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07 outubro, 2026

PIRES (Cor. grad.), Governador Mário Lemos -
RELATÓRIO DO GOVERNO DE TIMOR. (Período de 13 de Novembro de 1974 a 7 de Dezembro de 1975).
[Pelo]... Relatórios da Descolonização de Timor I. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros, 1981. In-4.º (23,5x16 cm) de 378, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do processo de descolonização de Timor-Leste pelo general (à época, coronel) Lemos Pires, o seu último governador. O período abrangido medeia entre 13 de Novembro de 1974, data da sua chegada à ex-província e posse, até 7 de Dezembro de 1975, dia em que teve início da invasão de Timor pela Indonésia.
O presente é o volume I. Nesse ano foi publicado um segundo volume: Relatório da Comissão de Análise e Esclarecimento do Processo de Descolonização de Timor, elaborado pelo brigadeiro Francisco A. Riscado, o tenente-coronel Paula Vicente, o major João Goulão de Melo e o capitão-tenente Carlos S. C. Pecorelli, que, reportando ao mesmo assunto, trata o tema de forma diferente. Enquanto o primeiro é um documento na primeira pessoa, elaborado pelo último governador português no território, representando por isso o relato oficial da autoridade máxima que estava no terreno a tentar gerir a crise, o segundo, é um documento elaborado por uma comissão independente de inquérito; não é o testemunho de quem governou, mas sim uma espécie de auditoria externa.
"O desenrolar do processo de descolonização de Timor tem sido objecto de viva polémica - no que aliás não sai da regra verificada quanto às outras ex-colónias - convindo, por isso, sistematizar ideias e factos ocorridos e extrair algumas conclusões, com vista a fornecer a possibilidade de apreciação, tanto quanto possível objectiva, pelos órgãos de soberania que dirigiram superiormente o processo.
A falta de documentação - os arquivos do governo ficaram em Díli, pois razões de surpresa e segurança, necessárias para a saída do governo para Ataúro impediram que os mesmo fossem trazidos - dificulta, em muitos casos, a apresentação de documentos. Porém, dada a relativa proximidade no tempo dos acontecimentos, é viável a reconstrução do panorama vivido nas diferentes fases, além de que o facto de não ser necessário descer a pormenores demasiados atenua a falta apontada.
O presente relatório tem a finalidade de dar a conhecer os aspectos relevantes das actividades do governo de Timor nos campos político, económico, social e financeiro, fazendo somente algumas referências aos aspectos militares relevantes. A classificação de segurança é de Confidencial em virtude da natureza dos documentos em que o relatório se baseia, alguns dos quais se incluem.
Pela necessidade de enquadramento de muitos dos acontecimentos posteriores, o relatórios começa por apresentar uma síntese de caracterização das populações, economia e administração portuguesa em Timor. Relatar-se-ão de seguida os aspectos significativos da vida do tyerritório no período que decorreu desde Abril a Novembro de 1974, antecedentes da acção do governo que nessa data tomou posse."
(Preâmbulo)
Índice:
I - Considerações Gerais. II - Caracterização da situação em Novembro de 1974. III - De Novembro de 1974 a Maio de 1975. IV - Cimeira de Macau - Maio/Julho de 1975. V - Do golpe da UDT à saída do governo para Ataúro. VI - Da instalação do governo em Ataúro à invasão da Indonésia. VII- Conclusões finais.
Mário Lemos Pires CvA (Lamego, 1931 - Lisboa, 2009). "Foi um major-general do Exército português com os cursos de estado-maior dos exércitos de Portugal e dos Estados Unidos da América e de defesa do Colégio de Defesa da NATO e do Instituto da Defesa Nacional. Notabilizou-se por ter sido o último governador do Timor português, tendo governado aquela província ultramarina desde 8 de novembro de 1974 até 27 de novembro de 1975, embora a administração se tenha visto forçada a deslocar-se para a ilha de Ataúro nos últimos três meses em consequência do golpe liderado pela UDT de agosto de 1975. Após a partida de Mário Lemos Pires (então coronel) para Lisboa no dia 23 de setembro de 1975, o território de Timor-Leste foi invadido e ocupado pela Indonésia a 7 de dezembro de 1975, situação que se manteve até 15 de setembro de 1999, quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu votar pela Força Internacional para o Timor-Leste, o Interfet, que pôs fim à ocupação selvática da Indonésia sobre Timor-Leste."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

03 julho, 2026

COSTA, Vieira da -
A FAMILIA MALDONADO (pathologia social). Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1908. In-8.º
(19x13 cm) de 437, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Romance realista 
cuja acção decorre na zona de Lamego.
Raro muito interessante, porventura a obra mais importante do autor.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do editor - Gomes de Carvalho - a Albino Forjaz de Sampaio (1884-1949), conhecido escritor, publicista e bibliófilo português.
"Foi na tarde de um domingo d'Agosto, em 1886, que a familia Maldonado chegou a Lamego, para ahi fixar residencia.
Era aquella a hora habitual do passeio, e a população, endomingueirada, formigava, convergindo para o Campo das Freiras a ouvir a banda do 9, ou para a Alamêda a gosar a frescura dos arvoredos e das aguas correntes. Pela rua dos Mercadores, um pouco angulosa, como pela de Almacave, accidentada e larga, e ainda pela da Olaria, estreita e ingreme, ia um fervilhar de gente. Bandos elegantes de senhoras em toilettes alvadias, de estio, criadas de servir ou operarias de folga com lenços de côres variegadas, berrantes, homens de campo e da cidade em trajos de festa, cavalheiros fumando e discutindo, conegos roliços, vermelhaços, d'uma adiposidade suina, rolando penosamente a sua rotundidade, - tudo isto pejava os passeios, invadia as ruas; os alumnos do collegio, em filas, commandados pelos padres, passavam unidos em batalhão; e os officiaes do 9, fazendo tilintar nas lajes dos passeios ou nas pedras da rua as suas espadas, punham uma nota marcial na pacatez das ruas pacificas.
Poucos em Lamego conheciam a familia Maldonado, e por isso, quando o carro que a conduzia, um pesado char-á-banks empoeirado e com o tejadilho abarrotado de malas, começou a subir penosamente a rua d'Almacave, grande foi a curiosidade que o seguiu, e os que melhor o observaram puderam vêr, atravez das cortinas entreabertas, quatro senhoras novas e bonitas, um cavalheiro idoso de bigode e pêra já brancos, e uma creada magra, esgalgada, com perturberancias osseas no rosto já rugoso, e o queixo deformado n'um prognatismo de caricatura."
(Excerto do Cap. I)
José Augusto Vieira da Costa (1863-1935). "Nasceu em Salgueiral, concelho da Régua, em 14.3.1863. Aí morreu em 13.1.1935. Colaborou em vários jornais e revistas, nomeadamente na Ilustração Transmontana e em jornais do Brasil. Publicou os romances Entre Montanhas, A Irmã Celeste e A Familia Maldonado. Deixou organizado o romance O Amor, e a novela Sob a Folhagem. Já quase cego escreveu Portugal em Armas, publicado por ocasião da Grande Guerra. A cegueira deixou o na miséria pelo que a Câmara da Régua lhe estabeleceu uma pensão. O Dr. Fidelino Figueiredo publicou uma análise crítica sobre a sua obra."
(Fonte: http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=555&id=2555&action=noticia)
Encadernação meia de percalina com pastas recobertas de fantasia emoldurada por cercadura. Lombada lisa. Sem capas de brochura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas com cortes e defeitos marginais
.
Raro.
50€

05 novembro, 2023

A SÉ CATEDRAL DE LAMEGO -
GUIA DO VISITANTE
. [Lamego], Edição da Paroquial da Sé, 1966. In-8.º (21x15 cm) de 23, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante guia da Sé de Lamego.
Acompanha a descrição pormenorizada do monumento fotografias a p.b. de alguns dos locais mais emblemáticos que integram o conjunto.
"Erigida no século XII, é constituída pela igreja de três naves, capela-mor, capela do Santíssimo Sacramento, sacristia e sacristia-pequena, torre dos sinos, claustro e suas capelas, casa do cabido, cartório e outros edifícios." (Introdução)
"O bispado de Lamego é de fundação antiquíssima e, pelo menos, já existia pelos anos de 572 da era de Cristo. Tomada a cidade pelos Mouros em 982, ficou sem prelado e assim continuou até que, depois de ter sido reconquistada por D. Fernando Magno em 1038 e de ter sido edificada a nova catedral por mandado do Conde D. Henrique, foi restaurada, sendo o seu primeiro bispo D. Mendo, eleito cerca de 1146."
(Excerto de Reconstituição Histórica)
Índice:
[Introdução] | Torre | Frontaria | Naves | Capela-mor | Capela do Santíssimo Sacramento | Sacristia | Sacristia-pequena | Claustro | Capelas do claustro: Capela de São Nicolau; Capela de Santo António | Coro-alto | Reconstituição Histórica | Notas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

