OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' - DICCIONARIO DAS PERAS PORTUGUEZAS. Actas do Primeiro Congresso Pomologico realisado em Portugal e promovido pela redacção do Jornal de Horticultura Pratica. Publicadas por... Preço 500 reis. Porto, Typographia Occidental, 1879. In-8.º (27x18 cm) de [4], 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo sistemático frutícola, pioneiro, onde pela primeira vez se organizou o cadastro nacional de um fruto - a Pera - de forma metódica, abrindo caminho a outros trabalhos similares e permitindo dessa forma conhecer a sua origem geográfica, tipos e características pomológicas, e o nome do produtor.
Impresso a duas colunas, e ilustrado no final com desenhos de vários modelos de tesouras de poda.
"O assumpto, que vamos tractar é de
vastissimo alcance, e grande interesse para a nossa agricultura. A França, a
Inglaterra, a Belgica e a propria Allemanha, já téem todas ao suas fructas perfeitamente catalogadas e classificadas; Portugal, que, na phrase d'um nosso poeta contemporaneo, é o jardim da Europa á beira-mar plantado, ainda infelizmente em 1879 não possue um catalogo especial das suas fructas.
Temos um sólo fertilissimo, e um clima propicio para a producção pomologica, porém, infelizmente, é forçoso dizel-o:
temos a inercia e o desleixo, que nos retém no limiar da senda do progresso
agricola. São ricos os povos, que amam
a agricultura, porque é esta a base fundamental da riqueza das nações. [...]
Devemos, portanto, tractar de estudar
a pomologia portugueza quanto antes,
lançando desde já os alicerces para esse
trabalho.
Ha numerosos e complexos problemas
a resolver; muitos pontos a investigar,
porque a cultura das arvores fructiferas,
em Portugal, data de bastantes seculos e de épocas em que os factos que hoje
nos poderiam auxiliar, não viam a luz
da publicidade, porque, como em 1625,
dizia muito bem Gaspar Estaço, «deu
Deos aos nossos a lança pera pelejar e
nam a pena para escrever».
O Congresso pomologico resolveu começar os seus estudos pelas peras e é
natural que nos interroguemos: quando
começou a Pereira a ser cultivada em
Portugal?
Quem poderá responder com factos
precisos?
Investiguei quanto pude a historia
d'esta planta, mas não logrei ir além do
XIV seculo e devo notar de passagem
que nos primeiros anos do reinado de
D. Manoel (1495) já as peras eram
abundantes em Portugal e que no reinado de D. João III (1521) havia bastantes variedades do merecimento, segundo refere Rui Fernandes (1531),
muitas das quaes já hoje não existem. [...]
A primeira pedra esta lançada; os
Congressos pomologicos estão inaugurados em Portugal. Agora temos só a appellar para o patriotismo, para o amor
pela sciencia d'aquelles cavalheiros que
os constituem.
Hoje abre-se em Portugal uma nova
epocha para a pomologia, hoje é um dia
de festa para todos aquelles que não são indifferentes ao progredir do nosso paiz.
Esta data ha-de pertencer á historia; ha-da ser assignalada nos fastos da horticultura portugueza e os nossos vindouros prestar-nos-hão o preito a que temos
jus..."
(Excerto do Estudo)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como
redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo
do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas
quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase
indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias,
sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos
muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908).
A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam
imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de
surpreendente.
Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no
Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos
Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja
de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio,
quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta
Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A
floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas.
Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a
sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada
dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do
JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina
inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do
pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(Fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
75€




























