21 março, 2026

FALCÃO, Armando de Sacadura -
A FAMÍLIA PONCES
. Lisboa, [sn. - Composto e impresso na egpl - Editora Gráfica Portuguesa, Lda. - Lisboa], 1984. In-4.º (24,5×17 cm) de 95, [3] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante estudo genealógico sobre a família Ponces. Trabalho publicado em separata de Armas e Troféus : V Série, Tomos III e IV - 1982-1983.
Ilustrado em separado com 4 estampas impressas sobre papel couché:
- Brasão da Família Pons;
- Solar dos Ponces de Carvalho em Vilar Seco;
- Retrato de António de Pádua Ponces de Carvalho.
- Brasão passado a Miguel António Ponces de Carvalho a 21-7-1866.
"No sul de França, departamento de Charente Inferior, existe uma povoação cujo nome - Pons - se tornou apelido usado de um e outro lado dos Pirinéus. No norte de Espanha, Província de Lérida e antigo bispado de Urgel, em plena Catalunha com o seu altaneiro castelo e povoação de Ribelles. Os Barões deste castelo tiveram preponderante papel na Reconquista e, segundo a «Enciclopédia Ilustrada», edição de Madrid, além do senhorio de Ribelles, tiveram o de Alsina, Guardiola e Vilalte, sendo Barão em 1879 D. José Maria de Bofarull y Olzinelas. [...]
Os Ribelles figuram em toda a história da Catalunha medieval, ocupando grandes cargos e com relevantes serviços, mas nos fins do século XVI decaíram economicamente com pleitos e questões numerosas. No entanto, a baronia de Ribelles fora muito poderosa e dona de castelos e lugares como Pons, Artesa de Segre, Agramunt, parte de Baluanguer, etc.
Porém, em meados daquele século XVI, horas de cavalaria inquieta e romanesca aventura, dois mancebos do Castelo de Ribelles escaparam-se ao solarengo lar e correm à ventura, um para o norte e outro para o sul, atrás - sabe-se lá -, da fascinantes miragens. O que rumou ao sul veio dar a Viseu, e aqui, talvez exausto e desiludido, se quedou e, prosaicamente, se fixou, constituindo família e ocultando discretamente, na modéstia da sua nova condição, a grandeza da sua origem e o seu nome ilustre: passou a ser, ele que era um Pons, dos grandes da Catalunha, simplesmente João Catalão. Assim se inicia em Viseu, cortando a gloriosa tradição de heroísmo e grandeza dos senhores do Castelo de Ribelles, à sombra de um nome sem nome, o nome dos Ponsses (aportuguesando o plural) que, na Beira, viriam ainda a dar Ponsses ilustres, restando o apanágio de valor que foi timbre dos Ponsses da Catalunha."
(Excerto de Ponces da Beira)
Armando Freire Cabral de Sacadura Falcão (Lisboa, 1911-2007). "Foi um militar e genealogista português. Primogénito dos dois filhos varões do Dr. Armando de Sacadura Falcão e de sua mulher Ester da Conceição Fragoso da Lança de sua mulher Ester da Conceição Fragoso da Lança. Frequentou o curso dos Liceus em Lisboa, os estudos preparatórios na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e, nos anos de 1931 a 1934, o curso da Arma de Cavalaria na Escola Militar. […]
Atingiu o posto de Tenente-Coronel Piloto Aviador da Força Aérea, e foi Chefe de Missão Militar na Base Aérea de Châteauroux, em França, e na Base Aérea de Nouasseur, em Marrocos, ambas Americanas, etc. Pertenceu, na qualidade de Sócio Efectivo, à Associação dos Arqueólogos Portugueses, da qual foi Director, - Secção de História, ao Instituto Português de Heráldica, mais tarde também Honorário, à Sociedade de Geografia de Lisboa, à Associação Portuguesa de Genealogia e à Academia Portuguesa de Ex-Libris, e, na qualidade de Sócio Correspondente, ao Instituto Genealógico Brasileiro, de São Paulo. Foi Presidente da Comissão de Genealogia e Vogal do Conselho de Nobreza, Sócio Fundador da Associação de Nobreza Histórica de Portugal e Director da Sociedade Histórica da Independência de Portugal." Colaborou com revistas e outras publicações, e publicou diversas obras, versando sobretudo a genealogia.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
35€
 

