PACHECO, Luiz - MEMORANDO, MIRABOLANDO. Setúbal, Contraponto, 1995. In-8.º (19x15 cm) de 286, [2] p. ; [1] estampa ; il. ; B.
1.ª edição.
Memorando, Mirabolando (1995) é uma obra central para compreender o universo literário de Luiz Pacheco, funcionando como um mosaico autobiográfico e documental. Fiel ao seu estilo "neo-abjeccionista", satírico e contracorrente, o livro não segue uma estrutura narrativa tradicional. Serve como uma plataforma onde o autor junta fragmentos da sua própria existência, cruzando diários, reflexões de circunstância, crónicas e trocas de correspondência epistolar. (IA)
Ilustrado hors-texte com uma caricatura do autor por Carlos Fernandes, e no texto, em página inteira, com fac-símiles de correspondência de (e para) Luiz Pacheco.
Memorando, Mirabolando: trata-se de uma tentativa, como primeiro volume, de uma autobiografiazinha em fragmentos dispersos pelos tempos que correm.
Edição restrita a 1000 exemplares, subscrita, personalizada, numerada e assinada pelo Autor e Editor. Exemplar n.º 107.
"Em princípios de 1959 eu havia editado o livro de Mário Sacramento, Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda. Tinha um mandado de captura às costas e resolvi laurear por Itália antes de ir meter o corpinho no saudoso Limoeiro. [...] Regressado a Portugal, fui (como era de prever) preso daí a escassos meses. No imediato, tinha uma história para ouvir e que relato agora, tal como ma contaram, visiono a trinta anos distante. Quem ma contou, com a maior naturalidade, foi a Maria do Carmo, sertaneja de pêlo na venta, minha companheira de casa, cama e pucarinho.
Era assim: na minha ausência em Roma, aparecera na Rua Jorge Colaço, ali ao Pote d'Água, onde então residíamos, um senhor vindo de Aveiro à minha procura. Apresentara-se: dr. Mário Sacramento. A rapariga, semialfabeta, não sabia quem ele era, nunca ouvira, aquilo era um mistério."
(Excerto de O Senhor Fernando Pessoa no Pote d'Água)
Luíz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco (Lisboa, 1925 - Montijo, 2008). "Escritor português. Nasceu a 7
de maio de 1925, em Lisboa. Oriundo de uma família de raízes
alentejanas ligada às artes, frequentou o Liceu Camões, em Lisboa, e
matriculou-se no curso de Filologia Românica, que não chegou a concluir.
Colaborou em várias publicações periódicas como Bloco, Seara Nova, Globo, Afinidades, Diário Popular, Diário Ilustrado. Foi inspetor dos espetáculos e acumulou a escrita com a tradução e com a atividade editorial, publicando em Contraponto, editora fundada por si em 1950, textos coletivos de autores surrealistas e neorealistas como Mário Cesariny, Natália Correia, Herberto Helder e Vergílio Ferreira, assim como a primeira tradução portuguesa de Sade.
O seu primeiro livro data de 1959 Carta-Sincera a José Gomes Ferreira, iniciando uma escrita de crítica inteligente, agressiva e irreverente, face aos costumes e nomes consagrados.
Assume-se como um agitador intelectual, ironizando e satirizando a vida literária e cultural do país."
Colaborou em várias publicações periódicas como Bloco, Seara Nova, Globo, Afinidades, Diário Popular, Diário Ilustrado. Foi inspetor dos espetáculos e acumulou a escrita com a tradução e com a atividade editorial, publicando em Contraponto, editora fundada por si em 1950, textos coletivos de autores surrealistas e neorealistas como Mário Cesariny, Natália Correia, Herberto Helder e Vergílio Ferreira, assim como a primeira tradução portuguesa de Sade.
O seu primeiro livro data de 1959 Carta-Sincera a José Gomes Ferreira, iniciando uma escrita de crítica inteligente, agressiva e irreverente, face aos costumes e nomes consagrados.
Assume-se como um agitador intelectual, ironizando e satirizando a vida literária e cultural do país."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
45€



































