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10 junho, 2026

FALCÃO, Garibaldi - LUCRECIA BORGIA.
Adaptação do celebre drama de Victor Hugo. Por... Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1916. In-8.º (20x12,5 cm) de 23, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico. Trata-se de «Lucrecia Borgia», adaptação da famosa peça teatral de Victor Hugo (representada pela primeira vez em 1833), brilhantemente adaptada por Garibaldi Falcão, escritor e jornalista português. Explora a figura mítica de Lucrécia Bórgia - filha do Papa Alexandre VI -, uma mulher marcada pela lenda negra do Renascimento italiano, em época de decadência e dissolução moral, dividida entre a intriga, a crueldade da sua família e a paixão. (IA)
Garibaldi Falcão, na sua versão livre da peça, dá-nos a conhecer uma Lucrécia Bórgia na linha de Hugo, contrariando outros romances entretanto publicados, que procuravam reabilitar a nobre italiana. Em todo o caso, trata-se de um romance autónomo interessante e muito bem redigido.
"A personalidade de Lucrecia Borgia tem sido ultimamente das mais discutidas. Quer no theatro, quer no romance, Lucrecia Borgia era apresentada como o prototypo - até ha lgum tempo - da envenenadora, da mulher cynica, depravada, eivada de todos os vicios possiveis e imaginaveis, que iam desde o incesto com seus proprios irmãos até ser amante de seus pae, o papa Alexandre VI.
É assim que a tradição a representa e foi assim que o grande Mestre que é Victor Hugo a pôz em scena no seu drama, que, como todas as obras do Mestre genial, occupa e occupará sempre um logar de destaque na litteratura mundial."
(Excerto do Prefacio)
"No palacio dos doges, em Veneza, na noite de terça feira de Carnaval de um dos primeiros annos do seculo XVI, realisava-se um baile de mascaras.
Era então magistrado supremo da Republica Veneziana o celebre Barbarigo.
Os sumptuosos salões resplandeciam com myriades de luzes, que iam reflectir-se nas aguas dormentes do canal que circumdava os jardins do palacio e pelo qual deslizavam mansamente gondolas com mascarados, uns cheios de alegria expansiva e ruidosa, outros immersos em silencio e como que receiando até falar, não fôssem as aguas contar ao formidavel Conselho dos Dez um segredo meio revelado, uma palavra de sentido dubio, que trouxesse a morte a quem imprudentemente a proferira.
Porque Veneza tinha o terror da espionagem. Um gesto, uma palavra, por vezes mesmo um olhar eram uma sentença de morte."
(Excerto de I - No baile de mascaras)
José Garibaldi Viegas Falcão (1864-1944). "Foi um destacado jornalista, escritor e tradutor português. Exerceu a profissão jornalística durante cerca de 50 anos em conceituados jornais, como o Correio da Manhã, Diário de Notícias e O Século. É amplamente reconhecido como um dos grandes introdutores e divulgadores da literatura universal em Portugal. Destacou-se como autor de extensas obras documentais sobre a I Guerra Mundial, como a História Ilustrada da Grande Guerra. Traduziu para português obras de escritores consagrados, com destaque para Lev Tolstói (como Guerra e Paz), Victor Hugo, Honoré de Balzac e Charles Dickens. Para além do seu trabalho editorial, ficou também conhecido na história da imprensa portuguesa por ter sido o mentor e guia do lendário jovem jornalista Reinaldo Ferreira, mais conhecido como o Repórter X." (IA)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

24 setembro, 2023

HUGO, Victor -
A SOCIEDADE E O CRIME.
Traducção de Teixeira de Brito. Edição commemorativa do quinto anniversario do passamento do grande Poeta. Porto, Typ. de Arthur José de Sousa & Irmão, 1890. In-4.º (23x15 cm) de XX, 44 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance-ensaio pela pena de Victor Hugo, um dos grandes mestres da literatura mundial, conhecido pelas suas preocupações sociais e humanistas. Estudo raro e valioso, baseado em acontecimentos reais, foi publicado originalmente em França (1834), com o título Claude Gueux.
Versão portuguesa, cuidada, por certo com tiragem reduzida e impressa a expensas do tradutor, ilustrada com um retrato de Hugo em separado.
"Claude Gueux, cujo nome por si só evoca Os Miseráveise e anuncia com trinta anos de antecedência o imenso Jean Valjean, era um pobre diabo, sem dúvida um crápula. Em 1831 foi condenado a oito anos de prisão por roubo; assediado pelo chefe dos guardas, assassinou-o com um machado. Ele foi empurrado para o crime, jura. Seus companheiros de prisão apoiam-no. Mesmo assim, os juízes mandaram-no para o cadafalso. Desta notícia sórdida e deste julgamento, Hugo fará a acusação mais violenta e apaixonada contra a pena de morte primeiro, que este trabalhador, este miserável homem da terra não merecia, e contra a sociedade desumana da época. "As pessoas sofrem, as pessoas têm fome, as pessoas têm frio. A pobreza empurra-as para o crime e o vício. "Abram as escolas, fecharão as prisões. Hugo insulta, grita a sua indignação. E defende a nobreza do ser humano."
(Fonte: Wook)
"Ha sete ou oito annos que vivia em Paris um pobre operario chamado Claudio Gueux. Em sua companhia estava uma rapariga com quem vivia em concubinagem. Como fructo d'esta concubinagem havia uma creança de tenra edade.
É meu dever exprimir as cousas limpidamente, sem subterfugios, deixando ao leitor a tarefa de extrahir a moralidade á medida que a inflexibilidade dos factor for matizando o caminho percorrido. Assim farei.
O operario era honrado, habil, intteligente, pessimamente orientado pela educação mas optimamente protegido pela natureza: não sabia ler mas sabia pensar.
Em um determinado inverno, porém, escasseou-lhe o trabalho. O lume e o pão, materias primas da existencia, eram extranhas ao tugurio. Elle, a amasia e a creança sentiram a fome - a fome! - invadir-lhes desapiedadamente as entranhas. Ora a fome  é d'um rigor summo. N'esta desgraçada conjunctura Claudio foi impellido ao roubo. E roubou. Que roubou elle? Onde foi efectuado o roubo? Não sei. O que sei, porém, é que d'este «roubo», se roubo se póde chamar á satisfação das exigencias estomacais, resultou tres dias de alimento para a mulher e para a creança, e cinco annos de prisão para o pobre Claudio."
(Excerto do ensaio)
Victor Hugo (1802-885). "Foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande visibilidade política no seu país. Autor dos romances, "Os Miseráveis", "O Homem que Ri", "O Corcunda de Notre-Dame", "Cantos do Crepúsculo", entre outras obras célebres. Grande representante do Romantismo, foi eleito para a Academia Francesa."
(Fonte: Wook)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conservas as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação Mancha antiga de humidade no pé do retrato de Hugo (não visível na foto).
Raro.
25€

15 dezembro, 2018

HUGO, Victor - NAPOLEÃO O PEQUENO. Volume I [Volume II e Volume III]. Lisboa, Empreza da Historia de Portugal : Sociedade editora, 1901. 3 vols in-8.º (18,5cm) de 158, [2] p. (I), 160 p. (II) e 156, [4] p. ; E. num único tomo. Col. Os Romances Celebres, X
Romance polémico de Victor Hugo em 3 volumes (completo). "Napoléon le Petit (no original) foi um romance político de Victor Hugo, publicado em 1852. Criticava o governo de Napoleão III e a política do Segundo Império Francês. Hugo viveu no exílio em Guernsey durante a maior parte do reinado de Napoleão III, e as suas críticas tiveram eco no país dado que era uma das personalidades mais proeminentes e respeitadas da época. Neste trabalho, pela primeira vez foi utilizado o "esquema" 2+2=5 como uma negação da verdade pela autoridade. A obra foi contrabandeada para França tendo sido utilizados os mais variados estratagemas de dissimulação (entre fardos de palha, latas de sardinha, etc.), para ser copiada e distribuída, e lida em reuniões secretas."
(Fonte: wikipédia)
"Quinta-feira 20 de Dezembro de 1848, achava-se em sessão a Assembleia constituinte, rodeada de um imponente desdobramento de tropas. Em seguida a leitura de um relatorio do representante Wladeck Rousseau, feito em nome da commissão encarregada de verificar o escrutinio da eleição á presidencia da Republica, relatorio onde se notava esta phrase que resumia todo o seu pensamento: «É o sello da sua inviolavel potencia que a propria nação, por meio d'esta admiravel execução dada á lei fundamental, colloca sobre a Constituição para a tornar sagrada e inviolavel»; no meio do profundo silencio dos novecentos constituintes reunidos em massa, o presidente da Assembleia nacional constituinte, Armando Marrast, levantou-se e disse:
«Em nome do povo francez;
«Atendendo que o cidadão Carlos Luiz Napoleão Bonaparte, nascido em Paris, possue as faculdades de elegibilidade prescriptas pelo pelo artigo 44 da Constituição;
«Attendendo que, no escrutinio aberto em todo o territorio da Republica para a eleição do presidente, reuniu a maioria absoluta dos suffragios;
«Em virtude dos artigos 47 e 48 da Constituição, a Assembleia nacional proclama-o presidente da Republica desde o presente dia até ao segundo domingo de Maio de 1852»."
(Excerto do Cap. I, O 20 de dezembro de 1848)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto do vol. I.
Invulgar.
10€