20 junho, 2021

RIBEIRO, Victor - AS LOTARIAS DA MISERICORDIA E A ACADEMIA DAS SCIÊNCIAS. Por... Coimbra, Imprensa da Universidade, 1914. In-4.º (23,5 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o relacionamento da Lotaria, administrada pela Misericórdia de Lisboa, com o governo da República.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"É êrro corrente hoje, e que tenho ouvido repetir, até a um inteligente e ilustrado ministro da República, que as lotarias são do Estado, e é êste quem subvenciona com parte dos lucros delas os estabelecimentos de beneficiência e assistência, quando a verdade histórica manda rectificar tal asserção. [...]
Apenas direi que na Gazeta [de Lisboa] , em 9 de dezembro de 1783, se noticiava o estabelecimento da nova lotaria anual de 360.000 cruzados, cujos lucros, formados por 12%, que tirariam aos prémios, seriam divididos em três quinhões iguais, sendo um para o Hospital de Todos os Santos, outro para o Hospital dos Expostos, (serviço que desde 1636 ficou englobado nas obrigações da Misericordia de Lisboa), e o terceiro para a Acadamia das Sciências. [...]
Rectificando pois desta fórma as erroneas afirmativas, que aliás de boa fé, se teem feito de ser originariamente do Estado a nossa Lotaria quando, desde a sua fundação, como se vê no Plano e nos bilhetes da primeira extracção e de todas as subsequentes, se designou sempre pertencer à Misericordia de Lisboa, compartilhando esta instituição de caridade os lucros havidos, com outros institutos e com o próprio Estado, em odediência a petições ou despachos do govêrno, que assim, em diversos tempos até ao presente, o teem determinado."
(Excerto do texto)
índice:
As lotarias da Misericordia a a Academia das Sciências. |. Notas: I - A primeira lotaria, em 1784. A) Como se vendeu. B) Prémios que se pagaram. II - Sequência das lotarias no seu primeiro quinquagenário segundo as colecções existentes no Arquivo da Misericordia de Lisboa. A) Planos e instrucções. B) Colecção de bilhetes. C) Relações de números premiados. III - Loterias brasileiras nos meados do século XIX. IV - As rodas da Lotaria.
V - Bibliografia.
Victor Maximiano Ribeiro (Lisboa, 1862 - Lisboa, 1930). "Escritor e jornalista, colaborou em muitos jornais e revistas do seu tempo. Historiador e publicista, os seus estudos históricos, ainda que “sem grande critério na selecção dos
dados apresentados” (José Mattoso), têm elementos de muita valia, particularmente para a história da assistência em Portugal durante a época moderna.  Investigador erudito, a sua biblioteca pessoal era constituída por obras de autores cimeiros do seu tempo. Com vasta obra publicada, uma de maior tiragem e outra integrando colecções populares e ilustradas, os seus trabalhos são apreciados e tiveram impacto historiográfico, sendo alguns recorrentemente citados em estudos de especialidade."
(Fonte: http://dichp.bnportugal.pt/imagens/ribeiro_victor.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

19 junho, 2021

GALLIS, Alfredo - AMOR OU FARDA. Romance contra o militarismo. Lisboa, Antiga Casa Bertrand, 1907. In-8.º (20 cm) de 242, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Rara e muitíssimo interessante obra do autor, um pouco diferente das demais dada a devoção bem expressa à causa do anti-militarismo. Nas primeiras vinte páginas do livro A. Gallis discorre sobre a doutrina e as suas consequências para as sociedades.
Livro proibido de circular pela censura do Estado Novo.
Título de posse na f. anterrosto e na última página de texto em nome de Antonio Marques Proença, 1º Sargento.
"Em these, como base fundamental e essencia philosophica da sua missão mundial, o militarismo é um crime!
Esse crime porém encontra atenuantes nas multiplas manifestações da malevolencia humana desde os primeiros dias da sua apparição sobre a Terra.
O que é o militarismo?
É uma fracção methodicamente organisada e equipada de todos os povos, cuja missão consiste em defender esses povos dos attentados que contra elles outros lhes queiram dirigir, ou, variando de tactica, agredir os estranhos quando assim pareça conveniente e proveitoso para as ambições e interesses dos invasores."
(Excerto do Proemio)
"Verdadeiramente radiosa aquella linda anhã de setembro, d'uma limpidez de ceu azul que fascinava a vista, e de uma pureza atmospherica que aspirada a plenos pulmões levava ao sangue uma nova e depurativa reviviscenia. [...]
Estava-se em plena vindima, e para cima de cento e oitenta pessoas, homens e mulheres, procediam á colha do cacho.
Montado na sua egua baia, magnifico exemplar de Alter, o morgado, de jaqueta e chapeu de aba larga, cinta de seda preta e botas altas, sahira do solar pouco depois do romper do sol, e accendendo o seu inseparavel charuto, dirigira-se á vinha que ficava a dose kilometros de distancia da casa da sua residencia.
Alexandre Simão Vaz de Albuquerque, moço fidalgo da casa real, descendente de uma familia nobre da Beira, e mais conheçido pelo morgado da Almoana, vastos dominios que herdara dos seus maiores e constituia o morgadia de sua casa, contava á data 60 annos incompletos.
Era um homem de avantajada estatura, reforçado, de modos affaveis e simples, trigueiro e corado, de espessa cabelleira e longas barbas brancas que lhe davam ao rosto o complemento senhoril e fidalgo que se notava logo á primeira vista nas suas maneiras e trato.
Bacharel formado em direito, depois da sua formatura passara alguns annos em Lisboa uma vida elegante frequentando a melhor sociedade onde a sua opulenta fortuna lhe permittia ostentar todas as exigencias do seu caracter altivo, generoso e fidalgo."
(Excerto do Cap. I)
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Nasceu em Lisboa em 1859 e morreu a 24 de Novembro de 1910. Foi administrador do concelho do Barreiro entre 1901 e 1905. Escritor e jornalista, exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra de Lisboa, onde conheceu o rei D. Carlos, com quem mantinha boas relações. Era secretário do governo civil de Lisboa quando ocorreu a mudança de regime, em 1910.
Estreou-se no jornal Instituições, em 1879. Colaborou em Tempo, Universal, Jornal do Comércio, Liberal, Ecos da Avenida e Diário Popular. Escreveu os dois volumes que serviram de complemento à História de Portugal de Pinheiro Chagas, com o título Um Reinado Trágico, datados de 1908 e 1909.
"Rabelais" é um dos o pseudónimos de Alfredo Gallis. Em finais do século XIX, o mais prolífero autor português de livros licenciosos foi Rabelais, vulgarmente confundido, nos catálogos das bibliotecas, com o reputado escritor francês do século XVI.
Autor de mais de quarenta títulos, quer de temática histórico-filosófica , quer de temática pornográfica, de Rabelais disse Brito Aranha, no Dicionário Bibliográfico Português: «Alfredo Gallis dispunha de uma individualidade própria e com mais alguma disciplina e ilustração poderia ter deixado um nome de destaque na literatura do seu tempo. Infelizmente a prodigalidade da sua produção e a vivacidade e crueza com que se comprazia em descrever as cenas mais escandalosas duma sociedade corrupta prejudicaram muito a sua obra. Vendo tudo sob o aspecto de um sensualismo exagerado, os tipos dos seus romances, traçados em geral com muita frieza, eram deformados pelos vícios mais repugnantes e a acção desses romances passava-se em geral nos meios mais depravados e desonestos.»"
(Fonte: https://tintadachina.pt/produto/aventuras-galantes/)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar algo envelhecido, em bom estado geral de conservação.
Raro.
85€

18 junho, 2021

CUNHA, A. Gonçalves - TROVAS DE COIMBRA. Quadras da Tradição da Saudade e do Amor.
Capa de António Victorino. Ilustrações de João Carlos e António Victorino
. Coimbra, Livraria Cunha, 1931. In-8.º (19 cm) de 134, [6] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra poética sobre Coimbra, profusamente ilustrada com belíssimos desenhos ao longo do texto.

