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27 setembro, 2023

SEQUEIRA, Eduardo -
BOTANICA RECREATIVA.
Com 191 Gravuras e o Retrato do Auctor. Porto, Gazeta das Aldeias, 1910. In-8.º (18,5 cm) de 311, [1] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo botânico que inclui a descrição, plantação, aplicações e o aproveitamento ornamental de inúmeros frutos e espécies vegetais. Manual raro e muito curioso, algo surpreendente.
Muito ilustrado no texto com bonitos desenhos, e em separado, com um retrato do autor e o seu Cão de Água Português, cliché da casa Marques Abreu & C.ª, do Porto.
"As ultimas palavras de Goethe, o grande escritor allemão, foram: Luz, mais luz, muita luz!
E, como muito bem accentuou o divino escriptor francez Michelet em um dos seus mais encantadores volumes, o que o grande genio, filho dilecto de Deus, disse nos seus ultimos momentos, repete-o em cessar toda a criação, desde o mollusco que vive no fundo do mar, até á ave que vôa nas mais altas regiões do ceu, desde a mais humilde planta até ás arvores gigantes das florestas seculares.
A luz é a vida, a luz é a alegria, a luz é a força e o vigor. Todo o ser animal ou vegetal, privado de luz, enfraquece de prompto e morre em breve, precocemente caduco. É facil verificar, em poucas horas, os effeitos da falta de luz nas plantas, semeando, por exemplo, grãos de Trigo em um pequeno vaso, que se mantem em local escuro, mas sempre com a terra sufficientemente humida, affim de favorecer a germinação do grão. Os pequeninos vegetaes, assim privados de luz, não só rebentam sem vigor, mal podendo erguer as suas debeis hastes, mas tambem estas nascem completamente brancas. Retirados da escuridão e levados gradualmente para a luz, fortalecem-se, levantam triumphalmente as suas hastes e adquirem, de prompto, o seu lindo e brilhante colorido verde.
A planta procura sempre a luz.
D'ahi o vermos frequentemente, nos campos, nos jardins, nos bosques, arbustos e arvores plantados proximo de muros ou em locaes assombrados parcialmente por qualquer obstaculo, torcerem-se, perderem a sua usual fórma erecta, para irem procurar, em direcção irregular e forçada, a luz que é a sua alegria, a sua vida."
(Excerto de O effeito da luz nos vegetaes)
Indice das materias contidas n'este livro:
Dedicatoria. | Os effeitos da luz nos vegetaes. | Os casamentos das plantas. Fecundações naturaes e ecundações artificiaes. | Germinações curiosas. | Germinação instantanea de sementes. | Os infinitamente pequenos. | A flora das moedas e das notas. | Sementes que se fazem transportar. Sementes com harpões. | Sementes que voam. | Sementes que saltam. | As sementes lagartas. | Folhas que dançam. | Plantas que andam. | A teimosia das plantas. | O enraizamento das plantas. | As raizes extravagantes. | Os caprichos das raizes. | As enxertias das Cacteas. | Os caprichos das flores. | Curiosa planta barometro. | Higrometros vegetaes. | A bussula de Flora. | Plantas detonantes. | Uma planta electrica. | A planta renda. | A Sensitiva. | As plantas bebedouros. | Colchico do outono. | As flores comestiveis. | A historia da arvore. | As bengalas rusticas. | Jogos e divertimentos varios. | As Cerejas. | Os enffeites de fructos sêccos. | Illuminações e fogos d'artificio com fructos. | Fructos com desenhos e fructos em garrafas. | As applicações populares do Sabugueiro. | Os instrumentos musicaes primitivos. | O Chocalho de Junco. | As flores e fructos pittorescos. | Cestas para flores. | Trabalhos com gramineas. | Desenhos de flores. | As ornamentações com flores sêccas. | Grão que dança e salta, e Maçã magica. | As folhas sêccas. | A colorisação das flores. | Uma planta extravagante. | Cultura recreativa dos Jacinthos. | As Aboboras e um Repuxo original. | Arvores em vaso. | Indice das gravuras. | Indice das plantas e fructos estudados ou mencionados n'este livro.
Encadernação lisa inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura e posse na f. ante-rosto. Capa algo oxidada.
Raro.
Indisponível

28 janeiro, 2023

VASCONCELLOS, J. de Carvalho e & FRANCO, J. do Amaral - AS PALMEIRAS DE LISBOA E ARREDORES.
Por... Separata de: «Portugaliae Acta Biológica» : Vol. II, fac. 4, págs 289-425
. [S.l.], [s.n.], 1948. In-4.º (24 cm) de 137, [1] p. (289-425 pp.) ; (XXXI) f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante trabalho monográfico com interesse histórico e botânico. Trata-se, julgamos, do único trabalho com a grandeza e pormenor dedicado a esta planta/árvore ornamental, que passa pelo levantamento exaustivo de todas as espécies de palmeiras existentes na a área metropolitana de Lisboa - com a respectiva descrição técnica -, amostra que, reconhecidamente, reflete a realidade do território nacional.
Livro ilustrado a p.b. com 31 desenhos e fotografias em página inteira.
"A necessidade de possuirmos bases seguras para a identificação das palmeiras cultivadas em Portugal é a causa do presente trabalho, em que as referidas bases são procuradas.
Como não nos foi possível de momento fazer o reconhecimento minucioso das espécies cultivadas em todo o País, iniciámos este estudo pela identificação das cultivadas em Lisboa e seus arredores, onde, sem dúvida, a maior parte está representada e na posse destes elementos será mais fácil de futuro completar esta identificação.
As palmeiras constituem motivo ornamental frequente nos nossos jardins, parques, avenidas e outros locais, vegetando grande número das suas espécies, entre nós cultivadas, perfeitamente ao ar livre, florescendo e frutificando regularmente e algumas mesmo tendo em determinadas condições regeneração natural. Embora nem sempre concordemos com o seu emprego, não deixamos de considerar que têm o seu lugar próprio entre a Flora ornamental utilizável no nosso País. Como possuem aspectos estéticos diferentes, dimensões diversas, exigências particulares, as variadas espécies de palmeiras apresentam aplicações apropriadas a cada caso, em que a sua utilização seja aconselhável. Por esse motivo, torna-se necessária a sua perfeita determinação e conhecimento, a fim de evitar erros de identificação que conduziriam possìvelmente à aplicação menos adequada dos indivíduos erròneamente classificados."
(Excerto da Introdução)
Matérias:
I - Introdução. II - Referências gerais. III - Descrição das palmeiras estudadas. | Autores citados. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

27 outubro, 2019

FONSECA, Tomás - A ORIGEM DA VIDA. Por... (Prof. e director das Escolas Normaes de Lisboa). Lisboa, Empreza de Publicações Populares, 1913. In-8.º (19 cm) de 151, [1] p. ; il. ; B. Bibliotéca d'Ensino Popular
1.ª edição.
Curiosíssimo título do autor, e um dos mais raros da sua extensa bibliografia. Obra de forte pendor anticlerical, onde Tomás da Fonseca procura desmistificar os ensinamentos religiosos ministrados durante o período da monarquia, de que Deus estaria por trás da criação da vida.
Livro ilustrado em página inteira com as árvores genealógicas monofilética e polifilética dos seres organizados, cada qual em sua página.
"N'esta altura da vida portugueza, depois de tanta destruição, aliaz necessaria, bom é que se comece a construir.
Deitou-se por terra a monarquia, expulsaram-se os reis e os jesuitas, fecharam-se as congregações religiosas, dominou-se o clericalismo, neutralisou-se o ensino, mas isso só não basta. O principal, que é a formação do caracter, a educação do povo - aspiração e pensamento dominante dos que fizeram a Revolução e a Republica - isso está por fazer.
O nosso esforço, as nossas energias teem-se gasto combatendo e demolindo instituições nocivas, castas inimigas do progresso, grupos divorciados da Razão e da Patria.
É tempo de começarmos a ensinar, levando a mocidade á repulsão de preconceitos tolos, d'aspirações absurdas, d'habitos degradantes que fizeram a decadencia e a miseria moral dos que nos precederam. [...]
O que fazer portanto? Crear a ordem n'essa confusão.
A ciencia augmenta, dia a dia, os seus triumfos; as ideias de emancipação e de egualdade tomaram conta dos espiritos, e fazem, gloriosamente, a sua marcha."
(excerto da introdução)
Matérias:
A Origem da Vida. I - As velhas teorias; II - Luta entre a religião e a ciencia; III - A geração expontanea; IV - Experiencias biologicas; V - Influencias do meio; VI - Aparecimento da vida; VII - Desenvolvimento das especies; VIII - Nosce te ipsum.
O Transformismo e a Intolerancia. I - A um professor primario; II - A uma aristocrata; III - [Resposta a uma carta que defende os milagrosos textos de Moises].
«Aparecimento da Vida sobre a Terra» (3.ª lição da Universidade Livre de Lisboa, realisada por Tomás da Fonseca).
Tomás da Fonseca (1877-1968). "Nasceu em Laceiras, Mortágua, a 10 de Março de 1877. Escritor, poeta, jornalista, professor e propagandista, professou desde cedo ideias liberais e republicanas. Frequentou Teologia no seminário de Coimbra, escrevendo 'Evangelho de um seminarista', após a sua saída em 1903. Pertenceu à Maçonaria, sendo iniciado em 1906. Foi um dos mais activos propagandistas republicanos, estando presente na organização de várias associações de carácter cultural e social. Jornalista, escreveu em vários órgãos de imprensa, nomeadamente O Mundo, Pátria, Vanguarda, Voz Pública, Norte, República, Povo, Batalha, Alma Nacional, sendo director do Arquivo Democrático. Escreveu também em jornais estrangeiro (España Nueva e Lanterna, do Brasil). Depois da implantação da República em 5 de Outubro de 1910, foi chefe do gabinete de Teófilo Braga, em 1910-1911, foi eleito em 1911 para a Assembleia Constituinte, por Santa Comba Dão, deputado na primeira legislatura e, em 1915, senador por Viseu, pelo Partido Democrático. Muito ligado à questão da educação e do ensino, foi vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, director das Escolas Normais de Lisboa e da Universidade Livre de Coimbra. Foi presidente do Conselho de Arte e Arqueologia de Coimbra. Em 1920 visitou a França, a Bélgica e a Inglaterra, numa missão de estudo a escolas, museus e bibliotecas. Da sua vasta obra, de cariz essencialmente pedagógico e de propaganda anti-clerical (especialmente contra a exploração de Fátima), cumpre referir os seguintes títulos: Sermões da Montanha (1909), Cartilha Nova para o Zá Povinho ler à noite ao serão (1911), Origem da vida (1912), Memórias do Cárcere (1919), Cartas Espirituais – A mulher e a Igreja (1922), História da Civilização, relacionada com a História de Portugal (1922), Ensino Laico (1923), No Rescaldo de Lourdes (1932), A igreja e o Condestável (1933), Fátima (1955), Na Cova dos Leões (1958), Bancarrota (1962). Morreu em Lisboa a 12 de Fevereiro de 1968."
(fonte: http://www.fmsoares.pt/aeb/crono/biografias?registo=Tom%C3%A1s%20da%20Fonseca)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresenta mancha junto à lombada.
Raro.
Indisponível

08 setembro, 2018

HAECKEL, Ernesto - O PROBLEMA DO HOMEM E OS PRIMATAS DE LINNEU. Conferência realisada por Ernesto Haeckel, na Camara Municipal de Jena, em 17 de Junho de 1907. Traduzida do original alemão por João Maria Bravo. Lisboa, Imprensa Beleza, 1928. In-8.º (20,5cm) de 72 p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada no texto com quadros e desenhos esquemáticos e em separado com três estampas.
"Deu ocasião á conferencia de hoje o desejo que, por vezes, me foi manifestado, de que fosse discutido em público o «Problema do Homem», isto é: «a importantissima questão sobre o lugar que o homem ocupa na Natureza e a sua relação com o conjunto das cousas», segundo os meus conhecimentos técnicos em zoologia. [...]
Que significa a surpreendente semelhança exterior e completa homogeneidade interna existente entre o organismo humano e o daqueles animais, que lhe estão imediatamente próximos, os macacos antropomorfos (de forma humana)? Que significa, sôbre tudo, o lugar natural do homem na classe dos mamiferos?"
(Excerto da Conferência)
Ernst Heinrich Philipp August Haeckel (1834-1919). "Foi um biólogo, naturalista, filósofo, médico, professor e artista alemão que ajudou a popularizar o trabalho de Charles Darwin, e um dos grandes expoentes do cientificismo positivista. Descreveu e nomeou várias espécies novas e elaborou uma árvore genealógica que relaciona todas as formas de vida. As contribuições de Haeckel para a zoologia eram uma mistura de pesquisa e especulação; ampliou as ideias do seu mentor, Johannes Müller, argumentando que os estágios embrionários num animal recapitulam a história de sua evolução, e, portanto, a ontogenia é a recapitulação da filogenia. Foi médico e um artista versado em ilustração que se tornaria professor em anatomia comparada. Foi dos primeiros a considerar a psicologia como um ramo da fisiologia. Propôs alguns termos utilizados frequentemente como filo, ecologia, antropogenia, filogenia e Reino Protista em 1866."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas, com pequena falha de papel no canto inferior dto da capa frontal.
Raro.
15€

22 dezembro, 2013

MORATO, M. J. Xavier – LIÇÕES DE BIOLOGIA MÉDICA. Lisboa, [s.n.], 1957. In-8º (22cm) de [2], 395, [3] ; [30] f. il. ; E.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Xavier Morato ao Prof. Luís Botelho.
Impressão em stencil de uma obra que viria a ser publicada em livro, com o mesmo título, anos mais tarde, em 1961. Ilustrado com tabelas, quadros, etc. ao longo do texto, e em separado com desenhos esquemáticos de página inteira.
“Iniciativa amiga fez gravar e reproduzir as lições que, no ano lectivo de 1955-56, foram por mim pronunciadas no curso de Biologia Médica da Faculdade de Medicina de Lisboa. Concluo que essa iniciativa obteve o êxito a que aspirava, pois se esgotaram todos os exemplares. Resolvi por isso rever as lições de 1955-56 e ampliá-las onde me pareceu indispensável e corrigi-las no que era essencial. Mantendo-se como se mantém o mesmo processo de impressão […] entendeu-se também que era indispensável ilustrar o texto com um mínimo de esquemas; sem eles certas matérias tornam-se ininteligíveis.”
(excerto do prefácio)
“A Biologia tem por objecto o estudo dos seres vivos. Bios significa vida, logos discurso ou estudo.
Importa, naturalmente, definir os limites da Biologia. Nesta cadeira, intitulada Biologia Médica, os senhores aprenderão uma série de noções de Biologia; mas, devemos confessar, desde já, que não há uma Biologia Médica, como não há uma Biologia Farmacêutica, nem quaisquer outros tipos particulares de Biologia.
A Biologia é só uma e quando dizemos Biologia Médica queremos apenas dizer noções de Biologia dedicadas àqueles que pretendem fazer o curso de Medicina.”
(excerto da introdução)
Manuel João Xavier Morato (1906-1989). “O Professor Xavier Morato, que foi o 50.º Presidente da Sociedade de Ciências Médicas, exerceu um mandato influenciado pelos caminhos que o seu próprio percurso cruzou: a emergente importância da biologia na medicina moderna, na explicação dos seus fundamentos e nas promessas de aplicação prática no seu futuro. Foi o primeiro professor dessa nova disciplina – a Biologia Celular – na Faculdade de Medicina de Lisboa.
Xavier Morato foi um internista respeitado pelos seus conhecimentos médicos muito vastos, pelo seu espírito arguto e pelo seu sentido clínico. Todavia, foi como morfologista que a sua intervenção académica e científica e a sua carreira adquiriram justa proeminência. Descendente da escola de microscopia de Lisboa, que teve em May Figueira, Celestino da Costa e Roberto Chaves os seus mais iluminados cultores, Xavier
Morato acrescentou-lhe prestígio como virtuoso na aplicação das impregnações argênticas no estudo da hipófise e no uso da microscopia electrónica, metodologia de que foi um dos primeiros utilizadores em Portugal. As suas investigações ultra-estruturais deram origem a uma obra científica que se dispersa por um amplo campo de interesses.
Na Faculdade de Medicina de Lisboa, a sua direcção ficou assinalada por uma marcada evolução na organização administrativa da Escola, que muito foi beneficiada pelo prestígio de que gozava junto do poder político.
O Professor Xavier Morato foi um notável pedagogo: as suas exposições possuíam invulgar clareza e uma apurada elegância. Os textos das suas aulas originaram publicações didácticas de referência, constituindo peças modelares de actualidade, rigor de escrita e elegância formal.” (in www.scmed.pt)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada, recoberta por protecção de plástico.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
35€