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30 maio, 2023

QUEIROZ, Eça de -
SINGULARIDADES D'UMA RAPARIGA LOURA.
Brinde aos Senhores Assignantes do Diario de Noticias em 1873. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1874. In-8.º (17 cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Livrinho da apreciada colecção Brinde do "Diário de Notícias". O presente número é composto por 5 histórias amenas onde o fantástico se cruza com o histórico, da autoria de algumas das mais destacadas personalidades do panorama literário da época, incluindo um conto do fundador e proprietário do DN - Eduardo Coelho -, destacando-se no entanto dos demais a primeira edição absoluta de Singularidades d'uma rapariga loura, de Eça de Queiroz - que ocupa as primeiras 40 páginas - sendo esta uma das suas primeiras produções bibliográficas impressas em livro.
"Em 1872 Eça de Queirós é nomeado cônsul de Portugal em Havana e parte para as Antilhas. Enceta, depois, uma longa viagem pela América do Norte, tendo viajado pelos Estados Unidos (Nova Orleans, Filadélfia, Chicago, Nova Iorque) e pelo Canadá, onde visita Montreal. Em 1874 o Diário de Notícias publica no seu «Brinde» anual, o seu primeiro conto de grande fôlego, «Singularidades de uma rapariga loira», já marcado pelo normas realistas que pretende adoptar."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=7266)
Vale a pena dar conta de um pormenor que muito ilustra a veia irónica e "realista" de Eça nesta pequena novela, publicada pouco tempo após as Conferências do Casino: a dada altura, no início do conto, que infra reproduzimos excerto, refere: "o facto é - que eu, que sou naturalmente positivo e realista..." Touché!, - ironia e profissão de fé.
"Escrito em 1873 e publicado em 1901 num volume de contos do autor, Singularidades de Uma Rapariga Loira é geralmente apresentado como o primeiro conto realista em português e uma das obras-primas de Eça de Queiroz. Nele se conta a história do amor de um jovem honesto e trabalhador, Macário, por Luísa, uma rapariga loira de «carácter louro como o cabelo - se é certo que o louro é uma cor fraca e desbotada: falava pouco, sorria sempre com os seus brancos dentinhos, dizia a tudo "pois sim"; era muito simples, quase indiferente, cheia de transigências». Macário apaixona-se por essa rapariga aparentemente dócil, etérea e sem vontade própria, a ponto de sair de casa do tio Francisco, para quem trabalhava como escriturário, e ir até Cabo Verde em negócios, só para merecer casar com ela. No entanto, Luísa é de facto uma rapariga loura e singular..."
(Fonte: Wook)
"Começou por me dizer que o seu caso era simples - e que se chamava Macario...
Devo contar que conheci este homem n'uma estalagem do Minho. Era alto e grosso: tinha uma calva larga, lusidia e lisa, com repas brancas que se lhe errissavam em redor: e os seus olhos pretos, com a pelle em roda engelhada e amarellada, e olheiras papudas, tinha uma singular claresa e rectidão - por traz dos seus oculos redondos com aros de tartaruga. [...]
Era isto em setembro: já as noites vinham mais cedo, com uma friagem fina e secca e uma escuridão apparatosa. Eu tinha descido da dilligencia, fatigado, esfomeado, tiritando, n'um cobrejão de listas escarlates.
Vinha de atravessar a serra e os seus aspectos pardos e desertos. Eram 8 horas da noite. Os ceos estavam pesados e sujos. E, ou fosse um certo adormecimento cerebral produzido pelo rolar monotono da dilligencia, ou fosse a debilidade nervosa da fadiga, ou a influencia da paisagem descarpada e chata, sob o concavo silencio nocturno, ou a oppressão da electriciade, que enchia as alturas - o facto é - que eu, que sou naturalmente positivo e realista, - tinha vindo tyrannisado, pela imaginação e pelas chimeras. [...]
Mas eu estava assim, e attribuo a esta disposição visionaria a falta de espirito - a sensação - que fez a historia d'aquelle homem dos canhões de velludilho. A minha curiosidade começou á ceia, quando eu desfazia o peito de uma galinha afogada em arroz branco, com fatias escarlates de paio - e a creada, uma gorda e cheia de sardas, fazia espumar o vinho verde no copo, fazendo-o cair de alto de uma caneca vidrada: o homem estava defronte de mim, comendo traquillamente a sua geléa: perguntei-lhe, com a bocca cheia, o meu guardanapo de linho de Guimarães suspendo nos dedos - se elle era de Villa Real.
- Vivo lá. Ha muitos annos - disse-me elle.
- Terra de mulheres bonitas, segundo me consta, disse eu.
O homem callou-se.
- Hein? tornei.
O homem contrahiu-se n'um silencio saliente. Até ahi estivera alegre, rindo dilatadamente, loquaz, e cheio de bonhomia. Mas então immobilisou o seu sorriso fino.
Comprehendi que tinha tocado a carne viva de uma lembrança. Havia de certo no destino d'aquelle velho uma mulher."
(Excerto de Singularidades d'uma rapariga loura)
Contos:
Singularidades d'uma rapariga loura, por Eça de Queiroz | O primeiro amor (conto phantastico), por Marianno Froes | Firme-Fé, por Oliveira Pires | A Peste Negra, por Gomes Leal | A condessa do Carregal, por Eduardo Coelho.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Pequenas falhas e defeitos. Falha de papel na lombada. Com mancha antiga - desvanecida - nas primeiras folhas do livro.
Raro.
75€

18 julho, 2017

LISBÔA-PORTO : numero unico. Publicado pela Imprensa de Lisboa em beneficio das victimas sobreviventes do incendio do Theatro Baquet. Lisboa, Imprensa de Lisboa, 1888. In-folio (37x48,5cm) de [20] p. ; [6] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Belíssima edição publicada para efeitos de solidariedade com os sobreviventes do incêndio no Teatro Baquet, no Porto, ocorrido em 20 de Março de 1888.
Capas de Rafael Bordalo Pinheiro.
Obra colaborada pela família real, e por muitas personalidades do meio artístico e cultural da época.
Inclui 6 fac-símiles de desenhos em folhas separadas, respectivamente, do rei D. Luís I, da rainha D. Maria Pia, do príncipe D. Carlos, de D. Amélia, do infante D. Afonso e da actriz Sarah Bernhardt.
Ilustrações no interior da autoria de, entre outros: Columbano Bordallo Pinheiro; escultor Soares dos Reis; J. Moura Gyrão, Moreira Rato; Enrique Casanova; Alfredo Gameiro; Félix da Costa; Silva Porto; Maria Augusta Bordallo Pinheiro; Francisco Villaça; Malhôa; Hogan.
Textos de, entre outros: Luís Augusto Palmeirim; Eduardo Coelho; Jayme Victor; Theophilo Braga; Gervasio Lobato; Eça de Queiroz; Sousa Viterbo; Andrade Corvo; Conde de Sabugosa; Bento Moreno [Teixeira de Queiroz]; Jayme Batalha Reis; Eduardo Coelho Junior; Ramalho Ortigão; Bulhão Pato; Julio Cesar Machado; Brito Aranha; José Caldas; João de Deus.
"Um povo que durante dois seculos se entreteve a queimar gente em jubilosos magustos publicos, organisados pelos representantes da Egreja, precisava bem de todas as lagrimas do enternecimento e da piedade mundana, inspiradas pelo incendio do theatro Baquet, para dar a Deus offendido uma reparação de honra.
A julgar pelo dôce encanto excepcional com que ainda hontem á noite a moderna arte palpitava na scena e as lindas mulheres estremeciam na sala do theatro D. Maria, dentro do mesmo recinto em que com tanto applauso debutou a Companhia de Jesus um pouco antes da Companhia de Sarah Bernhardt, eu conjecturo que Deus se deve achar satisfeito.
Parabens, meu Deus! Parabens, meus senhores!"
(Ramalho Ortigão - texto que acompanha o desenho de Sarah Bernhardt)
Exemplar brochado em bom estado geral, com excepção das capas que estão separadas do corpo do livro e apresentam diversos defeitos, rasgões e falhas de papel. Também as primeiras folhas registam pequenas falhas de papel no pé e à cabeça. Pelo interesse e raridade a justificar restauro e encadernação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

21 março, 2014

CUNHA, Alfredo da - EDUARDO COELHO : a sua vida e a sua obra. Alguns factos para a historia do jornalismo portuguez contemporaneo, por... Lisboa, Typographia Universal (Imprensa da Casa Real), 1891. In-8º (19cm) de 189, [5] p. ; [1] f. il. ; B. Brinde dos Senhores Assignantes do Diario de Noticias em 1891
1.ª edição.
Biografia de Eduardo Coelho, insígne personalidade do jornalismo português, e fundador do Diário de Notícias.
Ilustrada com o seu retrato em extratexto.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa oxidada, vincada no canto superior dto; contracapa apresenta pequena falha de papel marginal.
Invulgar.
Com interesse para a história do jornalismo português.
Indisponível

11 abril, 2011

COELHO, Eduardo - HISTORIAS DE HOJE. Lisboa, Typographia Universal, 1877. In-8º de VII, 222, [1] p. ; B.
1ª edição.
José Eduardo Coelho (1835-1889), tipógrafo e jornalista português, fundou com Tomás Quintino Antunes o Diário de Notícias, que dirigiu até à sua morte.
"O percurso de Eduardo Coelho é um caso típico. Foi a tipografia que o levou a conviver com jornalistas (ou “escritores de jornal”), políticos, escritores e folhetinistas... terá sido, aliás, desse contacto, que resultaram, estreitas amizades com, por exemplo, o escritor Eça de Queirós e com os políticos Pinheiro Chagas e António Augusto Aguiar, que instigou Eduardo Coelho a fazer carreira como jornalista e escritor."
Bom exemplar.
Raro.
Indisponível