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27 outubro, 2025

OSÓRIO, Baltazar -
O TERRAMOTO DE LISBOA DE 1531.
Por... Sócio efectivo. Academia das Sciências de Lisboa - Separata do «Boletim da Segunda Classe», volume XII. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1919. In-8.º (25x16 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo acerca de um terramoto que terá ocorrido em Lisboa no ano de 1531, elaborado a partir do testemunho de um cidadão espanhol que habitava a capital na época, que em carta a um seu concidadão relata o acontecimento.
"Pouco tempo depois da minha volta da Itália adquiri num leilão de livros do alfarrabista Pereira da Silva, que teve loja na rua dos Retrozeíros, um folheto de 4 páginas, escrito em Hespanhol, impresso em caracteres góticos, sem data nem indicação do logar em que tinha sido publicado, tendo no rosto uma portada com as armas de Portugal. [...]
O folheto a que me reporto refere-se a um terramoto que se sentiu em Lisboa e em outras terras mais ou menos próximas desta cidade, em janeiro de 31, e reproduz uma carta de alguem, um hespanhol, sem dúvida, que em Portugal vivia e que mandou notícia do terrível acontecimento ao Marquez de Tarifa.
Fiquei muito tempo sem saber qual era o ano de 31, em que o terramoto tinha sucedido, e qual era a confiança e valor que se deveria atribuir à obra, até que me resolvi a estuda-la; e reconheci que assim como a sciência pode muitas vezes esclarecer factos históricos devia procurar a história para me esclarecer um facto de caracter scientifico."
(Excerto do Estudo)
Baltazar Machado da Cunha Osório (1855-1926). "Nasceu em Lisboa a 5 de agosto de 1855 e faleceu em 1926. Foi naturalista especializado em Zoologia. Formou-se em Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e exerceu como médico-cirurgião no Hospital de São José e no Hospital do Rego (atual Curry Cabral).
Integrou os quadros do Museu Nacional de História Natural de Lisboa (também conhecido por Museu Bocage) em 1887, sendo inicialmente responsável pela coleção de crustáceos da Secção Zoológica, para a qual foi nomeado Naturalista Provisório em 1890. Na Escola Politécnica foi Lente Proprietário da 8.ª Cadeira da Secção Zoológica, tendo após a reforma universitária de 1911 assumido a regência da disciplina de Metodologia Geral de Ciências da Natureza. Em 1902 foi nomeado Diretor interino da Secção Zoológica e a 6 de junho de 1921 tornou-se o segundo Diretor do Museu. Publicou diversos trabalhos, salientando-se aqueles relacionados com o registo e a catalogação das espécies animais de Portugal e com conteúdos pedagógicos para uso do ensino liceal.
Integrou o Instituto de Coimbra e a Sociedade Zoológica de França.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 19 de junho de 1890, tendo passado a sócio efetivo pelo ano de 1919."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20214)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 fevereiro, 2025

FERREIRA, Luiz Feliciano Marrecas - 
EFFEITOS DOS TREMORES DE TERRA NAS FABRICAS DE ALHANDRA. 
Pelo Engenheiro Chefe da 3.ª Circunscrição Industrial... Boletim do Trabalho Industrial - N.º 32. Relatorio dos Serviços 
da 3.ª Circunscrição dos Serviços Technicos da Industria no Anno de 1909. Lisboa, Imprensa Nacional, 1909. In-4.º (25x16 cm) de 7, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do responsável técnico do Estado após o sismo ocorrido a 23 de Abril de 1909, com epicentro localizado na costa do Algarve, que atingiu Lisboa, mas sobretudo, a região de Benavente (razão pelo qual foi baptizado com o nome dessa vila), Samora Correia e Salvaterra de Magos, já no Ribatejo. Registaram-se cerca de 40 mortos e 70 feridos.
Trabalho interessante sob o ponto de vista histórico e técnico. Raro. A BNP não menciona.
"Segundo as noticias recebidas dos diversos pontos em que se fez sentir a catastrophe a povoação da margem direita do Tejo mais damnificada foi Alhandra, importante centro fabril, não constando, até o momento em que escrevo, de qualquer fabrica situada noutra região que tivesse soffrido qualquer damno digno de nota.
Impunha-se-me, portanto, como dever a visita ás fabricas da localidade, indo lá investigar especialmente se do estado de ruina das edificações poderia resultar prejuizo para os operarios e quaes as providencias a prescrever, se remedio efficaz não houvesse já sido dado.
Direi, antes da succinta descrição a que vou passar, que vi nos empregados superiores d'ellas a maior solicitude por tudo o que respeita á segurança dos seus operarios e que não ha absolutamente ponto algum onde, com perigo para estes, a laboração tenha continuado.
São quatro as fabricas ali existentes, versando a laboração sobre:
Cimento, fabrica de Antonio Moreira Rato & Filhos.
Ceramica, fabrica de Chamusco & Tavares.
Linho e juta, Companhia Fabril Lisbonense.
Fiação e tecidos, Fabrica de José Ferreira do Amaral."
(Excerto do Relatorio)
Luís Feliciano Marrecas Ferreira (1851-1928). "Nasceu em Évora a 1 de julho de 1851 e faleceu a 4 de junho de 1928. Formou-se em engenharia militar na Escola do Exército, tendo seguido a carreira militar no Exército. Especializado em Matemática, foi lente da Escola do Exército e do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 1 de abril de 1880, passando a sócio efetivo a 13 de março de 1905, integrando a 1.ª secção (Ciências Matemáticas). Na Academia, foi eleito vogal do Conselho Administrativo a 16 de dezembro de 1909 e a 17 de dezembro de 1918, tendo sido, segundo uma anotação no seu processo, também eleito membro do mesmo Conselho Administrativo entre 1911 e 1914."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/details?id=20723&detailsType=Authority)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

07 agosto, 2023

MACHADO, Fernando Falcão -
NOTAS PARA O ESTUDO DA SISMICIDADE DE SETÚBAL. Separata do n.º 21 da Revista A Terra. [Por]... Professor do Liceu do Carmo, Sócio da Sociedade de Meteorologia e Geofísica de Portugal. Coimbra, Tipografia Bizarro, 1936. In-8.º (22 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo sismológico sobre a cidade de Setúbal. Inclui lista cronológica pormenorizada dos sismos sentidos em Setúbal - de 1531 a 1755 - e, retirada dos trabalhos de Pereira de Sousa, desde 1756 a 1909. Inclui ainda testemunhos de vários de abalos sentidos na cidade, e a lista anterior, organizada por Falcão Machado, segundo as escalas de intensidade.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Alfredo Cota.
"Quando se dá uma vibração da crusta terrestre devido a um abalo ou choque numa região profunda - dá-se um tremor de terra ou um sismo.
O abalo causador do sismo ocorre numa região chamada hipocentro, e esta pode ser um ponto, ou uma faixa; à região correspondente na superfície da terra, portanto, a mais próxima do local do abalo, chama-se epicentro. [...]
Setúbal encontra-se no cruzamento do paralelo 38º 31' 02'', de latitude Norte com o meridiano de 8º 51' 05'', de longitude Ocidental de Greenwich (onde 0º 14' 02'' a Leste de Lisboa), que são as suas coordenadas mais vulgares.
A cidade assenta em terreno de diversa índole geológica: para leste, a partir do bairro das Fontaínhas, estende-se um planalto, constituído por sedimento de areia aglutinado com barro, datando do Miocénico, de fácies marinha, que integra esta região na bacia terciária do Tejo e do Sado; para ocidente, logo se encontra a Serra da Arrábida, enrugada no Pliocénico e apresentando, actualmente, grande predomínio de terrenos jurássicos, em massas rochosas, ou compactos aglomerados, de origem calcárea, formando os célebres mármores da Arrábida. [...]
A região, é, pois, caracterizada pela sua estrutura tectónica , cortada de falhas, e que  a complicam e imprimem um aspecto, talvez único, no conjunto físico do território português; e, com tal feição, não admira que seja um centro sísmico notável e importante."
(Excerto do trabalho)
Fernando Falcão Machado (Coimbra, 1904 - Porto, 1993). Nasceu em 28 de Maio de 1904 no Largo da Castelo, Coimbra. Professor e publicista. Casou com Maria Ana Cabedo Garcia, natural de Setúbal. Publicou trabalho de temática diversa - etnográfica, sociológica, geográfica, etc. - relacionada sobretudo com a zona de Coimbra, de onde era natural, e Setúbal, a sua cidade por adopção. Faleceu em 23 de novembro de 1993 na freguesia de Paranhos, Porto (89 anos de idade).
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta tonalidades diferentes por acção da luz.
Raro.
Indisponível

