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20 março, 2024

DUARTE, Mario - OVOS MOLLES E MEXILHÕES. Besbelhotice mensal d'Aveiro. Com quatro palavras de Fialho d'Almeida. N.º 1 - Março de 1893. Aveiro, Imprensa Aveirense, 1893. In-8.º (18x12,5 cm) de 32 p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de curiosíssimas crónicas satíricas relacionadas com Aveiro e os aveirenses. De acordo com a BNP, terá saído um 2.º número desta interessante publicação (Abril de 1893).
Obra abrilhantada pela apresentação de Fialho de Almeida à laia de prefácio intitulada Quatro palavras.
"A maledicencia foi dada ao homem não só como estimulo mas tambem como como distracção; porque é commentando os ridiculos dos outros que o homem aprende a corrigir os seus, e é deformando a monotonia da vida pela troça que elle consegue fugir á tristeza da realidade agreste que o rodeia. N'esta conformidade, e sem por forma alguma pensarem em crear para a ironia formas imprevistas, vão os redactores d'este jornal tentar um esforçosinho de má lingua que os ajuda a romper a atomia sentimental das terras pequenas, a sorrir á mocidade o seu riso sceptico e vermelho, e a espicaçar o bicho proximo com a garrocha do escarneo, unica que hillaria a trincheira e resigna a saude pela explosão d'uma franca carcachada.
Quando se diz que os Mexilhões e Ovos molles são um jornal de maledicencia, bom será presupôr que os redactores não abdicam, pelo facto de caricaturistas, do seu papel de cavalheiros, nem tam pouco estão dispostos a tomar maledicencia no sentido peor de diffamação. Alli esta por exemplo aquelle proprietario obeso, com a barba e a bossalidade em passa-piolho sob o queixo, legitimo filho da rotina soez do burgo que o aviscondalhou nas ultimas eleições.
Alli está aquella langorosa menina, educada a pão com manteiga e a folhetins francezes, e affeita a decipar á familia a charada pornographica do Pimpão..."
(Excerto de Quatro palavras)
"A medida policial prohibindo a permanencia do sexo forte juncto ao chafariz dos Balcões, veio tirar ás sopeiras uma garantia, que embora não prevista na Carta, tinha já fóros tão tradiccionaes e tão antigos, que só uma injusta lei poderia revogar.
E quando ellas ainda no comprimento de um dever vêm procurar allivio ás suas magoas, tentando distrahir-se na conversa geral da fonte, ponto obrigado de bisbilhotice, encontram-se privadas d'um dos seus mais divertidos passatempos!!"
(Excerto de Outra vez a policia e as sopeiras)
Summario:
Simphonia da Primavera | A Policia e os cães | A serração da Velha | A eleição da Commissão districtal | Socorros a Naufragos | Exportação de laranjas | Tres livros novos: o Piano, Ensaios e Tristia | Outra vez a policia e as sopeiras | Algumas palavras a proposito de uma moldura | A Feira de Março.
Mário Ferreira Duarte (Anadia, Arcos, 1869 - Aveiro, 1939). "Nasceu em Anadia. Radicou-se em Aveiro onde exerceu as funções de funcionário público, como director de Finanças. Foi casado com a Baronesa da Recosta, D. Maria Teresa de Melo que, para a época, era uma notável desportista. Foi praticante de hipismo, automobilismo, ciclismo, ténis e golfe. Mário Duarte foi um apaixonado pelo desporto em geral praticando com grande mestria o futebol, o golfe, o ciclismo, a ginástica, o ténis, o remo, a vela, a natação, a esgrima, a luta greco-romana, a halterofilia e o tiro. Era o que se poderia considerar um verdadeiro “sportsman”. Em 1898, no Campo Pequeno até brilhou como toureiro. Tal polivalência desportiva conferiu-lhe reconhecimento público. Em 1905, num plebiscito organizado pelo jornal “ Os Sports” foi eleito o “desportista mais completo de Portugal”. Foi fundador da Associação de Futebol de Aveiro e presidente, por diversas vezes, do Congresso da Federação Portuguesa de Futebol. [Deu o seu nome ao antigo Estádio Municipal de Aveiro do Sport Clube Beira Mar de Aveiro]. Obra bibliográfica: Em 1893 editou a publicação Ovos-Moles e Mexilhões que se subintitulava Bisbilhotice Mensal de Aveiro. Um dia, um dos seus filhos, Francisco Duarte, dele escreveu que o pai “o tinha ensinado, assim como aos seus irmãos, a perder sem azedume ou a ganhar sem ofender o vencido”."
(Fonte: Silva, Carlos Alberto T. Soares da - A História da Natação Portuguesa. Os percursores da natação em Portugal : dos seus inícios até à implantação da República - 1910, FPN, 2017)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas de brochura frágeis, com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
Peça de colecção.
35€

01 agosto, 2017

ROSMANINHO, Nuno - ANADIA DURANTE A PRIMEIRA REPÚBLICA (1910-1926) : o poder local. Anadia, Edição da Casa Rodrigues Lapa : Patrocínio da Câmara Municipal de Anadia, 1993. In-4.º (23cm) de 253, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Livro ilustrado no texto com quadros, gráficos, tabelas, mapas e fotografias a p.b., algumas em página inteira.
"Decidimos estudar a Primeira República (1910-1926). E, dentro deste período, tendo em conta as fontes disponíveis, incidimos a análise sobre o poder local. Começámos por observar a consistência e historicidade do concelho de Anadia e a sua integração regional, delineando depois, nos trêcapítulos finais, os limites em que o poder local se inseriu durante este período: a luta entre monárquicos e republicanos; as vicissitudes de implantação do novo regime; o absentismo e a instabilidade administrativa; as relações com o poder central; a manifestação de uma ideologia coerente em relação a aspectos diversos, como ordem, progresso, liberdade, mendicidade, instrução pública, desenvolvimento, etc.; as dificuldades económicas. [...]
Ao estudarmos o poder local em Anadia, quisemos, mais simplesmente, equacionar as linhas de oposição, ideológica e prática, entre monárquicos e republicanos e verificar, na recepção à ditadura militar instaurada pelo golpe de 28 de Maio de 1926, a apreciação feita aos dezasseis anos de República."
(excerto da introdução)
Nuno Rosmaninho (n. 1964). "É professor auxiliar com agregação do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, para onde entrou como assistente estagiário em 1991. Licenciado em História, variante de História da Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1987), onde também realizou o mestrado em História Contemporânea de Portugal, com tese intitulada Historiografia Artística Portuguesa: De Raczynski ao dealbar do Estado Novo (1993), e o doutoramento, intitulado O Poder da Arte. O Estado Novo e a Cidade Universitária de Coimbra (2002), publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra em 2006."
(fonte: http://www.ua.pt/cllc/page/21074)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível