01 agosto, 2026

O LIVRO DAS CREANÇAS : Portuguezas e Brazileiras.
Coordenado por D. João da Camara, José Antonio de Freitas, Maximiliano de Azevedo e Raul Brandão. Lisboa, Livraria Ferreira, Editora, 1909. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 370, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Capa assinada "Candido" (Bento Cândido da Silva?).
Obra dirigida ao público mais jovem, pretende celebrar a união fraterna entre Portugal e o Brasil através da língua e da história comum. A colaboração de ilustres personalidades de primeira água da cena literária nacional valoriza e muito abrilhanta o livro, incidindo em episódios e locais históricos, monumentos e figuras públicas de ambos os países.
Inclui dois textos dedicados a Camilo: Camillo Castello Branco (apontamento biográfico) e A infancia de Camillo (por ele mesmo).
Livro muito ilustrado no texto com belíssimos desenhos e fotogravuras, sendo alguns reproduzidos em página inteira.
Ha n'este mundo uma força incomparavelmente mais poderosa que a da materia - é a do espirito.
Nascer, por acaso, na mesma terra não prende tão estreitamente os homens como a fé, o amor, o ideal. A idêa de patria está sem duvida ligada á idéa material de terra; mas patria não é só isso; é o trabalho, a intelligencia, o amor, o heroismo dos que n'ella nasceram e por ella soffreram.
Portuguezes e brazileiros são irmãos, embora nascidos em paizes distantes; irmãos pelo sangue, pela lingua e pelas aspirações. E se os portuguezes olham orgulhosos gente da mesma raça caminhar na frente d'uma grande civilisação, e vêem o Brazil, pais uberrimo, seguir n'uma larga e radiosa estrada de prosperidades, de certo existe nos brazileiros o mesmo sentimento por uma ascendencia illustre e tão farta de glorias como esta. Prende-nos ainda a formosa ligua de Camões, que os portuguezes enriqueceram, e que hoje tantos brazileiros illustres opulentam."
(Excerto do Preâmbulo)
"Fui educado n'uma aldêa, onde tenho uma irmã casada com um medico, irmão de um padre, que foi meu mestre. O mestre podia ensinar-me muita coisa que me falta; mas eu era refractario á luz da gorda sciencia do meu padre. Fugia de casa para a serra, dava muitos tiros ás gallinholas e perdizes; porém, louvado seja Deus, não me dóe o remorso de ter matado uma!
O meu gosto era pascer o rebanho de casa por aquelles saudosos valles. Todavia, minha irmã oppunha-se a este humilde serviço. Dizia-me coias que eu não percebia ácerca da minha dignidade; reprehendia os meus baixos instinctos; attrahia ao seu voto o marido e o padre, e cortava-me o rasteiro vôo escondendo de mim a clavina, o polvorinho, e os salpicões e a brôa, e a cabacinha da agua-ardente."
(Excerto de A infancia de Camillo)
Encadernação do editor em tela policromada com letras gravadas e negro e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

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