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03 maio, 2024

KI-ZERBO, Joseph -
HISTÓRIA DA ÁFRICA NEGRA - I. Edição revista e actualizada pelo autor. 3.ª edição. [II. Edição revista e actualizada pelo autor. 2.ª edição]. Mem Martins, Publicações Europa-América, 1999-81. 2 vols in-8.º (21x14 cm) de 452, [12] p. ; [XXII], [1] p. il. ; il. (I) e 464, [8] p. ; [X], [2] p. il. ; B. Col. Biblioteca Universitária
Importante estudo histórico sobre a África Subsariana.
Obra em 2 volumes (completa), ilustrada no texto com mapas geográficos e tabelas, e em separado, com inúmeras fotografias a p.b. distribuídas por 32 páginas.
"Durante largo tempo, a Africa foi considerada um continente sem história. Em 1830, Hegel decretava que "A Africa não é uma parte histórica do mundo", e depois dele muitos foram os historiadores que, sacrificando mais ao preconceito do que à ciência, repetiram em vários tons a mesma ideia.
A obra de Ki-Zerbo, cujo vol. I apresentamos, é o melhor desmentido à lenda da África continente sem história. Num trabalho de reconhecido rigor cientifico, que a crítica francesa saudou com o maior entusiasmo, o autor levou a cabo o trabalho ciclópico de trazer à luz as raízes históricas de todo um continente, na sua insuspeitada riqueza.

Partindo da pré-história, o presente volume acompanha a caminhada do homem africano até ao século XIX, desvendando aos olhos maravilhados do leitor sucessivos períodos de esplendor e decadência, com o surgir e o afundar de reinos e impérios, até aos primeiros contactos com os Europeus e as consequências que daí advieram para a evolução histórica da Africa Negra.
O segundo e último da História da Africa Negra, de Joseph Ki Zerbo - cobre a parte mais recente da longa caminhada do homem africano, tratando os eventos ocorridos desde o século XIX até aos nossos dias.
Foram os anos negros em que a África é arrancada aos africanos pelas garras das potencias colonizadoras, que, em muitos casos, fizeram do grande continente autêntico campo de pilhagem. Mas foram também anos em que a África gerou chefes de grande envergadura, cujo perfil o autor traça com particular relevo.
Vem depois o despertar do continente, com o surto do nacionalismo e os movimentos conducentes à independência. O autor historia de forma completa o processo de libertação dos países africanos e escreveu mesmo, especialmente para esta edição, a história da descolonização nos territórios sob administração portuguesa.
Um capítulo sobre os problemas africanos de hoje, em que se equacionam as questões que actualmente se põem ao continente e se apontam perspectivas de evolução futura, encerra esta obra, indispensável a quantos desejam possuir da África um conhecimento mais profundo."
(Fonte: Wook)

Joseph Ki-Zerbo (1922-2006). "Nascido em Toma (Burkina Faso), é historiador. Publicou Histoire de l’Afrique noire (Hatier), dirigiu dois volumes da monumental Histoire générale de l’Afrique (UNESCO) e La Natte des autres: pour un développement endogène en Afrique (Karthala)."
(Fonte: Wook)
Exemplares em brochura, bem conservados. Ambos os volumes apresentam assinatura possessória na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

