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20 outubro, 2026

MAIA, Carlos Bento da - TRATADO COMPLETO DE COZINHA E DE COPA. Por... Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1904. In-4.º (24x16,5 cm) de [4], 726, [2] p. ; il. ; E.

1.ª edição.
Obra de referência. Trata-se da edição original em livro deste Tratado, um dos mais apreciados títulos que sobre o assunto se publicaram entre nós.
Ilustrado com quadros, tabelas, desenhos e fotogravuras nas páginas de texto.
A respeito desta obra, e com a devida vénia a Ana Marques Pereira, reproduzimos parte do excelente post publicado no blog «Garfadas on line».
"Um dos livros mais interessantes de culinária do início do século XX é o “Tratado Completo de Cozinha e de Copa".
Identificado como sendo da autoria de Carlos Bento da Maia, trata-se na verdade de um pseudónimo de Carlos Bandeira de Melo.

Mas quem era Carlos Bandeira de Melo? Os próprios editores referiam que o nome de Carlos Bento da Maia encobria um nome ilustre. Tratava-se do general Bandeira de Melo que esteve à frente do Asilo da Ajuda.
O Asilo da Ajuda era uma «Sociedade protectora dos órfãos desvalidos das vítimas da cholera morbus em 1855 e da febre amarela em 1857» (ANTT, Arquivo Burnay, Correspondência, cx.35, nº18) e esteve sob a protecção da Rainha Maria Pia.

Em escolas especiais, como foi o caso do Asilo da Ajuda, o ensino das donas de casas foi considerado modelar. Estes conceitos estavam também integrados nas preocupações com a Economia Doméstica que dava os seus primeiros passos em Portugal.
Na pessoa do General Bandeira de Melo concretizou-se a melhor forma de ensino.

Como afirmou Alfredo Alves, tratava-se de «uma alta competência no assunto; os seus livros de cozinha e de corte publicados com o pseudónimo de Carlos Bento da Maia dão-lhe um lugar de destaque entre as pessoas que se têm dedicado ao ensino doméstico». Referia-se aqui a uma outra obra sua, o «Tratado Elementar de risco e corte de roupa. O mais completo, rigoroso e prático publicado em Portugal».
Mas aquilo que mais se evidenciava na sua obra era «a paixão pela vulgarização dos conhecimentos de utilização imediata, tornando-o assim um verdadeiro apóstolo da educação da mulher do povo»."
(Fonte: garfadasonline.blogspot.pt/2010/04/o-tratado-completo-de-cozinha-e-de-copa.html)
"No empreendimento de escrever este livro anima-nos o desejo de fazer alguma coisa util; não sendo profissionais, diligenciámos estudar os processos de modo que pudessemos descrevê-los com clareza e apresentar algumas noções que se não encontram noutros livros congeneres, e por isso esperamos que o trabalho seja acolhido com benevolencia da parte dos que estejam no caso de criticá-lo e a critica aceitá-la-êmos com prazer, pois servirá para que possâmos corrigir erros que nos passem despercebidos.
O nosso ideal seria que este livro pudesse ser considerado como uma obra d'estudo e que nos asilos o aproveitassem para a educação das criadas. Não é esta idea absolutamente praticavel, porque a alimentação das asiladas tem de ser muito economica; mas, para sustentar a escola, poderiam esses estabelecimentos, á semelhança do que se fazia noutros tempos nos conventos, trabalhar para o publico, fabricando doces e mesmo jantares completos."
(Excerto do prólogo)
"Os conhecimentos d'arte culinaria são dos mais necessarios a uma dona de casa, quer seja ela propria a fazer a sua cozinha, quer possa dispôr de criados.
Só aos opulentos é dado o abdicarem a administração domestica em mordomos que os dispensem do trabalho de se ocuparem déla.
Nas classes médias a cozinha preocupa e com forte razão as senhoras, porque raras vezes os serviços satisfazem completamente, e muitas vezes estão privadas dêles.
A educação moderna das meninas não lhes permite tirarem-se facilmente de embaraços e, por isso, um tratado de cozinha claro deve considerar-se um livro indispensavel. Não é facil, nem é mesmo possivel, descrever todos os processos culinarios com bastante desenvolvimento para serem executados sem hesitações pelos inexperientes, e sem que falhem algumas vezes; mas, se o livro fôr suficientemente explicito, um pouco de pratica resolverá as dificuldades e suprirá as lacunas."
(Excerto de Generalidades)
Indice:
I - Generalidades. II - Algumas palavras ácerca de alimentos de origem animal e vegetal. III - Considerações sobre o cozinhado dos alimentos que se não comem crús. IV - Iguarias diversas. V - Dôces. VI - Café, Chá, Chocolate, Coca. VII - Conservas. | Diccionario. | Posfacio.
Carlos Bento da Maia (1848-1924). "Carlos Bento da Maia é o pseudónimo de Carlos Bandeira de Melo, homem multifacetado que se distinguiu como militar, escritor e empresário. Nasceu a 13 de janeiro de 1848 em Lisboa, na freguesia de Santa Isabel. Foi o segundo dos três filhos de António Bandeira de Melo e de Maria José da Anunciação Lupi. Militar de carreira, assentou praça como voluntário aos 19 anos, no regimento de Artilharia n.º1 em 15 de outubro de 1867. Concluído o curso da Escola do Exército em 1871, progride na carreira como oficial do exército, tendo assumido cargos de direção na Fundição de Canhões, no Depósito Geral de Material de Guerra e na Fábrica de Armas. Foi condecorado como Oficial da Real Ordem de S. Bento de Aviz (1895). Reformou-se em 1899, tendo a patente de coronel, declarada que foi a incapacidade para todo o serviço pela junta hospitalar de inspeção. A vida do autor do Tratado Completo de Co-
zinha e de Copa não se resumiu às armas. Juntamente com Ricardo Loureiro e Eduardo Lupi fundou, em 1879, a Empresa Cerâmica de Lisboa. A multiplicidade de interesses, e a “paixão pela vulgarização dos conhecimentos de utilização imediata” explicam a ampla gama de temas explorados pelo coronel de artilharia. Entre eles destacam-se: engenharia e construção, economia doméstica, poupança de combustíveis, culinária, alfaiataria, jogos de cartas e inclusivamente traduziu para português o romance O luxo dos outros de Paulo Bourget."
(Fonte: Morais, Sandra - Sobre o cozinhado dos alimentos que se não comem crus: Uma leitura das práticas culinárias segundo o Tratado Completo de Cozinha e de Copa de Carlos Bento da Maia (1904), Imprensa da Universidade de Coimbra, 2025)
Encadernação editorial com desenho e letras gravadas a seco e a três cores nas pastas e na lombada.
Exemplar em razoável estado geral de conservação. Cansado e desconjuntado. Pasta anterior separada da lombada. Interior correcto.  A justificar restauro.
Muito invulgar.
45€

17 outubro, 2026

CATÁLOGO ESPECIAL DE CACTOS E PLANTAS GORDAS -
Alfredo Moreira da Silva & Filhos. L.da.
Catálogo n.º 73 : Janeiro de 1940. Pôrto (Portugal), Alfredo Moreira da Silva & Filhos. L.da, 1940. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 32 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo botânico devotado às cactáceas - Cactos e Plantas Gordas - da empresa nortenha Alfredo Moreira da Silva & Filhos, verdadeira "bíblia" deste tipo de planta, da sua criação, dos cuidados a ter para a sua afirmação, bicharada nefasta à sobrevivência, etc.
Obra pioneira redigida em português, a primeira do género que se publicou entre nós. Inclui a "reportagem" da visita do Presidente da República - o Marechal Óscar Carmona, e família, - à exposição de cactos da empresa florista em Lisboa.
Livro muito ilustrado no texto com inúmeras fotografias dos mais variados tipos de cactos e respectivos preços.
"O Catálogo de Cactos e Plantas Gordas, que apresentamos aos nossos amigos, é, julgamos nós, o primeiro que se publica em português, e por isso mesmo bastante restrito, a-pesar-de comportar as variedades mais características e curiosas cultivadas nos nossos Estabelecimentos, com a sua origem, modo de viver e instruções de cultura adaptadas ao nosso meio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Os Cactos que crescem e vivem nas mais diversas condições, segundo as diferenças de clima e de altitude, e sabido que a sua dispersão  se estende pela América, do Canadá à Argentina passando pelo México, Brasil e outros Estados, temos de lhes procurar no nosso país condições para vegetarem o mais semelhante possível aos países da sua origem."
(Excerto de Notas sôbre a cultura dos Cactos)
A Alfredo Moreira da Silva & Filhos, Lda. é uma histórica empresa portuguesa dedicada à produção e ao comércio de plantas ornamentais, árvores, arbustos e floricultura, estabelecida no Porto em 1895 por Alfredo Moreira da Silva. Dedica-se à produção em larga escala de árvores ornamentais, arbustos, coníferas, trepadeiras e plantas herbáceas para projetos de paisagismo e espaços verdes. Conta com dezenas de hectares de viveiros de produção (incluindo áreas em Mira e Coimbra), sendo uma das maiores referências do setor na Península Ibérica. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos, dobras e pequena falha de papel no canto inferior direito.
Raro.
20€

02 outubro, 2026

RODRIGUES, Álvaro e DIAS, António C. -
PRÁTICAS DE COZINHA : Cursos Itinerantes de Hotelaria.
Apontamentos coligidos pelos monitores:... Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral do Turismo. Lisboa, Centro Nacional de Formação Turística e Hoteleira, [196-]. In-fólio (29x20,5 cm) de [2], 310, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual culinário gravado em stencil e reproduzido em duplicador. Contém inúmeras receitas culinárias, as mais variadas.
Os cursos itinerantes de hotelaria foram iniciativas históricas em Portugal, promovidas no século XX pela Direcção-Geral do Turismo, para levar formação prática em cozinha e serviço hoteleiro às regiões do país fora dos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto), onde a hotelaria e o turismo começavam a dar os primeiros passos e onde as unidades hoteleiras locais careciam de mão de obra qualificada. (IA)
Obra rara e muito curiosa, sem menção na BNP.
"Técnica" é o conjunto dos processos de execução dum trabalho ou de uma arte. Não apenas a profissão, mas também toda a operação que lhe diz respeito tem a sua técnica, mais conhecida em cozinha pelo termo "princípios". A "mise en place", é um exemplo desses princípios.
A Técnica Culinária, é em definitivo o conjunto das pequenas operações postas em prática pelo cozinheiro, tendo em vista a preparação dos alimentos. Ela compreende primeiro que tudo a manipulação das matérias primas, partindo das mais simples ou das mais conhecidas, e utilizando sempre o seu nome técnico para evitar qualquer confusão. Ela compreende também os temperos preliminares e os seus empregos sucessivos, nos diversos modos de cozedura."
(Técnica Culinária)
Índice:
Técnica Culinária | Higiene Profissional | Vocabulário Técnico | Utensílios | Cozinha Fria | Secção de Sopas | Secção do Entremédio | Secção do Peixeiro | Secção dos Assados | Secção dos Molhos | Pastelaria | Manteigas, Compostas e Molhos  Guarnições  Massas  Ovos e seus derivados  Caldos e Sopas  Peixes, Mariscos e Crustáceos | Carnes | Diversos | Pastelaria
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta mancha no pé.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
60€

24 dezembro, 2025

RIBEIRO, Julieta Adelina Menezes Rodrigues - CULINÁRIA VEGETARIANA, VEGETALINA E MENÚS FRUGÍVEROS. 
Livro dedicado às mulheres luso-brasileiras por... Quarta edição emendada e revista pela autora. Porto, Machado & Ribeiro, Lda, 1923. In-8.º (22x14 cm) de 359, [1] p. ; il. ; B.
Importante publicação sobre cozinha naturista, verdadeira "bíblia" da bibliografia vegetariana, contém 1264 receitas, as mais variadas. Apesar de se terem publicado quatro edições entre 1916 e 1923, sendo a presente a última e mais completa, trata-se de uma obra invulgar e muito procurada.
Livro ilustrado no texto com tabelas e cerca de oito dezenas de desenhos e fotogravuras.
"Ao esgotar-se a terceira edição dêste volume, escrito em momentos fugazes, roubados  às canceiras do lar, aos cuidados maternais e filiais que se impõem ao coração feminino, devotado ao culto da tradição que se esvai e ao amôr do porvir que renasce, seja-me lícito afirmar que a quarta edição, lançada ao público, representa apenas um atestado de glória para a doutrina que exemplifica e põe em prática. Só a verdade consegue vencer e perdurar. O que se baseia na fantasia e no devaneio estiola, cança e em  breve esquece.
As três edições esgotadas, em poucos anos desapareceram do mercado, o que prova que o livro correspondeu a uma necessidade do público estudioso.
Cada edição que reaparece limada, aperfeiçoada e corrigida, acompanha a evolução do pensamento em matéria naturista, actualisando-se, segue a esteira do ideal; a perfectibilidade ambicionada. [...]
São, pois, justificados os motivos do aparecimento da 4.ª edição da «Culinária Vegetariana», prevendo que os adeptos e mesmo os extranhos ao Naturismo se congratulem com o reaparecimento dêste livro necessário em todos os lares, indispensável a todas as managëres, ciosas de  espelharem a felicidade como anjos da família que devem ser."
A autora,
Julieta A. M. R. Ribeiro.
Quinta de Vil'Alva - Vila Real - Janeiro 1923
(Excerto do Prólogo da 4.ª edição)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil, com pequenas falhas de papel. Sem contracapa. Interior correcto.
Raro.
35€

14 junho, 2025

COPA E COZINHA -
COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA.
Receitas extraídas de um manuscrito conventual. Jóias da culinária formuladas num manuscrito fradesco, datado de 1743 e posteriormente compiladas por.António de Macedo Mengo
. Porto, Celir/Apesar de Tudo, 1977. In-8.º (22x15 cm) de 92, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de receitas retiradas de um manuscrito conventual setecentista.
"Para nos cingirmos tanto quanto possível ao método adoptado na data em que estas receitas foram estabelecidas, resolvemos conservar o sistema de pesos e medidas que vigoravam naquela época.
Mas para facilitarmos a imediata redução (aproximada) desses pesos e medidas, apresentamos a seguinte tabela como referência às actuais medidas e pesos decimais. [Segue-se a tabela de conversão]."
(Excerto de Duas palavras de introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas levemente oxidadas.
Invulgar.
20€

10 agosto, 2024

LEÃO, A. de -
A COSINHA FAMILIAR.
Tratado de Culinaria Pratica. 2.ª edição. Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1924. In-8.º (19x12 cm) de 95, [1] p. ; B.
Capa assinada por Rocha Vieira.
Interessante livro de receitas, as mais variadas, dirigido às "donas de casa inexperientes", sendo preocupação evidente da autora, a questão da economia e higiene, desígnios a que não será alheio o contexto de dificuldade económico-social sentido por importante franja da sociedade portuguesa nos anos que sobrevieram à Grande Guerra.
A. de Leão (na capa, Agarena de Leão) é o pseudónimo de Helena de Aragão.
"Quanto se tem escrito sobre culinaria!
No mercado, ao alcance de todas as bolsas, avultam os manuaes d'arte culinaria cuja leitura deveria facultar á mulher os conhecimentos basilares da sua educação domestica, admitido, com está, de ha muito, que nenhuma senhora pode considerar-se perfeita ménagère, desde que desconheça as regras da sciencia culinaria que a habilitem a tirar todas as vantagens e proveitos que o conhecimento consciente e seguro d'essa sciencia oferece. Escasseiam, porém, os livros escritos com o proposito de divulgar as normas de uma cozinha agradavel e sadia, regida pelas intransigentes leis da economia e da higiene, onde a dona de casa inexperiente encontre solução pronta para os embaraços de momento gerados por dificuldades economicas ou pela pouca pratica, idéas viaveis e conciliatorias com todas as circumstancias, favoraveis á realisação imediata e a todos os recursos.
A grande maioria, se não a totalidade dos manuaes de cozinha, são escritos por profissionaes em cujo espirito o amor da sua arte, a ambição da originalidade, sobrelevam o senso pratico. [...]
Grande parte das senhoras, especialmente aquelas que não possuem longa pratica de governo domestico, não sabem cozinhar, ou - o que, afinal, é quasi o mesmo - adquiriram apenas os conhecimentos arcaicos e rotineiros, herdados de geração em geração, noções d'uma sciencia culinaria primitiva, que lhes permite, quando muito, passar da sopa de feijão e dos pasteis de bacalhau para a panela do cozido á portugueza minguado e adulterado pelas exigencias coercitivas da moderna vida economica.
Falta de vontade, por parte da mulher, em adquirir mais amplos conhecimentos que valorisem a sua acção como dona de casa?
Não; falta de livros que lhe facultem esses conhecimentos, sem iludirem nem menospresarem a idéa pratica, economica e higienica.
É essa falta que este livro vem tentar preencher.
N'este livro, orientado por fórma diversa d'aquela que caracterisa os manuaes culinarios conhecidos, encontrarão, todas as senhoras que desejarem dirigir com inteligencia e acerto a sua cozinha, alimentação variada, agradavel, higienica e economica e uma colecção de menus completos, organisados para facilitarem a solução das multiplas dificuldades e embaraços de toda a ordem, que não raro surgem na vida domestica a desorientarem a dona de casa."
(Excerto do preâmbulo)
"A leitura da coleção de menus, que publicamos, decerto vos obrigará a exclamar: «E é a isto que a autora do livro chama alimentação economica?! - Almoços com dois pratos e dôce, jantares com sôpa, dois pratos e dôce... Isto são menus para mesa de nababo!»
Mas, senhora, deveis compreender que, pelo facto dos menus que vos apresentamos incluirem o numero de iguarias que vos alarma, não sereis obrigada a uma reprodução fiel... Nos modestos almoços diarios do vosso lar, se a restrição de pratos se impõe, nada vos impede de escolher na lista o prato que mais vos agrade ou convenha..."
(Excerto de Duas palavras á leitora)
Helena de Aragão (Lisboa, 1880-191). "Destacou-se como escritora (publicou novelas, romances, contos e poesia) e tradutora, além de ter composto obras musicais e ter sido jornalista. Usou o anagrama de Agarena de Leão, quando publicou o Livro d’oiro de Vénus (1925), A Cosinha familiar (1926) e diversos artigos na Fémina, com destaque para os que se ocupavam de educação infantil. Esteve à frente de várias revistas femininas, tendo sido uma das diretoras da Modas e Bordados, de onde transitou para fundar a Eva, em 1925, e a Fémina, anos depois, em 1933. Foi redatora de O Mundo, tendo ainda colaborado em jornais como o Século da Noite e O Primeiro de Janeiro e em revistas como a Ilustração e a Ilustração Portuguesa. Como tradutora, destaque-se a sua atividade na Agência Portuguesa de Revistas, para a
qual trabalhou até ao fim da vida."
(Fonte: Braga, Isabel Drumond - Helena de Aragão e a culinária portuguesa entre as duas Guerras Mundiais: A Cosinha Familiar (1926), in Caderno Espaço Feminino | Uberlândia, MG | v.34 | n.2 | seer.ufu.br/index.php/neguem | jul./dez. 2021)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
30€

09 maio, 2024

COSINHEIRO FAMILIAR : tratado completo. COPA E COSINHA. (3.ª edição, augmentada). Preço 200 reis. [S.l.], [s.n.], [189-]. In-8.º (15,5 cm) de 128 p. ; B.
"Valliosa collecção de receitas para fazer almoços, lunchs, jantares, merendas, ceias, petiscos, conservas, pudins, bôlos, compotas, gelados, caldas de fructa, licôres, vinhos finos e artificiaes, crèmes, vinagres, refrescos, etc. etc. Formulas para evitar os maus cheiros, o bolôr, e o ranço, para afugentar as formigas, para concertar louças, conhecer falsificações, etc."
Curioso tratado de cozinha de produção popular, contendo mais de centena e meia de receitas. Sem indicação de autor, nem referências bibliográficas, incluindo a própria BNP, que não menciona este título na sua base de dados. Terá sido publicado, cremos, na última década do século XIX.
Livro preenchido com receitas gastronómicas - as mais variadas -, bem como conselhos e panaceias para resolução de problemas que "afligem" os cozinheiros, relacionados com a limpeza, os cheiros, etc.
"A cobra offerece uma carne muito deliciosa e que não é inferior á do melhor peixe, com o qual ella se assimilha.
As pessoas que comerem a carne de cobra, preferem-n'a a qualquer outra.
A melhor vantagem, porem, que apresenta o uso d'esta carne é que é muito efficaz na cura das molestias do coração, da syphilis inventerada e sobre tudo da morphéa, que, estando ainda em principio, desapparece totalmente com o uso da carne de cobra."
(Excerto de Carne de cobra)
"Enche-se um frasco pequeno, que possa conter approximadamente 20 grammas de liquido, com o vinho que se quizer experimentar.
Em volta do gargallo passa-se-lhe um cordel e, suspendendo-o por uma das pontas, mergulha-se o frasco, sem o tapar, dentro d'um copo grande cheio de agua.
Apenas a bocca do frasco tiver passado abaixo do nivel da agua, o vinho - se é puro - sahirá precepitadamente do frasco, e, atravessando a agua sem se misturar com ella, virá espalhar-se na superficie; se está falsificado, ficará no fundo do frasco."
(Excerto de Receita para conhecer a pureza do vinho)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil, com pequenas falhas de papel. Sem capa posterior. Pelo interesse e raridade deve ser encadernado.
Raro.
45€

18 março, 2024

COSINHA E CONFEITEIRO - O MAIS COMPLETO MANUAL DA ACTUALIDADE. Edição coordenada por um grupo de cosinheiros de diversos paizes. Lisboa, Composto e impresso nas off. de A Polycommercial, [191-]. In-8.º (21,5 cm) de 84 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro de culinária, publicado nos primeiros anos da segunda década do século XX.
Contém inúmeras receitas, acompanhadas com alguns desenhos no texto.
Índice
:
- Serviço de meza. - Potagens, caldos e sopas. - Môlhos. - Carnes: Vaca; Vitela; Carneiro; Porco; Coelho. - Aves. - Peixe. - Pratos diversos. - Doces. - Conservas. - Indicações geraes. - Chá, café e chocolate.. - Como se preparam as côres.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, oxidadas, com defeitos e pequenos rasgões (sem perda de papel).
Raro.
Indisponível

18 janeiro, 2024

SANTOS, Laura -
O MESTRE COZINHEIRO. Tratado Completo de Culinária. Cozinha regional portuguesa - Cozinha francesa - Conservas de legumes e frutas - Doçaria - Licores. Nova edição - revista e aumentada. 9.ª edição. Colecção "Laura Santos". Lisboa, Editorial Lavores, [197?]. In-4.º (24x16,5 cm) de 836 p. ; [32] p. il. ; E.
Este livro teve a colaboração de diversos cozinheiros portugueses e franceses.
Obra de fôlego. Importante tratado culinário, multiplamente reeditado na segunda metade do século passado, sendo, indubitavelmente, um dos mais importantes trabalhos que sobre o tema se publicou entre nós.
Ilustrado com 64 "pratos" a cores, distribuídos por 32 páginas separadas do texto.
"Eis aqui um livro da mais alta utilidade, expressamente composto para todas as donas de casa, senhoras que desejam adquirir sempre, mais e melhor, conhecimentos dessa arte que se chama: Culinária.
Trata-se dum livro recheado de boas receitas que farão as delícias dos paladares mais exigentes.
E a maior novidade, é a cozinha francesa que apresentamos, com acepipes verdadeiramente franceses, com esse sabor genuíno e típico dos pratos que se servem na França de sempre, na França imortal dos grandes poetas e também de inolvidáveis gastrónomos.
Na parte da cozinha regional portuguesa, tão rica ao nosso paladar, encontrará a leitora as mais belas receitas, criteriosamente seleccionadas.
Folheando estas páginas, a dona de casa sentirá como que o desejo de ir experimentar esta ou aquela receita. Fazendo-o, não se sairá mal. Todas as receitas foram cuidadosamente estudadas e experimentadas, exactamente para que não surgissem embaraços na sua execução. [...]
Um livro de receitas é um guia que nos ensina e um auxiliar que está sempre pronto, até nas horas mais inquietas. Quantas vezes chega uma visita e não sabemos o que havemos de fazer. Pois o problema é facilmente resolvido se consultarmos o índice dum bom e acessível livro de receitas. [...]
Portanto, que nenhuma senhora deixe de ter no seu lar, recomendando às suas amigas, este indispensável manual que contém suculentas receitas de todos os géneros e para todos os paladares.
A boa mesa é sempre apreciada. Saiba a mulher portuguesa transformar a hora das refeições em verdadeiro prazer - o prazer das escolhidas e variadas iguarias, rescendentes e apetitosas que ela própria preparou para encanto da sua mesa. [...]
Todas as senhoras devem meditar nas altas vantagens dum profundo conhecimento culinário.
Trata-se dum livro actual, precioso auxiliar da dona de casa, sempre tão afanosa, possuída pelo são desejo de agradar aos seus, de tornar o seu lar um refúgio apetecível."
(Excerto da introdução - Minha Senhora)
Encadernação do editor inteira de pele com ferros gravados a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com uma ou outra esfoladela nas pastas.
Invulgar.
25€

05 outubro, 2023

GOMES, Virgílio Nogueiro -
TRANSMONTANICES. Causas de Comer.
Prefácio de Inês Pedrosa. Desenhos de Graça Morais. Lisboa, Edições do Gosto, 2010. In-8.º (21x15 cm) de 169, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso conjunto de crónicas amenas sobre Trás-os-Montes e a sua gastronomia.
"Com prefácio de Inês Pedrosa e desenhos de Graça Morais, o livro é constituído por textos que descrevem a gastronomia transmontana e por um conjunto de crónicas que Virgílio Gomes escreveu sobre as memórias da vivência e educação do gosto que adquiriu pelo facto de ter nascido e vivido em Trás-os-Montes." (Fonte: Wook)
Ilustrado com 6 bonitos desenhos de Graça Morais em página inteira.
"Do ponto de vista gastronómico não é fácil estabelecer fronteiras rígidas para localização da chamada cozinha regional. Por tradição, um ou outro prato ou produto, encontram-se muitas vezes nas regiões vizinhas, pelo menos na orla fronteiriça. Ao tentar caracterizar uma região não se pode, por isso, ser categórico na delimitação geográfica dessa região e devemos, portanto, aceitar de forma benevolente a região assemelhada à divisão administrativa da província de Trás-os-Montes, que compreende os distritos de Bragança e Vila Real.
Aceite este princípio de localização, surge-nos com frequência outra questão que é a dificuldade de unificação da designação à transmontana enquanto identificadora de um prato e da região. À transmontana é expressão que não aparece em nenhum repertório de cozinha, enciclopédia ou manual. [...]
Acreditamos mesmo que a terminologia à transmontana, no geral, seja uma invenção recente - século XX - pela necessidade de os restaurantes evidenciarem a origem dos pratos apresentados nos seus cardápios. [...]
Naturalmente, mais importante que a terminologia é a caracterização esta região, rica em produtos, confecções simples e mesa farta."
(Excerto de Trás-os-Montes)
Virgílio Nogueiro Gomes. "Nascido em Bragança, manifesta sempre a sua origem transmontana. Percorrendo a inventariação das tradições portuguesas, ou «à portuguesa», continua a escrever de forma descontraída e prática. Das aulas de História da Alimentação às várias palestras que profere, reserva sempre tempo para as suas crónicas sobre curiosidades em viagem ou aspetos interessantes relativos a hábitos alimentares. É investigador do Projeto DIAITA - Património Alimentar da Lusofonia." (Wook)
Virgílio Gomes mantém com a sua terra natal, Bragança, uma especial relação. Uma vivência atenta que patrocina com investigação, escritos e visitas frequentes.
Este transmontano que conhece os caminhos profissionais da restauração, da sua operação à frequência da mesa, é um reputado gastrónomo.
Participa de diversas instituições. Fomenta variados actos, aos quais empresta um elevado reconhecimento das matérias da sua especialidade, a alimentação e gastronomia. Escreve como vive, descontraída e apaixonadamente." (Texto retirado da badana)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
25€

28 agosto, 2023

LIVROS PORTUGUESES DE COZINHA -
BIBLIOTECA NACIONAL.
[Organização e levantamento bibliográfico e iconográfico: Manuela Rêgo]. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros : Secretaria de Estado da Cultura, 1988 [Capa, 1989]. In-4.º (24x17 cm) de 155, [5] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Capa: «Vendedor de Perús» - Litografia de Santos (?), Séc. XIX.
Catálogo da exposição Livros portugueses de cozinha, importante manancial dos livros de culinária impressos em Portugal, bem como manuscritos e artigos publicados na imprensa periódica.
"O mais completo e estimado catálogo de livros de cozinha portugueses, que é um notável contributo para o estudo e difusão da nona arte em Portugal, inventariando mais de um milhar de espécimes, muitos dos quais desconhecidos do grande público e ausentes de outros catálogos do mesmo género. Ilustrado a negro e a cores com reprodução de dezenas de frontispícios de livros e alguns menus. Com um extenso índice onomástico."
(Fonte: https://selodemar.com/tag/manuela-rego/)
Muito ilustrado no texto com reprodução de inúmeras portadas, estampas e gravuras antigas.
Junta-se Adenda aos Livros Portugueses de Cozinha, datada de 1989, f. errata e um marcador de livros da BNP.
Tiragem: 750 exemplares.
 "Foi serôdia e escassa a produção de livros impressos de cozinha.
O primeiro que fez gemer os prelos - a Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues - apareceu apenas em 1680.
Até ao final do terceiro quartel do século XIX somente existem seis livros de culinária e mais dois afins (conservaria e confeitaria). [...]
Tão parco acervo de espécimes é surpreendente, sobretudo num país sempre tão dado, pelo menos nas classes possidentes, às «cousas da guargantoyce, gulosas vyandas, beveres estremados». É certo que o livro de cozinha - e isto tanto vale para os cadernos manuscritos como para os impressos - era concebido como utilitário, ou seja, para estar mesmo na cozinha ao alcance imediato da consulta do(a) cozinheiro(a); com o uso, as nódoas, a sujidade, acabava por se tornar imprestável e ser destruído, provavelmente no próprio fogão do mester."
(Excerto do Prefácio - Da bibliografia culinária portuguesa, por José Quitério)
Índice:
Prefácio: - Da bibliografia culinária portuguesa - Da gastronomia na Imprensa | I. Manuscritos. II. Impressos: 1 - Monografias. 2 - Publicações periódicas: Agendas; Colunas de gastronomia. 3 - Vária: 3.1 O pão; 3.2 Manteiga e Queijos; 3.3 Miscelânia: - Alimentação - Serviço de mesa - Livros sobre gastronomia. III. Iconografia: 1 - Estampas. 2 - Cartazes. 3 - Postais ilustrados. 4 - Ementas. | Abreviaturas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

02 maio, 2023

REIS, Ricardo Freire dos - COMO EU LUTO CONTRA A CARESTIA DA VIDA.
[Por]... Major de infantaria. A cosinha económica por meio da caixa norueguesa - A aplicação da camara de ar de automóvel para poupar a sola das botas. Coimbra, França & Arménio, Editores, 1920. In-8.º (17,5 cm) de 24 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Pequena obra de apelo à poupança em época de miséria, quando o país procurava recompor-se económica e psicologicamente da primeira guerra mundial.
Livro ilustrado ao longo do texto com tabelas e desenhos esquemáticos das "artes" de desenrascanço recomendadas pelo autor.
Contém receitas de culinária para serem confecionadas na "caixa norueguesa".
"Os grande beneficios de ecónomia e comodidade que eu tenho obtido, e que desejaria fossem aproveitados pelas muitas pessoas que dêles necessitam; a carestia da época presente em que, pelo menos, os que vivem dum ordenado ou salário se vêem impossibilitados de conseguir o seu equilíbrio orçamental, e, por isso, sofrem torturas fisicas ou morais; e o entusiasmo que têem manifestado aqueles a quem tenho descrito os processos que de emprego para me defender, tanto quanto possivel, da carestia da vida, trouxeram-me á ideia a publicação destas despretenciosas linhas, em que procurarei expôr, de maneira clara e simples, o resultado das minhas experiências."
(Preâmbulo - Duas palavras)
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 fevereiro, 2023

ALMANAQUE VEGETARIANO ILUSTRADO DE PORTUGAL E BRASIL : 1915 - 3.º ano.
Propaganda naturista: Regimes racionais e práticas salutares. Guia para seguirmos uma vida sã e perfeita, indemne da doença e das perversões sociais. Porto, Sociedade Vegetariana - Editora, 1914. In-4.º (23 cm) de 191, [1] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Almanaque Vegetariano para o ano de 1915. Excelente exemplo da propaganda vegetariana do princípio do século XX, sendo este almanaque um dos mais importantes veículos de divulgação da cultura naturista entre nós. Reúne artigos sobre os mais diversos e interessante assuntos, da moda às apreciadas receitas culinárias.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com desenhos e fotogravuras, e uma estampa em separado.
"Na cultura portuguesa, os discursos vegetariano e naturista tiveram alguma relevância a partir das primeiras décadas do século XX, em particular devido à ação dos membros da Sociedade Vegetariana de Portugal, fundada no Porto em 1911. [...]
No seu intuito de converter e propagandear os ideais vegetarianos e naturistas, a Sociedade Vegetariana Portuguesa foi conseguindo sócios brasileiros, de várias regiões do país, publicou cartas e fotografias de muitos deles, na revista O Vegetariano e no Almanaque Vegetariano [1913-1922], e nesses periódicos incluiu receitas culinárias com produtos brasileiros, ao mesmo tempo que foi publicitando o aparecimento das sociedades vegetarianas e naturistas brasileiras. Por outro lado, sabe-se que todas as publicações da Sociedade Vegetariana de Portugal, incluindo as referidas revistas, eram vendidas no Brasil."
(Fonte: Braga, Isabel Drumond. Em busca do novo Éden no século XX: os portugueses e a fundação de colónias naturistas no Brasil. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, Rio de Janeiro, v.25, n.3, jul.-set. 2018, p.659-678.)
"É êste o título, pode dizer-se clássico neste género de publicações, com que a maior parte dos almanaques encimam a sua primeira página. Assim, tambêm, para não fugir demasiadamente à rotina, se abre êste repositório de máximas de Saúde e de Vida Natural com tão conhecida frase.
O ano de 1915 há de ser fértil em guerras e em desavenças sociais entre os homens: aí fica o primeiro vaticínio. Haverá fome e moléstias nos povos, tais são as segunda e terceira das visões.
Porque tão fatídicos êsses presságios? Porque tão funestas adivinhações?
É que a humanidade continua adstrita a tantos e tão viciosos costumes que, por muitos anos, à pesta, à fome e à guerra continuarão sendo levantados alteres. A Civilização foi a criadora dêstes males. Construi a humanidade, de per si, tantos artifícios que, necessáriamente, as doenças físicas, económicas e morais serão de ano para ano mais avantajadas e crueis."
(Excerto da abertura - O Juízo do Ano, de Amílcar de Sousa)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta frontal apresenta desgaste no canto inferior direito.
Raro.
Indisponível

29 dezembro, 2022

MARIA, Rosa - COMO SE ALMOÇA POR 1$50.
Cem almoços diferentes. Compostos de carne, peixe, legumes, ovos, cereais, etc. Orçamentados ao preço do mercado. Por... 3.ª edição. Vida Económica. [Excelente auxiliar das donas de casa]
. Lisboa, Emprêsa Literária Universal, [193-]. In-8.º (19 cm) de 30, [2] p. ; B.
Curiosa colecção de 100 receitas do baixo custo, tendo em atenção a conjuntura económica e social da época.
"Ao elaborar estes menús económicos, tive em mira facilitar-vos perante a escassez de recursos, uma série de almoços práticos e variados, sem que com êles, tenham de gastar mais do que o orçamento, porém, estes almoços, quando cosinhados, em conjunto, (para duas ou três pessoas), devem sair mais económicos, podendo por isso, aumentar as quantidades nutritivas, tais como, manteiga, azeite, carnes, ovos, etc.
Servi-me da base dos preços do mercado Lisboeta, no momento de elaborar esta obrazinha, por isso será mais fácil haver algumas oscilações para mais ou menos, no entanto os preços indicados são os mais aproximados."
(Excerto do preâmbulo - Ás donas de casa)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas manchas.
Invulgar.
10€

23 março, 2022

DA VINCI, Leonardo - NOTAS DE COZINHA DE LEONARDO DA VINCI.
Notas de Leonardo Da Vinci sobre o cozinhar e o estar à mesa. Lisboa, Temas da Actualidade, [1995]. In-8.º (20,5 cm) de 173, [3] p. ; il. ; C.
1.ª edição portuguesa.
Curiosíssimo tratado de cozinha atribuído ao mestre do Renascimento - Leonardo Da Vinci (1452-1519).
Livro profusamente ilustrado no texto com reprodução de gravuras, desenhos e esboços do Mestre - alguns em página inteira.
"Poucos leitores saberão que Leonardo Da Vinci foi mestre de banquetes na corte de Ludovico Sforza durante mais de trinta anos; e poucos conhecerão o seu trabalho como chefe de cozinha na taberna Os Três Caracóis."
(Retirado da contracapa)
"Este extraordinário pequeno livro resulta de um conjunto de notas atribuídas a Leonardo da Vinci – o chamado Codex Romanoff - e lança nova luz sobre a personalidade caleidoscópica do gigante do renascimento, um homem aparentemente inesgotável, que se interessou por uma variedade de assuntos tão vasta que várias vidas pareceriam necessárias para a abarcar.
Leonardo devotou um interesse muito particular pela alimentação, não tivesse ele sido criado por um padrasto pasteleiro e acabado por legar uma parte significativa da sua herança à sua cozinheira.
Esta faceta mais desconhecida do respeitado génio atesta o seu amor pela vida e pelos prazeres da mesma. «Notas de cozinha» revela uma plêiade de episódios ao longo dos quais a existência do mestre se desenrolou e em que obras tão conhecidas como a «Última Ceia» ou «Mona Lisa» surgem como realizações acessórias e singelas consequências dos seus desaires gastronómicos.
A paixão de Leonardo pela cozinha revelou-se igualmente num interesse maníaco pelos alimentos, forma de os preparar e apresentar, tendo Leonardo desbaratado a clientela das tavernas para as quais trabalhou por ter ousado apresentar pratos de refinada apresentação e escasso valor calórico, que fazem dele o precursor da nouvelle cuisine.
«Notas de cozinha de Leonardo da Vinci» começa por apresentar uma «Nota introdutória» pelo Doutor Marino Albinesi, promotor de justiça em Roma e presidente do «Circolo Enogastronomico d’Italia», seguindo-se-lhe «Leonardo da Vinci na cozinha – um esboço da sua “Vida Gastronómica”», pelos autores, Shelagh e Jonathan Routh. A estes textos introdutórios, de grande interesse e prazerosa leitura, seguem-se as «Notas de cozinha» propriamente ditas.
Receitas, apontamentos relativos à etiqueta e boas maneiras e as mais díspares considerações, acompanhados de inúmeras reproduções dos desenhos de projectos de Leonardo, tais como as ilustrações das várias formas de dobrar guardanapos, do assador automático, de moinhos de pimentas ou do cortador de ovos em rodelas, fazem deste livro um precioso e ao mesmo tempo supremamente divertido documento, sob o ponto de vista do conhecimento acerca de Leonardo da Vinci e da história da gastronomia."
(Retirado da apresentação da obra na net)
"Inspecionando as toalhas de mesa do Senhor Ludovico, meu Amo, após os seus comensais terem abandonado a sala dos repastos, depara-se-me uma tal cena de caos e depravação - a nada mais semelhante do que ao rescaldo de uma batalha - que considero uma prioridade, antes de qualquer Cavalo ou Retábulo, encontrar uma alternativa.
Já disponho de uma. Penso que deveria ser dado a cada um dos comensais um pedaço de pano individual, que uma vez sujo por mãos e facas, poderia ser dobrado, de modo a não conspurcar a aparíncia da mesa com as suas imundícies. Mas que nome dar a estes panos? E como apresentá-los?"
(Excerto de Acerca de uma alternativa a toalhas de mesa sujas)
"Àqueles convidados que sofrem da mais terrível das doenças e por isto não entendo a peste, mas a escrófula ou varíola, tal como aos que são dados à perda de peso, assim como a outros cobertos de chagas e feridas abertas, não devem ser atribuídos lugares junto do Senhor Ludovico, meu Amo (a menos que sejam filhos de Papas ou sobrinhos de altos cardeais), mas a sua companhia é apropriada para outros de classe inferior e para notáveis estrangeiros entre os quais podem tomar assento.
No respeitante aos que são afectados por soluços, aos que fungam constantemente, aos afligidos por tremores e espasmos e a outros com alucinações, o meu Amo prefere que se sentem longe dele (a menos que sejam filhos de Papas ou sobrinhos de altos cardeais importantes) porque, com eles, a conversação corre o risco de ser fsatidiosa. [...]
Mas convidados furunculosos, anões, corcundas e coxos, assim como aqueles que não se podem deslocar por sua própria vontade e que têm mister de ser transportados para a mesa, assim como os que têm cabeças inchadas ou mirradas, encontram aceitação por parte do meu Amo e são bem-vindos a seu lado."
(Excerto de Como dispor correctamente à mesa os comensais doentes)
Índice:
Agradecimentos. | Nota Introdutória, pelo Doutor Marino Albinesi - Promotor de Justiça, Roma; Presidente do Circolo Enogastronomico d'Italia Leonardo na Cozinha. | Um esboço da sua vida "Gastronómica". | O Codex Romanoff de Leonardo Da Vinci [Receitas, Conceitos e Etiqueta].
Encadernação cartonada do editor revestida por sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar na edição original.
20€

02 novembro, 2021

BRITO, José de - AS OSTRAS : na saúde e na cozinha.
Compilação de...
Lisboa, [s.n.], 1957. In-8.º (20,5 cm) de 12 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Folheto de propaganda para divulgação da indústria ostreira organizado por José de Brito, distribuidor das ostras do Tejo.
Livrinho com interesse para a história da produção e comércio do bivalve, bem como do Posto de Depuração de Ostras do Tejo (Rosário, Moita).
Ilustrado com tabelas, um gráfico e uma fotografia do Posto de depuração visto do lado do rio.
"Correspondendo aos desejos manifestados pelas autoridades intervenientes de fomentar o consumo de ostras no mercado interno, não só pelas vantagens económicas que daí resultam, como pelo facto de constituir este molusco um alimento valioso e de agradabilíssimo paladar, os concessionários ostreícolas resolveram, de comum acordo, dedicar todos os seus esforços e sem olhar a lucros, à tarefa de apresentar no mercado ostras escolhidas, tratadas, em tudo dignas de corresponder à merecida fama de que gozam as ostras portuguesas nos mercados estrangeiros, para onde são exportadas em quantidades consideráveis.
Por outro lado, a sanidade bacteriológica das ostras é garantida por uma depuração prévia a a que são obrigatòriamente sujeitas, não sendo permitida a sua venda senão em embalagens originais, seladas e com a etiqueta do Posto de Depuração que indica a data até à qual podem ser adquiridas."
(Excerto de A distribuição ao público de ostras depuradas).
Matérias: A distribuição ao público de ostras depuradas. | Como se devem comer as ostras. Ostras vivas, ao natural. | Algumas receitas saborosas. [Seguem-se 24 receitas]. | Como se guardam as ostras. | Modo de abrir as ostras. | Modo de guardar as ostras abertas. | As ostras na alimentação humana. | Como é feita a depuração das ostras e a garantia que ela representa de imunidade bacteriológica.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
15€

15 abril, 2021

O BACALHAU E SEU FORMULARIO. (Mais de 300 preparações culinarias diversas). Lisboa, Editorial Excelsior, [na capa Livraria Editora Guimarães & C.ª], 1927. In-4.º (24 cm) de 98 p. ; E. Biblioteca Excelsior : «Coléção Culina»
1.ª edição.
Título da capa: 270 receitas para cozinhar Bacalhau. Este número corresponde à realidade; efectivamente, conta com 270 receitas e não 300, como vem indicado na f. rosto.
Interessante livro de receitas exclusivamente devotado à preparação e confecção do "fiel amigo"; julgamos ser o primeiro que com estas características se publicou entre nós.
"Poucas pessoas conhecem este peixe na sua fórma natural, porque o bacalhau só aparece nos nossos mercados depois de preparado, isto é aberto e salgado.
O bacalhau fresco prepara-se, em geral, de todos os modos por que se preparam os outros peixes frescos, semelhantes.
Chama-se frescal o bacalhau cuja salga é recente e que depois de cosinhado apresenta uma fêbra muito mais macia do que a do bacalhau de antiga salga.
Qualquer que seja a preparação que se pretenda fazer com bacalhau, este deve ser de primeira qualidade; esta reconhece-se pela pele negra no dorso e branca pratéada do lado do ventre, e tambem pela espessura dos filetes cuja fêbra deve ser branca e como que constituida por folhas; se os filetes são chatos e amarelados, isso é sinal de dureza e de ranço.
Para cosinhar o bacalhau salgado, deve este ser previamente demolhado em agua corrente; para esse fim deve ter-se uma celha ou alguidar com um orificio na parte superior por onde se escoa a agua em excesso; assim o bacalhau, de môlho durante vinte e quatro horas, pelo menos, completamente mergulhado fica em condições de ser cosinhado."
(Excerto do preâmbulo)
Encadernação simples, cartonada, com a lombada revestida de tecido. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Folhas ocasionalmente oxidadas.
Raro.
A BNP dá notícia de apenas 1 exempla.
100€

