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03 setembro, 2025

FEIJÓ, Antonio -
SACERDOS MAGNUS.
Versos recitados no Theatro Academico no sarau litterario na vespera da inauguração do monumento a Luiz de Camões. Coimbra, Livraria Central de J. Diogo Pires - Editor, 1881. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Sacerdos Magnus é uma obra poética de António Feijó, a sua primeira, cuja publicação ocorreu em 1881, quando o autor contava apenas 22 anos de idade. O poema foi originalmente apresentado em Coimbra, num sarau de homenagem a Luís de Camões, precedendo a inauguração da estátua do poeta na cidade, comemorativa do tricentenário da sua morte.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória do punho do autor "Ao seu amº José de Castro".

"Deixae avoejar, serena como o dia,
a borboleta azul da vossa phantasia.
Scismando, imaginae n'uma região distante,
um poço enorme e fundo, um barathro gigante,
onde ruge bramindo um rude cataclysmo
d'aquellas solidões convulsionando o abysmo.
As larvas sepulchraes e as lividas chimeras,
os hediondos reptis e as monstruosas feras,
tudo o que ha de medonho e pavoroso, assombra
o nosso olhar perante aquella horrivel sombra,
onde passam, batendo a negridão dos ares,
as azas colossaes d'aves crepusculares.
[...]
A Edade-Media foi um tenebroso abysmo,
em cuja escuridão, quando eu medito e scysmo,
vejo a lucta sombria, o batalhar constante
d'uma elaboração activa e fecundante,
onde se retemp'rou a seiva das idêas
que explosiram mais tarde, esmigalhando as pêas,
aos rutilos clarões do sol da Renascença!
[...]
Brotou a Renascença, a epocha sublime,
que o nosso imaginar, dobravel como um vime,
entrevê sob o azul aveludado e limpo
d'um ceu formoso e bom, d'um fabuloso Olympo..."

(Excerto do Poema)

António de Castro Feijó (Ponte de Lima, 1859 - Estocolmo, 1917). "Foi um poeta e diplomata português. Como poeta, António Feijó é habitualmente ligado ao Parnasianismo e o final da sua obra tende a um certo tom fúnebre. Fez os estudos liceais em Braga, de onde partiu, em 1877 para Coimbra, onde concluiu o curso de Direito em 1883. Dirigiu, juntamente com Luís de Magalhães, a Revista Científica e Literária publicada nos seus tempos de estudantes académicos da Universidade de Coimbra. Em 1886 ingressou na carreira diplomática.Exerceu cargos diplomáticos no Brasil (consulados nos estados de Pernambuco e do Rio Grande do Sul) e, a partir de 1895, na Suécia, assim como na Noruega e na Dinamarca. Desposou em 24 de Setembro de 1900 a sueca Maria Luísa Carmen Mercedes Joana Lewin (nascida em 19 de agosto de 1878), cuja morte prematura, em 21 de setembro de 1915, o viria a influenciar numa temática fúnebre, patente na sua obra."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, levemente oxidadas, com falha de papel no canto superior direito.
Raro.
Indisponível

