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29 agosto, 2026

FIGUEIREDO, Presbytero J. Santos -
FACTOS NOTAVEIS DA HISTORIA DA EGREJA LUSITANA.
2.ª edição refundida, augmentada e illustrada.. [Por].... Presidente do Synodo da Egreja Lusitana. Porto, Typographia Mendonça (a vapor), 1910. In-8.º (21x15,5 cm-capas) de 52 p. ; il. ; B.
Importante subsídio para a história da Igreja Anglicana entre nós, religião que antes se desenvolveu a partir das práticas, liturgia e identidade da Igreja da Inglaterra após a Reforma Inglesa, no contexto da Reforma Protestante na Europa.
Opúsculo raro e muito curioso. Trata-se de uma obra de propaganda agressiva, a que não será alheio o advento da República, recém-implantada, com o intuito evidente de passar, para dentro e para fora, os princípios orientadores, diferenças e ideais da Igreja Anglicana face à Igreja Católica Apostólica Romana.
Ilustrado no texto com desenhos, fotogravuras e retratos de diversas personalidades, onde se contam, entre outros, os de Damião de Góis, Alexandre Herculano e o Duque de Saldanha.
A Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica é a representante oficial da Comunhão Anglicana em Portugal. Trata-se de uma igreja cristã de cariz sinodal, estabelecida como uma alternativa reformada e de língua portuguesa à rigidez do catolicismo romano do século XIX. A igreja nasceu oficialmente a 8 de março de 1880, em Lisboa, durante o seu primeiro Sínodo Constitutivo. A sua criação resultou do descontentamento de vários clérigos e leigos católicos portugueses face à centralização e ao absolutismo papal - intensificados após o Concílio Vaticano I (1870), que declarou o dogma da infalibilidade do Papa. Apoiados pelo capelão anglicano em Lisboa, Thomas Pope, e presididos pelo bispo episcopal norte-americano Henry Riley, os fundadores uniram pequenas congregações independentes que já operavam em Sintra e Lisboa. O termo "Lusitana" foi escolhido porque os fundadores pretendiam restaurar a autonomia da antiga igreja cristã ibérica (da época da Lusitânia), antes de esta ficar sob a total tutela de Roma. (IA)
"Desde a implantação n'este paiz do systema constitucional a Egreja de Roma tem vindo a remar contra a maré. É um facto. E mais ainda: de anno para anno a corrente tem-se tornado mais forte, e a Egreja romana cada vez mais fraca já não póde marchar ávante!
Para que pois querer continuar na mesma direcção com prejuizo da felicidade do povo portuguez e da salvação de Portugal?
Não seria razoavel dar outra orientação á Egreja official, libertando-a do seu pesado dogmatismo?
Não seria melhor emfim deixar a Egreja de Roma que é extrangeira, e seguir a Egreja Lusitana que é toda nossa?
O clero catholico-romano vê bem que o povo o vae abandonando. Geralmente falando, os que seguem a egreja de Roma, ou o fazem por politica ou por costume. Rarissimos por convicção! E acontece isto assim apesar da Egreja de Roma ter toda a protecção do Estado e estar cercada de toda a sorte de privilegios, vendo-se a influencia ultramontana em todas as instituições portuguezas. [...]
Ora com todos estes favores a Egreja de Roma está n'uma situação lamentavel. Não tem força moral ou força religiosa para dirigir espiritualmente o paiz.
Que fazer?
É preciso escolher entre a morte e a vida.
A morte é a continuação da Egreja como está.
A vida é recorrer ao Christianismo puro.
Foi o Christianismo que, com o crear uma individualidade forte, salvou a sociedade, vencendo o collectivismo do Imperio romano: foi ainda o Christianismo que no século XVI salvou os povos, desfazendo a centralisação da Egreja papal; e hoje tambem só o Christianismo é que póde salvar Portugal, ensinando o melhor caminho da paz, da justiça e do amor."
(Excerto de Duas palavras ao clero catholico-romano)
Índice:
Duas palavras ao clero catholico-romano | I - Origem da Egreja Lusitana. II - Os primeiros concilios na Peninsula. III - Egreja Wisigothica - Sua independencia. IV - Egreja Mosarabe. V - Restauração das monarchias christãs e introdução do romanismo em Hespanha. VI - A Egreja Lusitana escravisada: os nossos primeiros reis são excommungados: D. Affonso Henriques; D. Sancho I; D. Afonso II; D. Sancho II-D. Affonso III-D. Diniz; D. Afonso IV-D. Pedro I-D. João I. VII - Da Egreja portugueza: Um sonho de reforma da Egreja no reinado de D. José.VIII - Restauração da Egreja Lusitana.
Rev. Joaquim dos Santos Figueiredo (Coimbra, 1865 - Lisboa, 1937). "Nasceu em Coimbra a 5 de janeiro de 1865, tendo nessa mesma cidade estudado no seu seminário diocesano, com vista à carreira eclesiástica. Lecionou no ensino particular enquanto aguardava a idade da ordenação ao presbitério católico, sendo nesta época que tem o primeiro contacto com os evangélicos, na cidade do Porto. Mais tarde, viria a frequentar em Lisboa o Curso Superior de Letras, concluindo com êxito o exame de Grego. Ordenado em 1887, ao regressar a Coimbra foi nomeado coadjutor da igreja de Santa Cruz, onde se destacou como pregador. Consta que um colportor da Sociedade Bíblica, natural dos Açores, aquando da sua estada em Coimbra, ofereceu uma Bíblia a um dos hóspedes do local em que se instalara, o qual não pretendendo ficar com a mesma a ofereceu à dona da hospedaria; esta por sua vez acabaria por entregá-la a Joaquim dos Santos Figueiredo para a queimar. Não o tendo feito, o presbítero católico passou a analisá-la no intuito de procurar as diferenças de tradução. Republicano convicto, os seus escritos na imprensa coimbrã mereceram a censura do seu bispo que o convidou a retratar-se. Recusando a invetiva, despediu-se dos seus leitores, renunciado ao húmus sacerdotal e abjurando do catolicismo romano, a 28 de fevereiro de 1892. No mesmo ano, regressou ao Porto na perspetiva de voltar a dedicar-se ao ensino; porém, ao aderir aos metodistas, a 27 de março tornou-se pastor assistente da «Igreja do Mirante». Em 1894 transferiu-se para Lisboa, onde ficou a colaborar na igreja presbiteriana, que se reunia então no antigo convento dos Marianos. Tendo este edifício sido vendido à igreja lusitana quatro anos mais tarde, Santos Figueiredo, juntamente com outros membros da comunidade, acabaria por se integrar nesta igreja, tornando-se ministro na congregação de S. Paulo, em dezembro de 1898. Em maio de 1905, foi pela primeira vez nomeado presidente do sínodo nacional da igreja a que pertencia. Em 1922 tornou-se o primeiro bispo eleito da igreja lusitana, embora nunca tenha sido sagrado como tal. Foi ainda diretor do Colégio Evangélico Lusitano durante 38 anos e o primeiro presidente da Aliança Evangélica Portuguesa, desde as suas primeiras reuniões organizativas, em 1919, confirmado como tal na primeira sessão plenária desta instituição, em 1921, tendo cessado estas funções em 1925. Destacou-se no campo literário, desde os tempos de presbítero católico; mas foi já como pastor das igrejas metodista e presbiteriana que publicou sob o pseudónimo de J. S. Pereira do Lago e, passando para a igreja lusitana, como P. L., desde 1911, e como Paulo Lutero após 1922. Traduziu várias obras para a língua portuguesa, destacando-se o Dicionário Bíblico Universal, de Buckland, e História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, de Joseph Angus. Colaborou regularmente em órgãos da imprensa evangélica como Portugal Novo, O Evangelista, O Bom Pastor, Luz e Verdade, Portugal Evangélico, sendo ainda diretor de O Cristão Lusitano. Foi casado desde 20 de abril de 1896 com Lavínia Augusta de Lemos. Faleceu em Lisboa a 18 de agosto de 1937."
(Fonte: https://aliancaevangelica.pt/site/rev-joaquim-dos-santos-figueiredo-1919-1925/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€
Reservado

