17 março, 2026

VASCONCELLOS, Henrique de -
A MENTIRA VITAL. Coimbra, Edição da Imprensa da Universidade, 1896 [capa, 1897]. In-8.º (22x14 cm) de XVI, 188, [8] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos, alguns históricos, outros fantásticos, como o encontro surreal entre um abade e o Tentador (Satan), outros ainda impregnados de erotismo, o que, na época, configuraria certo arrojo literário. Inclui ainda um capítulo dedicado aos touros de morte, e outro dedicado a três cidades portuguesas: Coimbra; Aveiro; Viana do Castelo. Sete dos contos estão referenciados no Dicionário de Literatura Gay, 7.ª edição, Index, 2022. Relativamente a este assunto, no mesmo Dicionário, é citado António Fernando Cascais: "A Mentira Vital, [está] todo ele recheado de contos (A Elipse; Cerebrais; No Terraço; Eros Trágico; Alma a Penar; O Tentador e A Mentira Vital, que dá título ao volume) sumamente sugestivos do ponto de vista queer." 
Obra ecléctica, invulgar e surpreendente, impressa em papel encorpado.
O autor, assumidamente balzaquiano, no extenso prólogo defende-se das críticas e justifica a obra:
"Abominando os chamados realistas e em geral todas as coteries, sou um discipulo de Balzac. Outra coisa não deve ser o romance ou o conto, senão a analyse d'uma Alma ou d'um estado d'Alma, transitorio ou permanente.
Nos ligeiros contos que apresento ao leitor, em que ás vezes o pensamento parece ficar suspenso, não quis fazer outra coisa.
«Dizer o que vi, o que pensei, o que senti, na melhor prosa de que pude dispôr», foi esta a minha ambição, durante todo o tempo que gastei a escrever as paginas que vão seguir-se."
(Excerto do Prólogo - Isagoge)
"O abbade dormia na rude gruta, sobre um punhado de feno, quando lhe appareceu o Tentador, bello, supremamente bello; no seu olhar nadavam á mistura um grande orgulho e uma grande dôr.
O abbade dormia. Abertas as eclusas, o sonho voava para o peccado. Na noite rasgava-se uma aurora, onde elle via, o pobre santo, montões d'oiro, montões de soes a chamal-o. Caiam pedrarias, como chuvas, caíam oiros, toda a riqueza; levantavam-se palacios magnificos do solo, a recebel-o antre theorias deslumbrantes de raparigas batendo crotalos, antre theorias de escravos illuminando com archotes, firmes como estatuas. [...]
Ouvindo passos, o abbade abriu os olhos,
- Sonho!... sonho!... gemeu com infinita amargura, misturada com o prazer de não ter peccado.
- Dormes? O somno é um peccado, porque a Alma não está com Deus. Vagueia pelo mundo, ora subindo aos altos pincaros para cuspir o céu, ora descendo aos poços envenenados onde a Luxuria estreita os corpos, abraça as Almas. O teu espirito não vae pela escada que o pastor viu no céu, em peregrinação para Deus: erra pelos prados, onde cantaste outr'ora a belleza das cearas e os corpos alvos das ceifeiras...
O abbade crendo ser um anjo, pela belleza surprehendente, rojou-se, beijou-lhe os pés brancos e afilados.
- Perdoae-me, Senhor, perdoae-me! Sonhar não é peccado, porque a Alma está desarmada; se o Demonio vem travar batalha, qual o soldado que despertará? A Alma é então como um campo onde houve carnificina...
- Vês? retorquiu Satan. Emquanto dormias deixaste entrar em tua casa o ladrão..."
(Excerto de O Tentador)
Henrique de Vasconcelos (São Filipe, Cabo Verde, 1876 - Lisboa, 1924). "Diplomata, político, jornalista e escritor português, colaborador e amigo de Afonso Costa, deputado em várias legislaturas da Primeira República Portuguesa. Poeta decadentista, autor da Missa negra, foi Director Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e um importante bibliófilo, detentor de uma vasta biblioteca.
Cabo-verdiano de nascimento, radicou-se cedo em Lisboa, desfrutando de prestígio literário em Portugal. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, e foi Director–Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Representou Portugal em legações e missões diplomáticas em vários países.
Com uma obra de temática europeia, foi autor, entre outras, das seguintes obras: Flores cinzentas, poesia (Coimbra, 1893); Os esotéricos, poesia (Lisboa, 1894); A Harpa de Vanádio, poesia (Coimbra, 1894); Amor Perfeito, poesia (Lisboa, 1895); A mentira vital, conto (Coimbra, 1897); Contos novos, contos (Lisboa, 1903); Flirts, contos (Lisboa, 1905); Circe, poesia (Coimbra, 1908); e Sangue das rosas, poesia (Lisboa, 1912). Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas O Branco e Negro (1899), Ave Azul (1899-1900), Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911) e Atlântida (1915-1920)."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação
Raro.
40€
Reservado

16 março, 2026

CORREIA, Dr. Vergílio & GIRÃO, Dr. A. De Amorim & SOARES, Dr. Torquato de Souza – EXCURSÕES NO CENTRO DE PORTUGAL. [Paisagem - Arte - História]. Por... Professores da Faculdade de Letras. Instituto de Alta Cultura - Curso de Férias. Universidade de Coimbra : Faculdade de Letras. Coímbra, Publicação subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, 1939. In-8.º (19,5x12 cm) de 160, [2] p. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Bonito guia paisagístico e cultural da zona centro do país.
Invulgar e muito interessante.
Livro totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 101 fotogravuras no texto e um mapa desdobrável da Região Centro do país.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Invulgar.
20€

15 março, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do -
A VIAGEM AVENTUROSA DE SUVENINE BOLIFACE A ZELSTRUFS.
[Pelo]... Socio Efectivo da Associação dos Arqueologos Portuguezes, Socio Correspondente do Instituto Portuguez de Historia, Arqueologia e Etnologia, etc. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], Janeiro - 1934. In-8.º (18x11,5 cm) de 133, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, enquadrável no domínio da narrativa fantástica e de ficção científica. A viagem de Suvenine Boniface na sua nave - o Passaro Novo - pelo espaço sideral, mais não é que um ensaio satírico de crítica de costumes políticos e sociais do país, e da Madeira em particular, substituindo o nome de Portugal, Lisboa e Funchal por nomes de ficcionados de um planeta distante, com hábitos idênticos aos nossos.
Trata-se antes de tudo, de um exercício irónico sobre o carácter das elites lisboetas e do povo madeirense, do mais "ilustrado" ao mais "simplório", contando histórias e episódios, verídicos, por certo, sob a capa de nomes de família e empresas "alternativos", que farão as delícias de quem estiver na disposição de tentar desvendar os destinatários das farpas, numa e noutra região. 
No início da história, ainda nos EUA, ponto de partida da viagem, o autor alude com fina ironia ao modo de vida americano. No final refere-se a Salazar como o grande «Apostolo» de Benciana, "sacerdote muito subtil, muito serafico que sabia mais de diplomacia que os mais afamados diplomatas... [que] com untuosidade tinha sabido dominar na vida publica dos velhos tempos idos e com o novo estado de cousas lá ia fazendo chegar a braza á sua sardinha...".
Romance "fora da caixa" estas 'memórias' de Suvenine Boliface, raro e muito interessante, certamente com tiragem reduzida.
"Estava a dar a hora da partida quando o Jornalista entrou precipitadamente naquele compartimento de 1.ª classe...
A noticia de que Suvenine Boliface chegára a Lisboa e seguia, em rigoroso incognito, no rápido do Norte caíra inesperadamente na redacção.
Tornava-se indispensavel descobrir aquele sabio audacioso que, em parte, realisára um sonho de Julio Verne atravessando o espaço e chegando a um planeta desconhecido...
O feito apaixonára os estudiosos, os homens de ciências e até os prosaicos burguezes! Na verdade é merecedor de assombro e da curiosidade o homem que abandona a Terra, atravessa o espaço como um meteóro, chega a um outro planeta e, depois de tudo isto, ainda encontra coragem e energia para regressar heroicamente ao nosso triste «vale de lágrimas».
Quando Suvenine Boliface, depois da sua viagem maravilhosa, aterrou proximo de New-York sentiu-se tão infeliz com a imprevista celebridade que deliberou esquivar-se ás mais simples revelações. Os Reporters, com a audaciosa impertinencia profissional, afligiam-no de tal forma que resolveu fugir... Andou pelos vastos Estados Americanos mas, quando menos esperava, surgiu-lhe um Reporter implacavel, com o «Kodak», o lapis e o bloco, na ancia de colher elementos com que saciar a bisbilhotice internacional da Imprensa. [...]
O planeta a que me tinha levado o audacioso empreendimento era designado, pelos homens que o habitavam, por Zelstrufs.
Não tardou a que me certificasse de que ali, tal como na Terra, os homens eram identicos e nutriam os mesmos instintos, a mesma alma, as mesmas ambições... Aconteceria assim em todos os outros planetas que povoam o espaço?
Havia em Zelstrufs varios paizes e homens de raças diversas.
O Passaro Novo levou-me por felicidade para um dos paizes que mais contingentes déra ao progresso e á civilisação.
Uma especie de monarca governava o estado mas a sua acção nunca podia actuar beneficamente porque os organismos publicos e ainda mais os politicos dominados pela cegueira das democracias prejudicavam todos os planos e a boa vontade do Principe que só queria bem servir a Patria e assegurar ao seu Povo paz e prosperidade."
(Excerto do Romance) 
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar em brochura, revestido de cartolina negra (substituindo as capas originais), em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
50€
Reservado

14 março, 2026

MOSER, Isabel Pestana -
ECUMENISMO E IRENISMO NO PENSAMENTO DE DAMIÃO DE GÓIS
. Lisboa, Ediual, 2006. In-4.º (23,5x17 cm) de 402, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego. Importante subsídio biográfico sobre Damião de Góis - o homem, o humanista, o seu pensamento.
Ilustrada em página inteira com retratos do biografado, a cores e p.b. (3), e outros filósofos coevos: Erasmo; Lutero; Melanchthon.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Damião de Goes, sem dúvida o português mais erasmista e em especial irenista, pelo seus diálogos com os humanistas católicos e protestantes já em plena Reforma mas abertos à paz, pela sua defesa dos Lapões serem ensinados e não forçados a converterem-se, e pela valorização do cristianismo etíope dos Prestes João e de uma religião de coração e não de ritos, preceitos, intermediários e superstições."
(Fonte: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2020/01/humanismo-e-irenismo-no-renascimento-e.html?m=1)
"O trabalho que hoje apresento vem na sequência das investigações que, desde há muito, tenho efectuado sobre a vida e a obra de Damião de Góis, o mais europeu dos humanistas portugueses, particularmente no que respeita à prática e conceito do Irenismo e Ecumenismo de que deu exemplo constante ao longo da sua vida, e da larga repercussão que a figura ainda representa nos dias de hoje..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Apresentação | Agradecimentos | Introdução | I - A Vida de Damião de Góis e a Crítica Moderna. II - Humanismo, Movimento de Diáspora. III - Damião de Góis e a História: Atitudes e Critérios. IV - Damião de Góis e o Irenismo. V - Damião de Góis e o Ecumenismo. O Processo na Inquisição. Estudo Crítico. | Conclusão | Bibliografia | Índice Remissivo.
Damião de Góis (Alenquer, 1502-1574). "Historiador e humanista, epistológrafo, viajante, diplomata e alto funcionário régio, foi figura ímpar e uma das personalidades mais relevantes do Renascimento em Portugal. De cultura enciclopédica e dotado de um dos espíritos mais abertos e críticos da sua época, pode ser considerado como um verdadeiro traço de união entre Portugal e a Europa culta do século XVI. Foi hóspede de Erasmo de Roterdão e privou com humanistas como Glareanus, Veit Amerbach, Albrecht Dürer, Sebastian Münster, os cardeais Pietro Bembo e Jacopo Sadoleto e o historiador e geógrafo Giovàn Battista Ramùsio. Conheceu Inácio de Loyola. Frequentou a Universidade de Pádua, entre 1534 e 1539, e completou a sua formação no Colégio Trilingue da Universidade de Lovaina.
Em 1545 a convite do rei D. João III, mudou-se para Portugal com a família, ao tempo a mulher e três filhos, para ser mestre do príncipe D. João. Contudo, apesar de ter regressado aureolado de prestígio pelas amizades que contraíra na Europa e da evidente protecção régia, ainda assim foram-lhe movidos dois processos no Tribunal do Santo Ofício, o primeiro dos quais, logo em 1545, ao ser acusado de heterodoxia e denunciado à Inquisição pelo seu antigo companheiro de estudos, o padre Simão Rodrigues, ao tempo o preceptor do príncipe herdeiro D. João e pouco depois nomeado por Inácio de Loyola como primeiro provincial da Província Portuguesa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€
Reservado

13 março, 2026

MOITA, Irisalva -
RAFAEL BORDALO PINHEIRO. Artista plástico de tipos e costumes. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1998. In-4.º (26x18,5 cm) de 7, [9] p. ; [1] f. il. cor ; [12] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio biográfico sobre Rafael Bordalo Pinheiro, conhecido desenhador, caricaturista, ceramista e jornalista. Trabalho publicado em separata do «Boletim Cultural» da Assembleia Distrital de Lisboa, Série IV - N.º 92 - 2.º tomo - 1990/98.
Estudo muitíssimo interessante, não mencionado na BNP.
Ilustrado em separado com uma estampa a cores, e 69 reproduções a p.b. de trabalhos do biografado distribuídos por 12 páginas igualmente fora do texto.
"Tendo crescido num ambiente especialmente devotado às artes plásticas, cedo desabrocharam as naturais aptidões artísticas de Rafael Bordalo Pinheiro. Júlio César Machado, seu amigo e, talvez, o seu melhor biógrafo, no Prefácio do Álbum de Caricaturas (1876), diz datar de 1857, quando, com a família residiu em Cacilhas, fugindo à febre-amarela, o seu primeiro desenho, cópia, afinal, duma litografia representando uma família de camponeses, à beira-mar, esperando um filho ausente, Este desenho, que provocou um certo alarido na família - o jovem Rafael mal ultrapassara a dezena de anos -, não terá, porventura, outro mérito senão indicar já, pela escolha do assunto - uma cena popular -, a predilecção do artista pelo tema, predilecção que se vai transformar numa das grandes forças da obra do grande caricaturista, e que já prenuncia a sua ligação com o povo e com a terra.
Ainda com traço escolar, chegou até nós um outro desenho aguarelado, representando uma mulher fiando, acompanhada de criança, datado de 1861 - tinha Bordalo, portanto, cerca de quinze anos - e assinado «Rafael Augusto Bordallo»."
(Excerto do Estudo)
Irisalva Moita (1924-2009). "Ilustre museóloga e olisipógrafa, foi durante mais de 20 anos directora dos Museus Municipais de Lisboa. Foi, por mérito próprio, umas das figuras mais relevantes da Olisipografia. Historiadora, arqueóloga e museóloga desenvolveu durante a segunda metade do séc. XX um vasto corpo de trabalho. Destacam-se as exposições, ainda hoje de referência, “O Culto de Sto. António, na região de Lisboa”, “Lisboa e o Marquês de Pombal” e “Lisboa Quinhentista. A imagem e a vida na cidade” e “Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro”."
(Fonte: https://www.avidaportuguesa.com/pt/loja/irisalva-moita-um-percurso-fotobiografico-egeac)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
10€

12 março, 2026

MACHADO, José Timóteo Montalvão -
COMO LI HISTÓRIA DE PORTUGAL NOS HOMENS, MONUMENTOS E PAISAGENS DO BRASIL.
Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História : 8.º série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, 1966. In-4.º (25,5x19 cm) de [2], 11, [3] p. (351-361 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante comunicação do autor a propósito de uma viagem empreendida ao Brasil, e dos locais e monumentos históricos da era colonial que teve oportunidade de visitar.
"Duma viagem, que recentemente fiz ao Brasil, trouxe inolvidáveis recordações, que aqui quero traduzir, uma vez que levei representação da Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Quero acentuar desde já que muito me entusiasmaram as belezas naturais, a flora pujantíssima, os edifícios gigantescos. Mas, para além dessas grandezas, naturais ou humanas, o que mais chamou a minha atenção, obrigando-me a meditar e a venerar, foi um vasto conjunto de lugares, monumentos e memórias, que representavam o folhear de muitas páginas da nossa História gloriosa."
(Excerto do Preâmbulo)
José Timóteo Montalvão Machado (1892–1985). "Foi um eminente médico, historiador e jornalista português, natural de Chaves. Destacou-se pela sua vasta produção intelectual que cruzava o rigor científico da medicina com a investigação histórica e a genealogia.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Exerceu funções como Delegado de Saúde no Distrito de Setúbal. Foi sócio efetivo de instituições prestigiadas como a Academia Portuguesa da História, a Associação dos Arqueólogos Portugueses e a Sociedade da Independência de Portugal. Foi diretor do jornal "Notícias de Trás-os-Montes"."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

11 março, 2026

COUTINHO, Azevedo -
GUIA DO VIAJANTE EM BRAGA. Com noticias historicas sobre templos, monumentos, sanctuarios, etc. e indicações indispensaveis ao viajante. Braga, Livraria Central-Editora de Laurindo Costa, 1894. In-8.º (16,5x11,5 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Edição original deste curioso "guia do viajante", obra pioneira no género devotada à "Cidade dos Arcebispos".
Opúsculo raro, com interesse para a bibliografia bracarense.
"A falta d'uma publicação que orientasse o viajante n'esta formosa capital do Minho tornava-se sobremodo sensivel; e tão notada era essa falta que, para, d'algum modo,  preencher a lacuna que sôbre este ponto existia, organisei, despretenciosamente, este singelo trabalho."
(Excerto de Ao Leitor)
"Esta bella capital do Minho, terceira cidade do reino e sede da provincia ecclesiastica Bracarense e do districto administrativo de Braga, fica a 48 kilometros ao norte do Porto, e 80 a oeste de Bragança, em 41.º 36' de latitude e 12.º 39' de longitude norte. É uma das cidades mais antigas e mais nobres da peninsula hispanica.
Está admiravelmente situada, em local um pouco elevado, mas plano; tem boas condições hygienicas; e tem melhorado muito, pela abertura de novas ruas, que vão transformando completamente alguns bairros.
Esta cidade não tem ampliado d'um modo sensivel os seus limites, nos ultimos tempos, mas tem-se aformoseado consideravelmente, pela reconstrucção de edificios e abertura do novas ruas.
As industria téem, desde ha annos, manifestando um pronunciado desenvolvimento assaz animador, como claramente se evidenciou nas ultimas exposições industriaes.
Braga tem por armas em um escudo oval uma imagem de N. Senhora entre duas torres, com o Menino nos braços, e tendo por timbre uma mitra pontifical, e em cima a legenda - Insignia fidelis et antigua Brachara."
(Excerto do preâmbulo - Braga)
Índice:
Ao Leitor | Braga | Templos e Conventos | Estabelecimentos publicos | Estabelecimentos de beneficiencia | Monumentos | Associações de recreio | Periodicos | Passeio publico | Cemiterio Municipal | Vias de transito | Indicações uteis: Estações de viação: - Estação dos Americanos; - Escriptorios de diligencias; - Estação telegrapho-postal | Cafés e bilhares | Hoteis | Restaurantes | Trens d'aluguer | S. João da Ponte | Bom Jesus do Monte | Sameiro.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Interior correcto. Capas frágeis com pequenos defeitos e vestígios de selo à cabeça.
Raro.
25€

10 março, 2026

GUEDES, Fernando -
EU, EDITOR, ME CONFESSO.
Palestra proferida no Círculo Eça de Queirós na noite de 5 de Fevereiro de 1988 integrada no ciclo «Confissões». [S.l.], Verbo, 1988. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Apontamento autobiográfico em forma de conferência pelo editor-livreiro Fernando Guedes, fundador da Editorial Verbo, coincidindo esta com a comemoração dos 30 anos da conhecida empresa.
"Desde a minha vinda para Económicas, e graças a um amigo comum, o Dr. Júlio Evangelista, eu travara relações com aquele que viria a ser meu sócio para o resto das nossas vidas, o Sebastião Alves, mas a nossa amizade começou quando voltei para Lisboa, já a trabalhar. [...]
Já por mais de uma vez pretendera envolver-me nos seus projectos e em alguns, mais ou menos episódicos e mais ou menos fracassados,  eu interviera, desde uma certa Importadora e Exportadora Cresus até uma loja de artesanato na Rua D. João V. Agora, em 1958, a proposta era outra e tão sedutora que, ao fim de resistir durante alguns meses, me entreguei completamente à ideia: iríamos fundar uma editora: ia nascer a Editorial Verbo."
(Excerto da Palestra)
Manuel Fernando Ayres da Silva Guedes (1929-2016). "Editor, poeta e crítico de arte, natural do Porto, frequentou a Universidade Técnica de Lisboa na área da Economia. Inicia a atividade profissional em 1951 numa empresa comercial inglesa, após estágio em Inglaterra. Foi sócio fundador da Editorial Verbo, em 1958, cuja direção integrou desde o início. Foi ainda presidente da direção do Grémio Nacional de Editores e Livreiros (1969), da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (1982-87), vogal da Corporação da Imprensa e Artes Gráficas, membro da Câmara Corporativa, da Comissão Internacional da União Internacional de Editores, com sede em Genebra, onde integrou, em 1981, a sua comissão executiva. Em 1988 foi eleito presidente do Groupe des Éditeurs de Livres de la CEE, em Bruxelas, vice-presidente da União Internacional de Editores, bem como vice-presidente do «Grupo Livro» do Comité de Consultores Culturais da CEE. Fundou, com David Mourão-Ferreira, Manuel Couto Viana e Luís de Macedo, a folha de poesia «Távola Redonda» (1950), dirigiu a revista «Tempo Presente» (1959-62), codirigiu a secção belas artes da Enciclopédia Luso-brasileira de Cultura para a qual escreveu vários artigos. Como crítico de arte, domínio em que publicou vários livros, destacou-se pela crítica à pintura abstrata. Como poeta, Caule, Flor e Fruto (1962) foi galardoado com o Prémio Antero de Quental e Poesias Escolhidas: 1948-68, foi Prémio Nacional de Poesia no ano de 1968."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/espolios_autores/e58_guedes_fernando.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

09 março, 2026

BOAVENTURA, Manuel de -
AMORES MEDIEVAIS
(Conto de Natal). Barcelos, Edição da Papelaria - «Liz» - Livraria, 1960. Oblongo (11,5x16 cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Bonito conto histórico, "inspirado na leitura de vetustos alfarrábios".
Obra rara, por certo com tiragem reduzida. Edição cuidada, impressa em papel de superior qualidade. Junta-se folhinha volante a cores e encartável poético de homenagem ao autor.
"Quando os Senhores Condes-Duques estabeleceram, em definitivo, a sua faustosa Corte, no medieval palácio, que assenta os alicerces «sôbolas arribas do Cávado», em Barcelos, - um ingénuo pagem apaixonou-se, romanescamente, por D. Mécia, bela dama do honor da senhoril, - mas menos bela - Duquesa!
Porém, o que, tão intensamente ferira a sensibilidade amorosa do mancebo palação, também «empeceu» certo fidalgo da corte ducal, dotado de ruis e exaltados humores, acirrantes de desenfreado ciúme."
(Excerto do Conto)
Manuel Joaquim de Boaventura (1885-1973). "Nasceu a 15 de agosto de 1885, na freguesia de Vila Chã, Esposende, e faleceu em Esposende a 25 de abril de 1973, vítima de um acidente de viação. Em 1906 e por casamento com D. Ana da Conceição de Azevedo fixou residência no lugar de Susão, na freguesia de Palmeira de Faro, Esposende, onde escreveu toda a sua obra literária, composta por dezenas de títulos e uma notável colaboração jornalística nas principais revistas e jornais nacionais."
(Fonte: https://esposende-educa.pt/noticias/municipio-de-esposende-trata-espolio-do-escritor-manuel-de-boaventura/)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Raro.
Indisponível

08 março, 2026

MACHADO, José Timóteo Montalvão -
DIFICULDADES DO POVOAMENTO DE TRÁS-OS-MONTES DURANTE A 1.ª DINASTIA.
Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História : 8.ª série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, MCMLXVI [1966]. In-4.º (205,5x19 cm) de 14 p. ; (139-149 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo acerca do povoamento medieval de país, e em especial na província de Trás-os-Montes.
"[...] Quando se formou a nossa nacionalidade, Portugal era quase desabitado, e a escassez de população continuou a ser o grande obstáculo, que tolhia todas as iniciativas, durante a dinastia afonsina.
O primeiro numeramento de fogos, digno de algum crédito, feito em Portugal, foi o de D. João III, de 1527 a 1532, que permitiu avaliar a população do reino em cerca de 1 300 000 almas. E havia quase 400 anos que a nacionalidade de formara!...
Isto nos leva a crer que, nos primeiros tempos, Portugal não devia contar mais de 500 000 habitantes, e, se a este número subtrairmos as mulheres, as crianças, os velhos e os enfermos, devemos admitir que os reis afonsinos não podiam contar com mais de 50 000 homens válidos para agricultar os campos, servir as artes e ofícios, defender as costas marítimas e fazer a guerra."
(Excerto do Estudo) 
José Timóteo Montalvão Machado (1892–1985). "Foi um eminente médico, historiador e jornalista português, natural de Chaves. Destacou-se pela sua vasta produção intelectual que cruzava o rigor científico da medicina com a investigação histórica e a genealogia.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Exerceu funções como Delegado de Saúde no Distrito de Setúbal. Foi sócio efetivo de instituições prestigiadas como a Academia Portuguesa da História, a Associação dos Arqueólogos Portugueses e a Sociedade da Independência de Portugal. Foi diretor do jornal "Notícias de Trás-os-Montes"."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

07 março, 2026

BOMBARDA, Miguel - A ENFERMAGEM RELIGIOSA.
Por...
Lisboa, Publicação da Junta Liberal, 1910. In-8.º (22,5x15 cm) de 37, [3] p. ; B.

1.ª edição.
Conjunto de artigos críticos do exercício da enfermagem por religiosas publicados pelo autor na revista A Medicina Contemporanea, acrescentado com dois textos inéditos.
No início do século XX em Portugal os cuidados de enfermagem eram maioritariamente dispensados por religiosas. Contra a enfermagem exercida por estas mulheres opunham-se muitos médicos. De entre eles salientava-se o republicano Miguel Bombarda.
"A questão da enfermagem religiosa entrou em pleno dia de discussão. Até agora, desde alguns annos, as congregações teem andado n'este pequeno trabalho, manso, silencioso, mas tenaz, de se insinuarem na vida da sociedade portugueza. Hoje porém já se descobrem de todo e não receiam a grande publicidade na sua capital arremetida de se substituirem por completo á enfermagem secular dos nossos estabelecimentos publicos.
O artigo, em que o assumpto nos occupou ultimamente, é o reflexo da situação. Veio elle na defeza da mulher portugueza, dos seus egregios dotes de intelligencia e amor, apoucados por um jornal que esqueceu a justiça n'um arranco de proselytismo. [...]
É preciso primeiro que tudo assentar muito decisivamente que a dedicação e a coragem não são privativas do zelo religioso."
(Excerto do Cap. II - Enfermeiras religiosas)
Índice
:
I. Pias injustiças. II. Enfermeiras religiosas. III. Um testemunho de longe. IV. A s enfermeiras "não mercenarias". V. Resumo.
Miguel Augusto Bombarda (1851-1910). “Nasceu em 1851 no Rio de Janeiro. Foi médico do Hospital de S. José, em 1892, director do Hospital de Rilhafoles e professor, desde 1880, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Como médico dedicou-se principalmente às doenças do sistema nervoso, especializando-se em Psiquiatria. Participa também no lançamento das campanhas de prolifaxia contra a tuberculose. Só em 1908 entrou na política activa, como deputado, afecto ao então presidente do Conselho, Ferreira do Amaral. Mas as suas fortes convicções liberais e anti-clericais aproximam-no rapidamente da Junta Liberal, de que se torna um dos mais destacados dirigentes, e do Partido Republicano, a que adere formalmente pouco antes da implantação da República, sendo eleito deputado nas suas listas. Miguel Bombarda foi um dos principais dirigentes da revolução republicana, com o especial encargo de proceder à distribuição de armas por grupos civis, estando prevista a sua participação no assalto ao quartel de Artilharia 1, em Campolide. No dia 3 de Outubro, Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um oficial do exército, antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus, que o procurou em Rilhafoles. Transportado para o Hospital de S. José, foi operado, 'depois de ter mandado queimar à vista uma carta que trazia na carteira' e falado com Brito Camacho, mas não resistiu à operação, entrou em coma e faleceu cerca das 6 da tarde. A morte de Miguel Bombarda provocou especial indignação junto do povo de Lisboa, para quem se tratava de um 'atentado reaccionário'. A República organizou as suas exéquias, homenageando-o como um dos seus principais inspiradores.”
(fonte: www.fmsoares.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.
Raro.
Indisponível

06 março, 2026

MOITA, Irisalva -
PROJECTOS POMBALINOS PROVENIENTES DO ESPÓLIO DO 1.º DUQUE DE LAFÕES, D. PEDRO HENRIQUE DE BRAGANÇA
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso &
 Moita, Lda. - Lisboa], 2000. In-4.º (26x18 cm) de 16 p. ; [16] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio com interesse para a história do Terramoto de 1755, e para a política de reconstrução da cidade de Lisboa arquitectada pelo Marquês de Pombal. Trabalho publicado em separata do «Boletim Cultural» da Assembleia Distrital de Lisboa, Série IV - N.º 94 - 1.º tomo - 2000/02.
Estudo muitíssimo interessante, não mencionado na BNP.
Totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 16 fotografias distribuídas por 13 páginas extra-texto, reproduzindo plantas, projectos e estudos relacionados com a reconstrução de Lisboa.
"A ideia de não se ficar pela reconstrução da cidade antiga atingida pelo Terramoto, mas vir a controlar-se o crescimento da nova cidade que, entretanto, se expandia para norte e ocidente, por meio de verdadeiros planos directores, parece ter preocupado Pombal, ao ver-se confrontado com as primeiras medidas a tomar para conter os efeitos anarquizantes que um fenómenos destas proporções podia provocar. [...]
A intenção de dotar Lisboa com um plano que condicionasse o seu crescimento já encontramos subjacente ao Edital de 30 de Dezembro de 1755, publicado pelo duque regedor das Justiças, cumprindo, naturalmente, ordens do rei, que o mesmo é dizer ordens de Pombal."
(Excerto de III - Planos pombalinos para a «urbanização dos bairros» periféricos de Lisboa)
Índice:
I - [Introdução] | I - Planos-propostas para a reconstrução da Baixa. II - Projectos destinados às construções a edificar na Baixa lisboeta referenciados na «Dissertação - Parte Terceira». III - Planos pombalinos para a «urbanização dos bairros» periféricos de Lisboa. | [Estampas].
Irisalva Moita (1924-2009). "Ilustre museóloga e olisipógrafa, foi durante mais de 20 anos directora dos Museus Municipais de Lisboa. Foi, por mérito próprio, umas das figuras mais relevantes da Olisipografia. Historiadora, arqueóloga e museóloga desenvolveu durante a segunda metade do séc. XX um vasto corpo de trabalho. Destacam-se as exposições, ainda hoje de referência, “O Culto de Sto. António, na região de Lisboa”, “Lisboa e o Marquês de Pombal” e “Lisboa Quinhentista. A imagem e a vida na cidade” e “Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro”."
(Fonte: https://www.avidaportuguesa.com/pt/loja/irisalva-moita-um-percurso-fotobiografico-egeac)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€

05 março, 2026

REIS, Alves - 
O SEGRÊDO DA MINHA CONFISSÃO
. Lisboa, Edições Novo Mundo / Edições Europa, 1931-1932. 2 vols in-8.º (19x12,5 cm) de 314 [6] p. ; [15] p. il. (I) e 412 [4]. p. (II) ; B.

1.ª edição.
Autobiografia de Alves dos Reis, conhecido burlão português, escrita durante o período de cativeiro.
Obra em 2 volumes (completa), ilustrada com reprodução fac-símile de diversos documentos no primeiro livro em 15 páginas separadas do texto.
"Mais de um ano decorreu sôbre a confissão, que fiz ao Tribunal que me condenou, e ainda circulam diversas versões da atitude inesperada que tomei em Santa Clara.
Não quero ouvir o fervilhar dos boatos tendenciosos. Não discuto, portanto, as versões que correm, nem desejo provar a veracidade do segrêdo da minha confissão.
Escrevo a história psicológica das minhas crenças. Narro, o melhor que sei, o meu renascimento e a evolução da minha alma. E os bem intencionados julgarão a Verdade desta narração, que horas bem amargas de carcere não deixar estropiar pelo horror à mentira gerado à custa de muitas lágrimas, pelo culto à Verdade que só Deus sabe ensinar, entre soluços e dores, na religião do sofrimento."
(Excerto da Introdução)
Artur Virgílio Alves Reis (Lisboa, 1896-1955). "Foi um famoso burlão português que, em 1925, ficou associado ao crime de falsificação das notas de 500$00, Efígie Vasco da Gama, no denominado processo "Angola e Metrópole". Além disso, também foi o autor de inúmeras falsificações de documentos e assinaturas, comprou ações de forma ilegal e passou cheques sem cobertura."
(Fonte: https://www.bportugal.pt/arquivo/details?id=48694)
Exemplares brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Invulgar.
25€

04 março, 2026

MARTINS, Augusto -
TRIGONOMETRIA PLANA. Porto, Edição da Renascença Portuguesa, 1914. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 152, [8] p. ; E.
1.ª edição.
Proposta pioneira do autor para o ensino da matemática, obra publicada na estimada Renascença Portuguesa, editora de referência na época.
Livro ilustrado no texto com equações e desenhos esquemáticos.
"Num artigo de A Águia dizia eu que não achava razão alguma para que se continuasse a considerar a trigonometria com o um ramo à parte das sciências matemáticas. Isto, referindo-me ao ensino secundário onde a dificuldade de pôr barreiras aos diferentes ramos aumenta constantemente. Nêsse artigo propunha eu a distribuição das diferentes partes da trigonometria pela geometria e pela álgebra.
Era, portanto, uma alteração completa do plano seguido entre nós n o ensino da matemática.
Este livro é uma primeira tentativa da acomodação proposta."
(Excerto do Prefácio)
Encadernação flexível com rótulo carmim e letras a dourado na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Algumas (poucas) páginas apresentam apontamentos a lápis em rodapé.
Muito invulgar.
25€

03 março, 2026

SOUZA, José de Campos e -
A PROPÓSITO DE CERÂMICA ARMORIADA. Braga, [s.n. - Composto e impresso nas Ofic. Gráf. da Livraria Cruz - Braga], 1976. In-4.º (24x18 cm) de 27, [2] p. ; [4] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo histórico publicado em separata da revista «Armas e Troféus» : N.º 2 - 1976.
Ilustrado com 6 fotografias e um desenho a p.b. distribuídos por 4 páginas separadas do texto.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. José Timóteo de Montalvão Machado.
"[...] Parece-me oportuno definir o que entendo por cerâmica armoriada, para dissipar ab initio qualquer mal entendido da parte de quem me ler. São de cerâmica os objectos feitos de barro cozido, faiança, grés, pó de pedra, ou porcelana. Armoriada é toda a peça que ostente um brasão de armas completo, uma ou várias das suas partes constituintes, ou o corpo de uma divisa, desde que ele se revista de expressão geráldica."
(Excerto da Introdução - Cvrrente Calamo)
Índice:
Cvrrente Calamo | 1 - Colecionadores. 2 - Identificação de destinatários. 3 - Tipo de loiça hoje mais apreciado. 4 - Falsificações. 5 - Restauros fraudulentos. 6 - Conhecimentos do público em matéria de heráldica. 7 - Alguma bibliografia nacional e estrangeira. | Cinco Peças de Cerâmica Armoriada: 1 - D. Alberto da Silva; 2 - Rodrigo da Fonseca Magalhães; 3 - D. José I, «O Reformador»; 4 - José Roberto Calado de Oliveira e Silva; 5 - Afonso Guerreiro de Aboim.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas algo sujas.
Muito invulgar.
20€