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26 dezembro, 2024

CARTA // DE // ESCRAVIDAÕ // QUE DEVEM ASSIGNAR //
Regras que devem observar, Graças, e Indul- // gencias que podem lucrar, e algumas ad- // vertencias mais, que devem saber. // OS // ESCRAVOS // DE // MARIA SANTISSIMA // Alistados na Irmandade, que he dedicada // á mesma Soberana Senhora, por meio // da sua Prodigiosa Imagem, de- // nominada com o titulo // DE // N. S. DO ROSARIO // DO BARREIRO // Por ser collocada na sua Erermida da mesma Villa. // PERSUADE-SE TAMBEM ESTA DEVOÇÃO // E Refere-se em seu abono hum notavel prodi- // gio da mesma Senhora, e outros mais que para // gloria sua se achaõ justificados, e se daõ em pu- // blico para consolaçaõ de todos os seus Devotos. // LISBOA: // Na Officina de Antonio Rodrigues Galhardo // Impressor da Real Meza Censoria. Anno 1785. // Com licença da mesma Real Meza. In-8.º (14,5x9 cm) de 155, [1] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com bonita capitular e vinheta tipográfica no início, e em extra-texto, precedendo o frontispício, uma gravura de Nossa Senhora com a inscrição: "N. Sª. DO ROZARIO DA V. DO BARREIRO. O Exmo. Snr. Carde. Patriarcha concede 100 dias de Indulgª. a qm. rezar huma Salve Rª. diante desta Image", imagem que falta na maioria dos exemplares.
Inclui ainda uma gravura coeva, solta, recortada, de Santa Bárbara (não pertence a esta obra).
Deve dizer-se ainda, a título de curiosidade, que no interior vem expresso um "projecto de associação" (Carta, ou Cedula de Escravidão) na Irmandade que foi preenchido a tinta "Lx.ª aos 27 do Mez de [ilegível] de 1799",  com o nome manuscrito da antiga proprietária - "Joanna Peregrina" -, que não é mais do que a comprometimento desta senhora para com as regras da Carta de Escravidão, assumidas com a sua assinatura. Muito interessante.
Junto com:
SUMMARIO // DAS GRAÇAS, INDULGENCIAS, // e Remissoens de peccados, concedidas // a todas as pessoas, que visitarem // a Prodigiosissima, e Devotissima // Imagem de // N. S, DO ROSARIO // collocada na sua Eremida, sita na Villa // DO // BARREIRO // POR SE ACHAR ANNEXA Á SACROSANTA // IGREJA DE // S, JOAÕ DE LATERAÕ // DE ROMA // juntamente com a Irmandade dos Escra- // vos da dita Senhora por Breve do // SANTISSIMO PADRE PIO VI. // Impetrado pela mesma Irmandade com // Beneplacito da / RAINHA N. SENHORA // naõ só como Soberana, mas tambem como Graã // Mestra das Tres Ordens Militares, por estar // a referida Ermida no destricto da Ordem de // Saõ-Thiago, Patriarchado desta Cidade de // LISBOA. // Na Offic. de Joaõ Antonio da Silva, // Impressor de Sua Magestade. 1790. // Com licença da Real Mesa da Commissão Geral sobre // o Exame e Censura dos Livros. In-8.º (14,5x9 cm) de 13, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Duas obras relacionadas com o mesmo tema - a imagem de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro - e as indulgências concedidas aos devotos da mesma - encadernadas num único tomo.
"Naõ pretendemos no presente Tractado inculcar a devoçaõ de Maria Santissima. Nós a suppomos estabelecida nos coraçoens de todos os fieis. Como ella he hum meio taõ necessario, ou taõ poderoso para a salvaçaõ; Deos tem tomado por sua conta dar-nos este meio, como todos os mais; por isso parece que des-de o Baptismo ella se infunde nas nossas almas como os mais dons sobrenaturais da graça. So pertendemos pois persuadir a Escravidaõ da Senhora, como meio mais proprio para praticar a sua devoçaõ, e mais efficaz para alcançar a sua protecçàõ especial."
(Excerto de Carta de Escravidaõ... - Persuade-se esta Devoção)
"O Direito pois que Maria Santissima tem á nossa Escravidaõ, a honra, e interesse que todos temos em ser signalados com o titulo de seus Escravos, o obsequio, e satisfaçaõ que a mesma Senhora recebe em tomarnos debaixo da sua protecçaõ especial por meio deste titulo, e finalmente a que já esperimentavaõ certos devotos seus, que todos os annos concorriaõ desta Cidade de Lisboa a festejala com cultos publicos na sua prodigiosa Imagem intitulada do Rosario, a qual se venera em huma Eremida junto a Villa do Barreiro aonde elles mesmos a collocaraõ no anno de 1736, tudo os moveo a erigirem naquella Eremida em honra da mesma Senhora por meio deste veneravel Imagem huma Irmandade intitulada dos Escravos de Maria Santissima do Rosario do Barreiro.
He muito antiga como temos dito a Escravidaõ de Maria Santissima, mas corporaçaõ, em que se unaõ, e ajuntem os seus Escravos para o culto, e serviço da Senhora, tendo por insignia, e destinctivo da sua Escravidaõ o Santissimo Rosario, naõ sabemos de outra até ao presente; tem esta Irmandade até agora a prerogativa de unica, e singular, terá já agora em todo o tempo a gloria de primeira entre todas as que se lhe seguirem."
(Excerto de Carta de Escravidaõ... - Instituiçaõ desta Irmandade)
Encadernação coeva inteira de pele com dourados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta pico de traça, à cabeça, nas primeiras páginas do livro (com pouco impacto visual e sem afectar a mancha tipográfica).
Raro.
Com interesse histórico, regional e religioso.
125€

01 junho, 2021

RODRIGUES, Maria Manuela Saraiva - A IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO NA VILA DO BARREIRO
. Barreiro, [s.n. - Montagem e impressão em: Silvas, crl - Lisboa], 2000. In-8.º (21 cm) de 57, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa monografia com interesse para a organização e funcionamento das Irmandades e Confrarias no século XVIII, e em especial para a cidade do Barreiro. No final, em Anexo Documental, é reproduzido fac-símile do manuscrito que serviu de base ao presente ensaio.
"O interesse pela história local levou-nos à descoberta das Confrarias e Irmandades. O reconhecimento da sua importância para a compreensão da sociedade portuguesa fez-nos adoptar este tema para trabalho de Mestrado, que recaiu no Arquivo Paroquial de uma Vila do centro do país. Estas instituições proliferavam e com tal persistência que se mantinham ao longo dos séculos, adaptando-se às necessidades de cada época.
A descoberta de um livro de Termos de Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, da antiga vila do Barreiro, contribuiu para afirmarmos as nossas hipóteses explicativas numa Irmandade situada mais a sul do país.
O que pretendiam os indivíduos quando entravam para as Irmandades?
O sendo comum respondia-nos com razões de ordem espiritual e assistencial. No entanto, o estudo sobre manuscritos levou-nos a colocar outras hipóteses.
Acabámos por perceber, à medida que avançávamos na investigação, que os aspectos espiritual e assistencial correspondiam a uma percentagem mínima no global da actividade das Confrarias ou Irmandades. Pelo contrário, os seus bens eram monopolizados pelos Irmãos na resolução de problemas bem materiais, levando os cofres dessas corporações a ficarem vazios e a não permitir a realização dos actos estabelecidos nos Compromissos ou Estatutos. Os interesses temporais levavam os Irmãos a apropriarem-se de dinheiros e bens a que se consideravam com direitos, apenas por pertencerem à Irmandade. [...]
É da autobiografia  de um desses militares, o alferes José Joaquim Rodrigues Sousa, do 2º Batalhão Movel de Atiradores, manuscrito de que somos possuidores, que retirámos o documento em anexo."
(Excerto da Introdução)
Índice: Introdução. | A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da Vila do Barreiro. | A Vinha de Nossa Senhora no Sítio das Palmeiras. | Os devedores à Irmandade e a festa de Nossa Senhora. | Resoluções da Mesa. | A foreira do Moinho do Cabo e o rendeiro José Pedro da Costa. | Irregularidades na Administração da Irmandade. | Dois requerimentos de José Pedro da Costa. | Intervenção do Governador Civil do Distrito e do Administrador do Concelho. | Auto de Exame sobre a Administração da Irmandade. | Resposta dos Mesários ao Administrador do Concelho. | Resposta do Governador Civil do Distrito. | A Administração da Irmandade e a família Costa. | Nova intervenção do Governador Civil do Distrito. | Uma constante na vida das Irmandades: dívidas de foros e de capitais a juros. | Instabilidade na vida da Irmandade. | Administrador do Concelho convoca reunião. | Administrador do Concelho suspende eleição. | A epidemia de cólera e a função de beneficência da Irmandade. | José Pedro Costa pede transacção de dívida. | Inventários dos objectos pertencentes à Irmandade. | A festa e os devedores. | Conclusão. | Bibliografia. | Anexo Documental.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 agosto, 2018

COSTA, Julio - UM ENTÊRRO NA COVA DA PIEDADE! : monologo original. [S.l.], [s.n.], [191-]. In-8.º (15,5cm) de 4 p. ; B. Bibliotheca Dramatica Julio Costa
1.ª edição.
Curioso monólogo humorístico. Impresso na tipografia "caseira" do autor, estes folhetos são raros e muito procurados.

"Venho aqui, gato-pingado,
Contar a este auditorio
O que se passou na morte
Do meu amigo Gregório....
Pobre amigo! Ao despedir-se
Ao dar o adeus derradeiro...
Baixou a cabeça inanimada...
E foi de ventas ao travesseiro!"

(Excerto do monólogo)

Júlio da Conceição Costa, “Julinho” (1884-1949). Barreirense por afinidade, nasceu em Vila Franca de Xira, em 8 de Maio de 1849. Tornou-se ferroviário logo aos 15 anos, como aprendiz nas oficinas. Com muita queda para o desenho, cedo se tornou desenhador no Serviço de Via e Obras. De espírito muito curioso, cultivava-se, lia muito, ainda na monarquia remetia textos para publicação em jornais fora da vila. Compunha poesias, e desde sempre frequentou os meios recreativos e teatrais do Barreiro. Procurou tornar-se director dum grupo cénico, mas - diga-se - sem êxito. Mas compunha monólogos, até cançonetas e duetos que ganhavam nome. E folgazão como ele era, para as paródias, também nos palcos, era um caso sério. (... Sou trocista... De piadas ando sempre na pista, E é por isso, meus senhores, Que eu meto tais horrores!...).
Com seu espírito prático, montou uma pequena tipografia em parte de sua moradia, e assim passou a auferir algo para lá da mensalidade da Via e Obras, fazendo cartões de visita, envelopes, programas, papéis timbrados, etc. Mas veio-lhe à cabeça algo importante... Compor, dirigir, editar jornalinhos – republicanos, claro - lá na sua casa. Faleceu em Lisboa, em 11 de Outubro de 1949, com 65 anos.”

(Fonte: http://www.vinculadosaobarreiro.com/27julinho_costa/main_juliocosta.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
10€