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28 outubro, 2026

MARQUES, Pedro José -
DICCIONARIO GEOGRAPHICO ABBREVÍADO DAS OITO PROVINCIAS DOS REINOS DE PORTUGAL E ALGARVES.
Com a designaçaõ dos concelhos, comarcas districtos, provincias, dioceses, oragos, freguezias congruas respectivas, legoas de distancia, correios, e feiras. Seguido de interessantes noticias corograficas e historicas; assim como, d'uma tabella demonstrativa das Comarcas judiciaes, Concelhos, numero de fogos, etc. Por... Porto, Typographia Commercial, Rua de Bellomonte n.º 74. 1853. In-8.º (22x15,5 cm) de XIII, [1], 291, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Obra de referência. Importante subsídio histórico e geográfico, publicado em 1853, numa época em que o tipo de informações que encerra era de acesso escasso ou nulo. Trata-se de um levantamento detalhado da organização administrativa, eclesiástica e territorial do país em meados do século XIX, reunido num único volume.
Entre outras informações pertinentes, inclui o número de fogos por local, povoação, aldeia, vila ou cidade. Nada foi possível apurar acerca do autor por total ausência de fontes biográficas. E esta interessantíssima obra terá sido tudo quanto publicou, de acordo com o registo da BNP.
"A falta que todos sentimos, d'um Diccionario Geographico completo do nosso Portugal, sobre maneira se tem aggravado com o volver dos tempos em presença das repetidas alterações na divisão do territorio. [...]
Uma tão grave falta, e os inconvenientes de della resultão, levárão-nos a emprehender a publicação d'uma obra que correspondesse, quanto fosse possivel, aos fins que se destina, isto é, ao mais exacto conhecimento do nosso Paiz, Provincias, Diocezes, Districtos, Comarcas, Concelhos e Freguezias em que se divide; coordenada á vista da novissima Reforma, e divisão territorial, e em harmonia com todos os Decretos, Portarias, e outros documentos officiaes até a data desta publicação."
(Excerto da Introdução)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Pastas desgastadas, com vestígios antigos de humidade. Assinatura possessória na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico e estatístico.
85€

26 outubro, 2026

LIÇÕES D'OPTICA. Coimbra, Imprensa Litteraria, 1880. In-8.º (20x13 cm) de 340 p. ; [16] estampas ; E.
1.ª edição.
Manual de óptica oitocentista, não assinado.
Ilustrado com 16 estampas extra-texto, albergando 107 "figuras" (desenhos esquemáticos).
Nada foi possível apurar acerca destas Lições ou do seu autor por não existirem referências bibliográficas, incluindo na BNP, mas por certo, será obra de um professor da Universidade de Coimbra.
"É de todos conhecido, que somos dotados de julgar da existencia e apreciar as propriedades dos objectos, collocados a distancia de nós; o orgão dos sentidos, que nos habilita a ter estas percepções, é o orgão da vista, o olho.
Mas, para que isto assim seja, é necessario que haja alguma cousa, que sirva de communicação entre esse orgão e os objectos exteriores: de facto, sem esta communicação, não se comprehende como os objectos nos impressionassem a distancia. Ora, chama-se visão a percepção dos objectos por meio do sentido da vista; e luz é essa relação ou communicação, que ha entre o olho e o objecto, ou melhor, a causa d'essa communicação: por isso se define
Luz é a causa externa da visão.
Optica é a parte da physica que se occupa do estudo da luz."
(Excerto da Primeira Lição - Introducção ao estudo da Optica)
Encadernação meia de percalina com lombada lisa. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado mas sólido. Assinatura de posse na f. rosto. Apresenta apontamentos a lápis à cabeça, nas margens e em rodapé. Em falta estampa 5 (fig. 39).
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Raro.
20€
Reservado

24 outubro, 2026

COSTA, Rodrigo Ferreira da -
A LYRA INGENUA, OU COLLECÇÃO De Canções e Glozas em quadras.
E che sentirai tu s'Amor non senti, Sola cagion di ciò che sente il mondo. Il Pastor Fido. Em Toulouse, Na Imprensa de Benichet Ainé. 1814. In-8.º (12,5x8,5 cm) de 50, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Raríssima edição original da primeira obra do setubalense Rodrigo Ferreira da Costa, publicada anónima. A 2.ª edição, também rara, foi igualmente impressa sem o nome do autor, mas em Lisboa, na Impressão Régia (1818). Só mais tarde Inocêncio Francisco da Silva desvendou e confirmou oficialmente a autoria da obra.
Curiosamente, a primeira edição tornou-se extremamente rara na história da bibliofilia portuguesa: após o lançamento, um estudante de Coimbra e futuro pároco, chamado Clemente José de Mello, publicou uma crítica literária feroz e satírica contra o livro. Magoado com as críticas agressivas ao seu "trabalho de juventude", Rodrigo Ferreira da Costa tentou comprar e recolher todos os exemplares que pôde no mercado para os destruir, tornando a edição original um verdadeiro "tesouro" para os colecionadores. Refeito das amarguras causadas por esta impressão, mais maduro e pragmático, permitiu que a Impressão Régia reimprimisse a obra. Mas desta feita, para prevenir eventuais ataques, o livro incluiu em subtítulo "Trabalhos Poeticos de um Moço Académico", justificando publicamente que aqueles versos pertenciam ao passado e ao contexto irreverente da vida de estudante. (IA)
"Os versinhos, que publico, não são meus; porem deve-os o pùblico à minha curiosidade. Nascêrão nas margens do Mondego naquelles dourados tempos, em que os Cysnes Academicos ião decantar os seus amores à sombra dos salgueiros, ou no Penedo da saudade ao desafio com os melros, e rouxinòes.
São quase todos de hum moço mui prezado em Coimbra, o qual falleceu na flor dos annos com grande magoa de seus amigos, e saudade das Musas, que com felicissimo engenho cultivava. Não o nomeio por poupar à sua honrada memoria a macula de paixões, e de fraquezas."
(Excerto do Prologo)

"Nesta serra amena, e fresca,
Onde huma tarde subi,
Recostado n'um Penedo
Suspirando adormeci.