11 janeiro, 2025

LEMOS, Julio de - CAMPESINAS
(Quadros do Minho). Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903. In-8.º (19x11 cm) de 262 p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de pequenos contos, sendo uns de índole rústica, ou históricos, sensuais outros, tendo como traço comum o amor e as relações humanas.
"Era certo e sabido. Ao fim da tarde, já depois de haverem despegado do trabalho, os rapazes da freguezia iam reunir-se no adro, em roda do cruzeiro negro de pedra, a taramelar e a brincar uns com os outros, n'uma inalteravel boa harmonia, que era o gosto de quem passava.
Muros abaixo, a um lado, seguia a estrada para a villa, e a outro, distendia-se, n'uma successão de campos infindaveis, a «fazenda» do Thomé de Vascões, toda coberta de latadas e com loiras espigas formosissimas. [...]
Como vinha dizendo, os rapazes da aldeia, ao anoitecer, iam reunir-se no adro, a brincar e a taramelar.
O sol amortecia ao largo, descia sobre a montanha em irradiações violeta - e, entretanto, a rapaziada, marotos que eu sei lá, contava as suas historias e as suas «partidas»: o Evaristo de Penim déra um beijo na filha do Brazileiro; o Firmino de Lizouros mordiscára o braço polpudo da Joanna; o Manuel abraçára, na veiga, a afilhada do Fidalgo de Venade; o Lopes fizera dois dedos de namoro áquella das Barrocas; o Clemente fôra ás uvas do Zé Cosme, o ricaço; o Joaquim da tia Zefa estivera com a ama do abbade, na deveza de Chavião, onde o padre os mandára á lenha...
- Ah, rapazes! Que bom peguilho! Cada perna!...
- E vá um homem fiar-se... Olha o abbade, que bebe os ventos por ella... Se elle o sabe!
E o Firmino, que, baldadamento e por mais de uma vez, lhe rogára um ar da sua graça:
- Parecia tão séria...
E explodiam as gargalhadas, que echoavam ao longe como um estrondo.
- Olha-a, mail-a Therezinha! berrou o garoto do Gachineiro.
N'aquelle minuto, a creada do abbade passava pela taberna do tio Bento, com a «moça» das Cortinhas, em direcção á fonte.
Todos poisaram os olhos nas duas mulheres, especialmente na Maria, appetecivel creatura na belleza sã e fresca dos vinte e pico. E em todos os olhos appareceu, rapido, a chamma do desejo."
(Excerto de No fim da tarde)
Júlio de Lemos (Ponte de Lima, 1878 - Viana do Castelo, 1960). "Escritor e jornalista. Fez os estudos em Viana do Castelo e após breve passagem pelo Seminário Diocesano de Braga (1898-1899) foi nomeado professor da Escola Normal da mesma cidade. Em 1901 foi colocado como Secretário da Câmara de Paredes de Coura e, de 1911 a 1938, na Câmara de Viana do Castelo, onde organizou os arquivos municipais daquelas duas localidades e deixou bem patentes as suas qualidades de investigador, o seu dinamismo e a sua cultura. Colaborou, desde muito novo, em numerosos jornais e revistas portuguesas e espanholas e foi director das revistas literárias Myosótis e Limiana, e de alguns números únicos, entre os quais, Consagração, comemorativo da criação da comarca de Coura (1906) e Pró-Viana, comemorativo das Festas de Nossa Senhora da Agonia (1921 e 1922)."
(Fonte: https://www.memoriasdaromaria.pt/romaria1950/)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada apresenta falha de pele na extremidade superior.
Raro.
Indisponível

03 junho, 2024

PEREIRA-FORJAZ, Dr. A. -
A PETROGRAFIA DO CÉU. [Contribuição espectográfica para o estudo dos meteorites portugueses]. Pelo... Professor da Universidade de Lisboa. Associação Portuguesa para o Progresso das Sciências (Congresso do Porto). Coimbra, Imprensa da Universidade, 1925. In-4.º (25,5x16,5 cm) de 6, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre os meteoritos, e em particular o "meteorite" de Ponte de Lima (Minho), sendo este um dos primeiros trabalhos que sobre o assunto se publicou entre nós.
Opúsculo ilustrado com quadros e tabelas no texto.
"A espectroscopia dos meteorites foi brilhantemente iniciada por Norman Lockyer, um dos fundadores da Astronomia física. Os processos técnicos utilizados pelo conhecido sábio inglês, falecido em 1920, encontra-se descritos, quer em notas apresentadas à Real Society quer na sua esplêndida Memória The Meteorite Hypothesis. [...]
O estudo dos materiais precipitados dos espaços cósmicos sôbre a crusta terrestre, atraiu, desde a mais remota antiguidade, a atenção dos povos orientais.
Papiros chineses fazem passageira menção às pedras caídas do céu alguns séculos antes da nossa era. Como era lógico, a superstição imiscui-se no assunto e não era raro encontrar o nome duma divindade ligada ao aparecimento dos meteorites: Egalabalo, entre os fenícios; Jupiter Ammon, na Líbia. Para os frígios, à Mãe dos deuses se de veria atribuir a visita dêsses corpos celestes. [...]
Por um estudo analítico sumário reconhecemos que o meteorite português de Ponte de Lima (Minho) era constituído principalmente por ferro. Como é sabido o espectro do ferro contém numerosíssimas riscas; era de presumir, pelos resultados atingidos pelos anteriores experimentadores, que ao lado do ferro se encontrassem vestígios de outros elementos."
(Excerto do ensaio)
António Augusto Álvares Pereira de Sampaio Forjaz Pimentel (Lisboa, 1893-1972). "Cientista português. Foi director da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa no período de 1944 a 1960. Licenciado em Ciências Físico-Químicas (U.L., 1914), curso do Magistério Secundário (Faculdade de Letras de Lisboa), doutor em Ciências Físico-Químicas (1917 - foi o primeiro doutoramento na Faculdade de Ciências de Lisboa). Os seus livros didácticos de Física e Mineralogia foram adotados durante muitos anos no ensino oficial e é extensíssima a sua bibliografia, com mais de 300 títulos, especialmente nas áreas da Química Industrial, dos estudos espectrográficos dos minerais portugueses, dos fenómenos magneto-ópticos, dos princípios da quimioterapia e da radioatividade, da fluoroscopia do tabaco, da mecânica química ondulatória, da ciência química e bioquímica, da filiscopia do açúcar, microscopia de eletrões, além de outras matérias de ordem sociológica e etnológica e história da Academia das Ciências de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação com pequenos cortes marginais, sem perda de suporte.
Raro.
Indisponível

11 novembro, 2023

AGUILAR, Eduardo de -
ALMAS GENTIS DE NAMORADOS : romance campestre
. Segunda edição. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco, [192-]. In-8.º (19x12 cm) de 328 p. ; E.
Capa de Fonseca.
Romance "campestre" cuja acção decorre no Minho, na zona de Ponte de Lima.
"Quando em Coimbra, o Luís Cunha concluiu o curso de Direito, despediu-se, com saudades, das lindas margens do Mondego e, desejoso de abrir caminho na vida, de conquistar a independencia, para valer á mãe que, já velha e doente, cuidava do casal, dirigiu-se a Lisboa, no firme proposito de se consagrar a causas importantes, fazer nome, criar clientela. Tinha um sonho, um desejo supremo. Provar aos soberbos Menezes, da sua aldeia, a linda S. Pedro de Arcos, junta aos vergeis de Britiandos, em Ponte de Lima, que o trabalho e o talento eram superiores a todos os pergaminhos e brazões. Para chegar esse resultado meter-se-ia em todos os campos a exigirem energia e perseverança."
(Excerto do Cap. I)
Eduardo de Aguilar (1875-1942). "Nasceu no Porto a 5 de Março de 1875, falecendo em Lisboa no ano de 1942. Além da função de contabilista que exerceu mais tardiamente, é com ligação à área das letras, nomeadamente através da actividade jornalística, que Eduardo de Aguilar se estreia no plano profissional. Com uma obra literária de cariz popular que oscila entre a tendência neo-romântica e incursões no realismo, Eduardo de Aguilar foi autor do livro de versos Cantigas à Bandarra (1924), a única obra poética que se lhe conhece, tendo-se destacado, sobretudo, enquanto romancista e autor dramático. No âmbito do romance, género a partir do qual granjeou a simpatia da crítica jornalística, publicou, no ano de 1912, A morgadinha de Silvares, a edição a favor da Sociedade das Escolas Liberais intitulada De profundis e O mistério da ressurreição. No ano seguinte, foi autor do romance Tragédias de Roma, que atraiu a atenção e as melhores críticas da imprensa da época, e, em 1921, publicou Amores Trágicos e o romance realista A caminho das trevas. Seguiram-se-lhes Almas gentis de namorados e Os fidalgos do cruzeiro, ambos publicados em 1922, e posteriormente O ilustre Bernardo, Vida de miseráveis e Entre espadas e amores, tendo sido ainda autor do romance campestre Os sinos da minha aldeia (1941)."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=43&Itemid=122#porto_01)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

