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13 agosto, 2026

SOARES (Sprinter), Eduardo -
"OS ESCÂNDALOS DO FUTEBOL NACIONAL" : uma exposição oportuna a sua Ex.ª o Sr. Doutor Carneiro Pacheco, Ministro da Educação Nacional.
Comentário imparcial ás atitudes dos dirigentes e dirigidos. Pôrto, Tip. Lisboa & Ferreira, L.da, 1939. In-4.º (22x15,5 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o futebol nacional e as movimentações de bastidores. Ontem como hoje... Trata-se de um dos primeiros registos de literatura de denúncia e opinião crítica sobre a organização e os bastidores do futebol em Portugal durante o Estado Novo, amplamente citado por historiadores e investigadores. Mas o autor não se limita a "desancar" o futebol indígena, crítica asperamente os colegas jornalistas por subserviência, e revela incómodo e perplexidade pelos valores pagos nas transferências dos jogadores - uns "vadios", "muitas vezes analfabetos" - face às dificuldades do país, comparando os seus salários com os dos "chefes de família".
Obra rara e muito interessante, não mencionada na BNP, ilustrada em página inteira com uma caricatura do autor por Bismarck.
"Não foi, posso-o afirmar categòricamente, no intuito de me tornar um homem célebre que lancei êste livrinho para a luz da publicidade, mas sim, no desejo firme e honesto de contribuir para a "purificação" do desporto nacional, onde o futebol é a "ovelha-ranhosa" das modalidades que no nosso país se praticam. [...]
Além disso, isto de edições livreiras não é negócio de tentar num país onde a grande percentagem é analfabeta e os "mestres" são aos cardumes...
Portanto, assentêmos desde já nisto: depois de lidar de perto durante algum tempo com os homens da bola - dirigentes e dirigidos - fiquei de tal forma enojado com a panorâmica em que vivi, que não resisti à tentação de escrever êste modesto livrinho, dirigido àquêles que sabem ser desportistas, àquêles que mesmo do desporto sabem trazer, sempre bem alto, a pureza do seu caracter e da sua dignidade. [...]
Em síntese, o motivo dêste meu livro foi o de trazer para a luz da publicidade algumas vergonhas do nosso futebol, algumas cênas dos bastidores, que por si só dizem bem da dignidade e da moral de certos dirigentes e dirigidos, que andam nestas coisas da bola.
É natural que, como compensação, ganhe mais alguns inimigos, mas isso não interessa, a quem, como eu, preza muito a sua integridade moral.
A "verdade núa e crúa" - é o lêma que preside a êste meu trabalho."
(Excerto de I - Porque escrevi êste livrinho...)
Índice:
Prefácio de Joaquim Soares | I - Porque escrevi êste livrinho. II - Um sônho côr de rosa. III - Jornais e jornalistas. IV - O conflito A. F. do Pôrto-Federação ou a firmeza de atitudes. V - O futebol - um negócio rendoso... VI - Como se fazem "azes" e os dirigentes se tornam ilustres... VII - O profissionalismo - negação positiva do verdadeiro espírito desportivo. VIII - Eu e o Benfica! IX - A final do Campeonato de Portugal, em Lisboa!!! X - Acuso-o, sr. Ribeiro dos Reis!!! XI - Compram-se jogadores! XII - Desceu o pano!...
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

23 junho, 2026

FIGUEIREDO, Alfredo de -
FUTEBOL E SUAS LEIS.
Por... Do Colégio de árbitros do Pôrto. [S.l.], Composto e impresso na Tipografia A Desportiva, Lda. - Porto], [1939]. In-8.º (18,5x12 cm) de [6], 184, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Publicação muito curiosa, dedicada ao desporto-rei e suas leis, sendo seu principal objectivo, de acordo com o autor, moralizar o futebol(!). Ontem como hoje...
Obra rara e muito interessante.
Ilustrada no texto e em página inteira com desenhos, croquis e publicidade da época.
"Pelo estranho poder de sugestão que exerce sôbre as massas, pela sua extraordinária acção dinamizadora, o Futebol estava destinado a conquistar rápidamente tôdas as simpatias e a criar uma enorme legião de apaixonados. Portugal não podia fugir à regra, e assim é que a breve trecho o futebol ganhou, em público, a primazia de todos os desportos, conquistando justamente os pergaminhos de desporto popular por excelência.
Êste facto, aparentemente lisongeiro, havia de trazer, como conseqüência inevitável, alguns inconvenientes dignos de ponderação.
O entusiasmo das massas, crescente e indisciplinado, trouxe consigo a improvisação de tudo, - de campos, de jogadores, de árbitros, de fiscais de linha, e até mesmo de público, por muito paradoxal que a nossa afirmação pareça. Queremos nós dizer que até o público devia ter sido preparado, tanto sob o ponto de vista técnico como sob o ponto de vista moral, por forma a tornar-se apto a bem compreender todos os seus deveres de cavalheirismo e de cidadania, não só em relação a árbitros e a jogadores, mas até mesmo em relação a si próprio. Público que não sabe respeitar, é incapaz de respeitar-se e é indigno de ser respeitado.
Mas não só o público deixou de ser convenientemente preparado a tempo; nem sempre os grupos foram constituídos pelos jogadores mais capazes, mediante selecção rigorosa, (seja sob o ponto de vista físico e técnico, seja ainda sob o ponto de vista moral), e ao mesmo pecadilho da improvisação nem sempre conseguiu esquivar-se a escôlha de árbitros e de directores de Clubes, de Associações e de Federações de Futebol.
Quere isto dizer que tudo se fez precipitadamente, com grande velocidade, - no que, aliás, Portugal, não constitue caso único - e fazer muito de-pressa e bem é milagre que não se encontra no domínio das possibilidades humanas.
Há que voltar ao princípio, por forma a reparar êrros acumulados e lacunas graves de que não poucas vezes temos sofrido irreparáveis conseqüências, e isto só pode conseguir-se através duma intensiva e porfiada propaganda, ou antes, duma aturada e regeneradora faina de divulgação.
Têm aparecido, nos últimos anos, numerosas publicações desportivas - algumas delas inegavelmente valiosas - e a muitas delas deve a educação física da mocidade serviçoes de inestimável preço. Contudo, a grande maioria destas publicações tem-se preocupado mais em visar objectivos críticos e noticiosos do que pròpriamente aqueles que julgamos primaciais: os da divulgação educativa."
(Excerto do Prefácio do Autor)
Alfredo de Figueiredo (?-?). Foi uma figura de relevo no futebol português, destacando-se como futebolista, árbitro e um dos primeiros pensadores do desporto em Portugal. Jogador do FC Porto (tal como seu irmão Camilo de Figueiredo), fez parte do plantel principal nos primeiros anos de existência do clube. Sagrou-se bicampeão regional no Campeonato do Porto (nas épocas de 1914/1915 e 1915/1916) e conquistou a Taça José Monteiro da Costa em 1914. Destacou-se ainda como árbitro, representando o pioneirismo na arbitragem portuguesa. Esteve presente no primeiro jogo oficial de âmbito nacional em Portugal (no dia 3 de junho de 1923), dirigindo o jogo entre o Sporting Clube de Braga e a Académica de Coimbra. Também apitou a célebre final do II Campeonato de Portugal. Escreveu o livro "O Futebol e as Suas Leis" (1939), uma das primeiras obras de reflexão teórica e regulamentar sobre o futebol no país. (IA)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
50€

04 abril, 2025

HOMENAGEM A FERNANDO PEYROTEO.
Luanda - 3.X.1964 e Benguela - 5.X.1964. In-4.º (23x17 cm) de [28] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Singela homenagem de um grupo de admiradores organizada em Angola, de onde o jogador era natural.
Fernando Peyroteo (Humpata, 1918 - Lisboa, 1978), foi um futebolista português, natural de Humpata, Huíla (Angola). Integrou com Albano, Jesus Correia, Travassos e Vasques a famosa linha avançada do Sporting - os «Cinco Violinos» - destacando-se dos demais pela estampa atlética e veia goleadora.
Opúsculo ilustrado no interior com publicidade da época, incluindo da Pepsi Cola que na Metrópole, junto com as outras "Colas", estavam proibidas pelo regime.
invulgar e muito curioso; a BNP não menciona.
"Fernando Peyroteo foi, sem dúvida, o nosso mais extraordinário avançado-centro.
Não terá sido, porventura, o avançado-centro mais popular, por nunca ter jogado no Benfica. que é, sem dúvida, o clube de maior projecção nas camadas populares, tanto por ter sido desde a sua origem um clube restritamente português, outro tanto, se não mais ainda, por adoptar a camisola vermelha, a cor que exerce mais demorada e mais agradável sensação na retina do espectador. Mas, sem ter sido tão popular como Victor Silva e Espírito Santo (dois excelentes jogadores da mesma posição, ambos do Benfica) conseguiu ser, na opinião geral, o mais notável de todos os avançados-centro devido à sua extraordinária propensão para a tarefa principal desse posto, e que é, como sabemos todos, o poder de remate à baliza. Bastará recordar que durante a sua carreira de jogador do Sporting e da Equipa Nacional, carreira que foi prematuramente interrompida, ele marcou 700 golos - uma enormidade!"
(Excerto de O que o saudoso Cândido de Oliveira disse de Fernando Peyroteo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Manchado e aparado à cabeça (corte tosco).
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
35€

03 novembro, 2024

SABBO, Augusto -
FOOTBALL. (Técnica e Didáctica de Jôgo). [Por]... Antigo jogador d
o Mittweidaer Ballspiel Club, da Saxónia; do Club Internacional de Football, de Lisboa, e do grupo representativo da Liga Portuguesa de Football. Lisboa, Emprêsa Literária Fluminense, L.ᴰᴬ, 1923. In-8.º (19 cm) de 76, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual técnico e táctico de "Football Association", escrito por Sabbo, na época treinador do SCP. Apresentado em três prefácios pelos senhores: F. Pinto de Miranda, Médico, inpector de Ginástica e antigo Presidente da Associação e Football de Lisboa; Fernando Martins Pereira, Médico e ex-Presidente da Direcção a Associação de Football de Lisboa; Carlos Alberto Guimarães Lello, Presidente da Associação de Football do Pôrto.
Sobre esta obra centenária, pioneira no futebol português, e o seu autor, com a devida vénia a "Leão Zargo" pelo excelente artigo publicado no blog Camarote Leonino, reproduzimos o excerto que se segue:
"Na época de 1921-22 o Sporting contratou um treinador invulgar para os padrões do seu tempo. Refiro-me a Augusto Sabbo (1887-1971), um engenheiro luso-alemão que dirigiu a montagem da rede de tracção eléctrica da cidade de Coimbra. Antes de Sabbo há apenas o conhecimento doutro treinador no clube, o inglês Charles Bell. Até aí a equipa era dirigida por um jogador que desempenhava as funções de “capitão geral” e que fazia, nomeadamente, a ligação com os directores e coordenava os treinos. Francisco Stromp e Jorge Vieira terão sido os maiores neste posto. 
Antes de chegar ao Sporting, Augusto Sabbo jogou no Mittweidaer Ballspiel Club, na Saxónia, e foi referência no CIF, no início do século XX, enquanto jogador, capitão da equipa e capitão geral. No Sporting permaneceu desde Janeiro de 1922 ao Verão de 1924.
Sabbo notabilizou-se por utilizar métodos inovadores de treino e, principalmente, pela sua concepção teórica e prática do futebol que conjugava, simultaneamente, as vertentes técnica, táctica e física que era preconizada por Herbert Chapman, treinador do Arsenal de Londres.
Era extremamente exigente na preparação da condição física dos atletas, realizando treinos sem bola que incluíam exercícios de inspiração militar e salto à corda. Por vezes, os jogadores desciam e subiam a Avenida da Liberdade em passo de ginástica. Contratou Santos Ruivo, pugilista profissional, com a finalidade orientar sessões de treino físico e ministrar noções de boxe.
Augusto Sabbo era um estudioso metódico do fenómeno do futebol e profundo conhecedor do que se passava na Europa, nomeadamente na Inglaterra e na Europa central. Quando treinou o CIF introduziu a "teoria da triangulação", que mais tarde aplicou no Sporting. Essa teoria preconizava que a acção dos seus jogadores no campo teria por finalidade que os adversários fossem obrigados a executar os movimentos convenientes que permitissem a execução das jogadas da sua equipa. Hoje dir-se-ia “a construção do jogo”!
A "teoria da triangulação" tornou Sabbo um dos precursores da introdução do sistema WM (3-2-2-3) em Portugal. Conhecedor do pensamento táctico de Chapman e do 2-3-5 aplicado na Europa Central (designado por Escola do Danúbio), Sabbo durante os jogos, por vezes, recuava o médio central para junto dos dois defesas. Os próprios avançados interiores não tinham a habitual liberdade de movimentos, estando mais atentos aos adversários do que era norma nesse tempo. […]
Augusto Sabbo era um intelectual do futebol, privilegiando os diversos aspectos que decorriam da técnica e da táctica do jogo e da preparação física. Publicou duas obra na altura consideradas inovadoras e relevantes, “Football (Técnica e Didáctica de Jogo)”, em 1923, e “Estratégia e método-base do futebol científico”, em 1945."
Ffonte: http://camaroteleonino.blogs.sapo.pt/augusto-sabbo-um-mourinho-avant-la-1488854)
"Aquele que meter ombros à estopante tarefa de ler este folhêto, porque o estilo lhe falta e a prosa é simples, deve ter em vista que o nosso único desejo, é iniciá-lo na parte técnica do jôgo, que reputamos interessante, e não deliciá-lo com boa prosa e estilo florido. O assunto, basta ser técnico, para ser maçadora a sua descrição, e muitas vezes lacónica a sua didáctica.
A iniciação que vamos tentar, não se assuste o leitor, não será aquela em que lhe diríamos que o jôgo de football se joga entre 22 rapazes, dispostos duma certa maneira, num campo raso, muito grande, limitado por linhas brancas e fortes barreiras, que na maior parte das vezes conteem uma multidão nada pacífica, que insulta e apupa os jogadores, apesar da vontade que êles mostram em bem fazer, dentro do tal recinto, movimentos cingidos a certas regras, a que muitos por não perceberem o fundo scientífico do jôgo, chamam cabriolas de doidos."
(Excerto de I – Iniciação)
Índice:
Prefácio[s] | Técnica e Didáctica do Football Association: I – Iniciação. II – Elemento necessário ao jogo e qualidades primordiais necessárias a esse elemento. III – A técnica do football. IV – O treinador ou instrutor. V – Treinos progressivos – Treinos intensivos – Treinos de ensaio. VI – Introdução às teorias. VII – Teoria da triangulação. VIII – Principios gerais de aplicação prática. IX – Passe iniciais do jôgo quando se emprega a teoria da triangulação. X – Teoria do off-side. XI – Principios gerais de aplicação prática. XII – Teoria dos movimentos relativos. XIII – Principios gerais de aplicação prática. XIV – Passes iniciais do jôgo quando se aplica a teoria dos movimentos relativos. XV - Conclusão.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
Peça de colecção.
85€

11 setembro, 2024

CORREIA, Dr. António - ALBERTO LUÍS GOMES : modelo de desportista e estudante. Pelo... Estudantes de Coimbra 1. Coimbra, Depositária: Coimbra Editora, Limitada, 1953. In-8.º (18x13 cm) de 30, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico de António Gomes, estudante de Coimbra e jogador da Académica - tendo sido o primeiro internacional português da Briosa. Jogador-estudante, como na época era uso, teve diversos convites dos grandes portugueses - Benfica e Sporting - para "mudar de ares", com promessa de chorudos proventos, que recusou sempre.
Ilustrado com 3 fotografias, sendo duas delas em página inteira.
"Conheci o Alberto Gomes em Junho de 1937. Não o jogador de futebol que tinha vindo da cidade do Porto mas sim o estudante timorato que se vinha habilitar ao exame para entrar na Universidade. O primeiro obstáculo a vencer era o exame do 7.º ano, que já então se efectuava no liceu D. João III. [...]
Obtida a aprovação no exame do 7.º ano, principiámos a preparar-nos intensamente para vencer o grande e ambicionado salto: entrar na Universidade.
Se bem que eu então não conhecesse o Alberto Gomes como desportista de grande futuro, a verdade é que já nessa altura ele tinha de certa maneira conquistado um lugar no grupo de honra da Académica. Nada no entanto permitia prever até que ponto subiria na escala do desporto nacional."
(Excerto do Apontamento)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Páginas 27/28 e 29/30 alvo de restauro.
Muito invulgar.
15€

17 maio, 2024

I ROMAGEM AOS JERÓNIMOS : 1963 - CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA
. Rio de Janeiro - Brasil, [Clube de Regatas Vasco de Gama - Nobre Gráfica Editora Ltda - Barão de Bom Retiro], [1963]. In-4.º (23x16 cm) de 97, [7] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Memória da primeira romagem de uma comitiva do Vasco da Gama, popular clube carioca, ao Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa, no ano de 1963.
Livro raro, por certo com tiragem reduzida, profusamente ilustrado com fotografias a p.b. relacionadas com a viagem a Portugal, incluindo eventos com a presença de figuras de proa do regime português: o PR Almirante Américo Tomaz, o PC Prof. António de Oliveira Salazar e o Almirante Henrique Tenreiro. Registe-se ainda, a título de curiosidade, o registo fotográfico do banquete oferecido pela direcção do Sport Lisboa e Benfica à comitiva brasileira no Estoril, e da presença da equipa profissional de Benfica e Belenenses na homenagem prestada nos Jerónimos ao navegador português.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do presidente do clube vascaíno - Manoel Joaquim Lopes - a Jorge Felner da Costa, Director do Centro de Turismo de Portugal no Rio de Janeiro e do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), em Lisboa.
"Este documentário da Primeira Romagem aos Jerónimos realizada no ano administrativo de 1963 - sexagésimo quinto da fundação - é oferecido aos vascainos para guarda e lembrança do grande ato da vida social do Club de Regatas Vasco da Gama, em terras portuguêsas e em louvor de seu Imortal Patrono.
Dizemos "Primeira Romagem" porque confiamos plenamente no espírito cívico-sentimental dos associados de nossa agremiação para esperar outras visitas à Pátria-Mãe, berço do Almirante Navegador.
A Romagem aos Jerónimos, é indispensável que se explique, não representou uma promoção, no sentido moderno da expressão. Constitui o prosseguimento da tradicional linha de luso-brasilidade que desde a fundação do Club de Regatas Vasco da Gama se vem mantendo lealmente, para satisfação de quantos se agrupam em tôrno de sua gloriosa bandeira.
A fundação ocorreu quando o mundo político festejava com Portugal o 4º Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo das Índias.
A 9 de Setembro de 1900, durante a solenidade da posse do presidente Leandro Augusto Martins, na modesta sede da Travessa do Maia (mais tarde Passeio Público), inaugurou-se o retrato de Vasco da Gama oferecido pelo sócio João Rodrigues de Oliveira. Uma composição livre, sem traços precisos da real fisionomia do homenageado, fixadas todavia as linhas características do marinheiro e descobridor destemido."
(Excerto de Sentido histórico da Romagem)
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
35€

27 maio, 2023

REIS, A. Ribeiro dos -
FUTEBOL : divulgação das suas leis.
Texto oficial e sua interpretação. Questionário para árbitros. Gráficos explicativos. [Lisboa], Edição do Autor, [1943]. In-8.º (19,5 cm) de [4], 277, [3] p. ; [24] p. pub. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da arbitragem e o conhecimento das leis do jogo por António Ribeiro dos Reis, uma das mais insignes figuras do nosso futebol. Ontem como hoje, agora como há 80 anos, verifica-se que a arbitragem foi (e é) terreno fértil para justificar más decisões em campo e fora dele.
Livro ilustrado com desenhos esquemáticos no texto, e 24 páginas em separado dedicadas exclusivamente à promoção de marcas de produtos e serviços.
Muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa de Mestre Ribeiro dos Reis à redacção do "Diário de Coimbra".
"A divulgação das leis do jôgo constitue uma necessidade urgente para debelar a crise de arbitragem, que é um dos problemas mais graves do nosso futebol, pelos incidentes a que dá margem e que tanto perturbam o ambiente dos jogos.
Num artigo sôbre árbitros e arbitragens, publicado há tempo na revista «Stadium» pelo nosso camarada Candido de Oliveira, entre outras causas da crise fixava-se esta:
«Ignorancia das leis do jôgo, pela grande maioria dos dirigentes, dos jogadores e dos espectadores, o que concorre para serem consideradas erradas uma boa percentagem de decisões do árbitro, que estão absolutamente certas!».
Tem carradas de razão o nosso ilustre camarada.
Dos vários milhares de espectadores que entre nós assistem a desafios de futebol podem quási apontar-se a dedo os que alguma vez se deram ao trabalho de consulta e estudar o Código do Jôgo.
A maioria sabe de ouvido os pontos principais, mas não está habilitada a profundar o espírito da lei, porque nunca teve o cuidado de a ler com interêsse.
No entanto, todos se julgam com autoridade, para apreciar a acção do árbitro, flagelando-o até com as críticas mais irreverentes.
E o que se diz em relação aos espectadores diz-se em relação aos próprios dirigentes - tantas vezes injustos nas suas apreciações precipitadas e que se revestem de maior gravidade por partirem de quem partem - e estende-se até aos próprios jogadores. [...]
O ensino das regras de jôgo aos seus praticantes deve constituir uma das mais importantes missões dos treinadores ou de qualquer outro dirigente que esteja em contacto assíduo com aqueles.
Por tudo isto nos parece extremamente útil a tarefa de divulgação das Leis do Jôgo.
A êsse objectivo consagramos o presente livrinho. Vamos passar em revista as Leis do Código do Jôgo, procurando profundar o seu espírito e aclarar o seu texto; esclarecendo pontos duvidosos para evitar embaraços e dificuldades; estudando os casos menos frequentes, que podem constituir surpreza e exemplificando com casos concretos, a solução a adoptar."
(Excerto de A abrir...)
António Ribeiro dos Reis (1896-1961). Foi um militar, jogador de futebol, dirigente e jornalista desportivo português, fundador do jornal A Bola, conjuntamente com Cândido de Oliveira e Vicente de Melo.
"Se como jogador e jornalista pediu meças aos melhores, ficou também com um lugar na história do futebol como treinador, seleccionador, árbitro e dirigente. Na qualidade de treinador, foi campeão pelo Benfica em 1929/30, vencedor da Taça de Portugal em 1952/53 e seleccionador nacional entre 1924 e 1926 e entre 1933 e 1934. Foi na Casa Pia que estudou, se fez homem e descobriu o fascínio pelo futebol e atletismo. Estreou-se com a camisola do Benfica, a sua grande paixão, contra o Sacavenense, no campo de Sete Rios, com uma vitória por 8-0. Tinha 16 anos. Não foi futebolista de classe, mas revelou-se sempre de grande utilidade no Benfica pela sua estonteante velocidade (que lhe valera títulos de campeão de atletismo na estafeta do clube). Sempre que o Benfica entrava em crise técnica era convidado a tomar conta da equipa, em jeito sebastiânico. Sempre gratuitamente. Viveu momentos de glória, mas a conquista mais arrebatante foi o campeonato de Lisboa de 1932. Há 13 anos que o Benfica nada ganhava nas primeiras categorias, ofuscados pelo Belenenses e pelo Sporting. Assinou o seu último título pelo Benfica em 1953, coroado com uma vitória de 5-0 sobre o FC Porto de... Cândido de Oliveira! No primeiro Portugal-Espanha, Ribeiro dos Reis desempenhou vários papéis. Ele próprio recordou mais tarde: «fui avançado-centro, a seguir ao jogo escrevi a crónica para o Sport de Lisboa, onde era redactor, e por fim, no banquete, na altura dos brindes, tive de ler o discurso da Federação portuguesa, pois o delegado oficial, o sr. Raul Nunes, mal podia falar devido a uma inflamação da laringe...»."
(Fonte: https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-bwin/benfica/detalhe/100-anos-ribeiro-dos-reis)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Vestígios antigos de humidade marginal na capa e f. rosto. Páginas com acidez própria da qualidade do papel.
Muito invulgar.
Peça de colecção.
75€

22 novembro, 2022

GUIA TV DO EUROPEU DE FUTEBOL : 1984.
[Tudo sobre os "Patrícios"]
. Lisboa, Edicria, 1984. In-8.º (20,5 cm) de 263, [1], XXI, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Guia histórico. "Bíblia" do Europeu 84, torneio de futebol onde, após 18 anos de ausência de fases finais de grandes competições, - Europeus e Mundiais, - Portugal partcipou, tendo obtido ex aequo com a Dinamarca o 3.º lugar. Depois de uma meia final de loucos, Portugal viria a sucumbir no final do prolongamento por 2-3 com a França, país organizador, onde pontificavam figuras de primeiríssimo plano do futebol internacional como Michel Platini, Alain Giresse e Jean Tigana, que viria a vencer o certame (2-0 à Espanha). Apesar da honrosa classificação, nem tudo foram rosas, sabendo-se que a liderança quadricéfala da Selecção Nacional - uma comissão constituída por Toni, José Augusto, Fernando Cabrita e António Morais - que representavam as tendências clubistas na Selecção - Benfica (8 jogadores) e Porto (9 jogadores) - teve inúmeros problemas para construir um 11 base, tendo de ultrapassar melindres, vaidades e "egos" pessoais, com um conjunto de jogadores que não se davam propriamente bem. Aliás, o França 84, no que à disciplina diz respeito, não seria caso único; dois anos mais tarde, durante o México 86, eclodiria o que ficaria conhecido para a história como o "Escândalo de Saltillo", com os jogadores, por questões de prémios, a tomarem posição contra a FPF, chegando a ameaçar com uma greve.
Antes disso, apenas por uma vez tínhamos participado numa fase final - a do longínquo Mundial de 1966 de 'boa memória', em Inglaterra, (com Eusébio em grande), onde a Selecção conquistaria o 3.º lugar mercê da vitória sobe a U.R.S.S. de Yashin (2-1), no jogo de atribuição do 3.º/4.º lugar.
O livro contém, para além da análise individual dos jogadores convocados, histórias sobre a Selecção, e todos os jogos da fase de grupos (que Portugal venceu, in extremis, no último jogo - vitória sobre a U.R.S.S. com um penálti "fantasma" arrancado por Fernando Chalana). Inclui ainda uma entrevista com Otto Glória.
Importante peça do jornalismo desportivo nacional, muito ilustrada ao longo do texto, o presente Guia recebeu colaboração de alguns dos melhores profissionais da época: Orlando Dias Agudo; Rui Tovar; Almeida Ribeiro; António Castro; Dias Neves; Jaime Figueiredo; Neves de Sousa; António Pedro; Fernando Correia; Bessa Tavares; Manuel Silva Pereira.
Convocados para o Europeu:
Guarda-redes: Manuel Bento (Benfica), Jorge Martins (V. Setúbal), Vítor Damas (Portimonense); Defesas: António Veloso (Benfica), João Pinto (FC Porto), Lima Pereira (FC Porto), Eurico Gomes (FC Porto), António Bastos Lopes (Benfica), Álvaro (Benfica), Eduardo Luís (FC Porto); Médios: Chalana (Benfica), Vermelhinho (FC Porto), Carlos Manuel (Benfica), Sousa (FC Porto), Frasco (FC Porto), Jaime Pacheco (FC Porto), Diamantino (Benfica); Avançados: Nené (Benfica), Jordão (Sporting), Fernando Gomes (FC
Porto).
Índice:
Editorial: a estreia europeia. | Porque vamos a França? | Todos os Calendários. | Horários e Transmissões. | Equipas e os Árbitros. | Cidades e Estádios. | Caminhos para Paris. | Regras do Jogo. | Retrospectiva dos "Europeus". | Futebol em Portugal. | Faça você mesmo o "Europeu-84.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

17 agosto, 2022

ORNELLAS, Ricardo - NÚMEROS E NOMES DO FUTEBOL PORTUGUÊS.
Compilação de... [Capa de Pargana. Colaboração de Carlos Pinhão]
. Lisboa, Edição do «Diário Popular» (Soc. Industrial de Imprensa) : 1949-50, 1949. In-8.º (19 cm) de 189, [3] p. ; [100] p. il. ; [1] folha desdob. ; il. ; B.

