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02 setembro, 2026

SOEIRO, Felix Anastacio & FERRÃO, Carlos Ribeiro Nogueira -
CARTA E MEMORIA SOBRE UM PROJECTO PARA O ESTABELECIMENTO DE UMA COLONIA MILITAR AGRICOLA E DISCIPLINAR SOB A PROTECÇÃO DE SUA MAGESTADE EL-REI, O SR. D. CARLOS I.
[Por]... Capitão de infanteria & Alferes de infanteria. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897. In-8.º (22,5x14,5 cm) de [2], 27, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Proposta inovadora, conceptual, para desenvolvimento de uma prisão militar na Serra de Serpa (Alentejo), que contemplasse a incorporação do trabalho agrícola como parte do processo correctivo e do cumprimento de penas das praças sob detenção, transformando o baldio improdutivo em campos de cultivo. Esta prisão-colónia militar acabou por nunca ser construída. O projeto enfrentou forte oposição local e pressões políticas, nunca tendo saído do papel.
Obra invulgar e muito curiosa. A BNP refere o livro com a indicação: "Sem informação exemplar".
Ilustrada no texto e em página inteira com quadros e tabelas estatísticas.
"Senhor
É precisamente no momento em que no paiz se debatem as mais encontradas opiniões ácerca do aproveitamento das enormas charnecas alemtejanas, como tentativa para se debellar a falta de trigos nacionaes, e com estas as innumeras difficuldades que d'ahi resultam, que os signattarios d'esta veem mui respeitosamente apresentar a Vossa Magestade um modesto alvitre tendente a melhorar, até certo ponto e o mais economicamente possivel, um tão angustioso estado de cousas. [...]
Senhor. Dois modestos officiaes do exercito de Vossa Magestade, sentindo-se com forças para uma actividade superior em beneficio da sua patria, sujeitam-se de bom grado ás enormes difficuldades da vida isolada, doentia e cara, nas charnecas do Alemtejo, sem outras ambições que não sejam a de se tornarem uteis ao seu paiz e ao governo de Vossa Magestade."
(Excerto do Introdução)
"Senhor. - Os dois officiaes abaixo assignados, bastante conhecedores da serra de Serpa e praticos em edificações economicas e nos trabalhos de culturas e pecuaria, propõem-se a fertilisar e colonisar com a mais restricta economia e as maiores vantagens para o estado, as extensas massas de terreno, sem a minima vegetação arborea, constituidas por faixas contínuas de esteval de grandes dimensões e de campos immensos de charneca improductiva da alludida serra.
Trocando espontaneamente as commodidades e gosos que offerece a vida das cidades pelas agruras da vida rural, sem comtudo deixarem de prestar valiosos serviços ao exercito, como se verá da indole d'este emprehendimento, procuram esta occupação honrosa e salutar para estabelecer uma colonia militar agricola e disciplinar no centro da mesma serra, que tem por fim empregar em todos os seus trabalhos de edificações, aproveitamento de aguas, culturas, creação de gados e apuramento das especies e exploração e aperfeiçoamento de varias industrias proprias da região, o pessoal da colonia, destacado do exercito com as aptidões requeridas para cada mister e ainda as praças destinadas ao deposito militar do forte da Graça, cuja regeneração será mais efficaz e offerecerá maiores garantias, alliando o trabalho agricola obrigatorio á educação e correcção militar; porque assim se evita a ociosidade e a perversão d'esta multidão de incorrigiveis, attestada pelas antigas casas de correcção e ainda não desmentida pelo actual deposito militar."
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
[Introdução] | [Preâmbulo] | Idéas geraes sobre os fins da colonia | Organisação e administração da colonia | Quadro do pessoal da colonia | Vencimentos, recompensas e penalidades | Disposições diversas | Descripção summaria dos predios de que constam as edificações fundamentaes da colonia, que suppre a planta junta á primeira memoria | Mappas [Quadros/Tabelas].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga no pé, visível nas últimas folhas do livro.
Raro.
45€

30 agosto, 2026

SANTOS, Victor -
CANCIONEIRO ALENTEJANO.
Recolha, prefácio e notas de... Poesia Popular. Lisboa, Livraria Popular, 1959. In-8.º (22,5x16 cm) de 155, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Cancioneiro devotado ao Cante Alentejano. Importante trabalho de  preservação da tradição oral e etnográfica do Alentejo.
Trata-se de uma coletânea de cantos e quadras populares recolhidos diretamente da tradição oral alentejana. Os textos estão organizados por motivos temáticos e geográficos. Contém estâncias dedicadas a aldeias, vilas e cidades da província, incluindo Olivença: Alagoa; Alandroal; Aldeia Nova; Alvito; Arraiolos; Beja; Borba; Brinches; Cabeça Gorda; Cabeção; Canal; Elvas; Évora; Estremoz; Mértola; Serpa; Vila Boim; Vila Verde de Ficalho.
Livro ilustrado no texto e em página inteira com bonitos desenhos e fotografias a cores e a p.b. 
"Um Cancioneiro Regional é um coração que se abre em jeito metrificado, mostrando as alegrias e as tristezas, as virtudes e os pecadilhos, os atrevimentos e as ironias, e fé e as irreverências, do viver simples e rural da gente da planície fria e escaldante a um tempo extensíssima, que ama a graça  do dizer e o diz com emoção, em galanteio ou castigante ironia, com a transparente espontaneidade da sua alma franca mas por vezes nostálgica.
Tudo isto o meu bairrismo amorosamente orgulhoso traz aos prelos, para que se possa aquilatar da alma alentejana através dos devaneios e conceitos poéticos, adoràvelmente simples, visto que, não raro com aspecto puritano, os homens e as mulheres do sul dizem com ternura o que sentem, e sentem com ternura o que dizem.
A natureza do rural, contemplativo, grave e galanteador, aflora nos versos deste Cancioneiro, onde por vezes mostra o coração, que bate pelo amor da mulher suas companheira das fainas ancestrais e rudes e no enternecimento pela terra amada e abençoada que lhe absorve a vida, do nascer ao morrer, numa devoção que é um cântico esplendente de amizade pura e de um carinho que tem muito de filial"
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio | Hieráticas | A terras do Alentejo | Faina, natureza e exaltação da terra | Amor - Sátira - Diversas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
Indisponível

20 agosto, 2026

CORREIA, José António de Oliveira -
MOURA, O CARMO, A FÉ
. Moura, Câmara Municipal de Moura, [20--]. Oblongo (21x26 cm) de 176, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia sobre Moura e as festas do concelho.
Muito ilustrada com desenhos, mapas e fotografias a cores e ap.b.
Obra interessante e muito invulgar, sem referências bibliográficas, incluindo a BNP.
"É naturalmente com muita honra e muito prazer que escrevo estas linhas, como Nota de Abertura do livro "Moura, o Carmo, a Fé" da autoria de José António Correia.
Ele retrata uma visão do que tem sido a história da devoção a Nossa Senhora do Carmo, com expressão especial nas Festas que anualmente juntam milhares de pessoas, quer naturais, quer visitantes, que ano após ano renovam através da Fé, a sua dedicação religiosa e seu amor a Moura.
A história de Moura é por isso indissociável deste facto e deste elemento estruturante de afirmação da nossa cultura. Pelos dias da Festa. Por tudo o que a envolve nos períodos precedentes. E pelas marcas indeléveis que ficam para o futuro. E que toca a todos. Independentemente dos credos religiosos ou políticos."
(Excerto da Nota de Abertura)
José António de Oliveira Correia (n. 1956). É um historiador, investigador e autor português profundamente ligado ao concelho de Moura, no Alentejo, sendo responsável por diversas obras de referência sobre a história local, património e cultura da região. Nascido em 1956, em Portalegre, vai para Moura com três anos e por aí ficou. O seu trabalho foca-se principalmente no estudo etnográfico, religioso e social do município. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

25 julho, 2026

DUBRAZ, João - 
ACHMET. Conto de fadas : fundado em lendas patrias. Lisboa: Vende-se na Loja de A. M. Pereira. Rua Augusta, n.º 188. 1852. In-8.º (16,5x11,5 cm) de XII, [2], 250 p . ; E.
1.ª edição.
Romance histórico de João Dubraz publicado sob anonimato. Obra oferecida pelo editor a Francisco d'Assis Salles Caldeira, que sobre a autoria de Achmet, nos diz na dedicatória: "O author do livro que ousei dedicar a V. S.ª já não existe: viveu obscuro e morreu ignorado - vida e fim communs a todos os engenhos desvalidos n'esta epoca corruptamente alchymica, que parvos e velhacos intitularam civilisada. Sem ser um genio, o author do Achmet era comtudo mancebo de rasão clara, juizo recto, e leal coração, que algumas decepções haviam quiçá lançado no scepticismo".
"Trata-se de um romance em prosa, muito inspirado na obra, D. Branca considerada uma das primeiras expressões do romantismo em Almeida Garrett,escritor que João Dubraz muito admirava e com o qual muito se identificava devido às convicções políticas que ambos perfilhavam.
O herói deste romance é Achmet, jovem mouro, guerreiro valente, amante apaixonado, sofrendo amores incompreendidos e cuja breve existência decorreu nos campos cerca dos rios Xévora e Caia, ou seja, nas terras onde foi fundada a vila de Campo Maior."
O romance foi apresentado pelo editor como se o texto lhe tivesse chegado às mãos sem nele constar o nome do autor. Por isso, era publicado anonimamente."
(Fonte: https://alemcaia.blogs.sapo.pt/21457.html)
A última parte do livro, desde a página 211 até ao final, é preenchida com uma colecção de poesias do autor do Achmet, também de cariz histórico.
"O som da buzina venatoria fere as montanhas, e echôa nas profundezas do valle. O real veado, surprehendido em seu leito de verdura, ergue-se d'um pulo ao fatal clangor estirando os membros ageis; e depois d'haver interrogado a impregnada aragem, e escutado com ouvido attento, busca refugio nos matos onde alteia sobrelevada a sua ramosa corõa; entretanto o bravo javali corre por entre as moitas intrincadas, e evita o perigo que se aproxima, fugindo por instincto ao ruido da montaria.
Sôa ao longe o latido dos sabujos, que em matilha farejam os passos da rez fugitiva: conjuntamente rebôa o galope de guerreiros ginetes e o clangor das buzinas de caça, tangidas com frequencia por fervidos caçadores.
Redobra mais e mais este ruido longinquo: os cães seguem açodados a pista da venção, e os briosos corceis, contidos por seus cavalleiros, brincam agora impacientes, porque os não deixam ultrapassar as recovas dos alões.
Progride a montaria, e o arruido é cada vez maior. Olfactando a caça, os sabujos embrenham-se nas selvas, e vam descobrir o real fugitivo, que colhido em asylo da charneca, de mau grado o deixa para correr diante dos mastins que inutilmente o perseguem."
(Excerto do Cap. I, O Lago do Muro)
Índice:
Achmet: [Dedicatória] | [Prólogo do Editor] | [Prólogo do Autor] | Achmet - Invocação | 1.º O Lago do Muro. 2.º A dama do corcel fouveiro. 3.º A lucta das alimarias. 4.º A ilha encuberta. 5.º A Torre-do-Moiro. 6.º O Castello-do-Amor. 7.º O torneio na Cabela-aguda.
Poesias: A pastora perdida | O pagem cioso | Dom Florisel | Dom Rodrigo, o Trovador | Liberdade.
João Francisco Dubraz (1818-1895). Natural de Campo Maior. "Professor de latim e francês. Dedicou-se ao comércio, que depois trocou pelo professorado. Foi também advogado provisional. Escreveu: Achmet (Lisboa, 1852); Recordações dos últimos quarenta anos, esboços humorísticos, descrições, narrativas históricas, e memórias contemporâneas (Lisboa, 1868) (2.ª edição em 1869); A Republica e a Ibéria (Lisboa, 1869); Cinco finados ilustres (autopsias e comemorações) (Lisboa, 1869); O aventureiro francês (Lisboa, 1869). Colaborou também em vários jornais."
(Fonte: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. IX, p. 327.)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos e falhas de papel marginais. Lombada restaurada, cadernos colados.
Raro.
85€
Reservado

27 fevereiro, 2026

MONIZ, Manuel Carvalho -
O MÓVEL POPULAR NO ALENTEJO
. [S.l.], Câmara Municipal de Évora, 1998. In-8.º (21x15 cm) de 67, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio histórico acerca do mobiliário rústico alentejano.
Ilustrado com 8 desenhos de peças mobiliário em outras tantas páginas.
"Qualquer estudo sociológico sobre o viver quotidiano do Homem e da Mulher constata que, desde tempos remotos, procuraram arranjar a sua habitação.
Desde que o Homem abandonou a exclusividade da pastorícia e da vida nómada, fixando-se com permanência, à Terra, procurou a "sua casa" e que nela existissem as melhores condições de habitabilidade.
Por isso necessitou do Móvel e quando na realidade conseguiu o mobiliário obteve uma conquista importante e significativa para a sua melhor existência, para o seu mais confortável dia a dia. [...]
Por isso este nosso estudo tem de ser baseado, fundamentalmente, na busca e pesquisa, na recolha e exame das peças de mobiliário rústico que conseguimos encontrar e nos inquéritos e informações obtidos no diálogo com muitos homens e mulheres do povo e ainda com artesãos locais dos "trastes" das aldeias e dos montes do nosso Alentejo."
(Excerto de I - O Móvel Popular)
Índice:
1 - O Móvel Popular. 2 - O Carpinteiro Alentejano. 3 - O Carpinteiro Mouro Eborense. 4 - Os Móveis Alentejanos: 4.1 Os Móveis de Guardar: As Arcas, Os Armários, As Cantareiras, As Cantoneiras, As Estanheiras, Os Almoxarifeiros, Os Copeiros; 4.2 - Os Móveis de Sentar e Comer: A Cadeira, o Cadeirão, o Canapé, o Banco, o Mocho, a Tripeça, a Mesa; 4.3 - Os Móveis de Dormir: A Cama; 4.4 - As Cadeiras de Aloendro. 5 - A presença Estética da Cadeira. 6 - A Sociologia da Cadeira | Bibliografia | Breve Biografia do Autor.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€

03 janeiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
VIDA MUNDANA DE UM FRADE VIRTUOSO (perfil historico do seculo XVII)
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1889. In-8.º (20x14 cm) de 161, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica de Frei António das Chagas (1631-1682), também conhecido por Padre António da Fonseca, cuja vida aventurosa, salpicada de poesia e expedições amorosas, tiveram o seu epílogo em Setúbal, perto do Convento de Jesus, por um atentado a tiro, talvez por um rival aos favores de uma freira - a bela Ignez, decidindo a partir desse episódio, abandonar a carreira das armas, e outras "carreiras", e dedicar-se em exclusivo à vida monástica, onde conquistou a simpatia geral e fez escol como pregador.
"Aquelle que teve no seculo o nome de Antonio da Fonseca Soares, e na religião o de frei Antonio das Chagas, nasceu na villa da Vidigueira a 25 de junho de 1631. [...]
No Algave, Antonio da Fonseca, ainda na puericia, aprendeu a ler e escrever. Mas, attingindo idade propria para proseguir no estudo das humanidades, foi enviado a Evora, onde com somenos applicação cursou as aulas de latim e philosophia.
A sua predilecção era para a carreira das armas. Os compendios escolares enfastiavam-n'o tanto, quanto a vida do exercito lhe sorria tentadora.
Aos dezoito annos recebeu a noticia da morte do pai, e teve que recolher com a mãe e os irmãos á Vidigueira. Se hoje visitarmos esta villa do Alemtejo, pittoresca posto que solitaria, poderemos ainda fazer ideia do que seria a mocidade de Antonio da Fonseca Soares apertada n'esse estreito circulo de aventuras galantes. Deviam dar brado n'uma pequena villa de provincia os dezoito annos de tão irrequieto moço cujo animo pendia para a desenvoltura da vida militar. Demais a mais corriam nas veias das mulheres da Vidigueira globulos ricos de de sangue minhoto, pois que mestre Thomé, thesoureiro da sé de Braga, a quem a villa fôra dada para que promovesse a sua colonisação, povoara-a com gente que trouxera de Braga e de outras comarcas limitrophes. Quero dizer que as moças da Vidigueira seriam acirrantes de polpudas carnes e bellas côres, - magnifico aperitivo para uns dezoito annos aventurosos."
(Excerto de I - O capitão «Bonina»)
Índice:
I - O capitão «Bonina». II - O frade. III - O escriptor.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequeno pico junto da lombada.
Muito invulgar.
Indisponível