11 agosto, 2022

RIBEIRO, Queiroz - A THERAPEUTICA MAGNETICA.
Minuta de aggravo de João Leão Quartin, contra o M. P.
Vianna, Imp. «Progresso», 1908 [capa, 1907]. In-8.º (20,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Minuta de agravo contra o Ministério Público e respectivo acórdão do tribunal pondo fim a uma questão ocorrida em Viana do Castelo, pelo tratamento de um paciente recorrendo ao magnetismo animal - terapeutica em voga no final do século XIX/princípio do século XX. Raro e muito curioso. Note-se, a título de curiosidade, que o nome do advogado de defesa do queixoso - Queiroz Ribeiro - foi tapado na capa do opúsculo, não tendo sequer sido impresso na folha de rosto, algo que, aparentemente, também sucedeu ao único exemplar existente na BNP.
"Dedicando-nos desde ha muito ao estudo do magnetismo animal, que em nós tem encontrado um acerrimo admirador a grande apologista por este novo systema de curar, e tendo mesmo feito algumas curas com excellente resultado, appareceu inserto no «Jornal «de Vianna» d'esta cidade, um communicado de agradecimento mandado publicar pelo industrial José Campos.
Este industrial, estando tuberculoso e desesperado por não ter obtido da velha medicina a cura tão desejada para a sua terrivel enfermidade, que, dia a dia, vinha minando a sua existencia, recorreu a nós, encontrando-a em nossas mãos com o maravilhoso tratamento pelo magnetismo animal.
Este facto não foi, talvez, bem visto pelos illustres medicos d'esta cidade, e o communicado em questão desagradou altamente ao digno delegado de saude n'este districto, que, sem mais preambulos,  ou especie de consideração alguma, apresentou ao meretissimo agente do ministerio Publico uma queixa contra nós, baseando-se para isso em que nós tinhamos infringido o disposto no art. 76 § 18 do Regulamento geral dos serviços de saude e beneficiencia publica, de 3 de dezembro de 1868."
(Excerto de Explicando)
Matérias:
Explicando. | Minuta de aggravo de João Leão Quartin, contra o M. P. | Accordão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

02 março, 2022

AURORA, Conde d' - O PINTO - Infância, paixões e morte de um cacique eleitoral. -
Romance
. Porto, Livraria Tavares Martins, 1935. In-8.º (19 cm) de 191, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Romance satírico sobre o caciquismo local, 
sendo esta uma das mais interessantes e apreciadas obras do autor.
"Fidaurgo - lhe chamava tôda a gente.
A princípio era o «Filho do Fidaurgo do Paço», o «Fidaurginho»; o «Fidaurgo do Paço», mais tarde.
Depois, na aldeia, até na Vila de Oliveira, todos diziam apenas : o «Fidaurgo».
«Menino esteja quieto. Menino esteja calado!» - fôra tôda a sua educação.
Disseram-lhe o que se não deve fazer: educação negativa porque nunca lhe ensinaram o que se deve fazer.
Tinha mêdo ao Pai - fazia tudo às escondidas dêle.
Não era grande o respeito pela Mãi - e o Pai sempre a dizer «que os rapazes não devem andar metidos nas saias das mulheres».
A vélha criada que o desmamou morrera anos antes.
E sabendo mal a cartilha lá chegou finalmente - sadio de fruta verde clandestina e vinho e boroa por casa dos caseiros - à terrível idade de aprender no sistema métrico a medida do estere.
A Mãi, ralada de desgôstos, vivia coacta, no receio do Marido.
Senhora doente, de boa família, descendente de Ramiro 1.º Rei de Leão, e também, e muito provàvelmente, do Brigadeiro D. João de Amorim, heróico comandante da Praça de Monção em 1640, e de todos aquêles fidalgos de boa estirpe da ilustre Casa de Piães - onde Manuel Pinto de Faria Soares a mandara pedir em casamento pelo capelão de sua casa, conhecedor das terras que a Menina possuía no Concelho de Oliveira.
Manuel Pinto enchera-a de aflições e faltas de respeito.
Nunca mais ela vira as suas jóias desde o dia do casamento.
Andavam por casa e pela quinta, sem cerimónia, as jornaleiras e as moçoilas da aldeia a quem o sanguineo e bestial Senhor acenava o lenço."
(Excerto do Cap. I e II)
José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho, 2.º Conde de Aurora (Ponte de Lima, 1896 - 1969). Escritor português. "Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico "Pregão Real". Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho. A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária. Como ficcionista, publicou O Pinto, em 1935, trabalho que obteve o prémio de romance Eça de Queiroz e onde são desfibradas as particularidades do caciqueirismo político liberal."
(fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/119202.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

06 outubro, 2021

AURORA, Conde d' - REUNIÃO DO CURSO : MCMXII-MCMXVII
. [S.l.], [Edição do Autor], 1963. In-8.º (22x17 cm) de 42, [6] p. ; [1] f. desdob. ; [4] p. il. ; B.
1.ª edição.
Reunião do curso de Direito (1912-1917) da Universidade de Coimbra, encontro patrocinado pelo autor, que recebeu os colegas no seu domicílio de Ponte de Lima, na Casa de Nossa Senhora d'Aurora, tendo para o efeito, e para memória do evento, produzido e distribuído pelos convivas o presente livrinho.
Desenho, foto e arranjo da capa: do Autor.
Rara peça auroriana, com referências aos tempos de estudante em Coimbra. Livro impresso em papel encorpado, ilustrado em separado com um desdobrável (convite) desenhado pelo autor, e 3 + 1 páginas reproduzindo nove fotografias e a reprodução do "bilhete postal" para confirmação de presença na festa.
Tiragem fora de mercado de 120 exemplares em papel velino tipo featherweight (o presente não se encontra numerado nem assinado pelo autor).
Dado o seu carácter exclusivo e intimista, trata-se talvez da mais singular e pouco conhecida obra do Conde d'Aurora, livrinho muitíssimo valorizado pelo carinho e arte que este emprestou à sua integral produção.
"São cinco anos de Coimbra, gregários e sociais; comércio intelectual de repúblicas e de passeios, o formigar contínuo no pequenino burgo mondeguino... [...]
Oro a o nosso Curso - o Curso 1912-1917 - mostrou hoje também regressar à velha tradição medieval, anterior à Revolução e ao Romantismo (descansa Luciano, não é o nosso, é o mau, o germânico, o goetiano!...) - numa bela afirmação de anti-tricanismo.
Trouxemos hoje, à nossa Reunião do Curso, as nossas Mulheres, aqui, a Coimbra, Coimbra D, porque veio solo de Coimbra, terra do Jardim Botânico, e, assim, o próprio humus conimbricense nos veio sagrara e perpetuar: jus sanguinis, jus soli.
Página de inicial vermelha, a de hoje, na História do nosso Curso - ao acabarmos com a tradição da tricana, revolucionária, românticamente mórbida.
Coimbra!
Coimbra: linha de força.
E não seria com a tinta simpática de Coimbra que Deus escreveu certas linhas tortas, agora, graças à labareda do calor da Vossa amizade, tornadas legíveis?
Foi há 95 anos.
Viera meu Pai para Coimbra, a cavalo, num grupo de almocreves.
Pertenceu à Sociedade do Raio e até assinou o manifesto distanciado dos outros para tomar a responsabilidade - mas todos sabiam que era de Antero do Qeuntal.
E foi expulso após uma cena de pancadaria mais grave.
E voltou à Universidade e formou-se e foi seguir a carreira da magistratura para a nossa Índia: camiliano filho segundo pobre."
(Excerto da alocução do autor)
José de Sá Coutinho, 2.º Conde d’Aurora (1896-1969). "Escritor. Nasceu em Ponte de Lima em 19 de Abril de 1896. Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico “Pregão Real”. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho.
A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho - aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho - grande parte da sua obra literária.
A seu respeito e do meio onde nasceu e viveu, o poeta António Manuel Couto Viana referiu o seguinte: “…é também esse ambiente que permitiu o nascimento de José de Sá Coutinho e lhe deu o dom da escrita, para que fosse fiel intérprete literário da belezas e riquezas etnográficas que o cercavam, num abraço de luz, de cor, de emoção estética, de harmonia d’alma, de tradição fértil, sentidas pela sua sensibilidade de eleição e pelo pode da sua inteligência criadora”."
(Fonte: https://realbeiralitoral.blogspot.com/2012/04/o-escritor-limiano-jose-de-sa-coutinho.html)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

17 agosto, 2018

RELAÇÃO CHRONOLOGICA SUMMARIA DAS NAVEGAÇÕES, DESCOBRIMENTOS E CONQUISTAS DOS PORTUGUEZES. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1840. In-16.º (12,5cm) de 32 p. ; E.
1.ª edição.
Obra publicada sob anonimato, foi seu autor Fr. Francisco de São Luís Saraiva, popularmente conhecido como Cardeal Saraiva. Trata-se da singela, e raríssima edição original, que viria a ser reimpressa, muito acrescentada, no ano seguinte, em 1841.
Livro revestido por bonita encadernação artística.
D. Frei Francisco de São Luís Saraiva, "Cardeal Saraiva" (1766-1845). "Natural de Ponte de Lima, onde nasceu em 26 de Janeiro de 1766. Desempenhou o cargo de Ministro do Reino entre 24 de Setembro de 1834 e 16 de Fevereiro de 1835, integrando o primeiro governo constitucional, presidido pelo Duque de Palmela, nomeado por D. Maria II, D. Frei Francisco de São Luís Saraiva começou por ordenar a libertação dos presos sem culpa formada e conceder providências em favor dos estudantes das academias de Coimbra, Lisboa e Porto afectados pela sua dedicação à causa liberal. Não foi, todavia, neste cargo que mais se distinguiu na sua dimensão maior de político influente e respeitado, reconhecido como uma das figuras mais proeminentes da sociedade portuguesa da sua época. O seu prestígio resulta, sobretudo, da sua vincada personalidade, dos ideias que perfilhou e dos altos lugares a que ascendeu, com destaque para os de Reitor da Universidade de Coimbra, Bispo de Coimbra, Deputado em sucessivas legislaturas, Presidente da Câmara dos Deputados, Regente do Reino, Guarda-Mor da Torre do Tombo, Conselheiro de Estado e, finalmente, Patriarca de Lisboa, onde viria a morrer em 7 de Maio de 1845, com 79 anos de idade."
(Fonte: https://www.pontedelimacultural.pt/Blog.asp?t=paginas&pid=1464&mpid=1433)
Encadernação inteira de pele, gravada a seco e a ouro nas pastas.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Ausência da lombada. Pastas algo desgastadas, com defeitos. Pelo interesse e raridade recomenda-se restauro apropriado.
Raro.
50€

13 fevereiro, 2017

LIMA (António Feijó), Ignacio de Abreu e - NOVAS BAILATAS. Paris - Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1926. In-8.º (18,5cm) de 148 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Edição póstuma desta apreciada obra do poeta português.
Ilustrada com um retrato de António Feijó em extratexto.

"Das minhas 33 amantes
Apenas três me não trahiram;
Mas d'essas três, sempre constantes,
Duas por fim tambem partiram.

D'amor eterno, alto modêlo,
Foi uma só, das trinte e três...
Mas essa, em paga do seu zêlo,
Sou eu que a engano muita vez..."

(Canção tzigana)

António Joaquim de Castro Feijó (Ponte de Lima, 1859 - Estocolmo, Suécia, 1917). “Poeta e diplomata português. Formou-se em Direito em Coimbra, tendo exercido a advocacia por um breve período de tempo e seguido depois a carreira diplomática. Foi cônsul no Brasil (1886) e, até à data da sua morte, ministro de Portugal na Suécia, onde veio também a casar. Poeta ligado ao parnasianismo, é considerado o representante português, por excelência, deste movimento estético. Destacou-se pela sua destreza formal, recorrendo aos mais variados tipos de verso, e por um certo exotismo, patente, por exemplo, na adaptação de poemas chineses em Cancioneiro Chinês (1890). Os seus temas estão frequentemente ligados a um certo desencanto, a um sentimento de decadência e mágoa (também devido ao afastamento de Portugal), e ainda de pessimismo. Ao tema recorrente da morte associa um ideal de beleza fria e mórbida. O seu estilo contido e requintado, reflectindo, apesar da sua temática obsessiva, um distanciamento aristocrático, coloca-o num lugar singular da poesia do seu tempo. Estreou-se com Transfigurações (1882), publicando ainda Líricas e Opulentas (1884), À Janela do Ocidente (1885), Ilha dos Amores (1897) e Bailatas (1907). Postumamente, foram editados Sol de Inverno (1922), Novas Bailatas (1926), Sol de Inverno Seguido de Vinte Poesias Inéditas (1981). Saíram, em 1940, as Poesias Completas de António Feijó."
(fonte: www.escritas.org)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.  Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
15€