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23 maio, 2026

BELO, Raimundo -
POR AMOR DE PORTUGAL.
Com prefácio do Dr. Francisco Guerra. Angra do Heroísmo, Tipografia Andrade, 1945. In-8.º (19x13,5 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos em que o autor discorre sobre o presente do país, com os olhos postos no futuro - reflexões publicadas pouco tempo após o final da 2.ª Guerra Mundial.
"Não escrevo para agradar ou desagradar a esta ou a aquela pessoa. Não quero ferir nem lisonjear. Não tenho a quem ferir, não tenho a quem lisonjear. Minha vida é correntia e simples, sem ambições, sem pretensões, contento-me com o pão de cada dia, não quero fazer figuras, não preciso saltar por cima dos outros, amachucar seja quem fôr, parecer o que não sou. Aos meus inimigos, se alguns tenho, daria, se m'as pedissem, desculpas convenientes dos escândalos que acaso lhes causei: aos meus amigos e aos meus superiores, procuro dar-lhes estima, o respeito, a obediência que lhes devo. [...]
Escrevo por amor duma ideia, duma ideia que sorri no céu de Portugal, rica, opulenta, de virtudes regeneradoras; duma ideia generosa que já emocionou muitos corações, que é já luz de muitas almas, inspiração de muitos espíritos, e será um dia, Deus o permita, plena, edificante, amorosa, radiosa, realidade; escrevo com os olhos postos no passado, em que fomos grandes, com o coração auscultando o presente, que exige êsse passado, com a alma andando o futuro, que só será nosso se ressuscitarmos e revivermos as virtudes antigas da Raça Portuguesa."
(Excerto do texto)
António Raimundo Belo (Praia da Vitória, 1897 - Angra do Heroísmo, 1958). "Mais conhecido por Raimundo Belo, foi um jornalista e historiador açoriano que se notabilizou pelos seus estudos sobre a genealogia das famílias da ilha Terceira e sobre a história da emigração açoriana para o Brasil.
Primo de Gervásio Lima, foi chefe da secretaria notarial de Angra do Heroísmo. Membro da tertúlia intelectual terceirense da década de 1930, foi contista, jornalista e investigador da história angrense, da genealogia e da história da emigração açoriana para o Brasil.
Colaborou nos principais jornais da Terceira e publicou alguns artigos e contos em revistas portuguesas. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico da Ilha Terceira e uma figura activa na vida cultural da ilha Terceira até ao seu falecimento. Foi um dos intelectuais que incentivaram Vitorino Nemésio a publicar os seus primeiros textos."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem f. rosto.
Raro.
Indisponível

19 abril, 2026

NEMÉSIO, Vitorino - ERA DO ÁTOMO/CRISE DO HOMEM.
Colecção Ciências Sociais e Humanas
. Amadora, Livraria Bertrand, 1976. In-8.º (18,5x11,5 cm) de 145, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"Conjunto de reflexões escritas em plena guerra fria entre o bloco de Leste e o Ocidente. Nelas o autor simboliza no problema do átomo todo um conjunto de características com que pretende identificar essa etapa da humanidade."
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Mário Mesquita.
"Vamos tentar versar o tema crucial do nosso tempo: as dúvidas que se levantam - em certos espíritos, pelo menos - acerca do caminho por onde a civilização conduz o homem moderno.
Generalizou-se a designação de Era Técnica para o tempo que vivemos. Mas, dado o aspecto mais saliente e característico da Técnica gerada mundialmente pela revolução industrial é a desintegração da energia nuclear, que produziu a bomba atómica, há já quem chame ao nosso tempo a Era Atómica. Não certamente pelo volume de energia dessa proveniência ao dispor das tarefas da paz, mas porque o espectro da guerra, desde a terrível revelação estratégica de Hiroxima, é dominado pela ameaça do poder catastrófico dos engenhos nucleares teleguiados.
Intitulei estas considerações - Era do Átomo/Crise do Homem -, não só por ceder a esse pendor, mas pela vantagem de ganhar indirectamente um símbolo (pois não me esqueço de que sou poeta) para exprimir o lado talvez mais alarmante da crise contemporânea: a despersonalização massificada - e portanto atomística - do tipo de homem que a vive ou nela é gerado."
(Excerto do Cap. I)
Vitorino Nemésio (1901-1978). "Justamente considerado um dos maiores poetas e prosadores portugueses do século XX, Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, nasceu em Praia da Vitória (Ilha Terceira, Açores), cursou Direito e Letras em Coimbra e licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa (1931). Fundador da Revista de Portugal (1937-1940), professor catedrático (1941) e notável conferencista, cedo se tornou uma das mais importantes referências na investigação e crítica literárias, para além de originalíssimo prosador e poeta, cuja obra emparceira com a de Eça de Queirós, no romance e crítica e a de Fernando Pessoa na poesia."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/espolios_autores/e11_nemesio_vitorino.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
35€

24 outubro, 2024

PENSAMENTOS DE OLIVEIRA MARTINS.
Colhidos das suas obras por Um Amigo. Lisboa, Imprensa Nacional, 1889. In-16.º (14x9 cm) de 54, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Máximas de Joaquim Pedro de Oliveira Martins (1845-1894) escolhidas por um seu amigo em homenagem à sua obra, labor e dedicação à causa pública.
"Colligindo estes pensamentos das obras do nosso primeiro historiador, tive em mira pôr em frente da vossa vista bons preceitos de moral e politica que, não provindo de escriptor estrangeiro, nem por isso deixam de ter merito, como verão.
Dividi este livrinho de amor em duas partes: na primeira se contem os pensamentos politico-sociaes, na segunda os philisophico-moraes. Pensei igualmente em dal-o n'esta edição (pocket-edition) para que o podesseis levar para toda a parte como um objecto de especial carinho."
(Excerto de Á mocidade portugueza)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos, e pequenas falhas de papel marginais. Capa apresenta carimbo de posse e de biblioteca.
Raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
A BNP dá notícia do livro, porém, com a indicação "sem informação exemplar".
25€

05 agosto, 2023

PENSAMENTOS SOBRE A RELIGIÃO E A MORAL.
Publicados pela Redacção da Revista Christã. Lisboa, Typographia da - Nação. 1856. In-4.º (25,5x18 cm) de 111, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante colecção de reflexões, máximas e conceitos religiosos.
É a Salvação o negocio mais importante para o homem, aquelle a que deve applicar todos os seus cuidados, o fim primeiro de seos trabalhos. Foi esta a grande lição que o Salvados dos homens quiz dar a Martha, quando lhe disse: Martha, tu andas muito inquieta e te embaraças com o cuidar em muitas coisas, mas só uma é necessaria.
Não é pois a Salvação só d'uma extrema importancia, é mais ainda, é d'uma absoluta necessidade. E entre extrema importancia a absoluta necessidade ha uma differença essencial. Se nos disserem que uma coisa é muito importante, concebemos precisamente por isso que perderiamos muito, perdendo-a; sem que dahi se siga que teriamos perdido tudo, e que já não haveria recurso que nos fosse possivel. Mas se nos disserem que alguma coisa é absolutamente necessaria e só ella necessaria, concluimos que, perdendo-a, perdemos tudo, nem já ha recurso que nos seja possivel.
Dizemos pois que a Salvação é necessaria e só ella necessaria."
(Excerto de I - A Salvação - Necessidade da Salvação)
Indice:
I - A Salvação. II - Da fé e dos vicios que lhe são oppostos. III - Da conversão e da penitencia. IV - A verdadeira devoção. V - A Oração.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. A numeração das três últimas páginas está errada, responsabilidade da casa impressora.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
Sem registo na BNP.
25€

21 abril, 2020

MACEDO, José Agostinho de - REFLEXÕES CRITICAS SOBRE O EPISODIO DE ADAMASTOR NAS LUSIADAS, Canto V. Oit. 39. EM FÓRMA DE CARTA. AUTHOR... LISBOA: NA IMPRESSÃO REGIA. ANNO DE MDCCCXI. Com licença. In-8.º (16 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo do tratante padre panfletário, apoucando uma parcela dos Lusíadas, de Camões.
"Mandava aos seus Discipulos Quintiliano, que, quando ajuizassem de alguma parvoice, que escapasse aos mais abalisados Escriptores da antiguidade, o fizessem sempre com muita modestia, e circunspecção, lembrando-se sempre, que erão grandes Varões. Eu estaria por este Canon do Rethorico, se elle me provasse que os Varões antigos tinhão authoridade para descreverem impunemente os disparates que quizessem; e os Senhores Modernos querem que se observe esta regra, mostrem-me a razão, por hum Gigante ha de ter a liberdade de fazer huma parvoice, e não ha de ter liberdade hum Pigmeo de lhe dizer = Isto, Senhor Gigante, he huma parvoice. =
Vale."
(Introdução, A quem quizer ler)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

09 março, 2019

CORREIA, J. Alves - A LARGUEZA DO REINO DE DEUS. [Por]... (Das Missões do Espirito Santo). Lisboa, Composto e Impresso na Imprensa Portugal-Brasil, 1931. In-8.º (18,5cm) de 186, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra maior do autor na sua edição original, que viria a conhecer pelo menos mais três edições.
"Será útil repetir o que disse e repisei em artigos, em conversa, de tôdas as maneiras que soube, e que o Evangelho tinha já dito antes, para quem quisesse ouvir?...
Talvez até nisto haja actualidade, num país em que as almas, que se dizem ou crêem piedosas, lêem tudo em sofreguidão, menos o Evangelho, porque certa aberração devocional moderna leva por vezes muitos espíritos a matarem sêdes em fios de água tortuosos, encharcados alguns, e a esquecerem a fonte divinal, que a Revelação ofereceu à Humanidade.
L'oeil ne voit pas ce qui le touche... O que os olhos vêem menos, é o que neles embarra! E o Evangelho, o espelho da alma de Cristo, passa despercebido, o mais das vezes, aos próprios fervorosos!..."
(Excerto de Realeza peculiar de Cristo)
Pe. Joaquim Alves Correia (1886-1951). "Nascido em Aguiar de Sousa (Paredes), a 5 de Maio de 1886, e sacerdote da Congregação dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos). Filho de modestos lavradores, Joaquim Alves Correia fez o curso secundário em Ermesinde, a Filosofia em Sintra e a Teologia em Chevilly (França). Quando recebeu a ordenação (em 1910) o seu destino eram as Missões em Angola mas a revolução republicana trouxe ventos contrários e acabou por seguir para a Nigéria. Nove anos depois voltou à Europa para colocar em ordem a sua saúde que estava profundamente abalada. Depois de recuperado assumiu a direcção da revista missionária da sua congregação – «Missões de Angola e Congo» - e, em 1922, o cargo de Procurador das Missões, lugar em que permaneceu até 1945. Em Lisboa, contactou com muitas figuras da oposição ao Estado Novo. Chegou mesmo a participar activamente no Movimento Democrático de Campanha pelas Eleições Livres, em 1945. A sua faceta de “profeta e homem de Deus suplanta toda a manipulação política que já se fez ou, quiçá, se venha a fazer” – (Rocha, Nogueira; In: Revista: «Brotéria» de Maio-Junho de 1986). Estas conotações políticas tiveram impacto devido à recusa de publicação de artigos seus no jornal «Comércio do Porto» mas que Raul Rego publicara entretanto no jornal «República». Nestes denunciava “uma política de vigilância que não dava satisfações a ninguém” e o ser “muito cómodo, mas muito pouco corajoso, atirar à cara deste povo irrequieto com a responsabilidade da desordem pública, quando o pobre povo nem responder sabia”. Devido aos comentários corajosos recebeu como «presente» o exílio nos Estados Unidos. Entre livros e artigos dispersos em revistas, o Pe. Alves Correia deixou muitos escritos. O pensamento cristão deste homem ficou expresso em diversas publicações: «Lúmen», «Estudos», «Seara Nova», jornal «Novidades», «Jornal do Comércio» e «Comércio do Porto». Os seus livros deixam uma marca de intemporalidade embora seja necessário situá-los no tempo. “A largueza do Reino de Deus” (escrito em 1931) e o “Cristianismo e a Mensagem Evangélica” (de 1941) foram obras saídas da sua pena e que merecem ser saboreadas. O primeiro teve tanto impacto em Portugal que o seu autor passou a ser conhecido como «Pe. Larguezas»."
(Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/o-horizonte-longinquo-do-pe-alves-correia/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto inferior esq.
Invulgar.
Indisponível

21 fevereiro, 2019

CAETANO, Marcelo - UNIVERSIDADE NOVA : o problema das relações entre professores e estudantes. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da Gráfica de Coimbra], 1942 [na capa, 1943]. In-4.º (23,5cm) de 28 p. ; B. Separata de "Estudos" : Ano XIX, Fascículo 10, (Dezembro de 1942)
1.ª edição independente.
Importante reflexão do Prof. Marcelo Caetano acerca do relacionamento entre alunos e professores universitários no contexto de um novo e desejado ensino superior. Publicado pouco tempo após a sua nomeação para o cargo de Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa, em 1940, que viria a revolucionar, trata-se do seu primeiro ensaio vestindo a pele do pedagogo, gosto que viria a manter pela vida fora e que daria origem a algumas outras obras sobre educação.
"Quero aproveitar êste ensejo de me dirigir a universitários para tratar de um problema que há muito me preocupa: o problema das relações entre estudantes e professores nas Universidade portuguesas.
Vou expor o que penso e o que sinto no único intuito de fazer um depoimento e de fornecer uma contribuição.
Nado, criado e formado em Lisboa, onde sempre ensinei, êsse depoïmento refere-se exclusivamente ao meio que conheço e de que tenho experiência. É possível que o problema apresente aspectos comuns em tôdas as Universidades portuguesas, mas também é natural que os seus termos variem em Lisboa, em Coimbra e no Pôrto. Mais ainda: dada a grande dispersão e diferenciação das escolas superiores que constituem as Universidades de Lisboa, aquilo que tenho observado na Faculdade de Direito e em mais duas ou três escolas pode não ser exacto relativamente a outras.
Outros depoïmentos e outras contribuïções serão precisos, portanto, para que se possa com perfeita objectividade encarar a questão e prosseguir assim na obra construtiva da Universidade nova em Portugal."
(Excerto de I., Um depoimento)
Matérias:
1. - Um depoimento. 2. - O estudante universitário e as suas preocupações. 3. - A crise de pensamento. 4. - Quando o verbo se faz carne... 5. - As iniciações dramáticas. 6. - Novas energias físicas. 7. - Onde estão os professores? 8. - A possível acção benéfica do professor. 9. - Dificuldades ao convívio opostas pelos estudantes. 10. - A timidez juvenil. 11. - O espírito de independência. 12. - Ensino e liberdade. 13. - Obstáculos levantados pelos professores. 14. - Os talentos incompreendidos. 15. - Os perigos da popularidade. 16. - Defesa do prestígio. 17. - Velhos vícios de catedratismo. 18. - A investigação científica. 19. - As circunstâncias nacionais. 20. - Não proponho remédios. 21. - Universidade nova quere dizer espírito novo. 22. - A Universidade perante a civilização ameaçada.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

12 novembro, 2014

PLACIDO, D. Anna Augusta - LUZ COADA POR FERROS : escriptos originaes. Por... 2.ª edição. [Introdução de Júlio César Machado]. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, Livraria-Editora, 1904. In-8.º de 206 [2] p. ; E. Colecção Antonio Maria Pereira, 50
Obra que reúne um conjunto de reflexões de Ana Plácido.
"Luz Coada por Ferros é o primeiro livro de Ana Augusta Plácido, com primeira edição em 1863. É dedicado à sua irmã Maria José Plácido, que Ana tratou quando os pais morreram. A autora recorda a irmã com carinho, afirmando: «Foste a minha única amiga neste mundo: não conheci afeição mais verdadeira.» A obra está repleta de dor e amargura, ainda que com traços de coragem, representando o tempo em que Ana esteve presa. A maior parte dos textos que compõem a obra foi produzida na Cadeia da Relação do Porto."
(Fonte: Dicionário de Camilo Castelo Branco, de Alexandre Cabral, 1988)
"Não sabe talvez a auctora d'este livro, que estamos n'um paiz em que a primeira coisa que uma senhora de talento tem que fazer-se perdoar, é o seu talento mesmo. É tão commodo dispensar-se uma pessoa de ter espirito, que os semsaborões nacionaes formaram uma seita para castigar os que o teem; estre os homens a fórma de punir o talento é desvial-o dos destinos publicos, não lhe recompensar o heroismo da lucta, e, depois de o desdenhar, calumnial-o um dia; entre as senhoras o que se uza, é espalhar o boato de que a sua superioridade não as deixa attender a mais do que ao egoismo e á vaidade, sem consentir nunca que as domine a vehemencia de sentimentos, que formão o condão e a sorte da mulher."
(excerto da introdução)
Índice:
- [Dedicatória - Á memoria de minha irmã, D. Maria José Placido]. - Introducção. - Adelina. - Meditações (I; II; III; IV; V; VI; VII). - O amor! - Recordação. - Prophecia no leito da morte. - Martyrios obscuros. - Impressões indeleveis. - Ás portas da eternidade. - A Julio Cesar Machado.
Ana Augusta Plácido (1832-1895). Escritora portuguesa, mulher de Camilo Castelo Branco. "Com dezanove anos casou-se com o capitalista brasileiro Manuel Pinheiro Alves, de quarenta e três anos.
Em 1856 iniciou um relacionamento amoroso com Camilo Castelo Branco. Após queixa do marido contra a mulher e o amante, Ana Plácido é presa em 6 de Junho de 1860, e Camilo foge à justiça durante algum tempo, mas acaba por entregar-se em Outubro. Ficam detidos na Cadeia da Relação, no Porto.
Depois de absolvidos do crime de adultério em 16 de Outubro de 1861, Camilo e Ana Plácido passam a viver juntos. Dessa relação resultaram três filhos (embora o primeiro seja oficialmente filho do primeiro marido de Ana). Com a morte do primeiro marido em 1863, a herança passa para o primeiro filho do casal, sendo Ana a administradora dos bens. Passam a viver na propriedade do primeiro marido em São Miguel de Seide. Em 9 de Março de 1888 finalmente casam-se. Colaborou em diversas publicações, fez traduções, ajudou Camilo em alguns textos e dedicou-se, também, à poesia. No decurso da sua carreira literária assinou alguns trabalhos sob pseudónimo, os mais conhecidos: Gastão Vidal de Negreiros e Lopo de Souza." Publicou Luz Coada por Ferros (1863), 2.ª edição em 1904, e Herança de Lágrimas (1871), com o pseudónimo Lopo de Souza.
(Fonte: http://emprestimoexposicoescasadecamilo.wordpress.com)
Encadernação editorial inteira de percalina com título, autor e motivos florais gravados a seco e a negro nas capas.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse camiliano.
Indisponível

11 julho, 2012

CARVALHO, Alberto Antonio de Moraes – APHORISMOS E PENSAMENTOS MORAES, RELIGIOSOS, POLITICOS E PHILOSOFICOS. Por... Lisboa, Imprensa Nacional, 1850. In-8.º grd. (21,5cm) de 212 p. ; E.
1.ª edição.
Alberto António de Morais Carvalho (1801-1878). “Advogado e político (Vouzela, 22.11.1801 - Lisboa, 15.04.1878). Bacharel em Cânones na universidade de Coimbra, político de ideias liberais, em 1828 comparticipou na revolução que chegou a implementar a Junta do Governo Provisório do Porto e, em consequência do insucesso da intentona, emigrou, com a divisão liberal, para a Galiza, passou a Inglaterra e estabeleceu-se no Rio de Janeiro. Regressou a Portugal em 1848, cumulando o exercício da advocacia com a actividade política. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Lisboa no biénio 1852-1853; membro da Junta Geral do Distrito de Lisboa e Governador Civil em 1859. Deputado em várias legislaturas, tomou parte no Ministério do Duque de Loulé, encarregado da pasta dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, que sobraçou até 21.02.1862, já no Ministério de Sá da Bandeira. Par do Reino por carta régia de 30.12.1862, foi dignitário da Ordem da Rosa do Brasil, por mercê do Imperador D. Pedro II, em 1872.” 
O antigo ministro António Alberto Morais de Carvalho, ilustre jurista e liberal, em Aphorismos e Pensamentos Moraes, Religiosos, Politicos e Philosophicos, publicados em Lisboa, no ano de 1850, utilizou a irregular técnica da generalidade e abstracção, para insinuar o seguinte:  
O empregado com pequeno ordenado, que vive com luxo, se não herdou, furtou (293)
Os cargos do Estado, em mãos de probidade, dão proveito, e honra: em mãos de corrupção, dão proveito sem honra (300).
A probidade do empregado público não pode viver, nem com o luxo, nem com a miséria (297).
Os escritores assalariados, de ordinário, são como as rameiras; prostituem-se a quem lhes paga (312).
Se a honra de representar a nação pela deputação fosse estéril de empregos, e distinções, haveria menos quem a ambicionasse (220).
Aos déspotas nunca faltam mandarins, que sejam vis executores dos seus decretos (235).
Os mais elevados estadistas dificilmente se conservam, e morrem no poder (315).
Qualquer grumete se reputa habilitado a dirigir o leme da nau do Estado; por isso, ela, muitas vezes, sofre avarias (317).
O bom exemplo dos grandes vale mais que os códigos criminais (326).
Um governo sábio deve criar homens para empregos e não empregos para homens (384).
Há honras sem honra, assim como há honra sem honras (437).
As maiorias parlamentares são muitas vezes minorias nacionais (607).
Os partidos de princípios podem ser razoáveis; os de pessoas são, de ordinário, execráveis (779).
Ordinariamente os maiores inimigos dos homens que se acham no poder são aqueles que desejam subir a ele (804).”
Encadernação em meia de pele com ferros a ouro na lombada. 
Exemplar em bom estado geral de conservação. Falha de pele na parte inferior da lombada. Rasgão na f. guarda sem perda de papel.
Muito invulgar e curioso.
Indisponível