SEPULVEDA, Christovam Ayres de Magalhães - ORGANISAÇÃO MILITAR DOS ARABES NA PENINSULA. Por…Capitão de cavallaria. Lente da Escola do Exercito... [etc.]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1901. In-4.º (25x16,5 cm) de 137, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo pioneiro e histórico sobre a ocupação árabe da Península Ibérica em todas as suas vertentes: militares, políticas, religiosas e motivacionais.
Obra rara e muito interessante, com relevância para a nossa própria história e organização civil e militar.
Ilustrada no texto com desenhos de apetrechos e equipamento militar para a guerra, a pé e a cavalo, e em separado, com duas estampas: I - Iatagan moderno, 1218 de Hegira - (Da collecção do Dr. Teixeira de Aragão) - [a duas cores]; II - Capacete arabe - (Da collecção de Sua Magestade El-Rei).
"A mesma curiosidade em assumptos que, por dever de officio, e natural pendor, versamos, e a mesma orientação no que toca ao criterio e methodo a applicar no estudo da historia, nos levou a dar toda a importancia a um periodo da historia da peninsula hispanica que tanta influencia teve na nossa antiga organisação militar, e tão intimamente se liga com a historia militar portuguesa. É o periodo da dominação dos arabes em todo esse territorio peninsular e das luctas que as armas christãs tiveram de sustentar a fim de rehaver para a nossa raça e para a nossa crença o que em má hora perdera, pelo predominio de outras crenças e outras raças. Essas lutas tinham produzido uma tão importante modificação na maneira de ser militar dos dois povos, primeiro em opposição, e mais tarde em intimo contacto e em fusão, que um e outro apresentaram, num periodo largo da historia da peninsula, uma feição caracteristica, cujo estudo se torna indispensavel para comprehendermos bem a nossa organização militar e a nossa historia guerreira na Idade Media.
Esse estudo não estava feito entre nós ; d'ahi a necessidade que tive de o produzia, embora com os fracos recursos de que dispunha. É um simples ensaio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Constituia a guerra para o musulmano uma necessidade, um dever, uma religião.
Era a guerra o instrumento mais poderoso da sua fé; pela guerra dilatára o seu dominio pelo mundo inteiro, e com elle um novo credo religioso dimanado como a fé christã, dos preceitos fundamentaes da Biblia.
Foi inspirado o espirito do proselytismo, diz Sedillot, que Mohamede se propoz desenvolver o genio militar dos arabes «persuadindo-os de que Deus lhes dava o mundo em partilha»; redobrava-lhes as forças; uma exaltação religiosa se apoderava de todas as almas; com estas simples palavras «na vossa frente está o paraiso, atraz o inferno», os chefes arrastavam os seus soldados ao meio de uma furiosa refrega; e esse delirio supersticioso, essa vehemencia de sentimento e de acção destruia os maiores obstaculos."
(Excerto do Estudo)
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (1853-1930). "Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda nasceu em Goa, a 27 de março de 1853, e faleceu em Lisboa, a 10 de junho de 1930. Formado no curso de infantaria e cavalaria da Escola do Exército e no Curso Superior de Letras, foi promovido a alferes graduado em 1876 e a coronel em 1911, tendo sido também lente na Escola de Guerra. Eleito deputado pelo Partido Regenerador por três vezes, desempenhou os cargos de governador civil de Bragança e de promotor de justiça do 2° Conselho de Guerra da 1ª divisão. Integrou a redação do Jornal do Comércio e das Colónias, do qual veio a ser diretor.
Foi cofundador, em 1911, da Sociedade Nacional de História, ao lado de Fidelino de Sousa Figueiredo, David de Melo Lopes e José Leite de Vasconcelos. Ao longo da sua vida, Cristóvão Aires pertenceria ainda ao Instituto de Coimbra, à Real Academia de História de Madrid e à Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido também vogal da Comissão Nacional para as comemorações da Guerra Peninsular em 1908.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 8 de abril de 1886, tendo aí exercido os cargos de Inspetor da Biblioteca (1907-1913), Secretário da Classe de Letras (1910; 1915), Vice-Secretário (1914) e Secretário Geral (1921-1930). Integrou ainda a Comissão de Inventário do Museu Maynense."
Foi cofundador, em 1911, da Sociedade Nacional de História, ao lado de Fidelino de Sousa Figueiredo, David de Melo Lopes e José Leite de Vasconcelos. Ao longo da sua vida, Cristóvão Aires pertenceria ainda ao Instituto de Coimbra, à Real Academia de História de Madrid e à Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido também vogal da Comissão Nacional para as comemorações da Guerra Peninsular em 1908.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 8 de abril de 1886, tendo aí exercido os cargos de Inspetor da Biblioteca (1907-1913), Secretário da Classe de Letras (1910; 1915), Vice-Secretário (1914) e Secretário Geral (1921-1930). Integrou ainda a Comissão de Inventário do Museu Maynense."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/45)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€































