FIGUEIREDO, Alfredo de - FUTEBOL E SUAS LEIS. Por... Do Colégio de árbitros do Pôrto. [S.l.], Composto e impresso na Tipografia A Desportiva, Lda. - Porto], [1939]. In-8.º (18,5x12 cm) de [6], 184, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Publicação muito curiosa, dedicada ao desporto-rei e suas leis, sendo seu principal objectivo, de acordo com o autor, moralizar o futebol(!). Ontem como hoje...
Obra rara e muito interessante.
Ilustrada no texto e em página inteira com desenhos, croquis e publicidade da época.
"Pelo estranho poder de sugestão que exerce sôbre as massas, pela sua extraordinária acção dinamizadora, o Futebol estava destinado a conquistar rápidamente tôdas as simpatias e a criar uma enorme legião de apaixonados. Portugal não podia fugir à regra, e assim é que a breve trecho o futebol ganhou, em público, a primazia de todos os desportos, conquistando justamente os pergaminhos de desporto popular por excelência.
Êste facto, aparentemente lisongeiro, havia de trazer, como conseqüência inevitável, alguns inconvenientes dignos de ponderação.
O entusiasmo
das massas, crescente e indisciplinado, trouxe consigo a improvisação de tudo, -
de campos, de jogadores, de árbitros, de fiscais de linha, e até mesmo de público,
por muito paradoxal que a nossa afirmação pareça. Queremos nós dizer que até
o público devia ter sido preparado, tanto sob o ponto de vista técnico como sob
o ponto de vista moral, por forma a tornar-se apto a bem compreender todos
os seus deveres de cavalheirismo e de cidadania, não só em relação a árbitros
e a jogadores, mas até mesmo em relação a si próprio. Público que não sabe
respeitar, é incapaz de respeitar-se e é indigno de ser respeitado.
Mas não só o público deixou de ser convenientemente preparado a tempo; nem sempre os grupos foram constituídos pelos jogadores mais capazes, mediante selecção rigorosa, (seja sob o ponto de vista físico e técnico, seja ainda sob o ponto de vista moral), e ao mesmo pecadilho da improvisação nem sempre conseguiu esquivar-se a escôlha de árbitros e de directores de Clubes, de Associações e de Federações de Futebol.
Quere isto dizer que tudo se fez precipitadamente, com grande velocidade, - no que, aliás, Portugal, não constitue caso único - e fazer muito de-pressa e bem é milagre que não se encontra no domínio das possibilidades humanas.
Há que voltar ao princípio, por forma a reparar êrros acumulados e lacunas graves de que não poucas vezes temos sofrido irreparáveis conseqüências, e isto só pode conseguir-se através duma intensiva e porfiada propaganda, ou antes, duma aturada e regeneradora faina de divulgação.
Têm aparecido, nos últimos anos, numerosas publicações desportivas - algumas delas inegavelmente valiosas - e a muitas delas deve a educação física da mocidade serviçoes de inestimável preço. Contudo, a grande maioria destas publicações tem-se preocupado mais em visar objectivos críticos e noticiosos do que pròpriamente aqueles que julgamos primaciais: os da divulgação educativa."
(Excerto do Prefácio do Autor)
Alfredo de Figueiredo (?-?). Foi uma figura de relevo no futebol português, destacando-se como futebolista, árbitro e um dos primeiros pensadores do desporto em Portugal. Jogador do FC Porto (tal como seu irmão Camilo de Figueiredo), fez parte do plantel principal nos primeiros anos de existência do clube. Sagrou-se bicampeão regional no Campeonato do Porto (nas épocas de 1914/1915 e 1915/1916) e conquistou a Taça José Monteiro da Costa em 1914. Destacou-se ainda como árbitro, representando o pioneirismo na arbitragem portuguesa. Esteve presente no primeiro jogo oficial de âmbito nacional em Portugal (no dia 3 de junho de 1923), dirigindo o jogo entre o Sporting Clube de Braga e a Académica de Coimbra. Também apitou a célebre final do II Campeonato de Portugal. Escreveu o livro "O Futebol e as Suas Leis" (1939), uma das primeiras obras de reflexão teórica e regulamentar sobre o futebol no país. (IA)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
50€





