20 março, 2026

VICTÓRIA, Margarida -
AMORES DA CADELA "PURA".
Volume I. Confissões. [Volume II. Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa]. Lisboa, Bertrand Editora : Chiado, 2004. 2 vols in-4.º (23x15 cm) de 291, [1] p. ; [8] p. il. (I) e 188, [20] p. il. (II) ; B.
1.ª edição.
Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa, mulher irreverente, cosmopolita, à frente do seu tempo, viveu em São Miguel, Lisboa, Paris e no Cairo. Obra completa, em dois tomos. O primeiro volume teve edição em 1976, sendo o segundo inédito, editado apenas em 2004, postumamente.
Obra ilustrada com inúmeras fotografias distribuídas por 28 páginas extra-texto: 8 no 1.º volume; 20 no 2.º volume.
"Margarida Victória nasceu em Ponta Delgada em 1919, no seio de uma aristocrática e abastada família.
Estas confissões são um relato apaixonado e pungente de uma vida de encontros e desencontros.
Corajosamente verdadeiro, Amores de uma Cadela "Pura", é sem dúvida um grande documento humano."
(Retirado da badana anterior)
"Margarida Victória Borges de Sousa Jácome Correia nasceu em Ponta Delgada, em 31 de Março de 1919, no seio de uma aristocracia e abastada família açoriana. Com uma infância dominada pelos fortes traços do carácter do pai, o Marquês de Jácome Correia, e pela formação ultraconservadora da mãe, Margarida Victória cresceu quase entregue a si própria e viria a prender-se muito cedo a um casamento irremediavelmente condenado. A partir daí a vida de Margarida Victória foi um constante laboratório das mais ímpares experiências humanas, umas envoltas pelo véu de um romantismo exótico, fantástico e cosmopolita, outras eivadas de um entendimento terno e simples, onde o denominador comum residia sempre numa forte cumplicidade e numa natural adesão a espíritos cultos e sensíveis. Margarida Jácome Correia, Margarida Victória, Marquesa de Jacóme Correia ou, simplesmente, para muitos da sua Fajã natal, a marquesinha, soube resistir à força das convenções, dos espartilhos rígidos e das razões preconcebidas."
(Fonte: Wook)
"O livro de memórias de Margarida Victória tem o título forte e original de Amores de uma Cadela "Pura". A sua leitura suscita várias interrogações: é a confissão de uma vida? o auto-retrato de uma mulher infeliz? a autópsia de uma família? a denúncia de uma época e de um lugar, a sociedade fechada e hipócrita da ilha de São Miguel? É, de acto, isto tudo. E o segundo volume com o mesmo título, até agora inédito, vem completar o itinerário recordado desta mulher invulgar. Do que ela foi, do que quis ser ou do que a obrigaram a ser. Haverá diferenças ou aproximações entre a Cadela Pura (e os seus amores) e a Macaca de Fogo, última musa de Vitorino Nemésio, celebrada nos seus derradeiros poemas, envolvidos com as chamas de um amor tardio mas vulcânico?"
(Excerto de Retrato (incompleto) de Margarida Jácome)
Margarida Jácome Correia (Ponta Delgada, 1919 - Lisboa, 1996). "Detentora de grande beleza, de forte personalidade, e de considerável fortuna familiar, Margarida Vitória Borges de Sousa Jácome Correia, Marquesa de Jácome Correia ou, para o povo da Ilha de S. Miguel, A Marquesinha, era filha de Aires Jácome Correia, marquês de Jácome Correia, e de Dona Joana Chaves Cymbron Borges de Sousa. Cultivou relações com personalidades importantes do meio cultural português, designadamente os escritores Armando Côrtes-Rodrigues, com quem foi casada, Domingos Monteiro, Hernâni Cidade, Natália Correia e Vitorino Nemésio.
A sua vida afetiva, recheada de acidentes por vezes dramáticos, por vezes pitorescos, atingiu contornos escandalosos para os padrões portugueses e sobretudo insulares da época. Foi através de Côrtes-Rodrigues que Margarida Vitória conheceu Vitorino Nemésio, que por ela se apaixonou, vivendo os dois uma relação amorosa de enorme intensidade que durou até à morte de Nemésio e que este registou nos poemas que viria a reunir no livro Caderno de Caligraphia. Encontram-se ecos desta relação nas memórias de Margarida Vitória, o polémico Amores de Cadela «Pura»: confissões, cujo primeiro volume (1976) foi escrito com o apoio de Vitorino Nemésio – e sobretudo no segundo volume, concluído pouco antes da morte da autora e que só viria a ser publicado em 2004."
(Fonte: https://www.agendalx.pt/events/event/margarida-jacome-correia/)
Exemplares em brochura, bem conservados.
Esgotado.
35€

19 março, 2026

RAPOSO, Hipólito -
JARDIM SUSPENSO. Guimarães, [s.n. - Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» de Gaspar Pinto de Sousa, Sucessores, Ltd.ª - Vila Nova de Famalicão], MCML [1950]. In-4.º (24x16 cm) de 21, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Apanhado de cantigas de índole popular composta por 215 pequenas poesias colecionadas pelo autor, reminiscências do seu tempo de rapaz no lar paterno.
Trabalho pouco conhecido, de índole intimista, o seu último publicado em vida, mas muitíssimo interessante. Saiu em separata dos n.os 3-4 e 5-6 do vol. 1.º (2.ª série) da revista Gil Vicente.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a José de Campos e Sousa.
"Durante dois serões das férias do Natal de há cinquenta anos, na vila beiroa em que nascemos, meu Pai e minha Mãe, sentados comigo à roda do lume, iam-me ditando, alternadamente, a sorrir na desgarrada, as simples cantigas adiante transcritas.
Por então, debaixo da laranjeira do nosso quintal, hirsutamente rosnava um cão, o vigilante Fantoche, a dar alarme contra suspeitos ruídos de metediços ou ratoneiros que se afoitassem na solidão, ao favor do negrume da noite.
À porta da nossa casa, era certo passar o retumbo da arruada, com o famoso Tiago no meio, ora a tossir turvamente da bronquite sarrosa do vinho, ora a cantar fundo e claro à viola de cordas de tripa, pois na terra não havia guitarras, nem o povo fora ainda infeccionado pela sórdida lepra do Fado da Mouraria. [...]
Escritos a lápis no papel dos cadernos da escola, com as folhas dobradas em quatro, a toda a altura, desta maneira, em silêncio e paz, estes versos populares foram atravessando a maior parte da minha vida, em diversas fases muito salteada de ondas, ressacas e escarcéus. [...]
Com muito fiel e pronta memória, por meus Pais foram recitadas quase todas estas cantigas; mas algumas, aqui e além, eram pausadamente proferidas, como se lhes estivessem brotando das almas em cauteloso improviso. [...]
Na variada colecção que vai ler-se, esses estudiosos da alma popular, poderão gostosamente vê-la reflectida em cândidos paralelismos, claros reflexos e vivos contrastes, pela indefinida série das suas expressões espontâneas, desde o amor-saudade, do sonho, da desgraça e da ventura, até ao desengano, à mágoa, ao desprezo e a outros sentimentos humanos. Popularismo castiço, poesia sem jaça exótica, nem artificiosa. Por estas composições senti despertar a minha admiração pelo Poeta-Povo, e sempre me ficaria o gosto da primeira lição da sua Literatura, em boa hora recebida das bocas daqueles que me procriaram, e por entre brandos cuidados e carícias me ensinaram a falar português."
(Excerto do Preâmbulo)
Hipólito Raposo (1885-1953). "Advogado, escritor, historiador e político, natural de S. Vicente da Beira, foi um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano.
Começou a sua carreira profissional como professor de Geografia no Liceu Passos Manuel (1911-12) e como professor de Filosofia Geral das Artes no Conservatório de Lisboa (1912-). Em 1914, participou na preparação e lançamento da revista Nação Portuguesa e, no ano seguinte, proferiu a conferência A Língua e a Arte no âmbito do ciclo de conferências sobre A Questão Ibérica na Liga Naval de Lisboa, em que apresenta uma profunda análise das diferenças e especificidades culturais, linguísticas, literárias e artísticas de Portugal e Espanha, concluindo que uma união ibérica seria realizar "o absurdo de fundir uma gota de sangue com uma lágrima."
A Hipólito Raposo, mais tarde secretário da organização política do Integralismo Lusitano (1916-1933), se devem as primeiras exposições dos conceitos fundamentais do seu ideário político, em artigos como "A voz do profeta" (acerca do municipalismo de Alexandre Herculano), Natureza da Representação e Conceito Nacional de Soberania. 
Em 1919, era director do jornal A Monarquia quando desempenhou destacado papel no pronunciamento monárquico de Monsanto, vindo a ser demitido de todos os cargos públicos, julgado no Tribunal Militar de Santa Clara por "crime de imprensa" e a cumprir pena de prisão em S. Julião da Barra (1920). Afonso Lopes Vieira vestiu então a toga de advogado, pela primeira e única vez, em defesa do seu amigo. Exerceu advocacia em Angola (1922-23).
Reintegrado como professor no Conservatório (1926), defendeu a recusa de colaboração dos monárquicos à União Nacional (partido único) e ao regime do "Estado Novo", acabando por ser de novo demitido de todos os cargos públicos, e deportado para os Açores, na sequência da virulenta denuncia da "Salazarquia" que fez no livro Amar e Servir (1940). Subscreveu a reactualização doutrinária integralista Portugal restaurado pela Monarquia (1950)."
(Fonte: https://www.estudosportugueses.com/hipolito_raposo.html)
Exemplar em brochura, presos por atilho, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

18 março, 2026

UM CAPÍTULO DA ETNOGRAFIA BARCELENSE : As Olarias
. Barcelos, Companhia Editora do Minho, [1951?]. In-8.º (22,5x14 cm) de 37, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da olaria produzida na região de Barcelos, famosa pela sua originalidade e cunho popular.
Embora não assinada, sabe-se que a autoria deste estudo - vertido em conferência - pertence a Joaquim Sellés Pais de Vila Boas.
Obra invulgar, com interesse histórico e etnográfico, por certo com tiragem reduzida.
Impressa em papel de superior qualidade, ilustrada no texto com bonitos desenhos, símbolos e marcas de fabricantes.
"Foi generosa a terra barcelense dando ao oleiro os meios de que carecia; o barro e a madeira.
Do barro se fazem as peças e as tintas mais antigas; da madeira se fabrica a roda e as ferramentas.
Argila vermelha dissolvida em água dá o vermelho típico do vidrado; barro branco dá o amarelo tão usado nas decorações.
A história da ferramenta quer seja de fazer ou de pintar acompanha a história onatómica da peça a fabricar, sem nunca chegar a atingir o seu grau de evolução ou beleza estética.
Filha do espírito criativo do oleiro, este fabrica-a a canivete ou navalha, na forma e geito do fim em vista... só para ele.
Produto regional?
Sem dúvida alguma, no seu tipológico desenvolvimento, sem paralelo nos outros centros que estudei - desde Canha a Vagos, de Malhada Sôrda a Vilar de Nantes em Chaves."
(Excerto de 1 - a geologia da região)
Índice:
a - apresentação. b - preparação do tema. c - olarias: 1 - a geologia da região; 2 - origem da história; o aparecimento no concelho; 3 - os materiais de fabrico, produtos do meio; 4 - a evolução das formas; 5 - primitivismo nos temas: o n.º 7, louça branca, estatuária, ferramentas, decoração; 6 - o meio e a sua influência na cor; 7 - decadência.
Joaquim Sellés Paes de Villas-Bôas (1913-1990). "Etnógrafo, arqueólogo, crítico de arte, cavaleiro e comentador hípico e oficial de cavalaria do Exército Português, nasceu em Madrid em 11 de Fevereiro de 1913. Era filho de Joaquim Gonçalves Paes de Villas-Boas, advogado e proprietário, presidente da Direção do Grémio da Lavoura de Barcelos, comandante do Batalhão n.º 12 da Legião Portuguesa, com sede em Barcelos, Provedor da Real Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz, conselheiro Municipal e representante da Causa Monárquica e de D. Elisa Sellés y Rivas, filha de D. Eugénio de Sellés y Angel, 2º Marquês de Gerona e Visconde de Castro y Orosco, governador das províncias de Sevilha, León e Granada, autor dramático, membro da Real Academia de Espanha e presidente da Sociedade de Autores Espanhóis. Faleceu em Lisboa em 14 de Maio de 1990, com 77 anos."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/40344) 
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

