04 fevereiro, 2026

GAMA, Sebastião da -
SEBASTIÃO DA GAMA: Meu caminho é por mim fora...
[S.l.], Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007. In-8.º (21x15 cm) de [12] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Selecção de poesias de Sebastião da Gama, sendo uma delas inédita, precedidas por apontamento biográfico do autor.
"Sebastião da Gama - "Meu caminho é por mim fora..." recolhe um pequeno conjunto de textos de Sebastião da Gama com vista à divulgação da sua obra e da sua mensagem, aqui se incluindo um soneto até hoje nunca publicado, escrito em 1941, cujo consentimento de publicação se agradece a Joana Luísa da Gama."
(Excerto do Preâmbulo)

"Meu caminho é por mim fora,
tá chegar ao fim de mim
a encontrar-me com Deus...

Mas lá no fim
eu vou sentir-me tão outro,
tão igual
ao Senhor Deus que ali mora,
que hei-de ficar convencido
de que afinal
só Tu, Senhor, lá estás
e que eu fiquei para trás,
de cansado ou de perdido
no meu caminho comprido."

(Excerto de Itinerário)

Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

03 fevereiro, 2026

ALGÔDRES, Conde de Fornos d' -
EQUITAÇÃO E HIPPOLOGIA. Pelo... Quarta edição, corrigida e acrescentada pelo auctor.
Prefacio de João Viegas de Paula Nogueira, Professor do Instituto de Agronomia e Veterinaria de Lisboa. Com 50 gravuras. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1914. In-8.º (22x15,5 cm) de 295, [1] p. ; il. ; E.
Quarta edição deste famoso tratado de equitação, preferível à que as precederam porque significativamente melhorada e ampliada.
Trata-se de um importante trabalho abrangente devotado ao Cavalo, e aos exercícios equestres - o Hipismo e a Alta-Escola.
Ilustrado no texto com belíssimos desenhos de exemplares da diversas raças, entre outros, o Alter Real, e movimentos relacionados com saltos e Alta-Escola.
"Dizem que um prefacio é apenas uma apresentação. Se assim é, não sei qual de nós dois - o auctor ou o prefaciador d'este livro - terá maior jus a ser o apresentante do outro.
Porque a verdade é esta: o auctor, o sr. Conde de Fornos d'Algôdres, possue todas aquellas qualidades que exornavam muitos dos homens da antiga aristocracia, habituados á equitação tão querida dos sportsmen, e simultaneamente ao sua ve convivio das boas lettras... [...]
Hippologia e Equitação são os titulos da obra que vae ler-se; e acertadamente o auctor os juntou, porque mal irá ao candidato a cavalleiro, se de todo lhe falharem os conhecimentos hippologicos.
Se o cavallo, em vez de um organismo vivo, fosse apenas uma complicada machina material, susceptivel de executar diversos movimentos, sujeitos a leis fixas e invariaveis, que diriamos de quem tivesse a pretensão de bem dirigir-lhe o jogo do complexo mechanismo, ignorando por completo a feitura de cada uma das peças e o artificio com que ellas se relacionam entre si, para produzirem os effeitos dynamicos? [...]
Importa, pois, ao cavalleiro conhecer a estatica e a dynamica do cavallo, antes de lhe utilisar o esforço. [...]
Essa primeira parte é um resumido compendio do Exterior do cavallo; mas resumo substancioso, do qual foram amputadas todas as superfluidades, para só ficarem os preceitos capitaes. [...]
Mais notavel ainda pela sã doutrina é o capitulo que se occupa da producção cavallar portugueza. Ha alli bastante que aprender, e oxalá os nossos lavradores se inspirassem nas considerações e preceitos que encerra esse capitulo, bem como o que termina a primeira parte da obra e se refere á alimentação e hygiene do cavallo.
A segunda parte - Equitação - achei-a eu tão clara, tão concisamente escripta que, ainda mesmo pouco pratico do assumpto, me julgaria capaz de, guiado só por este livro, me arvorar - não ousarei dizer em professor de equitação, mas pelo menos em estudante, sem outro mestre da nobre arte."
(Excerto do Prefacio)
Manuel Nicolau Cardoso e Melo, 3.º Conde de Fornos de Algôdres (Fornos de Algodres, 1839 - 1913). "De seu nome completo Manuel Nicolau de Abreu Castelo Branco Cardoso e Melo, era sobretudo um apaixonado por hipismo e hipologia. Fidalgo da Casa Real. Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi Governador Civil de Leiria e Presidente da Câmara Municipal de Santarém."
(Fonte: https://www.geni.com/people/Manuel-Nicolau-de-Abreu-Castelo-Branco-Cardoso-e-Melo-3%C2%BA-Conde-de-Fornos-de-Alg%C3%B4dres/6000000016103701938)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pasta posterior algo manchada.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
75€

02 fevereiro, 2026

PINHEIRO, Cap. António dos Santos Boavida -
GIMNO-CROSS - EDUCAÇÃO FÍSICA : LEGIÃO PORTUGUESA.
Estudo realizado pelo... Mestre de Educação Física; Instrutor Militar do Batalhão n.º 4 da L. P. [S.l.], Legião Portuguesa, 1966. In-8.º (22,5x17 cm) de [2], 6, 14, [4], [4] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo de educação física patrocinado pela Legião Portuguesa, verdadeiro manual de treino e organização militar. O autor propõe para a aula de ginástica ministrada na instrução da LP corridas de corta-mato em terreno aberto e acidentado, com os exercícios descritos ao pormenor, incluindo recomendações sobre saúde e fadiga.
Trabalho impresso em papel de superior qualidade, policopiado, sem menção na BNP, divide-se em três partes:
- A apresentação do exercício;
- O exercício propriamente dito - o "Gimno-cross";
- O papel do instrutor.
"Dos horários de instrução da L. P. faz parte, como não poderia deixar de ser, um período destinado à Educação Física, que como meio necessário à educação integral do indivíduo deverá ser utilizado de forma a obter-se um rendimento máximo da sua acção dentro de tal objectivo."
(Excerto da Apresentação)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
35€

