MELLO, Thomaz de - BOHEMIA ANTIGA. Por.... Lisboa, Typographia de A. da Costa Braga, 1897. In-8.º (18,5x12,5 cm) de [8], 263, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Crónica de uma viagem a Sevilha, interessantíssima, seguida de um conjunto de histórias engraçadas e curiosas pela pena de D. Tomás de Melo, conhecido pândego da época.
"Por esse tempo ainda não havia casas de penhores, affinaçadas pelo Governo Civil; os prégos eram clandestinos.
Existiam alguns taberneiros e moços de botequim que, por intermedio de seus agentes, como eram entre outros o Theodoro, o Phoca, o Rei Wamba e o Pessoa, faziam esta especie de negocios.
Quando então se empenhava qualquer objecto, o seu agio era enorme. Não se limitava ao juro imposto pelo préguista, acrescia ainda o preço do recado, que se pagava ao gallego, que ia chamar o agente e a gratificação que este recebia! Quem levantasse uma moeda sobre qualquer penhor encontrava-se, a maior parte das vezes, com tres mil e seiscentos!
D'entre todos estes onzeneiros os mais afamados eram o Marreca, de quem fallamos n'estas memorias; o Prado Chapelleiro, do Rocio; o Carvoeiro, hervanario da Travessa de Santa Justa e o celebre José Confeiteiro, da Rua do Ouro, de quem respeitosamente nos vamos occupar.
Este, ao escurecer, soltava os seus agentes pelas immediações do Marrare do Arco do Bandeira, do Botequim do Freitas e do Café do Hespanhol, mais conhecido pelo Canto do Muro em virtude da sua grande analogia com o celebrado Canto do Muro, do Pinhal da Azambuja.
O José Confeiteiro, que em epochas anteriores se recusava a acceitar qualquer objecto que não fosse de ouro ou prata, já por esse tempo emprestava sobre tudo que tivesse algum valor, não se negando mesmo a transaccionar com egua ou cavallo, que lhe apresentassem, logo que os visse gordos e de pello luzidio."
(Excerto de O José Confeiteiro)
Índice:
Uma viagem a Sevilha - Da Travessa dos Burros (á boa-morte) á Calle de la Sierpe | Outros tempos... - O José Confeiteiro (1860); - Na Boa Morte. A espada do cardeal de Retz e um cavallo deitado á almargem (1865); - Um negocio de frangãos (1865); - O Armario do Chico Mendonça (1860); - As botas de Napoleão; - Memorias da mocidade e… azeite doce. A José Augusto Galache; - O corcunda do Chiado; - Um Duello.
Tomás de Melo
(na grafia de então, Thomaz de Mello) (1836-1905). Foi um escritor
português, casado com D. Maria de Jesus de Bragança, filha ilegítima de
D. Miguel I. Sobre a sua conduta de bon vivant e bom garfo lemos na revista O António Maria:
"Quem
o não conhece, ao D. Thomaz de Mello, como um dos mais patuscos, mais
curiosos, mais attrahentes typos d'essa bohemia de melhores tempos que
lhe valeu agora, em boas reminiscencias, um alegre livro?! Quem o não
conhece, ao da grande pera e mais o grande bigode, grande chapeu
desabado e grande pança cahida, dilatada por quantas ceias e idas ás
hortas memoraveis de que nos falla a Historia, e em que elle tomou
parte, denodadamente, em tremendissimas pandegas de estalo!"
Foi
autor dos seguintes livros: Cenas de Lisboa (1874); Modesta: memórias
de um degredado (1874); O Conde de S. Luís (1874; 2.ª ed. 1903); A
espera de touros em Carriche (1879); Boémia antiga (1897); Contos e
casos (1904); Recordando "O Negro de Alcântara": tragédia em 4 actos,
paródia do "Otelo" (1904). Foi ainda proprietário da revista O reclamo: órgão da Agência Universal de Anúncios, publicada pela casa Júlio Rodrigues, em 1892."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação simples em tela, com ferros gravados a seco e a ouro na lombada, executada nas oficinas de mestre Paulino Ferreira. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€































