Mostrar mensagens com a etiqueta Colonização. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Colonização. Mostrar todas as mensagens

10 setembro, 2026

GOMES, Padre António -
VIAGEM QUE FEZ O PADRE ANT.º GOMES, DA COMP.ª DE JESUS, AO IMPERIO DE DE (SIC) MANOMOTAPA; E ASSISTENCIA QUE FEZ NAS DITAS TERRAS D.e ALG'UNS ANNOS.
Notes by E. A. Axelson. Lisboa, Centro de Estudos Históricos Ultramarinos : Portugal, 1959. In-4.º (23,5x16 cm) de [2] 88 p. (155-242 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Importante documento. Trata-se da transcrição fiel do manuscrito da viagem de evangelização empreendida e relatada pelo padre jesuíta António Gomes por terras de Moçambique no segundo quartel do século XVII.
O relato do Padre António Gomes é considerado uma joia da historiografia africana pela sua riqueza etnográfica e pelo seu tom surpreendentemente pragmático. O documento permaneceu praticamente esquecido na Biblioteca Nacional de Portugal até ser transcrito e publicado pela primeira vez em 1959 na revista académica Studia.
Ao contrário de muitos religiosos da época que viam as tradições africanas apenas sob a lente do "pecado" ou da "feitiçaria", Gomes descreve a sociedade local com um olhar quase antropológico. Explica como funcionavam as audiências perante o imperador ou os chefes locais (fumos), detalhando as leis consuetudinárias e o papel dos conselheiros. Descreve a poligamia, os dotes e os rituais de matrimónio, tentando traduzir o significado social destas alianças para a mentalidade europeia. Relata o uso de ervas medicinais e o papel dos curandeiros. O que mais impressiona os historiadores modernos são os registos das suas conversas diretas com os africanos, nas quais ele questionava as razões por trás das suas práticas. (IA)
"Nosso Gloriozo Patriarcha S. Ignacio, alumiado e illustrado p Ds N. S., vendo quanta necessid.e tinhão varias Regiõis de obreiros, p.ª cultiuaré a vinha da S. M.e Igr.ª, tratou a infancia, desta minima Comp.ª de Ihs, de mandar, Religiozos de vertude e Santid.e p.ª cultiuação, de tantas almas, rimikdas cõ preço, de vossa Redempção Christo Ihs Senhor nosso.
Este Diuino preço, fez abalar, aquelle Gloriozo Aplõ da India, p.ª este Oriente, Sam Fran.co Xauier, e depois de tantas marauilhas, quantas obrou, descorrendo per todos os mares delle, veio a acabar, cõ Gloriozos trofeus na ilha de Samchão, e dahy, trazido, e depozitado este Santissimo thezouro, na Igreía do Bom Ihs e caza Professa de Goa, onde he venerado de todo o Oriente, e obra de Deos nosso sõr pela sua intercesão muitas marauilhas."
(Excerto da Narrativa)
António Gomes (1595-16--). Foi enviado para a missão jesuíta no sudeste africano (vale do Zambeze, atual território de Moçambique e Zimbabué) no final da década de 1620 ou inícios da década de 1630. Ali realizou a sua "assistência" (residência e trabalho missionário) durante cerca de uma década. Foi um período de violenta instabilidade política, onde testemunhou as complexas alianças e guerras de sucessão no Império de Mutapa. A sua história confunde-se com os perigos das navegações da época. Ao regressar de África em direção à Índia (por volta de 1640), António Gomes sobreviveu a um naufrágio. Nesse desastre, perdeu todos os seus cadernos, diários de campo e anotações originais recolhidas ao longo dos dez anos em que viveu no Império de Mutapa. Após o naufrágio, fixou-se em Goa (o centro administrativo e religioso do Padroado Português no Oriente). Tornou-se Coadjutor da Sociedade em Goa e exerceu funções como pároco na Igreja de Varca, em Salsete. Em 1648, o seu superior jesuíta, Giovanni Maracci, ordenou-lhe que passasse para o papel as suas memórias da missão africana. Sem as notas que tinham afundado no mar, António Gomes redigiu todo o manuscrito com base nas suas recordações. É por este motivo que o texto não segue uma ordem cronológica rígida, assemelhando-se mais a um grande compêndio temático de memórias vivas, conversas gravadas na mente e descrições dos povos que conheceu. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico, etnográfico e religioso.
20€

01 setembro, 2026

OS PADRES BRANCOS
. [S.L.], Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral da Informação, 1971. In-8.º (21x15 cm) de 24 p. ; B.
1. edição.
Folheto oficial de propaganda publicado em Lisboa pela Direcção-Geral da Informação, organismo dependente da Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT) do governo de Marcello Caetano. Trata-se de uma operação de contra-informação do regime do Estado Novo face a um dos incidentes diplomáticos e religiosos mais graves da Guerra Colonial - a saída dos Padres Brancos de Moçambique.
A expulsão e retirada dos Padres Brancos de Moçambique ocorreu em maio de 1971, transformando-se num dos maiores escândalos políticos e religiosos do final do regime do Estado Novo. O episódio expôs a profunda ruptura entre os missionários e o governo colonial português.
Em Fevereiro de 1971, os Padres Brancos tomaram a decisão interna de abandonar Moçambique. A liderança da congregação em Roma confirmou a saída formal em Maio do mesmo ano. Em carta aberta, denunciaram que a sua permanência se tinha tornado um "contratestemunho". Eles recusavam-se a apoiar implicitamente, através do silêncio, um regime colonial opressor.
Sentindo-se afrontado pela denúncia internacional, o governo português antecipou-se e expulsou formalmente os missionários do território. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da altura, Rui Patrício, convocou uma conferência de imprensa em Lisboa para atacar publicamente a decisão da congregação. Mais de 40 missionários dos Padres Brancos foram forçados a abandonar as suas missões (principalmente na região de Tete) de forma imediata. (IA)
"Os Padres Brancos decidiram abandonar Moçambique. Em 15 de Maio publicaram a carta que se segue com o n.º I.
Em face deste anúncio, o Governo português notificou os Padres Brancos de que deveriam abandonar a província até 30 de Maio.
Sobre o assunto o Rev.º Padre Dr. Erwin Helmle, S. A. C., escreveu em 25 de Maio a carta que tem o n.º II e em Junho a Conferência Episcopal de Moçambique publicou o comunicado com o n.º III.
Por último, a conferência de imprensa dos Padres Brancos, dada em Paris foi comentada, já em Julho, pelo Bispo de Quelimane (Moçambique) nos termos que se referem no n.º IV."
(Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

27 agosto, 2026

FELGAS, Hélio Esteves -
A REVOLTA MILITAR NO CONGO.
[Por]... Major de Infantaria. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G. - Lisboa], 1960. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 107, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo coevo, muito completo, acerca da emancipação do Congo Belga, e tudo o que se seguiu, questão melindrosa que muito interessava a Portugal, potência colonizadora vizinha (com extensa linha de fronteira no norte/nordeste de Angola), pelo perigo de contágio independentista que representava, e que muito preocupava o regime. A proclamação da independência do Congo Belga (actual República Democrática do Congo) ocorreu a 30 de Junho de 1960, marcando o fim de 80 anos de domínio colonial da Bélgica. A Guerra Colonial eclodiria 9 meses mais tarde, precisamente no norte de Angola.
Esta é a obra de um oficial experiente do Exército Português, conhecedor do contexto, que olha para o assunto com as mesmas dúvidas e receios do Estado face aos ventos de mudança em África.
Ilustrada no texto com mapas e fotografias a p.b.
"Cinco dias apenas após a Proclamação da Independência, a República do Congo viu-se sùbitamente sacudida por uma inesperada revolta geral da «Force Publique» manifestada em uma tremenda explosão de xenofobia.
Sem meios para se fazerem obedecer , sem prestígio, sem coesão, sem qualquer maturidade política ou administrativa, os governantes congoleses desorientaram-se e assistiram impotentes ao resvalar do País para a anarquia e para o caos. Resvalamento esse que era há muito aguardado por quem, como nós, estudou e evolução dos acontecimentos que precederam a concessão da Independência pelos belgas, e conhecia o atraso geral das populações indígenas completamente inaptas para se governarem por si próprias.
Ao mundo atónito a nova República do Congo mostrou com exuberância o que sucede quando meia dúzia de políticos inexperientes, sobressaindo de uma massa ignara e primitiva e desejosos de satisfazer os seus interesses pessoais guindando-se aos altos postos da governação, exigem para o seu País uma independência que ele está longe de poder usufruir.
E mostrou também a tremenda responsabilidade das nações civilizadoras que não podem - sejam quais forem as pressões que sobre elas se exerçam - abandonar levianamente os seus territórios coloniais concedendo-lhes uma Independência para a qual elas sabem que eles não estão preparados."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Início da revolta | Impotência e desorientação do governo congolês perante o alastramento da revolta | O êxodo dos europeus | A intervenção das forças belgas | A independência da Katanga | Os apelos à O. N. U. | A internacionalização da questão | A tentativa de intromissão da Rússia | O corte de relações com a Bélgica | O restabelecimento da ordem no Congo | Dificuldades políticas internas | A O. N. U. e a República do Congo | A entrada das forças da O. N. U. na Katanga.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e colonial.
30€

06 agosto, 2026

POLÍTICA IMPERIAL DE FOMENTO : Novas Directrises.
"Portugal Maior" - Cadernos Coloniais de Propaganda e Informação
. Luanda, Edição da "Casa da Metrópole", 1945. In-8.º (21,5x15 cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de propaganda patriótica impresso em Luanda, Angola, publicado no último ano de guerra mundial. Trata-se do n.º 1 de uma colecção que atingiu 10 números, editada entre 1945-47.
Capa assinada "MCastelo".
A "Casa da Metrópole" em Luanda foi uma instituição colonial portuguesa de propaganda, informação e dinamização cultural ativa no século XX (com forte presença na década de 1940). A sua actuação baseava-se em frentes estratégicas bem definidas: Funcionava alinhada com as diretrizes do Estado Novo para projetar a presença e a herança portuguesa no território angolano. Foi responsável pela publicação de diversas obras e cadernos de propaganda colonial. O exemplo mais notório é a coleção "Portugal Maior: cadernos coloniais de propaganda e informação", que incluía ensaios e registos fotográficos históricos. Fazia a ponte de comunicação cultural e identitária entre a "Metrópole" (Portugal Continental) e os colonos radicados na então colónia de Angola. (IA)
Opúsculo ilustrado com retrato do Prof. Marcelo Caetano, Ministro das Colónias, colado na folha que sucede ao rosto.
"A idéia imperialista assenta sôbre princípios básicos, entre os quais é de maior vulto o que traduz uma forte unidade espiritual que se repercute na comunicação da língua, de sentimentos e de afectos, de esperanças e de aspirações.
Recebendo do passado as lições da expansão e da expressão de Portugal no Mundo, conhecendo do presente as inconfundíveis realizações materiais e espirituais que dignificam e enaltecem a política do Govêrno, a gente lusíada torna, acima de tudo em realidade, a unidade imperial portuguesa, agora servida por uma doutrina que se expande progressivamente por tôdas as terras do Império, animadas pelas precisas oportunas e justas resoluções do ilustre titular da Pasta das Colónias, cuja figura revela uma inteireza de carácter que se oferece ao desenvolvimento ordenado das nossas terras ultramarinas na mais rasgada visão imperial e humana."
(Excerto da Abertura) 
"«Quem conheceu a África tropical há 50 anos e a conhece hoje; quem há meio século viveu nas colónias portuguesas e por elas hoje transita - há-de verificar que consoante é voz corrente dos velhos coloniais «a África mudou muito» e até porventura aventurará (embora com excessivo optimismo) o paradoxo de que «a África já não é África».
Tais conceitos exprimem a admiração pela mudança operada nas condições de vida do branco, parece que nas próprias condições e ambiente, em virtude da ocupação europeia, que ousadamente rasgou estradas pelo coração dos sertões, assentou vias férreas, lançou cabos telefónicos e ergueu cidades e vilas no litoral e no interior, desbravou o mato, afastou as feras e cultivou fazendas em sítios outrora inóspitos. O que se fêz, alenta esperanças sôbre o muito que se pode fazer."
(Excerto de Discurso do Prof. Marcelo Caetano aqui reproduzido)
Índice:
[Abertura ] | [Reprodução de discurso do Prof. Marcelo Caetano] | Política de Fomento | Inspecção Superior de Fomento Colonial | A urbanização nas colónias africanas | O Gabinete de Urbanização Colonial - Sua orgânica e funções | A missão dos técnicos em África e a juventude escolar | O novo espírito a instaurar no fomento das colónias | A valorização do trabalho indígena | O auxílio do Estado às actividades privadas | A utilidade social da coordenação económica | «Tenha confiança no futuro do nosso império Colonial» | Apêndice: A «Casa da Metrópole» em Luanda e a sua actuação: - Finalidade; - Meios de acção.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