1.ª edição.
Obra de referência sobre o futebol nacional, dos primórdios até 1949, - ano da sua publicação.
Livro muitíssimo ilustrado com tabelas e desenhos esquemáticos no texto, e 100 paginas em separado reproduzindo retratos de jogadores dirigentes, equipas em pose e "instantâneos" de desafios. Inclui ainda uma folha desdobrável: Os internacionais portugueses que alinharam nos sessenta e três desafios da Selecção Nacional.
"Começa por ser um pontapé na bola...
Depois...
Joga-se bem, trabalha-se mal, metem-se golos, falham-se ocasiões... As equipas mostram-se firmes e há luta ou são frouxas e o espectáculo não agrada tanto... Marcam-se livres directos ou indirectos, grandes penalidades justas ou injustas e cantos indiscutíveis ou duvidosos... A bola é afagada e caminha certa ou é atirada para o monte e ninguém se entende...
Entretanto...
Um jogador fica estatelado e o maçagista acorre, numas vezes para um caso grave, noutras para um sorriso que aflora e logo põe as coisas no são... O árbitro tem autoridade e impõe-se ou desorienta-se e não há consideração por ele... Um defesa alivia, com lucro ou prejuízo; o médio, no ar, ou no chão, transforma com mais ou menos sorte; o avançado chuta, para sim ou para não, e o guarda-redes estica-se, batido ou feliz... A marcha dos golos excita ou deprime; força-se a vantagem, recupera-se um atraso... Goram-se lances e perde-se o tino... Sente-se a supremacia e tudo sai bem ou tudo sai bem e o predomínio instala-se... Quer-se mal à baliza porque a bola foi embater na trave ou no poste - e ninguém se lembra que madeira daquela, como preciosidade, andou às costas de  muita gente...
Até que...
Denuncia-se o resultado e os treinadores disfarçam sentimentos opostos. Luta-se com mais afinco ou desprendem-se as vontades. Pensa-se em jogar «até acabar» ou prefere-se «não valer a pena»... Enlouquece-se com a vitória ou sente-se por demais a derrota... E quase lado-a-lado há desconhecidos que se abraçam e amigos velhos que rasgam cartões...
Mas a partida de futebol termina e, afinal, duas coisas perduraram mais do que nada: Números e Nomes.
Números exactos ou enganadores - que ficam para sempre;
Nomes que valem mais ou menos - a definirem épocas.
De aí o título deste livro."
(Excerto do Apresentação)
Índice: Apresentação. | A propagando do jogo do futebol. | Os desafios internacionais do «onze» de Portugal. | O Campeonato de Portugal e a «Taça de Portugal». | Os Campeonatos da «Liga» e «Nacionais». | As provas da Federação Portuguesa de Futebol. | Taça Latina. | Lisboa e Porto. | Desafios de clube e selecções contra formações estrangeiras. | As leis do jogo do futebol.
Ricardo Ornellas (1899-1967). "Nascido em Lisboa em dezembro de 1899, foi empregado de uma companhia de navegação e, nesse tempo que o jornalismo por si só não dava para sobreviver, uma das penas mais lúcidas que escreveram para Os Sports, para o Diário Popular (do qual seria chefe de redação) e para A Bola (assinando com o pseudónimo de Renato de Castro). Chegou a Selecionador Nacional e criou a célebre expressão «Equipa-de-Todos-Nós». Foi um dos fundadores do Casa Pia Atlético Clube, juntamente com vários elementos saídos do Benfica, autor de várias obras com o futebol como tema, e viria a morrer em 1967.
(Fonte: https://ionline.sapo.pt/artigo/565281/1921-1938-a-taca-que-era-campeonato-?seccao=Desporto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
40€

01 fevereiro, 2022

CSAKNADY, Jenö - A HISTÓRIA DE BÉLA GUTTMANN.
Nos Bastidores de Futebol Mundial
. Lisboa, Livraria Bertrand, 1964. In-8.º (17,5 cm) de 295, [5] p. ; [16] p. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Béla Guttmann (1899-1981), a vida, luta e vitórias do treinador húngaro de origem judaica, e o grande mestre do Benfica europeu. O homem que lançou Eusébio e conquistou duas Taças dos Campeões, também passou pelo FC Porto, num longo percurso por clubes da Europa e América.
Livro ilustrado com quadros e tabelas no texto, e em separado, ao longo de 16 páginas.
"A História de Béla Guttmann mostra-nos como se processa a actividade nos bastidores da «bola», como se eleva as equipas ao auge da glória e da popularidade, como se oferece às multidões expectantes aquilo de que elas têm necessidade. E para nós, Portugueses , é um livro oportuno já que Guttmann foi o homem que ao futebol português um espírito mundial no corpo de um grupo de jogadores que soube, talvez como nenhum outro, assimilar e dar forma às suas teorias e concepções."
(Retirado da contracapa)
"Arte, capacidade de adaptação e grande experiência de desafios são os trunfos do nosso jogo. Atingir ràpidamente e conservar estas vantagens é o desejo máximo de todos os jogadores, cabendo ao treinador a missão de cooperar com eles na realização desse objectivo. Como é evidente, porém, esta missão só pode ser desempenhada por um treinador que saiba dedicar-se inteiramente e que, além disso, também tenha sido ele próprio um bom jogador, pois, doutra forma, não poderá basear-se numa experiência pessoal.
Mas experiência pessoal e conhecimentos especializados ainda não bastam. Também se requerem faculdades pedagógicas que permitam transmitir por forma acessível e convincente toda essa teoria e experiência.
Béla Guttmann foi amplamente dotado com estes atributos, indispensáveis ao êxito dum treinador. Foi um jogador de grande classe, treinado por métodos eficientes, obtidos através duma longa experiência, cuja técnica se aperfeiçoou pela participação em inúmeras competições em quase todos os países do mundo.
Não se cuida aqui de enumerar todas as qualidades necessárias a um treinador de futebol, mas teremos de nos referir pelo menos a uma delas, visto ser indispensável para a apreciação da classe dum treinador.
Trata-se do dom da psicologia, de saber conviver e dirigir outros seres humanos. Também sob este aspecto Béla Guttmann foi bem dotado pela natureza.
Eterno andarilho, sentia-se, tanto na América como na Europa, como se estivesse em sua casa."
(Excerto da Introdução)
Matérias:
Introdução, por Sepp Herberger, Treinador-Chefe da Federação Alemã de Futebol desde 1936 até 1964. | Prólogo. | I - Amsterdão. «Feira» do Futebol Internacional. II - Amsterdão. Final da Taça dos Campeões Europeus. III - Veni, vidi, vici (Cheguei, vi e venci). IV - Budapeste - Bucareste. «Profeta na sua terra?». V - Itália I - Pádua. Milão, 14 de Março de 1962. VI - Argentina. VII - Chipre. Nicósia. VIII - Itália II - A. C. Milan. IX - Brasil - S. Paulo F. C. X - Portugal - F. C. do Porto. XI - Viena. Estação Intermediária. XII - Uruguai - Peñarol, Montevideu. XIII - Áustria. Treinador da Liga Austríaca de Futebol. | Epílogo.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas oxidadas.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
Indisponível

03 setembro, 2021

PARREIRA, José - BIOGRAFIA DE FREDERICO BARRIGANA : o Homem das Mãos de Ferro. [Prefácio por Cândido de Oliveira]. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Gráfica Ibéria - Areosa], [1953]. In-4.º (23 cm) de 116 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Barrigana - o "Mãos de Ferro" -, guardião internacional português que brilhou ao serviço do FCP nos anos 40/50 do século passado.
Livro preenchido com episódios da vida do keeper azul e branco, desde a adolescência no Unidos do Montijo - com passagem pelo Sporting - até ao clube nortenho. Profusamente ilustrado com desenhos, retratos e fotografias do jogador em acção, bem como publicidade da época. Inclui o Palmarés de Barrigana nas folhas centrais.
"O futebol, por ser um jogo de equipa, pressupõe que a acção individual de cada jogador se insere na acção do conjunto, a ela se subordinando tão estreitamente que, depois, o grupo, quer no plano do espectáculo, quer no plano da manobra no terreno, toma proporções de um maquinismo composto de onze peças, sim, mas tão solidárias umas com as outras, auxiliando-se, completando-se, interdependendo-se, como se formassem uma única peça. [...]
Barrigana enfileira entre a meia dúzia de bons guarda-redes nacionais de todos os tempos. Na baliza do F. C. do Porto e da equipa Nacional, as suas Mãos de Ferro têm salvo muito golo, conquistando muita vitória!
Todos os bons guarda-redes possuem traços comuns, derivados das noções gerais da arte de defender a baliza: colocação, senso de oportunidade, poder de antecipação, exacta visão do lance, segurança no dominar a bola com as mãos. Cada um deles, porém, possui um traço característico, particular, individual, a marcar a sua personalidade. Em Barrigana, as Mãos de Ferro são o seu traço saliente e, na verdade, ele tem sido um dos nossos guarda-redes que mais fácil e poderosamente aprisiona a bola que se dirige para a baliza em promessa de golo. Quer o remate seja potente ou com pouca força, quer se se dirija ou afaste do ponto onde ele está colocado, as suas Mãos de Ferro partem imediatamente ao seu caminho, em salto ou em mergulho, e a bola fica imediatamente prisioneira, anichando-se entre as suas mãos, quieta e amortecida como ave a despertar em fôfo ninho de penas, ao romper da manhã.
A noção de segurança, e de tranquilidade para a equipa, cada vez que a bola vai ao alcance das Mãos de Ferro é perfeita e total. Passou o perigo. Barrigana é assim como o reduto final da equipa - porventura o mais difícil de transpor."
(Excerto do prefácio)
Matérias:
[Prefácio]. | Os primeiros passos... | Tens de beber... se não, «bebes»!... | Do Montijo ao Sporting Clube de Portugal. | Um telefonema providencial... e Barrigana no F. C. Porto. | Surge uma nova estrela no firmamento do futebol português. | Um jogo de triste memória | Uma época sem interrupção. | Barrigana volta à Selecção Nacional... | Uma grande exibição de Barrigana. | Nem sempre a sorte é amiga...
[Entrevista] - Jogarei se as forças mo permitirem, durante mais quatro épocas... | Gostaria de ter, agora, 20 anos... | O Barrigana pratica também o golf. | Os inconvenientes da popularidade. | O «baião» da Anna... e a Silvana... | Aquela eliminação em Setúbal!... | Gosto dos grande ambientes... | Cândido de Oliveira, um grande técnico... | Conte-se com a equipa do F. C. Porto! | Um golo ligítimo «escamoteado» ao Oriental. | Um golpe de« tesoura»... e acabou-se a luta-livre.
Frederico Barrigana (1922-2007). "Conhecido como Mãos de Ferro, epíteto que lhe foi dado por um jornalista francês após um jogo da Selecção Nacional, Barrigana nasceu em 28 de Abril de 1922, em Alcochete. Iniciou a carreira no Unidos do Montijo e transferiu-se para o Sporting aos 18 anos. Esteve em Alvalade três épocas, sempre tapado por Azevedo, pelo que aos 21 anos seguiu para o F.C. Porto. Na formação azul e branca foi substituir o húngaro Béla Andrásik, que foi aconselhado pelos dirigentes portistas a deixar o país por estar a ser perseguido pela PIDE devido às suas ligações a organizações anti-fascistas. Curiosamente foi a saída de Andrásik que precipitou a mudança para o Porto, uma vez que o clube aproveitou as boas relações de então com o Sporting para negociar um guarda-redes suplente de Azevedo, acabando a escolha por recair em Barrigana. No F.C. Porto tornou-se rapidamente titular e cinco épocas depois acabou por ser chamado também à Selecção Nacional, onde conseguiu o que não tinha conseguido no Sporting: destronar a titularidade de Azevedo. Jogou doze vezes pela equipa nacional, numa altura em que Portugal passava por um período de resultados menos positivos. Apesar de todo o valor, Barrigana não teve uma carreira feliz, aliás. A sua passagem pelo F.C. Porto, onde permaneceu 14 anos, coincidiu com uma má fase do clube, marcada por 16 épocas sem títulos. Mesmo assim, bateu o recorde de guarda-redes com mais jogos na equipa principal, recorde esse que só foi batido por Vítor Baía. Curiosamente Barrigana saiu na última temporada antes do F.C. Porto voltar a ganhar o título, em 1955/56. Dorival Yustrich chegou nesse ano ao clube e dispensou o guarda-redes, que foi jogar para o Salgueiros. No final da época o F.C. Porto foi campeão. Antes disso já Barrigana tinha conquistado a admiração portista, ao recusar mudar-se para o Vasco da Gama, do Brasil, mesmo sabendo que ia ganhar dez vezes mais. Permaneceu três anos no Salgueiros, ajudando o clube a regressar à primeira divisão. Depois encerrou a carreira de atleta e tornou-se treinador da formação de Paranhos. Passou ainda pela Desp. Chaves e pelo Académico de Viseu, antes de se retirar do futebol."
(Fonte: maisfutebol.iol.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas apresentam pequenos cortes nas margens.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
45€

31 julho, 2021

A BRIOSA. Revista da Associação Académica de Coimbra.
Ano I - N.º 7. 30 de Maio de 1988. Preço 150$00. [Germano : um futebolista universitário na Queima/88]. Director: Alfredo Castanheira Neves
. [Coimbra], Departamento Cultural da Associação Académica de Coimbra, 1988. In-4.º (28 cm) de 48 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Revista da AAC, cujo nome impresso na ficha técnica é: Revista Académica de Actualidade Cultural, Desportiva e Social. Contém variadas crónicas e artigos sobre a cidade e a actividade estudantil, bem como homenagens e entrevistas a personalidades do meio académico. Muito ilustrada no interior, a p.b., ao longo das páginas de texto.
Pouco foi possível apurar acerca desta revista já que não existem referências bibliográficas, e a BNP dá conta apenas do n.º 1 (1987), ficando por saber quantos números se publicaram e até quando.
"Sente-se crescer uma  onda de academismo por esse País fora, em geral, e na Academia em especial. Depois da "Iª Semana da Cultura Académica" veio a "Europa Universitária Coimbra-88", a seguir a "Queima das Fitas", logo de imediato as "Comemorações das Bodas de Ouro (50 anos) da 1.ª Viagem do Futebol da Académica a África". Para além disso, o "Centenário da Tuna Académica" e o nervosismo inerente a este campeonato nacional da Iª Divisão. Parece que quanto mais aflitos mais a "malta" se lembra da Académica. É bom que também se lembrem de contribuir para a divulgação do espírito académico que nos envolve a todos quanto passamos ou já passámos (e nalguns casos nunca passaram!) por esta linda e nossa Coimbra, divulgação que implica uma passagem de mensagem entre todos, de que existe uma Revista que nos deve e pode ligar - toda a família Académica. Essa Revista, "A Briosa" quer chegar a todos. Trabalhamos para isso, esperamos o vosso contributo, lendo-a, divulgando-a, assinando-a e, inclusivé, participando nela. O desafio aqui fica."
(Nota de abertura)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

20 fevereiro, 2021

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL - Campeão das "Taças da Europa"
. [Lisboa], [Agência Portuguesa de Revistas], [1964]. In-4.º (24 cm) de 32 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Edição especial comemorativa da vitória do Sporting na «Taça das Taças» 1963/64 com a colaboração de V. Santos, F. Cunha, E. Guita Júnior, J. Cartaxo, R. Oliveira e M. Estevão. Estabelece o percurso vitorioso do clube verde e branco ao longo da competição, culminando com as finais em que defrontou o M. T. K. Budapeste; foram necessários dois jogos: o primeiro, no Heysel, em Bruxelas (15.05.1964), ditaria um empate (3-3), ficando o "tira-teimas" para Antuérpia, dois dias depois, para se apurar o vencedor do torneio. O Sporting ganharia a finalíssima por 1-0 com o famoso «cantinho do Morais» - golo de canto directo aos 20 minutos de jogo.
Revista impressa em papel de boa qualidade, profusamente ilustrada com os retratos dos jogadores, personalidades do clube, momentos dos jogos, festejos pós-jogo, incluindo a chegada ao aeroporto de Lisboa.
Inclui uma resenha da história do clube e uma breve biografia dos atletas que participaram na competição, onde pontificavam, entre outros, Carvalho (g.r.), Fernando Mendes (c.), Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos, Pérides, Oswaldo Silva, Mascarenhas e Morais.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e leonino.
Indisponível

17 fevereiro, 2021

ROCHA, Hugo - FUTEBOL : romance. Porto, Lello & Irmão, 1957. In-8.º (19,5 cm) de 378, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance sobre os meandros do desporto-rei português e a sua ligação com as ex-colónias, dedicado pelo autor "àqueles com quem,outrora, joguei a bola, tanto aos que assinalaram o seu nome na história do futebol em Portugal como aos que não deixaram rasto, como eu, da sua passagem pelos terrenos de jogo - esta história dum caso fictício que talvez se assemelhe a alguns casos reais.".
"A história que vou contar não se abona com a pretensão de ser o processo do futebol. Na verdade, este não é chamado, aqui, à barra do tribunal. Sem dúvida - não é isto segredo para ninguém -, o futebol, como desporto organizado sobre bases mercantis, enferma de certos males e é culpado de certas faltas, se não se quiser dizer, mesmo, de certos crimes... Um simples romance não é, porém, um libelo acusatório. Não cabe ao autor deste instruir o processo dos delitos em que o futebol tem incorrido. Julgue-o quem quiser julgá-lo..."
(Excerto do Antelóquio)
Hugo Rocha (1907-1993). Escritor e jornalista português, autor de mais de uma dezena de monografias de temática variada. "Nascido em 1907 na cidade do Porto, Hugo Rocha desde cedo percebeu que a sua grande vocação era o Jornalismo. Teve uma passagem muito intensa pela redacção do Jornal O Comércio do Porto, ao qual esteve ligado até se reformar aos 74 anos. Após uma vida inteira a “respirar” jornalismo, veio a falecer a 24 de Fevereiro de1993."
(Fonte: teoriadojornalismo.ufp.edu.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Pouco vulgar.
25€

06 janeiro, 2021

RODRIGUES, Perfeito - RECORDANDO... ALGUMAS VELHAS GLÓRIAS DO FUTEBOL PORTUGUÊS.
Versos de... [Prefácio de Manuel Sérgio]
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na «Gráfica de Coimbra» - Coimbra], 1980. In-8.º (18,5 cm) de 85, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra poética sobre os principais clubes do futebol português e seus jogadores, no tempo em que o autor - Perfeito Rodrigues -, antigo interior direito do Belenenses, vestiu a camisa da Cruz de Cristo, nos anos 30/40 do século passado. No início do livro, inclui a deliciosa descrição de um jogo entre o Belenenses e o Porto, em casa deste, que terminaria com o resultado de 4-4, tendo o árbitro assinalado uma grande penalidade no último minuto (que transformada daria a vitória ao Belenenses), sendo esta decisão revertida pelo juiz - terminando o jogo - após ameaças dos atletas da casa e de um oficial do exército(!) - comandante das forças policiais de serviço ao estádio - que entrou em campo para "chamar a atenção" do árbitro para os inconvenientes da marcação do castigo máximo.
Livro ilustrado com fotografias a p.b. das equipas perfiladas antes do jogo, encimando o texto a elas dedicado: Clube de Futebol «Os Belenenses» (época 1939/40); Sport Lisboa e Benfica (época 1937/38); Sporting Clube de Portugal (época 1937/38); Futebol Clube do Porto (época 1934/35).
"Nasci há 47 anos junto ao desaparecido campo das Salésias. Era miúdo e já os meus olhos se deliciavam com os lances de futebol «cozinhados» pelo Perfeito, pelo José Luís, pelo Tarrio, pelo Amaro, etc., etc. Olhava para eles, recordo-me, com admiração sonora e rendida. Como se no seu corpo ondulante e vígil reverdecessem dons sobrenaturais...
O Perfeito, que jogava habitualmente na posição de extremo-direito, apresentava características motoras muito especiais: velocidade estonteante, ora em linha recta, ora ziguezagueando, e centro rápido e bombeado a solicitar o remate frontal às balizas adversárias. Assim se tornou no cabouqueiro implacável de muitas vitórias do Belenenses, durante os 10 anos que jogou de «camisola azul e cruz ao peito»."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio. | Uma introdução em Prosa. |Confissão. | Quando a saudade vem. | Recordando. | Clube de Futebol «Os Belenenses». | Sport Lisboa e Benfica. | Sporting Clube de Portugal. | Futebol Clube do Porto.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