07 abril, 2024

AMORIM, Francisco Gomes de -
ODIO DE RAÇA.
Theatro de... Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, Conservador da Bibliotheca e Museu Naval. Lisboa, Typ. Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1869. In-8.º (17x11,5 cm) de 368, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Peça emblemática da produção literária do autor, reporta ao problema do esclavagismo, sendo esta uma das suas mais apreciadas obras.
Relativamente à peça, e às suas motivações, com a devida vénia a Silvia Cristina Martins de Souza, reproduzimos um excerto da sua comunicação apresentada ao 31.º Simpósio Nacional de História, RJ, 2021, intitulada: “É gente que fala muito em liberdade e negoceia em escravatura - Um modo de ler ódio de raça de Francisco Gomes de Amorim":
"A passagem pelo Brasil deixou marcas em Gomes de Amorim. Segundo ele próprio, foi em Belém que teve contato pela primeira com a escravidão. Foi lá também que começou a “envergonhar-se por não saber ler” e transformou-se num obstinado autodidata. [...] Com o apoio de Garrett ele dedicou-se às letras e acabou por tornar-se poeta, romancista, folhetinista e dramaturgo. [...] Na dramaturgia, Gomes de Amorim ingressou em 1851, com o drama Gighi. Na sequência vieram a comédia A Viúva; o provérbio dramático O casamento e a mortalha no céu se talha, e o drama Ódio de Raça. Este último foi escrito por incentivo de Garrett, após este lhe dar para ler o projeto de lei do Marquês de Sá da Bandeira para extinguir a escravidão dos domínios portugueses. Garrett lhe teria sugerido escrever “um ou mais dramas” que ´pusessem em relevo os horrores da escravidão que Amorim conhecera de perto no Brasil, proposta que foi por ele acatada e posta em prática."
"No anno de 1854 foi apresentado ao conselho ultramarino um projecto de lei para a extincção da escravidão nos dominios portuguezes. Não era já sem tempo que Portugal pretendia lavar da sua historia a nodoa infamante de ter sido o iniciador do trafico de negros, e o auctor do projecto, movido pelas idéas generosas que inspiraram Pitt, Wilberforce e Canning, queria que a sua patria não fosse a ultima nação que pagasse esta divida de honra á humanidade opprimida. Vinte annos antes a liberal Inglaterra, em harmonia com o elevado pensamento que a tinha feito proclamar a abolição do trafico, despejára o seu erario e fizera homens dos tresentos mil escravos das suas colonias. A França republicana seguira-lhe o exemplo em 1848; e, desde então, a Hespanha e Portugal tornaram-se, na Europa, os unicos responsaveis perante Deus e os homens pelo crime do captiveiro dos pretos. [...]
Ao leitor portuguez pçoderão parecer exageradas algumas das scenas do Odio de raça; affirmo-lhe, porém, que não houve encarecimento na pintura; copiei do natural. Sendo a escravidão o maior e o mais odioso de todos os crimes, tudo n'ella é possivel. Disse Peel, n'um relatorio escripto em 1829, que se reconhecera conter um navio negreiro a maior somma de crimes, tormentos e profanações humanas que se podem accumular n'um determinado espaço. Imagine-se pois que resultados dará a esse contrabando de carne humana, esse comercio inspirado pela mais desenfreada cubiça, essa infamia das infamias! A morte é o menor dos males para as tristes victimas de tão ignominioso negocio. Os miseros são caçados pelos seus similhantes como feras bravas, amarrados, encurralados nos porões dos navios, e felizes d'elles se um cruzador de guerra dá caça ao negreiro! Para tornar a embarcação mais veloz na fugida, alija-se carga pela borda fóra, e semeia-se o oceano de cadaveres."
(Excerto de Introducção)
Francisco Gomes de Amorim (Avelomar, Póvoa de Varzim, 13 de agosto de 1827- Lisboa, 4 de novembro de 1891). "Poeta, jornalista e dramaturgo português, emigrou com dez anos para o Brasil, tendo sido caixeiro, em Belém do Pará. Vítima dos maus tratos de patrões portugueses, Gomes de Amorim fugiu para o sertão amazónico, onde por acaso encontrou, na cabana de uma família indígena, o poema Camões, de Almeida Garrett, episódio que dá início à sua vida de poeta, conforme relata no prefácio autobiográfico de Cantos Matutinos (1858). De volta ao Portugal, em 1844, depois de dez anos de ausência, estreita a relação de amizade que une Gomes de Amorim a Almeida Garrett, que tendo publicado o Romanceiro e Cancioneiro Geral, em 1843, irá influenciar o amigo e discípulo na valorização da cultura popular. A essa primeira influência soma-se a das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871, que irão desembocar no movimento nacionalista de valorização do mundo rural, enquanto repositório das raízes da Nação. É nesse contexto impregnado de amor à Pátria e de preservação das tradições populares que desponta As Duas Fiandeiras, “romance de costumes populares”, publicado por Gomes de Amorim em 1881 (embora escrito em 1866), pela prestigiosa editora de David Corazzi de Lisboa, dentro do selo “Horas Românticas”. A dedicatória da obra, evocação da paisagem amazónica, e a geografia da narrativa, a Avelomar natal, configuram as duas pátrias às quais o autor dizia pertencer. Retratados com fidelidade e verosimilhança, os tipos humanos que povoam As Duas Fiandeiras vêm ao encontro da caracterização regionalista nos quadros do realismo-naturalismo, ao mesmo tempo em que respondem pela idealização de uma ruralidade mítico-simbólica, com a qual se inicia a narrativa: “Ainda lá não chegaram os esplendores e os vícios da civilização, que ilustra e corrompe tudo (...)”.
(Fonte: Biblioteca Digital)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Apresenta tosco restauro na capa.
Raro.
25€

14 fevereiro, 2024

TURLEY, David -
HISTÓRIA DA ESCRAVATURA. Tradução de: Maria Augusta Júdice. Lisboa, Teorema, 2002. In-8.º (23,5x16,5 cm) de 251, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da escravatura global, "indispensável para compreender um fenómeno que desempenhou um papel fundamental na história".
Ilustrado com dois mapas em página inteira:
- Mapa 1: O comércio de escravos do Atlântico, regiões de exportação de escravos e vias marítimas;
- Mapa 2: Abolição do comércio de escravos e emancipação dos escravos.
"Esta obra faz uma análise multicultural do fenómeno da escravatura, reunindo materiais das muitas regiões e períodos historicamente muito separados no tempo em que a escravatura existiu e se desenvolveu - Grécia e Roma antigas, a Europa da Idade Média, as sociedades muçulmanas do Médio Oriente e da África, a África subsaariana, e as Américas. Com uma perspectiva geográfica e cronológica tão vasta, esta História da Escravatura, levará historiadores e sociólogos a estabelecerem novas novas ligações e a analisarem os problemas a uma nova luz.
Turley estuda três temas-chaves na história da escravatura: a importância económica e social da escravatura nas várias sociedades, a forma como os escravos e os seus donos sentiam a escravatura e os meios através das quais a escravatura se mantinha e reproduzia nas diferentes sociedades. A partir daqui e reconhecida a diversidade histórica da escravatura, Turley desenvolve dois modelos de sociedade: aquele em que a escravatura era primariamente uma instituição doméstica (sociedades com escravos) e aquele em que ela era o modelo de produção de que o grupo dominante dependia para manter a sua posição (sociedades esclavagistas). É aqui, com o é óbvio, também analisado o papel da raça e das diferentes étnicas e religiosas no funcionamento das sociedades esclavagistas."
(Sinopse)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

29 dezembro, 2023

HOCHSCHILD, Adam -
O FANTASMA DO REI LEOPOLDO.
Uma história de voracidade, terror e heroísmo na África colonial. Tradução: Manuel Ruas. Lisboa, Caminho - Colecção Estudos Africanos, 2002. In-8.º (21x14,5 cm) de 484, [4] p. ; [16] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo histórico para a história da colonização africana pela Bélgica. "King Leopold's Ghost: A Story of Greed, Terror and Heroism in Colonial Africa é uma história da conquista do Congo pelo rei Leopoldo II da Bélgica e das atrocidades cometidas durante o período da governação da colónia pelo  monarca, eventos que levaram à primeira grande campanha internacional de direitos humanos do século XX. O livro reacendeu o interesse e a investigação sobre o regime colonial de Leopoldo no Congo, mas foi recebido com alguma hostilidade na Bélgica. De acordo com o The Guardian, o livro "trouxe gritos de raiva dos colonos belgas belgas e de alguns historiadores belgas, mesmo tendo in tegrado as listas de best-sellers do país." (Wikipédia)
Livro ilustrado em página inteira com um mapa - "O Congo em 1900", e com inúmeras fotografias, desenhos e gravuras distribuídas por 16 páginas separadas do texto.
"Edmund Morel é, em finais da década de 1890, funcionário de uma companhia de navegação britânica. Ao chegar do Congo, estranhou que os navios da sua companhia trouxessem valiosos carregamentos de borracha e marfim e em troca levassem apenas soldados, abastecimentos militares e armas. O Congo era então a mais recente colónia «adquirida» pelo rei Leopoldo II da Bélgica. Morel acabou por compreender, com horror, que a origem daqueles carregamentos só podia ser uma: trabalho escravo em larga escala. Deixa o emprego e torna-se o mais importante jornalista-investigador do seu tempo. Conseguiu, através da denúncia do regime escravista do Congo e dos milhões de vidas humanas sacrificadas, despertar consciências e unir o mundo numa mesma causa. Durante anos a fio foi capaz de manter esta questão nas primeiras páginas dos jornais e desmascarar o rei Leopoldo perante a opinião pública como um homem da maior voracidade, ardiloso, dúplice, sedutor, um vilão que rivalizaria com qualquer figura romanesca."
(Sinopse)
Adam Hochschild (Nova York, 1942). "É um escritor, jornalista, professor universitário e conferencista norte americano, mais conhecido pela sua obra King Leopold's Ghost (O Fantasma do Rei Leopoldo). Hochschild nasceu na cidade de Nova York e graduou-se em Harvard (1963), em História e Literatura. Além de reconhecida obra literária sobre direitos humanos, Hochschild também escreveu para a New Yorker, Harper's Magazine, The Atlantic, Granta, o Times Literary Supplement, a New York Review of Books, a New York Times Magazine, The Nation e outras publicações. Foi ainda comentador no programa All Things Considered da National Public Radio."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Esgotado.
15€

