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30 janeiro, 2025

PRAÇA, Dr. José Joaquim Lopes - DAS LIBERDADES DA EGREJA PORTUGUEZA. O Catholicismo e as Nações Catholicas. Dissertação para o Concurso ao Magisterio na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Pelo candidato... Coimbra, Imprensa Litteraria, 1881. In-8.º (22,5 cm) de 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Catholicos e portuguezes, os nossos mais notaveis pensadores divergiam entre si, e não lhes repugnava ir d'encontro á doutrina que haviamos haurido no seio da Universidade, frequentando por alguns annos a Faculdade de Theologia, a de Philosophia, e muito especialmente a de Direito, a que de preferencia nos dedicamos, e da qual recebemos grandes, generosos e nunca esquecidos beneficios. [...]
Fizemos uma synthese das nossa idéas, e, se não nos illude a nossa boa fé, afigura-se-nos poder lançar alguns topicos para uma historia util, rigorosa e proficua da egreja portugueza, para a historia do direito patrio, e os fundamentos ao menos para que de futuro as nossas investigações sobre as relações entre Roma e Portugal, cheguem a um accôrdo em que progressivamente se manifestem com desassombro as aspirações legitimas dos dois poderes - espiritual e temporal."
(Excerto do preâmbulo)
José Joaquim Lopes Praça (Castedo, Alijó, 1844 - Montemor-o-Novo, 1920). "Forma-se em Direito em 1868. Começa como professor do ensino secundário em Montemor-o-Novo, Viseu e Lisboa. Professor da Faculdade de Direito de Coimbra a partir de 1881, apresentando a tese O Catolicismo e as Nações. Da Liberdade da Igreja Portuguesa. Começa marcado pelo romantismo de Herculano e, por influência de Vicente Ferrer de Neto Paiva, adere depois ao Krausismo. Em 1904, foi nomeado aio do príncipe real, D. Luís Filipe, e do então infante D. Manuel. Abandona completamente a vida pública depois do regicídio de 1908."
(Fonte: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/classepolitica/pracalopes.htm)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa manchada com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
25€

01 novembro, 2024

PRAÇA, J. J. Lopes -
ENSAIO SOBRE O PADROADO PORTUGUEZ.
Dissertação inaugural para o Acto de Conclusões Magnas. De... Coimbra, Imprensa da Universidade, 1869. In-8.º (20x13,5 cm) de XIII, [1], 169, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Tese de final de curso do conhecido académico e professor da Universidade de Coimbra José Lopes Praça.
"O Padroado Português foi um acordo instituído entre a Santa Sé e Portugal em que o Papa delegava no Rei de Portugal o poder exclusivo da organização e financiamento de todas as atividades religiosas nos domínios e nas terras descobertas pelos portugueses." (Wikipédia)
"Incumbe-nos escrever sobre uma materia espinhosa e cheia de escolhos, attendendo quer ao padroado em si, quer ás suas diversas relações com outras materias. É coisa sabida e até palpavel que a doutrina do nosso padroado está dependente de conhecimentos profundos de Theologia Revelada, e de Direito Canonico, Publico, Internacional e Ecclesiastico. A Historia Geral da Egreja, as relações das disposições canonicas com as civis, e, sobre tudo, as lições da Historia da Egreja Lusitana são outros tantos elementos e que, do mesmo modo, não poderemos prescindir.
Infelizmente nem a Historia da Egreja Lusitana, nem o Direito Ecclesiastico Portuguez assumiram ainda a desejavel perfeição, e ainda até hoje não foi emprehendida entre nós uma verdadeira historia critica da nossa legislação e jurisprudencia. [...]
Alem disso, a materia do padroado é já de si bastante melindrosa para que, pondo de parte outras difficuldades, nos vejamos a olhal-a com prudencia e reflexão. As duas espheras da humana actividade melhor constituidas, e as mais impreteriveis condições do nosso desenvolvimento, interessam consideralvelmente na melhor solução das questões, que se têm ventilado a este respeito.
Hoje, principalmente, o estudo d'esta materia não se recommenda só pelo seu merito e importancia intrinseca; hoje corre-nos a estricta obrigação de verificar com escrupulo e imparcialidade a questão do padroado, a fim de não deixarmos correr á revelia a contestação apaixonada de uma das mais preciosas regalias da corôa portugueza."
(Excerto de Introducção Geral)
José Joaquim Lopes Praça (Alijó, 1844 - Montemor-o-Novo, 1920). "É por vontade do pai destinado à vida eclesiástica, começa por estudar no Seminário de Braga antes de ingressar na Universidade de Coimbra em 1863. Estuda primeiramente Teologia e Direito, optando por estudar apenas Direito a partir do 4.º ano ao que parece por incompatibilidade de horário, demonstrando portanto maior interesse por uma área de estudos onde se desenrolavam grandes debates. Assistimos por estes anos a uma efervescência académica na Universidade de Coimbra, traduzindo-se esta pela contestação dos cânones estabelecidos, na procura por novas formas de expressão artística, por renovadas inspirações filosóficas e políticas, assim como um maior diálogo e abertura a outras realidades culturais. O jurista vai dedicar toda a sua vida ao ensino. Como professor, o seu discurso não vai ter um carácter polémico nem um tom de rotura. Enquanto professor de direito na Universidade de Coimbra começa por coligir material para a história do estado e do direito português. Além da sua Coleção de Leis e Subsídios para o Estudo do Direito Constitucional Português (1893-1894) temos ainda notícia de um mal logrado plano para escrever uma História do Direito Pátrio quando é chamado, como professor, para a corte (Mexia de Mendia, José Joaquim Lopes Praça (1844-1920) 1999, p.65-71). Devido ao facto de os seus escritos terem um aspecto de maior neutralidade e de se procurarem inserir num âmbito de cientificidade, vão atrair aceitação junto dos monárquicos moderados. Após terminar os seus estudos em 1869 com uma tese sobre o padroado português, procura seguir a carreira professoral na Universidade de Coimbra logo num concurso em 1870, esse desejo é no entanto sucessivamente adiado. Após o abalo do regicídio de 1908 a sua vida vai tomar no entanto um rumo semelhante à de Herculano, volta a Montemor-o-Novo, raramente sai de casa, divide o seu tempo entre a família e leituras. Mantém correspondência por exemplo com Ferreira Deusdado ou Tiago Sinibaldi e do que então escreveu limitou-o à sua esfera privada, sabemos tão só da repugnância que a sociedade lhe suscitava. Era desde 1904 com um sentido de missão, professor de filosofia do príncipe real. Os seus ensinamentos estão então mais próximos da religiosidade católica, na linha do neotomismo de Sinibaldi, cujo manual foi o guia para a educação do príncipe. A dedicação com que exerceu a carreira docente e a prudência de um homem de letras para com os problemas que Portugal atravessava, revendo-se na monarquia, levam-no até essa posição."
(Fonte: https://dichp.bnportugal.gov.pt/historiadores/historiadores_praca.htm)
Encadernação simples meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Primeiras 15 folhas, incluindo f. rosto, com restauro no pé.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
45€

22 março, 2019

PRAÇA, J. J. Lopes - HISTORIA DA PHILOSOPHIA EM PORTUGAL NAS SUAS RELAÇÕES COM O MOVIMENTO GERAL DA PHILOSOPHIA. Por... Volume I. Coimbra, Imprensa Littteraria, 1868. In-8.º (20cm) de VIII, 254, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre a História da Filosofia em Portugal, dos primeiros com estas características publicados entre nós. Inclui um estudo sobre os filósofos portugueses mais antigos e notáveis.
Trata-se da rara edição original deste ensaio de Lopes Praça, inicialmente pensada para incluir um segundo volume que nunca viria a ser publicado.
"Um povo é um individuo collectivo. Antes de pensar fala. Antes de reflectir já se manifesta. Mas verdadeiramente autonomico só se torna quando pensa e diz, quando reflecte e executa. A primeira phase realiza-se na infancia e adolescencia dos povos; a segunda na adolescencia e virilidade dos mesmos. Isto em these, pondo de parte as gradações e variantes da hypothese.
Estes dois periodos dos povos não se  fundamentam na exclusão radical dos elementos, que os constituem; mas unicamente no predominio mais ou menos sensivel, mais ou menos notavel d'este ou d'aquelle elemento. A espontaneidade é mais heroica, mais desaffrontada, mais divina. A reflexão é mais humana, mais prudente, mais meritoria, mais autonomica. [...]
Muita gente instruida qualificou de chimerica o nosso proposito. Nenhum philosopho illustre se conhecia nos Fastos da Historia Portugueza. Não tinhamos um nome illustre que nos guiasse, um fio de Ariadna que nos dirigisse, um luzeiro que nos norteasse. Edificámos no vacuo. Investigámos os materiaes, e apurámol-os, na estreiteza do tempo, pelos cahos das Bibliothecas, que podémos visitar, algemados pela pobreza e singularidade dos nossos recursos moraes e materiaes."
(Excerto do preâmbulo, Duas palavras)
"A Historia da Philosophia tem por objecto expôr e criticar as tentativas do espirito humano em ordem a resolver todos os problemas, que se tem ventilado através dos seculos , nos dominios da Philosophia.
O nosso fim, escrevendo este livro, é visivelmente mais limitado, sem que deixemos todavia de participar, em grande escala, das difficuldades com que teem a luctar os historiadores da Philosophia. Por maiores, porém, que sejam as difficuldades, não é menos certo que não ha estudos nem mais interessantes, nem mais elevados."
(excerto da Introducção Geral)
Matérias:
Introducção Geral. Primeiro Periodo: Desde o começo da Monarchia até D. João III, ou desde os fins do seculo XI até 1521: I. Noticia biographico-critica dos mais notaveis Philosophos Portuguezes que floresceram desde a independencia de Portugal até 1521. II. Da Philosophia nas escholas de Portugal desde o principio da Monarchia até 1521. III. Movimento da Philosophia na Europa. Segundo Periodo: Desde D. João III até D. João V, ou desde 1521 até 1706: I. Noticia biographico-critica dos mais notaveis philosophos desde D. João III até D. João V. II. Da Philosophia nas escholas de Portugal desde desde D. João III até o reinado de D. João V, ou desde 1521 até 1706. III. Movimento da Philosophia na Europa. Terceiro Periodo: Desde D. João V até o fallecimento do Sr. Silvestre Pinheiro Ferreira, ou desde 1706 até 1846: I. Noticia biographico-critica dos mais notaveis Philosophos Portuguezes desde D. João V até o Sr. Silvestre Pinheiro Ferreira II. Da Philosophia nas escholas de Portugal desde desde D. João V até 1848. III. Movimento da Philosophia na Europa.
José Joaquim Lopes Praça (1844-1920). "Jurista, professor universitário e historiador da Filosofia em Portugal (n. Castedo, Alijó, 1844, m. Montemor o Novo, 1920). Feitos os preparatórios de Humanidades, ingressou no Seminário Arquiepiscopal de Braga, concluindo Teologia (1862), matriculando-se depois nas Faculdades de Direito e de Teologia em Coimbra, optando por Direito, cuja licenciatura obteve (1869). Nomeado professor para a sua terra natal, reingressou nos estudos universitários, com o fito de preencher uma vaga na Faculdade de Direito, para o que apresentou uma tese em 1870, mas não obteve o que desejava, por isso regressando a Montemor, onde fomentou os estudos históricos sobre a localidade. Obtém colocação no Liceu Central de Lisboa, mas o seu objectivo continuava sendo o de uma carreira universitária. Em 1881 concorre a uma de três vagas na Faculdade de Direito coimbrã, defendendo tese sobre "O Catolicismo e as Nações Católicas", sendo nomeado professor substituto da 15.ª cadeira. Perceptor e mestre de Filosofia do príncipe D. Luís e do Infante D. Manuel (1904), o regicídio de 1908 foi para ele um golpe tão duro que se retirou por completo da vida pública, apenas mantendo correspondência com alguns amigos, entre eles Ferreira Deusdado e Tiago Sinibaldi, deixando documentada em cartas a sua transição do krausismo para uma sóbria adesão ao neotomismo. Os dois aspectos mais significativos da sua obra são o de especialista de Direito Constitucional e o de historiador da nossa Fitos. Em Fitos. do Direito começou por seguir Kant, que preferia a Krause, mas, nos Estudos sobre a Carta (1878), elogia a difusão das teses de Krause, apreendidas através dos discípulos belgas Ahrens e Tiberghien, e que, no nosso país, se radicaram através do magistério de Vicente Ferrer Neto Paiva. Sendo um dos primeiros constitucionalistas portugueses, mostrou total adesão ao jusnaturalismo de Ferrer e de José Dias Ferreira, que muito admirava, tendo chegado a prometer competente estudo sobre o pensamento desses autores, no 2.° vol., projectado mas irrealizado, da sua História da Filosofia em Portugal. Estudante, ainda, influenciado pelos estudos históricos peculiares ao romantismo, e pelo exemplo de Alexandre Herculano, feria o a inexistência de uma panorâmica da fitos. em Portugal. Decidiu, por isso, investigar e escrever a História da Filosofia em Portugal nas safas Relações tona o Movimento Geral da Filosofia, prevista para 2 vols., de que só o primeiro saiu (1868). Lopes Praça tem noção das limitações do trabalho quando afirma: "Não nos levem a mal o título do livro. Chamamos-lhe o que desejávamos que ele fosse, e não o que realmente é". No título, o plano supõe uma leitura paralela comparativa da filosofia europeia com a filosofia em Portugal, e o autor consegue isso, mediante a alternância dos capítulos, que, desse modo, dá ao livro o carácter de "história universal". O propósito da obra acha se na mesma definição do objecto de História da Filosofia: "expor e criticar as tentativas do espírito humano... nos domínios da Filosofia". A amplitude temporal define se entre a escolástica medieval, assumida a partir do começo da independência política portuguesa, até meados do séc. XVIII, mediante a obra ecléctica de Silvestre Pinheiro Ferreira. L.P. não nos propõe uma noção específica de "filosofia portuguesa", preferindo, dada a sua ideia de universalidade da filosofia, a noção de "filosofia em Portugal", enquanto o seu itinerário através do tempo se apoia mais nos filósofos do que na sequência tética intrínseca ao discurso da filosofia na história. Com tudo isso, é, sob o impulso iniciado por L.P., que entre nós se desenvolve "o estudo biográfico e histórico-cultural".
(J. de Carvalho, v. Bibl., p. 153, in http://www.dodouropress.pt/)
Encadernação em meia de pele, ao gosto da época, com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada com pequenos defeitos e selo de biblioteca.
Raro.
Indisponível