15 fevereiro, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do - O TRAJO NO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA. [Pelo]... Da Academia Brasileira de Ciências Sociais e Políticas. [S.l.], Edição do Autor, 1954. In-8.º (22,5x13cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre o traje madeirense.
Obra com interesse etnográfico, ilustrada com fotogravuras no texto ao longo do livro.
"As Ilhas Atlânticas que formam o afamado Arquipélago da Madeira, descobertas por um feliz acaso, quando as naus portuguesas que seguiam com rumo à Guiné, sob o comando de Tristão Vaz e de João Gonçalves Zarco, fugiam à violência de terrível temporal, desde que Portugal as povoou e cultivou, logo chamaram as atenções e a cobiça dos demais Povos do velho mundo. [...]
Desde os começos do século XV até os meados do século XVI verifica-se, ao consultarem-se as crónicas e velhos documentos, que afluíram a estas paragens Povoadores de origens diversas. Desta variedade de elementos que, no entanto, iam sendo dominados e nacionalizados pela acção forte dos portugueses, resultou, como era inevitável, um «tipo» novo e original, com características próprias sem que se esbatesse o o fundo lusitano, que ainda subsiste. [...]
Assim, todos os elementos que constituíram a base da população e de vida do Arquipélago da Madeira, formaram a grande fonte de riqueza, de variedade de costumes e do colorido originalmente típico que apresenta o Folclore madeirense.
Com os costumes medievos, que tão fundamentalmente se radicaram nestas Ilhas, nota-se em certos sectores da vida regional as reminiscências árabes e até um vago sabor levantino que se mantém nas danças, na música, nos hábitos, nos contos fantasiosos e até na bizarria dos trages."
(Excerto do Ensaio)
Alfredo António de Castro Teles de Meneses de Vasconcelos de Bettencourt de Freitas Branco (1890-1962). Também conhecido por Visconde  do Porto da Cruz. "Nasceu a 1 de janeiro de 1890, no Funchal, onde veio a falecer a 28 de fevereiro de 1962. Foi 1.º visconde do Porto da Cruz, título legalmente autorizado por D. Manuel II, no exílio, em abril de 1921, e reconhecido pelo Conselho da Nobreza em 1949.
Foi jornalista, publicista, escritor, membro de várias associações culturais e um profícuo promotor da cultura madeirense. Fundou, dirigiu e colaborou em diversos periódicos de cariz político, literário e cultural. Ao longo da sua vida abraçou vários projetos, credos e ideologias: foi monárquico, integralista, regionalista, nacionalista, nacional-sindicalista, fascista, revelando ainda uma faceta germanófila e antissemita."
(Fonte: http://aprenderamadeira.net/cruz-visconde-do-porto-da/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
15€

14 fevereiro, 2026

MORAIS, Maria Adelaide Pereira de -
EUGÉNIA DA CUNHA PEIXOTA OU O MORGADO DO PARTO SUPOSTO
. Braga, [s.n. - Composição e impressão nas Ofic. Gráficas da Livraria Cruz - Braga], 1977. In-4.º (24x17 cm) de 15, [1] p. ; [1] f. il. ; [1] mapa genealógico ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo acerca de um aparente embuste - um "parto suposto" - segundo a língua afiada do povo, a que se juntou a má vontade de parte da família do morgado de S. Miguel, em S. Clemente de Sande, Guimarães, os que com esse nascimento perdiam direitos ao morgadio, e que por isso, não se conformando, levaram a acesa disputa familiar.
Ensaio histórico e genealógico, invulgar e muito interessante, publicado em separata da revista «Armas e Troféus» : Janeiro-Abril de 1977 - N.º 1.
Ilustrado com duas fotografias da Quinta de S. Miguel em folha separada do texto, e um desdobrável de generosas dimensões (24x36,5 cm), também à parte do texto, com a árvore genealógica do Morgadio de S. Miguel.
"[...] Passa o morgadio da Rua das Flores para a quinta de S. Miguel. Em breve morre sem descendência Patrício Machado de Miranda.
A estas páginas, chega seu irmão e sucessor, Jerónimo Machado de Miranda. Vem  velho, de mãos trémulas, manco a arrastar-se com dificuldade o 8.º senhor do Morgadio. É este o marido que Deus e vontade dos Pais destinam para Eugénia da Cunha Peixoto, a do Parto Suposto Ouçamos os nobiliários:
- «... f. a de M. el da Cunha Maranhas, q por morte de seu marido ficou prenhe, e teve hum f.º chamado Sebastião e como os parentes do marido duvidarão do parto lhe  moverão demanda, mas venceo a viuva e morrendo o f.º passou o vincullo a sua Irmã Ignez de Miranda, e por isso lhe chamão o Morgado do parto suposto...»
- «Esta Eugenia da Cunha ordenou hu parto supposto para levar o morgado q instituio Gil L.co de Miranda de q este Jm Machado era sucessor s. g.».
Quem foi? Que fez Eugénia da Cunha Peixoto?
Apertada em faixas, ao colo da ama, estremece e possivelmente chora, a 25.5.1594, a recém nascida Eugénia, ao receber o Baptismo na igreja de S. Sebastião em Guimarães; são seus padrinhos Fernão Rebelo e a mulher de Pedro Roiz Caneiros. É a primogénita de Manuel da Cunha, o Maranhas, «que veio das Indias de Castella», onde fez fortuna depois de ter saído de Guimarães, «fidalguo qaue diz elle proprio ser», e de sua mulher Antónia de Freitas Peixoto, dos Morgados de Lamelas, ligados aos Peixotos, da Casa da Pousada, sangue do mais nobre, vínculo mais antigo das terras de Guimarães.. Infância passada entre rezas e folguedos, a correr pelos seus a esperança do Desejado, a fé num Portugal sempre vivo, a inocência a livrá-la da dor de saber uma Pátria quase morta nas areias de Alcácer, alguns anos antes de ela vir ao mundo."
(Excerto do Estudo)
Maria Adelaide Cardoso de Menezes Pereira de Moraes (1930-2023). "Nasceu em Lisboa a 20 de junho de 1930. Filha da vimaranense Dona Luiza Adelaide Cardoso de Macedo e Menezes (Margaride) e do diplomata brasileiro José Júlio Carvalho Pereira de Moraes, foi funcionária do Museu Alberto Sampaio, entre 1978 e 1994, e académica correspondente da Academia Portuguesa de História.
Entre as várias obras publicadas da investigadora, destacam-se Velhas Casas I a XI (1967-1990); Velhas Casas de Guimarães em dois volumes (2001 e 2002); Eugénia da Cunha Peixota ou O Morgado do Parto Suposto (1977); Guimarães, Terra de Santa Maria (1978); Capelas Vinculadas da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira (1981), entre outras."
(Fonte: https://maisguimaraes.pt/presidente-da-camara-municipal-de-guimaraes-lamenta-morte-de-maria-adelaide-moraes/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
20€
Reservado

13 fevereiro, 2026

PROENÇA, P.ᵉ Álvaro - COMO O POVO REZA. (Etonografia). Lisboa, [s.n. - Tip. Inácio Pereira Rosa, Lisboa], 1941. In-8.º (18,5x13 cm) de 173, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Capa da autoria do artista Dr. Rui Nogueira.
Importante subsídio etnográfico, histórico e religioso.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógafa do autor.
"Razoávelmente estudado tem sido, já, o nosso bom povo de costumes tão pitorescos e belos.
Pelas nossas aldeias e mais reconditos lugarejos, desde o Minho, jardim mimoso de sonho, até ao Algarve encantado, olhos perspicazes, almas de artistas, têm seguido, com amor e ternura, as manifestações belas da vida simples e sóbria duma população ingénua e laboriosa. [...]
Há todavia alguma coisa que ainda falta na nossa literatura etnográfica.
Nunca o povo é tão curioso, tão digno de ser estudado e tão grande quando como quando as suas mãos calejadas se erguem para o céu.
É vê-lo, de olhos alheados das coisas da terra, desbarreado, modesto, mais humilde do que nunca, a rezar, ajoelhado nas frias lages da sua igreja paroquial, na capelinha pequenina e pobre ou à noite junto à lareira.
Por mais descrente que o observador seja, é impossível que não encontre grandeza na oração do povo. [...]
Apesar de ser assim, o povo tem sido pouco estudado neste ponto. Orações supersticiosas, bruxedos, crendices de tôda a espécie, tudo isso foi já recolhido. Da oração pura e simples encontra-se aqui uma amostra, além outra, raras, e todavia pela sua beleza e interêsse, elas devem ser conservadas com amor.
Por nosso lado julgamos fazer obra bôa recolhendo o que de mais belo tem a alma popular, aquilo que dela se evola quando a religião aprendida e bebida no leite materno é praticada e vivida sem mistura de produtos de ignorância ou de fá vacilante."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo; Sinal da Cruz; Orações da manhã; Ao sair de casa; Ao entrar na igreja; Para a missa; Para a confissão; Para a comunhão; Orações à Virgem; Orações ao anjo da guarda; Orações aos santos; Orações pelas almas; Para as tentações; Orações da noite; Orações para o trabalho; Orações diversas; Padre Nosso; Avé Maria; Credo; Para o Natal; Para a Semana Santa; Um pouco de catecismo.
Padre Álvaro Proença (Lisboa, 1912-1983). "Entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa (a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus (desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos, entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983. Dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).”
(Fonte: https://toponimialisboa.wordpress.com/2018/07/06/alameda-padre-alvaro-proenca-na-freguesia-que-estudou-e-onde-foi-paroco/)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa apresenta pequenas falhas marginais.
Raro.
25€

12 fevereiro, 2026

EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DO 66.º ANIVERSÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA -
5 DE OUTUBRO DE 1910 : 5 DE OUTUBRO DE 1976 -
Palácio Foz : 5 a 31 de Outubro de 1976. [S.l.], Secretaria de Estado da Comunicação Social : Direcção-Geral da Divulgação, 1976. In-8.º (20,5x14,5 cm) de [40] p. ; [4] p. il. ; B.
Catálogo da exposição comemorativa do 66.º aniversário da República.
Ilustrado na capa com bonita efígie da República em relevo, e no interior, em separado, com 4 desenhos a cores impressos sobre papel couché de figuras gradas da República: Manuel de Arriaga; Teófilo Braga; Bernardino Machado; António José de Almeida.
Junta-se folha volante com o título Conferências sobre a I República, integradas nesta mesma exposição, a realizar na biblioteca do Palácio Foz.
"«A democracia portuguesa conta com uma data gloriosa, que é o começo de uma nova era: o 10 de Junho de 1880», escrevia Teófilo Braga, o ideólogo republicano que lançou a ideia do tricentenário do grande épico luso.
Embora os ideais republicanos tivessem feito a sua aparição entre nós em meados do século XIX, é verdadeiramente com a celebração do tricentenário camoniano de 1880 que se assinala o ponto de arranque da trajectória que irá culminar no 5 de Outubro de 1910. Como disse Basílio Teles: «Antes dessa data não há história do partido republicano, mas apenas história da ideia, da aspiração republicana...» (Do Ultimatum ao 31 de Janeiro).
O verdadeiro fundador-doutrinário do partido republicano foi Henriques Nogueira (1825-1858). Vinte anos depois da sua morte era eleito para o Parlamento o primeiro deputado republicano, Rodrigues de Freitas."
(Do tricentenário camoniano ao regicídio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa levemente oxidada.
Invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
10€

11 fevereiro, 2026

PIMENTEL, Alberto - O LOBO DA MADRAGÔA.
Romance original. Illustrado com 40 gravuras. Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1904. In-4.º (23x15 cm) de 341, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance biográfico sobre o estoura-vergas e poeta vimaranense António Lobo de Carvalho (1730?-1787), cujo enredo está dividido em duas partes: Peccados da mocidade e Delictos da velhice, que coincide, respectivamente com a juventude do poeta, no berço minhoto, e os anos de maturidade, na capital.
Ilustrado no texto com 40 desenhos de belo efeito.
"Esboçava-se na tenue claridade do ceo o primeiro sorriso da aurora, e já a Therezinha de Villalva, madrugadora como a toutinegra, atravessava por Argemil para a beira do rio Ave.
Ella não tinha outro relogio que a despertasse, além do seu coração. Quem anda de amores não dorme, diz o povo. Aquella linda cachopa de Villalva dormia, cançada de mourejar um dia inteiro na faina dos campos, e talvez não sonhasse. Mas accordava mais cedo que toda a sua aldea; primeiro aínda que os passaros no arvoredo, exceptuando a toutinegra e o tentilhão. Era o coração que a despertava, muito de mansinho, para que ninguem mais ouvisse. [...]
A Therezinha de Villalva sahia de casa pé-ante-pé, lavava-se na corrente do Sanguinhêdo, riacho da sua aldea, como faziam mais tarde todas as outras raparigas. Via-se no espelho ainda baço da agua, que o sol illuminava frouxamente, e compunha o cabello, anediando-o com as mãos, que tambem tratava com excepcional cuidado entre camponezas. Depois partia alegre, cantando, mais feliz do que uma princeza, sem pensamentos maus que perturbassem a castidade da sua vida."
(Excerto de I - A explosão da pesqueira)
Alberto Pimentel (Porto, 1849 - Queluz, 1925). "Nasceu no Porto em 1849.
Frequentou a instrução pública no Porto; por motivos económicos não prosseguiu os estudos no ensino superior, mas veio a desenvolver um percurso profissional assinalável. No jornalismo, começou como tradutor e revisor num jornal portuense, assinando posteriormente algumas crónicas e folhetins. Na política, integrou o Partido Regenerador, através do qual foi eleito deputado e nomeado membro de várias comissões. Na área da história, redigiu biografias, ensaios e memórias, onde se salientam os primeiros estudos sobre Camilo Castelo Branco. Foi membro de diversas academias e sociedades de letras e ciências, com destaque para a Sociedade de Geografia de Lisboa. Faleceu em Queluz no ano de 1925.
Como escritor, deixou uma vasta e diversificada obra, que publicou ainda em vida: romances, poesias, traduções, contos e novelas, crónicas de viagem, peças de teatro, etc."
(Fonte: https://turismo.obidos.pt/2023/05/02/texto-de-alberto-pimentel/)
Encadernação editorial em percalina com desenho e letras a branco nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pasta anterior manchada. Discreta rubrica de posse na f. rosto. Alguns (poucos) sublinhados a esferográfica.
Muito invulgar.
25€

10 fevereiro, 2026

SILVA, Armando Coelho F. da -
ORGANIZAÇÕES GENTILÍCIAS ENTRE LEÇA E AVE
. Santo Tirso, [s.n. - Imprensa Portuguesa - Porto], 1982. In-4.º (25x19 cm) de [19], [1] p. (381-399 pp.) ; [V] estampas ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo histórico publicado em separata de Actas do Colóquio de História Local e Regional - Santo Tirso-1979.
Enriquecido com ilustrações no final, em separado, com mapa, desenhos e fotografias a p.b. distribuídas por 5 folhas (estampas).
"A área geográfica compreendida entre os vales do Ave/Vizela, a N., o vale do Leça/Serra da Agrela e seus prolongamentos, a E., e o mar, a W., abrangendo a quase totalidade dos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde, Maia, Santo Tirso e uma  pequena  margem a NW. do concelho de Paços de Ferreira, como que forma uma importante unidade geo-histórica propícia, desde tempos remotos, à actividade agro-pecuária e marítima, que ainda hoje, a despeito da industrialização, lhe marca o seu facies característico.
Com vestígios de ocupação desde períodos recuados da Pré-história, são consideráveis as suas estações megalíticas e os achados da Idade do Bronze, manifestando-se na Idade do Ferro já como um expressivo foco de densidade humana, conforme nos é testemunhado pelo apreciável número dos seus povoados, tanto mais de estimar quanto se trata de uma zona aparentemente mal dotada de condições naturais favoráveis às actividades económicas e de defesa típicas da Cultura dos Castros."
(Excerto do Ensaio)
Armando Coelho Ferreira da Silva (n. 1943)."É um arqueólogo e professor universitário português. Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, instituição onde se licenciou em História (1974), se doutorou no ramo de Letras, especialidade de Pré-História e Arqueologia (1987), e obteve o título de agregado em História (1994). Especializado em Proto-História, as suas obras são uma referência para o estudo da Idade do Ferro peninsular."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
15€

09 fevereiro, 2026

PESTANA JÚNIOR, João -
NÉVOAS DE LÁGRIMAS.
Lágrimas - Livro da Saùdade - Poema do Destino. Coimbra, Moura Marques : Livreiro - Editor, 1916. In-8.° (19x12 cm) de [2], 82 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Obra poética, a primeira e (única?) do autor. Teria pronto o título Flores da Alma, que é anunciado no início em "A sair", que no entanto, julgamos, nunca viria a ser publicado.
Ilustrada com o retrato do autor colada em folha separada do texto. Uma outra fotografia, tamanho 'tipo passe', de uma senhora nova, encontra-se solta junto da foto do autor.
Obra rara, por certo com tiragem reduzida.

"Nos versos que aí vão ha névoas de tristeza,
Ha risos de luar, lampejos do poente;
!Ha sombras de saùdade e tudo quanto sente
Minh'alma ao contemplar a imensa Natureza!"

(Salvè)

"O mundo é uma fera a rir às gargalhadas
Na tragédia da vida, ao longo das estradas...
A sociedade um tigre, !o gesto d'um leão
Apunhalando a ódio a alma d'um irmão!
Do mundo tudo foge à sombra d'uma raça,
Porêm o mal, o ódio, ah! !êsse nunca passa
E corroi dia a dia a vasta humanidade!...
Olhemos em redor: !já anda a sociedade
A mergulhar a vida em luta de embriaguês
Desde o gesto mais nobre ao mísero burguês!
!E a Vida! ?o que é a Vida? É sonho tão ligeiro
Que se apaga n'um ai ao beijo derradeiro
Que a Natureza-Mãe, após breve momento,
Emquanto tenta um vôo o nosso pensamento,
Envia sôbre nós da imensidão etérea,
Ao elemento fraco, aos sêres da matéria."

(Excerto de «Lágrimas» -  Contemplação)

João Pestana Júnior (1894-1918). "Nasceu na Ponta do Pargo, Ilha da Madeira, em 1894. Foi uma auspiciosa revelação de poeta e jornalista, que prometia marcar vincadamente os êxitos a que o seu talento davam juz, quando a morte o surpreendeu em plena mocidade, quando finalizava ao mesmo tempo, Direito e Letras, na Universidade de Coimbra. Chamado à Escola de Oficiais Milicianos aquando da Primeira Guerra Mundial, foi um valioso colaborador da Revolução Nacional de Sidónio Pais, sendo então Alferes de Infantaria 35, em Coimbra. Quando em 1918 grassava no País a epidemia pneumónica, para não abandonar um camarada atacado do terrível mal, João Pestana Junior foi contagiado tendo sucumbido em 21 de Outubro de 1918, tendo nessa data para publicar “Flores da Alma"). Teve larga colaboração na Imprensa. Em 1916 a Editorial Moura Marques, de Coimbra, publicou um livro de versos “Névoas de Lágrimas” – onde João Pestana Junior se revela com toda a sua fina sensibilidade de poeta e onde as suas qualidades de artista ficam bem evidenciadas. Era irmão dos escritores e jornalistas César Pestana (Pausamias) e Vasco da Gama Pestana."
(Fonte: https://pontadopargonews.blogs.sapo.pt/5989.html)
Encadernação belíssima - assinada por Frederico d'Almeida - inteira de pele com cercadura e ferros gravados a ouro nas pastas e na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Com vestígios de humidade no final.
Raro.
Indisponível

08 fevereiro, 2026

VASCONCELLOS, João de Carvalho e -
DE SAPAL A ARROZAL. (Estudo da vegetação na zona do Sado).
Por... Engenheiro-Agrónomo, Professor do Instituto Superior de Agronomia. Lisboa, Ministério da Economia : Secretaria de Estado do Comércio : Comissão Reguladora do Comércio de Arroz, 1960. In-4.º (24x16 cm) de 30, [6] p. ; [2] quadros desd. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre a transformação de sapais na região de Setúbal em áreas de cultivo de arroz. Trabalho com interesse para a história da cultura do cereal nesta zona do país conhecida precisamente por acolher esse tipo de prática agrícola.
Inclui dois quadros estatísticos desdobráveis (Quadros de presença) em folhas separadas do texto.
"Os terrenos de sapal são geralmente terrenos de aluvião, em muitos casos alagados, constituídos por materiais os mais diversos, como lodos, nateiros, areias e detritos de toda a ordem, que as águas foram carreando até aos troços inferiores dos rios e ribeiras e que são ou foram atingidos pelas marés. [...]
Em Portugal ainda não se efectuou uma avaliação precisa da superfície total dos sapais existentes. [...]
São sobretudo importantes os sapais no vale do Sado e no Algarve.
Só no Algarve, segundo Rodolfo (1953), a sua área total aproximada anda por 10 000 hectares.
A área de sapais no vale do Sado perece ser um pouco inferior.
Veloso (1954) calcula em 5 8000 hectares a área de sapais ainda não aproveitada no concelho de Setúbal e na zona dominada pelas Obras de Hidráulica Agrícola."
(Excerto de Sapais)
Índice:
Palavras prévias | Sapais | Método de trabalho | Quadros de presença | Comparação dos resultados | Relação das plantas citadas no presente estudo | Bibliografia | Agradecimentos | Summary.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

07 fevereiro, 2026

CANTARES DE PORTUGAL. Música de Estefânia Cabreira - Letra de Oliveira Cabral - Ilustrações de Carlos Carneiro. Porto, Editorial Domingos Barreira, [1939]. In-8.º (21,5x15 cm) de 81, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante repositório de cantigas populares portuguesas, de teor patriótico umas - «Por Deus e pela Pátria», de raiz folclórico as outras - «Modas Populares».
Livro dedicado "Às crianças de Portugal, para que em suas almas germinem, cresçam e floresçam as crenças e o patriotismo dos nossos gloriosos antepassados."
Bonita peça de cultura musical, propaganda do regime do Estado Novo, ilustrada com belíssimos desenhos de Carlos Carneiro (1900-1971), conhecido pintor, natural do Porto.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, com pequena falha (arredondada) no revestimento da capa frontal, à cabeça.
Invulgar.
15€

06 fevereiro, 2026

ALMEIDA, Francisco Tavares de -
CAMPANHA DE SANIDADE NOS POMARES - ESQUEMA DE TRATAMENTO DE PEREIRAS E MACIEIRAS.
[Pel'o] Chefe da XV.ª Brigada Técnica... Ministério da Agricultura : Campanha da Produção Agrícola. Lisboa, Tipografia da L. C. G. G., 1934. In-8.º (13,54x10,5 cm) de 10, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de instruções técnicas dirigidas ao agricultor - pulverizações e tipos de calda a adoptar - para eficaz protecção dos pomares.
Ilustrado em página inteira com tabela estatística.
"Para limpar as árvores dos musgos e liquenes, matar escamas, lapas (cochonilhas), ovos de insectos e esporas de fungos, aplica-se antes dos botões começarem a rebentar, uma pulverização com calda suflo-calcica de inverno."
(1.ª Pulverização)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

05 fevereiro, 2026

FONSECA, Tomás da -
ÊRRO DE ORIGEM. Transformismo religioso. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da »Lvmen» - Coimbra], 1925. In-8.º (16,5x11 cm) de 71, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio anticlerical, tendo o autor vertido as suas reflexões em conferência.
Ilustrado com uma estampa em folha separada do texto, evidenciando a "República" a enxotar a "religião".
"Há quem suponha que a revolução cristã, alterando os scenários, modificando os rituais, alterou e modificou também os sentimentos piedosos. É um êrro.
Em todos os tempos e lugares houve sempre espíritos doentes, almas profundamente místicas. E são êsses os que dão alma aos deuses, criando ou transformando as religiões e as seitas.
Ora, em todas elas os crentes que oram e crêem com verdadeira unção religiosa, procuram escapar à sua natureza mortal, para atingirem Deus, abismando-se nêle.
Os místicos do Cristianismo tentaram isso mesmo pelo martírio do corpo e excitação da alma. Era no silêncio dos retiros, por esforços de meditação, que êles procuravam aproximar a divindade."
(Excerto de Atordoamento místico)
Índice:
[Preâmbulo] | Provocações teológicas | Minerva, apregoando a própria bancarrota | Mêdo â verdade | Acção criadora dos scépticos | Origem dos deuses | O destino dos deuses | A joeira do tempo | As lições do passado | A mulher, coluna mestra da Igreja | Atordoamento místico | Confusão teológica | Agentes sobrenaturais | A religião, freio do povo | Indiferença do povo | Como os deuses morrem | Palavras do Profeta Isaías | O homem criou Deus à sua imagem | Palavras de fé.
Tomás da Fonseca (1877-1968). "Nascido num pequeno povoado perto da Serra do Caramulo em 10 de março de 1877, seminarista que veio a tornar-se ateu, anticlerical e republicano, maçon que teve simpatias comunistas, José Tomás da Fonseca teve um percurso político multifacetado e intenso desde a preparação ideológica republicana à oposição ao sidonismo e ao salazarismo.
Polígrafo compulsivo com vastíssima intervenção na imprensa, foi polemista e pensador, poeta e historiador, sendo ainda relevante a suas ligações ao ensino, tanto como professor como pedagogo. Tão multímoda a sua obra, nela pode destacar-se a do polemista convicto e severo que, segundo recente tese de Luís Filipe Torgal, teve diferenciadas leituras: «Os detratores de Tomás da Fonseca acusaram-no de republicano sectário, apóstata, anticlerical fanático, satânico, mistificador e iconoclasta. Pelo contrário, os seus admiradores representaram-no como missionário do povo, apóstolo cívico do laicismo, símbolo dos livres-pensadores portugueses, destruidor de falsos mitos da História, Política e Religião.»
Falecido em 12 de fevereiro de 1968, foi reconhecido postumamente com o grau de comendador da Ordem da Liberdade em 1984."
(Fonte: https://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1313%3Adestaque-tomas-da-fonseca-1877-1968-10-fev-10-mar-18&catid=169%3A2018&Itemid=1324&lang=pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. Sem capa frontal. Com alguns cadernos soltos.
Muito invulgar.
20€

04 fevereiro, 2026

GAMA, Sebastião da -
SEBASTIÃO DA GAMA: Meu caminho é por mim fora...
[S.l.], Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007. In-8.º (21x15 cm) de [12] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Selecção de poesias de Sebastião da Gama, sendo uma delas inédita, precedidas por apontamento biográfico do autor.
"Sebastião da Gama - "Meu caminho é por mim fora..." recolhe um pequeno conjunto de textos de Sebastião da Gama com vista à divulgação da sua obra e da sua mensagem, aqui se incluindo um soneto até hoje nunca publicado, escrito em 1941, cujo consentimento de publicação se agradece a Joana Luísa da Gama."
(Excerto do Preâmbulo)

"Meu caminho é por mim fora,
tá chegar ao fim de mim
a encontrar-me com Deus...

Mas lá no fim
eu vou sentir-me tão outro,
tão igual
ao Senhor Deus que ali mora,
que hei-de ficar convencido
de que afinal
só Tu, Senhor, lá estás
e que eu fiquei para trás,
de cansado ou de perdido
no meu caminho comprido."

(Excerto de Itinerário)

Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

03 fevereiro, 2026

ALGÔDRES, Conde de Fornos d' -
EQUITAÇÃO E HIPPOLOGIA.
Pelo... Quarta edição, corrigida e acrescentada pelo auctor. Prefacio de João Viegas de Paula Nogueira, Professor do Instituto de Agronomia e Veterinaria de Lisboa. Com 50 gravuras. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1914. In-8.º (22x15,5 cm) de 295, [1] p. ; il. ; E.
Quarta edição deste famoso tratado de equitação, preferível à que as precederam porque significativamente melhorada e ampliada.
Trata-se de um importante trabalho abrangente devotado ao Cavalo, e aos exercícios equestres - o Hipismo e a Alta-Escola.
Ilustrado no texto com belíssimos desenhos de exemplares da diversas raças, entre outros, o Alter Real, e movimentos relacionados com saltos e Alta-Escola.
"Dizem que um prefacio é apenas uma apresentação. Se assim é, não sei qual de nós dois - o auctor ou o prefaciador d'este livro - terá maior jus a ser o apresentante do outro.
Porque a verdade é esta: o auctor, o sr. Conde de Fornos d'Algôdres, possue todas aquellas qualidades que exornavam muitos dos homens da antiga aristocracia, habituados á equitação tão querida dos sportsmen, e simultaneamente ao sua ve convivio das boas lettras... [...]
Hippologia e Equitação são os titulos da obra que vae ler-se; e acertadamente o auctor os juntou, porque mal irá ao candidato a cavalleiro, se de todo lhe falharem os conhecimentos hippologicos.
Se o cavallo, em vez de um organismo vivo, fosse apenas uma complicada machina material, susceptivel de executar diversos movimentos, sujeitos a leis fixas e invariaveis, que diriamos de quem tivesse a pretensão de bem dirigir-lhe o jogo do complexo mechanismo, ignorando por completo a feitura de cada uma das peças e o artificio com que ellas se relacionam entre si, para produzirem os effeitos dynamicos? [...]
Importa, pois, ao cavalleiro conhecer a estatica e a dynamica do cavallo, antes de lhe utilisar o esforço. [...]
Essa primeira parte é um resumido compendio do Exterior do cavallo; mas resumo substancioso, do qual foram amputadas todas as superfluidades, para só ficarem os preceitos capitaes. [...]
Mais notavel ainda pela sã doutrina é o capitulo que se occupa da producção cavallar portugueza. Ha alli bastante que aprender, e oxalá os nossos lavradores se inspirassem nas considerações e preceitos que encerra esse capitulo, bem como o que termina a primeira parte da obra e se refere á alimentação e hygiene do cavallo.
A segunda parte - Equitação - achei-a eu tão clara, tão concisamente escripta que, ainda mesmo pouco pratico do assumpto, me julgaria capaz de, guiado só por este livro, me arvorar - não ousarei dizer em professor de equitação, mas pelo menos em estudante, sem outro mestre da nobre arte."
(Excerto do Prefacio)
Manuel Nicolau Cardoso e Melo, 3.º Conde de Fornos de Algôdres (Fornos de Algodres, 1839 - 1913). "De seu nome completo Manuel Nicolau de Abreu Castelo Branco Cardoso e Melo, era sobretudo um apaixonado por hipismo e hipologia. Fidalgo da Casa Real. Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi Governador Civil de Leiria e Presidente da Câmara Municipal de Santarém."
(Fonte: https://www.geni.com/people/Manuel-Nicolau-de-Abreu-Castelo-Branco-Cardoso-e-Melo-3%C2%BA-Conde-de-Fornos-de-Alg%C3%B4dres/6000000016103701938)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pasta posterior algo manchada.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
75€

02 fevereiro, 2026

PINHEIRO, Cap. António dos Santos Boavida -
GIMNO-CROSS - EDUCAÇÃO FÍSICA : LEGIÃO PORTUGUESA.
Estudo realizado pelo... Mestre de Educação Física; Instrutor Militar do Batalhão n.º 4 da L. P. [S.l.], Legião Portuguesa, 1966. In-8.º (22,5x17 cm) de [2], 6, 14, [4], [4] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo de educação física patrocinado pela Legião Portuguesa, verdadeiro manual de treino e organização militar. O autor propõe para a aula de ginástica ministrada na instrução da LP corridas de corta-mato em terreno aberto e acidentado, com os exercícios descritos ao pormenor, incluindo recomendações sobre saúde e fadiga.
Trabalho impresso em papel de superior qualidade, policopiado, sem menção na BNP, divide-se em três partes:
- A apresentação do exercício;
- O exercício propriamente dito - o "Gimno-cross";
- O papel do instrutor.
"Dos horários de instrução da L. P. faz parte, como não poderia deixar de ser, um período destinado à Educação Física, que como meio necessário à educação integral do indivíduo deverá ser utilizado de forma a obter-se um rendimento máximo da sua acção dentro de tal objectivo."
(Excerto da Apresentação)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
35€

01 fevereiro, 2026

EMPRESA DE PESCA DE VIANA S. A. R. L. : VIANA DO CASTELO -
Relatório, Balanço e Contas do Exercício de 1969
. [Viana do Castelo], [EPV], 1970. In-8.º (22x16,5 cm) de [12] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relatório e Contas da Empresa de Pesca de Viana, uma das mais importantes firmas de pesca longínqua nacional, possuindo barcos próprios, entre eles os icónicos lugre "Santa Maria Manuela" (1937), e os navios-motor gémeos "Santa Maria Madalena" e "São Ruy" (1939), todos construídos nos estaleiros da CUF.
Este relatório evidencia as dificuldades que a EPV atravessou em 1969, mormente pela escassez de peixe e, por consequência, o aumento dos preços, o que a impediu de realizar alguns investimentos na frota pesqueira e nas instalações da empresa. Subscreve o Relatório o Conselho de Administração constituído por: João Delgado Cerqueira; João do Carmo Correia Botelho; Adolfo Augusto Matamoro Juzarte Rolo; Hernâni Pereira Furtado; Tiago Martins Delgado.
Peça com interesse para a história da pesca do bacalhau em Viana, ilustrada com "mapas" contabilísticos.
Documento raro. A BNP não menciona o presente relatório na sua base de dados.
Tiragem limitada a 560 exemplares.
"A campanha de pesca de 1968, a que se referem as contas apresentadas, decorreu normalmente e os seus resultados podemos considerá-los satisfatórios.
Infelizmente já não podemos dizer o mesmo da última campanha ainda em curso, ou seja a relativa a 1969.
Como estava previsto por especialistas internacionais, verificou-se na passada campanha uma invulgar escassês de pescas.. Esta instabilidade foi uma das principais razões que nos levou, cautelosamente, a adiar mais uma vez a construção de novas unidades, iniciativa que nunca deixamos de ponderar. A circunstância referida é agravado pelo facto de o preço do bacalhau ter estado tabelado durante cerca de vinte anos o que não nos permitiu criar as reservas necessárias para encararmos tal resolução com a prudência que julgamos aconselhável. A presenta campanha parece-nos ter confirmado este critério, porquanto a escassês de pesca foi de tal modo que o nosso navio de linha não conseguiu totalizar 1/3 da sua carga e os nossos arrastões gastaram nas suas viagens o dobro do tempo habitual."
(Excerto do Relatório)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

31 janeiro, 2026

ROSA, José António Pinheiro e -
UM ARTISTA ALGARVIO : O Padre Glória. [Por]... Professor do Ensino Liceal
. Lagos, [s.n. - Comp. e Imp. nas Oficinas da «Gráfica do Sul» - Vila Real de Santo António], 1956. In-8.º (22x16,5 cm) de 32 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do Padre Glória, religioso algarvio natural de Portimão, artista multifacetado nas horas vagas. Deixou obra espalhada por capelas e igrejas do sul do país, sobretudo pintura de tectos, retábulos, pias baptismais, etc.
Opúsculo ilustrado em página inteira com um auto-retrato do biografado e reprodução de desenhos e locais onde se encontram trabalhos da sua autoria.
Obra com interesse histórico, artístico, político e religioso, com relevância para a bibliografia algarvia.
"Durante os meus estudos  da Arte Sacra no Algarve, encontrei-me tantas vezes com a obra e a memória desta simpática figura de padre artista, António José Nunes da Glória, que me nasceu a curiosidade de colher a seu respeito o maior número possível de informações. À medida que elas apareciam, essa figura aureolava-se mais e mais de novos esplendores. O artista instintivo engrandecia-se a meus olhos com as qualidades humanas e as virtudes sacerdotais, que o exornaram. E foi com emoção sincera e autêntica veneração que escrevi esta biografia, onde procurei falar o menos possível, cedendo a palavra aos documentos, cuja eloquência dominará o leitor como me dominou a mim.
Julgo também escrever com esta publicação uma pequena página da história da perseguição religiosa no Algarve, que ainda está por fazer, e em face da qual não se pode reter um sentimento de respeito por aqueles que atravessaram com denodo."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Um artista algarvio Pe. António José Nunes da Glória: A) O Homem: - Nascimento e família; - Estudos; - Actividade Sacerdotal; - Cartas. B) O Artista. C) A Obra: - Arquitectura; - Escultura; - Pintura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€

30 janeiro, 2026

A QUESTÃO DINÁSTICA - DOCUMENTOS PARA A HISTORIA.
Mandados coligir e publicar pela Junta Central do Integralismo Lusitano. Lisboa, Empresa Nacional de Industrias Graficas, Limitada, 1921. In-fólio (31,5x23 cm) de [4], 631, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante documento sobre a sucessão de D. Manuel II, último rei de Portugal, dada a recusa deste em conspirar contra o estado republicano, tendo em vista eventual restauração do regime monárquico. Com interesse para a história do movimento integralista português.
"Reunindo em volume todos os documentos oficiáis, referentes ao conflito aberto ha quasi dois anos, entre o Integralismo Lusitano e o Senhor Dom Manuel II que foi Rei de Portugal, serve-se apenas o proposito de actualizar e perpetuar os termos liais e exactos de uma questão politica, já hoje tão esquecida e deturpada nas suas razões fundamentais.
As pessoas de boa-fé que quiserem conhece-la ou recorda-la em toda a sua expressão de verdade, encontrarão neste livro os necessarios recursos para sua completa elucidação.
Essa questão politica está hoje morta e ninguém pode pensar em ressuscita-la. No entanto, publicando todas as peças do processo, algum serviço se presta á verdade e aos direitos da justiça daqueles que, em nome dos principios monarquicos e do interesse nacional que por eles se define, tiveram o doloroso dever de a provocar e a honra de a sustentar, obedecendo aos ditames da sua inteligencia e á sua dignidade de portugueses e de patriotas.
"
(Introdução - A quem ler)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
20€

29 janeiro, 2026

MERELIM, Pedro de -
MEMORIAL HISTÓRICO DOS SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS DE ANGRA DO HEROISMO - "Bodas de Ouro : 1929/1979
. [Angra de Heroísmo], [s.n. - Composição, impressão e gravuras nas oficinas do «Diário Insular» - Angra de Heroísmo], 1979. In-8.º (21,5x16,5 cm) de 185, [1] p. ; [21] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos serviços municipalizados de Angra do Heroísmo, dedicado sobretudo à realização de obras de vulto para a cidade, como a iluminação pública, águas e saneamento.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
Obra ilustrada com inúmeras fotografias a p.b. distribuídas por 21 folhas separadas do texto.
Junta-se cartão de oferta com o cunho da edilidade assinado pelo Presidente, Leopoldino da Rocha Tavares datado de 23/7/79.
"As cidades de antanho não eram iluminadas. Deste modo se tornava, à noite, obrigatório o cessar de movimento nas ruas e nos sítios públicos. Depois de certa hora, considerava-se aventura, temeridade, estar fora de casa e, prevenindo as gentes para que a tempo se recolhessem, tocava na torre da Câmara o sino chamado de correr ou recolher.
Era obrigação imposta pela lei geral em todo o reino. As ordenações filipinas mandavam que o alcaide tocasse, por ordem do Juiz, uma hora seguida, das oito às nove nos meses de Outubro a Março, e das nove às dez no demais período do ano. Quem após isso fosse visto na rua sem armas pagava sessenta réis de multa, salvo indo a caminho de qualquer lugar, com candeia, lanterna ou outra luz."
(Excerto do preâmbulo - Quando a noite era "tabu")
Pedro de Merelim, nom de plume de Joaquim Gomes da Cunha (1913-2001). "Saiu aos 18 anos da sua terra natal, São Pedro de Merelim (Braga). Cumprido o serviço militar, fixou residência em Lisboa, mas logo é reincorporado por ocasião da II Guerra Mundial, vindo cumprir serviço na ilha Terceira, onde se fixa. Passa aos quadros do Exército, após a guerra, e dá largas à sua verdadeira vocação, que é a de jornalista, usando o pseudónimo de Pedro de Merelim. Pertenceu ao corpo redatorial do jornal A União, durante 38 anos, chegando a exercer o cargo de redator-chefe e chefiou o gabinete de notícias do Rádio Clube de Angra. Escreveu milhares de textos (artigos, reportagens, locais, crónicas de viagem) que publicou em jornais açorianos, do continente e da Guiné-Bissau. Foi correspondente entre 1953 e 1972 de O Primeiro de Janeiro (Porto) e colaborador de O Século e do Jornal do Comércio, ambos de Lisboa. O mais importante do seu trabalho é constituído por obras que versam temas de grande relevância local e regional, num total de 22 títulos, e por artigos publicados na Atlântida, revista do Instituto Açoriano de Cultura. Foi autodidata, por não ter podido beneficiar de formação de nível superior e, por isso, nem sempre manuseou da forma mais adequada as normas da investigação; Pedro de Merelim foi, no entanto, um historiógrafo exemplar, pela sua grande seriedade e probidade intelectual, no que constitui um exemplo para qualquer investigador. Legou o seu espólio, em vida, à Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro."
(Fonte: https://bparlsr.azores.gov.pt/arquivo_regional/pme-pedro-de-merelim/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
35€