Mostrar mensagens com a etiqueta Polémica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Polémica. Mostrar todas as mensagens

28 setembro, 2026

À NAÇÃO - ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA-COIMBRA. [Coimbra], Associação Académica de Coimbra, 1969. In-fólio (34x22,5 cm) de 10 p. (inc. capa) ; B.
1.ª edição.
Folheto histórico, policopiado. Trata-se do comunicado-protesto justificativo dos estudantes de Coimbra face aos acontecimentos que tiveram início a 17 de Abril de 1969, e que abalaram o Estado Novo. A 6 de maio o governo mandou encerrar a Universidade e cancelar a Queima das Fitas. O cerco incluía carros e GNR a cavalo. O presente opúsculo foi concebido e distribuído em 7 de Maio - no dia seguinte a estes eventos.
"A crise começou no dia 17 de Abril de 1969. Os estudantes pretendiam intervir durante a inauguração do edifício das matemáticas e o presidente da Direção Geral da Associação Académica, Alberto Martins, pediu a palavra, mas foi impedido de o fazer.
Os estudantes, que já estavam em protesto exigindo a reintegração de professores e a democratização do ensino superior, tomaram conta da sala onde decorria a inauguração. A crise agudiza-se nas horas e dias seguintes com a prisão de vários dirigentes académicos e a ocupação de Coimbra por forças militares e policiais.
O Ministro da Educação e o reitor acabariam por se demitir, mas vários estudantes da academia seriam forçados a integrar as forças armadas, seguindo para a guerra do ultramar."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/a-crise-academica-de-1969-17-de-abril/)
"Acontecimentos de magna importância para a vida nacional ocorrem em Coimbra desde 17 de Abril do ano corrente.
A Nação, porém, só passados treze dias obtém do Governo, por intermédio do Ministro da Educação Nacional, uma informação que até o cidadão mais desprevenido considerou tardia, suspeita e tendenciosa.
Tardia porque a Nação tem o direito de ser informado diariamente não apenas das transferências futebolísticas mas, principalmente, daqueles acontecimentos que ferindo os seus órgãos vitais mais afectam a sua fisiologia dinâmica. A informação do País não mais pode ficar dependente de simples critérios de oportunidade política; de um simples "achar vantajoso-ministerial" sob pena de grave ofensa do direito à informação, sob pena do descrédito da nossa imprensa, sob pena de se facilitar o boato de tão graves consequências."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - Antecedentes. III - O dia 17 de Abril de 1969. IV - Conclusões de interesse nacional: 1.º - Reforma global do ensino; 2.º - Independência-autonomia; 3.º - Auto-gestão; 4.º - O reconhecimento da utilidade social do estudante; 5.º - Educação permanente; 6.º - Democratização do ensino.
Exemplar em brochura, bem conservado. Apresenta vinco ao centro.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

26 setembro, 2026

COSTA (Mesquitella), D. Bernardo da -
TOIROS DE MORTE.
Relatório apresentado por... e aprovado pela Comissão nomeada pala Portaria de 6 de Maio de 1933, nos termos do art. 1.º do decreto- lei n.22.482. Lisboa, [Tip. da Emprêsa Nacional de Publicidade - Lisboa], 1935. In-8.º (20x14,5 cm) de 123, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho elaborado pelo autor com o propósito e expectativa de obter autorização das autoridades para corridas com "touros de morte" em Portugal - tema momentoso na época - que se traduz na morte do touro na arena a culminar a faena.
"Encarregado de elaborar o parecer da Comissão que S. Ex.ª o Sr. Ministro do Interior houve por bem nomear para estudar a possibilidade da realização de corridas com toiros de morte, tenho a honra de vir desempenhar-me dessa missão, lastimando, ao apresentar êste trabalho, que a escolha tivesse recaído sobre a pessoa menos autorizada para o fazer. [...]
O assunto é tão vasto e tão contrariado tem sido, que a sua defesa não se torna fácil - não porque lhe escasseiem as provas mais seguras, mas porque contra cem anos de de certos preconceitos resultam muitas vezes inúteis todos os argumentos. [...]
A Comissão, emitindo o seu voto favorável, não fêz mais, pois, que interpretar o sentir do numerosíssimo público que pela tauromaquia se interesse e que é, por conseguinte, o único cuja opinião interessa.
Podia resumir assim o seu parecer: a necessidade, porém, de esclarecer certos pontos, incluindo alguns de ordem puramente técnica, obriga-me a demonstrar:
- na autorização dos «toiros de morte» reside o ressurgimento da tauromaquia portuguesa;
- dêsse ressurgimento só podem advir benefícios no campo económico;
- tanto sob o aspecto social como debaixo do ponto de vista educativo, se os «toiros de morte» não nos oferecem vantagens apreciáveis (o que é discutível) também não nos trazem inconvenientes nenhuns.
O estudo da questão sob êstes quatro aspectos principais - artístico, económico, social e educativo - é o objecto dos quatro capítulos em que se divide o presente Relatório."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | I - Aspecto Artístico: I) Origens do toureio; II) O toureio em Espanha; III) O toureio em Portugal. II - Aspecto Económico: I) Do espectáculo em si; II) Da criação do gado bravo; III) O toiro como animal de ceva; IV) O toiro como animal de trabalho; V) O toiro como animal de lide. III - Aspecto Social. IV - Aspecto Educativo. | Apêndice
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€
Reservado

01 setembro, 2026

OS PADRES BRANCOS
. [S.L.], Secretaria de Estado da Informação e Turismo : Direcção-Geral da Informação, 1971. In-8.º (21x15 cm) de 24 p. ; B.
1. edição.
Folheto oficial de propaganda publicado em Lisboa pela Direcção-Geral da Informação, organismo dependente da Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT) do governo de Marcello Caetano. Trata-se de uma operação de contra-informação do regime do Estado Novo face a um dos incidentes diplomáticos e religiosos mais graves da Guerra Colonial - a saída dos Padres Brancos de Moçambique.
A expulsão e retirada dos Padres Brancos de Moçambique ocorreu em maio de 1971, transformando-se num dos maiores escândalos políticos e religiosos do final do regime do Estado Novo. O episódio expôs a profunda ruptura entre os missionários e o governo colonial português.
Em Fevereiro de 1971, os Padres Brancos tomaram a decisão interna de abandonar Moçambique. A liderança da congregação em Roma confirmou a saída formal em Maio do mesmo ano. Em carta aberta, denunciaram que a sua permanência se tinha tornado um "contratestemunho". Eles recusavam-se a apoiar implicitamente, através do silêncio, um regime colonial opressor.
Sentindo-se afrontado pela denúncia internacional, o governo português antecipou-se e expulsou formalmente os missionários do território. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da altura, Rui Patrício, convocou uma conferência de imprensa em Lisboa para atacar publicamente a decisão da congregação. Mais de 40 missionários dos Padres Brancos foram forçados a abandonar as suas missões (principalmente na região de Tete) de forma imediata. (IA)
"Os Padres Brancos decidiram abandonar Moçambique. Em 15 de Maio publicaram a carta que se segue com o n.º I.
Em face deste anúncio, o Governo português notificou os Padres Brancos de que deveriam abandonar a província até 30 de Maio.
Sobre o assunto o Rev.º Padre Dr. Erwin Helmle, S. A. C., escreveu em 25 de Maio a carta que tem o n.º II e em Junho a Conferência Episcopal de Moçambique publicou o comunicado com o n.º III.
Por último, a conferência de imprensa dos Padres Brancos, dada em Paris foi comentada, já em Julho, pelo Bispo de Quelimane (Moçambique) nos termos que se referem no n.º IV."
(Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

29 agosto, 2026

FIGUEIREDO, Presbytero J. Santos -
FACTOS NOTAVEIS DA HISTORIA DA EGREJA LUSITANA.
2.ª edição refundida, augmentada e illustrada.. [Por].... Presidente do Synodo da Egreja Lusitana. Porto, Typographia Mendonça (a vapor), 1910. In-8.º (21x15,5 cm-capas) de 52 p. ; il. ; B.
Importante subsídio para a história da Igreja Anglicana entre nós, religião que antes se desenvolveu a partir das práticas, liturgia e identidade da Igreja da Inglaterra após a Reforma Inglesa, no contexto da Reforma Protestante na Europa.
Opúsculo raro e muito curioso. Trata-se de uma obra de propaganda agressiva, a que não será alheio o advento da República, recém-implantada, com o intuito evidente de passar, para dentro e para fora, os princípios orientadores, diferenças e ideais da Igreja Anglicana face à Igreja Católica Apostólica Romana.
Ilustrado no texto com desenhos, fotogravuras e retratos de diversas personalidades, onde se contam, entre outros, os de Damião de Góis, Alexandre Herculano e o Duque de Saldanha.
A Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica é a representante oficial da Comunhão Anglicana em Portugal. Trata-se de uma igreja cristã de cariz sinodal, estabelecida como uma alternativa reformada e de língua portuguesa à rigidez do catolicismo romano do século XIX. A igreja nasceu oficialmente a 8 de março de 1880, em Lisboa, durante o seu primeiro Sínodo Constitutivo. A sua criação resultou do descontentamento de vários clérigos e leigos católicos portugueses face à centralização e ao absolutismo papal - intensificados após o Concílio Vaticano I (1870), que declarou o dogma da infalibilidade do Papa. Apoiados pelo capelão anglicano em Lisboa, Thomas Pope, e presididos pelo bispo episcopal norte-americano Henry Riley, os fundadores uniram pequenas congregações independentes que já operavam em Sintra e Lisboa. O termo "Lusitana" foi escolhido porque os fundadores pretendiam restaurar a autonomia da antiga igreja cristã ibérica (da época da Lusitânia), antes de esta ficar sob a total tutela de Roma. (IA)
"Desde a implantação n'este paiz do systema constitucional a Egreja de Roma tem vindo a remar contra a maré. É um facto. E mais ainda: de anno para anno a corrente tem-se tornado mais forte, e a Egreja romana cada vez mais fraca já não póde marchar ávante!
Para que pois querer continuar na mesma direcção com prejuizo da felicidade do povo portuguez e da salvação de Portugal?
Não seria razoavel dar outra orientação á Egreja official, libertando-a do seu pesado dogmatismo?
Não seria melhor emfim deixar a Egreja de Roma que é extrangeira, e seguir a Egreja Lusitana que é toda nossa?
O clero catholico-romano vê bem que o povo o vae abandonando. Geralmente falando, os que seguem a egreja de Roma, ou o fazem por politica ou por costume. Rarissimos por convicção! E acontece isto assim apesar da Egreja de Roma ter toda a protecção do Estado e estar cercada de toda a sorte de privilegios, vendo-se a influencia ultramontana em todas as instituições portuguezas. [...]
Ora com todos estes favores a Egreja de Roma está n'uma situação lamentavel. Não tem força moral ou força religiosa para dirigir espiritualmente o paiz.
Que fazer?
É preciso escolher entre a morte e a vida.
A morte é a continuação da Egreja como está.
A vida é recorrer ao Christianismo puro.
Foi o Christianismo que, com o crear uma individualidade forte, salvou a sociedade, vencendo o collectivismo do Imperio romano: foi ainda o Christianismo que no século XVI salvou os povos, desfazendo a centralisação da Egreja papal; e hoje tambem só o Christianismo é que póde salvar Portugal, ensinando o melhor caminho da paz, da justiça e do amor."
(Excerto de Duas palavras ao clero catholico-romano)
Índice:
Duas palavras ao clero catholico-romano | I - Origem da Egreja Lusitana. II - Os primeiros concilios na Peninsula. III - Egreja Wisigothica - Sua independencia. IV - Egreja Mosarabe. V - Restauração das monarchias christãs e introdução do romanismo em Hespanha. VI - A Egreja Lusitana escravisada: os nossos primeiros reis são excommungados: D. Affonso Henriques; D. Sancho I; D. Afonso II; D. Sancho II-D. Affonso III-D. Diniz; D. Afonso IV-D. Pedro I-D. João I. VII - Da Egreja portugueza: Um sonho de reforma da Egreja no reinado de D. José.VIII - Restauração da Egreja Lusitana.
Rev. Joaquim dos Santos Figueiredo (Coimbra, 1865 - Lisboa, 1937). "Nasceu em Coimbra a 5 de janeiro de 1865, tendo nessa mesma cidade estudado no seu seminário diocesano, com vista à carreira eclesiástica. Lecionou no ensino particular enquanto aguardava a idade da ordenação ao presbitério católico, sendo nesta época que tem o primeiro contacto com os evangélicos, na cidade do Porto. Mais tarde, viria a frequentar em Lisboa o Curso Superior de Letras, concluindo com êxito o exame de Grego. Ordenado em 1887, ao regressar a Coimbra foi nomeado coadjutor da igreja de Santa Cruz, onde se destacou como pregador. Consta que um colportor da Sociedade Bíblica, natural dos Açores, aquando da sua estada em Coimbra, ofereceu uma Bíblia a um dos hóspedes do local em que se instalara, o qual não pretendendo ficar com a mesma a ofereceu à dona da hospedaria; esta por sua vez acabaria por entregá-la a Joaquim dos Santos Figueiredo para a queimar. Não o tendo feito, o presbítero católico passou a analisá-la no intuito de procurar as diferenças de tradução. Republicano convicto, os seus escritos na imprensa coimbrã mereceram a censura do seu bispo que o convidou a retratar-se. Recusando a invetiva, despediu-se dos seus leitores, renunciado ao húmus sacerdotal e abjurando do catolicismo romano, a 28 de fevereiro de 1892. No mesmo ano, regressou ao Porto na perspetiva de voltar a dedicar-se ao ensino; porém, ao aderir aos metodistas, a 27 de março tornou-se pastor assistente da «Igreja do Mirante». Em 1894 transferiu-se para Lisboa, onde ficou a colaborar na igreja presbiteriana, que se reunia então no antigo convento dos Marianos. Tendo este edifício sido vendido à igreja lusitana quatro anos mais tarde, Santos Figueiredo, juntamente com outros membros da comunidade, acabaria por se integrar nesta igreja, tornando-se ministro na congregação de S. Paulo, em dezembro de 1898. Em maio de 1905, foi pela primeira vez nomeado presidente do sínodo nacional da igreja a que pertencia. Em 1922 tornou-se o primeiro bispo eleito da igreja lusitana, embora nunca tenha sido sagrado como tal. Foi ainda diretor do Colégio Evangélico Lusitano durante 38 anos e o primeiro presidente da Aliança Evangélica Portuguesa, desde as suas primeiras reuniões organizativas, em 1919, confirmado como tal na primeira sessão plenária desta instituição, em 1921, tendo cessado estas funções em 1925. Destacou-se no campo literário, desde os tempos de presbítero católico; mas foi já como pastor das igrejas metodista e presbiteriana que publicou sob o pseudónimo de J. S. Pereira do Lago e, passando para a igreja lusitana, como P. L., desde 1911, e como Paulo Lutero após 1922. Traduziu várias obras para a língua portuguesa, destacando-se o Dicionário Bíblico Universal, de Buckland, e História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, de Joseph Angus. Colaborou regularmente em órgãos da imprensa evangélica como Portugal Novo, O Evangelista, O Bom Pastor, Luz e Verdade, Portugal Evangélico, sendo ainda diretor de O Cristão Lusitano. Foi casado desde 20 de abril de 1896 com Lavínia Augusta de Lemos. Faleceu em Lisboa a 18 de agosto de 1937."
(Fonte: https://aliancaevangelica.pt/site/rev-joaquim-dos-santos-figueiredo-1919-1925/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

13 agosto, 2026

SOARES (Sprinter), Eduardo -
"OS ESCÂNDALOS DO FUTEBOL NACIONAL" : uma exposição oportuna a sua Ex.ª o Sr. Doutor Carneiro Pacheco, Ministro da Educação Nacional.
Comentário imparcial ás atitudes dos dirigentes e dirigidos. Pôrto, Tip. Lisboa & Ferreira, L.da, 1939. In-4.º (22x15,5 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o futebol nacional e as movimentações de bastidores. Ontem como hoje... Trata-se de um dos primeiros registos de literatura de denúncia e opinião crítica sobre a organização e os bastidores do futebol em Portugal durante o Estado Novo, amplamente citado por historiadores e investigadores. Mas o autor não se limita a "desancar" o futebol indígena, crítica asperamente os colegas jornalistas por subserviência, e revela incómodo e perplexidade pelos valores pagos nas transferências dos jogadores - uns "vadios", "muitas vezes analfabetos" - face às dificuldades do país, comparando os seus salários com os dos "chefes de família".
Obra rara e muito interessante, não mencionada na BNP, ilustrada em página inteira com uma caricatura do autor por Bismarck.
"Não foi, posso-o afirmar categòricamente, no intuito de me tornar um homem célebre que lancei êste livrinho para a luz da publicidade, mas sim, no desejo firme e honesto de contribuir para a "purificação" do desporto nacional, onde o futebol é a "ovelha-ranhosa" das modalidades que no nosso país se praticam. [...]
Além disso, isto de edições livreiras não é negócio de tentar num país onde a grande percentagem é analfabeta e os "mestres" são aos cardumes...
Portanto, assentêmos desde já nisto: depois de lidar de perto durante algum tempo com os homens da bola - dirigentes e dirigidos - fiquei de tal forma enojado com a panorâmica em que vivi, que não resisti à tentação de escrever êste modesto livrinho, dirigido àquêles que sabem ser desportistas, àquêles que mesmo do desporto sabem trazer, sempre bem alto, a pureza do seu caracter e da sua dignidade. [...]
Em síntese, o motivo dêste meu livro foi o de trazer para a luz da publicidade algumas vergonhas do nosso futebol, algumas cênas dos bastidores, que por si só dizem bem da dignidade e da moral de certos dirigentes e dirigidos, que andam nestas coisas da bola.
É natural que, como compensação, ganhe mais alguns inimigos, mas isso não interessa, a quem, como eu, preza muito a sua integridade moral.
A "verdade núa e crúa" - é o lêma que preside a êste meu trabalho."
(Excerto de I - Porque escrevi êste livrinho...)
Índice:
Prefácio de Joaquim Soares | I - Porque escrevi êste livrinho. II - Um sônho côr de rosa. III - Jornais e jornalistas. IV - O conflito A. F. do Pôrto-Federação ou a firmeza de atitudes. V - O futebol - um negócio rendoso... VI - Como se fazem "azes" e os dirigentes se tornam ilustres... VII - O profissionalismo - negação positiva do verdadeiro espírito desportivo. VIII - Eu e o Benfica! IX - A final do Campeonato de Portugal, em Lisboa!!! X - Acuso-o, sr. Ribeiro dos Reis!!! XI - Compram-se jogadores! XII - Desceu o pano!...
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

05 agosto, 2026

PIMENTA, Alfredo -
A REVOLUÇÃO MONARCHICA. Por...
Lisboa, Edição do Autor , 1919. In-8.º (18x12 cm) de 60, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio doutrinário publicado pouco tempo após a efémera tentativa de restauração monárquica, que ficaria para a história como a 'Monarquia do Norte'.
Publicado no rescaldo dos acontecimentos da Monarquia do Norte (a tentativa de restauração monárquica liderada por Paiva Couceiro em janeiro de 1919), o livro funciona como um estudo crítico e uma apologia ideológica. Nele, o autor analisa a instabilidade da Primeira República Portuguesa e defende a solução monárquica como a alternativa lógica contra a desordem política da época.
Alfredo Pimenta, que no início da sua vida pública teve simpatias anarquistas e republicanas, já se tinha convertido nesta altura a um monarquismo convicto e contra-revolucionário, posicionamento que reflete diretamente nas páginas desta obra de cariz doutrinário. (IA)
"A questão política continúa em equação, á espera de uma resolução positiva, normal e definida. O Equívoco nacional, aggravado com o advento do regime republicano, mantem-se. [...]
A situação republicana gerada pelos intuitos e pela vontade de Sidonio Pais, fracassou e morreo estrangulada ás mãos da demagogia organizada. A dissolvencia dos caracteres accentuou-se. A impotencia das intelligencias attingio a sua maxima evidencia. Não ha Governo. Não ha Lei.
E no entretanto, um momento houve em que seria fácil conduzir o Paiz àquella estabilidade, àquella comcórdia, àquella calma que são as condiçoens essenciais da sua vida normal.
Uma vez assassinado o Presidente Sidonio Pais, o caminho lógico, intelligente, seguro, era só um: o da restauração das instituiçoens tradicionais portuguezas, em moldes diversos dos que ellas tinham em 5 de outubro de 1910. [...]
No domingo, 19 de janeiro, á 1 hora da tarde, estávamos nós no Largo das Duas Egrejas com um dos mais combativos e decididos jornalistas da Monarchia, combinando a nossa acção parlamentar do dia seguinte, quando o governo de Tamagnini Barboza de apresentasse, como esperávamos, ás Câmaras, a relatar os acontecimentos sediciosos de Santarem. As nossas palavras e os nosso projectos não eram de quem presumia que meia hora depois, no Porto, se restaurasse a Monarchia."
(Excerto de 26, Fevereiro) 
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, manchadas. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

17 julho, 2026

BRAVO, Henrique -
DESFAZENDO ACCUSAÇÕES (Em legitima defeza) - BIOGRAFIA - AUTOPSIA D'UM PRYNETTI (CANDIDO DE VITERBO), TIPORIO DE ESTOFO AVARIADISSIMO
. Trancoso, Typ. da «Folha», 1918. In-8.º (22,5x15 cm) de 154, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica trancosense em "duas partes", entre o autor - Henrique Bravo - e o recém-empossado Governador Civil da Guarda - o dr. Cândido Viterbo - figura antipática ao autor, com quem anteriormente já tivera desentendimentos.
Obra rara, publicada na sequência do golpe liderado por Sidónio Pais, relacionada com as nomeações políticas e ódios antigos locais.
"Duas palavras, simplesmente.
Nas paginas que vão seguir-se, dois assumptos differentes são tratados, numa linguagem clara, explicita e breve.
Um unico interesse me levou a coordenar, este opusculo: defender-me, com documentos comprovativos, e accusar, quem não tem direito á mais insignificante parcella de consideração e que, mentindo, quiz e quer enxovalhar-me sómente pelo prazer de diffamar, o que é qualidade inata das almas mesquinhas, vistas através de todos os prismas, por onde os encaremos.
Vão correr mundo, as minhas palavras, que offereço aos Homens honestos, para d'ellas tirarem imparcialmente, as conclusões a que possa chegar: Á Magistratura Portugueza, para que elle saiba e conheça o valor real d'um pseudo-magistrado e A meu filho, que ha mais d'um ano está na Flandres, na zona da guerra para que ninguem, em tempo algum, possa atirar-lhe, com razão e auctoridade, o meu nome, com intuitos reservados de o magoar, enxovalhar ou fazer còrar.
Leitor!
A sua attenção, pois, para o desenrolar d'esta fita, e quando passar á segunda parte, adopte, como medida prophilatica o Creosol, porque a autopsia d'um cadaver em putrefacção, é sempre nociva á saude publica e no caso presente, á moral, aos bons costumes e á sociedade.
Cautella, pois"
(Preâmbulo - Ao leitor)
"Quando a Trancoso, chegaram os primeiros rebates, ainda imprecisos, do movimento de cinco de dezembro, encontrava-me investido nas funcções de administrador d'este concelho, para satisfazer ao pedido que n'esse sentido me havia feito, o então governador civil do districto, e meu particular amigo sr. dr. Vasco Borges.
Devo dizer, que essa situação official, em nada abalou a minha independencia politica... [...]
A ninguem era licito duvidar da minha independencia politica, a não ser alguma creatura mal intencionada, e que sem provas concretas, malevolamente propalasse o contrario; embora os meus actos officiaes, absolutamente viessem provar e conffirmar a minha independencia politica.
Como a revolução triumfasse, e os meus serviços officiaes já não tivessem razão de existir, sollicitei telegraphicamente a minha exoneração de administrador d'este concelho, o que foi acceite, mandando-me entregar a administração ao senhor Presidente da Commissão Executiva da Camara Municipal, ao tempo representada pelo sr. Joaquim Antonio Ferreira, d'esta villa, o que fiz immediatamente. Decorridas vinte quatro horas, depois d'este meu gesto, fui informado, com grande surpreza minha, que operarios, artistas, comerciantes e populares, representando as forças vivas da villa, haviam imposto ao sr. Joaquim Ferreira, que accumulava as funcções de Presidente da Camara com as de administrador do concelho, o meu nome, para novamente assumir as funcções administrativas, de que voluntariamente me havia exonerado ha pouco mais de um dia."
(Excerto de Recapitulando factos)
Henrique Bravo. Conhecida figura local no início do século XX. Exerceu o cargo de administrador do concelho de Trancoso e foi uma figura de relevo na região. Destacou-se não só pela sua influência político-administrativa na transição da Monarquia para a República, mas também como jornalista e correspondente, sendo a principal "voz" local da imprensa. Era proprietário e diretor d'A Folha de Trancoso. Através deste jornal, publicava crónicas de costumes regionais, almanaques locais e fazia a cobertura das dinâmicas políticas e sociais da Beira Interior. O seu nome ficou também ligado à produção intelectual sobre infraestruturas, tendo sido autor de teses reconhecidas a nível nacional sobre a coordenação de transportes em Portugal, área na qual deixou contributos editados nas primeiras décadas do século XX. (IA)
Cândido Pedro Viterbo (1870-1946). Foi um advogado, magistrado do Ministério Público, compositor e guitarrista português, amplamente reconhecido pela sua actividade política e pelo seu envolvimento na tradição do Fado de Coimbra. Estudou e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Exerceu o cargo de Governador Civil do Distrito da Guarda durante a República de Sidónio Pais, entre 13 de dezembro de 1917 e 13 de abril de 1918. Casou com a filha do Dr. Francisco da Silva Fonseca (médico, deputado e também antigo governador civil), fixando fortes laços familiares e patrimoniais com o concelho de Trancoso, onde existe hoje uma praceta com o seu nome. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Preso por agrafes, sem capas e lombada (de origem?), sendo o papel de fraca qualidade.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
25€
Reservado

14 julho, 2026

FIGUEIREDO, Antonio Pereira de -
NOVOS TESTEMUNHOS // DA // MILAGROSA APPARIÇÃO // DE // CHRISTO SENHOR NOSSO // A EL-REI // D. AFFONSO HENRIQUES // ANTES DA FAMOSA BATALHA // DO CAMPO D'OURIQUE: // E EXEMPLOS PARALLELOS, QUE NOS INDUZÃO // Á PIA CRENÇA DE TÃO PORTENTOSO CASO. // POR // ANTONIO PEREIRA DE FIGUEIREDO, // DEPUTADO ORDINARIO DA REAL MEZA CENSORIA. // [Escudo de Armas Português] //
LISBOA, // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA. / ANNO M. DCC. LXXXVI. // Com licença da mesma Real Meza. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante texto histórico sobre as origens divinas do reino de Portugal, reeditado com intuitos patrióticos em 1809, durante as Invasões Francesas, com o título Dissertação histórica e critica em que se prova a milagrosa apparição de Cristo Senhor Nosso a El Rei D. Affonso Henrique...
O texto aborda o famoso mito fundador da identidade nacional portuguesa. Segundo a tradição, na véspera da Batalha de Ourique (25 de julho de 1139), D. Afonso Henriques isolou-se numa colina e testemunhou a aparição de Jesus Cristo na Cruz. Cristo garantiu ao monarca a vitória militar sobre os cinco reis mouros. O milagre selou a legitimação divina para o nascimento do Reino de Portugal. (IA)
"Com louvavel empenho se applicárão no Seculo passado, e no presente diversos Authores nossos (entre elles o Illustre Senador Antonio de Sousa Macedo nos Proemios da Lusitania Liberata, e o Padre D. Antonio Caetano de Sousa no Commentario ao dia 25 de Julho do Agiologio Lusitano) a mostrar: Que sem razão dividavão certos Escritores Castelhanos dar credito ao Auto do Juramento, que em nome d'ElRei D. Affonso Henriques pub,licou Fr. Bernardo de Brito na sua Chronica da Ordem de Cister, impressa a primeira vez em Lisboa no anno de 1602. como achado num antigo pergaminho do Cartorio d'Alcobaça no anno de 1596. No qual Auto jura o dito Rei D. Affonso Henriques aos Santos Evangelhos, em presença de muitos Prelados do Reino, e de muitos Grandes da sua Corte: Que estando elle para dar batalha a cinco Reis Mouros no Campo d'Ourique, avisado por hum Santo Ermitão, que vivia perto daquelle lugar, sahíra da sua tenda, e víra no ar a Christo crucificado, que com voz branda, e carinhosa o animava a combater valerosamente aquelles inimigos do seu Santo Nome, prometendo-lhe victoria, e mandando-lhe que com o Titulo de ei tomasse para si, e para seus Successores por Brazão d'Armas os sinaes da sua Sagrada Paixão, com outras muitas cousas, que no mesmo Juramento se contém. [...]
Quatro são os novos Testemunhos que vou a expôr, todos de tanto pezo, e authoridade, que não ha para que se desejem outros mais graves. A estes quatro Testemunhos segui-se-hão outros tantos Exemplos Parallelos, que por mais admiravel, e incrivel que a alguem pareça o nosso caso, lhe facilitem o assento com aquella força, que he propria do argumento de paridade, ou do argumento que chamão ad hominem."
(Excerto de Introducção)
António Pereira de Figueiredo (Mação, 1725 - Lisboa, 1797). "É a "personagem mais importante," a "mais influente e a mais simbólica" do regalismo pombalino. "Padre da Congregação do Oratório de Lisboa. Estudou latim e música no Colégio Ducal de Vila Viçosa. Em 1744 matriculou-se nos cursos de Filosofia e Teologia na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório, onde mais tarde foi professor de Latim, Retórica e Teologia.
Foi deputado da Real Mesa Censória; Deputado da Junta do Subsídio Literário; Oficial Maior de Línguas da Secretaria do Estado dos Negócios Estrangeiros."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/descriptions/1275)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Protegido por capilhas de protecção.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

09 julho, 2026

FIGUEIREDO, Candido de -
O GOVERNO CIVIL DE VILLA REAL : Apontamentos de uma Administração.
Por... exgovernadôr civil. Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora, 1893. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 31, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
"Relatório" completíssimo, muito bem redigido, sobre a administração efémera do Governo Civil de Vila Real pelo autor, período marcado por inúmeros incidentes políticos, dos quais este se queixa em carta impressa no início do livro ao Conde de Cabral, que antes interviera junto do poder político para a sua nomeação para o cargo.
Obra não mencionada nas principais biografias do autor, ilustrada em página inteira com quadro-mapa elaborado pelo seu punho para facilitar a recolha de dados sobre a instrução no distrito.
Documento precioso, raro e muito interessante, com indubitável interesse para o conhecimento da região nos seus mais variados aspectos em finais do século XIX.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Visconde de Baena.
"Desde que assumi a governação do districto, foram-me apresentadas repetidas queixas contra contra as irregularidades de várias câmaras municipais, no cumprimento dos seus encargos. Um dia, era o administradôr e outros empregados, que não recebia há mêses os seus vencimentos; outro dia, e mais frequentemente, eram as pobres mulheres, encarregadas da criação de expostos, e ás quais as câmaras não pagavam o respectivo subsidio, há quatro, cinco e sete annos; outro dia ainda, era um munícipe, apontando-me tal ou tal câmara, que se esquivava a impreteriveis melhoramentos locais, ao passo que contraia empréstimos de dezenas de contos, fazendo-os desapparecêr, sem que se soubesse como."
(Excerto de I - Fazenda municipal)
Índice:
Carta ao senhôr Conde de Cabral | I - Fazenda municipal. II - Beneficiência e saúde pública. III - Expostos. IV - Instrucção pública V - Processo eleitoral. VI - Segurança pública. VII - Emigração. - Jôgo. - Pêsos e medidas. - Contrabando. VIII - Conclusões.
António Cândido de Figueiredo (Tondela, 1846 - Lisboa, 1925). "Distinguiu-se como poeta, intelectual, lexicógrafo e interessado em sanscritologia.
Após cursar Teologia em 1863 no seminário de Viseu, matriculou-se em 1869 no curso de Direito na respetiva Faculdade da Universidade de Coimbra, formando-se a 8 de junho de 1874.
Em 1875, ajudou a fundar a Sociedade de Geografia de Lisboa, sendo seu sócio fundador com o número de registo 13.
À semelhança dos seus pares, teve uma atividade periódica intensa. Casado com uma feminista, Cândido de Figueiredo seria simpatizante da causa feminista, colaborando em revistas a que a esposa Mariana Angélica de Andrade (1840-1882) estava ligada, como Voz Feminina. Além de advogado, poeta, prosador, estudioso da língua portuguesa, Cândido de Figueiredo foi também tradutor, sobretudo das línguas francesa e italiana, contando-se, entre o seu repertório, desde obras de filologia à ficção do belga Maeterlinck (1862-1949)."
(Fonte: https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/np4/figueiredo.html)
Bonita encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aquando do trabalho de encadernação foi acrescentado ao livro folhas em branco com o fim de "engrossar" o volume.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
A BNP dá notícia do livro com a indicação "Sem informação exemplar" e "Mau estado de conservação".
Indisponível

13 junho, 2026

FRANCO S. J., Pe. João José -
O HYPNOTISMO OUTRA VEZ EM MODA.
Historia e discussão scientifica. Pelo... Vertido livremente da traducção franceza de A. de Villiers de l'Isle-Adam. Por... Manuel Maria Fructuoso. [S.l], Editor: Dr. José Rodrigues Gosgaya, 1889. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 287, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Análise sob ponto de vista científico, moral e religioso do Hipnotismo e da hipnose, questão momentosa na época. A obra analisa o renascimento do interesse pelo hipnotismo e pelo magnetismo animal na óptica da moral católica e da ciência no final do século XIX.
"Convem expor desde já os phenomenos que os magnetisadores os hypnotisadores olham como adequados ao somno magnetico que produzem nos operados. Richer que os considera como factos de nevrose provocada, divide-os em quatro classes: 1.º de lethargia, ou somno profundo, artificialmente produzido no operado; 2.º catalepsia, ou somno em que o paciente perde, total ou parcialmente, o movimento e a sensibilidade; 3.º  estado suggestivo, no qual o cataleptico se presta passivamente a diversos movimentos e differentes actos a que o induz o operador, obedecendo o paciente, sem que opponha resistencia, á acção exterior; [...] Em 4.º logar vem o somnambulismo, estado em que o paciente não é mais que um automato é mercê do magnetisador, embora a intelligencia se lhe conserve  em actividade e os sentidos se exaltem n'uma energia prodigiosa."
(Excerto de III - Programma dos hypnotisadores)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas fragilizadas, com restauros. Interior correcto.
Raro.
20€

25 maio, 2026

RODRIGUES, F. Conceição -
O PALACIO DA JUNTA GERAL E OS DEVANEIOS DO "MENINO E CONEGO"
. Funchal, Tip. Bazar do Povo, 1928. In-8.º (19,5x13,5 cm) de 79, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica a propósito da venda do ex-Convento da Encarnação pelo Governo central à Junta Geral do Funchal, que resultou em madeirenses desavindos - clero e sociedade civil-, uns contra, outros a favor da decisão.
Questão momentosa na época, o presente trabalho foi redigido com graça e ironia, envolvendo ilustres personalidade da ilha. Inclui correspondência do autor publicada no Diário da Madeira.
Precede a obra propriamente dita, a carta-prefácio de Manuel Augusto Martins (Funchal, 1867-1936), político local, Governador Civil do Distrito do Funchal, sendo o primeiro a ocupar o cargo após a Instauração da República.
Opúsculo raro, por certo com tiragem reduzida. A BNP não menciona na sua base de dados.
"Foi além, nas terras alcandoradas do Porto do Moniz, que a mãe deitou ao mundo, para gaudio do seu S. José.
Menino e moço era um bambino encantador, com o seu barrete regional. Todos gosavam a belesa do creanço, fresco, pimpolho e ravissant. E tanto mimo lhe fizeram, tanto o carinho, tanta a festa, que na ladeira da vida ficou sempre menino.
A sua auto-biografia é comovente: «sacrificio de todas as fôrças na sinceridade da sua consciencia, sacrificio da sua saude e até do epouso em que seria licito conservar-se».
Menino de côro - todo ele se consagrava como unção á limpesa dos metais do altar.
Menino e conego é um assombro vê-lo coser para fóra tantos sermões glorificando a Santa Religião do Nazareno, aquele mesmo que correu a azorrague os vendilhões do Templo - Religião de bondade e de insenção, prégando o desptreso dos bens terrenos para só olhar ao predominio dos espiritos. Só valia o reino dos Céus.
Ha coisas que sempre ficam e assim é que o rev.º Gomes Jardim se agarra hoje á tocha flamejante dos Santos Evangelhos, com o mesmo fervor com que o fazia nos tempos de... menino e moço.
Então praticava os oficios porque o papá e a mamã o mandavam, mas agora, que penetrou em vastos e dificeis estudos religiosos, sabe nestas questões onde é que tem a sua mão direita.
E não diz isto por vaidade. Ele é tão modesto que nos seus arroubamentos misticos se metamorfoseia em humilde cordeiro, figura simbolica de Cristo imolando-se como vitima para resgatar os pecados da humanidade, ou seja - os votos que o clero madeirense andou desenfreadamente galopinando em eleições sucessivas para o partido do Dr. Afonso Costa, o Mata-frades autor da lei de Separação.
Trazido para a cidade, e mercê dos epicenos que o cercam, alguns sempre ás venias calipigias, que lembram a tirada:
Se te agarro,
Se te apanho,
Se te apilho.
não possue aquele verniz que só dá o trato social. Por isso se não podem levar a mal uns termos baroques, que não são parlamentares e muito menos de Catedral.
Menino de vila é positivamente menino-vilão."
(Excerto de III)
Francisco Conceição Rodrigues (Funchal, 1885 - Lisboa, 1943). "Abandonou a direção do Diário de Notícias a 19 de setembro de 1927, publicando no dia seguinte a sua despedida, onde alega que os seus “princípios não torcem nem quebram e, se possível”, cada vez os sentia mais arreigados no seu íntimo. Afirma que sempre se batera por uma cidade “que se transformasse numa terra de turismo, com hábitos europeus”, mas tinha de reconhecer “que parámos há muitos e muitos anos e é enorme a distância que nos separa dos países civilizados”. Considerava-se “à margem dos partidos políticos, que hoje não me interessam absolutamente nada”, mas entendia que perdera capacidade para dar o seu “concurso a bem da coletividade, para prestígio e engrandecimento da República”. O antigo diretor do Diário, onde trabalhara 28 anos, retirou-se para Lisboa com a família, vindo o filho, general Bettencourt Rodrigues (1918-2011) a tornar-se depois uma das figuras militares incontornáveis do final da época de Salazar (1889-1970) e da de Marcelo Caetano (1906-1980)."
(Fonte: https://www.arquipelagos.pt/imagem/f-conceicao-rodrigues-homenagem-do-pessoal-do-diario-de-noticias-do-funchal-20-de-setembro-de-1927-ilha-da-madeira/) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Conserva cinta promocional do editor reproduzindo, entre aspas, frase emblemática do prefaciador.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse histórico e regional.
20€

12 abril, 2026

EÇA DE QUEIROZ -
Questão de naturalidade
. Porto, Imprensa Portugueza, 1906 [aliás 19--]. In-8.º (21x14,5 cm) de [4], 20, [8] p. ; il. ; B.
Edição fotocopiada - sem data - elaborada a partir da versão original desta obra publicada em 1906.
Trata-se do "ponto final" colocado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim  a propósito da polémica com Vila do Conde acerca da naturalidade de Eça de Queiroz, que para o efeito apresenta provas irrefutáveis que atestam a naturalidade poveira do grande escritor português, documentos aqui reproduzidos em fac-símile.
Opúsculo ilustrado com reprodução da lápide afixada na casa de Eça, na Póvoa, e fac-símiles de duas cartas e sobrescrito do pai de Eça de Queiroz.
"Alguns dias antes de ser inaugurado e acceite, pela Camara Municipal da Povoa de Varzim, a lapide bronze destinada a memorar o nascimento de Eça de Queiroz n'um predio d'esta localidade viu-se, com alvoroço e surpreza, a villa visinha contestar o asserto da homenagem projectada. Em projecto, todavia, estava de ha muito, a consagração iniciada por alguns conterraneos residentes no Brazil: em projecto se exhibira ha mais de um anno, em jornaes, o monumento concebido e modelado pelos irmãos Teixeira Lopes; em projecto ainda ficára anteriormente uma iniciativa municipal que os periodicos locaes annunciaram e a benemerencia dos ausente prejudicou. E não obstante, só duas semanas antes da solemnidade é que surge uma reivindicação que nem factos precisos, nem a tradição oral e escripta fundamentavam."
(Excerto de Questão de naturalidade)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta vinco no canto superior direito.
Invulgar.
10€

02 abril, 2026

CAUSA SOBRE NULLIDADE DE MATRIMONIO ENTRE PARTES DE UMA, COMO AUCTORA, A SERENISSIMA RAINHA D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABOYA, NOSSA SENHORA, E DA OUTRA O PROCURADOR DA JUSTIÇA ECCLESIASTICA EM FALTA DE PROCURAÇÃO DE SUA MAGESTADE EL-REI D. AFFONSO VI, NOSSO SENHOR
. Lisboa, Imprensa União-Typographica, 1858. In-8.º (21x13 cm) de XV, [1], 133, [1] p. ; E.
Peça jurídica sobre o processo de divórcio entre o rei D. Afonso VI e sua mulher, a rainha D. Maria Francisca de Saboya, que alegou a impotência do monarca e, por consequência, a impossibilidade de consumar o casamento, para a sua anulação.
Processo histórico que suscitou as maiores dúvidas na época, e nos dias que corrrem, sendo vasto o rol de historiadores que se dividem na apreciação dos factos. Verdade ou conspiração? Os problemas físicos do rei obstariam à cópula de facto, e por conseguinte impeditivos da consumação matrimonial, ou interesses políticos e a afeição entre a rainha e o cunhado real precipitaram o desfecho conhecido?
Obra rara e muitíssimo interessante. Contém inúmeras peças relevantes para a construção do processo, incluindo o depoimento de 22 testemunhas da parte do procurador da rainha, sendo a maior parte relativo a mulheres jovens que tiverem encontros íntimos com o rei (descritos para os autos em pormenor), o Breve do Papa Clemente IX que confirma a nulidade do matrimónio real e certifica a união de D. Pedro com a rainha, e a Sentença Final.
"D. Afonso nasceu a 21 de agosto de 1643, quarto filho do rei D. João IV e da rainha D. Luísa de Gusmão. Depois da morte de D. Teodósio, seu irmão primogénito e herdeiro do trono, e apesar dos seus problemas de saúde, D. Afonso VI subiu ao trono em novembro de 1656. Cognominado de O Vitorioso, foi o 22.º rei de Portugal.
O casamento de D. Afonso VI com Maria Francisca Isabel de Sabóia, Mademoiselle d’Aumale celebrou-se por procuração em 27 de junho de 1666, e a nova rainha chegou a Lisboa a 2 de agosto do mesmo ano. Mas o casamento não resultou e foi anulado.
D. Afonso VI foi deposto pelo seu irmão D. Pedro, e passou a vida em cativeiro, primeiro na ilha Terceira e depois em Sintra, onde veio a falecer a 12 de setembro de 1683."
(Fonte: https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/casamento-de-d-afonso-vi-com-maria-francisca-isabel-de-saboia/)
"A historia é a immortalidade da recordação. Assim como as virtudes e os crimes se continuam na lembrança dos povos, ella os perpetúa desde a interveção da imprensa nas suas paginas sem limite. [...]
Publicando a Causa entre as partes, de uma, como auctora, a rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya, e da outra o procurador da justiça ecclesiastica, em falta de procuração d'el-rei D. Affonso VI, fazemos conhecido um documento celebre, que é apenas como a decoração de uma das principaes scenas desse drama, que, se está por fazer no theatro, está ha muito completo nas paginas da historia. [...]
A 24 de março de 1668, vespera de Ramos, saiu a sentença que annullou o matrimonio de D. Affonso VI com D. Maria Francisca Isabel de Saboya. A princeza mandou intimar os tres-estados, pedindo a restituição do seu dote para se recolhger a França. Os fios do trama urdido com tanto cuidado vão unir-se no ponto desejado.
D. Maria de Saboya havia ganho a estima de todas as classes. Os estados não a queriam deixar partir, e juntos ao senado da camara vão supplicar-lhe, como uma graça, o que ella, como  mulher, deseja com a vehemencia da ambição, e com o enthusiasmo do amor. Supplicam-lhe que acceite a mão do regente. Annue a princeza, e a 2 d'abril a benção nupcial, confirmada mais tarde pelo breve de S. S. Clemente IX, liga os destinos de D. Maria de Saboya, e do infante D. Pedro. 
D. Affonso VI tem ainda o nome de rei; mas depois do desterro na ilha Terceira, vive captivo naquelle carcere tão conhecido da risonha Cintra. O irmão que lhe tomára a esposa e o reino deixa-lhe, como symbolo de um poder já findo, essa insignia de que se adorna só depois da morte de D. Affonso VI.
Fallecido o rei em nome, o rei de facto sóbe ao throno, tendo ao lado a que pelo seu amor ahi o conduzira."
(Excerto da nota d'Os Editores)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

30 janeiro, 2026

A QUESTÃO DINÁSTICA - DOCUMENTOS PARA A HISTORIA.
Mandados coligir e publicar pela Junta Central do Integralismo Lusitano. Lisboa, Empresa Nacional de Industrias Graficas, Limitada, 1921. In-fólio (31,5x23 cm) de [4], 631, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante documento sobre a sucessão de D. Manuel II, último rei de Portugal, dada a recusa deste em conspirar contra o estado republicano, tendo em vista eventual restauração do regime monárquico. Com interesse para a história do movimento integralista português.
"Reunindo em volume todos os documentos oficiáis, referentes ao conflito aberto ha quasi dois anos, entre o Integralismo Lusitano e o Senhor Dom Manuel II que foi Rei de Portugal, serve-se apenas o proposito de actualizar e perpetuar os termos liais e exactos de uma questão politica, já hoje tão esquecida e deturpada nas suas razões fundamentais.
As pessoas de boa-fé que quiserem conhece-la ou recorda-la em toda a sua expressão de verdade, encontrarão neste livro os necessarios recursos para sua completa elucidação.
Essa questão politica está hoje morta e ninguém pode pensar em ressuscita-la. No entanto, publicando todas as peças do processo, algum serviço se presta á verdade e aos direitos da justiça daqueles que, em nome dos principios monarquicos e do interesse nacional que por eles se define, tiveram o doloroso dever de a provocar e a honra de a sustentar, obedecendo aos ditames da sua inteligencia e á sua dignidade de portugueses e de patriotas.
"
(Introdução - A quem ler)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
20€

07 janeiro, 2026

MONTEIRO, Rafael -
A VERDADE SOBRE OS LIMITES DOS CONCELHOS DE SESIMBRA, ALMADA E SEIXAL
. Sesimbra, [s.n. - Composto e impresso na União Gráfica - Lisboa], 1970. In-4.º (23x16 cm) de 168 p. ; il. ; [7] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre os limites territoriais de importantes polos da Margem Sul - Sesimbra, Almada e Seixal.
Ilustrada no texto e em página inteira com fotografias, plantas, mapas e documentos fac-símile, e em separado, com 7 desdobráveis que reproduzem mapas e documentos antigos.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Desde há muito se sabia - pelo menos na Vila de Sesimbra - como andavam «confundidos» os limites deste Concelho com os do Seixal, na região de Fernão Ferro, e com os de Almada, na região da Fonte da Telha. [...]
Mais tarde (em 1950, se não erramos), Almada entrou na liça. E assim começou a «questão», que não vamos historiar, mas tentar esclarecer - no interesse comum."
(Excerto do Preâmbulo)
Rafael Alves Monteiro (1921-1993). "Etnólogo, Arqueólogo, Paleontólogo, Historiador e Funcionário Público. Foi um sesimbrense que se destacou  em função do seu trajeto intelectual, fruto de um trabalho contínuo e aplicado de aprendizagem por iniciativa própria. Autodidacta, dedicou a sua vida ao estudo da história local, tendo versado sobre diversas temáticas, com especial incidência sobre o concelho de Sesimbra."
(Fonte: https://arquivo.cm-sesimbra.pt/authorities/32)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
30€

06 janeiro, 2026

BARBOSA, Cunha de -
DUAS PALAVRAS SOBRE O OPUSCULO DO SR. NAVARRO OS FUSILAMENTOS.
Militarmente: o Direito e a necessidade. Em geral: A legitimidade da Pena de Morte. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1875. In-8.º (22,5x14,5 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Importante peça bibliográfica com interesse para a história da Pena de Morte em Portugal.
Trata-se da posição do autor, homem público, natural de Penafiel, acerca do polémico livro de Emídio Navarro a favor da pena capital, publicado meses antes, na sequência do assassinato de um jovem oficial em Lisboa, acto frio e traiçoeiro, perpetrado por um soldado de Infantaria 2 que chocou e comoveu o país.
"Modesto cidadão, no remanso de nossa pobre e isolada aldeia (no concelho de Penafiel), aonde apenas chega algum periodico, e ignorando completamente o muito que parece se tem escripto, pro e contra, na questão do dia sobre a legalidade da pena de morte - applicada militarmente - um amigo n os offerecera, ha pouco, o nitido opusculo do sr. Navarro, que lemos com avidez e muito interesse. [...]
Rendido este culto sincero, e não professando as mesmas idêas, assaltou-nos a velleidade de expender as nossas em contraposição - taes e quaes as sentimos, sem rebuço, que o não permitte a natural franqueza no nosso character, de que sempre fizemos timbre - tanto na vida publica como na particular, embora desagradem! [...]
O nosso opusculo divide-se naturalmente em tres partes, depois d'um succinto preliminar sobre a opinião publica - agitada em Lisboa pelo crime de Antonio Coelho. Na primeira se tracta a questão de direito ou legalidade da pena de morte - applicada militarmente. Na segunda, da necessidade. Na terceira, em geral, da legitimidade da mesma pena."
(Excerto do Preâmbulo)
"O grito de indignação em Lisboa, e logo repercutido nas provincias, contra o assassino perfido e traiçoeiro, de envolta com maguada sympathia que inspirava a innocente victima - o desventurado alferes Brito, - foi, sem duvida, justificadissimo, não se eximindo d'essa commoção, que a todos profundamente affectára, o illustre escriptor, que mesmo confessa: - que se o assassino tivesse sido logo dado á morte sem processo regular nem formulas ordinarias de justiça, essa execução capital, embora monstruosa, seria reputada legitima por alguns, e desculpada por muitos!»"
(Excerto de Preliminar)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Indisponível

05 janeiro, 2026

NAVARRO, Emygdio - OS FUSILAMENTOS. O Direito - A Politica - A Ordem Social. Lisboa, Typographia do Jornal - O Paiz, 1874. In-8.º (20x13 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante peça bibliográfica com interesse para a história da Pena de Morte em Portugal.
Trabalho publicado na sequência do assassinato do alferes Palma e Brito pelo soldado de infantaria n.º 2, António Coelho. A juventude do oficial e as circunstâncias que rodearam o acto, provocaram indignação e revolta um pouco por todo o país, com epicentro em Lisboa, onde se deu o crime. A pena a aplicar, originou uma enorme discussão pública com participação de personalidades dos mais diversos quadrantes da sociedade civil e militar.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O auctor d'este pequeno opusculo é jornalista. Por mais de uma vez tem defendido na imprensa periodica as idéas, que ora entrega á publicidade, e foi a sua penna uma das primeiras, que se cruzaram com as espadas n'esse duello, que se fere sobre a sepultura do desditoso Palma e Brito. [...]
Quando entre nós surge uma questão grave, que vem cortar a monotonia e a tranquilidade da nossa existencia, é costume começar-se por pedir á opinião e á imprensa, que não agite e discuta essa questão como questão partidaria. Erro grave, ou confissão da nossa profunda decadencia. São essas as verdadeiras, as unicas questões partidarias, porque são ellas, que estabelecem divergencias consideraveis em pontos de doutrina, demarcando arraiaes, caracterisando distinctamente os partidos, os quaes devem separar-se pelas diferenças de ideias e principios, e não pelas rivalidades dos homens e as ambições dos corrilhos. Para o auctor d'este opusculo, o fusilamento do soldado Antonio Coelho é, primeiro que tudo, uma gravissima questão politica, e notavel raia divisoria entre os campos occupados pelos partidos militantes. Assim o trata."
(excerto do preâmbulo)
A questão divide-se naturalmente em tres partes distinctas: - qual deve ser o procedimento dos tribunaes, qual o do governo, e qual o do poder moderador, no castigo do crime e na solução dos problemas gravissimos de ordem politica e social, que com elle se prendem. Nunca é inconveniente a discussão nos paizes, que se regem por instituições livres; e, n'esta conjectura, é ella tanto mais necessaria, quanto mais imperativas se mostram mal disfarçadas manifestações de militarismo. Contra a força dos sabres convem oppor a força da razão e da opinião publica. Restabelecer-se-ha d'este modo o equilibrio, para que sejam decretadas com independencia e reflexão as resoluções, que houverem de adoptar-se. Nem a paixão é bôa conselheira, nem a pressão de uma classe qualquer póde ser garantia de justiça e acerto."
(Excerto da introdução - Os fusilamentos)
Emídio Júlio Navarro (Viseu, 1844 - Luso, 1905). Jornalista, político e diplomata português. "Foi aluno do Seminário de Bragança, onde completou o 2.º ano do Curso de TeoIogia. Em Coimbra, não se sentindo com vocação para a vida eclesiástica, matriculou-se na Faculdade de Direito, tendo concluído o curso em 1869. Deputado, ministro de Estado e ministro de Portugal em França, Emídio Navarro foi sobretudo um grande jornalista. Quando estudante em Coimbra, fundou o jornal A Académica, que teve como colaboradores João de Deus, Teófilo Braga e outros. No Conimbricense também escreveu assiduamente, onde começou a revelar-se dando extraordinárias provas de polemista, de incomparável observador e comentador da vida política do seu tempo. Regressado a Bragança, abriu banca de advogado e aí publicou alguns artigos sobre a Revolução Francesa e os seus homens mais eminentes e tentou fundar um jornal político. Em Lisboa, fundou O Progesso, foi director do Correio da Noite, órgão do partido progressista, onde ingressou. Nomeado secretário do Tribunal de Contas e eleito deputado em várias legislaturas, foi mais tarde para Paris como Ministro de Portugal. Luciano de Castro nomeou-o Ministro das Obras Públicas, tendo desenvolvido notável acção. Abriu grande parte das estradas de Portugal, alargou os serviços florestais, criou, protegeu, edificou e consolidou tudo quanto podia contribuir para o desenvolvimento do património nacional. Após o regresso de Paris, abandonou por completo a actividade política e dedicou-se ao seu jornalismo. Nesta última fase salienta-se a «questão dos tabacos» que ocasionou extraordinários episódios políticos. Parecia que a sua pena ressurgia, moça, dos tempos antigos. Minado pela doença, retirou-se com sua família para o Luso, onde viria a falecer."
(Fonte: www.prof2000.pt)
Exemplar brochado, aparado, em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Sem contracapa.
Muito invulgar.
Indisponível