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03 setembro, 2026

ALGARVE -
Guia Turístico do Algarve
. Olhão, Edição da Revista Internacional, 1944. In-8.º (20x14,5 cm) de [116] p. ; [2] f. il. (4 estampas f/v) ; [2] mapas ; il. ; B
1.ª edição.
Capa assinada por Narciso Morais (1892–1977), aguarelista e ilustrador como seu pai, o conhecido Alfredo de Morais (1872–1971). Texto de Mário Lyster Franco. Gravuras de Martins & Ferreira, L.da.
Curioso roteiro, o primeiro sobre o assunto - com estas características - publicado entre nós. Obra de propaganda à região algarvia, às suas cidade e vilas do interior e do litoral, promovendo as suas praias de areia branca, a par com as actividades lúdicas, serviços e indústrias sedeadas da região. Inclui publicidade da época.
Obra pioneira, rara e muito interessante, publicada numa época em que o turismo algarvio, ainda muito insípido, principiava a despontar.
Livro profusamente ilustrado no texto, incluindo a planta de Faro em página inteira, e em separado, com 4 estampas (duas de Lagos; uma de Monchique-convento; outra da Praia da Rocha), e dois mapas: Barlavento e Sotavento algarvio.
"A província do Algarve, que uma cordilheira quési interminável de montanhas divide do Alentejo, que o acidentado percurso do Guadiana separa da Andaluzia e que o Oceano Atlântico abraça por dois lados em carinhoso amplexo, constitue tôda ela uma verdadeira região de turismo.
Situada mo extrêmo sul do País e muito justamente considerada uma das mais lindas regiões de Portugal, abunda-lhe em primorosos trechos de païsagem e em notas características de vida regional, aquilo que circunstâncias várias fizeram que lhe faltasse em riquezas monumentais. Com os seus campos intensamente cultivados de uma flóra especial e tratados como autênticos jardins, as suas povoações dotadas de um facies próprio que um delírio de brancura e alguns pormenores de construcção mais acentuam, com um clima verdadeiramente excepcional, onde os rigores do inverno dificilmente se conhecem e os grandes calores são, quási sempre, amenizados pela brisa marítima, o Algarve, dotado de uma luminosidade que por vezes entontece e de um céu de azul vibrante que só encontra rival no do mar em que se reflete, merece ser devidamente assinalado ao turista que nêle muito encontrará digno de despertar-lhe o interêsse."
(Excerto de Algarve)
Índice:
Algarve | Faro | S. Braz de Alportel | Loulé | Olhão | Tavira | Castro Marim | Vila Real de Santo António | Albufeira | Armação de Pera | Silves | Praia do Carvoeiro | Portimão | Praia da Rocha | Caldas de Monchique | Lagos | Sagres e o Cabo de S. Vicente | O fabrico das conservas de peixe | A pesca do atum | O sal.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Raro.
50€

28 maio, 2026

CASTELA, Vítor -
ALGARVE EM FESTA : poema
. Faro, [s.n. - Feito na Tipografia de «O Algarve» - Faro], 1946. In-8.º (20,5x15 cm) de 80 p. ; E.
1.ª edição.
Junto com:
CASTELA, Vítor - MAR DO SUL. Poemas. Faro, Tipografia União, 1953. In-8.º (20,5x15 cm) de [76] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de duas obras poéticas de Vítor Castela tendo como pano de fundo literário o Algarve, sua província natal, partilhando a mesma encadernação. A primeira - Algarve em Festa - corresponde à sua estreia literária, e não se encontra registada na BNP.
Edições esmeradas, impressas em papel encorpado. O desenho da capa de Algarve em Festa é da autoria de José Amado da Cunha.
"Meu caro amigo:
Algarve em Festa - são trinta sonetos do poeta Vítor Castelo.
Constituem eles uma exposição de pequenos quadros juxtapostos e, em todos, são os temas regionais o que o seu pincel mais se compraz em pintar. [...]
Ainda não tive tempo para fazer uma leitura cuidada da sua obra, mas creio ser um livro que vale sôbre tudo pela pintura da paisagem e pelo folclore - que é sempre a fonte inesgotável onde vêm dessedentar-se os artistas.
Li os seus sonetos, mas já antes de os ler, bastou-me ver o título e o índice para concluir que há mais um poeta algarvio que entra em festa."
(Excerto da carta-prefácio de Emiliano da Costa)

"Asperges brancos, montes de luar
Formados, gota a gota, ao sol ardente...
Argila e sódio, hélio incandescente,
Avassalando, transformando o mar...

E moças e cantigas a bailar
Em alcalinas terras, num fremente
Esvoaçar, inquieto e permanente...
- Insectos na leveza e no voar!"

(Excerto de Salinas)

Vítor Castela. "Foi um poeta e figura carismática do Algarve, conhecido pela sua dedicação às tradições populares. Militar de carreira, com a patente de major, destacou-se verdadeiramente na região de Faro como letrista de marchas populares e autor de poesia regional.O seu trabalho mais conhecido é a obra Cântico ao Poeta Algarve (1983) que homenageia a região. Os seus poemas e textos de intervenção celebram o mar, a identidade cultural e as vivências locais do Algarve." (IA)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. O primeiro livro conserva a capa anterior. Alguns sonetos encontram-se parcialmente sublinhados.
Muito invulgar.
Indisponível

11 novembro, 2025

TAVARES, Lorjó -
INGLEZES...
Comedia em 3 actos. Pôrto, Livraria e Imprensa Civilização - Editora, 1925. In-8.º (18,5x12 cm) de 148, [6] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante comédia. "A peça tem leveza, graciosidade e perfume. Caracteres e sentimentos, definidos apenas em traços leves, conseguem, pela ternura leve e fugitiva que envolve os personagens, crear uma atmosphera de sympathia, mantendo no espectador um quasi permanente sorriso."
1.º e 2.º acto em Lisbôa - 3.º acto em Torres Novas.
Obra ilustrada com o retrato do autor e dos actores que participaram na peça distribuídos por 6 folhas separadas do texto.
José Bernardo Camilo Lorjó Tavares (Faro, 1857 - Colares, 1939). Conhecido por apenas Lorjó Tavares, foi um dramaturgo e publicista português, diretor da revista Brasil-Portugal (1899-1914) e colaborador da A illustração portugueza (1884-1890). Faleceu no asilo dos intelectuais e artistas em Colares."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta leve desgaste nas pastas.
Muito invulgar.
15€

