DIAS, Carlos Malheiro - OS TELLES D'ALBERGARIA : romance. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1901. In-8.º (18x11,5 cm) de [8], 463, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Os Telles d'Albergaria é um romance marcante, e um dos mais estimados títulos da bibliografia do autor, publicado originalmente em 1901, no início da sua carreira literária.
A história decorre na zona da aldeia de Albergaria, e acompanha a vida e os conflitos dos membros da família Teles, nas suas dinâmicas e dilemas individuais face às pressões sociais e geracionais. "Foca o cenário político da segunda metade do século XIX, iniciando-se com as lutas liberais e culminando com a tentativa frustrada de implantação da república em Portugal, a 31 de janeiro de 1891. Em ambos encontra-se refletida, nos termos da escola realista e naturalista, a filiação monárquica do autor e a sua rejeição do regime constitucionalista então vigente."
Obra interessante e muito curiosa, sem registo na BNP; esta menciona apenas a 2.ª edição (1910).
"Por um claro domingo de Julho, á hora da missa, uma taquitana velha desembocava a trote no largo da Feira, em Guimarães, indo estacar á frente do palacios dos condes de Villa Torre - casarão envelhecido pelas chuvas e soes de quasi dous seculos, que emparedava com a frontaria de solar e convento todo um lado da praça, hasteando sobre um portal enorme, de couçoeiras denegridas, as armas nobres dos senhorios, entre janellinhas gradeadas de cadeia.
Longamente, os cavallos estafados saccudiram as colleiras de guizos, enxotando as moscas; e da boleia descem um velho creado, entre mordomo e feitor, que foi abrir a portinhola perra do landeau, desbarretado em frente do menino.
- Cá estamos em casa das tias de V. Ex.ª.
Então, saltou o estribo largo, ergueu-se um rapazinho franzino e pallido, como um uniforme de collegio, saccudindo uma vergasta de amieiro.
A sineta do portal badalou por muito tempo, echoando nas abobadas de pedra; e foi preciso esperar ainda um pedaço, á torreira do sol, antes que viessem abrir o vasto portão de masseira, chapeado de ferro, á lei da boa desconfiança minhota."
(Excerto do Cap. I)
Carlos Malheiro Dias (Porto, 1875 - Lisboa, 1941). "Jornalista, político e historiador. Natural do Porto, onde nasceu em 1875. Cursou Direito em Coimbra e frequentou Letras, em Lisboa. Foi deputado por Viana do Castelo e Vila Real.
Após a proclamação da República, exilou-se voluntariamente no Brasil, onde decorreu parte da sua actividade, tornando-se, em dado momento, o herdeiro espiritual de Eça de Queiroz a quem sucedeu na Academia Brasileira de Letras, e paladino devotado das ideias tradicionalistas.
Grande escritor, foi o romancista incomparável da Paixão de Maria do Céu, dos Teles de Albergaria e da coletânea de crónicas jornalísticas "A Verdade Nua". Doutrinador nacionalista da Exortação à Mocidade, dirigiu a obra monumental "História da Colonização Portuguesa do Brasil (1921)". Fez parte dos fundadores da Academia Portuguesa de História. Em 1935 foi nomeado embaixador em Madrid, de que não chegou a tomar posse, por motivo de doença."
Após a proclamação da República, exilou-se voluntariamente no Brasil, onde decorreu parte da sua actividade, tornando-se, em dado momento, o herdeiro espiritual de Eça de Queiroz a quem sucedeu na Academia Brasileira de Letras, e paladino devotado das ideias tradicionalistas.
Grande escritor, foi o romancista incomparável da Paixão de Maria do Céu, dos Teles de Albergaria e da coletânea de crónicas jornalísticas "A Verdade Nua". Doutrinador nacionalista da Exortação à Mocidade, dirigiu a obra monumental "História da Colonização Portuguesa do Brasil (1921)". Fez parte dos fundadores da Academia Portuguesa de História. Em 1935 foi nomeado embaixador em Madrid, de que não chegou a tomar posse, por motivo de doença."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/90283)
Encadernação do editor em percalina com ferros gravados a seco e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€
Reservado



























