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03 junho, 2026

SANTOS, Leandro Miguel dos - OS SINALEIROS DO MAR DA ERICEIRA. [Prólogo de José Caré Júnior]. [S.l.], Edição do Forum Ericeirense, Agosto 1994. In-4.º (24 cm) de [52] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra de homenagem aos "sentinelas do mar" - os Sinaleiros da Ericeira -, homens que vigiavam o mar em dias alterosos, e que conduziam os pescadores para o porto em segurança. O presente estudo explica o trabalho dos Sinaleiros, e inclui breves biografias dos mais conhecidos "vigias" ericeirenses.
Livro muito ilustrado com fotogravuras da Ericeira e do seu porto, e o retrato dos biografados.
"Este livro que ora se publica, vem, em nossa opinião, preencher uma falta na bibliografia marítimo-piscatória da Ericeira, concretamente, ao tratar da figura e a acção dos nossos sinaleiros do mar.
O autor não poupou esforços e tempo, para obter dados e fotos de diversos sinaleiros (alguns do século XIX), que desenvolveram a sua meritória e humanitária actividade em prol das vidas e bens dos pescadores locais (e não só).
A formação espontânea e a aquisição de conhecimentos por parte do sinaleiro para o exercício da sua missão, eram adquiridas através da observação do mar embravecido, hora após hora, dia após dia, e durante uma vida inteira.
Era este tipo de formação que lhes possibilitavam trazer a bom porto barcos e homens, através das vagas alterosas."
(Excerto do Prólogo)
"Finalmente se presta a justa homenagem a todos esses homens que, duma maneira tão nobre e voluntariosa, contribuíram para que os seus conterrâneos saíssem e chegassem sãos e salvos a bom porto - Os Sinaleiros.
Muito pouco existe documentado que descreva este trabalho geralmente feito por pescadores mais idosos. Idade de muita experiência e de ggrande sentido de responsabilidade. Todos os que tivessem os seus familiares no mar, era nesses momentos que mais sentiam que a vida dos seus dependia dessa nobre figura que era o Sinaleiro.
"Marcar o Mar" requeria toda essa experiência e coragem que, durante muitos anos, eles próprios na sua faina, foram adquirindo. Quantas vezes sentiram o medo e a angústia, de olhos postos naquele que, do alto do Forte da Guarda Fiscal, os mandava avançar com toda a força ou esperar com toda a calma, até que viesse um "raso". Em inúmeras e inúmeras situações de mar bravo o destemido pescador da Ericeira lá foi saindo ou entrando no porto, ajudado pelo Sinaleiro numa luta tão desigual entre a natureza embravecida e a sua velha experiência. Só os Sinaleiros poderão descrever o que é que sentiam naqueles momentos, sozinhos e isolados de tudo e de todos, tendo a enorme responsabilidade de trazer todos os pescadores a bom porto. Procurámos em documentos antigos, mas nada encontrámos sobre os Sinaleiros, talvez por estes homens não serem remunerados, o que recebiam era algum peixe, dado por aqueles que acabavam de salvar."
(Excerto da Introdução do autor)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
20€

19 maio, 2026

AGUIAR, Joaquim Duarte de Souza e -
ROTEIRO DA COSTA NORTE DO BRASIL,
Desde o Cabo de S. Agostinho até a Cidade de Pará indicando a maneira de fundiar no abrigo que offerece a Costa; e bem assim as marcas de navegar por dentro do Canal de S. Roque, a derrota que se deve seguir por fora dos baixos e finalmente as marcas e maneira de entrar em todas as barras e bahias da referida Costa. Pelo... Piloto, ptratico da costa e do numero da Barra do Maranhão. S. Luiz, Typ. Maranhense - Imp. por J. A. Pires, 1857. In-8.º (20x14 cm) de [6], 70, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio oitocentista para a navegação costeira brasileira. Trabalho pioneiro. Trata-se da rara edição original desta obra, não mencionada pela BNP, Lisboa, nem tão pouco pela Biblioteca Nacional do Brasil (FBN), Rio de Janeiro. A segunda edição - de 1880 - está classificada como "Obra Rara" na FBN, IGBE, etc.
Obra com interesse histórico e científico, tem impressa dedicatória do autor "A S. M. I.  o Senhor Dom Pedro II. Augusto protector da navegação".
"Bem sabe o vosso subdito que a offerta é inferior aos Augustos Merecimentos de V. M. Imperial: mas porque o occeano tem tributarios caudalosos, não poderá o mesquinho regato levar-lhe tambem as suas escassas aguas? [...]
He mesquinha a offerta, não pelo seu objecto, e importancia, mas pelo individuo que confeccionou o trabalho, e pela falta de habilitações scientificas do seu autor.
Bem necessitava porem o Paiz de um roteiro sobre as suas costas maritimas do cabo de Santo Agostinho até a cidade do Pará: e é o que fez o Vosso subdito, Senhor."
(Excerto da Dedicatória)
"Este cabo está na Lat. Sul 8. 20 41 e longitude ao oeste do meridiano de Greenwich 34º 56' 42".
É uma ponta de terra saliente, de moderada altura, com algum mato por cima e adelgaçando para a ponta; sôbre a dita ponta está edificada uma igreja de carmelitas descalços que a torna muito notavel, e acaba em barreiras vermelhas junto á praia.
Abaixo da igreja, na continuação da terra, ha uma bateria com o nome de Forte de Nazareth que parece destinada a defender uma das entradas que o recife offerece neste lugar, onde só podem entrar pequenas embarcações.
Apparece por terra dentro uma serra que é vista por quem vem do mar em fóra primeiro do que o cabo, á qual chamão Serra Sellada."
(Excerto de Cabo de Sancto Agostinho)
Índice:
Cabo de Sancto Agostinho | Derrota que se deve seguir saindo do Rio Grande do Norte, para passar por fora dos baixos e canal de S. Roque | Descripção da costa do Ceará até o Maranhão | Derrota por dentro do canal vindo para o este | Derrota que deve seguir quem vai do Ceará para o Maranhão | Derrota que se deve seguir para a sahida do Maranhão | Descripção da Costa de Itacoromy até o Pará | Signaes de noite | Derrota que devem seguir os navios que vão do Maranhão para o Pará | Derrota que se deve fazer das Salinas para o Pará | Derrota que se deve fazer sahindo a Cidade do Pará | Errata | Lista dos Srs. Assignantes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas; apenas uma capilha frontal, simples, de protecção (cansada). Cadernos toscamente aparados no pé. Deve ser aparado e encadernado.
Muito raro.
Peça de colecção.
85€

01 maio, 2026

CLUBE NAVAL DE SESIMBRA : Fundado em 4 de Setembro de 1930 -
ESTATUTOS. [S.l.], [s.n. - Gráfica Imperial, Lda. - Lisboa], 1979. In-8.º (21,5x15 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição
Estatutos da conhecida agremiação naval sesimbrense, actualmente à beira do centenário da sua fundação.
"O Clube Naval de Sesimbra, designado por CNS, é uma associação de desportos de mar, fundada em 4 de Setembro de 1930, rege-se pelos presentes estatutos, pelos regulamentos internos e pela legislação em vigor e durará por tempo indeterminado." (Art.º 1.º)
O CNS tem por finalidade:
1 - Desenvolver nos seus sócios o gosto pelos desportos de mar, de recreio e competição, adoptando todas as iniciativas para a melhor execução dos seus fins, para os quais, dentro das sua possibilidades, procurará, designadamente:
a) Fomentar actividades de natação, remos, vela, motonáutica, ski náutico, pesca desportiva, mergulho amador e outras, que vierem a ser criadas;
b) Organizar escolas de prepação para obtenção de cartas que habilitem a conduzir embarcações de harmonia com a legislação em vigor;
c) Fomentar a organização, sempre que possível, de regatas e demais manifestações náuticas;
d) Participar em provas desportivas por intermédio dos seus sócios, autorizando estes a representar o CNS;
e) Fomentar o estreitamento de relações com organismos congéneres nacionais e estrangeiros." (Art.º 2.º)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

16 abril, 2026

SOUSA, Comandante Jaime de - AGONIA DE UM HERÓI. A derradeira viagem do "Adamastor". Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, Lda., 1945. In-8.º (19x12,5 cm) de 448, [2] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição.

"O Adamastor foi um cruzador da Marinha Portuguesa, construído nos Estaleiros Navais de Livorno (Itália), em 1896, entregue à Marinha Portuguesa em 1897, e financiado pelas receitas provenientes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao Ultimatum britânico de 1890. O seu primeiro comandante foi o Capitão de Mar-e-Guerra Ferreira do Amaral. 
O Adamastor desempenhou um papel importante no golpe revolucionário de 5 de Outubro de 1910, que levou à implantação da República, sendo responsável pelo bombardeamento do Palácio das Necessidades.  Durante o seu período de serviço o Adamastor percorreu em missões de soberania quase todos os territórios ultramarinos, de Angola a Timor. Também fez várias visitas oficiais a países estrangeiros, como o Brasil e o Japão. Na Primeira Guerra Mundial, o Adamastor tomou parte activa nas operações militares contra os alemães, no norte de Moçambique."
Livro ilustrado em separado com retratos do autor e do capitão Ferreira do Amaral, e fotogravuras do navio e de alguns dos locais aportados.
Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de Sousa (1875-1945). “Foi um político e militar da Marinha Portuguesa, tendo chegado ao posto de capitão-de-fragata. Exerceu as funções deputado e de Ministro das Colónias de 20 a 29 de Novembro de 1820 no governo de Álvaro de Castro. Nasceu em Ponta Delgada. Depois de completar os estudos liceais, partiu para Lisboa, tendo ali concluído o curso da Escola Naval. Após a Primeira Guerra Mundial exerceu funções diplomáticas como Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário de Portugal à Comissão de Reparações de Guerra. Apesar de ter sido deputado durante o regime monárquico, após a implantação da República Portuguesa foi Ministro das Colónias (de 20 a 29 de Novembro de 1920) num dos efémeros governos presididos por Álvaro de Castro. Publicou um livro intitulado Agonia de um herói : a derradeira viagem do "Adamastor" (Lisboa : Marítimo-Colonial, 1945), descrevendo a última viagem do cruzador Adamastor."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas plastificadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico. 
30€

22 março, 2026

MAIA, Berta - AS MINHAS ENTREVISTAS COM ABEL OLIMPIO "O DENTE DE OURO".
Paginas para a historia da morte vil de Carlos da Maia, republicano - combatente de 5 de Outubro -
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Ottosgrafica - Lisboa], 1928. In-4.º (23x17,5 cm) de 64 p. ; B.

1.ª edição.
Berta Maia, viúva de José Carlos da Maia - uma das vítimas da madrugada de 19 de Outubro, que para a história ficaria conhecida pela "Noite Sangrenta" - empenhou-se viva e corajosamente na busca da verdade: quem e porquê tinham sido os mandantes dos crimes, tendo para o efeito entrevistado na prisão Abel Olímpio - «o Dente de Ouro» - cabo da marinha, líder da "camionete fantasma" - responsável identificado pelo morticínio.
Ilustrado com fac-símiles dos Autos referentes às declarações de vários dos envolvidos neste processo "Noite Sangrenta".
"No dia 19 de outubro de 1921, eclode uma revolta militar sob o comando do coronel Manuel Maria Coelho, antigo revolucionário do Movimento Republicano de 31 de Janeiro de 1891. O chefe do Governo, António Granjo, apresenta a demissão, mas o Presidente da República, António José de Almeida, não nomeia um novo executivo.
Neste ambiente de impasse, na noite de 19 para 20 de outubro, um grupo de civis e militares, liderado pelo cabo marinheiro Abel Olímpio, conhecido por O Dente de Ouro, conduz os acontecimentos da designada Noite Sangrenta.
Uma camioneta – a "camioneta-fantasma" – percorre Lisboa em busca de diversas figuras do regime republicano, que, forçadas a entrar no veículo, são posteriormente executadas. Na Noite Sangrenta são assassinados, entre outros, o Primeiro-Ministro, António Granjo, e dois protagonistas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Machado Santos e Carlos da Maia."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/noite-sangrenta.aspx)
"Tu, meu filhinho, ficaste órfão aos seis mezes, toda a tragedia se desenrolou á tua vista e tu sorrias, sorrias sempre! Deus Meu! Pensei que um dia a tua alma estimaria lêr estas páginas, escritas por tua Mãe, sem odios, sem gritos de vingança, e então uma lágrima rolaria pela tua face, serena, sem revoltas, amparado á cruz de Cristo, forte, altivo na tua dôr, orgulhoso de teu Pae!"
(Excerto de Porque escrevi este livro)
"Um mez e dias depois da morte do meu marido adorado, - estava eu prostrada no leito numa grande agonia, - trouxeram-me um cartão de visita: era da policia, do director Barbosa Viana, convidando-me a ir o Governo Civil. Levantei-me e fui. O Dr. Barbosa Viana escondeu-me numa sala e, sentada junto duma porta de vidro, foi-me possivel perceber o que se passava na sala contigua. Ouvia, não via, parecendo-me conhecer a voz de quem procurava defender-se. Eu tremia num desespero louco, ouvindo falar no que se passara em minha casa. Uma voz nega a celebre frase que lhe recordam:
- Então tu não disseste em cada de Carlos da Maia - «ele tambem não teve dó de mim, mandou-me para a Africa a ganhar 10 réis por dia e minha mãe morreu de dôr»? És capaz de manter essa negativa diante da viuva? Conhece-la?
- Sim, - respondeu.
A porta abre-se, e eu vejo o marinheiro cujo olhar terrivel e me gravara pra todo o sempre. Atiro para longe o chapeu e digo-lhe:
- Conheces-me? Olha bem para mim. Não me deste tiros, mas vê bem que eu sou um cadaver!
O Dr. Barbosa Viana agarra-me com força, pela frente, no momento em que tento avançar para o assassino, obriga-me a sentar num sofá, sofocada. Então, aquele homem frio, que dir-se-ia de gelo em minha casa, com uma lagrima nos olhos, fixando-me, diz:
- Esta senhora é a unica pessoa que me pode acusar..."
(Excerto de Depois da tragedia - No Governo Civil)
Índice:
Dedicatoria. | Porque escrevi este livro. | Depois da tragedia: No Governo Civil; Na Prisão da Junqueira. | Depois da condenação do Abel Olimpio: Na Penitenciaria de Coimbra - Primeira entrevista; Segunda entrevista; E o Abel falou - Terceira entrevista. | O Snr. Virgilio Pinhão em minha casa. | Os autos [Fac-símiles].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

18 fevereiro, 2026

SIMÕES, Luiz José - 200 MILHAS A REMOS. 
Narrativa tragico-maritima publicada em folhetins no Diario de Noticias sobre o feito heroico do caça-minas "Augusto Castilho"
. Lisboa, Emprêsa Diario de Noticias, 1920. In-8.º (22,5×14,5 cm) de 79, [3] p. ; il. ; B.

1.ª edição independente.
Capa e desenhos de Francisco Valença.
Narrativa da tragédia do NRP Augusto de Castilho, caça-minas português afundado por um submarino alemão em pleno Atlântico, menos de um mês antes do final da 1.ª Guerra Mundial. Este episódio custou a vida ao seu comandante, Carvalho Araújo, e a outros membros da tripulação, que fizeram frente ao U 139, numa batalha desigual, para permitir que o San Miguel, navio mercante que comboiava, se pusesse a salvo do ataque. O relato é da autoria do maquinista do Augusto de Castilho, que tomou parte nos acontecimentos, e que também descreve a empresa aventurosa do salvamento dos sobreviventes deixados num bote à deriva pelos alemães.
Livro ilustrado com desenhos e fotogravuras nas no texto.
“Pelas 6 horas da manhã, um submarino de enormes dimensões, conforme o relato dos sobreviventes, atacou o paquete: era o U-139, um cruzador-submarino armado com duas peças de 150 mm, cujo alcance era muito superior às do Augusto Castilho, tendo-se este colocado entre o paquete e o submarino apesar da sua manifesta inferioridade. Os sobreviventes, alguns deles feridos, embarcaram no salva-vidas e no bote do navio e conseguiram percorrer os cerca de 370 quilómetros que os separavam da ilha de São Miguel."
(Fonte: www.publico.pt)
Augusto Castilho era o antigo barco de pesca Elite, um dos melhores que no genero existiam na nossa praça. Magnificos porões, frigorificos, uma esplendida maquina triplice-expansão, e razoaveis alojamentos. Um belo dia, ei-lo sem as suas rêdes de arrasto, mais umas ligeiras alterações indispensaveis, colocada uma peça de 47mm na pôpa, e outra de 65mm á prôa, e aí temos o caça-minas Augusto Castilho. [...]
Iamos agora a 9 milhas, conforme as ordens que anteriormente haviamos recebido do comandante.
A nosso lado, pela amura de estibordo, navegava airosamente o S. Miguel que, com a sua preciosa carga e as duzentas e tantas vidas que conduzia, devia aproar a Ponta Delgada na manhã seguinte, com uma pequena paragem na Ilha de Santa Maria.
Nisto, lugubre, ameaçadoramente tragico, um tiro ressoou ao longe como um sinistro eco de morte! Eram 6 horas e 15 da manhã!
Logo as vozes dos homens de quarto bradam, correndo aos seus postos: - submarino pela pôpa! - e todos instintivamente se dirigem aos seus postos de combate numa ansia febril de se defenderem do terrivel inimigo que se aproxima emquanto a sineta de bordo alarma a guarnição de folga. Já na peça de ré o artilheiro de quarto dispara o primeiro tiro, alvejando o clarão de tiro produzido pelo tiro do inimigo, que se conserva fora do alcance da nossa pobre artilharia."
(Excerto do Cap. II - Submarino pela pôpa)
Índice:
Primeira parte - Luta de gigantes. I. A quarentena. II. Submarino pela pôpa. III. Vencidos! IV. C'est la guerre!
Segunda parte - Diante da morte! I. Á mercê de Deus! II. Outra vez o monstro! III. Primeira noite. IV. Tempestade! V. Terra! Fumo! e.. Nada! VI. A sêde.
Terceira parte - Salvos! I. Terra pela prôa! II. A Ponta do Arnel! III. A recepção! IV. A canhoneira Ibo. V. Em Ponta Delgada. VI. Fome! Peste! e Guerra! VII. Para a Patria!
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas marginais.
Raro.
Com interesse histórico. 
Indisponível

12 novembro, 2025

SÁ, Antonio Maria da Costa e - 
ANNUNCIOS DAS OCCULTAÇÕES DAS ESTRELLAS PELA LUA VISIVEIS EM LISBOA PARA O ANNO DE 1831,
E PUBLICADOS POR ORDEM DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS PARA SE INSERIREM NAS EPHEMERIDES NAUTICAS DO SOBREDITO ANNO. Por..., Correspondente da mesma Academias, e Ajudante do Observatorio Real da Marinha. Lisboa, Na Typografia da Academia. 1830. Com Licença de Sua Magestade. In-8.º (21x15,5 cm) de de 8, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa publicação subordinada ao tema da astronomia.
“Sendo de reconhecida utilidade as occultações das Estrellas, e Planetas pela Lua; tanto para determinar as Longitudes Geographicas, como porque concorrem para a perfeição das Taboas da Lua; fazem-se por isso attendiveis os seus annuncios; por que previnem o Observador antes da epoca da sua verificação.
Eu presumo assegurar (depois de rigoroso exame  a que precedí) fixar em doze, o numero das occultações visiveis em Lisboa; porque sendo 240 estrellas que a Lua póde occultar, tão sómente doze he que dão possibilidade de se observarem.
Os Lugares da Lua forão deduzidos das Ephemerides de Lisboa. Os tempos da Immersão e da Emmersão he tempo verdadeiro astronomico, e foi determinado por meio de huma operação graphica, marcando-se os pontos da circumferencia da Lua por onde hade entrar e sahir a estrella contados em gráos desde o ponto mais alto da Lua para Oriente quando tiverem signal +, e para Occidente quando tiverem -
(Prefacio)
Exemplar brochado, revestido de capas em papel pintado da época, bem conservado. Apresenta pequeníssimo trabalho de traça na f. rosto e seguinte, à cabeça, sem prejudicar a mancha tipográfica.
Raro.
25€

12 outubro, 2025

VAUSE, Jordan - O ÁS DOS SUBMARINOS.
A História de Wolfgang Lüth. Mem Martins, Publicações Europa-América, [1991]. In-8.º (21x14 cm) de 271, [1] p. ; il. ; B. Colecção Ventos de Guerra, 14
1.ª edição.
Título original: U-Boat Ace: The Story of Wolfgang Lüth
Livro ilustrado com croquis e fotografias a p.b. ao longo do texto, sendo algumas delas em página inteira.
"Os submarinos e os seus comandantes sempre foram temas muito populares na literatura sobre a segunda guerra mundial; admira, portanto, que até hoje não houvesse nada escrito sobre o lendário Wolfgang Lüth, um jovem capitão que afundou quarenta e sete navios e um submarino aliados, que lhe valeram a mais alta condecoração do III Reich. Em 1944, quando a Alemanha já enfrentava a derrocada, foi nomeado comandante da Escola Naval alemã. Tinha 30 anos e era o mais jovem capitão de mar-e-guerra da Kriegsmarine. A forma como morreu, abatido por uma das suas sentinelas, ainda hoje permanece envolta em mistério. Esta biografia, baseada sobretudo em entrevistas e correspondência trocada com sobreviventes da guerra que conviveram com ele, é o retrato de um homem contraditório e intrigante: ferveroso adepto de um nazismo de que só conheceu os aspectos folclóricos, era capaz de infringir todas as regras da disciplina para ajudar um dos seus homens."
(Retirado da contracapa)
Índice:
Listas das equivalências das patentes (segunda guerra mundial) | Apresentação | Prefácio | Introdução | I - Preparação. II - O difícil é começar. III - Um submarino com a Cruz de Ferro. IV - Uma noite de matança. V - O Báltico e os seus homens. VI - O fim dos «bons tempos». VII - Problemas de comando. VIII - «Boa sorte e boa caça!». IX - O segundo Lüth. X - Morte e peixes voadores. XI - A longa patrulha. XII - Canção da tarde. XIII - Depois. | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

13 agosto, 2025

GRE
AVES, Manuel - AVENTURAS DE BALEEIROS. Cidade da Horta, no Arquipélago dos Açores, Edição do Autor, Ano de 1950 [Imp. 1949]. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 206, [10] p. ; [1] f. desdob. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição.
Gravura da capa: O arpoador espera a baleia.
Interessante narrativa, fidedigna, de um moço faialense que embarca rumo à aventura no perigoso mundo da pesca à baleia.
Livro ilustrado em separado com inúmeras fotografias distribuídas vinte páginas e uma folha desdobrável (19,5x24 cm).
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Ramos Taborda.
"Algumas vezes historiou o José Rodrigues a sua aventura da mocidade, à baleia, durante os serões familiares da casa paterna, no lugar do Valverde, na ilha do Pico deste Açores. O filho António, falecido em 1928, possuia o dom da afinada retenção, e fixára, talvez pelo excesso do relato, até os mínimos pormenores da aventura.
Se estou certo que pai e filho não inventaram, mais certo fico de que não leram o Julio Verne, finado na sua casa de Amiens em 1905, com 77 anos. Eles não sabiam ler, e, à época dos 18 anos do pai, provável que o notável francês não houvesse trabalhado, ainda, a contextura dos 48 romances da sua famosa obra de geografia científica.
O António contaria uns 50 anos em 1922, quando me contou, em simples linguagem de campónio, a aventura do pai, durante uns serões de Agosto, naquela estância da fronteira do Pico.
A minha curiosidade prendeu-se à história e levou-me a anotá-la. Ela aí vai, em bases de verdade, amaciada por ligeira fantasia, e acrescida duns casos à margem, colhidos de improviso."
(Nota do Autor)
"Há setenta anos, ou mais, o feitio aventureiro dos ilhéus moços, neste oeste-açoreano, conquistára o auge. Mal o buço começava despontando, os rapazes entravam a planear a fuga por esse mar-além, à procura duma sorte. Aos do Pico, não se lhes prendia o coração às pedras negras, contra que se estiolavam no trabalho os pais, mal conseguindo ganhar o pão de cada dia. [...]
O sonho doirado dos rapazes era embarcar, à busca da ventura distante. Ontem, como sempre, a visão atlântica absorvia-lhes os pensamentos, embalava-os, dava-lhes a côr fagueira da verde-esperança. A terra americana, a mil e novecentas milhas, seduzia-os. Tantos que estavam ganhando bem, e prosperavam por lá!
Muitos sofreram ásperamente os rigores da má-sorte, embarcados em navios americanos da pesca da baleia. Os barcos aportavam ao Faial, afim-de tomarem mantimentos enviados pelos armadores de New Bedford, deixando os enormes cascos gordurentos, cheios de óleo, que mais tarde eram reembarcados para aquele porto da costa leste dos Estados Unidos, então o maior centro balieiro do mundo."
(Excerto do Cap. II - À aventura! - Embarcar, ou para a missa)
Índice dos capítulos:
[Nota do Autor] | I - A fuga pela noite - com um adeus e um cabaz de ilusões. II - À aventura! - Embarcar, ou para a missa. III - A abalada pela noite. IV - No mar, a noite gera receios e recordações - Enfim, a bordo! V - Na rota para o sul - Um capitão engenhoso. VI - Desporto perigoso - Tubarões e romeiros. VII - Em plena pesca. VIII - Prossegue a luta - Arpoadores - Uma baleia perigosa. IX - Cãis hábeis - e de quanto são capazes. X - Falta um homem no bote do capitão! XI - Opéra o Deus do Bom-Acaso. XII - Comando novo - Volta ao Pacífico. XIII - Naufragados - Navio perdido! - Dos ciclones. XIV - Entre perigos - Alguns dias de jangada. XV - Caminho da ilha de areia branca. XVI - Na ilha de areia - A visão do Anjo da guarda. XVII - Trabalha! Eu te ajudarei... XVIII - Oito mêses desterrados - Os pioneiros - Os imigrantes. XIX - A salvação - Para Honolulu e San Francisco. XX - Paragem em San Francisco - A arrancada para San José. XXI - Passam os anos - Entretanto, agitam as saudades... XXII - ... E atormentam os arrependimentos - 30 anos volvidos.
Manuel da Silva Greaves (Horta, 1878?-1956). "Escritor e jornalista. Iniciou-se no jornalismo, ainda estudante do Liceu da Horta, colaborando em A Primavera, A Estudantina e Sal e Pimenta. Posteriormente, foi redactor de O Ocidente dos Açores, O Atlântico e Jornal Açoreano. Também colaborou com outros jornais do arquipélago, do continente, dos Estados Unidos da América e do Brasil. Os seus artigos de política partidária caracterizam-se pela sátira e pela ironia com que visava os adversários. Escritor regionalista, deixou vários livros de temática açoriana, onde o mar e os baleeiros são destacados, o último dos quais editado postumamente. Sobre a sua prosa Casimiro (1957) escreveu: «Publicados em períodos diferentes, marcam duas épocas da sua vida: mocidade e maturidade. Em todos está bem marcada a personalidade do escritor pela forma como foram concebidos, neles está vincada a maneira de ser do prosador pelo estilo pessoal e característico [...]». Histórias que me contaram e Aventuras de Baleeiros são os melhor conseguidos e aqueles em que contribui mais significativamente para a etnografia açoriana. [...] Era Verificador das Alfândegas."
(Fonte: http://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=5765)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

03 agosto, 2025

LUZ, Ruy Acácio da Silva -
A FAINA DA PESCA E O SEU VALOR ETNOGRÁFICO NO LITORAL OESTE : Costa das Três Praias (Pedrogão, Vieira e S. Pedro de Moel).
Esta Comunicação foi apresenta ao X Congresso Beirão na IV Secção (Evolução Histórica, Etnográfica, Fauna e Flora), etc. Coimbra, Comissão Regional de Turismo de Leiria, Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós e Vila Nova de Ourém - Rota do Sol, 1965. In-4.º (24x17 cm) de 32 p. ; [6] p. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho com valia regional, histórica e etnográfica sobre o Litoral Oeste, publicado em separata do Arquivo Coimbrão, vols XXI-XXII.
Ilustrado no final, em separado, com 12 fotografias/desenho a p.b. distribuídas por seis páginas.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Quando vindo das estradas, quer do Norte, quer do Sul, e atravessando o famoso Pinhal do Rei, alusão a El-Rei D. Dinis, seu genial plantador, deparamos sùbitamente, por entre o rendilhado de ramagens contorcidas, selvagens e verdes, com o mar Atlântico, bramindo em melopeia de búzio, ora para Norte contra rochedos e arribas, ora para sul em areias vastas que se alcantilam em impressionantes dunas.
Olha-se para aquela maravilha, como se houvéssemos recorrido «in mente» à visão suprema duma gigantesca rosa azul, e pétalas a desfolharem-se, em cambiantes brancas e de acidulado enxofre.
É uma ideal costa de três praias salientes: Pedrogão, Vieira e S. Pedro de Moel. Por assim dizer, elas são a porta batimétrica, formada por largo fundo de areia, por onde se escoa o sistema hidrográfico da bacia do Lis."
(Excerto de 1.º Ambiência natural, meio geográfico)
Índice:
1.º Ambiência natural, meio geográfico e bosquejo histórico do Litoral-Oeste: - Terras; - Mar e pesca; - Rio; - Flora e Fauna. 2.º Vida e tipismo das suas gentes: - Demografia; - Sociologia; - Trabalho; - Habitação; - Santo Padroeiro; - Costumes; - Trajos. 3.º Ocupação específica da pesca: - Barcos; - Pesca. modos e artes; - Companha; - Pescado. 4.º Pituresco da região, e a sua projecção etnográfica: - Clima; - Contraste e dualidades; - Faceta e carácter litorâneo, no todo nacional, como projecção etnográfica.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com acidez nas capas.
Muito invulgar.
20€

12 julho, 2025

CID, Dr. Eng.º Arthur Varela -
O HIDROPLANADOR "PORTUGAL".
[Pelo]... Professor de Aeronautica do Instituto Superior Técnico.
Tese apresentada ao 2.º Congresso Nacional de Engenharia. [S.l.], [s.n. - Tipografia Invicta, Porto], 1948. In-8.º (21,5 cm) de 8 p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Opúsculo ilustrado em página inteira com fotos do planador.
"Tenho a honra de relembrar ao Digníssimo Congresso alguma coisa àcêrca do hidroplanador Portugal, cujas experiências oficiais se realizaram no Centro de Aviação Naval de Lisboa, em 4 de Janeiro de 1934. Foi então pilotado pelo capitão de mar e guerra Paulo Viana.
O seu projecto, que data de1929, foi delineado nas pranchetas do Instituto Superior Técnico.
Por proposta portuguesa a Federação Aeronautica Internacional, com sede em Paris, creou então no Código Aéreo Internacional, após deliberações em assembleias magnas, uma nova categoria de aeronave que ficou oficialmente designada por «hidroplaneur», segundo votação por unanimidade das 35 nações suas filiadas.
No seu boletim designado por «Istus», o Presidente do Vôo sem Motor, exarou em 1935 a páginas 42, a seguinte opinião:
«Em Portugal nasceu o movimento do vôo sem motor marítimo».
«As experiências oficiais em Lisboa assim o demosntráram»."
(Excerto da Tese)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Peça de colecção.
25€

02 julho, 2025

ASSUMPÇÃO, Lino d' - 
MIL E SEISCENTAS LEGUAS PELO ATLANTICO
. Lisboa, Lucas & Filho, 1888. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 228 p. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo conjunto de narrativas de viagens.
Obra rara e muito curiosa. Conheceu apenas esta edição, não mais sendo reeditada.
"Nada de maravilhoso nem de inverosimil, de excentrico ou fantasia, n'estas simples narrativas de um homem que se tem deslocado um pouco no seu paiz e que - por varias vezes - tem viajado entre a Europa e o Brazil.
Isto, porém, não quer dizer que esse homem não tenha para contar coisas extraordinarias de casos não previstos, de que tem sido espectador, e de situações difficeis em que se tem encontrado. [...]
Na carreira da America do Sul, entre a Europa e as terras do Novo Mundo, se ainda não sulcam as aguas esses gigantes, rapidos e commodos, que fazem a travessia entre o norte europeu e os Estados Unidos, cruzam-se, porém, em pleno mar, ou encontram-se nos portos, sob varias fórmas e differentes pavilhões, frequentes paquetes de duas e tres mil toneladas, caminhando com uma rapidez que oscilla entre 10 e 15 milhas por hora, ou tanto como trez a cinco leguas das nossas, accommodando á larga no seu bojo de ferro um bairro popular, servidos por tripulações superiores, em numero, ao effectivo dos nossos regimentos, uma - novissima reforma.
Façamos conhecimento com os chamados «reis do mar».
Os paquetes inglezes, por melhor que sejam, são intoleraveis. Servem apenas para nos despejarem nos caes da Europa ou nas praias transantlanticas, depois de desoito ou vinte dias de balanço e clausura, destinados ao jejum, ao enjôo e á mortificação.
Quem se embarcar n'elles póde prescindir - na conta corrente da sua salvação eterna - da verba: indulgencias plenarias.
Ninguem, que não seja inglez, boliviano, chileno ou do Perú, espere uma amabilidade dos officiaes de bordo. Estes varios indigenas nomeados são tratados como passageiros; o resto é carga.
A maioria dos officiaes são falhos de maneiras, e desde o commandante ao ultimo dos pilotos - futuro commandante e passado grumete; - grattez l'officier: vous troverez le mousse.
A marinhagem, contractada a esmo em todos os portos e de todas as nações, é uma aglomeração indolente e indisciplinada.
Uma vez, a bordo co Cotopaxi, com o cair da tarde começou a soprar uma brisa fresca de leste. Ás oito da noite, com a entrada do quarto, começou a faina para largar a vela grande, outra mais acima, e uma latina da prôa. A tripulação corria por todos os lados; crusavam-se rapidas e tremulas as luzes das lanternas, por entre a gritaria da marinhagem, sibilava o apito do contra-mestre e, quando o serviço ficou prompto, ali por perto das dez horas, já tinha abrandado a briza!
Ao toque simulado de fogo a bordo, todos correm rapidamente, porque estão prevenidos desde pela manhã.
Estes exercicios inesperados fizeram-me sempre lembrar d'uns oradores repentistas - genero Arroyo - que preparam os improvisos com quinze dias de antecedencia."
(Excerto da introdução, Os Paquetes)
Tomás Lino de Assunção (1844-1902). "Nasceu em Lisboa a 7 de maio de 1844 e faleceu na mesma cidade a 1 de novembro de 1902. Foi engenheiro civil e funcionário do Ministério das Obras Públicas. A par da sua vida profissional, dedicou-se à literatura, particularmente ao Teatro e à investigação em História Religiosa. Viveu parte da vida no Rio de Janeiro, tendo ali fundado algumas editoras e colaborado na organização do Liceu Literário Português. Viveu também em Paris. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 6 de abril de 1893."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20823)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, oxidadas, com defeitos; apresenta falha de papel no canto superior direito e no pé. Lombada cosida.
Raro.
30€

16 junho, 2025

VINTE CINCO ANOS AO SERVIÇO DA NAÇÃO.
Fundação, vida e tarefa da Companhia Colonial de Navegação. [Prefácio de Bernardino Corrêa]. Lisboa, Editora Maritimo-Colonial, Lda, 1947. In-8.º (19x13 cm) de 68, [4] p. ; [30] p. il. ; [1] mapa-mundi desdob. ; [3] mapas-tabelas desdob. , il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Marinha Mercante, de Passageiros e Carga, em Portugal, através da publicação desta monografia sobre a Companhia Colonial de Navegação, uma das companhias do ramo mais emblemáticas e importantes da época. Trata-se do livro que serviu para assinalar as bodas de prata da empresa, coincidindo com o bota-abaixo do navio mais novo da frota - o paquete «Pátria» - que faz capa do livro.
Obra ilustrada com quadros e tabelas no texto, e em separado:
- 30 fotografias impressas sobre papel couché com os navios da empresa e algumas das mais altas figuras do estado;
- 1 mapa-mundi desdobrável com as rotas exploradas (e em vias de exploração) pela CCN intitulado A missão da Companhia Nacional de Navegação no mundo;
- 3 mapas-tabelas desdobráveis da frota da CCN com os nomes e características dos navios;
- Uma estampa a cores, também desdobrável, reproduzindo aguarela do novel paquete «Pátria» - símbolo de uma nova frota que surge.
"Destina-se a publicação deste volume, que outro objectivo não tem que não seja o de assinalar o esforço de um árduo caminho percorrido, a comemorar o primeiro quarto de século da Companhia Colonial de Navegação.
Há nele, portanto, como não podia deixar de ser, uma evocação dos factos que marcam, no vasto domínio das comunicações marítimas nacionais, a evolução de uma das principais empresas de navegação do nosso País, das determinantes da sua criação, que a fizeram vencer e que a elevaram à posição que hoje ocupa no quadro da Marinha Mercante e na vida económica do País."
(Excerto do prefácio - Duas palavras)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

07 maio, 2025

SÁ, João Jorge Moreira de -
ACLARANDO A VERDADE (1910-1940).
Narrativa sucinta de quanto se passou a bordo do "Amélia" na ida para Gibraltar, no dia 5 de Outubro de 1910. [Por]... Vice-Almirante reformado. Lisboa, [s.n.], 1940. In-8.º (22,5x15,5 cm) de 77, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Depoimento de João Moreira de Sá, na época imediato do Yacht Real Amélia, que transportou D. Manuel II rumo ao exílio após a eclosão do movimento republicano de 5 de Outubro de 1910.
"Aclarando a Verdade constitui a principal fonte, cremos que a única conhecida, do que ocorreu no iate Amélia no dia 5 de Outubro de 1910, quando da grave opção posta à Família Real sobre o destino da viagem; seguir ou não para o exílio. Mesmo tratando-se de um depoimento pessoal, são textos desta amplitude que permitem aos historiadores compreender o horizonte de esperanças e inquietações com que o rei D. Manuel II se defrontou na hora em que viu o Trono derrubado. A narrativa do vice-almirante Moreira de Sá completa a que José Jacob Bensabat deixou no opúsculo A Verdade dos Factos [1929]."
(Excerto prefácio da edição mais recente do Prof. J. Veríssimo Serrão)
"Alguns amigos, conhecedores dos factos ocorridos a bordo do Yacht «Amélia», a 5 de Outubro de 1910, aconselharam-me e instaram comigo para que, no intuito de aclarar a verdade, relatasse na mais singela e absoluta pureza, quanto ali se passou.
É isso o que vou fazer.
Após vinte e quatro anos de pelourinho, fustigado mesmo por aquêles que sabiam como os acontecimentos se tinham dado e que, por escrúpulo de consciência, deviam sêr os primeiros a autenticá-los, aceitei os conselhos dêsses amigos e, com pesar, resolvi escrever esta resumida narrativa."
(Preâmbulo - Palavras curtas)
"Nos últimos dias do regime monárquico a propaganda republicana fazia-se com desplante e com audácia por todo o país, sem que a necessária repressão a entravasse.
Dir-se-ía que os poderes constituídos, se não a auxiliavam, também nenhuma espécie de importância lhe concediam.
Na imprensa, nos comícios, nos centros de conversação, nos clubes, nos cafés, semelhante propaganda fazia-se às claras, com pertinácia e audácia inacreditáveis, e com tanto maior incremento quanto era certo as autoridades consentirem-na em nome de uma liberdade que tocava as raias da licença e que, estabelecido o novo regime, nunca mais houve.
Sentia-se, palpava-se, pairava em densa atmosfera por tôda a parte e muito especialmente, nos quartéis, entre as guarnições dos navios, actuando no espírito da soldadesca, da marinhagem.
Fora dêste meio, onde quer que se formasse um grupo, aí estava ou surgia inesperadamente um missionário da república.
No Paço, os altos dirigentes afirmavam, todavia, que todo êsse torvelinho, propulsor a agitação do país, era absolutamente inofensivo, não passava de ridícula atoarda.
A família real acreditava nestas calmantes informações, talvez sinceras, mas que, impõe-se dizê-lo, eram demasiado ingénuas e condenadamente irreflectidas."
(Excerto da Narrativa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente manchadas.
Muito invulgar.
30€

02 maio, 2025

FORJAZ, Augusto – PORTUGAL E BRAZIL. Apontamentos para a historia do nosso conflicto com a republica dos Estados Unidos do Brazil. Por Lisboa, Typographia Castro Irmão, 1894. In-8.º (21,5 cm) de 105, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Relato documentado do conflito diplomático que opôs o Brasil a Portugal em 1894, consequência do pedido de asilo dos oficiais brasileiros revoltosos e seus homens após a Revolta da Armada, aceite pelo Comandante das forças portuguesas fundeadas na baía de Guanabara, Augusto de Castilho, que muito contrariou o governo brasileiro que havia pedido a sua entrega.
"A fuga dos refugiados brazileiros de bordo das corvetas portuguezas Mindello e Affonso d’Albuquerque e do vapor Pedro III foi, como se sabe, a causa das reclamações do governo argentino (felizmente já resolvidas sem desdouro para Portugal) e, também, uma das causas, talvez a principal, do nosso conflicto com a republica dos Estados Unidos de Brazil, para cuja solução o governo inglez aceitou ser o intermediário. Como consequência d’esses lamentáveis factos, o governo portuguez mandou levantar auto a fim de se conhecer da responsabilidade que possa caber aos comandantes d’aquellas corvetas, os srs, capitães de fragata Augusto de Castilho e Francisco de Paula Teves, e, principalmente, ao primeiro commandante das nossas forças navaes surtas na bahia do Rio de Janeiro, quer com relação á fuga dos refugiados de bordo do vapor Pedro III, quer com respeito ao asylo concedido ao almirante Sandanha da Gama e aos seus officiaes, ordenando mais que o sr. capitão de mar e guerra Lopes de Andrade fosse a Buenos Ayres fazer um rigoroso inquérito sobre todos esses acontecimentos.
[…] muitos dos factos ocorridos não são do dominio publico, uns, porque só d’elles se poderá saber no final do processo, outros porque ainda se não disse como os factos se tinham passado desde que as nossas corvetas sairam da bahia do Rio de Janeiro, e, ainda, porque entre uns e outros há muitas circumstancias que convém tornar conhecidas da opinião publica, para que, antecipadamente, se não façam apreciações menos justas.*
*O facto de haver em Portugal um jornal subsidiado, ou sustentado, por capitaes obtidos no território brasileiro, e de ter elle censurado asperamente o governo d’aquella republica e os actos praticados pelo seu chefe de estado, obrigou-nos também a formular este protesto que, certamente, terá o apoio da opinião sensata. Contudo, e apesar d’isso, este livro não representa antecipadamente manifestação alguma favoravel ao governo brazileiro, ou, principalmente, ao presidente d’aquella joven republica, porque, quando um dia, que necessariamente chegara, se conhecerem os actos por elle praticados durante a sua nefasta gerência, as barbaridades commettidas nos naturaes do paiz e nos extrangeiros ali estabelecidos, as vinganças mesquinhas e perseguições odiosas de que tem lançado mão, atulhando os carceres com innocentes e ordenando que, muitos, fossem passados pelas armas, esse homem há de merecer o epitheto de despota e de usurpador e, também, se não o odio, pelo menos o desprezo das populações civilizadas. Felizmente, porem, esse homem não é o Brazil, republicano ou monarchico, e, por isso, lastimaremos sempre a pouca, ou nenhuma energia,  de que démos provas evidentes, auctorizando, com essa manifestação de fraqueza, o seu insulto, e, terminado, pela falta de critério e seriedade da parte dos nossos representantes, por lhes dar azo a manifestar-nos o seu odio e, o que é mais, a desejar impor-nos a sua vontade! Podemos nós dizer isto, mas nunca os que, por simples intriga ou interesse mercenário, teem lançado mão de expedientes menos dignos, concorrendo, com a sua maneira de pensar e de proceder, para alimentar a corrente de opinião que, contra Portugal, se teem infelizmente manifestado nos Estados Unidos do Brazil e na republica Argentina."
(Excerto do Prologo)
Augusto de Castilho (Lx, 1841-Lx, 1912). "Contra-Almirante da marinha portuguesa. Comandava em 1893, surta no porto do Rio de Janeiro durante a revolta da armada, e recebeu a bordo o Almirante Saldanha da Gama e as guarnições dos navios insurrectos, transportando-os a Montevideo e salvando-os assim de morte certa. Por este facto, respondeu em Lisboa a um concelho de guerra, que o absolveu por unanimidade. Foi ministro da Marinha duas vezes.”
“Em 9 de fevereiro de 1894, a crise política transformou-se em conflito armado. Tropas rebeldes da Marinha desembarcaram em Niterói e tentaram cercar o Rio, mas foram derrotadas pelas forças legalistas. Saldanha da Gama e mais 525 revoltosos buscaram asilo em navios portugueses atracados na baía de Guanabara, o que provocou o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal, reatadas apenas em 1895, já no governo de Prudente de Morais."
(Fonte: www.franklinmartins.com.br)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capa frontal. F. rosto apresenta mancha de humidade no canto superior direito.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

01 abril, 2025

VILLIERS, Alan -
A CAMPANHA DO ARGUS : uma viagem na pesca do bacalhau.
Introdução de Álvaro Garrido, Historiador e Director do Museu Marítimo de Ílhavo. [2.ª Edição corrigida]. Lisboa, Cavalo de Ferro, 2006. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 383, [1] p. ; il. ; B.
Clássico da literatura portuguesa sobre a pesca longínqua - a faina do bacalhau.
Livro ilustrado com um desenho do navio (em duas páginas), mapas e inúmeras fotografias do autor.
"Numa escrita límpida e envolvente, este oficial da Armada australiana, pre­sença assídua nas páginas do National Geographic Magazine do segundo pós-guerra como repórter das «coisas de mar», escreveu uma narrativa de viagem de um dos mais belos veleiros da frota bacalhoeira portuguesa, o Argus. A projecção internacional do livro foi tal que teve tradução em mais de uma dezena de línguas."
(Fonte: Liv. Bertrand)
"Nos meses sombrios do Outono de 1951, as montras dos principais livreiros de Londres e Nova Iorque exibiam um novo livro do mais afamado «escritor marítimo» da época. The Quest of the Schooner Argus, de Alan Villiers. Através do título, só os leitores afeiçoados às relíquias da vela podiam supor que a narrativa fosse dedicada a um navio bacalhoeiro português. Já o subtítulo tornava mais precisos o tema e o género: A Voyage to The Banks and Greenland remetia para uma crónica de viagem, um género clássico da literatura de marítima universal.
O Argus era um lugre belo e imponente, de quatro mastros, à semelhança dos veleiros que o autor australiano mais apreciava. Navio de casco de aço, provido de motor auxiliar, podia carregar oitocentas toneladas de bacalhau. [...]
Ano após ano, o Argus fez-se ao Atlântico para «trazer à pátria o pão dos mares». Cumpriria a sua derradeira campanha de pesca nos bancos da Terra Nova e da Gronelândia em 1970. Devido à crónica de Alan Villiers, o Argus tornou-se o mais conhecido navio bacalhoeiro português no estrangeiro Com carinho e retórica, o escritor chamava-lhe o «Queen Elizabeth» da frota bacalhoeira portuguesa. [...]
Ilustrado com belas fotografias do próprio autor, o novo livro do comandante Villiers não enjeitava um sentido de documentário, de «descoberta» e divulgação da última actividade económica que fazia uso da navegação à vela em viagens transoceânicas: a pesca do bacalhau por homens e navios portugueses."
(Excerto da Introdução)
Alan John Villiers (1903-1982). "Nasceu em Melbourne, na Austrália, em 1903. Oficial de Marinha e repórter de temas marítimos, granjeou fama no National Geographic Magazine e em diversos jornais australianos e britânicos. Fascinado pela vela transatlântica, realizou filmes documentais e escreveu mais de uma dezena de crónicas de viagens marítimas. Editados na Grã-Bretanha e nos EUA, os seus livros conheceram traduções em diversas línguas. Em 1951 deu a conhecer ao mundo a pesca do bacalhau por homens e navios portugueses. The Quest of the Schooner Argus, cuja tradução portuguesa saiu no mesmo ano, foi das suas principais obras, certamente a mais divulgada no estrangeiro, mercê dos esforços do aparelho de propaganda salazarista. Resultado de uma encomenda das autoridades portuguesas, o livro narra uma campanha de pesca do lugre Argus nos tempos áureos da pesca à linha com dóris de um só homem."
(Fonte: Liv. Bertrand)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

31 março, 2025

SIGLAS POVEIRAS. Catálogo da Exposição Documental e Bibliográfica
. Póvoa de Varzim, Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim, 1979. In-4.º (23x16 cm) de 88, [12] p. ; ul. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da exposição temporária sobre "siglas poveiras", organizado por ocasião da transferência do acervo do Museu para a Associação Comercial, com o intuito de ser levado a cabo obras de restauro e conservação no espaço original, sendo aproveitada a circunstância para divulgar o rico espólio povoense.
Ilustrado com fotografias a p.b. alusivas à exposição, ocupando 7 páginas inteiras.
"Entre os assuntos propostos e discutidos para se iniciar este projecto de exposições, mereceu prioridade o das marcas ou siglas poveiras. Contemplava-se desta forma uma das manifestações mais curiosas da comunidade marítima do burgo e simultaneamente haveria ocasião para se prestar homenagem a António dos Santos Graça, seu primeiro autorizado estudioso, e à própria classe piscatória que durante séculos fez destes sinais seus «brasões de família».
Signo convencional gravado num objecto e destinado a transmitir uma indicação de posse, sem deixar por vezes de estar conotado com a simbologia mítica, a marca ou sigla, é para o pescador poveiro uma espécie de emblemática genealógica com regras precisas na observância do seu uso e transmissão. Na verdade, da casa ao túmulo; dos objectos domésticos às alfaias marítimas; nos arcazes das igrejas locais onde a prática religiosa o levava e nas portas dos templos das terras onde arribava ou ia em devota romagem venerar a imagem de sua devoção; nas embarcações, em que ganhava e arriscava a vida, e até na lousa que no cemitério assinalava a campa quando seus restos  mortais adregavam aí ser recolhidos - esse sinal de figuração geométrica, inspirado no meio circundante, foi utilizado pelos varões da grei como indicativo de propriedade ou presença."
(Excerto do preâmbulo de João Marques)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena mancha.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
35€

20 janeiro, 2025

MARTINS, José F. Ferreira -
ANGRID (romance oriental).
Por... Colecção Civilização N.º 85. Pôrto, Livraria Civilização, 1938. In-8.º (14x9,5 cm) de 204, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre, na sua maioria, no Oriente antigo português.
"Êste romance tem algum fundamento histórico, como todos os outros trabalhos de igual natureza por mim escritos.
Um pequeno episódio concernente à sociedade portuguesa no Oriente foi a chave que me serviu para bordar o enrêdo, que romantizei, ampliando-o com aspectos curiosos da vida movimentada dos tempos que dominávamos no Oriente.
Angrid, de-facto existiu e foi um célebre corsário, temido no Oceano índico, e cuja amizade os vice-reis, por mas de uma vez, procuraram e obtiveram em certas condições.
Muitos portugueses, franceses e ingleses serviram nas suas Armadas, e todos eram unânimes em exaltar as suas qualidades: valente na guerra e generoso na paz.
Angrid, lugar-tenente do célebre Corsário, é personagem principal do romance. Singularmente expressiva em tôdas as manifestações, formosa e ousada, objectiva e genuína mulher portuguesa do Século XVIII."
(Excerto do preâmbulo - Angrid)
"Acabavam de soar as últimas badaladas na tôrre da vélha igreja, tocando as Avé-Marias. Alguns peões retardatários, acabada a faina do dia, caminhavam apressados para chegarem a tempo a casa, pela vélha estrada cheia de buracos e entulhos, que do Lumiar ia a Odivelas.
Era noite escura e o céu triste de trovoadas.
Dois homens, no entanto, parecendo não ter pressa, de quando em quando suspendiam a marcha, discutindo com calor e lamentando que os seus magros salários mal chegassem para o pão. Estavam nesta altura em frente duma casa senhorial, cercada de muro que lhes dava pelos ombros. Um dêles num repente mal disfarçado, olhando para as janelas donde coava luz em jorros, comentou com um riso escarninho.
- A êste, aqui - apontando para o palácio - nada falta para ser feliz!...
Triste ilusão...
Lá dentro, na sumptuosidade dos vastos salões, de ricos doirados, tapeçarias e exquisitos candelabros, havia mais do que tristeza, havia dor, haviam lágrimas... Pairava uma pesada nuvem de tormentos mil. Um desastre lançava negra sombra n alma torturada de seus ricos moradores, os quais, talvez, preferissem, naquela hora, a mediania e até a pobreza de muitos dos seus vizinhos."
(Excerto do Cap. I - Hora fatal)
José Frederico Ferreira Martins (Nova Goa, 1874 - Lisboa, 1960). "Historiógrafo, romancista e tradutor. Depois de ter frequentado algumas escolas e universidades inglesas sem nelas ter completado qualquer curso, dedicou-se ao ensino, tendo sido professor liceal em Lisboa e em Goa. Foi vogal do Conselho de Instrução Pública da Índia e administrador da Imprensa Nacional de Luanda, cargo em que se aposentou nos anos trinta, vindo viver para Portugal onde passou a dedicar-se exclusivamente à escrita. Durante a sua estada na Índia havia desenvolvido uma importante atividade de investigação, cujos resultados estão presentes nos numerosos ensaios que publicou sobre a presença portuguesa no Oriente e vieram também a refletir-se numa parte da obra de ficção. Colaborou em O Oriente Português, de Goa, em O Instituto, de Coimbra, e em O Mundo Português, no Boletim da Sociedade de Geografia, de Lisboa."
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado. Folha 139/140 alvo de restauro.
Muito invulgar.
15€