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04 agosto, 2022

HERCULANO, A. - DA PROPRIEDADE LITTERARIA E DA RECENTE CONVENÇÃO COM FRANÇA.
Carta ao senhor Visconde d'Almeida Garrett. Por... Lisboa, Imprensa Nacional, 1851. In-8.º (23 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante opúsculo para a história do Direito de Autor em Portugal.
Carta aberta de Herculano que trouxe para a ribalta a "doutrina da propriedade literária, representativa da possibilidade dos autores serem os detentores exclusivos do direito de publicarem ou autorizarem a reprodução de suas obras. A partir do Decreto de 8 de julho de 1851, proposto por Almeida Garrett e considerado o marco jurídico inicial do direito de autor em Portugal, ganhou notoriedade a contraposição de ideias entre Garrett, defensor da propriedade literária como o meio mais adequado para tutelar os interesses do autor e da sociedade, e Herculano, que concebia impossível obras literárias consubstanciarem-se em objeto de propriedade."
(Fonte: https://www.redalyc.org/journal/6080/608065719004/html/)
Rara edição original do folheto que deu origem à polémica protagonizada por duas das mais ilustres figuras das letras nacionais - Alexandre Herculano e Almeida Garrett -, cuja posição antagónica sobre o assunto chegou a pôr em causa a sua relação de amizade.
"Senhor Visconde, - Ha dias que no Diario do Governo se publicaram varios documentos assignados por V. Ex.ª, entre os quaes um, cujo verdadeiro nome e indole ignoro pela minha pouca noticia dos ritos diplomaticos e formulas officiaes. Neste documento, no meio de graves ponderações dirigidas á Soberana por V. Ex.ª ácerca da convenção recentemente celebrada com a republica franceza, vem citado o meu nome em abono, se não daquella triste convenção, ao menos do decreto que creou e legitimou em Portugal a propriedade litteraria. A honra que V. Ex.ª me faz citando o meu nome, e citando-o conjunctamente com o do illustre Silvestre Pinheiro, exigiria da minha parte o mais vivo reconhecimento, se eu podera acceita-la. Infelizmente prohibe-m'o a consciencia. Enganaria os meus concidadãos; enganaria V. Ex.ª, se com o silencio désse a minha fraca sancção á doutrina da propriedade litteraria, a qual considero mais que disputavel, ou á convenção com França, que, além de consagrar opiniões que reputo profundamente inexeactas, é prejudicialissima por diversos modos aos interesses da nossa terra."
(Excerto do texto)
Exemplar em brochura, preso por atilho, sem capas, - tal qual foi posto em circulação. Encontra-se em bom estado, com excepção da f. rosto, onde, embora com pouco significado, é visível orifício de traça que atinge o título principal da obra - "Propriedade Litteraria".
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 abril, 2022

HOMENAGEM A ALMEIDA GARRETT. Pelos escritores da Tertúlia "Rio de Prata".
[Coordenador: Ulisses Duarte]. Lisboa, Universitária Editora, 1999. In-8.º (21 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos (27) de vários autores - em prosa e verso - de homenagem ao vate português.
"João Baptista da Silva Leitão nasceu no Porto em 1799 no seio de uma família burguesa. Sua mãe pertencia à "burguesia brasileira". A família materna, de fracos recursos económicos, fora para o Brasil e aí tinha feito fortuna; pelo lado do pai, funcionário superior da Alfândega, com propriedades na Ilha Terceira e três irmãos eclesiásticos duma boa cultura, saía duma burguesia letrada.
O apelido Garrett foi adoptado por ele e vinha duma ascendente paterna, de origem irlandesa, que dizia-se, tinha vindo para Portugal no séquito duma princesa.
A família embarcou para as propriedades açorianas aquando das Invasões Francesas, e foi o tio, Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Angra, que com a sua erudição iniciou João Baptista nos estudos A família destinava-o à carreira eclesiástica mas ele preferiu cursar Direito e matriculou-se em Coimbra."
Com o saber arcádico aprendido com o tio, e as ideias liberais político-religiosas bebidas em Coimbra, começou a escrever tragédias, odes, soneto e outras composições. Já adoptara o apelido Garrett e começou a ser notado pelo seu entusiasmo pelas ideias liberais, pelos discursos e poemas."
(Excerto de Almeida Garrett, Político e Homem de Letras - Armanda Veríssimo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico e biográfico.
10€

28 outubro, 2021

BRAGA, Theophilo - GARRETT E O ROMANTISMO.
Por... Historia da Litteratura Portugueza
. Porto, Livraria Chardron - Casa Editora: Sucessores Lello & Irmão, 1903. In-8.º (18,5 cm) de 544 p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da literatura portuguesa, em especial para o Romantismo, corrente que teve em Almeida Garrett um dos seus principais representantes.
"Escrevendo sobre Garrett, formulou Lopes de Mendonça uma phrase de intuição genial: é uma nacionalidade que ressuscita. Todas as manifestações complexas da sua existencia individual, todas as iniciativas e intenções da obra em que fundou uma nova Litteratura, derivam do sentimento que o impellia a acordar nas almas a emoção da patria, e dar a um povo a consciencia do seu organismo historico de nação. Abalos profundos se deram na sociedade portugueza, reflexos do movimento politico que agitava a Europa nos começos do seculo XIX; o velho absolutismo do direito divino transigia com o reconhecimento a soberania nacional, e o arbitrio da acção governativa systematizava-se em codigos politicos, e em representação parlamentar como expressão do suffragio. Garrett saiu da adolescencia, quando estes impulsos, em que o liberalismo se generalisava como uma transição ingleza, vieram suscitar em Portugal a generosa Revolução de 1820. Esse movimento revolucionario, na sua sinceridade e audacia reorganisadora, foi verdadeiramente uma vibração de energia da nacionalidade; Garrett rcebeu em cheio essa luz, achou a sua missão como homem e como artista: servir essa patria até ao sacrificio, dar-lhe voz, expressão de protesto e de hymno de gloria, inspirando-se na sua Tradição, e restituindo-lh'a idealisada pela poesia. Explicar a genese de um espirito que se liberta de todas as compressões mentaes e sociaes de uma epoca de decadencia profunda, é um trabalho digno de interesse pela lição pela lição que apoveita a todos; mas será maior o encanto e assombro seguir este revivificação maravilhosa de uma nacionalidade quasi apagada, erguendo-se sentida e imponente na sua obra esthetica."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. | Ideia geral do Romantismo. | I - Garrett sob o influxo do Arcadismo (1799 a 1823). | II - Garrett e os aspectos do Romantismo (1823 a 1831). | Terceira epoca. (1828 a 1834).
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

20 setembro, 2020

BESSA, Alberto - ALMEIDA GARRETT NO PANTHEON DOS JERONYMOS. Historia dos trabalhos de propaganda para a grande manifestação nacional de homenagem ao visconde Almeida Garrett, dando-se-lhe sepultura condigna do seu alto merito, no grandioso templo de Santa Maria de Belem. Por... Secretario do Conselho Director da Sociedade Litteraria «Almeida Garrett»... (Com um "fac-simile" do testamento do grande poéta). Lisboa, Typographia - Casa Portugueza - Papelaria, 1902. In-4º (24 cm) de 45, [3] p. ; [2] f. desd. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro ilustrado com fotogravuras ao longo do texto, onde se destaca o jazigo mandado construir por Almeida Garrett no Cemitério do Alto de S. João, e em separado, o fac-símile em folhas desdobráveis, de grandes dimensões a primeira (35x42 cm), e menor a segunda (35x21 cm), impressas frente e verso, reproduzindo o testamento manuscrito do grande vate português.
"Este opusculo nasceu da necessidade impreterivel, reconhecida pelo auctor, de se fazer uma historia e de se instaurar um processo: - a historia dos trabalhos levados a cabo para se conseguir a trasladação de Garrett para os Jeronymos, e o processo referente á pretendida vontade expressa do poéta acerca da sua ultima morada."
(Excerto de A ultima morada do poéta)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse garrettiano.
30€