26 dezembro, 2025

SILVA, Germesindo -
OS GRANDOLENSES PERANTE A PESTE GRANDE DE 1569
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas oficinas gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1989. In-8.º (19,5x13 cm) de 893, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho histórico com interesse regional.
Ilustrado com duas plantas no texto, e em página inteira, com a reprodução da 1.ª edição da obra Recopilacam das Covsas Que Conuem guardar Se no Modo de PreSeruar a cidade de Lixboa [...].
"Constata-se, com base nos documentos que chegaram até nós, que as primeiras notícias sobre a peste teriam chegado à vila de Grândola alguns meses antes da eclosão da Grande Peste em Lisboa. Teriam origem em informação resultante de foco esporádico aparecido em território nacional? Não parece, poi de acordo com Pedro Roiz Soares, cronista dessa época, «[...] avia 39 annos que a Portugal não viera este mal [...]», afirmação esta que é corroborada por Barbosa Machado quando nos diz que «[...] PaSSava de quarenta annos, que a Metropole deSte Reyno gozava de huma continuada corrente de tempos benignos, e Salutíferos [...]». O mais provável é que estas notícias fossem um eco distante de uma peste que grassou por esse tempo na Andaluzia e, designadamente, na cidade de Sevilha. Fosse como fosse, a verdade é que em 12 de Junho de 1568 «[...] Pella muyta nesesidade que esta villa [Grândola] tinha de se guardar das pessoas suspeitozas que podiam vir de de teRas Impididas de ares maos [...]», foi decidido em reunião efectuada nos paços do concelho:
- Colocar bandeiras brancas nas três principais entradas da vila;
- Nomear para guarda da saúde o sapateiro António Gonçalves para que, pelo pagamento de 20 reais diários a custear pelo concelho, verificasse se os caminheiros que desejavam entrar na vila estavam devidamente documentados sobre as terras de onde vinham;
- Facultar ou recusar a entrada aos caminheiros em função das terras de onde viessem (em caso de recusa de entrada na vila apenas lhes concederiam mantimentos)."
(Excerto de O Primeiro Rebate (1568))
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

26 outubro, 2025

COSTA, Emilio -
ILUSÕES POLITICA.
I - Vida Portuguêsa. Portalegre, Edição do Autor - Tipografia Estacio & Casaca, 1913. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 50, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas que refletem o estado de espírito do autor face ao momento político e social que o país atravessava.
Obra rara e muito interessante, publicada em Portalegre.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao seu velho e dilecto amigo João Albuquerque".
"Não pertencendo ao numero dos que julgam poder exercer uma acção dirigente sobre a sociedade a que pertencem, tenho por habito esperar que os dirigentes e os competentes digam ou façam aquilo que me parece ser necessario dizer os fazer; e só me resolvo a expôr o que penso, quando creio ser demasiada a demora dos actos ou das palavras necessarias.
É o que agóra sucede; e é por isso que se publica este opusculo, que vae provocar, entre os que o lerem, uma infima percentagem de opiniões, das que se manifestam, concordes com as ideias nele expostas, a par do classico encolher de hombros da legião dos que, absorvidos pela ardua tarefa, a que se entregam, de salvar a patria, não podem ocupar-se de fantasias, de puerilidades, de utopias loucas senão perigosas. [...]
O problema politico português continúa de pé com a republica como estava com a monarquia, que não foi capaz de o resolver e deixou o país arruinado, sem instrução nem educação, debatendo-se entre aspirações mal definidas de progresso e habitos de vida politica que contrariam a realisação d'essas aspirações."
(Excerto do Preambulo)
Índice:
Preambulo | Os politicos e o povo | A ilusão dos centralistas | A ilusão dos integristas.
Emílio Martins Costa (1877-1952). "Político e professor português, Emílio Martins Costa nasceu a 21 de fevereiro de 1877, em Portalegre, no Alto Alentejo. De uma família burguesa liberal, instalou-se em Lisboa, em 1896, para frequentar o Instituto Industrial e, em 1899, matriculou-se também no Curso Superior de Letras. Nesse período estudantil, que lhe permitiu adquirir não só preocupações sociais e intelectuais, como também experiências políticas, assinou o Manifesto Académico Republicano (1897), participou na fundação do Centro Académico Republicano e entrou para a Maçonaria Académica, passando depois para a Carbonária Portuguesa e pertencendo também à Loja Montanha onde alcançou o grau de mestre. Nessa altura, fundou ainda o jornal O Amigo do Povo (1901-1903), onde defendeu, sob o pseudónimo de Demétrio, as suas ideias anarquistas e libertárias. Não concluindo nenhum dos cursos, decidiu viajar pela Europa (França, Bélgica e Suíça), entre 1903 e 1909. Durante a sua estadia em França, foi secretário pessoal de Francisco Ferrer, participou na criação da Liga Internacional para a Educação Racional da Infância, abrindo posteriormente uma secção em Portugal, e colaborou com os jornais Les Temps Nouveaux e La Révolution. De regresso a Portugal, integrou o grupo de propaganda anarco-sindicalista Germinal e iniciou a sua carreira docente, ao lecionar no Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, entre 1911 e 1913. Seguiu-se o Liceu Passos Manuel, em Lisboa (1915-1919), o Colégio Estoril (1919-1921), a Escola Comercial Ferreira Borges, durante alguns anos, e ainda a Escola-Oficina n.º 1 e a Escola Académica. Escreveu sobre assuntos educativos em várias publicações, como O Primeiro de Janeiro, A Pátria, A Voz do Operário, A Manhã, Seara Nova, República, Educação Social, entre outras. Proferiu conferências sobre questões ligadas à política de ensino, aos programas e às metodologias. Publicou ainda algumas obras, tais como Sindicalismo Independente (1931), Aspetos Sociais da Orientação Profissional (1942) e Filosofia Caseira - Pedagogias, Educações, Políticas e outras Curiosidades (1947). As suas obras, que permitem conhecer melhor aquele tempo de viragem na História de Portugal, analisam o trabalho da Monarquia, as perspetivas do Partido Republicano e fazem um balanço dos primeiros anos da República. Emílio Costa, uma figura de relevo do movimento socialista e libertário português, faleceu a 17 de fevereiro de 1952, em Lisboa."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas.
Raro.
45€

21 outubro, 2025

MATTA, José Avelino da Silva e -
ANAIS DE MOURA
. Moura, Câmara Municipal de Moura : Biblioteca Municipal, 1991. In-8.º (21,5x16,5 cm) de [16], 185, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de Moura, castiça vila alentejana. Trata-se da edição fac-similada do manuscrito de 1855, existente na Biblioteca Municipal de Moura.
Obra invulgar e muito interessante. Inclui apontamento biográfico do autor no início.
Ilustrada no texto com tabelas e quadros estatísticos, e em página inteira, com reprodução de planta de Moura datada de 1657.
"Os Anais de Moura, foram escritos pelo D. José Avelino da Silva e Mata em 1855 e até esta data, têm continuado esquecidos da quase totalidade dos habitantes do nosso concelho.
Como não houve qualquer publicação do trabalho que não deixou cair no esquecimento a história da Notável Vila de Moura, surgiu-me a ideia de, na Biblioteca Municipal, ser executado este trabalho, que até ao presente continuava em manuscrito, copiando-o tal como foi escrito na época.
Se me afoitei trazer este precioso trabalho a público, a razão só pode ser procurada na muita amizade que tenho à minha terra. Essa amizade e o reconhecimento de um repositório das mais importantes notícias sobre a Vila de Moura e suas freguesias até 1855, criou em mim, o propósito de dar a conhecer o que existe de pouco conhecido e é muito o que contém os Anais de Moura, os quais, mais de um século permaneceram no arquivo sem que ninguém aparecesse para lhe dar a conveniente publicidade."
(Excerto da Nota preliminar)
José Avelino da Silva e Mata (Elvas, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso 10.11.1795 - Elvas, São Pedro 11.12.1867). "Juiz Desembargador. Governador Civil de Portalegre, de 1846 a 1848. Aluno do Colégio Militar. Comendador da Ordem de Cristo. Juiz de Fora de Vila Velha de Rodão, Carta de 27.09.1826. Juiz de Fora de Campo Maior, Carta de 03.12.1835. Juiz de Fora de Moura, Carta de 30.11.1852. Foi Juiz em Estremoz e Alenquer. Vereador da Câmara de Elvas em 1837. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Elvas em 1838. Deputado às Cortes em 1839. Foi investigador de História de Moura e Elvas e escreveu os seus Anais."
(Fonte: https://pagfam.geneall.net/4233/pessoas.php?id=1092749)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

02 outubro, 2025

ROQUE, Prof. Joaquim -
REZAS E BENZEDURAS.
(Etnografia Alentejana). Beja, Minerva Comercial : Carlos Marques & C.ª, L.da, 1946. In-8.º (22x17 cm) de [4], 117, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo etnográfico sobre superstição e crendice na província do Alentejo.
Invulgar e muito interessante.
Livro ilustrado no texto com desenhos e fotografias a p.b., algumas em página inteira.
"Num trabalho por nós publicado em 1940 incluímos as rezas e as benzeduras no número de superstições e crendices populares ainda hoje muito usadas pelo nosso povo como remédio santo para curar entorses, desmanchos, queimaduras, insolação, erisipela, olhados e tantos outros males que afectam, por vêzes, não só a saúde do corpo, mas também a do espírito.
A pág. 64-65 do nosso referido trabalho apontámos, então, como exemplo, todo o «cerimonial» e a «oração» empregados para benzer de entorse ou desmancho:
Vamos desenvolver neste novo trabalho, tanto quanto possível, o que, então, dissemos sobre este interessantíssimo ramo da Etnografia Portuguesa.
Todas estas práticas são acompanhadas de cerimónias e orações (ensalmos) especiais, ditas em voz alta, pelo benzedor ou benzedeira e repetidos pelo paciente."
(Preâmbulo)
Índice:
Rezas e benzeduras populares | Como o povo reza... | Bruxas, Feiticeiras e lobis-homens... | Aparições: almas do outro mundo, fantasmas e luzinhas nocturnas | Medos: gravultos, sombras e avejões... Bibliografia | Índice.
Joaquim Baptista Roque (1913-1995). "Prof. Joaquim Roque como ficou conhecido, nasceu a 26 de Janeiro de 1913, em Peroguarda, concelho de Ferreira do Alentejo e faleceu a 2 de Dezembro de 1995, em Lisboa. Professor, escritor, jornalista, etnógrafo e folclorista português dedicou muito da sua vida aos estudos etnográficos do Alentejo tendo recolhido milhares de quadras populares da região transtagana. Foi professor primário em diversas localidades alentejanas, adjunto do diretor escolar de Beja e diretor escolar de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta sublinhados a vermelho um pouco por todo o livro.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e popular.
75€

28 setembro, 2025

ESTAÇÃO DE MELHORAMENTO DE PLANTAS -
GUIA DOS ENSAIOS DE CAMPO. Elvas, [s.n. - Tipografia Elvense de António dos Santos - Elvas], 1942. In-8.º (21,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; [2] plantas ; il. ; B.
1.ª edição.
Guia da Estação de Melhoramento de Plantas, reputado estabelecimento de investigação agrícola localizado em Elvas.
"A ENMP de Elvas, ao longo da sua história, foi responsável pela obtenção e melhoramento de dezenas de variedades de plantas, tendo-se especializado em espécies de cereais, pastagens biodiversas, leguminosas e oliveira." (https://www.lusosem.pt/noticias/estacao-de-melhoramento-de-plantas-de-elvas-celebra-75-anos)
Livrinho ilustrado com fotografias no texto e duas plantas agrícolas em separado.
"A Estação de Melhoramento de Plantas tem a missão de crear formas de cereais e forragens com valor económico superior ao das que existem presentemente. Por essa circunstância deve ser considerada como «Fábrica de Novas Plantas». [...]
Para se conseguires êstes objectivos que ficaram apontados, existem na Estação de Melhoramentos de Plantas numerosos talhões com hibridos e ensaios de natureza diversa. É  a enumeração daqueles considerados de maior importância que se faz nesta publicação, afim de facilitar ao visitante a apreciação dos trabalhos em curso."
(Excerto de Palavras prévias)
Índice:
Palavras prévias | I - Trigo. II - Cevadas. III - Aveias. IV - Forragens. V - Milhos. VI - Centeios. VII - Ensaios de adaptação.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

13 junho, 2025

GONÇALVES, Doutor Luís da Cunha -
A VIDA RURAL DO ALENTEJO : breve estudo léxico-etonográfico.
Conferência feita na Academia das Sciências de Lisboa. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922. In-4.º (23x15 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a ruralidade alentejana nos seus mais variados aspectos, publicado em separata do «Boletim da Classe de Letras», volume XV.
"Se a língua é um dos elementos mais salientes em que se afirmam a autonomia nacional, a unidade político-económica, a solidariedade psíquica e moral dum povo, ela é também a revelação claríssima das suas faculdades criadoras, da riqueza da sua imaginação, que lhe faz encontrar, para cada idéa, cada acção ou facto, cada coisa ou entidade, cada emoção ou sentimento, modalidades e cambiantes, uma distinta palavra, que a exprime ou abrange. Sob êste ponto de vista, pode considerar-se a língua portuguesa uma das mais perfeitas e ricas, como o têm já afirmado, em prosa e verso, muitos dos mais notáveis cultores dela e o têm reconhecido todos os filólogos e lexicógrafos."
(Excerto de I - Generalidades - Linguagem - População - Território - Excelências da agricultura)
Luís da Cunha Gonçalves (1875-1956). "Nasceu em Nova Goa a 24 de agosto de 1875 e faleceu em Lisboa a 24 de março de 1956. Licenciou-se e doutorou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, seguindo a carreira como docente, tornando-se catedrático de Direito Civil, Político e Administrativo do Instituto de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa. Jurista conceituado, publicou diversos trabalhos no domínio do Direito, com destaque para p “Tratado de Direito Civil em Comentário ao Código Civil Português”.
Foi membro da Associação dos Arqueólogos de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia de Jurisprudência e Legislação de Madrid e da International Law Association.
Recebeu o doutoramento "Honoris Causa" pela Universidade de São Paulo e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 24 de fevereiro de 1911, passando à categoria de efetivo a 11 de abril de 1929, na 2.ª secção (Ciências Jurídicas e Políticas)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21027)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais. Interior correcto.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€

18 abril, 2025

MOSER, Jorge de -
D. MANUEL LOPES SIMÕES, décimo quarto Bispo de Portalegre (breve esboço biográfico).
Separata do Boletim N.º 2 "Cascais e seus lugares" Julho 1947. Cascais, Junta de Turismo, 1947. In-4.º (24,5x19 cm) de 25, [3] p. ; [5] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Subsídio biográfico de D. Manuel Lopes Simões (1676?-1748), Bispo de Portalegre, natural de Cascais.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado em página inteira com o "Esquema genealógico materno de D. Manuel Lopes Simões"; "Fac-símile da assinatura de D. Manuel Lopes Simões"; "Reprodução do selo de D. Manuel Lopes Simões, quando Protonotário Apostólico e Bispo Nomeado de Portalegre"; "Reprodução do selo de D. Manuel Lopes Simões, quando Bispo de Portalegre", e em separado com 5 estampas, sendo uma delas o retrato do biografado e outro de D. João V, e as restantes, a "Casa da Quinta da Bemposta, na estrada que vai de Portalegre para Castelo de Vide", a "Igreja, ou capela do Espírito Santo, em Portalegre", e a "Fachada principal da Sé de Portalegre".
Tiragem de 100 exemplares, tendo sido entregues 75 ao autor.
Junta-se lista (em três folhas), batida à máquina, dos exemplares ofertados por Jorge de Moser a entidades e pessoas das suas relações.
"Talvez nenhum outro natural de Cascais mais pudesse prender a nossa atenção do que D. Manuel Lopes Simões, 14.º Bispo de Portalegre,  personagem que, indubitàvelmente, se revestiu de grande importância, no seu tempo, mas, seja mercê de factores ignorados, seja mera resultante da incúria dos homens, tem sido votada a um quase completo esquecimento.
Não obstante as aturadas pesquisas a que procedemos, mau grado as inúmeras boas vontades com que deparámos, pouco, muito pouco conseguimos apurar acerca deste venerando Prelado, mas nem assim esmoreceu o nosso desejo de delinear uma ligeira biografia que, oxalá, mais tarde, possa vir a ser desenvolvida condignamente."
(Excerto da Abertura)
Índice:
[Abertura] | O meio, a família e os primeiros anos | Os estudos universitários | Vigário de Óbidos e Ministro da Cúria Patriarcal | O Bispo de Portalegre e a sua morte | O retrato de D. Manuel Lopes Simões | Os brasões do prelado | Nota final | Notas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

10 abril, 2025

LOPES, Francisco José & VIEIRA, Rui Rosado -
DEGOLADOS (elementos para a sua história)
. [S.l.], Edição da Junta de Freguesia de N.ª Sr.ª da Graça de Degolados, 1987. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 72, [4] p. ; [1] f. advert. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa monografia sobre Degolados, castiça aldeia do concelho de Campo Maior.
Profusamente ilustrada no texto com fotografias a p.b., mapas, tabelas e quadros estatísticos.
Edição limitada a 500 exemplares.
"Não é possível hoje conhecer a origem do nome atribuído à povoação, nem certamente, alguma vez se saberá.
Mas se ignorarmos a explicação factual que possa esclarecer os motivos que originaram a atribuição do nome de Degolados ao actual aglomerado populacional, designação provavelmente relacionada com mortes violentas - degolas - ocorridas nas proximidades da presente povoação, temos, porém, informações que permitam concluir que a toponímia derivada daquele nome já era usada em meados do Séc. XIII.
O nome Degolados aparece, pela primeira vez, atribuído a um ribeiro que, segundo supomos, é o ribeiro que corre nas imediações da actual povoação, cruzando a estrada que percorre a aldeia em direcção a Campo Maior, localizado imediatamente à saída do lugar, ao qual hoje chamam Ribeiro das Hortas.
Numa carta de "Doação" de Campo Maior feita, em 28 de Maio de 1255, pelos "homens-bons" de Badajoz ao bispo desta cidade, ao estabelecerem-se os limites de Campo Maior com Arronches, indica-se que os marcos que na zona balizavam aqueles territórios percorriam uma linha que vinha das "ferrarias viejas", descendo directamente ao caminho que da Codiceira ia para Elvas e daqui até ao "caminho que vem de Arronches para Campo Maior e se encruza a águas vertientes contra o arroyo que disen dos Degolados", até este ribeiro desaguar no Rio Caia."
(Excerto de III - Das Origens à República - 2. Sobre as origens do aglomerado populacional)
Índice:
I - À maneira de explicação. II - Degolados: uma incursão no passado. III - Das Origens à República. IV - Da República aos anos 50. V - Apontamentos vários.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
25€

22 março, 2025

VIEIRA, Rui Rosado - CAMPO MAIOR: DE LEÃO E CASTELA A PORTUGAL (SÉCULOS XIII - XIV).
Comunicação do autor às Jornadas de História Medieval realizadas, em Junho de 1985, na Faculdade de Letras de Lisboa. [S.l.], Edição do Autor, 1985. In-8.º (201x15 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das relações de vizinhança entre Portugal e Castela na zona raiana do Alto Alentejo ao longo da Idade Média, e em particular no concelho de Campo Maior e regiões limítrofes.
Ilustração da capa: Imagem, em mármore, de Santa Bárbara, existente no interior da igreja do Castelo de Campo Maior. O edifício empunhado pela Santa representa a altíssima Torre de Menagem já desaparecida.
"Campo Maior, vila situada a cerca de dezoito quilómetros de Elvas e a semelhante distância de Badajoz, foi, conjuntamente com Ouguela, e só ultrapassada por Olivença, o lugar do Alto Alentejo que durante mais tempo se manteve ao lado dos partidários de Castela, no conflito que opôs os dois reinos ibéricos, a partir de finais de 1383.
Descobrir o fio condutor que explique essa singularidade é o principal objectivo deste texto.
Para tal, e com base em documentação de proveniência diversa, procurou-se acompanhar, através das suas vicissitudes, a evolução político-institucional desta vila raiana, desde o período histórico melhor documentado (isto é, desde 1255) até ao momento em que, no ano de 1388, Campo Maior foi conquistada aos castelhanos pelo exército de D. João I de Portugal. Período ao longo do qual se deram passos decisivos para a formação do concelho, para a definição dos limites do seu território e da fronteira luso-espanhola na região, e para a integração plena da vila no corpo físico e ideal da nação portuguesa."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Nota prévia | I - Introdução. II - Campo Maior no período da reconquista cristã. III - A segunda metade do século XIII. IV - Do Tratado de Alcanizes, a finais de 1383. V - Campo Maior, um bom lugar que tinha voz por el Rei de Castela. VI - Conclusão. | | Apêndice documental | Fontes e bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

27 fevereiro, 2025

DIAS, Maria Portugal -
TERRA SILENCIOSA : colecção de contos e novelas alentejanas.
III A Sombra. Lisboa, Composto e impresso na Tip. da «seara Nova», 1932. In-8.º (18,5x12 cm) de [4], 40 p. (73-112 p.) ; B.
1.ª edição.
Interessante novela, terceira do que aparenta ser um plano de várias novelas de cunho alentejano, cada qual sua história, sendo que a sequência numérica das páginas respeita a ordem de publicação da série, a presente numerada de 73 a 112. A BNP menciona três: o n.º 1, 2 e 4. Nada foi possível apurar acerca da autora, para além da "maternidade" desta colecção de novelas e um livro de viagens - A casa alheia : impressões de viagem (1927).
"O combóio parou no descampado.
Rodeado o apeadeiro da herdade, o viajante orientou os olhos pesquizadores na escuridão. Sondou em volta, tenteou o piso.
As veredas e as carreteiras, esmoreciam no escuro, sumiam-se nas alcorcovas, mais ao largo perdidas nos montados.
Parecia êle saber a direcção querida se bem que a multiplicidade de carreiros trilhados o desnorteasse um pouco.
Sopesando a maleta, desceu um rebaixo; e achou-se a pisar saibro áspero, o cascalho grosso a ribeira. O cantarejar da água fê-lo tomar porém um outro rumo.
Pôs-se a caminhar para o poente.
Ao longo da ribeira, entre o confuso emaranhado dos freixos e amieiros, por entre os retorcidos troncos dos carvalhos, viu entreluzir lá em baixo uma luzinha incerta.
Enterrou o chapéu e estugou o passo.
A luz, aparecia... desaparecia... ondeava e de seguida, rompia dos pegos um cardume de scintilações metálicas. Lobrigou um vulto. Sim, sim, deve ser gente - um barquito chato, um candeio à prôa, certamente um homem a pescar à fisga.
Resoluto é ágil, galgou a distância a passos largos.
- Eh lá! bradou da margem.
O velho voltou-se súbito e colheu o interpelante no olhar parado.
- Pertence à Casa Grande?
A pergunta singular - não era gente do sítio está bem de ver - o velho virou à margem; e serviçal e pronto, a mão no barrete:
- Salve-o Deus... E o olhar parado focou de novo o adventício, tôda a fôrça sagaz proposta a deslinar, se pudesse, o enigma que surgia.
O rapaz saüdou.
Porque era realmente um homem moço, um rapaz apenas chegado à maioridade, desempenado, esbelto,nos olhos e na figura um brado alto para o campónio de não sei quê de já visto, e ao mesmo tempo, um ar estranho de país estranho, uma música e uma luz de outras bocas e de outros olhos, uma sombra recortada de outra parte do mundo, como que enluarada da luz misteriosa de outros ceus."
(Excerto da Novela)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas algo oxidadas.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

19 novembro, 2024

SUBTIL, Manuel -
AURAS : versos.
Prefacio de J. A. Caldeira Rebollo. Portalegre, Typographia Fragoso & Leonardo, 1898. In-8.º (21,5 cm) de VIII, 74, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original daquela que será a primeira obra do autor, não referenciada na Biblioteca Nacional, recolha poética da sua mocidade.
"Em 1891, n'uma manhã d'Outubro, entrou em minha casa, na rua da Rosa, o moço poeta, que agora me entala n'estas paginas. Quem me havia de dizer?
Acompanhava-o seu pae, o sr. José Joaquim Subtil, um portuguez de lei, de rosto aberto e franco emôldurado n'umas pequenas suissas, a que vulgarmente chamam patarras, no Alentejo. Cultiva umas pequenas geiras de terra em Valle do Pezo e vinha trazer o rapaz, dizia, para frequentar a Escola Normal. [...]
Em meados de 1894 frequentava o meu pupilo o 3.º e ultimo anno do seu curso; appareceu-me na repartição do Ministerio do Reino, onde eu, como tantos outros ganho o pão quotidiano atrophiando o espirito com a rotina dos officios de chapa, e afferrolhando todos os ideiaes, na negrura estupida da manga d'alpaca. Pareceu-me mais timido do que d'outras vezes.
- O que traz aqui Manuel?
O Manuel saccou acanhadamente de um quarto de papel, cuidadosamente dobrado, e respondeu-me com o olhar velado de quem pede coisa assaz difficil.
- Trazia-lhe isto para o senhor publicar n'O Leão...
O isto que elle me trazia era a Pescadora, uma das mais bellas manifestações poeticas do seu estro brilhante, que o leitor vae admirar em seguida, tanto mais se tiver o cuidado de lembrar-se de que foi escripta dos 18 para os 19 annos por um alumno da Escola Normal. [...]
Um dia, já terminado o curso, e quando elle leccionava no Collegio Collipolense, aconselhei-o a junctar em livro todas as suas poesias... [...]
Do meu conselho nasceu o presente livro, um livro sadio e bom, que nos ensina a amar tudo quanto ha de nobre no coração humano, tudo quanto ha de bello na Natureza sempre fecundante, num livro singelo e perfumado como são perfumadas e singelas as flores da paysagem, que elle nos canta com hymnos melodiosos de formosissimo sentimento artistico."
(Excerto de Prefacio)

"Vem commigo, pescadora,
deixa o rude labutar,
larga o barco, deixa o mar,
solta a rêde e vem-te embora,
deixa o rude labutar,
vem commigo, pescadora.

Vem-te embora, faz-me medo
o rugido cavernoso
que o mar solta furioso
la nos antros do rochedo;
o rugido cavernoso,
que o mar solta, faz-me medo.

Nuvens colossaes, diversas,
quaes gigantes desconformes,
ora se cruzam disformes,
ora apparecem dispersas,
quaes gigantes desconformes,
nuvens collossaes, diversas...

Vem commigo, pescadora,
deixa o rude labutar,
larga o barco, deixa o mar,
solta a rêde e vem-te embora,
deixa o rude labutar,
eu amo-te, ó pescadora."

(Excerto de Pescadora)

Manuel Subtil (1875-1960). "Professor e Educador, nasceu na Freguesia de Vale do Peso (Crato), a 05-02-1875, e faleceu em Lisboa, a 15-04-1960. Diplomado pela Escola Normal de Lisboa, Manuel Subtil, frequentou, posteriormente, o Instituto Industrial e Comercial. Foi professor primário, exerceu funções em Loures, Arronches e Lisboa. Em 1902, participou como Subinspector no processo de criação de várias Escolas no círculo de Portalegre. A partir de 1913, leccionou, como Professor interino, na Escola Normal de Lisboa. Também desempenhou funções lectivas no ensino particular, nomeadamente nas Escolas Nacional e Académica. Entre 1925 e 1944, integrou o corpo docente do Instituto de Orientação Profissional, na sequência de um convite de Faria de Vasconcelos. No biénio de 1926-1928, foi membro do Conselho Administrativo da Universidade Popular de Lisboa. Fez parte de várias comissões de serviço ligadas à organização e administração do ensino primário. Publicou, em conjunto com Cruz Filipe, Faria Artur e Gil Mendonça, um Dicionário Escolar, Cadernos de Exercícios e Manuais Escolares de Leitura e Aritmética para as várias classes do Ensino Primário, que atingiram várias dezenas de edições. Assinou, com Faria de Vasconcelos e Fernando da Costa Cabral, diversas monografias profissionais."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2019/06/19/quem-foi-quem-na-toponimia-do-municipio-do-crato/)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos, rasgões e pequenas falhas de papel. Lombada apresenta tosco restauro com fita gomada. Pelo interesse e raridade justifica encadernar.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível