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18 outubro, 2026

PORTO DA CRUZ, Visconde do -
A VIAGEM AVENTUROSA DE SUVENINE BOLIFACE A ZELSTRUFS. [Pelo]... Socio Efectivo da Associação dos Arqueologos Portuguezes, Socio Correspondente do Instituto Portuguez de Historia, Arqueologia e Etnologia, etc. [S.l.], [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], Janeiro - 1934. In-8.º (19x12 cm) de 133, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, enquadrável no domínio da narrativa fantástica e de ficção científica. A viagem de Suvenine Boniface na sua nave - o Passaro Novo - pelo espaço sideral, mais não é que um ensaio satírico de crítica de costumes políticos e sociais do país, e da Madeira em particular, substituindo o nome de Portugal, Lisboa e Funchal por nomes ficcionados de um planeta distante, com hábitos idênticos aos nossos.
Trata-se antes de tudo, de um exercício irónico sobre o carácter das elites lisboetas e do povo madeirense, do mais "ilustrado" ao mais "simplório", contando histórias e episódios, verídicos, por certo, sob a capa de nomes de família e empresas "alternativos", que farão as delícias de quem estiver na disposição de tentar desvendar os destinatários das farpas, numa e noutra região. 
No início da história, ainda nos EUA, ponto de partida da viagem, o autor alude com fina ironia ao modo de vida americano. No final refere-se a Salazar como o grande «Apostolo» de Benciana, "sacerdote muito subtil, muito serafico que sabia mais de diplomacia que os mais afamados diplomatas... [que] com untuosidade tinha sabido dominar na vida publica dos velhos tempos idos e com o novo estado de cousas lá ia fazendo chegar a braza á sua sardinha...".
Romance "fora da caixa" estas 'memórias' de Suvenine Boliface, raro e muito interessante, certamente com tiragem reduzida.
"Estava a dar a hora da partida quando o Jornalista entrou precipitadamente naquele compartimento de 1.ª classe...
A noticia de que Suvenine Boliface chegára a Lisboa e seguia, em rigoroso incognito, no rápido do Norte caíra inesperadamente na redacção.
Tornava-se indispensavel descobrir aquele sabio audacioso que, em parte, realisára um sonho de Julio Verne atravessando o espaço e chegando a um planeta desconhecido...
O feito apaixonára os estudiosos, os homens de ciências e até os prosaicos burguezes! Na verdade é merecedor de assombro e da curiosidade o homem que abandona a Terra, atravessa o espaço como um meteóro, chega a um outro planeta e, depois de tudo isto, ainda encontra coragem e energia para regressar heroicamente ao nosso triste «vale de lágrimas».
Quando Suvenine Boliface, depois da sua viagem maravilhosa, aterrou proximo de New-York sentiu-se tão infeliz com a imprevista celebridade que deliberou esquivar-se ás mais simples revelações. Os Reporters, com a audaciosa impertinencia profissional, afligiam-no de tal forma que resolveu fugir... Andou pelos vastos Estados Americanos mas, quando menos esperava, surgiu-lhe um Reporter implacavel, com o «Kodak», o lapis e o bloco, na ancia de colher elementos com que saciar a bisbilhotice internacional da Imprensa. [...]
O planeta a que me tinha levado o audacioso empreendimento era designado, pelos homens que o habitavam, por Zelstrufs.
Não tardou a que me certificasse de que ali, tal como na Terra, os homens eram identicos e nutriam os mesmos instintos, a mesma alma, as mesmas ambições... Aconteceria assim em todos os outros planetas que povoam o espaço?
Havia em Zelstrufs varios paizes e homens de raças diversas.
O Passaro Novo levou-me por felicidade para um dos paizes que mais contingentes déra ao progresso e á civilisação.
Uma especie de monarca governava o estado mas a sua acção nunca podia actuar beneficamente porque os organismos publicos e ainda mais os politicos dominados pela cegueira das democracias prejudicavam todos os planos e a boa vontade do Principe que só queria bem servir a Patria e assegurar ao seu Povo paz e prosperidade."
(Excerto do Romance) 
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
50€
Reservado

17 março, 2026

VASCONCELLOS, Henrique de -
A MENTIRA VITAL. Coimbra, Edição da Imprensa da Universidade, 1896 [capa, 1897]. In-8.º (22x14 cm) de XVI, 188, [8] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos, alguns históricos, outros fantásticos, como o encontro surreal entre um abade e o Tentador (Satan), outros ainda impregnados de erotismo, o que, na época, configuraria certo arrojo literário. Inclui ainda um capítulo dedicado aos touros de morte, e outro devotado a três cidades portuguesas: Coimbra; Aveiro; Viana do Castelo. Sete dos contos estão referenciados no Dicionário de Literatura Gay, 7.ª edição, Index, 2022. Relativamente a este assunto, no mesmo Dicionário, é citado António Fernando Cascais: "A Mentira Vital, [está] todo ele recheado de contos (A Elipse; Cerebrais; No Terraço; Eros Trágico; Alma a Penar; O Tentador e A Mentira Vital, que dá título ao volume) sumamente sugestivos do ponto de vista queer." 
Obra ecléctica, invulgar e surpreendente, impressa em papel encorpado.
O autor, assumidamente balzaquiano, no extenso prólogo defende-se das críticas e justifica a obra:
"Abominando os chamados realistas e em geral todas as coteries, sou um discipulo de Balzac. Outra coisa não deve ser o romance ou o conto, senão a analyse d'uma Alma ou d'um estado d'Alma, transitorio ou permanente.
Nos ligeiros contos que apresento ao leitor, em que ás vezes o pensamento parece ficar suspenso, não quis fazer outra coisa.
«Dizer o que vi, o que pensei, o que senti, na melhor prosa de que pude dispôr», foi esta a minha ambição, durante todo o tempo que gastei a escrever as paginas que vão seguir-se."
(Excerto do Prólogo - Isagoge)
"O abbade dormia na rude gruta, sobre um punhado de feno, quando lhe appareceu o Tentador, bello, supremamente bello; no seu olhar nadavam á mistura um grande orgulho e uma grande dôr.
O abbade dormia. Abertas as eclusas, o sonho voava para o peccado. Na noite rasgava-se uma aurora, onde elle via, o pobre santo, montões d'oiro, montões de soes a chamal-o. Caiam pedrarias, como chuvas, caíam oiros, toda a riqueza; levantavam-se palacios magnificos do solo, a recebel-o antre theorias deslumbrantes de raparigas batendo crotalos, antre theorias de escravos illuminando com archotes, firmes como estatuas. [...]
Ouvindo passos, o abbade abriu os olhos,
- Sonho!... sonho!... gemeu com infinita amargura, misturada com o prazer de não ter peccado.
- Dormes? O somno é um peccado, porque a Alma não está com Deus. Vagueia pelo mundo, ora subindo aos altos pincaros para cuspir o céu, ora descendo aos poços envenenados onde a Luxuria estreita os corpos, abraça as Almas. O teu espirito não vae pela escada que o pastor viu no céu, em peregrinação para Deus: erra pelos prados, onde cantaste outr'ora a belleza das cearas e os corpos alvos das ceifeiras...
O abbade crendo ser um anjo, pela belleza surprehendente, rojou-se, beijou-lhe os pés brancos e afilados.
- Perdoae-me, Senhor, perdoae-me! Sonhar não é peccado, porque a Alma está desarmada; se o Demonio vem travar batalha, qual o soldado que despertará? A Alma é então como um campo onde houve carnificina...
- Vês? retorquiu Satan. Emquanto dormias deixaste entrar em tua casa o ladrão..."
(Excerto de O Tentador)
Henrique de Vasconcelos (São Filipe, Cabo Verde, 1876 - Lisboa, 1924). "Diplomata, político, jornalista e escritor português, colaborador e amigo de Afonso Costa, deputado em várias legislaturas da Primeira República Portuguesa. Poeta decadentista, autor da Missa negra, foi Director Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e um importante bibliófilo, detentor de uma vasta biblioteca.
Cabo-verdiano de nascimento, radicou-se cedo em Lisboa, desfrutando de prestígio literário em Portugal. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, e foi Director–Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Representou Portugal em legações e missões diplomáticas em vários países.
Com uma obra de temática europeia, foi autor, entre outras, das seguintes obras: Flores cinzentas, poesia (Coimbra, 1893); Os esotéricos, poesia (Lisboa, 1894); A Harpa de Vanádio, poesia (Coimbra, 1894); Amor Perfeito, poesia (Lisboa, 1895); A mentira vital, contos (Coimbra, 1897); Contos novos, contos (Lisboa, 1903); Flirts, contos (Lisboa, 1905); Circe, poesia (Coimbra, 1908); e Sangue das rosas, poesia (Lisboa, 1912). Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas O Branco e Negro (1899), Ave Azul (1899-1900), Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911) e Atlântida (1915-1920)."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação
Raro.
Indisponível

21 maio, 2025

MÜNCHLAUSEN, Karl von -
AVENTURAS PASMOSAS DO CELEBRE BARÃO MUNKAUSEN, que contém hum resumo de viagens, campanhas, jornadas e aventuras extraordinarias; igualmente a descripçaõ e huma viagem á Lua e canicula.
Traduzido do inglez. Nova ediçaõ. Lisboa. M. DCCC.XXXV. Na Typographia Rollandiana. In-8.º (15,5x11 cm) de XV, [1], 126 p. ; B.
Conjunto de histórias de aventuras extraordinárias, obra de referência da literatura Fantástica e de Ficção Científica.
"Nunca houve aventuras como as do Barão de Munchausen. São também as mais incríveis narrativas de viagem de que se tem notícia. Munchausen nasceu em 1720, foi tenente, capitão de cavalaria, serviu num regimento russo e lutou em duas guerras turcas – além de ter carregado sua imaginação por Cairo, Londres, Gibraltar, pelo Ceilão, África, e uma infinidade de lugares, incluindo a Lua e o centro da Terra. Depois de doze anos de serviço militar, aposentou-se. Nas recepções em sua casa em Hanover, na Baixa Saxônia alemã, gostava de ntreter os amigos com suas histórias. Entre os ouvintes, estava o bibliotecário Rudolf Erich Raspe (1736 - 94), a quem se atribui a autoria de parte dos relatos do Barão. Mas Munchausen, o personagem, se tornou maior."
(Fonte: Fnac)
A BNP não menciona esta edição de 1835, apenas uma outra de 1847.
"O Barão Munkausen tem sem duvida feito grande beneficio ao Mundo Litterario, sendo tal o numero de viajantes faltos de fé, que até era necessario hum Gulliver em pessoa para os exceder. Se o Barão de Tott valerosamente deo fogo a huma enorme peça de Artelharia, o nosso Barão fez mais, pois passou com ella a nado a travez do Oceano. Quando os viajantes pertendem ser os heroes da sua propria historia, devem necessariamente admittir superioridade, e envergonharem-se de serem excedidos por Munkausen. [...]
O Barão na seguinte obra parece ás vezes philosophico: a sua descripção da lingoa do interior da Africa, e a sua analogia com a da Lua, o faz ver como perfeitamente versado nas antiguidades etymologicas das Nações, e aclara a occulta historia dos antigos Scythas e outros povos."
(Excerto do Prefacio)
"Hum amigo, e parente meu me persuadio embarcar em huma viagem de descobertas, pois elle se persuadia que neste globo havia habitantes de igaul grandeza como os que Gulliver descreve no Imperio de Brobdingnag. Eu da minha parte sempre tratei esta historia como fabula; porém para lhe fazer a vontade, pois me tinha estabelecido seu herdeiro, embarquei em hum navio destinado para o mar do Sul, onde chegámos se encontrar couza notavel, excepto vermos alguns homens, e mulheres que jogavão ao Exo Baldexo, e dansavão minuetes no ar.
No decimo-outavo dia depois de termos passado a Ilha Otaheite, de que o Capitão Cook tanto fallou, e d'onde elle trouxe Omai, atacou hum furacão o navio com tal violencia, que pelo menos o fez subir mil legoas acima da superficie do mar, onde o conservou até vir hum vento fresco, que nos encheo as velas, e empurrava o navio para diante com incrivel velocidade: desta sorte navegámos na atmosfera acima das nuvens pelo espaço de seis semanas. Finalmente vimos terra, que parecia ser huma grande, e brilhante Ilha de figura circular, onde vendo hum Porto conveniente entrámos, e démos fundo; e baixando a terra a achámos habitada. Aqui vimos figuras estupendas montadas em Abutres de enorme grandeza, cada hum com tres cabeças. Para vos dar alguma idéa destas aves devo informar-vos que cada aza tinha a mesma largura que seis vezes a largura da vela grande do nosso navio, que era de seiscentas toneladas. Assim em lugar de andarem a cavallo como nós, voão de huma parte para outra nestas aves, os habitantes da Lua (pois achámos que nella estavamos). O Rei estava em guerra com o Sol, e offereceo-me hum commando do qual me escusei."
(Excerto de XI - Huma visita (accidental) á Lua...)
Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen (1720-1797). "Foi um militar e senhor rural alemão. Os relatos das suas aventuras serviram de base à célebre série As Aventuras do Barão de Münchhausen, compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres, originalmente, em 1785. São histórias fantásticas e bastante exageradas, veiculadas sobretudo na literatura juvenil. Trata-se de um personagem que se equilibra entre a realidade e a fantasia, no seu próprio mundo, desenvencilhando-se dos mais diversos perigos com bravura e à custa de fugas impossíveis.
Nascido em Bodenwerder, durante a juventude Münchhausen serviu como pajem de Anthony Ulrich II, Duque de Brunswick-Lüneburg, e mais tarde entrou para o exército russo, onde serviu até 1750, participando em particular de duas campanhas contra os turcos. Ao retornar para casa, começou a espalhar várias histórias extremamente exageradas sobre suas aventuras; ganhou a fama de maior mentiroso do mundo.
De acordo com as histórias, contadas e recontadas, os feitos incríveis do Barão incluíram viagens em bolas de canhão, jornadas à Lua, e, a mais famosa, a fuga de um pântano ao puxar a si mesmo pelos próprios cabelos(!) - ou pelos atacadores das botas(!), dependendo da versão. Muitos utilizam esta última narrativa para, por analogia, mostrar a tolice que se é tentar sair de uma situação difícil sem a ajuda de alguém, apenas por si mesmo. O filósofo alemão Nietzsche fez uma referência a essa história no aforismo 21 de Além do bem de do mal, contrariamente à tese do livre-arbítrio.
Os relatos incríveis levaram o bibliotecário alemão Rudolf Erich Raspe (1736-1794) a redigir As Loucas Aventuras do Barão de Münchhausen, publicado pela primeira vez em Londres (1785), salvo uma coleção anónima de 1781, sob suspeita que o próprio Rudolf a tenha escrito. Conta-se que Rudolf acrescentou outros eventos bizarros, que o próprio Münchhausen achou exagerados."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Recoberto por capa de protecção recente, em cartolina, com título, autor e ano manuscritos. Aparado à cabeça. F. rosto apresenta assinatura de posse e falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro.
Peça de colecção.
85€

31 janeiro, 2025

GUSMÃO, Lapas de -
NO MUNDO DESCONHECIDO
. Lisboa, Tip. da Emprêsa Nacional de Publicidade, 1937. In-8.º (19,5x13 cm) de 256 p. ; E.
1.ª edição.
Obra curiosíssima sobre a questão da imortalidade do homem, espécie de romance-ensaio escrito na 1.ª pessoa. Estudo muito interessante, especulativo, situado no âmbito da Ficção Científica em alguns sites/blogues da especialidade neste género de literatura.
"O mistério da Morte - O conceito do Universo - A ideia de Deus problemas eternos que neste livro tento enunciar e apresentar, não em exposições suculentas ou divagações cansativas, mas sob forma leve, vivida e dramatizada, em termos, julgo, de poderem ser apreendidos por tôdas as inteligências.
Problemas eternos são chamados e com inteira razão, porque nunca o espírito do Homem logrará decifrá-los e compreendê-los em toda a sua plenitude, não obstante as doutrinas fantasiosas das religiões, as efabulações metafísicas e lendárias da fé, as investigações positivas da ciência ou as lucubrações, mais ou menos filosóficas e mais ou menos profundas, do génio humano.
Desde sempre, êsses problemas preocuparam a Humanidade e a preocupá-la continuarão por todos os tempos, visto ultrapassarem as possibilidades da sua inteligência e da sua razão, e jàmais êles serão, porventura, desvendados porque, quem sabe? talvez constituam problemas, sim, mas apenas existentes na ansiedade da alma humana.
Neste termos, quem ousará ter a estulta pretensão de apresentar uma solução arrogantemente definitiva, ou ao menos uma explicação inteiramente inédita, sôbre tão magno e angustioso assunto?
Através das indicações da minha razão e das sugestões da minha fantasia, teria eu conseguido vislumbrar uma fugidia sombra da Verdade?
Terá sequer existência real essa suposta Verdade que, segundo pretendem inculcar, todo o homem, consciente ou inconscientemente, guarda no fundo de si mesmo?..."
(Excerto do preâmbulo)
Joaquim Lapas de Gusmão (1886-1962). Jornalista, escritor, Combatente da Grande Guerra em África e França, condecorado com a Cruz de Guerra.
Colaborou nos jornais A Pátria, do Porto, e na Capital, Lucta, Intransigente, O Século e Diário de Notícias, de Lisboa. Publicou entre outros, os volumes Visão da Guerra e A Guerra no Sertão, em que descreve o que viu em França e África durante a Primeira Guerra Mundial, o drama em 3 actos O Mutilado, sobre o mesmo assunto, a tragédia em um acto Uma noite, o romance fantástico No mundo desconhecido e o ensaio filosófico Matéria e Vida.
Encadernação meia de pele com rótulo e dourados na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom  estado geral de conservação. Lombada apresenta falha de pele no pé.
Raro.
Indisponível

07 outubro, 2023

VIEIRA, João -
OS AMORES DE D. JUAN.
Extracto do immortal poema de Lord Byron. Por... Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron : Braga, Livraria Internacional de Eugenio Chardron, 1875. In-8.º (18,5x12 cm) de 135, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Versão livre da vida aventurosa de D. Juan, em prosa, a partir do conhecido poema de Byron. É muito curiosa esta variante de João Vieira, de certo modo irónica e levemente sensual para os padrões da época. O episódio do "fantasma" inglês, propicia a incursão do fantástico (e erótico) na trama.
"Don Juan é um poema satírico de Lord Byron, baseado no mito de Don Juan, que o autor subverte, tratando de descrever Juan não como um conquistador cruel e insaciável (como foi considerado nas interpretações anteriores do mito, por exemplo, em Molina, Molière ou Mozart), mas como um homem facilmente seduzido pelas mulheres, que é lançado nos braços delas pela força das circunstâncias e vicissitudes do destino."
(Fonte: Wikipédia)
"Apenas sahido do berço, viu-se D. Juan orphão de pai, senhor d'uma boa fortuna e confiado aos cuidados e tutela de D. Ignez, sua mãi.
Como a mais sabia das mulheres e das viuvas, quiz esta fazer de Juan um verdadeiro prodigio, digno em tudo de seu alto nascimento; quiz que este possuisse todos os dotes d'um cavalleiro, na hypothese do rei nosso senhor querer de novo fazer guerra.
Aprendeu pois a montar a cavallo, a jogar as armas, a escalar uma fortaleza ou um convento de freiras."
(Excerto de - Primicias d'amor)
Índice:
Primicias d'amor | O naufragio infeliz | O escravo-senhor | O valido da imperatriz Catharina | O phantasma amoroso.
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
A BNP menciona o livro com a indicação "sem informação exemplar".
Indisponível

23 junho, 2023

HENRIQUES, F. de Carvalho – A PROFECIA OU O MISTÉRIO DA MORTE DE TUT-ANK-AMON. Prefácio por João de Brito. Lisbôa, [Edição do Autor – imp. na Imprensa Libanio da Silva], 1924. In-8.º (19 cm) de 162, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance esotérico do género fantástico. Três amigos do Técnico (IST) vivem uma aventura extraordinária quando a sua vida se cruza com personagens do antigo Egipto.
"E passaram os trinta e três séculos que não foram mais do que um segundo a ligar a Eternidade passada com a Eternidade futura!"
"O livro publicado por Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques em forma de romance sob a epígrafe A Profecia ou o Mistério da Morte de Tut-Ank-Amon versa um tema filosófico que tem sido uma das preocupações constantes do espírito humano, o destino desta energia que em nós vive sob o nome de alma, depois daquilo que chamamos a morte do indivíduo…"
(Excerto do Prefácio)
Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques (1897-1962). "Escreveu, além de Mulheres de hoje... Corações de sempre (1924), A Profecia ou o mistério de Tut-Ank-Amon (1924), A quarta dimensão (1927), algumas obras relacionados com o comércio, como Vendedores e Compradores (1943) e O gerente e a sua gente (1958). Em 1925, dirige X: revista de informação prática, que poderá ter inspirado Pessoa e o seu cunhado Francisco Caetano Dias no seu projecto da Revista de Comércio e Contabilidade."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/f/571-fernando-de-carvalho-henriques)
"O primeiro romancista-egiptólogo português. O escritor Fernando de Carvalho Henriques (1897-1962) é totalmente desconhecido da esmagadora maioria dos portugueses. Há, no entanto, um romance seu, com contornos de policial, publicado em 1924, intitulado A Profecia ou o mistério da morte de Tut-Ank-Amon, que lhe confere um lugar pioneiro no panorama nacional e no contexto internacional. Na narrativa principal do romance, este Autor encaixou vários capítulos sobre “factos da antiguidade” para os quais mobilizou, como veremos, “conhecimentos históricos” sobre o antigo Egipto da época de Tutankhamon, genericamente correctos, inspirados e estimulados pelos ecos da então recente descoberta arqueológica e escavação, a partir de Novembro de 1922, do túmulo desse faraó egípcio, em Luxor ocidental, por Howard Carter e Lord Carnarvon."
(Fonte: https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/10226)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

23 dezembro, 2022

AYORA - CONTOS AZUES.
Com um prefacio de Claudia de Campos. Illustrados com aquarellas de Carlos Reis
. Lisboa, M. Gomes, Editor : Livreiro de Suas Magestades e Altezas, 1897. In-8.º (19 cm) de VII, [1], 149, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Edição original desta colectânea de contos juvenis da autoria de Ayora, pseudónimo literário de Dilara de Campos de Ornelas e Matos (1877-1952), filha da prefaciadora. Julgamos que este livro é tudo quanto foi publicado da sua lavra.
"As despretenciosas narrativas de Ayora são pequenas e elegantes versões onde predomina o elemento phantastico. E ella teve, talvez, razão dando a esse elemento a preferencia. [...]
É o sonho a sorrir-nos e a chamar-nos, cheio de tentadoras promessas; é o Reino da ficção a embalar-nos com as suas captivantes miragens e abir-nos as portas do mysterioso e attrahente Infinito, supremo anhelo de toda a alma humana."
(Excerto do Prefacio)
Indice:
Prefacio. | A gata branca. | A pequenina herdeira. | A filha da Virgem Maria. | Os ducados cahidos do céo. | O preguiçoso. | A flôr de Glady. |  Os musicos da cidade de Brême. | O judeu nos silvados. | O corvo. | Os vagabundos. | Uma estranha aventura. | A ondina do lago. | A fada das nesperas.
Encadernação editorial com desenho e letras impressos a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sem as estampas referenciadas na f. rosto. Folha de índice apresenta rasgão no pé com perda de suporte.
Muito invulgar.
Indisponível

01 junho, 2022

GUEDY, P. -
FLÔR DA CARNE : romance de antigos costumes egypcios.
Trad. de Bernardo d'Alcobaça. Lisboa, João Romano Torres & C.ª - Editores, [1926?]. In-8.º (19,5 cm) de 169, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance erótico/fantástico, traduzido pelo "inevitável" Bernardo d'Alcobaça - pseudónimo literário de Pedro Herculano de Morais Leal.
Livro ilustrado com bonitas gravurinhas ao longo do texto.
"Eram passados momentos depois que o sol, emergindo das regiões sombrias do Dait, abrira no céo alvorecente, por sobre as margens arenosas e ardentes da Arabia, as varetas de oiro do leque radiante.
Thebas, a cidade immensa das Cem Portas, despertava.
Para evitar os ardôres intoleraveis do meio dia, a população que trabalhava nos campos, a população da cidade, artistas e mercadôres, e a população operaria escravisada nos trabalhos pharaonicos levantavam-se ao romper da madrugada dirigindo-se para as differentes ocupações que as chamavam.
D'uma das alas do palacio real, erguido como fortaleza na margem esquerda do Nilo, saiu um forte destacamento armado, composto de cêrca de quinhentos Mâshâous commandados por um official das Guardas dos Trabalhos, que, depois de receber n'uma das dependencias subterraneas do immenso edificio um milhar de escravos condemnados a trabalhar um ou muitos dias nas Areias, nos Cimentos ou nas Pedras, se dirigiu para as terras altas, caminho da porta septentrional de Médinet-Abou, onde se andava construindo o Ramesseum."
(Excerto de I - A Casa Eterna)
Indice: Primeira Parte - O Livro do Amor e do Soffrimento: I. A Casa Eterna; II - Nouit a Constellada; III. O Palacio do Sol das Duas Torres. Segunda Parte - Sidia ou a Impossivel Voluptuosidade: I. A Traição dos Beijos; II. A Noiva do Nilome; III. Os Deuses Prostituidos; IV. Conspiração do Serralho. Terceira Parte - A Pyramide Encantada: I. Pelos Olhos da Feiticeira; II. A Morta Violada; III. O Phantasma Amoroso.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

12 maio, 2022

SALGARI, Emilio - Á CONQUISTA DO POLO NORTE.
Romance de Aventuras. Tradução directa do italiano por Henrique Marques. Lisboa, João Romano Torres, [1931]. In-8.º (19 cm) de 138, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Viagem mítica ao Pólo Norte, por E. Salgari, autor de culto deste género de literatura, que circula entre o fantástico e a aventura.
Trata-se da incomum edição original em português.
"No mar Branco ha poucos gêlos quebradiços e esses não podem opor a menor resistencia.
O tempo está escuro; as nuvens que cobrem a abobada celeste dão uma nota de tristeza indefinida e tingem de cinzento as aguas do mar, com reflexos côr de aço; mas o vento é bom e as ondas que descem do Ártico não teem a violencia que adquirem nas borrascas A Estrela Polar avança audaz, de vélas ao vento, emquanto as caldeiras ainda acesas mugem surdamente, fazendo gemer os costados de madeira da antig baleeira.
S. A., na tolda, olha atentamente para o norte; parece procurar os gelos com os quais está ansioso por se medir.
Os seus oficiais acompanham-no interrogando o horizonte com os oculos de longa vista. Tambem eles procuram os fantasmas brancos da região ártica."
(Excerto do Cap. I - O mar Branco)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeito e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
15€

22 janeiro, 2022

PATO, Heitor Baptista - A MAGIA
. Lisboa, Fernando Pereira - Editor, [1984]. In-8.º (21 cm) de 173, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso repositório de literatura fantástica/ficção científica - enigmas sobre o paranormal, magia, ocultismo e maçonaria.
"Um dos grandes exploradores polares do séc. XX, o almirante norte-americano Richard E. Byrd, declarava em Fevereiro de 1947, antes de realizar um raid de 2700 quilómetros mais além (esta expressão foi importante, como verificaremos) do Pólo:
- Gostaria de ver essa terra que existe mais além do Pólo (Norte). Essa tera que é o centro do Ignoto.
Em Janeiro de 1956, uma mensagem de rádio de Byrd, proveniente (esta vez) da sua última expedição antártica, revelava: «A 13 de Janeiro, membros da expedição dos Estados Unidos completaram um voo de 4300 quilómetros a partir da base de McMardo Sound, situada a 640 quilómetros a oeste do Pólo Sul, e penetraram numa terra situada a uma distância de 3700 quilómetros mais além do Pólo». E, pouco antes da sua  mote, o grande explorador polar falará outra vez desse «continente encantado, a terra do eterno mistério!»
(Excerto de O sexto continente sobre os Pólos)
Índice:
A propósito dos discos voadores. | Os ovnis como religião. |  As técnicas divinatórias. |A magia em França em 1974. | Anne Marie Lenormad, a última sibila. | A alquimia, a arte secreta. | O «imortal» conde de Saint-Germain. | O segredo maçónico. | O sexto continente sobre os pólos. | Os ritos do fogo. | Quando Satanás reinava sobre a Terra.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Rubrica de posse na f. rosto.
Invulgar.
15€
Reservado

16 outubro, 2021

ROSADO, José - SETE MULHERES NUMA ILHA.
Romance de aventuras
. [Lisboa], Edição Romano Tôrres, [194-]. In-8.º (19,5 cm) de 141, [3] p. ; B. Colecção Romance de Aventuras, 158
1.ª edição.
Novela de José Rosado, autor de culto deste tipo de literatura, que também conta na sua biblliografia com incursões no género fantástico/ficção científica, por norma, utilizando o pseudónimo "Charles Hamond".
"O «Modern College» - nome sintomático com que «mistress» Taylor denominou o seu colégio para meninas milionárias, na democrática Washington - era, o ano passado, se não o melhor, um dos mais caros e luxuosos dos Estados-Unidos, e onde as internadas recebiam educação esmerada e completa, que lhes permitia ser na vida prática qualquer coisa que não se assemelhasse a modestas boas donas de casa...
Aprendia-se ali, entre muitas coisas de menor importância, o «foot-ball», ténis, «water-polo», «cricket», «golf», equitação, automobilismo, aviação e, de vez em quando, estudava-se Aritmética [...] e pouco mais, porque, para «mistress» Taylor - inglesa autêntica de exportação («made England») com óculos e mais acessórios de educação diplomada - o Mundo era, apenas, a América e a Inglaterra.
A sua «universidade», fundada havia cinco anos, com um sistema tão modelar de educação desportiva - a única que vinga neste século do Músculo e da Fôrça! - progredia de ano para ano, chegando a contar, no início desta novela, cento e quinze meninas das melhores famílias dos Estados-Unidos... [...]
Descrever um colégio de meninas, como o «Modern College», não é tarefa fácil para quem nunca o freqüentou, e isso está vedado ao sexo forte - como um serralho o está também a qualquer cavalheiro que não seja o sultão - mas «mistress» Taylor, que é uma pessoa amável, vai abri-nos e par-em-par as portas do seu colégio modêlo e guiar-nos através das suas labirínticas dependências..."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, com defeitos e pequenas falhas marginais.
Muito invulgar.
Indisponível

11 agosto, 2021

HAMOND, Charles - A CIDADE SUBTERRÂNEA : romance de aventuras.
Versão livre de José Rosado
. [Lisboa], Edição Romano Tôrres, [1945]. In-8.º (19 cm) de 93, [3] p. ; B. Colecção «Romance de Aventuras», N.º 175

1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica nacional, publicado na popular Colecção Salgari da Romano Torres.
De acordo com a Biblioteca Nacional, o autor do livro é José Rosado, o "tradutor", que utiliza o pseudónimo Charles Hamond.
"O que se passou com o primeiro grupo de tripulantes e passageiros do «Libânia» desembarcados na ilha sem nome , do qual faziam parte o imediato Sidney, Walter Garden e os irmãos Fleming, foi precisamente o mesmo que aconteceu ao segundo grupo, desembarcado horas depois.
Em breve saberemos o que se passou com o imediato Sidney e os seus companheiros. Por ora, vamos saber onde lavaram o grupo do capitão Homes...
- Tirem-lhes as vendas! - disse uma voz.
Seguidamente, algumas mãos tiraram os lenços que cingiam as cabeças dos cinco homens.
O capitão Homes esfregou os olhos, abrindo-os pouco a pouco.
O recinto onde se encontrava com os quatro marinheiros assemelhava-se a uma praça pública iluminada a jorros com lâmpadas eléctricas, que se sustinham em fios cruzados num teto com quinze metros de altura e que parecia construído com enormes blocos de carvão de pedra.
Em volta da praça - cujo chão era negro e brilhante - via-se um elevado número de portas e janelas donde jorrava luz."
(Excerto do Cap. V - A cidade subterrânea)
Índice:
I - Um estranho radiograma. II - Onde se procura uma ilha. III - A ilha sem nome. IV - O mistério da ilha sem nome. V - A cidade subterrânea. VI - A narrativa de James O'Sullivan. VII - A galeria da morte. VIII - Quarenta horas de incerteza. | Epílogo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

01 março, 2021

SALGARI, Emílio - A ESTRÊLA CADENTE : novela de aventuras. Versão do original italiano de Henrique Marques Junior. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [1940]. In-8.º (19 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de pequenas novelas, umas de ficção, outras de fundo histórico, com especial relevo para a que dá o nome ao livro - A Estrêla Cadente - imaginativo 'ensaio' de ficção científica.
Em Os pescadores de bacalhau, o autor debruça-se sobre a pesca longínqua francesa nos bancos da Terra Nova, mostrando conhecer esta temática tão cara aos portugueses, abordando as motivações dos pescadores para a "faina", a família, a religiosidade e os infortúnios, bem como os preparativos e as despedidas que precedem as campanhas - rituais em tudo parecidos com os nossos - condimentos de uma pequena história, supostamente verídica, de pai e filho que se perderam no nevoeiro enquanto pescavam.
"Numa linda manhã de Agôsto de 1900, inaudita suprêsa levava ao cúmulo o assombro dos bons habitantes de S. Francisco da Califórnia, a rica e populosa cidade de magníficos arredores, que não tem rival ao longo das costas americanas, banhadas pelas ondas do Oceano Pacífico.
As imensas ruas que dividiam essa gigantesca cidade, as praças, as pontes, os telhados das casas, os terraços e os «squares», que tão numerosos são na capital da Califórnia, após uma noite sem vento e perfeitamente sêca, tinham aparecidos cobertos por miríades de bilhetes multicolores, e que apenas continham estas duas palavras: «Estrêla Cadente».
Que cousa seria a «Estrêla Cadente»? [...]
Quem podia ter inundado a cidade de tais avisos? E de que meios se havia servido, pois ninguém vira coisa alguma?
Êsse acontecimento, absolutamente extraordinário, tinha desordenado todos; até os cientistas e os jornalistas. [...]
Haviam decorrido oito dias após aquêle acontecimento extraordinário, quando nova chuva de prospectos multicolores, mais abundante do que a primeira, cobriu a cidade. [...]
Na manhã de 21 de Agôsto, tôda a população estava na rua. Rios de pessoas se juntavam sem descanso nos imensos jardins do «Garden Square», a custo contidos por infinito número de agentes de polícia. [...]
Ao meio dia, clamor imenso, saído de centenas de milhar de peitos, propagou-se de um extremo ao outro do parque, clamor que se repercutiu em tôdas as ruas, nos terraços, nos telhados e até nas toldas dos navios que estavam apinhadas de curiosos.
 - Olhem!... Olhem!...
Uma linha escura, não bem definida ainda a distância, aparecera na direcção dos montes da Costa e avançava para a gigantesca cidade com fulminante velocidade, aumentando a olhos vistos. [...]
Descia dos montes com incrível celeridade. Mal fôra descoberta e já se principiavam a distinguir bem as suas formas.
- Uma nave aérea! - bradaram de tôda a parte - «Hurrah... Hip»!... [...]
Não se tratava de vulgar balão. Era enorme fuso, com o comprimento de uns cinqüenta metros, munidos de diversas ordens de hélices dispostos nos flancos e que giravam com vertiginosa rapidez.
Pormenor interessante: não se via vestígio algum de fumo, pois o misterioso engenho devia ser privado dos vulgares motores a gás ou benzina adoptados nos últimos tempos por Santos Dumont, Severo, etc., os inventores mais ou menos felizes dos balões dirigíveis."
(Excerto de A Estrêla Cadente)
Índice:
A estrêla cadente; O escravo da Somália [episódio de pirataria marítima]; Os pescadores de bacalhau; O correio da Califórnia [episódio (verídico?) sobre a diligência - o serviço dos correios no oeste americano]; O naufrágio do «Dordonha» [episódio de salvamento de náufragos recorrendo a um aparelho Marconi, novidade na época]; A ponte maldita [episódio aventuroso no Canadá selvagem]; A ponte da morte [episódio biográfico de Solano Lopez, segundo presidente constitucional da República do Paraguai, comandante das Forças Armadas e chefe supremo do seu país durante a Guerra do Paraguai].
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

28 outubro, 2020

HOLSTEIN, Álvaro de Sousa / MORAIS, José Manuel - BIBLIOGRAFIA DA FICÇÃO CIENTÍFICA E FANTASIA PORTUGUESA : PORTUGUESE SCIENCE FICTION AND FANTASY BIBLIOGRAPHY
. [S.l.], Black Sun, Editores, 1993. In-8.º (20,5 cm) de [6], 34 p. ; B.
Segunda edição deste interessante livrinho cujo propósito é divulgar a bibliografia da literatura de Ficção Científica e Fantástica, e o que em português se publicou sobre este assunto.
Tiragem: 350 exemplares, em sistema off-set.
"A ficção científica e a fantasia não tiveram nunca entre nós a expressão que principalmente nos países anglófonos e francófonos atingiram. Contudo a existência de obras dentro destes géneros literários não é tão diminuta como muitos supõem. A maioria dos grandes vultos da nossa literatura fez algumas incursões nestes, produzindo, nalguns casos, dos melhores trabalhos do mundo. [...]
Até hoje ninguém se debruçou sobre a ficção científica e fantasia nacionais. Nenhum estudo viu ainda a luz do dia, partindo do princípio que alguém o tentou fazer.
Talvez que ainda ninguém se tenha abalançado a tal trabalho pela dificuldade que pressupõe saber saber quais as obras existentes, e por isso resolvemos elaborar esta bibliografia da FC&F nacionais."
(Excerto da Introdução da 1.ª edição)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

06 outubro, 2020

MATTA, José Nunes da - QUERER E NÃO QUERER : comedia em 3 actos
. Lisboa, Imprensa da Livraria Ferin, 1918. In-8.º (22,5 cm) de 62, [2] p.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro em verso, incursão pouco habitual do autor neste género literário, tendo no entanto publicado no mesmo ano uma outra comédia - Ilusão e realidade.
"Quando em Agosto começámos a escrever a presente comedia, tencionavamos destinal-a exclusivamente a um pequeno teatro particular da provincia, em cujo palco figuram apenas quatro personagens, duas damas e dois cavalheiros. De modo algum era tenção nossa publical-a, por ser um trabalho feito á pressa e por assim dizer sobre o joelho. [...]
Tambem influiu na publicação o facto de alguns individuos gostarem de coleccionar esta ordem de trabalhos literarios, ainda que sejam mediocres, havendo-os tambem que preferem ler dramas e comedias a vel-as representar. [...]
O intuito principal da comedia consiste em atacar a inconstancia do sentir humano. Queremos com grande empenho o que não possuimos, e perdemos esse empenho e interesse, ao satisfazermos o nosso desideratum. Se, porém, deixamos de possuir, de novo, o que já tinhamos alcançado, então redobram a ânsia e o desespero. A isto se reduz a comedia."
(Excerto do Prefacio)
"Por acaso, terminamos o trabalho em um dos dias mais memoraveis da Historia da Humanidade, o dia 11 de Novembro de 1918, em que foi assinado o armisticio entre os Aliados e a Alemanha, confessando-se esta vencida.
Esta data memoravel pode bem ficar ao lado das datas mais memoraveis do nosso planeta. Tais são a mudança da inclinação do eixo de rotação da Terra que deu lugar ao afundamento da Atlantida e ao rompimento do istmo de Gibraltar, resultando o famoso diluvio dos povos que habitavam as fundas margens do primitivo Mediterraneo... "
(Excerto da Explicação final)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas. Pequeno rasgão à cabeça, sem perda de papel. Carimbo de posse na f. osto e 1.ª página de texto.
Raro.
Indisponível

02 abril, 2020

MATTA, José Nunes da - ILUSÃO E REALIDADE : comedia em 5 actos. Oh ilusão falaz e vã realidade - Como, subtis, troçais da pobre Humanidade! Lisboa, Tipografia da Livraria Ferin, 1918. In-8.º (22,5 cm) de 106, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro em verso, o que representa uma incursão pouco habitual do autor neste género literário.
"A comedia desenrola-se numa republica sem indicação local, pois o trabalho tem um caracter geral. Qualquer que seja a republica, não é entretanto a Republica Ideal de Platão, e que este mavioso filosofo diz ter funcionado na Atlantida. O que desejamos frisar é que não aplicamos a carapuça a esta ou áquela republica e, dentro dela, a este ou áquele figurão. Comtudo, cada um tem o direito de enfiar a carapuça, conforme muito bem lhe aprouver.
Como se depreende da leitura da comedia, o seu fim é demonstrar, rindo, que as ilusões e ambições dos homens e mulheres redundam muitas vezes em realidades com desilusões desastradas e pungentes para os proprios, para as nações a que pertencem e para a Humanidade em geral."
(Excerto da Explicação prévia)
Exemplar brochado, com os cadernos por abrir, em bom estado geral de conservação. Sem capas. Deve ser encadernado.
Raro.
Indisponível

30 março, 2020

WOOD, Ashley & NILES, Steve - LIVRO DOS MORTOS. Spawn : criado por Todd McFarlane. Lisboa, Devir, 2002. In-4.º (25,5 cm) de 69, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Curioso projecto de literatura fantástica. Ilustrado ao longo do texto e em página inteira.
"Um dos mais míticos projectos dos comics americanos: uma enciclopédia do universo spawn , com descrições pormenorizadas das mais importantes personagens, bem como a descrição do conflito entre o Bem e o Mal que agita esta série. Ilustrado por Ashley Wood e escrito por Steve Niles."
(Fonte: wook)
"O Livro dos Mortos é um dos mais ambiciosos projectos de Todd McFarlane, o criador de Spawn: uma tentativa de resumir a mitologia do universo de Spawn e das personagens que nele aparecem, num formato ilustrado por Ashley Wood, um dos mais fenomenais desenhadores americanos. Uma obra única, recheada de ilustrações negras e perturbadoras, acompanhadas de um texto rico em pormenores sobre o mundo de Spawn, indispensável para os fãs desta personagem... e não só."
(Retirado da contracapa)

"Não há um princípio.
Existem apenas o tempo e as circunstâncias que juntamos nas nossas mentes e a que chamamos história.
Mas a história não pode ser agarrada numa mão, nem espalhada perante os nossos olhos.
Pode ser tão intangível quanto um pensamento, mas uma coisa é certa em relação a qualquer história...
Ela é apenas parte de uma história muito mais vasta.
Existe uma história secreta para além dos ossos e da carne, para além da própria experiência humana. Um conto que poucos chegaram a conhecer, mas que envolve todos; que poucos viram, mas que a todos toca.
Uma história de guerra,
Uma guerra entre o Céu e o Inferno, que dura há eternidades devastando galáxias e mundos infindáveis e que destruiu inúmeras
almas."
(Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Sem registo na BNP.
15€

19 fevereiro, 2020

MACHADO, Maria Deolinda - CONTOS. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Anuário Comercial de Portugal], 1970. In-8.º (21 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de contos históricos de inspiração quimérica. Apesar de relativamente recente, não foi possível apurar quaisquer fontes bio-bibliográficas sobre a presente obra, excepto a referência a um exemplar que integra a base de dados da BNP.
"Um silêncio profundo envolvia a torre.
Nem o rumor da brisa, nem um ciciar de folha. Através do tecto de folhagem um raio de sol batia nas altas paredes feitas de blocos de pedra, enegrecidas pelo tempo.
Ninguém sabia que essa torre erguida outrora por gigantes sepultava uma pobre vítima.
Um dia, um estranho cavaleiro, todo vestido de negro, entrou na vila e dirigiu-se à torre sem falar a ninguém.
Durante dias esperou-se o seu regresso e, como o não fizesse, alguém pensou ir saber a sua sorte. Encontrou-o desmaiado no solo e, a poucos passos dele, o corpo de uma linda mulher já em decomposição.
Horrorizado pelo que via correu à vila a contar o caso... Esta, então, dirigiu-se à torre a buscar o cavaleiro e a dar à morta piedosa sepultura...
O cavaleiro não morreu, mas ficou louco."
(Excerto de A torre maldita)
Contos:
1 - A visão dos bosques. 2 - Taylemond visita o Orco. 3 - A torre maldita. 4 - O regresso do Conde de Cirno.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
15€
Reservado

27 agosto, 2019

COELHO, José Manuel - OS MARCIANOS EM BRAGA. (Uma história de Rádio). Porto, Edições do Litoral, 1989. In-8.º (20,5 cm) de 167, [1] p. ; mto il. ; B. Colecção Os Protagonistas / 1
1.ª edição. 
Curiosíssima história de rádio-ficção científica, contada na 1.ª pessoa pelo idealista, produtor e participante da farça radiofónica que no final de 1988 assustou e pôs em pé de guerra a cidade de Braga, provocando desacatos e ameaças à integridade física do autor e dos seus colaboradores. 
A 30 de Outubro de 1988, a Rádio Braga, uma emissora pirata da capital do Minho, realizou uma emissão-homenagem dedicada a Orson Welles no 50.º aniversário da transmissão da peça teatral A Guerra dos Mundos que se comemorava nesse dia. Um colaborador da rádio adaptou a peça gravando efeitos sonoros incipientes e vozes de outros colaboradores da estação - administrativos, técnicos e jornalistas. A emissão foi anunciada em jornais locais e do Porto, e na própria antena. Não obstante a divulgação da iniciativa, tal como com Welles 50 anos antes nos EUA, a transmissão provocou o pânico entre os ouvintes, com episódios de histeria e tentativas de fuga documentadas na imprensa nos dias seguintes.
Livro ilustrado com inúmeras reproduções de capas e artigos de jornais da imprensa escrita - nacional e estrangeira - que noticiaram este assunto.
"Era um domingo de manhã, chuvoso e enevoado. Muitas famílias estariam na missa, muitos homens nos campos de futebol em jogos amadores. Mas muitos outros bracarenses estavam a ouvir rádio, uma emissora pirata a emitir em Braga há três anos, que resolveu homenagear Orson Welles. Porque era dia 30 de outubro de 1988 e se completavam 50 anos sobre a celébre emissão da Guerra dos Mundos que aterrorizou meia América, a Rádio Braga pôs os marcianos a aterrar em Cabanelas. E, tal como 50 anos antes, muitas pessoas não perceberam o carácter ficional da emissão e entraram em pânico. Muitas iniciaram um processo de fuga tendo como destino a Galiza, criando filas nos postos de abastecimento. Outras pessoas esconderam-se e outras ainda começaram a ligar para a rádio para perceber a veracidade dos acontecimentos. A história foi contada nos jornais do dia seguinte e chegou mesmo aos quatro cantos do mundo."
(fonte: https://mediascopio.wordpress.com/category/sociedade/)
Apesar de relativamente recente, dado o seu indubitável interesse e a sua curta tiragem, a presente obra é já encarada como uma peça de colecção do género, um 'clássico', com grande interesse bibliográfico para a história da Ficção Científica e da Rádio em Portugal - e da região minhota em particular, dada a dimensão regional que atingiu, provocando o pânico na população e posto em causa os meios e a actuação da Protecção Civil que, apanhada de surpresa pela 'brincadeira', "meteu os pés pelas mãos".
José Manuel Coelho (1956). Nasceu a 1 de Maio de 1956 em Braga. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, exerce a docência no ensino secundário desde 1980. Dinamizador de diversas actividades culturais em áreas adstritas ao Teatro e ao Cinema, inicia em 1986 a sua colaboração na Rádio, alcançando notória dimensão através da realização de A Guerra dos Mundos, adaptação radiofónica da obra homónima de H.G. Wells. 
Índice:
I - História de uma Homenagem. II - Reflexões. III - O Jovem Orson Wells. IV - H.G. Wells: Breves Notas. ANEXO I. A Guerra dos Mundos: Guião Original da peça radiofónica (Rádio Braga, 30 de Outubro de 1988). ANEXO II. A Guerra dos Mundos e a Imprensa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
30€
Reservado