20 maio, 2020

BRAGA, Theophilo - HISTORIA DO THEATRO PORTUGUEZ. Por... Garrett e os Dramas Romanticos : seculo XIX. Porto, Imprensa Portugueza - Editora, 1871. In-8.º (18 cm) de VIII, 296 p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Teatro em Portugal. Edição original publicada na apreciada colecção Historia da Litteratura Portugueza, parte de um plano antigo do autor para a história do teatro português em quatro volumes, contemplando vários períodos - do século XVI ao século XIX -, sendo este o último, dedicado ao século XIX. Esse plano seria revisto, com a publicação de outras obras sobre o teatro pátrio no final da centúria.
"Eis o escriptor a quem o theatro portuguez mais deve, que o erigiu com a sua preponderancia politica, que o formou com os bellos dramas sobre as ricas tradições nacionaes, que educou uma mocidade inerte, e que teve o magico poder de apaixonar o publico cansado das sanguinolentas luctas civis, a ponto de considerar a fundação do theatro portuguez como um symbolo da sua independencia e da nova vida social. Garrett era dotado em alto grau da intuição das causas bellas, de tal fórma que o gosto artistico suppria n'elle a falta de sciencia. Teve defeitos de caracter, mas era uma boa alma; fiquem na sombra esses traços menos correctos do homem, e para não vêl-o sómente através do ideal da sua obra, esboçaremos a sua vida tal como foi influenciada pelo tempiveu. Garrett era exageradamente sentimentalista; não separava a concepção da sua personalidade, deliciava-se com as palavras de louvor, chegando a escrever anonymamente a sua biographia [no Universo Pittoresco]."
(Excerto Os Dramas romanticos: II - Vida de Almeida Garrett)
Index:
Advertencia. | Influencia da Nova Arcadia: I - Enthusiasmo politico nos Theatros (1801-1829). II - João Baptista Gomes. III - As tragedias politico-philosophicas. IV - Antonio Xavier Ferreira de Azevedo. Os Dramas romanticos: I - A Eschola do Romantismo no Theatro. II - Vida de Almeida Garrett. III - Garrett na emigração. IV - Nova feição dramatica de Garrett. V - Garrett e o Frei Luiz de Sousa. Fundação do Theatro moderno: I - O Theatro nacional (1836-1854). II - Inspecção geral dos Theatros. III - O Conservatorio da Arte dramatica. IV - Edificação do Theatro. V - O Ultra-Romantismo. | Conclusão. Repertorio geral do Theatro portuguez no seculo XIX.
Belíssima encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€

30 setembro, 2019

OLIVEIRA, José Osório de - O ROMANCE DE GARRETT. Pôrto, Livraria Tavares Martins, 1935. In-8.º (19 cm) de 292, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia romanceada do insigne vate português.
"É grande a agitação em casa do selador da Alfândega do Pôrto, António Bernardo da Silva. Êste homem austero e rigoroso deixou o emprêgo para acorrer ao chamamento da mulher, D. Ana Augusta de Almeida Leitão. Ao subir a rua do Calvário, o senhor António Bernardo nem corresponde aos cumprimentos respeitosos da vizinhança. A mulher está com as dores do parto, e o digno funcionário esquece a sua costumada solenidade. Ao chegar diante de casa, um prédio estreito e alto, olha para as janelas do primeiro andar com um vago temor. Entre essas janelas será um dia colocada uma lápide vistosa, comemorando esta data: 4 de Fevereiro de 1799."
(Excerto do Cap. I)
"Instala-se a família de António Bernardo numa casa da rua de São João, na cidade de Angra, onde dois irmãos do selador da Alfândega do Pôrto são dignatários da Sé. A êles se vem juntar o bispo de Angola, que pouco depois, a-pesar-da idade avançada, vai ao Rio-de-Janeiro onde está a Côrte. Protector da família, leva-o ao Brasil o desejo de obter do príncipe regente para o filho mais velho de António Bernardo o lugar do pai. Do Rio volta com a satisfação do que desejava para o sobrinho Alexandre, e mais com o encargo da diocese de Angra, que não pretendia."
(Excerto do Cap. II)
"João Baptista tem quási dezoito anos quando chega a Coimbra e se matricula  no curso jurídico. Aluga um quarto na rua do Borralho mas, espírito inquieto, todos os anos mudará de casa. [...]
Na cidade universitária definirá a sua personalidade, adoptando o nome de Garrett, mas por emquanto é ainda o jovem João Baptista."
(Excerto do Cap. III)
José Osório de Castro e Oliveira (1900-1964). "Ficcionista, poeta e crítico literário, filho de Ana de Castro Osório e Paulino de Oliveira, nasceu em Setúbal e estreou-se aos dezassete anos, nas páginas de A Capital. Em 1919, seguiu para Moçambique a exercer funções públicas e, logo em 1922, publicou o seu primeiro ensaio sobre Oliveira Martins e Eça de Queirós. Estanciou várias vezes no Brasil, Cabo Verde e África ocidental portuguesa como editor e funcionário do Ministério das Colónias. Tornou-se, desde os anos trinta, um dos maiores divulgadores da literatura cabo-verdiana e defensor da aproximação literária entre Portugal e o Brasil."
(Fonte: http://acpc.bnportugal.gov.pt/colecoes_autores/n24_oliveira_jose_osorio.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas plastificadas. Rubrica de posse na f. anterrosto.
Invulgar.
Indisponível

12 agosto, 2019

NUNES, Sousa - GARRETT E AS SUAS HEROÍNAS. A Rainha Menina : romance histórico. Lisboa, Depósito: Livraria Popular de Francisco Franco, [1953]. In-8.º (19,5 cm) de 251, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Romance biográfico sobre o grande vate português.
"João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu no Porto, no dia 4 de Setembro de 1799. [...]
Aos 4 anos, vendo o pai quanto João se distanciava do primogénito, resolveu destiná-lo à igreja, e, na mira de o ter mais isolado, levou a família para uma quinta que possuíam no sul do Douro, de nome «Castelo».
Por essa época enchia Napoleão o mundo inteiro com o ruído do seu nome, que tanto aterrava o espírito fraco das velhas fanáticas. João Baptista passou a contar-se no número dos seus maiores admiradores e quanto mais mal ouvia dizer do grande cabo de guerra e dos seus companheiros de armas, mais a imaginação se lhe exaltava a seu favor.
Um dia viu-lhe o retrato na feira de S. Lázaro, no Porto, e comprou-o logo, com o dinheiro que lhe deram para santinhos, gaitinhas e outras bugigangas que faziam a delícia dos mais rapazes, o que lhe mereceu um bom puxão de orelhas do pai.
Quando o General Soult entrou no Porto, partiu António Bernardo com toda a família para a Ilha Terceira, e Garrett frequentou as aulas de latim do professor João António.
Em 1811, foi para aquela ilha seu tio Alexandre, bispo de Luanda, e passaram a viver juntos.
Aos 15 anos descobriram-lhe o primeiro amor e, reconhecendo-se que a carreira eclesiástica não convinha a um carácter amoroso, como o de João Baptista, puseram-no a estudar direito na Universidade de Coimbra."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, ligeiramente oxidadas, com pequenos defeitos.
Invulgar.
Indisponível

16 outubro, 2018

GARRETT, J.-B. de Almeida - DISCURSO DO SR. DEPUTADO PELA TERCEIRA..., NA DISCUSSÃO DA RESPOSTA AO DISCURSO DA COROA, pronunciado Na Sessão de 8 de Fevereiro de 1840. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1840. In-8.º (20cm) de 35, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"Este discurso, que ficou por muito tempo celebre sob a designação allusiva de Porto-Pyreu, e na opinião de um dos biographos do poeta (ou talvez na sua propria), o mais vigoroso e eloquente que até 1844 se havia pronunciado na tribuna portugueza. «Tem periodos que não envergonhariam a Demosthenes, ou a Cicero, e conceitos que os primeiros oradores de França e da Inglaterra folgariam de tomar por seus»."
(Inocêncio III, p. 315)
"A discussão vai larga e degenerada, ja principia a cansar a Camara, e ha muito que enfastiou a Nação. E comtudo, eu espero d'ella um grande fructo, uma utilidade immensa, inappreciavel, com que não só a Camara mas toda a Nação hade ganhar muito: - a próva indirecta, o testimunho irrefragavel, a convicção unanime de que não era este o modo, de que não era certamente este o stylo de discutir a resposta a um discurso da Coroa."
(Excerto do Discurso)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação. Capas simples, cortadas no pé, mais curtas que os cadernos.
Invulgar.
Indisponível

03 dezembro, 2016

[GARRETT, Almeida] - PORTUGAL NA BALANÇA DA EUROPA; DO QUE TEM SIDO E do que ora lhe convem ser na nova ordem de coisas do mundo civilizado. LONDRES : S. W. SUSTENANCE, 1830 [aliás, Coimbra, Universidade de Coimbra, 2013]. In-8.º (16cm) de XV, [1], 338, [2] p. ; B.
Obra de referência da biblografia garrettiana.
Edição especial comemorativa dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra, que reproduz a edição original deste título de Garrett publicado sob anonimato, em Londres (1830). Impressa em papel de superior qualidade (Soporset de 80g/m2), reproduz fielmente um exemplar da edição original.
"Em 1830, Almeida Garrett publicava em Londres uma das suas emblemáticas obras de teor político, intitulada “Portugal na Balança da Europa - Do que tem sido e do que ora lhe convém ser na nova ordem de coisas do mundo civilizado”. Dedicando-a à Nação Portuguesa, Almeida Garrett principiou a sua obra afirmando que “É sem duvida a servidão o mais insuportável dos males e o mais abominável dos flagícios: como nascidos que somos para a liberdade, nossa própria natureza a ela repugna; a existência se nos torna indiferente, e a morte que a termina lhe deve ser preferível”.
(fonte: samueldepaivapires.com)
Como marco do nosso europeísmo, costuma, invocar-se a célebre obra de Almeida Garrett, Portugal na Balança da Europa, editada em Londres, no ano de 1830, onde, em nome da esperança, se procurava pensar enraizadamente do que tem sido Portugal e do que ora lhe convém ser na nova ordem de coisas do mundo civilizado, desejando-se: «Oxalá as honradas cãs do antigo Portugal, se já não é possível remoçá-lo, vivam ao menos em honesta e respeitada velhice; nem por impiedade de seus filhos o escarneçam desalmados estrangeiros na segunda infância da decrepitude, desonrado dos seus, insultado de estranhos, desamparado de todos! Praza a deus que todos, de um impulso, de um acordo de simultâneo e unido esforço, todos os portugueses, sacrificadas opiniões, esquecidos ódios, perdoadas injúrias, ponhamos peito e metamos obra à difícil mas não impossível tarefa de salvar, de reconstituir, a nossa perdida e desconjuntada pátria, - de reequilibrar enfim Portugal na balança da Europa!».
(fonte: www.iscsp.ulisboa.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

10 agosto, 2014

GARRETT, V. de Almeida - VERSOS. Do... I. Lyrica, Terceira edição. Lisboa, Em Casa da Viuva Bertrand e Filhos, 1858. In-8º (17,5cm) de [2], VI, 287, [1] p. ; E. Obras do V. Almeida-Garrett. XVI. (Primeiro dos Versos)

"Que estancia tam feliz, de Flora alvergue,
Mimo da natureza!
Que saudavel bafejo d'aura estiva
Me renova a existencia!
Doce a mansão das Dryades florentes
O olfato lisongeia;
Ledo c'os filhos o cantor plumoso
Gorgeando esvoaça
De raminho em raminho, e vai na relva
Colhêr o tenro gomo
Da hervinha que desponta, e vem trazê-la
Ao fabricado ninho,
Onde a molle pennuge apenas cobre
Os caros pequenitos,
Tudo é vida, que pulla, que germina
Na alegre natureza." 

(excerto do poema A Primavera)

Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura. Aparado à cabeça.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse coeva na f. anterrosto.
Invulgar.
Indisponível

25 julho, 2014

AMORIM, Francisco Gomes de - GARRETT : memorias biographicas. Por... Conservador da Bibliotheca e Museu de Antiguidades Navaes, Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia Hespanhola de Historia, etc., etc. Tomo I [e Tomo II e Tomo III]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1881-1884. 3 vols in-4º (22,5cm) de [4], 398, [2] p. ; [1] f. il., XXXII, 723, [5] p. e VIII, 717, [3] p. ; [5] f. fac-sim. E.
1.ª (e única) edição das memórias biográficas de Almeida Garrett. Obra de referência e de singular merecimento, talvez a mais importante publicada sobre o poeta português.
Ilustrada com um retrato de Almeida Garret no início do 1.º volume, e com 5 fac-símiles, 3 das quais em folhas desdobráveis, respectivamente, do Plano da biografia de Garrett, como ele queria que a fizesse o autor das Memórias; a última carta que dirigiu a Gomes de Amorim; as primeiras quatro estrofes de O Anjo Caído; a última página literária que escreveu - da primeira cena da comédia O Conde de Novion, no final do 3.º volume.
"É como a luz do sol o genio dos grandes poetas. O seu clarão brilhante, espalhando-se na terra, aquece e alumia as almas de todos os que encontra. Manifestando-se no livro, astro da intelligencia, afugenta as trevas dos cerebros mais obscuros; esclarece e persuade, até os proprios que não querem convencer-se nem illustrar-se. Na poesia, enternece os insensiveis, arranca lagrimas dos corações mais seccos, risos dos labios mais cerrados, gritos da admiração dos peitos mais frios e indifferentes. É uma força invencivel, que transforma os individuos, subjugando a vontade dos mais rebeldes e o espirito dos mais pertinazes. Denuncia, enfim, a centelha divina, que o Creador poz na mente do homem.
Quando o escriptor se chama Homero, Virgilio, Dante, Milton, Camões ou Garrett, os seus poemas atravessarão os tempos e o espaço, cada vez mais admirados e queridos. As suas idéas, similhantes aos raios fulgurosos do rei dos astros, brilharão com o mesmo esplendor com que foram ennunciadas milhares de annos antes! Depois de terem commovido e enthusiasmado as gerações extinctas, demonstrarão ás presentes que nem os seculos depravados, nem as epochas de obscurantismo lhes alteraram a primitiva grandeza e a graça nativa! Filhas do genio, só deixarão de existir quando Deus, destruindo o mundo e chamando a si o ultimo homem, volver tudo ao nada, de onde nos tirou a sua omnipotencia."
(excerto da introdução, I, O genio dos grandes poetas)
Francisco Gomes de Amorim (1827-1891). "Escritor português, nascido a 13 de agosto de 1827, em A-Ver-o-Mar, Póvoa de Varzim, numa família de pequenos lavradores do Douro Litoral, e falecido a 4 de novembro de 1891, em Lisboa. Emigra para o Brasil com apenas dez anos, aliciado por engajadores. Aí conhece uma existência aventureira, trabalhando primeiro como caixeiro e depois como roceiro na selva amazónica. Autodidata, depois de ler o poema Camões, de Almeida Garrett, escreve ao escritor, exprimindo-lhe a sua admiração, e este decide apadrinhá-lo e promover o seu regresso a Portugal, que acontece em 1846. Gomes de Amorim passa de operário a conservador de museu e inicia a sua atividade literária, colaborando em vários periódicos, como O Panorama (1837-1868) e a Revista Universal Lisbonense (1841-1859), e publicando, em 1858, o primeiro volume de poesias, Cantos Matutinos. Poeta, dramaturgo, romancista, é certamente muito marcado pela obra de Garrett, acrescentando à sua influência um tom exótico e original, produto dos anos passados no Brasil. Das suas obras destacam-se Fígados de Tigre, comédia onde parodia o melodramatismo ultrarromântico, e os três volumes das Memórias Biográficas de Almeida Garrett, onde oferece um interessante testemunho sobre a vida e a época contemporânea do fundador do romantismo português."
(Gomes de Amorim. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014)
Encadernações em meia de pele com ferros gravados a ouro nas lombadas.
Exemplares em bom estado de conservação. Defeitos nas pastas (vol. 1) e nas extremidades das lombadas (vol. 2 e 3). Mancha de humidade à cabeça no vol. 1 - afecta as primeiras folhas do livro. Assinatura de posse nas f. rosto dos 3 volumes.
Obra invulgar e muito apreciada.
Indisponível

04 dezembro, 2012

GARRETT, J. B. de Almeida - MEROPE. - GIL VICENTE. Theatro de... II. Lisboa, Typographia de José Baptista Morando. 1841. In-8º (15,5cm) de [6], 311, [1] p. ; E. Obras de J. B. de Almeida Garrett, III (segundo do theatro).
1ª edição.
"Tinha dezoito annos quando fiz ésta tragedia; foi nos meus últimos tempos de Coimbra, tempos de memoria saudosa porque eram todos de innocencia e de esperança. Não sei se é por isso que ainda tenho tanto amor a tam perfeito insaio, e me não atrevo a queimá-lo, como fiz a tantos versos e a tantas prosas da minha criancice. Mas parece-me que não, e que so o conservo pela sincerea vontade de mostrar como comecei a ingatinhar na carreira dramatica com as andadeiras classicas e aristotelicas que a ninguem se tiravam ainda em Portugal. 
Romantismo, ca o houve sempre; esse molestia, se tal é, esse andaço de bexigas, como ja lhe ouvi chamar, nunca sahiu da nossa peninsula. Mas a vaccina, como a prepararam Goëthe e Scott, essa é que não havia; e creio que fui eu que a introduzi.
Deus me perdoe se fiz mal. Já coméço a desconfiar que sim..." 
(excerto da introdução)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Folhas de anterrosto, rosto e 1º caderno solto; algumas páginas apresentam manchas de oxidação; inscrição coeva com assinatura de posse na f. de guarda (em bco).
Raro.
45€

14 maio, 2012

[GARRETT, J. B. da Silva Leitão d’Almeida] - D. BRANCA, ou A Conquista do Algarve, Obra posthuma de F.E. París, Em Casa de J, P. Aillaud, M DCCC XXVI.
Primeira edição de uma das obras mais estimadas de Garrett publicada sem o seu nome.
“Protesto que todas as expressões de fui obrigado a servir-me, fadas, incantamentos, etc. são puramente poeticas. Outro-si que ainda quando ataquei algum d’aquelles abusos a que tam propensa é a natureza humana, nunca tive a peccaminosa intenção de desacatar a veneranda crença de nossos paes. Antes foi meu principal fim n’ésta obra mostrar o castigo do vivio, o curto e amargo dos prazeres mundanos, e o triumpho porfim da virtude e da religião.” (excerto da protestação)
Encadernação coeva inteira de pele, com rótulo carmim e dourados na lombada; c/ defeitos.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Anterrosto apresenta falha de papel marginal; pequeno orifício na última página do texto.
Obra muito invulgar e apreciada.
Indisponível

30 abril, 2012

GARRETT, Almeida - O TOUCADOR. Periódico de que foi Redactor Almeida Garrett. Prefácio de Fernando de Castro Pires de Lima. 2ª edição (a 1ª em 1822). Dado à estampa pela Portugália Editora. [Lisboa], [imp. Of. Gráf. de Ramos, Afonso & Moita], [1957]. In-8º de 127, [4] p. ; il. ; B.
Ilustrado. Os desenhos que ilustram o texto, com excepção das reproduções da edição original, são de Laura Costa.
"É esta a primeira reedição duma obra, hoje raríssima, escrita há cento e trinta e cinco anos, e do seu mesmo título parece evolar-se o indefínivel aroma, a graça triste, das coisas esquecidas. Periódico sem política dedicado às Senhoras portuguesas, «O Toucador», que tratava de modas, namoro, bailes, teatro, jogo, passeios e variedades, foi, cremos poder afirmá-lo, o primeiro jornal do género que se publicou em Portugal".
(excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

20 abril, 2011

GARRETT, J. B. de Almeida - A SOBRINHA DO MARQUEZ ETC. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1848. In-8º de 176 p. ; E. Obras de J. B. de A. Garrett. X. (Quinto no Theatro).
1ª edição.
Encadernação de época, em meia de pele, sólida, apresenta algum desgaste nas margens e lombada; interior limpo, ocasionalmente, com pequenos picos de acidez.
Bom exemplar.
Raro - peça de colecção.
75€