03 outubro, 2023

CÁMEIRA, José Martins - ORDENS E RELATORIOS. Operações Militares sobre Fornos d'Algôdres e Lamego em 1919.
Por... Major d'Infantaria
. Castello Branco, Typographia da «Casa Progresso», [1919]. In-8.º (21 cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio histórico, com interesse táctico-estratégico, relativo ao período revolucionário apelidado "Monarquia do Norte".
Trata-se de um interessantíssimo manancial de ordens e relatórios redigidos pelo Major José Cámeira, comandante do 2.º grupo de metralhadoras, envolvido nas operações de combate aos insurrectos monárquicos sobre Fornos de Algodres e Lamego, no período compreendido entre 23 de Janeiro e 12 de Fevereiro de 1919.
Relatório muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Alferes... da bataria de Art.ª do Destacamento misto n.º 1".
"No desejo de satisfazer o pedido dos meus camaradas que fizeram parte dos destacamentos successivos do meu comando por ocasião da conspiração monarquica do norte, tomei o encargo, por este facto sómente, de compilar todas as ordens de operações e relatorios que elaborei, no decorrer do movimento insurrecional, quasi sem alterar a redação e muito menos a fórma e disposição, para não perder a sua principal caracteristica de originalidade - a mais aceitavel como lembrança - mas aonde certamente muito havia a rectificar, mórmente por não ter tido á minha disposição arquivo algum e em especial os regulamentos de campanha, de saude e de subsistencias e que a memoria nem sempre conseguia capazmente dispensar."
(Preâmbulo)
"No dia 23 de Janeiro, sendo comandante do 2.º grupo de metralhadoras, sou chamado ao quartel general da 2.ª divisão, provisoriamente instalado na cidade de Guarda, para assumir o comando das tropas de cobertura, algumas d'estas jà fixadas na margem esquerda do rio Mondego, n'uma linha de vigilancia e de segurança de cerca de 24 quilometros, assim distribuidas: 30 homens em Celorico da Beira, 50 em Juncaes, 60 em Cabra e 30 em Nespereira.
Uns 200 homens seguiam a caminho para reforço d'aquelas, tambem pertencentes ao regimento d'infantaria n.º 12.
Em virtude das instruções recebidas embarquei, por 12 horas, na estação de caminho de ferro da Guarda com as forças d'infantaria de reforço e mais uma secção de artilharia de montanha, acrescida de uns 100 homens apeados d'esta arma.
Desembarcada a secção de A. M. na estação de Celorico da Beira, segui com as restantes forças ate ás proximidades de Jejua, ponto escolhido para desembarque, d'onde se passou para a margem esquerda do rio Mondego e d'ali se marchou para Mosquitela, tendo o cuidado de tornear o alto do Pendão 2.º (537.∙.), de Penedia (525.∙.) e outros contiguos para a coluna não ser vista das tropas rebeldes.
Chegado a Mosquitela já depois do sol posto mandei ainda avançar cerca de 100 homens para Juncaes, ficando os restantes de reserva n'aquela povoação."
(Excerto da introdução)
A Revista Militar N.º 22 - Dezembro de 1922 - inclui um artigo do General Adriano Beça com o título As metralhadoras, onde elogia Cámeira: "Os oficiais deveriam possuir todo o curso da sua arma, ter menos de 30 anos de idade, os subalternos, não sendo admitidos nos grupos sem a respectiva especialização na Escola de metralhadoras pesadas. É êste o espirito dominante no corpo de oficiais que hoje constitue a élite dos grupos de metralhadoras, onde se encontram oficiais da envergadura do major José Martins Cámeira, que faz honra ao exército português e seria um elemento de inestimavel valor em qualquer outro exército europeu. Possue êle, alêm do saber profissional, a experiência da grande guerra e qualidades de comando, que o tornam um oficial prestigioso e lhe dão sobeja autoridade para, em assuntos técnicos emitir a sua opinião que deveria ser religiosamente acatada."
José Martins Cámeira (1878-?). "Militar, natural da Freguesia de Caria (Belmonte), residente em Castelo Branco. Nasceu a 06-10-1878. Era filho do Comendador Vicente Martins Ribeiro e de D. Piedade Pires Cameira Ribeiro. A sua carreira Militar, desde que em 1902 foi nomeado Alferes até que em 1935, já Coronel, foi nomeado Comandante Geral da PSP, foi sempre brilhantíssima. Exerceu professorado em escolas regimentais, tomou parte nas operações de Angola em 1935, no destacamento do Cuanhama como Comandante de Bateria, combatendo na Môngoa, Chana da Môngoa, Cacimbas, etc., bem como no combate de Nigiva, onde entrou com o seu destacamento. [Combateu na Primeira Guerra Mundial integrado nas forças do C.E.P. com o posto de capitão, sendo mais tarde promovido a major. Foi dos primeiros a embarcar para França, em 23.10.1916. Seguiu para o Q. G. do E. M. P. por ter sido colocado no E. M. Depois foi colocado como 2.º comandante de Infantaria 35. Foi comandante do 5.º Grupo de Metralhadoras, assumindo mais tarde o comando do Batalhão de Infantaria 14]. Fez parte do C.E.P. em França, e ali obteve promoções rápidas e comandos de responsabilidade, e combateu os revoltosos monárquicos do Norte em 1919 como comandante das tropas de cobertura junto do Mondego e coluna de operações de Lamego e Régua. Em 1920 foi Comandante da Escola de Metrelhadoras Pesadas e depois Instrutor de 1.º e 2.º grau na ECO. Fez o Curso de Metrelhadoras pesadas em França na “Machine Gun School” inglesa. Sendo Tenente-Coronel fez parte das forças que combateram, em 1931, os revoltosos das Ilhas Adjacentes, tomando parte no combate do Machico. Desempenhou muitas comissões técnicas importantes e constam na sua folha de serviços os mais altos louvores em serviço técnico e em campanha, tendo sido condecorado com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra de França, a Medalha da Vitória e Medalhas Militares de Comportamento Exemplar (Cobre, Prata e Ouro), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército de 1914 e 1915, Medalha Militar de Prata de Valor Militar (com letra C e Palma dourada); Medalha Militar de Bons Serviços (duas de Prata e uma de Ouro com letra C), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército (França 1917 e 1918), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército (Cuanhama, 1915), Cruz de Guerra e “fourvagères”, Cavaleiro da Torre e Espada com palma dourada, Comendador de Cristo, Comendador e depois Grande Oficial da Ordem Militar de Avis, etc."
(Fonte: https://www.facebook.com/1540060162973575/posts/1994210184225235/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Muito raro.
Com significado histórico e militar.
Sem registo na BNP.
Indisponível

19 dezembro, 2022

AGOSTINHO, José - A SANTA DOS IMPOSSIVEIS. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1931. In-8.º (20 cm) de [14], 152 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia romanceada de Santa Rita de Cássia (1381-1457), freira agostiniana da diocese de Espoleto, Itália. Devido aos milagres obtidos por sua intercessão o povo deu-lhe o nome de "Santa das causas impossíveis", tendo sido venerada sobretudo em Itália, Portugal e Espanha, onde o seu culto alastrou rapidamente.
Livro ilustrado em separado com reprodução de uma pintura da Santa.
"A tarde de 22 de Maio de 1381 veio cálida e embalsamada, propicia a idilios e clemencias. Antonio Mancini não fôra á herdade, seu labor e sustento.
Amata aconchegara-se no cadeirão da sua camara, envolta em roupagens. Tiritava, como se o tempo não fosse de sol estival e gemia como fonte crispada pelos ventos do sul, num pressentimento de vendaval e horror.
A aproximação do parto cobria-a de convulsões e agonias, de calafrios e espasmos. Esperavam com ansia pela parteira, que áquelas horas já tinha partido de Cassia na sua burrinha, nada e criada na Sardenha longinqua.
A sua burrinha! Firme e veloz de passo, robusta e amoravel, zelosa como se entendesse e amasse a sua missão, o seu relincho estridente era o alento, o repouso e o jubilo das parturientes daquelês rincões."
(Excerto do Cap. II)
José Agostinho de Oliveira (Lamego, 1866 - Lisboa, 1938). "Mais conhecido por José Agostinho, foi um professor, escritor, dramaturgo e crítico literário português. Autor de vasta obra em prosa e em verso. Escreveu ainda para a imprensa portuguesa e brasileira.”
(Fonte: Wikipédia)

Encadernação editorial inteira de percalina com feros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

05 outubro, 2022

CID, Sobral - O CASO DE FRANZ PIECHOWSKI, PERSEGUIDO, PERSEGUIDOR E MAGNICIDA.
Por...
Lisboa, Imprensa Nacional, 1930. In-4.º (25,5x20,5 cm) de 80, [2] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Relatório clínico do marinheiro Franz Piechowski, psicopata de origem alemã, cujo delírio atingiu o seu auge em Lisboa, em Junho de 1930, com um crime que chocou o país - o assassinato a sangue frio de um diplomata alemão.
Estudo com interesse para história da psicose em Portugal por um dos seus expoentes máximos da época - o Prof. Sobral Cid.
Este processo contempla o percurso de Franz Piechowski, desde a adolescência (com passagem pelo reformatório), aos anos de embarcadiço - durante e após a Primeira Guerra Mundial -, onde se manifestaram as primeiras crises psicóticas, até à sua prisão, em Lisboa.
"No dia 7 de Junho de 1930, no momento em que saía do cruzador alemão Koenisberg, já acostado ao cais de Lisboa, o Ministro de Alemanha, Barão Von Baligand, foi alvejado a tiro por um seu compatriota - Franz Piechowski -, falecendo horas depois."
(Fonte: facebook.com/lisboadeantigamente)
Livro ilustrado em duas folhas separadas do texto reproduzindo fotogravuras do criminoso - vestido e sem roupa - segundo fotografias do Serviço de Identificação e Registo Policial - Pôsto Antropométrico de Lisboa.
"Manifestamente inspirado pelo delírio, e só por êle, o atentado perpetrado na pessoa do Barão von Baligand por Franz Piechowski integra-se lògicamente na fase decorrente da evolução a sua psicose, como um dos possíveis desfechos - aquele que as circunstâncias tornaram viável - da idea mórbida que, desde a vinda para a Península, se apossara da sua consciência com a persistência e o potencial energético que caracteriza as ideas fixas dentro e fora do campo psiquiátrico. [...]
Em primeiro lugar, a título de precedentes imediatos: a escolha da ocasião, a preparação minuciosa do atentado e a visita prévia ao teatro das operações - sem falar no cenário grandioso: troca de cumprimentos oficiais, marinheiros em parada, salvas, etc. - que o lugar e a ocasião escolhida lhe proporcionaram.
No que toca à execução do acto, a sua atitude fria, impassível só é comparável à do caçador de espera que, à espreita da peça de caça que há-de passar, concentra toda a sua atenção no seu objectivo, de modo a realizar o máximo de calma e domínio e si próprio no momento crítico em que tem de intervir. Chegada a ocasião propícia: ataque brusco e de surprêsa, por forma a assegurar-se do êxito, caindo inopinadamente sôbre a sua vítima."
(Excerto de Características do atentado)
Matérias: [Apresentação]. | Parte I - História pregressa. I - Antecedentes pessoais. II - História do delírio: A) - Eclosão e rápida sistematização do delírio. Estada em Londres. Viagem de retôrno a New-York (Estados Unidos). Regresso a Hamburgo e Danzig; B) - Estada em Danzig. Primeiras reacções agressivas sôbre supostos perseguidores. Tentativa de homicídio. Internamento no Manicómio de Lauenburg.; C) - Evasão do Manicómio de Lauenburg. Migração através da Alemanha ocidental. Queixas e telegramas de protesto. Primeiras manifestações do perseguido-reivindicador; D) - Regresso à actividade profissional. Viagem ao Mar do Norte, Mediterrâneo e Mar Negro. Episódio de Nápoles. Ocorre-lhe a idea de se refugiar na Rússia. Evasão a nado de bordo do «Arscheneim», no canal de Kiel. Estada em Rotterdam e Antuérpia; E) - Embarque clandestino para o Rio de Janeiro. Múltiplas tentativas de envenenamento. A idea do atentado aparece na consciência sob a forma de alucinações. Novas cartas e telegramas de protesto. Regresso à Europa; F) - Aquisição em Antuérpia da pistola «Liberty» - Migração para a Península - Pre-figuração alucinatória do atentado, na cena delirante de Bordéus - O magnicídio convertido numa idea fixa. G) - Instalação e expansão do complexus magnicida; H) - Lisboa - Indeterminação na escolha da vítima. Chegada da esquadra alemã - O atentado; I) - Características do atentado. | Parte II - Status praesens. A) - Exame morfológico; B) - Exame médico e neurológico; C) - Exame psiquiátrico. Parte III - Discussão. A) - Caracteres gerais do delírio; B) - O acontecimento provocador - Transmutação catatímica - Génese do «complexus»; C) - Projecção afectiva do «complexus» - Delírio de auto-relacionação sensitiva; D) - Episódio alucinatório intercalar; E) - Alucinações psíquicas; F) - Reacções: a) Generalidades; b) Reacções asténicas; c) Reacções esténicas; d) Elaboração sub-consciente da idea do atentado e sua pre-figuração alucinatória; e) O magnicídio, expressão de uma idea fixa ou prevalecente; f) Características psicológicas do atentado. | Conclusões.
José de Matos Sobral Cid (Cambres, Lamego, 1877 - Lisboa, 1941). "Mais conhecido por Sobral Cid, foi um médico e professor de Psiquiatria da Universidade de Coimbra. Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Coimbra (1903-1904) e foi Ministro da Instrução Pública em dois dos governos da Primeira República Portuguesa (1914). Como professor universitário, criou a escola portuguesa de psicologia clínica, fundamentada na semiologia psiquiátrica, na definição de conceitos psicológicos, assente numa prática de clínica humanizada que valoriza a relação entre médico e doente sem perder o sentido médico da psiquiatria e as suas bases biológicas."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

23 setembro, 2020

CID, Sobral - A VIDA PSÍQUICA DOS ESQUISOFRÉNICOS.
Por... Separata do Jornal da Sociedade das Sciências Médicas de Lisboa. (Tômo LXXXVIII - Março a Maio de 1924)
. Lisboa, Tip. da Emprêsa do Anuário Comercial, 1925. In-4.º (26 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Conferência feita em Coimbra na Sala dos Capelos da Universidade em 16 de Março de 1924.
"Inteligir a vida psíquica dos esquizofrénicos, apreender e compreender o seu mundo interior, conhecer os sintomas e a pessoa que os vivencia, eis o tema da conferência. A "perda de contacto com o mundo real", a atitude de alheamento da personalidade considerada no seu conjunto, permite tornar "clara e inteligível a sintomatologia". Neste sentido, em Sobral Cid, parte-se do global, da relação eu/mundo, num sentido fenomenológico, para depois descer e analisar os sintomas particulares. Isto é, a apreensão da personalidade, no seu modo de existir, deve anteceder o reconhecimento de cada sintoma."
(Fonte: Wook)
"Nem tôdas as psicoses oferecem a mesma dificuldade à análise psicologica; e, muito embora a afirmação tenha o seu quê de paradoxal, pode dizer-se que a sintomatologia psíquica da maior parte delas é facilmente inteligível e até acessível à compreensão dos profanos. [...]
Dificuldade alguma há em compreender os conteudos ideo-emocionais das psicoses afectivas - o «sans-gêne» do excitado maníaco, ou a penosa concentração do melancólico nos monótonos têmas dolorosos que lhe entenebrecem o espírito. Estes alienados não só fàcilmente os compreendemos, mas até, possivelmente, os «sentimos», co-vibrando simpàticamente com êles e afinado o nosso humor pela sua tonalidade afectiva."
(Excerto da Conferência)
José de Matos Sobral Cid (Cambres, Lamego, 1877 - Lisboa, 1941), mais conhecido por Sobral Cid, foi um médico e professor de Psiquiatria da Universidade de Coimbra. Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Coimbra (1903-1904) e foi Ministro da Instrução Pública em dois dos governos da Primeira República Portuguesa (1914). Como professor universitário, criou a escola portuguesa de psicologia clínica, fundamentada na semiologia psiquiátrica, na definição de conceitos psicológicos, assente numa prática de clínica humanizada que valoriza a relação entre médico e doente sem perder o sentido médico da psiquiatria e as suas bases biológicas."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado de conservação. Sem capas e f. anterrosto. Deve ser encadernado.
Raro na edição original.
Indisponível

14 janeiro, 2020

OLIVEIRA, J. Agostinho d’ – PADRE ANTONIO. Romance. Edição Popular. Porto, Casa editora de Antonio Figueirinhas, 1901. In-8.º (17 cm) de [8], 241, [7] p. ; E.
1.ª edição.

Romance campestre onde se destaca, nas palavras do editor, quadros flagrantes de verdade na figura angélica dum bom cura, e de todos os personagens que se agrupam à sua volta, "e que não falam a linguagem cynica dos romances de fancaria".
"Expirava Setembro n'umas tardes quasi piedosas de poesia triste, as manhãs já frias, arripiadas pelos primeiros sopros do outomno.
Na grande vinha, áquella hora da tarde, a faina dos vindimadores tinha um concerto festivo, vibrantissimos os cantos das mulheres, e tão crystallinos e voláteis como a agua de pequenos rios que murmurassem núma delicia de sonho moribundo e indefinido...
O casal, d'uma alvura encantadora, dominava toda a planicie, deixando atraz de si uma ladeira áspera, de que elle parecia ter despenhado, como um idyllio vaporoso arrojado á campina num delirio muito d'alma.
Passavam muitas ranchadas de homens ao largo na velha estrada, cheia de barrancos e marginada espessamente de soutos e, na sua alegria de vindimadores que vão de bolso quente em caminho do repouso do lar, havia a suggestiva expansão do ignorado luctador ingenuo que não quer perder um ensejo de colher allivio e perfume na aspereza tragica da vida.
O velho lavrador, sentado abandonadamente n'um cesto vindimo, calculava com sua mulher a producção maravilhosa e inesperada d'aquelle anno."
(Excerto do Cap. I)
José Agostinho de Oliveira (Lamego, 1866 - Lisboa, 1938). "Mais conhecido por José Agostinho, foi um professor, escritor, dramaturgo e crítico literário português. Autor de vasta obra em prosa e em verso. Escreveu ainda para a imprensa portuguesa e brasileira.”
(Fonte: wikipédia)

Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta anterior levemente manchada. O prefácio do editor precede as folhas de rosto e anterrosto.
Raro.
Indisponível

