MANUAL DA PEREGRINAÇÃO OPERÁRIA A FÁTIMA : 3 e 4 de Outubro 1943. [Lisboa], Edições ACP, 1943. In-8.º (15 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual da histórica peregrinação do operariado português a Fátima, a primeira, sendo responsável máximo e presidente da Comissão Executiva da Peregrinação Abel Varzim, conhecido sacerdote, activista católico no período do Estado Novo, regime com quem, por vezes, entrou em conflito.
Inclui no interior a letra de marchas, cânticos e hinos relacionados com o evento, entre outros, a Marcha dos Desempregados.
Livro ilustrado com 5 belíssimas estampas em página inteira.
Junta-se um exemplar de O Semeador, Ano IV - N.º 4 : Domingo, 23 de Janeiro de 1949.
"A Nossa Peregrinação vai ser:
Um acto de Reparação nacional por tôda a classe operária, que tanto tem ofendido a Deus.
Uma afirmação colectiva da nossa dignidade humana e cristã.
Uma demonstração de brio e de camaradagem, dando um exemplo de aprumo e boa educação.
Para isto:
a) preparemo-nos espiritualmente com dignidade;
b) procuremos evitar palavriado inconveniente;
c) em tôdas as circunstâncias, mostremos que somos cristãos, tratando-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos e camaradas;
d) nos percursos a pé, marcharemos ordenadamente, não como soldados, mas sem nos separarmos uns dos outros, sem procurarmos ser engraçados. A nossa romagem é santa!
e) evitemos cestos e malas de mão que dão uma ideia triste da nossa jornada; levemos antes sacos alpinos ou sacolas;
f) sigamos em tudo as instruções que nos forem dadas.
Não nos esqueçamos
de lenços de bolso;
de uma toalha para nos limparmos;
de um pouco de sabão ou sabonete;
de um pente;
de um copo, mesmo de papel;
de calçarmos sapatos cómodos, que não magoem os pés;
de um agasalho por causa do frio da noite.
As nossa intenções:
Peregrinos! Não vamos a uma romaria, nem a um passeio! Vamos fazer uma Peregrinação de sacrifício e de penitência, pedindo à Virgem Santíssima que nos alcance, para tôda a classe operária,
Paz, Pão e Trabalho
E uma vida mais digna, mais cristã e mais pura.
No caminha para Fátima
Alegria, dignidade, espírito de sacrifício e de oração.
Na terra bendita de Fátima
Fé;
Disciplina;
Confiança;
Obediência pronta.
Os actos de Peregrinação decorrerão com o brilho que a tua disciplina lhes quiser dar."
(A Nossa Peregrinação)
Índice: A Nossa Peregrinação | Programa | Desfile | Via Sacra | Procissão das Velas | Adoração nocturna | Assembleia Geral e Côro falado | Missa dialogada: - Preparação: I Parte: As Almas purificam-se; II Parte: As Almas instruem-se. / O Sacrifício: I Parte: As Almas oferecem-se a Deus. II Parte: Eucaristia - As Almas unem-se ao sacrifício de Cristo. III Parte: Comunhão - As Almas participam sacramentalmente no sacrifício de Cristo. / Conclusão. / Procissão do Adeus. | A Minha Confissão | Oração operária a Nossa Senhora de Fátima.
Abel Varzim da Cunha e Silva (Cristelo, Barcelos, 1902-1964). "Foi um sacerdote católico português. Nasceu em Cristelo (Barcelos), diocese de Braga, no seio de uma família da classe média rural, sendo filho de Adelino da Costa e Silva, proprietário, natural da freguesia de Vilar de Figos, concelho de Barcelos, e de Adelaide Rosa Varzim da Cunha e Silva, professora do ensino oficial, natural da freguesia e concelho da Póvoa de Varzim. Ingressou na escola onde sua mãe era professora, tendo concluído a “instrução primária”, com o exame da quarta classe, em julho de 1912, aos dez anos. Querendo ser sacerdote, teve de ingressar no liceu da Póvoa de Varzim, por não haver seminário menor em Braga, pois este tinha sido ocupado militarmente em 1911. Em 1916, quando terminou o liceu, esse problema estava resolvido e Abel Varzim concluiu então os estudos preparatórios. Em 1921, entrou para o Seminário Conciliar daquela cidade, onde se formou em Teologia, tendo celebrado “Missa Nova”, a 3 de julho de 1925, na Póvoa de Varzim. Correspondendo a um pedido do Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, o prelado Bracarense, D. Manuel Vieira de Matos, cede o novo sacerdote à Diocese de Beja, tendo sido colocado no Seminário Menor de Serpa como professor e prefeito, desde a sua inauguração em 21 de novembro de 1925. Ali lecionou durante cinco anos e aplicou o seu dinamismo, tendo apoiado, inclusivamente, a iniciativa da Equipa Educativa do Seminário, na fundação do agrupamento de escuteiros n.º 38 (Beato Nuno Álvares Pereira) do C.N.S. [Corpo Nacional de Scouts - atual Corpo Nacional de Escutas], do qual foi nomeado Chefe. Após esta estadia em Serpa, seguiu para a Universidade de Lovaina, na Bélgica, o que lhe rasgou novas perspetivas e abriu mais largos horizontes. Quatro anos depois, em 23 de abril de 1934, doutorava-se em Ciências Políticas e Sociais. De regresso a Portugal, redigiu, com o Padre Manuel Rocha, os Estatutos da Acção Católica Portuguesa (ACP), pugnando para que esta fosse constituída por organismos especializados, de jovens e adultos, e de agricultores, operários, universitários, etc.. Este documento, mau grado a oposição do Estado Português, foi aprovado pela Santa Sé. Esteve também na fundação da Liga Operária Católica, o Organismo Especializado da ACP, criado oficialmente em 30 de junho de 1935, e que iniciou a sua atividade em 1936, da qual foi Assistente Geral até 1948. Foi o grande impulsionador do jornal “O Trabalhador”, ao qual se dedicou depois de alma e coração. Aquando do seu regresso a Portugal, profundamente interessado pelos problemas sociais, e consciente do atraso estrutural em que o país se encontrava, acolheu como boa a solução imposta por Salazar, de um Estado Unitário Corporativo, aceitando por isso o “Estatuto do Trabalho Nacional”. Cedo, contudo, verificou que estava equivocado, e que o regime do Estado Novo não respondia aos problemas que afligiam os trabalhadores, e o comum dos portugueses. Foi deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938/1942, ficando célebre um “Aviso-Prévio” que ali apresentou em 17 de fevereiro de 1939, sobre os Sindicatos Nacionais, em que criticava certos aspetos da organização sindical corporativa, onde mencionava a ação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, e nomeadamente a sua ineficácia em muitos aspetos. Esta passagem pela Assembleia Nacional ficou também marcada pela intervenção que proferiu, no dia 6 de fevereiro de 1941, “manifestando a sua discordância” com os termos do Decreto-Lei n.º 31.107, que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. Os ataques e ameaças que, então, enfrentou afastaram-no definitivamente das ideias do Estado Novo. Começou então a conhecer os caminhos amargos da perseguição política (e não só), ao mesmo tempo que realizava com forte empenho ações de formação para trabalhadores e estudantes universitários, naquilo a que hoje chamaríamos “formação para a cidadania”."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
75€



























