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22 dezembro, 2025

A CEIA DOS CARDEAIS - Acto único
. [S.l.], [s.n.], [19--]. In-4.º (28,5x22,5 cm) de 15 f. ; B.
1.ª edição.
Paródia "erótica" à Ceia dos Cardeais de Júlio Dantas. O diálogo dos religiosos e as descrições dos seus "feitos" carnais, inclui linguagem licenciosa. Trata-se do exemplar original desta peça, batido à máquina a duas cores. Título manuscrito na capa, sublinhado a traço ondulado. Desconhece-se o autor e data (primeira metade do século XX?), e se foi reproduzido em livro ou de outra forma.

"A acção passa-se em Roma

Personagens:

Cardeal Pipia......... Sugeito com voz de mulher
Cardeal Rufo..........Tipo com fumaças de valente
Cardeal Vigni......... Sugeito com modos aristocráticos

A cena representa uma sala bem mobilada com estilo e elegância. A um canto, uma estante de música e instrumentos. Ao abrir o pano, os Cardeais sentados à mesa, ceiam. Os fâmulos servem-nos de joelhos.

Rufo

Vem amanhã o embaixador francês?!...
É preciso acabar com isto de uma vez.
(Outro tom). A França é um país que em tudo se intromete.
E um sujeito qualquer lá da terra do [...],
Vem abusar de nós com lérias e com tretas.
Ora que se deixe disso e vá fazer [...]!

Vigni

E Roma o que é então?... É uma santa gente,
E onde uns figurões se [...] mùtuamente!
Têm os vícios fatais de Sadoma e Gamorra
E quer dar leis ao mundo! Olha que porra! 
Sabe dos Cardeais que postos em fileira,
Gosavam todos três levando na [...]?
Oh!... Houve um escândalo tal no Vaticano
Que ao ouvido chegou, do Papa soberano!
E o Papa respondeu: Êle é de censurar.
Mas o que está no meio... Ai!... Muito há-de gosar!
(Outro tom). Veja lá se em França existe êste deboche?
(Orgulhoso). A França é grande em tudo!...

Rufo - (Atalhando)

Até em fazer [...].

Pipia - (Conciliando)

Não se zanguem, Iminências, então?! A zanga tem os seus perigos
E eu não quero ver ralhos entre amigos.

Vigni - (A um fâmulo)

Porto Velho

Rufo

Madeira.
Em tudo a primeira.

Vigni

É Roma. Não negue a própria luz do dia.

Rufo

É filho de francês, por isso se agonia.

Pipia (Intervindo conciliador)

Então, deixem-se disso e vamos cear.
Não viemos aqui para para estarmos a altercar.
Na pândega, passar alegre, a vida tôda,
É a nossa divisa. O mundo que se [...]."

(Excerto da Peça)

Exemplar em brochura, preso por atilho, em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, apresentam pequenos cortes marginais.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

20 abril, 2023

POLÍCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA : Escola Prática - 
Imprensa, Jornalismo e Publicações Pornográficas : Jun. 85. [S.l.], PSP, 1985. In-8.º (21,5 cm) de [8], 98, [2] p. ; il. ; B.
Manual editado pela PSP para uso dos aluno da EPP - Escola Prática de Polícia, com legislação aprovada em Fevereiro de 1975, pouco tempo após a revolução do 25 de Abril. Inclui leis e conceitos jurídicos e doutrinários sobre a novel liberdade de expressão e informação livre, bem como o código de conduta dos jornalistas. Compreende ainda legislação diversa, onde está considerada a venda e divulgação de conteúdos pornográficos.
Livro ilustrado com reprodução da Carteira de Imprensa - em página inteira (frente/verso) - passada pelo Sindicato dos Jornalistas.
"A liberdade de expressão do pensamento pela imprensa, que se integra no direito fundamental dos cidadãos e uma informação livre e pluralista, é essencial à prática da democracia, à defesa da paz e ao progresso político, social e económico do país."
(Excerto de Lei de Imprensa - I - Liberdade de imprensa e direito à informação)
"São considerados jornalistas profissionais, para efeitos do disposto nesta lei, os indivíduos que, em regime de ocupação principal, permanente e remunerada, exerçam as seguintes funções: [seguem-se 5 funções - de a) a e).
(Excerto de Estatuto do Jornalista - I - Dos jornalistas, Artigo 1.º)
"É proibido afixar ou expor em montras, paredes ou outros lugares públicos, pôr à venda ou vender, exibir, emitir ou por outra forma dar publicidade a cartazes, anúncios, avisos, programas, emblemas, discos, fotografias, filmes e em geral quaisquer impressos, instrumentos de reprodução mecânica e outros objectos ou formas de comunicação áudio-visual de conteúdo pornográfico ou obsceno, salvo nas circunstâncias e locais previstos nos artigos seguintes: [seguem-se 9 Artigos]
Exemplar em brochura, dactilografado e policopiado, em bom estado de conservação. Capas algo sujas.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

28 maio, 2022

VALOJIE, Marilyn - PECADOS SENSUAIS.
[Leitura interdita a menores de 21 anos]
. Lisboa, [s.n.], Maio1975. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 110, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Livro passado à máquina e policopiado - excelente exemplo da literatura "erótica" nacional do pós-25 de Abril.
Publicado em pleno 'Verão Quente de 75', estamos em crer que este volume de "pornochachada" será obra de um português, não obstante a utilização do nome "Marilyn Valojie", também ele pseudónimo, no caso, de Jack Coutela, escritor francês, que sendo um profícuo autor (menor) de diversos géneros literários, também publicou histórias eróticas, não chegando, julgamos, ao pobre e escabroso conteúdo do presente. A confirmar-se a paternidade "nativa" do livro, mais do que a utilização de um pseudónimo, configura a usurpação de um pseudónimo, o que, dadas as amplas liberdades da época, também não seria de admirar. Raro e muito curioso, dado o contexto histórico.
Escrito na 1.ª pessoa do plural, esta narrativa é desenvolvida pelo "outro eu" de Gary, o "herói" da história.
"... pertenço a um ser mil por cento sensual, se tal é possivel!... No entanto ELE é igualmente alguém - parecendo mentira -, incapaz de contar suas aventuras...
Eis-me assim, EU... O OUTRO ELE, a fazê-lo! Seria uma pena que tal não acontecesse!..."
Entrámos na gare. Todo o pessoal se encontrava numa das pontas do cais, manobrando o combóio de mercadorias que partiria daí por duas horas. A única pessoa que vimos foi a mulher do chefe da estação. Um vicioso sorriso apareceu sobre os lábios dela, assim que viu Gary - o OUTRO EU... -. Dirigindo-se para ele, convidou-o imediatamente a colocar seus embrulhos atrás do guichet e a segui-la, afim de preencher o talão de despacho... Perguntámos a NÓS MESMOS onde nos queria ela levar, visto que o caderno dos talões se encontrava sobre a mesa de despachos."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€