AMARAL JÚNIOR, João - A SECRETA MISSÃO DE ANA VLADIA : romance-documentário. Lisboa, João Romano Torres & C.ª : Livraria Editora, [1935]. In-8.º (19x12 cm) de 242, [14] p. ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada por Ramos Ribeiro (1888-?).
Romance histórico de espionagem entre guerras. Trata-se do sétimo (e último) volume da estimada Colecção Dramas da Espionagem, obra da autoria de João Amaral Júnior, que assina os romances anteriores WW1 com o pseudónimo George Lody. A acção do presente decorre no período pós Grande Guerra, quando Hitler assume o poder na Alemanha.
"Max Dulmine - matricula 93 - chegou finalmente a Paris... Caía a tarde quando entrou no gabinete privado do seu chefe, o coronel do Estado Maior francês, Ernesto de Vilancourt.
Achou-o num mar de papeis. Com os dedos magros e ageis numa dubadoura, uma chavena de chá a fumegar a seu lado, o monóculo a reluzir - trabalhava activamente... [...]
Dulmine alisou o cabelo despenteado e sentou-se numa cadeira que puxou para diante da secretária.
Mais sereno, Vilancourt estendeu-lhe por cima do tinteiro de prata a cigarreira aberta.
Sem proferir palavra, Max serviu-se; bateu o cigarro e acendeu-o.
Depois, na sua atitude autoritária, queimando tambem um cigarro e desentalando o monóculo para logo o segurar melhor, o oficial atirou uma pergunta:
- Então?
- Recebeu o meu telegrama?
- Recebi.
Matricula 93 relanceou um olhar inquieto pelo gabinete.
- Posso falar?
-À vontade - disse Vilancourt após deitar um olhar à porta, que Dorteill fechára silenciosamente."
(Excerto de I - «Se quizerdes a paz, preparai a guerra!»)
"Quem era ao certo esta heroína loira que se chamava Ana Vladia?
Sabia-se que viera de Moscou, fugida numa caravana de exilados e que chegára a Paris no inverno de 1918. Dado o golpe de estado Lénine-Kerensky, participara no grande exodo de perseguidos pelas tropas revolucionárias do exercito vermelho.
Filha duma familia burguêsa, Ana vivera desde criança sósinha com seu pai, czarista ferrenho, dedicado oficial do imperador - e habitavam em Moscou, quando maximalistas e soldados do governador travaram entre si sangrentas batalhas. [...]
Fugindo à prisão e ao morticínio tinham feito a debandada trágica; mas, ao aproximarem-se de Paris, o antigo capitão, já muito doente, e molestado pelos solavancos de viatura, falecera.
Vladia viu-se então sósinha, a braços com a miséria. Passou fome para defender a sua dignidade."
(Excerto de II - Ana Vladia)
João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 - ?). "Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins, não
concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta
de sucesso que colaborou com a Romano Torres. Estreou-se antes dos 20
anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário Universal de Literatura
atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso
que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Embora não tivesse
sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére. Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére. Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
15€


























