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21 junho, 2026

OLIVEIRA, P. Miguel de -
AS PARÓQUIAS RURAIS PORTUGUESAS : sua origem e formação
. Lisboa, União Gráfica, 1950. In-8.º (19,5x14 cm) de 220, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho de recolha histórica sobre a presença da Igreja no meio rural. "Trata-se de uma obra de referência na historiografia eclesiástica e na história local de Portugal. O estudo analisa o povoamento e a organização religiosa no território. Analisa a organização paroquial desde a Alta Idade Média, passando pelos domínios suevo e visigótico, e a transição e relação entre igrejas, mosteiros, vilas e as populações, bem como o surgimento do regime de padroado e a respetiva provisão dos benefícios eclesiásticos." (IA)
"O primeiro problema que se oferece a quem pretende estudar a história duma freguesia rural, é naturalmente o da sua origem. Quando começou a freguesia? Como se constituiu o seu território? Por que se congregou este povo ao redor do campanário? Se a paróquia é anterior à fundação da Monarquia, estas perguntas ficam quase sempre sem resposta. Os autores de monografias locais contentam-se em exprimir, em fórmulas vagas, o mistério em que costuma envolver-se a origem de todas as coisas. [...]
A vida medieval é hoje para nós como uma grane composição de mosaico, desconjuntada pelo tempo. Conhecem-se aproximadamente os contornos e restam, aqui e além, figuras completas, trechos de paisagem e lindos ornatos. Como, porém, se perdeu o desenho total e faltam com certeza muitas das pequeninas pedras, no trabalho de reconstituição entra sempre um pouco do gosto e fantasia do artista. Ele próprio pode experimentar várias formas de dispor os fragmentos existentes e imaginar de diversos modos o que falta, de acordo com o estilo primitivo."
(Excerto do Preâmbulo)
Segundo as disposições do Código de Direito Canónico, a diocese deve dividir-se em partes territoriais distintas, cada qual com a sua igreja particular, o seu povo determinado e o reitor próprio. Cada uma dessas fracções territoriais tem o nome de paróquia; o sacerdote ou pessoa moral a quem ela é conferida como título, com o encargo de exercer a cura de almas sob a autoridade episcopal, chama-se pároco. [...]
A organização as paróquias não resultou de decreto geral, pontifício ou conciliar; operou-se gradualmente, segundo as circunstâncias especiais e cada região, e em épocas diversas.
Nos primeiros tempos, não havia párocos com residência estável e fiéis próprios em território certo. Havia na urbe episcopal uma só igreja em que se reuniam ao domingo os cristãos da cidade e dos campos. O bispo era o pastor único de toda a diocese e utilizava, onde fosse preciso, o ministério dos presbíteros e diáconos que constituíam o seu presbyterium. [...]
No aspecto social, a paróquia tem sido das instituições mais fecundas. Como diz Imbart de la Tour, «ela foi durante muitos séculos o único centro da actividade local. Foi a redor da igreja que se agruparam sucessivas gerações de homens: foi junto do altar, sob o olhas do seu Deus ou do seu santo, que eles viveram, trabalharam, esperaram, sofreram. A história das paróquias está estreitamente unida à história das instituições, das crenças e dos costumes».
A fundação das paróquias rurais continuou através dos tempos e ainda hoje prossegue, de harmonia com as necessidades religiosas da população, elevando-se geralmente à categoria de paroquial uma capela distante da igreja, como aconteceu na Idade Média."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Primeira Parte - As Paróquias primitivas: I. Origens da organização paroquial; II. As Paróquias no domínio suévico; III. As Paróquias no domínio visigótico. Segunda Parte - As Paróquias da Reconquista: I. A população - O problema do ermamento; II. Os territórios - Teoria das vilas; III. Igrejas e Mosteiros; IV - Clero e fiéis - A freguesia. Terceira Parte - As Paróquias em regime de Padroado: I. Igrejas próprias; II. O direito de Padroado; III. Provimento dos párocos; IV. Vida cristã - A comunidade paroquial. | Conclusão | Apêndice: - Mosteiros antigos do norte de Portugal; - Elenco bibliográfico.
Miguel Augusto de Oliveira (1897–1969). "Religioso português. Foi um insigne historiador e jornalista, amplamente considerado uma referência na investigação da História da Igreja em Portugal.
Nascido em Válega (Ovar), formou-se em teologia e destacou-se ao longo de 25 anos como chefe de redação do jornal Novidades. Como investigador, notabilizou-se pelo rigor científico, deixando inúmeras obras de referência.
Devido ao seu vasto trabalho historiográfico, foi distinguido pelo Vaticano com o título honorífico de Monsenhor." (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas. Assinatura de posse na f. rosto e ante-rosto.
Muito invulgar.
35€

02 junho, 2026

LIGORIO, Santo Affonso de -
PREPARAÇÃO PARA A MORTE OU CONSIDERAÇÕES SOBRE AS VERDADES ETERNAS. Uteis a todos os fieis para a meditação e aos sacerdotes para a predica. Por... Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira - Editor, 1873. In-8.º (16x11,5 cm) de [2], VIII, 420 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante edição oitocentista - julgamos que a primeira em português - deste manual de preparação para a morte. Trata-se de uma importante obra histórica. Permite entender a forma como o termo da vida era interpretada e divulgada nos meios religiosos, e não só, no século XVIII.
Obra escrita em estilo simples, dedicada a crentes e sacerdotes que deste manual se quisessem servir para a oratória religiosa.
"Considerae que sois pó e que em pó vos haveis de tornar. Virá um dia em que morrereis e sereis lançado á podridão n'um fosso, onde o vosso unico vestido serão vermes: Operimentum tuum erunt vermes. Tal é a sorte reservada a todos os homens, aos nobres e aos plebeus, aos principes e aos vassallos. Logo que a alma saia do corpo com o ultimo suspiro, dirigir-se-ha á eternidade e o corpo deverá reduzir-se a pó: Auferes spiritum corum, et deficient, et in pulverem suum revertentur.
Imaginae que estaes vendo uma pessoa que acaba de exhalar o ultimo suspiro; considerae esse cadaver deixado ainda no leito, com a cabeça pendida sobre o peito, os cabellos em desalinho, banhados ainda nos soures da morte, os olhos encovados, as faces descarnadas, o rosto acinsentado, a lingua e os labios côr de ferro... corpo frio e pesado. Empallidece e treme quem quer que o vê. Quantas pessoas á vista d'um parente ou d'um amigo morto, não mudaram de vida e não deixaram o mundo!"
(Excerto de I - Consideração - Retrato d'um homem que passou recentemente á outra vida)
Afonso Maria de Ligório (Marianella, Nápoles, 1696 - Nocera dei Pagani, Salerno, 1787). "Foi um bispo católico italiano que se destacou como escritor espiritual, filósofo escolástico e teólogo.
Nascido numa família nobre de Nápoles, Ligório teve uma brilhante carreira em direito antes de ser ordenado padre. Depois disso, fundou uma ordem religiosa, a Congregação do Santíssimo Redentor (chamados "redentoristas") dedicada ao trabalho entre os pobres. Em 1762, foi nomeado bispo da Diocese de Sant'Agata de' Goti. Afonso foi um escritor prolífico, publicando nove edições de sua "Teologia Moral" ainda em vida, além de outras obras devocionais e ascetas, assim com muitas cartas.
Afonso foi canonizado em 1839 pelo papa Gregório XVI. Em 1871, Pio IX proclamou-o Doutor da Igreja (Doctor Zelantissimus). Um dos autores católicos mais lidos, é também o santo padroeiro dos confessores."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação coeva inteira de pele com rótulo carmim e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