Tua ditosa morada
Buscava ver; mas não vi;
Cançado de procura-la
Suspirando adormeci.

No tronco de altivo freixo
A tua cifra insculpi:
Sentei-me, e co'os olhos nella
Suspirando adormeci.

Lembrado dos doces mimos,
Que hum dia te mereci,
Cheio de ternas saudades
Suspirando adormeci.

Em sonhos entre teus braços
Estreitado me senti:
Accordo; mas não te vendo
Suspirando adormeci.

Co'os olhos fitos na Lua
Com o pensamento em ti,
Desejando-te a meu lado
Suspirando adormeci.

N. B. O auctor dèrão-lhe nesta tarde as ternuras para dormir. Parece, que tinha tomado opio."

(Suspirando adormeci)

Rodrigo Ferreira da Costa (Setúbal, 1776 - Lisboa, 1825). "Poeta, musicólogo, filólogo e matemático. Licenciado em Leis (1800) e em Matemáticas (1804) pela Universidade de Coimbra. Estudioso de outras matérias, pode considerar-se como o primeiro musicólogo português, sendo também profundos os seus conhecimentos filológicos e linguísticos (dominava várias línguas, incluindo o grego e o latim). Posto isto, e talvez por destoar em seu saber e em suas ideias filosóficas, só em 1810 obteve colocação: oficial na secretaria do Comando Geral do Exército, qualidade em que acompanhou o Ajudante-General até ao final da Guerra Peninsular, em 1814. Em 1821 fizeram-no deputado às Cortes Constituintes e, em 1823, foi provido no lugar de Lente da Academia Real de Marinha. Era talvez para si o lugar mais adequado, mas durou pouco, pois morreria dois anos depois. Também foi membro da Academia Real das Ciências de Lisboa, que em 1820 e 1824 publicou os dois volumes dos seus Princípios de Música.
Estreou-se literariamente em 1814 com a Lira Ingénua..., um livro de versos que publicou anónimo em Toulouse. A segunda edição, muito aumentada e já assinada, foi impressa em Lisboa, com o mesmo título, em 1818. Em 1835, José Inácio de Andrade, seu grande amigo, mandou imprimir a tradução que Ferreira da Costa havia feito do poema A Ventura de Helvecio (Claude Adrien Helvetius, 1715-1771, um dos ideólogos precursores da Revolução Francesa), a que juntou uma nota biobibliográfica do tradutor na qual afirma que também se lhe deve a tradução para português do Templo de Gnido de Montesquieu, publicada em Paris em 1828 e assinada «Uma Portuguesa».
Rodrigo Ferreira da Costa traduziu igualmente a segunda parte da Arte de Pensar de Condillac; a tradução da primeira parte deve-se a José Liberato Freire de Carvalho."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=12106)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem a capilha anterior; a capilha posterior apresenta rasgão ao centro (sem perda de suporte).
Muito raro.
Peça de colecção.
100€

19 outubro, 2026

MELLO, Thomaz de - BOHEMIA ANTIGA
. Por.... Lisboa, Typographia de A. da Costa Braga, 1897. In-8.º (18,5x12,5 cm) de [8], 263, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Crónica de uma viagem a Sevilha, interessantíssima, seguida de um conjunto de histórias engraçadas e curiosas pela pena de D. Tomás de Melo, conhecido pândego da época.
"Por esse tempo ainda não havia casas de penhores, affinaçadas pelo Governo Civil; os prégos eram clandestinos.
Existiam alguns taberneiros e moços de botequim que, por intermedio de seus agentes, como eram entre outros o Theodoro, o Phoca, o Rei Wamba e o Pessoa, faziam esta especie de negocios.
Quando então se empenhava qualquer objecto, o seu agio era enorme. Não se limitava ao juro imposto pelo préguista, acrescia ainda o preço do recado, que se pagava ao gallego, que ia chamar o agente e a gratificação que este recebia! Quem levantasse uma moeda sobre qualquer penhor encontrava-se, a maior parte das vezes, com tres mil e seiscentos!
D'entre todos estes onzeneiros os mais afamados eram o Marreca, de quem fallamos n'estas memorias; o Prado Chapelleiro, do Rocio; o Carvoeiro, hervanario da Travessa de Santa Justa e o celebre José Confeiteiro, da Rua do Ouro, de quem respeitosamente nos vamos occupar.
Este, ao escurecer, soltava os seus agentes pelas immediações do Marrare do Arco do Bandeira, do Botequim do Freitas e do Café do Hespanhol, mais conhecido pelo Canto do Muro em virtude da sua grande analogia com o celebrado Canto do Muro, do Pinhal da Azambuja.
O José Confeiteiro, que em epochas anteriores se recusava a acceitar qualquer objecto que não fosse de ouro ou prata, já por esse tempo emprestava sobre tudo que tivesse algum valor, não se negando mesmo a transaccionar com egua ou cavallo, que lhe apresentassem, logo que os visse gordos e de pello luzidio."
(Excerto de O José Confeiteiro)
Índice:
Uma viagem a Sevilha - Da Travessa dos Burros (á boa-morte) á Calle de la Sierpe | Outros tempos... - O José Confeiteiro (1860); - Na Boa Morte. A espada do cardeal de Retz e um cavallo deitado á almargem (1865); - Um negocio de frangãos (1865); - O Armario do Chico Mendonça (1860); - As botas de Napoleão; - Memorias da mocidade e… azeite doce. A José Augusto Galache; - O corcunda do Chiado; - Um Duello.
Tomás de Melo (na grafia de então, Thomaz de Mello) (1836-1905). Foi um escritor português, casado com D. Maria de Jesus de Bragança, filha ilegítima de D. Miguel I. Sobre a sua conduta de bon vivant e bom garfo lemos na revista O António Maria:
"Quem o não conhece, ao D. Thomaz de Mello, como um dos mais patuscos, mais curiosos, mais attrahentes typos d'essa bohemia de melhores tempos que lhe valeu agora, em boas reminiscencias, um alegre livro?! Quem o não conhece, ao da grande pera e mais o grande bigode, grande chapeu desabado e grande pança cahida, dilatada por quantas ceias e idas ás hortas memoraveis de que nos falla a Historia, e em que elle tomou parte, denodadamente, em tremendissimas pandegas de estalo!"
Foi autor dos seguintes livros: Cenas de Lisboa (1874); Modesta: memórias de um degredado (1874); O Conde de S. Luís (1874; 2.ª ed. 1903); A espera de touros em Carriche (1879); Boémia antiga (1897); Contos e casos (1904); Recordando "O Negro de Alcântara": tragédia em 4 actos, paródia do "Otelo" (1904). Foi ainda proprietário da revista O reclamo: órgão da Agência Universal de Anúncios, publicada pela casa Júlio Rodrigues, em 1892."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação simples em tela, com ferros gravados a seco e a ouro na lombada, executada nas oficinas de mestre Paulino Ferreira. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

16 outubro, 2026

COELHO, J. M. Latino -
VASCO DA GAMA.
Primeira Parte [Segunda Parte]. Por... Galeria de Varões Illustres de Portugal, N.º 2. Lisboa, David Corazzi - Editor : Empreza - Horas Romanticas, 1882. 2 vols in-8.º (19,5x13 cm) de [12], 282, [4] p. ; [1] f. il. ; (I) e [4], 371, [5] p. ; [1] mapa desdob. ; (II) ; E.
1.ª edição.
Obra biográfica de fôlego - em 2 volumes - sobre o grande navegador português e seus feitos. Na primeira parte o autor escreve sobre o contexto pré-Descobrimentos e consagra o estudo aos navegadores que precederam Vasco da Gama. 
Ensaio muito completo, ilustrado com o retrato de Vasco da Gama no volume I e um  mapa desdobrável com o caminho marítimo para a Índia no volume II.
"Quando as sombras da edade média começavam de tingir-se com os primeiros arreboes do Renascimento, duas inspirações e dois anceios agitavam o espírito europeu, já porventura fatigado da sua via interior e domestica, já pesago da multiforme e dilatada civilisação, que ao pleno despertar da intelligencia haveria de converter a velha Europa em luzeiro de toda a humanidade e em soberana região do globo inteiro. [...]
A Europa sente no XV seculo  que mais altos destinos, que os da vida quieta e remansada, a estão appelidando para novas e grandissimas emprezas. Não lhe podem já bastar á nervosa actividade as guerras interiores e as contenções domesticas sem fructo e sem valor. Pressente que uma nova transformação, vagamente suspeitada, é já agora necessaria ao seu viver. É do Norte que desponta, com a imprensa, a primeira e grandiosa innovação, o instrumento precioso de cultura intellectual. Pois, ao contrario, será das terras europêas do Meio-Dia e Occidente que ha de brotar e florescer outra rama não menos inesperada da civilisação universal. Descobre Guttemberg o apparelho, em que se corporifica e perpetúa o pensamento. Mas é em Portugal que hão de nascer as mais assombrosas maravilhas, que o prelo e os typpos moveis hão de escrever e recontar."
(Volume I - Excerto de I. O seculo XV)
"Desde as primeiras navegações nas costas africanas nos primeiros annos do XV seculo, até á viagem memoravel de Bartholomeu Dias, tinham sido perseverantes e continuos os esforços da gente portugueza para traçar no Oceano o caminho ás remotas regiões do Oriente.
A Boa Esperança, figurada no cabo, que se havia alfim dobrado, não foi enganosa, nem mentida. O rei, a cuja ambição de descobrir a India e o seu famoso Preste, se devia como estimulo  ousada navegação, - o maior feito naval dos portuguezes até áquelle tempo, - desejava seguramente continuar a empreza começada, e para isso havia já mandado cortar e apparelhar as madeiras necessarias para os navios, que haviam de proseguir alem do Cabo o auspicioso descobrimento. [...]
A Bartholomeu Dias, que já tinha visto o pouco hospitaleiro recebimento, com que o velho Adamastor dava as boas vindas aos que ousavam affrontal-o, mandou el-rei que tivesse a seu cuidado o acabar a feitura dos navios, que haveriam de ir á nova expedição. O anno de 96 passou-se nos apercebimentos da frota, que ficou para sempre memoravel. E no anno seguinte de 1497, no mez de janeiro, estando el-rei D. Manuel em Extremoz, segundo a narrativa de Damião de Goes ou em Montemór o Novo, conforme a narração de Barros, mandou chamar a Vasco da Gama e lhe deu o governo da expedição depois de algumas palavras..."
(Volume II - Excerto de I. O novo caminho da India)
José Maria Latino Coelho (1825-1891). "Nasceu em Lisboa, a 29 de novembro de 1825, e faleceu em Sintra, a 29 de agosto de 1891. Frequentou o curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, tendo sido promovido a alferes (1848), tenente (1851), coronel (1878), coronel (1878) e general de brigada do Estado Maior de engenharia (1888). Foi lente substituto de Mineralogia e Geologia na Escola Politécnica (1851); deputado (1854, 1857, 1860, 1862, entre outras) e candidato republicano (1889 e 1890); par do Reino e ministro da Marinha (julho de 1868 a agosto de 1869); integrou o diretório do Partido Republicano (1883; foi membro da comissão para a reforma da Academia das Belas Artes de Lisboa; escritor e jornalista, colaborou em diversos periódicos, tais como Revolução de Setembro (1849), A Revolução, A Emancipação, Revista Peninsular, Século e A Semana, por si fundado em 1851, e diretor do Diário de Lisboa (1859).
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio efetivo da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 18 de maio de 1855, tendo integrado a 3.ª Secção (Ciências Histórico-Naturais) e sido secretário entre 1856 e 1891, bem como secretário da classe, cujo cargo exercera durante o mesmo período."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/15)
Encadernações em tela com ferros gravados a seco e a ouro nas lombadas. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. Ocasionais manchas de oxidação no interior.
Muito invulgar.
45€

14 outubro, 2026

BOCAGE, Manoel Maria de Barbosa du -
RIMAS, DEDICADAS Á AMIZADE.
De... Tomo II. Terceira Edição, correcta pelo Author. LISBOA. M. DCCC. XIII. Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira. Com licença da Meza do Desembargo do Paço. Vende-se na mesma Officina na Calçada Salitre Nº 84. In-8.º (14x9,5 cm) de [10, 368, [2] p. ; E.
Segundo volume das Rimas dedicado à amizade, no qual o Bocage agradece a todos aqueles que contribuíram para aliviar as suas angústias, especialmente nos momentos de maior adversidade, quando doente ou em reclusão. Nestes versos, Bocage afasta-se da matiz estritamente satírica ou erótica e dirige-se aos amigos que o apoiaram nos momentos de maior dificuldade..
"A Maior parte das Poesias que publico, foi recobrada com a memoria em casa do meu officioso Amigo José Salinas de Benavides, huma das pessoas mais benemeritas, e qualificadas de Santarem, onde me avisárão de que, affectada a minha letra por algum de muitos malévolos, que, á maneira de lobos, matão ás vezes o que não hão de comer, ou, deixando figuras, por algum dos que prejudicão sem utilizar-se, fôra em meu nome extrahida aos depositario dos meus bens poeticos a caixa, em que jazião, com os trastes proporcionados á minha profissão, e hum tanto peores, que os versos. Temendo a perda do que, para mim ao menos, era prcioso, examinei o livro interior, que me não pódem roubar, e com effeito copiei delle tudo o que dou á luz não relativo a hum desastre tão impensado, como penoso, que me sobreveio depois, e occasionou as producções, em que o chóro.
Leitor intelligente, verdadeiro Crítico (e não a chusma de Zoilos, que usa infestar a República literaria, e crê que a mordacidade suppre o talento) o Sábio imparcial (em que só me louvo) talvez não desdenhe estas novas Rimas... [...]
Poderáõ os Zoilos abocanhar a m inha Musa, mas serão obrigados a reconhecer a minha gratidão na Epistola dedicatoria, que dirijo ao extremoso Amigo, cuja beneficiencia me adoçou o infortunio, e deo a saber que o seculo do Egoismo ainda soffre excepções proveitosas aos infelices."
(Excerto de Ao Leitor)

"Vós, que de meus extremos sois a historia,
Versos, por negro zoilo em vão roubados,
Nascidos da Ternura, e restaurados
Co’ promto auxilio de fiel memoria:

Da Inveja conseguindo alta victoria,
Ide, meus Versos, em Amor fiados,
Que delle só dependem vossos Fados,
Que nelle só demando a minha gloria:

Não vos importe o público juizo;
Da Voz que pelo Mundo se derrama,
Os vivas caprichosos não preciso.

Voai aos olhos, cuja luz me inflamma;
Tereis de Anarda approvador sorriso;
Hum sorriso de Anarda he mais que a Fama.
"

(Soneto I.)

Manuel Maria Barbosa du Bocage (Setúbal, 1765 - Lisboa, 1805). " Foi o maior poeta português do século XVIII, que se irmana com Camões no destino do estro e nas desventuras de uma existência repartida entre Portugal e a Índia. Manuel Maria l' Hedois de Barbosa du Bocage – de seu nome completo – era filho de um advogado e de uma senhora francesa de ascendência normanda. Orfão de mãe desde os dez anos, assentou praça em Setúbal em 1781, tendo-se alistado dois anos depois na recém-fundada Academia dos Guardas-Marinhas, em Lisboa. Conheceu então a boémia lisboeta, os botequins, o Nicola, onde o seu génio poético se afirmou no improviso e lhe ganhou aplausos. Subitamente, ao fim de dez meses de frequência do curso, Bocage abandonou os estudos, sendo dado como desertor em 6 de Junho de 1784. Nomeado guarda-marinha, partiu para a Índia a 4 de Abril de 1786, fazendo escala no Rio de Janeiro, tendo chegado a Goa a 20 de Outubro. A sua estada na Índia foi por ele comparada ao exílio de Ovídio entre os Getas – os «bárbaros» indianos que o rodeavam. Promovido ao posto de tenente, foi destacado em Damão, mas só aí permaneceu dois dias, 7 a 8 de Abril de 1789, refugiando-se em Macau de onde viajou para Lisboa, em 1790. No seu regresso, Bocage aderiu à Nova Arcádia, onde assumiu o pseudónimo literário de Elmano Sadino. Em 10 de Agosto de 1797 foi preso por ordem do intendente Pina Manique, acusado de ser «autor de papéis ímpios e sediciosos». A peça principal do auto de acusação era o poema Pavorosa Ilusão da Eternidade. A 7 de Novembro do mesmo ano foi transferido para os cárceres da Inquisição, daí seguindo, a 22 de Março de 1798, para o Hospício de Nossa Senhora das Necessidades, dirigida pelos padres do Oratório.
Toda a poesia de Bocage se nutre das suas vicissitudes biográficas. O amor e o erotismo, o ódio e a raiva das ofensas sofridas ou imaginadas, vibram nos seus versos com a intensidade do excesso, que a forma apurada e o rigor verbal dominam, tornando mais impressionante o seu efeito estético. O poeta cultiva com igual desenvoltura todos os géneros, desde o soneto de fina conceituação petrarquista ao verso fescenino, servindo-se ainda dos códigos de um discurso classicizante, onde prorrompe já um vigoroso individualismo em revolta com as normas e os tabus da sociedade vigente. A atitude do poeta contra a tirania e o despotismo não implica, no entanto, a aceitação do radicalismo da Revolução Francesa, a que se opõe, nem a via do libertino, que o seduziu, esmoreceu nele as suas crenças e convicções de católico. Bocage foi um ser contraditório, que soube viver intensamente na sua poesia as suas contradições existenciais. O seu fascínio pela morte e a expressão da sua extrema emotividade fazem dele um precursor do Romantismo, cujos desbordamentos evitou no apego à contenção clássica, impondo-se como um artífice do verso, o chamado elmanismo, que tanto atrairá os parnasianos portugueses e brasileiros."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?autorid=7375)
Encadernação coeva em pele.
Exemplar em razoável estado de conservação. Cansado. Pastas e lombada apresentam falhas no revestimento. F. rosto com pequeno orifício ao centro. Aparado à cabeça.
Raro.
15€

