RIBEIRO (Humbérï), Humberto - UM VADIO... : romance. Porto, Editor Carlos José Ribeiro, 1926. In-8.º (21,5X14,5 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de costumes baseado numa história real, de miséria humana, do conhecimento do autor.
"Ó vergastados da vida! é por vós que êste livro fala aos homens sem piedade, sem critério, aos malabaristas da lei e aos senhores do ouro." O Autor
Romance pungente, sobre os meandros da marginalidade e prostituição na Cidade Invicta há um século atrás.
A BNP não menciona o presente título. Também nada foi possível apurar acerca do autor ou da sua obra por ausência de fontes biobibliográficas.
"Não teve o meu amigo a pretensão de fazer uma obra de literatura petulante nem astuciosa para o coração de moças garridas - mas, sim, uma obra de emotiva realidade, descrição de um caso patológico moral, que serve para os estudiosos e para os homens que se alapardam nas altas Direcções Gerais da Sanidade, resolverem a melhor forma de fazer-se a ablação dêsses carcinomas morais."
(Excerto da carta de Vidal Oudinot)
"Preguntáste-me, há tempos, se eu sabia algo acêrca da vida daquele infeliz rapaz a quem conhecemos sob a alcunha de o Trovador, indivíduo que, certa noite, nos deliciou, juntamente com a sua companheira de infortúnio - aquela Luisita muito magra, de olhos negros e tristes - com a audição de alguns fados, cantados num tom de voz doce e maguada, repassada de sentimento.
Nada te disse na ocasião, porque nada podia dizer-te, porém, o teu interêsse, sem saber explicar-te o motivo, fez nascer em mim o irresistível desejo de os tornar a vêr.
Assim resolvido, calcurriei grande número de ruas do Pôrto, de preferência as mais sórdidas e entrei em muitas espeluncas, sem que me fosse possível descobri-los. [...]
Todo eu fui ouvidos. Vim a saber que o infeliz [Trovador] estava na cadeia."
(Excerto de Carta a Diniz, amigo do autor)
"Em meados de 1922, vinda de uma aleola do Douro, desembarcava na estação de Campanhã, uma interessante rapariguita, de catorze anos de idade, orfã de pai e mãe, que para o Pôrto vinha destinada a exercer o mistér de serviçal, para o que trazia uma recomendação a deter minado negociante de ferragens da rua do Almada, indivíduo que logo a alugou. Depois de haver prestado o máximo dos seus serviços durante três anos, foi despedida, em virtude do falecimento do chefe da casa.
Muito inexperiente, foi esbarrar-se numa das inúmeras Agências de Serviçais que enxameiam o Pôrto, estabelecimentos que a experiência grandemente nos tem demonstrado nada mais serem do que engenhosas ratoeiras armadas ás incautas que o azar da vida para ali arremessa, obrigando-as, muitas vezes, senão sempre, a darem o primeiro passo no limiar da porta que dá ingresso no templo da prostituição.
Foi, pois, numa destas execrandas casas que Luisita - assim lhe chamavam - caiu."
(Excerto de Um vadio...)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel nos cantos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€































