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17 junho, 2025

COMPROMISSO DA IRMANDADE DA MISERICORDIA DE COVILHÃ.
Approvado em Assembleia Geral da mesma Irmandade em sessão de 8 de maio de 1898. Covilhã, Typ. d'«O Rebate», 1899. In-8.º (21,5x15 cm) de 28, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Compromisso da Irmandade da Misericórdia da Covilhã, instituição cuja origem remonta ao último quartel do século XVI.
Na última folha do opúsculo está impressa a declaração de admissão de Irmão do Dr. Alberto de Campos Mello, com o título "A Mesa Administrativa da Santa e Real Casa da Misericordia d'esta cidade. Faz saber...", com data de 10.11.1904, assinada pelo secretário da instituição José Nunes de Mattos, e pelo provedor Joaquim Urbano de Figueiredo.
"A Irmandade da Misericordia de Covilhã instituida sob a evocação de Nossa Senhora da Misericordia, continua mantendo a mesma denominação e com a reforma do seu compromisso do anno de 1680, em nada altera o fim que lhe foi por elle desigando nem prescinde das regalias e privilegios de que gosam as corporações de mesma denominação.
Esta Irmandade tem por fim o culto divino e principalmente a pratica da caridade em actos de beneficiencia e obras de misericordia, possuindo por tal motivo uma Egreja, um Hospital e uma Pharmacia."
(Artigo 1.º e 2.º)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
15€

10 junho, 2025

DIAS, Miguel Antonio -
SALOMÃO OU UM DIA EM JERUSALEM. Drama allegorico em 5 actos. Pelo auctor da Bib.∙. Maç.∙. e Arch.∙. Mystica, Etc. Lisboa, [sn.], 1851. In-8.º (21x13,5 cm) de 64 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro, com interesse histórico e maçónico, alvo de polémica aquando da sua publicação.
"A maior parte dos episodios para este drama foram tirados de Terrasson e Sethos; e transferidos do Egypto (2,000 annos antes de Christo) para Jerusalem (1,000 annos depois), por quatro rasões:
1.º Porque alguns patriarchas hebreos até Moysés foram iniciados nos mysterios de Isis e Osiris em Memphis, e Salomão o foi tambem nos de Céris em Eleuses.
2.º Porque, tanto Moysés, como Salomão, transportaram comsigo para a sua patria os costumes, as artes, as sciencias, e os mysterios do Egypto.
3.º (Esta é allegorica, para a qual tinhamos direito e plausibilidade).
4.º Porque quizemos pôr em scena um facto biblico é historico, que foi posto em duvida por um membro do nosso Conservatoria Dramatico.
Este Sr., tendo declarado em sessão geral, não entender as allegorias do nosso drama, ousou criminar-lhe o 8.º acto, por ser (disse elle) «uma copia fel do que a imprensa periodica m'estes ultimos tempos tem produzido, relativamente á divisão dos poderes do Estado, e da responsabilidade dos ministros.»
Este nosso drama tinha entrado no Conservatorio sem padrinho, e previamos que suas allegorias haviam de chocar algum dos seus membros ; mas achámos a confissão do censor tão ingenua, e o seu reparo critico tão chistoso, que loucura fôra não retirar o drama, e não o publicar.
Foi peor a emenda que o soneto.
E, para sua mais facil intelligencia, acrescentaremos que:
Os mysterios de Isis e Osiris, celebrados em Memphis, primeira capital do Egypto, consistiam em uma reunião de sabios, que tinha por fim secreto a civilisação dos povos primitivos, e por fim ostensivo o culto do sol e da lua.
«Porem esta seita e culto (diz o doutor Vassal), oriundos dos Brachmnes da India, e dos Magos da Persia, passaram do Egypto á Grecia, a Roma, aos Gallos, e a muitas «seitas secretas, e hoje existentes na Europa, como os Templarios, os Maçons, os Carbonarios, etc., etc.,»
Mas para ainda melhor fazer sentir as correlações, que estas seitas teem com os mysterios de Ísis e Osiris, e para chegar por mais curto caminho ao nosso proposito, que é todo allegorico, foi mister pôr-lhe muitos episodios de nossa layra, e substituir-lhe nomes historicos, coevos de Salomão, e conhecidos pela tradição oral e escripta entre os iniciados modernos.
Por tal forma, em vez d'um, teremos dois dramas: um escripto para todos, e outro allegorico para alguns, sendo este ultimo o que mais apreciâmos.
E finalmente por este drama se conhecerá que os antigos iniciados trabalhavam não só em favor dos verdadeiros interesses do Estado, mas principalmente em favor dos reis e dos altares; o que ainda hoje muita gente não entende, ou finge não entender."
(Prologo)
António Joaquim de Santa Bárbara (1813-1865). [Miguel António Dias]. "Nascido portuguez em 1805, academico da Universidade de Coimbra em 1821, perseguido por amôr as liberdades patrias em 1823, doutor em Medicina pela Universidade de Louvain em 1833, autor da Bibl. Maç. em 1834. Socio correspondente das Sociedades Litterarias, Portuense em 1835. Civilisadora de Castello Branco em 1837: Delegado do Conselho de Saude Publica do Reino em 1838: Membro da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa em 1839: Author da Historia Franc. Maç.∙., da Arch.∙. Myst.∙. e Socio da Academia Lisbonense das Sciencias e das Lettras em 1843"
(Fonte: Retrato do biografado em: https://purl.pt/13009)
Outro apontamento biográfico do autor saiu no Almanaque Republicano de 4 de Junho de 2020, da autoria de José Manuel Martins [J.M.M.] que, com  a devida vénia, reproduzimos:
Miguel António Dias (1805-1878); nascido na Covilhã, teve de exilar-se em 1828 quando cursava em Coimbra, continuando os seus estudos médicos em Paris e Lovaina; liberal, patuleia e importante maçon - Irmão Gama e Grão Mestre da Maçonaria Eclética (1853-1860) - foi secretário-geral do governo civil de Santarém e deixou impresso obra importante e de leitura obrigatória], em que se defende em nome dos emigrados portugueses e da nação portuguesa, a “necessária e indispensável intervençam dos Governos nos negocios de Portugal”, protegendo a legitimidade das pretensões D. Pedro IV e os direitos de D. Maria.
(Fonte: https://arepublicano.blogspot.com/2020/06/vozes-dos-emigrados-portuguezes-miguel.html)
Exemplar brochado, protegido por simples capas, lisas, em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

30 março, 2025

PEREIRA, Esteves - SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA INDÚSTRIA PORTUGUESA.
Com um Ensaio Económico-Social sobre as Corporações e Mesteres por Carlos da Fonseca. Lisboa, Guimarães & C.ª Editores, 1979. In-8.º (21,5x15 cm) de 190, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra interessante composta por três estudos, antes publicados sob a forma de artigo n'O Occidente, entre 1897 e 1900, versando diversos aspectos da economia e indústria nacional, e um pequeno estudo de Carlos Fonseca relacionado com os demais.
Ilustrada com tabelas e quadros estatísticos no texto.
"A presente edição compõe-se de três ensaios publicados na revista O Ocidente. Por ordem cronológica apareceram: A Covilhã e a Indústria dos Lanifícios (n.º 659 de 20 de Abril ao n.º 669, de 30 de Julho de 1897; Progressos da Indústria Portuguesa desde os primeiros tempos da Monarquia até às invasões francesas (do n.º 761 de 20 de Fevereiro ao n.º 769, de 10 de Maio de 1900); Sobre as corporações operárias em Portugal (n.º 772 de 10 de Junho ao n.º 775, de 10 de Julho de 1900). [...]
É necessário ter presente os três quartos de século que nos distanciam destes artigos. Não porque os dados informativos tenham envelhecido, ou porque o valor intrínseco tenha diminuído, mas porque evoluiu a óptica de abordar o problema.
Com o pequeno Ensaio Económico Social sobre as Corporações e Mesteres não aspiramos a explicações definitivas. O nosso objectivo é mais modesto. Sondarmos o papel dos ofícios mecânicos na sociedade portuguesa, a sua influência sobre a evolução da indústria e sobre o comportamento dos trabalhadores."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Tradição e modernidade na Indústria Portuguesa | 1.ª Parte - Sobre as corporações operárias em Portugal. 2.ª Parte - Progressos da Indústria Portuguesa desde os primeiros tempos da monarquia até às invasões francesas. 3.ª Parte - A Covilhã e a indústria dos lanifícios.
João Manuel Esteves Pereira (1872-1944). "Erudito particularmente interessado na história da indústria, J. M. Esteves Pereira frequentou a Academia de Belas-Artes de Lisboa e o Instituto Industrial e Comercial. Concluiu em 1896 o Curso Superior de Letras. Em 1897 publicou na Companhia Nacional Editora, inserida na colecção «Biblioteca do povo e das escolas», a curiosa monografia O feminismo na indústria portuguesa, o que denota desde logo o seu interesse pela história industrial e do movimento feminista. Em 1900 voltou ao tema, publicando na editora Occidente A industria portugueza: século XII a XIX: com uma introdução sobre corporações operárias em Portugal: elementos de logographia industria."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

29 agosto, 2023

MILHANO, Vicente -
HISTÓRIA INCOMPLETA DE UM HOMEM (novela)
. Covilhã, Edição da Casa Milhano, 1951. In-8.º (18,5x12,5 cm) de 42, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Novela "provinciana", representativa da "luta da liberdade do homem contra a fatalidade do destino". Carlos "desiste" da família por não ter como cuidar dela. Ingressa na Legião Estrangeira onde se distingue em combate. Ao fim de alguns anos, após várias comissões, regressa a casa...
"«A nossa filha está tão doente... e tu nem te importas com ela... mas que tens homem?...»
Carlos estava constantemente a mastigar as palavras que a mulher lhe atirara. Pensava, voltava a pensar e não se lhe tirava aquela cisma da cabeça.
Era domingo, dia em que costumava passear com a família querida - a mulher e a filhinha.
Este dia, porém, era o mais aborrecido da sua vida. O espírito estava em desassossego há quinze dias, não sabendo o que era descanso desde a hora em que recebeu a notícia de que tinha de abandonar a moradia.
- Verifico agora que o homem é o pior animal do mundo... não há direito de até na família me atingirem. Isto é uma vingança monstruosa, cobardemente preparada."
(Excerto do Cap. I)
José Vicente Milhano (Covilhã, 1913-1995). Natural da Covilhã. Escritor e publicista de mérito, desde sempre ligado à sua região. Inconformado, consciente dos problemas sociais do país, sobretudo no mundo rural. Participou na Operação Dulcineia (1961) - acção que resultou no assalto ao paquete Santa Maria, coordenada por Henrique Galvão e Humberto Delgado.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

04 dezembro, 2022

VIEIRA, Júlio Martins - CAMINHOS DA SERRA
. [S.l.], [s.n. - Espaço Gráfico, Lda.], [1997]. In-8.º (20,5 cm) de 118, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Histórias e narrativas das jornadas empreendidas pelo autor, campista associativo militante, à "sua" Serra da Estrela.
Livro muito ilustrado com desenhos e fotogravuras a p.b. ao longo do texto, bem como uma carta militar da Serra em duas páginas. Inclui diversas canções e respectivas partituras.
Tiragem restrita a apenas 600 exemplares.
"Aproximando-se o vigésimo quinto aniversário do Clube de Campismo e Caravanismo da Covilhã, nascido em 27-05-1972, quero deixar este livro como um contributo para o historial deste Clube. [...]
Ireis encontrar algumas páginas com pequenos roteiros pedestres, mais localizados no maciço central da Serra da Estrela. Alguns, ao subirem até ao seu cume, ficavam por ali parados sem saberem o que fazer, no tocante ao embrenhamento no seu interior.
O porquê desses pequenos percursos, deve-se ao facto de não existir nenhuma sinalização dos mesmos, nem tão pouco "bredas" turísticas.
Deste modo pretendo contribuir para o melhor conhecimento da Serra da Estrela."
(Excerto de Do autor para o leitor)
"No ponto mais elevado de Portugal Continental, numa esplanada alterosa, fica O Malhão da Estrela, na Serra do mesmo nome: Estrela A sul dos Cântaros, na quota de 1991 m. a., encontra-se a dita esplanada alargada. O príncipe D. João VI, em 1802, mandou ali construir uma pirâmide de 9 m de altura com pedra extraída no local. Sendo hoje esta pirâmide mais conhecida pelo nome "A Torre", a 2000 m. a.
Ela passou, na época, a servir de elemento à triangulação na carta geográfica do Reino.
Os pastores, ao tempo, tinham por habituação chamarem à pirâmide Malhão Maior. E por quê? Pelo simples facto de eles mesmo terem construído em muitos pontos da Serra alguns malhões com 2m de altura, de características iguais a esta pirâmide. A utilidade destes pequenos malhões para os pastores é guardar os farnéis na sua cúpula, fora do apetite devorador das cabras.
Com o decorrer dos anos, a cúpula da pirâmide foi-se desmoronando aos poucos, por efeito dos gelos e dos ventos fortes próprios dos locais altos.
As pedras caídas das cúpulas da pirâmide, por ignorância as pessoas, foi atribuída à malvadez dos pastores, o que na realidade não correspondia à verdade concreta."
(Excerto de Os 2000 m. a. da Torre e o Cruzeiro)
Exemplar em brochura, bem conservado. Carimbos oleográficos (2) na f. rosto.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

18 novembro, 2021

BORGES, António Garcia - SERRA DA ESTRELA NO PASSADO E NO PRESENTE. COVILHÃ. [Covilhã], Edição: Rotary Club da Covilhã e Associação "Os Amigos da Covilhã", 2011. In-4.º (24 cm) de [2], 218 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Os desportos de inverno, os recantos, as paisagens e as gentes da Serra da Estrela, através da reunião de elementos dispersos - documentos, manuscritos, postais e fotografias - que preenchem grande parte da presente obra. Livro impresso em papel de superior qualidade, muitíssimo ilustrado, parte das estampas em página inteira.
Tiragem: 100 Exemplares.
Monografia valiosa, dada a exiguidade da produção impressa. Sem referências bibliográficas na Biblioteca Nacional.
"É obrigação moral de todos e cada um de nós, colaborar na preservação das raízes culturais, conferindo-lhe a dimensão de uma pegada humana deixada para memória futura, porém, se a obrigação deve ser para todos, já o desassombro da sua execução é só para alguns, que da sua tenacidade alavancada num espírito de historiador amador e coleccionista, dispõe de engenho, arte e capacidade, para perpetuar este desiderato.
Seguros deste imperativo de consciência que nos impomos, o nosso movimento, entenda-se, movimento Rotário, colaborou e colabora com diversos autores na realização destas empresas, pelo que uma vez mais e, assim que fomos abordados, no Rotary Club da Covilhã, pelo senhor António Garcia Borges no sentido de "apadrinhar" a edição do seu livro denominado "Serra da Estrela no Passado e no Presente", decidimos de imediato prestar a nossa lesta colaboração, para a edição deste trabalho de recolha, organização e mostra de memórias visuais e escritas sobre a Serra da Estrela que constitui um verdadeiro, legado cultural da nossa região, das gentes e profissionais, que a ajudaram a moldar por entre a dureza do granito, a beleza dos carvalhos, castanheiros, tojo, teixo, urze brava, neve e frio, cuja beleza das paisagens extasiantes, apenas encontram paralelo no carácter trabalhador, honesto e singelo das suas gentes!"
(Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
75€

20 junho, 2020

ABREU, Solano d' & COELHO, Trindade & RAMOS, Taborda & MACEDO, Costa - Á BEIRA DA CAMPA DE ANTONIO PINA CALLADO. Coimbra, Imprensa Aacademica, 1884. In-8.º (19,5 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Homenagem dos estudantes do 4.º ano de Direito da Universidade de Coimbra a um colega de 20 anos recém falecido.
Obra oferecida pelos autores, condiscípulos do infeliz moço, ao Curso do Quarto Anno Juridico na Universidade de Coimbra que representaram na cerimónia. É composta pelos discursos alusivos ao acto de Solano de Abreu, Trindade Coelho e Taborda Ramos, e uma poesia de Costa Macedo.
Opúsculo muito raro, fora de mercado, impresso para ofertas, constituído por textos inéditos dos autores.
"Condiscipulos:
Vimos de vos representar junto da campa de Antonio Pina Callado, a quem fomos levar o vosso ultimo adeus.
Se foi honrosa a missão não foi para nós menos penoso o seu desempenho. [...]
No dia 22 estavamos em Teixoso, e depositamos do tumulo do nosso infeliz condiscipulo a corôa que o curso do quarto anno de Direito lhe mandava offerecer, e uma outra que a comissão levára para o mesmo fim.
As palavras, que alguns dos vossos representantes pronunciaram nesse acto verdadeiramente imponente ahi vão impressas; quizeram que ellas vos fossem offerecidas não porque lhes reconheçam merito, mas porque entenderam que as deviam á vossa apreciação."
(Preâmbulo)
"Viemos de longe numa santa romagem, visitar-te no tumulo, trazer-te em lagrimas presentes valiosos, offertas sinceras. [...]
Entretanto não nos quizeste legar o coração, que devia ficar em Coimbra depositado em uma urna, visitado por nós todos os annos á chegada das primeiras violetas da primavera, e á despedida das ultimas rosas do inverno. Era a legião triste, immovel e fria dos cyprestes do cemiterio de Coimbra, que devia fazer a guarda do teu tumulo; era ao vento, passando por elles, que pertencia cantar-te uma elegia todas as noites, no momento em que o teu espirito nos põe na alma saudades dilacerantes, e á hora em que a natureza nos seus côros tem toadas funebres, e a decomposição cadaverica nas suas phosphorescencias claridades sinistras. Devias áquella cidade o teu coração; não se passam annos inteiros a magnetisal-a com sympathias, a endoidecel-a com encantos para depois a deixar de todo sem uma esperança de regresso, sem uma lembrança de despedida."
(Excerto do discurso de Solano de Abreu)
"Quando por ahi fóra, sobre a amplidão immensa d'esta paisagem encantadora da Beira, o bom sol do estio soltava lá do azul as primeiras estrophes da sua epopêa gloriosa de luz; [...] quando, finalmente, após metamorphoses admiraveis, a terra expellia do seu ventre os primeiros productos da sua fecundação, - aqui, dentro d'este recinto, a mesma terra - estupida contradicção!... - abria-se para receber uma flõr mal desabrochada ainda, e em cujas petalas veludineas o orvalho das primeiras alvoradas se crystallisava em perolas. [...]
Loucos visionarios que nós somos!
O fogo da mocidade que nos arde dentro do peito estontea-nos o cerebro provocando nelle a apparição feerica de miragens seductoras, e são precisos estes momentos de luto pesadissimo e de profundissima dor para que possamos comprehender, em toda a sua hediondez a fragilidade vitrea d'esta existencia que levamos a rir, parece que fiados na propria immortalidade phisica.
Ah, mas é que a alvorada não sabe comprehender a noite, - e a mocidade é a alvorada da vida, alvorada deslumbrante, em cuja luz vivissima os aureos colibris das illusões e das esperanças a cada instante adejam rimando cançonêtas...
Que tristissimo quadro este, meus senhores!
Que romagem de luto nos trouxe de tão longe!
Nós que tantas vezes rimos com elle, com esse infeliz rapaz, vimos hoje pagar-lhe em lagrimas de saudade a immensa divida de amor que lhe devemos.
Elle era nosso amigo! Elle era nosso irmão!"
(Excerto do discurso de Trindade Coelho)
Muito raro.
A BNP faz menção ao livro, com a indicação "sem informação exemplar".
Peça de colecção.
45€

13 junho, 2020

RODRIGUES, Donizete - O TERREIRO DAS BRUXAS: o religioso no maravilhoso popular. Covilhã, Universidade da Beira Interior, 2004. In-4.º (24,5 cm) de 261, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Trabalho académico de fôlego, com tiragem editorial insignificante. Exaustivo estudo de selecção e recolha de crenças populares de tradição oral - "onde a questão da religiosidade sempre foi muitíssimo importante" -, efectuado pelo autor ao longo dos três anos que viveu numa aldeia rural da Beira Alta, no desempenho de um trabalho de campo etnográfico.
Tiragem: 300 exemplares.
"Ainda antes de passar a contar, através da escrita, as histórias orais recolhidas em várias comunidades rurais das regiões do interior, gostaria de realçar que a passagem da oralidade à escrita é uma tarefa muito complexa. Como «redigir o oral?». [...]
A literatura popular de tradição oral é fascinante porque, como bem o disse Pinto Correia, «todos os públicos, desde o adulto ao infantil, desde o erudito ao analfabeto, denotam apreço, por vezes bem escondido ou mesmo renegado, pelas "maravilhas", pelas personagens, pelos cenários e pelas intrigas que não cabem no universo real e próximo de nós, isto é, que constituem o mundo "outro", inexplicável, feérico, «sobrenatural».
Do ponto de vista metodológico, as histórias aqui apresentadas, agrupadas principalmente por categorias de seres sobrenaturais (bruxa, alma penada, diabo, lobisomem...), a que Leite de Vasconcelos chama de «entidades míticas», foram reelaboradas a partir de reconstituições e de diferentes versões etnográficas da mesma estória ou história."
(Excerto da Introdução)
Índice:
O Autor [Resumo biográfico]. | Introdução. | Alma Penada: 1 - O espírito do amigo e os acidentes de carro. 2 - O espírito do pai e os bolos estragados. 3 - A afilhada e o espírito do padrinho. 4 - A criança e o espírito do tio. 5 - O espírito e o caroço. 6 - O anjo e o espírito assassino. 7 - O coveiro e a alma penada do cemitério. 8 - Os dois amigos e a alma penada do cemitério. 9 - O filho, o porco e a alma penada. 10 - A gaiata e o espírito do avô. 11 - O espírito do avô e o padre-curandeiro. 12 - Os coelhos e as almas penadas. 13 - A quaresma e o encomendar das almas. 14 - O espírito da má-hora. 15 - As três estórias da Casa das Almas. 16 - O espírito do Ti Marreca. 17 - O espírito da discoteca. 18 - A alma do outro mundo. 19 - O calvário. 20 - A Conceição e os espíritos. 21 - O médico e os espíritos dos quadros. 22 - Os espíritos e os vidros partidos. 23 - O espírito da Fonte Santa. 24 - A Canhota e o espírito da tia. 25 - O pecador adormecido. 26 - O Zé e o espírito da mulher. 27 - A procissão das alminhas. 28 - O espírito da Maria Cacheira. 29 - Os dois irmãos e as almas. Bruxa: 1 - O Terreiro das Bruxas. 2 - A mulher que ficou cega. 3 - A bruxa e o bastardo. 4 - A mulher do bucho virado. 5 - A maça envenenada. 6 - O bebé e o sapo da boca costurada. 7 - O Zé Carpinteiro, a amante e o sapo. 8 - O feitiço da lua cheia. 9 - A bruxa que gostava de futebol. 10 - A bruxa e as sanguessugas. 11 - A bruxa e a mãe aflita. 12 - As ciganas e a menina doente. 13 - O rapaz impotente. 14 - A bruxa e o espírito do primo Manel. 15 - O bebé embruxado. 16 - O bento e o ar-feitiço. 17 - O bento e as três pedras. 18 - A bruxa, o diabo e os três estudantes. 19 - A bruxa encarangada. 20 - O feitiço da varinha de condão. 21 - A bruxa e a peneira. 22 - Os anjos da morte. 23 - O feitiço da Guiné. 24 - As bonecas africanas. 25 - O beijo de mal olhado. 26 - O feitiço do boneco de pano. 27 - O feitiço do Ermitão. 28 - A misteriosa «chuva de pedras». 29 - O feitiço da cueca preta. 30 - O Pedro e o sapo da boca costurada. 31 - O rapaz enfeitiçado. 32 - As Bruxas de Tinalhas. 33 - A Ti Verdiana. 34 - As bruxas-galinhas. 35 - A bruxa da amoreira. 36 - A viagem ao Brasil em carro-de-bois. 37 - Uma viagem atribulada. 38 - O rapaz que estava apaixonado por uma bruxa. Diabo: 1 - Os três gigantes e o diabo. 2 - O homem que andou à pancada com o diabo. 3 - Os dois irmãos e o diabo. 4 - O rico sovina, o diabo e a ponte. 5 - A criada e o padre-demónio. 6 - O jogador e o diabo. 7 - A disputa de uma alma entre um anjo e o demónio. 8 - O Ti Joaquim e o gato preto. 9 - O sacristão e o porco. 10 - Os compadres corcundas. 11 - O diabo nunca ajuda ninguém. 12 - Às cavalitas no diabo. 13 - A mãe do padre possuída pelo demónio. 14 - O Diabo e o Santo António. 15 - O moinho do diabo. 16 - A menina Maria e os três frades. 17 - A amante do diabo. 18 - O Ti António e o cabrito. 19 - O mito de Adão e Eva. Fada: 1 - O forneiro, a filha e o encanto. 2 - A Maria, a fada e os três estudantes. 3 - A donzela cristã e o mercador. 4 - A lenda da Lagoa das Sete Cidades. Lobisomem: 1 - O homem sovina e o filho lobisomem. 2 - O lobisomem de Tortosendo. 3 - O pescador e o lobisomem. 4 - O marido lobisomem. 5 - O pastor e o lobo. Moura Encantada: 1 A moura de Algoso. 2 - A Laja da Moura. 3 - A moura das Minas da Panasqueira. 4 - A moura do Reguengo. Nossa Senhora: 1 - A princesa e a Virgem Maria. 2 - O Manel-escudeiro e Nossa Senhora da Esperança. 3 - Nossa Senhora da Lapa. 4 - A pastorinha enganada. 5 - O milagre da Nossa Senhora dos Prazeres. 6 - O caso insólito da capela. 7 - A lenda de Nossa Senhora das Cabeças. 8 - A princesa que ia ser desonrada pelo pai. 9 - Os lobos e a Nossa Senhora dos Aflitos. 10 - A praga de gafanhotos e a Virgem Maria. 11 - O cego e a Nossa Senhora dos Milagres. 12 - A lenda de Nossa Senhora das Neves. 13 - O acusado e Nossa Senhora dos Aflitos. 14 - A lenda de Nossa Senhora do Fetal. Padre: 1 - A estória dos cinco réis. 2 - O padre, as irmãs e o estudante. 3 - O sacristão ladrão. 4 - O ladrão de chouriço. 2 - O ladrão de capote. 6 - O padre bêbado e a mulher adúltera. 7 - A lenda da Pedra da Sola. 8 - O padre e o atrasadinho. A Maria padeira. Santos: 1 - A lenda de Santa Rita. 2 - O Senhor Jesus dos Lavradores. 3 - A estranha morte na capela de São Brás. 4 - Os irmãos e Santa Comba Dão. 5 - O mouro e São Saturnino. 6 - Os frades de São Cristóvão. 7 - A lenda de São Macário. 8 - A lenda de São Frei Gil. 9 - A lenda de Santo António. 10 - O pai de Santo António. 11 - Responso a Santo António. 12 - A Torrejana e o anjo. 13 - Responso a Santa Luzia.
Donizete Rodrigues. "É mestre em Antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP) - onde foi docente entre 1986 e 1992 - e doutorado em Antropologia social pela Universidade de Coimbra (Portugal). Atualmente, é Professor Associado com Agregação (Livre-Docência) do Departamento de Sociologia da Universidade da Beira Interior - onde foi diretor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (2007-2000) - e Investigador-sénior do Center for Research in Anthropology (CRIA-Lisboa). Foi Professor Titular convidado (1995-2011) do programa de Doutoramento em Sociologia e Antropologia da Universidade de Salamanca (Espanha) e Professor-visitante em várias universidades estrangeiras (Espanha, Inglaterra, França, Suécia, Itália, Roménia, Índia, Brasil, Canadá, Letónia, Polónia, Croácia e Japão). Foi Visiting-Fellow (2000-2001) e Erasmus-Fellow (2002-2005) no Departamento de Sociologia da Universidade de Bristol (Inglaterra) e Visiting-Fellow (2009-2010) na Columbia University (New York, EUA) e Associate researcher (2011-2013) do Center for the Study of Latin American Pentecostalism/University of Southern California (Los Angeles, EUA)."
(Fonte: https://donizeterodriguesantropologia.webnode.pt/a-barbearia/)

Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

17 fevereiro, 2019

SOUSA, Joaquim Ferreira de - CASTELO BRANCO, COVILHÃ E FUNDÃO. Suas riquezas e aspirações em melhoramentos. Tese apresentada por... Da Comissão Executiva Distrital do VII Congresso Beirão. Castelo Branco, [s.n. - Tipografia Semedo, Castelo Branco], 1940. In-8.º (21cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Não será demasiado insistir e por o julgar oportuno apresentar a este Congresso, no que há de interesse e possível de realizar, no tocante a melhoramentos destinados a desenvolver as riquezas agrícolas e industriais da província da Beira Alta, movimentadas através das suas principais fontes, que são: Castelo Branco, Covilhã e Fundão, esta vila, situada no meio daquelas duas cidades. [...]
Covilhã:
Cidade com 15 mil habitantes, que na indústria de lanifícios marca uma posição de grande relêvo, rivalizando em parte com a indústria estrangeira dêste género, regista uma produção calculada por ano em 5.000.000 de metros no valor de Esc. 175.000.000$00. [...]
Cidade cheia de vida e animação, pela sua situação comercial e industrial, procura ampliar em melhoramentos a sua posição actual, para conseguir que a indústria de turismo possa marcar na sua finança o lugar que todos os covilhanenses ambicionam."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

29 janeiro, 2019

MORAES, Silvestre de - EVOLUÇÃO E DETERMINISMO - caracteres philosophicos - Coimbra, F. França Amado, 1912. In-8.º (19cm) de [4], 241, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio filosófico de Silvestre Nuno de Morais, pensador natural da Covilhã.
"A Sciencia e a Philosophia ainda não lograram reconhecer-se, e residem em campos differentes, muitas vezes oppostos.
O philosopho é havido como um excentrico, elaborando conceitos, sem realidade, com mais ou menos argucia ou perspicacia; e o sabio é um snob, que armazena, em larga escala, conhecimentos dispersos, de que faz alarde e exibicionismo, mas que não correspondem ao exercicio da vida, e que não se traduzem em proveito, para alguem.
É que os philosophos querem tirar de si proprios, a philosophia, e os sabios amontoam dados de observação e experiencia, sem verificação alguma.
Sciencia e consciencia é bem raro encontrarem-se.
Domina o impressionismo, e domina a vaidade. E, ás vezes, alliam-se a sciencia com a philosophia, mas, para uma e a outra apparecem inteiramente confundidas, e, por isso mesmo, pervertidas. [...]
Fala-se muito, nos ultimos tempos, em Determinismo e Evolução.
Mas, como determinismo, entende-se a relação absoluta de causas e effeitos, e por evolução, entende-se o desenvolvimento ou o mechanismo extreme.
E assim, deve ver-se e concluir-se que o exercicio e a razão se encontram, na mais inteira desharmonia, porque se degladiam e negam reciprocamente.
Impera porconseguinte a anarchia.
Comtudo, no fundo da Natureza, a vida existe, e define-se ou harmoniza-se."
(Excerto do Prefácio)
Indice:
Prefacio. I - Synthese. II - Differenciação pelo Methodo. Psychiatria: I - Mathematica e Astronomia; II - Physica e Chimica; III - Biologia e Sociologia. Cosmologia: IV - Mesologia;  V - Geologia; VI - Antropologia. Cosmo-psychiatria: VII - Ethnologia; VIII - Ontologia; IX - Paleontologia. Evolucionismo: X - Sciencia, Sciencias; XI - Finalidade; XII - Infinito Finito.
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

22 julho, 2018

MATEUS, Rui - CONTOS PROIBIDOS : memórias de um PS desconhecido. 2.ª edição. Lisboa, Dom Quixote, 1996. In-4.º (24 cm) de 457, [1] p. ; [32] p. il. ; il. ; B. Col. Caminhos da Memória, 9
Livro maldito da política portuguesa, os Contos Proibidos : memórias de um PS desconhecido, foi posto à venda a 27 de Janeiro de 1996. Obra polémica e incómoda, sobretudo para o Partido Socialista, de cujos quadros o autor era originário, e seu fundador, conheceu duas reedições nesse ano que esgotaram rapidamente. Entre outros assuntos, muito se falou de corrupção e tráfico de influências, comprometendo seriamente Mário Soares e outras figuras de relevo do partido. Estranhamente, (ou talvez não), o livro não voltaria a ser reeditado.
Livro profusamente ilustrado no texto e em separado.
"Para além da ausência de regras que permitam, pela via individual, o acesso de cidadãos à actividade política,não existem regras idóneas de financiamento dos partidos nem de transparência para os políticos. Um pouco à semelhança dos "pilares morais" do regime, a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide às escondidas, como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa de como são financiados as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo suspeito, de algo subversivo."
(Retirado da contracapa)
Rui Fernando Pereira Mateus (Covilhã, 16 de Abril de 1944). "Foi um político português, actualmente retirado da política, lecciona nos EUA. Em 1996, na sequência do caso do Fax de Macau e do processo judicial relativo, publicou o livro Contos Proibidos : memórias de um PS desconhecido, Publicações Dom Quixote, Lisboa. De uma família ligada à indústria de lanifícios, Rui Mateus estudou na Covilhã, frequentando o Colégio Moderno da Covilhã, até 1961, quando obteve uma bolsa de estudos para os Estados Unidos através da American Field Services, para Cedars Rapids, no Iowa, onde permaneceu até 1963. Durante a sua estadia conheceu o presidente John F. Kennedy numa recepção a e estudantes estrangeiros, nos jardins da Casa Branca. Regressa a Portugal com 18 anos, mas decide abandonar o país pouco depois, refratário à Guerra Colonial. Parte assim para um exílio de cerca de uma década: primeiro para Inglaterra, depois para a Suécia, onde viria a completar uma licenciatura em Ciências Sociais e Políticas, pela Universidade de Lund. Em ambos os países criou e organizou grupos da Ação Socialista. Em 1973, na Alemanha, foi um dos fundadores do PS, ligação que iria durar vários anos, e que o levaria a exercer vários cargos, sobretudo na área das relações internacionais. Foi eleito deputado pelo mesmo partido, nas legislaturas iniciadas em 1979, pelo distrito de Leiria; e em 1980, 1983 e 1985. Pertenceu a várias comissões e grupos de trabalho da Internacional Socialista. Envolvido no Caso do Fax de Macau, abandonou a política. O seu polémico livro "Contos Proibidos", posto à venda a 27 de Janeiro de 1996, e que desmistificava a imagem de herói nacional que era atribuída a Mário Soares, foi o único livro da história da literatura portuguesa que, curiosamente, esgotou no dia do lançamento. O livro proibido que revela as «façanhas» de Mário Soares e seus acólitos entre as décadas de 70 e 90 do século passado."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Na capa, as duas primeiras letras da palavra "Memórias" encontram-se algo desvanecidas.
Invulgar e muito procurado.
Indisponível

12 outubro, 2015

DIAS JÚNIOR, José Lopes - EM REDOR DO SERVIÇO SOCIAL. (Duas conferências). Vila-Nova-de-Famalicão, Tipografia «Minerva», de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1932. In-4º (23,5cm) de 50 p. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor ao Doutor Luís dos Santos Viegas.
Os primórdios da assistência social em Portugal. Conferências pronunciadas pelo autor a propósito da importância do Estado no desenvolvimento do Serviço Social baseado nos princípios da dignidade humana.
"É tão costume nosso cultivar o ódio e o rancor, está tão dentro dos nossos hábitos o desvario de criticar injustamente e de malsinar, tão longe nos tem levado a onda de paixões sectárias que, na verdade, chegamos a um momento em que é preciso tocar a unir para as almas desinteressadas e ansiosas do Serviço Social, sêja qual for a modalidade em que se informe.
Estamos no século da Assistência!
Por todo o mundo civilizado corre um frémito de solidariedade pelo nosso irmão doente e desamparado, pela criancinha orfã de pais ou de carinhos, pelo ignorante, pelo sem-trabalho, , por todo o infeliz, pelo próprio degenerado e criminoso, irresponsável nas suas taras e distrofias! [...]
Ao conjunto dos meios destinados a remediar os males sociais chamamos nós assistência."
(excerto da conferência proferida em Castelo Branco)
Conferências:
Em redor do Serviço Social. Conferência popular, proferida no Teatro da Covilhã, a Convite da Associação Mutualista Covilhanense, no dia 24 de Abril de 1932.
Breves considerações sôbre Assistência em Castelo Branco. Palestra proferida numa festa de Caridade em benefício do Instituto do Cancro e de um pavilhão hospitalar para tuberculosos em Castelo Branco, realizada no Cine-Teatro desta cidade, na noite de 3 de Novembro de 1931.
José Lopes Dias Júnior (1900-1976). "Nasceu a 5 de maio de 1900, em Vale do Lobo, atualmente Vale da Senhora da Póvoa, concelho de Penamacor. José Lopes Dias Júnior foi médico e escritor. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1923, frequentou os hospitais de Paris durante todo o ano de 1925. realizou viagens de estudo a Espanha em 1923 e 1928 e à Itália em 1931. Seguiu cursos de radiologia e clínica geral no Hotel Dieu e na Charité, em Paris. Participou em muitos congressos nacionais e internacionais, especialmente de Pediatria, Proteção à Infância e de História das Ciências, designadamente de Medicina. Fundou, com apoio da Junta Geral do Distrito de Castelo Branco, em 1930, o Dispensário de Puericultura de Castelo Branco e as colónias marítimas de crianças, na praia da Nazaré. Foi médico em Penamacor durante três anos e depois em Castelo Branco, onde foi diretor do Dispensário de Puericultura e médico escolar no liceu de Nuno Álvares. Colaborou em diversos jornais e revistas como: Diário de Lisboa, Século, Diário de Notícias, Saúde Escolar, Acção Médica, Jornal Médico, etc. Foi redator do jornal Mocidade, entre 1916 e 1918, quando ainda era estudante, e na Acção Regional, de Castelo Branco, desde 1928. Consagrou-se como médico aos estudos referentes à Medicina Social e à História de Medicina em Portugal. Como médico escolar, encontra-se na revista Saúde Escolar, desde 1936. Foi assíduo colaborador em estudos de higiene das escolas primárias, dos liceus e universidades. Em 1946, juntamente com Firmino Costa preparam a tradução de Sete centúrias de curas médicas do Dr. João Rodrigues de Castelo Branco, vulgarmente conhecido por Amato Lusitano. Neste mesmo ano foi publicada a Primeira centúria."
(Fonte: Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, vol. XV, pp. 448)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
10€

17 maio, 2012

MELLO, José Maria de Campos - O INCENDIO DA MADRUGADA DE 14 DE JUNHO DE 1907 : Relatório apresentado ao Ex.mo Sr. Dr. Sebastião dos Santos Proença, Digno Administrador do Concelho da Covilhã. Coimbra, Typographia França Amado, 1907. In-8º grd. (24cm) de 37 p. ; il. ; B.
Ilustrado com 4 fotografias da zona sinistrada, em página inteira.
"Nas primeiras horas da madrugada deste dia [14 de Junho de 1907] deflagrou na Rua António Augusto de Aguiar, junto à Praça do Município, um grande incêndio que ficou tristemente conhecido pelo incêndio «da mineira»." 
"Essa força invisivel e desconhecida, que nos traz a desgraça, não estava ainda satisfeita com a medonha catastrophe da rua da Magdalena, em Lisboa; eram-lhe necessarias mais vidas e mais sangue para saciar a sua sede voraz. Coube a sorte á pacata e laboriosa cidade da Covilhã, ter de pagar esse tributo, e a Manchester portuguêsa chora hoje a perda de alguns dos seus filhos mais dilectos, que na ancia de serem uteis aos seus semelhantes ficaram reduzidos a um montão de cinzas."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro, com interesse regional.
Sem indicação de registo na BNP (Biblioteca Nacional).
Indisponível