15 outubro, 2026

BRAGA, General José da Silva -
INVASÕES ALLEMÃES E ANTECENTES HISTORICOS.
Pelo... A Grande Guerra Universal de 1914 á 1918. Rio de Janeiro, P. Briguiet & Cia : Paris, L. Jablonski & Fils, 1922. In-8.º (18,5x12 cm) de [2], XVII, [1], 238, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Visão da Grande Guerra pouco tempo após o cessar das hostilidades. O autor, militar de carreira, analisa com detalhe o panorama geopolítico, as estratégias e as invasões que desencadearam a Primeira Guerra Mundial, o desenrolar do conflito e suas consequências.
"O mundo inteiro assistio, sob as dolorosas impressões dos maiores terrores imaginaveis, a mais terrivel guerra que a humanidade terá de consignar na sua historia, como se fosse um cataclisma universal, que, convulsionando a terra, abalou os mais profundos alicerces das melhores organisações sociaes, destruindo outras que existiam em situações instaveis!...
Os solos das diversas nações principaes, foram transformados em verdadeiros campos de batalha, onde se chocaram  grandes massas humanas em sangrento furor, se alinhando nessa pavorosa cruzada, de um lado, as ambições de dominio, de uma raça orgulhosa, concretisadas na pessõa de um chefe, que dirigia de facto, um grande partido militarista, o qual conservava ainda, em seus habitos hereditarios, os resaibos das remotas eras; de outro lado, os povos civilisados que se bateram gloriosamente, reagindo contra essas mesmas ambições, revestidas de caracter vandalico, em uma época que não mais comportava a acção conquistadora dos tempos passados, principalmente porque, áquelles, deviam antes considerar, os que lhes proporcionaram a assimilação da grande cultura e consequente progresso, que apresentaram, depois de 15 seculos de evolução, a partir de Clovis!... [...]
Foi assim, que a Allemanha, conduzida pelo pensamento Prussiano, acastellada no seu orgulho militar, procurando tragar o universo, sem medir as consequencias dos crimes que commeteu, rompendo tratados como se fossem farrapos de papel (papiers Chiffonnés), lançando seu desafio num gesto audacioso ás nações civilisadas, depois do crime de Serajewo, infundindo o terror sem respeitar as leis convencionaes da guerra moderna, viu cahir por terra todos os seus gigantescos castellos de conquistas, para se abater deante da espada da justiça brandida pelos Alliados, tendo como principal baluarte a França, e a Inglaterra com seu formidavel bloqueio naval!..."
(Excerto do Prefacio)
Indice das materias:
Primeira Parte: Prefacio | I - O Kaiser. II - A Declaração de Guerra e seus principaes Antecedentes Diplomaticos. III - Sobre a Austria, etc. III bis - A Guerra. IV - A Capitulação. V - Conferencia de Paz.
Segunda Parte: I - Antecedentes Allemães. II - A Russia Bolchevista. III - Augusto Comte. IV - Conclusão.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade visível na contracapa e derradeiras páginas do livro junto ao festo.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

14 outubro, 2026

BOCAGE, Manoel Maria de Barbosa du -
RIMAS, DEDICADAS Á AMIZADE.
De... Tomo II. Terceira Edição, correcta pelo Author. LISBOA. M. DCCC. XIII. Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira. Com licença da Meza do Desembargo do Paço. Vende-se na mesma Officina na Calçada Salitre Nº 84. In-8.º (14x9,5 cm) de [10, 368, [2] p. ; E.
Segundo volume das Rimas dedicado à amizade, no qual o Bocage agradece a todos aqueles que contribuíram para aliviar as suas angústias, especialmente nos momentos de maior adversidade, quando doente ou em reclusão. Nestes versos, Bocage afasta-se da matiz estritamente satírica ou erótica e dirige-se aos amigos que o apoiaram nos momentos de maior dificuldade..
"A Maior parte das Poesias que publico, foi recobrada com a memoria em casa do meu officioso Amigo José Salinas de Benavides, huma das pessoas mais benemeritas, e qualificadas de Santarem, onde me avisárão de que, affectada a minha letra por algum de muitos malévolos, que, á maneira de lobos, matão ás vezes o que não hão de comer, ou, deixando figuras, por algum dos que prejudicão sem utilizar-se, fôra em meu nome extrahida aos depositario dos meus bens poeticos a caixa, em que jazião, com os trastes proporcionados á minha profissão, e hum tanto peores, que os versos. Temendo a perda do que, para mim ao menos, era prcioso, examinei o livro interior, que me não pódem roubar, e com effeito copiei delle tudo o que dou á luz não relativo a hum desastre tão impensado, como penoso, que me sobreveio depois, e occasionou as producções, em que o chóro.
Leitor intelligente, verdadeiro Crítico (e não a chusma de Zoilos, que usa infestar a República literaria, e crê que a mordacidade suppre o talento) o Sábio imparcial (em que só me louvo) talvez não desdenhe estas novas Rimas... [...]
Poderáõ os Zoilos abocanhar a m inha Musa, mas serão obrigados a reconhecer a minha gratidão na Epistola dedicatoria, que dirijo ao extremoso Amigo, cuja beneficiencia me adoçou o infortunio, e deo a saber que o seculo do Egoismo ainda soffre excepções proveitosas aos infelices."
(Excerto de Ao Leitor)

"Vós, que de meus extremos sois a historia,
Versos, por negro zoilo em vão roubados,
Nascidos da Ternura, e restaurados
Co’ promto auxilio de fiel memoria:

Da Inveja conseguindo alta victoria,
Ide, meus Versos, em Amor fiados,
Que delle só dependem vossos Fados,
Que nelle só demando a minha gloria:

Não vos importe o público juizo;
Da Voz que pelo Mundo se derrama,
Os vivas caprichosos não preciso.

Voai aos olhos, cuja luz me inflamma;
Tereis de Anarda approvador sorriso;
Hum sorriso de Anarda he mais que a Fama.
"

(Soneto I.)

Manuel Maria Barbosa du Bocage (Setúbal, 1765 - Lisboa, 1805). " Foi o maior poeta português do século XVIII, que se irmana com Camões no destino do estro e nas desventuras de uma existência repartida entre Portugal e a Índia. Manuel Maria l' Hedois de Barbosa du Bocage – de seu nome completo – era filho de um advogado e de uma senhora francesa de ascendência normanda. Orfão de mãe desde os dez anos, assentou praça em Setúbal em 1781, tendo-se alistado dois anos depois na recém-fundada Academia dos Guardas-Marinhas, em Lisboa. Conheceu então a boémia lisboeta, os botequins, o Nicola, onde o seu génio poético se afirmou no improviso e lhe ganhou aplausos. Subitamente, ao fim de dez meses de frequência do curso, Bocage abandonou os estudos, sendo dado como desertor em 6 de Junho de 1784. Nomeado guarda-marinha, partiu para a Índia a 4 de Abril de 1786, fazendo escala no Rio de Janeiro, tendo chegado a Goa a 20 de Outubro. A sua estada na Índia foi por ele comparada ao exílio de Ovídio entre os Getas – os «bárbaros» indianos que o rodeavam. Promovido ao posto de tenente, foi destacado em Damão, mas só aí permaneceu dois dias, 7 a 8 de Abril de 1789, refugiando-se em Macau de onde viajou para Lisboa, em 1790. No seu regresso, Bocage aderiu à Nova Arcádia, onde assumiu o pseudónimo literário de Elmano Sadino. Em 10 de Agosto de 1797 foi preso por ordem do intendente Pina Manique, acusado de ser «autor de papéis ímpios e sediciosos». A peça principal do auto de acusação era o poema Pavorosa Ilusão da Eternidade. A 7 de Novembro do mesmo ano foi transferido para os cárceres da Inquisição, daí seguindo, a 22 de Março de 1798, para o Hospício de Nossa Senhora das Necessidades, dirigida pelos padres do Oratório.
Toda a poesia de Bocage se nutre das suas vicissitudes biográficas. O amor e o erotismo, o ódio e a raiva das ofensas sofridas ou imaginadas, vibram nos seus versos com a intensidade do excesso, que a forma apurada e o rigor verbal dominam, tornando mais impressionante o seu efeito estético. O poeta cultiva com igual desenvoltura todos os géneros, desde o soneto de fina conceituação petrarquista ao verso fescenino, servindo-se ainda dos códigos de um discurso classicizante, onde prorrompe já um vigoroso individualismo em revolta com as normas e os tabus da sociedade vigente. A atitude do poeta contra a tirania e o despotismo não implica, no entanto, a aceitação do radicalismo da Revolução Francesa, a que se opõe, nem a via do libertino, que o seduziu, esmoreceu nele as suas crenças e convicções de católico. Bocage foi um ser contraditório, que soube viver intensamente na sua poesia as suas contradições existenciais. O seu fascínio pela morte e a expressão da sua extrema emotividade fazem dele um precursor do Romantismo, cujos desbordamentos evitou no apego à contenção clássica, impondo-se como um artífice do verso, o chamado elmanismo, que tanto atrairá os parnasianos portugueses e brasileiros."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?autorid=7375)
Encadernação coeva em pele.
Exemplar em razoável estado de conservação. Cansado. Pastas e lombada apresentam falhas no revestimento. F. rosto com pequeno orifício ao centro. Aparado à cabeça.
Raro.
15€

13 outubro, 2026

CRUZ, Rev.do Pe. -
EXERCICIO DA VIA SACRA.
Usado pelo... [Lisboa], Escolas Prof. Oficinas de S. José, 1932. In-8.º (12x8 cm) de 12 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Opúsculo com interesse para a bibliografia do Padre Cruz, religioso jesuíta português natural de Alcochete, conhecido pela sua fama de santidade e dedicação à causa dos presos, doentes e desvalidos.
Livrinho invulgar e muito interessante, não mencionado na BNP.
"Senhor meu Jesus Cristo, Amor do meu Coração, suplico-Vos encarecidamente pelas cinco Chagas que Vosso Amor para connôsco Vos fêz na Cruz, socorrei os vossos servos que remistes com o preço do vosso Sangue. Ajudai-me a fazer êste piedoso exercício da Via Sacra que seja para vossa glória, proveito da minha alma, conversão dos pecadores, perseverança dos justos e alívio das almas do Purgatório.
Almas benditas! Eu peço por vós e vós pedi por mim, para que faça êste exercício tão santamente, que possa ganhar muitas indulgências plenárias em Vosso favor, e meu proveito espiritual."
(Oferecimento)
Francisco Rodrigues da Cruz (1859-1948). "Popularmente conhecido como padre Cruz, era natural da vila de Alcochete, onde nasceu em 29 de julho de 1859. Apesar da frágil saúde que o acompanhou desde cedo, e ao longo da sua vida, o padre Cruz concluiu os estudos secundários e seguiu para Coimbra, onde se formou em Teologia na Universidade de Coimbra em 1880, sendo ordenado sacerdote em 1882. Entrou para a Companhia de Jesus em 3 de dezembro de 1940. A característica dominante de toda a ação sacerdotal do padre Cruz foi o apostolado, uma vida de peregrinação, de norte a sul do país, Açores e Madeira, tendo sido também peregrino de Fátima. Em 1913, deu a primeira comunhão à vidente de Fátima Lúcia, depois de um pároco se ter negado a fazê-lo. Morreu aos 89 anos, em 1 de outubro de 1948, e foi sepultado no jazigo dos jesuítas no cemitério de Benfica, em Lisboa."
(Fonte: https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/de-rapaz-fragil-a-santo-do-povo-esta-e-a-historia-do-padre-cruz)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

12 outubro, 2026

OS BRASILEIROS ENTRAM EM AÇÃO (DOCUMENTÁRIO) -
Coleção "O Brasil na Guerra"
. Rio de Janeiro, Departamento de Imprensa e Propaganda, 1944. In-8.º (19,5x13 cm) de 126, [2] p. ; [16] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante documento coevo sobre a participação do corpo expedicionário brasileiro em Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.
Obra com interesse histórico e militar, publicado durante o conflito.
Ilustrada em separado com 16 fotografias impressas sobre papel couché.
"Com as Fôrças Expedicionárias Brasileiras no Norte da Itália, 22 (Por Sid Feder, da A. P.) - As tropas brasileiras romperam caminho através das fortificações externas da Linha Gótica, em meio a algumas das mais altas colinas da região ocidental dos Apeninos, depois de um avanço de mais de 11 quilômetros, conseguido desde que entraram em fogo.
Houve encontros de patrulhas, que resultaram em curtos e duros combates.
Os brasileiros perseguiram o inimigo, que se achava em retirada pelas montanhas, e não cessaram essa perseguição, embora sob a acção esporádica dos morteiros e do fogo de metralhadoras.
Avançando sôbre um pico de cêrca de 1.300 metros de altura (cujo nome não pode ser citado), os brasileiros enfrentaram com denodo um intenso fogo de barragem, de morteiros, num encontro de patrulhas, às últimas horas de ontem.
Os brasileiros responderam bravamente com suas próprias baterias de morteiros, com uma eficiência notavel, que causou grandes perdas no inimigo. [...]
Numa arrancada atrevida, através das nuvens que encobriam os picos do setor em que atuavam, dentro da ofensiva geral do 5.º Exército, em seu flanco esquerdo, os brasileiros fizeram, oito prisioneiros nazis, que vieram acrescentar o número já elevado do 5.º Exército. Coube ao soldado Wilson Abdala Maluf, de Curitiba, aprisionar o primeiro dêles, a pistola, depois de surpreendê-lo, pela madrugada, escondido e a sós numa casamata.
- "Saltei sôbre êle - disse Maluf - depois de me aproximar por dentro das motas próximas. Antes que êle visse o que se passava, minha pistola estava apontada para êle. Só lhe dei tempo para erguer um lenço branco, como sinal de rendição".
Ao longo das operações de que têm participado, os expedicionários brasileiros capturaram as cidades de Quiesa , Monte Magno e Camaiore, em sua avançada sôbre as fotalezas da Linha Gótica."
(Excerto de Detalhes da acção dos brasileiros na frente italiana)
Encadernação em tela com ferros gravados a outro na pasta anterior. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

11 outubro, 2026

ALMEIDA, Eduardo d' -
ALMAS DO PURGATÓRIO
. Guimarães, Editores Cunha & Lemos (Tabacaria e Papelaria Lemos) - Compôsto e impresso na Tipografia Minerva Vimaranense de Antonio Luiz da Silva Dantas, 1920. In-8.º (21,5x14 cm) de [14], 256, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Junto com:
ALMEIDA, Eduardo d' - DISCURSOS. Guimarães, Editores Cunha & Lemos (Tabacaria e Papelaria Lemos) - Compôsto e impresso na Tipografia Minerva Vimaranense de Antonio Luiz da Silva Dantas, 1921. In-8.º (21,5x14 cm) de [10], 274, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Duas obras de Eduardo de Almeida, ilustre causídico, proprietário e homem da cultura de Guimarães, encadernadas num único tomo. O primeiro volume - Almas do Purgatório - é um conjunto de contos, dois de alguma dimensão; o segundo - Discursos - reproduz as suas intervenções de maior relevo até 1921.
O título Discursos encontra-se autografado pelo autor com dedicatória a António do Amaral.
"Acordo queimado de febre, a estranha sensação do côrpo rechinando num lençol de suor frio, ainda na convulsa epilepsia dum mau pesadêlo.
Falta-me o ar. A muito custo, fazendo estalar os ossos empedernidos, busco uma caixa de fósforos, com mão nervosa, pesada, e, se já me arripia o contacto metálico do relógio, ao tocar os dêdos formiguentos no mármore da cabeceira, a descarga duma faísca electrica atravessa-me, deslumbradôra como fôgo de santelmo.
Vejo, olhos abertos na escuridão abafada do quarto, destacando-se de brancura escultural, as ultimas imagens do sonho - a deusa da Morte, na cinica e vulgar figura de Parca, (como a dum conhecido moimento do cemitério da Atouguia) mitológica e ausente, cortando-me o fio da vida; e, logo, sôbre o meu próprio cadaver amortalhado no hábito de irmão franciscano, o coveiro atira, em burocráticos movimentos indiferentes, grossa pàsádas de lama...
Na sacudida tenacidade do desejo, com a ância de acordar, a alucinação esvai-se; só, por largo tempo, erguidas ao meio do quarto, com violência luminosa de fotosfera, as mãos da estatua funerária não desarmam o gesto - e é dento do meu peito que êle se reflecte como se, na verdade, as tesoiras de aço me desfibrassem as raízes do coração.
Assusta-me o silêncio. [...]
Penso em chamar um criado. - mas envergonha-me a alarmante cobardia -; em sair, errar ao acaso, a ver se topo o sinal duma outra vida, que me dê reconfortadôra impressão de ser um facto a minha própria vida."
(Excerto de Agonia de amor)
Eduardo Manuel de Almeida Júnior (1884-1958). "Nasceu no dia 3 de Fevereiro de 1884, numa casa na rua de S. Dâmaso, em Guimarães. O seu pai, de quem tomou o nome, era um destacado homem de negócios. Estudou no Colégio de S. Dâmaso, que então funcionava no antigo Convento da Costa, onde completou o ensino secundário. Partiu para Coimbra em 1900, com o mesmo destino da maioria dos filhos da burguesia da terra que prosseguiam estudos superiores, inscrevendo-se na Faculdade de Direito da Universidade, cujo curso completaria em 1905, aos 21 anos.
Concluído o curso, regressa a Guimarães, onde se faz advogado, onde cedo consolidaria a sua fama de causídico competente e eloquente, com o um memorável tirocínio num caso particularmente difícil, em que assumiu a defesa de Antónia de Macedo, a Tiça, mulher do povo acusada da prática de triplo infanticídio e que, lida a sentença, acabaria absolvida.
Eduardo de Almeida foi, antes do mais, um homem de letras. Publicou o seu primeiro romance, A Lama, em 1905, ainda em Coimbra, um manifesto dirigido contra a sociedade decadente e desigual, onde proliferava a miséria, com uma clara influência da obra de Émile Zola. Desde muito jovem, colabora em inúmeras publicações periódicas, por onde irá dispersar incontáveis textos dedicados aos mais variados assuntos. O seu primeiro artigo na Revista de Guimarães foi publicado em 1906.
Eduardo de Almeida destacou-se como escritor, de grande mérito, sendo autor de uma obra que vai da ficção (publicou um romance e quatro volumes de novelas) aos estudos jurídicos e sociológicos. Quando assumiu a Direcção da Sociedade Martins Sarmento e da Revista de Guimarães, deu início às suas investigações históricas, publicando uma notável série de estudos dedicados à história de Guimarães."
(Fonte: https://pedraformosa.blogspot.com/2008/01/no-cinquentenrio-da-morte-de-eduardo-de.html)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a seco e a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado.
Raro.
30€

10 outubro, 2026

MONTEIRO, José de Sousa - SANTO ANTONIO DE LISBOA.
Estudo de Historia e Critica. Por... Socio effectivo da Academia Real das Sciencias. Lisboa, Imprensa Nacional, 1895. In-4.º (25x15 cm) de 125, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica comemorativa do sétimo centenário natalício de Santo António de Lisboa.
Ilustrada com o retrato do Santo com o Menino, reprodução do quadro de Murillo (parte central) existente no museu de Berlim. Gravura de M. Diogo Netto.
"Ha pouco dizia a Don Locatelli de Padua o Pontifice que gloriosamente preside na Igreja universal: «Importa amar muito a Santo Antonio e procurar que os outros o amem. Santo Antonio não é só de Padua, é do universo inteiro». Tem este livro, de mais ambições que paginas, o expressivo proposito de fixar com a exacção possivel algumas das feições do engenho e da alma do grande portuguez."
(Excerto da Introdução)
José de Sousa Monteiro (1846-1909). "Nasceu na Praia (Cabo Verde) a 20 de agosto de 1846 e faleceu em Lisboa a 12 de outubro de 1909. Em Lisboa obteve o Curso Superior de Letras e o de Diplomacia. Foi diplomata, jornalista, escritor, deputado (1879-1882) e diretor-geral do Ministério das Finanças.
Pertenceu ao Instituto de Coimbra, foi comendador de Carlos III de Espanha e comendador de Leopoldo da Bélgica e recebeu ainda a Grã-Cruz da Ordem de Santiago.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 5 de junho de 1884 e efetivo a 25 de junho de 1891. Desempenhou nesta Academia os cargos de Vice-Secretário (1896), Secretário-Geral (?-1909) e Presidente da Classe de Letras (1909)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20134)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€

09 outubro, 2026

BARROSO, P.ᵉ Domingos - O PERGIGUEIRO PORTUGUÊS.
2.ª edição revista e aumentada
. Porto, Gazeta das Aldeias, 1962. In-8.º (19,5x14 cm) de 174, [4] p. ; [1+32] f. il. ; B.
Monografia sobre o Perdigueiro Português, uma das mais apreciadas, completas e emblemáticas obras de canicultura que sobre a raça se publicou entre nós. Trata-se da segunda edição, preferível à primeira porque mais aumentada em texto e gravuras.
Ilustrada em separado com o retrato do autor + 32 estampas reproduzindo desenhos e fotografias de magníficos exemplares da raça.
"A Paleontologia prova-nos que o cão existe sobre a terra pelo menos desde o tempo em que sobre a mesma terra existe o homem.
Mais: - que, já nas recuadas épocas da Pré-história, havia diferentes raças de cães, possìvelmente também com diversas utilizações.
Mas, donde nos veio ele ou, se alguém o prefere, donde nos vieram elas?
As opiniões dividem-se. Uns dizem-no oriundo do lobo."
(Excerto do Cap. I - A origem do cão)
"Quando nasceu o perdigueiro?...
Perguntar não custa muito. O responder é que às vezes tem as suas dificuldades. [...]
A acção do cão, na caça das aves como em qualquer outra, tem forçosamente que ser modelada por e para os nossos meios de ataque.
E o primeiro de todos os meios de ataque à disposição do homem que a nós, europeus, parece exigir um perdigueiro foi, com certeza, a altanaria. Podia, por isso, muito bem ter nascido com ela. A asa e a garra dos voláteis de presa são o complemento natural do olfacto do cão."
(Excerto do Cap. II - Se o cão foi logo o perdigueiro)

Índice: Uma conversa em família. | I - A origem do cão. II - Se o cão foi logo o perdigueiro. III - Se o perdigueiro nasceu na Ásia. IV - De quando e onde nasceu o perdigueiro. V - Da facilidade de certas transmutações. VI - De como o sabujo se porta na berlinda. VII - Em que o cão de água nos dá um ar da sua graça. VIII - De um fidalgo cem por cento, que não tem a certeza quem seja seu pai. IX - De um pobre de Cristo caído nas bocas do mundo e das queixas que o mundo alega. X - Em que se encontra um cavalheiro de nome podengo. XI - Em que o leitor pode descansar um bocadinho, a ver a paisagem. XII - Em que o podengo encarrilha, definitivamente, no caminho do perdigueiro. XIII - De uma pergunta, encontrada à ventaneira... XIV - ... e uma resposta pelo sistema de conta-gotas. XV - Duma boa cara e dum bom coração... XVI - Enfim, o nosso perdigueiro! XVII - Uma silhueta que se recomenda. XVIII - Aromas e cabeças. XIX - Cabeças e aromas. XX - Uma conformação robusta. XXI - Semelhanças ou diferenças? XXII - Esperteza e instinto. XXIII - Sua humildade e mais partes. XXIV - Da sua precocidade. XXV - Do ensino a dar-se-lhes. XXVI - Degenerescência ou falta de cuidado? XXVII - Cruzamentos estranhos. XXVIII - A origem do pointer. XXIX - O que há a fazer?
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas com pequenos defeitos.
Muito invulgar.
35€

08 outubro, 2026

REFUTAÇÃO Á RESPOSTA ANALYTICA AO OPUSCULO INTITULADO BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O COMMERCIO, E NAVEGAÇÃO DE PORTUGAL PARA A ASIA.
Por hum portuguez não hypocrita. 26 de Janeiro de 1836. Lisboa: 1836. Typographia de Felippe Nery. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica a propósito do comércio com a China via Macau e os monopólios a estes associados, despoletados por um opúsculo publicado em Junho de 1835, que deu asas à polémica - Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Asia - e que  foi objecto de crítica - Resposta analytica... A este, respondeu o autor do primeiro com o presente folheto.
Opúsculo com interesse histórico e político.
"Quando em 12 de Junho de 1835 publicámos o Opusculo intitulado = Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Ásia = logo previmos que alguem apparecesse a contestar de má fé as nossas opiniões. Passarão-se quasi sete mezes, que os aspirantes ao monopolio guardarão estupido silencio, talvez receando-se (com muita prudencia!) desafiar huma polemica publicva, que lhes desconcertasse os seus planos, e os fizessem odiosos á parte sã, e illustrada dos negociantes Portuguezes, e do publico instruido."
(Excerto da Refutação...)
Exemplar brochado em razoável estade de conservação. Cpas frágeis, manchadas, com defeito e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
10€

07 outubro, 2026

PIRES (Cor. grad.), Governador Mário Lemos -
RELATÓRIO DO GOVERNO DE TIMOR. (Período de 13 de Novembro de 1974 a 7 de Dezembro de 1975).
[Pelo]... Relatórios da Descolonização de Timor I. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros, 1981. In-4.º (23,5x16 cm) de 378, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do processo de descolonização de Timor-Leste pelo general (à época, coronel) Lemos Pires, o seu último governador. O período abrangido medeia entre 13 de Novembro de 1974, data da sua chegada à ex-província e posse, até 7 de Dezembro de 1975, dia em que teve início da invasão de Timor pela Indonésia.
O presente é o volume I. Nesse ano foi publicado um segundo volume: Relatório da Comissão de Análise e Esclarecimento do Processo de Descolonização de Timor, elaborado pelo brigadeiro Francisco A. Riscado, o tenente-coronel Paula Vicente, o major João Goulão de Melo e o capitão-tenente Carlos S. C. Pecorelli, que, reportando ao mesmo assunto, trata o tema de forma diferente. Enquanto o primeiro é um documento na primeira pessoa, elaborado pelo último governador português no território, representando por isso o relato oficial da autoridade máxima que estava no terreno a tentar gerir a crise, o segundo, é um documento elaborado por uma comissão independente de inquérito; não é o testemunho de quem governou, mas sim uma espécie de auditoria externa.
"O desenrolar do processo de descolonização de Timor tem sido objecto de viva polémica - no que aliás não sai da regra verificada quanto às outras ex-colónias - convindo, por isso, sistematizar ideias e factos ocorridos e extrair algumas conclusões, com vista a fornecer a possibilidade de apreciação, tanto quanto possível objectiva, pelos órgãos de soberania que dirigiram superiormente o processo.
A falta de documentação - os arquivos do governo ficaram em Díli, pois razões de surpresa e segurança, necessárias para a saída do governo para Ataúro impediram que os mesmo fossem trazidos - dificulta, em muitos casos, a apresentação de documentos. Porém, dada a relativa proximidade no tempo dos acontecimentos, é viável a reconstrução do panorama vivido nas diferentes fases, além de que o facto de não ser necessário descer a pormenores demasiados atenua a falta apontada.
O presente relatório tem a finalidade de dar a conhecer os aspectos relevantes das actividades do governo de Timor nos campos político, económico, social e financeiro, fazendo somente algumas referências aos aspectos militares relevantes. A classificação de segurança é de Confidencial em virtude da natureza dos documentos em que o relatório se baseia, alguns dos quais se incluem.
Pela necessidade de enquadramento de muitos dos acontecimentos posteriores, o relatórios começa por apresentar uma síntese de caracterização das populações, economia e administração portuguesa em Timor. Relatar-se-ão de seguida os aspectos significativos da vida do tyerritório no período que decorreu desde Abril a Novembro de 1974, antecedentes da acção do governo que nessa data tomou posse."
(Preâmbulo)
Índice:
I - Considerações Gerais. II - Caracterização da situação em Novembro de 1974. III - De Novembro de 1974 a Maio de 1975. IV - Cimeira de Macau - Maio/Julho de 1975. V - Do golpe da UDT à saída do governo para Ataúro. VI - Da instalação do governo em Ataúro à invasão da Indonésia. VII- Conclusões finais.
Mário Lemos Pires CvA (Lamego, 1931 - Lisboa, 2009). "Foi um major-general do Exército português com os cursos de estado-maior dos exércitos de Portugal e dos Estados Unidos da América e de defesa do Colégio de Defesa da NATO e do Instituto da Defesa Nacional. Notabilizou-se por ter sido o último governador do Timor português, tendo governado aquela província ultramarina desde 8 de novembro de 1974 até 27 de novembro de 1975, embora a administração se tenha visto forçada a deslocar-se para a ilha de Ataúro nos últimos três meses em consequência do golpe liderado pela UDT de agosto de 1975. Após a partida de Mário Lemos Pires (então coronel) para Lisboa no dia 23 de setembro de 1975, o território de Timor-Leste foi invadido e ocupado pela Indonésia a 7 de dezembro de 1975, situação que se manteve até 15 de setembro de 1999, quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu votar pela Força Internacional para o Timor-Leste, o Interfet, que pôs fim à ocupação selvática da Indonésia sobre Timor-Leste."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

06 outubro, 2026

SALGADO, Heliodoro - O CULTO DA IMMACULADA.
Estudos criticos e historicos sobre a mariolatria. Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, editora, 1905. In-8.º (20x13 cm) de LXIV, 380, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do culto mariano sob o ponto de vista "republicano", o do autor, de oposição à autoridade religiosa.
A obra organiza-se em nove capítulos principais e apêndices que abordam temas como as origens da figura da Virgem antes do Cristianismo, a análise à face dos livros sagrados, a evolução histórica do culto, a dogmática da Imaculada Conceição e da virgindade, festas, milagres e o fenómeno de Lourdes, culminando nas manifestações reacionárias de 1904, além de apêndices dedicados a Pio IX e ao Syllabus. (IA)
"Na obra dum propagandista - e a esse modesto papel tem de se limitar quem, como o que isto escreve, não dispondo de uma profunda erudição, apenas póde cooperar  no progredir mental dos  seus concidadãos, estudando os fructos do labor alheio, resumindo-os e vularisando-os - na obra dum propagandista, dizia eu, não é de todo indifferente  attender-se a quaes foram os motivos, quaes as circumstancias que lhe determinaram a actividade cerebtral, no sentido do apostolado a que se dedicou.
Um pouco talvez fóra da razão, eu sou tido na conta de padrophobo. Isso resulta de, no nosso pequeno meio intellectual, após as violentas campanhas contra o clericalismo promovidas pelo grupo saudoso do antigo Diario da Tarde, não ter havido quem tão systematica e persistentemente tenha estada na brecha, a guerrear a Fé em nome da Razão, a Egreja em nome da Liberdade, o Christianismo em nome da Justiça.
Mas, afinal, como pude eu fazer-me livre-pensador? Como foi que, filho de paes catholicos, creado na fé catholica, educado num collegio, não dos que poderemos classificar clericaes, mas, emfim, religioso pelo menos, como foi que a duvida primeiro, a descrença em seguida, mesmo até certo ponto a impiedade leviana, puderam abalar-me o espirito, penetrar-me no coração, e accender-me na mente todos os impetos de revolta?
Como foi que isto occorreu?...
(Excerto de Conversa preambular - I)
"A Humanidade teve sempre, mais ou menos, p gosto pela metaphysica. Onde a sua falta de saber positivo obstou a que ella chegasse ao conhecimento da verdade, idealizou, fantasiou, e como a fantasia, qualquer que seja a sua potencia creadora, não póde deixar de trabalhar com elementos preexistentes, começando indirectamente por si a demonstração de que «do nada, nada se cria», succede muitas vezes que a Humanidade tem attribuido ao que se passa fóra de si o que em si lhe mostrou a observação realisar-se, e assim faz do Universo qualquer coisa de animado em que se reproduz, engrandecido ainda, todo o drama da nossa vida.
«Porque vivemos nós?...»
(Excerto de I - A Virgem antes do Cristianismo - 1.º)
Indice:
Conversa preambular | I - A Virgem antes do Cristianismo. II - Crença actual relativa á Virgem. III - A Virgem á face dos livros santos. IV - Evolução da superstição marinista até Pio IX. V - A Immaculada Conceição e a Virgindade de Maria. VI - As festas da Virgem. VII - Milagres da Virgem. VIII - Lourdes, - Culto das grutas e das fontes. IX - As manifestações reaccionarias de 1904. | Appendice: I - Pio IX;II - O «Syllabus».
Heliodoro Salgado (Santiago de Bougado, Trofa), 1861 - Lisboa, 1906). "Foi um intelectual, jornalista e publicista republicano e livre-pensador, que se notabilizou como militante anticlerical e propagandista dos ideais republicanos. Foi descrito como "protótipo do proletário intelectual" e considerado "um dos progenitores do anarquismo intervencionista". Foi iniciado na Maçonaria em 1890."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com rótulo e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Ostenta ex-libris de Luís Alberto Pinto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
40€
Reservado

05 outubro, 2026

PEREIRA, Delfim -
A CHAMADA D'UM RESERVISTA.
[Por]... Soldado-reservista. Regimento n.º 18 de Infantaria. Acampamento do Gerês em Julho de 1911. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª, Successor, [1912]. In-8.º (17x12,5 cm) de 80 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Narrativa e descrição do acampamento realizado em 1911 na Serra do Gerês por soldados reservistas da recém-instituída República convocados para defender o novo regime dos grupos de milícias e civis emigrados que, chefiados por Paiva Couceiro, prometiam invadir Portugal a partir da Galiza para restaurar o regime monárquico.
O livro aborda o quotidiano da tropa, as "peripécias" da marcha a caminho da serra, o espírito de camaradagem e o idealismo republicano partilhado pelos soldados.
Obra rara, interessante e muito curiosa, sem menção na BNP, ou qualquer outra referência bio-bibliográfica, a não a que diz respeito ao prefaciador, o ex-padre Camilo de Oliveira, esse sim, um republicano nortenho relativamente conhecido. Inclui a lista nominal dos oficiais e sargentos que participaram na concentração.
Ilustrada em separado com uma fotografia de conjunto: "Soldados de Infantaria 18 no Gerês".
"Acabo de ler a descripção das tuas impressões de campanha do anno passado, no Gerês, por occasião da falada incursão de Paiva Couceiro. A narração dessa viagem militar, que expões despretenciosa e clara, comoveu-me até á lagrima. Eu assisti á vossa partida, na rua Formosa, e vi-te entre teus companheiros de armas, alegre e entusiasta! Sofreste já pela Patria! Honraste a farda! [...]
Foste defender a nossa querida Republica, que desde 5 de Outubro de 1910 nos levantou do aviltamento e hoje consagras á nossa Patria redemida este modesto mas valioso archivo da jornada d'alguns defensores."
(Excerto do preâmbulo do Pe. Camillo de Oliveira)
"[...]
Finalmente pudemos chegar á Portella do Homem!
Nada admiramos porque a vontade de comer era muita!...
Tudo nos foi indifferente!
Formados os sapadores, pelo toque os chamára, receberam ordem para trazerem as cosinhas de campanha.
Ouviu-se, então, distante ainda, o tropear de cavallos, que se approximavam.
Montava-os o General e o seu Estado Maior.
Houve uma rapida conferencia com o nosso commandante, que mandando chamar um corneteiro, lhe ordenou que tocasse a «deitar correias» e a formar!
- Para a forma?!... exclamaram todos num tom admirado. Já não podemos dar um passo!...
- Deixemo-los entrar, disse o General, para a derrota ser completa!... Daqui as balas vão á Hespanha, o que não é permittido pelo Direito Internacional!... Recuemos nós, para que, elles avancem! Tende paciencia, soldados! Mais algum tempo, depois comereis!...
Á voz de «ordinario-marche» com bastante custo voltamos para o Gerês.
Chegados a Chã de Leonte, acampamos algum tempo para se fazer o rancho."
(Excerto de Apontamentos sobre o Acampamento do Gerês)
Camilo de Oliveira (1874-1946). "Professor, jornalista, republicano e ex-padre. Autor de “O Concelho de Gondomar-Apontamentos Monográficos”, uma exaustiva obra, que em quatro volumes, traça a história do concelho, Camilo de Oliveira é um dos mais ilustres filhos de Gondomar.
Além do ensino, Camilo de Oliveira destacou-se na atividade literária e jornalística. Colaborou em inúmeros jornais da imprensa nortenha, fazendo parte da redação do jornal “O Norte” e chegando a diretor do semanário “ A Republica Portuguesa”.
Figura multifacetada, Camilo de Oliveira também tinha uma participação política ativa. Republicano convicto, fundador do Partido Republicano Radical, o seu ativismo levou a que fosse uma das muitas vítimas da “Monarquia do Norte”, contragolpe monárquico liderado por Paiva Couceiro em 1919. Abandonou a vida partidária em 1925, dedicando-se à escrita e à pesquisa."
(Fonte: https://www.cm-gondomar.pt/municipio/historia/personalidades/camilo-de-oliveira-1874-1946/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
85€
Reservado

04 outubro, 2026

POTTER, Beatrix -
THE TALE OF MR. JEREMY FISHER.
By... Author of "The Tale of Peter Rabbit." Etc. London and New York, Frederick Warne & Co., Ltd. (All rights reserved), [192?]. In-8.º (14,5x10,5 cm) de 58, [2] p. ; mto il. ; E.
Bonita edição do clássico de Beatrix Potter - The Tale of Mr. Jeremy Fisher, originalmente publicada em 1906. Este conto infantil é uma homenagem de Beatrix aos Verões passados com o seu pai e os seus amigos a pescar, em quintas arrendadas na Escócia, e explora as desventuras de uma rã persistente e bem-intencionada, refletindo o amor de Potter pela natureza.
Obra impressa em papel encorpado acetinado, ilustrada com 27 belíssimos desenhos a cores em página inteira.
"Once upon a time there was a frog called Mr. Jeremy Fisher; he lived in a little damp house amongst the buttercups at the edge of a pound.
The water was all slippy-sloppy in the larder and in the back passage.
But Mr. Jeremy liked getting his feet wet; nobody ever scolded him, and h never caught a cold!"
(Excerto do Conto)
Helen Beatrix Potter (Londres, 1866 - Lakeland, 1943). "Nasceu em Londres a 28 de julho de 1866, no seio de uma família da alta burguesia inglesa. Educada de acordo com as rígidas convenções da sociedade vitoriana, não frequentou a escola, tendo sido instruída em casa por precetoras. No entanto, recebeu uma educação esmerada, aprendendo Pintura e História Natural, disciplinas que vieram a revelar-se determinantes no seu percurso.
Apaixonada pela natureza e por animais, Beatrix Potter inspirou-se num coelho de estimação para escrever e ilustrar o seu primeiro livro infantil. Publicada em 1902, O Conto do Pedrito Coelho tornou-se logo um fenómeno de popularidade, vindo a tornar-se um dos grandes clássicos da literatura infantil do século XX. Traduzida em 36 línguas, contabiliza mais de 45 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
Ao longo de quase três décadas, Potter publicou 23 pequenos livros ilustrados."
(Fonte: https://www.portoeditora.pt/autor/beatrix-potter/5959)
Encadernação editorial com desenho a cores e letras gravadas a seco e bordeaux na pasta anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Contracapa apresenta riscos a lápis.
Invulgar.
15€

03 outubro, 2026

O PÉ DESCALÇO : uma vergonha nacional que urge extinguir - Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Porto, Imprensa Social, 1956. In-8.º (19x13 cm) de [8], 324, [12] p. ; il. ; B. Col. Liga Portuguesa de Profilaxia Social, 16
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o hábito de andar descalço em Portugal, comportamento arreigado numa faixa importante da população até meados do séc. XX, e que mereceram do Estado vigorosas medidas de repressão.
"Foi em Janeiro de 1928 que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social iniciou a campanha contra o indecoroso, inestético e anti-higiénico hábito do pé descalço. O que tem sido a sua acção através de longos anos, para pôr cobro a tão vergonhoso costume, pode ser facilmente avaliado se considerarmos que semelhante campanha era profundamente adversa à índole do nosso povo, aferrado a uma tradição de muitos séculos, à incultura e incompreensão dos visados, à comodidade e ao interesse mal compreendido de quem receava ter de aumentar uns tristes centavos ao salário magro dos seus servidores."
(Excerto da Introdução)
"«Entra definitivamente em vigor, no próximo dia 15, a ordem que extermina «os pés descalços». O Porto, a partir do dia 15, pula à sua própria categoria na Civilização. Nada explicava, nada podia perdoar a persistência desse velho hábito, revelador apenas do relaxamento, de indiferença, de falta de gosto e provocador de mil prejuízos morais, estéticos e até materiais. Esse costume produzia, na mulher, um desfeiamento lento, espalmava-lhe os pés, quebrava-lhe toda a graça, masculinizava-a... No homem, levava-o, à semelhança dos selvagens do interior africano - e só desses selvagens, visto que os da América, os «peles vermelhas», calçam uma espécie de alpergatas a que chamamos «Swantzor»..."

(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.

20€
Reservado

02 outubro, 2026

RODRIGUES, Álvaro e DIAS, António C. -
PRÁTICAS DE COZINHA : Cursos Itinerantes de Hotelaria.
Apontamentos coligidos pelos monitores:... Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral do Turismo. Lisboa, Centro Nacional de Formação Turística e Hoteleira, [196-]. In-fólio (29x20,5 cm) de [2], 310, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual culinário gravado em stencil e reproduzido em duplicador. Contém inúmeras receitas culinárias, as mais variadas.
Os cursos itinerantes de hotelaria foram iniciativas históricas em Portugal, promovidas no século XX pela Direcção-Geral do Turismo, para levar formação prática em cozinha e serviço hoteleiro às regiões do país fora dos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto), onde a hotelaria e o turismo começavam a dar os primeiros passos e onde as unidades hoteleiras locais careciam de mão de obra qualificada. (IA)
Obra rara e muito curiosa, sem menção na BNP.
"Técnica" é o conjunto dos processos de execução dum trabalho ou de uma arte. Não apenas a profissão, mas também toda a operação que lhe diz respeito tem a sua técnica, mais conhecida em cozinha pelo termo "princípios". A "mise en place", é um exemplo desses princípios.
A Técnica Culinária, é em definitivo o conjunto das pequenas operações postas em prática pelo cozinheiro, tendo em vista a preparação dos alimentos. Ela compreende primeiro que tudo a manipulação das matérias primas, partindo das mais simples ou das mais conhecidas, e utilizando sempre o seu nome técnico para evitar qualquer confusão. Ela compreende também os temperos preliminares e os seus empregos sucessivos, nos diversos modos de cozedura."
(Técnica Culinária)
Índice:
Técnica Culinária | Higiene Profissional | Vocabulário Técnico | Utensílios | Cozinha Fria | Secção de Sopas | Secção do Entremédio | Secção do Peixeiro | Secção dos Assados | Secção dos Molhos | Pastelaria | Manteigas, Compostas e Molhos  Guarnições  Massas  Ovos e seus derivados  Caldos e Sopas  Peixes, Mariscos e Crustáceos | Carnes | Diversos | Pastelaria
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta mancha no pé.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
60€

01 outubro, 2026

LAFOREST, Dubut de -
A BOMBA. Traducção de Domingos Cabral de Quadros. Lisboa, "A Editora", 1909. In-4.º (22,5x14 cm) de 151, [1] p. ; il. ; C. Col. Os Ultimos Escandalos de Paris: grande romance dramatico inedito - XXXVI
1.ª edição.
Romance de costumes, levemente erótico, publicado na primeira década do século XX.
Ilustrado com bonitos desenhos no texto.
A Bomba (no original em francês, La bombe) é o volume número 36 de uma famosa série literária de 37 romances dramáticos intitulada Os Últimos Escândalos de Paris (Les derniers scandales de Paris), escrita no final do século XIX pela pena do francês Jean-Louis Dubut de Laforest. A colecção formava um longo fresco dramático sobre o submundo e a alta sociedade francesa, explorando a vida de prostitutas, vigaristas, burgueses e aristocratas decadentes. Devido ao seu teor provocador, a obra chegou a figurar na "Enfer" (O Inferno), secção especial da Biblioteca Nacional da França (BnF), em Paris, destinada a guardar livros e manuscritos de caráter erótico, pornográfico ou considerados contrários à moral da época." (IA)
"Cloé de Haut-Brion tinha na Casa-Mãe das Bernardas, da rua da Providencia, tanta liberdade e um bem estar relativo, muito superior ao convento da Bretanha.
Em Paris, as cellas davam para os claustros, eram vastas, bem arejadas, não tinham luxo, mas havia n'ellas um certo conforto desconhecido das freiras de Plogoff: a mobilia compunha-se de um leito de ferro, um prie-Dieu, e uma arca para as roupas brancas, habitos e petrechos de toilette; nas paredes do seu compartimento, a ex-Virgem do Boulevard dependurára um Christo, um quadro da Virgem Maria, outro da Magdalena, o de S. Francisco de Paula, instituidor da Ordem das Bernardas, e o retrato do abbade Celestino o fundador do recolhimento das arrependidas.
Tresentas religiosas ou noviças habitavam o convento, sob a direcção da superiora geral da Ordem, uma dama de alta linhagem, como Isabel d'Esbly, e sob a vigilancia directa da Reverenda Irmã Veronica, uma creatura de humilde nascimento."
(Excerto de I - Nona Coelsia, baroneza de Géraud)
Dubut de Laforest (1853-1902)."Foi um escritor folhetinista extremamente popular e prolífico na sua época. Ele especializou-se em retratar os vícios e segredos da sociedade parisiense, com um estilo influenciado pelo naturalismo que frequentemente chocava a moral tradicional e abordava temas ousados."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação cartonada com desenho e letras a rosa e azul na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa apresenta pequenas manchas à cabeça.
Raro.
25€

30 setembro, 2026

LENCASTRE, D. José Coutinho de -
DIGRESSÃO RECREATIVA : PASSATEMPO ALEGRE OU  REVISTA DO VIVER DAS PRAIAS, NA EPOCHA DOS BANHOS DO MAR.
No corrente anno de 1870. Lisboa, Typographia Portugueza, 1871. In-8.º (20,5x13 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso roteiro das praias de Lisboa e da Linha, até Cascais. Não assinado. Sabe-se no entanto que o seu autor foi D. José Coutinho de Lencastre.
A Digressão Recreativa é uma espécie de crónica socialite sobre os frequentadores das praias da região litoral de Lisboa e arredores durante a época estival, talvez a primeira "revista" do género publicada entre nós. Em cada "praia" o autor dá conta das moradias e nomeia as famílias que os habitam.
"Todos sabem, e muito bem conhecem, n'esta côrte, nobre a antiga cidade de Lisboa, segundo antigas lendas, patria do antigo pai Ulysses, que se denominam Praias, toda essa orça de areias, ou fita, que se estende, em sinuosidades caprichosas, e banhada por aguas cristalinas, e salsas ondas, do formoso Tejo, desde, a Torre de Belem, até á de S. Julião, ou S. Gião, se alguem quizer ou mais lhe agradar."
(Excerto do Preâmbulo)
"A designação é consagrada por eras bem antigas. Local aonde, o nauta fatigado, de asperas vigilias, riscos, e trabalhos, em bem longa viagem, cercado continuadamente de perigos sobre baixios, mares tormentosos, e encapellados, vem finalmente lançar ferro, dar fundo, e seguro em suas amarrações, recupera animo e forças, á vista da terra appetecida, ou lar domestico, abafando n'alma, alegre e contente, o prazer, que lhe prende a vida, ou pula no coração, de em breve, abraçar amante, parentes e amigos.
Tem o Dáfundo seu nobre Castellão, o Ex.mo Marquez de Cstello-Melhor, que vem todos os annos pelos mezes de Setembro, e Outubro, habitar alli, o seu Doujon acatelado, acompanhado de suas amabilissimas Irmãs."
(Excerto de Dafundo)
"Estendida em tiras, aos pés do vistoso monte monte de Santa Catharina. Á entrada, o mesmo perigo que na Ponta de Algés, senão peior.
A mesma censura, e mais fulminante, á Illm.ª Camara da Villa, e Concelho de Oeiras, pelos seus indesculpaveis descuidos. [...]
Este anno, apesar de tudo, reuniu-se alli, bem elegante sociedade, de supremo bom tom; a côrte celeste dos Anjos, rancho fatidico, e esbelto, ostentando galas e primores do mais refinado bom gosto em casquilhos toilletes, trajados por tão graciosas deidades, que esparziam sorrisos feiticeiros, e sabiam acompanhal-os de um chic, todo especial, em animadas conversas, ou mais distracções campestres."
(Excerto de Cruz-Quebrada)
"Está dito. Vou. Uma visita tem todo logar, e é bem cabida, n'esta occasião, em que reside alli, tanta gente, e nobre gente, illustre, e mui fidalga gente. Nobres cavalleiros e formosas Damas, flôres mimosas e estrellas resplandescentes. Eu bem reconheço, o quanto é arriscado, o meu proposito, tendo de observar, ver, e contar depois, quanto vi, e quanto ouvi. Mas apezar de tudo, seguirei por diante, o meu fadario errante, dê por onde der, e tanto mais tendo ouvido rosnar, tanta cousita, exquisita, extravagante, e bonita; desejo, e se me aguça, a vontade, de ir observar, por mim mesmo, se é verdade, o romntico, o poetico, e o fadista, de quanto se relata, da sociedade, aliás elegantissima, d'aquelle sitio."
(Excerto de Cascaes)
Índice:
[Preâmbulo] Torre de Belem | Pedrouços | Ponte d'Algés | Dafundo | Cruz-Quebrada | Boa-Viagem | Caxias | Paço d'Arcos | Oeiras | Cascaes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito raro.
100€