11 outubro, 2025

AMARAL, Ilídio do -
MEDIDAS PORTUGUESAS PARA A ORGANIZAÇÃO DOS NOVOS TERRITÓRIOS NAS MARGENS CONTINENTAIS DO ATLÂNTICO SUL NO SÉCULO XVI (apontamentos de geografia histórica)
. Coimbra, [Universidade de Coimbra], 1991. In-4.º (20518,5 cm) de [2], 40, [2] p. (277-316 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista da Universidade de Coimbra, Vol. XXXVI.
Interessante subsídio para a história da colonização portuguesa em territórios localizados no Atlântico Sul, na costa de África e Brasil.
"Depois da euforia produzida pelas riquezas do Oriente, e no intuito de se assegurar a posse dos litorais africano e sul-americano, o Império tornar-se-ia mais Atlântico, com base no sistema porque se tinham povoado as ilhas, sem ónus para a Coroa. Para isso as capitanias e as suas cartas de doação e forais foram bases territoriais e instrumentos legais da sua organização, de valor inestimável. De uma maneira geral, dito muito resumidamente, as cartas e forais significaram a cedência, mais ou menos extensa, de direitos régios, sem prejuízo dos direitos que coubessem a nacionais já estabelecidos nas terras sob doação e que por isso recebiam, de sesmaria, terras foreiras directas da Coroa. Os colonos levados pelos donatários ficariam a gozar das mesmas regalias. Mais uma vez estamos perante um sistema de longas tradições, europeias e portuguesas, revigorado e renovado nos tempos da expansão ultramarina, para a colonização das terras novas. Mantendo-se os fundamentos gerais, contudo as donatarias tiveram adaptações particularmente consoante a sua aplicação às ilhas e a sectores dos litorais continentais do Atlântico Sul, e também o momento político e os interesses económicos."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

06 junho, 2025

BARRENECHEA, Eduardo -
O PLANO DE BADAJOZ DESMISTIFICADO
. Lisboa, Edição da Associação Central da Agricultura Portuguesa e do Grémio da Lavoura de Beja, 1972. In-8.º (22x16,5 cm) de 45, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Balanço crítico sobre o "Plano de Badajoz". Estudo com interesse para a gesta da colonização da zona junto da fronteira portuguesa levada a cabo por Madrid em meados do século XX, suportada pela propaganda económica e social do governo de Francisco Franco.
Obra rara, sem referências bio-bibliográficas, quer em Espanha, quer entre nós. A BNP não possui.
"O Plano Badajoz foi um conjunto de atuações ambiciosas de sucessivos governos espanhóis, propostas já a princípios do século XX (Plano Gasset), postas em fim em marcha durante a ditadura franquista e completadas pelos primeiros Governos da democracia (regadios do Zújar), sobre a província de Badajoz (Espanha).
Na realidade, tal denominação, refere-se mais estritamente ao Plano de Transformação e Colonização aprovado pelo governo de Francisco Franco em 1952 e destinado a dotar à agricultura pacense de um sistema melhorado de eletrificação, irrigação, processo de fabricação e transformação e de comercialização de produtos agrários, tendo como base o rio Guadiana e como principal objetivo melhorar a produção e renda agrária da província. [...]
Nasceram povoações como Palazuelo, Povoa de Alcollarín, Zurbarán, Alonso de Ojeda, Os Guadalperales, Gargáligas, Valdivia, Entrerríos, Guadiana del Caudillo, Valdelacalzada, Pueblonuevo del Guadiana, Sagrajas, Novelda do Guadiana, Gévora do Caudillo, Valdebótoa, Alvarado, Vivares, Las Vegas Altas, Villafranco del Guadiana, São Francisco de Olivença ou São Rafael de Olivença. É verdadeiro que a construção dos embalses como a de García Sola, anulou as vegas de alguns povoações do norte da província, o qual teve um impacto na posterior saída da população destes municípios."
(Fonte: Wikipédia)
Livro ilustrado no texto com tabelas e mapas estatísticos, e em separado com quadro desdobrável.
"... O Plano de Badajoz, baptizado nas numerosas publicações da Secretaria Gestora do mesmo (com sede no Instituto Nacional da Indústria, em Madrid) como «el exponente mas acusado de la politica agro-social del regimen», dista muito - muitíssimo - de ter alcançado tampouco os objectivos que lhe foram fixados pela lei de 7-4-1952.
Não quero dizer que o Plano Badajoz seja um fracasso, mas não é - desde logo - um êxito.. Não é um «êxito» nem social nem económico. Também não é um fracasso, porque transformou por completo a fisionomia física de uma pequena parte das terras pacences (pouco mais de 4% das terras de Badajoz) e conseguiu para uns milhares de colonos (antes na maior parte trabalhadores agrícolas eventuais), nívesi mínimos de vida digna e humana. Mas está longe de ser um êxito, talvez por ter sido politizado desde o princípio..."
(Excerto de Politização excessiva)
Sumário:
Primeiro artigo - Balanço aos 19 anos da «Fundação» | Segundo artigo - O Plano de Badajoz Desmistificado | Anexo A - O Plano de Badajoz, visto por D. Miguel Siguán | Anexo B- Vários elementos económicos.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas com sinais de humidade. Interior correcto.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
20€

31 outubro, 2024

MARCELINO, Anibal Artur -
COLONIZAÇÃO DE ANGOLA POR BRANCOS.
[Por]... Capitão. Funchal, Livraria Popular, 1930. In-8.º (21x14,5 cm) de 29, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Folheto crítico da política de colonização, que permite a demanda de lavradores impreparados a Angola, cenário evidente nas primeiras décadas do século XX.
"Temos de confessar, o que é bem triste, que e tantos sacrifícios e de tantas despezas, através não de alguns anos mas de séculos, com o fim de colonizar Angola, apenas o número limitado dos que se tem dedicado á indústria da pesca é que teem vingado e progredido regularmente.
Do resultado das experiências agrícolas pouco ou nada resta.
E o que resta, os Madeirenses ou os Escronhos, como lhes chamam os indígenas, não é uma colónia em que se tenha a menor esperança.
Como já se disse, são quási todos pobríssimos, não progridem e, o que é peor, cada vez se aproximam mais do indigena em tudo: na iniciativa do trabalho, na maneira de viver e até na mentalidade e aspecto que é já, o de muitos andrajôso.
Ora isto não é colonização de europeus é antes uma adpatação do branco á vida do preto."
(Excerto de A triste realidade)
Índice:
Sonho | A triste realidade: Colonização de Angola | Uma opinião sem autoridade | O clima | A inaptidão do colóno.
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado geral de conservação. Frágil e envelhecido. Passa da página 20 para a 25, sendo esta uma falha generalizada, julgamos, por erro da tipografia - extensível a todos os exemplares impressos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 junho, 2024

