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03 março, 2024

COUTINHO, Manoel da Cruz Pereira -
ELVENDA OU CONQUISTA DE COIMBRA POR FERNANDO MAGNO.
Romance historico e moral elaborado sobre factos do seculo XI. Por... Coimbra, Imprensa da Universidade, 1858. In-8.º (19x12,5 cm) de XI, [1], 225, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Romance baseado num manuscrito gótico que narra a história de uma família coeva à conquista de Coimbra por Fernando Magno, em 1064, conforme explicação preambular do autor.
"Fernando Magno de Leão, poucos annos depois de ter conquistado aos mouros algumas cidades, e castellos importantes da provincia da Beira, desceu por conselho do conde D. Sesnando, com um poderoso exercito sobre Coimbra, n'esses tempos uma das mais fortes praças d'armas, que os Sarracenos occupavam em Portugal.
Posto o cêrco á cidade, em combates e assaltos sempre renovados, e sempre repellidos com valor, correram inutilmente rios de sangue christão e sarraceno.
Cançados de tanto porfiar, sem resultado, assim os christãos sitiantes, como os mouros sitiados, concordaram em dar alguns dias de descanço ás armas. Durante estas breves treguas, uma divisão do exercito de Fernando foi acantonar-se pelas povoações da margem direita do Mondego, abaixo de Coimbra."
(Excerto do Cap. I)
"Era n'um dia calmoso, do principio de Julho, proximo ao anoitecer, quando dois amigos se introduziam por uma silenciosa alameda perto das virentes e poeticas margens do pacifico Mondego; ambos mancebos de bella presença, de figura elegante e robusta; ambos sem dúvida cavalheiros, porém o mais novo, Arthur, mostrava (como depois se conhecerá) pertencer a uma classe mais elevada na sociedade do que o seu companheiro Gundezindo. Este ainda que mancebo parecia ensinado por todos os trabalhos da adversidade; não arriscava um juizo senão depois de madura reflexão; a experiencia do mundo, e o estudo do coração humano eram o fonte d'onde elle tirava todas as maximas, para se dirigir a si, e aos outros nos occasiões difficeis.
Arthur ao contrario era um joven, aliáas valente, audaz e destemido, mas sem moderação em seus desejos; qualquer opposição o enchia de furor; não affeito a soffrer trabalhos nem contradicções, não podia amoldar-se aos sabios conselhos do seu amigo, nem ao imperio das circumstancias."
(Excerto do Cap. II)
Manuel da Cruz Pereira Coutinho (1808-1880). Sacerdote, cronista e escritor português. "Nasceu na freguesia de Almagreira, concelho de Pombal, em 1808, e faleceu em Coimbra, a 24 de janeiro de 1880. De origens humildes, foi sucessivamente amanuense da Administração-Geral do Distrito de Coimbra (1837), Vice-Reitor do Colégio dos Órfãos e secretário particular do Reitor da Universidade, Conde de Terena (1841-1848). Na vida sacerdotal, foi prior das freguesias de S. Pedro e de S. Cristóvão e cónego da Sé de Coimbra. Reputado arqueólogo, paleógrafo, historiador e biobibliógrafo, foi associado provincial da Academia Real das Ciências e sócio efetivo do Instituto de Coimbra, onde desempenhou funções de vice-presidente da sua Secção de Arqueologia e foi o primeiro conservador do seu Museu de Antiguidades. Foi colaborador assíduo da revista O Instituto (fundada em 1853) e de outras publicações periódicas, como Crónica Literária da Nova Academia Dramática e O Prisma - Periódico da Academia Dramática de Coimbra (fundados por José Freire de Serpa Pimentel, em 1840 e em 1842, respetivamente), O Conimbricense (fundado por Joaquim Martins de Carvalho, em 1854) e O Zéphyro (fundado por António Augusto Gonçalves, em 1872)."
(Fonte: https://www.sitiodolivro.pt/epages/960741206.mobile/pt_PT/;ClassicView=1?ObjectPath=/Shops/960741206/Products/9789898867919)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e falha de papel nos cantos. Lombada "reforçada".
Raro.
Com interesse histórico.
50€

07 fevereiro, 2023

MARQUES, Manuel Simões Rodrigues - OS MEUS SOLDADINHOS : Grande Guerra - 1914-1918. [Albergaria dos Doze], Quilate, Gráfica, 2018. In-4.º (24 cm) de 123, [5] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor aos Soldadinhos - os membros da sua família que integraram as forças expedicionárias portuguesas na Primeira Guerra Mundial.
Livro muito ilustrado com fac-símiles de correspondência e documentos oficiais pertencentes aos "soldadinhos".
Na capa vem reproduzido o telegrama que deu início à conflagração, estando impresso na contracapa a primeira página do jornal Le Matin, de 12 de Novembro de 1918, que noticia o final do conflito.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Há-de servir este escrito para fundamentar a ideia que me baila no espírito há muitos anos, por forma a contribuir para a memória colectiva dos povos, contando as histórias de alguns dos meus Soldadinhos.
Não pretendo escrever a História que essa já está escrita por quem tem mais engenho e arte do que eu.
Pretendo, isso sim, que fique em letra de forma a forma como a família recorda os seus entes queridos que foram à guerra, em África ou nas terras de ninguém, em França, à conta de uma mão vazia e de outra cheia de nada.
Mas o Estado português "vendeu", aos ingleses, cada um dos meus Soldadinhos por uma libra esterlina.
Por isso entendi que devia enquadrar as famílias no teatro de guerra."
(Excerto da Introdução)
Índice:
1- Introdução. 2 - Enquadramento em Albergaria dos Doze. 3 - O Soldadinho Felizardo Simões. 4 - O Soldadinho António Marques. 5 - O Soldadinho Joaquim das Neves Júnior. 6 - Os Soldadinhos do Concelho de Pombal. 7 - Os Soldadinhos que morreram na guerra. 8 - Histórias de guerra. 9 - Poemas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

11 novembro, 2021

ROLO, Jorge da Silva - O CAVALEIRO DO MANTO BRANCO
. Leiria, Folheto Edições & Design, [2015]. In-8.º (21 cm) de 87, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: desenho original do autor.
Interessantes narrativas romanceadas, abarcando vários períodos da História de Portugal, sendo algumas delas relacionadas com a Guia (Pombal), de onde o autor é natural. A II Parte do livro é dedicada a D. Afonso Henriques - o Cavaleiro do Manto Branco - e à sua acção na fundação da nacionalidade.
"O passado estava presente no dia a dia. Ao eu redor os jovens cavaleiros faziam os seus jogos de guerra não imaginando o quanto lhes seriam preciosos num futuro próximo. Sentado à sombra de um enorme sobreiro, o cavaleiro do manto branco ia recordando a sua passagem pela terra santa, os confrontos com os muçulmanos e os muitos amigos que por aquelas terras ficaram. [...]
No interior da sua tenda, Afonso recebia um mensageiro acabado de chegar. Fazendo uma larga vénia, entregou-lhe um pergaminho e disse-lhe:
Senhor; graças aos céus que vos encontrei. Pensei ir encontrar-vos mais a norte, mas os sinais de uma enorme batalha me fizeram aproximar. Vim o mais rápido que pude. Os cristãos vivem dias difíceis. Na mensagem que me pediram para vos entregar, ficareis a conhecer novas da chegada de um grande exército comandado por três reis mouros chegados a alguns dias de barco vindos do norte de África. [...] As aldeias por onde tenho passado foram todas incendiadas e os aldeãos que não puderam fugir, foram todos mortos. Fala-se que o exército é composto por milhares de guerreiros mouros. Aí podereis confirmar, Senhor, tudo quanto vos disse.
Afonso Henriques, abriu o pergaminho e deu ordens para que dessem alimento e alojassem o mensageiro. Mais tarde falaria com ele."
(Excerto de O mensageiro : A independência de Portugal)
Índice:
Dedicatória. | Agradecimentos. | Aos Leitores. | Apresentação. | I Parte: 1. O domínio árabe da Península Ibérica : D. Afonso Henriques. 2. Os olhos de Leonor Teles : A caçada Real. 3. Um povo feliz : A vida o campo; Ao desafio. 4. Lenda do pescador perdido : A taberna do tubarão azul. 5. Nossa Senhora da Guia : Martinho Fernandes; A imagem milagrosa. 6. As invasões Napoleónicas : A chegada dos Franceses. 7. O vale do Cabecinho : O Conde Julião. 8. A gruta da Moura : O Mestre da Ordem de Cristo. II Parte: 9. O mensageiro : A independência de Portugal. 10. A Batalha final : Os últimos dias. 11. A descoberta : O segredo do padre Daniel. | Posfácio. | Nota do autor.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

14 setembro, 2021

MORA, Amadeu da Cunha - MEMÓRIAS DE UM MÉDICO ESQUECIDO
. Famalicão, [Edição do Autor], Grandes Oficinas Gráficas "Minerva" de Gaspar Pinto de Sousa, Suc.res, L.da, 1947. In-8.º (19,5 cm) de 219, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Memórias do autor, médico de província, que incluem episódios caricatos e patuscos. Obra por si dedicada "ao médico rural, o esforçado cavaleiro da saúde, cuja inglória odisseia ainda está por escrever".
Livro ilustrado ao longo do texto com bonitos desenhos em página inteira.
"Hesitei durante largos anos antes de iniciar esta minha obra, para a qual vinha reunindo vários caixotes de apontamentos; os escrúpulos de que me achava possuído foram por fim vencidos, mais pelo acendrado amor pela verdade histórica do que por mesquinhos intuitos comerciais. É este o apanágio dos grandes homens! O culto pela verdade leva-me ainda a prevenir o leitor descuidado de que nem todos os factos que relato são a tradução de autênticos acontecimentos, em que, porventura, desempenhei o papel de primeiro actor. Certos deles são, talvez, pura fantasia; outros, decalcados da acidentada vida de colegas notórios, e ainda outros, fruto do meu delírio de grandeza. [...]
Como o coleccionador de borboletas leva os amigos a visitar as suas vitrinas, aqui me tendes também a desdobrar no écran da vossa imaginação uns tantos sujeitos com que topei na vida. Uns são, indiscutivelmente, reais e outros, sei lá, talvez sejam e talvez não; eu próprio não sei bem..."
(Excerto de Porque escrevi este livro)
Amadeu da Cunha Mora (1901-1984). "Médico e Escritor, nasceu em Pombal, a 10-11-1901, e faleceu em São Paulo (Brasil), a 19-04-1984. Fez o curso secundário no Colégio Moderno de Coimbra e Liceu José Falcão, tendo cursado a Faculdade de Medicina de Coimbra, onde se formou em 31-11-1923, com a defesa de uma tese intitulada “Alguns Casos de Lepra no Concelho de Pombal”. Foi classificado com 16 valores. Desempenhou as funções de Médico Municipal e ainda as de Médico da CP.
Deixou publicados vários artigos, em revistas médicas sobre Pelagra, Lepra e Carbúnculo. Fundou e dirigiu, durante alguns anos, o jornal de feição regionalista e social "Terra Mãe", na mesma Vila de Pombal, e colaborou assiduamente em vários jornais do País, quer com o próprio nome quer com o pseudónimo de Fernando Pacheco. Escreveu o livro Memórias de Um Médico Esquecido, (1947) e a peça em 3 actos, Filhos Sádios."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2019/10/11/quem-foi-quem-na-toponimia-do-municipio-de-pombal-2/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Indisponível

08 abril, 2021

MORA, Amadeu da Cunha - DEIXE VER A LÍNGUA
. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da «Coimbra Editora, Limitada» - Coimbra], 1950. In-8.º (18,5 cm) de 248, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Memórias do autor, médico de província, que incluem episódios hilariantes e caricatos.
Livro ilustrado com 20 desenhos em página inteira.
"O Padre Aniceto perdera, com o último ataque de fígado, além de uma dúzia de missas, uma boa parte do valor político; a cor macilenta, de um amarelo palha, e a claudicante verticalidade, a voz apagada que soltara, nos repisados sermões da Semana Santa, em nada faziam lembrar o temido e dinâmico pimpão eleiçoeiro de outros tempos, quando o Dr. Juveniano, todo lépido, entrava em sua casa, levando os cumprimentos do Senhor Ministro do Interior.
A política esquece os mais dilectos filhos, com um cinismo de madrasta, e, assim, os que ainda há pouco de desbarretavam submissos, porque imploravam favores ou temiam perseguições, olhavam agora, quase indiferentes, o velho lutador que passava, amarrado ao prognóstico fatal do Dr. Pinheiro. Dizia-se à boca calada que o vigário sofria de cancro, e o próprio barbeiro dos Ramalhais já à socapa lhe aplicara o unguento de basalicão e doze bichas nas cruzes."
(Excerto de À Renovação)
Amadeu da Cunha Mora (1901-1984). "Médico e Escritor, nasceu em Pombal, a 10-11-1901, e faleceu em São Paulo (Brasil), a 19-04-1984. Fez o curso secundário no Colégio Moderno de Coimbra e Liceu José Falcão, tendo cursado a Faculdade de Medicina de Coimbra, onde se formou em 31-11-1923, com a defesa de uma tese intitulada “Alguns Casos de Lepra no Concelho de Pombal”. Foi classificado com 16 valores. Desempenhou as funções de Médico Municipal e ainda as de Médico da CP.
Deixou publicados vários artigos, em revistas médicas sobre Pelagra, Lepra e Carbúnculo. Fundou e dirigiu, durante alguns anos, o jornal de feição regionalista e social “Terra Mãe”, na mesma Vila de Pombal, e colaborou assiduamente em vários jornais do País, quer com o próprio nome quer com o pseudónimo de Fernando Pacheco. Escreveu o livro Memórias de Um Médico Esquecido, (1947) e a peça em 3 actos, Filhos Sádios."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2019/10/11/quem-foi-quem-na-toponimia-do-municipio-de-pombal-2/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível