05 outubro, 2026

PEREIRA, Delfim -
A CHAMADA D'UM RESERVISTA.
[Por]... Soldado-reservista. Regimento n.º 18 de Infantaria. Acampamento do Gerês em Julho de 1911. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª, Successor, [1912]. In-8.º (17x12,5 cm) de 80 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Narrativa e descrição do acampamento realizado em 1911 na Serra do Gerês por soldados reservistas da recém-instituída República convocados para defender o novo regime dos grupos de milícias e civis emigrados que, chefiados por Paiva Couceiro, prometiam invadir Portugal a partir da Galiza para restaurar o regime monárquico.
O livro aborda o quotidiano da tropa, as "peripécias" da marcha a caminho da serra, o espírito de camaradagem e o idealismo republicano partilhado pelos soldados.
Obra rara, interessante e muito curiosa, sem menção na BNP, ou qualquer outra referência bio-bibliográfica, a não a que diz respeito ao prefaciador, o ex-padre Camilo de Oliveira, esse sim, um republicano nortenho relativamente conhecido. Inclui a lista nominal dos oficiais e sargentos que participaram na concentração.
Ilustrada em separado com uma fotografia de conjunto: "Soldados de Infantaria 18 no Gerês".
"Acabo de ler a descripção das tuas impressões de campanha do anno passado, no Gerês, por occasião da falada incursão de Paiva Couceiro. A narração dessa viagem militar, que expões despretenciosa e clara, comoveu-me até á lagrima. Eu assisti á vossa partida, na rua Formosa, e vi-te entre teus companheiros de armas, alegre e entusiasta! Sofreste já pela Patria! Honraste a farda! [...]
Foste defender a nossa querida Republica, que desde 5 de Outubro de 1910 nos levantou do aviltamento e hoje consagras á nossa Patria redemida este modesto mas valioso archivo da jornada d'alguns defensores."
(Excerto do preâmbulo do Pe. Camillo de Oliveira)
"[...]
Finalmente pudemos chegar á Portella do Homem!
Nada admiramos porque a vontade de comer era muita!...
Tudo nos foi indifferente!
Formados os sapadores, pelo toque os chamára, receberam ordem para trazerem as cosinhas de campanha.
Ouviu-se, então, distante ainda, o tropear de cavallos, que se approximavam.
Montava-os o General e o seu Estado Maior.
Houve uma rapida conferencia com o nosso commandante, que mandando chamar um corneteiro, lhe ordenou que tocasse a «deitar correias» e a formar!
- Para a forma?!... exclamaram todos num tom admirado. Já não podemos dar um passo!...
- Deixemo-los entrar, disse o General, para a derrota ser completa!... Daqui as balas vão á Hespanha, o que não é permittido pelo Direito Internacional!... Recuemos nós, para que, elles avancem! Tende paciencia, soldados! Mais algum tempo, depois comereis!...
Á voz de «ordinario-marche» com bastante custo voltamos para o Gerês.
Chegados a Chã de Leonte, acampamos algum tempo para se fazer o rancho."
(Excerto de Apontamentos sobre o Acampamento do Gerês)
Camilo de Oliveira (1874-1946). "Professor, jornalista, republicano e ex-padre. Autor de “O Concelho de Gondomar-Apontamentos Monográficos”, uma exaustiva obra, que em quatro volumes, traça a história do concelho, Camilo de Oliveira é um dos mais ilustres filhos de Gondomar.
Além do ensino, Camilo de Oliveira destacou-se na atividade literária e jornalística. Colaborou em inúmeros jornais da imprensa nortenha, fazendo parte da redação do jornal “O Norte” e chegando a diretor do semanário “ A Republica Portuguesa”.
Figura multifacetada, Camilo de Oliveira também tinha uma participação política ativa. Republicano convicto, fundador do Partido Republicano Radical, o seu ativismo levou a que fosse uma das muitas vítimas da “Monarquia do Norte”, contragolpe monárquico liderado por Paiva Couceiro em 1919. Abandonou a vida partidária em 1925, dedicando-se à escrita e à pesquisa."
(Fonte: https://www.cm-gondomar.pt/municipio/historia/personalidades/camilo-de-oliveira-1874-1946/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
85€
Reservado

04 outubro, 2026

POTTER, Beatrix -
THE TALE OF MR. JEREMY FISHER.
By... Author of "The Tale of Peter Rabbit." Etc. London and New York, Frederick Warne & Co., Ltd. (All rights reserved), [192?]. In-8.º (14,5x10,5 cm) de 58, [2] p. ; mto il. ; E.
Bonita edição do clássico de Beatrix Potter - The Tale of Mr. Jeremy Fisher, originalmente publicada em 1906. Este conto infantil é uma homenagem de Beatrix aos Verões passados com o seu pai e os seus amigos a pescar, em quintas arrendadas na Escócia, e explora as desventuras de uma rã persistente e bem-intencionada, refletindo o amor de Potter pela natureza.
Obra impressa em papel encorpado acetinado, ilustrada com 27 belíssimos desenhos a cores em página inteira.
"Once upon a time there was a frog called Mr. Jeremy Fisher; he lived in a little damp house amongst the buttercups at the edge of a pound.
The water was all slippy-sloppy in the larder and in the back passage.
But Mr. Jeremy liked getting his feet wet; nobody ever scolded him, and h never caught a cold!"
(Excerto do Conto)
Helen Beatrix Potter (Londres, 1866 - Lakeland, 1943). "Nasceu em Londres a 28 de julho de 1866, no seio de uma família da alta burguesia inglesa. Educada de acordo com as rígidas convenções da sociedade vitoriana, não frequentou a escola, tendo sido instruída em casa por precetoras. No entanto, recebeu uma educação esmerada, aprendendo Pintura e História Natural, disciplinas que vieram a revelar-se determinantes no seu percurso.
Apaixonada pela natureza e por animais, Beatrix Potter inspirou-se num coelho de estimação para escrever e ilustrar o seu primeiro livro infantil. Publicada em 1902, O Conto do Pedrito Coelho tornou-se logo um fenómeno de popularidade, vindo a tornar-se um dos grandes clássicos da literatura infantil do século XX. Traduzida em 36 línguas, contabiliza mais de 45 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
Ao longo de quase três décadas, Potter publicou 23 pequenos livros ilustrados."
(Fonte: https://www.portoeditora.pt/autor/beatrix-potter/5959)
Encadernação editorial com desenho a cores e letras gravadas a seco e bordeaux na pasta anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Contracapa apresenta riscos a lápis.
Invulgar.
15€

03 outubro, 2026

O PÉ DESCALÇO : uma vergonha nacional que urge extinguir - Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Porto, Imprensa Social, 1956. In-8.º (19x13 cm) de [8], 324, [12] p. ; il. ; B. Col. Liga Portuguesa de Profilaxia Social, 16
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o hábito de andar descalço em Portugal, comportamento arreigado numa faixa importante da população até meados do séc. XX, e que mereceram do Estado vigorosas medidas de repressão.
"Foi em Janeiro de 1928 que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social iniciou a campanha contra o indecoroso, inestético e anti-higiénico hábito do pé descalço. O que tem sido a sua acção através de longos anos, para pôr cobro a tão vergonhoso costume, pode ser facilmente avaliado se considerarmos que semelhante campanha era profundamente adversa à índole do nosso povo, aferrado a uma tradição de muitos séculos, à incultura e incompreensão dos visados, à comodidade e ao interesse mal compreendido de quem receava ter de aumentar uns tristes centavos ao salário magro dos seus servidores."
(Excerto da Introdução)
"«Entra definitivamente em vigor, no próximo dia 15, a ordem que extermina «os pés descalços». O Porto, a partir do dia 15, pula à sua própria categoria na Civilização. Nada explicava, nada podia perdoar a persistência desse velho hábito, revelador apenas do relaxamento, de indiferença, de falta de gosto e provocador de mil prejuízos morais, estéticos e até materiais. Esse costume produzia, na mulher, um desfeiamento lento, espalmava-lhe os pés, quebrava-lhe toda a graça, masculinizava-a... No homem, levava-o, à semelhança dos selvagens do interior africano - e só desses selvagens, visto que os da América, os «peles vermelhas», calçam uma espécie de alpergatas a que chamamos «Swantzor»..."

(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.

20€
Reservado

02 outubro, 2026

RODRIGUES, Álvaro e DIAS, António C. -
PRÁTICAS DE COZINHA : Cursos Itinerantes de Hotelaria.
Apontamentos coligidos pelos monitores:... Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral do Turismo. Lisboa, Centro Nacional de Formação Turística e Hoteleira, [196-]. In-fólio (29x20,5 cm) de [2], 310, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual culinário gravado em stencil e reproduzido em duplicador. Contém inúmeras receitas culinárias, as mais variadas.
Os cursos itinerantes de hotelaria foram iniciativas históricas em Portugal, promovidas no século XX pela Direcção-Geral do Turismo, para levar formação prática em cozinha e serviço hoteleiro às regiões do país fora dos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto), onde a hotelaria e o turismo começavam a dar os primeiros passos e onde as unidades hoteleiras locais careciam de mão de obra qualificada. (IA)
Obra rara e muito curiosa, sem menção na BNP.
"Técnica" é o conjunto dos processos de execução dum trabalho ou de uma arte. Não apenas a profissão, mas também toda a operação que lhe diz respeito tem a sua técnica, mais conhecida em cozinha pelo termo "princípios". A "mise en place", é um exemplo desses princípios.
A Técnica Culinária, é em definitivo o conjunto das pequenas operações postas em prática pelo cozinheiro, tendo em vista a preparação dos alimentos. Ela compreende primeiro que tudo a manipulação das matérias primas, partindo das mais simples ou das mais conhecidas, e utilizando sempre o seu nome técnico para evitar qualquer confusão. Ela compreende também os temperos preliminares e os seus empregos sucessivos, nos diversos modos de cozedura."
(Técnica Culinária)
Índice:
Técnica Culinária | Higiene Profissional | Vocabulário Técnico | Utensílios | Cozinha Fria | Secção de Sopas | Secção do Entremédio | Secção do Peixeiro | Secção dos Assados | Secção dos Molhos | Pastelaria | Manteigas, Compostas e Molhos  Guarnições  Massas  Ovos e seus derivados  Caldos e Sopas  Peixes, Mariscos e Crustáceos | Carnes | Diversos | Pastelaria
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta mancha no pé.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
60€

01 outubro, 2026

LAFOREST, Dubut de -
A BOMBA. Traducção de Domingos Cabral de Quadros. Lisboa, "A Editora", 1909. In-4.º (22,5x14 cm) de 151, [1] p. ; il. ; C. Col. Os Ultimos Escandalos de Paris: grande romance dramatico inedito - XXXVI
1.ª edição.
Romance de costumes, levemente erótico, publicado na primeira década do século XX.
Ilustrado com bonitos desenhos no texto.
A Bomba (no original em francês, La bombe) é o volume número 36 de uma famosa série literária de 37 romances dramáticos intitulada Os Últimos Escândalos de Paris (Les derniers scandales de Paris), escrita no final do século XIX pela pena do francês Jean-Louis Dubut de Laforest. A colecção formava um longo fresco dramático sobre o submundo e a alta sociedade francesa, explorando a vida de prostitutas, vigaristas, burgueses e aristocratas decadentes. Devido ao seu teor provocador, a obra chegou a figurar na "Enfer" (O Inferno), secção especial da Biblioteca Nacional da França (BnF), em Paris, destinada a guardar livros e manuscritos de caráter erótico, pornográfico ou considerados contrários à moral da época." (IA)
"Cloé de Haut-Brion tinha na Casa-Mãe das Bernardas, da rua da Providencia, tanta liberdade e um bem estar relativo, muito superior ao convento da Bretanha.
Em Paris, as cellas davam para os claustros, eram vastas, bem arejadas, não tinham luxo, mas havia n'ellas um certo conforto desconhecido das freiras de Plogoff: a mobilia compunha-se de um leito de ferro, um prie-Dieu, e uma arca para as roupas brancas, habitos e petrechos de toilette; nas paredes do seu compartimento, a ex-Virgem do Boulevard dependurára um Christo, um quadro da Virgem Maria, outro da Magdalena, o de S. Francisco de Paula, instituidor da Ordem das Bernardas, e o retrato do abbade Celestino o fundador do recolhimento das arrependidas.
Tresentas religiosas ou noviças habitavam o convento, sob a direcção da superiora geral da Ordem, uma dama de alta linhagem, como Isabel d'Esbly, e sob a vigilancia directa da Reverenda Irmã Veronica, uma creatura de humilde nascimento."
(Excerto de I - Nona Coelsia, baroneza de Géraud)
Dubut de Laforest (1853-1902)."Foi um escritor folhetinista extremamente popular e prolífico na sua época. Ele especializou-se em retratar os vícios e segredos da sociedade parisiense, com um estilo influenciado pelo naturalismo que frequentemente chocava a moral tradicional e abordava temas ousados."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação cartonada com desenho e letras a rosa e azul na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa apresenta pequenas manchas à cabeça.
Raro.
25€

30 setembro, 2026

LENCASTRE, D. José Coutinho de -
DIGRESSÃO RECREATIVA : PASSATEMPO ALEGRE OU  REVISTA DO VIVER DAS PRAIAS, NA EPOCHA DOS BANHOS DO MAR.
No corrente anno de 1870. Lisboa, Typographia Portugueza, 1871. In-8.º (20,5x13 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso roteiro das praias de Lisboa e da Linha, até Cascais. Não assinado. Sabe-se no entanto que o seu autor foi D. José Coutinho de Lencastre.
A Digressão Recreativa é uma espécie de crónica socialite sobre os frequentadores das praias da região litoral de Lisboa e arredores durante a época estival, talvez a primeira "revista" do género publicada entre nós. Em cada "praia" o autor dá conta das moradias e nomeia as famílias que os habitam.
"Todos sabem, e muito bem conhecem, n'esta côrte, nobre a antiga cidade de Lisboa, segundo antigas lendas, patria do antigo pai Ulysses, que se denominam Praias, toda essa orça de areias, ou fita, que se estende, em sinuosidades caprichosas, e banhada por aguas cristalinas, e salsas ondas, do formoso Tejo, desde, a Torre de Belem, até á de S. Julião, ou S. Gião, se alguem quizer ou mais lhe agradar."
(Excerto do Preâmbulo)
"A designação é consagrada por eras bem antigas. Local aonde, o nauta fatigado, de asperas vigilias, riscos, e trabalhos, em bem longa viagem, cercado continuadamente de perigos sobre baixios, mares tormentosos, e encapellados, vem finalmente lançar ferro, dar fundo, e seguro em suas amarrações, recupera animo e forças, á vista da terra appetecida, ou lar domestico, abafando n'alma, alegre e contente, o prazer, que lhe prende a vida, ou pula no coração, de em breve, abraçar amante, parentes e amigos.
Tem o Dáfundo seu nobre Castellão, o Ex.mo Marquez de Cstello-Melhor, que vem todos os annos pelos mezes de Setembro, e Outubro, habitar alli, o seu Doujon acatelado, acompanhado de suas amabilissimas Irmãs."
(Excerto de Dafundo)
"Estendida em tiras, aos pés do vistoso monte monte de Santa Catharina. Á entrada, o mesmo perigo que na Ponta de Algés, senão peior.
A mesma censura, e mais fulminante, á Illm.ª Camara da Villa, e Concelho de Oeiras, pelos seus indesculpaveis descuidos. [...]
Este anno, apesar de tudo, reuniu-se alli, bem elegante sociedade, de supremo bom tom; a côrte celeste dos Anjos, rancho fatidico, e esbelto, ostentando galas e primores do mais refinado bom gosto em casquilhos toilletes, trajados por tão graciosas deidades, que esparziam sorrisos feiticeiros, e sabiam acompanhal-os de um chic, todo especial, em animadas conversas, ou mais distracções campestres."
(Excerto de Cruz-Quebrada)
"Está dito. Vou. Uma visita tem todo logar, e é bem cabida, n'esta occasião, em que reside alli, tanta gente, e nobre gente, illustre, e mui fidalga gente. Nobres cavalleiros e formosas Damas, flôres mimosas e estrellas resplandescentes. Eu bem reconheço, o quanto é arriscado, o meu proposito, tendo de observar, ver, e contar depois, quanto vi, e quanto ouvi. Mas apezar de tudo, seguirei por diante, o meu fadario errante, dê por onde der, e tanto mais tendo ouvido rosnar, tanta cousita, exquisita, extravagante, e bonita; desejo, e se me aguça, a vontade, de ir observar, por mim mesmo, se é verdade, o romntico, o poetico, e o fadista, de quanto se relata, da sociedade, aliás elegantissima, d'aquelle sitio."
(Excerto de Cascaes)
Índice:
[Preâmbulo] Torre de Belem | Pedrouços | Ponte d'Algés | Dafundo | Cruz-Quebrada | Boa-Viagem | Caxias | Paço d'Arcos | Oeiras | Cascaes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito raro.
100€

29 setembro, 2026

FIGUEIRA, Francisco José -
O POTRIL MILITAR.
Por... Medico veterinario militar. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897. In-8.º (22,5x14 cm) de 131, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio sobre o potril português localizado na zona de Portalegre.
Potril é um pátio, alpendre ou cercado onde se recolhem e guardam potros para serem adestrados ou domesticados. A palavra também é conhecida pelo sinónimo poldril e deriva diretamente da palavra potro (o cavalo jovem). (IA)
Livro com interesse histórico, agrícola e pecuário, ilustrado no texto com quadros, tabelas e "mapas" estatísticos.
"Este trabalho tem uma pretensão apenas; mostrar, de uma maneira clara e concisa, tudo quanto technicamente se fez no potril militar, e a rasão por que se fez. [...]
Comprehende duas partes. Na primeira, e com mero intuito de elucidação e comparação, tentâmos um rapido estudo dos potris militares estrangeiros - allemães, francezes e hespanhoes. [...]
A segunda parte é por completo consagrada ao estudo da organisação do potril, aos resultados obtidos com a exploração agricola e ao systema recreador seguido."
(Excerto de Breves explicações)
"Em 6 de agosto de 1888, lavra-se a escriptura de arendamento da herdade.
A Crucieira
Situada no districto de Portalegre, concelho do Crato, freguezia de Nossa Senhora dos Martyres.
... é limitada ao norte pela ribeira do Gamito em grande parte e pelo marco geodesico da Ferrenha; a leste pelas duas heraddes Almojanda e Carrascal; a sul pelo marco geodesico proximo da ribeira dos Barretos e monte da Velha (pequeno logar); e a oeste tem por limites as estremidades das duas folhas, Figueira Doida, dentro do qual existe um marco geodesico, e pela fonte da Pêga. Circumscriptos estes limites na carta geodesica, dá approximadamente um quadrilatero de 5 kilometros de lado por 6 kilometros de comprimento ou 3:000 hectares de terreno."
(Excerto de Potril militar portuguez: I - Organização)
Indice:
Breves explicações | Primeira Parte - Potris militares estrangeiros: I - Potris allemães; II - Potris francezes; III - Potris italianos; IV - Potris hespanhóes. Segunda Parte - Potril militar portuguez: I - Organização; II - Exploração agricola; III - Recreação.
Encadernação simples em tela com título na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Lombada apresenta falha à cabeça. Interior correcto.
Raro.
45€

28 setembro, 2026

À NAÇÃO - ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA-COIMBRA. [Coimbra], Associação Académica de Coimbra, 1969. In-fólio (34x22,5 cm) de 10 p. (inc. capa) ; B.
1.ª edição.
Folheto histórico, policopiado. Trata-se do comunicado-protesto justificativo dos estudantes de Coimbra face aos acontecimentos que tiveram início a 17 de Abril de 1969, e que abalaram o Estado Novo. A 6 de maio o governo mandou encerrar a Universidade e cancelar a Queima das Fitas. O cerco incluía carros e GNR a cavalo. O presente opúsculo foi concebido e distribuído em 7 de Maio - no dia seguinte a estes eventos.
"A crise começou no dia 17 de Abril de 1969. Os estudantes pretendiam intervir durante a inauguração do edifício das matemáticas e o presidente da Direção Geral da Associação Académica, Alberto Martins, pediu a palavra, mas foi impedido de o fazer.
Os estudantes, que já estavam em protesto exigindo a reintegração de professores e a democratização do ensino superior, tomaram conta da sala onde decorria a inauguração. A crise agudiza-se nas horas e dias seguintes com a prisão de vários dirigentes académicos e a ocupação de Coimbra por forças militares e policiais.
O Ministro da Educação e o reitor acabariam por se demitir, mas vários estudantes da academia seriam forçados a integrar as forças armadas, seguindo para a guerra do ultramar."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/a-crise-academica-de-1969-17-de-abril/)
"Acontecimentos de magna importância para a vida nacional ocorrem em Coimbra desde 17 de Abril do ano corrente.
A Nação, porém, só passados treze dias obtém do Governo, por intermédio do Ministro da Educação Nacional, uma informação que até o cidadão mais desprevenido considerou tardia, suspeita e tendenciosa.
Tardia porque a Nação tem o direito de ser informado diariamente não apenas das transferências futebolísticas mas, principalmente, daqueles acontecimentos que ferindo os seus órgãos vitais mais afectam a sua fisiologia dinâmica. A informação do País não mais pode ficar dependente de simples critérios de oportunidade política; de um simples "achar vantajoso-ministerial" sob pena de grave ofensa do direito à informação, sob pena do descrédito da nossa imprensa, sob pena de se facilitar o boato de tão graves consequências."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - Antecedentes. III - O dia 17 de Abril de 1969. IV - Conclusões de interesse nacional: 1.º - Reforma global do ensino; 2.º - Independência-autonomia; 3.º - Auto-gestão; 4.º - O reconhecimento da utilidade social do estudante; 5.º - Educação permanente; 6.º - Democratização do ensino.
Exemplar em brochura, bem conservado. Apresenta vinco ao centro.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

27 setembro, 2026

LEYS, E PROVISÕES, QVE ELREI DOM SEBASTIÃO NOSSO SENHOR FEZ DEPOIS QVE COMEÇOU A GOVERNAR. Impressa em Lisboa per Francisco Correa em 1570. Agora novamente reimpressas por ordem chronologica, e com a numeração de §§., que em algumas faltava, seguidas de mais algumas Leis, Regimentos e Provisoens do mesmo Reinado, tudo conforme ás primeiras ediçoens. Ajuntou-se-lhes por appendix a Lei a Reformação da Justiça por Philippe II. de 27 de Julho de 1582. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1816. In-8.º (21x15 cm) de [10], 270 p. ; E.
Junto com:
LEI DA REFORMAÇAM DA JUSTIÇA, DE 27 DE JULHO DE 1582. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1816. In-8.º (21x15 cm) de [4], XXXX p. ; E.
E:
COLLECÇÃO CHRONOLOGICA DE VARIAS LEIS, PROVISÕES E REGIMENTOS DELREY D. SEBASTIÃO PARA SERVIR DE APPENDIX Á nova edição das que colligíra Francisco Corrêa em 1570, com algumas mais de Flippe II e III, anteriores á publicação de suas Ordenações em 1603. Precedidas umas e outras da Ordenação da Ordem do Juizo delRei D. João III de 5 de Julho de 1526, etc., ordenado tudo e correcto conforme ás primeiras edições e MSS, authenticos por J. I. de F. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1819. In-8.º (21x15 cm) de LVIII, 264 p. E.
E:
SUPPLEMENTO Á COLLECÇÃO CHRONOLOGICA DE VARIAS LEIS, PROVISÕES E REGIMENTOS DE ELREY D. SEBASTIÃO, PARA SERVIR DE SEGUNDO APPENDIX. Á nova edição das que colligíra Francisco Corrêa em 1570. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1825. In-8.º (21x15 cm) de 23, [1] p. E.
Importante documento histórico em 4 volumes - (completo) - encadernados num único tomo. Trata-se de um de lote bibliográfico absolutamente fantástico, que reúne a edição completa de legislação sebastiânica e os seus apêndices oficiais, impressos pela Real Imprensa da Universidade de Coimbra entre 1816 e 1825.
"Ev ElRey faço saber aos que este Aluara virem, que auendo respeyto a Francisco Correa Impressor, imprimir ora á sua propria custa o liuro das Leys e Prouisões, que eu passey, e fiz depois que comecey a gouernar meus Reynos atégora: E por lhe fazer mercè, ey por bem, e me praz que por tempo de cinco annos Impressor,, nem Liureyro algum, nem outra pessoa, de qualquer qualidade que seja, não possa imprimir, nem vender em todos meus Reynos e senhorios, nem trazer de fora delles o dito liuro, saluo o dito Francisco Correa, ou aquellas pessoas, que para isso tiuerem seu poder e licença."
(Excerto de Privilegio)
"Desembargadores do paço, amigos: Eu ei por bem, pera que daqui em diante aja milhor expediente nos negocios, e se possa dar mais breue despacho ás partes, que alem dos casos, que per bem de vosso regimento podeis despachar, de que as cartas e prouisões ham de ser assinadas per dous de vos, possaes despachar mais os casos abaixo declarados, e assinar pela mesma maneira as cartas e prouisões, que delles se fizerem, posto que ategora as ditas cartas e prouisões fossem assinadas per mi, e com meu passe."
(Regimento - Sobre alguns casos, e prouisões, que se ora despacham e assinam pelos Desembargadores do paço)
Encadernação não contemporânea meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Miolo perfeito.
Raro.
Peça de colecção.
150€

26 setembro, 2026

COSTA (Mesquitella), D. Bernardo da -
TOIROS DE MORTE.
Relatório apresentado por... e aprovado pela Comissão nomeada pala Portaria de 6 de Maio de 1933, nos termos do art. 1.º do decreto- lei n.22.482. Lisboa, [Tip. da Emprêsa Nacional de Publicidade - Lisboa], 1935. In-8.º (20x14,5 cm) de 123, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho elaborado pelo autor com o propósito e expectativa de obter autorização das autoridades para corridas com "touros de morte" em Portugal - tema momentoso na época - que se traduz na morte do touro na arena a culminar a faena.
"Encarregado de elaborar o parecer da Comissão que S. Ex.ª o Sr. Ministro do Interior houve por bem nomear para estudar a possibilidade da realização de corridas com toiros de morte, tenho a honra de vir desempenhar-me dessa missão, lastimando, ao apresentar êste trabalho, que a escolha tivesse recaído sobre a pessoa menos autorizada para o fazer. [...]
O assunto é tão vasto e tão contrariado tem sido, que a sua defesa não se torna fácil - não porque lhe escasseiem as provas mais seguras, mas porque contra cem anos de de certos preconceitos resultam muitas vezes inúteis todos os argumentos. [...]
A Comissão, emitindo o seu voto favorável, não fêz mais, pois, que interpretar o sentir do numerosíssimo público que pela tauromaquia se interesse e que é, por conseguinte, o único cuja opinião interessa.
Podia resumir assim o seu parecer: a necessidade, porém, de esclarecer certos pontos, incluindo alguns de ordem puramente técnica, obriga-me a demonstrar:
- na autorização dos «toiros de morte» reside o ressurgimento da tauromaquia portuguesa;
- dêsse ressurgimento só podem advir benefícios no campo económico;
- tanto sob o aspecto social como debaixo do ponto de vista educativo, se os «toiros de morte» não nos oferecem vantagens apreciáveis (o que é discutível) também não nos trazem inconvenientes nenhuns.
O estudo da questão sob êstes quatro aspectos principais - artístico, económico, social e educativo - é o objecto dos quatro capítulos em que se divide o presente Relatório."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | I - Aspecto Artístico: I) Origens do toureio; II) O toureio em Espanha; III) O toureio em Portugal. II - Aspecto Económico: I) Do espectáculo em si; II) Da criação do gado bravo; III) O toiro como animal de ceva; IV) O toiro como animal de trabalho; V) O toiro como animal de lide. III - Aspecto Social. IV - Aspecto Educativo. | Apêndice
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€
Reservado

25 setembro, 2026

FERNANDES, José Augusto -
GENTE DE CÔR
. Porto, [s.n. - Oficina Tipográfica do Hospital do Conde de Ferreira-Porto], 1933. In-8.º (21x14,5 cm) de 80 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas relacionadas com Timor (a maioria) e Macau, locais onde o autor terá prestado serviço militar.
Obra rara e muito curiosa, não mencionada na BNP. Nada foi possível apurar acerca do autor, a não ser, a indicação num outro livro seu, de pertencer à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
"Produto dum cruzamento, nascera em Macau. Tentaram educá-lo, mas, tôda uma longa série de taras, inutilizou essa tentativa... Cresceu ao Deus dará até que, já homem, foi parar à tropa... Percorreu tôda a escala dos castigos e, por fim, lá foi ter a Timor, com a chancela de incorrigível...
Como tinha um verniz de ilustração empregaram-no. Filho de chinesa e talvez de indio, tinha todos os defeitos destas duas raças. Abafava sob a nossa moral, e as nossas leis eram para êle duma iniquidade absoluta...
Podia lá ser que êle quizesse beber, que êle tivesse sêde, que a cerveja estivesse ali, à mão de semear, em casa do chinês ou do monhé, e êle a não bebesse porque não tinha dinheiro...? Podia lá ser?! E como não podia ser, bebia e não pagava..."
(Excerto de Um milagre)
"Envelhecera em Timor. Para ali veio de Angola, novo ainda, num contingente de africanos... Alto, forte, espadaúdo, ligára-se a uma indígena e, com o tempo, veio-lhe o esquecimento da sua terra...
Deixára a tropa quando a velhice e o alcool o inutilizara e ficára por lá fazendo recados aos monhés e aos chineses...
Alma simples de bom, fiel como um cão, a negrura da sua tez era o seu único orgulho... Chamassem-lhe preto que o Pipa, abrindo a larga bôca num sorriso de satisfação, prestes respondia «pronto siô»!... E, filosóficamente, juntava: africano-preto, português-branco. Porque só o português era para êle branco, os outros, as outras raças, essas designava-as pelo nome da sua terra...
O branco era sempre o português; a sua língua, uma algaraviada de português e angola, era a língua portuguesa..."
(Excerto de O Pipa...)
"Pelas encostas da serra - de quebrada em quebrada - ouve-se o som dos batuques. O tam-tam repete-se, multiplica-se, aumenta de tom e ao longe novos tam-tans se ouvem, dando vida à paisagem. Em plena montanha, fronteiriça ao mar que distante se espraia numa quietude de lago, o som cavo dos batuques é bem como que o som dessa montanha, indefinível, mixto talvez do marulhar das ondas e do vento batendo as Tranças do arvoredo...
Um som grave, qualquer coisa que nos entristece, que nos faz olhar em roda num movimento instintivo de defesa, como se as próprias arvores, a água que canta despenhando-se, fôssem inimigos, e a sua voz fosse aquela, êsse tam-tam insistente, monótono, sem côr...
Da eminencia onde estávamos, via-se ao longe a fita branca da espuma orlando rembrandescamente o sopé da montanha e a floresta de folhas largas, dum verde macío onde a luz forte se adoça.
Pouco a pouco vão chegando os batuques.
Mulheres levando sob a axila do braço pequenos tambores que os dedos ferem, começam a orquestrar-se, arregimentando-se, e, em filas, avançam num bater cadenciado, certo, emquanto na frente, tauxiadas lâminas ao sol os homens pulam e guincham..."
(Excerto de O batuque)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. "Enrugado" e com manchas marginais por acção da humidade, sem prejudicar a mancha tipográfica.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

24 setembro, 2026

IVO, Pedro -
CONTOS. Por... Porto, Typographia da Revista, 1874. In-8.º (17,5x12 cm) de 266, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante colecção de contos, rústicos, de inspiração romântica.
"Corre a manhã de um domingo de novembro, frio, triste e chuvoso.
Na unica rua da aldeia, formada por meia duzia de casas térreas, separadas umas das outras pelos muros de vedação de algumas hortas, onde raros pés de couve, queimados pelas geadas, se erguem d'entre as hervas parasitas, não transita viva alma.
As unicas creaturas, que vagueiam fóra de telhas, são um porco e um frango: o primeiro, na sua marcha tortuosa e indecisa, vai roçando com o focinho quanto encontra no chão, soltando o monótono grunhido que, em lingua suína, deve exprimir: «Serve-me,» «Não me serve,» e o segundo, caminhando em passo presumido, vai vasculhando no lixo o pão de cada dia.
Não se ouve outro ruído, que não seja o das gotas da chuva, que cáhem das beiras dos telhados.
Aberta, apenas se vê uma porta.
Entremos.
Eis-nos na tenda do Snr. José... da Tenda.
Não sei se os leitores se teem, como eu, recolhido algumas vezes n'uma tenda de aldeia, á espera que a chuva passe.
Se teem, conhecem de certo o desconsolo, que causa a vista d'aquelle sólo composto da lama acarretada pelos tamancos de quatro gerações, o aspecto do balcão negro e ensebado, suando immundicie por todos os poros da madeira, com o bordo polido pelo roçar dos freguezes, fartos de escutar pela vigesima vez a historia de dois cruzados novos e tres moedas de doze falsos, e pregados ao mesmo balcão, como prova da pureza d'alma do tendeiro e da perversidade dos homens, que não são tendeiros."
(Excerto de O milagre)
Indice:
O milagre | A sentença da tia Angelica | A boneca | A doida de Tagilde | Meigo | A quina d'espadas | A figa d'azeviche | O embarcadiço | O cruzeiro da via-sacra | O berço.
Pedro Ivo (1842-1906). "Pedro Ivo é o pseudónimo literário de Carlos Lopes. Nasceu e faleceu no Porto. Viveu na Alemanha, onde estudou, esteve no Brasil e na África portuguesa, tendo sido Presidente da Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro de África. Nas suas obras de ficção notam-se influências de Camilo e de Júlio Dinis, em especial nas descrições da vida do campo e no sentimento trágico da vida.
Obras: Contos (1874); O Sello da Roda (romance, 1876); Serões d'Inverno (contos, 1880)."
(Fonte: https://vercial.utad.pt/ivo.htm)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cantos com sinais de uso.
Raro.
35€

23 setembro, 2026

1.ª BRIGADA MISTA INDEPENDENTE - 1978/1988 : DEZ ANOS DE ACTIVIDADE
. [Santa Margarida], 1.ª BMI, 1989. In-fólio (29,5x21 cm) de 112, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra comemorativa do primeiro decénio da 1.ª Brigada Mista Independente, antes 3.ª Divisão de Infantaria, e depois, em 1993, Brigada Mecanizada Independente, passando a designar-se Brigada Mecanizada a partir de 2006.
Profusamente ilustrada com fotografias a cores e a p.b., sendo algumas em página inteira.
"A Brigada Mecanizada (BrigMec) é uma grande unidade do Exército Português, constituindo uma das suas três brigadas. O seu comando, órgãos de base e unidades operacionais encontram-se aquartelados no Campo Militar de Santa Margarida, localizado na freguesia de Santa Margarida da Coutada, concelho de Constância. Tem como patrono, D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável.
Como grande unidade, a BriMec encontra-se inserida tanto na Componente Operacional (estrutura operacional) como na Componente Fixa (estrutura base) do Sistema de Forças do Exército, dependendo hierarquicamente do Comando das Forças Terrestres (CFT).
A BrigMec constitui a grande unidade de forças pesadas do Exército Português. Estas caracterizam-se por serem forças de armas combinadas, dotadas de meios mecanizados e blindados, vocacionadas para atuarem em situações de conflito de alta intensidade, onde os poderes de fogo, de choque e de proteção sejam determinantes."
(Fonte: Wikipédia)
"A 1.ª Brigada Mista Independente (1.ª BMI) comemorou em 6 de Abril de 1988 o 10.º aniversário da sua criação oficial. Apesar da sua ainda curta existência ele é hoje a expressão clara da vitória sobre o desafio que se colocou ao Exército Português, após o fim da guerra não convencional que o empenhou em África durante mais de uma década. Desafio que tinha o duplo objectivo de conjugar a vontade de renovação do Exército, nos planos técnico e táctico, com a vontade política de Portugal em reafirmar a sua participação na defesa colectiva da Aliança Atlântica. Aliança que o nosso país ajudou a formar e que se destina a manter a paz e a liberdade dos seus membros, não através da guerra, mas pela dissuasão.
O quadro desta Aliança é representado pelo Tratado do Atlântico Norte o qual surgiu como reacção dos países da Europa Ocidental., apoiados pelos Estados Unidos e pelo Canadá, à crescente expansão ideológica e territorial soviética verificada nos anos conturbados que se seguiram à 2.ª Guerra Mundial."
(I - Fundamento Histórico - Introdução)
Índice:
I - Fundamento Histórico. II - Grande unidade de campanha permanentemente constituída. III - Onde se localiza a Brigada. IV - Actividades da Brigada. V - Deslocamento para Itália e apoio logístico. VI - Referências elogiosas. VII - Desafios do futuro. | Cronologia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e militar.
20€

