INSO, Jaime do - A CHINA. Conferencia feita em 2 de Junho de 1930 pelo Sr. Comandante... na Sociedade de Geografia de Lisboa. Separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Lisboa, Tipog. e Papelaria Carmona, 1930. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 37, [1] p. ; il. ;. B.
1.ª edição independente.
Curiosa descrição da China de há 100 anos atrás, com as suas virtudes e contradições, pintadas com mestria pela pena do autor, profundo conhecedor dos "assuntos" do Oriente, traços coincidentes com o tempo presente, outros nem tanto...
Opúsculo ilustrado no texto com várias 5 fotogravuras.
"... Na China tudo é grande, e os vinte anos da luta de hoje, na transição na monarquia para a república, não atingiram ainda senão um reflexo daquelas lutas tremendas, quando da passagem do regime feudal para o absolutismo.
E a China imensa a tudo sobrevive, inalterável, fecunda e forte, sem um clamor, caminhando pacificamente no meio da devastação e da morte, avalanche espantosamente prolífera da Humanidade!
Estranho povo!
Na China, encontram-se seres humanos que trabalham como bestas atreladas, na China até a própria Natureza por vezes se compraz a destruir cruelmente vidas e haveres, sob tempestades que não têm rivais: os tufões.
Na China, a miséria é enormemente grande, as lutas ininterruptas; por vezes, as epidemias são assoladoras, a pirataria é infrene em muitas regiões, o clima é agreste e duro, com alternativas de frios intenso e de calor tropical, onde os nossos nervos e energias se depauperam e gastam sem cessar.
Na China, existe um sentimento mais ou menos manifestado e intenso contra os europeus cujas vidas têm sofrido sempre, com intervalos de paz variáveis, sérios riscos com casos de morte, sequestro, martírios, assaltos, incêndios e destruição de propriedades.
Finalmente, na China, a vida humana oferece um valor quási desprezível comparado com o que na Europa lhe costumamos dar.
Parece, portanto, se tudo isto é exacto, tal como acabo de referir, que a China devia ser como que um lugar execrado e de desterro, cujo nome mal apetecesse proferir.
Pura ilusão, que a China, a feiticeira, a contradição mais viva e flagrante, talvez, de toda a humanidade, tem sortilegios, encantamentos e fantasias que, como filtros venenosos, nos obscurecem a visão dos quadros sombrios da sua miseria, das suas semanas de ceu sem sol, do sangue derramado, dos tufões, de todos os perigos e riscos de vida, para nos impôr sòmente a gala dos seus exotismos, o cativante do seu povo de extraordinário poder de absorção, o atavismo da sua raça de inegualável tenacidade no trabalho, o fatalismo das suas paisagens e, sobretudo, a liberdade e o desafogo da vida que o europeu ali disfruta e que com dificuldade no Ocidente pode fruir."
(Excerto da Conferencia)
Jaime Correia do Inso (Nossa Senhora da Graça, Nisa, 1880 - Lisboa, 1967). "Foi um oficial da Marinha e escritor. Ao atingir a maioridade, assentou praça no regimento da Infantaria 22, na capital de distrito e integrou, no ano seguinte, o corpo de alunos da Armada. É promovido a guarda-marinha em 1903 e, três anos depois, a segundo-tenente. Ao longo da sua carreira ascendeu ainda à posição de capitão-tenente e capitão-de-fragata, cargo no qual passou à reserva em 1938.
Em Macau, terra à qual dedicou praticamente toda a sua obra literária, serviu na Estação Naval de Macau e também na Marinha Colonial de Macau, tendo comandado a canhoeira "Pátria" entre 1926 e 1929."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€































