CAMPOS, Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de - INQUÉRITO ALIMENTAR ENTRE OS OPERÁRIOS DA FÁBRICA DE LOUÇA DE SACAVÉM. Trabalho efectuado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge. Lisboa, [s.n. - Papelaria e Tipografia Leixões, de Fonseca & C.ª - Matosinhos], 1949 [Imp. 1950]. In-4.º (24,5x19 cm) de 62, [2] p. ; [5] f. ; [VII] Quadros ; [III] Gráficos ; [III] Tabelas ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro, o primeiro do género realizado entre nós, versa sobre a qualidade da alimentação do operariado num complexo fabril. Para o efeito, foi escolhida a Fábrica de Loiça de Sacavém, icónica unidade industrial que laborou entre 1850 e 1994. Após o 25 de Abril de 1974 a empresa entrou numa espiral de degradação, com inúmeros problemas laborais e financeiros, que culminaria com o brutal assassinato do administrador - Diamantino Pereira - em Dezembro de 1982 - pelas Forças Populares 25 de Abril.
Relatório ilustrado com gráficos, quadros e tabelas estatísticas, no texto e em separado, sendo alguns em folhas desdobráveis.
"Temos a honra de entregar a V. Ex.ª o primeiro inquérito alimentar realizado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge.
O inquérito fez-se entre a população operária da fábrica de Sacavém, conforme propuzemos e foi aprovado por Sua Excelência o Subsecretário de Estado da Assistência Social.
A escolha de uma fábrica, nos subúrbios de Lisboa, oferecia a vantagem de manter em contacto permanente o pessoal e o Serviço, de modo a remover as dificuldades que sempre surgem em trabalhos desta espécie.
Assim foi possível treinar o pessoal, o que facilitará bastante a sua tarefa, nos inquéritos futuros."
(Excerto de I - Relatório - Inquérito)
"O nosso inquérito não visou a vida económica do operário nem os problemas que lhe andam adstritos.
Apesar disso, averiguou-se haver operários que têm de percorrer grandes distâncias para chegar à fábrica. Este esforço custa muitas calorias, que fazem falta ao trabalho e quiçá à nutrição de cada um dos indivíduos.
As habitações, embora em terra de algum importância, como Sacavém, na vizinhança de Lisboa, não têm água encanada nem rede de esgotos. Mas foram encontradas limpas, como é próprio das mulheres portuguesas."
(Excerto de I - Relatório - Nota complementar)
Índice:
I - Relatório. II - Preâmbulo. III - Inquérito Alimentar: A - Famílias seleccionadas. B - Condições de vida das famílias. C - Tabelas de composições de alimentos. D - Alimentos consumidos. E - Valor alimentar as rações: 1 - Princípios energéticos; 2 - Princípios minerais; 3 - Princípios vitamínicos. F - Alterações clínicas. G - Provas laboratoriais. H - Sugestões. IV - Inquérito da Cantina: 1 - Condições prévias; 2 - Alimentos consumidos; 3 - Valor alimentar das rações da cantina; 4 - Correcções trazidas às alimentação familiar; considerações clínicas sobre os indivíduos que aí tomam refeições e sua comparação com os restantes membros da família.- V - Considerações Finais.
Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de Campos. Teve uma carreira médica multifacetada, marcada pela investigação pioneira em nutrição, pela alta administração da saúde pública e pela gestão de crises institucionais durante o Estado Novo e a transição para a democracia. Após terminar o curso de Medicina (1942), dedicou-se ao estudo das condições de vida e carências da população portuguesa. Autor de um estudo pioneiro sobre a nutrição dos operários da Fábrica de Louça de Sacavém, ligando a alimentação à saúde laboral - o Inquérito Alimentar entre os Operários da Fábrica de Louça de Sacavém (1949). Replicou esta metodologia científica no levantamento de hábitos alimentares em famílias do Minho e Ribatejo (1950) e em cantinas escolares (1957). Num dos períodos de maior tensão entre a classe médica e o regime, assumiu um papel puramente administrativo e de alta complexidade. Foi o médico designado pelo Ministério da Saúde, ao abrigo do Decreto-Lei 447/72, para tutelar a Ordem dos Médicos num momento de boicote dos clínicos e perseguição política aos contestatários por parte da PIDE/DGS. O cargo cessou com a Revolução de 25 de Abril de 1974. No pós-25 de Abril, integrou os quadros de reestruturação do sistema de saúde nacional. Presidiu à Comissão Instaladora e exerceu o cargo de Diretor-Geral do Serviço de Luta Antituberculosa (SLAT). Ascendeu a Inspector Superior da Direcção-Geral da Saúde. Ao cessar funções em Novembro de 1984 recebeu um louvor do Ministro da Saúde pelo seu zelo e dedicação ao serviço público. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
85€



