01 outubro, 2020

MANUAL DE PREPARAÇÃO FÍSICA NO FUTEBOL - PROVÍNCIA DE ANGOLA : Conselho Provincial de Educação Física
. [S.l.], [s.n. - Tipografia Minerva - Vila Nova de Famalicão], 1959. In-8.º (21 cm) de 138 p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Inovador manual sobre preparação física exclusivamente dedicado à prática do futebol concebido em Angola, exemplo demonstrativo do interesse que a ex-colónia votava ao desporto-rei.
Ilustrado com quadros ao longo do texto e uma tabela em folha desdobrável.
"A doutrina pedagógica que este último manual expende, as normas de conduta e os princípios de orientação metodológica, didáctica e técnica do treino e da aprendizagem, que preconiza, aplicam-se integralmente ao futebol.
Convém, por isso, definir as causas que aconselharam a publicação de um manual particular para este jogo desportivo.
O futebol é, de há longos anos, o desporto-rei no ambiente desportivo nacional metropolitano e ultramarino; aquele que goza de maior expansão e popularidade, apesar do enorme incremento que algumas outras modalidades têm tido nos últimos anos, tais como o volei, o basquete, o hoquei em patins e o ténis de mesa, para nos referirmos às mais significativas.
São perfeitamente naturais as causas da sua popularidade e o agrado que a sua prática desperta entre a juventude. Trata-se de um jogo de profundas exigências técnicas e tácticas, de múltiplas regras, mas fàcilmente compreensíveis. A sua finalidade imediata é clara e para ela trabalham numa acção individual e de conjunto, perfeitamente equilibrada e a todos visível, os onze elementos da equipa.
Jogo tradicional, há longos anos importado de Inglaterra, tem um sentido de luta e de competição, particularmente vincado, que se mantém vivo até ao final da prova, se o valor desportivo das equipas se equilibrar.
Sucede ainda com esta modalidade, talvez mais do que com nenhuma outra, pelo menos entre nós, que a popularidade do futebol, as paixões clubistas, que a seu respeito se manifestam com particular intensidade, e o profissionalismo que estrutura a constituição das suas equipas ou a selecção da maior parte dos seus elementos, realidade só desconhecida pelos que negam a evidência, constituem factores que tornam tal preparação ainda mais necessária, agravando as exigências naturais que o jogo já por si oferece."
(Excerto de Preâmbulo)
Sumário:
Prâmbulo. | I - Orientação geral do treino do futebol. A) Princípios de base; B) Objectivos da preparação física no futebol; C)  Actividades físicas essenciais à preparação física no futebol; D) Orientação geral da colaboração médico-pedagógica. II - O problema técnico da preparação física. A) Generalidades; B) Teoria sobre a ginástica, os jogos educativos, as corridas e o «cross»; C) Orientação geral da ginástica prática; D) Orientação das corridas, do «cross» e dos jogos educativos. III - A preparação física na aprendizagem e no treino de futebol. A) Generalidades; B) Natureza dos exercícios na preparação física futebolística: a) Generalidades; b) Resistência orgânica; c) Força muscular; d) Flexibilidade e agilidade; e) Coordenação neuro-motriz; f) Domínio corporal; g) «Adresse» (Habilidade). C) Aptidões particulares ao futebol. Seus exercícios. Grupos de exercícios. D) Grupos de exercícios, visando às qualidades físicas necessárias ao futebolista. E) Grupos de exercícios, visando ao treino das aptidões particulares necessárias ao futebolista. F) Três lições de preparação física no futebol. G) Relação dos músculos que interferem no acto respiratório. H) Quadro referente às principais articulações interessadas no futebol (eixos e amplitudes de mobilização e músculos interessados). Vantagens e inconvenientes  dos estágios. Sua orientação geral. I) Vantagens e inconvenientes dos Estágios. Sua orientação geral.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Na capa e na f. rosto ostenta carimbo oleográfico do Sport Moçamedes e Benfica.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
25€

08 março, 2019

METODO PRATICO DO FOOT-BALL. "Rugby" e "Associação" ou "Soccer". Lisboa, Edição da Tipografia de Francisco Luís Gonçalves, [191-]. In-12.º (15cm) de 62, [2] p. ; il. ; B. Biblioteca Desportiva e de Recreio, II
1.ª edição.
Curiosíssimo manual prático sobre futebol, publicado na segunda década do século XX (ca. 1916), quando o desporto dava os seus primeiros passos entre nós. Trata-se de uma obra algo naïf se visto à luz dos nossos dias, sendo, salvo melhor opinião, a primeira que sobre este tema, com estas características, se publicou no nosso país. Inclui uma breve introdução às regras do rugby (ou râguebi), apenas com a finalidade de diferenciar este desporto do «footbal association».
O vocabulário inclui grande variedade de anglicismos e galicismos, relativos sobretudo aos termos técnico-tácticos do jogo, e à descrição e apreciação do desporto em geral.
Ilustrado no texto com um croquis esquemático e desenhos exemplificativos da "atitude" competitiva, tanto para o guarda redes como para os jogadores de campo.
"O notavel e sempre crescente incremento que desde ha anos vem tomando entre nós o foot-ball, fez que nos déssemos a coligir dos melhores autores estrangeiros e da propria pratica o que êste interessantissimo genero de sport reune de mais util.
Reconhecidos convenientes todos os jogos sportivos que a Inglaterra se tem dado á elevada missão de difundir, é força confessar que o foot-ball ocupa entre êles, pela liberdade salutar dos movimentos, pelo meio onde se exerce, um dos primeiros logares na educação física do individuo, desenvolvendo-o, e constituindo ao mesmo tempo uma diversão imensamente aprazivel. [...]
De facto, os que desconhecem em absoluto o foot-ball supõem-no um divertimento brutal, sem atractivos nem interesse.
E todavia, quanto é curioso observar êsses individuos quando pela primeira vez assistem a um match!
Irresistivelmente atraídos, fascinados, assistem ao decorrer do match, seguindo com a mais crescente anciedade e interesse todas as peripecias, todos os lances dêsse jogo que, momentos antes de entrarem no ring, não desdenhavam ferir com sarcasmos e risos motejadores.
Agitam-se, gesticulam, levantam-se, sentam-se para se tornarem a levantar; soltam exclamações; teem frases de desespero ou entusiasmo, segundo as fazes e consoante o seu grau de interesse por êste ou aquele jogador, sem descriminar équipes; proferem frazes de incitamento, e terminam por discutir vivamente, como verdadeiros conhecedores e interessados.
Quando saem do campo dão o seu dia por muito bem empregado.
E assim é, com efeito.
Assim se explica o numero sempre crescente de novos inscritos nos diferentes clubs existentes e a sua prosperidade, onde a par da grande quantidade de foot-ballistas se contam valiosos captains e distintos goal-keepers, forwards, half-backs e backs.
Sendo, pois, o foot-ball um jogo reconhecidamente util, pena é que não o adoptem todas as escolas, devendo os governos tornar obrigatorio o seu uso, em especial no exercito, onde todos os exercicios sportivos prestam no estrangeiro tão bons serviços, exercendo-o quotidianamente, no intuito de levantar energias e crear homens fortes.
No fott-ball existem todas estas virtudes inapreciaveis a par da educação da disciplina, da abnegação e do sacrificio, ao mesmo tempo que se perde a pusilanimidade.
Já o disse algures um dos grandes mestres: «o foot-ball é um jogo de tão pouco interesse, que o final dum campionato faz alterar um horário de caminhos de ferro».
Com a publicação do presente livrinho visamos um fim: provocar o gosto pelo foot-ball, desenvolver a cultura por esse genero de sport, que melhor se adapta aos nossos costumes."
(Excerto do Intróito)
Indice: - Introito. - Breve noticia sobre a origem do «Foot-Ball». - «Rugby» e «Associação» ou «Soccer». - Fato do jogador. - A higiene do jogador. - O jogo. - Jogadores. - Os Forwards. - Os half-backs. - Os backs. - O goal-keeper. - Conclusões. - Alguns artigos do Regulamento do jogo. - Vocabulario.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com gravura e ferros gravados a seco e a ouro e negro.
Raro.
Com interesse histórico.
A BNP dá notícia da obra, não tendo no entanto registado qualquer exemplar.
45€