22 setembro, 2026

SANTOS, C. Affonso dos -
GUIA TAUROMACHICA. Arte de tourear a pé e a cavallo. Porto, Escriptorio de Publicações, [1904]. In-8.º (16,5x10,5 cm) de 106, [2] p. ; il. ;E.
1.ª edição.
Curioso subsídio para bibliografia taurina. Trata-se de um "guia" da arte do toureio apeado e a cavalo, e as "sortes" que em cada uma são utilizadas pelos profissionais do ofício, e das pegas protagonizadas pelos moços de forcado.
Obra rara e muito interessante, sem menção na BNP.
Ilustrado no texto com desenhos de sortes e inúmeros retratos de matadores, bandarilheiros, cavaleiros e forcados - as grandes figuras da época.
"[...] Este trabalho tem por fim elucidar os amadores das corridas de touros em tudo o que diz respeito á lide a pé e a cavallo, e pôl-os sobretudo ao facto das nomenclaturas e regras que existem para as differentes sortes. É um producto da nossa observação de muitos annos, em dezenas de corridas e nas principaes obras que se teem publicado sobre esta materia."
(Excerto do Prologo)
"O objecto da lide nas corridas de touros, o ponto para onde se dirigem todas as attenções, a victima de tantos maus tratos e auctor de tantas barbaridades é um animal elegantissimo, um quadrupede immenso, um mammifero sanguinario, cheio d'orgulho, ameaçando a humanidade com os seus chifres ponteagudos e reluzentes, em curvas diabolicas, saltos phenomenaes, que semeiam o enthusiamo nas bancadas, ao som d'um arfar raivoso, que os accordes da musica amortecem... Este animal é o touro."
(Excerto de O touro)
Indice:
Prologo. | I - O touro. II - Lides dos cavalleiros. III - Pégas. IV - Sortes de capa. V - Saltos. VI - As sortes de bandarilhas. VII - As fainas de muleta. VIII - A sorte de morte. | Conclusões.
Encadernação recente inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Se, f. ante-rosto.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
85€

21 setembro, 2026

ROSA, Marques - TRES MULHERES (novelas historicas). Prefácio de Julio Dantas. Lisboa, Depositaria a Empreza Portugal-Brazil [Composto e impresso na Tip. do Instituto - Sernache do Bonjardim], [1921]. In-8.º (17x11,5 cm) de [4], 203, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de três novelas históricas tendo como protagonistas, cada uma delas, uma mulher "lendária" em diferentes épocas da história nacional, reportando a primeira à lenda de Gonçalo Hermigues, o Traga-Mouros, cavaleiro templário, companheiro de armas de D. Afonso Henriques, e a sua amada Oureana (Fátima). Livro interessante, de leitura agradável.
Ilustrado com três bonitas capitulares, uma por novela.
Inclui no final um glossário dos termos antigos utilizados pelo autor.
"Do alto do minarete da masejad (mesquita) de Al-Kassr-bun-abu-Danés (Salatia, Urbs Imperatoria - Alcacer do Sal) o muezzin debruçado nos balustres, rodeando a bôca escancarada com as mãos em campânula, lançou o apêlo, gritado na sua lingua, vagaroso e cantante:
«Só Deus é Deus e Mahomét o seu profeta: - Orai.»
Como se apenas esperasse que os ultimos écos do brado se apagassem, ondulando pelas quebradas do rio e pelos recôncavos da várzia, o sol espreitou por cima das cumiadas da Serra das Chagas e da Serrinha os corucheus da mesquita e dirigiu para as glaucas e arrepiadas aguas do Chetawir (Sado) as primeiras flechas de luz.
N'este comenos desaportilhou-se lentamente, com estrépito de trancas e guinchos de roldanas, a porta de ferro aberta ao Leste da muralha; e uma alegre cavalgada irrompeu e serpeiou, descendo a congosta que vinha dar á veiga extendida a montante do rio, ao Norte e ao Oriente da povoação.
Mancébos e donzelas, a jovial mocidade da opulenta capital de Al Kassbr vozeavam, parolavam, trocavam salamaleks e cortesias, vibrando o ar ambiente de ruidos d'estribilhos e saturando-o de perfumes de laranjeira e nardo. [...]
Acoudelava a turba das mulheres, a filha do kaid d'Al Kassr.
Quinze anos. Estatura esbelta. Busto onduloso. Contornos amplos. Na côr mate da pele a bôca fendia-se curta, abrindo os lábios rubros sobre os dentes pequeninos, brancos de nacar. [...]
Em tôrno d'ela agruparam-se os moços almuades enamorados e volteiros.
E a joven castelã ria d'êles, com um riso sonoro e soluçado, desnorteando-os com a sua irónica desenvolvura."
(Excerto de Fátima)
"Na sexta feira 17 de janeiro de 1578, o senhor bispo conde D. Manuel de Menezes voltou-se a meio na grande cadeira de jacarandá com o assento e o alto espaldar de coiro lavrado de Córdova, tauxiado de prata. Acomodôu sôbre as rebeldes farripas de cabêlo já grisalho, o solideu roxo. Sofraldou um pouco a samarra e puxou de leve os cordões da murça.
Antes de falar, fixou sucessivamente a queixosa e o arguido. Depois tornou a medir com o olhar a queixosa.
Era ela uma destas criaturas de idade imprecisa, tanto aparentando 25 como 40 anos, que nunca tiveram ao menos aquêle período de frescura que caracteriza os primeiros tempos seguintes á puberdade.
Não tinha contornos.
Toda a figura era angulosa, dura de linhas, espalmada. [...]
Era esta criatura filha do grande matemático Pedro Nunes, lente de Prima nos Estudos Gerais de Coimbra."
(Excerto de Guiomar)
"Acabára tempestuosamente a refeição da manhã.
Tinham as madres do convento de Santa Clara de Vila Real começado apenas a dispersar do refeitório para o lavabo erguido com a sua dupla concha no claustro, quando a garria de bronze entrou de tanger a capítulo.
Em volta do tanque, as freiras dividiram-se imediatamente em dois bandos. As mais velhas, com as mãos metidas nas mangas dos habitos cinzento, sorriam irónicamente. As mais novas e as noviças, torcendo as mãos brancas, quasi diáfanas, cheias de aneis, e gesticulando com violencia, batiam de quando em quando o lagêdo polido com os sapatinhos de tacão de perdiz, altos tacõis pintados de vermelho, fivelados de oiro ou prata com pedras preciosas, e arremessavam para a nuca os veus negros da Regra."
(Excerto de Soror Clara)
Índice:
Fátima. (Século XIII) | Guiomar. (Século XVI - 4.º Quartel) | Soror Clara. (Século XVIII - 1.º Quartel).
Policarpo Marques Rosa (1864-1927?). "Natural de Pederneira, Nazaré. Ilustre filho adoptivo de Alvaiázere. Apesar de não ter nascido no concelho de Alvaiázere, adoptou Alvaiázere como sendo a sua terra natal, pois foi aqui que viveu a maior parte da sua vida. Desempenhou vários cargos, entre eles, presidente do Senado Municipal, Administrador do Concelho de Alvaiázere, Director do Hospital e do Grémio Alvaiazerense, durante a Primeira República.
Como activista republicano fundou, na vila de Alvaiázere, os semanários “O Combate” e o “Pátria Livre”, dos quais foi seu director e seu principal redactor, sendo colaborador nos semanários “A Voz da Justiça” e “Gazeta da Figueira”, ambos da Figueira da Foz.
Marques Rosa foi um escritor erudito, escreveu vários romances históricos sobre diversas personagens de épocas diferentes, o que o obrigou a fazer muita investigação no Arquivo Nacional/Torre do Tombo, Lisboa. No entanto, o seu estilo literário na época estaria muito longe do modernismo emergente, pois estava muito próximo dos escritores Júlio Brandão e em particular de Júlio Dantas.
Este nosso conterrâneo foi um nome sonante no seu tempo, viveu uma vida intensa e multifacetada, foi um republicano convicto, advogado, notário, solicitador, arquitecto, politico, investigador, escritor, prosador, ensaísta, jornalista e poeta."
(Fonte: https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/category/policarpo-marques-rosa/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
35€
Reservado

20 setembro, 2026

PINTO (Sacavem),
Alfredo - EM TERRAS DE PORTUGAL.
Recordações - Esbôços - Phantazias. (Illustrações photographicas do auctor). Lisboa, Livraria Ferin 1914. In-8,º (20x13,5 cm) de 84, [2] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Capa de Abel Santos (1888-1963).
Bonito álbum. Trata-se do olhar nostálgico e etnográfico do autor, enriquecido com os seus comentários e reflexões, sobre vilas, localidades campestres e seus monumentos, na incursão que empreendeu pelo centro do país, com especial relevo para as Caldas da Rainha e suas termas, Óbidos, e demais zonas circundantes.
Obra ilustrada no texto com belíssimas fotogravuras da responsabilidade de Alfredo Pinto.
"Passar algum tempo no campo é um habito que entra na massa do sangue desde o alvorecer da nossa mocidade, e assim, logo que a natureza se envolve com o manto variado das suas côres, pensamos logo em abandonar Lisbôa e vermo-nos livres, por alguns mezes, da vida buliçosa da capital, com tudo que ella possue de simulado na sua vida  ficticia e pouco hygienica.
Assim uns tempos no campo são um verdadeiro balsamo de conforto, de tranquillidade á nossa existencia physica e intellectual.
Na mór parte da gente não existe, infelizmente, a ideia nitida que se deve ter de uma estada no campo.
Geralmente todas as familias abandonam Lisbôa pelo espirito comesinho de seguirem a moda de: ir para fóra, e lá terem a mesma vida da cidade, com o mesmo luxo das toilettes, com todo esse rosario de ideias balofas e ridiculas que enche os cerebros das mães de familia, em que as thermas, praias, etc., são apenas pretextos para mostrarem as filhas e verem se as casam ricas o mais depressa possivel! 
Todas as infinitas belezas que a natureza lhes offerece n'essas terras para onde vão permanecer alguns mezes, passam desapercebidas como verdadeiras vulgaridades.
Por isso direi que sempre me faz pena não comprehenderem o campo para onde vão, e saberem gozar d'elle com aquelle amor e carinho que elle tanto merece.
Mas deixarei estas considerações, pois malhar em ferro frio é tempo sempre perdido, e entrarei no assumpto d'estas notas, d'estes esboços colhidos a esmo que apenas têm um fim - contar as minhas simples impressões de mero viandante por esses montes e valles d'esta nossa querida terra."
(Excerto do Cap. I)
Alfredo Pinto (1874-1945). Também conhecido por "Sacavém", foi um poeta português. A sua obra poética destaca-se pela sua originalidade e pela forma como abordou temas do quotidiano e da condição humana, muitas vezes com um olhar atento à realidade social. Foi uma figura marcante no panorama literário, deixando um registo poético singular."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/alfredo-pinto-sacavem)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva a capa de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com falta da f. ante-rosto.
Muito invulgar.
35€