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27 outubro, 2026

REVISTA DE CULTURA AÇORIANA.
Lisboa, Ano I, n.º 1, 1989. Director Eduíno de Jesus. Lisboa, Casa dos Açores, 1989. In-4.º (23x16 cm) de 191, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Publicação periódica, efémera, editada pela Casa dos Açores de Lisboa e dirigida pelo ensaísta, crítico literário e poeta açoriano Eduíno de Jesus.
Trata-se do primeiro número desta revista de assuntos açorianos que conheceria apenas mais dois números, publicados, respectivamente, em 1990 - o n.º 2, e 1991 - o n.º 3.
Ilustrado no texto com desenhos e reprodução de gravuras e fotografias antigas.
"A 3 de Novembro de 1534, pontificando em Roma Paulo III, foi criada a diocese de Sancti Savatoris, na cidade de Angra, Ilha Terceira (Açores), pela bula Aequum reputamos.
Para a sua consecução largamente contribuiu o espírito cristão e os meios diplomáticos do governo do grande Rei que foi D. João III, cognominado o «Piedoso».
Documentos antigos fundamentam a ideia de que uma diocese nas Ilhas atlânticas proviria, pelo menos, já desde o ano de 1528, em que fôra feita mercê régia a D. António de Azevedo Coutinho do bispado das ilhas Terceiras.
Eram estas parcelas na primeira metade do século XVI já tão povoadas de muitos fidalgos, cavaleiros e escudeiros, com muitas e grandes fazendas, mercadores, e de grande riqueza - assim se expressava o Rei D. João III ao seu enviado diplomático junto da Santa Sé D. Martinho de Portugal. - invocando ainda o «muito grande acrescentamento que é feito nas ilhas Terceiras que são tantas e tantas legoas de meus regnos»."
(Excerto de A diocese de Sancti savatoris dos Açores : sua origem)
Sumário:
Da diocese de Sancti Savatoris dos Açores. Sua origem, por Valdemar Mota | Dois textos de Luís Ribeiro e Francisco de Lacerda, sobre o Cancioneiro Açoriano, por J. M. Bettencourt da Câmara | Polícias e Ladrões, por Luiz Fagundes Duarte | Um Poeta Açoriano do séc. XVII: D. Fradique da Câmara e Toledo. Breve Notícia da sua vida e obra | Um jantar no séc. XVIII em casa do Morgado Açoriano José Street de Arriaga, em Carnide, contado por William Beckford | Emigração Clandestina dos Açores para o Brasil no séc. XIX, por José Guilherme Reis Leite | Antero de Quental e Sousa Martins, por Ana Maria Almeida Martins | Um poema açoriano de Junqueiro?, por António Manuel Couto Viana | Os Açores Vistos por Lady Brassey, por Maria dos Remédios Castelo Branco | Alice Moderno e a condição feminina, por Maria da Conceição Vilhena | Miguel Alvim, Biografia e alguns inéditos, por Eduíno de Jesus | Aspectos poéticos e Ontológicos de um poema de Vitorino Nemesio, por Eduardo Ferraz da Costa | Algumas considerações sobre a sociedade açoriana contemporânea, por António Brandão Moniz | Poesia | Oh. Zé Petinga, conto, por Diniz da Luz.
Exemplar em brochura, bem conservado. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e insular.
20€

19 julho, 2026

CAMARA, Manuel da -
ANTERO DE QUENTAL E A SUA MORTE
. Ponta Delgada, Edição do Diario dos Açores, 1930. In-8.º (22,5x17 cm) de 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo anteriano sobre o grande vate micaelense, na vida e na morte. O autor testemunhou as derradeiras aparições do poeta em casa do avô, médico, o último que Antero, em desespero, consultou, e que coincidiram com os seus últimos dias de vida. Manuel da Câmara reproduz os diálogos de Antero com um seu amigo, retido na cama em casa do médico, dando expressão sentida às as suas desesperações e amarguras, e finalmente, na véspera, à ideia madura do suicídio que viria a cometer horas depois.
"Antero de Quental e a sua Morte (1930) é uma obra ensaística de Manuel da Câmara, que analisa as circunstâncias e o pensamento filosófico que culminaram no trágico desfecho do poeta. O livro reflete sobre a depressão e a "filosofia da morte" do autor Antero de Quental. A 11 de setembro de 1891, após regressar à sua ilha natal e mergulhar num profundo estado de depressão (agravado por distúrbios de saúde mental), o poeta pôs termo à vida num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada. A obra contextualiza esse acto voluntário não apenas como um drama pessoal, mas como o culminar da evolução intelectual e espiritual de Antero, figura cimeira da Geração de 70." (IA)
Obra rara e muito interessante, ilustrada no texto e em página inteira com fotogravuras reproduzindo retratos do Poeta e locais relacionados com o assunto.
"[...] Os amigos e quantos privaram com Antero nunca duvidaram do inalterável equilíbrio entre as suas ideias e os seus actos, e sempre lhe reconheceram os altos "sentimentos correspondentes á evolução do pensamento", numa lógica seqüência incompatível com a loucura, ainda que qualificada de genial. E, se a sua vida, enquanto a dispepsia o poupou, foi espelho do mens sana in corporo sano, como é possível classifica-lo nos quadros da neurologia e da psiquiatria?
Ora êste pobre opúsculo - onde, a par das velharias algumas coisas novas se dizem, umas e outras indispensáveis ao nosso propósito - pretende demonstrar:
1.º - Nenhuma enfermidade mental ou nevrasténica de nascença influiu na vida ou na morte do Poeta;
2.º O Poeta contraíu uma dispepsia com conseqüências nervosas, profundamente neurastenizante nos últimos dias que viveu, donde resultou o suïcídio.
Mas, para Antero se decidir ao suïcídio, duas grandes batalhas se travaram:
A do pessimismo - relativo á incurabilidade da doença, visionada a caminho da loucura - contra o experimentado estoicismo do gigante,, vencido pela primeira e última vez; a do gigante contra os seus sentimentos morais, irreconciliáveis com a ideia de se matar, batalha da qual, infelizmente, saiu vencedor.
Isto me proponho provar..."
(Excerto da Dedicatória)
"Certo dia, verão de 1891, atravessava eu a saleta da casa de meu Avô materno quando divisei na transparência da porta envidraçada, entrada principal do edifício, um vulto de gigante a estender a mão para a campainha que não chegou a soar, por eu ter acudido lesto a abrir.
O gigante entrou.
Nunca o tinha visto, em carne e osso, mas logo o reconheci, pois o seu retrato, inconfundível, andava em ilustrações e nos albuns da minha família.
Era Antero de Quental - alto como um choupo; fronte desafogada e espaçosa; a cabeleira, que já não era a juba da leonina da juventude a encurtecer-lhe a testa, ainda loura; a barba, loura também, virgem de navalha, apenas retocada pela tesoura; a expressão severa, adoçada pelo azul puríssimo dos olhos onde resplandecia uma ascese de santidade.
E, enquanto eu o encarava, numa admiração pasma, o gigante quebrou o silêncio com estas palavras sonoras:
- "Conheci-te pelo olhar, por outra coisa não". és filho de João Luís. Vai chamar teu avô, o doutor José Pereira Botelho."
(Excerto do Cap. I)
Manuel da Câmara Velho de Melo Cabral (Lagoa, São Miguel, 1869 - Ponta Delgada, 1939). "É principalmente conhecido com o nome abreviado de Manuel da Câmara, com que publicou muita da sua obra. Funcionário da Fazenda Pública e Secretário de Finanças na Horta. Foi jornalista, escritor e político sendo hoje conhecido como contista. Deu início à vida literária nos jornais da sua cidade natal, no fim do século e foi, em Lisboa, redator do Jornal de Lisboa, dirigido pelo micaelense Armando da Silva, frequentando na capital a boémia elegante. Acabou por regressar às ilhas e ingressar no funcionalismo público, na área das Finanças. Na Lagoa, onde foi administrador do concelho, fundou o Vigilante, em 1905 e em Ponta Delgada, O Distrito. Parte da sua vida foi passada na cidade da Horta, onde foi nomeado governador civil durante o consulado sidonista (1918-1919).
Na sua obra literária é-lhe reconhecida uma prosa elegante e esmerada que usou nos contos e narrativas de temática regional. J. G. Reis Leite (Mar.2001)"
(Fonte: https://arquivos.azores.gov.pt/descriptions/1813203)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenos cortes de papel marginais.
Raro.
30€

12 junho, 2026

BEAU, Albin Eduard -
ANTERO DE QUENTAL E A IDEA DA MORTE. Por...
Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da Coimbra Editora, Limitada], 1935. In-4.º (25x16 cm) de 20, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio anteriano sobre a ideia da Morte, e como esta vai influenciar a vida e o trabalho do Poeta.
Antero de Quental e a idea da morte, publicado pelo germanista e professor Albin Beau em 1935, analisa a evolução do pensamento do poeta português.
Beau explora como a reflexão de Antero sobre a finitude se transforma numa "filosofia idealista da morte", vista não como tédio mórbido, mas como libertação e fusão com o infinito. (IA)
Obra invulgar e muito interessante. 
"O combate espiritual travado entre os dois Anteros, o luminoso e o nocturno, marca o início da Modernidade na literatura portuguesa: o seu drama pessoal e a profunda crise de consciência encontraria, através da reflexão filosófica, a resposta para questões metafísicas como o Ideal, a Morte, a Verdade. A sua «Filosofia idealista da Morte» veicula uma aspiração positiva e libertadora, ultrapassando a ideia pessimista e mórbida, e revela um percurso evolutivo desde uma impressão negativa até à ansiada liberdade no infinito. Questionando a existência e o mistério do Além e confessando o seu tormento íntimo e a sua inquietação, Antero medita na ideia da Morte aliada à concepção do bem, da liberdade ou do amor, recorrendo ao sonho como forma de estabelecer comunicação com a profundidade e os segredos do universo." (Guerreiro, Emanuel, A ideia da morte nos Sonetos de Antero de Quental, FCHS-UA, 2008)
"Quando Antero de Quental, nas notas para o Ensaio sôbre as bases filosóficas da moral ou filosofia da liberdade, chegou a considerar «a idea da Morte a base da vida moral», tal pensamento já era o fruto - se bem que ainda não o definitivo ponto de chegada - dum longo e variado desenvolvimento sentimental e intelectual.
A Morte, quer contemplada ou sentida como fenómeno natural, quer cantada como visão poética, quer encarada e pensada como problema filosófico e metafísico, constitui um tema integrante do seu pensar, sentir e poetar, atravessando a sua obra, desde as primeiras poesias até as últimas manifestações que lhe conhecemos."
(Excerto do Ensaio)
Albin Eduard Beau (Hamburgo, 1907 em Hamburgo - Coimbra, 1969). "Foi um filólogo alemão, romanista e lusitano. Em 1930 tornou-se professor de alemão no Instituto Alemão da Universidade de Coimbra. Foi  Secretário-Geral do Instituto Alemão de Cultura em Lisboa."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/78435)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas. Interior correcto.
Muito invulgar.
20€

16 maio, 2026

CORRÊA, António de Albuquerque Jácome -
UMA VIAGEM AO ORIENTE.
[Prefácio de J. Almeida Pavão]. Ponta Delgada, Edição e Propriedade do Autor, 1984. In-8.º (22x15 cm) de 79, [1] p. ; [14] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa da viagens que o autor empreendeu pelo Oriente "português" e outras paragens visitadas pelos portugueses nessa zona do globo.
Livro publicado em Ponta Delgada, por certo com tiragem reduzida, valorizado pelo extenso preâmbulo do Prof. José de Almeida Pavão (1919-2003), vulto incontornável da cultura micaelense.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com 14 fotografias a cores dos locais visitados em folhas separadas do texto, impressas sobre papel couché.
"O nosso velho e muito apreciado Amigo, Dr. António de Albuquerque de Jácome Corrêa, homem muitíssimo viajado e culto, quis distinguir-nos com a honra de prefaciar este livro, que intitulou Uma Viagem ao Oriente.
Concebida em hora feliz a ideia de tal publicação, devemos confessar que o interesse que nos suscitou a sua leitura se transformou em entusiasmo, de molde a o termos «devorado» quase de uma só vez. E, ao chegarmos ao fim, um só pesar nos ficou: o de ter sido tão curta a narrativa de uma matéria tão rica e tão variada de cambiantes, qual deles o mais curioso e original. É que o Oriente se constitui, na verdade, num alfobre inesgotável de exotismo que, sem excluir certos aspectos negativos, que o autor não deixa por vezes de salientar, aparece nimbado de uma beleza estranha - mas é sempre beleza - à sensibilidade do ocidental. E o exótico - não é preciso reafirmá-lo - é fonte perene de encantamento, correspondente àquela atracção natural do homem pelo que é diferente do seu mundo, daquele mundo em que vive, no espaço e no tempo."
(Excerto do Prefácio)
António de Albuquerque Jácome Correia (Ponta Delgada, 1922-1996). "Foi um veterinário, dirigente corporativo da lavoura e político. Veterinário municipal do Concelho da Lagoa até à sua aposentação, foi durante muitos anos presidente do Grémio da Lavoura do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi vogal da Junta Regional dos Açores para a agricultura, pesca e indústria e deputado à Assembleia Regional dos Açores (1976-1980) eleito nas listas do CDS pelo círculo eleitoral da ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. Ex-libris do autor impresso no verso da folha de dedicatória.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