27 julho, 2022

CARVALHO, Coronel João Augusto de Noronha Dias de - HENRIQUE DE CARVALHO E A ESCRAVATURA.
[Pelo]... Of. Or. da Instrução Pública
. Lisboa, [Edição do Autor(?) - Composto e Impresso nos Serviços Gráficos da Liga dos Combatentes], 1987. In-4.º (23 cm) de 80 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem ao General Henrique de Carvalho (1843-1909), "Benemérito da Pátria, 1.º Governador de Luanda - Grande amigo dos africanos, Chefe da Expedição à Mussumba do Muato - Ianvo", sendo igualmente, um importante subsídio para a história da escravatura em África.
Livro ilustrado com 5 estampas em página inteira: 3 retratos do homenageado, um outro do rei dos Belgas - Leopoldo II, e do monumento a Sá da Bandeira, em Lisboa.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Henrique de Carvalho, o grande pioneiro que já em 1875 dirigira uma carta ao Ministro Sá da Bandeira, intitulada «Mais um brado a favor da Liberdade» sobre a escravatura, ada a insistência com que se continuava a acusar os portugueses de a praticar, e o facto de ser ao rei Leopoldo II da Bélgica que estava destinada a presidência da respectiva Conferência Internacional, dirige a este soberano, 14 anos depois, uma carta que intitulou «Influência da Civilização e da Colonização Latina e Especialmente Portuguesa, na África». Dada a sua relevância para o estudo da escravatura, e por se encontrar esgotada, julgo a sua reedição de grande interesse. Henrique de Carvalho neste livro, usando dos seus profundos conhecimentos (sobre a África), tanto geográficos como etnográficos, digamos dos usos, costumes e tradições dos seus povos, por um lado, e do seu comércio, por outro, compreendendo neste a «qualidade» dos «deanteiros» (sertanejos), que então o exerceram, forma de se processar, regimen de permutas, e finalmente das vias de penetração desse comércio no Nordeste angolano, desejou acima de tudo informar com seriedade, franqueza e desinteresse, o rei Leopoldo II, daquilo que devia saber e lhe ocultavam, para presidir com competência e imparcialidade à Conferência Internacional que deveria reunir na Suíça para pôr termo à escravatura.
Simultaneamente, o Explorador contesta que os portugueses estejam a fazer escravatura em Angola."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I) Introdução. II) Carta ao Marechal Sá da Bandeira. III) Carta ao Rei dos Belgas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
15€

