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14 novembro, 2025

VENTURA, A. C. Quaresma -
ASSOCIATIVISMO POPULAR NA BEIRA-SERRA.
(Centenário das Comissões de Melhoramentos). [Arganil], Confraria Gastronómica do Bucho, 2008. In-4.º (24x16,5 cm) de 73, [3] p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa monografia sobre o associativismo popular em Arganil e concelhos vizinhos.
Ilustrada no texto com fotogravuras a p.b. de retratos de personalidades da região, paisagens, imóveis de interesse local e encontros e convívios.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao prezado amigo José Caldeira".
"Nunca é demais salientar, pela sua importância e simbolismo, que foi no concelho de Arganil que nasceu e se desenvolveu o associativismo popular, vulgarmente designado por Regionalismo e que, baseado em Ligas, Comissões ou Associações, constituiu, pelo menos em potência, uma extraordinária manifestação de democracia participativa.
Fenómeno do início do século XX, que se alargou aos concelhos vizinhos, este movimento de cidadãos representou, tanto em capacidade realizadora da diáspora lisboeta, como a forma dos naturais migrados poderem levar até às suas terras, ainda que de forma superficial, um pouco do que era o progresso."
(Excerto de Recordar e homenagear)
"No ano de 1924, a fisionomia autárquica do concelho de Arganil foi alterada com a criação da freguesia de Barril de Alva, desanexada da de Vila Cova de Sub-Avô que, a partir de então, passou a ser designada oficialmente, por Vila Cova de Alva.
Esta medida administrativa, reconhecendo as potencialidades associativas e empresariais de Barril de Alva, procurou também pôr termo a uma confrontação doentia entre as duas localidades... [...]
Com a sua emancipação, Barril de Alva organizou logo nesse ano a sua primeira feira anual, que teve lugar no dia 28 de Outubro, dia de S. Simão."
(Excerto de Freguesia de Barril de Alva)
Índice:
Recordar e homenagear | Em louvor do associativismo | Nota prévia | I - A regionalização através dos tempos. A Beira ou as Beiras? - Nos primórdios da nacionalidade; - Do Liberalismo à República; Marcelo Caetano: regionalização e regionalismo; - O Estado Novo e as Regiões; - A regionalização na democracia. II - A Beira-Serra e o Associativismo. Sob os auspícios de Nossa Senhora do Mont'Alto - Breve história do santuário; - A comarca de Arganil inicia subscrição; - Início das obras. III - 14 de Agosto de 1908. Água no Mont'Alto: um marco histórico. IV - Acção da diáspora lisboeta.V - Bairrismo e Regionalismo. - As comissões de melhoramentos; - Comissão de Melhoramentos de Folques; - Sociedade de Melhoramentos de Pomares; - Concelho de Oliveira do Hospital; - Pampilhosa da Serra quer estrada; - Concelho de Góis: o exemplo de roda cimeira; - Freguesia de Barril de Alva; - As barrilenses eram assim; - Tábua: necessidades culturais; - Obras na Capela de S. Pedro; - A ideia de regionalismo; - Liga Regional Tabuense; - Grémio Regionalista da Comarca de Arganil. | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
25€

05 abril, 2025

AMZALAK, Moses Bensabat -
O ECONOMISTA JOSÉ ACCURSIO DAS NEVES.
I Bibliografia [II Doutrinas Económicas]. A Economia Política em Portugal. 2 vols in-4.º (25x16,5 cm) de 13, [1] p. (I) e [2], 44, [4] p. (II) ; B.
1.ª edição.
Ensaio com interesse histórico e biográfico para melhor conhecer e interpretar a acção e percurso de José Acúrsio das Neves (1766-1834), "político, magistrado, historiador, ensaísta e pioneiro dos estudos sobre a economia portuguesa, e precursor do industrialismo em Portugal.
Invulgar conjunto (em 2 volumes) - é tudo quanto foi publicado.
"José Accursio das Neves foi um dos mais notáveis economistas portugueses dos princípios do século passado.
A sua biografia é em síntese a seguinte:
Nasceu no lugar de Cavaleiros, perto da antiga vila de Fajão, no distrito de Coimbra, a 11 de Dezxembro de 1766, faleceu no lugar de Sarzedo, do concelho de Arganil, em 6 de Maio de 1834. Era filho de António das Neves Sêco e de D. Josefa Gomes da Conceição. Tendo concluído com aproveitamento e distinção o curso de direito na Universidade de Coimbra, fêz a sua leitura do Desembargo do Paço em 1795, e foi despachado juiz de fora da cidade de Angra, na Ilha Terceira, onde depois de acabado o tempo dessa comissão passou a exercer o cargo de Corregedor.. Nos Açôres permaneceu até fins de 1807, em que regressou ao continente, e, sobrevindo a invasão francesa, foi viver algum tempo no lugar de Sarzedo do concelho de Arganil, onde possuía os bens que havia herdado de seus pais."
(Excerto de I - Bibliografia - Biografia)
"José Accursio das Neves foi um economista individualista à maneira de Adão Smith e João Baptista de Say. As suas doutrinas ressentem-se da reacção operada sôbre a geração dos fisiocratas que em Portugal teve a sua principal representação na plêiade ilustre que colaborou nas Memórias Económicas da Academia Real das Sciências. Para o provar basta a sua afirmação categórica e exclusivista «a industria he sómente que póde salvar-nos, porque só ella dá riqueza, base principal da força, e prosperidade dos povos»."
(Excerto de II - Doutrinas Económicas)
Moses Bensabat Amzalak (1892-1978). "Professor de Economia e Reitor da Universidade Técnica de Lisboa. Publicou mais de trezentos trabalhos. Presidente da Academia das Ciências de Lisboa e da Associação Comercial de Lisboa. Administrador do jornal O Século e da SACOR. Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa (1927-78). Recebeu a Legião de Honra francesa e também a Ordem do Império Britânico."
Exemplares em brochura, por abrir, bem conservados. Segundo volume apresenta capas manchadas.
Muito invulgar.
30€

13 setembro, 2023

FRIAS, Sanches de - ERSÍLIA OU OS AMÔRES DE UM POETA. Romance. Por... Lisbôa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora e Officinas Typographica e de Encadernação, 1908 [Imp. 1907]. In-8.º (18,5x12 cm) de 516 p. ; E.
1.ª edição.
Romance baseado em factos verídicos ou do conhecimento do autor. A título de curiosidade, transcrevemos uma nota manuscrita da f. ante-rosto que poderá estar relacionada com o título da obra, e portanto, com os acontecimentos aí narrados: "Oferta da Querida e nunca esquecida D. Hercilia Nobre".
"Aos poucos, que se entretêm a devassar intuitos de escritôres, dedicamos, nos ligeiros períodos, que se seguem, mais uma vêz, a nossa profissão de fé, em matéria romântica, embora nos preocupem medianamente discordâncias de opinião.
Um livro é, bastas vêzes, o reflexo da probidade e temperamento do autôr, que frequentemente vive, em certos lances, ou tem vivido a vida das personagens, que descreve."
(Excerto do preâmbulo - A quem lêr)
"Entre a classe média do comércio lisboêta, haverá pouco mais de três quartos de século, figurava modesta mâs acreditadamente Manuel da Mota, negociante de poucas lêtras e muito juizo, como de ordinário convem aos que se dedicam de alma e côrpo, por vocação ou necessidade, a traficar com a arráia miuda em lojas de fazendas a retalho do género da sua, que fazia honra ao extenso arruamento dos Fanqueiros, ainda hôje muito movimentado e característico.
Manuel da Mota, já de anos maduros, possuia tôdas as manhas do ofício, mâs no seu largo tirocínio, honra lhe seja feita, servira-se sempre de uma certa probidade, que lhe grangeara foros de bom homem; e não chegou nunca, como ás vêzes se requere, em fina manigância comercial, a sêr capaz de se vendêr a si próprio.
Fiel observadôr das bôas praxes e brocardos antigos, que, de origem popular, aprendêra na sua aldeia, porque Manuel da Mota era ribatejano, não se esquecêra nunca de que - quem casa quere casa - e ainda menos de que - antes que cases olha o que fazes - ; e por isso não ligou o seu destino á senhôra Joaquina dos Prazêres, sua esbelta vizinha e antiga conversada, sem que as verduras da mocidade o abandonassem completamente, e os havêres retirados do seu comércio lhe permitissem estado de maior dispêndio, creação de filhos e manutenção de criados.
Como facilmente se ajuiza, o negociante Mota, acima de tôdos os predicados, possuia a rara virtude de só confiar nos recursos e méritos próprios, baseando se num senso prático muito de apetecêr pâra os altos governantes portuguêses, que só vivem de votos alheios e dos méritos, que não possuem, como tôdos os governados havemos mister.
D. Joaquina dos Prazêres, uma espelhada donzela, oriunda de uma laboriosa e honrada família, fôra uma excelente acquisição."
(Excerto do Cap. I - Regosijo familiar - Apresentações)
David Correia Sanches de Frias (1845-1922). "Nasceu a 2 de outubro de 1845 em Pombeiro da Beira, onde viria a falecer a 19 de março de 1922. Viveu largos anos no Brasil, tendo-se destacado pelos seus préstimos em associações de índole social e cultural, bem como no campo das letras, enquanto escritor e jornalista. Dotado de invulgares faculdades de trabalho e de inteligência e de uma tenacidade singular, Sanches de Frias deixou para a posteridade diversas obras, quer no domínio da poesia e do drama como das viagens, merecendo especial destaque a obra Pombeiro da Beira : memória histórica, descritiva e crítica."
(Fonte: https://www.cm-arganil.pt/noticias/relembrar-visconde-sanches-de-frias-na-biblioteca-municipal-de-arganil/)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ligeiramente aparado à cabeça.
Raro.
Indisponível

09 novembro, 2019

MATA, Nuno - PIÓDÃO : Subsídios Históricos. [Piódão], Edição da Junta de Freguesia do Piódão, 1996. In-8.º (20,5 cm) de 23, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Pioneiro estudo histórico sobre o "presépio de xisto", nome porque é conhecido o Piódão, linda aldeia beirã situada numa encosta da Serra do Açor. Trata-se de um interessante subsídio monográfico, ilustrado com um desenho em página inteira que, tal como a capa, é da responsabilidade do autor.
"Indubitavelmente, o Piódão constitui uma verdadeira pérola da Beira Serra e, porque não, de todo o território nacional, tal é a sua simplicidade e beleza. Esta aldeia, descoberta nas últimas décadas da centúria como pólo turístico e cartão de visita privilegiado do concelho de Arganil tem sido incansavelmente divulgada, porém, apenas a sua vertente poético-paisagísta é objecto de referência, faltando um estudo histórico que possa trazer ao conhecimento e à curiosidade de piodenses e visitantes um pouco da História deste presépio de xisto.
Este trabalho, pequeno e singelo, como é a aldeia que lhe serve de tema, não tem a pretensão nem a presunção de ser um trabalho histórico-científico, nem tão pouco completo, condicionantes inerentes à mera curiosidade histórica do seu autor."
(Excerto do Pórtico)
Matérias:
Pórtico. | Um Enquadramento Geográfico. | Como Aparece o Piódão? | A Lenda de Diogo Lopes Pacheco e a Origem da Aldeia. | Do Termo de Avô ao Concelho de Arganil. | A Igreja Matriz,a Capela de S. Pedro e a Capela das Almas. | As Casas Xistosas do Piódão. | Post Scriptum.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito curioso.
15€

11 setembro, 2018

VEIGA-SIMÕES, Alberto da - A FUNÇÃO SOCIAL DO TEATRO. Tése de concurso para a 3.ª cadeira da Escola da Arte de Representar. Por... Lisboa, Typographia Mendonça, 1912. In-4.º (23 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante dissertação histórica sobre a função social do teatro, e a sua expressão artística. O autor - personagem fascinante, - hoje pouco conhecido, foi figura de relevo nos meios diplomáticos, políticos e culturais do Estado Novo.
"Isso que por aí anda apregoado em críticas e papeis, a propósito de cada obra, e que se chama - a função social do teatro, constitue um vasto logar comum digno de quem desconhece o conceito da obra de arte o ignora que o princípio artístico é fonte imanente no próprio organismo humano, e por isso mesmo, e só por isso, é social.
Em todo o caso, a enorme frase tem ganho fóros taes que será interessante destrinçar o que ella tem de lógico e de certo, - neste país em que o teatro é uma blague e a crítica teatral vive à custa duma coisa que não eziste.
Quando sobre uma fórma geral se formúla a interrogação da função social do teatro, surgem-nos naturalmente duas respostas em estremo diferentes. Uma atende ás conveniéncias imediatas duma obra teatral; a outra eleva-se ao horisonte mais vasto do conceito de obra de arte, e procura naturalmente seguir o conceito da obra de arte teatral atravez duma longa evolução que revestiu as maiores modalidades."
(Excerto da dissertação)
Alberto da Veiga Simões (Arganil, 1888 - Paris, 1954). "Intelectual e historiador, pertenceu à geração de António Sérgio (1883-1969) e Jaime Cortesão (1884-1960). Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, entrou, cedo, para a carreira diplomática. Entretanto, colaborou na imprensa, publicou os primeiros livros, incluindo poesia, memórias da vida estudantil coimbrã, teatro e os resultados dos primeiros passos dados na investigação histórica. Entre os últimos, destaca-se um estudo sobre as recentes tendências literárias, publicado em 1911 com o título “A nova geração: estudo sobre as tendências actuaes da literatura portuguesa”. A sua participação na revista “A Rajada” (1912), ao lado de Vergílio Correia e do muito jovem Almada Negreiros, revela também a sua ativa participação em movimentos literários e artísticos. [...] O seu prestígio como diplomata foi reconhecido politicamente, o que lhe valeu a pasta de ministro dos Negócios Estrangeiros (1921), durante a Primeira República, num governo que não foi além dos cinquenta e nove dias. [...] Em 1933, Veiga Simões foi nomeado ministro plenipotenciário em Berlim (Portugal não tinha na Alemanha representação ao nível de embaixada). Nos seus relatórios para Lisboa, passou a analisar a ascensão de Hitler. As políticas de expansão imperial alemãs, conforme escreveu de Berlim em abril 1938, assentavam no “primarismo confortável da doutrina nazista”, recorda Lina Madeira num outro livro, “Alberto da Veiga Simões: esboço biográfico”, de 2002. A sua oposição ao nazismo era, pois, inequívoca. Advertiu também que Portugal se deveria demarcar da Alemanha e optar por um alinhamento com a França e a Grã-Bretanha. A partir de 1938, a sua correspondência com o MNE revela um envolvimento direto na concessão de vistos a judeus que procuravam emigrar e fugir da política racista do Reich. Porém, não se sabe quantos vistos terão sido passados por sua iniciativa nem em que condições concretas. Em Lisboa, nos círculos do MNE e da PVDE, existiam interpretações diferentes acerca da mesma política de concessão dos vistos, a par de diferentes sensibilidades em relação à figura de Veiga Simões."
(Excerto de um notável artigo da autoria do historiador Diogo Ramada Curto, publicado no semanário Expresso (05.11.17). Consultar no link: http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-11-05-O-desconhecido-Veiga-Simoes)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior direito.
Raro e muito curioso.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
20€