07 abril, 2021

VILELA, H. - AS OSTRAS NO CONSUMO E NA ECONOMIA NACIONAL. Por... Publicação n.º 18 : Separata do «Boletim da Pesca» N.º 43
. Lisboa, Gabinete de Estudos das Pescas, 1954. In-4.º (24,5 cm) de 29, [3] p. ; [1] mapa desdob. ; mto il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história da indústria ostreira localizada na margem sul do Tejo. Trabalho alicerçado sobretudo na promoção e descrição técnica do Posto de Depuração de Ostras do Tejo - unidade recém inaugurada, situada junto à praia fluvial do Rosário (Moita) -, realçando a sua importância para o desenvolvimento desta actividade. Este projecto, inovador na época, sobreviveria apenas duas décadas (1954-1972).
Contém a planta do Posto em página inteira. Inclui ainda uma "secção gourmet" com várias receitas para degustação do bivalve.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com gráficos, quadros estatísticos e fotogravuras, bem como uma Planta, e um mapa desdobrável da zona de implementação dos viveiros (24,5x34,5 cm): Localização das Ostreiras e do Posto de Depuração das Ostras do Tejo. Esboço extraído do Plano n.º 73 (M. H. C. P.) : Escala 1/56.300.
"As ostras são inegàvelmente, entre os diversos moluscos bivalves, comestíveis, os mais valiosos e afamados em todo o mundo.
Nos países banhados pelo mar, onde é importante a sua ocorrência, participam largamente na alimentação humana e, em muitos deles, constituem até uma notável e bem organizada fonte de riqueza.
Em Portugal, não obstante a sua abundância, a insalubridade de grande parte dos bancos naturais, e a suspeição que se levantou relativamente a alguns, do mesmo passo que determinou a interdição do aproveitamento das oriundas do Tejo e do Sado, gerou uma atmosfera de desconfiança quanto à totalidade. Assim se deixou de explorar regularmente, e com continuidade, um produto com muitas probabilidades de se converter em importante recurso da economia nacional.
Com a criação do «Posto de Depuração de Ostras do Tejo», que ora começa a funcionar, resolve-se o problema da sua insalubridade, e as ostras poderão ser consumidas com toda a segurança, sem prejuízo das suas propriedades nutritivas e do seu delicado e apreciado sabor. [...]
No presente folheto salientam-se resumidamente as qualidades que as recomendam como alimento humano; faz-se sumária descrição do Posto de Depuração de Ostras, e do seu funcionamento; e, indicam-se algumas maneiras de apreciarmos a excelência do seu paladar."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias: [Preâmbulo]. | As ostras como alimento humano. | Posto de Depuração de Ostras do Tejo: Instalações do Posto; Fundamentos da Depuração; Fases do tratamento; Disposições e normas administrativas. | Como preparar e comer as ostras: Ostras vivas, ao natural; Salmoura de ostras; Sopa-creme de ostras; Sopa de ostras; Ostras-cocktail; Ostras estufadas na concha; Ostras no espêto; Ostras grelhadas; Ostras fritas; Saladas de ostras; Ostras de cebolada; Ostras recheadas. | Summary and Explanation. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeno rasgão lateral (sem perda de papel) que apanha as primeiras folhas.
Raro.
Com interesse histórico.
A BNP dá notícia do obra, sem no entanto indicar referência de recensão.
45€

23 fevereiro, 2018

NOVISSIMA ARTE DE COZINHA. Illustrada com numerosas gravuras e contendo As melhores receitas culinarias, ao alcance de todos, uma secção completa de dôces, pudins, massas, etc., variadissimos pratos e o modo de servir á meza e de trinchar. 2.ª edição Enriquecida com muitas receitas pelas mais distinctas damas argentinas, paraguayas, chilenas, mexicanas, etc. Por UM MESTRE DE COZINHA. Lisboa, Editores-Proprietarios : Tavares Cardoso & Irmão, 1897. In-8.º (19cm) de 412, [4] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
Curioso tratado de cozinha, contendo centenas de receitas variadas, entre sopas, molhos e temperos, carne, peixe, doçaria, etc., bem como o serviço da cozinha e da copa, sendo ainda, o primeiro tratado do género que procura divulgar entre nós a cozinha brasileira.
Muito ilustrado no texto e com uma gravura em separado.
"Publicando o presente trabalho, tivemos em vista condensar os methodos mais simples, a par das mais completas receitas de cozinha, para que as nossas prescrições fossem comprehensiveis e practicaveis, sem grandes esforços para os que desejem estudar completamente esta especialidade.
Apesar de não havermos ultrapassado uma 400 paginas, que tantas são as que constituem este volume, crêmos, todavia, que não deixámos de enunciar cousa alguma que pudesse ser de utilidade á realisação de uma boa cozinha. Puzemos de parte as theorias complicadas, que apenas serviriam para crear difficuldades áquelles que nos consultassem, e tractámos de reunir todos os elementos necessarios para a execução de boas refeições, quer familiares, quer extraordinarias, por exigencias de fino gosto.
Ao passo que as donas de casa encontrarão n'este livro indicações facilimas, visto que não só a leitura dos melhores auctores que teem tractado de cozinha, mas tambem a pratica de muitos annos, guiaram o auctor convenientemente, levando-o a abstrahir tudo quanto fosse superfluo e de difficil execução, - os cozinheiros que pretendam aperfeiçoar a sua arte, creando-lhe elementos novos, acharão tambem aqui tudo o que necessitarem para esse fim e que o auctor buscou nas fontes mais authorisadas, quando não o praticou por sua mão.
Pareceu-nos ainda conveniente incluirmos em o nosso trabalho alguns pratos de cozinha brazileira, dignos de figurar a par de muitos que a cozinha franceza nos tem fornecido, e que não estão vulgarisados entre nós, pelo simples motivo de não serem conhecidos. E quantas pessoas, d'aquellas que os conhecem, não se lembrarão por vezes, com saudade, do delicioso churrasco do Rio Grande e dos finissimos dôces que no Brazil saborearam, e que, voltando á patria, nunca mais tornaram a contemplar, como se, ao trocarem a America pela Europa, mão fatidica se lhe houvesse traçado deante dos olhos cubiçosos aquellas tremendas palavras de Dante: Lasciate ogni speranza!
Não, a esperança não está de todo perdida. Os manjares brazileiros surgirão nas mezas de Portugal, e será a Novissima Arte de Cozinha o generoso Moises d'essa grande obra.
Acompanha-nos esse desejo, bem como a crença de que não darão por desperdiçadas as suas consultas aquelles que seguirem á risca as nossas prescripções. Todas as receitas que apresentámos podem ser usadas com perfeita segurança, accrescendo a circumnstancia de havermos tornado as nossas indicações o mais economicas possivel, resultado a que o bom cozinheiro deve attender continuadamente."
(Prefácio dos editores)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível