VASCONCELLOS, Henrique de - FLIRTS. Lisboa, Ferreira & Oliveira, L.da, 1905. In-8.º (19x12 cm) de 240, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos originais, escritos em prosa rica e sensual, versando todos eles o amor descomprometido, o flirt, sendo alguns de índole histórica, do "tempo presente" e do domínio do fantástico. Trata-se da terceira (e última) obra em prosa do autor. Antes disso publicou A mentira vital (1896) e Contos novos (1903).
1.ª edição.
Conjunto de contos originais, escritos em prosa rica e sensual, versando todos eles o amor descomprometido, o flirt, sendo alguns de índole histórica, do "tempo presente" e do domínio do fantástico. Trata-se da terceira (e última) obra em prosa do autor. Antes disso publicou A mentira vital (1896) e Contos novos (1903).
"Balkis esperava. Entre as sumptuosidades do seu palacio de Mareb, a Rainha vivia, solitaria, escondida, só com a sua belleza.
Em vão os povos e os senhores, ouvindo fallar da immaculada formosura acorriam dos remotos reinos onde a sua lei governava, Sabá, Mareb e Yemen, e, defronte do palacio immenso e fechado, pediam para vêr a deslumbrante adolescente. Em vão os sacerdotes quizeram vêr os olhos puros. Ninguem o conseguiu.
Em vão os povos e os senhores, ouvindo fallar da immaculada formosura acorriam dos remotos reinos onde a sua lei governava, Sabá, Mareb e Yemen, e, defronte do palacio immenso e fechado, pediam para vêr a deslumbrante adolescente. Em vão os sacerdotes quizeram vêr os olhos puros. Ninguem o conseguiu.
Apenas uma velha ama a vira nua, quando menina. Era como um lirio o seu corpo.
Sete aposentos eram os da Rainha. E cada uma das sete portas uma chave d'oiro fechava. E no ultimo a rainha vivia. Grandes espelhos de cobre mandavam-se uns aos outros, como écos, a imagem quasi divina. E Balkis, apenas vestida de joias, passava os dias na contemplação dos intactos esplendores da sua adolescencia."
(Excerto de A Rainha de Sabá)
(Excerto de A Rainha de Sabá)
"Na tarde de agosto quente, fugira de Barcelona para a escalavrada montanha que a fanfarronada hespanhola bátisou Tibidabo, o sitio da Judeia onde Satan prometeu a Christo as grandezas do Mundo e os fulgores do Peccado. [...]
Sob o toldo do restaurante deserto me acolhi, a sentir a brisa preguiçosa. [...]
Longo tempo ali estive. Sonhei? Foi real? Não sei.
Um mancebo pallido e triste abeirou-se de mim:
- Vês a noite a cair? D'aqui a pouco as ruas vão brilhar do fremito luminoso dos desejos das multidões. A cubiça e a luxuria porão brazas nas almas que incendiarãos os olhos. As mulheres mostrarão nos bailes e nos theatros o maculado esplendor dos seios perfumados. Nos mostradores das lojas, é luz das lampadas electricas, as joias farão percorrer nas mãos desejos de roubo. A besta ergue-se - olha como se ilumina a cidade! Vês um clarão que nasce, sobre e se per no Ceu? Julgas que é dos candieiros? Não, é das almas! é toda debruada de vermelho como as chamas dos incendios. Como é bella a cidade quando é culpada!
Voltei-me para o mancebo, tranquilamente. Vi que era o Diabo. Não que tivesse chifres ou cheirasse a enxofre, mas pela belleza triste, de quem conhece tudo. [...)
Não lhe respondi... N'um fogacho violaceo, o sol apagára-se no mar. Era tudo cinzento. Pelos canaes das ruas, por entre as arvores, n'uma sombra mais densa, cintillavam os bicos e os mostradores das lojas.
O Diabo continuou:
- Quero a tua alma..."
(Excerto de Tibidabo)
Indice:
A escóla de Flirt | Flirts | Logica | A Bisantina | Má lingua | A Rainha de Sabá | Chiara Liliam | A Marcia | O cego | A gloria | A festa de maio | Tibidabo | A princeza perdida | Noite de festa | Clara | Idilio triste | Perfil d'aventureiro | Fumo.
Exemplar em bom estado de conservação.
Ex-libris dos Condes do Bonfim no verso da capa frontal.
Raro.
45€
A escóla de Flirt | Flirts | Logica | A Bisantina | Má lingua | A Rainha de Sabá | Chiara Liliam | A Marcia | O cego | A gloria | A festa de maio | Tibidabo | A princeza perdida | Noite de festa | Clara | Idilio triste | Perfil d'aventureiro | Fumo.
Henrique de Vasconcelos
(São Filipe, Cabo Verde, 1876 - Lisboa, 1924). "Diplomata, político,
jornalista e escritor português, colaborador e amigo de Afonso Costa,
deputado em várias legislaturas da Primeira República Portuguesa. Poeta
decadentista, autor da Missa negra, foi Director Geral do Ministério dos
Negócios Estrangeiros e um importante bibliófilo, detentor de uma vasta
biblioteca.
Foi Director Geral do Ministério dos
Negócios Estrangeiros e um importante bibliófilo, detentor de uma vasta
biblioteca.
Cabo-verdiano
de nascimento, radicou-se cedo em Lisboa,
desfrutando de prestígio literário em Portugal. Licenciou-se em Direito,
pela Universidade de Coimbra, e foi Director–Geral do Ministério dos
Negócios Estrangeiros. Representou Portugal em legações e missões
diplomáticas em vários países.
Com uma obra de temática
europeia, foi autor, entre outras, das seguintes obras: Flores cinzentas, poesia (Coimbra, 1893); Os esotéricos, poesia (Lisboa, 1894); A Harpa de Vanádio, poesia (Coimbra, 1894); Amor Perfeito, poesia (Lisboa, 1895); A mentira vital, contos (Coimbra, 1897); Contos novos, contos (Lisboa, 1903); Flirts, contos (Lisboa, 1905); Circe, poesia (Coimbra, 1908); e Sangue das rosas, poesia (Lisboa, 1912). Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas O Branco e Negro (1899), Ave Azul (1899-1900), Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911) e Atlântida (1915-1920)."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.Exemplar em bom estado de conservação.
Ex-libris dos Condes do Bonfim no verso da capa frontal.
Raro.
45€






























