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15 março, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do -
A VIAGEM AVENTUROSA DE SUVENINE BOLIFACE A ZELSTRUFS.
[Pelo]... Socio Efectivo da Associação dos Arqueologos Portuguezes, Socio Correspondente do Instituto Portuguez de Historia, Arqueologia e Etnologia, etc. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], Janeiro - 1934. In-8.º (18x11,5 cm) de 133, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, enquadrável no domínio da narrativa fantástica e de ficção científica. A viagem de Suvenine Boniface na sua nave - o Passaro Novo - pelo espaço sideral, mais não é que um ensaio satírico de crítica de costumes políticos e sociais do país, e da Madeira em particular, substituindo o nome de Portugal, Lisboa e Funchal por nomes de ficcionados de um planeta distante, com hábitos idênticos aos nossos.
Trata-se antes de tudo, de um exercício irónico sobre o carácter das elites lisboetas e do povo madeirense, do mais "ilustrado" ao mais "simplório", contando histórias e episódios, verídicos, por certo, sob a capa de nomes de família e empresas "alternativos", que farão as delícias de quem estiver na disposição de tentar desvendar os destinatários das farpas, numa e noutra região. 
No início da história, ainda nos EUA, ponto de partida da viagem, o autor alude com fina ironia ao modo de vida americano. No final refere-se a Salazar como o grande «Apostolo» de Benciana, "sacerdote muito subtil, muito serafico que sabia mais de diplomacia que os mais afamados diplomatas... [que] com untuosidade tinha sabido dominar na vida publica dos velhos tempos idos e com o novo estado de cousas lá ia fazendo chegar a braza á sua sardinha...".
Romance "fora da caixa" estas 'memórias' de Suvenine Boliface, raro e muito interessante, certamente com tiragem reduzida.
"Estava a dar a hora da partida quando o Jornalista entrou precipitadamente naquele compartimento de 1.ª classe...
A noticia de que Suvenine Boliface chegára a Lisboa e seguia, em rigoroso incognito, no rápido do Norte caíra inesperadamente na redacção.
Tornava-se indispensavel descobrir aquele sabio audacioso que, em parte, realisára um sonho de Julio Verne atravessando o espaço e chegando a um planeta desconhecido...
O feito apaixonára os estudiosos, os homens de ciências e até os prosaicos burguezes! Na verdade é merecedor de assombro e da curiosidade o homem que abandona a Terra, atravessa o espaço como um meteóro, chega a um outro planeta e, depois de tudo isto, ainda encontra coragem e energia para regressar heroicamente ao nosso triste «vale de lágrimas».
Quando Suvenine Boliface, depois da sua viagem maravilhosa, aterrou proximo de New-York sentiu-se tão infeliz com a imprevista celebridade que deliberou esquivar-se ás mais simples revelações. Os Reporters, com a audaciosa impertinencia profissional, afligiam-no de tal forma que resolveu fugir... Andou pelos vastos Estados Americanos mas, quando menos esperava, surgiu-lhe um Reporter implacavel, com o «Kodak», o lapis e o bloco, na ancia de colher elementos com que saciar a bisbilhotice internacional da Imprensa. [...]
O planeta a que me tinha levado o audacioso empreendimento era designado, pelos homens que o habitavam, por Zelstrufs.
Não tardou a que me certificasse de que ali, tal como na Terra, os homens eram identicos e nutriam os mesmos instintos, a mesma alma, as mesmas ambições... Aconteceria assim em todos os outros planetas que povoam o espaço?
Havia em Zelstrufs varios paizes e homens de raças diversas.
O Passaro Novo levou-me por felicidade para um dos paizes que mais contingentes déra ao progresso e á civilisação.
Uma especie de monarca governava o estado mas a sua acção nunca podia actuar beneficamente porque os organismos publicos e ainda mais os politicos dominados pela cegueira das democracias prejudicavam todos os planos e a boa vontade do Principe que só queria bem servir a Patria e assegurar ao seu Povo paz e prosperidade."
(Excerto do Romance) 
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar em brochura, revestido de cartolina negra (substituindo as capas originais), em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

15 fevereiro, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do - O TRAJO NO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA. [Pelo]... Da Academia Brasileira de Ciências Sociais e Políticas. [S.l.], Edição do Autor, 1954. In-8.º (22,5x13cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre o traje madeirense.
Obra com interesse etnográfico, ilustrada com fotogravuras no texto ao longo do livro.
"As Ilhas Atlânticas que formam o afamado Arquipélago da Madeira, descobertas por um feliz acaso, quando as naus portuguesas que seguiam com rumo à Guiné, sob o comando de Tristão Vaz e de João Gonçalves Zarco, fugiam à violência de terrível temporal, desde que Portugal as povoou e cultivou, logo chamaram as atenções e a cobiça dos demais Povos do velho mundo. [...]
Desde os começos do século XV até os meados do século XVI verifica-se, ao consultarem-se as crónicas e velhos documentos, que afluíram a estas paragens Povoadores de origens diversas. Desta variedade de elementos que, no entanto, iam sendo dominados e nacionalizados pela acção forte dos portugueses, resultou, como era inevitável, um «tipo» novo e original, com características próprias sem que se esbatesse o o fundo lusitano, que ainda subsiste. [...]
Assim, todos os elementos que constituíram a base da população e de vida do Arquipélago da Madeira, formaram a grande fonte de riqueza, de variedade de costumes e do colorido originalmente típico que apresenta o Folclore madeirense.
Com os costumes medievos, que tão fundamentalmente se radicaram nestas Ilhas, nota-se em certos sectores da vida regional as reminiscências árabes e até um vago sabor levantino que se mantém nas danças, na música, nos hábitos, nos contos fantasiosos e até na bizarria dos trages."
(Excerto do Ensaio)
Alfredo António de Castro Teles de Meneses de Vasconcelos de Bettencourt de Freitas Branco (1890-1962). Também conhecido por Visconde  do Porto da Cruz. "Nasceu a 1 de janeiro de 1890, no Funchal, onde veio a falecer a 28 de fevereiro de 1962. Foi 1.º visconde do Porto da Cruz, título legalmente autorizado por D. Manuel II, no exílio, em abril de 1921, e reconhecido pelo Conselho da Nobreza em 1949.
Foi jornalista, publicista, escritor, membro de várias associações culturais e um profícuo promotor da cultura madeirense. Fundou, dirigiu e colaborou em diversos periódicos de cariz político, literário e cultural. Ao longo da sua vida abraçou vários projetos, credos e ideologias: foi monárquico, integralista, regionalista, nacionalista, nacional-sindicalista, fascista, revelando ainda uma faceta germanófila e antissemita."
(Fonte: http://aprenderamadeira.net/cruz-visconde-do-porto-da/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
15€

25 março, 2020

PORTO DA CRUZ, Visconde do - TROVAS E CANTIGAS MADEIRENSES. Recolhidas e comentadas pelo... Sócio efectivo da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Sócio correspondente do Instituto de Arqueologia, História e Etnografia, etc. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Sociedade Nacional de Tipografia, L.ᴰᴬ, Lisboa], 1934. In-8.º (18 cm) de 38, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre o folclore madeirense. Inclui no final do livro partituras de uma charamba - "Xaramba" - e "Lenga Lenga".
"Não se julgue que é fácil estudas o «folkelore» do Arquipélago da Madeira. O «vilão» é extremamente desconfiado e foge a dar informes sôbre o seu modo de viver e muito em especial sôbre os originalíssimos costumes que, através dos séculos, avaramente tem conservado. Se é colhido de surprêsa e nota que por qualquer forma originou interesse, ou mera curiosidade, procura logo «despistar», para se pôr a «coberto»... É a própria experiência que me autoriza a fazer esta afirmação. [...]
Para êste trabalho, que apresento hoje, tive enormes dificuldades. Os «Vilões», com a preocupação de esconder os seus costumes tradicionais, logo que se apercebiam, nos seus folguedos ou romarias, que eu tomava apontamentos, retraíam-se e desconfiados quási se recusavam a repetir uma trova, que eu mal fixára. Por outro lado, não sabendo escrever música tive de organizar um «método» meu para fixar a harmonia das músicas e das cantigas. [...]
Tudo isto representa um trabalho de mais de quatro anos e é provável que esteja ainda bem longe de um estudo sem deficiências. No entanto eu tenho a convicção de que reuni conscienciosamente quanto era necessário para se ajuizar dêste ramo do «folkelore» madeirense, dando assim elementos imprescindíveis para futuroa trabalhos de maior valor."
(Excerto do preâmbulo)
Alfredo António de Freitas Branco (Funchal, 1890 - Funchal, 1962). "Foi jornalista, publicista, escritor, membro de várias associações culturais e um profícuo promotor da cultura madeirense. Fundou, dirigiu e colaborou em diversos periódicos de cariz político, literário e cultural. Ao longo da sua vida abraçou vários projetos, credos e ideologias: foi monárquico, integralista, regionalista, nacionalista, nacional-sindicalista, fascista, revelando ainda uma faceta germanófila e antissemita. Estudou e promoveu a cultura madeirense no seu património material e imaterial, recolhendo elementos etnográficos e registando diversas manifestações culturais do povo, nos seus usos e costumes, nas lendas, nas crenças e superstições, nas danças, nas músicas, no traje, na medicina popular e na culinária. Os seus estudos foram apresentados em conferências realizadas no país e publicados em periódicos, depois reunidos e editados em opúsculos e em volumes, na sua maioria entre 1954 e 1955; deles se destaca Folclore Madeirense (1955)."
(Fonte: http://aprenderamadeira.net/cruz-visconde-do-porto-da/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas com pequenas falhas de papel nos cantos.
Invulgar.
Com interesse  histórico e etnográfico.
Indisponível