22 junho, 2019

IZQUIERDO, Sebastiam - CONSIDERAÇOENS // DOS QUATRO // NOVISSIMOS // DO HOMEM // Morte, Juizo, Inferno, e Gloria, // Compostas pelo M. R. Padre Mestre // SEBASTIAM IZQUIERDO // da Companhia de JESUS: // TRADUZIDAS DE CASTELHANO EM // Portuguez, divididas de seus Pontos em Para- // graphos com seus novos Titulos, e Argumentos; // addicionadas com hum Appendix de Instruc- // çaõ, e Methodos de ter o santo exercicio da // Oraçaõ Mental, e de tomar a Diciplina; // E OFFERECIDAS // Á Bemaventurada V. MARIA N. Senhora // em o seu especial Titulo // DE SENHORA // DO BOM SUCCESSO, // TITULAR DA CAPELLA, // E por maõs do Senhor // JOAQUIM MIGUEL // LOPES DE LAVRE, // Fidalgo da Caza de Sua Magestade, Commendador // das Cõmendas de Santa Margarida da Mata, e de // Lagoalva, Alcaide Mór de Solorico da Beyra, // Senhor Donatario do Reguendo da Carvoei- // ra, e Secretario do Concelho Ultramarino, // Pelo seu Capellaõ // O P. MANOEL MARTINS DE ANCIAENS, // Presbytero Secular, Lamecense. // LISBOA: ANNO DE MDCCLVIII. // Na Offic. de FRANCISCO BORGES DE SOUSA // Com todas as licenças necessarias. In-12.º (15cm) de [40], 430, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Obra interessantíssima, reflexo de uma época, publicada pouco tempo após o terramoto de 1755, e que o tradutor se encarregou de alterar e acomodar à 'meditação' dos fieis portugueses.
Ilustrada com bonitos cabeções e florões de remate xiologravados, assinalando, respectivamente, o início e final de cada um dos "Novíssimos" e do Appendix.
O que são os Novíssimos?
"Nos Livros Santos chama-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no final da sua vida, a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno
O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida? O Catecismo da Igreja católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou recusa da graça divina manifestada em Cristo».
«Cada homem, depois de morrer, recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na bem-aventurança do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre»."
(Fonte: https://opusdei.org/pt-pt/article/o-ceu-a-morte-o-purgatorio-o-que-sao-os-novissimos-2/)
"Naõ faço este Prologo, Leytor devoto, para nelle te dizer o como te hás de portar com este Livro; pois para isso acharás os devidos, e necessarios documentos no Prologo do Author, que logo depois deste te offereço, e ao qual te rogo que encarecidamente que attento leas, e ponderes. Este Livro fou parto do fecundissimo engenho do M. R. P. Mestre Sebastiaõ Izquierdo da Sagrada Companhia de Jesus, Varaõ insigne em virtudes, e letras, como bem se manifesta de suas Obras, álèm da fama de seu nome. [...] Na Traducçaõ delle, ainda que dezejava accomodar-me em a Author taõ grave, eo fiz, quanto me foy possivel, no tocante á sua fraze; naõ me pude com tudo accomodar á extensão de seus Pontos pelas muitas, varias, e diversas cousas, que continhaõ, e por serem assim menos claras, e menos aptas para a Meditaçaõ, fim, a que eu summamente dezejava accomodar esta Traducçaõ, as suas Doutrinas. Para maior clareza pois, e para mayor commodidade de quem houvesse de meditar sua materia, determinei-me a dar ao Livro nova fórma. Isto fiz, dividindo-lhe, aonde me pareceo mais apto ao dito fim da Meditaçaõ, os Pontos em Paragraphos; formando a estes seus novos Titulos, e Argumentos; fazendo o mesmo aos Pontos; e pondo no fim das paginas os lugares das Authoridades, tirando-os do corpo do Livro, aonde os tinha, por ver que ficava assim a sua leitura mais desembaraçada. Mas, como julgasse que ainda assim naõ ficava o Livro totalmente accomodado, para que qualquer pessoa pudesse usar delle nas Meditaçoens, por lhe faltar instrucçaõ para ellas; adicionei-lhe hum pequeno Appendiz, que contêm huma breve (mas a necessaria) Instrucçaõ da Oraçaõ Mental, e o Methodo, com que se deve taõ santo exercicio, (cousas, em que o Author naõ tocou, o que me persuado fez por intentar escrever para os já exercitados nella) e ultimamente o Methodo, com que se deve tomar a Disciplina. Com esta Versaõ, com esta fórma, e com o Appendiz, que lhe addicionei, fica este Livro taõ accomodado, e taõ perceptivel, que qualquer pessoa póde usar delle, a aproveitar-se muito em virtudes, naõ só meditando-o, mas ainda lendoõ com attençaõ."
(Excerto do Prologo [do tradutor], Ao leitor)
"Huma das cousas mais prodigiosas, que há no mundo, he, que saibaõ, e creaõ os Christaõs com tanta certeza que dentro breve tempo haõ de morrer; e que na hora da Morte haõ de ser julgados por Deos, e sentenciados com huma sentença irrevogavel, ou a gozar de infinitos bens com os Anjos no Ceo, ou a padecer infinitos males com os Demonios no Inferno; e isto por huma eternidade sem fim: e que com tudo isto os mais delles vivaõ (como com effeito vivem) taõ descuidados destes Novissimos, e taõ sem temor da horrenda contigencia,, em que estaõ, em quanto vivem, ou de salvaçaõ eterna, ou de condemnaçaõ eterna. Cousa por certo prodigiosa! Do qual prodigio a causa he a falta de consideraçaõ dos mesmos Novissimos. Porque as cousas futuras, por horriveis que sejaõ, em quanto se naõ consideraõ naõ podem mover a seu temos mais, do que se, real, e verdadeiramente, nunca houvessem de succeder. E a causa desta incõsideraçaõ perniciosa he o continuo divertimento, com que os mais, ainda dos Christaõs, vivem, occupadas todas as suas potencias, e sentidos nos bens deste mundo, hontas, riquezas e deleites. Donde nasce que, esquecidos, e sem temor das penas futuras, com facilidade se entregaõ ás culpas presentes (que de ordinario á tal occupaçaõ acompanhaõ) e vivem enredados nellas até que, apanhando-os a Morte desapercebidos, cahem suas almas precipitadas no Inferno."
(Excerto do Prologo do Author, Ao Leytor Christaõ)
Sebastián Izquierdo (Alcaraz, Albacete, Espanha, 1601 - Roma, 1681). "Foi um matemático, lógico e filósofo espanhol. Estudou com os jesuítas, que se estabeleceram na sua cidade natal em 1617, e formou-se em Artes, em Alcalá. Em 1623, ingressou na Companhia de Jesus tendo ensinado teologia e filosofia nos colégios da Companhia em Espanha (de 1641 a 1661 em Alcalá de Henares, Múrcia e Madrid); nesta última cidade foi nomeado Censor da Inquisição. Com sessenta anos mudou-se para Itália como assistente de sua ordem, e em 1661 foi eleito Assistente Geral da Presidência como representante das províncias jesuítas da Espanha, tendo residido desde então em Roma, onde morreu em 1681."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado, com vestígios marginais de humidade no pé, ao longo do livro, sem afectar a mancha tipográfica.
Raro.
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18 junho, 2019

ANTIGUIDADES CURIOSAS. Colligidas por Antonio Luiz Monteiro e publicadas por seu filho Abilio Monteiro. Porto, Nova Typ. de Silva & Valbom, 1870. In-8.º (18,5 cm) de 287, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso conjunto de transcrições (53) comentadas pelo autor - verdadeiras antiguidades curiosas - onde se contam documentos de vária ordem, tais como, alvarás, proclamações, decretos, cartas, tratados, forais, etc.
Alguns documentos reproduzidos: «Juramento d'el-rei D. Affonso Henriques, pelo qual confirma a apparição de Jesus Christo, acontecida ao mesmo soberano»; «Castigo imposto por D. João 1.º, á villa de Barcellos»; «Artigos 7.º e 8.º das côrtes de Lamego, que prohibem ás princezas herdeiras casar fóra do reino»; Leis promordiaes da nobreza Lusitana»; «Doação que Theodomiro, rei Suevo, fez ao Mosteiro de Cedofeita»; «Alvara que veda a entrada de certos clerigos em Villa do Conde»; «Convenção secreta entre o imperador dos francezes, e o rei d'Hespanha, pela qual se regula todo o relativo á occupação de Portugal [e á sorte futura de Portugal]»; «Baliagem de Leça»; «Foral do Porto».
Encadernação cartonada com ferros gravados a seco e a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura original.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa algo manchada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

16 dezembro, 2018

CHATENAY, Arsenio de - A MENINA DA CASA MOURISCA. Leitura para homens e senhoras. Porto, Livraria Central : Campos & Godinho - Editores, 1888. In-8.º (18cm) de 302, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance desenvolvido a partir de factos históricos, cuja acção decorre na zona de Lamego. O seu autor foi António da Cunha de Azevedo Lemos Castelo Branco, que utilizava o pseudónimo Arsenio de Chatenay.
"O sargento Nicolau-Sem-Pavôr do regimento n.º 9 de infanteria, natural de Lazarim, foi um d'esses muitos denodanos portuguezes que militaram na guerra da Peninsula, desde 1809 a 1814, sem que lhe pesassem fadigas, faltas e o sangue, que, na sua marcha victoriosa, ia assignalando seus passos. Fazia o seu regimento parte da oitava brigada, cuja intrepidez e galhardia tão notavel se ostentou na batalha de Vittoria, acontecida em 21 de junho de 1813. Os francezes, batidos em todas as suas posições, e em retirada precipitada pela estrada de Pamplona, abandonaram artilheria e bagagens com tal pressa e pavôr, que todas as estradas reaes, caminhos e desfiladeiros, que sulcavam e cruzam o terreno entre Pamplona e Bayona, na distancia de mais de uma legua de Vittoria, se podiam considerar litteralmente cobertos dos importantes despojos do inimigo amedrontado. E na verdade, o ouro e a prata eram em tal quantidade, que os soldados receiosos do peso d'esta, sómente d'aquelle se aproveitavam. E, depois, os consideraveis thesouros do rei José, cahindo em poder de muitos dos soldados da oitava e nona brigada, deram occasião a que o sargento Nicolau, tão valente como ambicioso, se apossasse da parte mais importante d'elles, arrastando volumes e caixotes, mesmo durante a refrega, para uma escavação penhascosa com que deparou, mascarando-a, por então, com algum matto arrancado á pressa. [...]
Sómente em 1819 logrou o sargento Nicolau a sua baixa, contando então 32 annos de edade. Tinha nascido em 1787, assentando praça em 1809, e militado com distincção 10 annos. [...]
Debalde se esforçava elle por encontrar expediente que lhe permittisse a remoção do thesouro dos reconcavos de Vittoria, mas a sua imaginação, sempre fertil em traças, ferida pelas apprehensões, luctava contra o ignoto. Foi no meio d'esta difficuldade, que seu irmão Pedro, habil maritimo, lhe veio acudir. [...]
O ex-sargento Nicolau, depois de gratificar generosamente seu irmão Pedro, esforçou-se em realisar um dos seus mais mimosos sonhos, depois que regressou de França, em 1814, - trocar a humilde casa onde nascera, em Lazarim, a oito kilometros ao nascente de Lamego, proximo á Ribeira de Tarouca, pela velha Casa Mourisca, cercada de uberrimos campos, e de preciosas e extensas mattas de especies variadas, em venda, ao sul d'aquella antiga povoação, fundada, como Lalim, pelo regulo lamecense, - Zadan Aben Huin."
(Excerto do Prólogo)
Encadernação simples em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em razoável estado de conservação. Cansado. Páginas amareladas, com manchas e sublinhados a lápis ao longo do texto. Assinaturas de posse na f. rosto, f. anterrosto, 1.ª p. texto, e por vezes, no interior. Pelo interesse e raridade a justificar trabalho de reencadernação.
Muito raro.
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18 janeiro, 2013

MACARIO, Joaquim Pedro de Souza - PIADAS E PICADAS : versos alegres. Lamego, Imprensa Moderna, 1900. In-8º (19cm) de 190, [2] p. ; B.
Valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao poeta Orlando Marçal.

"Quando rapaz, eu tive um namorico
Com uma rapariga muito meiga;
Eu, focinho de cão, ella, manteiga,
Escuso de dizer mais, por aqui fico.

Na pósse d'este amor, julguei-me rico;
Ella em questões d'amor, inda era leiga,
Chamava-se Delfina Castro Veiga,
Creio que natural de Celorico."

(excerto de uma piada, «Entrevista frustrada»)

Exemplar brochado em bom estado geral do conservação. Capas apresentam sinais de humidade.
Raro.
Impresso em Lamego.
20€
Reservado