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23 agosto, 2026

CAMPOS, Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de -
INQUÉRITO ALIMENTAR ENTRE OS OPERÁRIOS DA FÁBRICA DE LOUÇA DE SACAVÉM.
Trabalho efectuado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge. Lisboa, [s.n. - Papelaria e Tipografia Leixões, de Fonseca & C.ª - Matosinhos], 1949 [Imp. 1950]. In-4.º (24,5x19 cm) de 62, [2] p. ; [5] f. ; [VII] Quadros ; [III] Gráficos ; [III] Tabelas ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro, o primeiro do género realizado entre nós, versa sobre a qualidade da alimentação do operariado num complexo fabril. Para o efeito, foi escolhida a Fábrica de Loiça de Sacavém, icónica unidade industrial que laborou entre 1850 e 1994. Após o 25 de Abril de 1974 a empresa entrou numa espiral de degradação, com inúmeros problemas laborais e financeiros, que culminaria com o brutal assassinato do administrador - Diamantino Pereira - em Dezembro de 1982 - pelas Forças Populares 25 de Abril.
Relatório ilustrado com gráficos, quadros e tabelas estatísticas, no texto e em separado, sendo alguns em folhas desdobráveis.
"Temos a honra de entregar a V. Ex.ª o primeiro inquérito alimentar realizado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge.
O inquérito fez-se entre a população operária da fábrica de Sacavém, conforme propuzemos e foi aprovado por Sua Excelência o Subsecretário de Estado da Assistência Social.
A escolha de uma fábrica, nos subúrbios de Lisboa, oferecia a vantagem de manter em contacto permanente o pessoal e o Serviço, de modo a remover as dificuldades que sempre surgem em trabalhos desta espécie.
Assim foi possível treinar o pessoal, o que facilitará bastante a sua tarefa, nos inquéritos futuros."
(Excerto de I - Relatório - Inquérito)
"O nosso inquérito não visou a vida económica do operário nem os problemas que lhe andam adstritos.
Apesar disso, averiguou-se haver operários que têm de percorrer grandes distâncias para chegar à fábrica. Este esforço custa muitas calorias, que fazem falta ao trabalho e quiçá à nutrição de cada um dos indivíduos.
As habitações, embora em terra de algum importância, como Sacavém, na vizinhança de Lisboa, não têm água encanada nem rede de esgotos. Mas foram encontradas limpas, como é próprio das mulheres portuguesas."
(Excerto de I - Relatório - Nota complementar)
Índice:
I - Relatório. II - Preâmbulo. III - Inquérito Alimentar: A - Famílias seleccionadas. B - Condições de vida das famílias. C - Tabelas de composições de alimentos. D - Alimentos consumidos. E - Valor alimentar as rações: 1 - Princípios energéticos; 2 - Princípios minerais; 3 - Princípios vitamínicos. F - Alterações clínicas. G - Provas laboratoriais. H - Sugestões. IV - Inquérito da Cantina: 1 - Condições prévias; 2 - Alimentos consumidos; 3 - Valor alimentar das rações da cantina; 4 - Correcções trazidas às alimentação familiar; considerações clínicas sobre os indivíduos que aí tomam refeições e sua comparação com os restantes membros da família.- V - Considerações Finais.
Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de Campos. Teve uma carreira médica multifacetada, marcada pela investigação pioneira em nutrição, pela alta administração da saúde pública e pela gestão de crises institucionais durante o Estado Novo e a transição para a democracia. Após terminar o curso de Medicina (1942), dedicou-se ao estudo das condições de vida e carências da população portuguesa. Autor de um estudo pioneiro sobre a nutrição dos operários da Fábrica de Louça de Sacavém, ligando a alimentação à saúde laboral - o Inquérito Alimentar entre os Operários da Fábrica de Louça de Sacavém (1949). Replicou esta metodologia científica no levantamento de hábitos alimentares em famílias do Minho e Ribatejo (1950) e em cantinas escolares (1957). Num dos períodos de maior tensão entre a classe médica e o regime, assumiu um papel puramente administrativo e de alta complexidade. Foi o médico designado pelo Ministério da Saúde, ao abrigo do Decreto-Lei 447/72, para tutelar a Ordem dos Médicos num momento de boicote dos clínicos e perseguição política aos contestatários por parte da PIDE/DGS. O cargo cessou com a Revolução de 25 de Abril de 1974. No pós-25 de Abril, integrou os quadros de reestruturação do sistema de saúde nacional. Presidiu à Comissão Instaladora e exerceu o cargo de Diretor-Geral do Serviço de Luta Antituberculosa (SLAT). Ascendeu a Inspector Superior da Direcção-Geral da Saúde. Ao cessar funções em Novembro de 1984 recebeu um louvor do Ministro da Saúde pelo seu zelo e dedicação ao serviço público. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
85€

27 julho, 2026

CABRAL, Fred. A. de Vasconcellos Pereira -
VESTIGIOS GLACIARIOS NA SERRA DA ESTRELLA.
Rochas striadas, penedos erraticos, morenas. Por... Engenheiro adjuncto da Secção geologica. Lisboa, Imprensa Nacional, 1884. In-8.º (23x13 cm) de 26 p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante estudo geológico, pioneiro, dedicado à Serra da Estrela.
Trabalho invulgar e muito interessante, com interesse histórico e bibliográfico. Trata-se do "Extracto da  Revista de Obras Publicas e Minas n.ºs 177 e 178, de setembro e outubro de 1884".
"A circumstancia de estarmos encarregados pelo digno chefe da secção de trabalhos geologicos, o sr. Nery Delgado, do estudo dos terrenos quaternarios do paiz, determinou a excursão, que em agosto de 1883 fizemos á Serra da Estrella, para verificar, se aquella montanha tinha estado glaciada n'uma epocha geologica a que já uma vez tivemos de chamar plio-pleistocenica, por querer d'este modo abranger o periodo pliocenico, e o que se lhe seguiu.
Já em 1879 tinhamos sido levados a concluir, que as nossas montanhas mais elevadas deviam ter estado no periodo pleistocenico cobertas de neves perennes, que tivessem dado origem a gelos fluentes... [...]
Tendo, porém, esta serra, attrahido muito a attenção, e tendo sido bastante visitada por nacionaes e estrangeiros, sobretudo n'estes ultimos tempos, não sabemos, que até ao dia em que a ella subimos, e alli observámos os factos, de que vamos dar breve noticia, pessoa alguma tenha feito referencia a vestigios glaciarios ali encontrados. Assim, era ardente o nosso desejo de a percorrer tambem, porque, a pezar de tudo, era firme a nossa convicção, de que ali deviam existir ainda pelo menos algumas provas do trabalho de gelos fluentes; e a verificação d'este facto, alem de não a dispensar a sciencia, era de grande alcance para a explicação da origem, até agora obscura, de muitos dos depositos superficiaes conhecidos no paiz.
Para procurar estas provas, e colher exemplares, que pozessem fóra de toda a duvida a antiga glaciação da serra, a ella subimos, pois, no dia 15 de agosto, com a intenção de por lá permanecer alguns dias.
O nosso intento era visitar primeiro as origens de alguns dos valles, em que correm as ribeiras affluentes do Alba; valles, que começam a definir-se nos planaltos mais elevados da serra, e seguem direcções entre as de noroeste a sudoeste, cortando profundamente as encostas, por vezes alcantiladas da montanha, e separando assim os diversos contrafortes, que com maiores altitudes se prolongam para aquelle quadrante.
Fomos pois acampar n'um estreito valle, chamado Covão Grande da Lagoa Comprida, por n'ella haver uma pequena lagoa perenne, que comtudo é a maior da serra, e cujas aguas vão engrossar a Ribeira da Caniça, affluente do Alba; e démos-lhe a preferencia, não só por ella offerecer melhores condições para acampar, como pela sua proximidade do grupo de lagoas da encosta noroeste da serra, perto das quaes esperavamos encontrar com mais facilidade alguns dos vestigios que buscavamos."
(Excerto do Estudo)
Frederico Augusto de Vasconcelos Pereira Cabral (1820-1886). "Pioneiro na investigação da Geologia do Quaternário e da Pré-História em Portugal. Engenheiro de Minas ligado ao Ministério das Obras Públicas, esteve ao serviço da Comissão dos Trabalhos Geológicos de Portugal e procedeu a observações nos depósitos quaternários da Foz do Douro com interesse arqueológico, as quais se destacam pelo rigor da descrição e interpretação. Desenvolveu uma aproximação metodológica e conceptual inovadora para a época, relacionando conhecimentos de origem e índole muito diversas: geomorfológicos, geológicos e arqueológicos."
(Fonte: https://www.researchgate.net/publication/375759624_Frederico_de_Vasconcelos_Cabral_pioneiro_da_Geologia_do_Quaternario_e_da_Pre-Historia_portuguesas)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Alvo de restauro nas capas e no interior, visando suster a humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

24 julho, 2026

CASTEL-BRANCO, José Emilio de Sant'Anna da Cunha -
RELATORIO ÁCERCA DOS SYSTEMAS MODERNOS DE CANALISAÇÃO EMPREGADOS NA EUROPA PARA ESGOTO DAS CIDADES APRESENTADO AO MINISTERIO DAS OBRAS PUBLICAS, COMMERCIO E INUDSTRIA EM 29 DE JANEIRO DE 1879.
Por... Capitão de engenheria ao serviço do mesmo ministerio. Publicação Officil. Texto. Lisboa, Imprensa Nacional, 1880. In-fólio (30x21,5 cm) de 397, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho acerca dos diversos sistemas de esgotos existentes nas principais cidades europeias, e outras, resultado do périplo de estudo empreendido pela autor, numa época em que as autoridades de Lisboa procuravam uma solução satisfatória para a cidade.
"O escoamento dos resíduos industriais foi frequentemente articulado com a implantação do sistema de esgotos. Grande parte das propostas de criação de redes urbanas de esgotos que surgiram na segunda metade do século XIX, previam que os resíduos líquidos dos estabelecimentos fabris fossem escoados por estas redes, que em muitos casos desembocavam nos rios. Em 1874 as propostas apresentadas para Lisboa pelos engenheiros João Fagundo da Silva, João Evangelista de Abreu e José Emílio de Santana da Cunha Castel Branco defendiam que os esgotos da cidade desembocassem no rio Tejo. O engenheiro Castel-Branco tinha inclusive realizado uma viagem de estudo ao estrangeiro que lhe tinha permitido estudar o sistema de esgotos de várias cidades."
(Matos, Ana Cardoso de - A Utopia do Conhecimento Químico e da Engenharia Urbana para a solução dos problemas das Cidades do século XIX: o caso de Lisboa, Universidade de Évora - Cidehus, 2016)
Obra ilustrada com quadros e tabelas, sendo um deles desdobrável de grandes dimensões (30x65 cm): "Cidades que praticam a irrigação com as aguas de esgoto".
"O presente trabalho foi elaborado para satisfazer á portaria de 16 de junho de 1877, que me incumbiu de visitar e estudas as canalisações nas principaes cidades da Europa onde modernamente se têem estabelecido para esgoto e saneamento das mesmas cidades, fazendo relatorio detalhado sobre o modo por que funccionam.
Para dar cumprimento a estas ordens saí de Lisboa no dia 10 de setembro de 1877, regressando em 20 de junho seguinte, depois de ter visitado, por conselho das pessoas competentes no assumpto, as cidades a que se refere este relatorio, entre as quaes figuram, julgo, as mais importantes que na Europa, nos ultimos tempos, têem realisado desenvolvidamente trabalhos de canalisação de esgoto.
Tambem n'este trabalho se trata de obras feitas em algumas cidades que não têem direito a serem classificadas entre as principaes da Europa, por acontecer actualmente que nem sempre os mais interessantes, completos ou cvaracteristicos trabalhos de esgoto se encontram exemplificados nas cidades mais populosas ou importantes; e tambem porque, tendo sido a questão do saneamento de Lisboa a causa da portaria ha pouco mencionada, julguei da maxima conveniencia obeter o conhecimento e fazer o estudo das obras de canalisação de algumas cidades que apresentam condições de situação, orographicas ou outras, comparaveis á da nossa capital. [...]
Consta o relatorio da serie de monographias dos differentes trabalhos de esgoto por mim estudados, monographias mais ou menos desenvolvidas segundo a importancia, o caracter d'essas obtrs e a somma das informações obtidas. Quasi sempre ao systema de esgoto empregado em cada cidade é reservado um capitulo especial, que se subdivide em secções, em cada uma das quaes se analysa algum orgão, ou grupo de orgãos importante do systema, ou se considera este ultimo sob um determinado ponto de vista."
(Excerto de Observações preliminares)
José Emílio de Santana da Cunha Castelo Branco (1849-1920). "Estudou na Escola do Exército em Lisboa. Em 1875, trabalhou para o Ministério das Obras Públicas nos estudos do Caminho-de-Ferro da Beira Alta. Depois de uma missão pelo estrangeiro foi encarregue de estudar o problema do saneamento e limpeza da cidade de Lisboa. Foi também docente da Escola do Exército. Trabalhou em Angola na Missão chefiada por Rafael Gorjão. Foi enviado para a Índia por ser especialista em Hidráulica Agrícola, chegou a Goa em Janeiro de 1904. Em 1905, fez uma viagem de inspecção ás Obras Públicas e Militares de Macau, onde trabalhou nos projectos do Porto de Macau; saiu da Índia a 31 de Março de 1906, rumo à Birmânia, e em Outubro de 1906 foi oficialmente transferido para Timor. Foi Governador Interino de Macau. Termina as suas comissões nas colónias em 1908."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, com falha de papel relevante na capa anterior. Interior correcto.
Raro.
25€

