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08 junho, 2024

MEDINA, João - HISTÓRIA DE PORTUGAL CONTEMPORÂNEO.
(Político e Institucional). [Lisboa], Universidade Aberta, 1994. In-4.º (29,5x21 cm) de 468, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: Vista do estuário do Tejo com a Torre de Belém à esq. Óleo de Thomas Buttersworth (séc. XIX); colec. R. Bachmann.
Obra de fôlego - de generosas dimensões - sobre a História de Portugal Contemorâneo.
Trata-se do manual desta disciplina produzido pela Universidade Aberta para apoio dos alunos do Ensino à Distância.
"«Dentro do Paço, habitado pela sombra de um rei, vagueavam nas salas nuas as sombras de uma corte. Era um dó, uma tristeza mole sem nobreza. [...] O reino era de frades, mas metade deles não estava em seu juízo. Tudo enlouquecera, tudo emparvecera. E de longe ouvia-se o trovão medonho da França. [...] Uma vaga nuvem de tristeza caída envolvia o paço, envolvia a nação, moribunda e silenciosa. [...]
De joelhos, o príncipe chorava implorando sossego à mãe delirante; fora, nos jardins, ouvia-se o estalar das castanholas e o grito selvagem da malagena; e de longe, pelas quebradas das serras, vinha reboando o trovão ameaçador da tempestade francesa a aproximar-se». [...]
A derrocada do Antigo Regime foi precedida, entre nós, por um trauma considerável, directamente ligado às ambições imperialistas de Napoleão na península ibérica: a ocupação de Portugal pelas tropas invasoras francesas, durante cerca de cinco anos (1807 a 1811), com especial dureza durante a primeira invasão, altura em que, de finais de 1807 ao fim do verão de 1808, fomos um país virtualmente decapitado na sua soberania nacional, ainda que a sua realeza se tivesse refugiado no Brasil, onde aliás se manteria até ao fim da tempestade e mesmo para além dela, para só aqui voltar o prófugo príncipe regente, agora D, João VI, quando entre nós triunfou a revolução vintista (Agosto de 1820), dirigida tanto quanto às exacções do ocupante inglês como destinada a fazer vigorar entre nós os princípios liberais."
(Excerto de A tempestade napoleónica)
João Medina (n. 1939). "É Professor catedrático de História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; nasceu em Moçambique em 1939; licenciou-se em Filosofia na Universidade de Lisboa; doutorou-se em em Sociologia na Universidade de Estrasburgo, tendo ensinado na Universidade de Aix-en-Provence (França). Em Portugal foi Diretor-Geral no Ministério da Comunicação Social (1975-1977); desde 1988 é professor catedrático de História na faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ensinou ainda nas universidades de Colónia (Alemanha), Pisa (Itália), São Paulo (Brasil) e nos Estados Unidos. Tendo realizado um vasto percurso como conferencista, colaborador e cronista em vários países em todo o mundo."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado. Cadernos soltos. Algumas páginas (poucas) com notas a lápis.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

31 outubro, 2021

BARROS, N. A. - BREVES NOÇÕES SOBRE A ARTE DE DOURAR E AS APLICAÇÕES DO OURO EM FOLHAS.
Coligidas por...
Lisboa, Editado por A Favrel Lisbonense, 1933. In-8.º (15,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual de dourador.
"O ouro é um material conhecido desde a mais remota antiguidade; é amarelo, brilhante, sonoro, inodoro e insípido. Ocupa o primeiro lugar entre o metais pela sua maleabiliade e ductilidade, e o quinto logar pela tenacidade.
O ar, o oxigénio e a água não têm acção sôbre êle. O ouro combina-se com quási todos os metais e também como o enxofre, o fosforo, o iodo e o cloro. Não pode ser dissolvido senão pela água régia.; mas os sais de ouro dissolvem-se na maior parte dos acidos.
A mais notável das suas propriedades , e a que mais interessa aos douradores, é a sua extrema maleabilidade, que, permitindo reduzi-lo a folhas muito finas, torna possível cobrir com este metal caro, grande superfícies, por um preço relativamente baixo.
O brilho e a beleza do ouro fizeram com que se procurasse e achasse a fórma de aplicar este metal sôbtre uma infinidade de corpos; mas as fórmas de dourar são muito diferentes umas das outras, conforme a natureza dos corpos aos quais se pretende dar a aparencia exterior do ouro. Daqui resulta que a arte de dourar está muito espalhada e consta dum grande número de processos especiais."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
Breves noções sôbre a arte de dourar e as aplicações do ouro fino em folhas [Preâmbulo]. | Dourado a óleo. | Dourado a têmpera: Colar; Gessar; Amaciar; Reparar; Desengordurar; Dar o bolo; Dourar; Brunir; Foscar. | Dourados a mordente, com foscos e brunidos. | Dourado em pedra. | Dourado em vidro: Dourado brilhante (sôbre vidro); Dourado a fôsco (sôbre vidro). | Dourado em encadernações e tecidos. | Dourado a prata e verniz de douradora. | Nota importante.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar.
Indisponível

10 julho, 2021

CARNEIRO, Decio - MANUAL DO SAPATEIRO.
[Por]... [Director da publicação technica da industria de calçado Revista de Couros e Pelles e revisto por Alfredo Carvalhal, Secretario da Associação Industrial dos Lojistas de Calçado]
. Portugal - Lisboa, Bibliotheca de Instrucção Profissional : Brazil - Rio de Janeiro, Francisco Alves & C.ª, Livreiros Editores, [191-]. In-8.º (18,5 cm) de 356 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual para aprendizagem do fabrico e conserto de calçado, publicado na apreciada colecção Bibliotheca de Instrucção Proffissional.
Livro profusamente ilustrado ao longo do texto com tabelas, fotogravuras e desenhos esquemáticos, alguns deles em página inteira.
"A Sapataria constitue ao presente uma arte e das mais valiosas, arte de bom gosto na confecção e de habilidade na execução technica. Passou o tempo em que a rotina e a ignorancia a dominavam, reduzindo-a a um simples mester.
Como consequencia desta transformação, o sapateiro, o fabricante de calçado como se diz á moderna, subiu na hierarquia social e passou a ser um artista. Que, é verdade, épocas houve em que os sapateiros fôarm despresados e até abominados. Alguem se sorrirá com ares de incredulidade, mas lembraremos que, ainda em nossos dias, a despeito de todos os progressos das idéas democraticas, em muitas partes se comete a injustiça de encarar os operarios de calçado como uns seres despreziveis, inferiores; mesmo entre nós ouve-se muito a miudo, com um pronunciado assento de desdem, exclamar - é sapateiro e basta. [...]
Se o sapateiro tem de ser um artista, facil se torna deduzir que precisa de uma instrucção adequada afim de poder aplicar a intelligencia na producção das suas obras.
O sapateiro, ou fabricante de calçado, tem de habilitar-se com os conhecimentos tehcnicos necessarios para desenvolver a sua capacidade intellectual e, assim, saber executar o seu trabalho com mestria. Enfim hoje como nunca, e como em todas as artes, a instrucção profissional impõe-se como base de todo e qualquer progresso. [...]
Nos paizes de lingua portuguesa tem sido muito descurado o ensinamento technico da sapataria e, por isso, os proprios mestres se resentem bastante da falta de conhecimentos dos mais indispensaveis na sua arte. É essa lacuna que o autor deste livro tenta preencher.
E dizemos tenta porque, claro está esta obra, sendo a primeira no genero escrita em portuguez e por um portuguez, não deixará de apresentar defeitos á vista dos mais exigentes. [...]
O autor da presente obra tem estudado a industria de calçado sob todos os seus aspectos nas oficinas e fabricas de Portugal, as quaes todas conhece por visitas demoradas e muita observação. [...]
O presente tratado dividir-se-ha, portanto, nas partes seguintes:
I - O pé e a perna - Estudo anatomico do pé, seus movimentos, doenças e higiene.
II - Modelação ou organização dos moldes - Tomar das medidas e corte dos moldes dos diversos generos de calçado.
III - O corte e as materias primas - Conhecimento dos cabedaes e passagem dos moldes á pelle cortando-os convenientemente.
IV - Trabalho preparatorio e ajuntado - O trabalho chamado tambem de costureira, por meio do qual se prepara a carcassa do calçado (gaspiado e talões) para a montagem á fôrma.
V - Trabalho manual ou de parinho - Começa a diferenciação do trabalho. O cosido e pregado manual.
VI - O fabrico mecanico - Indicação das principaes e mais importantes machinas empregadas no fabrico de calçado e operações que realizam.
Crêmos ser a ordem acima exposta o desenvolvimento mais logico para um trabalho visando os intuitos de ensino profissional como este. E conveniente nos pareceu, igualmente, antepôr lhe uma Introducção versando um esboço geral da historia do calçado e da evolução da respectiva industria."
(Excerto de Prefacio)
Indice:
Prefacio. | Introducção. | Livro I - O pé e a perna. | Livro II - Modelação. | Livro III - O corte e as materias primas. | Livro - IV - O trabalho de ajuntado. | Livro - V -  O trabalho manual dos pés ou parinho. | Livro - VI - O fabrico mecanico.
Encadernação  do editor inteira de percalina com ferros gravados a seco e a negro na pasta anterior e na lombada. Corte das folhas carminado.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
35€

14 junho, 2018

LEITÃO, C. A. Marques - TRABALHOS MANUAIS EDUCATIVOS : instrução secundária. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Papelaria e Tipografia Fernandes & C.ª, Ld.ª, Lisboa], [191-]. In-8.º (20cm) de 141, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a introdução da disciplina de trabalhos manuais no programa de ensino escolar oficial, obra precursora, a primeira que sobre o assunto se publicou entre nós.
Ilustrada com os retratos de pedagogos/filosofos internacionais, e bonitos desenhos e fotogravuras a p.b. nas páginas de texto.
"Os trabalhos manuais não constituem um simples factos da educação fisica, e assim como muitas vezes os isolam, outras tantas se esquece, que a educação fisica preside sempre á acção das forças morais. [...]
Os trabalhos manuais agora estabelecidos nos programas do ensino secundario, representam, a meu ver, uma profunda remodelação nos nossos processos educativos, e, tendo realisado algumas tentativas, procurando integrar este ensino em toda a acção da escola secundaria, dispuz-me a coordenar este simples trabalho, em traços muito gerais, concluindo por expôr alguns factos, que julgo chegarem a proposito no momento em que se procura pôr em pratica a disposição da nova lei. Pertencem esses factos a uma escola portuguêsa, e tanto basta para que possam merecer alguma atenção, pondo de parte por alguns instantes, o que sabemos do que se passa lá por fóra, procurando saber o que se passa cá dentro.
E isto exposto, seguindo a ordem dos meus apontamentos, assim os trago á publicidade, tratados por uma forma mais cuidada, mas sem pomposos atavios."
(excerto do Cap. I)
Carlos Adolfo Marques Leitão (1855-1938). "Professor pedagogista e oficial do Exército. Assentando praça em 15-IX-1873, foi promovido a alferes em 5-1-1876, a tenente em 8-X1­-1882, a capitão em 21-XII-1887 e a major em 20-X-1898. Foi professor de Desenho e Geografia do príncipe real D. Luís Filipe e do infante D. Manuel. Figura de ele­vado prestígio no Exército e na Instrução, dedicou a cada um daqueles ramos a sua notável inteligência. Ofi­cial do Estado Maior, foi também director do Colégio Militar, cargo que desempenhou até à proclamação da República. Foi deputado, vogal do Conselho Tutelar de Terra e Mar, vice-presidente do Conselho Superior de Ensino Industrial e Comercial e presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, durante a ditadura franquista. Nomeado director da Escola Industrial Marques de Pombal, tão dis­tinta se tornou a sua actividade, que fez daquele estabe­lecimento uma escola modelar. Em 1930 foi-lhe pres­tada, nessa escola, uma calorosa homenagem, com a assistência do Chefe do Es­tado. O coronel Marques Leitão era condecorado com as ordens de S. Bento de Avis, de Santiago, de N. Sra da Conceição e grã-cruz da Ordem da Instrução."
(fonte: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)
Exemplar em razoável estado de conservação. Capas bastante atingidas pela humidade, bem com as primeiras e derradeiras páginas do livro, no pé, junto ao corte inferior das folhas. Pelo interesse e raridade, a justificar trabalho de restauro.
Raro.
15€

05 junho, 2017

CORREIA, Carlos Alberto - CARPINTARIA. I. Iniciação profissional. Colecção profissional dirigida por... Lisboa, Emprêsa Nacional de Publicidade, 1931. In-8.º (17cm) de 64 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual dedicado à arte de carpintaria. Ilustrado com 201 figuras distribuídas por 15 páginas.
"O livro profissional é o utensílio indispensável para coadjuvar a inteligência, é a ferramenta que ensina a manejar todas as outras, é o guia e o conselheiro desinteressado do artista.
Para todos os que se dedicam à arte de carpintaria êste modesto trabalho terá sempre alguma utilidade, mas, mais especialmente, destina-se ao aprendiz qie, á falta de escola profissional, necessita ter onde adquirir os indispensáveis conhecimentos que lhe deem os ensinamentos precisos, de forma que amanhã se não veja condenado a ser um operário rotineiro ou inconsciente que não sabe resolver as dificuldades da sua arte."
(excerto do prefácio)
Índice:
A madeira: - Idade da madeira. - Propriedades gerais das madeiras: Higrometria; Secagem e suas consequencias; Dureza; Densidade; Elasticidade; Tenacidade; Defeitos das madeiras; Qualidade da madeira. Ferramentas de carpintaria: - Utensílio neutros. - Utensílios activos: Serras e serrotes; Ferramentas de desbastar; Ferramentas de moldar; Ferramentas cortantes; Grossas e limas; Utensílios de medir e traçar; Ferramentas mecânicas; Material acessorio. Ferragens para madeira: Pregos; Parafusos; Braçadeiras; Esquadros; Ferrolhos. Tecnologia: - Como se inicia uma obra de carpintaria: Projecto da obra; Desbaste; Desempeno das faces. - Sambladuras: Generalidades; Solidez duma sambladura; Classificação das sambladuras. Molduras. Atlas [Figuras - desenhos esquemáticos].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
A BNP tem recenseado apenas um exemplar.
Indisponível