BRAVO, Henrique - DESFAZENDO ACCUSAÇÕES (Em legitima defeza) - BIOGRAFIA - AUTOPSIA D'UM PRYNETTI (CANDIDO DE VITERBO), TIPORIO DE ESTOFO AVARIADISSIMO. Trancoso, Typ. da «Folha», 1918. In-8.º (22,5x15 cm) de 154, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica trancosense em "duas partes", entre o autor - Henrique Bravo - e o recém-empossado Governador Civil da Guarda - o dr. Cândido Viterbo - figura antipática ao autor, com quem anteriormente já tivera desentendimentos.
Obra rara, publicada na sequência do golpe liderado por Sidónio Pais, relacionada com as nomeações políticas e ódios antigos locais.
"Duas palavras, simplesmente.
Nas paginas que vão seguir-se, dois assumptos differentes são tratados, numa linguagem clara, explicita e breve.
Um unico interesse me levou a coordenar, este opusculo: defender-me, com documentos comprovativos, e accusar, quem não tem direito á mais insignificante parcella de consideração e que, mentindo, quiz e quer enxovalhar-me sómente pelo prazer de diffamar, o que é qualidade inata das almas mesquinhas, vistas através de todos os prismas, por onde os encaremos.
Vão correr mundo, as minhas palavras, que offereço aos Homens honestos, para d'ellas tirarem imparcialmente, as conclusões a que possa chegar: Á Magistratura Portugueza, para que elle saiba e conheça o valor real d'um pseudo-magistrado e A meu filho, que ha mais d'um ano está na Flandres, na zona da guerra para que ninguem, em tempo algum, possa atirar-lhe, com razão e auctoridade, o meu nome, com intuitos reservados de o magoar, enxovalhar ou fazer còrar.
Leitor!
A sua attenção, pois, para o desenrolar d'esta fita, e quando passar á segunda parte, adopte, como medida prophilatica o Creosol, porque a autopsia d'um cadaver em putrefacção, é sempre nociva á saude publica e no caso presente, á moral, aos bons costumes e á sociedade.
Cautella, pois"
(Preâmbulo - Ao leitor)
"Quando a Trancoso, chegaram os primeiros rebates, ainda imprecisos, do movimento de cinco de dezembro, encontrava-me investido nas funcções de administrador d'este concelho, para satisfazer ao pedido que n'esse sentido me havia feito, o então governador civil do districto, e meu particular amigo sr. dr. Vasco Borges.
Devo dizer, que essa situação official, em nada abalou a minha independencia politica... [...]
A ninguem era licito duvidar da minha independencia politica, a não ser alguma creatura mal intencionada, e que sem provas concretas, malevolamente propalasse o contrario; embora os meus actos officiaes, absolutamente viessem provar e conffirmar a minha independencia politica.
Como a revolução triumfasse, e os meus serviços officiaes já não tivessem razão de existir, sollicitei telegraphicamente a minha exoneração de administrador d'este concelho, o que foi acceite, mandando-me entregar a administração ao senhor Presidente da Commissão Executiva da Camara Municipal, ao tempo representada pelo sr. Joaquim Antonio Ferreira, d'esta villa, o que fiz immediatamente. Decorridas vinte quatro horas, depois d'este meu gesto, fui informado, com grande surpreza minha, que operarios, artistas, comerciantes e populares, representando as forças vivas da villa, haviam imposto ao sr. Joaquim Ferreira, que accumulava as funcções de Presidente da Camara com as de administrador do concelho, o meu nome, para novamente assumir as funcções administrativas, de que voluntariamente me havia exonerado ha pouco mais de um dia."
(Excerto de Recapitulando factos)
Henrique Bravo. Conhecida figura local no início do século XX. Exerceu o cargo de administrador do concelho de Trancoso e foi uma figura de relevo na região. Destacou-se não só pela sua influência político-administrativa na transição da Monarquia para a República, mas também como jornalista e correspondente, sendo a principal "voz" local da imprensa. Era proprietário e diretor d'A Folha de Trancoso. Através deste jornal, publicava crónicas de costumes regionais, almanaques locais e fazia a cobertura das dinâmicas políticas e sociais da Beira Interior. O seu nome ficou também ligado à produção intelectual sobre infraestruturas, tendo sido autor de teses reconhecidas a nível nacional sobre a coordenação de transportes em Portugal, área na qual deixou contributos editados nas primeiras décadas do século XX. (IA)
Cândido Pedro Viterbo (1870-1946). Foi um advogado, magistrado do Ministério Público, compositor e guitarrista português, amplamente reconhecido pela sua actividade política e pelo seu envolvimento na tradição do Fado de Coimbra. Estudou e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Exerceu o cargo de Governador Civil do Distrito da Guarda durante a República de Sidónio Pais, entre 13 de dezembro de 1917 e 13 de abril de 1918. Casou com a filha do Dr. Francisco da Silva Fonseca (médico, deputado e também antigo governador civil), fixando fortes laços familiares e patrimoniais com o concelho de Trancoso, onde existe hoje uma praceta com o seu nome. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Preso por agrafes, sem capas e lombada (de origem?), sendo o papel de fraca qualidade.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
25€




