10 outubro, 2026

MONTEIRO, José de Sousa - SANTO ANTONIO DE LISBOA.
Estudo de Historia e Critica. Por... Socio effectivo da Academia Real das Sciencias. Lisboa, Imprensa Nacional, 1895. In-4.º (25x15 cm) de 125, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica comemorativa do sétimo centenário natalício de Santo António de Lisboa.
Ilustrada com o retrato do Santo com o Menino, reprodução do quadro de Murillo (parte central) existente no museu de Berlim. Gravura de M. Diogo Netto.
"Ha pouco dizia a Don Locatelli de Padua o Pontifice que gloriosamente preside na Igreja universal: «Importa amar muito a Santo Antonio e procurar que os outros o amem. Santo Antonio não é só de Padua, é do universo inteiro». Tem este livro, de mais ambições que paginas, o expressivo proposito de fixar com a exacção possivel algumas das feições do engenho e da alma do grande portuguez."
(Excerto da Introdução)
José de Sousa Monteiro (1846-1909). "Nasceu na Praia (Cabo Verde) a 20 de agosto de 1846 e faleceu em Lisboa a 12 de outubro de 1909. Em Lisboa obteve o Curso Superior de Letras e o de Diplomacia. Foi diplomata, jornalista, escritor, deputado (1879-1882) e diretor-geral do Ministério das Finanças.
Pertenceu ao Instituto de Coimbra, foi comendador de Carlos III de Espanha e comendador de Leopoldo da Bélgica e recebeu ainda a Grã-Cruz da Ordem de Santiago.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 5 de junho de 1884 e efetivo a 25 de junho de 1891. Desempenhou nesta Academia os cargos de Vice-Secretário (1896), Secretário-Geral (?-1909) e Presidente da Classe de Letras (1909)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20134)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€

08 outubro, 2026

REFUTAÇÃO Á RESPOSTA ANALYTICA AO OPUSCULO INTITULADO BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O COMMERCIO, E NAVEGAÇÃO DE PORTUGAL PARA A ASIA.
Por hum portuguez não hypocrita. 26 de Janeiro de 1836. Lisboa: 1836. Typographia de Felippe Nery. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica a propósito do comércio com a China via Macau e os monopólios a estes associados, despoletados por um opúsculo publicado em Junho de 1835, que deu asas à polémica - Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Asia - e que  foi objecto de crítica - Resposta analytica... A este, respondeu o autor do primeiro com o presente folheto.
Opúsculo com interesse histórico e político.
"Quando em 12 de Junho de 1835 publicámos o Opusculo intitulado = Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Ásia = logo previmos que alguem apparecesse a contestar de má fé as nossas opiniões. Passarão-se quasi sete mezes, que os aspirantes ao monopolio guardarão estupido silencio, talvez receando-se (com muita prudencia!) desafiar huma polemica publicva, que lhes desconcertasse os seus planos, e os fizessem odiosos á parte sã, e illustrada dos negociantes Portuguezes, e do publico instruido."
(Excerto da Refutação...)
Exemplar brochado em razoável estade de conservação. Cpas frágeis, manchadas, com defeito e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
10€

30 setembro, 2026

LENCASTRE, D. José Coutinho de -
DIGRESSÃO RECREATIVA : PASSATEMPO ALEGRE OU  REVISTA DO VIVER DAS PRAIAS, NA EPOCHA DOS BANHOS DO MAR.
No corrente anno de 1870. Lisboa, Typographia Portugueza, 1871. In-8.º (20,5x13 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso roteiro das praias de Lisboa e da Linha, até Cascais. Não assinado. Sabe-se no entanto que o seu autor foi D. José Coutinho de Lencastre.
A Digressão Recreativa é uma espécie de crónica socialite sobre os frequentadores das praias da região litoral de Lisboa e arredores durante a época estival, talvez a primeira "revista" do género publicada entre nós. Em cada "praia" o autor dá conta das moradias e nomeia as famílias que os habitam.
"Todos sabem, e muito bem conhecem, n'esta côrte, nobre a antiga cidade de Lisboa, segundo antigas lendas, patria do antigo pai Ulysses, que se denominam Praias, toda essa orça de areias, ou fita, que se estende, em sinuosidades caprichosas, e banhada por aguas cristalinas, e salsas ondas, do formoso Tejo, desde, a Torre de Belem, até á de S. Julião, ou S. Gião, se alguem quizer ou mais lhe agradar."
(Excerto do Preâmbulo)
"A designação é consagrada por eras bem antigas. Local aonde, o nauta fatigado, de asperas vigilias, riscos, e trabalhos, em bem longa viagem, cercado continuadamente de perigos sobre baixios, mares tormentosos, e encapellados, vem finalmente lançar ferro, dar fundo, e seguro em suas amarrações, recupera animo e forças, á vista da terra appetecida, ou lar domestico, abafando n'alma, alegre e contente, o prazer, que lhe prende a vida, ou pula no coração, de em breve, abraçar amante, parentes e amigos.
Tem o Dáfundo seu nobre Castellão, o Ex.mo Marquez de Cstello-Melhor, que vem todos os annos pelos mezes de Setembro, e Outubro, habitar alli, o seu Doujon acatelado, acompanhado de suas amabilissimas Irmãs."
(Excerto de Dafundo)
"Estendida em tiras, aos pés do vistoso monte monte de Santa Catharina. Á entrada, o mesmo perigo que na Ponta de Algés, senão peior.
A mesma censura, e mais fulminante, á Illm.ª Camara da Villa, e Concelho de Oeiras, pelos seus indesculpaveis descuidos. [...]
Este anno, apesar de tudo, reuniu-se alli, bem elegante sociedade, de supremo bom tom; a côrte celeste dos Anjos, rancho fatidico, e esbelto, ostentando galas e primores do mais refinado bom gosto em casquilhos toilletes, trajados por tão graciosas deidades, que esparziam sorrisos feiticeiros, e sabiam acompanhal-os de um chic, todo especial, em animadas conversas, ou mais distracções campestres."
(Excerto de Cruz-Quebrada)
"Está dito. Vou. Uma visita tem todo logar, e é bem cabida, n'esta occasião, em que reside alli, tanta gente, e nobre gente, illustre, e mui fidalga gente. Nobres cavalleiros e formosas Damas, flôres mimosas e estrellas resplandescentes. Eu bem reconheço, o quanto é arriscado, o meu proposito, tendo de observar, ver, e contar depois, quanto vi, e quanto ouvi. Mas apezar de tudo, seguirei por diante, o meu fadario errante, dê por onde der, e tanto mais tendo ouvido rosnar, tanta cousita, exquisita, extravagante, e bonita; desejo, e se me aguça, a vontade, de ir observar, por mim mesmo, se é verdade, o romntico, o poetico, e o fadista, de quanto se relata, da sociedade, aliás elegantissima, d'aquelle sitio."
(Excerto de Cascaes)
Índice:
[Preâmbulo] Torre de Belem | Pedrouços | Ponte d'Algés | Dafundo | Cruz-Quebrada | Boa-Viagem | Caxias | Paço d'Arcos | Oeiras | Cascaes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito raro.
100€

29 setembro, 2026

FIGUEIRA, Francisco José -
O POTRIL MILITAR.
Por... Medico veterinario militar. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897. In-8.º (22,5x14 cm) de 131, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio sobre o potril português localizado na zona de Portalegre.
Potril é um pátio, alpendre ou cercado onde se recolhem e guardam potros para serem adestrados ou domesticados. A palavra também é conhecida pelo sinónimo poldril e deriva diretamente da palavra potro (o cavalo jovem). (IA)
Livro com interesse histórico, agrícola e pecuário, ilustrado no texto com quadros, tabelas e "mapas" estatísticos.
"Este trabalho tem uma pretensão apenas; mostrar, de uma maneira clara e concisa, tudo quanto technicamente se fez no potril militar, e a rasão por que se fez. [...]
Comprehende duas partes. Na primeira, e com mero intuito de elucidação e comparação, tentâmos um rapido estudo dos potris militares estrangeiros - allemães, francezes e hespanhoes. [...]
A segunda parte é por completo consagrada ao estudo da organisação do potril, aos resultados obtidos com a exploração agricola e ao systema recreador seguido."
(Excerto de Breves explicações)
"Em 6 de agosto de 1888, lavra-se a escriptura de arendamento da herdade.
A Crucieira
Situada no districto de Portalegre, concelho do Crato, freguezia de Nossa Senhora dos Martyres.
... é limitada ao norte pela ribeira do Gamito em grande parte e pelo marco geodesico da Ferrenha; a leste pelas duas heraddes Almojanda e Carrascal; a sul pelo marco geodesico proximo da ribeira dos Barretos e monte da Velha (pequeno logar); e a oeste tem por limites as estremidades das duas folhas, Figueira Doida, dentro do qual existe um marco geodesico, e pela fonte da Pêga. Circumscriptos estes limites na carta geodesica, dá approximadamente um quadrilatero de 5 kilometros de lado por 6 kilometros de comprimento ou 3:000 hectares de terreno."
(Excerto de Potril militar portuguez: I - Organização)
Indice:
Breves explicações | Primeira Parte - Potris militares estrangeiros: I - Potris allemães; II - Potris francezes; III - Potris italianos; IV - Potris hespanhóes. Segunda Parte - Potril militar portuguez: I - Organização; II - Exploração agricola; III - Recreação.
Encadernação simples em tela com título na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Lombada apresenta falha à cabeça. Interior correcto.
Raro.
45€

27 setembro, 2026

LEYS, E PROVISÕES, QVE ELREI DOM SEBASTIÃO NOSSO SENHOR FEZ DEPOIS QVE COMEÇOU A GOVERNAR. Impressa em Lisboa per Francisco Correa em 1570. Agora novamente reimpressas por ordem chronologica, e com a numeração de §§., que em algumas faltava, seguidas de mais algumas Leis, Regimentos e Provisoens do mesmo Reinado, tudo conforme ás primeiras ediçoens. Ajuntou-se-lhes por appendix a Lei a Reformação da Justiça por Philippe II. de 27 de Julho de 1582. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1816. In-8.º (21x15 cm) de [10], 270 p. ; E.
Junto com:
LEI DA REFORMAÇAM DA JUSTIÇA, DE 27 DE JULHO DE 1582. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1816. In-8.º (21x15 cm) de [4], XXXX p. ; E.
E:
COLLECÇÃO CHRONOLOGICA DE VARIAS LEIS, PROVISÕES E REGIMENTOS DELREY D. SEBASTIÃO PARA SERVIR DE APPENDIX Á nova edição das que colligíra Francisco Corrêa em 1570, com algumas mais de Flippe II e III, anteriores á publicação de suas Ordenações em 1603. Precedidas umas e outras da Ordenação da Ordem do Juizo delRei D. João III de 5 de Julho de 1526, etc., ordenado tudo e correcto conforme ás primeiras edições e MSS, authenticos por J. I. de F. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1819. In-8.º (21x15 cm) de LVIII, 264 p. E.
E:
SUPPLEMENTO Á COLLECÇÃO CHRONOLOGICA DE VARIAS LEIS, PROVISÕES E REGIMENTOS DE ELREY D. SEBASTIÃO, PARA SERVIR DE SEGUNDO APPENDIX. Á nova edição das que colligíra Francisco Corrêa em 1570. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1825. In-8.º (21x15 cm) de 23, [1] p. E.
Importante documento histórico em 4 volumes - (completo) - encadernados num único tomo. Trata-se de um de lote bibliográfico absolutamente fantástico, que reúne a edição completa de legislação sebastiânica e os seus apêndices oficiais, impressos pela Real Imprensa da Universidade de Coimbra entre 1816 e 1825.
"Ev ElRey faço saber aos que este Aluara virem, que auendo respeyto a Francisco Correa Impressor, imprimir ora á sua propria custa o liuro das Leys e Prouisões, que eu passey, e fiz depois que comecey a gouernar meus Reynos atégora: E por lhe fazer mercè, ey por bem, e me praz que por tempo de cinco annos Impressor,, nem Liureyro algum, nem outra pessoa, de qualquer qualidade que seja, não possa imprimir, nem vender em todos meus Reynos e senhorios, nem trazer de fora delles o dito liuro, saluo o dito Francisco Correa, ou aquellas pessoas, que para isso tiuerem seu poder e licença."
(Excerto de Privilegio)
"Desembargadores do paço, amigos: Eu ei por bem, pera que daqui em diante aja milhor expediente nos negocios, e se possa dar mais breue despacho ás partes, que alem dos casos, que per bem de vosso regimento podeis despachar, de que as cartas e prouisões ham de ser assinadas per dous de vos, possaes despachar mais os casos abaixo declarados, e assinar pela mesma maneira as cartas e prouisões, que delles se fizerem, posto que ategora as ditas cartas e prouisões fossem assinadas per mi, e com meu passe."
(Regimento - Sobre alguns casos, e prouisões, que se ora despacham e assinam pelos Desembargadores do paço)
Encadernação não contemporânea meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Miolo perfeito.
Raro.
Peça de colecção.
150€

24 setembro, 2026

IVO, Pedro -
CONTOS. Por... Porto, Typographia da Revista, 1874. In-8.º (17,5x12 cm) de 266, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante colecção de contos, rústicos, de inspiração romântica.
"Corre a manhã de um domingo de novembro, frio, triste e chuvoso.
Na unica rua da aldeia, formada por meia duzia de casas térreas, separadas umas das outras pelos muros de vedação de algumas hortas, onde raros pés de couve, queimados pelas geadas, se erguem d'entre as hervas parasitas, não transita viva alma.
As unicas creaturas, que vagueiam fóra de telhas, são um porco e um frango: o primeiro, na sua marcha tortuosa e indecisa, vai roçando com o focinho quanto encontra no chão, soltando o monótono grunhido que, em lingua suína, deve exprimir: «Serve-me,» «Não me serve,» e o segundo, caminhando em passo presumido, vai vasculhando no lixo o pão de cada dia.
Não se ouve outro ruído, que não seja o das gotas da chuva, que cáhem das beiras dos telhados.
Aberta, apenas se vê uma porta.
Entremos.
Eis-nos na tenda do Snr. José... da Tenda.
Não sei se os leitores se teem, como eu, recolhido algumas vezes n'uma tenda de aldeia, á espera que a chuva passe.
Se teem, conhecem de certo o desconsolo, que causa a vista d'aquelle sólo composto da lama acarretada pelos tamancos de quatro gerações, o aspecto do balcão negro e ensebado, suando immundicie por todos os poros da madeira, com o bordo polido pelo roçar dos freguezes, fartos de escutar pela vigesima vez a historia de dois cruzados novos e tres moedas de doze falsos, e pregados ao mesmo balcão, como prova da pureza d'alma do tendeiro e da perversidade dos homens, que não são tendeiros."
(Excerto de O milagre)
Indice:
O milagre | A sentença da tia Angelica | A boneca | A doida de Tagilde | Meigo | A quina d'espadas | A figa d'azeviche | O embarcadiço | O cruzeiro da via-sacra | O berço.
Pedro Ivo (1842-1906). "Pedro Ivo é o pseudónimo literário de Carlos Lopes. Nasceu e faleceu no Porto. Viveu na Alemanha, onde estudou, esteve no Brasil e na África portuguesa, tendo sido Presidente da Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro de África. Nas suas obras de ficção notam-se influências de Camilo e de Júlio Dinis, em especial nas descrições da vida do campo e no sentimento trágico da vida.
Obras: Contos (1874); O Sello da Roda (romance, 1876); Serões d'Inverno (contos, 1880)."
(Fonte: https://vercial.utad.pt/ivo.htm)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cantos com sinais de uso.
Raro.
35€

17 setembro, 2026

SILVA, Luiz Augusto Rebello da -
FASTOS DA IGREJA : Historia da Vida dos Santos, Ornamentos do Christianismo.
Por... Com auctorisação e censura do Patriarchado. I [e II]. Vida de Jesus Christo. [Lisboa], Typ. do Panorama, 1854 e Lisboa, Em Casa de A. J. F. Lopes, 1855. 2 vols in-8.º (20x13 cm) de 244 p. ; [1] f. il. ; il. (I) e 312, [2] p. (II) ; E. num único tomo.
1.ª edição.
Fastos da Igreja: História da Vida dos Santos e Ornamentos do Cristianismo é uma obra do escritor e historiador português Luís Augusto Rebelo da Silva em dois volumes, publicada originalmente em Lisboa, em 1854-55. O plano inicial da obra não foi cumprido, tendo sido publicados apenas dois tomos que continham a introdução geral e a vida de Jesus Cristo.
O primeiro volume encontra-se ilustrado com bonitos desenhos, capitulares e vinhetas tipográficas no texto, e uma estampa aberta em metal da Adoração do Menino em separado.
"Sessenta e tres annos antes da era christã divulgou se na capital do imperio uma prophecia, assegurando estar para nascer o rei do povo romano. Esta persuasão dos sabios e do povo é attestada pelos escriptores do seculo de Augusto e da epocha immediata.
Nos largos dominios conquistados pelas armas da republica, e pacificados pelo herdeiro de Cesar, a esperança, de toda a parte procura o berço do Messias.
As nações separadas da communhão hebraica sempre conservam, mais ou menos confusa, a memoria da queda do primeiro homem, e acreditam no dogma da expiação. A vinda do Mediador, filho de uma Virgem, enviado para reconciliar os homens, é annunciada pelos Brahmines, pelos Magos, e pelos Bonzos. A idéa da redempção domina as civilisações antigas, e circula por quasi todas as seitas. Antes de Jesus baixar ao mundo já ella tinha atravessado o Jordão, o Euphrates, o Indus, e os oceanos, visitando nas azas invisiveis da Providencia as diversas raças e as regiões remotas"
(Excerto do Livro Primeiro, Capitulo Primeiro)
Luís Augusto Rebelo da Silva (1822-1871). "Nasceu em Lisboa a 2 de abril de 1822 e faleceu na mesma cidade a 19 de setembro de 1871. Foi um jornalista, historiador, romancista e político. Enquanto escritor e historiador, produziu uma quantidade significativa de textos, que publicou sobretudo na imprensa da época e depois reuniu em cerca de 40 volumes. Foi aluno da Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, embora não se tendo chegado a formar. Tendo-se dedicado, como autodidata, aos estudos das Humanidades, e particularmente da História, foi depois professor desta disciplina no Curso Superior de Letras, ao qual chegou a presidir. De 1843 a 1865 colaborou em vários periódicos: como O Cosmorama Literário, Revista Universal Lisbonense, Época, Panorama, Revista Peninsular, Anais das Ciências e Letras, Arquivo Pitoresco, Arquivo Universal, Revista Contemporânea; em 1845 passa a redator do Diário do Governo e é nomeado oficial ordinário do Conselho de Estado, tornando-se secretário interino do mesmo conselho em 1849. Teve carreira política como deputado, par do Reino e ministro."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20343)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€

14 setembro, 2026

CASTELLO-BRANCO, Camillo - DELICTOS DA MOCIDADE.
Primeiros attentados litterarios. De... Porto, Livraria Civilisação : De Eduardo da Costa Santos & Sobrinho - Editores, MDCCCLXXXIX. [1889]. In-8.º (18x12 cm) de XII, [4], 269, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante colectânea dos primeiros trabalhos de Camilo, inclui prefácio de João António de Freitas Fortuna, seu grande amigo. Publicada originalmente em 1889, no ano anterior à sua morte, reúne poemas, contos, ensaios e estudos literários que marcam os primeiros passos da sua vasta carreira.
O livro funciona como uma compilação de paratextos, memórias e produções juvenis, incluindo o célebre conto Uma Noite no Cemitério, que reflete sobre a perda trágica do seu grande amigo de juventude em Vila Real, José António T. C. de Melo e Nisa. Na própria advertência da obra, Camilo sublinha o caráter íntimo e por vezes doloroso de revisitar estas páginas, que representam em grande parte a história da sua juventude.
"É meia noite. Ao som as doze badaladas, tangidas no velho campanario de S. Diniz, minha alma calou-me nas veias em effluvios de terror e santidade, e depositou-me nos labios tyremu,los uma oração para o Senhor.
E a minha oração era como a vida purificada na particula, que o homem tem de Deus, e na lagrima do céo, estremada de muitas lagrimas da terra.
O meu viver era todo espiritual, e comparei-me ao espirito do justo que, soprado da terra - ás portas de céo - escuta ainda o borborinho cá de baixo e já ouve o cantar dos anjos aos pés do Altissimo. O meu viver material parecia-me a sumir-se lento e suave pelas fisgas dos sepulchros, entre os quaes eu ajoelhava, como o delirante, que pede ao Creador  alma e luz para o finado, que não sente os joelhos do filho, dobrados sobre a lagea silenciosa...............................................
E o extasis desvaneceu-se, porque era de homem, ligado com as paixões dos homens, e eu era o unico cadaver, animado, entre tantos cadaveres.
Voz de vivo, que falla com os mortos - a minha voz era sombria e soturna."
(Excerto de Uma Noite no Cemitério)
Camilo Castelo Branco (1825-1890). "Nasceu em 1825, em Lisboa, e faleceu em 1890, em S. Miguel de Seide (Famalicão). Com uma breve passagem pelo curso de Medicina, estreia-se nas letras em 1845 e em 1851 publica o seu primeiro romance, Anátema. Em 1860, na sequência de um processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido, com quem mantinha um relacionamento amoroso desde 1856, Camilo e Ana Plácido são presos, acabando absolvidos no ano seguinte por D. Pedro V. Entre 1862 e 1863, Camilo publica onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Tornou-se o primeiro escritor profissional em Portugal, dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular a partir da observação da sociedade, com inclinação para a intriga e análise passionais. Considerado o expoente do romantismo em Portugal, autor de obras centrais na história da literatura nacional, como Amor de Perdição, A Queda dum Anjo e Eusébio Macário, Camilo Castelo Branco, cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se com um tiro de revólver a 1 de Junho de 1890."
(Fonte: https://www.portoeditora.pt/autor/camilo-castelo-branco/39147)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com picos de acidez no interior.
Muito invulgar.
50€