OLIVEIRA, P. Miguel de - AS PARÓQUIAS RURAIS PORTUGUESAS : sua origem e formação. Lisboa, União Gráfica, 1950. In-8.º (19,5x14 cm) de 220, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho de recolha histórica sobre a presença da Igreja no meio rural. "Trata-se de uma obra de referência na historiografia eclesiástica e na história local de Portugal. O estudo analisa o povoamento e a organização religiosa no território. Analisa a organização paroquial desde a Alta Idade Média, passando pelos domínios suevo e visigótico, e a transição e relação entre igrejas, mosteiros, vilas e as populações, bem como o surgimento do regime de padroado e a respetiva provisão dos benefícios eclesiásticos." (IA)
"O primeiro problema que se oferece a quem pretende estudar a história duma freguesia rural, é naturalmente o da sua origem. Quando começou a freguesia? Como se constituiu o seu território? Por que se congregou este povo ao redor do campanário? Se a paróquia é anterior à fundação da Monarquia, estas perguntas ficam quase sempre sem resposta. Os autores de monografias locais contentam-se em exprimir, em fórmulas vagas, o mistério em que costuma envolver-se a origem de todas as coisas. [...]
A vida medieval é hoje para nós como uma grane composição de mosaico, desconjuntada pelo tempo. Conhecem-se aproximadamente os contornos e restam, aqui e além, figuras completas, trechos de paisagem e lindos ornatos. Como, porém, se perdeu o desenho total e faltam com certeza muitas das pequeninas pedras, no trabalho de reconstituição entra sempre um pouco do gosto e fantasia do artista. Ele próprio pode experimentar várias formas de dispor os fragmentos existentes e imaginar de diversos modos o que falta, de acordo com o estilo primitivo."
(Excerto do Preâmbulo)
Segundo as disposições do Código de Direito Canónico, a diocese deve dividir-se em partes territoriais distintas, cada qual com a sua igreja particular, o seu povo determinado e o reitor próprio. Cada uma dessas fracções territoriais tem o nome de paróquia; o sacerdote ou pessoa moral a quem ela é conferida como título, com o encargo de exercer a cura de almas sob a autoridade episcopal, chama-se pároco. [...]
A organização as paróquias não resultou de decreto geral, pontifício ou conciliar; operou-se gradualmente, segundo as circunstâncias especiais e cada região, e em épocas diversas.
Nos primeiros tempos, não havia párocos com residência estável e fiéis próprios em território certo. Havia na urbe episcopal uma só igreja em que se reuniam ao domingo os cristãos da cidade e dos campos. O bispo era o pastor único de toda a diocese e utilizava, onde fosse preciso, o ministério dos presbíteros e diáconos que constituíam o seu presbyterium. [...]
No aspecto social, a paróquia tem sido das instituições mais fecundas. Como diz Imbart de la Tour, «ela foi durante muitos séculos o único centro da actividade local. Foi a redor da igreja que se agruparam sucessivas gerações de homens: foi junto do altar, sob o olhas do seu Deus ou do seu santo, que eles viveram, trabalharam, esperaram, sofreram. A história das paróquias está estreitamente unida à história das instituições, das crenças e dos costumes».
A fundação das paróquias rurais continuou através dos tempos e ainda hoje prossegue, de harmonia com as necessidades religiosas da população, elevando-se geralmente à categoria de paroquial uma capela distante da igreja, como aconteceu na Idade Média."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Primeira Parte - As Paróquias primitivas: I. Origens da organização paroquial; II. As Paróquias no domínio suévico; III. As Paróquias no domínio visigótico. Segunda Parte - As Paróquias da Reconquista: I. A população - O problema do ermamento; II. Os territórios - Teoria das vilas; III. Igrejas e Mosteiros; IV - Clero e fiéis - A freguesia. Terceira Parte - As Paróquias em regime de Padroado: I. Igrejas próprias; II. O direito de Padroado; III. Provimento dos párocos; IV. Vida cristã - A comunidade paroquial. | Conclusão | Apêndice: - Mosteiros antigos do norte de Portugal; - Elenco bibliográfico.
Miguel Augusto de Oliveira (1897–1969). "Religioso português. Foi um insigne historiador e jornalista, amplamente considerado uma referência na investigação da História da Igreja em Portugal.
Nascido em Válega (Ovar), formou-se em teologia e destacou-se ao longo de 25 anos como chefe de redação do jornal Novidades. Como investigador, notabilizou-se pelo rigor científico, deixando inúmeras obras de referência.
Devido ao seu vasto trabalho historiográfico, foi distinguido pelo Vaticano com o título honorífico de Monsenhor." (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas. Assinatura de posse na f. rosto e ante-rosto.
Muito invulgar.
35€

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