06 fevereiro, 2023

MIRANDA, Raúl de - TREMORES DE TERRA.
I. Estudo macrosismico. 1.ª Edição. [Por]... Assistente de Geografia Física e Física do Globo na Universidade de Coimbra
. Coimbra, Depositários: Silva Raposo & C.ª L.da, 1931. In-8.º (19 cm) de 175, [1] p. ;
[10] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre sismologia, sendo a sua divulgação popular o principal objectivo do autor. Plano de obra previsto para dois volumes, contemplando a vertente macrossísmica (o presente trabalho), e o estudo microssísmico (que não viria a ser publicado).
Livro ilustrado: no texto, com quadros e tabelas estatísticas, e em página inteira, com um mapa de Portugal continental e um esquema isossista do tremor de terra da Horta (1926); em separado, com 10 páginas, sendo duas delas dedicadas à representação do globo terrestre - "Distribuição geográfica das zonas sismicas mais importantes" -, e as restantes oito, preenchidas com imagens de destruição causada pelos tremores de terra ocorridos em Benavente (1909) e Horta (1926).
"Os tremores de terra, cujos efeitos desastrosos dia a dia os jornais relatam, lançando por vezes populações inteiras na miséria e na dôr unindo milhares de creaturas, são hoje ainda uma das forças mais violentas por que se manifesta a energia da Terra e que mais têm impressionado e impressiona ainda vivamente os habitantes.
Justo é dedicar ao estudo desses fenómenos cuidada atenção e interêsse profundo.
Divulgar esse estudo, tornando acessível à maior parte o conhecimento desses fenómenos e interessando o grande público nestas questões, tal é a idea que presidiu à orientação do trabalho presente."
(Excerto do Preâmbulo)
Indice:
Preâmbulo. | I - Da evolução das teorias e conceitos sismologicos. II - O que é o tremor de terra. III - Escalas sismicas. IV - Construções anti-sismicas. V - Tremores submarinos e vagas sismicas. VI - Os grandes tremores de terra destruïdores. VII - Distribuição geográfica dos tremores. VIII - A sismicidade em Portugal. | Bibliografia.
Raul de Miranda (1902-1978). "Nasceu em Coimbra a 19 de Dezembro de 1902 e faleceu a 5 de Outubro de 1978. Foi um geólogo português. Escreveu vários artigos em publicações periódicas e trabalhos científicos, sobretudo de Geologia e Paleontologia. Foi professor provisório na Escola Comercial e Industrial Brotero em Coimbra e professor do ensino secundário particular no Colégio de Portugal. Atuou como Conservador-adjunto do Museu de Arte e Arqueologia Machado de Castro. Fundou a revista de Geofísica A Terra e em 1932 fundou a Sociedade de Meteorologia e Geofísica de Portugal da qual foi Secretário-Geral. In Universidade de Coimbra [consult. 2015-05-25 20:09:13] Disponível na Internet: http://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/MIRANDA_raulfernandesramalhode
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel, registando-se falha maior na contracapa. Lombada apresenta falha de suporte no quarto inferior. Número e carimbo de biblioteca nas f. rosto e ante-rosto. Inclui bolsa no verso da contracapa, com respectivo registo de empréstimo (curioso).
Raro.
25€

23 junho, 2017

SOUSA, Francisco Luiz Pereira de - IDEIA GERAL DOS EFFEITOS DO MEGASISMO DE 1755 EM PORTUGAL. Por... Capitão de Engenharia. These para o concurso de 2.º assistente do 1.º grupo da 2.ª Secção da Faculdade de Sciencias de Lisboa. Lisboa, Typographia do Commercio, 1914. In-4.º (25,5 cm) de 79, [1] p. ; [2] mapas desd. ; [1] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre o terramoto que assolou Portugal em 1755; com um capítulo dedicado aos efeitos operados em Lisboa.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Livro impresso em bom papel encorpado, ilustrado no texto, e em separado com duas fotogravuras reproduzidas em papel couché, e com dois mapas desdobráveis:
Mapa de Portugal continental a cores (30x52,5cm) - escala 1/1 500.000, identificando os graus de intensidade pela Escala de Mercali em todo o território nacional.
Mapa de Lisboa a cores (32x32cm) - escala 1 : 25.000. Inclui legenda com a identificação dos edifícios públicos e religiosos, bem como, ruas, praças, museus, monumentos e outros locais de interesse público, afectados pelo sismo, e devidamente assinalados no mapa, de acordo com a Escala de Mercali.
"As obras relativas ao terremoto de 1755 em Portugal, publicadas pouco depois deste cataclismo, estão d'accordo em consideral-o de origem submarina. Como, porem, em geral, não se occupam senão dos seus estragos em Lisboa e, quando se referem ás outras terras do paiz, pouco dizem, este tremor de terra ficou conhecido na sciencia por terremoto de Lisboa, por ser considerado este ponto do continente europeu, como aquelle onde se manifestara com mais intensidade.
De facto, foi em Lisboa, onde o terremoto fez mais victimas; mas, não admira, visto ser muito maior a população nesta cidade do que nas outras e por a elle succeder um incendio que durou cinco a seis dias."
(excerto de Zona Epicentral)
Índice:
- Documentos para o estudo do terramoto. - Zona Epicentral. - Propagação do terramoto em Portugal. - Conclusões sobre a tectonica de Portugal. - Effeitos do terramoto em Lisboa. - Notas sobre a Atlantida.
Francisco Luís Pereira de Sousa (1870 - 1931). Engenheiro militar e geólogo português. Natural do Funchal. Docente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Publicou significativa bibliografia sobre o terramoto de 1755. "Apresentou-se a concurso para Assistente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa tendo escrito para esse fim uma tese intitulada "Ideia geral dos efeitos do megasismo em Portugal". A maneira brilhante e distinta como se houve no referido concurso valeu-lhe a sua admissão naquele estabelecimento de ensino como segundo assistente da Cadeira de Geologia, lugar para que foi nomeado em Novembro de 1911."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia do histórico sismo setecentista.
Indisponível