MAGALHÃES, José Calvet de - A ATITUDE CHINESA PERANTE MACAU E O FUTURO DA NOSSA COLÓNIA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1946. MACAU E OS INTERÊSSES POLITICOS NO SUL DA CHINA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1947. Cantão, [s.n.], 1947-1948. In-4.º (27,5x19 cm) de [5], 100 f. ; il. e [6], 44 f. ; E.
1.ª edição.
Primeiros relatórios elaborados por iniciativa de Calvet de Magalhães, cônsul português em Cantão na época, com a chancela "Confidencial", sendo seu objectivo dar a conhecer aos "corredores do poder" em Lisboa - Ministério dos Negócios Estrangeiros e Presidência do Conselho - a situação de Macau, pura e dura, sem "floreados". Descreve a conjuntura da colónia, a reivindicação chinesa sobre Macau e Hong Kong, e os interesses das outras potências presentes nesta zona do globo - sobretudo ingleses, franceses e americanos - sublinhando, no entanto, a perspectiva da China e a sua influência na Região Administrativa de Macau, não deixando o diplomata de apontar caminhos e recomendar formas de aproximação às autoridades chinesas, locais e centrais, tendo em conta o contexto político e militar, a sua cultura peculiar e objectivos estratégicos, para ajudar o poder central na tomada de decisões. O Presidente do Conselho, António Oliveira Salazar, que dava já como perdido o território, leu com interesse os relatórios, com os quais concordou quase na íntegra, felicitando o autor, que se regozijou com os elogios presidenciais na abertura do segundo relatório.
Exemplares batidos à máquina, policopiados, impressos na frente, com mapas reproduzidos no texto do segundo relatório. Por opção, o relatório mais moderno foi encadernado à frente.
Os Relatórios procedem do espólio de um embaixador português. Trata-se de documentação importante, praticamente desconhecida, com interesse
para a história das relações sino-portuguesas do pós-Guerra (1945), coincidindo com o conflito civil chinês que opôs facções nacionalistas a comunistas, em tempos marcados por alguma conflitualidade regional entre Macau e as províncias chinesas vizinhas. Aborda questões centrais da política da colónia, como o jogo, o turismo, o comércio com a metrópole e a obra missionária.
"Êste breve relatório contém pontos de vista meramente pessoais e portanto sujeitos a discussão e rectificação. Para a sua elaboração procurei apoiar-me, todavia, nos elementos mais objectivos que pude lançar mão, não esquecendo a observação directa do ambiente local traduzido pelas pessoas e pela imprensa.
Os pontos fracos da nossa posição em relação ao problema de Macau não deixaram de ser registados, pois creio que o seu estudo é tanto ou mais importante que o estudo dos pontos que nos são inequìvocamente favoráveis. Nos estudos publicados acêrca da nossa soberania em Macau, tem-se naturalmente procurado tirar o maior número de conclusões a nosso favor, tentando-se, por outro lado, diminuir de tôda a forma os argumentos que possam ser utilizados pelos nossos adversários nesta questão. Num trabalho destinado à apreciação do Ministério dos Negócios Estrangeiros não creio que haja lugar para tiradas aptrióticas ou pintura de problemas com côres róseas."
(Excerto de Duas palavras - Relatório anual referente ao ano de 1946)
Índice Relatório de 1946:
[Duas palavras] | I - A atitude chinesa perante Macau. II - A atitude portuguesa acêrca da soberania de Macau. III - O futuro de Macau.
Índice Relatório de 1947:
Introdução | § 1º Exame breve das condições económicas e estratégicas do Sul da China. § 2º A política chinesa no Sul da China. § 3º A política inglesa no Sul da China e a colónia de Hongkong. § 4º Os interêsses franceses no Sul da China. § 5º Haverá uma política americana no Sul da China? § 6º Esquema dos interêsses e da política portuguesa no Sul da China.
José Calvet de Magalhães (1915-2004). "Embaixador de Portugal (um dos principais e mais conhecidos diplomatas portugueses da segunda metade do século XX), foi um pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos grandes protagonistas na aproximação de Portugal à Europa enquanto
participante activo em negociações que envolveram diversos organismos europeus.
O embaixador Calvet de Magalhães não foi só um homem de acção. Possuidor de um
consistente pensamento sobre a Europa e sobre as relações externas de Portugal, deixou-
-nos o seu ideário materializado num conjunto de obras que enriquecem o seu legado e
juntam à sua actividade diplomática um acervo de ideias sobre as relações internacionais
do seu tempo. Referência para uma geração de diplomatas, o seu ascendente provém da
forma lúcida como a cada momento foi capaz de defender simultaneamente essas suas
ideias e os interesses portugueses. Mais que atlantista, americanófilo, nunca deixou
de estar atento ao carácter euro-atlântico de Portugal e, em particular, à importância
da posição geoestratégica dos Açores e de Portugal como ponte entre a Europa e a
América.
Calvet de Magalhães nasceu em 1915, em Lisboa, sob o signo da I Guerra Mundial. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1940, fez estágio de advocacia; em 1941
candidatou-se a um lugar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e foi admitido – por essa altura entraram também para o Palácio das Necessidades Eduardo Brasão
e Franco Nogueira. Ao longo da sua vida trabalhou com mais de duas dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros.
Estreou-se na direcção-geral dos Negócios Económicos, uma área da diplomacia em que
veio a especializar-se. Em 1945 encontramo-lo como cônsul-adjunto em Nova York, de
onde no mesmo ano seria transferido para Washington. Em 1946 foi enviado para Boston onde fica a gerir o consulado até que, volvidos poucos meses, é enviado para Cantão
(onde acompanha o fim da guerra civil chinesa e a chegada de Mao Tsé-Tung ao poder),
regressando a Lisboa em 1950. [...]"
(Fonte: https://ipri.unl.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r8/RI08_07MFRollo.pdf)
Encadernação contemporânea inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
250€


