06 junho, 2026

GERMANO, Maria Adelaide -
REGIME FLORESTAL : Um Século de Existência.
Estudos e Informação n.º 319. Lisboa, Direcção-Geral das Florestas, 2000. In-fólio (29,5x21 cm) de 159, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
"Regime Florestal: Um Século de Existência é uma obra de referência que documenta os 100 anos da história, evolução e impacto da legislação florestal em Portugal. Publicado originalmente pela Direcção-Geral das Florestas, o livro analisa o corpo legislativo responsável pela proteção ambiental e gestão silvícola." (IA)
Ilustrado com quadros no texto, e um mapa em página inteira: Matas Nacionais e Perímetros Florestais.
Tiragem: 500 exemplares.
"Por Regime Florestal entende-se, segundo o decreto que em 1901 o instituiu, “o conjunto de disposições destinadas não só à criação, exploração e conservação da riqueza silvícola, sob o ponto de vista da economia nacional, mas também o revestimento florestal dos terrenos cuja arborização seja de utilidade pública, e conveniente ou necessária para o bom regime das águas e defesa das várzeas, para a valorização das planícies áridas e benefício do clima, ou para a fixação e conservação do solo, nas montanhas, e das areias no litoral marítimo”.
O Regime Florestal constituiu assim um importante instrumento jurídico que permitiu a intervenção do Estado, em larga escala e à luz do interesse público, no fomento florestal do País e na gestão florestal de áreas do próprio Estado, em baldios e terrenos particulares encravados e ainda em terrenos particulares cujos proprietários solicitassem expressamente a submissão dos mesmos. [...]
Durante muitos séculos as matas geridas pela administração pública e únicas submetidas a intervenção técnica florestal, situavam-se no litoral e estavam ligadas às necessidades de abastecimento em madeiras da construção civil e naval, fortemente concentradas nessa faixa. Com a criação dos Serviços Florestais em 1886, o início dos trabalhos de arborização nas serras do Gerês e da Estrela e a instituição do Regime Florestal deu-se uma viragem estratégica da administração florestal para o interior serrano do País."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio | Apresentação | Capítulo I. Enquadramento Legislativo - Apontamentos dos Normativos mais Relevantes. Capítulo II. A Submissão ao Regime Florestal: 1 - Unidades Florestais em Portugal Continental; 2 - Unidades Florestais na Região Autónoma da Madeira; 3 - Unidades Florestais na Região Autónoma dos Açores. | Referências: Bibliografia; Outras referências.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

29 maio, 2026

ALVES, A. A. Monteiro -
CURSO DE RECICLAGEM SOBRE PLANEAMENTO DA ARBORIZAÇÃO.
Textos-sumário das lições proferidas no Instituto Politécnico de Vila Real de 20 a 24 de Fevereiro de 1978. [S.l.], [s.n.], [1978]. In-fólio (29x21 cm) de [52] f. ; il. ; B.
1.ª edição.
"O Curso de Reciclagem sobre Planeamento da Arborização, da autoria do Professor e Engenheiro Silvicultor António Monteiro Alves, é um documento de suporte pedagógico e técnico de referência fundamental no sector florestal e de arborização em Portugal." (IA)
Obra batida à máquina, policopiada, folhas impressas na frente, ilustrada em página inteira com tabelas, quadros, diagramas e mapas.
"Não se pode dizer que seja nova a questão da utilização racional do espaço, na qual se inscreve o tema do planeamento da arborização, nem sequer que sejam novos os alertas sobre os riscos de sobrevivência humana na terra, perante a degradação dos equilíbrios naturais. Os "ecologistas" que, na actualidade, se multiplicam a todos os níveis, dos profissionais aos jornalísticos, a-pesar dos extremos e de exageros com que por vezes se debruçam sobre estes problemas, não são mais que sintomas do progresso da "consciência social" daquilo que o conhecimento científico, acumulado através dos tempos, permitiu ir demonstrando."
(Excerto de 1. Ordenamento do espaço e arborização)
António Alberto Monteiro Alves (1931-2015). "O Professor emérito António Monteiro Alves foi sócio fundador e o primeiro Presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais. Para além de um florestal de excelência, era um artista, que apesar de preferir a escrita à palavra, na sua faceta de comunicador colaborou com Sousa Veloso na fase inicial do programa da RTP “Vida Rural”. Conhecia a realidade florestal que transmitia aos alunos, em visitas de estudo inesquecíveis, e sensibilizava-os para as 
questões sociais e ambientais. Foi um silvicultor que participou ativamente na Ordem dos Engenheiros, 
membro Conselheiro e Presidente do colégio Silvícola, foi também membro fundador da Academia de Engenharia."
(Fonte: Floresta para Todos, Newsletter - Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais, Edição 13, Março 2019)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior esquerdo.
Muito invulgar.
Indisponível

19 maio, 2026

AGUIAR, Joaquim Duarte de Souza e -
ROTEIRO DA COSTA NORTE DO BRASIL,
Desde o Cabo de S. Agostinho até a Cidade de Pará indicando a maneira de fundiar no abrigo que offerece a Costa; e bem assim as marcas de navegar por dentro do Canal de S. Roque, a derrota que se deve seguir por fora dos baixos e finalmente as marcas e maneira de entrar em todas as barras e bahias da referida Costa. Pelo... Piloto, ptratico da costa e do numero da Barra do Maranhão. S. Luiz, Typ. Maranhense - Imp. por J. A. Pires, 1857. In-8.º (20x14 cm) de [6], 70, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio oitocentista para a navegação costeira brasileira. Trabalho pioneiro. Trata-se da rara edição original desta obra, não mencionada pela BNP, Lisboa, nem tão pouco pela Biblioteca Nacional do Brasil (FBN), Rio de Janeiro. A segunda edição - de 1880 - está classificada como "Obra Rara" na FBN, IGBE, etc.
Obra com interesse histórico e científico, tem impressa dedicatória do autor "A S. M. I.  o Senhor Dom Pedro II. Augusto protector da navegação".
"Bem sabe o vosso subdito que a offerta é inferior aos Augustos Merecimentos de V. M. Imperial: mas porque o occeano tem tributarios caudalosos, não poderá o mesquinho regato levar-lhe tambem as suas escassas aguas? [...]
He mesquinha a offerta, não pelo seu objecto, e importancia, mas pelo individuo que confeccionou o trabalho, e pela falta de habilitações scientificas do seu autor.
Bem necessitava porem o Paiz de um roteiro sobre as suas costas maritimas do cabo de Santo Agostinho até a cidade do Pará: e é o que fez o Vosso subdito, Senhor."
(Excerto da Dedicatória)
"Este cabo está na Lat. Sul 8. 20 41 e longitude ao oeste do meridiano de Greenwich 34º 56' 42".
É uma ponta de terra saliente, de moderada altura, com algum mato por cima e adelgaçando para a ponta; sôbre a dita ponta está edificada uma igreja de carmelitas descalços que a torna muito notavel, e acaba em barreiras vermelhas junto á praia.
Abaixo da igreja, na continuação da terra, ha uma bateria com o nome de Forte de Nazareth que parece destinada a defender uma das entradas que o recife offerece neste lugar, onde só podem entrar pequenas embarcações.
Apparece por terra dentro uma serra que é vista por quem vem do mar em fóra primeiro do que o cabo, á qual chamão Serra Sellada."
(Excerto de Cabo de Sancto Agostinho)
Índice:
Cabo de Sancto Agostinho | Derrota que se deve seguir saindo do Rio Grande do Norte, para passar por fora dos baixos e canal de S. Roque | Descripção da costa do Ceará até o Maranhão | Derrota por dentro do canal vindo para o este | Derrota que deve seguir quem vai do Ceará para o Maranhão | Derrota que se deve seguir para a sahida do Maranhão | Descripção da Costa de Itacoromy até o Pará | Signaes de noite | Derrota que devem seguir os navios que vão do Maranhão para o Pará | Derrota que se deve fazer das Salinas para o Pará | Derrota que se deve fazer sahindo a Cidade do Pará | Errata | Lista dos Srs. Assignantes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas; apenas uma capilha frontal, simples, de protecção (cansada). Cadernos toscamente aparados no pé. Deve ser aparado e encadernado.
Muito raro.
Peça de colecção.
85€

28 março, 2026

MONTEIRO, José - O CAVALO LUSITANO : contributo para o seu estudo. 
[Por]... Médico-veterinário, ex-chefe dos Serviços Coudélicos, sócio honorário e consultor da Associação Portuguesa de Raças Selectas, etc. [Lisboa], [Ministério da Agricultura e Pescas], 1983. In-4.º (25x19 cm) de 205, [3] p. ; [20] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Cavalo Lusitano, o mais antigo cavalo de sela do mundo, animal nobre, generoso e ardente, mas sempre dócil e sofredor, sendo que, "neste momento, a competição, o toureio, a arte equestre utilizam cada vez mais cavalos Lusitanos em todo o Mundo".
Obra de referência sobre o tema, publicada no Boletim Pecuário do MAP, ilustrada com 30 desenhos e fotogravuras, a p.b. e a cores de representantes da raça, distribuídos por 20 folhas extra-texto impressas sobre papel couché.
"A designação de lusitano atribuída ao cavalo que de há longos séculos se cria em Portugal, deriva do nome do primeiro povo histórico - os lusitanos - que habitou grande parte do actual território nacional e parte do território que é hoje Espanha."
(Excerto de O cavalo da Lusitânia)
"O cavalo de Portugal conhecido por lusitano é o protótipo do cavalo de sela, isto é, um cavalo que alia à beleza e harmonia do modelo um temperamento dócil e generoso e uns andamentos fáceis e cómodos e brilhantes.
A sua rusticidade, o seu equilíbrio natural e a sua versatilidade, permitem-lhe uma perfeita adaptação a todos os climas, a todos os terrenos e a várias modalidades hípicas."
(Excerto de Características Morfo-funcionais do Cavalo Lusitano)
Índice: Agradecimentos. | Prefácio. | Origem e evolução do Cavalo. | Origem e evolução do Cavalo na Península Ibérica. | O cavalo da Lusitânia. | Características Morfo-funcionais do Cavalo Lusitano: Padrão da Raça. Alguns dados biométricos. Pelagem. Aptidão funcional. Provas Morfo-funcionais. | Áreas de expansão do Cavalo Ibérico. Raças Derivadas. | Métodos de Exploração. | Fins da Exploração: Cavalos de sela e cavalos de desporto. Forças Armadas. Cavalos de Serviço. Criação Mulateira. Cavalos para abate. | Efectivo cavalar actual no continente. | Exterior do Cavalo Lusitano: Cabeça e Pescoço. Balanceiro Cervical. Garrote. Dorso e Rim. Garupa. Peitoral. Ventre. Costado. Flanco. Anus e Perineo. Orgãos genitais masculinos. Testículos e Bolsas. Pénis e Forro. Orgãos genitais femininos. | Membros e seu Funcionamento. | Aprumos do Cavalo Lusitano. | Regiões dos Membros. | Membro Torácico: Espádua. Braço. Antebraço. Codilho. Joelho. | Membro Pélvico: Nádega. Soldra. Perna. Curvilhão. | Regiões comuns ao Membro Torácioco e ao Membro Pélvico: Canela e Tendão. Boleto. Quartela. Coroa. Casco ou Pé. | O Cavalo Lusitano e os Concursos de Modelo e Andamentos. | Perspectivas da Criação Cavalar Nacional. | Principal bibliografia consultada.
Belíssima encadernação meia de pele com cantos, recente; lombada decorada com nervuras, título e autor a ouro em 'casas fechadas'. Tintado à cabeça. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
120€

08 fevereiro, 2026

VASCONCELLOS, João de Carvalho e -
DE SAPAL A ARROZAL. (Estudo da vegetação na zona do Sado).
Por... Engenheiro-Agrónomo, Professor do Instituto Superior de Agronomia. Lisboa, Ministério da Economia : Secretaria de Estado do Comércio : Comissão Reguladora do Comércio de Arroz, 1960. In-4.º (24x16 cm) de 30, [6] p. ; [2] quadros desd. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre a transformação de sapais na região de Setúbal em áreas de cultivo de arroz. Trabalho com interesse para a história da cultura do cereal nesta zona do país conhecida precisamente por acolher esse tipo de prática agrícola.
Inclui dois quadros estatísticos desdobráveis (Quadros de presença) em folhas separadas do texto.
"Os terrenos de sapal são geralmente terrenos de aluvião, em muitos casos alagados, constituídos por materiais os mais diversos, como lodos, nateiros, areias e detritos de toda a ordem, que as águas foram carreando até aos troços inferiores dos rios e ribeiras e que são ou foram atingidos pelas marés. [...]
Em Portugal ainda não se efectuou uma avaliação precisa da superfície total dos sapais existentes. [...]
São sobretudo importantes os sapais no vale do Sado e no Algarve.
Só no Algarve, segundo Rodolfo (1953), a sua área total aproximada anda por 10 000 hectares.
A área de sapais no vale do Sado perece ser um pouco inferior.
Veloso (1954) calcula em 5 8000 hectares a área de sapais ainda não aproveitada no concelho de Setúbal e na zona dominada pelas Obras de Hidráulica Agrícola."
(Excerto de Sapais)
Índice:
Palavras prévias | Sapais | Método de trabalho | Quadros de presença | Comparação dos resultados | Relação das plantas citadas no presente estudo | Bibliografia | Agradecimentos | Summary.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

27 novembro, 2025

MACHADO, Virgilio -
A ELECTRICIDADE : Estudo de algumas das suas principaes applicações.
Por... Socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, etc. Illustrada com 61 gravuras em cobre (Reproduções galvanoplasticas). Lisboa, Por ordem e na Typographia da Academia Real das Sciencias, 1887. 
In-4.º (23x17 cm) de XXXV, [1], 376, [1] p. : il. ; E.
1.ª edição.
Obra histórica e importante. Trata-se de um trabalho pioneiro na área da electricidade e suas aplicações, a primeira do género publicada entre nós, quando esta ciência dava os primeiros passos.
Rara e muito interessante.
Ilustrada com inúmeras gravuras no texto ao longo do livro.
"A electricidade tem sido n'estes ultimos annos objecto de tão extensos estudos e desenvolvidas applicações, que a sua descripção minuciosa se tornou irrealisavel nos tratados geraes de physica occupados com variados e multiplos assumptos sobre os outros importantes ramos d'esta sciencia.
Esta razão nos levou a reunir em volume especial a descripção de algumas das principaes applicações da electricidade, que tivemos occasião de estudar por observação directa na exposição de electricidade em Paris no anno de 1881, acompanhando o nosso benevolo amigo, o sabio professor da Universidade de Coimbra dr. Santos Viegas e que completámos com o exame das subsequentes descobertas e invenções, que todos os dias se tem succedido com oasmosa rapidez. [...]
Este singello trabalho remedeia, se bem que muito imperfeitamente, a falta de um livro nacional sobre as applicações de uma sciencia em que temos no paiz cultores distinctos, que tem revellado a sua aptidão n'este ramo da physica por interessantes invenções apreciadas entre nós e no estrangeiro."
(Excerto do Preâmbulo)
"O estudo da electricidade offerece, como nenhum outro, á reflexão contemplativa do homem de sciencia um campo vastissimo de notaveis e inesperadas descobertas, de phenomenos curiosos e de leis interessantissimas, de applicações grandiosas e extraordinarias, que teem feito uma revolução completa na sciencia, nas artes e nas industrias, emfim no bem geral dos modernos povos civilisados, glorificando o seculo XIX, já de si glorioso pelas applicações verdadeiramente maravilhosas da força expansiva do vapor d'agua aos meios de locomoção terrestre e maritima, a diversis engenhos em centenares de fabricas e officinas."
(Excerto da Introducção)
Virgílio César da Silveira Machado (1859-1927). "Médico, investigador, pedagogo. Nasceu no dia 1 de Março de 1859, no Palácio de Queluz, filho de José Cipriano da Silveira Machado, que aí desempenhava funções de almoxarife e de Sebastiana Elisa da Silveira Machado. Faleceu na sua residência da Avenida da Liberdade, nº 232, em Lisboa, no dia 16 de Junho de 1927.
Frequentou a Escola Politécnica e desde logo manifestou uma paixão para os estudos de física experimental e prática, vindo a apresentar à Academia Real das Ciências, por intermédio do prof. Pina Vidal, algumas memórias publicadas no jornal da Academia, “Jornal de Sciencias mathematicas, Physicas e Naturaes”.
Especializou-se em electricidade médica e efectuou incursões nas mais relevantes Escolas e Universidades europeias, nomeadamente França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha e Espanha.
Em 1878 ingressou na Escola Médico-Cirúrgica, vindo a concluir o curso com distinção em 1883, com a tese “Paralisia infantil”. No mesmo ano, publicou ainda “Mielite crónica, difusa, Coreia de Sydenham, Paralisia de Bell e Paralisia múltipla de origem sifilítica”.
Nomeado pelo Governo em 1881, secretário do comissário especial de Portugal na I Exposição Internacional de Electricidade, realizada em Paris, na sequência da qual, de regresso à capital, proferiu seis conferências na Sociedade de Ciências Médicas, nas quais procedeu á divulgação do que observou em termos de conhecimentos técnicos e práticos, bem como sobre a existência de novos aparelhos. A viagem veio a ser profícua também pelo contacto que estabeleceu com alguns dos relevantes físicos de então, nomeadamente W. Thomson, Du Bois, W. Siemens, entre outros, apesar de Virgílio Machado ainda não ter concluído o curso.
Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e sócio titular da Sociedade das Ciências Médicas, ingressou em 1885, por concurso, para o corpo de médicos do Hospital de S. José. Dois anos depois, iniciou-se como lente de Química Geral e Análise Química no Instituto Industrial, funções que desempenhou até 1911 ao entrar para o Instituto Superior Técnico leccionando a mesma cátedra, até à reforma. O ensino era para si algo de prodigioso, a realização de uma epifania, quase algo de sagrado … Augusto da Silva Carvalho (APUD J. Andresen Leitão) refere: “Começava por ser rigoroso consigo mesmo, porque tinha como dogma que era criminoso e indigno o professor que roubava os seus discípulos na quantidade e qualidade do trabalho que lhes dedicava, ao mesmo tempo que traía o país que lhe confiava aquela santa missão.” Conjugava a teoria e a realização de trabalhos práticos, e, estimulando nos alunos à crítica científica.
Em 1892 publicou “Tratado de Química Geral e Análise Química”, em colaboração com o seu irmão Achiles, Professor de Química da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Foi pioneiro ao fazer passar uma corrente eléctrica, por meio de agulhas espetadas num aneurisma da aorta o que foi considerado uma epopeia científica. Percorreu escolas de renome e centros hospitalares da Europa a fim de explanar o seu saber.
Virgílio Machado referiu: “As afecções nervosas são aquelas em que mais larga aplicação tem a electricidade desde longa data. Indispensável é porém para quem deseje utilizar na clínica os numerosos e variados modos de tratamento eléctrico não só reconhecer a rigorosa técnica indispensável ao seu êxito mas saber estabelecer com a possível segurança um diagnostico nosográfico, topográfico, anátomo-patológico de qualquer afecção nervosa de modo a poder conjecturar-se se, no tratamento deste ou daquele caso, convirá ou não a terapêutica eléctrica, qual devendo ser a modalidade e a técnica a adoptar”. Sobre esta temática, tornou-se conhecido no estrangeiro.
No seu consultório (com instalações anteriores na Rua das Pretas, n.º 33 e Rua dos Fanqueiros, nº 150) situado na Rua de Santa Justa, nº 22, instalou em 1896, os seus “Raios Roentgen” poucos meses depois das primeiras ampolas de raios Roentgen terem sidos fabricadas na Alemanha. Rapidamente o espaço veio a tornar-se exíguo mas conhecido, através do incremento de novos aparelhos eléctricos e do subsequente numero de doentes, vindo, inclusive, a receber a visita do rei D. Carlos, afinal, foi nessa temática que Virgílio Machado se tornou uma figura conceituada no país e no estrangeiro. Por intermédio do Rei, veio a inaugurar, a 23.03.1903 na Rua da Alfândega, o instituto Médico, que posteriormente veio receber o seu nome."
(Fonte: https://livrariarodriguessite.wordpress.com/2018/03/01/virgilio-machado/)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

07 agosto, 2025

MORAIS, António Canavarro de -
VISEU E O SEU PROGRAMA DE URBANIZAÇÃO
. Pôrto, Composto e Impresso na Tip. e Enc. Alberto de Oliveira, Limitada, 1937. In-4.º (24,5x16 cm) de 51, [1] p. ; [2] f. il. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do desenvolvimento da cidade de Viseu, arte dos esforços envidados a partir de meados do século XX, elaborado e publicado em pleno regime do Estado Novo.
Ilustrado extra-texto com duas bonitas estampas, e no final, com um mapa de generosas dimensões (38x28 cm): "Plano de Urbanização da Cidade de Vizeu".
Estudo raro e precioso. Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor datada de 15-11-37 a um seu amigo e condiscípulo.
"O fenómeno do urbanismo, que se vem acentuando entre nós há um ou dois decénios nos grandes aglomerados, não deixou de ter as suas repercussões na zona beirã, onde a velha cidade de Viseu representa o centro da sua vida política, social, económica e comercial. [...]
Êste trabalho ligeiro pretende ser apenas uma contribuïção modesta para o estudo do programa de urbanização da cidade e que há mais tempo deveria ter sido considerado."
(Excerto de Palavras prévias)
"Não é fácil de uma assentada preparar um programa de urbanização dentro dos recursos bem limitados de que dispõem, em geral, os organismos camarários. No caso que nos interessa, o programa tem uma certa magnitude em face dos dispositivos do núcleo principal e dos núcleos secundários que o rodeiam, e que são constituídos pela série de pequenas povoações dispostas a reduzidas distâncias da cidade, e envolvendo-a."
(Excerto de Necessidade de um plano de urbanização)
"Para definir as características em que se deveria orientar o estudo em questão, parece-nos conveniente resumir, em breves palavras, a fisionomia citadina e os motivos fundamentais que nela imperaram. Duas razões devem tomar-se em conta:
Uma proveniente das possibilidades agrícolas da região ao longo do Rio Pavia, e a outra resultante da sua posição geográfica no centro de uma extensa zona, onde teriam de cruzar-se as vias de acesso ao interior e de comunicação com o litoral."
(Excerto de Aspectos do programa de urbanização)
Índice:
Palavras prévias | I - Razões, descrição e análise do programa de urbanização: - Necessidade de um plano de urbanização; - Aspectos do programa de urbanização; - O bairro de Marzovelos; - Linhas de circunvalação; - A parte antiga da cidade e o seu arranjo; - Seqüência do programa de urbanização. II - Notas complementares sôbre alguns aspectos do problema de urbanização: - Abastecimento de águas; - Serviços de esgotos; - Instalações sanitárias; - Serviços de Limpeza; - A Edificação; - Edifícios Públicos; - Mercados; - Matadouro Municipal; - Cemitérios; - Bairros económicos; - Aquartelamentos militares; - Campo de jogos; - Largos, Praças, Jardins, e Parques; - Pavimentos e passeios; - O Problema da iluminação;- Aspecto Turístico; - Possibilidades dum programa de urbanização.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Chancela de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
35€
 

31 julho, 2025

CID, A. Salter - PLANTAS AROMATICAS E PERFUMES. Agricultura Colonial. Lisboa, Typographia da Livraria Ferin, 1906. In-8.º (21 cm) de 46, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual de fabrico de perfumes elaborado a partir da identificação e transformação de plantas aromáticas produzidas nas colónias portuguesas.
O autor justifica o cultivo destas plantas em solo ultramarino com o crescente interesse dos mercados internacionais nestes produtos, dando como exemplo a França - um dos potentados da indústria perfumeira -, a Alemanha e a Inglaterra, ilustrando o apontamento com alguns dados estatísticos sobre a importação de matérias primas similares realizadas por estes países.
"Pensamos que teria alguma cousa de util e opportuno chamar a attenção dos colonos portuguezes para a exploração de algumas plantas uteis e de bastante importancia commercial, por isso nos resolvemos a confeccionar este modesto trabalho em que trataremos de um dos muitos gruppos d'essas plantas uteis que conviria explorar, - as plantas aromaticas. [...]
Ao grande valor venal dos productos da industria de perfumaria accresce a enorme vantagem, sobretudo para as colonias longinquas, do seu pequeno volume e portanto diminutas despezas de transporte.
O material industrial para a sua fabricação é tambem, relativamente insignificante e pouco braços exige a sua laboração.
Como em portuguez pouco se tem escripto sobre esta especialidade, talvez alguma utilidade tenha esta publicação que, embora d'um modo resumido, encerra o essencial que ao colono europeu convêm saber sobre a cultura de algumas das principaes plantas aromaticas de que se extrahem perfumes."
(Excerto do Prefacio)
Indice:
Prefacio. | Badiana. | Belgate - Chá do Gabão. | Benjoin. | Canneleira. | Geranio Rosat. | Girofeiro. | Patchouly. | Vanilheira. | Ylang-Ylang.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Raro.
35€

12 julho, 2025

CID, Dr. Eng.º Arthur Varela -
O HIDROPLANADOR "PORTUGAL".
[Pelo]... Professor de Aeronautica do Instituto Superior Técnico.
Tese apresentada ao 2.º Congresso Nacional de Engenharia. [S.l.], [s.n. - Tipografia Invicta, Porto], 1948. In-8.º (21,5 cm) de 8 p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Opúsculo ilustrado em página inteira com fotos do planador.
"Tenho a honra de relembrar ao Digníssimo Congresso alguma coisa àcêrca do hidroplanador Portugal, cujas experiências oficiais se realizaram no Centro de Aviação Naval de Lisboa, em 4 de Janeiro de 1934. Foi então pilotado pelo capitão de mar e guerra Paulo Viana.
O seu projecto, que data de1929, foi delineado nas pranchetas do Instituto Superior Técnico.
Por proposta portuguesa a Federação Aeronautica Internacional, com sede em Paris, creou então no Código Aéreo Internacional, após deliberações em assembleias magnas, uma nova categoria de aeronave que ficou oficialmente designada por «hidroplaneur», segundo votação por unanimidade das 35 nações suas filiadas.
No seu boletim designado por «Istus», o Presidente do Vôo sem Motor, exarou em 1935 a páginas 42, a seguinte opinião:
«Em Portugal nasceu o movimento do vôo sem motor marítimo».
«As experiências oficiais em Lisboa assim o demosntráram»."
(Excerto da Tese)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Peça de colecção.
25€

26 abril, 2025

MOURA, Engenheiro Horácio de -
UM ESTUDO SOCIAL : Movimento Nacional de Auto-Construção (ensaio).
Prefácio por S. Ex.cia Rev. ma o senhor D. Ernesto Sena Oliveira, venerando Arcebispo-Bispo-Conde de Coimbra. Coimbra, UCIDT - União Católica dos Industriais e Dirigentes de Trabalho, 1953. In-4.º (23x16 cm) de 215, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho de cariz social, tendo por objecto desenvolver planos para providenciar habitação própria aos operários e aos mais carenciados, tanto no meio rural como urbano, tendo por modelo o programa de (re)construção de habitações seguido por alguns países no pós guerra (1939-45), sendo aqui descritos o tipo de casa/bairros propostos, acompanhados de fotografias e (ou) plantas, bem como as zonas de implementação dos imóveis.
Ilustrado com inúmeras plantas e fotografias no texto.
"O Movimento Nacional de Auto-Construção (MONAC) surgiu no âmbito da União
Católica dos Industriais e Dirigentes do Trabalho (UCIDT). Esta foi criada, em
1952, para responder ao pedido direto de Eugenio Pacelli, o Papa Pio XII, a Horácio de Moura numa das visitas que fez ao Vaticano, no sentido de mobilizar os leigos católicos para a resolução dos problemas habitacionais dos mais pobres. [...]
"O Movimento iniciou as atividades no distrito e na cidade de Coimbra, sendo
as primeiras experiências construtivas realizadas sem qualquer assistência do
Estado. Foram exclusivamente apoiadas e financiadas pelo arcebispo de Coimbra, Ernesto Sena de Oliveira, que foi considerado pela organização como o construtor n.º 1 do Movimento (MONAC, 1960). O Movimento define como estratégia a construção de 2500 fogos espalhados pelo País (Moura e Oliveira, 1953)."
(Fonte: Habitação: Cem anos de políticas públicas em Portugal (1918-2018). Coord. Ricardo Costa Agarez, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Lisboa, dezembro de 2018)
"O mundo do trabalho é, a bem dizer, como fica recordado, um capital e um bem comum pertencente a dirigentes e dirigidos que a uns e outros interesse pôr a render largamente.
E essa é, repete-se, uma das grandes aspirações da UCIDT que, por todos os meios ao seu alcance, fugindo aliás à utopia de pretender igualar em tudo a condição e as situações dos homens, procura todavia aproximá-los, irmaná-los (eu ia para dizer... humanizá-los) cada vez mais pela prática crescentemente perfeita da justiça e da caridade.
No livro referido mostra-se quase à evidência e por maneira prática, como os operários de boa vontade, quando devidamente ajudados por patrões, industriais, dirigentes de trabalho e outras entidades públicas ou privadas, é possível e até relativamente fácil, não obstante a actual escassês dos seus recursos, a aquisição duma casa própria e privativa em condições e com requisitos capazes de fazer da sua vida familiar uma vida verdadeiramente himana que prende umas às outras as almas do mesmo lar e torna o viver comum uma autêntica atracção e delícia a que nenhuma outra se compara."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa ligeiramente oxidada.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

12 abril, 2025

PINA, Luís de -
DERMOPAPILOSCOPIA E TERATOLOGIA (novos materiais).
[Por]... Professor da Faculdade de Medicina, Director do Instituto de Criminologia Pôrto. Extracto do fasc. III do vol. IX dos «Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia». Pôrto, Imprensa Portuguesa, 1941. In-4.º (213,5x16 cm) de 16 p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo dermopapiloscópico incidindo sobre parte da população portuguesa.
Ilustrado com 12 figuras reproduzindo impressões digitais, sendo a primeira em folha desdobrável separada do texto.
"Num estudo recente publicado na revista de Paris L'Anthrologie, enfeixei uma série de 31 casos referentes à distribuição das cristas dermopapilares em dedos ou palmas anómalos de Portugueses do Norte, série essa que hoje amplio com 6 outros observados no Instituto de Criminologia do Pôrto e no Arquivo de Identificação (Secção do Pôrto), que tenho a honra de dirigir. [...]
Interessou-me então, como hoje, o quási bravio terreno que é, para o investigador, ao menos no nosso País, o campo da Dermapapiloscopia digital, palmar ou plantar; e muito mais bravio no que toca ao estudo das relações entre o arranjo ou geografia cristal dermopapilar e as variadas anomalias ou monstruosidades."
(Excerto do Ensaio)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
10€

05 março, 2025

ALMEIDA, D. Antonio d' -
MEMORIA SOBRE O MELHORAMENTO DA CULTURA DA BEIRA E DA NAVEGAÇÃO DO MONDEGO.
Por... Alferes do Exercito com o curso completo de engenharia em commissão hydrographica no concelho de Montemór o Velho. Dezembro de 1857. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1858. In-8.º (20,5x14 cm) de 21, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo monográfico sobre o rio Mondego, a sua navegabilidade e potencial agrícola, desde que "dominado".
Raro e muito interessante.
"Um grande numero de rios da Europa, que antigamente corriam placidos en tre as suas margens, appresentam hoje um curso extremamente irregular; as suas inundações formidaveis causam nos valles, que deveriam fertilisar, desastres, cuja repetição deu o alarme ás povoações marginaes. [...]
Cabe pois ao Governo, sentinella avançada dos interesses do Paiz, mandar estudar e executar os trabalhos indispensaveis para remediar o mal, aos homens da arte indagar qual deva ser o remedio applicavel com mais vantagem e menos dispendio. [...]
A causa das inundações é, como todos sabem, a concurrencia rapida e quasi simultanea em o leito dos rios das massas aquosas parciaes, trazidas pelos seus affluentes quando as chuvas são copiosas ou são reforçadas pelo derretimento das neves nas montanhas; mas sendo a bacia dos rios a mesma que outr'ora, não tendo variado as circumstancias climatericas, por que motivo os mesmo phenomenos naturaes produzem hoje na Europa effeitos que antigamente se não davam e não têm lugar ainda hoje na America, onde a civilisação está menos adiantada? A razão é obvia: é porque na America as montanhas ainda estão cobertas de mattas virgens de demoram as aguas, em quanto que na Europa a população mais densa roteou os montes para se alimentar.
Quasi todos os autores estão concordes em attribuir a esta causa os estragos produzidos pelas aguas nos valles. [...]
Voltando ao nosso Mondego, parece que antes de 1400 os senhorios obrigavam os rendeiros do campo a  fazerem ahi pousadas e moradas, e a morar nas terras corporalmente por si e suas pessoas.
No cartorio de S. Pedro em Coimbra existe uma sentença proferida na éra de 1392 pelo Vigario da dicta cidade contra um inquilino: no pleito foi allegado pela senhoria que era costume antigo pagarem os lavradores que morassem nas terras que as Egrejas de Coimbra tinham no campo o dizimo dos fructos e crianças á Egreja, cujas forem as dictas terras.
Ouvimos pela primeira vez fallar nas inudações do Mondego em uma Carta Regia de D. Affonso V, do anno de 1464, que prohibe as queimadas e roteação das alturas vertentes no Mondego. (Lei que se não executou por iniqua.) Mais tarde o Marquez de Pombal renovou esta lei com o mesmo resultado. D'essa épocha em diante os clamores dos lavradores do campo subiram ao throno de todos os nossos Monarchas sem que se achasse o remedio."
(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

02 março, 2025

MOREIRA, Dr. Eurico Tavares -
TRANSPORTES ENTRE AS DUAS MARGENS DO TEJO E NO CONCELHO DE ALMADA.
Tése apresentada ao 1.º Congresso Nacional de Transportes. Relator:... Almada - Fevereiro de 1939. Camara Municipal de Almada. [Lisboa], A Rápida : Papelaria, Tipografia e Encadernação, 1939. In-8.º (22x16 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho apresentado ao I Congresso Nacional dos Transportes, evento promovido por iniciativa do jornal Diário de Notícias e da Câmara Sindical dos Agentes e Importadores de Automóveis do Porto.
Com interesse para a região conhecida por "Margem Sul", tantas são as referências a zonas, vilas e cidades que a compõem, e em particular para o concelho de Almada.
Opúsculo curioso e muito invulgar, não mencionado na base de dados da Biblioteca Nacional.
"No pequeno âmbito que uma notícia pode comportar, quando destinada a um Congresso onde certamente se vão debater com amplitude grandes problemas sôbre transportes, nos seus mais variados aspectos, não cabem explanações sôbre um ponto restrito, que, embora à primeira vista pareça só interessar a um reduzido sector do nosso paiz, respeita a quasi todo o sul e mesmo a uma parte da Espanha.
Antes, porém, de abordar o assunto, embora superficialmente como dissemos, permitam V. Ex.ªs que lhes recorde alguns dos clássicos princípios que os tratadistas apresentam ainda hoje, como aqueles em que se pode e deve assentar um consciente estudo sôbre transportes: Tais são:
Velocidade
Preço
Regularidade
Segurança
Comodidade"
(Excerto de I - Condições gerais)
"Demorando um pouco a vista no mapa de Portugal, e raciocinando sôbre êle, sem esfôrço se verifica a excepcional importância da sua situação. E o Concelho testa de uma importante rêde de estradas que, de ligação em ligação, convergem no pontal de Cacilhas, vindas dos confins da Andaluzia, do Algarve, do Baixo e parte do Alto Alentejo. Não se tornaria necessário mais nada, para lhe determinar a importância.
Porém, quizeram as circunstâncias que, além da sua situação, as belezas naturais viessem avolumar ainda as suas já excepcionais condições.
As importantes indústrias tradicionais do Concelho, subsidiárias da sua principal riqueza agrícola - vinha - tais como as tanoarias e os armazens de vinhos para exportação, juntam-se as fábricas de cortiça, juntam-se as fábricas de cortiça, moagem, conservas, cerâmica, ólios, cal, dinamite, explorações florestais e seus derivados, com os gigantescos depósitos de gazolina e petróleo das Emprezas "Shell" e "Sonap", mostram, em rápidos traços, o panorama da grande importância industrial do Concelho. [...]
As belezas naturais do nosso Concelho, com as suas extensas praias da Costa de Caparica e da Trafaria, entre as quais se estende um formoso pinhal do Estado, o castelo de Almada, miradouro natural sôbre Lisboa, dominando o estuário do Tejo... [...]
A língua de areia que une, nas marés baixas, a Tôrre do Bugio à terra firme, permitiu o milágre, talvez único no mundo, da existência de uma praia fluvial - a Cova do Vapor - a poucas dezenas de metros de uma praia oceânica, a Lisboa-praia."
(Excerto de II - Situação especial do Concelho de Almada)
Índice:
I - Condições gerais. II - Situação especial do Concelho de Almada. III - Vias de comunicação do Concelho: a) Terrestres; b) Aquática. IV - Os meios de transporte colectivos que servem o Concelho. V - Consequências - Aumento populacional - Turismo. VI - Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com vincos.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível