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18 junho, 2026

FIDALGO, Domingos Lopes -
IMPRESSÕES DE UMA VISITA ÁS CADÊAS DO ALJUBE E RELAÇÃO DO PORTO. (Hygiene). Dissertação inaugural apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto e defendida sob a presidencia do Ex.mo Snr. Dr. Agostinho Antonio do Souto. Porto, Papelaria e Typogragia Morgado, 1899. In-8.º (21x14 cm) de 76, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho académico sobre dois dos principais estabelecimentos prisionais portuenses na época - a Cadeia do Aljube e a Cadeia da Relação do Porto, famosa por em tempos ter "abrigado", entre outros, Camilo Castelo Branco e o bandoleiro Zé do Telhado -, e as deploráveis condições de salubridade e tratamento desumano observado em ambas.
Obra polémica, afrontosa dos poderes instalados, foi recebida com desconfiança e incómodo pelas autoridades.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a seu colega Albino Soares Martins.
"Á luz de uma analyse superficial e preconceituosa poderá parecer, que inutil, senão prejudicial, será quebrar lanças pela população das cadêas, que só serve para manter a sociedade em constante risco, invadindo os direitos individuaes ou attentando de qualquer forma contra os interesses e liberdade dos outros. Depressa, porém, conheceremos a injustiça, se attendermos a que as prisões são habitadas por accusados e condemnados; que áquelles póde innocental-os amanhã uma investigação criminal mais conscienciosa, e a alguns d'estes poderia ter absolvido uma sociedade menos eivada de preconceitos, pois muitas vezes o pseudo-crime é uma revolta legitima de sentimentos ou direitos offendidos. Uma grande parte dos miseraveis habitantes das prisões para alli foram arremessados, porque a propria sociedade - honrada, porque farta - lhes creou ou sustentou um conjuncto de circumstancias incompatíveis com o caminho do dever. Mas o que é o dever? [...]
No nosso systema prisional o delinquente tem ensejo, senão de se iniciar em todos os segredos do crime, pelo menos de requintar e radicar os seus habitos ou instinctos maleficos. As prisões (exceptuada a penitenciaria central de Lisboa) são uma optima eschola, onde constantemente se ouve a apologia tão seductora do vicio, patheticamente descripto pelos reincidentes e já callejados. O noviço, a principio por medo de ser mal tractado ou vergonha de ser escarnecido e mais tarde com prazer, ouve e acquiesce a estas doutrinações. Pode ter entrado na cadêa innocente, mas tem de sair criminoso! Se n'uma sala encontramos, na mais perniciosa das misturas, assassinos, ladrões, salteadores, incendiários, devassos, etc., e n'outra mulheres honestas e prostitutas, creanças e velhas, principiantes e reincidentes!...
Que bella eschola de encyclopedicos! [...]
Resumidamente, que mais não posso, procurarei esfumar os horripilantes quadros do Aljube, e das Cadêas da Relação do Porto. Em seguida esforçar-me-hei por levantar estatisticas da mortalidade geral e pela tuberculose nas citadas cadêas, e comparal-as-hei com as congeneres da população livre do Porto e do Paiz. Por ultimo apresentarei algumas observações clinicas, que farão a contra-prova."
(Excerto de Introducção)
Domingos Lopes Fidalgo (1873-1948). "Em 1910 proclamou, em Ovar a quem tudo deu, da varanda dos Paços do Concelho, o novo regime e hasteou a bandeira republicana. Na dissertação final de curso, o jovem vareiro, republicano e democrata, de espírito irrequieto, que morreu como nasceu, pobre, mas honrado, dedicou o seu trabalho final à memória de sua mãe. Completou o curso de medicina em 1899, com a classificação final de suficiente, muito especialmente porque a sua tese, duma audácia implicativa para a época, desagradou ao júri, a todo o corpo docente e a certas autoridades, como nos diz Zagalo dos Santos. Voltou a Ovar para fazer clínica e logo mostrou ser um carácter íntegro, despreocupado com os interesses materiais e dedicado aos seus doentes. Serviu a grei, foi um precursor da verdadeira arte de fazer o bem pelo bem. De uma austeridade simples, irradiante, formativa de homens de carácter, diz-nos o Dr. António Luiz Gomes, filho, ilustre conferencista.
Ao longo da sua vida foi:
Presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar. Secretário do embaixador António Luís Gomes, no Rio de Janeiro. Serviu, ainda com o que viria a ser presidente eleito da República Portuguesa, Bernardino Machado. Governador civil do distrito de Aveiro, de Leiria e de Lisboa. Director clínico do hospital da Misericórdia de Ovar. Capitão médico miliciano, como voluntário, onde em França combateu os alemães, durante a primeira guerra. Chefe dos serviços de saúde na Campanha do Vouga. Primeiro director da Escola Primária Superior. Ilustre e dinâmico provedor da Misericórdia de Ovar. Director do semanário local «A Pátria»."
(Fonte: https://www.ovarnews.pt/o-largo-de-sao-joao-de-ovar-e-o-dr-domingos-lopes-fidalgo-paulo-bonifacio/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
50€

18 novembro, 2025

ANTAS, Azeredo e MONTERROSO, Manuel -
A SALUBRIDADE HABITACIONAL NO PÔRTO (1929-1933).
Por... Delegados de saúde. Ministério do Interior : Direcção Geral de Saúde. Inspecção de Saúde do Pôrto. Lisboa, Imprensa Nacional, 1934. In-8.º (22x14 cm) de 51, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho - produzido nos alvores do Estado Novo - composto pelos relatórios que sobre o assunto escreveram dois especialistas em saúde e higiene urbana na cidade do Porto.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Azeredo Antas ao conhecido médico, publicista e dirigente político Brito Camacho.
"Pertinazmente, mas com apropriada ductilidade, tem de ser conduzida a acção sanitária na cidade do Pôrto, dadas as condições especificamente ligadas à topografia e vida social dêsse aglomerado.
A Inspecção de Saúde do Pôrto fixou proficientemente umas normas de procedimento, fugindo a quaisquer luzimentos mas insistindo em realizações práticas que hoje já começam a ser verificadas.
Os médicos sanitários dessa Inspecção, escolhidos para a fiscalização e estudo da salubridade  habitacional, têm revelado um critério perfeito nos conhecimentos doutrinários e sagazmente modelado por experiência longa."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Relatórios apresentados à Inspecção de Saúde do Pôrto:
I - A salubridade habitacional no Pôrto, por Azeredo Antas e Manuel Monterroso..
II - A salubridade das novas habitações, por Azeredo Antas.
III - A salubridade urbana em geral (correcção dos defeitos sanitários), por Manuel Monterroso.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta pequena falha de papel na capa, à cabeça.
Muito invulgar.
15€

24 abril, 2025

SAAVEDRA, José -
OS SEMI-LOUCOS NA PSICHIATRIA, NA SOCIEDADE, NAS LETTRAS
. Coimbra, Composição e Impressão Gráfica Conimbricense, Limitada, 1922. In-8.º (19,5x14 cm) de 246, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante estudo psiquiátrico sobre os "semi-loucos" e a sua intervenção nas diferentes áreas socio-culturais na época.
Raro e muito curioso.
Trata-se da tese de doutoramento em Medicina que o autor apresentou à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
O numero cada vez maior de casos de semi-loucura na sociedade con temporanea, só comparavel aos de syphilis - os dois maiores flagellos da humanidade e da raça - chamaram a minha attenção para o estudo deste capitulo da Psychiatria, tanto mais que a maior parte dos Tratados de Psychiatria ou a ella se não referem, ou a englobam no capitulo vago das degenerescencias, sem lhe precisarem os caracteres, nem salientarem a sua importancia, quer debaixo do ponto de vista medico, quer do ponto de vista social. [...]
Como julgar, realmente, de certas anomalias parciaes dos semi-loucos, se ellas se manifestam muitas vezes só na vida intima, conservando elles todas as suas faculdades intellectuaes, occultando com uma propositada e facil dissimulação durante o interrogatorio as taras de que o accusam?
O exame psychiatrico de um semi-louco tem de ser uma causa judicial em que o juiz é o medico especialisado nestes estudos e a acusação e defeza feitas pela sua entourage e peloo proprio doente.
Não basta pesquizar na sua historia taras mentaes e nervosas, tão frequentes em toda a gente, para justificar um diagnostico à outrance, de semi-loucura.
É mister attender a multiplos factores d'ordem moral, familiar, conhecer o meio em taes factos se passaram, curar de saber quaes as razões que possam justificar ou condenar esse acto.
A interdicção e internamento destes doentes nos manicomios em contacto com loucos completos, por simples certificado medico, as mais das vezes com conhecimento incompleto do doente, apaixonam vivamente a opinião publica, dando logar a pleitos, facilmente evitaveis com um conhecimento mais completo da semi-loucura e com a fundação de estabelecimentos proprios para estes doentes."
(Excerto do Prefacio)
"A semi-loucura é um estado mental intermedio á loucura e á saude mental.
A definição, com quasi todas as da biologia, não tem um rigor mathematico, nem limites precisos. O proprio nome, para designar os estado pathologicos que adeante descrevo é impreciso e incompleto.
Mas como poderá um nome composto de duas palavras exprimir exactamente o que leva muitas paginas a descrever?"
(Excerto de I - Demonstração da semi-loucura)
José Nevil de Ascensão Pinto da Cunha Saavedra (1895-1961). "Professor da Faculdade de Medicina. Naturalidade - Canidelo (Vila Nova de Gaia), 10.12.1895-?  Filiação - José Maria Rodrigues da Ascensão e Maria Emília da Ascensão Pinto da Cunha Saavedra. Matriculas - Medicina, 1912. Graus - Doutor, 20.7.1922. Cadeiras - Clínica e Policlínica Médicas (1919-1926), 2.º assistente. Observações - Abandonou a docência em 1926, para seguir a carreira de médico militar. Publicações - Os semi-loucos na psiquiatria, na sociedade e nas letras (Coimbra, 1922)."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/SAAVEDRA_josenevildeascensaopintodacunha)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral com excepção da lombada que se apresenta falha do revestimento. Em falta três folhas no início do livro: f. ante-rosto e a as que sucedem à f. rosto, sem prejuízo do ensaio propriamente dito, já que são folhas "menores", sem relevância para a obra.
Raro.
35€

15 abril, 2025

LEMOS, A. Tovar de -
RELATÓRIO DOS SERVIÇOS REFERENTES À PROSTITUIÇÃO. No ano de 1952. Por... Director do Dispensário de Higiene Social de Lisboa, etc. Direcção Geral de Saúde : Dispensário de Higiene Social - Lisboa. Lisboa, Tipografia Americana, 1953. In-8.º (21x14 cm) de 18 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relatório dos serviços de apoio à prostituição na capital. Trabalho curioso e interessante, sendo um manancial de informação sobre o assunto.
Ilustrado com desenhos no texto.
Invulgar, a BNP não menciona este relatório, apenas o do ano anterior - 1951 (1952).
"O nosso relatório deste ano, como já o referente no ano anterior, apresenta o movimento do serviço não só de inspecção das toleradas, mas também o das mulheres encontradas exercendo a prostituição sob o aspecto clandestino e ainda o despiste dos contágios comunicados em conformidade com as leis vigentes."
(Abertura)
Índice:
[Abertura] | I Parte - Inspecção das toleradas: A) Número de mulheres observadas. B) Número de mulheres que baixaram ao hospital. C) Número de inspecções feitas. D) Número de baixas e motivos. E) Morbilidade venérea. F) Tratamentos. G) Análises. H) Total dos Serviços Clínicos. I) Desaparecidas durante o ano. J) Grávidas. II - Parte - Clandestinas. Observações. Tratamentos. III Parte - Contágios participados (Nacionais e estrangeiros).
Alfredo Tovar de Lemos Júnior (1885-?). "Licenciado em medicina aos 23 anos, cedo começou a preocupar-se com os problemas sociais e com a saúde dos mais desprotegidos. Dedicou-se ao estudo da Higiene Social e à propaganda da Educação Física, e dirigiu a primeira Escola de Reeducação de Sinistrados do Trabalho. Desempenhou diversos cargos públicos, tendo sido Director do Dispensário de Higiene Social de Lisboa, Delegado de Saúde e Vereador da Câmara de Lisboa."
(Fonte: https://antigosescoteiros.blogspot.com/2010/12/dr-alfredo-tovar-de-lemos.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

19 outubro, 2024

CAUFEYNON, Doutor - O CASAMENTO E SUA HYGIENE. Traducção de A. de Casto. 2.ª edição. Lisboa, Livraria do Povo : Silva & Carneiro, [191-]. In-8.º (17,5 cm) de 77, [3] p. ; B. Bibliotheca Scientifica, N.º 5
Interessante ensaio sobre o casamento e a sexualidade no matrimónio.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do tradutor.
"Apenas tenha attingido a edade da maturidade procreadora, o homem sente-se attrahido insistentemente para a mulher.
Todas as suas aspirações convergem então para esse fim; é uma verdadeira crise do espirito e do corpo que se prepara, e cuja solução mais natural e moral, mais favoravel á sociedade e ao individuo, é o casamento.
Se o acto sexual não é absolutamente indispensavel para a conservação da saude, pelo menos exalta a vida e constitue uma necessidade real, sobretudo para a mulher, que não adquire a plenitude dos seus encantos physicos, senão depois do casamento."
(Excerto de O casamento sob o ponto de vista sexual)
Summario:
I - O casamento sob o ponto de vista sexual. II - Primeira noite de nupcias. III - Os fins do casamento. IV - O momento da procreação. V - Gravidez e a edade critica. - VI - O Vaginismo. VII - Hygiene dos esposos. VIII - As fraudes conjugaes.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas algo oxidadas.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

19 setembro, 2024

BRENNUS, Dr. -
AMOR E SEGURANÇA.
Traducção de Augusto e Castro. 6.ª edição. Editor João Carneiro. Lisboa, Deposito: Livraria do Povo : Silva & Carneiro, [19--]. In-8.º (16,5x12 cm) de 156, [4] p. ; il. ; B.
Curioso manual, muito informativo e ecléctico pela variedade de matérias abordadas, quer sob o ponto de vista dos conselhos médicos, incluindo a higiene e a prevenção, quer sob o ponto de vista sugestivo sobre o amor e o erotismo, com as mais inusitadas receitas, como o "meio de uma mulher se manter sempre virgem"(!), modos de excitação por meios arcaicos e bastante duvidosos, etc.
Livrinho publicado na primeira/segunda década do século XX, ilustrado no texto com desenhos esquemáticos de aparelhos inovadores para uso doméstico.
Raro e muito interessante.
"É na lucta das novas aspirações do povo e do progresso contra as tradições e interesses de uma sociedade velha e rotinaria, na lucta do capital contra o pauperismo, que é preciso procurar a conclusão do que precede.
Qualquer ideia nova, capaz de modificar as condições actuaes da existencia do proletariado, será combatida e condemnada.
Amor e Segurança não só propaga uma demonstração economica e social, mas ainda indica a fórma de a applicar.
Uma solução inesperada foi encontrada para o problema social. O capital teve medo e persegui-a.
É um procedimento logico estabelecido e applicado pelas convenções humanas n'este belo seculo de liberdades!
A razão do mais forte é sempre a melhor.
É verdade que se apoiam na moral; é preciso, dizem elles, custe o que custar, preservar as famillias do microbio corruptor que lhes profane os castos pensamentos.
Ah! a moral!
Mas o que é esta moral?
A moral actual não é mais do que uma serie de convenções injustas e prejuizos estupidos.
Não queremos discutir-lhes as imprefeições, mas o que é positivo, é que a moralidade de um facto depende depende d'aquelle que o pratica e das circunstancias em que esse facto se produz.
Está socialmente estabelecido entre essa gente, que uma rapariga, mediante o consentimento dos paes e a chancella da auctoridade ou a benção de um padre, pode ser entregue a um homem que ella não conhece bem, que pode ser um doente, um mau homem e contra o qual a lei não lhe faculta meio de defeza, emquanto um simples beijp, embora sincero, mas não legalisado, macula a honra e reputação d'essa mulher."
(Excerto de A critica e os criticos)
Jean Fauconney (1870-1970). Antigo médico militar nas colónias e verdadeiro líder da edição sexológica popular francesa sob vários pseudónimos (como Jaff ou Jaf e Brennus), publicou cerca de uma centena de obras “sexológicas” entre 1901 e 1950 na “Biblioteca Popular de Conhecimento Médico”. Esta “biblioteca” foi escrita para a livraria de Charles Offenstadt pelo Dr. Caufeynon, pseudónimo anagramático de Jean Fauconney, e versava temas relativos à sífilis, onanismo , pederastia, menstruação, virgindade, aborto, etc.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel marginais. Interior correcto.
Raro.
20€

16 dezembro, 2022

ENNES, Guilherme José - OS AMIGOS DAS CREANÇAS.
Por... Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19 cm) de 128, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio pedagógico para acompanhamento e educação dos mais jovens.
Estudo completo e visionário do Conselheiro Guilherme Enes, académico e médico militar (1839-1920), promove e desenvolve conceitos ainda hoje actuais.
Obra rara e muito curiosa, revestida por capa belíssima, não assinada.
"São muitos os inimigos das creanças. O abandono moral, intellectual e physico, a que são votadas muitas d'ellas, exigem, como intrumentos do bem, leis salvadoras dirigidas á questão e ao estado social das creanças. Por ellas, gemem todos os que proclamam a prioridade de educação sobre a instrucção, e a necessidade de manter em toda a sua pureza a alma e as faculdades das creanças.
Terreno novo, é preciso semeal-o todo do bem; só assim não ficara logar para a herva damninha.
Mas, contra os inimigos das creanças, combatem os «amigos das creanças». São todos os que teem uma vida sollicitude pela condição dos innocentes de mui tenra edade, todos os que cuidam incessantemente em os defender, confortar, e querer-lhes bem."
(Excerto de 1.ª Parte - Parentes e Professores)
Indice:
1.ª Parte - Parentes e Professores: I - as mães. II - A avósinha. III - As mulheres estereis e as tias que não casam. IV - A religiosa. V - O professor.
2.ª Parte - A Escola: VI - A escola. VII - Meio salubre. VIII - Hygiene pedagogica. IX - Ensino moral - Duração do trabalho intellectual diario. X - A edade das sensações - A gradação no ensino. XI - Lições curtas - Explicações breves. XII - Férias - Gymnastica. XIII - Poucos livros ou mesmo nada de livros. XIV - Livros infectados - A agua, amigo dilecto das creanças. XV - O somno no periodo escolar - Um collegio modelo - Temperatura das aulas. XVI - O sobrado das escolas - A côr azul ou verde das paredes - Resistencia das paredes á cultura de microbios. XVII - Creanças difficeis - creanças rebeldes - creanças depravadas. XVIII - Nascer direito e tornar-se torto - As atittudes escolares viciosas - O tronco e o caderno da escrita. XIX - A mão canhota - O espartilho e o banco escolar - Doenças infeciosas intistinaes - Modo de se evitar a sua diffusão na escola. XX - Encerramento da escola. XXI - As rezas que se dizem e se aprendem na escola. XXII - A recreação. XXIII - Jardins de infancia. XXIV - Ainda os jardins de infancia. XXV - O cabello comprido ou curto - Os livros e a myopia escolar. XXVI - Illuminação natural e artificial - Ventillação - Aquecimento - Mobilia escolar. XXVII - Excellencias do nosso regime escolar - A hygiene na escola primaria. XVIII - Regulamentação hygienica das escolas.
3.ª Parte - Colonias de férias: XXXIX - Colonias de creanças em férias. XXX - Estudo da questão em Portugal - Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado. Capas cansadas com pequenas manchas.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

27 novembro, 2022

BOMBARDA, Prof. Miguel - A VACCINA DA RAIVA.
Relatorio apresentado ao Conselho da Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Pelo... Lente de phisiologia da mesma escola
. Lisboa, Typographia da Viuva Sousa Neves, 1887. In-4.º (23,5 cm) de 57, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre a raiva, doença infecciosa - verdadeira calamidade na época -, publicado pouco depois dos sucessos experimentais de Pasteur, e na sequência do relatório apresentado ao governo pelo médico português Eduardo de Abreu (1886), que com este havia privado e trabalhado um ano antes em Paris.
Livro ilustrado no texto com quadros estatísticos.
"Na questão da vaccina da raiva ha duas series de trabalhos experimentaes inteiramente differentes - aquelles que se referem ao problema de tornar refractario um animal antes da introducção no seu organismo do virus rabico feita de modo que infallivelmente damnaria o animal se elle não tivesse sido tornado refractario e aquelles que dizem respeito a analogo problema intentado depois d'aquella introducção.
O primeiro problema póde-se dizer que está resolvido. Pasteur descobriu um methodo pelo qual a transmissão da raiva aos animaes se póde fazer de um modo seguro; é o methodo nas inoculações directas á superficie do cerebro, posta a descoberto pela trepanação, das substancias contendo o virus rabico, methodo que em certeza de resultado deixa longe de si todos os outros, como, por exemplo, as inoculções sub-cutaneas, feitas artificialmente ou pela mordedura do animal damnado."
(Excerto do Relatório)
Miguel Augusto Bombarda (1851-1910). "Nasceu em 1851 no Rio de Janeiro. Foi médico do Hospital de S. José, em 1892, director do Hospital de Rilhafoles e professor, desde 1880, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Como médico dedicou-se principalmente às doenças do sistema nervoso, especializando-se em Psiquiatria. Participa também no lançamento das campanhas de prolifaxia contra a tuberculose. Só em 1908 entrou na política activa, como deputado, afecto ao então presidente do Conselho, Ferreira do Amaral. Mas as suas fortes convicções liberais e anti-clericais aproximam-no rapidamente da Junta Liberal, de que se torna um dos mais destacados dirigentes, e do Partido Republicano, a que adere formalmente pouco antes da implantação da República, sendo eleito deputado nas suas listas. Miguel Bombarda foi um dos principais dirigentes da revolução republicana, com o especial encargo de proceder à distribuição de armas por grupos civis, estando prevista a sua participação no assalto ao quartel de Artilharia 1, em Campolide. No dia 3 de Outubro, Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um oficial do exército, antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus, que o procurou em Rilhafoles. Transportado para o Hospital de S. José, foi operado, 'depois de ter mandado queimar à vista uma carta que trazia na carteira' e falado com Brito Camacho, mas não resistiu à operação, entrou em coma e faleceu cerca das 6 da tarde. A morte de Miguel Bombarda provocou especial indignação junto do povo de Lisboa, para quem se tratava de um 'atentado reaccionário'. A República organizou as suas exéquias, homenageando-o como um dos seus principais inspiradores."
(Fonte: www.fmsoares.pt)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e um ou outro orifício de traça.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

05 novembro, 2022

PIA, M., e GARDANNE, M. - AVISOS // INTERESSANTES // SOBRE AS MORTES APPARENTES: // RECOPILADOS DA COLLECÇAÕ // DA // SOCIEDADE HUMANA // DE INGLATERRA, // DAS OBRAS // DE // M. PIA, E M. GARDANNE. // LISBOA // Na Offic. da Acad. Real das Sciencias. // Anno M. DCC. XC. // Com licença da Real Meza da Comissaõp Ge- // ral sobre o Exame, e Censura do Livros. In-8.º (15,5 cm) de 30, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessantíssimo tratado setecentista sobre a morte aparente, e as formas de distinguir esta da morte real, questão momentosa, que afligia as pessoas nesse tempo.
Raro e muito curioso. Constitui, por ventura, o primeiro manual de primeiros socorros escrito em língua portuguesa.
Obra dividida em duas partes, reportando à morte por asfixia - pela água e por inalação -, por certo, as "mortes aparentes" com maior incidência na época.
Sobre este assunto, e sobre esta obra em particular, com a devida vénia, reproduzimos parte de um artigo de Rafael Campos inserto em História e Ciência - Ciência e Poder na primeira Idade Global.
"Na viragem do século XVIII para o XIX, os avisos foram obras bastante específicas e dedicadas à instrução pública da saúde, motivadas principalmente pela ideia de que o saber (popular) empregado nos campos era nefasto para a saúde dos povos. [...]
 Os avisos eram obras de escrita simples, condizente com os ideais de popularização perpetrados pela Ilustração e também com a referida ideia de que a medicina feita nos campos era atrasada e pouco “científica”, posto que praticada quase exclusivamente por iletrados e curandeiros. [...]
No contexto do Império português, diversos avisos foram publicados ou traduzidos, sendo que a participação de portugueses da América não foi menor nesta empreitada. Mesmo após o Avis de Tissot (1761), não foi publicada em Portugal nenhuma obra especificamente alistada com o tema, apenas passados 25 anos outro aviso veio a lume. Um texto que era na verdade a tradução do Avis de Tissot, realizada por Manuel Joaquim Henriques de Paiva. [...]
Mas no mesmo ano em que publicava os dois volume da sua tradução do aviso de Tissot, Henriques de Paiva redigiu um aviso. Dos seus primeiros textos deste gênero, que “avisava” sobre questões singulares que inquietavam toda a gente, este tratava das então ditas mortes aparentes, que compreendiam um rol de doenças e eventos pouco conhecidos e para aquela altura de difícil identificação. Henriques de Paiva dedicou especial atenção sobre os meios de se realizar os socorros e distinção dos diferentes tipos de asfixia, pois segundo ele o “[…] estado dos sujeitos nas diferentes asfixias é em geral quase sempre o mesmo […] está a respiração suspendida por falta de ar livre e puro”. [...]
A partir de então, diversos outros avisos chegaram ao conhecimento público em solo luso. O primeiro destes foi uma tradução de Francisco Manoel de Oliveira de textos publicados na Human Society que igualmente versavam sobre as mortes aparentes. Neste Avisos interessantes à humanidade, a maior atenção estava mesmo depositada na temerosa ideia de que uma pessoa poderia ser considerada morta, por diversas razões, e então sepultada viva. Assim, pretendia-se “acautelar o género humano contra as enganosas aparências da morte”. Do ponto de vista formal, este aviso difere dos demais, pois continha diversas cartas e até mesmo um sermão, que relatara, dentre referências bíblicas da ressurreição de Cristo, um caso de um “morto trazido à vida”, ou  nos termos de então de uma “restauração de qualquer vida”. Ainda sobre esta temática das mortes aparentes, foi publicado pela Academia das Ciências de Lisboa um aviso compilado da Human Society dos textos de Joseph-Jacques de Gardanne e Philippe Nicolas Pia. Mas este aviso é na verdade uma versão particular do documento referido acima, com uma linguagem ainda mais simples e clara, e sem trazer as cartas e os sermões publicados no aviso que ficou sob os cuidados de Carlos Murray."
(Fonte: CAMPOS, Rafael Dias da Silva, Saúde e poder em Portugal na virada dos séculos XVIII e XIX, o caso dos Avisos ao público in História e Ciência - Ciência e Poder na primeira Idade Global, FLUP, 2016)
"He indubitavel que em muitos exemplos de apparentes mortes repentinas, e ainda mesmo em certas enfermidades, que segundo as apparencias destroem o genero humano, póde ter ligar huma suspensaõ das potencias vitaes, independentemente da absoluta extincçaõ da vida, e presentemente he maxima estabelecida, que o frio do corpo, a insensibilidade dos membros, e a falta dos sentidos externos, saõ huns finaes de morte muito duvidosos, e enganadores. Para acautelar contra estas apparencias de morte, brevemente se fará mençaõ daquelles cazos, em que com frequencia contumaõ succeder, e dos meios conhecidos de os prevenir, e remediar."
(Prefacio)
"Logo que hum affogado he tirado da agoa, o primeiro cuidado he despillo, e alimpallo immediatamente com hum pano, para lhe enxugar toda a superficie do corpo, e cabeça: cobrir lhe a cabeça com hum barrete de lã; e o corpo com a camiza de baeta, ou com hum capote, ou cobertor de lã.
Sendo necessario conduzir o corpo para algum lugar mais conveniente, haja muito cuidado em o naõ molestar, nem pegar-lhe com violencia, ou conduzillo aos hombros com a cabeça pendente para baixo, e muito menos rolando-o pelo chaõ, ou sobre barril, nem levantallo pelos pés, com pretexto de lhe fazer lançar a agoa. Pois a experiencia tem mostrado que estes methodos saõ prejudiciaes, e destroem os pequenos restos de vida que o doente ainda tem."
(Excerto do Cap. I - Do modo de administrar aos Affogados os socorros necessarios para os restabelecer)
"As asfyxias, impropriamente chamadas suffocaçaõ, causadas pelo vapor do carvaõ acceso, cujo uso he diariamente indispensavel, e em algumas artes como a de Cerieiro, Dourador &c., se podem prevenir, tendo sobre o brazeiro hum vazo de abertura larga cheia de agoa, com huma pequena quantidade de vinagre. [...]
Tendo succedido ter alguma pessoa suffocada; os que forem acodir he necessario que o façaõ com cautela, para naõ succeder o cahirem tambem suffocados. As cautelas he naõ entrar na casa sem ter feito abrir todas as portas, e janellas: e deitar bastante agoa pela casa, que he o verdadeiro especifico para distrahir a atmosfera a mosseta que causa o vapor do carvaõ acceso. Sem isto seria melhor, fazer uso de hum gancho para arrastar o doente para fóra, do que expôr-se a hum perigo evidente."
(Excerto do Cap. II - Do modo de remediar nas asfyxias causadas pelo vapor do carvaõ, ou outros mefytismos)
Matérias:
I - Do modo de administrar aos Affogados os socorros necessarios para os restabelecer; Recapitulaçaõ. Aviso Particular: Para os Arraes, e Companhias das Embarcações; Aviso Particular: Ás pessoas encarregadas da Caixa.
II - Do modo de remediar nas asfyxias causadas pelo vapor do carvaõ, ou outros mefytismos.
Encadernação recente, cartonada, com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
85€

16 setembro, 2022

CARMO, Dr. Cardoso do - CONTRA A TUBERCULOSE.
(Com 10 gravuras). Prefácio do Prof. Alfredo de Magalhães
. 2.ª Edição : 3.º e 4.º Milhares. Porto, Companhia Portuguesa Editora, L.da, 1927. In-8.º (19 cm) de 100, [2] p. ; [5] f. il. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
Capa de Luís de Pina.
Obra de profilaxia e propaganda anti-tuberculose publicada em época de grande incidência da doença entre nós, e no combate intenso que lhe foi movido.
Ilustrada com desenhos no texto e 6 estampas em separado, sendo uma delas em folha desdobrável.
"Tem por objecto êste opúsculo, tão útil e substancial, como simpaticamente despretensioso, difundir em prosa muito chã e correntia, preceitos, regras e sugestões, que nem por serem extremamente familiares aos profissionais da medicina, deixam de constituir sã doutrina, essencial à educação e à higiene de toda a gente que préza a própria saúde e tem alguma consideração pela saúde pública."
(Excerto do Prefácio)
"Este livro tem a sua razão de ser no verdadeiro flagélo que está sendo a tuberculose entre nós.
A quantidade de doentes tuberculosos e a mortalidade actual são muito elevadas. Segundo os boletins de estatística demográfico-sanitária da cidade do Pôrto, temos, para cada um dos últimos anos, a cifra aproximada de 1.000 falecimentos por tuberculose (pulmonar e outras tuberculoses). Esta cifra, que por várias razões fáceis de compreender não representa senão de longe a grande mortalidade no Pôrto, (sobretudo com o nome de bronquite, congestão pulmonar, pneumonia, bronco-pneumonia, meningite, etc. oculta-se a verdadeira cauda de morte, que póde ser, e é muitas vezes a tuberculose), corresponde à perda de 84 criaturas por cada mês, ou seja aproximadamente 3 pessoas por dia, ou ainda: que de oito em oito horas morre 1 portuense, vítima desta enfermidade, depois de ter semeado à volta dele a miséria e a morte."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | O que é a tuberculose. | Contágio. | A tuberculose é uma doença da infância. | Outras causas. | Predisposição. | Sintômas de início. | Tuberculofobia. | Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos marginais.
Invulgar.
10€

14 junho, 2022

SANTOS, João César - CICATRIZES DA MEMÓRIA : 30 anos de Medicina Rural
. [S.l.], [Edição do Autor], [2010?]. In-4.º (24 cm) de 68 p. ; C.
1.ª edição.
Conjunto de episódios picarescos narrados pelo autor - "Clínico Geral" em Santa Comba Dão -, fruto do seu labor e vivências enquanto médico de província.
Edição do autor, por certo com tiragem reduzida. BNP não menciona.
"Confesso que não fiquei muito surpreendido, quando o meu amigo Dr. João Santos me revelou ter escrito um livro centrado em episódios retirados da sua actividade de médico rural, correspondendo, desta maneira, a um repto que alguém do meio lhe havia feito. E não fiquei surpreso pelo conhecimento que tenho  do apego do autor pela sua profissão, do espírito de iniciativa que o anima em fazer mais e melhor, a sua especial vocação para animar conversas com as suas "estórias", e da forte ligação que o une aos seus doentes, que ultrapassa, em muito, a do simples acto médico.
Sei isso porque percorri com o Dr. João um pedaço do meu percurso profissional, partilhando com ele muitas preocupações, algumas horas difíceis, mas também algumas satisfações."
(Excerto do Prefácio)
"Só faltava a Beira Alta. Nascido na Beira Litoral, criado na Beira Baixa, após uns anos nos HUC, ia continuar vida profissional na Beira Alta, no extinto e quase pré-histórico Serviço Médico à Periferia. No século passado, claro, Janeiro de 1980 e motivado por uma Câmara Municipal que, nessa época, disponibilizava casa aos médicos que se quisessem radicar, com rendas simbólicas, num bairro de de casas de madeira pré-fabricadas, quase palácios para quem estava a começar vida. Que saudades desses tempos, mesmo do trabalho de andar a limpar silvas que bordejavam o caminho de acesso ao bairro para não riscar os carritos, em segunda ou terceira mão e pagos a prestações! Bons tempos! É o que todos dizemos quando, em conversa, recordamos essa época. E eis como por uma opção política, eu e mais alguns já levamos um percurso profissional de 30 anos em terras de Santa Columba."
(Excerto da Introdução)
Índice:
[Preâmbulo].  Prefácio. | Introdução. | - O Roque e o Amigo. - O Baltasar. - O Apêndice. - A desprezada. - O José M. - O Africano. - A Senhora. - O Mito. - O Pinto. - O Manhas. - A Lembrança. - O Guga. - O Café. -  Ternura. - A Marcação. - Relatividade. - O Matalouco. - O Estragado. - A Missa.
Exemplar cartonado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse clínico e regional.
25€

24 abril, 2022

ALGUNS APHORISMOS POPULARES PARA A DEFEZA CONTRA A TUBERCULOSE.
1.ª edição
. Lisboa, Assistencia Nacional aos Tuberculosos, 1900. In-8.º (15,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa (belíssima) de P. Marinho.
Curioso livrinho de propaganda popular anti-tuberculose - composto por pequenas rimas - numa época de grande incidência da doença entre nós. Este opúsculo faz parte de uma série de acções preventivas desenvolvidas pela ANT, Associação criada sob os auspícios da Rainha D. Amélia, para obstar ao avanço da moléstia.

Algumas rimas "pedagógicas":

"A saude é, com certeza,
do mundo, a maior riqueza"

"Quem o seu mal não descura
adianta meia cura."

"Muita gente se mata por não ter
da hygiene o culto e o prazer."

"Léva o mau tratamento á sepultura,
ainda que a molestia tenha cura."

"Fugirás de curandeiros
e de remedios caseiros."

"Em tenra idade, ou velho, não te cazes,
que filhos não consegues ter capazes."

"O beijo mais innocente
póde ao são, tornar doente."

"Para casa os microbios são trazidos
pelas damas, nas caudas dos vestidos."

"Cazar-se o tuberculoso,
é tornar-se criminoso."

"Cuspir no chão
é má acção."

"Com ar puro, luz, limpeza,
com descanço e bom comer,
pode quasi haver certeza
do tuberculo vencer."

Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

10 março, 2022

EDITAL
. Lisboa, Na Régia Typografia Silviana, 1815. In-4.º (29 cm) de 1 f.
1.ª edição.
Documento raro, curiosíssimo, com especial interesse para a história da higiene urbana, usos e costumes de Lisboa no princípio do século XIX.
Determinação emanada do Senado, subscrita pelo Escrivão da Câmara - Manoel Cypriano da Costa - "de que saõ incumbidos os Almotacés da Limpeza dos Bairros, e a Guarda Real da Policia", de fazer respeitar a proibição de lançar "Aguas, ou Lixos nas Ruas, sem dar as tres vozes com separaçaõ, para aviso dos que transitam por ellas, desde as dez horas da noite até ás cinco da manhã", sendo os prevaricadores penalizados com pena de multa pecuniária e cadeia.
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

17 agosto, 2021

CHOMET, H. - GUIA THEORICA E PRATICA DAS MOLESTIAS VENEREAS.
Por...
Rio de Janeiro, Typographia Universal de Laemmert, 1857. In-8.º (17,5 cm) de 232 p. ; E.
1.ª edição.
Importante tratado oitocentista sobre a Sífilis, publicado pelo Dr. Chomet, reputado médico francês radicado no Rio de Janeiro.
"Logo depois de sua apparição no mundo a molestia de que se trata neste livro, recebeu não poucas denominações. Os povos que a julgárão importada de França, a chamárão Mal-Francez, Gallico. Aquelles que a considerárão como vinda de Napoles, lhe derão o nome Mal-Napolitano; e os Turcos, os Allemães, os Polacos, os Russos, alternativamente accusados e accusadores a chamárão por diversos modos.
O nome mais geralmente admittido foi o de Molestia Venerea. Esta denominação, por mais jjusta que seja, indica perfeitamente o acto venereo que lhe dá commummente a sua origem.
A palavra Syphilis é mais recente; e a palavra franceza Vérole não é mais que uma denominação justificada por alguns symptomas da molestia. [...]
A mesma sombra que envolve a origem de muitas molestias contagiosas, envolve tambem a origem desta. A opinião de não poucos autores é que esta molestia existe desde a mais remota antiguidade. [...]
Na época de que tratamos, parece incontestavel que a molestia hoje chamada venerea não appareceu com os symptomas identicos ao que ella apresenta agora. E isso não é de admirar, porque nessa época, a civilisação estava pouco adiantada, os costumes, os usos, a falta de asseio, as doenças da pelle havião de ter uma grande influencia sobre o curso e o resultado desta molestia."
(Excerto de Considerações geraes sobre a Syphilis)
Joseph Antoine Hector Chomet (1808-187?). Médico, insurgente, escritor e cantor amador. Nasceu em 17 de Março de 1808 em Moulins, (Allier), França. Completou os seus estudos em Paris, defendendo uma tese sobre rinoplastia (1832). Nos anos seguintes publicou diversos tratados académicos. Após o golpe de 1851 que pôs fim à Primeira República Francesa, e que conduziu à restauração imperial em favor de Luís Napoleão (Napoleão III), sobrinho de Bonaparte, Chomet foi acusado de insurrecto e liderar sociedades secretas de inspiração socialista. Foi condenado ao desterro na Argélia. Pode, no entanto, escolher o exílio voluntário na Suíça; posteriormente esteve na Bélgica, e finalmente no Brasil, onde se estabeleceu no Rio de Janeiro. Aí continuou a exercer medicina e tornou-se membro da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro. Publicou diversos trabalhos em português, incluindo o presente. Mais tarde retornou a França, para a sua cidade natal. Em 1872, ainda morava em Moulins.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com os rebordos das pastas desgastados.
Muito raro.
Sem registo na BNP de Lisboa.
50€

15 maio, 2021

CONDIÇÕES PARA A ADJUDICAÇÃO DA EMPREZA DA HOSPEDARIA DO LAZARETO DE LISBOA. Lisboa, Imprensa Nacional, 1884. In-8.º (21,5 cm) de 35, [1] p. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história do Lazareto de Lisboa, edifício situado junto a Porto Brandão, Almada. O presente opúsculo regulamenta o funcionamento da hospedaria da instituição.
Inclui um 'mapa' desdobrável (21,5x28 cm): Mappa demonstrativo do numero de refeições diarias (comprehendendo almoço, jantar e ceia) que a empreza da hospedaria do lazareto de Lisboa forneceu nos annos de 1881, 1882 e 1883 aos quarentenarios das classes abaixo designadas.
"O Lazareto de Lisboa foi criado em 1815 no lugar de Caparica, termo da vila de Almada, distrito eclesiástico e diocese de Lisboa, com o fim de servir de quarentena às pessoas e mercadorias vindas de barco, como forma de prevenção contra epidemias.
Estava instalado na Torre de São Sebastião ou Torre de São Brás, também conhecida como Torre Velha, mandada construir por D. João II nos finais do século XV, e reedificada em 1570 por D. Sebastião, tendo servido enquanto estrutura militar de defesa até 1859. A partir de 1815 parte desta construção passou a ser utilizada como lazareto, coexistindo assim com a função militar."
(Fonte: https://digitarq.adstb.arquivos.pt/details?id=1203265)
"A empreza será obrigada a dar hospedagem, alimentação e mais tratamento, mediante e retribuição estipulada n'estas condições, a todas as pessoas que, por effeito de providencias sanitarias, administrativas ou policiaes, estiverem debaixo de impedimento, ou em livre pratica, no lazareto de Lisboa, seus hospitaes, annexos, ou pontões (quando estes se estabeleçam), devendo conservar sempre prompto tudo quanto seja necessario para o serviço, pelo menos, de 200 hospedes de 1.ª classe, 200 de 2.ª e 400 de 3.ª."
(Excerto do artigo 1.º)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

10 maio, 2020

LIMA, Magalhães - A CREMAÇÃO DE CADAVERES. Conferencia realisada na Associação do Registo Civil no dia 21 de Maio de 1912. Lisboa, Composto e impresso na Imprensa Lucas, 1912. In-8.º (20,5 cm) de 36 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Sessão de propaganda em favor da cremação. O presente opúsculo constitui uma das mais invulgares e curiosas obras da extensa bibliografia de Magalhães Lima, maçon e figura ímpar da República.
"Esta conferência pretendia claramente despertar a população para os benefícios da cremação, para o problema do espaço nos cemitérios, para os benefícios que esta poderia trazer para a saúde pública, tentando fazer com que estes argumentos se sobrepusessem aos ditos irracionais da religião católica, que negava a cremação por pressupostos religiosos."
(Fonte: https://docplayer.com.br/4067466-Igreja-e-primeira-republica-a-implementacao-do-registo-civil-obrigatorio.html)
Livro ilustrado no texto com tabelas estatísticas, e desenhos reproduzindo fornos crematórios, incluindo um 'aparelho ambulante' para o mesmo uso.
"Do que temos dito conclue-se logicamente que se impõe, ao nosso paiz, uma campanha a favor da cremação.
Durante muitos annos, mantivemos viva a propaganda, em prol do registo civil obrigatorio, das leis do divorcio e da separação das Egrejas do Estado.. Eram estes os primeiros artigos do nosso programma de livre pensamento. E hoje que lográmos attingir o nosso fim, nem por um momento descançaremos sobre as conquistas já realisadas. Outras se nos antolham, não menos importantes que as primeiras. E, entre ellas, ocupa a cremação logar primacial.
Que ninguem imagine que a lucta está terminada. Bem sabemos que vamos encontrar uma resistencia tenaz, por parte dos clericaes, para a immediata aceitação da cremação. Mas isso pouca importa. O que convém é, desde já, e á maneira do que fez a Italia, proseguir na nossa tarefa, sem descanço nem temor de qualquer natureza. A obra da Republica Portugueza ficaria incompleta, se a cremação se não estabelecesse nos nossos cemiterios, não de uma maneira obrigatoria, mas facultativa."
excerto de Uma campanha que se impõe)
Matérias:
Na antiguidade. | A cremação nos tempos modernos. | O sentimento e a religião. | A cremação e a religião. | A cremação sob o ponto de vista judiciario. | A cremação em nossos dias. | Os aparelhos crematorios. | O lado economico da questão. | Fornos crematorios. | Crematorio fixo. | Uma campanha que se impõe.
Sebastião de Magalhães Lima (1850-1928). "Nasceu no Rio de Janeiro no dia 30 de Maio de 1850, tendo ido morar para Aveiro aos cinco anos. Em 1870, inscreveu-se no curso de Direito da Faculdade de Coimbra, que terminou com distinção em 1875. Exerceu advocacia, mas sempre a par com uma actividade política intensa, pois tinha aderido ao Partido Republicano Português e à Maçonaria, organização de que viria a tornar-se Grão-Mestre. No período final da Monarquia foi um jornalista infatigável, colaborou em dezenas de jornais e revistas, tendo sido fundador do jornal O Século. Na qualidade de dirigente do Partido Republicano Português efectuou várias viagens a países estrangeiros – Espanha, Itália, Bélgica e França – a fim de obter apoios para a causa republicana. As suas qualidades pessoais e o facto de pertencer à Maçonaria Portuguesa abriram-lhe facilmente portas, contribuindo para o êxito das muitas funções que desempenhou. Durante o governo de João Franco (1906 - 1908) exilou-se em França para escapar às perseguições de que foi alvo. Regressou depois do regicídio e, em 1910, o Congresso do Partido Republicano Português, então reunido no Porto, encarregou-o de voltar ao estrangeiro, acompanhado por José Relvas para efectuar conversações destinadas a conseguir que os governos francês e inglês aceitassem a revolução que entretanto se preparava em Portugal e que veio a rebentar a 5 de Outubro. Nessa data Magalhães Lima ainda se encontrava em Paris, donde regressou para participar nos festejos da vitória. No novo regime foi deputado às Constituintes, tendo sido o relator da comissão encarregada de redigir a Constituição de República Portuguesa. Depois disso continuou sempre a efectuar contactos no estrangeiro para obter a simpatia e a aceitação dos países europeus. Em 1915 integrou o governo como Ministro da Instrução Pública. Durante o Sidonismo foi preso e mais tarde os seus opositores chegaram a acusá-lo de cumplicidade no atentado que vitimou Sidónio Pais. Magalhães Lima foi também um escritor de mérito, tendo publicado grande número de ensaios de carácter político e social, mas também alguns romances. Morreu em Lisboa a 7 de Dezembro 1928.”
(Fonte: centenariodarepublica.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Discreta rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
35€