17 março, 2026

VASCONCELLOS, Henrique de -
A MENTIRA VITAL. Coimbra, Edição da Imprensa da Universidade, 1896 [capa, 1897]. In-8.º (22x14 cm) de XVI, 188, [8] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos, alguns históricos, outros fantásticos, como o encontro surreal entre um abade e o Tentador (Satan), outros ainda impregnados de erotismo, o que, na época, configuraria certo arrojo literário. Inclui ainda um capítulo dedicado aos touros de morte, e outro devotado a três cidades portuguesas: Coimbra; Aveiro; Viana do Castelo. Sete dos contos estão referenciados no Dicionário de Literatura Gay, 7.ª edição, Index, 2022. Relativamente a este assunto, no mesmo Dicionário, é citado António Fernando Cascais: "A Mentira Vital, [está] todo ele recheado de contos (A Elipse; Cerebrais; No Terraço; Eros Trágico; Alma a Penar; O Tentador e A Mentira Vital, que dá título ao volume) sumamente sugestivos do ponto de vista queer." 
Obra ecléctica, invulgar e surpreendente, impressa em papel encorpado.
O autor, assumidamente balzaquiano, no extenso prólogo defende-se das críticas e justifica a obra:
"Abominando os chamados realistas e em geral todas as coteries, sou um discipulo de Balzac. Outra coisa não deve ser o romance ou o conto, senão a analyse d'uma Alma ou d'um estado d'Alma, transitorio ou permanente.
Nos ligeiros contos que apresento ao leitor, em que ás vezes o pensamento parece ficar suspenso, não quis fazer outra coisa.
«Dizer o que vi, o que pensei, o que senti, na melhor prosa de que pude dispôr», foi esta a minha ambição, durante todo o tempo que gastei a escrever as paginas que vão seguir-se."
(Excerto do Prólogo - Isagoge)
"O abbade dormia na rude gruta, sobre um punhado de feno, quando lhe appareceu o Tentador, bello, supremamente bello; no seu olhar nadavam á mistura um grande orgulho e uma grande dôr.
O abbade dormia. Abertas as eclusas, o sonho voava para o peccado. Na noite rasgava-se uma aurora, onde elle via, o pobre santo, montões d'oiro, montões de soes a chamal-o. Caiam pedrarias, como chuvas, caíam oiros, toda a riqueza; levantavam-se palacios magnificos do solo, a recebel-o antre theorias deslumbrantes de raparigas batendo crotalos, antre theorias de escravos illuminando com archotes, firmes como estatuas. [...]
Ouvindo passos, o abbade abriu os olhos,
- Sonho!... sonho!... gemeu com infinita amargura, misturada com o prazer de não ter peccado.
- Dormes? O somno é um peccado, porque a Alma não está com Deus. Vagueia pelo mundo, ora subindo aos altos pincaros para cuspir o céu, ora descendo aos poços envenenados onde a Luxuria estreita os corpos, abraça as Almas. O teu espirito não vae pela escada que o pastor viu no céu, em peregrinação para Deus: erra pelos prados, onde cantaste outr'ora a belleza das cearas e os corpos alvos das ceifeiras...
O abbade crendo ser um anjo, pela belleza surprehendente, rojou-se, beijou-lhe os pés brancos e afilados.
- Perdoae-me, Senhor, perdoae-me! Sonhar não é peccado, porque a Alma está desarmada; se o Demonio vem travar batalha, qual o soldado que despertará? A Alma é então como um campo onde houve carnificina...
- Vês? retorquiu Satan. Emquanto dormias deixaste entrar em tua casa o ladrão..."
(Excerto de O Tentador)
Henrique de Vasconcelos (São Filipe, Cabo Verde, 1876 - Lisboa, 1924). "Diplomata, político, jornalista e escritor português, colaborador e amigo de Afonso Costa, deputado em várias legislaturas da Primeira República Portuguesa. Poeta decadentista, autor da Missa negra, foi Director Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e um importante bibliófilo, detentor de uma vasta biblioteca.
Cabo-verdiano de nascimento, radicou-se cedo em Lisboa, desfrutando de prestígio literário em Portugal. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, e foi Director–Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Representou Portugal em legações e missões diplomáticas em vários países.
Com uma obra de temática europeia, foi autor, entre outras, das seguintes obras: Flores cinzentas, poesia (Coimbra, 1893); Os esotéricos, poesia (Lisboa, 1894); A Harpa de Vanádio, poesia (Coimbra, 1894); Amor Perfeito, poesia (Lisboa, 1895); A mentira vital, conto (Coimbra, 1897); Contos novos, contos (Lisboa, 1903); Flirts, contos (Lisboa, 1905); Circe, poesia (Coimbra, 1908); e Sangue das rosas, poesia (Lisboa, 1912). Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas O Branco e Negro (1899), Ave Azul (1899-1900), Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911) e Atlântida (1915-1920)."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação
Raro.
40€
Reservado

16 março, 2026

CORREIA, Dr. Vergílio & GIRÃO, Dr. A. De Amorim & SOARES, Dr. Torquato de Souza – EXCURSÕES NO CENTRO DE PORTUGAL. [Paisagem - Arte - História]. Por... Professores da Faculdade de Letras. Instituto de Alta Cultura - Curso de Férias. Universidade de Coimbra : Faculdade de Letras. Coímbra, Publicação subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, 1939. In-8.º (19,5x12 cm) de 160, [2] p. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Bonito guia paisagístico e cultural da zona centro do país.
Invulgar e muito interessante.
Livro totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 101 fotogravuras no texto e um mapa desdobrável da Região Centro do país.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Invulgar.
20€