BRAGANÇA-CUNHA, T. -
ESCRAVATURA HIPÓCRITA. Por... [S.l.], Editor: O advogado Venctexa V. Sar Dessai, Com o curso do liceu. [Composto e Impresso na Tip. Bragança & C.ª - Nova Goa], [1929]. In-8.º (20x13 cm) de [2], 36 p. ; B.
1.ª edição.
Protesto do autor contra os abusos e arbitrariedades da administração portuguesa de Goa, que reputa de medieval, e acusa de enganar e escravizar os naturais da colónia.
Opúsculo clandestino, raro, sem menção bibliográfica na Biblioteca Nacional.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor à Redacção do jornal República.
"Emquanto os senhores congressistas e conselheiros do govêrno entretinham-se em esboçar planos de valorização do emigrante e outros projectos destinados a ficar no papel, chegou ao nosso conhecimento um facto escandaloso e revoltante que vem fazer luz sôbre a triste realidade do problema da nossa emigração, e temos por dever levá-lo ao conhecimento do público.
Em Maio de 1926, alguns curumbins de Vernã e Cortalim fôram engajados por um cavalheiro, funcionário do Estado, residente em Carambolim, a irem trabalhar naquela aldêa do Concelho das Ilhas e daí fôram enviados pelo mesmo cavalheiro para um destino desconhecido. As familias dêsses desgraçados - pais, mães, maridos, mulheres, - ignoram desde então o seu paradeiro. Possuimos os nomes dum certo número dessas pessoas, algumas delas menores de idade, de cuja ignorância se abusou no propósito evidente de ganhar dinheiro fornecendo mão de obra barata a alguma empresa estrangeira. O engajador recusa-se obstinadamente a dizer para onde elas foram enviadas. Pensa-se que foram para uma dessas plantações em Assam ou em Ceilão, onde os fazendeiros ingleses que cultivam o chá e o ópio, costumam enriquecer-se explorando gente pobre e reduzindo-a á escravidão.
Não teria êste facto chegado ainda ao conhecimento dos nossos governantes?"
(Excerto de Uma agência de escravatura)
Índice:
Nota introdutória | Uma agência de escravatura | Goa, mercado de escravos | Tráfico de escravos | Escravatura encoberta de Assam | Cidadãos-escravos | Resposta á imprensa oficiosa | Novos escravos de Goa | Libertados! | Páginas suplementares: O catolicismo, instrumento de dominação política.
Tristão Bragança Cunha (1891-1958). Herói da resistência goesa. "Nascido a 2 de Abril de 1891, o jovem Tristão estava destinado a liderar o movimento patriótico dos goeses que almejavam a libertação de Goa do domínio português. Quando a Índia se tornou independente da Grã Bretanha em 1947, tornou-se incongruente que um minúsculo território integrado nas fronteiras físicas da Índia pudesse continuar sob o domínio de Portugal.
Tristão completou os seus estudos franceses em Pondicherry e em Paris, onde se envolveu em actividades anti-imperialistas conduzidas pelo Comité Pro-indiano da Agência de Informação fundada por Romain Rolland na capital francesa. Deu publicidade à causa da Índia e de Goa num conjunto de artigos em jornais franceses e publicou em episódios um estudo biográfico de Mahatma Gandi, antes de Romain Rolland elaborar o seu.
Em 1926, Tristão de Bragança Cunha voltou a Goa onde, como seria de esperar, era um homem marcado, e foi perseguido pelo Governo por causa dos seus escritos nacionalistas. Em 1929 lançou uma campanha contra os produtores britânicos de chá de Assam, que tinham aliciado kunbis (membros de castas inferiores) goeses a trabalhar nas plantações como trabalhadores escravizados e, por volta de 1940, conseguiu que fossem repatriados para Goa. Angariou fundos para ajudar o povo de Salcete e Mormugão atingidos por chuvas torrenciais de monção em 1941.
Publicou diversas brochuras de propaganda, tais como Índia Portuguesa e Desnacionalização dos Goeses, tendo o Governo Português pedido ajuda ao Governo Britânico para confiscar as cópias distribuídas em Bombaim. Todavia, revertendo a decisão do procurador MC Chagla do Supremo Tribunal de Bombaim, a proibição foi levantada.
Seguiu-se uma sistemática perseguição em Goa a Tristão Bragança da Cunha. Foi preso, espancado, e encarcerado na prisão de Aguada. Foi julgado e condenado a oito anos de detenção no Forte de Peniche, em Portugal. Foi libertado dois anos mais cedo, graças a uma amnistia, em 1952, mas não foi autorizado e regressar a Goa.
Tendo porém obtido meio de chegar a Paris, com um passaporte de turista, foi daqui até Bombaim, onde recomeçou, com redobrado vigor, a militar na causa goesa, publicando textos no quinzenário concani Azad Goem, e noutros periódicos, até à sua morte em 26 de Setembro de 1958. Foi condecorado a título póstumo pelo Conselho para a Paz em Estocolmo com a medalha de ouro da paz.
Os seus restos mortais repousam no memorial T. B. Cunha erguido nos Monumento aos Mártires em Panjim."
(Fonte bibliográfica: J. Clement Vaz, Profiles of Eminent Goans. Past and Present. Nova Delhi, Concept Publishhing Company, 2016 & Wikipedia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
85€

03 maio, 2024

KI-ZERBO, Joseph -
HISTÓRIA DA ÁFRICA NEGRA - I. Edição revista e actualizada pelo autor. 3.ª edição. [II. Edição revista e actualizada pelo autor. 2.ª edição]. Mem Martins, Publicações Europa-América, 1999-81. 2 vols in-8.º (21x14 cm) de 452, [12] p. ; [XXII], [1] p. il. ; il. (I) e 464, [8] p. ; [X], [2] p. il. ; B. Col. Biblioteca Universitária
Importante estudo histórico sobre a África Subsariana.
Obra em 2 volumes (completa), ilustrada no texto com mapas geográficos e tabelas, e em separado, com inúmeras fotografias a p.b. distribuídas por 32 páginas.
"Durante largo tempo, a Africa foi considerada um continente sem história. Em 1830, Hegel decretava que "A Africa não é uma parte histórica do mundo", e depois dele muitos foram os historiadores que, sacrificando mais ao preconceito do que à ciência, repetiram em vários tons a mesma ideia.
A obra de Ki-Zerbo, cujo vol. I apresentamos, é o melhor desmentido à lenda da África continente sem história. Num trabalho de reconhecido rigor cientifico, que a crítica francesa saudou com o maior entusiasmo, o autor levou a cabo o trabalho ciclópico de trazer à luz as raízes históricas de todo um continente, na sua insuspeitada riqueza.

Partindo da pré-história, o presente volume acompanha a caminhada do homem africano até ao século XIX, desvendando aos olhos maravilhados do leitor sucessivos períodos de esplendor e decadência, com o surgir e o afundar de reinos e impérios, até aos primeiros contactos com os Europeus e as consequências que daí advieram para a evolução histórica da Africa Negra.
O segundo e último da História da Africa Negra, de Joseph Ki Zerbo - cobre a parte mais recente da longa caminhada do homem africano, tratando os eventos ocorridos desde o século XIX até aos nossos dias.
Foram os anos negros em que a África é arrancada aos africanos pelas garras das potencias colonizadoras, que, em muitos casos, fizeram do grande continente autêntico campo de pilhagem. Mas foram também anos em que a África gerou chefes de grande envergadura, cujo perfil o autor traça com particular relevo.
Vem depois o despertar do continente, com o surto do nacionalismo e os movimentos conducentes à independência. O autor historia de forma completa o processo de libertação dos países africanos e escreveu mesmo, especialmente para esta edição, a história da descolonização nos territórios sob administração portuguesa.
Um capítulo sobre os problemas africanos de hoje, em que se equacionam as questões que actualmente se põem ao continente e se apontam perspectivas de evolução futura, encerra esta obra, indispensável a quantos desejam possuir da África um conhecimento mais profundo."
(Fonte: Wook)

Joseph Ki-Zerbo (1922-2006). "Nascido em Toma (Burkina Faso), é historiador. Publicou Histoire de l’Afrique noire (Hatier), dirigiu dois volumes da monumental Histoire générale de l’Afrique (UNESCO) e La Natte des autres: pour un développement endogène en Afrique (Karthala)."
(Fonte: Wook)
Exemplares em brochura, bem conservados. Ambos os volumes apresentam assinatura possessória na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

06 março, 2024

ARBIRU -
O PROBLEMA DE TIMOR
. [S.l.], [s.n. - Imp. Henry Gris - Lisboa], [1977]. In-8.º (21x15 cm) de16 p. ; B.
1.ª edição.
Estudo publicado pouco tempo após a ocupação de Timor Leste pela Indonésia. Relativamente ao nome que assina o trabalho - Arburi - trata-se, como é evidente, de ficção, pois não passa de uma alcunha (pejorativa) atribuída ao oficial português pelo povo timorense no final do século XIX.
"A situação que se desenvolve presentemente em Timor, é o resultado de uma série de acções desencadeadas premeditadamente contra a vontade e os interesses da população e cria um problema sério aos países interessados na estabilidade daquela área geopolítica constituindo grave risco para a sua segurança. [...]
Não são, aparentemente, notáveis os resultados dos quatro séculos da presença de Portugal em Timor se os pretendermos apreciar em termos materiais. No entanto, pode afirmar-se sem receio, que se criou na alma do Povo de Timor um «Espírito Português», (com todos os seus defeitos e qualidades) que diferencia totalmente as populações do Timor Português das do Timor Indonésio, e que tem sido sucessivamente posto à prova nas grandes calamidades de que Timor tem sido vítima. Bastará recordar a atitude assumida pelos Timorenses ao restabelecerem por sua iniciativa, a soberania portuguesa, no fim da 2.ª Guerra Mundial, mesmo na ausência das autoridades portuguesas."
(Excerto de Considerações prévias)
Índice:
Considerações prévias | Evolução política | Implicações internacionais: - Timor e a Austrália; - Timor e a Indonésia | Timor e Portugal | Panorama actual | Perspectivas para o futuro | Considerações finais.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

27 janeiro, 2024

NOTICIA DO ESTADO EM QUE SE ACHA O POVO DE ANGOLA, DESTITUIDO DE MESTRES, PAROCHOS E EGREJAS, E CONSIDERAÇÕES ÁCERCA DA NECESSIDADE E FACILIDADE DE REMEDIAR TÃO GRANDES MALES
. Lisboa. Na Typ. de G. M. Martins, 1861. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Ponto de situação sobre a obra missionária em Angola, das suas expectativas e anseios, e das dificuldades de evangelização com que o clero português se deparava.
Obra não assinada, sabe-se no entanto que o seu autor foi o padre José de Sousa Amado, polemista religioso da ala mais tradicionalista da Igreja.
De salientar as referências a David Livingstone (1813-1873) - conhecido missionário e explorador inglês - cujas impressões pouco abonatórias sobre o estado de abandono a que a Igreja Católica portuguesa votou a antiga colónia portuguesa, por este constatada na visita ao território em 1854, preenchem um capítulo do livro.
"Tres seculos têem decorrido, depois que a Religião Catholica, sob a protecção sincera e efficaz de D. João II e D. Manoel foi, pela primeira vez, abraçada nas vastas regiões do Congo, e mais tarde em Angola.
Os primeiros Missionarios pertenciam á Ordem de S. Domingos; seguiram-se depois os Padres da Companhia de Jesus, os da Terceira Ordem da Penitencia, Capuchinhos, e Carmelitas Descalços.
O zelo dos Missionarios, a protecção real, a boa disposição dos povos, fizeram com que a Religião Catholica prosperasse. Apenas tinham decorrido seis annos depois do descobrimento do Congo (1491), e já estavam lançados os fundamentos da Cathedral em  S. Salvador, que em pouco tempo foi acabada, tendo-se antes convertido o rei, a rainha, as pessoas mais principaes, e por conseguinte o povo."
(Excerto de Estado da Religião Catholica em Angola)
Índice:
Estado da Religião Catholica em Angola | Estado moral dos povos de Angola | Estado em que Levingstone, missionario protestante, achou a Religião Catholica em Angola Disposições do Povo em Angola | Numero de habitantes em Angola. Numero dos meninos de 7 annos para baixo | Razões e motivos de Caridade |Organização dos meios de Caridade | Observação.
José de Sousa Amado (Assafarge, Coimbra 1812 - ?). "Presbítero formado em teologia pela Universidade de Coimbra, em 1843, professor no Liceu Nacional de Lisboa e membro da Relação do Patriarcado de Lisboa. Foi um escritor e jornalista que escreveu muitas obras em defesa da Igreja e da ortodoxia religiosa, atacando o Marquês de Pombal, a Maçonaria, o Protestantismo e o Estado liberal. Participou nas polémicas com Herculano sobre o Casamento Civil e sobre as Irmãs da Caridade. A sua vasta obra (cerca de 50 monografias e numerosos artigos dispersos por jornais) inclui manuais escolares, obras de piedade pessoal, escritos sobre ritos e comportamentos e para afirmação de sacramentos e práticas devocionais católicas."
(Paulo Mendes Pinto - José de Sousa Amado e as lutas contra a heretodoxia social e religiosa: um percurso bibliográfico. In Lusitânia Sacra, 2ª Série, 16 (2004) 385-398)
Exemplar brochado, por abrir, - com capas simples, lisas, - em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