01 junho, 2026

MANUAL DA PEREGRINAÇÃO OPERÁRIA A FÁTIMA :
3 e 4 de Outubro 1943
. [Lisboa], Edições ACP, 1943. In-8.º (15 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual da histórica peregrinação do operariado português a Fátima, a primeira, sendo responsável máximo e presidente da Comissão Executiva da Peregrinação Abel Varzim, conhecido sacerdote, activista católico no período do Estado Novo, regime com quem, por vezes, entrou em conflito.
Inclui no interior a letra de marchas, cânticos e hinos relacionados com o evento, entre outros, a Marcha dos Desempregados.
Livro ilustrado com 5 belíssimas estampas em página inteira.
Junta-se um exemplar de O Semeador, Ano IV - N.º 4 : Domingo, 23 de Janeiro de 1949.

"A Nossa Peregrinação vai ser:
Um acto de Reparação nacional por tôda a classe operária, que tanto tem ofendido a Deus.
Uma afirmação colectiva da nossa dignidade humana e cristã.
Uma demonstração de brio e de camaradagem, dando um exemplo de aprumo e boa educação.

Para isto:
a) preparemo-nos espiritualmente com dignidade;
b) procuremos evitar palavriado inconveniente;
c) em tôdas as circunstâncias, mostremos que somos cristãos, tratando-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos e camaradas;
d) nos percursos a pé, marcharemos ordenadamente, não como soldados, mas sem nos separarmos uns dos outros, sem procurarmos ser engraçados. A nossa romagem é santa!
e) evitemos cestos e malas de mão que dão uma ideia triste da nossa jornada; levemos antes sacos alpinos ou sacolas;
f) sigamos em tudo as instruções que nos forem dadas.

Não nos esqueçamos
de lenços de bolso;
de uma toalha para nos limparmos;
de um pouco de sabão ou sabonete;
de um pente;
de um copo, mesmo de papel;
de calçarmos sapatos cómodos, que não magoem os pés;
de um agasalho por causa do frio da noite.

As nossa intenções:
Peregrinos! Não vamos a uma romaria, nem a um passeio! Vamos fazer uma Peregrinação de sacrifício e de penitência, pedindo à Virgem Santíssima que nos alcance, para tôda a classe operária,
Paz, Pão e Trabalho
E uma vida mais digna, mais cristã e mais pura.
No caminha para Fátima
Alegria, dignidade, espírito de sacrifício e de oração.

Na terra bendita de Fátima
Fé;
Disciplina;
Confiança;
Obediência pronta.

Os actos de Peregrinação decorrerão com o brilho que a tua disciplina lhes quiser dar."

(A Nossa Peregrinação)
Índice: A Nossa Peregrinação | Programa | Desfile | Via Sacra | Procissão das Velas | Adoração nocturna | Assembleia Geral e Côro falado | Missa dialogada: - Preparação: I Parte: As Almas purificam-se; II Parte: As Almas instruem-se. / O Sacrifício: I Parte: As Almas oferecem-se a Deus. II Parte: Eucaristia - As Almas unem-se ao sacrifício de Cristo. III Parte: Comunhão - As Almas participam sacramentalmente no sacrifício de Cristo. / Conclusão. / Procissão do Adeus. | A Minha Confissão | Oração operária a Nossa Senhora de Fátima.
Abel Varzim da Cunha e Silva (Cristelo, Barcelos, 1902-1964). "Foi um sacerdote católico português. Nasceu em Cristelo (Barcelos), diocese de Braga, no seio de uma família da classe média rural, sendo filho de Adelino da Costa e Silva, proprietário, natural da freguesia de Vilar de Figos, concelho de Barcelos, e de Adelaide Rosa Varzim da Cunha e Silva, professora do ensino oficial, natural da freguesia e concelho da Póvoa de Varzim. Ingressou na escola onde sua mãe era professora, tendo concluído a “instrução primária”, com o exame da quarta classe, em julho de 1912, aos dez anos. Querendo ser sacerdote, teve de ingressar no liceu da Póvoa de Varzim, por não haver seminário menor em Braga, pois este tinha sido ocupado militarmente em 1911. Em 1916, quando terminou o liceu, esse problema estava resolvido e Abel Varzim concluiu então os estudos preparatórios. Em 1921, entrou para o Seminário Conciliar daquela cidade, onde se formou em Teologia, tendo celebrado “Missa Nova”, a 3 de julho de 1925, na Póvoa de Varzim. Correspondendo a um pedido do Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, o prelado Bracarense, D. Manuel Vieira de Matos, cede o novo sacerdote à Diocese de Beja, tendo sido colocado no Seminário Menor de Serpa como professor e prefeito, desde a sua inauguração em 21 de novembro de 1925. Ali lecionou durante cinco anos e aplicou o seu dinamismo, tendo apoiado, inclusivamente, a iniciativa da Equipa Educativa do Seminário, na fundação do agrupamento de escuteiros n.º 38 (Beato Nuno Álvares Pereira) do C.N.S. [Corpo Nacional de Scouts - atual Corpo Nacional de Escutas], do qual foi nomeado Chefe. Após esta estadia em Serpa, seguiu para a Universidade de Lovaina, na Bélgica, o que lhe rasgou novas perspetivas e abriu mais largos horizontes. Quatro anos depois, em 23 de abril de 1934, doutorava-se em Ciências Políticas e Sociais. De regresso a Portugal, redigiu, com o Padre Manuel Rocha, os Estatutos da Acção Católica Portuguesa (ACP), pugnando para que esta fosse constituída por organismos especializados, de jovens e adultos, e de agricultores, operários, universitários, etc.. Este documento, mau grado a oposição do Estado Português, foi aprovado pela Santa Sé. Esteve também na fundação da Liga Operária Católica, o Organismo Especializado da ACP, criado oficialmente em 30 de junho de 1935, e que iniciou a sua atividade em 1936, da qual foi Assistente Geral até 1948. Foi o grande impulsionador do jornal “O Trabalhador”, ao qual se dedicou depois de alma e coração. Aquando do seu regresso a Portugal, profundamente interessado pelos problemas sociais, e consciente do atraso estrutural em que o país se encontrava, acolheu como boa a solução imposta por Salazar, de um Estado Unitário Corporativo, aceitando por isso o “Estatuto do Trabalho Nacional”. Cedo, contudo, verificou que estava equivocado, e que o regime do Estado Novo não respondia aos problemas que afligiam os trabalhadores, e o comum dos portugueses. Foi deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938/1942, ficando célebre um “Aviso-Prévio” que ali apresentou em 17 de fevereiro de 1939, sobre os Sindicatos Nacionais, em que criticava certos aspetos da organização sindical corporativa, onde mencionava a ação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, e nomeadamente a sua ineficácia em muitos aspetos. Esta passagem pela Assembleia Nacional ficou também marcada pela intervenção que proferiu, no dia 6 de fevereiro de 1941, “manifestando a sua discordância” com os termos do Decreto-Lei n.º 31.107, que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. Os ataques e ameaças que, então, enfrentou afastaram-no definitivamente das ideias do Estado Novo. Começou então a conhecer os caminhos amargos da perseguição política (e não só), ao mesmo tempo que realizava com forte empenho ações de formação para trabalhadores e estudantes universitários, naquilo a que hoje chamaríamos “formação para a cidadania”."
(Fonte: Wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
Indisponível

13 maio, 2026

SEPULVEDA, Christovam Ayres de Magalhães -
ORGANISAÇÃO MILITAR DOS ARABES NA PENINSULA.
Por…Capitão de cavallaria. Lente da Escola do Exercito... [etc.]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1901. In-4.º (25x16,5 cm) de 137, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo pioneiro e histórico sobre a ocupação árabe da Península Ibérica em todas as suas vertentes: militares, políticas, religiosas e motivacionais.
Obra rara e muito interessante, com relevância para a nossa própria história e organização civil e militar.
Ilustrada no texto com desenhos de apetrechos e equipamento militar para a guerra, a pé e a cavalo, e em separado, com duas estampas: I - Iatagan moderno, 1218 de Hegira - (Da collecção do Dr. Teixeira de Aragão) - [a duas cores]; II - Capacete arabe - (Da collecção de Sua Magestade El-Rei).
"A mesma curiosidade em assumptos que, por dever de officio, e natural pendor, versamos, e a mesma orientação no que toca ao criterio e methodo a applicar no estudo da historia, nos levou a dar toda a importancia a um periodo da historia da peninsula hispanica que tanta influencia teve na nossa antiga organisação militar, e tão intimamente se liga com a historia militar portuguesa. É o periodo da dominação dos arabes em todo esse territorio peninsular e das luctas que as armas christãs tiveram de sustentar a fim de rehaver para a nossa raça e para a nossa crença o que em má hora perdera, pelo predominio de outras crenças e outras raças. Essas lutas tinham produzido uma tão importante modificação na maneira de ser militar dos dois povos, primeiro em opposição, e mais tarde em intimo contacto e em fusão, que um e outro apresentaram, num periodo largo da historia da peninsula, uma feição caracteristica, cujo estudo se torna indispensavel para comprehendermos bem a nossa organização militar e a nossa historia guerreira na Idade Media.
Esse estudo não estava feito entre nós ; d'ahi a necessidade que tive de o produzia, embora com os fracos recursos de que dispunha. É um simples ensaio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Constituia a guerra para o musulmano uma necessidade, um dever, uma religião.
Era a guerra o instrumento mais poderoso da sua fé; pela guerra dilatára o seu dominio pelo mundo inteiro, e com elle um novo credo religioso dimanado como a fé christã, dos preceitos fundamentaes da Biblia.
Foi inspirado o espirito do proselytismo, diz Sedillot, que Mohamede se propoz desenvolver o genio militar dos arabes «persuadindo-os de que Deus lhes dava o mundo em partilha»; redobrava-lhes as forças; uma exaltação religiosa se apoderava de todas as almas; com estas simples palavras «na vossa frente está o paraiso, atraz o inferno», os chefes arrastavam os seus soldados ao meio de uma furiosa refrega; e esse delirio supersticioso, essa vehemencia de sentimento e de acção destruia os maiores obstaculos."
(Excerto do Estudo)
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (1853-1930). "Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda nasceu em Goa, a 27 de março de 1853, e faleceu em Lisboa, a 10 de junho de 1930. Formado no curso de infantaria e cavalaria da Escola do Exército e no Curso Superior de Letras, foi promovido a alferes graduado em 1876 e a coronel em 1911, tendo sido também lente na Escola de Guerra. Eleito deputado pelo Partido Regenerador por três vezes, desempenhou os cargos de governador civil de Bragança e de promotor de justiça do 2° Conselho de Guerra da 1ª divisão. Integrou a redação do Jornal do Comércio e das Colónias, do qual veio a ser diretor.
Foi cofundador, em 1911, da Sociedade Nacional de História, ao lado de Fidelino de Sousa Figueiredo, David de Melo Lopes e José Leite de Vasconcelos. Ao longo da sua vida, Cristóvão Aires pertenceria ainda ao Instituto de Coimbra, à Real Academia de História de Madrid e à Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido também vogal da Comissão Nacional para as comemorações da Guerra Peninsular em 1908.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 8 de abril de 1886, tendo aí exercido os cargos de Inspetor da Biblioteca (1907-1913), Secretário da Classe de Letras (1910; 1915), Vice-Secretário (1914) e Secretário Geral (1921-1930). Integrou ainda a Comissão de Inventário do Museu Maynense."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/45)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

29 abril, 2026

ALEGRIA, José Augusto -
A MÚSICA LITÚRGICA E AS INTERFERÊNCIAS POPULARES. (Aplicação ao caso português). [Por]... Diplomado pelo Instituto Pontifício de Música Sacra de Roma. Separata da Revista «Lvmen». Lisboa,  [s.n. - Composto e impresso na Tip. União Gráfica - Lisboa], [1958]. In-4.º (24,5x18,5 cm) de IV, 97, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho de fôlego. Importante contributo para a história da música de Igreja e a "intromissão" da música de pendor popular neste género de manifestação religiosa.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Armando Gusmão.
"No século XI, o esforço da reconquista atingira resultados palpáveis na Península. O Conde D. Henrique de Borgonha, feito senhor do Condado Portugalense, abre o caminho do nosso território à influência francesa. Finalmente rasgava-se uma janela sobre o mundo; e o caminho dos Pirinéus seria a  estrada real por onde passariam os emissários de Roma que traziam às cristandades refeitas e a refazerem-se os sacramentários, antifonários, evangeliários e demais livros litúrgicos. Todo este material que agora chegava até nós pelas mãos prestimosas dos monges de Cluni era completa novidade comparado com o gasto repertório antigo. A escrita seria mais clara. Os códices neumáticos seriam diastemáticos com a notação aquitana. Era a novidade que surgia. E o antigo era relegado para a categoria das inutilidades e, o que é pior, para a destruição. Por isso nada chegou até nós desses tempos de instabilidade política e social, e a Lex Romana encontrava o terreno maravilhosamente preparado para se implantar e prosperar. Como centro irradiador dos costumes litúrgicos da capital do mundo cristão estava S. Tiago de Compostela. O caminho francês, antes mesmo de servir aos cruzados que se vinham alistar nas hostes cristãs para combater os mouros, era a estrada dos romeiros que em peregrinação vinham ao túmulo do Apóstolo."
(Excerto de A música cristã popular em Portugal através da Idade Média)
Índice:
Duas palavras úteis | I - O canto do povo na Liturgia Primitiva (Salmos e Hinos) | II - O canto do povo na vida religiosa medieval (As aclamações, as laudes e as Preces) | III - Os cânticos da Missa e o Povo | IV - A música cristã na Espanha dos primeiros séculos | V - A música cristã popular em Portugal através da Idade Média | VI - A atitude popular nas Igrejas e a legislação canónica portuguesa | VII - A música popular religiosa portuguesa perante o passado e o presente | VIII - O futuro da nossa música religiosa: O Canto gregoriano; A polifonia; A música popular em língua vulgar para a Liturgia.
José Augusto Alegria (19174-2004). "O Cónego José Augusto Alegria (n. Évora, 1917; m. 2004) foi um dos homens que mais escreveram sobre a nossa música sacra e litúrgica. Estudou os arquivos da Sé de Évora e, graças ao seu precioso trabalho, “tomou-se conhecimento dos principais compositores que, como mestres de capela, exerceram uma influência que ultrapassou os confins regionais”.
José Augusto Alegria sucedeu a Sampayo-Ribeiro na Polyphonia Schola Cantorum (1967-1974) e dirigiu o Coro do Seminário de Évora durante 4 décadas. Fez crítica nas páginas da Lumen, numa perspectiva litúrgica conservadora. Lutou contra o que considerava mau gosto e a falta de qualidade poético-musical de muitos cânticos religiosos. Defensor do gregoriano, polifonia clássica e latim, deu formação nas semanas gregorianas e fez numerosas conferências no âmbito da história da música."
(Fonte: https://www.meloteca.com/portfolio-item/jose-augusto-alegria/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Com interesse histórico.
Raro.
45€

23 abril, 2026

RAMOS, Battaglia -
BREVE NOTICIA  SOBRE A ORDEM DO SANTO SEPULCHRO
. Lisboa, Imprensa Lucas, 1899. In-8.º (19x12 cm) de 14, [2] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história da Ordem do Santo Sepulcro, comunidade criada na sequência da Primeira Cruzada tendo como finalidade a protecção dos locais sagrados do cristianismo, sobretudo a basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, evoluindo para uma ordem militar de proteção aos peregrinos.
Obra muito invulgar, impressa em papel de superior qualidade, a primeira que sobre este assunto se publicou entre nós. A BNP não menciona.
Ilustrada no texto, em página inteira, com o escudo da Ordem, e em separado, com duas estampas: Igreja do Santo Sepulcro; retrato do Patriarca de Jerusalém.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Visconde de Sanches de Baena (1822-1909), médico, historiador, genealogista e heraldista português.
"As origens da Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém remontam à Primeira Cruzada, quando o seu líder, Godofredo de Bulhão, libertou Jerusalém.
Na reorganização que fez dos corpos religioso, militar e administrativo do território recém-libertado do controlo Muçulmano, criou a Ordem dos Cónegos do Santo Sepulcro. Segundo os registos dos Cruzadas, em 1103 o primeiro rei de Jerusalém, Balduíno I, assumiu a chefia dessa ordem canónica e reservou, para si e para os seus sucessores (como agentes do Patriarca de Jerusalém), a prerrogativa e o direito de nomear os Cavaleiros para essa ordem, no caso de ausência ou impossibilidade do Patriarca.
A Ordem incluía não só membros regulares (Frates), mas também seculares (Confrates) e militares. Estes últimos eram armados cavaleiros de entre os cruzados pelo valor e dedicação demonstrados, fazendo votos de obediência à Regra Agostiniana de pobreza e obediência e assumindo, como especial obrigação, defender o Santo Sepulcro e os Lugares Santos, sob o comando do Rei de Jerusalém."
(Fonte: https://santosepulcro-portugal.pt/o-c-s-s-j/)
"A Ordem do Santo Sepulcro em Portugal teve origem no século XII (c. 1103) como uma ordem militar e canónica, instalada no Mosteiro de Santo Sepulcro em Penalva do Castelo. Apoiada por D. Teresa, visava defender a Terra Santa e orar no local sagrado. Atualmente, a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém continua ativa como instituição pontifícia." (IA)
"A Ordem do Santo Sepulchro de Jerusalem teve fundação pelos annos de 1000, da era christã.
Deve-se a sua origem ao facto de se resolver prestar o devido culto aos santos logares da Palestina onde se realisou o drama sublime da Cruz.
Occupada a grandiosissima basilica fundada por Santa Helena, pela instituição dos conegos regrantes de Santo Agostinho, tinham estes por serviço rezar missa ao romper do dia no altar occidental do monumento; celebrar a 15 de julho todos os annos solemnmente a data da toma-da de Jesrusalem que havia sido em 1099; a 16 officiar pelas almas dos christãos mortos durante o assedio; e a 17 especialmente pela de Godofredo de Bolhão, Barão e Defensor do Santo Sepulchro e o mesmo que não acceitou a corôa real, por não querer, segundo disse, usar uma corôa de oiro onde o Rei dos reis usara uma de espinhos."
(Excerto de Breve noticia...)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

04 abril, 2026

ALMEIDA, P. Teodoro d' -
RECREASAÕ // FILOZOFICA, // OU // DIALOGO // Sobre a Filozofia Natural para instruc- // saõ de pesoas curiozas, que naõ // frequentáraõ as aulas. // PELO // P. TEODORO D'ALMEIDA // da Congregasaõ do Oratorio de S. Fi- // lipe Neri. // TOMO IV. // Trata do Omem. //
LISBOA. // Na Oficina de MIGUEL RODRIGUES, // Impres. do Emin. Senhor Cardeal Patriarca. // M. DCC. LVII. // Com todas as licensas necesarias, // e Privilegio Real. In-8.º (17x11 cm) de [8], 333, [3] p. ; [5] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Tomo IV desta obra admirável - de proporções enciclopédicas - do iluminismo português -, escrita e publicada em 10 volumes entre os anos de 1751 e 1800. Trata este tomo dos olhos, dos sentidos e do corpo humano em geral.
"Recreação Filosófica é uma obra monumental do Padre Teodoro de Almeida, publicada entre 1751 e 1800, que divulga a filosofia natural e ciência experimental no séc. XVIII através de diálogos didácticos entre mestre e pupilos. A obra visa instruir os curiosos, defendendo uma pedagogia oratoriana que conciliava a ciência com a fé, num formato acessível e estruturado em vários tomos."
(Fonte IA)
Exemplar ilustrado no início com bonita gravura no texto, e no final, com 57 figuras distribuídas por 5 estampas desdobráveis em separado (completo).
"Eug. Emfim, já se abararaõ os embarasos, amigo Silvio, que atéqui tanto me impediaõ o vir continuar a nosa Recresaõ Filozofica, em que eu tanto me instruia com a vosa doutrina, e do noso amigo Teodozio; porem cheguei; e já envergonhado de tanta demora, sem lhe prometer tempo determinado, venho inesperadamente: vamos a busca-lo lá dentro.
Silv. Eu vos afirmo que já em nós ambos tinha crescido muito a desconfiansa de que os diversos empregos  e ocupasoens em que vos tinhaõ entretido, vos fizesem perder o gosto, ou totalmente esquecer da nosa literaria conversasaõ; entrai vós primeiro, quero que Teodozio tenha todo o gosto de repente.
Teod. Amigo Eugenio; basta que já vos vejo em minha caza!
Eug. Muito tempo à que me vereis, se me deixasem; como conheceis a minha vontade, escuzado é dar-vos relasaõ dos meos embarasos.
Teod. Todos tenho eu sentido; porem mais que todos a vosa molestia dos olhos, que muito me magoou.
Eug. Grande cuidade me deo, vendo-me quazi cego; porque sem vista~, eu naõ sei que alegria posa aver no caorasaõ umano: toda a beleza das creaturas, e a fermozura deste grande jardim do mundo, é inutil para um cego..."
(Excerto Da admiravel fabrica dos Olhos)
Index das materias, que se trataõ neste Tomo IV:
Tarde XVI - Trata do sentido da Vista. Tarde XVII - Da Dioptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a refracsaõ. Tarde XVIII - Da Catoptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a reflexaõ. Tarde XIX - Trata dos outros sentidos do Omem, Externos, e Internos, da Vós umana, do Sono, Vigia; e outras coizas deste genero. Tarde XX - Da Fabrica do Corpo Umano. Tarde XXI - Continúa a tratar da fabrica do Corpo Umano. | Erratas.
Teodoro de Almeida (1722-1804). "Oriundo de uma família de extracção social modesta, de Lisboa, Teodoro de Almeida ingressou na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório a 11 de Abril de 1735, possivelmente devido à protecção do prepósito da Casa, o pe. Domingos Pereira. Iniciou depois os seus estudos sob a direcção do pe. João Baptista, o autor da Philosphia Aristotelica Restituta, que o influenciará de forma decisiva, definindo-se então o seu interesse pela Filosofia Natural.
Em 1748 foi substituto do mestre encarregue do triénio de Filosofia, o pe. Luís José, cujo docência assegurou a partir de 1751. Neste mesmo ano saíram dos prelos os dois primeiros volumes da sua obra mais importante, a Recreação Filosófica.
A década de 1750 é a da plena afirmação de Teodoro de Almeida, que ganha prestígio crescente como pregador, mas sobretudo como escritor e divulgador de temas científicos. Os volumes da Recreação sucedem-se a ritmo veloz, publicando-se o sexto em 1762. Em 1752 o pe. João Baptista inicia as conferência de Filosofia Experimental - ou Filosofia Natural - na Casa das Necessidades, beneficiando do excelente equipamento de laboratório doado à Congregação por D. João V, nas quais o seu discípulo viria a ter papel de destaque. As conferências eram abertas ao público e foram um sucesso, chegando a registar mais de 400 assistentes, entre os quais o próprio monarca. Todavia o fenómeno ficou algo a dever à curiosidade de salão, sem que todos os que a ela assistiam pudessem ter a percepção do que estava realmente em jogo do ponto de vista científico.
Enquanto expoente desta popularidade da divulgação científica, Almeida foi alvo de várias críticas e polémicas, sendo acusado de desvios em relação à ortodoxia religiosa e de ser plagiário. De entre os que vieram em sua defesa salienta-se o jesuíta Inácio Monteiro, autor de uma obra importante obra pedagógica também.
Na década seguinte alguns dos Oratorianos mais influentes conheceram a perseguição de Pombal. Teodoro de Almeida foi forçado a exilar-se em 1768, continuando a desenvolver uma acção pedagógica importante em França. Regressou a Portugal em 1778, logo após o afastamento de Carvalho e Melo, embrenhando-se nos anos seguintes na revitalização do Oratório, na escrita e nos cursos.
É também um dos elementos do grupo que organiza a criação da Academia das Ciências de Lisboa, que se apresenta a público com uma Oração de Abertura de sua autoria, proferida a 4 de Julho de 1780; nela comparava o atraso do país em matéria científica ao reino de Marrocos, suscitando uma violenta reacção dos sectores intelectuais ligados ao pombalismo, expressa em várias cartas anónimas que vituperavam o orador e a nova Academia.
Continuou depois a Recreação, cujo plano editorial se concluiu com a publicação do volume X em 1800. Esta última fase é porém já dominada por um conservadorismo que reage às repercussões políticas do ideário das Luzes, que foi o seu numa primeira fase enquanto não pôs em causa a religião revelada e a ordem social vigente, à qual Teodoro de Almeida se encontrava fortemente vinculado, embora longe da sua componente ultramontana; manifestava-se sim contra os descrentes, pela conservação do seu ideário religioso, como antes de afirmara contra os escolásticos, pela renovação do ideário científico.
Da obra ficou sobretudo o grande projecto enciclopédico que foi a Recreação Filosófica (com os volumes I a VI sobre a Filosofia Natural, o VII sobre a Lógica, e os últimos três sobre a Ética e a Moral), complementada pelas Cartas Físico-Matemáticas (3 vols., 1784-1798), sendo aquela a obra que leva mais longe e ao mesmo tempo marca os limites das possibilidades da Ilustração católica portuguesa. Mas além destas deixou muitos mais escritos, como o Feliz Independente do Mundo e da Fortuna (3 vols., com 2.ª ed. corrigida em 1786), o mais celebrado dos seus livros sobre espiritualidade."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p47.html)
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas "esfoladelas" nas pastas.
Muito invulgar.
30€

22 fevereiro, 2026

MATTOSO, José -
O REINO DOS MORTOS NA IDADE MÉDIA PENINSULAR.
Sob a direcção de... Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1996. In-4.º (24x16,5 cm) de 239, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo conjunto de estudos históricos sobre a morte e a forma como esta era encarada na Península Ibérica pelo homem medievo.
Obra dirigida pelo Prof. José Mattoso, que aliás assina a maioria dos trabalhos, ilustrada no texto com quadros, tabelas e fotografias, sendo alguns em página inteira.
"O conjunto de artigos que aqui se publica constitui o primeiro resultado palpável de um projecto de investigação iniciado em 1989 e que nessa altura surgia sob o título de «Representações mentais do invisível em Portugal medieval». [...] De facto, pareceu-me desde logo que a representação mental do mundo dos mortos constituía, porventura, o principal lugar do imaginário do invisível: aquele núcleo a partir do qual se organiza o pensamento simbólico e discursivo acerca das forças e entidades invisíveis a que se atribuía uma acção real ou imaginária sobre a vida dos homens. Assim acontece, principalmente, para a cultura e religião populares, onde a acção dos deuses ou de Deus tem um lugar secundário, e em que, pelo contrário, se verifica uma evidente contiguidade entre a acção dos mortos, a influência das forças anímicas da natureza, e a intervenção dos anjos e santos (potências benéficas) e dos demónios (potências maléficas)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
José Mattoso: Introdução | Cláudio Torres e Santiago Macias: Rituais funerários paleocristãos e islâmicos nas necrópoles de Mértola | Maria do Rosário Bastos: Testemunhos hispânicos sobre o mundo dos mortos nos séculos IV a VIII | José Mattoso: Os rituais da morte na litúrgia hispânica (séculos VI a XI) | José Mattoso: O culto dos mortos no fim do século XI | José Mattoso: O culto dos mortos em Cister no templo de São Bernardo | Maria do Rosário Bastos: Prescrições sinodais sobre o culto dos mortos nos séculos XIII a XIV | Isabel Castro Pina: Ritos e imaginário da morte em testamentos dos séculos XIV e XV | Hermínia Vasconcelos Vilar: Rituais da morte em testamentos dos séculos XIV a XV (Coimbra e Santarém) | Adelaide Pereira Millán da Costa: O espaço dos vivos e o espaço dos mortos nas cidades da Baixa Idade Média | José Mattoso: A morte dos reis na crónica pré-afonsina | José Mattoso: O pranto fúnebre na poesia trovadoresca galego-portuguesa | José Mattoso: O imaginário do além-túmulo nos exempla peninsulares da Idade Média | José Mattoso: A utilização dos Diálogos de Gregório Magno pelo Libro de los exemplos.
José Mattoso (1933-2023). "Foi uma das mais prestigiadas figuras da historiografia portuguesa e internacional. Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios na área da investigação, como o Prémio Alfredo Pimenta de História Medieval (1985), o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra (1987) e o Prémio da Latinidade (2007). Dos seus livros, destacam-se a aclamada biografia D. Afonso Henriques, a colectânea de ensaios sobre história medieval Naquele Tempo e a direcção de História da Vida Privada em Portugal."
(Fonte: https://www.almedina.net/autor/jos-mattoso-1563855594)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

13 fevereiro, 2026

PROENÇA, P.ᵉ Álvaro - COMO O POVO REZA. (Etonografia). Lisboa, [s.n. - Tip. Inácio Pereira Rosa, Lisboa], 1941. In-8.º (18,5x13 cm) de 173, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Capa da autoria do artista Dr. Rui Nogueira.
Importante subsídio etnográfico, histórico e religioso.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógafa do autor.
"Razoávelmente estudado tem sido, já, o nosso bom povo de costumes tão pitorescos e belos.
Pelas nossas aldeias e mais reconditos lugarejos, desde o Minho, jardim mimoso de sonho, até ao Algarve encantado, olhos perspicazes, almas de artistas, têm seguido, com amor e ternura, as manifestações belas da vida simples e sóbria duma população ingénua e laboriosa. [...]
Há todavia alguma coisa que ainda falta na nossa literatura etnográfica.
Nunca o povo é tão curioso, tão digno de ser estudado e tão grande quando como quando as suas mãos calejadas se erguem para o céu.
É vê-lo, de olhos alheados das coisas da terra, desbarreado, modesto, mais humilde do que nunca, a rezar, ajoelhado nas frias lages da sua igreja paroquial, na capelinha pequenina e pobre ou à noite junto à lareira.
Por mais descrente que o observador seja, é impossível que não encontre grandeza na oração do povo. [...]
Apesar de ser assim, o povo tem sido pouco estudado neste ponto. Orações supersticiosas, bruxedos, crendices de tôda a espécie, tudo isso foi já recolhido. Da oração pura e simples encontra-se aqui uma amostra, além outra, raras, e todavia pela sua beleza e interêsse, elas devem ser conservadas com amor.
Por nosso lado julgamos fazer obra bôa recolhendo o que de mais belo tem a alma popular, aquilo que dela se evola quando a religião aprendida e bebida no leite materno é praticada e vivida sem mistura de produtos de ignorância ou de fá vacilante."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo; Sinal da Cruz; Orações da manhã; Ao sair de casa; Ao entrar na igreja; Para a missa; Para a confissão; Para a comunhão; Orações à Virgem; Orações ao anjo da guarda; Orações aos santos; Orações pelas almas; Para as tentações; Orações da noite; Orações para o trabalho; Orações diversas; Padre Nosso; Avé Maria; Credo; Para o Natal; Para a Semana Santa; Um pouco de catecismo.
Padre Álvaro Proença (Lisboa, 1912-1983). "Entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa (a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus (desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos, entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983. Dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).”
(Fonte: https://toponimialisboa.wordpress.com/2018/07/06/alameda-padre-alvaro-proenca-na-freguesia-que-estudou-e-onde-foi-paroco/)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa apresenta pequenas falhas marginais.
Raro.
25€

05 fevereiro, 2026

FONSECA, Tomás da -
ÊRRO DE ORIGEM. Transformismo religioso. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da »Lvmen» - Coimbra], 1925. In-8.º (16,5x11 cm) de 71, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio anticlerical, tendo o autor vertido as suas reflexões em conferência.
Ilustrado com uma estampa em folha separada do texto, evidenciando a "República" a enxotar a "religião".
"Há quem suponha que a revolução cristã, alterando os scenários, modificando os rituais, alterou e modificou também os sentimentos piedosos. É um êrro.
Em todos os tempos e lugares houve sempre espíritos doentes, almas profundamente místicas. E são êsses os que dão alma aos deuses, criando ou transformando as religiões e as seitas.
Ora, em todas elas os crentes que oram e crêem com verdadeira unção religiosa, procuram escapar à sua natureza mortal, para atingirem Deus, abismando-se nêle.
Os místicos do Cristianismo tentaram isso mesmo pelo martírio do corpo e excitação da alma. Era no silêncio dos retiros, por esforços de meditação, que êles procuravam aproximar a divindade."
(Excerto de Atordoamento místico)
Índice:
[Preâmbulo] | Provocações teológicas | Minerva, apregoando a própria bancarrota | Mêdo â verdade | Acção criadora dos scépticos | Origem dos deuses | O destino dos deuses | A joeira do tempo | As lições do passado | A mulher, coluna mestra da Igreja | Atordoamento místico | Confusão teológica | Agentes sobrenaturais | A religião, freio do povo | Indiferença do povo | Como os deuses morrem | Palavras do Profeta Isaías | O homem criou Deus à sua imagem | Palavras de fé.
Tomás da Fonseca (1877-1968). "Nascido num pequeno povoado perto da Serra do Caramulo em 10 de março de 1877, seminarista que veio a tornar-se ateu, anticlerical e republicano, maçon que teve simpatias comunistas, José Tomás da Fonseca teve um percurso político multifacetado e intenso desde a preparação ideológica republicana à oposição ao sidonismo e ao salazarismo.
Polígrafo compulsivo com vastíssima intervenção na imprensa, foi polemista e pensador, poeta e historiador, sendo ainda relevante a suas ligações ao ensino, tanto como professor como pedagogo. Tão multímoda a sua obra, nela pode destacar-se a do polemista convicto e severo que, segundo recente tese de Luís Filipe Torgal, teve diferenciadas leituras: «Os detratores de Tomás da Fonseca acusaram-no de republicano sectário, apóstata, anticlerical fanático, satânico, mistificador e iconoclasta. Pelo contrário, os seus admiradores representaram-no como missionário do povo, apóstolo cívico do laicismo, símbolo dos livres-pensadores portugueses, destruidor de falsos mitos da História, Política e Religião.»
Falecido em 12 de fevereiro de 1968, foi reconhecido postumamente com o grau de comendador da Ordem da Liberdade em 1984."
(Fonte: https://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1313%3Adestaque-tomas-da-fonseca-1877-1968-10-fev-10-mar-18&catid=169%3A2018&Itemid=1324&lang=pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. Sem capa frontal. Com alguns cadernos soltos.
Muito invulgar.
Indisponível

21 janeiro, 2026

AMARAL, Abílio Mendes do -
O PRIOR A SERRA DA ESTRELA E O CONVENTO DO RATO
. Viseu, [s.n.], 1974. In-8.º (22,5x17 cm) de 28, [4] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre o Padre Domingos Dias Seixas, Prior de Vinhó (Gouveia), e a sua obsessão por Ana de S. Joaquim, religiosa da Ordem da Santíssima Trindade, sobre a qual publicou uma Memória, em 1740, circunstância misteriosa que o autor procura desvendar. Trabalho publicado em separata da Revista «Beira Alta».
Ensaio curioso, com interesse para o tema da vida conventual "forçada", e o empenho de certas religiosas em cumprir com a regra monástica a despeito da ausência de vocação.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao "prestigioso heraldista José de Campos e Sousa"
"Infere-se ter sido nos termos constantes dos Pareceres - com os necessários descontos - que o padre Seixas escreveu a vida da sua heroína.
Ela, Ana, de cuja formosura e juventude o nosso Prior nos dá ideia por intermédio de uma linda gravura, teria nascido a 23 de Outubro de 1709, na Rua da Confeitaria (Bacalhoeiros), junto ao arco ou nicho de Nossa Senhora da Oliveira, em Lisboa. Fora baptizada a 1 de Novembro do mesmo ano, na igreja de S. Julião, por ser a da freguesia onde viviam seus pais - António Jorge e Francisca Maria, «de boa vida e costumes limpos em geração e sangue e de mediana opulência».
Faleceu a 28 de Dezembro de 1736, tendo de idade vinte e sete anos, dois meses e cinco dias, e pouco mais de 10 anos de Religiosa.
Nove capítulos se encheram com as virtudes reveladas pela jovem, durante os 17 anos passados na casa paterna. Ao que parece, foi objecto de todos os mimos e cuidados nesse lar burguês da Lisboa do século XVIII."
(Excerto de II - Candidez e pureza)
"Falecida a mãe, houve de encarar-se o futuro da moça. O pai, atenta à religiosidade e a regra do tempo, começou as diligências para a internar num convento, vindo a optar pelo de Nossa Senhora dos Remédios, de Campolide, vulgarmente dito do Rato. Feito o ajuste, tratou da escritura. E a pequena em breve vestiria o hábito da Santíssima Trindade.
Quando ela transpôs a portaria, «um grande e fatal estrondo se fez ouvir, como sinal de que o Demónio se temia de tanta virtude». [...]
Em 20 de Agosto de 1727, no tempo da prelada e fundadora Madre Maria de S. Filipe, do Mosteiro de Santa Marinha, a menina professou, envolta nas cerimónias litúrgicas da Congregação. Naturalmente se esperava que, dali em diante, sua existência decorreria na doce beatitude e santa protecção da Virgem dos Remédios.
Porém, não tardou que uma profunda melancolia e um inexplicável alheamento a possuíssem, tornando-a indiferente à confissão e às orações. E tão grande vulto o caso assumiu que a comunidade se alarmou. Supuseram-na endemoninhada, havendo que recorrer ao auxílio de vários sacerdotes, para a curarem, mas eles iam-se sucedendo por desistência."
(Excerto de III - No rumo de maiores tribulações)
Índice:
I - O Livro e o Autor. II - Candidez e pureza. III - No rumo de maiores tribulações. IV - Relato oficioso. V - Um labirinto tentador.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

03 janeiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
VIDA MUNDANA DE UM FRADE VIRTUOSO (perfil historico do seculo XVII)
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1889. In-8.º (20x14 cm) de 161, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica de Frei António das Chagas (1631-1682), também conhecido por Padre António da Fonseca, cuja vida aventurosa, salpicada de poesia e expedições amorosas, tiveram o seu epílogo em Setúbal, perto do Convento de Jesus, por um atentado a tiro, talvez por um rival aos favores de uma freira - a bela Ignez, decidindo a partir desse episódio, abandonar a carreira das armas, e outras "carreiras", e dedicar-se em exclusivo à vida monástica, onde conquistou a simpatia geral e fez escol como pregador.
"Aquelle que teve no seculo o nome de Antonio da Fonseca Soares, e na religião o de frei Antonio das Chagas, nasceu na villa da Vidigueira a 25 de junho de 1631. [...]
No Algave, Antonio da Fonseca, ainda na puericia, aprendeu a ler e escrever. Mas, attingindo idade propria para proseguir no estudo das humanidades, foi enviado a Evora, onde com somenos applicação cursou as aulas de latim e philosophia.
A sua predilecção era para a carreira das armas. Os compendios escolares enfastiavam-n'o tanto, quanto a vida do exercito lhe sorria tentadora.
Aos dezoito annos recebeu a noticia da morte do pai, e teve que recolher com a mãe e os irmãos á Vidigueira. Se hoje visitarmos esta villa do Alemtejo, pittoresca posto que solitaria, poderemos ainda fazer ideia do que seria a mocidade de Antonio da Fonseca Soares apertada n'esse estreito circulo de aventuras galantes. Deviam dar brado n'uma pequena villa de provincia os dezoito annos de tão irrequieto moço cujo animo pendia para a desenvoltura da vida militar. Demais a mais corriam nas veias das mulheres da Vidigueira globulos ricos de de sangue minhoto, pois que mestre Thomé, thesoureiro da sé de Braga, a quem a villa fôra dada para que promovesse a sua colonisação, povoara-a com gente que trouxera de Braga e de outras comarcas limitrophes. Quero dizer que as moças da Vidigueira seriam acirrantes de polpudas carnes e bellas côres, - magnifico aperitivo para uns dezoito annos aventurosos."
(Excerto de I - O capitão «Bonina»)
Índice:
I - O capitão «Bonina». II - O frade. III - O escriptor.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequeno pico junto da lombada.
Muito invulgar.
Indisponível

11 dezembro, 2025

CRUZ, Rev.do Pe. -
EXERCICIO DA VIA SACRA.
Usado pelo... [Lisboa], Escolas Prof. Oficinas de S. José, 1932. In-8.º (12x8 cm) de 12 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Curioso livrinho, com interesse para a bibliografia do Padre Cruz, conhecido jesuíta português, natural de Alcochete.
"Senhor meu Jesus Cristo, Amor do meu Coração, suplico-Vos encarecidamente pelas cinco Chagas que Vosso Amor para connôsco Vos fêz na Cruz, socorrei os vossos servos que remistes com o preço do vosso Sangue. Ajudai-me a fazer êste piedoso exercício da Via Sacra que seja para vossa glória, proveito da minha alma, conversão dos pecadores, perseverança dos justos e alívio das almas do Purgatório.
Almas benditas! Eu peço por vós e vós pedi por mim, para que faça êste exercício tão santamente, que possa ganhar muitas indulgências plenárias em Vosso favor, e meu proveito espiritual."
(Oferecimento)
Francisco Rodrigues da Cruz (1859-1948). "Popularmente conhecido como padre Cruz, era natural da vila de Alcochete, onde nasceu em 29 de julho de 1859. Apesar da frágil saúde que o acompanhou desde cedo, e ao longo da sua vida, o padre Cruz concluiu os estudos secundários e seguiu para Coimbra, onde se formou em Teologia na Universidade de Coimbra em 1880, sendo ordenado sacerdote em 1882. Entrou para a Companhia de Jesus em 3 de dezembro de 1940. A característica dominante de toda a ação sacerdotal do padre Cruz foi o apostolado, uma vida de peregrinação, de norte a sul do país, Açores e Madeira, tendo sido também peregrino de Fátima. Em 1913, deu a primeira comunhão à vidente de Fátima Lúcia, depois de um pároco se ter negado a fazê-lo. Morreu aos 89 anos, em 1 de outubro de 1948, e foi sepultado no jazigo dos jesuítas no cemitério de Benfica, em Lisboa."
(Fonte: https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/de-rapaz-fragil-a-santo-do-povo-esta-e-a-historia-do-padre-cruz)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€