15 março, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do -
A VIAGEM AVENTUROSA DE SUVENINE BOLIFACE A ZELSTRUFS.
[Pelo]... Socio Efectivo da Associação dos Arqueologos Portuguezes, Socio Correspondente do Instituto Portuguez de Historia, Arqueologia e Etnologia, etc. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], Janeiro - 1934. In-8.º (18x11,5 cm) de 133, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, enquadrável no domínio da narrativa fantástica e de ficção científica. A viagem de Suvenine Boniface na sua nave - o Passaro Novo - pelo espaço sideral, mais não é que um ensaio satírico de crítica de costumes políticos e sociais do país, e da Madeira em particular, substituindo o nome de Portugal, Lisboa e Funchal por nomes de ficcionados de um planeta distante, com hábitos idênticos aos nossos.
Trata-se antes de tudo, de um exercício irónico sobre o carácter das elites lisboetas e do povo madeirense, do mais "ilustrado" ao mais "simplório", contando histórias e episódios, verídicos, por certo, sob a capa de nomes de família e empresas "alternativos", que farão as delícias de quem estiver na disposição de tentar desvendar os destinatários das farpas, numa e noutra região. 
No início da história, ainda nos EUA, ponto de partida da viagem, o autor alude com fina ironia ao modo de vida americano. No final refere-se a Salazar como o grande «Apostolo» de Benciana, "sacerdote muito subtil, muito serafico que sabia mais de diplomacia que os mais afamados diplomatas... [que] com untuosidade tinha sabido dominar na vida publica dos velhos tempos idos e com o novo estado de cousas lá ia fazendo chegar a braza á sua sardinha...".
Romance "fora da caixa" estas 'memórias' de Suvenine Boliface, raro e muito interessante, certamente com tiragem reduzida.
"Estava a dar a hora da partida quando o Jornalista entrou precipitadamente naquele compartimento de 1.ª classe...
A noticia de que Suvenine Boliface chegára a Lisboa e seguia, em rigoroso incognito, no rápido do Norte caíra inesperadamente na redacção.
Tornava-se indispensavel descobrir aquele sabio audacioso que, em parte, realisára um sonho de Julio Verne atravessando o espaço e chegando a um planeta desconhecido...
O feito apaixonára os estudiosos, os homens de ciências e até os prosaicos burguezes! Na verdade é merecedor de assombro e da curiosidade o homem que abandona a Terra, atravessa o espaço como um meteóro, chega a um outro planeta e, depois de tudo isto, ainda encontra coragem e energia para regressar heroicamente ao nosso triste «vale de lágrimas».
Quando Suvenine Boliface, depois da sua viagem maravilhosa, aterrou proximo de New-York sentiu-se tão infeliz com a imprevista celebridade que deliberou esquivar-se ás mais simples revelações. Os Reporters, com a audaciosa impertinencia profissional, afligiam-no de tal forma que resolveu fugir... Andou pelos vastos Estados Americanos mas, quando menos esperava, surgiu-lhe um Reporter implacavel, com o «Kodak», o lapis e o bloco, na ancia de colher elementos com que saciar a bisbilhotice internacional da Imprensa. [...]
O planeta a que me tinha levado o audacioso empreendimento era designado, pelos homens que o habitavam, por Zelstrufs.
Não tardou a que me certificasse de que ali, tal como na Terra, os homens eram identicos e nutriam os mesmos instintos, a mesma alma, as mesmas ambições... Aconteceria assim em todos os outros planetas que povoam o espaço?
Havia em Zelstrufs varios paizes e homens de raças diversas.
O Passaro Novo levou-me por felicidade para um dos paizes que mais contingentes déra ao progresso e á civilisação.
Uma especie de monarca governava o estado mas a sua acção nunca podia actuar beneficamente porque os organismos publicos e ainda mais os politicos dominados pela cegueira das democracias prejudicavam todos os planos e a boa vontade do Principe que só queria bem servir a Patria e assegurar ao seu Povo paz e prosperidade."
(Excerto do Romance) 
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar em brochura, revestido de cartolina negra (substituindo as capas originais), em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
50€
Reservado

14 março, 2026

MOSER, Isabel Pestana -
ECUMENISMO E IRENISMO NO PENSAMENTO DE DAMIÃO DE GÓIS
. Lisboa, Ediual, 2006. In-4.º (23,5x17 cm) de 402, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego. Importante subsídio biográfico sobre Damião de Góis - o homem, o humanista, o seu pensamento.
Ilustrada em página inteira com retratos do biografado, a cores e p.b. (3), e outros filósofos coevos: Erasmo; Lutero; Melanchthon.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Damião de Goes, sem dúvida o português mais erasmista e em especial irenista, pelo seus diálogos com os humanistas católicos e protestantes já em plena Reforma mas abertos à paz, pela sua defesa dos Lapões serem ensinados e não forçados a converterem-se, e pela valorização do cristianismo etíope dos Prestes João e de uma religião de coração e não de ritos, preceitos, intermediários e superstições."
(Fonte: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2020/01/humanismo-e-irenismo-no-renascimento-e.html?m=1)
"O trabalho que hoje apresento vem na sequência das investigações que, desde há muito, tenho efectuado sobre a vida e a obra de Damião de Góis, o mais europeu dos humanistas portugueses, particularmente no que respeita à prática e conceito do Irenismo e Ecumenismo de que deu exemplo constante ao longo da sua vida, e da larga repercussão que a figura ainda representa nos dias de hoje..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Apresentação | Agradecimentos | Introdução | I - A Vida de Damião de Góis e a Crítica Moderna. II - Humanismo, Movimento de Diáspora. III - Damião de Góis e a História: Atitudes e Critérios. IV - Damião de Góis e o Irenismo. V - Damião de Góis e o Ecumenismo. O Processo na Inquisição. Estudo Crítico. | Conclusão | Bibliografia | Índice Remissivo.
Damião de Góis (Alenquer, 1502-1574). "Historiador e humanista, epistológrafo, viajante, diplomata e alto funcionário régio, foi figura ímpar e uma das personalidades mais relevantes do Renascimento em Portugal. De cultura enciclopédica e dotado de um dos espíritos mais abertos e críticos da sua época, pode ser considerado como um verdadeiro traço de união entre Portugal e a Europa culta do século XVI. Foi hóspede de Erasmo de Roterdão e privou com humanistas como Glareanus, Veit Amerbach, Albrecht Dürer, Sebastian Münster, os cardeais Pietro Bembo e Jacopo Sadoleto e o historiador e geógrafo Giovàn Battista Ramùsio. Conheceu Inácio de Loyola. Frequentou a Universidade de Pádua, entre 1534 e 1539, e completou a sua formação no Colégio Trilingue da Universidade de Lovaina.
Em 1545 a convite do rei D. João III, mudou-se para Portugal com a família, ao tempo a mulher e três filhos, para ser mestre do príncipe D. João. Contudo, apesar de ter regressado aureolado de prestígio pelas amizades que contraíra na Europa e da evidente protecção régia, ainda assim foram-lhe movidos dois processos no Tribunal do Santo Ofício, o primeiro dos quais, logo em 1545, ao ser acusado de heterodoxia e denunciado à Inquisição pelo seu antigo companheiro de estudos, o padre Simão Rodrigues, ao tempo o preceptor do príncipe herdeiro D. João e pouco depois nomeado por Inácio de Loyola como primeiro provincial da Província Portuguesa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€
Reservado

13 março, 2026

MOITA, Irisalva -
RAFAEL BORDALO PINHEIRO. Artista plástico de tipos e costumes. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1998. In-4.º (26x18,5 cm) de 7, [9] p. ; [1] f. il. cor ; [12] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio biográfico sobre Rafael Bordalo Pinheiro, conhecido desenhador, caricaturista, ceramista e jornalista. Trabalho publicado em separata do «Boletim Cultural» da Assembleia Distrital de Lisboa, Série IV - N.º 92 - 2.º tomo - 1990/98.
Estudo muitíssimo interessante, não mencionado na BNP.
Ilustrado em separado com uma estampa a cores, e 69 reproduções a p.b. de trabalhos do biografado distribuídos por 12 páginas igualmente fora do texto.
"Tendo crescido num ambiente especialmente devotado às artes plásticas, cedo desabrocharam as naturais aptidões artísticas de Rafael Bordalo Pinheiro. Júlio César Machado, seu amigo e, talvez, o seu melhor biógrafo, no Prefácio do Álbum de Caricaturas (1876), diz datar de 1857, quando, com a família residiu em Cacilhas, fugindo à febre-amarela, o seu primeiro desenho, cópia, afinal, duma litografia representando uma família de camponeses, à beira-mar, esperando um filho ausente, Este desenho, que provocou um certo alarido na família - o jovem Rafael mal ultrapassara a dezena de anos -, não terá, porventura, outro mérito senão indicar já, pela escolha do assunto - uma cena popular -, a predilecção do artista pelo tema, predilecção que se vai transformar numa das grandes forças da obra do grande caricaturista, e que já prenuncia a sua ligação com o povo e com a terra.
Ainda com traço escolar, chegou até nós um outro desenho aguarelado, representando uma mulher fiando, acompanhada de criança, datado de 1861 - tinha Bordalo, portanto, cerca de quinze anos - e assinado «Rafael Augusto Bordallo»."
(Excerto do Estudo)
Irisalva Moita (1924-2009). "Ilustre museóloga e olisipógrafa, foi durante mais de 20 anos directora dos Museus Municipais de Lisboa. Foi, por mérito próprio, umas das figuras mais relevantes da Olisipografia. Historiadora, arqueóloga e museóloga desenvolveu durante a segunda metade do séc. XX um vasto corpo de trabalho. Destacam-se as exposições, ainda hoje de referência, “O Culto de Sto. António, na região de Lisboa”, “Lisboa e o Marquês de Pombal” e “Lisboa Quinhentista. A imagem e a vida na cidade” e “Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro”."
(Fonte: https://www.avidaportuguesa.com/pt/loja/irisalva-moita-um-percurso-fotobiografico-egeac)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
10€

12 março, 2026

MACHADO, José Timóteo Montalvão -
COMO LI HISTÓRIA DE PORTUGAL NOS HOMENS, MONUMENTOS E PAISAGENS DO BRASIL.
Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História : 8.º série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, 1966. In-4.º (25,5x19 cm) de [2], 11, [3] p. (351-361 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante comunicação do autor a propósito de uma viagem empreendida ao Brasil, e dos locais e monumentos históricos da era colonial que teve oportunidade de visitar.
"Duma viagem, que recentemente fiz ao Brasil, trouxe inolvidáveis recordações, que aqui quero traduzir, uma vez que levei representação da Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Quero acentuar desde já que muito me entusiasmaram as belezas naturais, a flora pujantíssima, os edifícios gigantescos. Mas, para além dessas grandezas, naturais ou humanas, o que mais chamou a minha atenção, obrigando-me a meditar e a venerar, foi um vasto conjunto de lugares, monumentos e memórias, que representavam o folhear de muitas páginas da nossa História gloriosa."
(Excerto do Preâmbulo)
José Timóteo Montalvão Machado (1892–1985). "Foi um eminente médico, historiador e jornalista português, natural de Chaves. Destacou-se pela sua vasta produção intelectual que cruzava o rigor científico da medicina com a investigação histórica e a genealogia.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Exerceu funções como Delegado de Saúde no Distrito de Setúbal. Foi sócio efetivo de instituições prestigiadas como a Academia Portuguesa da História, a Associação dos Arqueólogos Portugueses e a Sociedade da Independência de Portugal. Foi diretor do jornal "Notícias de Trás-os-Montes"."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

11 março, 2026

COUTINHO, Azevedo -
GUIA DO VIAJANTE EM BRAGA. Com noticias historicas sobre templos, monumentos, sanctuarios, etc. e indicações indispensaveis ao viajante. Braga, Livraria Central-Editora de Laurindo Costa, 1894. In-8.º (16,5x11,5 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Edição original deste curioso "guia do viajante", obra pioneira no género devotada à "Cidade dos Arcebispos".
Opúsculo raro, com interesse para a bibliografia bracarense.
"A falta d'uma publicação que orientasse o viajante n'esta formosa capital do Minho tornava-se sobremodo sensivel; e tão notada era essa falta que, para, d'algum modo,  preencher a lacuna que sôbre este ponto existia, organisei, despretenciosamente, este singelo trabalho."
(Excerto de Ao Leitor)
"Esta bella capital do Minho, terceira cidade do reino e sede da provincia ecclesiastica Bracarense e do districto administrativo de Braga, fica a 48 kilometros ao norte do Porto, e 80 a oeste de Bragança, em 41.º 36' de latitude e 12.º 39' de longitude norte. É uma das cidades mais antigas e mais nobres da peninsula hispanica.
Está admiravelmente situada, em local um pouco elevado, mas plano; tem boas condições hygienicas; e tem melhorado muito, pela abertura de novas ruas, que vão transformando completamente alguns bairros.
Esta cidade não tem ampliado d'um modo sensivel os seus limites, nos ultimos tempos, mas tem-se aformoseado consideravelmente, pela reconstrucção de edificios e abertura do novas ruas.
As industria téem, desde ha annos, manifestando um pronunciado desenvolvimento assaz animador, como claramente se evidenciou nas ultimas exposições industriaes.
Braga tem por armas em um escudo oval uma imagem de N. Senhora entre duas torres, com o Menino nos braços, e tendo por timbre uma mitra pontifical, e em cima a legenda - Insignia fidelis et antigua Brachara."
(Excerto do preâmbulo - Braga)
Índice:
Ao Leitor | Braga | Templos e Conventos | Estabelecimentos publicos | Estabelecimentos de beneficiencia | Monumentos | Associações de recreio | Periodicos | Passeio publico | Cemiterio Municipal | Vias de transito | Indicações uteis: Estações de viação: - Estação dos Americanos; - Escriptorios de diligencias; - Estação telegrapho-postal | Cafés e bilhares | Hoteis | Restaurantes | Trens d'aluguer | S. João da Ponte | Bom Jesus do Monte | Sameiro.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Interior correcto. Capas frágeis com pequenos defeitos e vestígios de selo à cabeça.
Raro.
25€

10 março, 2026

GUEDES, Fernando -
EU, EDITOR, ME CONFESSO.
Palestra proferida no Círculo Eça de Queirós na noite de 5 de Fevereiro de 1988 integrada no ciclo «Confissões». [S.l.], Verbo, 1988. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Apontamento autobiográfico em forma de conferência pelo editor-livreiro Fernando Guedes, fundador da Editorial Verbo, coincidindo esta com a comemoração dos 30 anos da conhecida empresa.
"Desde a minha vinda para Económicas, e graças a um amigo comum, o Dr. Júlio Evangelista, eu travara relações com aquele que viria a ser meu sócio para o resto das nossas vidas, o Sebastião Alves, mas a nossa amizade começou quando voltei para Lisboa, já a trabalhar. [...]
Já por mais de uma vez pretendera envolver-me nos seus projectos e em alguns, mais ou menos episódicos e mais ou menos fracassados,  eu interviera, desde uma certa Importadora e Exportadora Cresus até uma loja de artesanato na Rua D. João V. Agora, em 1958, a proposta era outra e tão sedutora que, ao fim de resistir durante alguns meses, me entreguei completamente à ideia: iríamos fundar uma editora: ia nascer a Editorial Verbo."
(Excerto da Palestra)
Manuel Fernando Ayres da Silva Guedes (1929-2016). "Editor, poeta e crítico de arte, natural do Porto, frequentou a Universidade Técnica de Lisboa na área da Economia. Inicia a atividade profissional em 1951 numa empresa comercial inglesa, após estágio em Inglaterra. Foi sócio fundador da Editorial Verbo, em 1958, cuja direção integrou desde o início. Foi ainda presidente da direção do Grémio Nacional de Editores e Livreiros (1969), da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (1982-87), vogal da Corporação da Imprensa e Artes Gráficas, membro da Câmara Corporativa, da Comissão Internacional da União Internacional de Editores, com sede em Genebra, onde integrou, em 1981, a sua comissão executiva. Em 1988 foi eleito presidente do Groupe des Éditeurs de Livres de la CEE, em Bruxelas, vice-presidente da União Internacional de Editores, bem como vice-presidente do «Grupo Livro» do Comité de Consultores Culturais da CEE. Fundou, com David Mourão-Ferreira, Manuel Couto Viana e Luís de Macedo, a folha de poesia «Távola Redonda» (1950), dirigiu a revista «Tempo Presente» (1959-62), codirigiu a secção belas artes da Enciclopédia Luso-brasileira de Cultura para a qual escreveu vários artigos. Como crítico de arte, domínio em que publicou vários livros, destacou-se pela crítica à pintura abstrata. Como poeta, Caule, Flor e Fruto (1962) foi galardoado com o Prémio Antero de Quental e Poesias Escolhidas: 1948-68, foi Prémio Nacional de Poesia no ano de 1968."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/espolios_autores/e58_guedes_fernando.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

09 março, 2026

BOAVENTURA, Manuel de -
AMORES MEDIEVAIS
(Conto de Natal). Barcelos, Edição da Papelaria - «Liz» - Livraria, 1960. Oblongo (11,5x16 cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Bonito conto histórico, "inspirado na leitura de vetustos alfarrábios".
Obra rara, por certo com tiragem reduzida. Edição cuidada, impressa em papel de superior qualidade. Junta-se folhinha volante a cores e encartável poético de homenagem ao autor.
"Quando os Senhores Condes-Duques estabeleceram, em definitivo, a sua faustosa Corte, no medieval palácio, que assenta os alicerces «sôbolas arribas do Cávado», em Barcelos, - um ingénuo pagem apaixonou-se, romanescamente, por D. Mécia, bela dama do honor da senhoril, - mas menos bela - Duquesa!
Porém, o que, tão intensamente ferira a sensibilidade amorosa do mancebo palação, também «empeceu» certo fidalgo da corte ducal, dotado de ruis e exaltados humores, acirrantes de desenfreado ciúme."
(Excerto do Conto)
Manuel Joaquim de Boaventura (1885-1973). "Nasceu a 15 de agosto de 1885, na freguesia de Vila Chã, Esposende, e faleceu em Esposende a 25 de abril de 1973, vítima de um acidente de viação. Em 1906 e por casamento com D. Ana da Conceição de Azevedo fixou residência no lugar de Susão, na freguesia de Palmeira de Faro, Esposende, onde escreveu toda a sua obra literária, composta por dezenas de títulos e uma notável colaboração jornalística nas principais revistas e jornais nacionais."
(Fonte: https://esposende-educa.pt/noticias/municipio-de-esposende-trata-espolio-do-escritor-manuel-de-boaventura/)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Raro.
Indisponível

08 março, 2026

MACHADO, José Timóteo Montalvão -
DIFICULDADES DO POVOAMENTO DE TRÁS-OS-MONTES DURANTE A 1.ª DINASTIA.
Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História : 8.ª série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, MCMLXVI [1966]. In-4.º (205,5x19 cm) de 14 p. ; (139-149 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo acerca do povoamento medieval de país, e em especial na província de Trás-os-Montes.
"[...] Quando se formou a nossa nacionalidade, Portugal era quase desabitado, e a escassez de população continuou a ser o grande obstáculo, que tolhia todas as iniciativas, durante a dinastia afonsina.
O primeiro numeramento de fogos, digno de algum crédito, feito em Portugal, foi o de D. João III, de 1527 a 1532, que permitiu avaliar a população do reino em cerca de 1 300 000 almas. E havia quase 400 anos que a nacionalidade de formara!...
Isto nos leva a crer que, nos primeiros tempos, Portugal não devia contar mais de 500 000 habitantes, e, se a este número subtrairmos as mulheres, as crianças, os velhos e os enfermos, devemos admitir que os reis afonsinos não podiam contar com mais de 50 000 homens válidos para agricultar os campos, servir as artes e ofícios, defender as costas marítimas e fazer a guerra."
(Excerto do Estudo) 
José Timóteo Montalvão Machado (1892–1985). "Foi um eminente médico, historiador e jornalista português, natural de Chaves. Destacou-se pela sua vasta produção intelectual que cruzava o rigor científico da medicina com a investigação histórica e a genealogia.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Exerceu funções como Delegado de Saúde no Distrito de Setúbal. Foi sócio efetivo de instituições prestigiadas como a Academia Portuguesa da História, a Associação dos Arqueólogos Portugueses e a Sociedade da Independência de Portugal. Foi diretor do jornal "Notícias de Trás-os-Montes"."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

07 março, 2026

BOMBARDA, Miguel - A ENFERMAGEM RELIGIOSA.
Por...
Lisboa, Publicação da Junta Liberal, 1910. In-8.º (22,5x15 cm) de 37, [3] p. ; B.

1.ª edição.
Conjunto de artigos críticos do exercício da enfermagem por religiosas publicados pelo autor na revista A Medicina Contemporanea, acrescentado com dois textos inéditos.
No início do século XX em Portugal os cuidados de enfermagem eram maioritariamente dispensados por religiosas. Contra a enfermagem exercida por estas mulheres opunham-se muitos médicos. De entre eles salientava-se o republicano Miguel Bombarda.
"A questão da enfermagem religiosa entrou em pleno dia de discussão. Até agora, desde alguns annos, as congregações teem andado n'este pequeno trabalho, manso, silencioso, mas tenaz, de se insinuarem na vida da sociedade portugueza. Hoje porém já se descobrem de todo e não receiam a grande publicidade na sua capital arremetida de se substituirem por completo á enfermagem secular dos nossos estabelecimentos publicos.
O artigo, em que o assumpto nos occupou ultimamente, é o reflexo da situação. Veio elle na defeza da mulher portugueza, dos seus egregios dotes de intelligencia e amor, apoucados por um jornal que esqueceu a justiça n'um arranco de proselytismo. [...]
É preciso primeiro que tudo assentar muito decisivamente que a dedicação e a coragem não são privativas do zelo religioso."
(Excerto do Cap. II - Enfermeiras religiosas)
Índice
:
I. Pias injustiças. II. Enfermeiras religiosas. III. Um testemunho de longe. IV. A s enfermeiras "não mercenarias". V. Resumo.
Miguel Augusto Bombarda (1851-1910). “Nasceu em 1851 no Rio de Janeiro. Foi médico do Hospital de S. José, em 1892, director do Hospital de Rilhafoles e professor, desde 1880, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Como médico dedicou-se principalmente às doenças do sistema nervoso, especializando-se em Psiquiatria. Participa também no lançamento das campanhas de prolifaxia contra a tuberculose. Só em 1908 entrou na política activa, como deputado, afecto ao então presidente do Conselho, Ferreira do Amaral. Mas as suas fortes convicções liberais e anti-clericais aproximam-no rapidamente da Junta Liberal, de que se torna um dos mais destacados dirigentes, e do Partido Republicano, a que adere formalmente pouco antes da implantação da República, sendo eleito deputado nas suas listas. Miguel Bombarda foi um dos principais dirigentes da revolução republicana, com o especial encargo de proceder à distribuição de armas por grupos civis, estando prevista a sua participação no assalto ao quartel de Artilharia 1, em Campolide. No dia 3 de Outubro, Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um oficial do exército, antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus, que o procurou em Rilhafoles. Transportado para o Hospital de S. José, foi operado, 'depois de ter mandado queimar à vista uma carta que trazia na carteira' e falado com Brito Camacho, mas não resistiu à operação, entrou em coma e faleceu cerca das 6 da tarde. A morte de Miguel Bombarda provocou especial indignação junto do povo de Lisboa, para quem se tratava de um 'atentado reaccionário'. A República organizou as suas exéquias, homenageando-o como um dos seus principais inspiradores.”
(fonte: www.fmsoares.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.
Raro.
Indisponível