01 fevereiro, 2026

EMPRESA DE PESCA DE VIANA S. A. R. L. : VIANA DO CASTELO -
Relatório, Balanço e Contas do Exercício de 1969
. [Viana do Castelo], [EPV], 1970. In-8.º (22x16,5 cm) de [12] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relatório e Contas da Empresa de Pesca de Viana, uma das mais importantes firmas de pesca longínqua nacional, possuindo barcos próprios, entre eles os icónicos lugre "Santa Maria Manuela" (1937), e os navios-motor gémeos "Santa Maria Madalena" e "São Ruy" (1939), todos construídos nos estaleiros da CUF.
Este relatório evidencia as dificuldades que a EPV atravessou em 1969, mormente pela escassez de peixe e, por consequência, o aumento dos preços, o que a impediu de realizar alguns investimentos na frota pesqueira e nas instalações da empresa. Subscreve o Relatório o Conselho de Administração constituído por: João Delgado Cerqueira; João do Carmo Correia Botelho; Adolfo Augusto Matamoro Juzarte Rolo; Hernâni Pereira Furtado; Tiago Martins Delgado.
Peça com interesse para a história da pesca do bacalhau em Viana, ilustrada com "mapas" contabilísticos.
Documento raro. A BNP não menciona o presente relatório na sua base de dados.
Tiragem limitada a 560 exemplares.
"A campanha de pesca de 1968, a que se referem as contas apresentadas, decorreu normalmente e os seus resultados podemos considerá-los satisfatórios.
Infelizmente já não podemos dizer o mesmo da última campanha ainda em curso, ou seja a relativa a 1969.
Como estava previsto por especialistas internacionais, verificou-se na passada campanha uma invulgar escassês de pescas.. Esta instabilidade foi uma das principais razões que nos levou, cautelosamente, a adiar mais uma vez a construção de novas unidades, iniciativa que nunca deixamos de ponderar. A circunstância referida é agravado pelo facto de o preço do bacalhau ter estado tabelado durante cerca de vinte anos o que não nos permitiu criar as reservas necessárias para encararmos tal resolução com a prudência que julgamos aconselhável. A presenta campanha parece-nos ter confirmado este critério, porquanto a escassês de pesca foi de tal modo que o nosso navio de linha não conseguiu totalizar 1/3 da sua carga e os nossos arrastões gastaram nas suas viagens o dobro do tempo habitual."
(Excerto do Relatório)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

31 janeiro, 2026

ROSA, José António Pinheiro e -
UM ARTISTA ALGARVIO : O Padre Glória. [Por]... Professor do Ensino Liceal
. Lagos, [s.n. - Comp. e Imp. nas Oficinas da «Gráfica do Sul» - Vila Real de Santo António], 1956. In-8.º (22x16,5 cm) de 32 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do Padre Glória, religioso algarvio natural de Portimão, artista multifacetado nas horas vagas. Deixou obra espalhada por capelas e igrejas do sul do país, sobretudo pintura de tectos, retábulos, pias baptismais, etc.
Opúsculo ilustrado em página inteira com um auto-retrato do biografado e reprodução de desenhos e locais onde se encontram trabalhos da sua autoria.
Obra com interesse histórico, artístico, político e religioso, com relevância para a bibliografia algarvia.
"Durante os meus estudos  da Arte Sacra no Algarve, encontrei-me tantas vezes com a obra e a memória desta simpática figura de padre artista, António José Nunes da Glória, que me nasceu a curiosidade de colher a seu respeito o maior número possível de informações. À medida que elas apareciam, essa figura aureolava-se mais e mais de novos esplendores. O artista instintivo engrandecia-se a meus olhos com as qualidades humanas e as virtudes sacerdotais, que o exornaram. E foi com emoção sincera e autêntica veneração que escrevi esta biografia, onde procurei falar o menos possível, cedendo a palavra aos documentos, cuja eloquência dominará o leitor como me dominou a mim.
Julgo também escrever com esta publicação uma pequena página da história da perseguição religiosa no Algarve, que ainda está por fazer, e em face da qual não se pode reter um sentimento de respeito por aqueles que atravessaram com denodo."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Um artista algarvio Pe. António José Nunes da Glória: A) O Homem: - Nascimento e família; - Estudos; - Actividade Sacerdotal; - Cartas. B) O Artista. C) A Obra: - Arquitectura; - Escultura; - Pintura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€

30 janeiro, 2026

A QUESTÃO DINÁSTICA - DOCUMENTOS PARA A HISTORIA.
Mandados coligir e publicar pela Junta Central do Integralismo Lusitano. Lisboa, Empresa Nacional de Industrias Graficas, Limitada, 1921. In-fólio (31,5x23 cm) de [4], 631, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante documento sobre a sucessão de D. Manuel II, último rei de Portugal, dada a recusa deste em conspirar contra o estado republicano, tendo em vista eventual restauração do regime monárquico. Com interesse para a história do movimento integralista português.
"Reunindo em volume todos os documentos oficiáis, referentes ao conflito aberto ha quasi dois anos, entre o Integralismo Lusitano e o Senhor Dom Manuel II que foi Rei de Portugal, serve-se apenas o proposito de actualizar e perpetuar os termos liais e exactos de uma questão politica, já hoje tão esquecida e deturpada nas suas razões fundamentais.
As pessoas de boa-fé que quiserem conhece-la ou recorda-la em toda a sua expressão de verdade, encontrarão neste livro os necessarios recursos para sua completa elucidação.
Essa questão politica está hoje morta e ninguém pode pensar em ressuscita-la. No entanto, publicando todas as peças do processo, algum serviço se presta á verdade e aos direitos da justiça daqueles que, em nome dos principios monarquicos e do interesse nacional que por eles se define, tiveram o doloroso dever de a provocar e a honra de a sustentar, obedecendo aos ditames da sua inteligencia e á sua dignidade de portugueses e de patriotas.
"
(Introdução - A quem ler)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
20€

29 janeiro, 2026

MERELIM, Pedro de -
MEMORIAL HISTÓRICO DOS SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS DE ANGRA DO HEROISMO - "Bodas de Ouro : 1929/1979
. [Angra de Heroísmo], [s.n. - Composição, impressão e gravuras nas oficinas do «Diário Insular» - Angra de Heroísmo], 1979. In-8.º (21,5x16,5 cm) de 185, [1] p. ; [21] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos serviços municipalizados de Angra do Heroísmo, dedicado sobretudo à realização de obras de vulto para a cidade, como a iluminação pública, águas e saneamento.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
Obra ilustrada com inúmeras fotografias a p.b. distribuídas por 21 folhas separadas do texto.
Junta-se cartão de oferta com o cunho da edilidade assinado pelo Presidente, Leopoldino da Rocha Tavares datado de 23/7/79.
"As cidades de antanho não eram iluminadas. Deste modo se tornava, à noite, obrigatório o cessar de movimento nas ruas e nos sítios públicos. Depois de certa hora, considerava-se aventura, temeridade, estar fora de casa e, prevenindo as gentes para que a tempo se recolhessem, tocava na torre da Câmara o sino chamado de correr ou recolher.
Era obrigação imposta pela lei geral em todo o reino. As ordenações filipinas mandavam que o alcaide tocasse, por ordem do Juiz, uma hora seguida, das oito às nove nos meses de Outubro a Março, e das nove às dez no demais período do ano. Quem após isso fosse visto na rua sem armas pagava sessenta réis de multa, salvo indo a caminho de qualquer lugar, com candeia, lanterna ou outra luz."
(Excerto do preâmbulo - Quando a noite era "tabu")
Pedro de Merelim, nom de plume de Joaquim Gomes da Cunha (1913-2001). "Saiu aos 18 anos da sua terra natal, São Pedro de Merelim (Braga). Cumprido o serviço militar, fixou residência em Lisboa, mas logo é reincorporado por ocasião da II Guerra Mundial, vindo cumprir serviço na ilha Terceira, onde se fixa. Passa aos quadros do Exército, após a guerra, e dá largas à sua verdadeira vocação, que é a de jornalista, usando o pseudónimo de Pedro de Merelim. Pertenceu ao corpo redatorial do jornal A União, durante 38 anos, chegando a exercer o cargo de redator-chefe e chefiou o gabinete de notícias do Rádio Clube de Angra. Escreveu milhares de textos (artigos, reportagens, locais, crónicas de viagem) que publicou em jornais açorianos, do continente e da Guiné-Bissau. Foi correspondente entre 1953 e 1972 de O Primeiro de Janeiro (Porto) e colaborador de O Século e do Jornal do Comércio, ambos de Lisboa. O mais importante do seu trabalho é constituído por obras que versam temas de grande relevância local e regional, num total de 22 títulos, e por artigos publicados na Atlântida, revista do Instituto Açoriano de Cultura. Foi autodidata, por não ter podido beneficiar de formação de nível superior e, por isso, nem sempre manuseou da forma mais adequada as normas da investigação; Pedro de Merelim foi, no entanto, um historiógrafo exemplar, pela sua grande seriedade e probidade intelectual, no que constitui um exemplo para qualquer investigador. Legou o seu espólio, em vida, à Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro."
(Fonte: https://bparlsr.azores.gov.pt/arquivo_regional/pme-pedro-de-merelim/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
35€

28 janeiro, 2026

ALBERGARIA, Sá d' -
A IRMÃ DOROTHÊA : romance.
Volume I [II; III]. Porto, Livraria Chardron, 1902. 3 vols in-8.º (18x12 cm) de [16], 382, [2] p. ; [1] f. il. (I) / [4], 388, [4] p. (II) / 255, [1] p. (III) ; E.
1.ª edição.
Interessantíssimo romance naturalista em 3 volumes (completo), rotulado pelo autor como "simplesmente uma obra de verdade", cujo tema, no entanto, desafia os cânones da época.
Obra oferecida por Sá de Albergaria a Camilo Castelo Branco, "o maior mestre da lingua e o mais popular dos romancistas portuguezes", incluindo dedicatória laudatória de 3 páginas intitulada «Mestre!».
I volume inclui retrato do autor separado do texto.
"A meio da estrada que, atravessando a Serra do Carvalho, vae da Povoa de Lanhoso a Braga, encontra-se quasi sumida na reentrancia de dois asperos sêrros, mesmo á beira do cam inho, uma casinhola de mesquinha apparencia, tendo por cima da unica porta d'entrada este singular letreiro:
BINHO E TAVACOS
Que arrojado espirito de ganancia pôde inspirar a alguem a ideia de ir alli estabelecer-se, no reconcavo de uma serra arida e deserta, com um negocio de vinhos e tabacos, quando é sabido que, mesmo nas grandes cidades, estes generos, se não teem um largo consummo, são de pouco convidativos lucros para quem n'elles negoceia?
Como no mundo tudo se explica e não ha coisa que não tenha a sua razão de ser, é possivel que no decorrer d'esta veridica historia, chegue-mos a comprehender o pensamento secreto que presidiu á estranha phantasia commercial do tio Domingos Perneta - que assim se chamava o proprietario da taberna alludida.
Por agora, baste-nos saber que a Serra do Carvalho, que defronta com a lendaria serra da Falperra, era, ao tempo em que se passam os acontecimentos que vamos narrar, mal frequentada, principalmente de noite, em que os carros da carreira entre Lanhoso e Braga soffriam repetidos assaltos de malfeitores que, á mão armada, exigiam dos viandantes a bolsa ou a vida. [...]
Estamos no dia 20 de Maio de 1880. São onze horas da noite, e o ultimo carro da carreira acaba de passar com um grande tinido de campainhas e estalos de chicote, sem que o cocheiro apressado se lembrasse sequer de parar um pouco para pedir cigarros ou molhar a palavra á custa de algum passageiro generoso, como sempre acontece quando vae pessoa de respeito no carro.
- O Papa-Legoas não parou - disse de um extremo do balcão o tio Domingos Perneta para a esposa, a tia Quiteria de Thayde, que estava no outro extremo, sentada em uma cadeira de pau, a fiar n'uma roca, á luz baça de um sujo candieiro de petroleo pregado na parede.
- É que não leva freguezia de geito... - respondeu a tia Quiteria molhando o fio na ponta da lingua e fazendo girar o fuso a todo o comprimento do braço.
- Que o leve o diabo! - rosnou o taberneiro levantando-se n'um movimento de mau humor e indo á porta passeiar os olhos por toda a extensão da estrada deserta."
(Excerto de I - O homem da mascara negra)
António da Costa Couto Sá de Albergaria (São Miguel do Mato, Arouca, 1850 - Porto, 1921). "Foi um professor, jornalista, dramaturgo e escritor português. Escreveu também com os pseudónimos de João Chorinca e Gabriel da Rasa. Dedicou-se sobretudo ao jornalismo e à actividade literária. Fez parte da redacção de vários jornais humorísticos, tendo inclusive fundado alguns deles, como «O Sorvete», em 1878, e «O Porto Cómico», em 1880. Dirigiu inúmeros jornais, tendo sido redactor do Jornal de Notícias, onde, durante largos anos, manteve a secção «De raspão», famosa pela sua popularidade e pela qualidade dos versos humorísticos, pautados pela crítica social de tom irónico. Publicou alguns romances, dos quais se destaca «O Segredo do Eremita», bem como inúmeras peças de teatro de revista. Com efeito, dentre elas, destaca-se a opereta «O Diabo Louro», que foi a peça de inauguração do Teatro Carlos Alberto, no Porto, 14 de Outubro de 1897 e «O Brasileiro Pancrácio» (1893), que lhe granjeou grande popularidade nos palcos lisboetas."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação do editor em percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplares em bom estado geral de conservação. Encadernações algo desgastadas. Apresenta assinatura de posse na f. rosto dos 3 volumes.
Raro.
75€

27 janeiro, 2026

NASCIMENTO, João Cabral do - APONTAMENTOS DE HISTÓRIA INSULAR
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na «Madeirense Editora, Lda.» - Funchal], 1927. In-8.º (18,5x11,5 cm) de 139, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas e reflexões do autor acerca da história madeirense.
"Para se compreender alguma coisa, se é que se chega a compreender, do enigmático descobrimento da Madeira narrado por Gaspar Frutuoso, necessário é lêr todo esse capítulo II de lapis em punho, anotando cuidadosamente os pormenores, e depois conferir com os capítulos IV, V e VI, que dêle são desenvolvimento.
O título do capítulo - Do que escreve João de Barros do descobrimento... e outras opiniões que dêle tem outros Autores parece indício de que Frutuoso vai adoptar a versão do celebrado quinhentista, embora, por um caso de probidade, refira tambem as opiniões que sôbre o o mesmo facto outros autores expuseram. Na verdade, o nosso historiador ilheu, tendo lido a primeira década da Ásia, escrita pelo Tito Lívio português e impressa em 1552, dela extrái uma súmula de eventos com que se alarga até meio do capítulo: e assim, o Infante D. Henrique, á volta de Ceuta, teria ordenado expedições marítimas para além do cabo de Não. Como elas fôssem mal sucedidas, dois cavaleiros da sua casa (João Gonçalves, Zarco de alcunha, e Tristão Vaz, este de menos idade) «vendo os desejos que êle (Infante) tinha de descobrir terra» pediram-lhe os mandasse em uma barca."
(Excerto de As versões sôbre o Descobrimento no livro de Frutuoso)
Índice:
As «Saudades da Terra» | As versões sôbre o Descobrimento no livro de Frutuoso | A «Relação» de Diogo Gomes | O Manuscrito de Gonçalaires | Cartas Régias que desmentem o descobrimento por Tristão e Zarco, e apenas provam que êles foram povoadores | Supremacia de João Gonçalves | Quando morreu Zarco? | Ou louvores de Tristão da Veiga e do Bispo D. Luís de Figueiredo | A «Insulana» de Tomás | A «Georgeida» de Medina | O Cónego Alfredo, Poeta | Os Senhores das Selvagens | Nota final | Advertância e Correcções.
João Cabral do Nascimento (1897-1977). "Poeta e editor atento de obra alheia (que traduziu, antologiou ou prefaciou), João Cabral do Nascimento deixou reunidos os seus versos no volume intitulado Cancioneiro (1962) que espelha o melhor da sua sensibilidade poética, escassamente expressa. Natural do Funchal, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi professor do ensino técnico-profissional. Dirigiu o Arquivo Histórico da Madeira e fundou a revista Ícaro (1919) com Américo Cortez Pinto, Alfredo Brochado e Luís Vieira de Castro. Justamente apreciada foi, ainda, a sua actividade de tradutor."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/colecoes_autores/n28_nascimento_joao_cabral.html)
Encadernação simples em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

26 janeiro, 2026

PAPE, Estevão -
GUIA DO CAÇADOR
. [S.l.], Exame - B.A&N, Comunicação e Imagem, 1992. In-8.º esguio (22x10 cm) de [48] p. ; il. ; B.
1.ª edição
Interessante guia do caçador, manancial de informações relevantes sobre, onde, quando e como caçar no território nacional.
Elaborado com a colaboração de Estevão Pape, conhecido médico de Medicina Interna e Diabetologia, caçador de longa data e presidente do Clube Português de Monteiros.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada no interior com fotografias a cores, mapas, publicidade, quadros e tabelas cinegéticas.
"Há, nos últimos anos, uma clara evolução na forma como em Portugal se encara a caça. Particularmente no passado mais recente, têm surgido nos meios de comunicação numerosos artigos onde claramente se reconhece que a exploração racional dos recursos silvestres é indispensável - muito especialmente naqueles países em que a exploração agrícola é pouco rentável por razões de pobreza dos solos e das dificuldades do clima - sendo considerada a caça como uma das formas mais rentáveis dessa exploração. [...]
O aparecimento de um Guia do Caçador como este, ao qual desejo o maior êxito futuro, é já uma evidência de que a caça é um recurso natural renovável de grande importância económica, que poderá envolver a actividade competente de muitas centenas de empresários e de milhares de agricultores, para benefício directo de mais de trezentos mil caçadores e de muitos milhares de apaixonados pela Natureza e pela fauna bravia."
(Excerto de Agricultura, Caça e Conservação da Natureza, por João Bugalho)
Índice:
Agricultura, Caça e Conservação da Natureza | Regime Cinegético Especial: Organizar a actividade venatória e gerir o património cinegético nacional | Onde caçar em Portugal: 21 herdades, reservas de caça e coutadas, com respectiva foto e ficha técnica | Mapa espécies.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
30€

25 janeiro, 2026

OOM, F. - ARMAS DE ARREMESSO. Anteriores ás de fogo.
Por... Revista Militar : Maio de 1917
. Lisboa, Tipografia Universal, 1917. In-4.º (24,5x17 cm) de 20 p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Resenha monográfica sobre armaria antiga. Interessante subsídio para a história dos meios de ataque e defesa que precederam as armas de fogo.
Livro ilustrado no texto ao longo do livro com desenhos esquemáticos e uma fotogravura.
"Tem a guerra actual posto novamente em uso numerosos meios de ataque ou de defesa que pareciam sepultados para sempre no esquecimento, depois de terem tido largo emprego numa antiguidade mais ou menos remota.
As granadas de mão que outrora deram nome e fama aos orgulhosos granadeiros, tornam a ter uma diaria aplicação. Os morriões ou celadas de aço medievais de novo são feição caracteristica dos combatentes.
Renascem nas trincheiras as bêstas, as balistas e catapultas para arremessar varios projecteis a pequenas distancias, e até a propria funda se vê outra vez empregada largamente.
Pareceu-nos por isso de certo interesse recordar aqui o que eram as armas de arremêsso antigamente usadas, antes de se tornarem preponderantes as armas de fogo."
(Excerto da Introdução)
Índice: Dardos. | Fundas. | O «Boomerang». | A roda ou «chaca» indiana. | Arcos e flechas: - Arco europeu; - Arco oriental; - Bêstas. | Trons e engenhos.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas de papel marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico militar.
Sem registo na BNP.
10€

24 janeiro, 2026

MACEDO, Diogo de -
O CHRISTÃO NOVO.
Romance historico do seculo XVI. Porto Imprensa Portuguesa, 1876. In-8.º (18x12 cm) de 179, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico ao gosto da época, baseado em factos verídicos da história de Portugal.
"Por uma das mais somnolentas e placidas noites dos fins de outubro de 1553, no desvão de esguia janella do palacio dos nossos reis estava casual ou intencionalmente encoberto pelas dobras de soberba cortina de rendas de Flandres um personagem vestido com gibão de veludo preto.
Usava elle de curta cabelladura côr de castanha e não inculcava mais de cincoenta annos de idade. Em volta do pescoço alvejava-lhe uma das amplas gorgueiras encanudadas que, na frase picaresca de um novellista espanhol, davam á cabeça o irrisorio aspecto de um melão collocado em cima de um prato de porcelana branca. Pronunciava-se-lhe bem um nariz em demasia grosso, era baixo de corporatura como qualquer burguez e parecia reforçado dos musculos como um legitimo descendente de Hercules. [...]
Aquella esguia janella gothica pertencia ao quarto de dormir de um poderosa mulher  e no centro do quarto via-se um dos mais nobres e esbeltos personagens do segundo quartel do seculo XVI dado a indiscreta conversação com essa mulher em quem todos «descobriam raras e heroicas virtudes, grande zelo e piedade christan, grande brandura e affabilidade em obras e palavras para com grandes e pequenos.»
- Que nunca eu mereça o vosso desdem, exprimia-se elle com accento de ternura e de respeito. Confio nos sentimentos do vosso coração e da vossa nobresa, senhora. A não depositar nas vossas mãos a redoma das minhas esperanças, teria levado o meu corpo á defensão da praça de Arzilla ou das heroicas muralhas de Dio...
- Socegae, Dom Prior. Nada de perder o animo. Bem sabeis que de pouco serve o meu valimento; mas ainda assim me decidirei quanto possa em vosso auxilio."
(Excerto de I - Ciumes de um rei)
Diogo de Macedo (1844-1938). Natural do Peso da Régua. Escritor e jornalista, área em que atingiu alguma projecção no segundo quartel do século XIX à frente de diversos jornais. Publicou dois romances: O christão novo (1876) e A rainha das aguas (1882).
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na ,lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade de pouca monta visível nas últimas folhas, à cabeça, junto ao festo.
Raro.
45€
Reservado

23 janeiro, 2026

VALLE, Henrique Pereira do -
SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA ARTILHARIA PORTUGUESA.
[Por]... General. Lisboa, [s.n. - Tip. Duarte, Lda. - Lisboa], 1963. In-4.º (23x17,5 cm) de 14, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre as novas bocas de fogo que equiparam o exército português no período da Restauração da independência, importantes pela sua portabilidade e facilidade de manejo face ao existente até aí.
Opúsculo ilustrado com 4 figuras de peças de fogo, uma delas em página inteira: duas reproduções de estampas antigas, uma fotografia e um desenho esquemático.
"O aparecimento em Portugal, durante a Guerra da Restauração, das peças de panela correspondeu à necessidade de uma artilharia suficientemente potente, em alcance e calibre, com a mobilidade precisa para acompanhar a infantaria, quer em combate quer nas marchas itinerárias.
A artilharia desta época, pelo seu peso, estava impossibilitada de fazer mudanças de posição durante o combate e de, pela sua reduzida velocidade de marcha, acompanhar a infantaria.
Várias tentativas foram feitas, sem grandes resultados, para diminuir o peso das bocas de fogo, conservando estas, no entanto, o alcance e potência das peças clássicas de igual calibre mas de muito maior peso."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado. Cadernos separados das capas.
Invulgar.
10€

22 janeiro, 2026

AZEVEDO, J. Lucio de -
OS JESUÍTAS E A INQUISIÇÃO EM CONFLITO NO SÉCULO XVII. Por...
Lisboa, Academia das Sciências de Lisboa, 1916. In-4.º (23x14,5 cm) de 29, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história das relações entre a Companhia de Jesus e a Inquisição, e o poder político no Portugal de seiscentos, consubstanciada em documentos, muito deles inéditos, - cartas, projectos, pareceres, etc.
"[...] Desde o tempo de D. João III se repartyia entre o Santo Ofício e a Companhia de Jesus, o predomínio da política e na pública administração. Na primeira entrada manifestou-se o Tribunal da fé infenso àqueles que se propunham participar na tarefa de zelas a pureza da crença e a autoridade da Igreja. Era o rosnar do mastim, cioso de outro adventício que se lhe aproxima do pôsto. [...]
No período dos Filipes a fusão de interêsses foi completa. O govêrno espanhol cometera a leveza de agravar o clero em geral, e particularmente o Santo Ofício, lesando um e outro nos bens materiais, de que sempre foram as corporações eclesiásticas assás ciosas; a êste exigindo-lhe tornas dos confiscos na fortuna dos hereges, àquele em lhe impôr tributos de que se cria privilegiado, e esbulhá-lo de propriedades, provenientes de legados e doações, insubsistentes perante a lei. É certo que o Santo Ofício se não manifestou de modo ostensivo; mas lá estavam por êle os domínicos, que de mão dada aos jesuítas prepararam em esfôrço comum o movimento de Évora em 1637, e em seguida a revolução restauradora."
(Excerto do Ensaio)
João Lúcio de Azevedo (1855-1933). "É considerado um dos maiores historiadores portugueses do início do século XX, cuja obra continua a ser regularmente publicada. Viveu em Belém do Pará, no Brasil, e em Paris, França. Mas foi quando regressou a Portugal que dedicou mais tempo à escrita. Entre as suas obras contam-se os livros O Marquês de Pombal e a Sua Época, História de António Vieira, A Evolução do Sebastianismo, Histórias dos Cristãos-Novos Portugueses e Épocas de Portugal Económico."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

21 janeiro, 2026

AMARAL, Abílio Mendes do -
O PRIOR A SERRA DA ESTRELA E O CONVENTO DO RATO
. Viseu, [s.n.], 1974. In-8.º (22,5x17 cm) de 28, [4] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre o Padre Domingos Dias Seixas, Prior de Vinhó (Gouveia), e a sua obsessão por Ana de S. Joaquim, religiosa da Ordem da Santíssima Trindade, sobre a qual publicou uma Memória, em 1740, circunstância misteriosa que o autor procura desvendar. Trabalho publicado em separata da Revista «Beira Alta».
Ensaio curioso, com interesse para o tema da vida conventual "forçada", e o empenho de certas religiosas em cumprir com a regra monástica a despeito da ausência de vocação.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao "prestigioso heraldista José de Campos e Sousa"
"Infere-se ter sido nos termos constantes dos Pareceres - com os necessários descontos - que o padre Seixas escreveu a vida da sua heroína.
Ela, Ana, de cuja formosura e juventude o nosso Prior nos dá ideia por intermédio de uma linda gravura, teria nascido a 23 de Outubro de 1709, na Rua da Confeitaria (Bacalhoeiros), junto ao arco ou nicho de Nossa Senhora da Oliveira, em Lisboa. Fora baptizada a 1 de Novembro do mesmo ano, na igreja de S. Julião, por ser a da freguesia onde viviam seus pais - António Jorge e Francisca Maria, «de boa vida e costumes limpos em geração e sangue e de mediana opulência».
Faleceu a 28 de Dezembro de 1736, tendo de idade vinte e sete anos, dois meses e cinco dias, e pouco mais de 10 anos de Religiosa.
Nove capítulos se encheram com as virtudes reveladas pela jovem, durante os 17 anos passados na casa paterna. Ao que parece, foi objecto de todos os mimos e cuidados nesse lar burguês da Lisboa do século XVIII."
(Excerto de II - Candidez e pureza)
"Falecida a mãe, houve de encarar-se o futuro da moça. O pai, atenta à religiosidade e a regra do tempo, começou as diligências para a internar num convento, vindo a optar pelo de Nossa Senhora dos Remédios, de Campolide, vulgarmente dito do Rato. Feito o ajuste, tratou da escritura. E a pequena em breve vestiria o hábito da Santíssima Trindade.
Quando ela transpôs a portaria, «um grande e fatal estrondo se fez ouvir, como sinal de que o Demónio se temia de tanta virtude». [...]
Em 20 de Agosto de 1727, no tempo da prelada e fundadora Madre Maria de S. Filipe, do Mosteiro de Santa Marinha, a menina professou, envolta nas cerimónias litúrgicas da Congregação. Naturalmente se esperava que, dali em diante, sua existência decorreria na doce beatitude e santa protecção da Virgem dos Remédios.
Porém, não tardou que uma profunda melancolia e um inexplicável alheamento a possuíssem, tornando-a indiferente à confissão e às orações. E tão grande vulto o caso assumiu que a comunidade se alarmou. Supuseram-na endemoninhada, havendo que recorrer ao auxílio de vários sacerdotes, para a curarem, mas eles iam-se sucedendo por desistência."
(Excerto de III - No rumo de maiores tribulações)
Índice:
I - O Livro e o Autor. II - Candidez e pureza. III - No rumo de maiores tribulações. IV - Relato oficioso. V - Um labirinto tentador.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

20 janeiro, 2026

BRITO, Rozalino Candido de Sampaio e - O MUNDO NÃO SE ENDIREITA MAS EU NÃO LARGAREI NUNCA O MUNDO. Segunda edicção precedida d'uns bons bocadinhos, e seguida d'outros ainda melhores. (Mimozissimo presente, que o comprador pode fazer a qualquer... asno, por exemplo). Porto, Typ. de Antonio José da Silva, 1873. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], XXIV, 24 p. ; B.
Curiosíssimo opúsculo. Apesar de se tratar da segunda edição, esta poderia ser considerada uma 1.ª edição, tão grandes são as diferenças entre as duas  porque muito aumentada a presente, redigida com uma linguagem "terrível", conforme declara Rosalino: "talvez a mais terrivel que eu tenho escripto em toda a minha vida; mas é justa - é justissima". Assim, a primeira parte do livro (XXIV pp) é exclusivamente dedicada pelo autor à justificação da segunda edição, sendo a segunda parte preenchida com O mundo não se endireita.
Índice:
[Primeira parte]: Por conveniencia de futuro; Franqueza d'alma; Declarações muito necessarias; Uma attenção minha para com os criticos competentes; Prologo (tornado n'uma boa lição). [Segunda parte]: O mundo não se endireita mas eu não largarei o mundo. Vermes detestaveis ou viventes perigosos.
Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (? - 1904). "Poeta e polemista, falecido a 7 de Maio de 1904 na cidade de Lisboa, onde passou os últimos anos da sua vida, anteriormente havia residido no Porto até cerca de 1868 e, em seguida, em Coimbra, cidade na qual terá permanecido nas duas décadas seguintes e à qual ficou intimamente associado em virtude da enorme popularidade que aí adquiriu pela sua actividade nas letras ou pelas suas “extravagâncias literárias”, como melhor esclarece Cardoso Marta numa das suas anotações à obra Cartas de Camilo Castelo Branco (1918).
Embora não estando matriculado em qualquer instituição de ensino em Coimbra, onde terá apenas frequentado uma aula regida por Manso Preto a quem, num episódio que ficou célebre em toda a academia, chegou a pedir dispensa em verso por não ter estudado a lição, aí conviveu com inúmeros académicos e ficou na memória de várias gerações, incluindo alguns autores como Trindade Coelho, Brito Camacho, Sá de Albergaria, Mário Monteiro e António Cabral, que o mencionam nas suas obras, qualificando-o como um filósofo, humanitarista, precursor do nefelibatismo ou como um louco.
Publicando grande parte da sua obra na cidade de Coimbra, incluindo o jornal filosófico Luz da Razão, do qual foi o único redactor e que se imprimiu no Porto entre 1867 e 1868 e, em seguida, em Coimbra, onde obteve grande popularidade, a sua vasta produção literária, exceptuando o romance A observação e o homem orgulhoso (1876), é composta sobretudo por inúmeros opúsculos que ele próprio vendia, marcados por um tom inflamado e uma predilecção pelo grotesco.
Cultivando essencialmente a escrita poética e a prosa ensaística, fórmulas que por vezes integrou na mesma obra, da sua produção enquanto poeta conhecem-se, entre outras, as publicações O jovem ancião (1875), Camões: homenagem aos antigos heróis portugueses e sobre todos ao seu divino cantor Luís de Camões (1880), O legendário misterioso (1881), Uns pontos nos is à minha moda constituídos sempre (18--), Uns santos do céu: em verso (e prosa) amaldiçoados por um diabo da terra (1883), Espontaneamente vestir a pele do lobo e arranjar lenha para as suas costas ou quid pro quo em sonetos (1887), Cupido e Baco na rua do Ouro em dia de S. Martinho (1887) e Um sonetão, sim, capitão (1890).
Além destas obras, foi ainda autor dos opúsculos de carácter polémico ou filosófico O que é uma tourada perante a civilização (1870), O número terrível da luz da razão (1874), A pobreza e a mendicidade humana: remédio para aquela e a extinção absoluta de esta (1877), Processo académico oferecido aos estudantes: consagrado ao riso e dedicado ao Conselho de Decanos de todas as faculdades no outro mundo (1878), Discurso: para ser recitado no sarau literário à memória de Camões pelos estudantes de 1881 (1881), A carta (as touradas) do Ex.mo Sr. Dr. Luís de Magalhães e a resposta de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (1888), Algumas sandices de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito consagradas ao Sr. Emídio Navarro: não como ministro das obras públicas, mas sim como redactor-proprietário do jornal As Novidades (1888) e Um petisco! Um petisquinho! A novidade agora! Ou melhor Emídio Navarro com Rosalino Cândido de Sampaio e Brito não é tarea é um petisquinho, só um petisquinho! (1889)."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=34&Itemid=122)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.

Raro.
Sem registo na BNP.
25€

19 janeiro, 2026

MACHADO SANTOS, A CARBONÁRIA E A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO.
Textos de Joaquim Madureira, Augusto Vivero e António de la Villa. Precedido de um estudo por João Medina. Textos Universitários – Opúsculos / 1. Lisboa, Cooperativa Editora História Crítica, S.C.A.R.L., 1980. In-8.º (20x15 cm) de 56, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante documento histórico sobre a implantação da República e a acção da Carbonária. Valorizado pela introdução de João Medina (n. 1939), com inclusão de textos de conhecidos jornalistas da época a que reportam os acontecimentos: Joaquim Madureira (1874-1954), também conhecido pelo pseudónimo "Braz Burity", e os espanhóis Augusto Vivero (1879-1939) e António de la Villa (1881-?).
Ilustrado com fotografias a p.b.
"Se observarmos com atenção esta figura política que os historiadores parecem querer esquecer, não podemos deixar de sentir uma espécie de embaraço misturado com muita perplexidade, já que tudo se mostra contraditório e por vezes mesmo paradoxal no destino e na alma do homem que fundou a República, que foi o braço armado que, na hora decisiva em que todos desanimavam e alguns desertavam já, fez pender a balança da História para o campo dos revoltosos e, no reduzido acampamento da Rotunda, com uns quantos sargentos, praças e civis, verdadeiramente arrebatou a vitória nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910."
(Excerto do estudo de João Medina)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

18 janeiro, 2026

COSTA, Vieira da - A FAMILIA MALDONADO (pathologia social)
. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1908. In-8.º
(19x13 cm) de 437, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Romance realista 
cuja acção decorre na zona de Lamego, porventura a obra mais importante do autor.
"Foi na tarde de um domingo d'Agosto, em 1886, que a familia Maldonado chegou a Lamego, para ahi fixar residencia.
Era aquella a hora habitual do passeio, e a população, endomingueirada, formigava, convergindo para o Campo das Freiras a ouvir a banda do 9, ou para a Alamêda a gosar a frescura dos arvoredos e das aguas correntes. Pela rua dos Mercadores, um pouco angulosa, como pela de Almacave, accidentada e larga, e ainda pela da Olaria, estreita e ingreme, ia um fervilhar de gente. Bandos elegantes de senhoras em toilettes alvadias, de estio, criadas de servir ou operarias de folga com lenços de côres variegadas, berrantes, homens de campo e da cidade em trajos de festa, cavalheiros fumando e discutindo, conegos roliços, vermelhaços, d'uma adiposidade suina, rolando penosamente a sua rotundidade, - tudo isto pejava os passeios, invadia as ruas; os alumnos do collegio, em filas, commandados pelos padres, passavam unidos em batalhão; e os officiaes do 9, fazendo tilintar nas lajes dos passeios ou nas pedras da rua as suas espadas, punham uma nota marcial na pacatez das ruas pacificas.
Poucos em Lamego conheciam a familia Maldonado, e por isso, quando o carro que a conduzia, um pesado char-á-banks empoeirado e com o tejadilho abarrotado de malas, começou a subir penosamente a rua d'Almacave, grande foi a curiosidade que o seguiu, e os que melhor o observaram puderam vêr, atravez das cortinas entreabertas, quatro senhoras novas e bonitas, um cavalheiro idoso de bigode e pêra já brancos, e uma creada magra, esgalgada, com perturberancias osseas no rosto já rugoso, e o queixo deformado n'um prognatismo de caricatura."
(Excerto do Cap. I)
José Augusto Vieira da Costa (1863-1935). "Nasceu em Salgueiral, concelho da Régua, em 14.3.1863. Aí morreu em 13.1.1935. Colaborou em vários jornais e revistas, nomeadamente na Ilustração Transmontana e em jornais do Brasil. Publicou os romances Entre Montanhas, A Irmã Celeste e A Familia Maldonado. Deixou organizado o romance O Amor, e a novela Sob a Folhagem. Já quase cego escreveu Portugal em Armas, publicado por ocasião da Grande Guerra. A cegueira deixou o na miséria pelo que a Câmara da Régua lhe estabeleceu uma pensão. O Dr. Fidelino Figueiredo publicou uma análise crítica sobre a sua obra."
(Fonte: http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=555&id=2555&action=noticia)
Encadernação meia de percalina com pastas recobertas de fantasia emoldurada por cercadura. Lombada lisa. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com selo de biblioteca na lombada
.
Raro.
Indisponível