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27 abril, 2023

CERCA, António -
RITOS DA MORTE EM CASAL DE CINZA.
[Prefácio de Cameira Serra]. Guarda, Associação Distrital de Jogos Tradicionais e do Lazer, 1987. In-8.º (21 cm) de 47, [1] p. ; il. ; B. Cadernos Jogo, Tradição, Cultura - 3 : Colecção Tradições Orais, N.º 1
1.ª edição.
Interessante subsídio antropológico. Estudo sobre a morte e a forma como esta era encarada há cem anos atrás, sobretudo na província, sendo apresentado como exemplo a freguesia beirã de Casal da Cinza, Guarda, que inclui sete povoações.
Livro ilustrado com fotogravuras no texto.
""As Ciências humanas sempre negligenciaram a morte", diz-nos Edgar Morin. Esta afirmação tem todo o cabimento em relação ao vasto rol de monografias regionais, em cujo texto a temática ora versada não é referida ou, quanto muito, é apenas esboçada em breves páginas.
Todas as sociedades criam mitos para explicar a morte e as suas causas.
Esta brochura põe o leitor em contacto com as superstições e ritos que precedem, acompanham ou sucedem a morte, numa pequena comunidade rural da Beira: o tema da morte, os factos prenunciadores, a crença no renascimento dos mortos, as encomendações e homenagens aos defuntos, são aqui narrados com clareza e autenticidade.
A descrição do autor ganha um mérito ainda mais relevante pelo facto de a maioria destes costumes fúnebres ter já desaparecido na poeira dos tempos."
(Excerto do Prefácio)
"O empenho posto na tentativa de salvação da alma condiciona de forma efectiva a existência, e orienta de um modo geral os comportamentos.
Preocupações de tipo espiritual, cultural e social são observadas com o rigor possível durante a vida, e com atenção redobrada nas últimas horas.
Neste tipo de estudos é frequente ter apenas como objecto de análise as circunstâncias que rodeiam a morte quando ela está iminente, deixando quase sempre sem referência todo um conjunto de atitudes e comportamentos tidos ao longo da vida e que, de algum modo, preparam também a morte nalguns de seus aspectos essenciais."
(Excerto de Prevenções para a Morte)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | Prevenções para a Morte: 1) Consuetudinárias: a) Encargo feitos à família; b) Aquisições feitas em vida; c) Agregação a instituições. 2) Testamentárias. | A Morte: 1) Presságios da morte; 2) Causas da morte; 3) Agonia; 4) Logo após a morte. | O Velório. | O Funeral. | Práticas posteriores ao Enterro: 1) O luto; 2) Missas e peditórios; 3) Ofícios; 4) Acompanhamentos; 5) O toque às almas; 6) A encomendação das almas; 7) O mês das almas; 8) Monumentos e santuários; 9) Outros costumes. | O Culto dos Mortos: 1) Ideias populares a respeito da continuação da vida e da existência de outro mundo; 2) A possibilidade da existência de relações entre os vivos e os mortos. | Apêndices: 1) Funerais com características especiais; 2) Caixões; 3) Covas e coveiros; 4) Cemitérios; 5) Contos populares a respeito da morte.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

15 julho, 2022

CELEBRAÇÃO DOS EXORCISMOS : Ritual Romano reformado por decreto do Concílio Ecuménico Vaticano II e promulgado por autoridade de S. S. o Papa João Paulo II
. [Coimbra], G.C. - Gráfica de Coimbra : Conferência Episcopal Portuguesa, [2000]. In-4.º (23 cm) de 91, [5] p. ; E.
Manual de exorcismos publicado pela Igreja Católica, de harmonia com o Decreto da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, de 22 de Novembro de 1998.
Inclui transcrição de salmos e ladainhas utilizados nos esconjuros.
"Dada a delicadeza do exercício do ministério dos exorcismos, especialmente do exorcismo maior, impõe-se que os sacerdotes dele incumbidos, além de animados de espírito de fé, prudência e fortaleza, tenham bem presentes as normas e orientações estabelecidas no Direito e nos respectivos Preliminares."
(Excerto da Apresentação)
"As criaturas angélicas estão presentes ao longo de toda a história da salvação: umas permanecem ao serviço do desígnio divino e prestam continuamente a sua protecção ao ministério da Igreja; outras, decaídas na sua dignidade - e chamadas diabólicas -, opõem-se a Deus, e à sua vontade salvífica e à obra redentora de Cristo e esforçam-se por associar o homem à sua rebelião contra Deus.
Na Sagrada Escritura, o Diabo e os demónios são designados por vários nomes, alguns dos quais indiciam a sua natureza e a sua acção.
 O diabo, que é chamado Satanás, serpente antiga e dragão, é quem seduz o mundo inteiro e combate contra os que observam os mandamentos de Deus e dão testemunho de Jesus. É denominado adversário do homem e homicida desde o início, pois, pelo pecado, tornou o homem sujeito à morte. Porque, pelas suas insídias, provoca o homem a desobedecer a Deus, o Maligno é chamado Tentador, mentiroso e pai da mentira, actuando astuta e falsamente, como testemunham a sedução feita aos primeiros pais, a tentativa de desviar Jesus da missão que o Pai Lhe confiou, e finalmente a sua transfiguração em anjo de luz. É também chamado príncipe deste mundo; isto é daquele mundo sobre o qual o Maligno exerce domínio e não conheceu a Luz verdadeira. Finalmente, o seu poder é designado poder das trevas, porque odeia a Luz que é Cristo e atrai os homens às suas própria trevas."
(Excerto do Proémio (sem referências bíblicas))
"No rito do exorcismo, além das fórmulas do próprio exorcismo, dê-se especial atenção aos gestos e ritos que têm maior importância pelo facto de serem utilizados no tempo de purificação do itinerário catecumenal. Tais são o sinal da cruz, a imposição as mãos, o soprar e a aspersão de água benta.
O rito começa com a aspersão de água benta, pela qual, como memória da purificação recebida no Baptismo, se protege o atormentado contra as ciladas do inimigo.
A água pode benzer-se antes do rito ou no próprio rito antes da aspersão e, se parecer oportuno, com a mistura de sal.
Segue-se a prece litânica, na qual se invoca para o atormentado a misericórdia de Deus pela intercessão de todos os Santos.
Depois da ladainha, o exorcista pode recitar um ou vários salmos, que imploram a protecção do Altíssimo e exaltam a vitória de Cristo sobre o Maligno. [...]
Depois o exorcista impõe as mãos sobre o atormentado, a invocar o poder do Espírito Santo para que o Diabo saia daquele que pelo Baptismo se tornou templo de Deus. Ao mesmo tempo pode soprar para a face do atormentado.
Recita-se então, o Símbolo ou renovam-se as promessas do Baptismo com a renúncia a Satanás. Segue-se a oração dominical, na qual se implora a Deus, nosso Pai, que nos livre do Mal.
Depois disso, o exorcista mostra ao atormentado a cruz do Senhor, que é a fonte de toda a bênção e graça, e faz o sinal da cruz sobre ele, a manifestar o poder de Cristo sobre o diabo."
(Excerto de Preliminares - IV - O rito a seguir)
Índice:
Apresentação. | Decretos. | Proémio. | Preliminares: I - A vitória de Cristo e o poder da Igreja contra os demónios. II - Os exorcismos na função santificadora da da Igreja. III - O ministro e as condições para realizar o exorcismo maior. IV - O rito a seguir. V - Adições e adaptações. VI - Adaptações que competem às Conferências Episcopais. | Capítulo I - Celebração do exorcismo maior: Ritos iniciais; Súplica litânica; Recitação do Salmo; Leitura do Evangelho; Imposição das mãos; Símbolo da fé ou Promessas baptismais; Oração dominical; Sinal da cruz; Sopro; Fórmulas do exorcismo: - Fórmula deprecativa; - Fórmula imperativa; Acção de graças; Ritos finais. Capítulo II - Textos vários que podem ser utilizados no rito: I - Salmos. II - Evangelhos. III - Fórmulas do exorcismo. | Apêndices: I - Súplica e exorcismo que podem utilizar-se facultativamente em circunstâncias peculiares da Igreja. II - Suplicas que os fiéis podem utilizar privadamente contra os poderes das trevas.
Encadernação editorial com ferros gravados a ouro na pasta frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Sublinhados a lápis (e duas frases a feltro) nas primeiras folhas do livro.
Muito invulgar.
Indisponível

29 abril, 2018

REBELO, Luís - PADRES EXORCISTAS. Lisboa, Editorial Notícias, 1998. In-8.º (21cm) de 143, [1] p. ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada em extratexto com fotografias a cores de exorcistas e exorcizados.
"Expulsar o Demónio do corpo de pessoas que se dizem possessas, com ladainhas em latim e água benta à mistura, continua a ser prática de alguns padres, frequentemente ao arrepio das orientações da hierarquia da Igreja Católica que, para tal, exige autorização expressa do bispo da Diocese. Trata-se, no fundo, da outra face de um país habitado por gente que diz falar com espíritos, de possessos que acreditam na força dos impropérios, de demónios que povoam as noites, de exorcistas com fama de santos, de padres que preferem a força física à oração, mas onde também, por vezes e como escreve, no prefácio, o bispo auxiliar da diocese de Lisboa, D. Januário Torgal Ferreira, «se assiste ao arrivismo de agitadores de emoções ou doutras fragilidades emocionais, como sucede em tantas instâncias no tocante à prestidigitação religiosa. São, de facto, histórias onde o real e o imaginário se cruzam em simbiose estranha, arrastando credulidades e mistérios, sonhos e medos."
(Apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito curioso.
15€

24 outubro, 2017

AS CEREMONIAS // QUE SE HAM DE OBSERVAR // no tomar do Habito // DAS NOVIÇAS // DO REAL MOSTEIRO DAS RELI- // giosas Capuchinhas do Santo Crucifixo, saõ as // seguintes. [S.l.], [s.n.], [s.d.]. In-8.º (19cm) de 44 p.
Inclui ainda: “DAS CEREMONIAS QUE SE HAM DE OBSERVAR nas Profissoens DAS NOVIÇAS” (27-44 p.).
1.ª edição.
Ilustrado com duas capitulares xilográficas e uma vinheta final.
Opúsculo muito curioso, originalmente impresso sem frontispício. Trata-se de uma espécie de manual de noviciado monástico feminino, sem referências relativas ao local de impressão, editor ou data. A composição lexical e os caracteres tipográficos utilizados sugerem tratar-se de uma obra seiscentista.
“Depois de ter feito a Noviça sua confissão geral, & ser julgada que tem as partes requisitas para a Religiaõ: a hora destinada para esta ceremonia, há de ser pela manhaã, naõ havendo razaõ forçosa para a fazer depois de jantar. A Sachristãa terá cuidado de pór hũa mesa cuberta com hũa toalha branca lavada jũto á grade, sobre a qual porá o habito da Noviça, hũa caldeirinha com hyssope, & hum Crucifixo para dar á Noviça no tempo abaxo declarado.”
(excerto da 1.ª parte da obra)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Apresenta pequenos orifícios de insecto, junto das margens, nas primeiras páginas (não afecta a mancha tipográfica).
Carimbo de posse da “Livraria Particular” de Júlio Dantas na f. rosto e noutras páginas ao longo do livro.
Raro.
Sem indicação de registo na Biblioteca Nacional (BNP).
35€
Reservado