20 agosto, 2026

CORREIA, José António de Oliveira -
MOURA, O CARMO, A FÉ
. Moura, Câmara Municipal de Moura, [20--]. Oblongo (21x26 cm) de 176, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia sobre Moura e as festas do concelho.
Muito ilustrada com desenhos, mapas e fotografias a cores e ap.b.
Obra interessante e muito invulgar, sem referências bibliográficas, incluindo a BNP.
"É naturalmente com muita honra e muito prazer que escrevo estas linhas, como Nota de Abertura do livro "Moura, o Carmo, a Fé" da autoria de José António Correia.
Ele retrata uma visão do que tem sido a história da devoção a Nossa Senhora do Carmo, com expressão especial nas Festas que anualmente juntam milhares de pessoas, quer naturais, quer visitantes, que ano após ano renovam através da Fé, a sua dedicação religiosa e seu amor a Moura.
A história de Moura é por isso indissociável deste facto e deste elemento estruturante de afirmação da nossa cultura. Pelos dias da Festa. Por tudo o que a envolve nos períodos precedentes. E pelas marcas indeléveis que ficam para o futuro. E que toca a todos. Independentemente dos credos religiosos ou políticos."
(Excerto da Nota de Abertura)
José António de Oliveira Correia (n. 1956). É um historiador, investigador e autor português profundamente ligado ao concelho de Moura, no Alentejo, sendo responsável por diversas obras de referência sobre a história local, património e cultura da região. Nascido em 1956, em Portalegre, vai para Moura com três anos e por aí ficou. O seu trabalho foca-se principalmente no estudo etnográfico, religioso e social do município. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€
Reservado

10 agosto, 2026

PACHECO, Joaquim Antonio -
A CHAVE DO CEO.
Novissimo Livro de Missa e outras devoções. Approvado pelo Ex.mo e Rev.mo Sr. Arcebispo de Mitylene. Por... Director e proprietario da Livraria Catholica de Lisboa e revisto por S. Ex.ª Rev.ma Monsenhor da Silva Serrano. Lisboa, Livraria Catholica : Joaquim Antonio Pacheco, 1902. In-8.º (14,5x9,5 cm) de [2], 475, [1] p. ; 142 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Bonito devocionário, ilustrado com pequenas gravurinhas no texto e com duas estampas de grande beleza gráfica e artística em separado: A Virgem Maria e Affonso Maria de Ligorio || B. Clemente Maria Ofbaner.
Joaquim António Pacheco (? - 1906). Foi um proeminente livreiro e editor português do século XIX, amplamente reconhecido como o proprietário e fundador da Livraria Católica de Lisboa (1866), também referida como a antiga Livraria Católica do Rocio. O seu trabalho focou-se na difusão da literatura religiosa e espiritual em Portugal. Publicou em nome próprio dezenas de manuais litúrgicos e devocionários de grande circulação. Manteve uma estreita colaboração e correspondência com importantes figuras e ordens religiosas da época, incluindo os jesuítas e os diretores do Apostolado da Oração (como o Padre Bento Rodrigues), intermediando a produção e comercialização de artigos e medalhas devocionais. (IA)
Encadernação toda de pele com título gravado a seco e a ouro na lombada. Corte integral das folhas em dourado.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

21 junho, 2026

OLIVEIRA, P. Miguel de -
AS PARÓQUIAS RURAIS PORTUGUESAS : sua origem e formação
. Lisboa, União Gráfica, 1950. In-8.º (19,5x14 cm) de 220, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho de recolha histórica sobre a presença da Igreja no meio rural. "Trata-se de uma obra de referência na historiografia eclesiástica e na história local de Portugal. O estudo analisa o povoamento e a organização religiosa no território. Analisa a organização paroquial desde a Alta Idade Média, passando pelos domínios suevo e visigótico, e a transição e relação entre igrejas, mosteiros, vilas e as populações, bem como o surgimento do regime de padroado e a respetiva provisão dos benefícios eclesiásticos." (IA)
"O primeiro problema que se oferece a quem pretende estudar a história duma freguesia rural, é naturalmente o da sua origem. Quando começou a freguesia? Como se constituiu o seu território? Por que se congregou este povo ao redor do campanário? Se a paróquia é anterior à fundação da Monarquia, estas perguntas ficam quase sempre sem resposta. Os autores de monografias locais contentam-se em exprimir, em fórmulas vagas, o mistério em que costuma envolver-se a origem de todas as coisas. [...]
A vida medieval é hoje para nós como uma grane composição de mosaico, desconjuntada pelo tempo. Conhecem-se aproximadamente os contornos e restam, aqui e além, figuras completas, trechos de paisagem e lindos ornatos. Como, porém, se perdeu o desenho total e faltam com certeza muitas das pequeninas pedras, no trabalho de reconstituição entra sempre um pouco do gosto e fantasia do artista. Ele próprio pode experimentar várias formas de dispor os fragmentos existentes e imaginar de diversos modos o que falta, de acordo com o estilo primitivo."
(Excerto do Preâmbulo)
Segundo as disposições do Código de Direito Canónico, a diocese deve dividir-se em partes territoriais distintas, cada qual com a sua igreja particular, o seu povo determinado e o reitor próprio. Cada uma dessas fracções territoriais tem o nome de paróquia; o sacerdote ou pessoa moral a quem ela é conferida como título, com o encargo de exercer a cura de almas sob a autoridade episcopal, chama-se pároco. [...]
A organização as paróquias não resultou de decreto geral, pontifício ou conciliar; operou-se gradualmente, segundo as circunstâncias especiais e cada região, e em épocas diversas.
Nos primeiros tempos, não havia párocos com residência estável e fiéis próprios em território certo. Havia na urbe episcopal uma só igreja em que se reuniam ao domingo os cristãos da cidade e dos campos. O bispo era o pastor único de toda a diocese e utilizava, onde fosse preciso, o ministério dos presbíteros e diáconos que constituíam o seu presbyterium. [...]
No aspecto social, a paróquia tem sido das instituições mais fecundas. Como diz Imbart de la Tour, «ela foi durante muitos séculos o único centro da actividade local. Foi a redor da igreja que se agruparam sucessivas gerações de homens: foi junto do altar, sob o olhas do seu Deus ou do seu santo, que eles viveram, trabalharam, esperaram, sofreram. A história das paróquias está estreitamente unida à história das instituições, das crenças e dos costumes».
A fundação das paróquias rurais continuou através dos tempos e ainda hoje prossegue, de harmonia com as necessidades religiosas da população, elevando-se geralmente à categoria de paroquial uma capela distante da igreja, como aconteceu na Idade Média."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Primeira Parte - As Paróquias primitivas: I. Origens da organização paroquial; II. As Paróquias no domínio suévico; III. As Paróquias no domínio visigótico. Segunda Parte - As Paróquias da Reconquista: I. A população - O problema do ermamento; II. Os territórios - Teoria das vilas; III. Igrejas e Mosteiros; IV - Clero e fiéis - A freguesia. Terceira Parte - As Paróquias em regime de Padroado: I. Igrejas próprias; II. O direito de Padroado; III. Provimento dos párocos; IV. Vida cristã - A comunidade paroquial. | Conclusão | Apêndice: - Mosteiros antigos do norte de Portugal; - Elenco bibliográfico.
Miguel Augusto de Oliveira (1897–1969). "Religioso português. Foi um insigne historiador e jornalista, amplamente considerado uma referência na investigação da História da Igreja em Portugal.
Nascido em Válega (Ovar), formou-se em teologia e destacou-se ao longo de 25 anos como chefe de redação do jornal Novidades. Como investigador, notabilizou-se pelo rigor científico, deixando inúmeras obras de referência.
Devido ao seu vasto trabalho historiográfico, foi distinguido pelo Vaticano com o título honorífico de Monsenhor." (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas. Assinatura de posse na f. rosto e ante-rosto.
Muito invulgar.
35€

02 junho, 2026

LIGORIO, Santo Affonso de -
PREPARAÇÃO PARA A MORTE OU CONSIDERAÇÕES SOBRE AS VERDADES ETERNAS. Uteis a todos os fieis para a meditação e aos sacerdotes para a predica. Por... Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira - Editor, 1873. In-8.º (16x11,5 cm) de [2], VIII, 420 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante edição oitocentista - julgamos que a primeira em português - deste manual de preparação para a morte. Trata-se de uma importante obra histórica. Permite entender a forma como o termo da vida era interpretada e divulgada nos meios religiosos, e não só, no século XVIII.
Obra escrita em estilo simples, dedicada a crentes e sacerdotes que deste manual se quisessem servir para a oratória religiosa.
"Considerae que sois pó e que em pó vos haveis de tornar. Virá um dia em que morrereis e sereis lançado á podridão n'um fosso, onde o vosso unico vestido serão vermes: Operimentum tuum erunt vermes. Tal é a sorte reservada a todos os homens, aos nobres e aos plebeus, aos principes e aos vassallos. Logo que a alma saia do corpo com o ultimo suspiro, dirigir-se-ha á eternidade e o corpo deverá reduzir-se a pó: Auferes spiritum corum, et deficient, et in pulverem suum revertentur.
Imaginae que estaes vendo uma pessoa que acaba de exhalar o ultimo suspiro; considerae esse cadaver deixado ainda no leito, com a cabeça pendida sobre o peito, os cabellos em desalinho, banhados ainda nos soures da morte, os olhos encovados, as faces descarnadas, o rosto acinsentado, a lingua e os labios côr de ferro... corpo frio e pesado. Empallidece e treme quem quer que o vê. Quantas pessoas á vista d'um parente ou d'um amigo morto, não mudaram de vida e não deixaram o mundo!"
(Excerto de I - Consideração - Retrato d'um homem que passou recentemente á outra vida)
Afonso Maria de Ligório (Marianella, Nápoles, 1696 - Nocera dei Pagani, Salerno, 1787). "Foi um bispo católico italiano que se destacou como escritor espiritual, filósofo escolástico e teólogo.
Nascido numa família nobre de Nápoles, Ligório teve uma brilhante carreira em direito antes de ser ordenado padre. Depois disso, fundou uma ordem religiosa, a Congregação do Santíssimo Redentor (chamados "redentoristas") dedicada ao trabalho entre os pobres. Em 1762, foi nomeado bispo da Diocese de Sant'Agata de' Goti. Afonso foi um escritor prolífico, publicando nove edições de sua "Teologia Moral" ainda em vida, além de outras obras devocionais e ascetas, assim com muitas cartas.
Afonso foi canonizado em 1839 pelo papa Gregório XVI. Em 1871, Pio IX proclamou-o Doutor da Igreja (Doctor Zelantissimus). Um dos autores católicos mais lidos, é também o santo padroeiro dos confessores."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação coeva inteira de pele com rótulo carmim e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

01 junho, 2026

MANUAL DA PEREGRINAÇÃO OPERÁRIA A FÁTIMA :
3 e 4 de Outubro 1943
. [Lisboa], Edições ACP, 1943. In-8.º (15 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual da histórica peregrinação do operariado português a Fátima, a primeira, sendo responsável máximo e presidente da Comissão Executiva da Peregrinação Abel Varzim, conhecido sacerdote, activista católico no período do Estado Novo, regime com quem, por vezes, entrou em conflito.
Inclui no interior a letra de marchas, cânticos e hinos relacionados com o evento, entre outros, a Marcha dos Desempregados.
Livro ilustrado com 5 belíssimas estampas em página inteira.
Junta-se um exemplar de O Semeador, Ano IV - N.º 4 : Domingo, 23 de Janeiro de 1949.

"A Nossa Peregrinação vai ser:
Um acto de Reparação nacional por tôda a classe operária, que tanto tem ofendido a Deus.
Uma afirmação colectiva da nossa dignidade humana e cristã.
Uma demonstração de brio e de camaradagem, dando um exemplo de aprumo e boa educação.

Para isto:
a) preparemo-nos espiritualmente com dignidade;
b) procuremos evitar palavriado inconveniente;
c) em tôdas as circunstâncias, mostremos que somos cristãos, tratando-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos e camaradas;
d) nos percursos a pé, marcharemos ordenadamente, não como soldados, mas sem nos separarmos uns dos outros, sem procurarmos ser engraçados. A nossa romagem é santa!
e) evitemos cestos e malas de mão que dão uma ideia triste da nossa jornada; levemos antes sacos alpinos ou sacolas;
f) sigamos em tudo as instruções que nos forem dadas.

Não nos esqueçamos
de lenços de bolso;
de uma toalha para nos limparmos;
de um pouco de sabão ou sabonete;
de um pente;
de um copo, mesmo de papel;
de calçarmos sapatos cómodos, que não magoem os pés;
de um agasalho por causa do frio da noite.

As nossa intenções:
Peregrinos! Não vamos a uma romaria, nem a um passeio! Vamos fazer uma Peregrinação de sacrifício e de penitência, pedindo à Virgem Santíssima que nos alcance, para tôda a classe operária,
Paz, Pão e Trabalho
E uma vida mais digna, mais cristã e mais pura.
No caminha para Fátima
Alegria, dignidade, espírito de sacrifício e de oração.

Na terra bendita de Fátima
Fé;
Disciplina;
Confiança;
Obediência pronta.

Os actos de Peregrinação decorrerão com o brilho que a tua disciplina lhes quiser dar."

(A Nossa Peregrinação)
Índice: A Nossa Peregrinação | Programa | Desfile | Via Sacra | Procissão das Velas | Adoração nocturna | Assembleia Geral e Côro falado | Missa dialogada: - Preparação: I Parte: As Almas purificam-se; II Parte: As Almas instruem-se. / O Sacrifício: I Parte: As Almas oferecem-se a Deus. II Parte: Eucaristia - As Almas unem-se ao sacrifício de Cristo. III Parte: Comunhão - As Almas participam sacramentalmente no sacrifício de Cristo. / Conclusão. / Procissão do Adeus. | A Minha Confissão | Oração operária a Nossa Senhora de Fátima.
Abel Varzim da Cunha e Silva (Cristelo, Barcelos, 1902-1964). "Foi um sacerdote católico português. Nasceu em Cristelo (Barcelos), diocese de Braga, no seio de uma família da classe média rural, sendo filho de Adelino da Costa e Silva, proprietário, natural da freguesia de Vilar de Figos, concelho de Barcelos, e de Adelaide Rosa Varzim da Cunha e Silva, professora do ensino oficial, natural da freguesia e concelho da Póvoa de Varzim. Ingressou na escola onde sua mãe era professora, tendo concluído a “instrução primária”, com o exame da quarta classe, em julho de 1912, aos dez anos. Querendo ser sacerdote, teve de ingressar no liceu da Póvoa de Varzim, por não haver seminário menor em Braga, pois este tinha sido ocupado militarmente em 1911. Em 1916, quando terminou o liceu, esse problema estava resolvido e Abel Varzim concluiu então os estudos preparatórios. Em 1921, entrou para o Seminário Conciliar daquela cidade, onde se formou em Teologia, tendo celebrado “Missa Nova”, a 3 de julho de 1925, na Póvoa de Varzim. Correspondendo a um pedido do Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, o prelado Bracarense, D. Manuel Vieira de Matos, cede o novo sacerdote à Diocese de Beja, tendo sido colocado no Seminário Menor de Serpa como professor e prefeito, desde a sua inauguração em 21 de novembro de 1925. Ali lecionou durante cinco anos e aplicou o seu dinamismo, tendo apoiado, inclusivamente, a iniciativa da Equipa Educativa do Seminário, na fundação do agrupamento de escuteiros n.º 38 (Beato Nuno Álvares Pereira) do C.N.S. [Corpo Nacional de Scouts - atual Corpo Nacional de Escutas], do qual foi nomeado Chefe. Após esta estadia em Serpa, seguiu para a Universidade de Lovaina, na Bélgica, o que lhe rasgou novas perspetivas e abriu mais largos horizontes. Quatro anos depois, em 23 de abril de 1934, doutorava-se em Ciências Políticas e Sociais. De regresso a Portugal, redigiu, com o Padre Manuel Rocha, os Estatutos da Acção Católica Portuguesa (ACP), pugnando para que esta fosse constituída por organismos especializados, de jovens e adultos, e de agricultores, operários, universitários, etc.. Este documento, mau grado a oposição do Estado Português, foi aprovado pela Santa Sé. Esteve também na fundação da Liga Operária Católica, o Organismo Especializado da ACP, criado oficialmente em 30 de junho de 1935, e que iniciou a sua atividade em 1936, da qual foi Assistente Geral até 1948. Foi o grande impulsionador do jornal “O Trabalhador”, ao qual se dedicou depois de alma e coração. Aquando do seu regresso a Portugal, profundamente interessado pelos problemas sociais, e consciente do atraso estrutural em que o país se encontrava, acolheu como boa a solução imposta por Salazar, de um Estado Unitário Corporativo, aceitando por isso o “Estatuto do Trabalho Nacional”. Cedo, contudo, verificou que estava equivocado, e que o regime do Estado Novo não respondia aos problemas que afligiam os trabalhadores, e o comum dos portugueses. Foi deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938/1942, ficando célebre um “Aviso-Prévio” que ali apresentou em 17 de fevereiro de 1939, sobre os Sindicatos Nacionais, em que criticava certos aspetos da organização sindical corporativa, onde mencionava a ação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, e nomeadamente a sua ineficácia em muitos aspetos. Esta passagem pela Assembleia Nacional ficou também marcada pela intervenção que proferiu, no dia 6 de fevereiro de 1941, “manifestando a sua discordância” com os termos do Decreto-Lei n.º 31.107, que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. Os ataques e ameaças que, então, enfrentou afastaram-no definitivamente das ideias do Estado Novo. Começou então a conhecer os caminhos amargos da perseguição política (e não só), ao mesmo tempo que realizava com forte empenho ações de formação para trabalhadores e estudantes universitários, naquilo a que hoje chamaríamos “formação para a cidadania”."
(Fonte: Wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
Indisponível

13 maio, 2026

SEPULVEDA, Christovam Ayres de Magalhães -
ORGANISAÇÃO MILITAR DOS ARABES NA PENINSULA.
Por…Capitão de cavallaria. Lente da Escola do Exercito... [etc.]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1901. In-4.º (25x16,5 cm) de 137, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo pioneiro e histórico sobre a ocupação árabe da Península Ibérica em todas as suas vertentes: militares, políticas, religiosas e motivacionais.
Obra rara e muito interessante, com relevância para a nossa própria história e organização civil e militar.
Ilustrada no texto com desenhos de apetrechos e equipamento militar para a guerra, a pé e a cavalo, e em separado, com duas estampas: I - Iatagan moderno, 1218 de Hegira - (Da collecção do Dr. Teixeira de Aragão) - [a duas cores]; II - Capacete arabe - (Da collecção de Sua Magestade El-Rei).
"A mesma curiosidade em assumptos que, por dever de officio, e natural pendor, versamos, e a mesma orientação no que toca ao criterio e methodo a applicar no estudo da historia, nos levou a dar toda a importancia a um periodo da historia da peninsula hispanica que tanta influencia teve na nossa antiga organisação militar, e tão intimamente se liga com a historia militar portuguesa. É o periodo da dominação dos arabes em todo esse territorio peninsular e das luctas que as armas christãs tiveram de sustentar a fim de rehaver para a nossa raça e para a nossa crença o que em má hora perdera, pelo predominio de outras crenças e outras raças. Essas lutas tinham produzido uma tão importante modificação na maneira de ser militar dos dois povos, primeiro em opposição, e mais tarde em intimo contacto e em fusão, que um e outro apresentaram, num periodo largo da historia da peninsula, uma feição caracteristica, cujo estudo se torna indispensavel para comprehendermos bem a nossa organização militar e a nossa historia guerreira na Idade Media.
Esse estudo não estava feito entre nós ; d'ahi a necessidade que tive de o produzia, embora com os fracos recursos de que dispunha. É um simples ensaio."
(Excerto do Preâmbulo)
"Constituia a guerra para o musulmano uma necessidade, um dever, uma religião.
Era a guerra o instrumento mais poderoso da sua fé; pela guerra dilatára o seu dominio pelo mundo inteiro, e com elle um novo credo religioso dimanado como a fé christã, dos preceitos fundamentaes da Biblia.
Foi inspirado o espirito do proselytismo, diz Sedillot, que Mohamede se propoz desenvolver o genio militar dos arabes «persuadindo-os de que Deus lhes dava o mundo em partilha»; redobrava-lhes as forças; uma exaltação religiosa se apoderava de todas as almas; com estas simples palavras «na vossa frente está o paraiso, atraz o inferno», os chefes arrastavam os seus soldados ao meio de uma furiosa refrega; e esse delirio supersticioso, essa vehemencia de sentimento e de acção destruia os maiores obstaculos."
(Excerto do Estudo)
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (1853-1930). "Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda nasceu em Goa, a 27 de março de 1853, e faleceu em Lisboa, a 10 de junho de 1930. Formado no curso de infantaria e cavalaria da Escola do Exército e no Curso Superior de Letras, foi promovido a alferes graduado em 1876 e a coronel em 1911, tendo sido também lente na Escola de Guerra. Eleito deputado pelo Partido Regenerador por três vezes, desempenhou os cargos de governador civil de Bragança e de promotor de justiça do 2° Conselho de Guerra da 1ª divisão. Integrou a redação do Jornal do Comércio e das Colónias, do qual veio a ser diretor.
Foi cofundador, em 1911, da Sociedade Nacional de História, ao lado de Fidelino de Sousa Figueiredo, David de Melo Lopes e José Leite de Vasconcelos. Ao longo da sua vida, Cristóvão Aires pertenceria ainda ao Instituto de Coimbra, à Real Academia de História de Madrid e à Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido também vogal da Comissão Nacional para as comemorações da Guerra Peninsular em 1908.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 8 de abril de 1886, tendo aí exercido os cargos de Inspetor da Biblioteca (1907-1913), Secretário da Classe de Letras (1910; 1915), Vice-Secretário (1914) e Secretário Geral (1921-1930). Integrou ainda a Comissão de Inventário do Museu Maynense."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/45)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

29 abril, 2026

ALEGRIA, José Augusto -
A MÚSICA LITÚRGICA E AS INTERFERÊNCIAS POPULARES. (Aplicação ao caso português). [Por]... Diplomado pelo Instituto Pontifício de Música Sacra de Roma. Separata da Revista «Lvmen». Lisboa,  [s.n. - Composto e impresso na Tip. União Gráfica - Lisboa], [1958]. In-4.º (24,5x18,5 cm) de IV, 97, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho de fôlego. Importante contributo para a história da música de Igreja e a "intromissão" da música de pendor popular neste género de manifestação religiosa.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Armando Gusmão.
"No século XI, o esforço da reconquista atingira resultados palpáveis na Península. O Conde D. Henrique de Borgonha, feito senhor do Condado Portugalense, abre o caminho do nosso território à influência francesa. Finalmente rasgava-se uma janela sobre o mundo; e o caminho dos Pirinéus seria a  estrada real por onde passariam os emissários de Roma que traziam às cristandades refeitas e a refazerem-se os sacramentários, antifonários, evangeliários e demais livros litúrgicos. Todo este material que agora chegava até nós pelas mãos prestimosas dos monges de Cluni era completa novidade comparado com o gasto repertório antigo. A escrita seria mais clara. Os códices neumáticos seriam diastemáticos com a notação aquitana. Era a novidade que surgia. E o antigo era relegado para a categoria das inutilidades e, o que é pior, para a destruição. Por isso nada chegou até nós desses tempos de instabilidade política e social, e a Lex Romana encontrava o terreno maravilhosamente preparado para se implantar e prosperar. Como centro irradiador dos costumes litúrgicos da capital do mundo cristão estava S. Tiago de Compostela. O caminho francês, antes mesmo de servir aos cruzados que se vinham alistar nas hostes cristãs para combater os mouros, era a estrada dos romeiros que em peregrinação vinham ao túmulo do Apóstolo."
(Excerto de A música cristã popular em Portugal através da Idade Média)
Índice:
Duas palavras úteis | I - O canto do povo na Liturgia Primitiva (Salmos e Hinos) | II - O canto do povo na vida religiosa medieval (As aclamações, as laudes e as Preces) | III - Os cânticos da Missa e o Povo | IV - A música cristã na Espanha dos primeiros séculos | V - A música cristã popular em Portugal através da Idade Média | VI - A atitude popular nas Igrejas e a legislação canónica portuguesa | VII - A música popular religiosa portuguesa perante o passado e o presente | VIII - O futuro da nossa música religiosa: O Canto gregoriano; A polifonia; A música popular em língua vulgar para a Liturgia.
José Augusto Alegria (19174-2004). "O Cónego José Augusto Alegria (n. Évora, 1917; m. 2004) foi um dos homens que mais escreveram sobre a nossa música sacra e litúrgica. Estudou os arquivos da Sé de Évora e, graças ao seu precioso trabalho, “tomou-se conhecimento dos principais compositores que, como mestres de capela, exerceram uma influência que ultrapassou os confins regionais”.
José Augusto Alegria sucedeu a Sampayo-Ribeiro na Polyphonia Schola Cantorum (1967-1974) e dirigiu o Coro do Seminário de Évora durante 4 décadas. Fez crítica nas páginas da Lumen, numa perspectiva litúrgica conservadora. Lutou contra o que considerava mau gosto e a falta de qualidade poético-musical de muitos cânticos religiosos. Defensor do gregoriano, polifonia clássica e latim, deu formação nas semanas gregorianas e fez numerosas conferências no âmbito da história da música."
(Fonte: https://www.meloteca.com/portfolio-item/jose-augusto-alegria/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Com interesse histórico.
Raro.
45€

23 abril, 2026

RAMOS, Battaglia -
BREVE NOTICIA  SOBRE A ORDEM DO SANTO SEPULCHRO
. Lisboa, Imprensa Lucas, 1899. In-8.º (19x12 cm) de 14, [2] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história da Ordem do Santo Sepulcro, comunidade criada na sequência da Primeira Cruzada tendo como finalidade a protecção dos locais sagrados do cristianismo, sobretudo a basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, evoluindo para uma ordem militar de proteção aos peregrinos.
Obra muito invulgar, impressa em papel de superior qualidade, a primeira que sobre este assunto se publicou entre nós. A BNP não menciona.
Ilustrada no texto, em página inteira, com o escudo da Ordem, e em separado, com duas estampas: Igreja do Santo Sepulcro; retrato do Patriarca de Jerusalém.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Visconde de Sanches de Baena (1822-1909), médico, historiador, genealogista e heraldista português.
"As origens da Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém remontam à Primeira Cruzada, quando o seu líder, Godofredo de Bulhão, libertou Jerusalém.
Na reorganização que fez dos corpos religioso, militar e administrativo do território recém-libertado do controlo Muçulmano, criou a Ordem dos Cónegos do Santo Sepulcro. Segundo os registos dos Cruzadas, em 1103 o primeiro rei de Jerusalém, Balduíno I, assumiu a chefia dessa ordem canónica e reservou, para si e para os seus sucessores (como agentes do Patriarca de Jerusalém), a prerrogativa e o direito de nomear os Cavaleiros para essa ordem, no caso de ausência ou impossibilidade do Patriarca.
A Ordem incluía não só membros regulares (Frates), mas também seculares (Confrates) e militares. Estes últimos eram armados cavaleiros de entre os cruzados pelo valor e dedicação demonstrados, fazendo votos de obediência à Regra Agostiniana de pobreza e obediência e assumindo, como especial obrigação, defender o Santo Sepulcro e os Lugares Santos, sob o comando do Rei de Jerusalém."
(Fonte: https://santosepulcro-portugal.pt/o-c-s-s-j/)
"A Ordem do Santo Sepulcro em Portugal teve origem no século XII (c. 1103) como uma ordem militar e canónica, instalada no Mosteiro de Santo Sepulcro em Penalva do Castelo. Apoiada por D. Teresa, visava defender a Terra Santa e orar no local sagrado. Atualmente, a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém continua ativa como instituição pontifícia." (IA)
"A Ordem do Santo Sepulchro de Jerusalem teve fundação pelos annos de 1000, da era christã.
Deve-se a sua origem ao facto de se resolver prestar o devido culto aos santos logares da Palestina onde se realisou o drama sublime da Cruz.
Occupada a grandiosissima basilica fundada por Santa Helena, pela instituição dos conegos regrantes de Santo Agostinho, tinham estes por serviço rezar missa ao romper do dia no altar occidental do monumento; celebrar a 15 de julho todos os annos solemnmente a data da toma-da de Jesrusalem que havia sido em 1099; a 16 officiar pelas almas dos christãos mortos durante o assedio; e a 17 especialmente pela de Godofredo de Bolhão, Barão e Defensor do Santo Sepulchro e o mesmo que não acceitou a corôa real, por não querer, segundo disse, usar uma corôa de oiro onde o Rei dos reis usara uma de espinhos."
(Excerto de Breve noticia...)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

04 abril, 2026

ALMEIDA, P. Teodoro d' -
RECREASAÕ // FILOZOFICA, // OU // DIALOGO // Sobre a Filozofia Natural para instruc- // saõ de pesoas curiozas, que naõ // frequentáraõ as aulas. // PELO // P. TEODORO D'ALMEIDA // da Congregasaõ do Oratorio de S. Fi- // lipe Neri. // TOMO IV. // Trata do Omem. //
LISBOA. // Na Oficina de MIGUEL RODRIGUES, // Impres. do Emin. Senhor Cardeal Patriarca. // M. DCC. LVII. // Com todas as licensas necesarias, // e Privilegio Real. In-8.º (17x11 cm) de [8], 333, [3] p. ; [5] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Tomo IV desta obra admirável - de proporções enciclopédicas - do iluminismo português -, escrita e publicada em 10 volumes entre os anos de 1751 e 1800. Trata este tomo dos olhos, dos sentidos e do corpo humano em geral.
"Recreação Filosófica é uma obra monumental do Padre Teodoro de Almeida, publicada entre 1751 e 1800, que divulga a filosofia natural e ciência experimental no séc. XVIII através de diálogos didácticos entre mestre e pupilos. A obra visa instruir os curiosos, defendendo uma pedagogia oratoriana que conciliava a ciência com a fé, num formato acessível e estruturado em vários tomos."
(Fonte IA)
Exemplar ilustrado no início com bonita gravura no texto, e no final, com 57 figuras distribuídas por 5 estampas desdobráveis em separado (completo).
"Eug. Emfim, já se abararaõ os embarasos, amigo Silvio, que atéqui tanto me impediaõ o vir continuar a nosa Recresaõ Filozofica, em que eu tanto me instruia com a vosa doutrina, e do noso amigo Teodozio; porem cheguei; e já envergonhado de tanta demora, sem lhe prometer tempo determinado, venho inesperadamente: vamos a busca-lo lá dentro.
Silv. Eu vos afirmo que já em nós ambos tinha crescido muito a desconfiansa de que os diversos empregos  e ocupasoens em que vos tinhaõ entretido, vos fizesem perder o gosto, ou totalmente esquecer da nosa literaria conversasaõ; entrai vós primeiro, quero que Teodozio tenha todo o gosto de repente.
Teod. Amigo Eugenio; basta que já vos vejo em minha caza!
Eug. Muito tempo à que me vereis, se me deixasem; como conheceis a minha vontade, escuzado é dar-vos relasaõ dos meos embarasos.
Teod. Todos tenho eu sentido; porem mais que todos a vosa molestia dos olhos, que muito me magoou.
Eug. Grande cuidade me deo, vendo-me quazi cego; porque sem vista~, eu naõ sei que alegria posa aver no caorasaõ umano: toda a beleza das creaturas, e a fermozura deste grande jardim do mundo, é inutil para um cego..."
(Excerto Da admiravel fabrica dos Olhos)
Index das materias, que se trataõ neste Tomo IV:
Tarde XVI - Trata do sentido da Vista. Tarde XVII - Da Dioptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a refracsaõ. Tarde XVIII - Da Catoptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a reflexaõ. Tarde XIX - Trata dos outros sentidos do Omem, Externos, e Internos, da Vós umana, do Sono, Vigia; e outras coizas deste genero. Tarde XX - Da Fabrica do Corpo Umano. Tarde XXI - Continúa a tratar da fabrica do Corpo Umano. | Erratas.
Teodoro de Almeida (1722-1804). "Oriundo de uma família de extracção social modesta, de Lisboa, Teodoro de Almeida ingressou na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório a 11 de Abril de 1735, possivelmente devido à protecção do prepósito da Casa, o pe. Domingos Pereira. Iniciou depois os seus estudos sob a direcção do pe. João Baptista, o autor da Philosphia Aristotelica Restituta, que o influenciará de forma decisiva, definindo-se então o seu interesse pela Filosofia Natural.
Em 1748 foi substituto do mestre encarregue do triénio de Filosofia, o pe. Luís José, cujo docência assegurou a partir de 1751. Neste mesmo ano saíram dos prelos os dois primeiros volumes da sua obra mais importante, a Recreação Filosófica.
A década de 1750 é a da plena afirmação de Teodoro de Almeida, que ganha prestígio crescente como pregador, mas sobretudo como escritor e divulgador de temas científicos. Os volumes da Recreação sucedem-se a ritmo veloz, publicando-se o sexto em 1762. Em 1752 o pe. João Baptista inicia as conferência de Filosofia Experimental - ou Filosofia Natural - na Casa das Necessidades, beneficiando do excelente equipamento de laboratório doado à Congregação por D. João V, nas quais o seu discípulo viria a ter papel de destaque. As conferências eram abertas ao público e foram um sucesso, chegando a registar mais de 400 assistentes, entre os quais o próprio monarca. Todavia o fenómeno ficou algo a dever à curiosidade de salão, sem que todos os que a ela assistiam pudessem ter a percepção do que estava realmente em jogo do ponto de vista científico.
Enquanto expoente desta popularidade da divulgação científica, Almeida foi alvo de várias críticas e polémicas, sendo acusado de desvios em relação à ortodoxia religiosa e de ser plagiário. De entre os que vieram em sua defesa salienta-se o jesuíta Inácio Monteiro, autor de uma obra importante obra pedagógica também.
Na década seguinte alguns dos Oratorianos mais influentes conheceram a perseguição de Pombal. Teodoro de Almeida foi forçado a exilar-se em 1768, continuando a desenvolver uma acção pedagógica importante em França. Regressou a Portugal em 1778, logo após o afastamento de Carvalho e Melo, embrenhando-se nos anos seguintes na revitalização do Oratório, na escrita e nos cursos.
É também um dos elementos do grupo que organiza a criação da Academia das Ciências de Lisboa, que se apresenta a público com uma Oração de Abertura de sua autoria, proferida a 4 de Julho de 1780; nela comparava o atraso do país em matéria científica ao reino de Marrocos, suscitando uma violenta reacção dos sectores intelectuais ligados ao pombalismo, expressa em várias cartas anónimas que vituperavam o orador e a nova Academia.
Continuou depois a Recreação, cujo plano editorial se concluiu com a publicação do volume X em 1800. Esta última fase é porém já dominada por um conservadorismo que reage às repercussões políticas do ideário das Luzes, que foi o seu numa primeira fase enquanto não pôs em causa a religião revelada e a ordem social vigente, à qual Teodoro de Almeida se encontrava fortemente vinculado, embora longe da sua componente ultramontana; manifestava-se sim contra os descrentes, pela conservação do seu ideário religioso, como antes de afirmara contra os escolásticos, pela renovação do ideário científico.
Da obra ficou sobretudo o grande projecto enciclopédico que foi a Recreação Filosófica (com os volumes I a VI sobre a Filosofia Natural, o VII sobre a Lógica, e os últimos três sobre a Ética e a Moral), complementada pelas Cartas Físico-Matemáticas (3 vols., 1784-1798), sendo aquela a obra que leva mais longe e ao mesmo tempo marca os limites das possibilidades da Ilustração católica portuguesa. Mas além destas deixou muitos mais escritos, como o Feliz Independente do Mundo e da Fortuna (3 vols., com 2.ª ed. corrigida em 1786), o mais celebrado dos seus livros sobre espiritualidade."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p47.html)
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas "esfoladelas" nas pastas.
Muito invulgar.
30€

22 fevereiro, 2026

MATTOSO, José -
O REINO DOS MORTOS NA IDADE MÉDIA PENINSULAR.
Sob a direcção de... Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1996. In-4.º (24x16,5 cm) de 239, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo conjunto de estudos históricos sobre a morte e a forma como esta era encarada na Península Ibérica pelo homem medievo.
Obra dirigida pelo Prof. José Mattoso, que aliás assina a maioria dos trabalhos, ilustrada no texto com quadros, tabelas e fotografias, sendo alguns em página inteira.
"O conjunto de artigos que aqui se publica constitui o primeiro resultado palpável de um projecto de investigação iniciado em 1989 e que nessa altura surgia sob o título de «Representações mentais do invisível em Portugal medieval». [...] De facto, pareceu-me desde logo que a representação mental do mundo dos mortos constituía, porventura, o principal lugar do imaginário do invisível: aquele núcleo a partir do qual se organiza o pensamento simbólico e discursivo acerca das forças e entidades invisíveis a que se atribuía uma acção real ou imaginária sobre a vida dos homens. Assim acontece, principalmente, para a cultura e religião populares, onde a acção dos deuses ou de Deus tem um lugar secundário, e em que, pelo contrário, se verifica uma evidente contiguidade entre a acção dos mortos, a influência das forças anímicas da natureza, e a intervenção dos anjos e santos (potências benéficas) e dos demónios (potências maléficas)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
José Mattoso: Introdução | Cláudio Torres e Santiago Macias: Rituais funerários paleocristãos e islâmicos nas necrópoles de Mértola | Maria do Rosário Bastos: Testemunhos hispânicos sobre o mundo dos mortos nos séculos IV a VIII | José Mattoso: Os rituais da morte na litúrgia hispânica (séculos VI a XI) | José Mattoso: O culto dos mortos no fim do século XI | José Mattoso: O culto dos mortos em Cister no templo de São Bernardo | Maria do Rosário Bastos: Prescrições sinodais sobre o culto dos mortos nos séculos XIII a XIV | Isabel Castro Pina: Ritos e imaginário da morte em testamentos dos séculos XIV e XV | Hermínia Vasconcelos Vilar: Rituais da morte em testamentos dos séculos XIV a XV (Coimbra e Santarém) | Adelaide Pereira Millán da Costa: O espaço dos vivos e o espaço dos mortos nas cidades da Baixa Idade Média | José Mattoso: A morte dos reis na crónica pré-afonsina | José Mattoso: O pranto fúnebre na poesia trovadoresca galego-portuguesa | José Mattoso: O imaginário do além-túmulo nos exempla peninsulares da Idade Média | José Mattoso: A utilização dos Diálogos de Gregório Magno pelo Libro de los exemplos.
José Mattoso (1933-2023). "Foi uma das mais prestigiadas figuras da historiografia portuguesa e internacional. Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios na área da investigação, como o Prémio Alfredo Pimenta de História Medieval (1985), o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra (1987) e o Prémio da Latinidade (2007). Dos seus livros, destacam-se a aclamada biografia D. Afonso Henriques, a colectânea de ensaios sobre história medieval Naquele Tempo e a direcção de História da Vida Privada em Portugal."
(Fonte: https://www.almedina.net/autor/jos-mattoso-1563855594)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

13 fevereiro, 2026

PROENÇA, P.ᵉ Álvaro - COMO O POVO REZA. (Etonografia). Lisboa, [s.n. - Tip. Inácio Pereira Rosa, Lisboa], 1941. In-8.º (18,5x13 cm) de 173, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Capa da autoria do artista Dr. Rui Nogueira.
Importante subsídio etnográfico, histórico e religioso.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógafa do autor.
"Razoávelmente estudado tem sido, já, o nosso bom povo de costumes tão pitorescos e belos.
Pelas nossas aldeias e mais reconditos lugarejos, desde o Minho, jardim mimoso de sonho, até ao Algarve encantado, olhos perspicazes, almas de artistas, têm seguido, com amor e ternura, as manifestações belas da vida simples e sóbria duma população ingénua e laboriosa. [...]
Há todavia alguma coisa que ainda falta na nossa literatura etnográfica.
Nunca o povo é tão curioso, tão digno de ser estudado e tão grande quando como quando as suas mãos calejadas se erguem para o céu.
É vê-lo, de olhos alheados das coisas da terra, desbarreado, modesto, mais humilde do que nunca, a rezar, ajoelhado nas frias lages da sua igreja paroquial, na capelinha pequenina e pobre ou à noite junto à lareira.
Por mais descrente que o observador seja, é impossível que não encontre grandeza na oração do povo. [...]
Apesar de ser assim, o povo tem sido pouco estudado neste ponto. Orações supersticiosas, bruxedos, crendices de tôda a espécie, tudo isso foi já recolhido. Da oração pura e simples encontra-se aqui uma amostra, além outra, raras, e todavia pela sua beleza e interêsse, elas devem ser conservadas com amor.
Por nosso lado julgamos fazer obra bôa recolhendo o que de mais belo tem a alma popular, aquilo que dela se evola quando a religião aprendida e bebida no leite materno é praticada e vivida sem mistura de produtos de ignorância ou de fá vacilante."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo; Sinal da Cruz; Orações da manhã; Ao sair de casa; Ao entrar na igreja; Para a missa; Para a confissão; Para a comunhão; Orações à Virgem; Orações ao anjo da guarda; Orações aos santos; Orações pelas almas; Para as tentações; Orações da noite; Orações para o trabalho; Orações diversas; Padre Nosso; Avé Maria; Credo; Para o Natal; Para a Semana Santa; Um pouco de catecismo.
Padre Álvaro Proença (Lisboa, 1912-1983). "Entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa (a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus (desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos, entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983. Dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).”
(Fonte: https://toponimialisboa.wordpress.com/2018/07/06/alameda-padre-alvaro-proenca-na-freguesia-que-estudou-e-onde-foi-paroco/)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa apresenta pequenas falhas marginais.
Raro.
25€