"Coimbra, - terra das musas,
arraial dos estudante; -
a trovar já te recusas,
já não és o que eras dantes.

Já não ris e já não amas;
velhas crenças vens traíndo.
Restam cinzas de altas chamas;
teu romance é quási findo."

(Coimbra na Tradição e na Saudade, I - II)

Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

17 junho, 2021

SANTOS (Edurisa), Eduardo dos - A ROTA DE GUERRA DO NORTE DE ESPANHA
. [Lisboa], Livraria Civilização, 1938. In-8.º (20 cm) de 210, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Guerra Civil de Espanha, escrito por um jornalista português que acompanhou as tropas de Franco no norte de Espanha.
A Imprensa portuguesa desenvolveu um esforço significativo durante a guerra civil espanhola (1936-1939), para dar a conhecer aos portugueses e ao mundo, as acções armadas e a diplomacia de bastidores. Em serviço de reportagem, com acesso às diferentes zonas de guerra, trabalharam como enviados especiais no país vizinho diversos repórteres nacionais, entre os quais o autor, que cobriu a zona norte de Espanha, andando por terras da Galiza, Astúrias e Cantábria.
"A convite do Govêrno Espanhol, o autor foi, em Julho de 1938, como enviado especial do jornal «O Comércio do Pôrto», percorrer a rota que as tropas do Generalíssimo Franco seguiram no norte de Espanha.
Da missão jornalística de que foi incumbido deu êle nota e conta nalgumas crónicas, escritas com o nervosismo duma viagem apertada e dinâmica, e que dão, agora, forma e vulto a êste livro de impressões vividas, isentas de peias e alheias a paixões políticas ou ideológicas. O autor quis, acima de tudo, ser Jornalista, notulando o que viu e o que sentiu."
(Nota introdutória)
Índice:
A perspectiva da viagem. | De Tuy a La Guardia. | De La Guardia a Baiona. | De Vigo a Santiago de Compostela. | De Santiago de Compostela a Oviedo.| De Oviedo a Gijón. | O amor à Pátria. | De Covadonga a Santander. | De Santander a Santillana del Mar. | De novo, em Covadonga. | O ataque e a defesa de Oviedo. | De Oviedo a Lugo. | De Lugo a Santiago de Compostela. | O aniversário do «Alzamiento Nacional».
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
A BNP tem registado apenas um exemplar na sua base de dados.
35€

16 junho, 2021

A POPULAÇÃO DE PORTUGAL EM 1798. O CENSO DE PINA MANIQUE.
Com introdução de Joaquim Veríssimo Serrão
. Paris, Fundação Calouste Gulbenkian : Centro Cultural Português, 1970. In-4.º (25,5 cm) de XXX, 144, [2] p. ; [2] f. il. ; C. Fontes Documentais Portuguesas - I
1.ª edição.
Importante trabalho oitocentista de recolha de dados estatísticos sobre a população residente em Portugal no final do século XVIII. Com relevância histórica e sociológica.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado com duas estampas extratexto: a reprodução do frontispício do Livro e do 'mapa' estatístico que abre o manuscrito.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Veríssimo Serrão ao conhecido historiador Dr. Guilherme de Oliveira Santos.
"Constitui o primeiro volume desta séria o Livro que contém as freguesias que há em Lisboa, no seu termo e nas diversas terras deste Reino, manuscrito que se conserva nos «Archives Historiques du Ministère de la Guerre», em Vincennes, onde tem a cota: Mss. 1355.
Trata-se do censo da população portuguesa no ano de 1798, mandado executar pelo então Intendente-Geral da Polícia de Lisboa, Diogo Inácio de Pina Manique, e em que se indicam as províncias, cidades, vilas, freguesias e lugares do reino e os respectivos fogos. Esse documento, do mais alto interesse para a história demográfica do país, faz-se acompanhar de um estudo prévio em que se pretendem explicar as razões que estiveram na base do recenseamento e as medidas tomadas pelo Intendente-Geral para obter esse quadro numérico. Não se veja nesse intróito o estudo exaustivo que a matéria exige, mas apenas uma tentativa de esclarecimento histórico para integrar o censo de 1798 no quadro político da época.
O nome de Pina Manique fica assim ligado à história de tão valioso documento que, estamos certos disso, passa a constituir uma fonte de consulta imprescindível para todos os historiadores da fase posterior à Administração pombalina."
(Excerto do Prefácio)
"Não constitui novidade histórica que no ano de 1798, por ordem de Diogo Inácio de Pina Manique, teve lugar uma contagem dos habitantes do reino com o fim de obter recrutas para o Exército. Mas sucede que o referido censo ficou inédito apesar do seu interesse para a história social portuguesa, ignorando-se também as formas a que obedeceu o recrutamento e a concreta actuação que nele teve o Intendente-Geral da Polícia de Lisboa. [...]
O censo de 1798 teve uma finalidade imediata, de interesse militar, no recrutamento de tropas para a defesa do reino. Mas os seus dados têm o mais alto valor na medida em que dão a conhecer a população por comarcas, cidades, vilas, freguesias e fogos, numa contagem que atendendo aos meios de comunicação da época pode considerar-se, tanto quanto possível, rigorosa e global.
Sabe-se, por outro lado, que os Governadores, Corregedores e os Juízes de Fora e ordinários cumpriram com rapidez as ordens emanadas do Intendente-Geral, tendo feito a verificação do número de habitantes por fogos - que abrangeu os povoados mais reduzidos - entre Maio e Setembro daquele ano."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | Livro que contem as freguesias que há em Lisboa no seu termo, e nas diversas terras deste Reyno. | Freguesias de Lisboa e seu termo. | Comarca de Santarém. | Comarca de Tomar. | Comarca de Leiria. | Comarca de Torres Vedras. | Comarca de Setúbal . | Comarca de Ourém. | Comarca de Alenquer. | Comarca de Ribatejo. | Comarca de Chão de Couce. | Comarca de Alcobaça. | Comarca de Coimbra. | Comarca de Viseu. | Comarca de Lamego. | Comarca de  Guarda. | Comarca de Castelo Branco. | Comarca de Trancoso. | Comarca de Aveiro. | Comarca de Pinhel. | Comarca de Linhares. | Comarca de Feira. | Comarca de Arganil. | Comarca de Porto. | Comarca de Penafiel. | Comarca de Guimarães. | Comarca de Viana do Castelo. | Comarca de Barcelos. | Comarca de Valença. | Comarca de Braga. | Comarca de Miranda. | Comarca de Moncorvo. | Comarca de Bragança. | Comarca de Vila Real. | Comarca de Évora. | Comarca de Elvas. | Comarca de Portalegre. | Comarca de Ourique. | Comarca de Aviz. | Comarca de Vila Viçosa. | Comarca de Beja. | Comarca de Crato. | Comarca de Taveira. | Comarca de Lagos. | Comarca de Faro.
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a verde na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com indubitável interesse histórico e estatístico.
65€

15 junho, 2021

PIMENTEL, filho, Alberto - A MORTE DE CHRISTO.
(Monographia medica). Por... Da "Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa"
. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1902. In-8.º (19 cm) de 127, [1], XII, [4] p. ; B.

1.ª edição.
Ensaio médico sobre a morte de Jesus Cristo, que contempla uma vertente histórico-filosófica sobre ciência e religião, tendo com pano de fundo o sudário de Turim, cuja "descoberta", em 1902, por Paul Vignon, despertou consciências e avivou paixões, pretexto para as reflexões do autor.
"O sudário é uma peça rectangular de linho com cerca de 4,5 metros de comprimento e 1,1 de largura. O tecido apresenta a imagem de um homem de 1,83m de altura que parece ter sido crucificado, com feridas consistentes com as que Jesus sofreu antes de sua crucificação no relato bíblico. A 28 de maio de 1898, o fotógrafo italiano Secondo Pia tirou a primeira fotografia ao sudário e constatou que o negativo da fotografia assemelhava-se a uma imagem positiva do homem, o que significava que a imagem do sudário era, em si, um negativo.
Em 1902, o biólogo francês Paul Vignon levantou a hipótese, até hoje desmentida, de que o desenho de Jesus teria sido feito a partir de substâncias naturalmente exaladas por um corpo morto e misturado aos aloés, plantas usadas nos ritos judaicos."
(Fonte: wikipédia)
"Este trabalho não tem intuitos religiosos: é uma monographia puramente medica. Ocioso seria trazer para a tela da discussão assumptos irritantes, fazer ressurgir a pretendida rivalidade entre sciencia e religião. E sobre ocioso, enfadonho.
Convenção-se os senhores theologos, de uma vez para sempre, de que se esmiuçamos os segredos da natureza, o fazemos impellidos pela sêde de verdade, eterno e doce tormento que nos subjuga o espirito e nos leva a rebuscar a origem da vida, a razão da sua existencia e o fim para que caminha. [...]
Pelo presente trabalho, não lograrei a honra de ser inscripto no Index.
Cautelosamente afastei d’elle todas as considerações de ordem puramente religiosa. A ideia fundamental da monographia, a interpretação medica da morte de Christo, foi-me avigorada pelas recentes investigações scientificas sobre o celebre sudario de Turim. A imprensa portugueza muito pela rama deu conta d’essa palpitante questão, de modo que, na hora actual, a maioria dos portuguezes cultos desconhece o assumpto.
Na primeira parte da monographia, limito-me a expor as conclusões a que a sciencia chegou a respeito do lençol de Christo. Para isso me socorri do trabalho do naturalista francez Paulo Vignon, a cuja intervenção o mundo scientifico deve o conhecimento do sudario. Trabalho notavel sob todos os pontos de vista, de uma clareza e verdade scientifica muito para louvar, está por certo destinado a levantar interessante discussão, tão palpitante e intrincado é o assumpto.
Depois, na segunda parte do meu trabalho, procurarei investigar, á face da sciencia medica, qual a verdadeira causa da morte de Christo, ajudado pelos dados inesperados que o sudario de Turim veio revelar.
Não desconheço a delicadeza do assumpto, nem a sua grande difficuldade. E devo desde já dizer que me não offusca a vaidade de ter cortado o nó gordio.
Formulo hypotheses, que alias procurei assentar em alicerces seguros. Só os da minha classe poderão discutil-as com consciencia e só ás suas observações responderei, se acaso a monographia lhes merecer a importancia de me chamarem á liça."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. |  O lençol de Christo. | A morte de Christo. | Notas. | Bibliographia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
45€

14 junho, 2021

GLORIA AOS VENCIDOS DE 31 DE JANEIRO! [S.l.], [s.n.], [1927]. In-fólio (32,5x21 cm) de 1 f. ; B.
1.ª edição.
Folha volante impressa na frente. Manifesto subscrito por "um grupo de estudantes republicanos" que contestam o regime pela intenção de homenagear os 'vencidos de 31 de Janeiro' (1891), pretexto para a crítica feroz ao regime ditatorial e suas opções políticas.
“O reacionarismo triunfante, não contente em ter estrangulado a Republica, cobre-a ainda nos seus vilissimos sarcasmos.
Suprimida a Constituição, todas as leis, todas as liberdades, todos os direitos que constituem a essencia do regime republicano e, ainda por cima, escarnecendo, afrontando a inteligencia e a dignidade do Pôvo portuguez, a ditadura, diz-se republicana!
Prepara-se para, num simulacro de eleições, adquirir uma aparencia de legalidade que lhe permita efectuar o emprestimo externo com que intenta prolongar, por mais algum tempo, o seu régabófe administrativo e financeiro. […]
E são estes miseraveis tartufos, traidores á Patria e á Republica, que ainda ousam, num cumulo de audacia ultrajante, querer associar-se á comemoração dos gloriosos vencidos de 31 de Janeiro!
Para traz, vilões!
A vossa atitude é uma cobardissima profanação! […]
As vossas homenagens aos vencidos do 31 de Janeiro teem qualquer coisa de satanico e de hediondo. É como se os espetros de D. Carlos de Bragança e do major Graça saissem dos seus túmulos e viessem, com o riso sardonico e macabro das suas caveiras, lançar flores sobre as campas dos seus heroicos adversários.
Não, mil vezes não! […]
Vós, ditadores, vós sois os diretos descendentes dos miguelistas que para as cadeias, para o exilio, para a deportação, para a fôrca, atiravam, aos milhares, os liberais. Os vossos partidários da Liga do Alecrim, comandados pelo conde de Silves, espancando republicanos na Brazileira de Lisboa e partindo o mobiliário, são os dignos representantes dos caceteiros miguelistas, dos trauliteiros sidonistas. […]
Restauremos a Republica se queremos ser dignos de glorificar os vencidos.
Um grupo de estudantes republicanos."
(Excerto do manifesto)
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção.
20€

13 junho, 2021

FARIA, Eduardo de - E, QUANDO A GUERRA ACABOU...
Drama em 1 acto
. Lisboa, Tipografia L. C. G. G., 1932. In-8.º (17,5 cm) de 18, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro do tema "Grande Guerra" de Eduardo de Faria, autor de outras obras subordinadas ao mesmo assunto, tais como: Auto das três almas (1929); Expedicionários (1931); Herois e seus fantasmas (1934); Éramos três irmãos (1936).
Opúsculo dedicado pelo autor aos irmãos Mac-Bride - Alberto e Eugénio - médicos portugueses que integraram o contingente português na Flandres.
"A cêna representa a salinha de visitas dum manicómio. Ao centro, uma mesa com ilustrações já desfolhadas e cebosas pelo uso. Cadeiras de vêrga encostadas às paredes. Ao fundo, uma janela que deita para a cêrca. Não há flores em jarras, nem quadros a animar o ambiente frio e desconfortável. De fora, chega, volta e meia, um grito que arrepia, tornado mais negro ainda êsse sombrio quadro."
(Excerto da apresentação da cena)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. rosto (canto superior direito).
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.
35€
Reservado

12 junho, 2021

LOPES, Manuel - MYSTERIOS DE ALEM TUMULO : a evolução do espirito.
O livro publicado até hoje, que melhor nos fala das verdades eternas, ao alcance de todas as intelligencias
. Lisboa, Henrique Torres - Editor, 1925. In-8.º (19,5 cm) de 206, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre espiritismo e a vida para além da morte.
Livro raro, sem referências bibliográficas, para além do exemplar que a BNP dá notícia. Ilustrado com um retrato do autor.
"Se os homens comprehendessem a origem fundamental da sua existencia, e soubessem que os espera alem da morte, a felicidade ou a tortura, abster-se-iam de praticar no mundo tantas iniquidades, que a humanidade vae lentamente expiando, perante a justiça Eterna!...
O Eterno fim do universo é a evolução do Espirito. Este, unindo-se á materia, em contacto com o fluido vital, produz a vida!..."
(Retirado do verso da capa)
"Já no outono da vida, quando o mundo já não tem encantos para nós, porque vivemos das recordações do passado, quando a aurora que illuminou  a nossa estrada da vida, vae declinando do zenith para o nadir; quando a luz da esperança terrena se apaga lentamente, quizemos ainda arrancar uma petala d'essa flôr mysteriosa, embalsamada com os perfumes do céo, que se chama a alma -, e lançal-a no mundo para que a humanidade, aspirando-lhe os arômas salutares, enveredasse pelo caminho da verdade.
Pensámos em dar à publicidade mais um livro...
Dois motivos concorreram para o escrevermos: o goso indefenido em que entretemos o Espirito durante a sua concepção e contextura, e o inexplicavel desejo de legar à humanidade, que tão erradamente caminha pela tenebrosa estrada da vida, a luz necessaria para que as trevas da ignorancia se dissipem, e os homens comprehendam para que foram creados e qual a sua missão na terra.
É um compendio de sans doutrinas e verdades eternas, o livro que óra damos á estampa.
Chamando em nosso auxilio a theosophia, a metaphysica e a psychologia, tivemos em vista imprimir no nosso humilde trabalho a maior porção de luz possivel, para que não restassem duvidas sobre as verdades que adeante expômos..."
(Excerto de Á Humanidade, para meditar)
Indice:
Bibliografia. | Estudos psychologicos. | Dedicatoria (Á humanidade). | Prefacio. | A consciencia humana. | Preambulos. | Noções preliminares. | Segunda parte (Prefacio). | Introducção. | Revelações dos Espiritos Superiores. | Terceira parte. | Methodo para trabalhar. | Convertido por um sorriso. | Considerações. | Conclusão. | Appendice.
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Carminado no corte superior. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa oxidada.
Raro.
A BNP dá notícia de apenas um exemplar.
Indisponível

11 junho, 2021

CALISTO, João Maria Baptista - ALGUMAS PALAVRAS SÔBRE O ESTADO ACTUAL DAS PRISÕES EM GERAL E SUA REFÓRMA.
Por... Lente Cathedratico da Faculdade de Medicina na Universidade, e Socio Effectivo no Instituto de Coimbra
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1860. In-8.º (22,5 cm) de 58 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre as prisões que dá uma ideia dofuncionamento destes estabelecimentos em Portugal na pimeira metade do século XIX. Aborda as condições de detenção, quer em termos morais e psicológicos, quer físicos dos reclusos, bem como as regras do sistema prisional, a higiene, o crime nas prisões, e as condições técnicas e de salubridade dos edifícios que servem o propósito de detenção.
"O estado actual das prisões em geral, está ainda longe de satisfazer as exigencias da epoca, e a necessidade da sua reforma é cousa incontestavel. Esta reforma está sendo presentemente o objecto de meditações, e ensaios practicos em todos os paizes civilisados, e é o assumpto, que mais deve chamar a attenção da auctoridade pública, e dos governos philantropicos e reformadores. [...]
Estes logares, onde se encerram os homens para os reter ou punir, estas casas ou estabelecimentos publicos aonde se guardam e conservam fechados tanto os culpados, como os suspeitos de crime ou delicto, e muitas vezes até os innocentes, parecem ser o contrasenso do progresso e da civilisação, e ao mesmo tempo uma formal antithese ás ideias de fraternidade, de humanidade, e sobretudo de liberdade individual. [...]
Entretanto os homens vivem em sociedade, têm instinctos e paixões, muitos são máus, e mesmo muito máus por natureza, ou podem tornar-se maús, perversos, malvados, sanguinarios e ladrões; a sociedade póde ser perturbada, as suas leis infringidas, a propriedade, honra e vida dos cidadãos atacada e destruidas. [...]
As prisões são portanto um mal necessario, e um corollario de toda a legislação penal. Ellas só devem existir auctorisadas pela justiça ou pela razão publica.. Ellas só devem ser prisões e não o inferno dos homens.
Até aos fins do seculo último, e principios do corrente, as cadeias em vez de servirem de detenção e expiação do crime, eram antes logares de soffrimentos, de miseria e horror; em vez de servirem de casas de correcção, pelo contrário, eram, e desgraçadamente ainda são, escólas da mais abjecta immoralidade. Vingar o ultraje ou injúria feita á sociedade por alguns dos seus membros, era quasi o unico pensamento, que n'aquelles tempos preoccupava os homens. Eis a razão por que os prisioneiros eram por toda a parte cruelmente tractados, e muitos tractados até como animaes ferozes. [...]
Em muitas prisões ainda se practicam certos usos, e se procede para com os presos da maneira a mais nociva á saude e moral d'estes desgraçados. [...]
Debaixo do pretexto d'adopção ou filliação, commettem os prisioneiros muitas vezes actos de violencia, como pancadas, e outros máus tractamentos, nos que dão pela primeira vez entrada nas prisões, extorquindo-lhes á força alguma coisa com o titulo de pagar a patente. Estes rigores que as leis não permittem, estes actos brutaes de deshumanidade, irritam e fazem desesperar, com razão, o prisioneiro, e podem por seus resultados fazer-lhes perder a saude. Toda a pena, todo o soffrimento ou severidade inutil, é sempre, alem de injusto, um ataque aos direitos da humanidade.
Observaremos tambem, que em muitas prisões os carcereiros escolhem para oos presos ricos, em prejuizo dos pobres, os melhores quartos ou salas de habitação, com as melhores camas e todas as mais commodidades possiveis, ficando d'este modo separados dos outros, em quanto que os quartos, e as casas mais insalubres, e tudo o que é peior fica para os desgraçados, que não têm dinheiro para lhes pagar."
(Excerto da primeira parte do estudo)
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com manchas e pequenos defeitos; capa frontal apresenta rasgão lateral (sem perda de papel). Mancha visível na capa atinge três primeiras folhas do livro, progressivamente mais desvanecidas.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

10 junho, 2021

PEDRAS SALGADAS : Estância de águas e Centro de Turismo
. [S.l.], [s.n. - Bolhão - Porto], 1942. In-8.º (20 cm) de 48 p. ; [12] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Bonita monografia dedicada a Pedras Salgadas - as sua água, história e belezas naturais.
Livro ilustrado com gráficos no texto e em página inteira, bem como doze folhas intercaladas no texto reproduzindo 14 clichés de paisagens, "recantos" e edifícios notáveis da zona. Inclui ainda dois mapas do país impressos no verso da capa e no verso da contracapa com a informação, respectivamente, das Estradas de Portugal e dos Caminhos de Ferro de Portugal.
"Das águas de Pedras Salgadas, tão afamadas, fàcil é recordar os tempos, não muito distantes, em que apenas os pegureiros de dois ou três logarejos mais próximos lhes sabiam as nascentes, sem que provàvelmente as aproveitassem sequer para matar a sêde. [...]
Como região de turismo, a parte da província transmontana que aproveita da vantagem de ter na estância das Pedras um encantador, confortável e concorrido centro de irradiação, é das mais interessantes de Portugal pela variedade dos aspectos, pelo pitoresco dos costumes e pela salubridade e amenidade do clima, na estação das vilegiaturas."
(Excerto de A história e a região)
Matérias:
A história e a região. | Acção e indicações da cura em Pedras Salgadas, pelo Prof. Dr. Cascão de Anciães da Faculdade de Medicina de Lisboa. | Autores citados. | Nota bibliográfica sobre Pedras Salgadas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
25€

09 junho, 2021

CAMPOS, Agostinho de - PORTUGAL EM CAMPANHA.
III. Comentário leve da Grande Guerra
. Paris - Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1921. In-8.º (18 cm) de 299, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de artigos - algo irónicos - com interesse para a história da Primeira Guerra Mundial, e da participação portuguesa no conflito.
"É agradável observar e admirar nas ruas de Lisboa os nossos soldados e principalmente os nossos oficiais expedicionários, envergando os novos fardamentos de campanha com que vão partir para França.
Os jovens oficiais são quási todos perfeitos de garbo, dando-nos a lisonjeira impressão de que a raça melhorou físicamente nos últimos vinte anos e que não foi em vão que passou por estas gerações a anglomania da ginástica e do exercício físico."
(Excerto de O novo fardamento)
"Nas proximidades da partida dos primeiros contingentes de tropas portuguesas para França, havia muito quem receasse, sem segundo sentido de oposição ou de política, um acto escandaloso de indisciplina, com que exclusivamente e gravìssimamente viria a sofrer o decôro nacional e o bom nome de todos nós.
Por felicidade, como o leitor bem sabe, não se deu tal. Mas é bom que o leitor saiba, agora que não há senão vantagem em sabê-lo, que as circunstâncias em que se fêz o embarque foram péssimas e por si só justificariam por parte das tropas expedicionárias um movimento de insensatez colectiva, cujo primeiro e irremediável efeito seria uma nódoa indelével na honra de Portugal.
Em primeiro lugar - e isto impressiona tôda a gente de coração - os pobres soldados embarcavam disfarçadamente, quàsi sonegados às vistas da Cidade, sem uma cerimónia de despedida, sem um adeus de carinho colectivo em tão grave momento."
(Excerto de A partida para a guerra)
Agostinho Celso Azevedo de Campos (1870-1944). "Escritor, jornalista, pedagogo e político português. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1892, exercendo advocacia por pouco tempo. Entre 1893 e 1894, ensinou língua e cultura portuguesas em Hamburgo (Alemanha), altura em que iniciou a sua colaboração jornalística nos jornais O Primeiro de Janeiro e Novidades. Em 1895, quando regressou a Portugal, continuou a publicar artigos sobre literatura, política, pedagogia e linguística em diversos órgãos de imprensa, como no O Comércio do Porto, no Diário de Notícias e no O Diário Ilustrado, órgão oficioso do Partido Regenerador Liberal, nos Cadernos de Pedagogia, no Boletim do Instituto de Orientação Profissional, entre outros e também em jornais e revistas estrangeiras. A par com a carreira de jornalista, exerceu simultaneamente o cargo de professor de Alemão no Liceu Central de Lisboa, na Casa Pia, no Liceu Pedro Nunes, no Instituto Superior do Comércio e nas Faculdades de Letras das Universidades de Coimbra (1933-1938) e de Lisboa (1938-1941), jubilando-se nesta última, em 1940. Entre 1906 e 1910, Agostinho de Campos foi director-geral da Instrução Pública."
Encadernação editorial inteira de percalina c
om ferros gravados a seco e a ouro nas pasta e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam perda de cor por exposição solar. Assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€
Reservado

08 junho, 2021

 
PACHECO, Luiz - PELOS HOSPITAIS. Da janela à rua - Chegou morto ao hospital de S. José o sr. João Baptista Martins Rodrigues, de 30 anos, morador na Avenida Almirante Reis, 178, 3.º, Dt.º, o qual caiu á rua da janela da sua residência. O corpo foi removido para o Necrotério. in «Diário de Lisboa» - 10-5-67. Lisboa, Contraponto, [1967]. Envelope oblongo (15x20 cm) com [4] f. ; [5] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com cinco desenhos de conteúdo erótico, traço de Luiz Pacheco.
Obra algo insólita (bem ao estilo do autor), redigida a propósito da morte de um marginal, João Rodrigues, que caiu da janela de sua casa - um terceiro andar em Lisboa.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
55€

07 junho, 2021

MARTINS, Coronel E. de Azambuja - COLOANE : operações militares contra piratas, 1910, Macau
. [Lisboa], Publicações da Comissão de História Militar, 1951. In-4.º (23,5 cm) de 87, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio, por certo com tiragem reduzida, para a história da presença portuguesa em Macau, com especial foco no operação de resgate de reféns na ilha de Coloane, que o autor, comandante da companhia europeia da polícia, tomou parte.
Livro profusamente ilustrado ao longo do texto com mapas e fotogravuras, bem como uma estampa em página inteira reproduzindo uma fotografia do "Obelisco, Memória das operações em 1910".
"Macau tem uma história única no Mundo, e que exalta o nome português.
A ilha de Coloane, como dependência, vai avultando de importância.
Coloane teve a sua hora de fama universal, quando em 1910, as agências telegráficas anunciaram que os piratas se tinham acoitado na pequena ilha, com crianças chinesas raptadas, exigindo por estas quantioso resgate.
Foi uma hora de sensação, que pelo seu exotismo os jornais avolumaram. Na China, a existência de piratas é secular e, pode afirmar-se, que a nossa possessão de Macau teve origem nessas circunstâncias locais, características durante séculos. [...]
O delta de Cantão, recortado de canais, presta-se à pirataria. Negócio da China, era antigamente chamado o comércio lucrativo, que a muitos sacrifícios arrastava. O perigo de ser roubado pelos piratas era o maior obstáculo a vencer para conseguir a fortuna naquelas aventuras longínquas, onde aliás se perdiam vidas e bens, em muito maior proporção do que se ganhavam fortunas. Contudo a significação do termo pirata é variada."
(Excerto da Introdução - Uma história única no Mundo)
"A estreita península de Macau conta de comprimento uma légua. Segue-se, ao sul, a ilha de Taipa, mais pequena; e, depois, encontra-se Coloane, três vezes maior do que Macau, mas como a ilha de Coloane não se avista da cidade, é quase desconhecida.
E, por ser quase desconhecida essa ilha, um grupo de piratas do delta de Cantão escolheu-a para esconder um grande rapto duma dúzia de crianças, efectuado numa escola chinesa, a meio do populoso delta, entre Cantão e Macau.
Os camponeses e comerciantes pais das crianças, queixaram-se às suas autoridades, as quais, após intensas investigações vieram a descobrir que os piratas se acoitavam com as crianças na nossa ilha de Coloane.
Solicitada a intervenção das autoridades portuguesas, estas procederam desde logo a investigações que confirmaram a veracidade do facto. [...]
A polícia secreta da nossa colónia de Macau dispunha de agentes chineses, os quais informaram que os piratas não se submetiam às intimações, encontrando-se abrigados na povoação principal de Coloane, em conivência com a população chinesa da ilha, que os favorecia por viver à sua custa, e ter medo das terríveis represálias dos piratas."
(Excerto A ocupação efectiva de Coloane em 1910)
Índice: 1.ª Parte - Operações contra piratas - 1910 - Macau: Introdução. - Uma história única no mundo. I - Estabelecimento da Colónia sacudindo os piratas locais. II - Ataque dos Holandeses. III - Efémera intromissão dos Ingleses. IV - Episódios militares recentes em Macau. V - O ambiente chinês em Macau. VI - O apreço das autoridades da Metrópole.
2.ª Parte - As operações militares de Coloane: I - A ocupação efectiva de Coloane em 1910. II - O porto exterior de Macau. III - Desembarque no velho forte de Coloane. IV - Estabelecimento do bivaque e postos avançados. V - O ataque à povoação de 13 de Julho de 1910. VI - As pesquisas na ilha aos esconderijos dos piratas. VII - Aprisionamento dos piratas. VIII - Ocupação efectiva de Coloane com dois postos militares. IX - Julgamento dos piratas em conselho de guerra. X - O apreço da população pela acção das tropas.
3.ª Parte - Conclusão: I - Vantagem obtida com o prolongamento da Colónia. II - O prestígio derivado da restauração do forte de Coloane. III - A propaganda de turismo e nacionalismo. IV - O monumento comemorativo das operações realizadas em 1910. V - O porto exterior valorizando Coloane.
4.ª Parte - Nótulas elucidativas: I - Relações com as tropas chinesas vizinhas. II - Importância Internacional dos acontecimentos. III - Acção coordenada das tropas e da marinha. IV - Trecho do relatório do comandante da «Macau». V - Exemplo recente de um ataque de piratas. VI - Bandeiras representando reconhecimento. VII - Excerto do discurso ministerial de 8-X-1951.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
60€

06 junho, 2021

QUEIROZ, Teixeira de - CARTAS D'AMOR.
Por... Socio effectivo das Academia das Sciencias de Lisboa. Nova edição, corrigida. Comedia Burgueza
. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1913. In-8.º (19 cm) de VIII, 239, [1] p. ; B.
Sétimo livro da série «Comédia Burguesa», em versão corrigida, com introdução especialmente concebida para esta edição pelo autor.
"Os livros são como as plantas, que nascidas sob o mesmo clima, alimentadas do mesmo humus, e regadas pela mesma agua cristalina, se mostram deseguaes no crescimento e na frutificação. Encanta uma pelo rebento vivaz e pelo folhedo garrido; outra, nem flores nem fructos ostenta. Que razões póde haver para o seu aspecto ser differente? Não são ellas irmãs, oriundas ambas de sementes escolhidas e merecendo eguaes carinhos ao cultivador? [...]
Com as Cartas d'Amor, agora de novo editadas, succcedeu serem recebidas com excepcional apreço pelo anonymo que nos apavora a nós, auctores de livros. Será difficil de encontrar a razão da preferencia, como difficil é descobrir no fundo do mar a pedra branca da fortuna. Seria e especialidade do problema psychologico d'amor, aqui proposto, e a solucção dada por Maldonado com tamanha abnegação e singeleza? Poderá attribuir-se á fórma epistolar, tão appropriada a confissões tão delicadas, ingenuas ou subtis, e aqui renascida depois de tão bem acceite em França, no seculo XVII, o seculo das elegancias?...
O problema do amor, na alma da mulher principalmente, tem sido e continuará a ser a mais procurada base artistica, no seu aspecto de belleza erythmica: encontrar-lhe, n'um dado momento de crise animica, a fórma evocativa mais adequada é o privilegio d'aquelles que tem dignamente na sua mão uma penna, o pincel, uma batuta ou um cinzel. [...]
O romance, como hoje é acceite e comprehendido, tem exigencias especialissimas de technica, que só o aturado estudo e observação podem descobrir. O delicado e espiritual instrumento da palavra tem de penetrar os reconditos da alma humana com delicadeza e tacto, e só se póde impôr pela exactidão e força moral."
(Excerto da introdução - Conversando)
"Depois d'uma contemplação instinctiva, durante alguns dias em casuaes encontros, fixou-se na retina e na memoria de R. aquella physionomia singularmente expressiva, em que muitissimo havia do mysterio das almas e da côr e perfume das flores mais bellas. Não a podia esquecer e não a podia substituir! Que leve cabeça de lavandisca! Como era gracioso o meneio do seu corpo flexivel, tão ligeiramente ondeante no passo breve d'um lindo pé pequenino!
Para a imaginação calorosa de R. era antes visão angelica do que uma creatura da terra; parecia-lhe reflexo de luz, deixando no ar qualquer coisa de espiritual, a fluctuar como aza de nuvem. A sua pupilla scismadora fixava attenta a bella miragem, seguindo-a depois no espaço n'uma via lactea deslumbrante. Não lhe encontrava sempre a mesma expressão, é certo; umas vezes ironica e provocante no olhar e no sorrir; outras, d'esses mesmos olhos e d'esses mesmos labios, derivava uma tristeza tão doce que era um enlevo!"
(Excerto da Primeira Parte, I)
Francisco Teixeira de Queiroz (Arcos de Valdevez, 1848 - Sintra, 1919). "Romancista e contista, Francisco Teixeira de Queirós licenciou-se em Medicina, tendo ocupado diversos cargos públicos, entre os quais o de deputado, de vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de ministro dos Negócios Estrangeiros, neste caso em 1915. Chegou a ser presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Fundou em 1880, com Magalhães Lima, Gomes Leal e outros, o jornal «O Século», tendo também colaborado nos periódicos «O Ocidente», «Revista de Portugal», «Revista Literária», «Arte & Vida», «Ilustração Portuguesa», «A Vanguarda» e «A Luta», entre outros. Em 1876, publicou o seu primeiro romance, «Amor Divino», com o pseudónimo de Bento Moreno, que viria a usar em outros livros. A sua vasta obra está repartida em dois grupos: «Comédia de Campo» e «Comédia Burguesa», imitando assim a «Comédie Humaine», de Balzac, um dos seus mentores. Durante cerca de 40 anos, reformulou o seu plano e a sua doutrinação literária sobre o romance, procurando incansavelmente aplicar o seu programa realista-naturalista de base científica. Cultivou uma escrita de feição realista, fazendo uma crítica constante à alta sociedade lisboeta, evidenciando os seus costumes, os seus modos de agir e de estar perante a sociedade portuguesa em geral. Em algumas das suas obras, por outro lado, retrata de uma forma carinhosa e saudosa os seus tempos de infância, vividos na quietude da sua terra natal."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

05 junho, 2021

ASSUNÇÃO, Guilherme José Ferreira de - HISTÓRIAS TRÁGICAS DE TEMPOS IDOS.
Capa de Maria Elisete Costa Caetano
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas oficinas gráficas da Editorial Minerva - Lisboa], 1966. In-8.º (20 cm) de 279, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante colecção de episódios romanceados da História de Portugal, cujo final é dramático.
Livro valorizado pela dedicatória manuscrita do autor a Guilherme de Oliveira Santos, conhecido escritor e historiador português.
"As histórias tristes despertam sempre a curiosidade geral. Uma, para conforto da sua alma, desejam verificar que, no respeitante a infelicidade, não estão sós. Pretendem outros, para maior satisfação da vida que levam, conhecer o quanto infortúnio existe em tantos dos seus semelhantes."
(Excerto do Prefácio)
"O homem, mesmo o mais honesto, cumpridor, pontual, laborioso e temente a Deus, pode sofrer, sem que a tal se oponha qualquer força estranha, imerecidos desgostos. [...]
Em Manuel de Sousa de Sepúlveda concorriam todas as boas qualidades e, apesar da impecabilidade do seu espírito, no momento em que foi obrigado a suportar uma intensa dor, nada apareceu, qualquer que fosse a sua proveniência, a mudar o curso da fatalidade em que se viu envolvido ou a diminuir, embora ligeiramente, o seu injusto e muito sofrimento.
Durante algum tempo, o cónego Manuel de Sousa de Sepúlveda, todo entregue às suas obrigações religiosas, viveu em Évora.
Pelo seu desembaraço nos transes da luta e pela forma elevada como se conduziu em tempo de paz, passou a servir em Diu como capitão.
Uma vez nas costas do Malabar, enamorou-se da prendada e bela filha do governador da índia, D. Leonor de Sá de Albuquerque, com quem veio a casar.
O venturoso casal, quando já tinha dois filhos de tenra idade, decidiu deslocar-se para os campos verdes e férteis da pátria distante em busca do lenitivo indispensável para a sua saudosa alma e do merecido repouso para o seu corpo.
No navio S. João, com mais de seiscentas pessoas a bordo, a família de Manuel de Sousa de Sepúlveda, confiante e satisfeita, ocupou o seu lugar.
E, sem qualquer acidente que prejudicasse a boa regularidade da sua marcha, o galeão seguiu com rumo ao seu destino. Quando já via, porém, os recortes do Cabo da Boa Esperança, começou a sentir os efeitos de uma tempestade que se aproximava e que, por ter sido prevista a sua violência, obrigou a tripulação a todas as extremas precauções."
(Excerto de Malditos selvagens)
Índice:
I - Dedicatória. II - Prefácio. III - Malditos selvagens. IV - Castidade perpétua. V - Intriga sangrenta. VI - Falsidade castigada. VII - Morte gloriosa. VIII - Singular desafio. IX - Terríveis corsários. X - Cega vingança. XI - Audaciosos marinheiros. XII - Suja proposta. XIII - Ideia diabólica. XIV - Fatal motim. XV - Coragem inaudita. XVI - Honrada alcunha. XVII - Fome tormentosa. XVIII - Bárbaro costume. XIX - Funestas missões. XX - Bebidas mortíferas. XXI - Infeliz noiva. XXII - Trágico fim. XXIII - Derradeiro sacrifício. XXIV - Incrível justificação.XXV - Horroroso atentado. XXVI - Ordem real. XXVII - Infernal caminhada. XXVIII - Brio feminino. XXIX - Heróica decisão. XXX - Tripla dor. XXXI - Triste casamento. XXXII - Extrema fidelidade. XXXIII - Injusta recompensa. XXXIV - Loucos ciúmes. XXXV - Severos castigos. XXXVI - Bibliografia. XXXVII - Índice remissivo. XXXVIII - Índice geral.
Guilherme José Ferreira de Assunção (1911-?). "Ex-bolseiro do Instituto de Alta Cultura, membro  de The Hispanic Society of America de Nova  Iorque, bibliotecário da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, fundador e organizador da Biblioteca Municipal de Mafra (inaugurada a 11 de março de 1940). Publicou diversos estudos e obras relativas ao espólio da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra e artigos sobre várias personalidades do concelho de Mafra, nomeadamente o conhecido livro À sombra do Convento."
(Fonte: https://www.cm-mafra.pt/cmmafra/uploads/writer_file/document/1742/mafra_efemerides.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
30€

04 junho, 2021

COSTA, Maria Irene Leite da - APLICAÇÃO DOS MÉTODOS PSICO-PEDAGÓGICOS NO ESTUDO DAS FUGAS INFANTIS.
(Separata do Vol. III de «A Criança Portuguesa», Lisboa 1944)
. [Lisboa], Tipografia da Emprêsa Nacional de Publicidade, 1945. In-4.º (23,5 cm) de 20 p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante subsídio para o estudo das fugas das crianças de casa, lugares ou instituições, e os fenómenos associados às mesmas. Ilustrado com gráficos no texto.
Opúsculo valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"O estudo das fugas infantis assume, dentro da orientação moderna dos problemas educativos da criança, carácter de alto interêsse, não só debaixo do aspecto estrictamente psicológico, como no campo da pedagogia (ou, mais pròpriamente da médico-pedagogia) e da sociologia.
Assim se justifica a atenção que lhe tem sido dedicada pelos psicólogos e pelos médicos, esforçando-se uns e outros por caracterizar os diversos tipos de fugas, diagnosticar as causas, estabelecer a terapêutica adequada a cada caso.
Designa-se fuga infantil o abandôno mais ou menos voluntário e impulsivo do domicílio familiar, da escola ou mesmo da oficina, isto é, do lugar ou do meio onde a criança vive ou em que habitualmente deve permanecer.
Êste abandono, quási sempre irresistível e relacionado com um movimento impulsivo, pode durar apenas horas, mas prolonga-se, muitas vezes, por vários dias, tendendo a repetir-se. O acto de fugir do meio em que o indivíduo se encontra, está relacionado com alterações psíquicas de natureza diversa."
(Excerto da primeira parte do estudo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e psico-sociológico.
15€

03 junho, 2021

BRITO, J. Maria Soeiro de - POESIA ALEMTEJANA.
Por... Collecção Silva Vieira
. Espozende, [s.n.], 1890. In-8.º (16 cm) de 51, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio sobre a poesia alentejana de cariz popular.
"A ninguem tão propriamente como a ti, que és alemtejano e tens cultivado o folk-lore como poucos, podia eu dedicar estas linhas.
Ha muito que os assumptos populares me attrahem, e quando, depois de nascidas as sociedade folkloricas, a algumas das quaes pretencemos, tu começaste a publicar uma formosa e abundante colheita de cantigas populares, que ainda não acabaram de ver a luz da publicidade, senti o desejo de escrever as seguintes observações que tenho feito ácerca da poesia e da dança populares da nossa querida provincia."
(Excerto da primeira parte do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

02 junho, 2021

SARAIVA (Fernando de Sintra), Pe. José da Costa - MONOGRAFIA DE MIDÕES.
I - João Brandão - Um Facínora ou Um Herói? II - Resenha Histórica e Artística do Concelho de Tábua
. [S.l.], [Edição do Autor], 1986. In-8.º (21 cm) de 111, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre Midões (concelho de Tábua), e sobre a figura de um filho da terra, o conhecido bandoleiro João Brandão.
Livro ilustrado no texto, sendo algumas das imagens em página inteira, com fotogravuras de paisagens, locais, monumentos e imóveis relevantes do concelho, bem como diversos retratos de João Brandão.
"Nos princípios do século, Midões fazia parte da província do Douro.
Contudo a sua verdadeira e natural inserção é na Província da Beira Alta, como sucede actualmente, apesar de pertencer ao distrito de Coimbra, dado que aquela é constituída fundamentalmente pela maior parte dos distritos de Viseu e da Guarda.
De facto, o seu relevo é planáltico como toda a Beira Alta e enquadra-se entre a Estrela, a Lousã, o Buçaco e o Caramulo.
A sua altitude máxima é a do maravilhoso Outeiro de S. Miguel - cerca de 360m."
(Excerto do Cap. I, Situação Geográfica)
"A psicologia das multidões é complexa e contraditória.
O herói de hoje é o bandido de amanhã; o salvador é, na hora de desventura, o sacrificado. [...]
João Brandão foi um homem desejado e um condenado; santo e salteador; querido e odiado.
Só poderemos compreendê-lo bem, centrando a história complexa da sua vida no momento nacional em que ela se equaciona.
Pelo que é importante fixar a nossa atenção num dos períodos mais agitados da vida portuguesa, o das lutas liberais e miguelistas, que ensanguentaram o país e, de modo singular, as beiras, onde se desenrolam os factos positivos e negativos de João Brandão e de outras figuras de menor vulto que tanta influência exerceram no pacato viver das gentes da sua região e do seu tempo."
(Excerto de João Brandão. Um facínora ou um herói? - Introdução)
Índice: Introdução. | I - Situação Geográfica. II - Habitantes, Agricultura, Comércio, Indústria, Serviços. III - Vida Religiosa. IV - Folclore e Cultura. V - História de Midões. VI - Párocos de Midões e Póvoa de Midões - Confrarias. VII - Monumentos Artísticos. VIII - Famílias Tradicionais. | Notas: Apêndice I. João Brandão - Um Facínora - ou um Herói? Apêndice II. Breve Resenha Histórica e Artística do Concelho de Tábua. Apêndice III. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse datada no pé da f. anterrosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
35€

01 junho, 2021

RODRIGUES, Maria Manuela Saraiva - A IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO NA VILA DO BARREIRO
. Barreiro, [s.n. - Montagem e impressão em: Silvas, crl - Lisboa], 2000. In-8.º (21 cm) de 57, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa monografia com interesse para a organização e funcionamento das Irmandades e Confrarias no século XVIII, e em especial para a cidade do Barreiro. No final, em Anexo Documental, é reproduzido fac-símile do manuscrito que serviu de base ao presente ensaio.
"O interesse pela história local levou-nos à descoberta das Confrarias e Irmandades. O reconhecimento da sua importância para a compreensão da sociedade portuguesa fez-nos adoptar este tema para trabalho de Mestrado, que recaiu no Arquivo Paroquial de uma Vila do centro do país. Estas instituições proliferavam e com tal persistência que se mantinham ao longo dos séculos, adaptando-se às necessidades de cada época.
A descoberta de um livro de Termos de Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, da antiga vila do Barreiro, contribuiu para afirmarmos as nossas hipóteses explicativas numa Irmandade situada mais a sul do país.
O que pretendiam os indivíduos quando entravam para as Irmandades?
O sendo comum respondia-nos com razões de ordem espiritual e assistencial. No entanto, o estudo sobre manuscritos levou-nos a colocar outras hipóteses.
Acabámos por perceber, à medida que avançávamos na investigação, que os aspectos espiritual e assistencial correspondiam a uma percentagem mínima no global da actividade das Confrarias ou Irmandades. Pelo contrário, os seus bens eram monopolizados pelos Irmãos na resolução de problemas bem materiais, levando os cofres dessas corporações a ficarem vazios e a não permitir a realização dos actos estabelecidos nos Compromissos ou Estatutos. Os interesses temporais levavam os Irmãos a apropriarem-se de dinheiros e bens a que se consideravam com direitos, apenas por pertencerem à Irmandade. [...]
É da autobiografia  de um desses militares, o alferes José Joaquim Rodrigues Sousa, do 2º Batalhão Movel de Atiradores, manuscrito de que somos possuidores, que retirámos o documento em anexo."
(Excerto da Introdução)
Índice: Introdução. | A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da Vila do Barreiro. | A Vinha de Nossa Senhora no Sítio das Palmeiras. | Os devedores à Irmandade e a festa de Nossa Senhora. | Resoluções da Mesa. | A foreira do Moinho do Cabo e o rendeiro José Pedro da Costa. | Irregularidades na Administração da Irmandade. | Dois requerimentos de José Pedro da Costa. | Intervenção do Governador Civil do Distrito e do Administrador do Concelho. | Auto de Exame sobre a Administração da Irmandade. | Resposta dos Mesários ao Administrador do Concelho. | Resposta do Governador Civil do Distrito. | A Administração da Irmandade e a família Costa. | Nova intervenção do Governador Civil do Distrito. | Uma constante na vida das Irmandades: dívidas de foros e de capitais a juros. | Instabilidade na vida da Irmandade. | Administrador do Concelho convoca reunião. | Administrador do Concelho suspende eleição. | A epidemia de cólera e a função de beneficência da Irmandade. | José Pedro Costa pede transacção de dívida. | Inventários dos objectos pertencentes à Irmandade. | A festa e os devedores. | Conclusão. | Bibliografia. | Anexo Documental.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€
Reservado