20 março, 2026

VICTÓRIA, Margarida -
AMORES DA CADELA "PURA".
Volume I. Confissões. [Volume II. Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa]. Lisboa, Bertrand Editora : Chiado, 2004. 2 vols in-4.º (23x15 cm) de 291, [1] p. ; [8] p. il. (I) e 188, [20] p. il. (II) ; B.
1.ª edição.
Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa, mulher irreverente, cosmopolita, à frente do seu tempo, viveu em São Miguel, Lisboa, Paris e no Cairo. Obra completa, em dois tomos. O primeiro volume teve edição em 1976, sendo o segundo inédito, editado apenas em 2004, postumamente.
Obra ilustrada com inúmeras fotografias distribuídas por 28 páginas extra-texto: 8 no 1.º volume; 20 no 2.º volume.
"Margarida Victória nasceu em Ponta Delgada em 1919, no seio de uma aristocrática e abastada família.
Estas confissões são um relato apaixonado e pungente de uma vida de encontros e desencontros.
Corajosamente verdadeiro, Amores de uma Cadela "Pura", é sem dúvida um grande documento humano."
(Retirado da badana anterior)
"Margarida Victória Borges de Sousa Jácome Correia nasceu em Ponta Delgada, em 31 de Março de 1919, no seio de uma aristocracia e abastada família açoriana. Com uma infância dominada pelos fortes traços do carácter do pai, o Marquês de Jácome Correia, e pela formação ultraconservadora da mãe, Margarida Victória cresceu quase entregue a si própria e viria a prender-se muito cedo a um casamento irremediavelmente condenado. A partir daí a vida de Margarida Victória foi um constante laboratório das mais ímpares experiências humanas, umas envoltas pelo véu de um romantismo exótico, fantástico e cosmopolita, outras eivadas de um entendimento terno e simples, onde o denominador comum residia sempre numa forte cumplicidade e numa natural adesão a espíritos cultos e sensíveis. Margarida Jácome Correia, Margarida Victória, Marquesa de Jacóme Correia ou, simplesmente, para muitos da sua Fajã natal, a marquesinha, soube resistir à força das convenções, dos espartilhos rígidos e das razões preconcebidas."
(Fonte: Wook)
"O livro de memórias de Margarida Victória tem o título forte e original de Amores de uma Cadela "Pura". A sua leitura suscita várias interrogações: é a confissão de uma vida? o auto-retrato de uma mulher infeliz? a autópsia de uma família? a denúncia de uma época e de um lugar, a sociedade fechada e hipócrita da ilha de São Miguel? É, de acto, isto tudo. E o segundo volume com o mesmo título, até agora inédito, vem completar o itinerário recordado desta mulher invulgar. Do que ela foi, do que quis ser ou do que a obrigaram a ser. Haverá diferenças ou aproximações entre a Cadela Pura (e os seus amores) e a Macaca de Fogo, última musa de Vitorino Nemésio, celebrada nos seus derradeiros poemas, envolvidos com as chamas de um amor tardio mas vulcânico?"
(Excerto de Retrato (incompleto) de Margarida Jácome)
Margarida Jácome Correia (Ponta Delgada, 1919 - Lisboa, 1996). "Detentora de grande beleza, de forte personalidade, e de considerável fortuna familiar, Margarida Vitória Borges de Sousa Jácome Correia, Marquesa de Jácome Correia ou, para o povo da Ilha de S. Miguel, A Marquesinha, era filha de Aires Jácome Correia, marquês de Jácome Correia, e de Dona Joana Chaves Cymbron Borges de Sousa. Cultivou relações com personalidades importantes do meio cultural português, designadamente os escritores Armando Côrtes-Rodrigues, com quem foi casada, Domingos Monteiro, Hernâni Cidade, Natália Correia e Vitorino Nemésio.
A sua vida afetiva, recheada de acidentes por vezes dramáticos, por vezes pitorescos, atingiu contornos escandalosos para os padrões portugueses e sobretudo insulares da época. Foi através de Côrtes-Rodrigues que Margarida Vitória conheceu Vitorino Nemésio, que por ela se apaixonou, vivendo os dois uma relação amorosa de enorme intensidade que durou até à morte de Nemésio e que este registou nos poemas que viria a reunir no livro Caderno de Caligraphia. Encontram-se ecos desta relação nas memórias de Margarida Vitória, o polémico Amores de Cadela «Pura»: confissões, cujo primeiro volume (1976) foi escrito com o apoio de Vitorino Nemésio – e sobretudo no segundo volume, concluído pouco antes da morte da autora e que só viria a ser publicado em 2004."
(Fonte: https://www.agendalx.pt/events/event/margarida-jacome-correia/)
Exemplares em brochura, bem conservados.
Esgotado.
35€

02 março, 2026

LOUREIRO, Augusto -
A BRUXA. Scenas Açorianas.
Com um prefacio de Armando da Silva. Lisboa, Antiga Casa Bertrand - José Bastos, 1901. In-8.º (19,5x13,5 cm) de [2], 208, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Romance curiosíssimo, cuja acção decorre na Candelária, pitoresca povoação localizada no interior da ilha de S. Miguel, Açores. Inicialmente, em 1876, foi incluído num livro de contos com o título O Cego. Mais tarde, em 1882, substancialmente aumentado, foi publicado em folhetins no Diário de Notícias. Finalmente, em 1901, foi dada aos prelos esta versão, corrigida e aumentada, que não deixa de ser uma primeira edição, tantas são as alterações, na forma e no conteúdo, entre cada uma das versões.
Obra ilustrada com o retrato do autor em folha separada do texto.
"A Bruxa é o romance da vida das nossas aldeias açorianas, que o auctor estudou conscienciosamente: Os seus typos, a sua linguagem, os seus costumes são lidimos açorianos. Porventura algum dos seus personagens - permitta-me o meu caro Loureiro a indiscripção, - viveu em carne e osso antes de ser transportado para o livro. O regedor foi professor de latim do auctor, o cura seu companheiro de caçadas; a doida e o cego existiram tambem.
Além d'isso, o theatro onde o drama se desenvolve é bem nosso conhecido. É uma pequena povoação interior da ilha de S. Miguel, a Candellaria, com pouco mais de um milhar de habitantes. Os montes que se elevam do lado direito, com a sua encosta coberta de Calluna e Sphagnos, vão terminar nas cumieiras das Sete Cidades, essa pérola de purissimo Oriente encravada n'um annel de elevadas paredes volcanicas, cuja rudesa amacia a vegetação luxuriante dos Chryptomerias.
Fóra dos typos, fóra da paizagem, temos ainda na Bruxa uma descripção de varios dos nossos costumes. A ethnologia michaclense está egualmente estudada com amoroso cuidado. As festas do Espirito Santo, transformação de velhos cultos polytheiistas, com o symbolo phallico da pomba, desapparecidos de todo no continente desde o fim do segundo quartel do seculo passado, mas mantendo-se ainda vivas, nas ilhas, no Brazil e na India portugueza os usos nupciaes locaes, restos mais caracteristicos da phase social primitiva, que como todos os usos que se referem á familia, se conservam pela lei da persistencia, resistindo tenazmente contra todos os obstaculos assimilações, lá estão fielmente descriptos, pela habil mão do escriptor que é Augusto Loureiro, no seu romance açoriano.
Tudo isso: typos, paizagens, costumes, entrelaça-se n'uma historia idyllica de amor. Não ha, não póde haver romance sem amor, porque o amor é que dirige o mundo e é o mobil da maior parte das acções humanas.
Effectivamente a Bruxa é um lindo romance, de um entrecho docemente commovedor, de linguagem agradavel, e cuja leitura se pode recommendar com affoutesa."
(Fonte: https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1902/N832/N832_master/N832.pdf) 
"Na aldeia havia um ancião, cuja idade, nem elle proprio sabia contar. Inquerido a este respeito, respondia:
- O que sei dizer é que quando entraram aqui os da Terceira, eu não fui obrigado a pegar em armas e a marchar para a acção da Ladeira da Velha, porque havia muito que eu passára da idade.
De tão severa moral e firmeza de caracter, como de bondoso coração, este homem era por todos estimado: iam consultal-o, não sómente em assumptos agricolas, mas em negocios e pendencias domesticas. Tratavamn'o sempre por tio Lourenço, nome pelo qual era geralmente conhecido.
O tio Lourenço estava invalido para todo o trabalho: alquebrara-lhe as forças, tolhera-lhe os membros, o maior inimigo dos velhos - o rheumatismo gottoso, molestia que muito tempo o havia prendido em casa, quasi sempre estatelado sobre o leito. Em quanto forças teve para lutar com tão implacavel inimigo, mesmo já adoentado, labutava sempre. Enviuvára cedo; e do matrimonio houvera uma unica filha a quem dedicava todos os affectos do seu coração."
(Excerto do Cap. II)
Augusto César de Sampaio Loureiro (1839?-1906). "N. Ponta Delgada, 2.1.1839 ? m. ibid., 4.9.1906]. Poeta e contista. Como poeta, deixou algumas líricas que o têm colocado entre os seus pares açorianos da última geração romântica. Como contista, foi o primeiro, nos Açores, a retratar ambientes e personagens predominantemente rústicos (cf. Silveira, 1977: 139). Tem prosa e poesia dispersas por jornais dos Açores e de Lisboa, onde viveu algum tempo.
Em Ponta Delgada e em Lisboa, dirigiu, redigiu ou foi proprietário dos jornais Gazetilha semanal (1864-?), Jornal de notícias (1871-1875), Revista universal: jornal dedicado aos interesses das ilhas adjacentes e provincias ultramarinas (1877), O figaro: diario portuguez e brazileiro (1881-1884), Os Açores (1904), e O Heraldo.
Era funcionário da Alfândega.
Obras. (1866), Chegada do Exmo. actor Francisco Alves da Silva Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1866), Adeus a Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1868), Justiça de Deus. Ponta Delgada, Typ. do Ecco Social [drama]. (1868), Hymno da banda marcial denominada Lealdade de Vila Franca do Campo [ms.], Ponta Delgada, s.e.. (1869), À Beira-Mar: contos, phantasias e digressões. Lisboa, Luso Britannica [contos]. (1872), Almanaque para todos para 1973. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1873), Almanaque para todos para 1974. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1874), Almanaque para todos para 1975. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1875), Á Mme. Marie Pavoni Moretti dans as fête: au theatro michaelense. S.l., s.e.. (1876), Serões de Inverno. Ponta Delgada, Ed. do Autor [contos]. (1895), Hymno dedicado ao exmo. snr. João Lourenço da Silva [ms.]. Rabo de Peixe, s.e.. (1897), Biografia do Dr. Caetano de Andrade, A Actualidade, Ponta Delgada, n.º 66, 4 de Abril. (1897), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901, Ibidem, 20 de Julho [Ponta Delgada, Typ. A Vapor de Ferreira]. (1897), Perfil de Francisco Peixoto da Silveira, Ibid., 24 de Outubro. (1898), Perfil de Maurício Bensaúde (Moisés Bensaúde), Ibid., 6 de Março. (1901), A Bruxa, scenas açorianas. Lisboa, José Bastos. (1901), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901. Ponta Delgada, Typo-Lyt. A vapor de Ferreira & Cª. Typ. A Vapor de Ferreira.
Traduziu: (1872), Pagem ou flor de Maio de Ponson du Terrail. Ponta Delgada, Imp. Commercial e (1890), Bianca Cappello de Thomaz Anquetill. Lisboa, Typ. Portugueza."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=8251)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Assinatura de posse data na capa frontal.
Raro.
Indisponível

08 novembro, 2025

NÉVES, Alvaro -
EUGÉNIO DO CANTO : notícia bio-bibliográfica. Por... 1.° Oficial  da Biblioteca da Academia.  Lisboa, Academia das Sciências de Lisboa, 1916. In-4.° (25x16,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico de Eugénio do Canto, ilustre micaelense devotado à cultura - ao ensino e aos livros.
"Na galeria dos mais beneméritos bibliófilos tem logar o nobre micaelense Sr. Eugénio do Canto que ao seu brazão de armas adicionava o timbre de excessiva modéstia. E, porque foi modésto em extremo, da sua vida nunca a imprensa denunciou pormenores de filiação, ou acentuou a grandiosidade da sua obra. [...]
Por sua iniciativa foi creado o posto meteorológico de Ponta Delgada, sendo nomeado seu director, cargo que desempenhou graciosamente. São dessa época os apontamentos publicados no Archivo dos Açores, sem revelação de autor.
Quando no outono da vida tinha jús a repouso, empreendeu empresa tão grande e prestimosa que o seu nome jámais se esquecerá dentre os rarissimos bibliófilos que às letras pátrias e à história prestaram valiosissimo concurso.
Essa obra consistia em reproduzir - na maioria - fotólitográficamente sumas raridades bibliográficas respeitantes à gloriosa época do início das descobertas marítimas dos portugueses."
(Excerto do Preâmbulo)
Eugénio do Canto (1836-1915). "Natural de Ponta Delgada, filho de José Caetano Dias do Canto e Medeiros e de sua 2.ª mulher Francisca Vicência Botelho. Casou com Maria Brum do Canto. Bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra, foi Guarda-mor da Relação dos Açores, professor e reitor do liceu de Ponta Delgada. Distinto bibliófilo, realizou a publicação de muitas espécies existentes em várias bibliotecas da Europa que interessavam a Portugal."
(Fonte: https://www.icpd.pt/arquivo/ver.php?id=21)
António Álvaro Oliveira Toste Neves (1883-1948). "Foi bibliógrafo, escritor e jornalista. Exerceu o cargo de primeiro oficial da biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa. Foi diretor da Iconografia Portuguesa. Deu continuidade, a partir de 1916, ao Dicionário Bibliográfico Português de Inocêncio Francisco da Silva. Colaborou no almanaque Ocidente, nos jornais Diário de Notícias e Novidades."
(Fonte: https://www.arquivoalbertosampaio.org/details?id=21054)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

06 novembro, 2025

SILVA, Ezequiel Moreira da -
CRAVOS E ALCACHOFRAS
. Lisboa, Tip. Hnrique Torres, [192-]. In-8.º (21x13 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética devotada aos Santos Populares da autoria de Ezequiel da Silva, empresário micaelense, inventor da farinha Serpentina, distribuída em Lisboa pela Casa Jerónimo Martins.
Folheto raro e muito curioso. Por certo seria distribuído gratuitamente para divulgação do produto. O verso da capa e contracapa foram utilizados como veículo de promoção da marca, evidenciando algum pioneirismo, optimista, mas notável: "Um récord interessante. Num mez, Lisboa inteira ficou conhecendo a palavra "Serpentina". Em trez, Lisboa inteira terá provado esta deliciosa farinha. Em seis mezes toda a gente a terá adoptado, pois chegará á conclusão de que é a melhor farinha alimenticia que se fabrica em Portugal."
"Ezequiel Moreira da Silva (1893-1974), um açoriano apreciador deste produto, uma raiz, a serpentina (conhecida no continente como «jarro dos campos», pela semelhança com a flor decorativa a que chamamos «jarro»), que provém de uma planta altamente tóxica (sim, tão tóxica que já foi usada como rodenticida), mas que, depois de um longo tratamento (limpa, raspada, lavada, cozida, ralada, coada, demolhada, secada) é transformada numa farinha que já foi muito conhecida e ampla mente comercializada, até aos anos 30 do séc. XX, viu as suas potencialidades comerciais e, da mesa dos mais desfavorecidos, foi exportada para a dos abastados, com muito sucesso. Na caixa do produto, vendido, então, nos Armazéns do Chiado, as suas qualidades eram realçadas («Um alimento delicioso para creanças, para adolescentes, para toda a gente!»), destacando-se as «Conclusões da análise do Prof. Charles Lepierre: farinha tipo fécula de composição normal, bem preparada, semelhante à de arrow-root. Pode entrar na alimentação corrente. Poder alimentício – 3.500 calorias por kilograma»."
(Fonte: Nogueira, Adriana - Percorrendo as capelinhas: comida e afetos, Cultura.Sul, 2014)

"Na noite de S. João,
A mais linda deste mez;
Quem não sente um amôr novo
Não é um bom portuguez.

Nesta noite tão bonita,
Mais do em outra qualquer,
Anda uma chama a arder
No coração da mulher."

Até o pobre velhinho
Desfolhando uma ilusão,
Sente o calor dum carinho
No fundo do coração.

Raparigas de Lisboa
De corpo airoso e bem feito:
Uma flôe em cada rôsto,
Uma chama em cada peito.

Cantai as minhas cantigas
Feitas ao correr da pena,
Sôbre os cravos de papel
Destas noite de Verbena."

(Excerto de Cravos e Alcachofras)

Ezequiel Moreira da Silva (1893-1974). "Empresário, natural de Ribeira Grande, ilha de São Miguel, trabalhou e residiu em Lisboa, na cidade da Horta e na cidade natal onde veio a falecer."
(Fonte: https://acores.rtp.pt/comunidades/ezequiel-moreira-da-silva-marinheiros-do-pico-c-audio/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
25€

11 setembro, 2025

MODERNO, Alice -
NA VESPERA DA INCURSÃO.
Peça em um acto. Ponta Delgada, Typ. editora A. Moderno, 1913. In-8.º (19x12 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro de índole republicana, assente em factos momentosos na época relacionados com as incursões monárquicas no zona de Chaves.
Obra com dedicatória impressa da autora ao Doutor António Joaquim de Sousa Júnior, "Summidade scientifica consagrada nos centros mundiaes, Açoriano dos que mais alto levantam, no continente da Republica, o nome do Archipelago, 1.º Ministro da Instrucção Publica". 
Alice Augusta Pereira de Melo Maulaz Moderno (Paris, 1867 - Ponta Delgada, 1946). "Conhecida por Alice Moderno, foi uma professora, escritora, tradutora, jornalista, publicista e poetisa, que se distinguiu como feminista e activista dos direitos dos animais. Fundou a Sociedade Micaelense Protectora dos Animais, pioneira na protecção destes no arquipélago dos Açores.
Desafiando os costumes conservadores da época, apesar de ter tido a sua formação inicial em casa, falando fluentemente francês e português e sendo ensinada a ler e escrever pela sua mãe, logo no ano em que se fixou em Ponta Delgada publicou o poema "Morreu!" no periódico Açoriano Oriental a 18 de setembro de 1883, seguindo-se em 1886 a publicação do seu primeiro livro de poemas, intitulado "Aspirações", o qual foi saudado publicamente por Camilo Castelo Branco, João de Deus e Teófilo Braga. Um ano depois, Alice Moderno tornou-se na primeira jovem do sexo feminino a frequentar o ensino liceal em Ponta Delgada, durante o ano lectivo de 1887/1888, revelando não estar atrás dos seus colegas do sexo masculino classificando-se como a melhor aluna da sua turma em várias disciplinas. Assumindo-se desde muito cedo como uma mulher emancipada, ficando conhecida como uma das primeiras activistas feministas nos Açores, usava cabelo curto, roupas associadas ao sexo masculino, como calças, e terá sido uma das primeiras mulheres a fumar em público na ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior esquerdo.
Raro.
Indisponível

04 setembro, 2024

SANTOS, Carlos -
ILHAS E MARAVILHAS... Apontamentos duma viagem à Madeira e aos Açores.
Separata do Boletim do Rotary Clube de Lisboa : N.º 1 - Janeiro, 1949. [S.l.], [s.n. - Tipografia Ideal - Lisboa], 1949. In-8.º (20x13,5 cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Impressões da "viagem relâmpago" que o autor empreendeu pelo Arquipélago da Madeira e dos Açores.
"Saídos de Lisboa, no «Lima», a 8 de Setembro, chegámos na manhã do dia 10 à vista de Porto Santo, onde o barco esperou apenas o tempo suficiente para largar e tomar passageiros; poucas horas depois, desembarcávamos no Funchal. Seguimos ao anoitecer para os Açores. Em Santa Maria fomos a terra visitar o Aeroporto. Parámos em S. Miguel onde nos demorámos 6 dias. No mesmo delicioso «Lima», barco pequeno mas primorosamente civilizado, regressámos à Madeira. Esperámos aí 4 dias e viemos para o continente no «Nova Lisboa»; viagem de 20 dias ao todo, metade dos quais no trajecto de mar e apenas 10 dias em terra."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com alguns cadernos soltos. Capa apresenta manchas.
Muito invulgar.
15€

24 agosto, 2024

TORRES, José de - LENDAS PENINSULARES. Tomo I [Tomo II]. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1861. 2 vols in-8.º (19x12 cm) de [4], 277, [3] p. ; [1] f. il.  (I) e [4], 270, [2] p. (II) ; E.
1.ª edição.
Interessante colecção de lendas da história da Península Ibérica. Obra em dois volumes (completa).
Exemplar ilustrado extra-texto com o retrato do autor no vol. I, entre a f. rosto e o ante-rosto.
"Havia tres dias e tres noites que o sino prioral do convento de Santiago de Uclés vibrava lugubremente, de hora em hora, tangendo á agonia d'um moribundo.
Os habitantes consternados puderam calcular pelo dobre, que se não interrompia nem repousava, o progresso d'uma morte lenta mas imminente. Na anxiedade de todos, nas pulsações de tantos peitos se conhecia, que era grande o personagem agonisante.
Com effeito, o homem que suscitava tudo isto era gran-mestre da ordem de Santiago. Havia treze annos que D. Vasco Rodrigues Coronado governava a ordem, com impaciencia da ambição dos que lhe cubiçavam a herança da dignidade, então egual ou superior á dos reis.
Uclés era n'aquelle tempo villa populosa; o convento de Santiago era a mais insigne e poderosa das fortalezas da ordem; e a dignidade magistral uma como soberania, ricamente dotada, e obedecida por numerosas hostes."
(Excerto de Vasco Lopes, Gran-Mestre de Santiago - T. I)
"A paixão immoderada não está longe do delirio, e não é raro ver acabar por elle o que a ambição humana começára.
Tem havido emprezas, combinações politicas sobretudo, tão extraordinariamente ousadas, que mal se creram, se a irrecusavel auctoridade da historia não viesse garantil-as. D'essas taes é indisputavelmente a que em 1595 se tramou em Madrigal, no interior de Castella, onde um homem se deu, e o deram, pelo recem-perdido rei portuguez D. Sebastião."
(Excerto de Rei ou Impostor? - T. II)
Índice:
Tomo I: Vasco Lopes, Gran-Mestre de Santiago (1337) | Brazão d'Elvas  (1438) | As Alpujarras (1568) | Ticiano Portuguez (1558-1590) | Constancia de Jesuita  (1587-1608) | Olho por olho, dente por dente (1845).
Tomo II: Rei ou Impostor? (1595) | Alda (1847) | Diluvio de Luz (...?) | Nota Final.
José de Torres (Ponta Delgada, 1827 - Lisboa, 1874). "Foi um escritor e jornalista açoriano que se notabilizou como bibliófilo e investigador da história açoriana. Reuniu uma volumosa colecção de documentos relativos aos Açores, hoje na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, a que deu o nome de Variedades Açorianas, a qual constitui hoje um acervo precioso para o estudo da história e cultura açorianas. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e membro de várias sociedades científicas estrangeiras."
(Fonte: Wikipédia)
Bonita encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado à cabeça.
Raro.
85€

23 agosto, 2024

OLIVEIRA, Raposo de - NATAL. S. Miguel, Typ-Lit. Ferreira & C.ª, 1901. In-8.º (16,5x9,5 cm) de 14, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética - a segunda do autor - composta por três poesias e oferecida por este ao Barão de Fonte Bella.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Raposo de Oliveira a Fernando Pinharanda.

"Nortada fria, de gelo!

Triste quem anda pelo montado,
A estas horas, com tanto zelo,
Tanto carinho, tangendo o gado...

E o Deus Menino, risonho e loiro,
Ri para as moças, do seu altar!
Veste um vestido de seda e oiro
Que outro mais lindo não hei de achar!

Teceu-lho a Rosa - mãos de princeza!
Teceu-lho a Rosa no seu tear...
Olhem-no todos! quanta riqueza!
E é branco, branco... nem o luar!

Tem pedras finas, deslumbra a vista
De tão intenso que é seu brilhar...
- O Deus Menino, para a modista,
Hade, por certo, ter um bom par!

E um moço, ao canto, moreno o rosto,
Olhando a Rosa põe-se a cantar!
Cantando, diz-lhe com quanto gosto
Hão de ir á egreja para casar..."

(II)

Francisco Raposo de Oliveira (Ponta Delgada, 1881? - Lisboa, 1933). "Poeta e jornalista. O local de nascimento de Raposo de Oliveira tem dado origem a alguma polémica porque os nordestenses reclamam para aquela vila o seu local de nascimento, por os pais serem naturais de lá, ali terem casado e vivido algum tempo. A própria Câmara Municipal de Nordeste, por volta dos anos 50, mandou descerrar uma lápide na suposta casa onde nascera e deu o nome do poeta à respectiva rua. O facto, é que existe um registo de baptismo do mesmo em Ponta Delgada, na freguesia de S. Pedro, com data de 20 de Maio do mesmo ano, e ali viveu até aos 23 anos de idade. Raposo de Oliveira trabalhou como caixeiro, mas desde cedo revelou apetências literárias, publicando o primeiro livro de versos aos 17 anos. Em 1899, começou a trabalhar como redactor no jornal O Heraldo, para fundar e dirigir em 1902, o semanário A Nova. A convite do jornalista António Baptista, partiu para Lisboa (1904), com o objectivo de colaborar na redacção e coordenação do Álbum Açoreano.
A partir de então iniciou a colaboração na imprensa da capital. Acabou por ser redactor dos jornais Jornal das Colónias, Portugal, Diário Liberal, Diário Ilustrado, Diário Nacional e Época; foi chefe de redacção de A Vitória, Situação e A Luta; por fim, foi redactor de A República e de O Século. Com a criação do Ministério do Trabalho entrou para o quadro, em 1920. Foi um dos fundadores da «Casa dos Jornalistas», depois integrada no Sindicato da Imprensa.
A obra literária inclui poesia, ficção em prosa e teatro. Pedro da Silveira afirma que «é de entre os poetas açorianos da geração pós-simbolista, o mais açoriano de todos na temática, em especial na Via Sacra, o melhor dos seus livros. Impenitentemente romântico e sentimentalmente idealista, tinha o culto exaltado da mulher, e formalmente era parnasiano». Ocasionalmente enveredou pela poesia de carácter social.
Obras Principais. (1898), Ardentias. Ponta Delgada, s.n.. (1901), Natal. Ponta Delgada, s.n.. (1903), Orações de amor. Ponta Delgada, Tip. Diário dos Açores. (1906), Pão. Lisboa, Viúva Tavares Cardoso. (1927), Via Sacra. Lisboa, Livraria Universal de Armando. (1928), O Poeta do Só. Lisboa, Livraria Central."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=9094)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidadas. Na capa é visível a assinatura de posse de Fernando Pinharanda.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€

19 agosto, 2024

FLORES, Francisco Moita - AS MORTES DE ANTERO DE QUENTAL.
"Autópsia" de um Suicídio. Separata da Revista de História das Ideias, Vol. 13. Coimbra, Faculdade de Letras, 1991. In-4.º (23x16 cm) de 77, [1] p. (283-359 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre os acontecimentos que rodearam a morte de Antero de Quental, quer sob o ponto de vista especulativo, quer sob o ponto de vista clínico e médico-legal, incluindo as diversas teorias propostas na época e nos anos subsequentes até ao presente.
Ilustrado no texto e em página inteira com fotografias a p.b. e desenhos esquemáticos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Porque se suicidou Antero? O enigma da sua morte que explicações encerra? Como morreu este Homem, cuja obra é decisiva para a compreensão do Portugal "fin de siècle", e na perspectiva de Gaspar Simões, intérprete catalítico das pulsões complexas que a sua Geração libertou e sacudiram a trajectória cultural portuguesa? Quem morreu? Um homem doente, derrotado e destruído, ou um filósofo inacabado ou um místico confiante numa escatologia imanentista da Morte? Ou então, citando Sousa Martins: "Foi livre Antero, na escolha do momento? Foi livre, ao menos, na escolha do processo da morte?"
Por fim, uma última questão: o suicídio do poeta-filósofo é um mero instante, um episódio, ou terá sido o epílogo de uma vida que se consumiu em suicídios sucessivos, entendidos como amputações conscientemente autodeterminadas, num processo de conflitualidade dialética entre os limites temporais de existência e a necessidade da apreensão metafísica da sua própria essência?"
(Excerto de Algumas interrogações prévias)
Índice:
Algumas interrogações prévias | 1. A morte biológica de Antero de Quental: 1.1. A tomada da decisão suicida; 1.2. O Suicídio; 1.3. Após a Morte. 2. As doenças de Antero. 3. Um suicídio feito de muitos suicídios: 3.1. Da recusa do suicídio à aceitação da morte; 3.2. O caminho para o suicídio; 3.3. Entre o "Programa da Morte" e a "Morte de um Programa"; 3.4. O "Suicídio" do Poeta; 3.5. O último combate de Antero. 5. Morte de homem. 6. A ressurreição de Antero. | Fontes e Bibliografia: I - Fontes manuscritas; II - Fontes Impressas; III - Obras Consultadas. | Apêndice: Entrevista Francisco Costa Santos; Entrevista Jorge Costa Santos.
Francisco Moita Flores (1953). "Nasceu em 1953 em Moura, Alentejo. Formou-se em Biologia e foi professor secundário antes de ingressar na Polícia Judiciária em 1978. Trabalhou na PJ até 1990 investigando furtos, assaltos e homicídios. Mais tarde voltou à PJ como diretor e participou do programa Casos de Polícia da SIC. Licenciou-se em História e desenvolveu uma carreira de sucesso como escritor, tendo recebido vários prémios em Portugal."
(Fonte: https://pt.slideshare.net/slideshow/francisco-moita-flores/13220970)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
35€

12 agosto, 2022

MENEZES, General Manuel de Sousa - A DEFESA DOS AÇORES DURANTE A II GUERRA MUNDIAL (1939-1945).
Pelo...
Lisboa, Estado-Maior do Exército : Direcção do Serviço Histórico Militar, 1988. In-4.º (23 cm) de 133, [1] p. ; [4] mapas desdob. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio histórico-militar sobre o esforço de guerra português na defesa da integridade territorial dos Açores em pleno conflito mundial.
Livro ilustrado com 4 mapas desdobráveis: Defesa da Ilha do Faial; Defesa da Ilha Terceira; Plano de fogos de um Subsector de Companhia na Ilha Terceira; Defesa da Ilha de S. Miguel.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Coronel de Artilharia Rui Meira e Cruz.
"Pretende-se com este trabalho apresentar o grande esforço que o Exército desenvolveu durante o período da 2.ª Guerra Mundial para defender a soberania portuguesa no Arquipélago dos Açores.
Esforço humano, material e financeiro e por vezes psicológico que se repartiu pelos portugueses do Continente e pelos portugueses dos Açores. Procurar-se-á quantificar o que for quantificável.
Não se perderá muito tempo com o esforço político e diplomático que também foi enorme; este, consideramos suficientemente documentado em várias publicações oficiais e particulares.
Começaremos pela Ameaça, ou seja, o perigo que corre a soberania portuguesa sempre que dos dois lados do Atlântico se agravam os conflitos. Há uma ameaça permanente que existiu, existe e existirá sempre. Tentar-se-á caracterizá-la.
Houve uma ameaça próxima no início do conflito 1939-45 que se desenhou, logo, na Europa; e houve uma ameaça real a que foi necessário fazer face com realidade, com habilidade política, com meios e com custos.
Para isso o Governo, ou seja, a Política, teve que definir o seu Conceito de Defesa para os Açores: com que fins, com que meios e onde - em todas as Ilhas ou em algumas apenas. E também teve que dizer como queria fazer essa defesa. [...]
Avança-se com mais pormenor, no terreno e com os meios na defesa das que foram as chamadas "Ilhas Guarnecidas" e que foram Faial, Terceira e S. Miguel e por esta ordem crescente de importância.
São três capítulos, um para cada Ilha, onde se vai tão longe quanto possível em identificar unidades, meios, obras de engenharia, e por vezes homens importantes. [...]
No fim e à laia de post-scriptum, apresentar-se-ão meia dúzia de "Estórias de ouvir dizer" que podem caracterizar este período deveras rico da vida do Arquipélago. Estas "Estórias" servem para compreender algo do que foi o ambiente militar e civil que envolveu toda esta actividade militar."
(Excerto do Sumário)
Índice:
Índice. | Colaboração e Bibliografia. | Introdução. | Sumário desenvolvido. | 1 - A ameaça. 2 - O Conceito político da Defesa. 3 - O Conceito Militar da Defesa. 4 - A defesa da Ilha do Faial. 5 - A defesa da Ilha Terceira. 6 - A defesa da Ilha de S. Miguel. 7 - Administração e Logística. 8 - A Força Aérea nos Açores. 9 - Conclusão. | Capítulo adicional - Estórias de ouvir dizer.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

22 junho, 2022

A VILA E O MAR
. [S.l.], Ilha Nova : Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, 2003. Oblongo (14,5x21 cm) de 84 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Guia-roteiro da vila piscatória açoriana de Vila Franca do Campo (São Miguel).
Tiragem de apenas 1000 exemplares.
"Para uma Vila que exibe em seu nome o "Campo" formoso que lhe deu origem, o mar tem sido uma constante de tal modo intensa ao longo de toda a sua história que justifica a atenção que nos últimos tempos dela vem recebendo. Ganha-pão de muitos, grangeou sempre dos Vilafranquenses um relacionamento mais de temor do que de empatia. É que a terra, se bem que outrora madrasta e violenta, se remiu ao longo dos séculos pela sua generosidade e fartura, fazendo deste modo esquecer a morte e destruição que de suas entranhas havia espalhado por sobre a Vila. O mar, por seu lado, todos os anos levanta a espuma bravia de suas ondas e continuamente relembra àqueles que a ele recorrem para subsistência que estão à mercê de seus embalos como de seus furores. [...]
O pequeno livro que agora se publica oferece com simplicidade uma imagem multicor desse relacionamento da Vila com o seu mar: da Vila que foi e da Vila que é, de como mistura seu suor com sal para conquistar o sustento diário, e como se diverte no azul e suas águas. E no fim, como em apêndice de sobremesa, elenca em imagem e em ciência os peixes e os mariscos cujos nomes são propriedade corrente dos homens do cais."
(Excerto do Prefácio)
Matérias:
Nota do editor - Rui de Carvalho e Melo. | Prefácio - António M. de Frias Martins. | A Vila e o mar. | Espécies Piscícolas. | Património costeiro naval e marítimo de Vila Franca do Campo - Rui de Sousa Martins. | Instrumentos de trabalho - Meios de transporte - Brinquedos de sonho - Peças decorativas - Actos de fé : Arte popular do Museu de Vila Franca do Campo - Fotos de Silvino. | Ficha técnica.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta vestígios de etiqueta retirada; Comentário rubricado no verso da capa anterior.
Invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

04 abril, 2022

TORRES, Domingos Neves Monteiro - HISTORIA ROMANA EM VERSO LIVRE. Por... Offerecida. Ao Serenissimo Senhor Infante D. Miguel, Regente de Portugal. Época Primeira. Lisboa. 1828. Na Impressão de A. L. de Oliveira. Rua Portas de Santo Antão N.º 9. Com licença. In-8.º (15,5 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante obra poética sobre a história de Roma deste micaelense por adopção, projecto que se ficou por este volume - "Época Primeira".

"Todos querem gozar essa nobreza
Qu já seus Pais tiverão, desta sorte
Os Romanos julgavão serem Deoses.
Mal que Eneas chegou á grande Italia
Latino o recebeo, e o fez consorte
De Lavinia, por muitos desejada."

(Excerto de Origem de Roma)

Indice:
Ao mesmo Senhor a quem tenho a gloria de offerecer meus trabalhos - Soneto. | Invocação. | Historia Romana. Origem de Roma. | Romulo. 1.º Rei de Roma. | Numa Pompilio. 2.º Rei de Roma. | Tulo Hostilio. 3.º Rei de Roma. | Anco Marcio. 4.º Rei de Roma. |Tarquinio o Antigo. 5.º Rei de Roma. |Servio Tulio. 6.º Rei de Roma. | Tarquinio o Soberbo. 7.º e ultimo Rei de Roma. | [Consulado]. Da expulsão dos Tarquinios, até á morte do 1.º Dictador.
Domingos Monteiro Torres, "Cavalleiro da Ordem de Christo, e de Nossa Senhora da Conceição, Capitão graduado de cavallaria, etc. - N. em Lisboa, segundo se crê, na primeira decada do presente seculo; porém vive ha muitos annos na ilha de S. Miguel, onde casou e adquiriu algumas propriedades. As producções d'este illustre açoriano são até agora pouco vulgarisadas no continente do reino, ao menos em Lisboa. Eu proprio, apezar de alguma diligencia que empreguei, ainda não pude ver todas [as obras que publicou]. Ha quem pretenda descobrir nas idéas do auctor, e na phrase com que as exprime, certa tendencia para a originalidade, notando-se nos seus escriptos alguns rasgos caracteristicos, e de difficil imitação, talvez comparaveis no seu genero aos que tanto sobresaem nos modernos poemas da Pedreida, e Ruinas de Santarem, nas obras philosophicas e politicas do dr. Patroni, e em quasi todas as composições do falecido Antonio Pereira Aragão. Nos seus dramas, sobretudo, ha que muito que admirar n'este genero!"
(Inocêncio, Vol. II, pp. 194/195)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Carimbo na f. rosto. Capas separadas dos cadernos (de origem).
Raro.
25€