14 setembro, 2017

DOCUMENTOS RELATIVOS AO APRESAMENTO, JULGAMENTO E ENTREGA DA BARCA FRANCEZA CHARLES ET GEORGES E EM GERAL AO ENGAJAMENTO DE NEGROS, DEBAIXO DA DENOMINAÇÃO DE TRABALHADORES LIVRES NAS POSSESSÕES DA COROA DE PORTUGAL NA COSTA ORIENTAL, E OCCIDENTAL DE AFRICA PARA AS COLONIAS FRANCEZAS APRESENTADOS ÁS CORTES NA SESSÃO LEGISLATIVA DE 1858. Lisboa, Imprensa Nacional, 1858. In-fólio (30,5cm) de [4], 249, 16, XVIII, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Charles et Georges é o nome de uma barca francesa, que ficou para a história por ter originado um grave incidente diplomático entre Portugal e França (1857-1858). O navio foi aprisionado pelas autoridades portuguesas por suspeita de tráfico de escravos.
1857, Dezembro
O cônsul britânico em Moçambique alertou as autoridades portuguesas para a existência de tráfico de escravos entre Moçambique e a ilha de Reunião, francesa. A barca francesa "Charles et Georges" foi capturada nas águas moçambicanas com 110 negros a bordo. O comandante foi preso e condenado a dois anos de trabalhos públicos, tendo recorrido para o tribunal da Relação de Lisboa.
1858, Agosto
A barca francesa "Charles et Georges", apresada nas águas de Moçambique, chega ao Tejo.
1858, Outubro
Ultimato francês exigindo a libertação da barca "Charles et Georges" e o pagamento pelo estado português de uma indemnização.
1859, Janeiro
Portugal pagou a indemnização exigida pela França pelo caso da barca "Charles et Georges", oito dias depois de ter sido apresentada a conta.
1859, Outubro
Nota do governo português pondo termo ao assunto respeitante à barca "Charles et Georges".
Exemplar brochado, impresso em papel encorpado, por abrir, em bom estado de conservação; apresenta pequena falha de papel no canto superior dto da capa e da f. de guarda.
Raro.
Obra com interesse histórico, encerra importante documentação para a história da escravatura.
Segundo Inocêncio (II,181) esta obra não foi posta à venda.
60€

31 agosto, 2017

MORÃO, Joaquim César de Figaniére e - DESCRIPÇÃO DE SERRA-LEÔA E SEUS CONTORNOS. ESCRIPTA EM DOZE CARTAS. Á QUAL SE AJUNTÃO OS TRABALHOS DA COMMISSÃO-MIXTA PORTUGUEZA E INGLEZA, ESTABELECIDA NAQUELLA COLONIA. O. C. D. Á SOCIEDADE LITTERARIA PATRIOTICA O CIDADÃO... Membro da mesma Sociedade e Ex-Commissario Arbitro de S. M. F. em Serra-Leôa. LISBOA: NA IMPRESSÃO DE JOÃO BAPTISTA MORANDO. ANNO 1822. In-8.º (19cm) de 97, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para a história do tráfico negreiro. Na época em a presente obra foi publicada, o comércio de escravos caminhava para o seu ocaso, fruto das pressões exercidas pela coroa inglesa sobre Portugal e dos tratados celebrados entre os dois países que, a pouco e pouco, apontavam para a abolição geral. Muito interessante pelas descrições geográficas do território colonial, as impressões transmitidas pelo autor do seu dia a dia em Freetown ao longo do tempo que aí permaneceu como representante português na Comissão Mista e pela particularmente curiosa abordagem etno-antropológica dos indígenas que Figaniére descreve com algum pormenor.

Em 1815, foi celebrado um Tratado entre os dois países “para a abolição do tráfico de escravos em todos os lugares da Costa da África ao norte do Equador”. Além dessa medida, o texto bilateral assinala que D. João VI resolvera adoptar ”em seus domínios, uma gradual abolição do comércio de escravos”. Em 1817, não sendo ainda possível ao governo inglês atingir o seu maior objetivo, alcançara pela Convenção que tem por fim “impedir qualquer comércio ilícito de escravatura”, o famoso “direito de visita e busca” nas embarcações suspeitas de tráfico, e a criação de “comissões mistas” para julgarem os navios negreiros apresados, que passaram a funcionar em Serra Leoa e no Rio de Janeiro.
                                             ....................
"Quando tive a honra de ser nomeado, por Sua Magestade Fidelissima, Membro da Commissão-Mixta em Serra-Leôa (Africa) hum meu íntimo Amigo ordenou-me que lhe desse d'aquelle Paiz noticias que interessassem, o que cumprí misturando-as com outras familiares. Tive a fortuna de escapar aos horriveis males daquella terra e cheguei felizmente à minha. Aqui tendo a ventura de encontrar o meu fiel Amigo, e outras pessoas da minha amizade, aconselhárão-me que redigisse das Cartas as noticias Africanas, e que as aprezentasse ao Público, por julgalas dignas d'Elle, visto que podem dar alguma instrucção. Movido, pois, de suas instancias, cumpro com seus dezejos, e accrescento (visto a opportunidade) os trabalhos daquella Commissão em quanto eu tive a honra de lhe pertencer."
(excerto do prólogo)
Joaquim Cesar de Figaniére e Morão (Lisboa, 1798- Brooklin, New York, EUA, 1866). “Filho de Cesar Henrique de la Figaniere, Capitão de mar e guerra que foi da armada real portuguesa e de D. Violante Rosa de Mourão. Foi ministro plenipotenciário de Portugal nos Estados Unidos. Inicialmente, exerceu as funções de cônsul-geral em Norfolk e adido da Legação portuguesa em Washington D.C. até 1823. Posteriormente, passou a ser cônsul-geral em Nova Iorque, entre 1824 e 1829. Ligado à causa liberal, foi nomeado agente da Regência Liberal e em 1834 foi designado encarregado de negócios nos Estados Unidos, cargo que ocupou até 1838. Nesse ano mudou-se para o Rio de Janeiro, igualmente como encarregado de negócios. O regresso à América aconteceu em 1840, quando foi designado ministro residente. Foi promovido a ministro plenipotenciário em 1854, tendo permanecido neste posto até à sua morte em 1866.”
(fonte: SÁ, Tiago Moreira de, História das Relações Portugal EUA (1776-2015), Lisboa, 2016)
Encadernação coeva em meia de pele com cantos, e com rótulo carmim e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
120€

06 agosto, 2016

APONTAMENTOS PARA A HISTORIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO NAS COLONIAS PORTUGUEZAS. Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1880. In-8.º (20cm) de 62, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de artigos de Casal Ribeiro publicados num periódico de Madrid sobre a abolição da escravatura nas colónias portuguesas, procurando desta forma, contribuir para o apoio aos esforços abolicionistas desenvolvidos em Espanha, que viriam a conhecer o seu epílogo a 7 de Outubro de 1886, data simbólica em que a escravidão desapareceu legalmente no país vizinho.
"Na Epoca, periodico de Madrid, muito acreditado, foi publicada uma serie de artigos narrativos da historia da abolição da escravatura nas colonias portuguezas, escriptos por um compatriota nosso e assignados com a inicial C.
A simples leitura denuncia immediatamente que é o escriptor distincto que deu á imprensa aquelles notaveis apontamentos.
O intuito d'essa publicação era fazer conhecidas em Madrid as diversa providencias que adoptamos até ao ponto de decretar definitivamente a liberdade dos pretos nas nossas colonias."
(introdução)
"Em Portugal a idéa abolicionista teve tambem a seu serviço, para se converter em acto pratico, o apostolo, o estadista, o soldado - foi o marquez de Sá da Bandeira. A historia da libertação dos negros nas nossas colonias cabe toda na biographia do honrado e valoroso general. [...]
Sem nos determos nas medidas promulgadas durante o antigo regimen em favor dos escravos, com fortuna varia e incerta execução, apontamos apenas de passagem a época do celebre marquez de Pombal - o Aranda portuguez - dobrada a primeira metade do seculo XVIII. Em 1761 decretava-se a emancipação ipso facto de todo o escravo vindo das colonias para o continente portuguez. Em 1773 declaravam-se livres todos os individuos nascidos no reino de mãe escrava, e aptos a quaesquer misteres, honras e dignidades. Estas medidas, prestando homenagem ao principio da egualdade civil proclamado pela philiosophia, então em voga, dos encyclopedistas, obedeciam não obstante, mais a um pensamento politico, que a um principio humanitario. Nas colonias lá ficava a escravidão de raça negra; lá o trafico dos escravos com todas as brutalidades e horrores usados pelo vil interesse. Na Europa, Pombal visava sobretudo a destruir os privilegios da nobreza, nivelar a sociedade com rasoura democratica, assentando no cimo o throno absoluto do rei e o poder omnimodo do ministro.
Era n'aquelles tempos o Brazil emporio de riqueza por nos explorada, onde inconscientemente estavamos lançando as bases de um imperio independente e prospero, do qual hoje, por amigavel e fraternal trato de industria e commercio, arrecadamos, nós os portuguezes, maiores e mais reaes vantagens que os produzidos emquanto foi colonia. [...]
Nos tempos do grande marquez, e nos que proximos se lhes seguiram, as nossas colonias de Africa onde desde os gloriosos tempos da famosa escola de Sagres, os Diogo Cão, Bartholomeu Dias e tantos outros, haviam plantado immortaes padrões, eram apenas grandes repositorios de gente negra, que a especulação feroz arrancava aos seus nativos palmares, acorrentando-os a caminho da America. Um manuscripto official do principio d'este seculo, citado pelo marquez de Sá da Bandeira, assevera que, nos 44 anos decorridos de 1759 a 1803, se haviam embarcado, só dos portos de Loanda e Benguella para o Brazil, 642:000 escravos, sendo a media annual 14:000 a 15:000. O imposto de exportação por cada cabeça, peça de India, denominação que se dava ao adulto robusto n'aquelles tempos, e o que pagavam as peças de inferior cathegoria, representavam para o thesouro proximadamente 85 0/0 do rendimento total da provincia de Angola. Em 1817 a 1819 pouco variava em proporção, tendo-se augmentado a 22:000 o numero de escravos annualmente remettidos para o Brazil. Em 1834, época da restauração da dynastia e da liberdade, vespera de medidas energicas contra o trafico, o imposto de exportação de carne humana excedia ainda 80 por cento do rendimento total da provincia.
Era então axioma geralmente aceite que sem trafico e sem escravos, Angola seria arruinada."
(excerto do Cap. I)
José Maria do Casal Ribeiro. Conde do Casal Ribeiro desde 1870 (1825-1896). “Depois de ter sido um revolucionário republicano em 1848, casa em 1851 com uma filha do barão de Quintela e passa-se para os regeneradores, de que é deputado e ministro. Deputado em 1851-1852; 1853-1856; 1857-1858; 1860-1861; 1861-1864; 1865; 1865. Par do reino desde 1865. Ministro da fazenda de 16 de Março de 1859 a 4 de Julho de 1860. Ministro interino dos negócios estrangeiros de 24 de Abril a 4 de Junho de 1860. Volta à pasta dos estrangeiros no governo da fusão, de 9 de Maio de 1866 a 4 de Janeiro de 1868, acumulando a das obras públicas, comércio e indústria de 9 de Maio a 6 de Junho de 1866. Como par do reino em 1884, é um dos opositores à lei eleitoral de Fontes e Barjona que veio alargar o sufrágio, anunciando a intenção de formar um novo partido, dito católico, apenas concretizado entre 1903 e 1910, com o partido nacionalista, liderado por Jacinto Cândido. Morre em 14 de Junho de 1896."
(fonte: www.politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenas manchas e defeitos nos cantos.
Raro.
30€

02 novembro, 2011

Alvará para que se naõ levem negros dos pórtos do mar para terras, que naõ sejaõ dos Dominios Portuguezes. De 14 de Outubro de 1751. [Lisboa], [Chancellaria mór da Corte, e Reino - reimpresso na Officina de Miguel Rodrigues], 1751. In-4º (29cm) de 2 p. ; B.
Alvará setecentista publicado em Lisboa no início do reinado de D. José I, sobre o comércio de escravos no Brasil.
"EU ELREY. Faço saber, aos que este meu Alvará em fórma de Ley virem, que sendo-me presente em Consulta do meu Conselho Ultramarino a grande desordem, com que no Brasil se estaõ extraindo, e passando negros para os Dominios, que me naõ pertencem, de que resulta hum notorio prejuizo ao bem publico, e á minha Real Fazenda, a que he preciso dar o remedio conveniente: Hei por bem ordenar geralmente, que se naõ levem negros dos pórtos do mar para terras, que naõ sejaõ dos meus Reaes Dominios, e constando o contrario se perderá o valor do escravo em tresdobro, ametade para o denunciante, e a outra para a Fazenda Real, e os Réos de contrabando seraõ degradados dez annos para Angola..." (excerto do texto)
Bom exemplar.
Muito invulgar, de grande interesse histórico.
25€