21 outubro, 2026

INSO, Jaime do -
A CHINA.
Conferencia feita em 2 de Junho de 1930 pelo Sr. Comandante... na Sociedade de Geografia de Lisboa. Separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Lisboa, Tipog. e Papelaria Carmona, 1930. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 37, [1] p. ; il. ;. B.
1.ª edição independente.
Curiosa descrição da China de há 100 anos atrás, com as suas virtudes e contradições, pintadas com mestria pela pena do autor, profundo conhecedor dos "assuntos" do Oriente, traços coincidentes com o tempo presente, outros nem tanto...
Opúsculo ilustrado no texto com várias 5 fotogravuras.
"... Na China tudo é grande, e os vinte anos da luta de hoje, na transição na monarquia para a república, não atingiram ainda senão um reflexo daquelas lutas tremendas, quando da passagem do regime feudal para o absolutismo.
E a China imensa a tudo sobrevive, inalterável, fecunda e forte, sem um clamor, caminhando pacificamente no meio da devastação e da morte, avalanche espantosamente prolífera da Humanidade!
Estranho povo!
Na China, encontram-se seres humanos que trabalham como bestas atreladas, na China até a própria Natureza por vezes se compraz a destruir cruelmente vidas e haveres, sob tempestades que não têm rivais: os tufões.
Na China, a miséria é enormemente grande, as lutas ininterruptas; por vezes, as epidemias são assoladoras, a pirataria é infrene em muitas regiões, o clima é agreste e duro, com alternativas de frios intenso e de calor tropical, onde os nossos nervos e energias se depauperam e gastam sem cessar.
Na China, existe um sentimento mais ou menos manifestado e intenso contra os europeus cujas vidas têm sofrido sempre, com intervalos de paz variáveis, sérios riscos com casos de morte, sequestro, martírios, assaltos, incêndios e destruição de propriedades.
Finalmente, na China, a vida humana oferece um valor quási desprezível comparado com o que na Europa  lhe costumamos dar.
Parece, portanto, se tudo isto é exacto, tal como acabo de referir, que a China devia ser como que um lugar execrado e de desterro, cujo nome mal apetecesse proferir.
Pura ilusão, que a China, a feiticeira, a contradição mais viva e flagrante, talvez, de toda a humanidade, tem sortilegios, encantamentos e fantasias que, como filtros venenosos, nos obscurecem a visão dos quadros sombrios da sua miseria, das suas semanas de ceu sem sol, do sangue derramado, dos tufões, de todos os perigos e riscos de vida, para nos impôr sòmente a gala dos seus exotismos, o cativante do seu povo de extraordinário poder de absorção, o atavismo da sua raça de inegualável tenacidade no trabalho, o fatalismo das suas paisagens e, sobretudo, a liberdade e o desafogo da vida que o europeu ali disfruta e que com dificuldade no Ocidente pode fruir."
(Excerto da Conferencia)
Jaime Correia do Inso (Nossa Senhora da Graça, Nisa, 1880 - Lisboa, 1967). "Foi um oficial da Marinha e escritor. Ao atingir a maioridade, assentou praça no regimento da Infantaria 22, na capital de distrito e integrou, no ano seguinte, o corpo de alunos da Armada. É promovido a guarda-marinha em 1903 e, três anos depois, a segundo-tenente. Ao longo da sua carreira ascendeu ainda à posição de capitão-tenente e capitão-de-fragata, cargo no qual passou à reserva em 1938.
Em Macau, terra à qual dedicou praticamente toda a sua obra literária, serviu na Estação Naval de Macau e também na Marinha Colonial de Macau, tendo comandado a canhoeira "Pátria" entre 1926 e 1929."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

20 outubro, 2026

MAIA, Carlos Bento da - TRATADO COMPLETO DE COZINHA E DE COPA. Por... Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1904. In-4.º (24x16,5 cm) de [4], 726, [2] p. ; il. ; E.

1.ª edição.
Obra de referência. Trata-se da edição original em livro deste Tratado, um dos mais apreciados títulos que sobre o assunto se publicaram entre nós.
Ilustrado com quadros, tabelas, desenhos e fotogravuras nas páginas de texto.
A respeito desta obra, e com a devida vénia a Ana Marques Pereira, reproduzimos parte do excelente post publicado no blog «Garfadas on line».
"Um dos livros mais interessantes de culinária do início do século XX é o “Tratado Completo de Cozinha e de Copa".
Identificado como sendo da autoria de Carlos Bento da Maia, trata-se na verdade de um pseudónimo de Carlos Bandeira de Melo.

Mas quem era Carlos Bandeira de Melo? Os próprios editores referiam que o nome de Carlos Bento da Maia encobria um nome ilustre. Tratava-se do general Bandeira de Melo que esteve à frente do Asilo da Ajuda.
O Asilo da Ajuda era uma «Sociedade protectora dos órfãos desvalidos das vítimas da cholera morbus em 1855 e da febre amarela em 1857» (ANTT, Arquivo Burnay, Correspondência, cx.35, nº18) e esteve sob a protecção da Rainha Maria Pia.

Em escolas especiais, como foi o caso do Asilo da Ajuda, o ensino das donas de casas foi considerado modelar. Estes conceitos estavam também integrados nas preocupações com a Economia Doméstica que dava os seus primeiros passos em Portugal.
Na pessoa do General Bandeira de Melo concretizou-se a melhor forma de ensino.

Como afirmou Alfredo Alves, tratava-se de «uma alta competência no assunto; os seus livros de cozinha e de corte publicados com o pseudónimo de Carlos Bento da Maia dão-lhe um lugar de destaque entre as pessoas que se têm dedicado ao ensino doméstico». Referia-se aqui a uma outra obra sua, o «Tratado Elementar de risco e corte de roupa. O mais completo, rigoroso e prático publicado em Portugal».
Mas aquilo que mais se evidenciava na sua obra era «a paixão pela vulgarização dos conhecimentos de utilização imediata, tornando-o assim um verdadeiro apóstolo da educação da mulher do povo»."
(Fonte: garfadasonline.blogspot.pt/2010/04/o-tratado-completo-de-cozinha-e-de-copa.html)
"No empreendimento de escrever este livro anima-nos o desejo de fazer alguma coisa util; não sendo profissionais, diligenciámos estudar os processos de modo que pudessemos descrevê-los com clareza e apresentar algumas noções que se não encontram noutros livros congeneres, e por isso esperamos que o trabalho seja acolhido com benevolencia da parte dos que estejam no caso de criticá-lo e a critica aceitá-la-êmos com prazer, pois servirá para que possâmos corrigir erros que nos passem despercebidos.
O nosso ideal seria que este livro pudesse ser considerado como uma obra d'estudo e que nos asilos o aproveitassem para a educação das criadas. Não é esta idea absolutamente praticavel, porque a alimentação das asiladas tem de ser muito economica; mas, para sustentar a escola, poderiam esses estabelecimentos, á semelhança do que se fazia noutros tempos nos conventos, trabalhar para o publico, fabricando doces e mesmo jantares completos."
(Excerto do prólogo)
"Os conhecimentos d'arte culinaria são dos mais necessarios a uma dona de casa, quer seja ela propria a fazer a sua cozinha, quer possa dispôr de criados.
Só aos opulentos é dado o abdicarem a administração domestica em mordomos que os dispensem do trabalho de se ocuparem déla.
Nas classes médias a cozinha preocupa e com forte razão as senhoras, porque raras vezes os serviços satisfazem completamente, e muitas vezes estão privadas dêles.
A educação moderna das meninas não lhes permite tirarem-se facilmente de embaraços e, por isso, um tratado de cozinha claro deve considerar-se um livro indispensavel. Não é facil, nem é mesmo possivel, descrever todos os processos culinarios com bastante desenvolvimento para serem executados sem hesitações pelos inexperientes, e sem que falhem algumas vezes; mas, se o livro fôr suficientemente explicito, um pouco de pratica resolverá as dificuldades e suprirá as lacunas."
(Excerto de Generalidades)
Indice:
I - Generalidades. II - Algumas palavras ácerca de alimentos de origem animal e vegetal. III - Considerações sobre o cozinhado dos alimentos que se não comem crús. IV - Iguarias diversas. V - Dôces. VI - Café, Chá, Chocolate, Coca. VII - Conservas. | Diccionario. | Posfacio.
Carlos Bento da Maia (1848-1924). "Carlos Bento da Maia é o pseudónimo de Carlos Bandeira de Melo, homem multifacetado que se distinguiu como militar, escritor e empresário. Nasceu a 13 de janeiro de 1848 em Lisboa, na freguesia de Santa Isabel. Foi o segundo dos três filhos de António Bandeira de Melo e de Maria José da Anunciação Lupi. Militar de carreira, assentou praça como voluntário aos 19 anos, no regimento de Artilharia n.º1 em 15 de outubro de 1867. Concluído o curso da Escola do Exército em 1871, progride na carreira como oficial do exército, tendo assumido cargos de direção na Fundição de Canhões, no Depósito Geral de Material de Guerra e na Fábrica de Armas. Foi condecorado como Oficial da Real Ordem de S. Bento de Aviz (1895). Reformou-se em 1899, tendo a patente de coronel, declarada que foi a incapacidade para todo o serviço pela junta hospitalar de inspeção. A vida do autor do Tratado Completo de Co-
zinha e de Copa não se resumiu às armas. Juntamente com Ricardo Loureiro e Eduardo Lupi fundou, em 1879, a Empresa Cerâmica de Lisboa. A multiplicidade de interesses, e a “paixão pela vulgarização dos conhecimentos de utilização imediata” explicam a ampla gama de temas explorados pelo coronel de artilharia. Entre eles destacam-se: engenharia e construção, economia doméstica, poupança de combustíveis, culinária, alfaiataria, jogos de cartas e inclusivamente traduziu para português o romance O luxo dos outros de Paulo Bourget."
(Fonte: Morais, Sandra - Sobre o cozinhado dos alimentos que se não comem crus: Uma leitura das práticas culinárias segundo o Tratado Completo de Cozinha e de Copa de Carlos Bento da Maia (1904), Imprensa da Universidade de Coimbra, 2025)
Encadernação editorial com desenho e letras gravadas a seco e a três cores nas pastas e na lombada.
Exemplar em razoável estado geral de conservação. Cansado e desconjuntado. Pasta anterior separada da lombada. Interior correcto.  A justificar restauro.
Muito invulgar.
45€

19 outubro, 2026

MELLO, Thomaz de - BOHEMIA ANTIGA
. Por.... Lisboa, Typographia de A. da Costa Braga, 1897. In-8.º (18,5x12,5 cm) de [8], 263, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Crónica de uma viagem a Sevilha, interessantíssima, seguida de um conjunto de histórias engraçadas e curiosas pela pena de D. Tomás de Melo, conhecido pândego da época.
"Por esse tempo ainda não havia casas de penhores, affinaçadas pelo Governo Civil; os prégos eram clandestinos.
Existiam alguns taberneiros e moços de botequim que, por intermedio de seus agentes, como eram entre outros o Theodoro, o Phoca, o Rei Wamba e o Pessoa, faziam esta especie de negocios.
Quando então se empenhava qualquer objecto, o seu agio era enorme. Não se limitava ao juro imposto pelo préguista, acrescia ainda o preço do recado, que se pagava ao gallego, que ia chamar o agente e a gratificação que este recebia! Quem levantasse uma moeda sobre qualquer penhor encontrava-se, a maior parte das vezes, com tres mil e seiscentos!
D'entre todos estes onzeneiros os mais afamados eram o Marreca, de quem fallamos n'estas memorias; o Prado Chapelleiro, do Rocio; o Carvoeiro, hervanario da Travessa de Santa Justa e o celebre José Confeiteiro, da Rua do Ouro, de quem respeitosamente nos vamos occupar.
Este, ao escurecer, soltava os seus agentes pelas immediações do Marrare do Arco do Bandeira, do Botequim do Freitas e do Café do Hespanhol, mais conhecido pelo Canto do Muro em virtude da sua grande analogia com o celebrado Canto do Muro, do Pinhal da Azambuja.
O José Confeiteiro, que em epochas anteriores se recusava a acceitar qualquer objecto que não fosse de ouro ou prata, já por esse tempo emprestava sobre tudo que tivesse algum valor, não se negando mesmo a transaccionar com egua ou cavallo, que lhe apresentassem, logo que os visse gordos e de pello luzidio."
(Excerto de O José Confeiteiro)
Índice:
Uma viagem a Sevilha - Da Travessa dos Burros (á boa-morte) á Calle de la Sierpe | Outros tempos... - O José Confeiteiro (1860); - Na Boa Morte. A espada do cardeal de Retz e um cavallo deitado á almargem (1865); - Um negocio de frangãos (1865); - O Armario do Chico Mendonça (1860); - As botas de Napoleão; - Memorias da mocidade e… azeite doce. A José Augusto Galache; - O corcunda do Chiado; - Um Duello.
Tomás de Melo (na grafia de então, Thomaz de Mello) (1836-1905). Foi um escritor português, casado com D. Maria de Jesus de Bragança, filha ilegítima de D. Miguel I. Sobre a sua conduta de bon vivant e bom garfo lemos na revista O António Maria:
"Quem o não conhece, ao D. Thomaz de Mello, como um dos mais patuscos, mais curiosos, mais attrahentes typos d'essa bohemia de melhores tempos que lhe valeu agora, em boas reminiscencias, um alegre livro?! Quem o não conhece, ao da grande pera e mais o grande bigode, grande chapeu desabado e grande pança cahida, dilatada por quantas ceias e idas ás hortas memoraveis de que nos falla a Historia, e em que elle tomou parte, denodadamente, em tremendissimas pandegas de estalo!"
Foi autor dos seguintes livros: Cenas de Lisboa (1874); Modesta: memórias de um degredado (1874); O Conde de S. Luís (1874; 2.ª ed. 1903); A espera de touros em Carriche (1879); Boémia antiga (1897); Contos e casos (1904); Recordando "O Negro de Alcântara": tragédia em 4 actos, paródia do "Otelo" (1904). Foi ainda proprietário da revista O reclamo: órgão da Agência Universal de Anúncios, publicada pela casa Júlio Rodrigues, em 1892."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação simples em tela, com ferros gravados a seco e a ouro na lombada, executada nas oficinas de mestre Paulino Ferreira. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

18 outubro, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do -
A VIAGEM AVENTUROSA DE SUVENINE BOLIFACE A ZELSTRUFS. [Pelo]... Socio Efectivo da Associação dos Arqueologos Portuguezes, Socio Correspondente do Instituto Portuguez de Historia, Arqueologia e Etnologia, etc. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], Janeiro - 1934. In-8.º (19x12 cm) de 133, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, enquadrável no domínio da narrativa fantástica e de ficção científica. A viagem de Suvenine Boniface na sua nave - o Passaro Novo - pelo espaço sideral, mais não é que um ensaio satírico de crítica de costumes políticos e sociais do país, e da Madeira em particular, substituindo o nome de Portugal, Lisboa e Funchal por nomes ficcionados de um planeta distante, com hábitos idênticos aos nossos.
Trata-se antes de tudo, de um exercício irónico sobre o carácter das elites lisboetas e do povo madeirense, do mais "ilustrado" ao mais "simplório", contando histórias e episódios, verídicos, por certo, sob a capa de nomes de família e empresas "alternativos", que farão as delícias de quem estiver na disposição de tentar desvendar os destinatários das farpas, numa e noutra região. 
No início da história, ainda nos EUA, ponto de partida da viagem, o autor alude com fina ironia ao modo de vida americano. No final refere-se a Salazar como o grande «Apostolo» de Benciana, "sacerdote muito subtil, muito serafico que sabia mais de diplomacia que os mais afamados diplomatas... [que] com untuosidade tinha sabido dominar na vida publica dos velhos tempos idos e com o novo estado de cousas lá ia fazendo chegar a braza á sua sardinha...".
Romance "fora da caixa" estas 'memórias' de Suvenine Boliface, raro e muito interessante, certamente com tiragem reduzida.
"Estava a dar a hora da partida quando o Jornalista entrou precipitadamente naquele compartimento de 1.ª classe...
A noticia de que Suvenine Boliface chegára a Lisboa e seguia, em rigoroso incognito, no rápido do Norte caíra inesperadamente na redacção.
Tornava-se indispensavel descobrir aquele sabio audacioso que, em parte, realisára um sonho de Julio Verne atravessando o espaço e chegando a um planeta desconhecido...
O feito apaixonára os estudiosos, os homens de ciências e até os prosaicos burguezes! Na verdade é merecedor de assombro e da curiosidade o homem que abandona a Terra, atravessa o espaço como um meteóro, chega a um outro planeta e, depois de tudo isto, ainda encontra coragem e energia para regressar heroicamente ao nosso triste «vale de lágrimas».
Quando Suvenine Boliface, depois da sua viagem maravilhosa, aterrou proximo de New-York sentiu-se tão infeliz com a imprevista celebridade que deliberou esquivar-se ás mais simples revelações. Os Reporters, com a audaciosa impertinencia profissional, afligiam-no de tal forma que resolveu fugir... Andou pelos vastos Estados Americanos mas, quando menos esperava, surgiu-lhe um Reporter implacavel, com o «Kodak», o lapis e o bloco, na ancia de colher elementos com que saciar a bisbilhotice internacional da Imprensa. [...]
O planeta a que me tinha levado o audacioso empreendimento era designado, pelos homens que o habitavam, por Zelstrufs.
Não tardou a que me certificasse de que ali, tal como na Terra, os homens eram identicos e nutriam os mesmos instintos, a mesma alma, as mesmas ambições... Aconteceria assim em todos os outros planetas que povoam o espaço?
Havia em Zelstrufs varios paizes e homens de raças diversas.
O Passaro Novo levou-me por felicidade para um dos paizes que mais contingentes déra ao progresso e á civilisação.
Uma especie de monarca governava o estado mas a sua acção nunca podia actuar beneficamente porque os organismos publicos e ainda mais os politicos dominados pela cegueira das democracias prejudicavam todos os planos e a boa vontade do Principe que só queria bem servir a Patria e assegurar ao seu Povo paz e prosperidade."
(Excerto do Romance) 
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
50€

17 outubro, 2026

CATÁLOGO ESPECIAL DE CACTOS E PLANTAS GORDAS -
Alfredo Moreira da Silva & Filhos. L.da.
Catálogo n.º 73 : Janeiro de 1940. Pôrto (Portugal), Alfredo Moreira da Silva & Filhos. L.da, 1940. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 32 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo botânico devotado às cactáceas - Cactos e Plantas Gordas - da empresa nortenha Alfredo Moreira da Silva & Filhos, verdadeira "bíblia" deste tipo de planta, da sua criação, dos cuidados a ter para a sua afirmação, bicharada nefasta à sobrevivência, etc.
Obra pioneira redigida em português, a primeira do género que se publicou entre nós. Inclui a "reportagem" da visita do Presidente da República - o Marechal Óscar Carmona, e família, - à exposição de cactos da empresa florista em Lisboa.
Livro muito ilustrado no texto com inúmeras fotografias dos mais variados tipos de cactos e respectivos preços.
"O Catálogo de Cactos e Plantas Gordas, que apresentamos aos nossos amigos, é, julgamos nós, o primeiro que se publica em português, e por isso mesmo bastante restrito, a-pesar-de comportar as variedades mais características e curiosas cultivadas nos nossos Estabelecimentos, com a sua origem, modo de viver e instruções de cultura adaptadas ao nosso meio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Os Cactos que crescem e vivem nas mais diversas condições, segundo as diferenças de clima e de altitude, e sabido que a sua dispersão  se estende pela América, do Canadá à Argentina passando pelo México, Brasil e outros Estados, temos de lhes procurar no nosso país condições para vegetarem o mais semelhante possível aos países da sua origem."
(Excerto de Notas sôbre a cultura dos Cactos)
A Alfredo Moreira da Silva & Filhos, Lda. é uma histórica empresa portuguesa dedicada à produção e ao comércio de plantas ornamentais, árvores, arbustos e floricultura, estabelecida no Porto em 1895 por Alfredo Moreira da Silva. Dedica-se à produção em larga escala de árvores ornamentais, arbustos, coníferas, trepadeiras e plantas herbáceas para projetos de paisagismo e espaços verdes. Conta com dezenas de hectares de viveiros de produção (incluindo áreas em Mira e Coimbra), sendo uma das maiores referências do setor na Península Ibérica. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos, dobras e pequena falha de papel no canto inferior direito.
Raro.
20€

16 outubro, 2026

COELHO, J. M. Latino -
VASCO DA GAMA.
Primeira Parte [Segunda Parte]. Por... Galeria de Varões Illustres de Portugal, N.º 2. Lisboa, David Corazzi - Editor : Empreza - Horas Romanticas, 1882. 2 vols in-8.º (19,5x13 cm) de [12], 282, [4] p. ; [1] f. il. ; (I) e [4], 371, [5] p. ; [1] mapa desdob. ; (II) ; E.
1.ª edição.
Obra biográfica de fôlego - em 2 volumes - sobre o grande navegador português e seus feitos. Na primeira parte o autor escreve sobre o contexto pré-Descobrimentos e consagra o estudo aos navegadores que precederam Vasco da Gama. 
Ensaio muito completo, ilustrado com o retrato de Vasco da Gama no volume I e um  mapa desdobrável com o caminho marítimo para a Índia no volume II.
"Quando as sombras da edade média começavam de tingir-se com os primeiros arreboes do Renascimento, duas inspirações e dois anceios agitavam o espírito europeu, já porventura fatigado da sua via interior e domestica, já pesago da multiforme e dilatada civilisação, que ao pleno despertar da intelligencia haveria de converter a velha Europa em luzeiro de toda a humanidade e em soberana região do globo inteiro. [...]
A Europa sente no XV seculo  que mais altos destinos, que os da vida quieta e remansada, a estão appelidando para novas e grandissimas emprezas. Não lhe podem já bastar á nervosa actividade as guerras interiores e as contenções domesticas sem fructo e sem valor. Pressente que uma nova transformação, vagamente suspeitada, é já agora necessaria ao seu viver. É do Norte que desponta, com a imprensa, a primeira e grandiosa innovação, o instrumento precioso de cultura intellectual. Pois, ao contrario, será das terras europêas do Meio-Dia e Occidente que ha de brotar e florescer outra rama não menos inesperada da civilisação universal. Descobre Guttemberg o apparelho, em que se corporifica e perpetúa o pensamento. Mas é em Portugal que hão de nascer as mais assombrosas maravilhas, que o prelo e os typpos moveis hão de escrever e recontar."
(Volume I - Excerto de I. O seculo XV)
"Desde as primeiras navegações nas costas africanas nos primeiros annos do XV seculo, até á viagem memoravel de Bartholomeu Dias, tinham sido perseverantes e continuos os esforços da gente portugueza para traçar no Oceano o caminho ás remotas regiões do Oriente.
A Boa Esperança, figurada no cabo, que se havia alfim dobrado, não foi enganosa, nem mentida. O rei, a cuja ambição de descobrir a India e o seu famoso Preste, se devia como estimulo  ousada navegação, - o maior feito naval dos portuguezes até áquelle tempo, - desejava seguramente continuar a empreza começada, e para isso havia já mandado cortar e apparelhar as madeiras necessarias para os navios, que haviam de proseguir alem do Cabo o auspicioso descobrimento. [...]
A Bartholomeu Dias, que já tinha visto o pouco hospitaleiro recebimento, com que o velho Adamastor dava as boas vindas aos que ousavam affrontal-o, mandou el-rei que tivesse a seu cuidado o acabar a feitura dos navios, que haveriam de ir á nova expedição. O anno de 96 passou-se nos apercebimentos da frota, que ficou para sempre memoravel. E no anno seguinte de 1497, no mez de janeiro, estando el-rei D. Manuel em Extremoz, segundo a narrativa de Damião de Goes ou em Montemór o Novo, conforme a narração de Barros, mandou chamar a Vasco da Gama e lhe deu o governo da expedição depois de algumas palavras..."
(Volume II - Excerto de I. O novo caminho da India)
José Maria Latino Coelho (1825-1891). "Nasceu em Lisboa, a 29 de novembro de 1825, e faleceu em Sintra, a 29 de agosto de 1891. Frequentou o curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, tendo sido promovido a alferes (1848), tenente (1851), coronel (1878), coronel (1878) e general de brigada do Estado Maior de engenharia (1888). Foi lente substituto de Mineralogia e Geologia na Escola Politécnica (1851); deputado (1854, 1857, 1860, 1862, entre outras) e candidato republicano (1889 e 1890); par do Reino e ministro da Marinha (julho de 1868 a agosto de 1869); integrou o diretório do Partido Republicano (1883; foi membro da comissão para a reforma da Academia das Belas Artes de Lisboa; escritor e jornalista, colaborou em diversos periódicos, tais como Revolução de Setembro (1849), A Revolução, A Emancipação, Revista Peninsular, Século e A Semana, por si fundado em 1851, e diretor do Diário de Lisboa (1859).
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio efetivo da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 18 de maio de 1855, tendo integrado a 3.ª Secção (Ciências Histórico-Naturais) e sido secretário entre 1856 e 1891, bem como secretário da classe, cujo cargo exercera durante o mesmo período."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/15)
Encadernações em tela com ferros gravados a seco e a ouro nas lombadas. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. Ocasionais manchas de oxidação no interior.
Muito invulgar.
45€

15 outubro, 2026

BRAGA, General José da Silva -
INVASÕES ALLEMÃES E ANTECENTES HISTORICOS.
Pelo... A Grande Guerra Universal de 1914 á 1918. Rio de Janeiro, P. Briguiet & Cia : Paris, L. Jablonski & Fils, 1922. In-8.º (18,5x12 cm) de [2], XVII, [1], 238, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Visão da Grande Guerra pouco tempo após o cessar das hostilidades. O autor, militar de carreira, analisa com detalhe o panorama geopolítico, as estratégias e as invasões que desencadearam a Primeira Guerra Mundial, o desenrolar do conflito e suas consequências.
"O mundo inteiro assistio, sob as dolorosas impressões dos maiores terrores imaginaveis, a mais terrivel guerra que a humanidade terá de consignar na sua historia, como se fosse um cataclisma universal, que, convulsionando a terra, abalou os mais profundos alicerces das melhores organisações sociaes, destruindo outras que existiam em situações instaveis!...
Os solos das diversas nações principaes, foram transformados em verdadeiros campos de batalha, onde se chocaram  grandes massas humanas em sangrento furor, se alinhando nessa pavorosa cruzada, de um lado, as ambições de dominio, de uma raça orgulhosa, concretisadas na pessõa de um chefe, que dirigia de facto, um grande partido militarista, o qual conservava ainda, em seus habitos hereditarios, os resaibos das remotas eras; de outro lado, os povos civilisados que se bateram gloriosamente, reagindo contra essas mesmas ambições, revestidas de caracter vandalico, em uma época que não mais comportava a acção conquistadora dos tempos passados, principalmente porque, áquelles, deviam antes considerar, os que lhes proporcionaram a assimilação da grande cultura e consequente progresso, que apresentaram, depois de 15 seculos de evolução, a partir de Clovis!... [...]
Foi assim, que a Allemanha, conduzida pelo pensamento Prussiano, acastellada no seu orgulho militar, procurando tragar o universo, sem medir as consequencias dos crimes que commeteu, rompendo tratados como se fossem farrapos de papel (papiers Chiffonnés), lançando seu desafio num gesto audacioso ás nações civilisadas, depois do crime de Serajewo, infundindo o terror sem respeitar as leis convencionaes da guerra moderna, viu cahir por terra todos os seus gigantescos castellos de conquistas, para se abater deante da espada da justiça brandida pelos Alliados, tendo como principal baluarte a França, e a Inglaterra com seu formidavel bloqueio naval!..."
(Excerto do Prefacio)
Indice das materias:
Primeira Parte: Prefacio | I - O Kaiser. II - A Declaração de Guerra e seus principaes Antecedentes Diplomaticos. III - Sobre a Austria, etc. III bis - A Guerra. IV - A Capitulação. V - Conferencia de Paz.
Segunda Parte: I - Antecedentes Allemães. II - A Russia Bolchevista. III - Augusto Comte. IV - Conclusão.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade visível na contracapa e derradeiras páginas do livro junto ao festo.
Raro.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

14 outubro, 2026

BOCAGE, Manoel Maria de Barbosa du -
RIMAS, DEDICADAS Á AMIZADE.
De... Tomo II. Terceira Edição, correcta pelo Author. LISBOA. M. DCCC. XIII. Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira. Com licença da Meza do Desembargo do Paço. Vende-se na mesma Officina na Calçada Salitre Nº 84. In-8.º (14x9,5 cm) de [10, 368, [2] p. ; E.
Segundo volume das Rimas dedicado à amizade, no qual o Bocage agradece a todos aqueles que contribuíram para aliviar as suas angústias, especialmente nos momentos de maior adversidade, quando doente ou em reclusão. Nestes versos, Bocage afasta-se da matiz estritamente satírica ou erótica e dirige-se aos amigos que o apoiaram nos momentos de maior dificuldade..
"A Maior parte das Poesias que publico, foi recobrada com a memoria em casa do meu officioso Amigo José Salinas de Benavides, huma das pessoas mais benemeritas, e qualificadas de Santarem, onde me avisárão de que, affectada a minha letra por algum de muitos malévolos, que, á maneira de lobos, matão ás vezes o que não hão de comer, ou, deixando figuras, por algum dos que prejudicão sem utilizar-se, fôra em meu nome extrahida aos depositario dos meus bens poeticos a caixa, em que jazião, com os trastes proporcionados á minha profissão, e hum tanto peores, que os versos. Temendo a perda do que, para mim ao menos, era prcioso, examinei o livro interior, que me não pódem roubar, e com effeito copiei delle tudo o que dou á luz não relativo a hum desastre tão impensado, como penoso, que me sobreveio depois, e occasionou as producções, em que o chóro.
Leitor intelligente, verdadeiro Crítico (e não a chusma de Zoilos, que usa infestar a República literaria, e crê que a mordacidade suppre o talento) o Sábio imparcial (em que só me louvo) talvez não desdenhe estas novas Rimas... [...]
Poderáõ os Zoilos abocanhar a m inha Musa, mas serão obrigados a reconhecer a minha gratidão na Epistola dedicatoria, que dirijo ao extremoso Amigo, cuja beneficiencia me adoçou o infortunio, e deo a saber que o seculo do Egoismo ainda soffre excepções proveitosas aos infelices."
(Excerto de Ao Leitor)

"Vós, que de meus extremos sois a historia,
Versos, por negro zoilo em vão roubados,
Nascidos da Ternura, e restaurados
Co’ promto auxilio de fiel memoria:

Da Inveja conseguindo alta victoria,
Ide, meus Versos, em Amor fiados,
Que delle só dependem vossos Fados,
Que nelle só demando a minha gloria:

Não vos importe o público juizo;
Da Voz que pelo Mundo se derrama,
Os vivas caprichosos não preciso.

Voai aos olhos, cuja luz me inflamma;
Tereis de Anarda approvador sorriso;
Hum sorriso de Anarda he mais que a Fama.
"

(Soneto I.)

Manuel Maria Barbosa du Bocage (Setúbal, 1765 - Lisboa, 1805). " Foi o maior poeta português do século XVIII, que se irmana com Camões no destino do estro e nas desventuras de uma existência repartida entre Portugal e a Índia. Manuel Maria l' Hedois de Barbosa du Bocage – de seu nome completo – era filho de um advogado e de uma senhora francesa de ascendência normanda. Orfão de mãe desde os dez anos, assentou praça em Setúbal em 1781, tendo-se alistado dois anos depois na recém-fundada Academia dos Guardas-Marinhas, em Lisboa. Conheceu então a boémia lisboeta, os botequins, o Nicola, onde o seu génio poético se afirmou no improviso e lhe ganhou aplausos. Subitamente, ao fim de dez meses de frequência do curso, Bocage abandonou os estudos, sendo dado como desertor em 6 de Junho de 1784. Nomeado guarda-marinha, partiu para a Índia a 4 de Abril de 1786, fazendo escala no Rio de Janeiro, tendo chegado a Goa a 20 de Outubro. A sua estada na Índia foi por ele comparada ao exílio de Ovídio entre os Getas – os «bárbaros» indianos que o rodeavam. Promovido ao posto de tenente, foi destacado em Damão, mas só aí permaneceu dois dias, 7 a 8 de Abril de 1789, refugiando-se em Macau de onde viajou para Lisboa, em 1790. No seu regresso, Bocage aderiu à Nova Arcádia, onde assumiu o pseudónimo literário de Elmano Sadino. Em 10 de Agosto de 1797 foi preso por ordem do intendente Pina Manique, acusado de ser «autor de papéis ímpios e sediciosos». A peça principal do auto de acusação era o poema Pavorosa Ilusão da Eternidade. A 7 de Novembro do mesmo ano foi transferido para os cárceres da Inquisição, daí seguindo, a 22 de Março de 1798, para o Hospício de Nossa Senhora das Necessidades, dirigida pelos padres do Oratório.
Toda a poesia de Bocage se nutre das suas vicissitudes biográficas. O amor e o erotismo, o ódio e a raiva das ofensas sofridas ou imaginadas, vibram nos seus versos com a intensidade do excesso, que a forma apurada e o rigor verbal dominam, tornando mais impressionante o seu efeito estético. O poeta cultiva com igual desenvoltura todos os géneros, desde o soneto de fina conceituação petrarquista ao verso fescenino, servindo-se ainda dos códigos de um discurso classicizante, onde prorrompe já um vigoroso individualismo em revolta com as normas e os tabus da sociedade vigente. A atitude do poeta contra a tirania e o despotismo não implica, no entanto, a aceitação do radicalismo da Revolução Francesa, a que se opõe, nem a via do libertino, que o seduziu, esmoreceu nele as suas crenças e convicções de católico. Bocage foi um ser contraditório, que soube viver intensamente na sua poesia as suas contradições existenciais. O seu fascínio pela morte e a expressão da sua extrema emotividade fazem dele um precursor do Romantismo, cujos desbordamentos evitou no apego à contenção clássica, impondo-se como um artífice do verso, o chamado elmanismo, que tanto atrairá os parnasianos portugueses e brasileiros."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?autorid=7375)
Encadernação coeva em pele.
Exemplar em razoável estado de conservação. Cansado. Pastas e lombada apresentam falhas no revestimento. F. rosto com pequeno orifício ao centro. Aparado à cabeça.
Raro.
15€

13 outubro, 2026

CRUZ, Rev.do Pe. -
EXERCICIO DA VIA SACRA.
Usado pelo... [Lisboa], Escolas Prof. Oficinas de S. José, 1932. In-8.º (12x8 cm) de 12 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Opúsculo com interesse para a bibliografia do Padre Cruz, religioso jesuíta português natural de Alcochete, conhecido pela sua fama de santidade e dedicação à causa dos presos, doentes e desvalidos.
Livrinho invulgar e muito interessante, não mencionado na BNP.
"Senhor meu Jesus Cristo, Amor do meu Coração, suplico-Vos encarecidamente pelas cinco Chagas que Vosso Amor para connôsco Vos fêz na Cruz, socorrei os vossos servos que remistes com o preço do vosso Sangue. Ajudai-me a fazer êste piedoso exercício da Via Sacra que seja para vossa glória, proveito da minha alma, conversão dos pecadores, perseverança dos justos e alívio das almas do Purgatório.
Almas benditas! Eu peço por vós e vós pedi por mim, para que faça êste exercício tão santamente, que possa ganhar muitas indulgências plenárias em Vosso favor, e meu proveito espiritual."
(Oferecimento)
Francisco Rodrigues da Cruz (1859-1948). "Popularmente conhecido como padre Cruz, era natural da vila de Alcochete, onde nasceu em 29 de julho de 1859. Apesar da frágil saúde que o acompanhou desde cedo, e ao longo da sua vida, o padre Cruz concluiu os estudos secundários e seguiu para Coimbra, onde se formou em Teologia na Universidade de Coimbra em 1880, sendo ordenado sacerdote em 1882. Entrou para a Companhia de Jesus em 3 de dezembro de 1940. A característica dominante de toda a ação sacerdotal do padre Cruz foi o apostolado, uma vida de peregrinação, de norte a sul do país, Açores e Madeira, tendo sido também peregrino de Fátima. Em 1913, deu a primeira comunhão à vidente de Fátima Lúcia, depois de um pároco se ter negado a fazê-lo. Morreu aos 89 anos, em 1 de outubro de 1948, e foi sepultado no jazigo dos jesuítas no cemitério de Benfica, em Lisboa."
(Fonte: https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/de-rapaz-fragil-a-santo-do-povo-esta-e-a-historia-do-padre-cruz)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

12 outubro, 2026

OS BRASILEIROS ENTRAM EM AÇÃO (DOCUMENTÁRIO) -
Coleção "O Brasil na Guerra"
. Rio de Janeiro, Departamento de Imprensa e Propaganda, 1944. In-8.º (19,5x13 cm) de 126, [2] p. ; [16] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante documento coevo sobre a participação do corpo expedicionário brasileiro em Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.
Obra com interesse histórico e militar, publicado durante o conflito.
Ilustrada em separado com 16 fotografias impressas sobre papel couché.
"Com as Fôrças Expedicionárias Brasileiras no Norte da Itália, 22 (Por Sid Feder, da A. P.) - As tropas brasileiras romperam caminho através das fortificações externas da Linha Gótica, em meio a algumas das mais altas colinas da região ocidental dos Apeninos, depois de um avanço de mais de 11 quilômetros, conseguido desde que entraram em fogo.
Houve encontros de patrulhas, que resultaram em curtos e duros combates.
Os brasileiros perseguiram o inimigo, que se achava em retirada pelas montanhas, e não cessaram essa perseguição, embora sob a acção esporádica dos morteiros e do fogo de metralhadoras.
Avançando sôbre um pico de cêrca de 1.300 metros de altura (cujo nome não pode ser citado), os brasileiros enfrentaram com denodo um intenso fogo de barragem, de morteiros, num encontro de patrulhas, às últimas horas de ontem.
Os brasileiros responderam bravamente com suas próprias baterias de morteiros, com uma eficiência notavel, que causou grandes perdas no inimigo. [...]
Numa arrancada atrevida, através das nuvens que encobriam os picos do setor em que atuavam, dentro da ofensiva geral do 5.º Exército, em seu flanco esquerdo, os brasileiros fizeram, oito prisioneiros nazis, que vieram acrescentar o número já elevado do 5.º Exército. Coube ao soldado Wilson Abdala Maluf, de Curitiba, aprisionar o primeiro dêles, a pistola, depois de surpreendê-lo, pela madrugada, escondido e a sós numa casamata.
- "Saltei sôbre êle - disse Maluf - depois de me aproximar por dentro das motas próximas. Antes que êle visse o que se passava, minha pistola estava apontada para êle. Só lhe dei tempo para erguer um lenço branco, como sinal de rendição".
Ao longo das operações de que têm participado, os expedicionários brasileiros capturaram as cidades de Quiesa , Monte Magno e Camaiore, em sua avançada sôbre as fotalezas da Linha Gótica."
(Excerto de Detalhes da acção dos brasileiros na frente italiana)
Encadernação em tela com ferros gravados a outro na pasta anterior. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

11 outubro, 2026

ALMEIDA, Eduardo d' -
ALMAS DO PURGATÓRIO
. Guimarães, Editores Cunha & Lemos (Tabacaria e Papelaria Lemos) - Compôsto e impresso na Tipografia Minerva Vimaranense de Antonio Luiz da Silva Dantas, 1920. In-8.º (21,5x14 cm) de [14], 256, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Junto com:
ALMEIDA, Eduardo d' - DISCURSOS. Guimarães, Editores Cunha & Lemos (Tabacaria e Papelaria Lemos) - Compôsto e impresso na Tipografia Minerva Vimaranense de Antonio Luiz da Silva Dantas, 1921. In-8.º (21,5x14 cm) de [10], 274, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Duas obras de Eduardo de Almeida, ilustre causídico, proprietário e homem da cultura de Guimarães, encadernadas num único tomo. O primeiro volume - Almas do Purgatório - é um conjunto de contos, dois de alguma dimensão; o segundo - Discursos - reproduz as suas intervenções de maior relevo até 1921.
O título Discursos encontra-se autografado pelo autor com dedicatória a António do Amaral.
"Acordo queimado de febre, a estranha sensação do côrpo rechinando num lençol de suor frio, ainda na convulsa epilepsia dum mau pesadêlo.
Falta-me o ar. A muito custo, fazendo estalar os ossos empedernidos, busco uma caixa de fósforos, com mão nervosa, pesada, e, se já me arripia o contacto metálico do relógio, ao tocar os dêdos formiguentos no mármore da cabeceira, a descarga duma faísca electrica atravessa-me, deslumbradôra como fôgo de santelmo.
Vejo, olhos abertos na escuridão abafada do quarto, destacando-se de brancura escultural, as ultimas imagens do sonho - a deusa da Morte, na cinica e vulgar figura de Parca, (como a dum conhecido moimento do cemitério da Atouguia) mitológica e ausente, cortando-me o fio da vida; e, logo, sôbre o meu próprio cadaver amortalhado no hábito de irmão franciscano, o coveiro atira, em burocráticos movimentos indiferentes, grossa pàsádas de lama...
Na sacudida tenacidade do desejo, com a ância de acordar, a alucinação esvai-se; só, por largo tempo, erguidas ao meio do quarto, com violência luminosa de fotosfera, as mãos da estatua funerária não desarmam o gesto - e é dento do meu peito que êle se reflecte como se, na verdade, as tesoiras de aço me desfibrassem as raízes do coração.
Assusta-me o silêncio. [...]
Penso em chamar um criado. - mas envergonha-me a alarmante cobardia -; em sair, errar ao acaso, a ver se topo o sinal duma outra vida, que me dê reconfortadôra impressão de ser um facto a minha própria vida."
(Excerto de Agonia de amor)
Eduardo Manuel de Almeida Júnior (1884-1958). "Nasceu no dia 3 de Fevereiro de 1884, numa casa na rua de S. Dâmaso, em Guimarães. O seu pai, de quem tomou o nome, era um destacado homem de negócios. Estudou no Colégio de S. Dâmaso, que então funcionava no antigo Convento da Costa, onde completou o ensino secundário. Partiu para Coimbra em 1900, com o mesmo destino da maioria dos filhos da burguesia da terra que prosseguiam estudos superiores, inscrevendo-se na Faculdade de Direito da Universidade, cujo curso completaria em 1905, aos 21 anos.
Concluído o curso, regressa a Guimarães, onde se faz advogado, onde cedo consolidaria a sua fama de causídico competente e eloquente, com o um memorável tirocínio num caso particularmente difícil, em que assumiu a defesa de Antónia de Macedo, a Tiça, mulher do povo acusada da prática de triplo infanticídio e que, lida a sentença, acabaria absolvida.
Eduardo de Almeida foi, antes do mais, um homem de letras. Publicou o seu primeiro romance, A Lama, em 1905, ainda em Coimbra, um manifesto dirigido contra a sociedade decadente e desigual, onde proliferava a miséria, com uma clara influência da obra de Émile Zola. Desde muito jovem, colabora em inúmeras publicações periódicas, por onde irá dispersar incontáveis textos dedicados aos mais variados assuntos. O seu primeiro artigo na Revista de Guimarães foi publicado em 1906.
Eduardo de Almeida destacou-se como escritor, de grande mérito, sendo autor de uma obra que vai da ficção (publicou um romance e quatro volumes de novelas) aos estudos jurídicos e sociológicos. Quando assumiu a Direcção da Sociedade Martins Sarmento e da Revista de Guimarães, deu início às suas investigações históricas, publicando uma notável série de estudos dedicados à história de Guimarães."
(Fonte: https://pedraformosa.blogspot.com/2008/01/no-cinquentenrio-da-morte-de-eduardo-de.html)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a seco e a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado.
Raro.
30€

10 outubro, 2026

MONTEIRO, José de Sousa - SANTO ANTONIO DE LISBOA.
Estudo de Historia e Critica. Por... Socio effectivo da Academia Real das Sciencias. Lisboa, Imprensa Nacional, 1895. In-4.º (25x15 cm) de 125, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica comemorativa do sétimo centenário natalício de Santo António de Lisboa.
Ilustrada com o retrato do Santo com o Menino, reprodução do quadro de Murillo (parte central) existente no museu de Berlim. Gravura de M. Diogo Netto.
"Ha pouco dizia a Don Locatelli de Padua o Pontifice que gloriosamente preside na Igreja universal: «Importa amar muito a Santo Antonio e procurar que os outros o amem. Santo Antonio não é só de Padua, é do universo inteiro». Tem este livro, de mais ambições que paginas, o expressivo proposito de fixar com a exacção possivel algumas das feições do engenho e da alma do grande portuguez."
(Excerto da Introdução)
José de Sousa Monteiro (1846-1909). "Nasceu na Praia (Cabo Verde) a 20 de agosto de 1846 e faleceu em Lisboa a 12 de outubro de 1909. Em Lisboa obteve o Curso Superior de Letras e o de Diplomacia. Foi diplomata, jornalista, escritor, deputado (1879-1882) e diretor-geral do Ministério das Finanças.
Pertenceu ao Instituto de Coimbra, foi comendador de Carlos III de Espanha e comendador de Leopoldo da Bélgica e recebeu ainda a Grã-Cruz da Ordem de Santiago.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 5 de junho de 1884 e efetivo a 25 de junho de 1891. Desempenhou nesta Academia os cargos de Vice-Secretário (1896), Secretário-Geral (?-1909) e Presidente da Classe de Letras (1909)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20134)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€

09 outubro, 2026

BARROSO, P.ᵉ Domingos - O PERGIGUEIRO PORTUGUÊS.
2.ª edição revista e aumentada
. Porto, Gazeta das Aldeias, 1962. In-8.º (19,5x14 cm) de 174, [4] p. ; [1+32] f. il. ; B.
Monografia sobre o Perdigueiro Português, uma das mais apreciadas, completas e emblemáticas obras de canicultura que sobre a raça se publicou entre nós. Trata-se da segunda edição, preferível à primeira porque mais aumentada em texto e gravuras.
Ilustrada em separado com o retrato do autor + 32 estampas reproduzindo desenhos e fotografias de magníficos exemplares da raça.
"A Paleontologia prova-nos que o cão existe sobre a terra pelo menos desde o tempo em que sobre a mesma terra existe o homem.
Mais: - que, já nas recuadas épocas da Pré-história, havia diferentes raças de cães, possìvelmente também com diversas utilizações.
Mas, donde nos veio ele ou, se alguém o prefere, donde nos vieram elas?
As opiniões dividem-se. Uns dizem-no oriundo do lobo."
(Excerto do Cap. I - A origem do cão)
"Quando nasceu o perdigueiro?...
Perguntar não custa muito. O responder é que às vezes tem as suas dificuldades. [...]
A acção do cão, na caça das aves como em qualquer outra, tem forçosamente que ser modelada por e para os nossos meios de ataque.
E o primeiro de todos os meios de ataque à disposição do homem que a nós, europeus, parece exigir um perdigueiro foi, com certeza, a altanaria. Podia, por isso, muito bem ter nascido com ela. A asa e a garra dos voláteis de presa são o complemento natural do olfacto do cão."
(Excerto do Cap. II - Se o cão foi logo o perdigueiro)

Índice: Uma conversa em família. | I - A origem do cão. II - Se o cão foi logo o perdigueiro. III - Se o perdigueiro nasceu na Ásia. IV - De quando e onde nasceu o perdigueiro. V - Da facilidade de certas transmutações. VI - De como o sabujo se porta na berlinda. VII - Em que o cão de água nos dá um ar da sua graça. VIII - De um fidalgo cem por cento, que não tem a certeza quem seja seu pai. IX - De um pobre de Cristo caído nas bocas do mundo e das queixas que o mundo alega. X - Em que se encontra um cavalheiro de nome podengo. XI - Em que o leitor pode descansar um bocadinho, a ver a paisagem. XII - Em que o podengo encarrilha, definitivamente, no caminho do perdigueiro. XIII - De uma pergunta, encontrada à ventaneira... XIV - ... e uma resposta pelo sistema de conta-gotas. XV - Duma boa cara e dum bom coração... XVI - Enfim, o nosso perdigueiro! XVII - Uma silhueta que se recomenda. XVIII - Aromas e cabeças. XIX - Cabeças e aromas. XX - Uma conformação robusta. XXI - Semelhanças ou diferenças? XXII - Esperteza e instinto. XXIII - Sua humildade e mais partes. XXIV - Da sua precocidade. XXV - Do ensino a dar-se-lhes. XXVI - Degenerescência ou falta de cuidado? XXVII - Cruzamentos estranhos. XXVIII - A origem do pointer. XXIX - O que há a fazer?
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas com pequenos defeitos.
Muito invulgar.
35€