1.ª edição.
Obra poética, a primeira e (única?) do autor. Teria pronto o título Flores da Alma, que é anunciado no início em "A sair", que no entanto, julgamos, nunca viria a ser publicado.
Ilustrada com o retrato do autor colada em folha separada do texto. Uma outra fotografia, tamanho 'tipo passe', de uma senhora nova, encontra-se solta junto da foto do autor.
Obra rara, por certo com tiragem reduzida.
"Nos versos que aí vão ha névoas de tristeza,
Ha risos de luar, lampejos do poente;
!Ha sombras de saùdade e tudo quanto sente
Minh'alma ao contemplar a imensa Natureza!"
(Salvè)
"O mundo é uma fera a rir às gargalhadas
Na tragédia da vida, ao longo das estradas...
A sociedade um tigre, !o gesto d'um leão
Apunhalando a ódio a alma d'um irmão!
Do mundo tudo foge à sombra d'uma raça,
Porêm o mal, o ódio, ah! !êsse nunca passa
E corroi dia a dia a vasta humanidade!...
Olhemos em redor: !já anda a sociedade
A mergulhar a vida em luta de embriaguês
Desde o gesto mais nobre ao mísero burguês!
!E a Vida! ?o que é a Vida? É sonho tão ligeiro
Que se apaga n'um ai ao beijo derradeiro
Que a Natureza-Mãe, após breve momento,
Emquanto tenta um vôo o nosso pensamento,
Envia sôbre nós da imensidão etérea,
Ao elemento fraco, aos sêres da matéria."
(Excerto de «Lágrimas» - Contemplação)
João Pestana Júnior (1894-1918). "Nasceu na Ponta do Pargo, Ilha da Madeira, em 1894. Foi uma auspiciosa revelação de poeta e jornalista, que prometia marcar vincadamente os êxitos a que o seu talento davam juz, quando a morte o surpreendeu em plena mocidade, quando finalizava ao mesmo tempo, Direito e Letras, na Universidade de Coimbra. Chamado à Escola de Oficiais Milicianos aquando da Primeira Guerra Mundial, foi um valioso colaborador da Revolução Nacional de Sidónio Pais, sendo então Alferes de Infantaria 35, em Coimbra. Quando em 1918 grassava no País a epidemia pneumónica, para não abandonar um camarada atacado do terrível mal, João Pestana Junior foi contagiado tendo sucumbido em 21 de Outubro de 1918, tendo nessa data para publicar “Flores da Alma"). Teve larga colaboração na Imprensa. Em 1916 a Editorial Moura Marques, de Coimbra, publicou um livro de versos “Névoas de Lágrimas” – onde João Pestana Junior se revela com toda a sua fina sensibilidade de poeta e onde as suas qualidades de artista ficam bem evidenciadas. Era irmão dos escritores e jornalistas César Pestana (Pausamias) e Vasco da Gama Pestana."
(Fonte: https://pontadopargonews.blogs.sapo.pt/5989.html)
Encadernação belíssima inteira de pele com cercadura e ferros gravados a ouro nas pastas e na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Com vestígios de humidade no final.
Raro.
45€
Reservado








