03 janeiro, 2024

CORDEIRO, Arsénio -
PESCA GROSSA EM PORTUGAL.
[Por]... Do Conselho Técnico do Clube dos Amadores de Pesca de Portugal e Federação Portuguesa de Pesca Desportiva. [S.l.], Junta de Turismo de Cascais, 1950. In-4.º (24,5x19 cm) de 31, [3] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da pesca grossa entre nós, publicado numa época em que o país dava os primeiros passos para a divulgação deste desporto, e de que este trabalho é exemplo. Inclui no final pequeno resumo em inglês.
"Até 1950 não há registo de capturas de espadartes por pescadores amadores em Portugal. Em 30 de Outubro de 1954, Manuel Frade pesca o primeiro exemplar desta espécie, com 153 quilos, nas águas de Sesimbra. Seguiram-se as grandes pescarias de Arsénio Cordeiro (1910-1982), médico e professor catedrático que foi o grande responsável pela divulgação da pesca desportiva de alto mar em Sesimbra e, particularmente, desta espécie que se tornou numa referência gastronómica da vila e deu, inclusive, nome a uma unidade hoteleira."
(Fonte: https://www.sesimbra.pt/noticia-72/ultimos-dias-da-quinzena-do-espadarte)
Livro ilustrado com 6 figuras a p.b.  - impressas sobre papel couché - distribuídas por 3 folhas intercaladas no texto.
"Ao abordar  este assunto não podemos deixar de pensar que vamos falar sobre uma modalidade actualmente quase inexistente, mas cujas condições potenciais são de tal modo favoráveis que bem se pode afirmar termos até aqui desprezado uma riqueza colocada pela Providência a nossos pés.
Nem todos os países podem aspirar a incluir no seu arsenal turístico aquilo a que os anglo-saxões chamam o Big-Game Fishing, pois que a captura de peixes gigantes com cana e carreto está naturalmente condicionada pela existência dos mesmos em local acessível. [...]
Dum modo geral pode dizer-se que sempre há possibilidades de big-game, elas são exploradas ao máximo, mesmo em locais, como a Inglaterra, em que as áreas de pesca ficam a 50 ou 70 milhas dos portos mais próximos. Em toda a parte se procura desenvolver a pesca grossa. Em toda a parte menos cá!
O objectivo deste trabalho é pois o de contribuir com a nossa magra experiência pessoal para pôr o problema em equação, procurando estabelecer como premissas iniciais:
1) O conhecimento das nossas possibilidades no que respeita a peixes de desporto;
2) A delimitação de zonas com características próprias e interesse turístico;
3) Os requisitos necessários para tornar possível o aproveitamento desportivo e turístico dessas zonas e desses peixes."
(Excerto do preâmbulo - Considerações prévias)
Índice:
Consideração prévias | I Parte - Peixes de desporto da costa portuguesa: 1.º ) Anequim; 2.º) Atum; 3.º) Espadim; 4.º) Espadarte. II Parte - Zonas de pesca grossa: 1.º - Zona de Peniche - Berlenga: a) Mar do Cerro ou Mar do Sudoeste da Berlenga; b) Baixa da Corredoura; c) Farilhões - Mar dos Farilhões - Mar da Belatina; 2.º - Zona de Cascais - Sesimbra; 3.º - Algarve - Zona de Faro - Tavira. III Parte . Futuras investigações: 1.º) Equipamento; 2.º) A equipa de pesca; 3.º) Forma prática de realização. | Resumo e Conclusões | Summary | Bibliografia.
Arsénio Luís Rebello Alves Cordeiro (Lisboa, 1910-1982). "O Prof. Arsénio Cordeiro é considerado uma das figuras mais proeminentes da Medicina Portuguesa da segunda metade do século XX, devido às suas qualidades como clinico, investigador, professor, pedagogo, pela sua personalidade e carácter impar e multifacetada, percorrendo diversas áreas, desde a medicina até às inúmeras práticas desportivas. Especializou-se ainda em Medicina Desportiva, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, visitando Roma, Bolonha, Berlim e Hamburgo.  Empenhou-se em várias especialidades da medicina como em Medicina Interna, Cardiologia, Medicina Desportiva, Medicina do Trabalho e Medicina Aeronáutica, tendo participado em inúmeros congressos internacionais nestas áreas.  Foi nomeado Professor Catedrático de Patologia Médica, em 1958 e de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1964.  Para além de ter sido desportista de enorme mérito, distinguiu-se como campeão nacional de esgrima e espada em 1939, obtendo o record europeu da pesca do espadim branco e nos anos de 1955 e 1958, na pesca do espadarte.  Foi pioneiro da prática de esqui na Serra da Estrela. Participou também em outras atividades como a caça, remo e hipismo, tendo sido sócio e representado várias associações venatórias e piscatórias."
(Fonte: https://www.medicina.ulisboa.pt/newsfmul-artigo/89/viagem-vida-do-prof-arsenio-cordeiro)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
50€

16 maio, 2023

RECORDAÇÕES -
Á MEMORIA DO NOSSO QUERIDO FILHO ANTONIO CORRÊA MEXIA DE MATTOS
Nascido em Loulé no dia 5 de junho de 1891 e fallecido em Lisboa no dia 5 de novembro de 1911. Fallecido quasi á mesma hora em que tinha nascido com muito poucos minutos de differença. Dedicam Seus inconsolaveis paes. [S.l.], [s.n. - Typ. «A Editora Limitada» - Lisboa], [1912]. In-8.º (19,5 cm) de XIII, [1], 190, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
In memoriam do jovem louletano António Correia Mexia de Matos patrocinado por seus pais, com a colaboração de amigos e admiradores do malogrado escritor.
Obra fora de mercado, para oferta, por certo com tiragem reduzidíssima, ilustrada em separado com um retrato de António de Matos. Trata-se do repositório de crónicas e artigos dispersos do jovem prosador sobre os mais diversos assuntos - sobretudo relacionados com o "seu" Algarve - com uma verve e desassombramento incomuns para a idade. Destaque para o "sentimento" posto no retrato do Fado - a canção nacional -, e na descrição da Coimbra estudantil.
Exemplar autografado pelo pai do escritor com dedicatória pungente a Carlos Cândido Pereira, condiscípulo de seu filho.
"Foi tão cruciante a dôr que sentimos ao ver evolar-se para sempre de ti o sopro da vida que te animava; foi tão rude o golpe vibrado ao nosso coração de paes, que tanto te idolatravam, que por algum tempo ficámos aturdidos e alheios a tudo o que que nos cercava... [...]
 Porque é que, contando apenas vinte annos, havias de desaparecer para sempre d'este  mundo d'enganos, sendo, como eras, um carinhoso filho, um irmão extremoso e um dedicado amigo?! [...]
Como piedosa homenagem á tua memoria, as produções litterarias que deixaste dispersas em varios jornaes e outras ineditas, colligimos neste livro, que não é destinado á venda publica, mas sim para ser offerecido aos teus e nossos amigos e, por isso, estes desculparão quaisquer incorrecções que nelle encontrem, porque têem que atender a que foram escritas, uma grande parte, em tenra edade e quando os teus conhecimentos litterarios oficiaes não iam alem do terceiro anno do lyceu e todas ellas dos quatorze aos vinte annos e do primeiro ao sexto anno do curso do lyceu.
Reunimos tambem a opinião da imprensa e de alguns amigos, a teu respeito. [...]
Nas regiões misteriosas para onde tão permaturamente partiste recebe esta singela homenagem e com ella as muitas lagrimas e saudades de teus desditosos paes."
(Excerto de Carta ao nosso filho)
"Se ha musicas que fazem vibrar na noss alma todos os sentimentos que possuimos, o fado é incontestavelmente uma d'ellas.
A italia com as suas affamadas operas; a Hespanha com as suas caracteristicas zarzuelas não interpretam melhor a psychologia dos seus povos, do que Portugal com o Fado.
Porque o fado, essa canção caracteristicamente portugueza, é acolhida com impetos de entusiasmo onde quer que se oiça e n'esses impetos parece que vae toda a alma dum portuguez, desfeita em pedaços, pelas vibrações mobidas do tanger duma guitarra. Sim, o fado é ouvido em toda a parte com os mesmos estuosos arrebatamentos, desde o mais sumptuoso palacio, onde, nas rumorosas abobadas, ecôam as suas notas, até á mais humilde mansarda, onde ellas se espalham, deixando no ar uma sonancia dolencia.
O fado tem o poder magico de interpretar os sentimentos da dôr, ou da alegria, que enlaceiam uma alma, pois que elle tangido languidamente numa guitarra faz percorrer no nosso corpo fremitos de estonteamento e produz-nos nevroses que, desaparecendo, deixam-nos emergidos numa doce e suave lethargia.
Elle, umas vezes, vem acompanhado d'alegria e vivacidade, outras vem envolvido em tristeza e melancolia; mas, quer venha duma maneira, quer doutra, o fado arranca-nos sempre expressões de enthusiasmo e sabe incutir-se na alma, ora arrebatadora, ora melancolicamente. [...]
Eu nunca me hei-de esquecer do conjuncto de linhas phisionomicas que apresentava o rosto dum misero cego que n uma feira tocava o fado numa guitarra velha. Cada desferimento dos seus dedos sobre as cordas, parecia vir acompanhado dum rajo de luz, soltos desses olhos, onde pairava para sempre o espesso nevoeiro da desgraça..."
(Excerto de O Fado)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva a capa de brochura, que foi colocada depois da f. ante-rosto, precedendo a f. rosto.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado.
Raro.
35€

03 janeiro, 2023

A RIR : Album de anecdotas e bons ditos colleccionado por Agostinho Ferreira Chaves, Director-proprietario. Publicar-se-hão em cada mez duas cadernetas de 8 paginas. Faro, [s.l.], 1893-1894. In-8.º (21cm) de 384 p. (48 folhetos x 8 p.) ; il. ; E.
1.ª edição.
Curiosa revista quinzenal algarvia do género humorista; para além das anedotas e dichotes, oferece ainda aos leitores charadas, utilidades, romancetes e poesias. Publicada entre 15 de Junho de 1891 (n.º 1) e 1 de Setembro de 1895 (n.º 102).
O presente volume contém dois anos completos (1893-1894), do n.º 38 - 1 de Janeiro, 1893 ao n.º 85 - 15 de Dezembro, 1894.
Encadernação da época em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Páginas amarelecidas por acção do tempo. Mancha de humidade no canto inferior dto, transversal a toda a obra, sem no entanto prejudicar o texto. A 1.ª página do 1.º número foi recortada em cerca de 1/3.
Raro.
20€

04 dezembro, 2020

CARLOS, Palma - DO ÊRRO JUDICIÁRIO. (Esbôço duma monografia). Lisboa, J. Rodrigues & C.ª, 1927. In-4.º (24 cm) de 123, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio jurídico de Adelino da Palma Carlos, conhecido advogado português. Julgamos 
tratar-se da sua tese de licenciatura, dedicada a Elina Guimarães, sua futura esposa.Livro impresso em papel de superior qualidade, surpreendentemente, não consta das inúmeras biografias dedicadas ao insigne cáusidico. A BNP refere a obra, sem no entanto indicar a cota - apenas um lacónico "sem informação exemplar".
"A infracção da norma jurídica é tam antiga como o direito. A história do crime - escreve Guilhermet - é a história da humanidade.
Criado pela imperiosa necessidade de regular a vida social, o «querer jurídico da espécie», traduzido em preceitos coactivamente impostos à observância dos indivíduos, logo o homem dêle se torna incessante violador, aparecendo, assim, no campo do direito, os chamados actos ilícitos.
Dentre êstes muitos há que em todos os tempos têem sido punidos com especial rigor, mercê do alarme social que produzem, constituindo objecto dum ramos especial do direito público, geralmente denominado direito penal, mas a que alguns autores atribuem a designação de direito criminal, que, quanto a nós, melhor se justifica, pois nos tempos modernos «à sciencia da penalidade sucedeu a da criminalidade, que estuda os crimes sob todos os seus aspectos, reage contra êles, e evita-os, pela organização do trabalho e da propriedade e, duma maneira geral, por todas as medidas legislativas destinadas a corrigir e sanear o meio social. [...]
O problema da determinação do fundamento do direito de punir, tam debatido na filosofia do direito criminal, poderia aceitar-se como suficientemente esclarecido pela consideração de que há indivíduos que só pelo mêdo se abstêem do mal.
Mas porque, como afirma Ihering, a história da pena é uma abolição constante, é de todo o interêsse esboçar, abordando um problema de direito penal, o sentido da evolução do conceito social do direito de punir."
(Excerto de, Da Ontologia do Êrro Judiciário - Preliminares)
Índice:
I - Da Ontologia do Êrro Judicário. 1 - Preliminares. 2 - Os velhos princípios da penalidade. 3 - A escola clássica. 4 - As escolas contemporâneas. 5 - A evolução do processo penal. 6 - O caso julgado, sua autoridade e fundamento. 7 - O êrro judiciário. 8 - O êrro de investigação policial como êrro judiciário. 9 - Conclusões. II - Da Etiologia do Êrro Judiciário. 10 - Transição. 11 - Causas mediatas do êrro judiciário: Os preconceitos sociais. 12 - Causas imediatas do êrro judiciário: A) Objectivas: a) A confissão do réu; b) A prova testemunhal; c) A prova pericial. B) Jurídico-políticas: a) O júri criminal; b) A prevenção judicial. 13 - Conclusões. III - Da Reparação do Êrro Judiciário. - Secção I - Da reparação graciosa do êrro judiciário. 14 - Transição. 15 - O indulto e a comutação de penas. 16 - O perdão da parte. 17 - A amnistia. Secção II - Da reparação jurídica do êrro judiciário. 18 - A revisão das sentenças penais. 19 - Evolução histórica e doutrinal da revisão: a) Princípios gerais; b) Direito português. 20 - A revisão do direito comparado. 21 - A revisão do direito português: a) Direito substantivo; b) Jurisdição e processo. 22 - Efeitos da revisão. 23 - Conclusões.
Adelino Hermitério da Palma Carlos GCC • GCIH • GOL (Faro, 1905 - Lisboa, 1992). "Foi um professor universitário, advogado e político português. "Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa [em 1926], com a nota final de 18 valores, foi delegado da Faculdade de Direito à Federação Académica. Conclui o doutoramento em Ciências Histórico-Jurídicas, também na Universidade de Lisboa, em 1934. Advogado reconhecido, defendeu inúmeras figuras oposicionistas à ditadura, como Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça e Vasco da Gama Fernandes. Foi também professor na Escola Rodrigues Sampaio, no Instituto de Criminologia de Lisboa e, como Catedrático, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, da qual viria a ser director. Foi jubilado em 1975. Em 1949, foi mandatário da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. Em 1951 exerceu funções como Bastonário da Ordem dos Advogados portugueses. A 16 de Maio de 1974 é nomeado primeiro-ministro do I Governo Provisório, pedindo a demissão a 18 de Julho desse ano. Em 1975 funda o Partido Social-Democrata Português. Foi mandatário e membro da comissão de honra da candidatura do general Ramalho Eanes à Presidência da República (1979). Pertenceu ao conselho consultivo do Partido Renovador."
(Fonte: Memórias da Revoluçao)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico e jurídico.
Peça de colecção.
45€

08 novembro, 2013

A MOCIDADE – Numero Especial. Homenagem aos escritores e vultos notaveis do Algarve. Directores: Mateus M. Moreno, José G. Murta, Jaime da Graça Mira. Colaboração especial dos mais distintos escritores algarvios. Ilustrações referentes a personagens e logares do Algarve. Faro, Composto e impresso na tip. do Heraldo, 1913. In-8.º (22 cm) de 32 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Derradeiro número da revista académica algarvia A Mocidade (Out. 1911-Set. 1913). A Mocidade foi uma revista desenvolvida e dada à estampa por alunos do Liceu de Faro, que alcançou alguma projecção regional, e cujos directores e alguns colaboradores viriam a atingir notoriedade nacional. Mateus Moreno, Guerreiro Murta, Graça Mira, Lyster Franco, Cândido Guerreiro, entre outros, elevaram bem alto as letras algarvias. Mais tarde, já em Lisboa, na Faculdade de Ciências, Mateus Moreno refundou a revista, mas agora com o nome «Alma Nova».
Relativamente à revista, e em particular, a este derradeiro número, retirámos do sítio do projecto “Prof2000” o seguinte texto:
“Semanário académico, literário noticioso e recreativo. Trabalho - Ciência - Progresso, era o seu lema. Publicou-se ás quintas-feiras e pertenceu ao Grupo de "A Mocidade" que se compunha de: Jaime da Graça Mira, natural de Alte, hoje licenciado em Ciências e Farmácia e professor diplomado de ensino secundário particular, residente em S. Bartolomeu de Messines, Mateus Moreno, natural da Conceição de Faro, capitão de artilharia, hoje servindo em Angola, Francisco de Ascenção Mendonça, também da Conceição de Faro, actualmente licenciado em Ciências e naturalista botânico da Faculdade de Coimbra e Manuel de Sousa Botelho, já falecido, natural de S. Brás de Alportel.
Sob a direcção de Graça Mira, tendo como secretário da redacção Manuel Botelho, iniciou a publicação em 26 de Outubro de 1911, tendo suspendido após a saída dum número especial de 32 páginas, muito ilustrado, em homenagem aos escritores e vultos algarvios, em setembro de 1913, número que foi composto e impresso na tipografia de "O Heraldo", de Faro, e correspondia ao n.° 49.
Graça Mira, abandonara o jornal ao n.° 39 por ter ido prestar serviço militar. Foi então substituído por Mateus Moreno e Guerreiro Murta, natural de Loulé, hoje professor num Liceu de Lisboa, que embora não pertencesse ao Grupo desde o n.º 12 substituirá Manuel Botelho na chefia da redacção, onde prestou os mais relevantes serviços, informou-me Graça Mira.
Composto e impresso na "Minerva Comercial" de Évora.”
(Fonte: http://www.prof2000.ptusers/jotabe/faro06.htm)
“O nosso jornal, cuja vida foi uma senda espinhosa somente engrinaldada de amores e benefícios, expirando hoje sob o carinhoso afago dos mais distintos escritores da sua provincia, não devia nem podia deixar de oferecer a sua primeira pagina ao mais sublime dente eles – João de Deus: o pedagogo mais amado das criancinhas e o lírico mais puro, delicado e sentimental que as letras pátrias conheceram.
Nunca ninguem teve arte de dizer coisas mais belas em frases tam simples, diz o sr. M. dos Remedios; mas nós, dentre as chamas crepitantes do nosso orgulho, apenas sabemos exclamar:
Ditoso Algarve que tal filho teve!”
(Pag. 1 – homenagem a João de Deus)
Na página seguinte, é com amargura e alguma ironia que os editores se despedem:
“Labor Omnia Vincit
Leitores e Camaradas:
«A Mocidade», encerrando hoje a sua publicação, vem apresentar-vos sinceras e cordiais despedidas, agradecendo ao mesmo tempo todas as finezas que lhe dispensastes, e bem assim aos ilustres escritores, que tão obsequiosamente atenderam ao nosso convite, a honra da sua cooperação no embelezamento e nome do presente numero.
Novos, inexperientes, falhos de auxilio e conhecimentos, não podemos, porquanto muito perfeitos fossem os nossos desígnios, ser sempre um modelo de perfeição jornalística; mas nem por isso o nosso nome deixa de brilhar, em letras fulgentes e aureolado das mais ostensivas referencias, nas paginas luminosas dos nossos presados colegas.
E pois, que mais havia a esperar de rapazes dum liceu – rapazes que raramente são capazes de redigirem com gramática um postal p’rás famílias?
Não podíamos fazer mais, e cremos até que fizemos o bastante para que todos nos recordem com saudade.
Labor omnia vincit: - eis a verdade.
Os Directores”
Matérias:
1.ª Parte – Autores consagrados:
João de Deus (com g.). Labor omnia vincit – Os directores. Poetas algarvios – Marcos Algarve. Patria – Versos de Rodrigues Davim (com g. do A.). Faro – Doca e Praça D. F. Gomes (gravura). Ultimo Vôo – Maria Veleda. Regresso… - Sonêto de Bernardo de Passos. O choro dos violinos nos crepúsculos – Versos de João Lucio (com gravura do A.). Marim – Ataide Oliveira (com g. do A.). Coquetismos – Lyster Franco (com g. do A.). Suicidio – Sonêto de Marcos Algarve (com g. do A.). Sonêto de Candido Guerreiro (com g. da Queda do Vigario - ALTE). Apologo da Pulga – Versos de Coelho de Carvalho (com g. do A.). A luva – Sonêto de Julio Dantas (com g. do A.). O filho – Versos de Julio Dantas. Amor-Victor – Sonêto de Candido Guerreiro (com g. do A.). Sonêto de Bernardo de Passos (com g. do A.). Dr. Antonio Cabreira (com g.). Quadras – João Lucio e Bernardo de Passos. Vultos notaveis do Algarve (com g. de Ferreira d’Almeida). Monumento a Ferreira d’Almeida (gravura).
2.ª Parte – Flores Novas:
Primavera – Versos de Agostinho Junior. Canto matinal – Sonêto de M. M. M. Caes de Silves (gravura). Fleur Profanée – Versos de Laurindo Serytram. Um beijo – Versos de José Dias Sancho. Quadras de Rita da Palma e M. M. M. Duas coisas a que o homem obedece cegamente – José Guerreiro Murta. Crianças – Sonêto de Ascensão Contreiras. Minha capinha – Versos de João Rico. Mais faz quem quer que quem pode – Ascensão Mendonça. Despedida.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Tanto quanto foi possível verificar, a revista não se encontra registada na base de dados da Biblioteca Nacional.
Muito raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível