COSTA (Aldão), Francisco Martins da - UM SERÃO DE OUTROS TEMPOS. Braga, Ofic. Gráf. da «Pax», 1933. In-8.º (20x13 cm) de 21, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Peça patriótica, cuja acção decorre em vésperas da Restauração da Independência. Trata-se de um opúsculo de pequena tiragem que reflete o interesse precoce do jovem vimaranense - senhor da Casa de Aldão - então com cerca de 18 anos - pela história e tradições ancestrais.
Obra dedicada "Á Memória do Senhor Rei Dom Manuel II, verdadeiro português de antanho, que, em terras de exílio, escutou sempre a Voz da Terra e do Sangue".
Ilustrada com um retrato do autor em folha separada do texto.
"Este "Serão" escreveu-o Francisco Martins da Costa (Aldão), quando era escolar do VII ano de Letras, que, tendo nascido no Solar da Raça, cêdo escutou a voz da Terra, do Sangue e da Raça, de que estas páginas são um éco apagado. Guimarães, Casa de Aldão. - Novembro de 1933"
(Impresso na folha que precede a peça)
"D. Duarte, (de pé, aproximando-se do fogão)
Fria noite esta! Noite de silêncio... (Encaminha-se para a janela) Além, junto do cruzeiro, a luz votiva mal tremula. (Sentando-se) Á tarde, antes do sol tombar para as bandas do mar, fui sentar-me no velho banco em que, muitas vezes, meu pai se sentou para me ver adestrar no jogo das armas. E... comecei então a escutar a voz do sangue... (Ligeira pausa).
D. João
E que vos disse êle?
D. Duarte
O que quási não sei já dizêr-vos. Vibrava no ritmo do meu sangue a Esperança. Bem-aventurados aquêles que esperam o aparecimento da Bôa Estrêla nesta noite de profunda cerração. (Indicando a panóplia que se vê ao fundo). Só Deus sabe se aquela espada que além vêdes voltará a erguer-se... Se as gloriosas armas dos Almadas se tornarão a cobrir de glória..."
D. João
Que Deus vos oiça."
(Scena I)
Francisco Rodrigues Martins da Costa (Aldão) (1915-1992). Foi uma figura cultural proeminente e cidadão de relevo em Guimarães, profundamente ligado à preservação do património e à vida intelectual da cidade. Integrou a Comissão Municipal de Arte e Arqueologia de Guimarães (numa tentativa de reativar a antiga Comissão de Estética), trabalhando ao lado de outros nomes ilustres da região como o arquiteto José António Martins Sequeira Braga e o coronel Mário de Vasconcelos Cardoso. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Livro apresenta mancha antiga de humidade, desvanecida na maioria das páginas, junto à margem lateral.
Raro.
25€



























