Mostrar mensagens com a etiqueta Albufeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Albufeira. Mostrar todas as mensagens

03 setembro, 2026

ALGARVE -
Guia Turístico do Algarve
. Olhão, Edição da Revista Internacional, 1944. In-8.º (20x14,5 cm) de [116] p. ; [2] f. il. (4 estampas f/v) ; [2] mapas ; il. ; B
1.ª edição.
Capa assinada por Narciso Morais (1892–1977), aguarelista e ilustrador como seu pai, o conhecido Alfredo de Morais (1872–1971). Texto de Mário Lyster Franco. Gravuras de Martins & Ferreira, L.da.
Curioso roteiro, o primeiro sobre o assunto - com estas características - publicado entre nós. Obra de propaganda à região algarvia, às suas cidade e vilas do interior e do litoral, promovendo as suas praias de areia branca, a par com as actividades lúdicas, serviços e indústrias sedeadas da região. Inclui publicidade da época.
Obra pioneira, rara e muito interessante, publicada numa época em que o turismo algarvio, ainda muito insípido, principiava a despontar.
Livro profusamente ilustrado no texto, incluindo a planta de Faro em página inteira, e em separado, com 4 estampas (duas de Lagos; uma de Monchique-convento; outra da Praia da Rocha), e dois mapas: Barlavento e Sotavento algarvio.
"A província do Algarve, que uma cordilheira quési interminável de montanhas divide do Alentejo, que o acidentado percurso do Guadiana separa da Andaluzia e que o Oceano Atlântico abraça por dois lados em carinhoso amplexo, constitue tôda ela uma verdadeira região de turismo.
Situada mo extrêmo sul do País e muito justamente considerada uma das mais lindas regiões de Portugal, abunda-lhe em primorosos trechos de païsagem e em notas características de vida regional, aquilo que circunstâncias várias fizeram que lhe faltasse em riquezas monumentais. Com os seus campos intensamente cultivados de uma flóra especial e tratados como autênticos jardins, as suas povoações dotadas de um facies próprio que um delírio de brancura e alguns pormenores de construcção mais acentuam, com um clima verdadeiramente excepcional, onde os rigores do inverno dificilmente se conhecem e os grandes calores são, quási sempre, amenizados pela brisa marítima, o Algarve, dotado de uma luminosidade que por vezes entontece e de um céu de azul vibrante que só encontra rival no do mar em que se reflete, merece ser devidamente assinalado ao turista que nêle muito encontrará digno de despertar-lhe o interêsse."
(Excerto de Algarve)
Índice:
Algarve | Faro | S. Braz de Alportel | Loulé | Olhão | Tavira | Castro Marim | Vila Real de Santo António | Albufeira | Armação de Pera | Silves | Praia do Carvoeiro | Portimão | Praia da Rocha | Caldas de Monchique | Lagos | Sagres e o Cabo de S. Vicente | O fabrico das conservas de peixe | A pesca do atum | O sal.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Raro.
50€

29 setembro, 2023

MENDONÇA, Henrique de -
REINO DOS CÉOS : romance
. Porto, Empreza Litteraria e Typographica - Editora, 1904. In-8.º (18,5 cm) de 443, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance provinciano cujo acção decorre no Algarve, entre Albufeira e Boliqueime, tendo início pouco tempo antes do casamento entre duas conhecidas figuras do meio local, -Amélia e Filipe, - noivos de longa data. Um terceiro elemento - João da Silveira -, aristocrata algarvio residente em Lisboa, vem "baralhar" os sentimentos da moça.
Dois capítulos do livro incluem descrição das festas da Senhora das Dores, em Boliqueime, com o seu "carro triumphante" (carro de mulas enfeitado a papel de cor, iluminado com balões venezianos, transportando um coro composto por um grupo de raparigas vestidas de branco), as loas e a procissão em honra da Virgem, configurando tudo um elevado interesse histórico, regional e etnográfico.
Quanto ao autor - Henrique de Mendonça (não confundir com Henrique Lopes de Mendonça), pouco (ou nada) foi possível apurar. A BNP dá conta de algumas obras de teor africanista de "um" Henrique José Monteiro de Mendonça (1864-1942), empresário e proprietário colonial, não sendo possível, no entanto, garantir que é a mesma pessoa. Será natural do Algarve? O conhecimento da região e suas tradições evidenciam, no mínimo, uma forte ligação ao sul do país.
"Como a manhã estivesse muito clara, d'uma transparencia lendaria, Amelia abriu as janellas de pár em pár. Debruçou-se; aspirou longamente o ar, com desejo, voltou-se para dentro exclamando:
- Que lindo dia, mamã!
Dentro ouviu-se um rumôr de saias sacudidas. E depois d'um curto silencio uma voz ergueu-se, num suspiro:
- é verdade! Está um céo lindo...
Amelia levantou os olhos sorrindo. No espaço claro, cendrado, nuvens dormiam. Cahia do alto, rijamente, um calôr abafado. Pela rua estreita, enodoada, batia um sol largo e vivo. A cal das paredes faiscava, cheia de cõr, derramando luz. Na fachada da casaria, rasgada de manchas brancas, os predios fronteiros, assomados a nascente, talhavam polygonos, sombras negras e esquadradas. [...]
Naquelle momento, encostada de leve ao parapeito, a palma da mão apoiando a face, os olhos em vão, a attitude de Amelia resplandecia e graça. Era com effeito muito linda. O rosto, ovalado, sonhador, evocando bellezas subtis, traduzia serenas recordações, illuminando sempre por um sorriso leve, que mais levemente lhe desatava os labios immateriaes. Era loura, e era magnifica. Os cabellos abundantes, soltos pelas espaduas áquella hora da manhã, humidos ainda do banho, emolduravam-lhe o rosto claro numa áuréola d'ouro, em fios d'ouro, em molhos d'ouro. Era d'essas mulheres louras de quem se diz que teem faces como rosas, de tal forma a sua côr é transparente, fresca e macia."
(Excerto do Cap. I)
"O dia da Senhora das Dores surgiu limpido, luminoso, d'um azul claro e firme, banhado de um sol macio que não ardia, e punha nos campos, nos arvoredos, extensas manchas doiradas.
E essa tarde, esperada com attenção por Elisa e por Amelia chegou finalmente. Tinham assentado para assistir á festa, em Boliqueime, reunirem-se á porta de Amelia, e d'ali partirem, gozando o ar doce e avelludado do cahir do dia. A entrada na aldeia, ao anoitecer, ao relampejar dos primeiros foguetes, seria assim deslumbrantemente agradavel. E por toda a noite, do terrasso do velho prior, assistiriam á festa, vendo o fogo, ouvindo a musica, o povo, a gritaria, emquanto que sobre as suas cabeças as estrellas tranquillamente brilhariam na pureza immaculada do céo azul do Algarve."
(Excerto do Cap. IV)
Encadernação recente em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível