26 julho, 2026

LISBÔA, Conselheiro -
RELAÇÃO DE UMA VIAGEM A VENEZUELA, NOVA GRANADA E EQUADOR.
Pelo... A. M. pela Universidade de Edimburgo, Membro Correspondente do Instituto Historico e Geographico Brasileiro. Bruxellas, A. Lacroix, Verboeckhoven e Cia, Editores - Rua Real, 3, Bêco do Parque - Com Casa em Leipzig e em Leorne, 1866. Direitos de reproducção e traducção reservados. In-4.º (23,5x15 cm) de 393, [1] p. ; 
[1] mapa a cores em 2 f. ; [11] plantas/mapas ; [17] estampas ; [4] f. partitura ; [1] quadro desdob. ; E.
1.ª edição.
Importante livro de viagens por países da América Latina, locais onde o autor - diplomata - esteve destacado.
Obra de fôlego, nunca reeditada, belamente ilustrada em separado com estampas, quadros, plantas e mapas, sendo alguns deles desdobráveis. Inclui partitura do hino patriótico colombiano "El 20 de Julio - Cancion nacional".
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita de Miguel Lisboa ao "Ex.mo Senhor Almeida e Albuquerque". Assina "O Autor".
"Eu prevejo que a publicação em 1865 de uma relação de viagens escrita em 1853 dará logar a commentarios por ventura justos. Conheço que o interesse de taes narrativas como a que com tanta tardança apresento ao publico, depende em grande parte da sua novidade; e esse conhecimento com effeito fez-me por muito tempo hesitar si deveria ou não publicar o meu trabalho. [...]
O interesse que teem os brasileiros em conhecer o estado social das Republicas que com nosco limitam, longe de haver diminuido de 1853 para cá tem augmentado. Graça á abertura do rio Amazonas, nosso commercio com as que estão contiguas pelo Norte e Oeste váe-se desenvolvendo. A mesma ignorancia sobre o estado de civilisação dellas, sobre o que ahi ha de apreciavel, assim como dos elementos de desordem e decadencia que retardam os seus progressos, existe ainda. Acostumados, fazendo echo com escriptores europeos apaixonados e superficiaes, a só enxergar nas Republicas hespanholas as suas revoluções, a falta de garantias que em algumas dellas se manifesta, e a sua decadencia material, fazemos-lhes grande injustiça desconhecendo o muito que ha nellas de respeitavel e sympathico, já no caracter de seus habitantes, descendentes de uma raça nobre e cavalheresca, que apezar de 50 annos de desordens e máo governo, ainda possúe, a meu ver, elementos de futura prosperidade e grandeza, já nos monumentos historicos que ainda hoje attestam a energia dessa raça emprehendedora."
(Excerto de Advertencia)
"No dia 2 de Setembro de 1852, pelo meio dia, embarquei-me a bordo do vapôr Orinôco, capitão Hast, pertencente á Real companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes, com destino a Santomaz, uma das ilhas chamadas Virgens, situada quasi á vista da colonia hespanhola de Porto-Rico.
São bem conhecidos no porto do Rio de Janeiro os magnificos vapôres desta Companhia, uma das mais importantes da Gran Bretanha. Si ella tem tirado de seus esforços ampla remuneração, é preciso confessar que tem feito importantes serviços ao commercio e ás communicações do velho mundo com o Brasil e com as republicas hispano-americanas. [...]
De muitas commodidades gozam os passageiros a bordo destes vapôres: o aceio é igual ao que se encontra em todos os navios de guerra ingleses; a superioridade e abundancia de viveres frescos fazem esquecer que se navega no alto mar; o serviço dos despenseiros é tam regular quanto é possivel em uma reunião que nunca é menor de cem pessõas e frequentemente excede a duzentas; finalmente o systema de ventilação é muito estudado, e os camarotes e beliches a bordo do Orinôco são mais espçosos e commodos que os de fragatas e náos em que tenho viajado. Eu occupei só um camarote que tinha dez palmos de comprimentos, oito de largura e dez de altura, tendo uma abertura para o mar de pé e meio quadrado."
(Excerto de I - Viagem de Southampton a Santomaz; a real Companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes; Sombrero)
Miguel Maria Lisboa (1809-1881). "Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de maio de 1809 e faleceu em Lisboa a 28 de abril de 1881. Foi diplomata. Formou-se em artes pela Universidade de Edimburgo e seguiu a carreira diplomática, tendo cumprido missões em Londres, no Chile, na Venezuela, na Bolívia, no Equador na Nova Granada (atual Colômbia), no Peru, nos Estados Unidos, na Bélgica e em Lisboa.
Pertenceu ao Conselho do Imperador D. Pedro II, foi veador da Imperatriz Tereza Cristina, grande dignitário da Imperial Ordem da Rosa, comendador da Ordem de Cristo, grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e da Ordem de Nossa Senhora Jesus Cristo (ambas de Portugal) e da Ordem Ernestina da Saxónia, da Casa Ducal da Saxónia. Recebeu o diploma de Artium Magister da Universidade de Edimburgo. Em 1° de janeiro de 1839 foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 28 de fevereiro de 1867."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20587)
Belíssima encadernação meia em pele com nervuras, rótulos e letras a ouro na lombada. Conservas as capas de brochura. Aparado e carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, alvo de pequenos restauros. Interior correcto.
Ex-libris de Aucindio Rodrigues da Silva na f. ante-rosto.
Raro.
250€

25 julho, 2026

DUBRAZ, João - 
ACHMET. Conto de fadas : fundado em lendas patrias. Lisboa: Vende-se na Loja de A. M. Pereira. Rua Augusta, n.º 188. 1852. In-8.º (16,5x11,5 cm) de XII, [2], 250 p . ; E.
1.ª edição.
Romance histórico de João Dubraz publicado sob anonimato. Obra oferecida pelo editor a Francisco d'Assis Salles Caldeira, que sobre a autoria de Achmet, nos diz na dedicatória: "O author do livro que ousei dedicar a V. S.ª já não existe: viveu obscuro e morreu ignorado - vida e fim communs a todos os engenhos desvalidos n'esta epoca corruptamente alchymica, que parvos e velhacos intitularam civilisada. Sem ser um genio, o author do Achmet era comtudo mancebo de rasão clara, juizo recto, e leal coração, que algumas decepções haviam quiçá lançado no scepticismo".
"Trata-se de um romance em prosa, muito inspirado na obra, D. Branca considerada uma das primeiras expressões do romantismo em Almeida Garrett,escritor que João Dubraz muito admirava e com o qual muito se identificava devido às convicções políticas que ambos perfilhavam.
O herói deste romance é Achmet, jovem mouro, guerreiro valente, amante apaixonado, sofrendo amores incompreendidos e cuja breve existência decorreu nos campos cerca dos rios Xévora e Caia, ou seja, nas terras onde foi fundada a vila de Campo Maior."
O romance foi apresentado pelo editor como se o texto lhe tivesse chegado às mãos sem nele constar o nome do autor. Por isso, era publicado anonimamente."
(Fonte: https://alemcaia.blogs.sapo.pt/21457.html)
A última parte do livro, desde a página 211 até ao final, é preenchida com uma colecção de poesias do autor do Achmet, também de cariz histórico.
"O som da buzina venatoria fere as montanhas, e echôa nas profundezas do valle. O real veado, surprehendido em seu leito de verdura, ergue-se d'um pulo ao fatal clangor estirando os membros ageis; e depois d'haver interrogado a impregnada aragem, e escutado com ouvido attento, busca refugio nos matos onde alteia sobrelevada a sua ramosa corõa; entretanto o bravo javali corre por entre as moitas intrincadas, e evita o perigo que se aproxima, fugindo por instincto ao ruido da montaria.
Sôa ao longe o latido dos sabujos, que em matilha farejam os passos da rez fugitiva: conjuntamente rebôa o galope de guerreiros ginetes e o clangor das buzinas de caça, tangidas com frequencia por fervidos caçadores.
Redobra mais e mais este ruido longinquo: os cães seguem açodados a pista da venção, e os briosos corceis, contidos por seus cavalleiros, brincam agora impacientes, porque os não deixam ultrapassar as recovas dos alões.
Progride a montaria, e o arruido é cada vez maior. Olfactando a caça, os sabujos embrenham-se nas selvas, e vam descobrir o real fugitivo, que colhido em asylo da charneca, de mau grado o deixa para correr diante dos mastins que inutilmente o perseguem."
(Excerto do Cap. I, O Lago do Muro)
Índice:
Achmet: [Dedicatória] | [Prólogo do Editor] | [Prólogo do Autor] | Achmet - Invocação | 1.º O Lago do Muro. 2.º A dama do corcel fouveiro. 3.º A lucta das alimarias. 4.º A ilha encuberta. 5.º A Torre-do-Moiro. 6.º O Castello-do-Amor. 7.º O torneio na Cabela-aguda.
Poesias: A pastora perdida | O pagem cioso | Dom Florisel | Dom Rodrigo, o Trovador | Liberdade.
João Francisco Dubraz (1818-1895). Natural de Campo Maior. "Professor de latim e francês. Dedicou-se ao comércio, que depois trocou pelo professorado. Foi também advogado provisional. Escreveu: Achmet (Lisboa, 1852); Recordações dos últimos quarenta anos, esboços humorísticos, descrições, narrativas históricas, e memórias contemporâneas (Lisboa, 1868) (2.ª edição em 1869); A Republica e a Ibéria (Lisboa, 1869); Cinco finados ilustres (autopsias e comemorações) (Lisboa, 1869); O aventureiro francês (Lisboa, 1869). Colaborou também em vários jornais."
(Fonte: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. IX, p. 327.)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos e falhas de papel marginais. Lombada restaurada, cadernos colados.
Raro.
85€

24 julho, 2026

CASTEL-BRANCO, José Emilio de Sant'Anna da Cunha -
RELATORIO ÁCERCA DOS SYSTEMAS MODERNOS DE CANALISAÇÃO EMPREGADOS NA EUROPA PARA ESGOTO DAS CIDADES APRESENTADO AO MINISTERIO DAS OBRAS PUBLICAS, COMMERCIO E INUDSTRIA EM 29 DE JANEIRO DE 1879.
Por... Capitão de engenheria ao serviço do mesmo ministerio. Publicação Officil. Texto. Lisboa, Imprensa Nacional, 1880. In-fólio (30x21,5 cm) de 397, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho acerca dos diversos sistemas de esgotos existentes nas principais cidades europeias, e outras, resultado do périplo de estudo empreendido pela autor, numa época em que as autoridades de Lisboa procuravam uma solução satisfatória para a cidade.
"O escoamento dos resíduos industriais foi frequentemente articulado com a implantação do sistema de esgotos. Grande parte das propostas de criação de redes urbanas de esgotos que surgiram na segunda metade do século XIX, previam que os resíduos líquidos dos estabelecimentos fabris fossem escoados por estas redes, que em muitos casos desembocavam nos rios. Em 1874 as propostas apresentadas para Lisboa pelos engenheiros João Fagundo da Silva, João Evangelista de Abreu e José Emílio de Santana da Cunha Castel Branco defendiam que os esgotos da cidade desembocassem no rio Tejo. O engenheiro Castel-Branco tinha inclusive realizado uma viagem de estudo ao estrangeiro que lhe tinha permitido estudar o sistema de esgotos de várias cidades."
(Matos, Ana Cardoso de - A Utopia do Conhecimento Químico e da Engenharia Urbana para a solução dos problemas das Cidades do século XIX: o caso de Lisboa, Universidade de Évora - Cidehus, 2016)
Obra ilustrada com quadros e tabelas, sendo um deles desdobrável de grandes dimensões (30x65 cm): "Cidades que praticam a irrigação com as aguas de esgoto".
"O presente trabalho foi elaborado para satisfazer á portaria de 16 de junho de 1877, que me incumbiu de visitar e estudas as canalisações nas principaes cidades da Europa onde modernamente se têem estabelecido para esgoto e saneamento das mesmas cidades, fazendo relatorio detalhado sobre o modo por que funccionam.
Para dar cumprimento a estas ordens saí de Lisboa no dia 10 de setembro de 1877, regressando em 20 de junho seguinte, depois de ter visitado, por conselho das pessoas competentes no assumpto, as cidades a que se refere este relatorio, entre as quaes figuram, julgo, as mais importantes que na Europa, nos ultimos tempos, têem realisado desenvolvidamente trabalhos de canalisação de esgoto.
Tambem n'este trabalho se trata de obras feitas em algumas cidades que não têem direito a serem classificadas entre as principaes da Europa, por acontecer actualmente que nem sempre os mais interessantes, completos ou cvaracteristicos trabalhos de esgoto se encontram exemplificados nas cidades mais populosas ou importantes; e tambem porque, tendo sido a questão do saneamento de Lisboa a causa da portaria ha pouco mencionada, julguei da maxima conveniencia obeter o conhecimento e fazer o estudo das obras de canalisação de algumas cidades que apresentam condições de situação, orographicas ou outras, comparaveis á da nossa capital. [...]
Consta o relatorio da serie de monographias dos differentes trabalhos de esgoto por mim estudados, monographias mais ou menos desenvolvidas segundo a importancia, o caracter d'essas obtrs e a somma das informações obtidas. Quasi sempre ao systema de esgoto empregado em cada cidade é reservado um capitulo especial, que se subdivide em secções, em cada uma das quaes se analysa algum orgão, ou grupo de orgãos importante do systema, ou se considera este ultimo sob um determinado ponto de vista."
(Excerto de Observações preliminares)
José Emílio de Santana da Cunha Castelo Branco (1849-1920). "Estudou na Escola do Exército em Lisboa. Em 1875, trabalhou para o Ministério das Obras Públicas nos estudos do Caminho-de-Ferro da Beira Alta. Depois de uma missão pelo estrangeiro foi encarregue de estudar o problema do saneamento e limpeza da cidade de Lisboa. Foi também docente da Escola do Exército. Trabalhou em Angola na Missão chefiada por Rafael Gorjão. Foi enviado para a Índia por ser especialista em Hidráulica Agrícola, chegou a Goa em Janeiro de 1904. Em 1905, fez uma viagem de inspecção ás Obras Públicas e Militares de Macau, onde trabalhou nos projectos do Porto de Macau; saiu da Índia a 31 de Março de 1906, rumo à Birmânia, e em Outubro de 1906 foi oficialmente transferido para Timor. Foi Governador Interino de Macau. Termina as suas comissões nas colónias em 1908."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, com falha de papel relevante na capa anterior. Interior correcto.
Raro.
25€

23 julho, 2026

INVENTÁRIO DOS CÓDICES ALCOBACENSES
. Lisboa, Biblioteca Nacional de Lisboa, 1930-1938. 6 vols in-8.º (22,5x19 cm) de 575, [5] p. ; [15] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante repositório dos manuscritos existentes na BNP com origem no Mosteiro de Alcobaça, organizados em 6 volumes publicados entre 1938 e 1938 (colecção completa), sendo o último dedicado aos índices.
Obra ilustrada em separado com 3 estampas - impressas sobre papel couché - por cada um dos 5 primeiros volumes, reproduzindo partes dos códices.
"Coleção constituída por [456] códices provenientes da livraria do mosteiro cisterciense de Santa Maria de Alcobaça, e integrados na Biblioteca Nacional após a extinção das ordens religiosas em 1834. Com datas compreendidas entre os sécs. XII e XVIII, são, na sua maioria, medievais, sendo muitos deles iluminados e com encadernação original.
De entre os códices latinos medievais, destaca-se uma cópia do séc. XIII das Etimologias de Santo Isidoro, bispo de Sevilha (600-636), uma das primeiras obras enciclopédicas do saber medieval. Dos códices portugueses destacam-se Vidas e Paixões dos Apóstolos, cópia de 1442-1443 contendo a versão portuguesa de uma obra perdida, elaborada no scriptorium do rei Afonso X de Castela; e, de entre os códices portugueses dos sécs. XVI a XVIII, os originais de Monarquia Lusitana, obra maior da historiografia alcobacense."
(Biblioteca Nacional de Portugal - Reservados - Manuscritos - Códices Alcobacenses)
"Constituem os códices, cujo inventário agora se inicia, a mais preciosa colecção, hoje existente, dos trabalhos manuscritos de Alcobaça, em que tantos materiaes se acumulam para a investigação do vasto campo da literatura e da história.
Remonta ao século XII, como é sabido, a fundação cisterciense de Alcobaça, que, atravez dos tempos, alcançou renome mundial pelos trabalhos de tantos entre os seus monges."
(Excerto da Introdução)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa anterior de todos os volumes, bem como a capa posterior do último volume.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
45€

22 julho, 2026

PORTUGAL -
VISITE A SERRA DA ESTRELA. Lisboa, Neogravura, 1952. Encarte desdobrável (23,5x11 cm) : il. ; B.
1.ª edição.
Folheto desdobrável - trilingue (português/francês/inglês) - de propaganda à Serra da Estrela, a Manteigas e à sua estância termal. As dimensões (generosas) do encarte, todo aberto, é 23,5×66 cm, com texto e ilustrações frente e verso.
Para além de fotografias das belezas da Serra, contém informações úteis para os visitantes: Vias de comunicação - Carreiras de caminoetas; Passeios e excursões; Igrejas; Culinária e doçaria; Hotéis e Pensões, etc.
Inclui ainda um mapa no cento do folheto com a localização de Manteigas na Serra, com as estradas identificadas e as distâncias em quilómetros de Manteigas a alguns pontos de interesse turístico.
"Manteigas
Vila encravada em pleno Hermínio, a 720 metros de altitude, antigamente baluarte inexpugnável, hoje encantadora de turismo e cura, manancial de inexgotáveis riquezas.
Situada na margem esquerda do Zêzere, na Serra da Estrela, possui as melhores quedas de água do país.
Cabe-lhe, por isso, justamente, a designação de centro de turismo , o que é ainda justificado pelo facto de se encontrarem, no seu concelho, os mais importantes locais da Serra que têm valor turístico, como sejam os Cântaros, as Cascatas do Poço do Inferno, Candieira, Covões, as Lagoas da Paixão, Clareza, Cântaro, o Chafariz de El-Rei, o Frade e a Freira, os panoramas do Fragão do Corvo, S. Lourenço, Curral da Nave, Nave de Santo António, Covão da Ametade e Fonte Paulo Luís Martins."
(Excerto de Manteigas)
Exemplar em brochura, bem conservado. Apresenta mancha escura nos rebordos do folheto.
Raro.
15€
Reservado

21 julho, 2026

MIGUÉIS, José Rodrigues - O PASSAGEIRO DO EXPRESSO
 : peça em 4 cenas
. Lisboa, Estúdios Cor, 1960. In-8.º (21x15 cm) de 74 p, [3] f. ; B.
1.ª edição.
O Passageiro do Expresso é uma das raras incursões no género dramático do autor. Publicada originalmente em 1960 pela editora Estúdios Cor, esta obra apresenta-se estruturada como uma peça de teatro em quatro actos. (IA)
José Rodrigues Miguéis (Lisboa, 1901 - Nova Iorque, 1980). "Nasceu em Lisboa, a 9 de dezembro de 1901. Romancista, novelista, contista, dramaturgo, desenhador, cronista e tradutor, licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa e, como bolseiro da Junta de Educação Nacional, obteve uma pós-graduação em Ciências Pedagógicas, na Universidade de Bruxelas. Colaborou em vários periódicos da época e dirigiu, com Bento de Jesus Caraça, o semanário Globo, que viria a ser apreendido. Destacam-se as suas obras, multipremiadas, Páscoa Feliz (1932), Léah e Outras Histórias (1958) ou o díptico O Milagre Segundo Salomé (1975). Impedido de lecionar e de publicar em jornais portugueses, progressivamente coartado nas suas possibilidades de atuação, expatriou-se nos EUA. Aí, foi editor assistente das Seleções do Reader's Digest, tradutor e professor universitário. Morreu a 27 de outubro de 1980, em Nova Iorque."
(Fonte: https://www.assirio.pt/autor/jose-rodrigues-migueis/2305)
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
10€
Reservado

20 julho, 2026

FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e -
A COMENDA DE SANTA MARIA DE TERROSO
. Póvoa de Varzim, [s.n. - Tip. da Livraria Povoense - Póvoa de Varzim], 1965. In-4.º (23,5x16 cm) de 11, [1] p. ; E.
1.ª edição independente.
Trabalho interessante e muito curioso, com relevância para o concelho poveiro, publicado em separata do Boletim Cultural, Póvoa de Varzim - vol. IV, n.º 1.
Ilustrado com duas estampas em página inteira:
Igreja Matriz de Terroso - Imagem de N.ª S.ª da Purificação ou das Candeias (1.ª metade do século XVI);
Igreja Matriz de Terroso - Crucifixo do século XVII.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Jorge de Moser (1906-1971).
A Comenda de Santa Maria de Terroso, localizada no concelho da Póvoa de Varzim Terroso, foi uma antiga unidade jurisdicional e eclesiástica vinculada à Ordem de Cristo. (IA)
"A Comenda de Santa Maria de Terroso, na Ordem de Cristo, era uma das chamadas Comendas novas, criadas por El-Rei D. Manuel, em virtude da Bula do Papa Leão X, de 15 de Junho de 1517, aplicando-lhe os rendimentos de 50 igrejas do padroado real.
Não pude averiguar quais foram os seus primeiros comendadores.
O mais antigo, de que tenho conhecimento, foi Francisco de Figueiredo, Cavaleiro do Hábito de Cristo, Adail em Mazagão, a quem foi passada carta da Comenda, em 18 de junho de 1568.
Também não sei até quando a logrou, nem qual foi o seu imediato sucessor.
Em 1607, desconhecia-se quem era o Comendador, constando apenas que fora avaliada, havia então muitos anos, em 80.000 rs.
Ainda nos primeiros dois decénios do século XVII, o comendador era Lucar Giraldes, dos Giraldes de Florença, gente nobre e de grande negócio no reino e na Índia."
(Excerto do Estudo)
Eugénio Eduardo de Andrea da Cunha e Freitas ComIH (Lisboa, 1912 - Vila do Conde, 2000). "Foi um advogado, historiador e genealogista português. Era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Ocupou cargos públicos e institucionais importantes: pertenceu ao Ministério Público no Tribunal de Lisboa, foi nomeado Administrador do Concelho de Sesimbra em 1935, posteriormente nesse ano ocupou o lugar exercendo as funções de Secretário da Câmara dos Administradores de Falências na Comarca do Porto,[3] onde permaneceu até à sua reforma, em 1982, foi Vogal da Comissão de Etnografia e História da Junta de Província do Douro Litoral de 1947 a 1980, foi o primeiro Director do Boletim da Associação Cultural "Amigos do Porto" entre 1951 e 1959, Delegado da Junta Nacional da Educação no Concelho de Vila do Conde, Presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Azurara, e Director da estimada revista "O Tripeiro" entre 1961 e 1973. Dedicou-se a estudos históricos. Pertenceu a inúmeras e diversas instituições culturais: a Associação dos Arqueólogos Portugueses, a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a Academia Portuguesa da História, onde foi Académico de Mérito a partir de 1992, a Associação Cultural dos Amigos do Porto, a The American International Academy, a Academia Nacional de Belas-Artes, a Associação Portuguesa de Genealogia, a Sociedade de Estudos Medievais, a Associação Portuguesa de Ex-Libris, entre outras."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela verde com com rótulo e letras a ouro na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

19 julho, 2026

CAMARA, Manuel da -
ANTERO DE QUENTAL E A SUA MORTE
. Ponta Delgada, Edição do Diario dos Açores, 1930. In-8.º (22,5x17 cm) de 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo anteriano sobre o grande vate micaelense, na vida e na morte. O autor testemunhou as derradeiras aparições do poeta em casa do avô, médico, o último que Antero, em desespero, consultou, e que coincidiram com os seus últimos dias de vida. Manuel da Câmara reproduz os diálogos de Antero com um seu amigo, retido na cama em casa do médico, dando expressão sentida às as suas desesperações e amarguras, e finalmente, na véspera, à ideia madura do suicídio que viria a cometer horas depois.
"Antero de Quental e a sua Morte (1930) é uma obra ensaística de Manuel da Câmara, que analisa as circunstâncias e o pensamento filosófico que culminaram no trágico desfecho do poeta. O livro reflete sobre a depressão e a "filosofia da morte" do autor Antero de Quental. A 11 de setembro de 1891, após regressar à sua ilha natal e mergulhar num profundo estado de depressão (agravado por distúrbios de saúde mental), o poeta pôs termo à vida num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada. A obra contextualiza esse acto voluntário não apenas como um drama pessoal, mas como o culminar da evolução intelectual e espiritual de Antero, figura cimeira da Geração de 70." (IA)
Obra rara e muito interessante, ilustrada no texto e em página inteira com fotogravuras reproduzindo retratos do Poeta e locais relacionados com o assunto.
"[...] Os amigos e quantos privaram com Antero nunca duvidaram do inalterável equilíbrio entre as suas ideias e os seus actos, e sempre lhe reconheceram os altos "sentimentos correspondentes á evolução do pensamento", numa lógica seqüência incompatível com a loucura, ainda que qualificada de genial. E, se a sua vida, enquanto a dispepsia o poupou, foi espelho do mens sana in corporo sano, como é possível classifica-lo nos quadros da neurologia e da psiquiatria?
Ora êste pobre opúsculo - onde, a par das velharias algumas coisas novas se dizem, umas e outras indispensáveis ao nosso propósito - pretende demonstrar:
1.º - Nenhuma enfermidade mental ou nevrasténica de nascença influiu na vida ou na morte do Poeta;
2.º O Poeta contraíu uma dispepsia com conseqüências nervosas, profundamente neurastenizante nos últimos dias que viveu, donde resultou o suïcídio.
Mas, para Antero se decidir ao suïcídio, duas grandes batalhas se travaram:
A do pessimismo - relativo á incurabilidade da doença, visionada a caminho da loucura - contra o experimentado estoicismo do gigante,, vencido pela primeira e última vez; a do gigante contra os seus sentimentos morais, irreconciliáveis com a ideia de se matar, batalha da qual, infelizmente, saiu vencedor.
Isto me proponho provar..."
(Excerto da Dedicatória)
"Certo dia, verão de 1891, atravessava eu a saleta da casa de meu Avô materno quando divisei na transparência da porta envidraçada, entrada principal do edifício, um vulto de gigante a estender a mão para a campainha que não chegou a soar, por eu ter acudido lesto a abrir.
O gigante entrou.
Nunca o tinha visto, em carne e osso, mas logo o reconheci, pois o seu retrato, inconfundível, andava em ilustrações e nos albuns da minha família.
Era Antero de Quental - alto como um choupo; fronte desafogada e espaçosa; a cabeleira, que já não era a juba da leonina da juventude a encurtecer-lhe a testa, ainda loura; a barba, loura também, virgem de navalha, apenas retocada pela tesoura; a expressão severa, adoçada pelo azul puríssimo dos olhos onde resplandecia uma ascese de santidade.
E, enquanto eu o encarava, numa admiração pasma, o gigante quebrou o silêncio com estas palavras sonoras:
- "Conheci-te pelo olhar, por outra coisa não". és filho de João Luís. Vai chamar teu avô, o doutor José Pereira Botelho."
(Excerto do Cap. I)
Manuel da Câmara Velho de Melo Cabral (Lagoa, São Miguel, 1869 - Ponta Delgada, 1939). "É principalmente conhecido com o nome abreviado de Manuel da Câmara, com que publicou muita da sua obra. Funcionário da Fazenda Pública e Secretário de Finanças na Horta. Foi jornalista, escritor e político sendo hoje conhecido como contista. Deu início à vida literária nos jornais da sua cidade natal, no fim do século e foi, em Lisboa, redator do Jornal de Lisboa, dirigido pelo micaelense Armando da Silva, frequentando na capital a boémia elegante. Acabou por regressar às ilhas e ingressar no funcionalismo público, na área das Finanças. Na Lagoa, onde foi administrador do concelho, fundou o Vigilante, em 1905 e em Ponta Delgada, O Distrito. Parte da sua vida foi passada na cidade da Horta, onde foi nomeado governador civil durante o consulado sidonista (1918-1919).
Na sua obra literária é-lhe reconhecida uma prosa elegante e esmerada que usou nos contos e narrativas de temática regional. J. G. Reis Leite (Mar.2001)"
(Fonte: https://arquivos.azores.gov.pt/descriptions/1813203)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenos cortes de papel marginais.
Raro.
30€

18 julho, 2026

MOURA-RELVAS, Joaquim - A FISIONOMIA DOS PRÍNCIPES DE AVIS : bases anátomo-radiológicas. Coimbra, Coimbra editora. 1970. In-4.º (24x15 cm) de de 60 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo histórico-radiológico sobre os príncipes portugueses da Casa de Avis (Segunda Dinastia), fundada por D. João I, recorrendo, em certa medida, à análise dos Painéis de S. Vicente.
Ilustrado ao longo do livro com numerosos desenhos, retratos, radiografias e secções do Painel de S. Vicente de Fora.
"Em princípios do Séc. XX iniciou-se uma série de publicações tendentes a atribuir às Casas de Avis, da Espanha medieval de de Borgonha, certo graus de participação no prognatismo inferior da Casa da Áustria. [...]
Começaremos por determinar o tipo morfológico da facies dos príncipes de Avis, mas antes disso e para melhor compreensão do leitor, não versado nestes assuntos, vamos oferecer algumas explicações prévias. O que é o prognatismo?
Grosseiramente, o prognatismo consiste na projecção, dum ou dos dois maxilares, adiante da vertical que passa pelo nasion (raiz do nariz)."
(Excerto da Introdução)
"Os Painéis de S. Vicente de Fora, da autoria de Nuno Gonçalves, mostram sinais morfológicos particulares no rosto de alguns príncipes de Avis. [...]
No Painel do Infante encontram-se o Infante D. Henrique (1394-1460), D. Afonso V (1432-1481) e o Príncipe D. João, futuro D. João II (1455-1495).
No Painel do Arcebispo está o Condestável D. Fernando (1433-1470) irmão de D. Afonso V.
No Painel dos Cavaleiros aparecem o 2.º Duque de Bragança (N. 1403), ajoelhado, orando, e atrás seus filhos, Duque de Guimarães (+ 1484) sucessor do 2.º Duque de Bragança no Ducado e, à direita dele, seu Irmão o Marquês de Montemor (+ 1484)."
(Excerto de A Casa de Avis)
Índice: Introdução | A Casa de Avis | O tipo de Avis nas Princesas de Avis | Antagonismo entre a facies de Avis e de Áustria | Perplexidade | Os Últimos Avis | Casa de Castela | A Casa de Borgonha | A Casa de áustria | Conclusões | Nota Final.
Joaquim de Moura Relvas (1898-1982). "Professor da Faculdade de Medicina, natural de Montalvão (Nisa). Deixou de exercer na Faculdade de Medicina a partir de 31.7.1930. Médico da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra em 2.6.1930. Deputado em várias legislaturas (1934-1957). Médico escolar do Liceu José Falcão (Coimbra). Governador Civil de Coimbra em 1932-1933. Presidente da secção regional da Ordem dos Médicos (1953-1958). Presidente da Câmara Municipal de Coimbra em 1957-1966. Sócio do Instituto de Coimbra. Presidente da Sociedade Portuguesa de Radiologia e Medicina Nuclear."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/RELVAS_joaquimdemoura)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

17 julho, 2026

BRAVO, Henrique -
DESFAZENDO ACCUSAÇÕES (Em legitima defeza) - BIOGRAFIA - AUTOPSIA D'UM PRYNETTI (CANDIDO DE VITERBO), TIPORIO DE ESTOFO AVARIADISSIMO
. Trancoso, Typ. da «Folha», 1918. In-8.º (22,5x15 cm) de 154, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica trancosense em "duas partes", entre o autor - Henrique Bravo - e o recém-empossado Governador Civil da Guarda - o dr. Cândido Viterbo - figura antipática ao autor, com quem anteriormente já tivera desentendimentos.
Obra rara, publicada na sequência do golpe liderado por Sidónio Pais, relacionada com as nomeações políticas e ódios antigos locais.
"Duas palavras, simplesmente.
Nas paginas que vão seguir-se, dois assumptos differentes são tratados, numa linguagem clara, explicita e breve.
Um unico interesse me levou a coordenar, este opusculo: defender-me, com documentos comprovativos, e accusar, quem não tem direito á mais insignificante parcella de consideração e que, mentindo, quiz e quer enxovalhar-me sómente pelo prazer de diffamar, o que é qualidade inata das almas mesquinhas, vistas através de todos os prismas, por onde os encaremos.
Vão correr mundo, as minhas palavras, que offereço aos Homens honestos, para d'ellas tirarem imparcialmente, as conclusões a que possa chegar: Á Magistratura Portugueza, para que elle saiba e conheça o valor real d'um pseudo-magistrado e A meu filho, que ha mais d'um ano está na Flandres, na zona da guerra para que ninguem, em tempo algum, possa atirar-lhe, com razão e auctoridade, o meu nome, com intuitos reservados de o magoar, enxovalhar ou fazer còrar.
Leitor!
A sua attenção, pois, para o desenrolar d'esta fita, e quando passar á segunda parte, adopte, como medida prophilatica o Creosol, porque a autopsia d'um cadaver em putrefacção, é sempre nociva á saude publica e no caso presente, á moral, aos bons costumes e á sociedade.
Cautella, pois"
(Preâmbulo - Ao leitor)
"Quando a Trancoso, chegaram os primeiros rebates, ainda imprecisos, do movimento de cinco de dezembro, encontrava-me investido nas funcções de administrador d'este concelho, para satisfazer ao pedido que n'esse sentido me havia feito, o então governador civil do districto, e meu particular amigo sr. dr. Vasco Borges.
Devo dizer, que essa situação official, em nada abalou a minha independencia politica... [...]
A ninguem era licito duvidar da minha independencia politica, a não ser alguma creatura mal intencionada, e que sem provas concretas, malevolamente propalasse o contrario; embora os meus actos officiaes, absolutamente viessem provar e conffirmar a minha independencia politica.
Como a revolução triumfasse, e os meus serviços officiaes já não tivessem razão de existir, sollicitei telegraphicamente a minha exoneração de administrador d'este concelho, o que foi acceite, mandando-me entregar a administração ao senhor Presidente da Commissão Executiva da Camara Municipal, ao tempo representada pelo sr. Joaquim Antonio Ferreira, d'esta villa, o que fiz immediatamente. Decorridas vinte quatro horas, depois d'este meu gesto, fui informado, com grande surpreza minha, que operarios, artistas, comerciantes e populares, representando as forças vivas da villa, haviam imposto ao sr. Joaquim Ferreira, que accumulava as funcções de Presidente da Camara com as de administrador do concelho, o meu nome, para novamente assumir as funcções administrativas, de que voluntariamente me havia exonerado ha pouco mais de um dia."
(Excerto de Recapitulando factos)
Henrique Bravo. Conhecida figura local no início do século XX. Exerceu o cargo de administrador do concelho de Trancoso e foi uma figura de relevo na região. Destacou-se não só pela sua influência político-administrativa na transição da Monarquia para a República, mas também como jornalista e correspondente, sendo a principal "voz" local da imprensa. Era proprietário e diretor d'A Folha de Trancoso. Através deste jornal, publicava crónicas de costumes regionais, almanaques locais e fazia a cobertura das dinâmicas políticas e sociais da Beira Interior. O seu nome ficou também ligado à produção intelectual sobre infraestruturas, tendo sido autor de teses reconhecidas a nível nacional sobre a coordenação de transportes em Portugal, área na qual deixou contributos editados nas primeiras décadas do século XX. (IA)
Cândido Pedro Viterbo (1870-1946). Foi um advogado, magistrado do Ministério Público, compositor e guitarrista português, amplamente reconhecido pela sua actividade política e pelo seu envolvimento na tradição do Fado de Coimbra. Estudou e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Exerceu o cargo de Governador Civil do Distrito da Guarda durante a República de Sidónio Pais, entre 13 de dezembro de 1917 e 13 de abril de 1918. Casou com a filha do Dr. Francisco da Silva Fonseca (médico, deputado e também antigo governador civil), fixando fortes laços familiares e patrimoniais com o concelho de Trancoso, onde existe hoje uma praceta com o seu nome. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Preso por agrafes, sem capas e lombada (de origem?), sendo o papel de fraca qualidade.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
25€
Reservado

16 julho, 2026

VACCHI, Dante -
PENTEADOS DE ANGOLA
. [S.l.], Dante Vacchi, 1965. In-4.º (23x20,5 cm) de [76] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico sobre os ornamentos e arranjos capilares femininos em Angola.
Trata-se de um photobook etnográfico e antropológico da autoria de Cesare Dante Vacchi, jornalista e aventureiro, famoso pela paternidade (atribuída) da formação e preparação dos Comandos, tropa de elite portuguesa, pouco tempo após o início da Guerra Colonial. A obra regista os elaborados penteados tradicionais de várias tribos angolanas.
Obra trilingue (português/francês/inglês), executada com grande sentido estético e apuro gráfico, ilustrada a cores com fotografias de dezenas de modelos femininos pertencentes a diversas etnias da ex-colónia portuguesa, captadas em diversos estágios da sua vida.
"Nem uma voz humana, guincho, gritos, sussurros, rugidos cavos, melopeias e tam-tans. A alma da noite africana envolve-nos como longos braços frenéticos e um medo primordial surge nos nossos corações. O homem forte é ali redimencionado pela barreira impenetrável do arvoredo que o cerca e a escuridão da noite que repentinamente cai.
Treme, o homem, e teme.
Rasga a escuridão no meio de um Kimbo, uma fogueira, ou o rebrilhar aceso dos olhos de um felino.
No Kimbo a música e a dança, que aqui são verdadeiramente qualquer coisa de outro mundo, seguem leis imutáveis, atávicas; o mais pequeno gesto tem um significado bem definido, cuja origem se perde na noite dos tempos.
Um simbolismo verdadeiramente impenetrável acompanha todas as manifestações de vida negra. Exteriorizadas através de pulseiras, argolas, tatuagens, penteados, pela música e pela dança, pelas fogueiras, por melopeias e feitiços, estas manifestações compõem um quadro completo da vida quotidiana do povoado. [...]
E é a cerimónia da puberdade que dá início aos fantasmagóricos penteados, cerimónia que se reveste, quase sempre, de um carácter ritual pròpriamente dito.
Neste período, mal começam as festas, liberta-se a imaginação em complicados desenhos, arranjo de contas coloridas enfiadas nos cabelos, mantidos compactos e tintos com uma mistura de barro, resina e gordura vegetal ou animal. Então, os penteados mostram se a rapariga celebrou o rito da puberdade antes, durante ou depois da cerimónia ritual. Noutras mulheres, é indicativo apenas da tribo a que pertencem.
Hoje em dia é difícil distinguir, pelo penteado, a tribo à qual a negra pertence, pois as diferenças são tão pequenas que deixam perplexos mesmo os mais conhecedores. Outras vezes indica se é casada ou tem filhos, enquanto que o luto é representado por um penteado simples ao qual faltam os ornamentos vistosos do tempo das festas.
Os cabelos das mulheres são mantidos brilhantes e duros pelo contínuo uso da manteiga e óleos vegetais finíssimos, misturados com substâncias corantes: pó vermelho tirado da casca de certa árvore ou de uma pedra do rochoso planalto, ou de folhas pulverizadas que conservam a cor natural dos cabelos."
(Excerto do Preâmbulo)
Cesare Dante Vacchi (1925-?). Foi um jornalista e aventureiro italiano, considerado o "pai fantasma" e impulsionador da criação dos Comandos, a notável tropa de elite do Exército Português. Nascido em Itália, pouco se sabe da sua infância. Apresentou-se como voluntário no Exército italiano aos 15 anos de idade. No entanto, a sua verdadeira experiência como combatente e líder militar desenvolveu-se mais tarde, na década de 1940, quando comandou milícias em cenário de guerrilha na Itália ocupada. Foi toda essa bagagem adquirida em solo europeu, que o capacitou para preparar os soldados portugueses para esse tipo de confronto no palco africano mais de vinte anos depois.
Na década de 60, viajou como repórter fotográfico para Angola com a foto-jornalista Anne Gauzes, documentando a realidade da Guerra Colonial. Devido ao seu passado militar e tácticas de contra-guerrilha, foi convidado em 1962 a instruir as primeiras unidades de combate do CI 21 em Zemba, Angola, que viriam a dar origem aos Comandos. A sua personalidade e o seu desaparecimento repentino após o treino inicial conferiram-lhe um estatuto lendário e misterioso na história militar portuguesa. Deixou publicada obra multifacetada como autor e fotógrafo, destacando-se livros como Angola 1961-1963 (1964), Penteados de Angola (1965) e Porto (1965), sobre o Douro vinhateiro. Publicou ainda uma reportagem interessantíssima sobre a pesca longínqua portuguesa nos bancos da Terra Nova, redigida a partir do Gil Eannes, na revista Eva do Natal. (1967) (IA)
Encadernação editorial em tela branca com letras a seco e a negro na pasta anterior e na lombada. Vem revestida com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) no interior. Sobrecapa apresenta desgaste marginal, manchas e restauro.
Raro.
45€

15 julho, 2026

PATRICIO, F. J. -
TELAS ROMANTICAS.
Collecção de contos. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1903. In-8.º (17x10,5 cm) de 120, [4] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de pequenos contos - históricos uns, outros de época, - enquadráveis na corrente literária do romantismo tardio.
Obra rara e muito curiosa, organizada com intuitos patrióticos e moralizadores.
Ilustrada em separado com o retrato do autor.
"Pelas onze horas da noite ninguem via já signal de vigilia no castello de Benil; havia muito que as luzes dos diversos aposentos e dependencias se tinham ido apagando pouco a pouco. O silencio reinava alli apenas cortado a espaços pelo grasnar de algumas rãs nos lagos da extensa quinta. O clarão de lua que subia len tamente no horisonte, desenhava nos vestustos adarves as sombras do arvoredo, mostrava a fórma ogival das frestas e distinguia as caprichosas aberturas das setteiras.
De todos os habitantes de Benil, fidalgos da mais nobre estirpe, cavalleiros de maior nomeada, opulentos senhores que se orgulhavam de ter em seus salões os retratos de familia em que havia venerandos prelados, esforçados paladinos, austeras abbadessas, graves geraes de mosteiros, ousados navegadores e reputados lettrados; de todos os habitadores do velho castello, incluindo os mordomos e capellães, os pagens e escudeiroed, os homens d'armas e os numerosos creados, só estava disperta, acordada e vigilante uma formosa donzella como todo o prestigio da m ais extraordinaria belleza e todas as graças e encantos proprios de quem apenas contava dezanove primaveras; era Violante, a meiga e sympathica filha dos senhores de Benil."
(Excerto de Como se amava no seculo XV)
"[...] Alvaro de... (não denunciarei mais, pois um nome basta para o conto), Alvaro era um esforçado cavalleiro em todo o vigor da edade e com todo o realce da fidalguia.
Ora, como todos sabem, a edade media é um periodo que tem sombras como uma noite de tempestade e ao mesmo tempo idillios como uma alvorada primaveral,; a humanidade peregrinava em toda essa epocha como o viajeiro atravez d'uma floresta, defrontando apenas, de espaço a espaço, com a luz escassa de alguma clareira.
N'esses tempos de cavallaria o amor tinha impetos selvagens quando era deslealmente correspondido.
Os amores de Alavaro por uma dama tão gentil como voluvel, tiveram um desenlace funesto. O coração magoado pela traição afundou-se n'um pelago de odios, o espirito, obscurecido pelo ciume, precipitou o brioso cavalleiro nos abysmos da vingança.
- Á mulher que me trahiu, dizia elle, o meu odio interminavel, ao meu rival a lamina da minha espada!"
(Excerto de O filho do crime)
Indice:
Como se amava no seculo XV | A captiva | Beatriz | O remorso | Milzura | Catita | O segredo de ermitão | O filho do crime | O mysterio da herdade | O prologo d'um noivado | O raminho de violetas | O milagre do annel | O monge d'Alpendurada | O perfumado mysterio de mademoiselle X | Um crime no seculo XVI.
Francisco José Patrício CvSE (Vitória, Porto, 1850 - Porto, 1911). "Foi um sacerdote católico, ilustre orador sacro, e investigador histórico português. Notabilizou-se pela sua grande capacidade oratória, tendo sido responsável por fazer a prédica em diversos momentos notáveis. Os seus sermões foram mais tarde reunidos em diversos volumes, sob o título Trabalhos Oratórios. Enquanto escritor, deixou impresso um livro, Telas Românticas, que reuniu diversos escritos da sua juventude, bem como diversos artigos de investigação histórica sobre a origem de romarias e usos populares, a maior parte publicados no Comércio do Porto mas também no Comércio Português, Jornal do Porto, Província, e Jornal da Manhã. Foi eleito deputado pelo círculo eleitoral do Porto nas eleições de 1881, por Viana do Castelo em 1896, e novamente pelo Porto em 1901 e 1904; não se envolveu, contudo, em debates importantes."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação recente em skivertex com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

14 julho, 2026

FIGUEIREDO, Antonio Pereira de -
NOVOS TESTEMUNHOS // DA // MILAGROSA APPARIÇÃO // DE // CHRISTO SENHOR NOSSO // A EL-REI // D. AFFONSO HENRIQUES // ANTES DA FAMOSA BATALHA // DO CAMPO D'OURIQUE: // E EXEMPLOS PARALLELOS, QUE NOS INDUZÃO // Á PIA CRENÇA DE TÃO PORTENTOSO CASO. // POR // ANTONIO PEREIRA DE FIGUEIREDO, // DEPUTADO ORDINARIO DA REAL MEZA CENSORIA. // [Escudo de Armas Português] //
LISBOA, // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA. / ANNO M. DCC. LXXXVI. // Com licença da mesma Real Meza. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante texto histórico sobre as origens divinas do reino de Portugal, reeditado com intuitos patrióticos em 1809, durante as Invasões Francesas, com o título Dissertação histórica e critica em que se prova a milagrosa apparição de Cristo Senhor Nosso a El Rei D. Affonso Henrique...
O texto aborda o famoso mito fundador da identidade nacional portuguesa. Segundo a tradição, na véspera da Batalha de Ourique (25 de julho de 1139), D. Afonso Henriques isolou-se numa colina e testemunhou a aparição de Jesus Cristo na Cruz. Cristo garantiu ao monarca a vitória militar sobre os cinco reis mouros. O milagre selou a legitimação divina para o nascimento do Reino de Portugal. (IA)
"Com louvavel empenho se applicárão no Seculo passado, e no presente diversos Authores nossos (entre elles o Illustre Senador Antonio de Sousa Macedo nos Proemios da Lusitania Liberata, e o Padre D. Antonio Caetano de Sousa no Commentario ao dia 25 de Julho do Agiologio Lusitano) a mostrar: Que sem razão dividavão certos Escritores Castelhanos dar credito ao Auto do Juramento, que em nome d'ElRei D. Affonso Henriques pub,licou Fr. Bernardo de Brito na sua Chronica da Ordem de Cister, impressa a primeira vez em Lisboa no anno de 1602. como achado num antigo pergaminho do Cartorio d'Alcobaça no anno de 1596. No qual Auto jura o dito Rei D. Affonso Henriques aos Santos Evangelhos, em presença de muitos Prelados do Reino, e de muitos Grandes da sua Corte: Que estando elle para dar batalha a cinco Reis Mouros no Campo d'Ourique, avisado por hum Santo Ermitão, que vivia perto daquelle lugar, sahíra da sua tenda, e víra no ar a Christo crucificado, que com voz branda, e carinhosa o animava a combater valerosamente aquelles inimigos do seu Santo Nome, prometendo-lhe victoria, e mandando-lhe que com o Titulo de ei tomasse para si, e para seus Successores por Brazão d'Armas os sinaes da sua Sagrada Paixão, com outras muitas cousas, que no mesmo Juramento se contém. [...]
Quatro são os novos Testemunhos que vou a expôr, todos de tanto pezo, e authoridade, que não ha para que se desejem outros mais graves. A estes quatro Testemunhos segui-se-hão outros tantos Exemplos Parallelos, que por mais admiravel, e incrivel que a alguem pareça o nosso caso, lhe facilitem o assento com aquella força, que he propria do argumento de paridade, ou do argumento que chamão ad hominem."
(Excerto de Introducção)
António Pereira de Figueiredo (Mação, 1725 - Lisboa, 1797). "É a "personagem mais importante," a "mais influente e a mais simbólica" do regalismo pombalino. "Padre da Congregação do Oratório de Lisboa. Estudou latim e música no Colégio Ducal de Vila Viçosa. Em 1744 matriculou-se nos cursos de Filosofia e Teologia na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório, onde mais tarde foi professor de Latim, Retórica e Teologia.
Foi deputado da Real Mesa Censória; Deputado da Junta do Subsídio Literário; Oficial Maior de Línguas da Secretaria do Estado dos Negócios Estrangeiros."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/descriptions/1275)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Protegido por capilhas de protecção.
Raro.
Com interesse histórico.
45€