz avesso ás obras lithographicas, por causa da sua temperatura."
(Excerto da Advertencia)
Filipe Nery Xavier (Goa, 1801- Goa, 1875). Historiador, ilustre funcionário e administrador colonial. "Cavalleiro e Commendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Christo e Cavalleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, Official-maior da Secretaria Geral do Governo do Estado da Índia, director da Imprensa Nacional, vogal de numerosas e importantes commissões de serviço publico, durante mais de 50 annos. Socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa e de varias outras sociedades litterarias, premiado nas exposiçoes de Pariz, Porto, Madrasta."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos.
Carimbo de posse de Bello Carvalho na capa e na f. rosto.

Raro.
Com interesse histórico.
60€
Reservado

18 abril, 2023

XAVIER, Alberto -
POLITICA REPUBLICANA EM MATERIA ECCLESIASTICA.
(Estudo sociologico e juridico dos textos legislativos). Lisboa, Lamas & Franklin, 1912. In-8.º (20,5 cm) de 334, [2], XV, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo publicado pouco tempo após a aprovação de legislação republicana que consagrou a separação da Igreja do Estado.
"Singulares circumstancias suggeriram em mim a idéa de escrever este livro.
A paz e a harmonia, a calma e a concordia, tantas vezes mantidas no seio da grande familia republicana portugueza, nas horas difficeis e graves da sua historia, toda feita de sacrificios abnegados e de dedicações heroicas, - soffriam fundos abalos alguns mezes após o 5 d'outubro, mórmente a propostito da eleição presidencial em agosto de 1911.
Uma surda e insensata campanha de descredito e de odios pessoaes se fomentava pelos bastidores da politica, progredia, tomava vulto e vinha afinal é supuração na Imprensa diaria, entrando no dominio publico. E n'essa corrente de despeitos mutuos inconfessaveis, de incompatibilidades pessoaes irreductiveis, não se receou ferir no combate violento e aggressivo, as proprias leis republicanas, algumas das quaes sem duvida importantes, mesmo fundamentaes como esteio e inicio d'uma nova era fecunda de emancipação e de justiça que havia inspirado toda a propaganda preparatoria da Revolução, justificando-a.
Um dos diplomas visados no ataque, foi o que separou as Igrejas do Estado. Vindo instaurar em Portugal um regimen de completa liberdade religiosa, inedito na historia da nossa nacionalidade, esse documento legislativo, tendo principalmente por fim garantir a legitimidade de todas as religiões, sem privilegios para qualquer d'ellas ou exclusão propositada para alguma, é ao mesmo tempo uma arma legal de defeza politica das instituições contra as ambições de poder da Igreja Catholica, pretendida aggremiação temporal.
O clericalismo é o nosso fundamental inimigo. Na fronteira é ainda o clericalismo que fomenta a guerra civil e a restauração.. No interior o clericalismo continua senhor do confessionario e o espirito clerical predomina no seio das familias."
(Excerto da Justificação)
Indice Geral:
Justificação | Uma vista de conjuncto | I - A Separação: Causas Juridicas - Causas occasionaes. Um confronto de textos. II - Politica anti-clerical. III - Principios: A liberdade religiosa. Liberdade de consciencia - Liberdade de cultos. IV - Principios: A liberdade de ensino. Ensino racionalista - Ensino confessional. V- Principios: Liberdades de reunião e de associação. Corolarios: O culto publico e as corporações cultuaes. | Acclarações necessarias.
António Maria Eurico Alberto Fiel Xavier (Goa, Nova Goa, 1881-? ). "Foi um político, advogado, jornalista português. Pertenceu à Maçonaria, tendo sido iniciado em data desconhecida de 1906 na Loja Pátria, afecta ao Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de Robespierre. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1908, participando na Greve Académica de 1907. Exerceu Advocacia em Lisboa e dedicou-se ao Jornalismo. Já depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910, exerceu as funções de Administrador do 4.º Bairro de Lisboa, Secretário-Geral do Ministério das Finanças e Director-Geral da Fazenda Pública. Dirigiu o "Diário da Tarde" e colaborou em vários outros periódicos. Foi eleito Deputado nas eleições extraordinárias de 1913, em 1915, em 1919, 1921 e 1922 pelo Círculo Eleitoral de Estremoz, transitando das listas do Partido Democrático para as do Partido Reconstituinte na década de 1920. Em 1924 exerceu, por algum tempo, o cargo de Administrador Geral da Casa da Moeda. A transição da República para o Estado Novo, não diminuiu a sua intervenção junto do Poder, visto que se tornou um dos colaboradores de António de Oliveira Salazar, quando este geriu a pasta do Ministério das Finanças. Entre 1933 e 1947, foi Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas, cargo do qual se reformou voluntariamente. Entre 1940 e 1947, foi Comissário-Adjunto do Governo na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Ocupou, ainda, a Presidência do Conselho Fiscal da Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência, e das Lotarias da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Publicou diversos trabalhos de ensaio, Direito, Política, literatura, etc."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas enrugadas por acção da humidade. Sem f. ante-rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

06 janeiro, 2023

PIRES, Phillipe Neri - GRAMMATICA MARATHA EXPLICADA EM LINGUA PORTUGUEZA.
Compilada das mais abalizadas que ate o presente se tem dado á luz, por... Vaki'l [Advogado] no Sadar Adalat [Supremo Tribunal de Justiça], e traductor publico nas linguas Maratha e Guzerate
. Bombaim: Na Typographia da Missão Americana. T. Graham, Impressor. 1854. In-8.º (22 cm) de [10], xiv, [2], 106 p. ; B.
1.ª edição.
A Gramática de Marata foi uma obra importante, parte de um plano linguístico da administração portuguesa no Estado da Índia, e em particular na colónia de Goa, em meados do século XIX.
Marathi (inglês: / m ə r ɑː t i / ; Marāṭhī, Marathi: [məˈɾaːʈʰiː] (ouvir)). "É uma língua indo-ariana predominantemente falada pelo povo Marathi do estado indiano de Maharashtra. É a língua oficial de Maharashtra e língua oficial adicional no estado de Goa. É um dos 22 idiomas oficiais da Índia, com 83 milhões de falantes em 2011. O Marathi ocupa o 11.º lugar na lista de idiomas com mais falantes nativos do mundo. O Marathi é a terceira língua com maior número de falantes nativos na Índia, depois do Hindi e Bengali. A sua literatura é uma das mais antigas das línguas indianas modernas. Os principais dialetos do Marathi são o Marathi padrão e o dialeto Varhadi."
(Fonte: Wikipédia)
Felipe Neri Pires, que trabalhava como tradutor e advogado no tribunal de Bombaim, escreveu ao Secretário do Governador-Geral, J. H. da Cunha Rivara, que os milhares de migrantes goeses em Bombaim estavam em estado desesperador. A cidade foi incapaz de absorver todos eles, e seu estado de penúria e miséria de fato motivou as mais "vergonhosas" representações da comunidade em alguns dos jornais de Bombaim.  [...] Para remediar esta situação, Neri Pires sugeriu a Rivara que o ensino em inglês e marataser fornecido, e recomendou que ele publicasse uma gramática para auxiliar os estudantes goeses.
(Fonte: https://academic-oup-com.translate.goog/book/9052/chapter/155575805?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-PT&_x_tr_pto=sc)
"Havendo, mercé de Deos, concluido a presente Grammatica, encetada em circumstancias pouco favoraveis, cumpre-me confessar que naó me teria aventurado a emprehender a confeccáo della, superior certamente as minhas forças intellectuaes se por ventura naó tivera a fortuna de pertencer á um Tribunal, onde estão reunidos, como no um foco, os Nativos mais versados nas differentes linguas vernaculas da India, como saó os Traductores de Profissaó, os Xeristedárs [interpretes], os Xastrís, e Mólvís ou Kazís (peritos em Leis dos Hindús e Mahometanos respectivamente, possuindo ao mesmo tempo, vasto conhecimento de Sanskrit, do Persiano e do Arabico). Estribado pois na coadjavaçáo, e auxilio que delles esperava, e que effectivamente me prestaráo franca e promptamente quando consultados, náo hesitei estrear a empreza, e traze-la ao fim tal como a appresento ao Publico."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Carimbo de biblioteca na capa e f. rosto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
45€
Reservado

15 fevereiro, 2022

COSTA, Cincinnato da - A INDUSTRIA DOS LACTICINIOS EM PORTUGAL. (Questões Geraes).
Dissertação de Concurso apresentada ao Conselho Escolar do Instituto de Agronomia Veterinaria
. Lisboa Typographia da Viuva Sousa Neves, 1887. In-4.º (23 cm) de 133, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio sobre a indústria nacional de laticínios, publicada quando o autor contava apenas 20 anos de idade. Obra não existente na Biblioteca Nacional, nem tão pouco referida na bio-bibliografia do autor.
Livro ilustrado no texto com quadros, tabelas e um desenho: "Apparelho de Scxhlet para a determinação da manteiga no leite".
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa de Cincinato da Costa ao Pe. António Maria Rodrigues.
"Permanece ainda na infancia a industria dos lacticinios, em Portugal.
Pouco de ha escripto e pouco existe feito sobre tal assumpto, entre nós.
Quem percorre o paiz de norte a sul, encontra aqui e acolá, uma ou outra granja destinada á exploração do leite e dos seus productos, mas sem que uma industria bem montada, seja o apanagio da actividade do homem que cultivas o campos.
Quer  muita gente que o paiz não esteja destinado a este genero de industria, partindo de supposições erroneas sobre os climas de Portugal."
(Excerto da Introducção)
"A industria dos lacticinios é ramo da exploração agricola que tem sido quasi completamente descurado, entre nós. Ninguem conhece ou emprega todos os preceitos  modernamente descobertos sobre os mil processos de fabricação do queijo ou da manteiga, ou sobre a conservação do leite nas leitarias. [...]
Na exposição de 1884, era lamentavel vêr-se, como estava pobremente representada a leitaria e productos lacticinios, no recinto da Tapada da Ajuda. Poucos particulares ahi tinham concorridos para exhibir amostras dos raros generos que possuimos n'este ramo agricola, significando assim tacitamente a pouca importancia dada a esta exploração, pelos proprietarios ou pelo paiz.
Entretanto é necessario que se convençam, que, apesar de tudo quanto se tem dito contra o bom resultado da installação de similhante industria em Portugal, o paiz poderá mantel-a quando estabelecida em bases largas e sanccionada por bons principios.
O pretendido conflicto entre o clima e a industria da leitaria em Portugal, não existe. Se em certas regiões do nosso solo ella é de todo o ponto impossivel, como anti-economica e anti racional, n'outras irá bem, e d'ella dependerá talvez o salvaterio de muito braço sem emprego.
Ha toda uma região serrana bástamente revestida de verdejantes hervagens, onde os gados podem ter, a campo, abundosos e humidos pastos. Densos nevoeiros cobrem por vezes a encosta e descem a serrania procurando o valle, dando assim prova do grau de proxima saturação hygrometrica da atmosphera, necessario requisito tão desejado para estabulação do gado leiteiro."
(Excerto do Cap. I)
Bernardino Camilo Cincinato da Costa (Margão, Goa, 1866 - Lisboa, 1930). "Eminente professor, agrónomo e publicista. Fez os cursos de engenheiro agrónomo e de médico veterinário no antigo Instituto de Agronomia e Veterinária (actual Instituto Superior de Agronomia); foi lente catedrático desde 1887 no antigo Instituto de Agronomia e Veterinária, regendo, posteriormente, no Instituto Superior de Agronomia a cadeira de Tecnologia Agrícola. Foi director do Laboratório de Microbiologia Agrícola «Ferreira Lapa» e visitou em missão de estudo a França e a América do Sul.
Participou no Congresso Pedagógico Luso-Hispano-Americano de Madrid em 1892, na Exposição Universal de Paris em 1900 e nos Congressos de Agricultura e Viticultura. Foi delegado do Governo Português no Instituto Internacional de Agricultura de Roma, sendo agraciado com a comenda da Coroa de Itália.
Foi sócio efectivo das Ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra, fundador da Sociedade das Ciências Agronómicas, director da Associação Central de Agricultura Portuguesa, sócio honorário da Sociedade dos Viticultores de França, e sócio correspondente da Sociedade de Agricultura de Gironda e do Instituto Geográfico Argentino.
Publicou as seguintes obras: Le Portugal au point de vue Agricole (com a colaboração de D. Luiz de Castro); Le Oleiculture en Portugal; Portugal vinícola (edição monumental); Produção e comércio dos principais géneros agrícolas de Portugal; A questão dos trigos em Portugal, e muitas outras. Colaborou em jornais e revistas da especialidade agrícola."
(Fonte: https://www.bdalentejo.net/index.php?view=article&id=175tmpl=component&print=1&page=&Itemid=52&option=com_content)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel marginais. Perda de suporte na lombada. Deve ser encadernado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

21 janeiro, 2021

ÍNDIA : DISTRITO DE GÔA - Boletim da Agência Geral das Colónias.
Ano 5.º - Julho de 1929 - N.º 49
. In-4.º (23 cm) de 345, [1] p. ; mto. il. ; B.
1.ª edição.
Número especial dedicado à Índia Portuguesa, - Goa, Damão e Diu -, editado pela Agência Geral das Colónias cujo apreciado Boletim se publicou entre 1925 e 1969.
Livro ilustrado ao longo do texto com tabelas, mapas e inúmeras fotogravuras do territórios - paisagens, locais e imóveis e monumentos com interesse.
Sumário:
O distrito de Damão, por Constâncio Roque da Costa. | A acção missionária da índia, pelo padre Castilho de Noronha. | Memória sôbre as condições agrícolas, florestais e pecuárias da Índia Portuguesa, apresentada pela Direcção dos Serviços da Agricultura, por Fernando César Corrêa Mendes. | Resumido relato das condições financeiras da Índia Portuguesa, por António A. Pacheco. | Notas sôbre o movimento do comércio externo e da navegação da Índia Portuguesa, por Daniel da Silva Bastos. | Importantes obras ùltimamente executadas na Índia Portuguesa, por Afonso Z. de Mendonça. | Resumido relato sôbre os resultados financeiros da exploração do caminho de ferro e pôrto de Mormugão, movimento do pôrto, tráfego de mercadorias, comércio, etc., por Luís Birmark Dias. | Notas sôbre o desenvolvimento dos correios e telégrafos da Índia Portuguesa, por António Felipe Pereira. | Relatório sucinto do desenvolvimento dos serviços de agrimensura e minas, por Luís Miranda. | Elementos Gramaticais da Língua Concani, pelo Cónego José de Santa Rita e Sousa. | Lugares Selectos da Biblioteca Colonial Portuguesa. | Memoranda do Jardim Colonial de Lisboa. | Serviços da Agência Geral das Colónias. | Legislação Colonial. | Cotações dos produtos coloniais na praça de Lisboa. | Informações e Notícias. | Revista da Imprensa Colonial (Secção Estrangeira). | Bibliografia. | English Section. | Section Française.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

30 novembro, 2020

SOUZA, Francisco Pedro de - O GOANO ATRAVEZ DOS TEMPOS. Por... Advogado, 2.º official da Secretaria Geral do Governo do Estado da India Portugueza. Nova Goa, Typ. Arthur & Viegas, 1911. In-8.º (21,5 cm) de [18], 53, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.

Importante estudo sobre o povo goês.
Livro ilustrado com um quadro da População de facto segundo o censo de 1900.

"Desde aquelle anno (1881) para a solução do grande problema, ou por outra, para o exame da grande hydra casta dedicamo-nos com afinco a um estudo concernente ás leis, costumes, etc., e não encontramos paiz algum quer do continente velho quer do novo, leis relativas e eguaes ás que regiam as nossas antigas communidades, excepto no antigo Egypto.
Guiados pelos rastilhos encontrados, tentamos obter maior somma dos conhecimentos sobre o assumpto, para melhormente proceder á biopsia anatomo-pathologica d'aquelle grande corpo mesclado. - A casta, - cevado ainda no pleno brilho da Luz do Oriente [Cristianismo], que irradiando no pagão Occidente fel-o chamar á razão e á civilisação.
D'ahi pelos portuguezes do coração do ouro foi esta Luz propagada entre nós, tornando-se, porém, baça com a implantação da Inquisição e depois pela perversidade de espirito dos da companhia de Jesus (jesuitas) que lavraram dissenções entre os habitantes, insufando nas instituições religiosas a distincção de castas, e mandando cuidadosamente queimar os livros antigos etc, etc.!! [...]
Mandando correr o presente livrinho o mundo, longe de nós a idéa de depreciar o merecimento e valor de qualquer pessoa, e bem assim figurar o nosso humilde nome entre os eruditos  escriptores e historiadores.
O nosso um e unico intuito é de concorrermos com o nosso contingente, embora fraco, mas franco e leal, para o descobrimento da verdade e só a verdade em toda a sua nudeza."
(Excerto do prefácio)
Matérias:
Prefácio. | Noções ethnographicas. | Religião: Budhismo; Chritianismo; Mnuismo; Quadro tetro do Hinduismo; Mahometismo; Christianismo. | Origem das Castas: Nobres e Plebeus. | Sentir geral do paiz.
Encadernação editorial (?) em meia de pele com as pastas em tela. Na pasta frontal encontra-se reproduzido o frontispício do livro em caracteres dourados .
Exemplar em bom estado de conservação. Falha de pele no terço superior da lombada. Pequeno orifício de xilófago, no pé da página, visível na primeira parte do livro.
Muito raro.
Com interesse histórico.
85€

12 novembro, 2019

RODRIGUES, Santana - O CRIME E A RESPONSABILIDADE (estudo psico-social). [Por]... Doutor em Medicina, Assistente na Faculdade de Medicina de Lisboa. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1928. In-4.º (24 cm) de 70, [2] p. ; B. Separata de «O Instituto», vol. 75.º, n.º 5
1.ª edição.
Importante ensaio, dos primeiros que sobre Psicologia se publicaram entre nós. Obra enriquecida com casos clínicos, alguns do conhecimento directo do autor.
"A psicologia, sciência cujo método scientífico é de aquisição recente, vai já, a bem dizer em avançado grau de desenvolvimento.
Mas embora quási definitivamente metodizada, a psicologia, sciência moderna, vasta e complexíssima, é reservada no que respeita a conclusões, o que dá margem a que sôbre alguns fenómenos tais como consciência, vontade, responsabilidade, se entrechoquem os modos de ver dos observadores.
Liberta, porém, do seu evoluir indeciso, a psicologia será a sciência que directamente há-de presidir à disciplina, à harmonia, ao equilíbrio da vida individual e social.
Integrando a motivação psíquica dos grupos múltiplos e multiformes das perturbações perceptivas elementares, das ilusões perceptivas, das alucinações reflexas e sensitivas, individuais e colectivas, das alterações da inteligência e da sensibilidade moral, das inversões da vida afectiva, das alterações da consciência e da cenestesia, que constituem a escala das alterações psíquicas que conduzem gradualmente e, numa medida insensível, às variadas formas do delírio e da alienação ds indivíduos e as colectividades, a psicologia neste supremo trabalho de explicação e de educação da intrincada fenomenologia do pensamento será a terapêutica e a higiene da vida individual e social."
(Excerto de Preâmbulo histórico)
Índice:
I - Preâmbulo histórico. II - Crime e Responsabilidade. III - Expressão psico-orgânica da Responsabilidade. IV - Interpretação ético-jurídica da Responsabilidade. V - Conceito psicológico do crime. VI - A responsabilidade atenuada. VII - Conclusões médico-sociais.
Santana Rodrigues (Goa, 1887 - Lisboa, 1966). "António Aleixo de Santana Rodrigues nasceu em Vernã, uma freguesia do concelho de Salsete em Goa, a 4 de julho de 1887. Iniciou-se nas letras bastante jovem, possivelmente ainda estudante do Liceu de Pangim, hoje Panaji, quando se tornou articulista do Diário de Goa (1905-1906). Matriculado na Escola Médica de Nova Goa, licenciou-se em 1910 com a tese O Problema da Responsabilidade, aprovada com louvor. Em data incerta viajou para Lisboa para prosseguir os estudos. Repetiu o curso na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Otorrinolaringologia, formando-se em Medicina Tropical. Em 1919 doutorou-se, em Lisboa, com uma tese em psicologia, com o título A Dinâmica do Pensamento, publicada no mesmo ano e com o parecer positivo de Júlio de Matos (1856-1922) e uma carta laudatória do filósofo francês Henri Bergson (1859-1941). Participou na Primeira Guerra Mundial como tenente-médico miliciano, de 1918 a 1919. Foi assistente na Faculdade de Medicina de Lisboa e no Instituto de Medicina Legal, tornando-se, posteriormente, professor de Medicina Legal na Escola Médica de Goa e chefe de Clínica do Instituto de Medicina Legal."

(Fonte: http://tecop.letras.ulisboa.pt/np4/file/482/Santana_Rodrigues___SITE.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa ligeiramente oxidada nas margens.
Raro.
Com interesse para a história da Psicologia em Portugal.
30€

07 novembro, 2019

COLLIS, Maurício - NA TERRA DA GRANDE IMAGEM. (Aventuras de um Religioso português no Oriente). Tradução do inglês e notas de António Álvaro Dória. Pôrto, Livraria Civilização, 1944. In-8.º (22 cm) de 336 p. ; [16] p. il. ; [1] mapa desdob. ;  il. ; E.
1.ª edição.
Deambulações aventurosas de um frade agostinho por terras portuguesas da Índia na primeira metade do século XVII.
Livro ilustrado em extratexto com 16 bonitas gravuras, e com 5 mapas - quatro no texto e um desdobrável.
"A nossa narrativa prende-se com parte das viagens feitas por Fr. Sebastião Manrique, monge agostinho. Êste notável português nasceu no Pôrto entre 1590 e 1600. Em criança - não se sabe precisamente quando - ligou-se à Ordem dos Agostinhos e foi, mais tarde, mandado para Goa, capital da Ásia portuguesa, nome porque eram conhecidos os domínios de Portugal no Oriente. Nessa estranha e bela cidade indiana permaneceu largos anos, primeiro como noviço e mais tarde como frade, residindo no mosteirro da sua Ordem, esplêndida construção barroca, ou melhor grupo de construções, que, além do mosteiro pròpriamente dito, incluía capela, colégio e noviciado.
Em 1628, entre os 30 e os 40 anos, transferiram-no para Bengala, onde, em Ugulim (Hugli), perto de Calcutá de hoje, os portugueses possuíam uma feitoria e os Agostinhos outro mosteiro. Bengala é adjacente ao Arracão (Arakan), regido actualmente pertencente à Birmânia, mas então reino independente habitado por uma raça mongol muito semelhante à dos birmanes.
Manrique foi obrigado, no ano seguinte, a ir àquêle reino, e as suas aventuras, narradas nas Viagens, abriram as portas a um mundo que apenas se encontra nos romances. Êle só compôs as Viagens após o regresso à Europa em 1643; escreveu-as, não na sua língua natal, mas num castelhano muitas vezes obscuro e pretensioso, um castellano desastroso, como escreveu Vela, historiador da Ordem dos Agostinhos."
(Excerto da Introdução)
Encadernação em meia dele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado. Correcções do texto a tinta ao longo do livro.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€