29 dezembro, 2023

HOCHSCHILD, Adam -
O FANTASMA DO REI LEOPOLDO.
Uma história de voracidade, terror e heroísmo na África colonial. Tradução: Manuel Ruas. Lisboa, Caminho - Colecção Estudos Africanos, 2002. In-8.º (21x14,5 cm) de 484, [4] p. ; [16] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo histórico para a história da colonização africana pela Bélgica. "King Leopold's Ghost: A Story of Greed, Terror and Heroism in Colonial Africa é uma história da conquista do Congo pelo rei Leopoldo II da Bélgica e das atrocidades cometidas durante o período da governação da colónia pelo  monarca, eventos que levaram à primeira grande campanha internacional de direitos humanos do século XX. O livro reacendeu o interesse e a investigação sobre o regime colonial de Leopoldo no Congo, mas foi recebido com alguma hostilidade na Bélgica. De acordo com o The Guardian, o livro "trouxe gritos de raiva dos colonos belgas belgas e de alguns historiadores belgas, mesmo tendo in tegrado as listas de best-sellers do país." (Wikipédia)
Livro ilustrado em página inteira com um mapa - "O Congo em 1900", e com inúmeras fotografias, desenhos e gravuras distribuídas por 16 páginas separadas do texto.
"Edmund Morel é, em finais da década de 1890, funcionário de uma companhia de navegação britânica. Ao chegar do Congo, estranhou que os navios da sua companhia trouxessem valiosos carregamentos de borracha e marfim e em troca levassem apenas soldados, abastecimentos militares e armas. O Congo era então a mais recente colónia «adquirida» pelo rei Leopoldo II da Bélgica. Morel acabou por compreender, com horror, que a origem daqueles carregamentos só podia ser uma: trabalho escravo em larga escala. Deixa o emprego e torna-se o mais importante jornalista-investigador do seu tempo. Conseguiu, através da denúncia do regime escravista do Congo e dos milhões de vidas humanas sacrificadas, despertar consciências e unir o mundo numa mesma causa. Durante anos a fio foi capaz de manter esta questão nas primeiras páginas dos jornais e desmascarar o rei Leopoldo perante a opinião pública como um homem da maior voracidade, ardiloso, dúplice, sedutor, um vilão que rivalizaria com qualquer figura romanesca."
(Sinopse)
Adam Hochschild (Nova York, 1942). "É um escritor, jornalista, professor universitário e conferencista norte americano, mais conhecido pela sua obra King Leopold's Ghost (O Fantasma do Rei Leopoldo). Hochschild nasceu na cidade de Nova York e graduou-se em Harvard (1963), em História e Literatura. Além de reconhecida obra literária sobre direitos humanos, Hochschild também escreveu para a New Yorker, Harper's Magazine, The Atlantic, Granta, o Times Literary Supplement, a New York Review of Books, a New York Times Magazine, The Nation e outras publicações. Foi ainda comentador no programa All Things Considered da National Public Radio."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Esgotado.
15€

17 junho, 2023

XAVIER, Felippe Nery - COLECÇÃO DOS FAC-SIMILES DAS ASSIGNATURAS, E RUBRICAS DOS VICE-REIS, E GOVERNADORES GERAES DO ESTADO DA INDIA, COORDENADA, POR DETERMINAÇÃO DO Ill.mo e Ex.mo S.or Visconde D'Ourem, GOVERNADOR GERAL DO MESMO ESTADO, POR... Official-maior graduado - Chefe da primeira Secção da Secretaria do Governo Geral, e Director da Imprensa Nacional. Nova-Goa: Na Imprensa Nacional, 1853. In-8.º (21 cm) de [246] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra impressa em Goa. Trata-se da colecção dos fac-símiles das assinaturas dos Vice-Reis e Governadores do Estado da Índia, desde o 1.º Vice-Rei, D. Francisco de Almeida (1505-1509) até ao mandato governativo de José Joaquim Januário Lapa, Visconde de Vila Nova de Ourém (1851-...), época em que foi publicado o presente livro. Acompanham os fac-símiles das assinaturas breve apontamento biográfico dos governantes.
Inocêncio atesta a sua raridade: "Estas colecções são muito raras na Índia, e ainda mais em Lisboa".
"Os alludidos Fac-similes, são extrahidos das originaes assignaturas que á força de enfadonhas buscas descubrimos humas exaradas nos autos das posses, e assentos doss Conselhos do Estado, e do extincto Conselho da Fazenda, e outras finalmente em diversas Cartas, Patentes, Alvarás, e Provisões de épocas remotas que reunimos; e ainda que se possa afiançar da sua exactidão com os originaes; com tudo he preciso dizer que a nitidez que parece faltar-lhe he devida á difficuldade em a conseguir neste Paiz avesso ás obras lithographicas, por causa da sua temperatura."
(Excerto da Advertencia)
Filipe Nery Xavier (Goa, 1801- Goa, 1875). Historiador, ilustre funcionário e administrador colonial. "Cavalleiro e Commendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Christo e Cavalleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, Official-maior da Secretaria Geral do Governo do Estado da Índia, director da Imprensa Nacional, vogal de numerosas e importantes commissões de serviço publico, durante mais de 50 annos. Socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa e de varias outras sociedades litterarias, premiado nas exposiçoes de Pariz, Porto, Madrasta."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos.
Carimbo de posse de Bello Carvalho na capa e na f. rosto.

Raro.
Com interesse histórico.
60€
Reservado

04 junho, 2023

AO PARLAMENTO PORTUGUEZ.
Representação dos Filhos de S. Thomé. Lisboa, Typ. da Pap. Estevão Nunes & Filhos, 1908. In-8.º (22,5 cm) de XXIII, [1], 142, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Protesto veemente dos colonos de S. Tomé, devidamente fundamentado, dirigido ao Parlamento da Nação.
"Na exposição que vamos fazer sobre o que tem sido a administração na Provincia de S. Thomé, propositadamente nos abstemos d'apreciar a forma porque as differentes auctoridades têm cumprido os seus deveres.
Não curamos das pessoas, mas apenas do que ellas custam.
Como contribuintes vimos protestar contra os impostos iniquos que tendem a esmagar a população nativa da provincia, matando-a á fóme.
Como eleitores vimos perante o parlamento expôr o mal e pedir o remedio que é seu dever dar-lhe."
(Excerto de preâmbulo)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Ténue mancha de humidade atinge marginalmente primeiras 4 folhas do livro.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

10 março, 2023

CARVALHO, Mario Affonso de - BANDEIRAS NACIONAES DE DIFERENTES ESTADOS DO MUNDO.
Edição de... Cap. Lisboa, Tipografia Rosa, Limitada, 1937. In-8.º (22 cm) de 27, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Monografia com as bandeiras dos países dignos de registo, alguns entretanto desaparecidos enquanto estado. Inclui no final, àparte, compilação dos dados geo-políticos relativos a Portugal, bem como um espaço dedicado às possessões coloniais dos países europeus em cada um dos continentes.
Livro muito ilustrado a cores, em página inteira, com as bandeiras oficiais dos países espalhados pelos cinco continentes.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Em falta duas folhas respeitantes a países da Europa.
Raro.
Com interesse histórico.
10€

04 janeiro, 2023

LOPO, Júlio de Castro - UM INTELECTUAL - Monsenhor Doutor Manuel Alves da Cunha : notas biográficas e bibliográficas - subsídios. Luanda, Imprensa Nacional, 1948. In-4.º (27 cm) de 79, [1] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Livro-homenagem ao ilustre flaviense Monsenhor Manuel Alves da Cunha, publicado poucos meses após a sua morte.
Ilustrado em separado com três retratos do missionário - um desenho (colagem) no início - e duas fotogravuras no interior.
"Alves da Cunha era um homem liberal e tolerante. O biógrafo que traçar seu perfil, terá de estudá-lo convenientemente dentro das épocas respectivas e sob estes aspectos: o homem, o português, o  missionário e o intelectual.
O homem trouxe do século XIX uma das grandes virtudes morais: - êle tinha horror pela existência do escravo.
O português limitava seu nacionalismo às proporções que a moral e a justiça determinam, mas pondo sempre, acima de tudo e de todos, os superiores interesses nacionais.
O missionário imprimia aos seus actos a afabilidade natural de julgar todos os nossos semelhantes com direito aos convenientes benefícios terrenos e às bem-aventuranças da «outra vida».
O intelectual tinha consciência do que fazia; e tudo o que fazia, era digno de saber-ser e de estudar-se."
(Excerto da Introdução)
Monsenhor Manuel Alves da Cunha (1872-1947). "Nasceu em Chaves, em 8.6.1872 e faleceu em Luanda, em 4.6.1947. Concluiu o bacharelato em Teologia na Universidade de Coimbra (1894). Foi professor do ensino particular na sua Terra (1897) e em 22.9.1900, é ordenado sacerdote. Em 31.10.1901 é nomeado Cónego de Luanda e nos anos seguintes, passa a provisor, e vigário geral, deão da Sé, vice reitor do Seminário Liceu vigário capitular, prelado doméstico, governador do bispado, protonotário apostólico e director das missões católicas. Foi ele que criou o liceu de Salvador Correia e aí foi professor e reitor. Também foi vereador da Câmara de Luanda e provedor da Misericórdia da mesma cidade. Em 1926 o Ministro João Bello chamou-o a Lisboa para com ele estudar o estatuto das Missões e a reorganização do Ministério do Ultramar. Regressou a Angola e prosseguiu a sua brilhante carreira polivalente, ao nível religioso, académico e político. Em tudo o que fez se mostrou um patriota impoluto, um intelectual de fino recorte, um amigo de Angola, um Transmontano inconfundível. Em 1933 foi alvo de uma homenagem pública que envolveu todos os sectores da vida angolana, a coroar uma simpatia invulgar, um trato social incomum, uma cultura fora de série. Em 1.11.1941 embarca compulsivamente no Cubango e desembarca em Lisboa, em 27 do mesmo mês. Só regressa a Angola em 2.1.1943. Nesse lapso de tempo publica e anota o III Vol. da História das Guerras Angolanas de Cadornega (1942). Alberto de Lemos, seu biógrafo e seu aluno, escreveu: "é um dos maiores vultos da História de Angola. Durante 15 anos da vacância episcopal foi sustentáculo válido duma Igreja batida pelo abandono e pelas agressões duma política que não tinha a compreensão das melhores conveniências do Ultramar Português e também atormentada pelas agressões de potências estrangeiras que ambicionavam deslocar nos dos territórios e das posições das influências em África. Dotado de inteligência superior e muito culto, modelo de virtudes cristãs, foi sempre colaborador indispensável e amado pela hierarquia que com ele privou. Polígrafo de muitos méritos, foi historiador, etnólogo, ensaísta de muito saber, mestre incomparável de todos os contemporâneos do seu convívio: Foi conselheiro prudente e auxiliar devotado de muitos governadores gerais. "A sua obra literária foi vastíssima, passando pelo jornal O Apostolado, Boletim da Diocese, Revista "Arquivos de Angola"."
(Fonte: https://de_svo.blogs.sapo.pt/30766.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 novembro, 2022

FERRAZ, Márcia Ramos Ivens - SÒZINHA NO MATO.
Narrativa inédita da vida da autora sòzinha no mato, no meio indígena
. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco, [1955?]. In-8.º (19 cm) de 247, [9] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Memórias de uma colona portuguesa em terras de Moçambique. Obra premiada no 25.º Concurso de Literatura Colonial.
Livro ilustrado com 49 fotogravuras distribuídas pelo texto.
"Foi este livro escrito por uma Mulher de uma energia rara, que afrontou sem receio a triste vida do mato africano, na esperança de melhores dias para si e para os seus entes mais queridos.
Sem ajuda de ninguém, tentou desbravar a selva inóspita para colher os frutos do seu arriscado labor.
Provou ser enérgica, não só quando, altas horas da noite, sentiu envolvida a sua casa pelo gentio irrequieto, que afinal vinha pedir-lhe justiça e que tratasse dos feridos duma luta de selvagens, mas também no seu viver, sòzinha no mato, olhando o bem-estar dos filhos, lutando pela vida sem sombra de desânimo, chegando quase a morrer enterrada no lodo da terra pantanosa, não vendo o caminho, metida no capim, devendo a vida aos pretos que acompanharam a sua patroa - a Missis - exemplo heróico encorajando os pretos, para os quais chegou a ser um ídolo!
Descrições de um grande realismo, sem pretensões de estilo, tornam suave e encantadora a leitura."
(Excerto do Prefácio, de Guilherme Couvreur de Oliveira)
"A escritora africana demonstrou uma coragem e um desassombro fora do comum atribuído a uma mulher, enfrentando uma vida dura e difícil e ainda lutando com algumas dificuldades financeiras para melhor administrar e produzir nas suas terras.
Ao par dessas peripécias e dessas dificuldades a Sr.ª Ivens Ferraz não perdeu o seu tempo, pois, além dos resultados materiais do seu trabalho, digno dos melhores elogios, ofereceu-nos não um relatório de seus trabalhos mas um livro que nos mostra uma maneira muito suave, alegre, humorística e às vezes trágica o que foi sua vida nas selvas africanas.
A obra é digna de ser lida por quantos se interessam por estes assuntos relativos à vida das selvas,  pois estão muito bem descritos e estudados sob vários aspectos a vida dos negros, mostrando como vivem em sua comunidade, os casamentos, as festas, a alimentação que usam, enfim, os seus usos e costumes. Ao par desses aspectos está também muito bem estudada a fauna, mostrando como as pessoas devem se precaver com as feras..."
(Excerto de Duas palavras, de Júlio Pinto Gualberto)

"Ao fazer a descrição da minha vida no mato, das cenas comigo passadas ou por mim presenciadas, e outras que, embora tivessem lugar em redor da minha propriedade e nas proximidades, depressa vinham ao meu conhecimento, contarei primeiro a maneira como aqui vim encontrar-me neste isolamento.
Cerca de vinte anos antes do meu casamento, quando ainda me encontrava em Portugal, já aquele que veio a ser meu marido era proprietário de um vasto terreno situado em Maholéla, que obtivera por concessão do Estado. Mais de 600 hectares, dos quais cerca de metade encontrei desbravados por ele, em magníficas terras de aluvião.
Conta meu marido que escolheu este terreno quando era quase todo um enleado de trepadeiras, em floresta virgem, de árvores seculares e milenárias, habitada pelos animais selvagens - o leopardo, o pitão (vulgarmente conhecido por jibóia) e até o leão, e que, na enorme lagoa que ali existe, se banhavam hipopótamos e crocodilos, e vinham beber água manadas de elefantes - que ainda hoje ali vão - e toda a fauna da região."
(Excerto do Cap. I - A propriedade de Maholéla)
Exemplar em brochura bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e ultramarino.
Indisponível

27 julho, 2022

CARVALHO, Coronel João Augusto de Noronha Dias de - HENRIQUE DE CARVALHO E A ESCRAVATURA.
[Pelo]... Of. Or. da Instrução Pública
. Lisboa, [Edição do Autor(?) - Composto e Impresso nos Serviços Gráficos da Liga dos Combatentes], 1987. In-4.º (23 cm) de 80 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem ao General Henrique de Carvalho (1843-1909), "Benemérito da Pátria, 1.º Governador de Luanda - Grande amigo dos africanos, Chefe da Expedição à Mussumba do Muato - Ianvo", sendo igualmente, um importante subsídio para a história da escravatura em África.
Livro ilustrado com 5 estampas em página inteira: 3 retratos do homenageado, um outro do rei dos Belgas - Leopoldo II, e do monumento a Sá da Bandeira, em Lisboa.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Henrique de Carvalho, o grande pioneiro que já em 1875 dirigira uma carta ao Ministro Sá da Bandeira, intitulada «Mais um brado a favor da Liberdade» sobre a escravatura, ada a insistência com que se continuava a acusar os portugueses de a praticar, e o facto de ser ao rei Leopoldo II da Bélgica que estava destinada a presidência da respectiva Conferência Internacional, dirige a este soberano, 14 anos depois, uma carta que intitulou «Influência da Civilização e da Colonização Latina e Especialmente Portuguesa, na África». Dada a sua relevância para o estudo da escravatura, e por se encontrar esgotada, julgo a sua reedição de grande interesse. Henrique de Carvalho neste livro, usando dos seus profundos conhecimentos (sobre a África), tanto geográficos como etnográficos, digamos dos usos, costumes e tradições dos seus povos, por um lado, e do seu comércio, por outro, compreendendo neste a «qualidade» dos «deanteiros» (sertanejos), que então o exerceram, forma de se processar, regimen de permutas, e finalmente das vias de penetração desse comércio no Nordeste angolano, desejou acima de tudo informar com seriedade, franqueza e desinteresse, o rei Leopoldo II, daquilo que devia saber e lhe ocultavam, para presidir com competência e imparcialidade à Conferência Internacional que deveria reunir na Suíça para pôr termo à escravatura.
Simultaneamente, o Explorador contesta que os portugueses estejam a fazer escravatura em Angola."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I) Introdução. II) Carta ao Marechal Sá da Bandeira. III) Carta ao Rei dos Belgas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
15€

24 julho, 2022

MORAES, Antonio Maria de Jesus Castro e – UM BREVE ESBOÇO DOS COSTUMES DE S. THOMÉ E PRINCIPE
. Alguma coisa relativa á família Agua-Izé e ao general Luiz Joaquim Lisboa. A TRAIÇÃO porque foi colhido o governador da provincia Joaquim Bento d’Almeida no reinado de D. Miguel 1.º e as calumnias de que foi victima. Por… Professor jubilado da escola principal da dita provincia. Lisboa, Tip. Adolpho de Mendonça, 1901. In-8.º (22,5cm) de 96 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio coevo para a história e conhecimento da antiga colónia portuguesa. Ilustrado com bonitas vinhetas.
Livo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"E’sta minha humilíssima obra, consta de três partes distinctas. […] No meu plano não tive em mira passar o meu nome á posteridade, ou grangear emeritos encómios: o meu fim especial consiste apenas no desejo de que as inteligências superiores á minha, venham noticiar melhor os assumptos em que n’ella me ocupei. Declaro porém que escrevi conscienciosamente, porque, nunca foi meu costume romantizar ou adulterar a verdade dos factos, seja pela palavra falada, ou pela escripta. Os que me conhecem bem, sabem perfeitamente que o meu feitio especial, nem se adapta, nem se amolda a intrujices ou imposturas. O que é, é, e com isso tenho dito tudo."
(Excerto do prefácio)
Índice:
Um breve esboço dos costumes de S. Thomé e Principe: I – Evitando o feitiço; II – Cidadão importante; III – A mulher importante; IV – A mulher casada e solteira; V – O casamento indígena; VI – As lavadeiras; VII – Juramento de fidelidade; VIII – A justiça divina; IX – O milagre das vassoiras; X – Acompanhamento fúnebre; XI – A missa do setimo dia; XII – Tirar a lema; XIII – Os estudantes e o feitiço; XIV – Persignar; XV – Filhos acompanhando os paes á sepultura; XVI – Herva malicia e herva parceira; XVII – Mais superstições; XVIII – Curandeiros; XIX – O danço do Congo; XX – Dança infantil; XXI – Festa do Deus Padre e da Senhora da Graça; XXII – Festa do Apostolo S. Thomé; XXIII – Festa e S. Lourenço na ilha do Principe; XXIV – Bisca piedosa; XXV – Lóbéto cálhô. Protesto de summa consideração. Ao sr. Ministro do Ultramar.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
45€