01 junho, 2026

MANUAL DA PEREGRINAÇÃO OPERÁRIA A FÁTIMA :
3 e 4 de Outubro 1943
. [Lisboa], Edições ACP, 1943. In-8.º (15 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual da histórica peregrinação do operariado português a Fátima, a primeira, sendo responsável máximo e presidente da Comissão Executiva da Peregrinação Abel Varzim, conhecido sacerdote, activista católico no período do Estado Novo, regime com quem, por vezes, entrou em conflito.
Inclui no interior a letra de marchas, cânticos e hinos relacionados com o evento, entre outros, a Marcha dos Desempregados.
Livro ilustrado com 5 belíssimas estampas em página inteira.
Junta-se um exemplar de O Semeador, Ano IV - N.º 4 : Domingo, 23 de Janeiro de 1949.

"A Nossa Peregrinação vai ser:
Um acto de Reparação nacional por tôda a classe operária, que tanto tem ofendido a Deus.
Uma afirmação colectiva da nossa dignidade humana e cristã.
Uma demonstração de brio e de camaradagem, dando um exemplo de aprumo e boa educação.

Para isto:
a) preparemo-nos espiritualmente com dignidade;
b) procuremos evitar palavriado inconveniente;
c) em tôdas as circunstâncias, mostremos que somos cristãos, tratando-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos e camaradas;
d) nos percursos a pé, marcharemos ordenadamente, não como soldados, mas sem nos separarmos uns dos outros, sem procurarmos ser engraçados. A nossa romagem é santa!
e) evitemos cestos e malas de mão que dão uma ideia triste da nossa jornada; levemos antes sacos alpinos ou sacolas;
f) sigamos em tudo as instruções que nos forem dadas.

Não nos esqueçamos
de lenços de bolso;
de uma toalha para nos limparmos;
de um pouco de sabão ou sabonete;
de um pente;
de um copo, mesmo de papel;
de calçarmos sapatos cómodos, que não magoem os pés;
de um agasalho por causa do frio da noite.

As nossa intenções:
Peregrinos! Não vamos a uma romaria, nem a um passeio! Vamos fazer uma Peregrinação de sacrifício e de penitência, pedindo à Virgem Santíssima que nos alcance, para tôda a classe operária,
Paz, Pão e Trabalho
E uma vida mais digna, mais cristã e mais pura.
No caminha para Fátima
Alegria, dignidade, espírito de sacrifício e de oração.

Na terra bendita de Fátima
Fé;
Disciplina;
Confiança;
Obediência pronta.

Os actos de Peregrinação decorrerão com o brilho que a tua disciplina lhes quiser dar."

(A Nossa Peregrinação)
Índice: A Nossa Peregrinação | Programa | Desfile | Via Sacra | Procissão das Velas | Adoração nocturna | Assembleia Geral e Côro falado | Missa dialogada: - Preparação: I Parte: As Almas purificam-se; II Parte: As Almas instruem-se. / O Sacrifício: I Parte: As Almas oferecem-se a Deus. II Parte: Eucaristia - As Almas unem-se ao sacrifício de Cristo. III Parte: Comunhão - As Almas participam sacramentalmente no sacrifício de Cristo. / Conclusão. / Procissão do Adeus. | A Minha Confissão | Oração operária a Nossa Senhora de Fátima.
Abel Varzim da Cunha e Silva (Cristelo, Barcelos, 1902-1964). "Foi um sacerdote católico português. Nasceu em Cristelo (Barcelos), diocese de Braga, no seio de uma família da classe média rural, sendo filho de Adelino da Costa e Silva, proprietário, natural da freguesia de Vilar de Figos, concelho de Barcelos, e de Adelaide Rosa Varzim da Cunha e Silva, professora do ensino oficial, natural da freguesia e concelho da Póvoa de Varzim. Ingressou na escola onde sua mãe era professora, tendo concluído a “instrução primária”, com o exame da quarta classe, em julho de 1912, aos dez anos. Querendo ser sacerdote, teve de ingressar no liceu da Póvoa de Varzim, por não haver seminário menor em Braga, pois este tinha sido ocupado militarmente em 1911. Em 1916, quando terminou o liceu, esse problema estava resolvido e Abel Varzim concluiu então os estudos preparatórios. Em 1921, entrou para o Seminário Conciliar daquela cidade, onde se formou em Teologia, tendo celebrado “Missa Nova”, a 3 de julho de 1925, na Póvoa de Varzim. Correspondendo a um pedido do Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, o prelado Bracarense, D. Manuel Vieira de Matos, cede o novo sacerdote à Diocese de Beja, tendo sido colocado no Seminário Menor de Serpa como professor e prefeito, desde a sua inauguração em 21 de novembro de 1925. Ali lecionou durante cinco anos e aplicou o seu dinamismo, tendo apoiado, inclusivamente, a iniciativa da Equipa Educativa do Seminário, na fundação do agrupamento de escuteiros n.º 38 (Beato Nuno Álvares Pereira) do C.N.S. [Corpo Nacional de Scouts - atual Corpo Nacional de Escutas], do qual foi nomeado Chefe. Após esta estadia em Serpa, seguiu para a Universidade de Lovaina, na Bélgica, o que lhe rasgou novas perspetivas e abriu mais largos horizontes. Quatro anos depois, em 23 de abril de 1934, doutorava-se em Ciências Políticas e Sociais. De regresso a Portugal, redigiu, com o Padre Manuel Rocha, os Estatutos da Acção Católica Portuguesa (ACP), pugnando para que esta fosse constituída por organismos especializados, de jovens e adultos, e de agricultores, operários, universitários, etc.. Este documento, mau grado a oposição do Estado Português, foi aprovado pela Santa Sé. Esteve também na fundação da Liga Operária Católica, o Organismo Especializado da ACP, criado oficialmente em 30 de junho de 1935, e que iniciou a sua atividade em 1936, da qual foi Assistente Geral até 1948. Foi o grande impulsionador do jornal “O Trabalhador”, ao qual se dedicou depois de alma e coração. Aquando do seu regresso a Portugal, profundamente interessado pelos problemas sociais, e consciente do atraso estrutural em que o país se encontrava, acolheu como boa a solução imposta por Salazar, de um Estado Unitário Corporativo, aceitando por isso o “Estatuto do Trabalho Nacional”. Cedo, contudo, verificou que estava equivocado, e que o regime do Estado Novo não respondia aos problemas que afligiam os trabalhadores, e o comum dos portugueses. Foi deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938/1942, ficando célebre um “Aviso-Prévio” que ali apresentou em 17 de fevereiro de 1939, sobre os Sindicatos Nacionais, em que criticava certos aspetos da organização sindical corporativa, onde mencionava a ação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, e nomeadamente a sua ineficácia em muitos aspetos. Esta passagem pela Assembleia Nacional ficou também marcada pela intervenção que proferiu, no dia 6 de fevereiro de 1941, “manifestando a sua discordância” com os termos do Decreto-Lei n.º 31.107, que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. Os ataques e ameaças que, então, enfrentou afastaram-no definitivamente das ideias do Estado Novo. Começou então a conhecer os caminhos amargos da perseguição política (e não só), ao mesmo tempo que realizava com forte empenho ações de formação para trabalhadores e estudantes universitários, naquilo a que hoje chamaríamos “formação para a cidadania”."
(Fonte: Wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
75€

31 maio, 2026

ANGELL, Norman -
A GRANDE ILLUSÃO
. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1914. In-8.º (19x12,5 cm) de 288 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio, com interesse para a história e bibliografia WW1.
"Para analisar a guerra Angell escolheu um ângulo que não era o dos pacifistas, embora seus argumentos contribuíssem inevitavelmente a essa causa. Também não defendeu a não resistência ou o desarmamento unilateral, como alguns dos seus contemporâneos. No prefácio da edição francesa de A Grande llusão, de 1911, afirma expressamente: "O meu objetivo não é provar que a guerra é impossível, mas que é inútil ... O meu livro não é anti-militarista ou pacifista no sentido ordinário em que esses conceitos são empregados. Não aconselho a nenhuma nação que se descuide da sua defesa, mas procuro demonstrar que nenhum Estado tem interesse em atacar outro, e que a necessidade de estar permanentemente em condições de defender-se se deve a que cada um acredita que o outro tem esse interesse.""
(Fonte: https://funag.gov.br/biblioteca-nova/produto/1-985-grande_ilusao_a)
"A que corresponde o sobrelanço actual das nações europeas em materia de armamentos? O que foi que lhe deu origem, e o que é que o explica pelo que respeita á Inglaterra e á Allemanha? Cada nação invoca, para justificar os proprios armamentos, a necessidade em que se encontra para se defender. Ora essa necessidade implica que ha outras nações que julgam ter algum interesse em tomar a offensiva, porque a defeza só faz sentido quando ha ataque prévio. Quaes são os móbeis que as nações attribuem aos visinhos de quem assim desconfiam?"
(Excerto de Resumo synoptico)
Ralph Norman Angell Lane (1872-1967). "Economista inglês. Foi membro do Instituto Real dos Negócios Estrangeiros, da Liga das Nações e do Conselho Nacional da Paz. Na sua obra The Great Illusion (1910, A Grande Ilusão), defendia a doutrina que nenhuma nação ganhava com a guerra, pois a guerra é prejudicial à economia acarretando várias desvantagens para as nações. Seguiu-se The Great Illusion, 1933 (1933) onde aborda o desenvolvimento da economia e das ideias abordadas na primeira publicação. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1933, pela sua contribuição para a estabilidade internacional.
Escreveu ainda: The Fruits of Victory (1921), The Money Game (1928), The Unseen Assassins (1932), America's Dilemma (1940), The Steep Places (1947) e After All (1951)."
(Fonte: https://www.infopedia.pt/artigos/$norman-angell)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Volume de trabalho, apresenta alguns sublinhados a tinta no interior. Capas cansadas, com defeitos.
Invulgar.
15€

30 maio, 2026

BASTOS, Francisco Leite -
MALDITAS CARTAS : comedia em 1 acto.
Original por... Representada a primeira vez no Theatro da rua dos Condes. Lisboa, Typographia de F. J. Gonçalves, 1865. In-8.º (16,5x11,5 cm) de 30, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Trabalho muito curioso, sendo este uma das primeiras produções do autor. Trata-se de uma peça de costumes, onde o autor desmonta com graça a astúcia pelintra e bem falante dos "figurões" que na época davam o "golpe" nas moças incautas. No final, o intuito moralizador da peça permite que tudo acabe em bem.
O livrinho encontra-se pejado de correcções e anotações coevas a tinta. Inclui ainda um desenho a lápis da "cena" de interiores a três dimensões no verso na f. rosto. Exemplar do autor? Exemplar de cena?
"José
(á janella fazendo visagens para a rua). Sim, meu bem, meu pastel de nata, meu... Queres fallar-me? Sem falta? Hoje? Quando o casmurro saír? Pois sim, não faltarei. (para a scena). Isto é que é derriço. (para a rua). Ah!... Adeus; então adeus. Olha (atirando-lhe um beijo) ahi váe para o caminho: saudades á familia e recommendações ao papá. (descendo á scena). Parabens, sr. José Minhoto; é v. s.ª o futuro de uma capellista baixinha, trigueirinha, bonitinha e... Agora vejo que vim a Lisboa fazer alguma coisa. Conquistei em menos de quinze dias a filha do sr. Bigorna, casmurro de feio nome, e horrenda cara. Mas... Mas tudo isto não é devido ao meu trabalho, que lá isso sei eu, que não tenho barbas para tanto. A umas cartinhas de amor, que eu, com muita esperteza, empalmei ao patrão, e ainda com maior labia offereci á capellista, é que eu devo todo este cantar de papo! Pois então! A rapariguinha anda mesmo louca por mim; de sorte que tenho sempre charutos de môfo, trincadeira de vez em quando; e tudo isto são coisas, que se não prendem o coração, acorrentam pelo menos o estomago e afinam muito melhor a garganta. (canta:)

Esta vida de criado
Não me offerece garantias;
Pela vida de criado
Já não tenho sympathias.

Vou largar, já sem demora
Uma vida tão cruel,
E biscar melhor fortuna
Em qualquer lua de mel.

Agora é descançarmos das fadigas. (senta-se).

(Scena I)

Francisco Leite Bastos (Lisboa, 1841-1886). "Dramaturgo, romancista popular e jornalista. Dos 17 aos 22 anos, foi escrevente na Repartição do Major-General da Armada, lugar que deixou para viver apenas das letras. Foi, descontinuadamente, redactor do Diário de Notícias e deu colaboração a outros jornais de Lisboa. O seu teatro teve, à época, bastante êxito dada a imaginação que demonstrava e a crítica de costumes que continha, o que não obstou a que a sua peça O incendiário da Patriarcal, quando foi estreada no Ginásio, fosse pateada. À reacção da plateia, contrapôs o autor, de uma frisa, com um discurso fortemente insultuoso dos espectadores que, perante os impropérios que lhes eram dirigidos, romperam numa longa ovação. De qualquer forma, não voltou a escrever teatro, embora o tema daquela peça lhe tenha servido, depois, para um folhetim.
Teve também êxito a escrever folhetins e romances populares, mais pela desmedida imaginação do que pelo português que era descuidado por muito apressado. Na sua ânsia de publicar para viver, compôs um volume de continuação de Rocambole, quando aquela obra foi pela primeira vez publicada em Portugal. O livro devido a Leite Bastos, cuja acção decorria em Londres, intitulava-se As maravilhas do homem pardo e nenhum dos muitíssimos leitores dos numerosos volumes deu por nada, como conta Mayer Garção em Os esquecidos (Lisboa: 1924, p. 15). Aliás, As maravilhas do homem pardo foram reeditadas em 1915, em Lisboa, como sendo a 12ª. parte de Rocambole.
Figura característica da vida lisboeta, percorria as ruas da capital numa pequena carroça, puxada por um cavalo, que devia a alimentação à caridade dos lojistas que seguiam os folhetins do dono a quem o equídio acompanhava nas suas peregrinações pelas tabernas mais típicas, partilhando do vinho que nelas lhes ia sendo servido."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=7678)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Revestido de capas simples, lisas, com título manuscrito.
Raro.
45€

29 maio, 2026

ALVES, A. A. Monteiro -
CURSO DE RECICLAGEM SOBRE PLANEAMENTO DA ARBORIZAÇÃO.
Textos-sumário das lições proferidas no Instituto Politécnico de Vila Real de 20 a 24 de Fevereiro de 1978. [S.l.], [s.n.], [1978]. In-fólio (29x21 cm) de [52] f. ; il. ; B.
1.ª edição.
"O Curso de Reciclagem sobre Planeamento da Arborização, da autoria do Professor e Engenheiro Silvicultor António Monteiro Alves, é um documento de suporte pedagógico e técnico de referência fundamental no sector florestal e de arborização em Portugal." (IA)
Obra batida à máquina, policopiada, folhas impressas na frente, ilustrada em página inteira com tabelas, quadros, diagramas e mapas.
"Não se pode dizer que seja nova a questão da utilização racional do espaço, na qual se inscreve o tema do planeamento da arborização, nem sequer que sejam novos os alertas sobre os riscos de sobrevivência humana na terra, perante a degradação dos equilíbrios naturais. Os "ecologistas" que, na actualidade, se multiplicam a todos os níveis, dos profissionais aos jornalísticos, a-pesar dos extremos e de exageros com que por vezes se debruçam sobre estes problemas, não são mais que sintomas do progresso da "consciência social" daquilo que o conhecimento científico, acumulado através dos tempos, permitiu ir demonstrando."
(Excerto de 1. Ordenamento do espaço e arborização)
António Alberto Monteiro Alves (1931-2015). "O Professor emérito António Monteiro Alves foi sócio fundador e o primeiro Presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais. Para além de um florestal de excelência, era um artista, que apesar de preferir a escrita à palavra, na sua faceta de comunicador colaborou com Sousa Veloso na fase inicial do programa da RTP “Vida Rural”. Conhecia a realidade florestal que transmitia aos alunos, em visitas de estudo inesquecíveis, e sensibilizava-os para as 
questões sociais e ambientais. Foi um silvicultor que participou ativamente na Ordem dos Engenheiros, 
membro Conselheiro e Presidente do colégio Silvícola, foi também membro fundador da Academia de Engenharia."
(Fonte: Floresta para Todos, Newsletter - Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais, Edição 13, Março 2019)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior esquerdo.
Muito invulgar.
25€

28 maio, 2026

CASTELA, Vítor -
ALGARVE EM FESTA : poema
. Faro, [s.n. - Feito na Tipografia de «O Algarve» - Faro], 1946. In-8.º (20,5x15 cm) de 80 p. ; E.
1.ª edição.
Junto com:
CASTELA, Vítor - MAR DO SUL. Poemas. Faro, Tipografia União, 1953. In-8.º (20,5x15 cm) de [76] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de duas obras poéticas de Vítor Castela tendo como pano de fundo literário o Algarve, sua província natal, partilhando a mesma encadernação. A primeira - Algarve em Festa - corresponde à sua estreia literária, e não se encontra registada na BNP.
Edições esmeradas, impressas em papel encorpado. O desenho da capa de Algarve em Festa é da autoria de José Amado da Cunha.
"Meu caro amigo:
Algarve em Festa - são trinta sonetos do poeta Vítor Castelo.
Constituem eles uma exposição de pequenos quadros juxtapostos e, em todos, são os temas regionais o que o seu pincel mais se compraz em pintar. [...]
Ainda não tive tempo para fazer uma leitura cuidada da sua obra, mas creio ser um livro que vale sôbre tudo pela pintura da paisagem e pelo folclore - que é sempre a fonte inesgotável onde vêm dessedentar-se os artistas.
Li os seus sonetos, mas já antes de os ler, bastou-me ver o título e o índice para concluir que há mais um poeta algarvio que entra em festa."
(Excerto da carta-prefácio de Emiliano da Costa)

"Asperges brancos, montes de luar
Formados, gota a gota, ao sol ardente...
Argila e sódio, hélio incandescente,
Avassalando, transformando o mar...

E moças e cantigas a bailar
Em alcalinas terras, num fremente
Esvoaçar, inquieto e permanente...
- Insectos na leveza e no voar!"

(Excerto de Salinas)

Vítor Castela. "Foi um poeta e figura carismática do Algarve, conhecido pela sua dedicação às tradições populares. Militar de carreira, com a patente de major, destacou-se verdadeiramente na região de Faro como letrista de marchas populares e autor de poesia regional.O seu trabalho mais conhecido é a obra Cântico ao Poeta Algarve (1983) que homenageia a região. Os seus poemas e textos de intervenção celebram o mar, a identidade cultural e as vivências locais do Algarve." (IA)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. O primeiro livro conserva a capa anterior. Alguns sonetos encontram-se parcialmente sublinhados.
Muito invulgar.
25€

27 maio, 2026

LIMA, Gervásio - O VETERANO DA LIBERDADE (um acto em verso). (Expressamente escrito para ser representado na Praia da Vitória, na festa centenária da batalha de 11 de Agosto de 1829). Angra, Tip. Andrade, 1929. In-4.º (24x17 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Bonita peça de teatro comemorativa do primeiro centenário da Batalha da Praia da Vitória, na baía da então Vila da Praia, em que forças miguelistas intentaram um desembarque naquele trecho do litoral da ilha Terceira, nos Açores.
Obra rara, não mencionada na BNP.
"Madrugada de Agosto. Ouvem-se 21 tiros de peça - uma salva.
- Na Vila da Praia da Vitória, em 1879, um quarto modestamente mobilado, tendo na parede quadros alusivos à época. Um velho de 75 anos, vestindo a farda de veterano da Liberdade, voluntário da Rainha D. Maria II, está sentado junto duma janela que deita para o matr, meditativo. Entra uma criança de 8 anos, correndo de encontro ao velho e beija-o; êle acaricia-a. É uma neta."
(Excerto de O Veterano da Liberdade - introito)
Gervásio da Silva Lima (Praia da Vitória, 1876 - Angra do Heroísmo, 1945). "Foi um prolífico escritor açoriano com uma obra em prosa e em verso que inclui contos, teatro e ensaios nas áreas da etnografia e da história. Escreveu obras de pendor romântico, reveladoras do seu patriotismo e amor à terra em que nasceu, nas quais deu alma e corpo a heróis terceirenses, transformando-os em verdadeiros mitos populares. A ele se deve a mitificação em torno das heroínas Brianda Pereira e Violante do Canto e o alpendorar da batalha da Salga em evento de extraordinária heroicidade."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, impresso em papel de superior qualidade, bem conservado. Carimbo oleográfico da Biblioteca de Mário Portocarrero Casimiro na f. rosto.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€
Reservado

26 maio, 2026

VANCE, Clay Burton -
ORÁCULO OU A LEITURA DA VOSSA VIDA.
Aprendei a conhecer-vos e a conhecer os outros. Leitura baseada na astrologia e na quiromancia, segundo o signo em que cada um nasceu. Porto, Livraria Civilização - Editora, 1973. In-8.º (18,5x13 cm) de 103, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso Horóscopo, obra de um conhecido charlatão americano.
Ilustrado no texto com desenhos de mãos reproduzindo as "linhas da vida".
"A Astrologia é a arte de prever o futuro segundo a posição que os astros ocupam no firmamento, quando nasce uma criança. Quer dizer que desde que uma criança vem ao mundo, os astros exercem sobre ela uma influência decisiva e imperiosa. É preciso, portanto, conhecer a posição exacta, no céu, desses astros ou constelações para obter um Horóscopo.
O que vem a ser Horóscopo? - O Horóscopo é a observação que um astrólogo faz do céu na hora do nascimento de uma criança, observação pela qual ele prediz os acontecimentos importantes da vida dessa criança.
Para saber tirar o horóscopo é preciso tomar nota do mês, e por conseguinte sob a constelação em que se nasceu, para conhecer o futuro, pois que cada mês obedece a uma constelação do signo do Zodíaco."
(Excerto de Como se pode adivinhar o futuro pela Astrologia)
Clay Burton Vance, pseudónimo de Elmer Sidney Prather (1872–?). "Foi um famoso vigarista internacional do início do século XX que operava um esquema massivo de venda de leituras astrológicas falsas. Embora se promovesse globalmente como um "grande mestre" e o "único astrólogo que previu a Grande Guerra Europeia", os seus mapas natais e previsões eram, na verdade, folhetos impressos em massa enviados a milhares de clientes.
Prather publicava anúncios em periódicos de vários países (incluindo Portugal e Brasil), oferecendo leituras preliminares "gratuitas" ou a baixo custo. Para receber o horóscopo, a vítima devia enviar o nome, a morada e a data de nascimento. O cliente recebia um texto genérico com elogios à sua personalidade e avisos vagos sobre o futuro, acompanhado de uma oferta para comprar uma "Leitura Completa da Vida" por um valor elevado. Embora operasse originalmente a partir de Nova Iorque, utilizava escritórios fantasma com moradas de prestígio na Europa, como a Suite 1606 na Place du Palais Royal, em Paris, França, para dar credibilidade ao negócio." (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

25 maio, 2026

RODRIGUES, F. Conceição -
O PALACIO DA JUNTA GERAL E OS DEVANEIOS DO "MENINO E CONEGO"
. Funchal, Tip. Bazar do Povo, 1928. In-8.º (19,5x13,5 cm) de 79, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica a propósito da venda do ex-Convento da Encarnação pelo Governo central à Junta Geral do Funchal, que resultou em madeirenses desavindos - clero e sociedade civil-, uns contra, outros a favor da decisão.
Questão momentosa na época, o presente trabalho foi redigido com graça e ironia, envolvendo ilustres personalidade da ilha. Inclui correspondência do autor publicada no Diário da Madeira.
Precede a obra propriamente dita, a carta-prefácio de Manuel Augusto Martins (Funchal, 1867-1936), político local, Governador Civil do Distrito do Funchal, sendo o primeiro a ocupar o cargo após a Instauração da República.
Opúsculo raro, por certo com tiragem reduzida. A BNP não menciona na sua base de dados.
"Foi além, nas terras alcandoradas do Porto do Moniz, que a mãe deitou ao mundo, para gaudio do seu S. José.
Menino e moço era um bambino encantador, com o seu barrete regional. Todos gosavam a belesa do creanço, fresco, pimpolho e ravissant. E tanto mimo lhe fizeram, tanto o carinho, tanta a festa, que na ladeira da vida ficou sempre menino.
A sua auto-biografia é comovente: «sacrificio de todas as fôrças na sinceridade da sua consciencia, sacrificio da sua saude e até do epouso em que seria licito conservar-se».
Menino de côro - todo ele se consagrava como unção á limpesa dos metais do altar.
Menino e conego é um assombro vê-lo coser para fóra tantos sermões glorificando a Santa Religião do Nazareno, aquele mesmo que correu a azorrague os vendilhões do Templo - Religião de bondade e de insenção, prégando o desptreso dos bens terrenos para só olhar ao predominio dos espiritos. Só valia o reino dos Céus.
Ha coisas que sempre ficam e assim é que o rev.º Gomes Jardim se agarra hoje á tocha flamejante dos Santos Evangelhos, com o mesmo fervor com que o fazia nos tempos de... menino e moço.
Então praticava os oficios porque o papá e a mamã o mandavam, mas agora, que penetrou em vastos e dificeis estudos religiosos, sabe nestas questões onde é que tem a sua mão direita.
E não diz isto por vaidade. Ele é tão modesto que nos seus arroubamentos misticos se metamorfoseia em humilde cordeiro, figura simbolica de Cristo imolando-se como vitima para resgatar os pecados da humanidade, ou seja - os votos que o clero madeirense andou desenfreadamente galopinando em eleições sucessivas para o partido do Dr. Afonso Costa, o Mata-frades autor da lei de Separação.
Trazido para a cidade, e mercê dos epicenos que o cercam, alguns sempre ás venias calipigias, que lembram a tirada:
Se te agarro,
Se te apanho,
Se te apilho.
não possue aquele verniz que só dá o trato social. Por isso se não podem levar a mal uns termos baroques, que não são parlamentares e muito menos de Catedral.
Menino de vila é positivamente menino-vilão."
(Excerto de III)
Francisco Conceição Rodrigues (Funchal, 1885 - Lisboa, 1943). "Abandonou a direção do Diário de Notícias a 19 de setembro de 1927, publicando no dia seguinte a sua despedida, onde alega que os seus “princípios não torcem nem quebram e, se possível”, cada vez os sentia mais arreigados no seu íntimo. Afirma que sempre se batera por uma cidade “que se transformasse numa terra de turismo, com hábitos europeus”, mas tinha de reconhecer “que parámos há muitos e muitos anos e é enorme a distância que nos separa dos países civilizados”. Considerava-se “à margem dos partidos políticos, que hoje não me interessam absolutamente nada”, mas entendia que perdera capacidade para dar o seu “concurso a bem da coletividade, para prestígio e engrandecimento da República”. O antigo diretor do Diário, onde trabalhara 28 anos, retirou-se para Lisboa com a família, vindo o filho, general Bettencourt Rodrigues (1918-2011) a tornar-se depois uma das figuras militares incontornáveis do final da época de Salazar (1889-1970) e da de Marcelo Caetano (1906-1980)."
(Fonte: https://www.arquipelagos.pt/imagem/f-conceicao-rodrigues-homenagem-do-pessoal-do-diario-de-noticias-do-funchal-20-de-setembro-de-1927-ilha-da-madeira/) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Conserva cinta promocional do editor reproduzindo, entre aspas, frase emblemática do prefaciador.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse histórico e regional.
20€

24 maio, 2026

REUTER, Dr.ª Abiah Elisabeth - 
DOCUMENTOS DA CHANCELARIA DE AFONSO HENRIQUES. (Obra subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura). Chancelarias Medievais Portuguesas : Volume I. Coimbra, Publicações do Instituto Alemão da Universidade de Coimbra, 1938. In-4.º (26x17,5 cm) de XXIII, [1], 420, [2] p. ; B.
1.ª edição.
A capa dêste livro foi desenhada por Hans Steinberg.
Importante contributo para a história da fundação da nacionalidade, e da documentação de chancela real produzida durante o reinado de D. Afonso Henriques, sendo alguns manuscritos de data ainda anterior. Trata-se da transcrição de documentos do Arquivo Nacional Torre do Tombo: Doações, Gavetas, Mosteiro de Refoios, Forais Antigos, Mosteiro de Vairão, Chancelarias, Colecção Especial (Mosteiros vários), Livro Preto da Sé de Coimbra, Cartório da Pendorada, Sé de Lamego, Mosteiro do Lorvão. Na sua maioria, Cartas de Doação, de Couto e Forais.
Obra muito invulgar, com indubitável interesse para a História de Portugal, traz a lume documentos referentes ao reinado do primeiro rei português. Este volume I foi tudo quanto se publicou sobre este assunto.
Exemplar de trabalho valorizado pela assinatura possessória de José Timóteo Montalvão Machado. Este encontra-se pejado de notas, comentários e interrogações a lápis, com partes do texto sublinhado (do punho do ilustre médico e historiador flaviense?).
"Aos estudos históricos em Portugal acaba de prestar relevantíssimo serviço uma ilustre senhora alemã, a Dr.ª Abiah Eliabeth Reuter.
Está impresso, e vai aparecer em público, o seu livro Documentos da Chancelaria de Afonso Henriques, de 420 páginas, não compreendidas as preliminares. Abrange 286 diplomas do primeiro monarca português, em regra saídos da sua chancelaria, antes e depois de principiar a denominar-se Rex Portucalensium. O mais antigo dos documentos publicados tem a data de 4 de dezembro de 1127, portanto anterior alguns meses à batalha decisiva do campo de S. Mamede; o mais recente é de novembro de 1185. A 6 de dezembro dêste ano exalava o último alento do grande fundador da nacionalidade portuguesa.
É pois uma vasta colecção. Os documentos, que ainda eram inéditos, aparecem transcritos na íntegra; igualmente o são os que já haviam sido publicados, quer mediante incorrecta leitura dos originais, quer em face de cópias defeituosas, tendo agora a coleccionadora corrigido aquela leitura, ou descoberto e transcrito cópias mais fiéis e autorizadas: quando porém a publicação era exacta, foram apenas sumariados. [...]
Cada diploma é precedido de preciosas notas elucidativas e críticas, de grande utilidade para os que manuseiam o livro."
(Excerto de Duo simplicia verba)
"O presente volume é a primeira parte das Chancelarias medievais portuguesas, série que abrangerá todos os documentos emanados do poder real desde 1128 a 1245. Neste período, Portugal desprendeu-se da monarquia leonesa, defendeu a sua independência, conquistou o seu território, formou-se em nação e constituíu-se em estado.
É, pois, esta, uma das épocas mais interessantes da história portuguesa. [...]
Vemos no meado do século XIII um reino já formado, conhecemos nas suas linhas gerais, as fases e lutas do período de formação dêsse reino, admiramos um resultado, mas queremos mais: saber como se consolidou o novo estado. Ora esta consolidação revela-se nos documentos da época e é a êles que devemos recorrer para adquirir conhecimento mais profundo.
Entre os documentos são de importância preponderante os públicos, os que, emanados do poder central, organizaram o país, distribuíram as terras, privilegiando-as e orientando a sua colonização material e moral. Estes documentos atraíram, pois, em primeiro logar, a atenção de quem desejava estudar a génese da nação portuguesa.
Para poder analisar no seu justo valor os documentos régios, era necessário conhecer as regras e os usos da chancelaria que os fêz. O estudo da chancelaria régia e a reünião de todos os documentos dela saídos era, portanto, tarefa que se impunha, tanto mais que alguns problemas históricos só poderão resolver-se depois de obtido o esclarecimento de certos problemas diplomáticos."
(Excerto da Introdução)
Tábua de matérias:
Dedicatória | Duo simplicia verba, pelo Professor Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos | Introdução | Textos e sumários | Lista de documentos particulares em que houve intervenção ou confirmação de Afonso Henriques | Erratas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas, frágeis, com defeitos. Lombada destituída de papel. Interior correcto. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico.
85€

23 maio, 2026

BELO, Raimundo -
POR AMOR DE PORTUGAL.
Com prefácio do Dr. Francisco Guerra. Angra do Heroísmo, Tipografia Andrade, 1945. In-8.º (19x13,5 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos em que o autor discorre sobre o presente do país, com os olhos postos no futuro - reflexões publicadas pouco tempo após o final da 2.ª Guerra Mundial.
"Não escrevo para agradar ou desagradar a esta ou a aquela pessoa. Não quero ferir nem lisonjear. Não tenho a quem ferir, não tenho a quem lisonjear. Minha vida é correntia e simples, sem ambições, sem pretensões, contento-me com o pão de cada dia, não quero fazer figuras, não preciso saltar por cima dos outros, amachucar seja quem fôr, parecer o que não sou. Aos meus inimigos, se alguns tenho, daria, se m'as pedissem, desculpas convenientes dos escândalos que acaso lhes causei: aos meus amigos e aos meus superiores, procuro dar-lhes estima, o respeito, a obediência que lhes devo. [...]
Escrevo por amor duma ideia, duma ideia que sorri no céu de Portugal, rica, opulenta, de virtudes regeneradoras; duma ideia generosa que já emocionou muitos corações, que é já luz de muitas almas, inspiração de muitos espíritos, e será um dia, Deus o permita, plena, edificante, amorosa, radiosa, realidade; escrevo com os olhos postos no passado, em que fomos grandes, com o coração auscultando o presente, que exige êsse passado, com a alma andando o futuro, que só será nosso se ressuscitarmos e revivermos as virtudes antigas da Raça Portuguesa."
(Excerto do texto)
António Raimundo Belo (Praia da Vitória, 1897 - Angra do Heroísmo, 1958). "Mais conhecido por Raimundo Belo, foi um jornalista e historiador açoriano que se notabilizou pelos seus estudos sobre a genealogia das famílias da ilha Terceira e sobre a história da emigração açoriana para o Brasil.
Primo de Gervásio Lima, foi chefe da secretaria notarial de Angra do Heroísmo. Membro da tertúlia intelectual terceirense da década de 1930, foi contista, jornalista e investigador da história angrense, da genealogia e da história da emigração açoriana para o Brasil.
Colaborou nos principais jornais da Terceira e publicou alguns artigos e contos em revistas portuguesas. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico da Ilha Terceira e uma figura activa na vida cultural da ilha Terceira até ao seu falecimento. Foi um dos intelectuais que incentivaram Vitorino Nemésio a publicar os seus primeiros textos."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem f. rosto.
Raro.
15€
Reservado

22 maio, 2026

NEVES, Alexandre Antonio das -
COMPILAÇÃO // DE // REFLEXÕES // DE SANCHES, PRINGLE, MONRO, // VAN-SWIETEN, E OUTROS // ÁCERCA DAS // CAUSAS, PREVENÇÕES, // E REMEDIOS // DAS DOENÇAS DOS EXERCITOS // DEDICADA // AO // PRINCIPE DO BRAZIL // NOSSO SENHOR, // POR // ... //
E publicada de Ordem // da Academia Real das Sciencias // para distribuir-se ao Exercito Portuguez // LISBOA: 1797. // NA TYPOGRAFIA DA ACADEMIA. // Com licença de S. MAGESTADE. In-8.º (14x8 cm) de 82, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante tratado médico, para uso do Exército, baseado nos escritos de alguns dos mais conceituados médicos da época.
Ilustrado no final com desenho esquemático em página inteira.
Raro e muito curioso.
"He cousa tão perigosa, como ordinaria particularmente entre pessoas robustas, o não pôrem nenhumas cautelas, para não adoecerem: e se lhes são ordenadas, achão muitos modos de illudir essas ordens, porque se persuadem que nascem de extravagancia, ou de cobardia; como se tivessem huma particular natureza, ou não houvessem de morrer.
E nas doenças; bem se sabe, que huma grande difficuldade em curálas he o não se cumprirem exactamente as ordens, que dá o Medico; pois tudo alterão o enfermo appetitoso, e o Enfermeiro indulgente; torna o Medico, e dão-se-lhe partes falsas; expôe-se-lhe, por exemplo, ter havido aquelles symptomas, que a faltarem, elle disse seria preciso hum remedio mais violento; ou haver-se tomado todo o remedio, que ás vezes nem se chegou a ir buscar; ou deo-se comida differente da determinada, ou em maior quantidade. E fazendo isto de necessidade que vá a peior o doente, eis o Medico entendendo ser o doença mui grave, ou differente, e talvez que já o esteja. Não he preciso reflectir mais, para entender quantos danos daqui vem; e o peior he que estes desarranjos não se fazem só nas casas particulares, mas ainda nos mesmo Hospitaes; pois ahi, por exemplo, os conhecidos dos enfermos, a quem se precreveo dieta rigorosa, ouvindo-os lamentar de que lhes dão mui pouco de comer, e do que elles accusão a economia do Hospital, ou a malicia do Enfermeiro, esses conhecidos, digo, credulos a taes queixumes, levão ás escondidas de comer, de ordinario indigesto, aos seus doentes; e póde succeder que até lhes provênha dahi a morte.
Taes forão os motivos, que me resolvêrão a fazer esta Compilação das Obras de tão Célebres Medicos (na qual eu procurei conservar, quanto convinha, as proprias palavras de Sanches), mais das Reflexões de outros; a que somente fiz alguns pequenos accrescentamentos; e isto com o fim de que haja de servir aos Soldados  (e para o que tambem se reduzio a volume bem portatil), para elles conhecerem no estado de saude a utilidade das ordens, que se lhes prescrevem a beneficio della, quando se lhes determinem cousas semelhantes ás que vão indicadas nesta Obra."
(Excerto de Advertencia)
Encadernação em brochura da época, no geral bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
30€

21 maio, 2026

NEVES, C. M. Baeta -
PARQUES E RESERVAS.
Por... Publicações da «Liga para a Protecção da Natureza» - II. Lisboa, [s.n. Composto e impresso na Sociedade Astória, Lda. - Lisboa], 1950. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 24 p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Reflexões do autor a propósito da criação de Parques e Reservas, comparando para o efeito diversas reservas estrangeiras. Trabalho publicado em separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, N.ºs 11-12 Novembro e Dezembro - 1949.
Opúsculo ilustrado em página inteira com fotografias a p.b. e um mapa.
"Embora seja uma triste conclusão pode-se afirmar que: «o curso do desenvolvimento da civilização humana é ao mesmo tempo a história da destruição e devastação da Natureza» (Schoenichen in Flores).
É certo que na Europa desde os primeiros tempos de Idade Média foram decretados pelos monarcas mais avisados numerosas medidas de protecção à fauna e flora, mas a acção daquelas, apesar de tudo, não conseguiu evitar que o problema fosse aumentando cada vez mais de importância e complexidade, a ponto de justificar como legítima aquela síntese."
(Excerto da Palestra)
Carlos Manuel Leitão Baeta Neves (1916-1992). "Silvicultor, professor, cientista e divulgador, Baeta Neves foi uma das maiores figuras deste país no domínio da Silvicultura e Conservação da Natureza.
Publicou perto de 200 trabalhos de carácter científico e cerca de 850 de divulgação, disseminando saber e energia por áreas tão diversificadas como o Ensino Florestal e a Investigação, a Entomologia, a Conservação dos Produtos Armazenados, a Silvicultura, a Aquicultura, a Cinegética, a Arquitectura Paisagista, a Conservação do Património, a História Florestal e a Conservação da Natureza."
(Fonte: https://www.isa.ulisboa.pt/ceabn/content/1/100/professor-carlos-manuel-leitao-baeta-neves)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
10€
Reservado

20 maio, 2026

JERNSTEDT, Eduardo Adolfo Vieira Borges Zander d’ Almeida -
FIDALGOS E PLEBEUS DE PORTUGAL. 
Apontamentos Genealógicos. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia A Gráfica do Ave - Riba de Ave], [1952]. In-4.º (24,5x17 cm) de [4], 79, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio genealógico respeitante a conhecidas casas e famílias do norte de Portugal.
"Os linhagistas dos Séculos XVII e XVIII - verdadeiramente as duas centúrias da genealogia em Portugal - realizaram uma obra notabilíssima, recolhendo e juntando notícias que nos são hoje preciosas. Mas, ao mesmo tempo, com as suas preocupações nobiliárquicas de «entroncar bem» as famílias de que se ocupavam, fazendo-as remontar a uns vagos Bermudos e Ordonhos, quando não mais longe, até aos próprios Adão e Eva, lançaram sobre os estudos genealógicos tal descrédito que, ainda agora, muito boa gente sorri e desdenha das investigações linhagísticas. [...]
São hoje, felizmente, muito diversos os caminhos que trilhamos. Reconhecem os melhores espíritos que a genealogia, despida de vaidades nobiliárquicas, encarando o nascimento, o desenvolvimento e o declínio da família considerada nos mais variados aspectos da vida - sociais, políticos, económicos, etnográficos e até clínicos, representam mais que ciência auxiliar da História, floração imprescindível da própria história. [...]
Carinhosamente debruçado sobre o passado - o seu passado - Vieira Borges escolheu os genealógicos de melhor nota para fundo do trabalho; estudou os seus dizeres, emendou-os e acrescentou-os à luz das melhores fontes documentais - registos paroquiais, cartórios do Santo Ofício, de notários e de conventos. Sem pretender averiguar de todos os ramos das famílias que lhe interessaram, apresenta-nos curiosíssimo quadro das suas investigações de muitos anos."
(Excerto do Prefácio de Eugénio de Andrea da Cunha e Freitas - Casa Grande, em Azurara)
Índice:
Borges - Do Torrão | Borges - De Jugueiros | Carvalhos - De Celorico de Basto | Casa de Abôl - Na Eja | Casa de Covelas - Em Rio de Moinhos | Casa da Eyra - Em Rio de Moinhos | Casa de Juste - Em Lousada | Casa do Paço - Em S. João de Airão | Casa da Torre - Em Rio de Moinhos | Coutos - De Cocujães | Delgados - Do Porto | Delgados Angel - De Penafiel | Freires de Bessa - De Gondalãis e de Boelhe | Lopes Moreiras - De Perozelo | Moreiras da Fonseca - Da Sobreira | Moreiras Pessanhas - De Marco de Canavezes | Monteiros - De Barqueiros | Rochas Rangeis - De Penafiel | Teixeiras Ferrazes e Alões - Do Porto e da Madalena | Vieiras Borges - Do Castelo de Paiva | Vieiras Borges - De Rio de Moinhos e Sta. Clara do Torrão | Apêndice.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 maio, 2026

AGUIAR, Joaquim Duarte de Souza e -
ROTEIRO DA COSTA NORTE DO BRASIL,
Desde o Cabo de S. Agostinho até a Cidade de Pará indicando a maneira de fundiar no abrigo que offerece a Costa; e bem assim as marcas de navegar por dentro do Canal de S. Roque, a derrota que se deve seguir por fora dos baixos e finalmente as marcas e maneira de entrar em todas as barras e bahias da referida Costa. Pelo... Piloto, ptratico da costa e do numero da Barra do Maranhão. S. Luiz, Typ. Maranhense - Imp. por J. A. Pires, 1857. In-8.º (20x14 cm) de [6], 70, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio oitocentista para a navegação costeira brasileira. Trabalho pioneiro. Trata-se da rara edição original desta obra, não mencionada pela BNP, Lisboa, nem tão pouco pela Biblioteca Nacional do Brasil (FBN), Rio de Janeiro. A segunda edição - de 1880 - está classificada como "Obra Rara" na FBN, IGBE, etc.
Obra com interesse histórico e científico, tem impressa dedicatória do autor "A S. M. I.  o Senhor Dom Pedro II. Augusto protector da navegação".
"Bem sabe o vosso subdito que a offerta é inferior aos Augustos Merecimentos de V. M. Imperial: mas porque o occeano tem tributarios caudalosos, não poderá o mesquinho regato levar-lhe tambem as suas escassas aguas? [...]
He mesquinha a offerta, não pelo seu objecto, e importancia, mas pelo individuo que confeccionou o trabalho, e pela falta de habilitações scientificas do seu autor.
Bem necessitava porem o Paiz de um roteiro sobre as suas costas maritimas do cabo de Santo Agostinho até a cidade do Pará: e é o que fez o Vosso subdito, Senhor."
(Excerto da Dedicatória)
"Este cabo está na Lat. Sul 8. 20 41 e longitude ao oeste do meridiano de Greenwich 34º 56' 42".
É uma ponta de terra saliente, de moderada altura, com algum mato por cima e adelgaçando para a ponta; sôbre a dita ponta está edificada uma igreja de carmelitas descalços que a torna muito notavel, e acaba em barreiras vermelhas junto á praia.
Abaixo da igreja, na continuação da terra, ha uma bateria com o nome de Forte de Nazareth que parece destinada a defender uma das entradas que o recife offerece neste lugar, onde só podem entrar pequenas embarcações.
Apparece por terra dentro uma serra que é vista por quem vem do mar em fóra primeiro do que o cabo, á qual chamão Serra Sellada."
(Excerto de Cabo de Sancto Agostinho)
Índice:
Cabo de Sancto Agostinho | Derrota que se deve seguir saindo do Rio Grande do Norte, para passar por fora dos baixos e canal de S. Roque | Descripção da costa do Ceará até o Maranhão | Derrota por dentro do canal vindo para o este | Derrota que deve seguir quem vai do Ceará para o Maranhão | Derrota que se deve seguir para a sahida do Maranhão | Descripção da Costa de Itacoromy até o Pará | Signaes de noite | Derrota que devem seguir os navios que vão do Maranhão para o Pará | Derrota que se deve fazer das Salinas para o Pará | Derrota que se deve fazer sahindo a Cidade do Pará | Errata | Lista dos Srs. Assignantes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas; apenas uma capilha frontal, simples, de protecção (cansada). Cadernos toscamente aparados no pé. Deve ser aparado e encadernado.
Muito raro.
Peça de colecção.
85€

18 maio, 2026

VIEIRA (A. I. J. P.), Jorge Melo - NA FILATELIA UMA TEMÁTICA: Caminhos de Ferro. 1.º Centenário do Caminho de Ferro em Viana do Castelo : 30-6-78 / CTT - Viana do Castelo. Viana do Castelo, Edição de Victor Simarro, 1978. In-8.º (22,5x16 cm) de 31, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo com interesse histórico e filatélico, publicado por ocasião das comemorações do centenário do Caminho de Ferro em Viana do Castelo.
Livrinho muito curioso, carregado de história. A BNP não menciona.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do Autor.
"[...] Chegado o século XIX forçoso foi ter em conta o domínio da máquina que até a nave que foi à conquista dos mares arreia suas velas em favor da força motriz!
Para dominar as grandes distâncias surge o comboio que, dum fôlego, desbanca, em parte, a besta de carga e o mensageiro montado, o coche e completamente a diligência que transportava as pessoas e as correspondências e a mala-posta.. Foi então que, mercê desse novo elemento civilizador que por todo o Mundo se impunha, - e Portugal não podia ser a excepção, - se alargaram as vias de acesso, assentaram "rails", fizeram túneis e construíram essas obras de engenho e arte que dão pelo nome de "pontes" de Caminho de Ferro.
Viana, a linda Viana, não podia quedar-se indiferente, mas também trazer até Si, com maiores vantagens, quem lhe queria bem, o forasteiro, também as novas e as mercadorias e daí que - cumprem-se agora 100 anos! - a Viana chegasse, para seguir mais além, entrando pela própria Espanha, o comboio, que já vinha desde a Capital pelo país fora, se inaugurassem, acabadas de construir, as pontes de Ancora e de Caminha e a mais arrojada e esplendorosa, a de Viana."
(Excerto de Viana de Riba Minho. O Comboio e a Ponte)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

17 maio, 2026

RIBEIRO
(Humbérï), Humberto - UM VADIO... : romance. Porto, Editor Carlos José Ribeiro, 1926. In-8.º (21,5X14,5 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de costumes baseado numa história real, de miséria humana, do conhecimento do autor.
"Ó vergastados da vida! é por vós que êste livro fala aos homens sem piedade, sem critério, aos malabaristas da lei e aos senhores do ouro." O Autor
Romance pungente, sobre os meandros da marginalidade e prostituição na Cidade Invicta há um século atrás.
A BNP não menciona o presente título. Também nada foi possível apurar acerca do autor ou da sua obra por ausência de fontes biobibliográficas.
"Não teve o meu amigo a pretensão de fazer uma obra de literatura petulante nem astuciosa para o coração de moças garridas - mas, sim, uma obra de emotiva realidade, descrição de um caso patológico moral, que serve para os estudiosos e para os homens que se alapardam nas altas Direcções Gerais da Sanidade, resolverem a melhor forma de fazer-se a ablação dêsses carcinomas morais."
(Excerto da carta de Vidal Oudinot)
"Preguntáste-me, há tempos, se eu sabia algo acêrca da vida daquele infeliz rapaz a quem conhecemos sob a alcunha de o Trovador, indivíduo que, certa noite, nos deliciou, juntamente com a sua companheira de infortúnio - aquela Luisita muito magra, de olhos negros e tristes - com a audição de alguns fados, cantados num tom de voz doce e maguada, repassada de sentimento.
Nada te disse na ocasião, porque nada podia dizer-te, porém, o teu interêsse, sem saber explicar-te o motivo, fez nascer em mim o irresistível desejo de os tornar a vêr.
Assim resolvido, calcurriei grande número de ruas do Pôrto, de preferência as mais sórdidas e entrei em muitas espeluncas, sem que me fosse possível descobri-los. [...]
Todo eu fui ouvidos. Vim a saber que o infeliz [Trovador] estava na cadeia."
(Excerto de Carta a Diniz, amigo do autor)
"Em meados de 1922, vinda de uma aleola do Douro, desembarcava na estação de Campanhã, uma interessante rapariguita, de catorze anos de idade, orfã de pai e mãe, que para o Pôrto vinha destinada a exercer o mistér de serviçal, para o que trazia uma recomendação a deter minado negociante de ferragens da rua do Almada, indivíduo que logo a alugou. Depois de haver prestado o máximo dos seus serviços durante três anos, foi despedida, em virtude do falecimento do chefe da casa.
Muito inexperiente, foi esbarrar-se numa das inúmeras Agências de Serviçais que enxameiam o Pôrto, estabelecimentos que a experiência grandemente nos tem demonstrado nada mais serem do que engenhosas ratoeiras armadas ás incautas que o azar da vida para ali arremessa, obrigando-as, muitas vezes, senão sempre, a darem o primeiro passo no limiar da porta que dá ingresso no templo da prostituição.
Foi, pois, numa destas execrandas casas que Luisita - assim lhe chamavam - caiu."
(Excerto de Um vadio...)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel nos cantos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€