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13 setembro, 2026

AGUIAR, Asdrúbal António de -
VITRIOLAGEM.
[Por]... Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. [S.l.], [s.n. - Costa Carregal - Porto], 1953. In-4.º (23x16 cm) de 45, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a vitriolagem, acto de derramar ácido sulfúrico ou outra substância corrosiva no corpo de uma pessoa - quando propositado - para causar queimaduras graves e desfiguração permanente.
Ensaio invulgar e muito curioso, publicado em separata do Jornal Médico, XXI (519) 5-22, 1953.
"Os corpos químicos corrosivos, entrando em contacto com a pele, provocam queimaduras mais ou menos extensas em superfície e mais ou menos profundas. [...]
Entre as queimaduras por cáusticos que mais vezes se observam contam-se as motivadas pelo ácido sulfúrico concentrado. Porque a este ácido também se chama «vitríolo» ou «óleo de vitríolo», designam-se as queimaduras por ele criadas de efeitos de vitriolagem. [...]
A vitriolagem é acidental ou criminosa. A primeira, a acidental ou fortuita, sobrevém inesperadamente sem que a vontade de quem quer que seja intervenha. [...]
A vitriolagem criminosa é quase sempre passional. Os crimes são, em geral, executados por mulheres. O seu número excede bastante o dos casos em que o acto violento é lavado a cabo pelos homens.
Nas vitriolagens efectuadas pelas mulheres os pacientes são, quase constantemente, os amantes que as abandonam deixando-as grávidas, que casam com outras ou que com outras passam a viver, ou os próprios maridos por quem experimentam ciúmes extremos, ou que se lhes tornam igualmente odiosos por as trocarem por outras mulheres ou mulher, suas rivais que lhes pretendem roubar ou que de facto lhes roubaram os mesmo amantes ou esposos.
Também por vezes as mulheres, porque são invertidas, vitriolam outras da sua afeição para desforço destas se afastarem ou se inclinarem para mulheres diversas, se também forem homossexuais, ou para homens se forem heterossexuais.
A contar há ainda as vitriolagens, se bem que excepcionais, de «souteneurs», executadas pelas meretrizes, suas amantes predilectas, em presença de ameaças de abandono, de abandono real ou em face de interesse que outras companheiras de mester por eles mostrem.
As vitriolagens levadas a cabo por homens são, como já se registou, em número reduzido. No entanto, há casos de indivíduos atirarem ao rosto das mulheres suas amantes que os repelem, que se entregam a outros, que com outros pretendem casar ou que estão a ponto de o fazer, ou de mulheres que lhes não aceitam propostas amorosas.
Casos se verificam, ainda que muito raros, de maridos vitriolarem as esposas por estas os atraiçoarem. [...]
Na vitriolagem passional os lugares do corpo escolhidos para a efectivarem são, na sua quase totalidade, o rosto e o pescoço..."
(Excerto do Estudo)
Asdrúbal António de Aguiar (Lisboa, 1883-1961). "Foi um médico legista, professor universitário, pioneiro da sexologia em Portugal. Teve um papel fundamental no desenvolvimento científico e na estruturação da medicina legal no país durante a primeira metade do século XX. Foi docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e exerceu o cargo de diretor do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. Foi considerado um dos maiores especialistas do país em patologia forense. Destacou-se pela abordagem científica e descomprometida (para a época) de temas fracturantes, escrevendo extensivamente sobre crimes sexuais, homossexualidade e a evolução dos costumes sob uma perspetiva médico-legal. Como perito forense, esteve envolvido em momentos marcantes da história portuguesa, incluindo a realização de exames periciais no cadáver do ex-presidente da República, Sidónio Pais, após o seu assassinato em 1918. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse científico e criminal.
20€
Reservado

22 abril, 2026

TARNOWSKI, Dr. B. -
O INSTINCTO SEXUAL E AS SUAS MANIFESTAÇÕES MORBIDAS.
Sob o duplo ponto de vista da jurisprudencia e da psychiatria. Pelo... Traduzido da edição ingleza. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1902. In-8.º (19x11,5 cm) de 238, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho publicado pela primeira vez na Rússia em 1885 (Inglaterra, 1898), pioneiro, e de certo modo precursor de outras tantas obras que se seguiram desde então em diferentes países, numa época em que estes assuntos principiavam a ser abordados e discutidos sob um ponto de vista metódico e científico.
"O Instincto Sexual e as suas Manifestações Mórbidas" (título original em inglês: The Sexual Instinct and its Morbid Manifestations from the Double Standpoint of Jurisprudence and Psychiatry) é uma obra de sexologia e psiquiatria forense escrita pelo Dr. Benjamin Tarnowski (1837-1906), um proeminente médico russo.
Publicado originalmente no final do século XIX, o livro aborda as perversões sexuais sob uma perspectiva médica e legal. Tarnowski investiga as causas das perversões sexuais não apenas como vícios, mas como manifestações mórbidas de um organismo degenerado, com forte ênfase na hereditariedade e no desenvolvimento interrompido. O autor estabelece uma distinção clara entre a perversão sexual e a depravação de carácter, abordando o tema sob o ponto de vista da jurisprudência e da psiquiatria." (IA)
Obra de referência sobre as taras - transtornos como a perversidade e a depravação - analisadas à luz da psiquiatria e do ponto de vista médico-legal.
"Esbocei, na presente obra, a largos traços os factos e observações, que me inspiraram a idéa de indagar a fundo as causas da perversão sexual, - e isto não sómente sob a influência da depravação e excessos licenciosos, mas de preferencia, e de facto posso dizel-o, principalmente, trato de examinar essas causas como dependentes d'uma condição morbida do organismo, quer sejam congenitas ou adquiridas depois
Fiz sobretudo toda a diligencia de lançar a maior luz possivel sobre o papel representado pela hereditariedade e pelos phenomenos de desenvolvimento imperfeito; assim como pelas varias causas morbida que dizem respeito á etiologia das perversões sexuaes, e de differenciar estas com a maior clareza da depravação de caracter provada - do vicio consciente e premeditado."
(Excerto de Prefacio da edição ingleza)
"Ha uns cinco annos, que fui chamado para dar a minha opinião como perito n'um caso de pederastia.
Recordando-me das minhas observações n'este assumpto e comparando-as com os capitulos correspondentes dos compendios mais completos de medicina forense, fiquei impressionado pela falta de concordancia entre as asserções da sciencia official de um lado e os factos clinicos do outro. Cada novo exame technico mais claramente me fazia reconhecer não só quão insufficiente era a sciencia contida nos livros ácerca da preversão da actividade genesica, mas ainda as incorrecções de muitos dos principios dirigentes aconselhados no exame do caso actual. [...]
A differença de opinião entre o medico jurista e o clinico tem-se tornado tão notavel, que parece ser altamente necessario, a fim de explicar estas contradicções, indicar os fundamentos sobre que devem ser baseadas as respostas aproximativamente correctas do medico forense, e preparar o caminho para estudos mais vastos, de mais unidade e mais fecundos sobre esta materia.
O medico jurista vê a depravação, a impudicia sobresaturada, o vicio inveterado, a immoralidade e outras coisas similhantes, onde o clinico observador reconhece sem a menor duvida os symptomas de um estado morbido com a sua evolução typica e as suas consequencias. Onde o primeiro puniria o vicio, o segundo requer pela necessidade de methodos therapeuticos."
(Excerto de Introducção)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

21 novembro, 2025

COSTA JUNIOR, José Duarte da - BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O VESTUARIO DE HYGIENE. Dissertação inaugural de... 24 de Julho de 1905. Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Lisboa, Imprensa de Libanio da Silva, 1905. In-8.º (22x15 cm) de [16], 60, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho académico, pioneiro, sobre a influência do vestuário e da moda no comportamento humano, com aplicação teórico-prática à Medicina Legal.
Pela distinção e reconhecimento público, a título de curiosidade, nomeiam-se os insignes Professores que compuseram o júri que avaliou a tese de Costa Júnior: Presidente: Salazar de Sousa; Vogais: Pedro Bettencourt Raposo; Alfredo da Costa; Ricardo Jorge; Francisco Soares Branco Gentil.
Raro e muito interessante. A BNP não menciona.
"A visão totalizadora da medicina induziu alguns alunos a apresentarem teses sobre temas muito variados. Costa Júnior, apresenta um curioso trabalho sobre a composição dos diferentes tecidos «com inegável interesse para a Medicina Legal» estabelecendo relações entre aquela, as cores e as formas e o estado de saúde individual; de caminho, não deixou de enfatizar, naturalmente, a irracionalidade da moda feminina."
(Fonte: file:///C:/Users/aassm/Downloads/miguel_bombarda_e_singularidades_de_uma__poca__2006__garnel.pdf)
Exemplar valorizado pela oferta na capa e dedicatória autógrafa no interior do autor a sua irmã - D. Maria José Duarte Costa.
"O homem, diz-nos a physiologia, maravilhosamente organizado, mantem a sua temperatura nas proximidades de 37 graus centigrados. E no entanto forçoso é não esquecer, que a sua demasiada nudez, expondo-o quasi por completo ás intemperies do mundo exterior, contrasta singularmente com a dos restantes animaes que portadores de pellos, pennas, escamas ou outros productos da epiderme, encontram em si mesmo outros tantos agasalhos, os mais legitimos e higyenicos vestidos. [...]
Como é sabido, o corpo humano em repouso perde diariamente cêrca de 2:700 calorias das quaes, uma grandissima maioria, 2:572 são abandonadas pela pelle da seguinte forma: 558 por evaporação do suor, 803 por conductibilidade e 1181 por irradiação. Equivale isto a dizer que o vestuario, visto elle cobrir os quatro quintos da nossa superficie cutanea, ha-de por força ir actuar sobre as trocas thermicas reduzindo-as consideravelmente.
Qual o vestuario mais adequado e quaes as desvantagens que resultam da falta de observancia relativa ao seu emprego, subordinando-se por ventura a caprichos eventuaes, aos da moda por exemplo, tudo isto verêmos nós, quanto possivel, no decorrer do nosso estudo."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | Tecidos, sua proveniencia e principaes propriedades: Proveniencia: - Reino mineral; - Reino animal; - Reino vegetal. Caracteres microscopicos: - Algodão; - Linho; - Lã; - Seda. Conductibilidade. Propriedades hygrometricas. Propriedades electricas. | Da fórma e escolha do vestuario | De alguns artigos do vestuario em especial: - Do espartilho; - Do chapeo; - Do calçado; - Das meias. | Da cama: - O leito; - Os colchões; - Os enxergões; - Os travesseiros; - Os lençoes; - Os cobertores; - As colchas e as cobertas; - Os cortinados; - Os mosqueteiros. | Conclusões | Proposições | Jury | Bibliographia.
Encadernação coeva inteira de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
40€

03 janeiro, 2025

MESQUITA, Abílio de -
O DIVÓRCIO E A MEDICINA (êrros e crimes da Lei do Divórcio portuguesa)
. Pôrto, Casa Editora de A. Figueirinhas, 1924. In-8.º (17,5x12 cm) de [2], 77, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Tese de doutoramento do autor apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
"O estudo da legislação dum povo deve andar sempre ao lado do da biologia porque aquela depende de esta. Daí, o papel preponderante da Medicina legal nas várias questões sociais, a qual, além de fornecer os conhecimentos médicos aos problemas jurídicos, trata das relações entre os factores biológicos e as leis dum povo, constituindo parte da sócio-biologia.
Sendo o casamento a base da sociedade pela segurança na continuação da espécie e o divórcio a destruição, em parte, dessa mesma segurança, entram na sócio-biologia os estudos do casamento e do divórcio; é êste que constitue o nosso trabalho."
(Excerto do Prefácio)
"O casamento é a união consciente entre dois indivíduos de sexo diferente com deveres de fidelidade, de assistência e de auxílio mútuos. O risco conjugal é o conjunto de circunstâncias agradáveis ou desagradáveis a que os conjuges estão sujeitos durante a vida matrimonial.
O divórcio é a cessação consciente do matrimónio, depois dêste consumado, em vida de ambos os conjuges, com a possibilidade de novo casamento; quando esta regalia não existe, a dissolução não é completa. Pode ser por mútuo acôrdo ou independentemente dele, tendo-se em vista actualmente os interesses do outro conjuge.
A nulidade faz com que não exista o matrimónio que o divórcio pressupõe.
Repúdio é a separação por vontade de um só dos conjuges, em geral o homem. Na evolução histórica do casamento, como veremos, o repúdio antecede o divórcio. Pelo repúdio o homem é senhor absoluto no lar conjugal. O divórcio destroe esse autoritarismo marital, igualando os direitos do homem aos da mulher e emancipando esta em parte."
(Definições)
Indice:
Dedicatórias | Prefácio | Definições | I Parte - História e evolução do divórcio. II - Parte - O divórcio na actualidade. III Parte - A loucura como causa de divórcio. IV - Parte - Doenças contagiosas e aberrações sexuais como causas de divórcio. V Parte - Conclusões | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
20€

19 agosto, 2024

FLORES, Francisco Moita - AS MORTES DE ANTERO DE QUENTAL.
"Autópsia" de um Suicídio. Separata da Revista de História das Ideias, Vol. 13. Coimbra, Faculdade de Letras, 1991. In-4.º (23x16 cm) de 77, [1] p. (283-359 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre os acontecimentos que rodearam a morte de Antero de Quental, quer sob o ponto de vista especulativo, quer sob o ponto de vista clínico e médico-legal, incluindo as diversas teorias propostas na época e nos anos subsequentes até ao presente.
Ilustrado no texto e em página inteira com fotografias a p.b. e desenhos esquemáticos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Porque se suicidou Antero? O enigma da sua morte que explicações encerra? Como morreu este Homem, cuja obra é decisiva para a compreensão do Portugal "fin de siècle", e na perspectiva de Gaspar Simões, intérprete catalítico das pulsões complexas que a sua Geração libertou e sacudiram a trajectória cultural portuguesa? Quem morreu? Um homem doente, derrotado e destruído, ou um filósofo inacabado ou um místico confiante numa escatologia imanentista da Morte? Ou então, citando Sousa Martins: "Foi livre Antero, na escolha do momento? Foi livre, ao menos, na escolha do processo da morte?"
Por fim, uma última questão: o suicídio do poeta-filósofo é um mero instante, um episódio, ou terá sido o epílogo de uma vida que se consumiu em suicídios sucessivos, entendidos como amputações conscientemente autodeterminadas, num processo de conflitualidade dialética entre os limites temporais de existência e a necessidade da apreensão metafísica da sua própria essência?"
(Excerto de Algumas interrogações prévias)
Índice:
Algumas interrogações prévias | 1. A morte biológica de Antero de Quental: 1.1. A tomada da decisão suicida; 1.2. O Suicídio; 1.3. Após a Morte. 2. As doenças de Antero. 3. Um suicídio feito de muitos suicídios: 3.1. Da recusa do suicídio à aceitação da morte; 3.2. O caminho para o suicídio; 3.3. Entre o "Programa da Morte" e a "Morte de um Programa"; 3.4. O "Suicídio" do Poeta; 3.5. O último combate de Antero. 5. Morte de homem. 6. A ressurreição de Antero. | Fontes e Bibliografia: I - Fontes manuscritas; II - Fontes Impressas; III - Obras Consultadas. | Apêndice: Entrevista Francisco Costa Santos; Entrevista Jorge Costa Santos.
Francisco Moita Flores (1953). "Nasceu em 1953 em Moura, Alentejo. Formou-se em Biologia e foi professor secundário antes de ingressar na Polícia Judiciária em 1978. Trabalhou na PJ até 1990 investigando furtos, assaltos e homicídios. Mais tarde voltou à PJ como diretor e participou do programa Casos de Polícia da SIC. Licenciou-se em História e desenvolveu uma carreira de sucesso como escritor, tendo recebido vários prémios em Portugal."
(Fonte: https://pt.slideshare.net/slideshow/francisco-moita-flores/13220970)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
35€

20 dezembro, 2023

CAEIRO, Agostinho Felicio Pereira -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE A TATUÁGEM E SEU VALOR MEDICO-LEGAL.
Dissertação inaugural de... Junho de 1908. Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Lisboa, Typogr. Mendonça, 1908. In-8.º (21 cm) de 77, [5] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo apresentado à Escola Médico Cirúrgica de Lisboa subordinado ao tema das tatuagens e o seu valor na identificação de prostitutas, vadios e criminosos, sendo particularmente importante para o reconhecimento dos reincidentes.
Obra de reconhecido merecimento, desenvolvida numa época em que a Medicinal Legal dava os primeiros passos em Portugal, sendo este o primeiro trabalho que sobre o assunto se publicou entre nós.
Ilustrado com 18 desenhos de tatuagens, fruto de observações do autor, reproduzidas em 3 estampas separadas do texto.
"Tatuádos, em medicina-legal, se dizem os individuos que possuem determinadas cicatrizes córadas, de longa duração, ainda que não absolutamente indeléveis, provenientes da introducção e fixação no tegumento cutaneo de substancias mineráes ou vegetáes de natureza diversa. A estas cicatrizes daremos, para melhor comprehensão, o nome de tatuagens, embóra esta designação se tenha applicado mais vulgarmente ao processo pratico de as obter... [...]
As tatuagens da maneira como ficam definidas, constituem um precioso e excelente meio para a verificação medico-legal da identidade dos individuos e como tal devem sêr minuciosamente procuradas e analysadas no vivo, no cadaver, ou ainda em casos de exhumação juridica.
Se, já pela sua simples presença n'um individuo ellas adquirem uma grande importancia para a sua identificação, devidamente observadas e escrupulosamente estudadas dos seus carácteres, nos fornecerão não só esclarecimentos precisos sobre o nome, edade, séxo, nacionalidade e profissão d'esse individuo, mas ainda muitas vezes nos revelarão fáctos directamente relacionados com os habitos, condição sociál e acontecimentos notaveis da sua vida."
(Excerto de II - Valor Medico-legal da tatuagem)
Índice:
[Dedicatórias.] | Prologo. | Capitulo I - Generalidades: - Historia e origens. - Etiologia: Atavismo; Ideographia; Vaidade; Imitação; Agglomeração; Ornamentação; Sentimentos e paixões. - Condições sociaes. Capitulo II - Valor Medico-legal da tatuagem: - Edáde. - Séxo. - Profissão. - Séde. - Carácteres exteriores das tatuagens: Dáta; Natureza emblemática do desenho; Religiosas. - Amorósas e eróticas. - Phantasistas. - Inscripções: Dátas; Numeros; Inscripções. Capitulo III - Pratica da tatuágem. Capitulo IV - Mudanças nas tatuagens e destatuagem. | Observações pessoaes [em detidos] - XVIII (13 homens / 5 mulheres). | Observações tiradas dos Boletins das autopsias (existentes na morgue) e fornecidos pelo Ex.mo Sr. Conselheiro Silva Amado [VI] (6 homens). | Explicação das estampas.
Agostinho Felício Pereira Caeiro (Évora, 1882-1946). "Médico, Capitão do Exército. [Participou na Grande Guerra em Moçambique (1917-1918), integrando os quadros da Cruz Vermelha Portuguesa, como Chefe dos Serviços de Saúde em Nacature]. Diretor do Semanário da União Republicana “O Alentejo” (1914) e Sócio nº 1. Foi ainda o primeiro Presidente e Fundador da Agência da Liga dos Combatentes em Évora, Diretor do Hospital Militar de Évora, Diretor do Hospital Civil de Évora, Governador Civil Substituto, Presidente dos Bombeiros Voluntários de Évora, Comandante do Exército em 1919. Percurso Político: Membro do PRP (1908-1910), do PRE entre (1911-14), do PUR (1915-16) e do PRN
em 1926. Presidente da Câmara Municipal de Évora - Mandato: 6 de Dezembro de 1910 a 1 de Dezembro de 1911."
(Fonte: Galeria dos Presidentes - Câmara Municipal de Évora)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rasgão na capa, sem perda de suporte.
Muito raro.
Sem registo na BNP (Biblioteca Nacional).
Indisponível

26 junho, 2023

PINA, Luís de - ASPECTOS MÉDICO-LEGAIS DA LIBERDADE CONDICIONAL. Braga, Livraria Cruz - Colecção «Sciencia Ivridica», 1960. In-4.º (24 cm) de 45, [3] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista Sciencia Ivridica, Tomo IX : n.os 45/45, Janeiro-Junho de 1960.
Ensaio médico-legal sobre a elegibilidade da liberdade condicional, considerando os aspectos psicológicos e psiquiátricos dos criminosos.
Livro ilustrado no final com 34 figuras, entre desenhos, quadros, gráficos, tabelas e fotogravuras, distribuídas por 20 páginas separadas do texto, sendo uma delas em folha desdobrável.
"O estudo do criminoso, para efeitos de liberdade condicional, embora se baseie na investigação ou pesquisição pluridimensional, morfo-psicomoral, deixa margem a muito insuficientes diagnósticos e prognósticos, originados na reacção defensiva do examinado, na impotência de muitos sistemas científicos da propedêutica psicológica e psiquiátrica, na perplexa interpretação dos elementos recolhidos, mercê da variedade, discordância e até adversidade de tantas doutrinas em que se poderiam basear a análise e valorização desses resultados analíticos.
Um prognóstico e uma terapêutica são o que, afinal e no fundo, se solicita ao perito.
Uma tarefa já de si dificílima - e é-o sempre, quando referida a indivíduos considerados vulgares, comuns, normais, não delinquentes; mas se o examinando for um criminoso, geralmente anormal ou desfavoràvelmente não comum em sua complexa personalidade psicomoral, então redobra de dificuldade a empresa, quando ao perito se solicite parecer acerca da concessão de liberdade condicional e se não atender, apenas, ao índice de um bom comportamento (tão impreciso!) e à circunstância de se encontrar o proposto emendado (não menos imprecisa!), condições de garantia, estas, exigíveis e indispensáveis."
(Excerto do estudo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse criminal.
20€

12 maio, 2023

MACHADO, J. T. Montalvão - HOUVE ENVENENAMENTOS NA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA?
Lisboa, [s.n.], 1974. In-4.º (23,5 cm) de 27, [1] p. (47-73 pp.) ; B. Separata do Tomo IV - n.º 1 da Revista «Língua e Cultura» : Sociedade de Língua Portuguesa
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre os casos de morte suspeita por envenenamento na Família Real Portuguesa.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao General Tassara Machado.
"O envenenamento, ou seja a morte por ingestão de substâncias tóxicas, pode verificar-se em condições muito diversas. Por inadvertência ou ignorância, pode um indivíduo ingerir uma substância tóxica e mortal, sem que o facto revele um propósito de morte. [...]
Com o propósito de suicídio, várias pessoas ingerem substâncias altamente tóxicas, precisamente porque desejam pôr termo à vida.
É todavia com o propósito de matar que se observa o maior número de envenenamentos, confiando-se na impunidade e fazendo-se crer na morte natural.
Há ainda uma 4.ª forma de envenenamento, hoje desaparecida nos países cultos, empregada outrora como execução duma sentença, como se diz ter acontecido com Sócrates, condenado a beber cicuta, pelos adversários das suas teorias filosóficas.
É apenas a 3.ª variedade de envenenamento, isto é, dos envenenamentos criminosos, que desejamos aqui tratar. Mais particularmente, nos queremos deter sobre os casos de envenenamento, verdadeiros ou supostos, que surgiram, em épocas várias, em pessoas da Família Real Portuguesa."
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
A - Preâmbulo. B - Rainha D. Leonor, viúva do Rei D. Duarte. C - Filhos do Infante D. Pedro. D - D. João II. E - Príncipe D. José. F - D. João VI. G - Príncipe D. Augusto de Leuchtenberg. H - D. Pedro V e seus irmãos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e forense.
25€

04 maio, 2023

CUNHA, Fernando da - A MORTE POR INHIBIÇÃO. Dissertação inaugural de... 4 de Julho de 1906. Lisboa, Imprensa de Libanio da Silva, 1906. In-4.º (23 cm) de [8], 97, [7] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Tese académica apresentada à Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
Trabalho subordinado ao tema da morte por "inibição" - diagnóstico abrangente mas pouco assertivo - elaborado numa época em que a Medicinal Legal dava os primeiros passos entre nós.
Ilustrado com 2 estampas separadas do texto no final do livro.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Os phenomenos descriptos em pathologia com o nome de choque traumático, o railway-spine ou railway-brain dos inglezes, o Schrecklän-mungen dos allemães, a syncope traumática, a morte subita depois de certos traumatismos sem que na autopsia se notem lesões visceraes sufficientes para a explicarem, podem reunir-se como tendo o mesmo mechanismo - a inhibição. [...]
Fálha é a bibliographia de um assumpto como a morte por inhibição, que tanto deve interessar aos pathologisytas, physiologistas e medicos legais.
Os primeiros só se referem mais desenvolvidamente ao choque, dos segundos, os modernos em regra não são muito prodigos em commentarios aos phenomenos inhibitorios, e os ultimos a quem parece que o assumpto mais interessa não fazem grande luz sobre a sua pathogenia. [...]
Mais de uma vez a nós mesmos perguntámos como explicar o extranho paradoxo de uma mesma causa núns passar quasi despercebida, n'outros produzir symptomas mais ou menos graves dos classicamente descriptos no choque traumático, n'outros produzir a morte.
Porque é que tantas vezes a mesma causa está tão fóra de proporção com os effeitos produzidos, com certeza até no proprio individuo conforme as occasiões?
Porque é que um ligeiro traumatismo no pescoço póde produzir a  morte instantanea, e um assassino, dutante dez, quinze minutos, exerce violencias excessivas n'um estrangulação, violencias assignaladas por estigmas brutaes, unhadas, fracturas na região?
Excitabilidade excepcional?
Predisposição?
Palavras campanudas que nada explicam. Synthetisam se factos, englobam-se n'uma palavra, atira-se com esta a quem pergunta, atordôa, mas não satisfaz o espirito."
(Excerto da Introducção)
Índice:
[Explicação]. | Introducção. | A inhibição. Theoria da interferencia nervosa; Theoria do deslocamento de força nervosa; Theoria da transformação de força; Theoria do neurone. | Regiões de eleição: Laryinge e regiões vizinhas; Abdomen; Face; Orgãos sexuaes. | Anesthesia. | Emoção. | Queimaduras. | Causas adjuvantes. | Autopsia. | Observações da Morgue de Lisboa - Registo da autopsia no cadaver de Alvaro Malaquias Pina N.º 1.443: Exame do habito externo; Exame interior; Conclusões / - Registo de autopsia do cadaver de José Manuel Simões N.º 1.450: Exame do habito externo; Exame interior / Registo de autopsia do cadaver de José Gomes Regalado N.º 1.475: Exame do habito externo; Exame interior. | Proposições. | Bibliographia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP (Biblioteca Nacional).
35€

04 março, 2023

AGUIAR, Prof. Doutor Asdrúbal de -
CAUSAS DAS MORTES DO REI D. CARLOS I E DO PRÍNCIPE REAL D. LUÍS FILIPE.
Separata das «Imprensa Médica : Ano XXIII - Outubro de 1959
. Lisboa, [s.n.], 1959. In-4.º (23,5cm) de 25, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio médico-legal para o apuramento das causas que conduziram à morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Armando Cavaleiro Pinto Basto.
"Até ao presente, e já vai decorrido mais de meio século, não foram indicados, de maneira decisiva ou pelo menos presumível, as causas das mortes do rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe, sucedidas no Terreiro do Paço no dia 1 de Fevereiro de 1908, pelas 17 horas e meia ao regressarem com a Rainha D. Amélia a Lisboa, vindos de Vila Viçosa.
O regicídio perpetrado nessa ocasião filiou-se em acontecimentos políticos de vulto que de meses pretéritos vinham acontecendo. [...]
Poderia aludir aqui, com maior minúcia, a estes e outros precedentes imediatos ou distantes da anormal situação, esmiuçar as actividades dos revoltosos, enumerar-lhes os nomes, etc. Seria fastidioso fazê-lo. Demais nada disso importa para o propósito em vista: determinar as verdadeiras causas das mortes do rei e do príncipe real. Também não tratarei, pormenorizadamente, dos fins trágicos dos regicidas sucedidos igualmente no Terreiro do Paço, após o atentado. Apenas me referirei à maneira como foi executado o duplo homicídio de D. Carlos e de D. Luís Filipe, e isso, porque interessa para a boa compreensão de certos factos a que aludirei. [...]
A chegada a Lisboa, prevista para as 16 horas e 15 minutos, foi retardada de 1 hora e 5 minutos, atracando o vapor «D. Luís» que do Barreiro transportava o rei, a rainha, o príncipe e a comitiva às 17 horas e 20 minutos na estação fluvial do Terreiro do Paço, então alojada na margem do Tejo, próximo do torreão, pertença no Ministério da Guerra. [...]
O rei, a rainha, o príncipe real e o infante D. Manuel tomaram então lugar num «landau» aberto, tirado por duas parelhas de cavalos, ocupando D. Carlos e D. Amélia os lugares trazeiros - a rainha à direita do rei, e D. Luís Filipe e D. Manuel os lugares dianteiros, o príncipe em frente do rei e o infante em frente da rainha. A carruagem poz-se em marcha entrando na rua ocidental do Terreiro do Paço, sendo seguida, a curta distância, por outro «landau» igualmente tirado por duas parelhas, conduzindo os camaristas de serviço - condes de Figueiró e marquês de Alvito, e pela carruagem do presidente do Ministério. Nenhuma escolta militar acompanhava o «landau» real. De resto, não era costume fazer acompanhar o rei ou a rainha, nas suas passagens pelas ruas de Lisboa, de qualquer destacamento militar, a não ser em actos oficiais.
Quando a carruagem real atingiu as arcadas próximas da rua do Arsenal, sobre as quais se encontrava instalado o Ministério da Fazenda, predecessor do actual Ministério das Finanças, foram disparados seguidamente dois tiros de carabina sobre o rei por um indivíduo de nome Manuel da Silva Buíça, o qual saíra, de súbito, de entre os populares estacionados no passeio do lado do Terreiro e avançava para o leito da rua para trás da carruagem, e logo a seguir também dois tiros de pistola «Browning» por outro indivíduo, Alfredo Luís da Costa, que parece ter surgido de entre os mesmos populares, o qual correu igualmente para trás da carruagem, que ia já a voltar para a rua do Arsenal.
Mal foram disparados os tiros que atingiram o rei, este caiu para o lado direito. Semelhantemente apenas foram desfechados os tiros que alcançaram o príncipe, este tombou para a frente, para cima do corpo do rei.
D. Carlos pouco tempo teve de vida - uns escassos segundos. [...] O príncipe teve morte instantânea. [...]
Já de noite os cadáveres foram conduzidos para o Paço das Necessidades, cada um em seu «landau», precedidos por outro em que se transportavam as rainhas D. Amélia e D. Maria Pia e o infante D. Manuel. Foram recebidos pelo Dr. D. Tomaz de Mello Breyner, médico de serviço.
No dia seguinte, 2 de Fevereiro, procedeu-se ao embalsamamento de ambos após o exame dos ferimentos neles existentes.
O embalsamento foi demorado. Durou cerca de 12 horas. [...]
Não se realizaram as autópsias por determinação expressa do governo. Julgaram-nas dispensáveis. Realmente elas nada importavam para a organização do corpo de delito directo destinado a julgamento dos regicidas, pois estando estes mortos, não podiam ser julgados. Este e possivelmente outros motivos, levaram o governo a tal decisão."
(Excerto de Causas das mortes do Rei D. Carlos I...)
Matérias:
Medicina Legal - Causas das mortes do Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe. [Introdução]. | Relatório do exame no cadáver de Sua Majestade El-Rei o Senhor D. Carlos. - Conclusões. | Relatório do exame no cadáver de Sua Alteza o Príncipe Real Senhor D. Luís Filipe. - Conclusões. | I. Efeitos traumáticos provocados no Rei D. Carlos pela agressão de que foi vítima. - II. Efeitos traumáticos provocados no Príncipe Real D. Luís Filipe pela agressão de que foi vítima. | Em resumo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 outubro, 2022

CID, Sobral - O CASO DE FRANZ PIECHOWSKI, PERSEGUIDO, PERSEGUIDOR E MAGNICIDA.
Por...
Lisboa, Imprensa Nacional, 1930. In-4.º (25,5x20,5 cm) de 80, [2] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Relatório clínico do marinheiro Franz Piechowski, psicopata de origem alemã, cujo delírio atingiu o seu auge em Lisboa, em Junho de 1930, com um crime que chocou o país - o assassinato a sangue frio de um diplomata alemão.
Estudo com interesse para história da psicose em Portugal por um dos seus expoentes máximos da época - o Prof. Sobral Cid.
Este processo contempla o percurso de Franz Piechowski, desde a adolescência (com passagem pelo reformatório), aos anos de embarcadiço - durante e após a Primeira Guerra Mundial -, onde se manifestaram as primeiras crises psicóticas, até à sua prisão, em Lisboa.
"No dia 7 de Junho de 1930, no momento em que saía do cruzador alemão Koenisberg, já acostado ao cais de Lisboa, o Ministro de Alemanha, Barão Von Baligand, foi alvejado a tiro por um seu compatriota - Franz Piechowski -, falecendo horas depois."
(Fonte: facebook.com/lisboadeantigamente)
Livro ilustrado em duas folhas separadas do texto reproduzindo fotogravuras do criminoso - vestido e sem roupa - segundo fotografias do Serviço de Identificação e Registo Policial - Pôsto Antropométrico de Lisboa.
"Manifestamente inspirado pelo delírio, e só por êle, o atentado perpetrado na pessoa do Barão von Baligand por Franz Piechowski integra-se lògicamente na fase decorrente da evolução a sua psicose, como um dos possíveis desfechos - aquele que as circunstâncias tornaram viável - da idea mórbida que, desde a vinda para a Península, se apossara da sua consciência com a persistência e o potencial energético que caracteriza as ideas fixas dentro e fora do campo psiquiátrico. [...]
Em primeiro lugar, a título de precedentes imediatos: a escolha da ocasião, a preparação minuciosa do atentado e a visita prévia ao teatro das operações - sem falar no cenário grandioso: troca de cumprimentos oficiais, marinheiros em parada, salvas, etc. - que o lugar e a ocasião escolhida lhe proporcionaram.
No que toca à execução do acto, a sua atitude fria, impassível só é comparável à do caçador de espera que, à espreita da peça de caça que há-de passar, concentra toda a sua atenção no seu objectivo, de modo a realizar o máximo de calma e domínio e si próprio no momento crítico em que tem de intervir. Chegada a ocasião propícia: ataque brusco e de surprêsa, por forma a assegurar-se do êxito, caindo inopinadamente sôbre a sua vítima."
(Excerto de Características do atentado)
Matérias: [Apresentação]. | Parte I - História pregressa. I - Antecedentes pessoais. II - História do delírio: A) - Eclosão e rápida sistematização do delírio. Estada em Londres. Viagem de retôrno a New-York (Estados Unidos). Regresso a Hamburgo e Danzig; B) - Estada em Danzig. Primeiras reacções agressivas sôbre supostos perseguidores. Tentativa de homicídio. Internamento no Manicómio de Lauenburg.; C) - Evasão do Manicómio de Lauenburg. Migração através da Alemanha ocidental. Queixas e telegramas de protesto. Primeiras manifestações do perseguido-reivindicador; D) - Regresso à actividade profissional. Viagem ao Mar do Norte, Mediterrâneo e Mar Negro. Episódio de Nápoles. Ocorre-lhe a idea de se refugiar na Rússia. Evasão a nado de bordo do «Arscheneim», no canal de Kiel. Estada em Rotterdam e Antuérpia; E) - Embarque clandestino para o Rio de Janeiro. Múltiplas tentativas de envenenamento. A idea do atentado aparece na consciência sob a forma de alucinações. Novas cartas e telegramas de protesto. Regresso à Europa; F) - Aquisição em Antuérpia da pistola «Liberty» - Migração para a Península - Pre-figuração alucinatória do atentado, na cena delirante de Bordéus - O magnicídio convertido numa idea fixa. G) - Instalação e expansão do complexus magnicida; H) - Lisboa - Indeterminação na escolha da vítima. Chegada da esquadra alemã - O atentado; I) - Características do atentado. | Parte II - Status praesens. A) - Exame morfológico; B) - Exame médico e neurológico; C) - Exame psiquiátrico. Parte III - Discussão. A) - Caracteres gerais do delírio; B) - O acontecimento provocador - Transmutação catatímica - Génese do «complexus»; C) - Projecção afectiva do «complexus» - Delírio de auto-relacionação sensitiva; D) - Episódio alucinatório intercalar; E) - Alucinações psíquicas; F) - Reacções: a) Generalidades; b) Reacções asténicas; c) Reacções esténicas; d) Elaboração sub-consciente da idea do atentado e sua pre-figuração alucinatória; e) O magnicídio, expressão de uma idea fixa ou prevalecente; f) Características psicológicas do atentado. | Conclusões.
José de Matos Sobral Cid (Cambres, Lamego, 1877 - Lisboa, 1941). "Mais conhecido por Sobral Cid, foi um médico e professor de Psiquiatria da Universidade de Coimbra. Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Coimbra (1903-1904) e foi Ministro da Instrução Pública em dois dos governos da Primeira República Portuguesa (1914). Como professor universitário, criou a escola portuguesa de psicologia clínica, fundamentada na semiologia psiquiátrica, na definição de conceitos psicológicos, assente numa prática de clínica humanizada que valoriza a relação entre médico e doente sem perder o sentido médico da psiquiatria e as suas bases biológicas."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

10 julho, 2022

BRITES, Geraldino - CATALOGO DA COLECÇÃO DA MORGUE DE COIMBRA. 1900 - Julho de 1911
. Coimbra, Typographia França Amado, 1911. In-4.º (23,5 cm) de 58, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio forense e médico-legal. Ao longo do livro são descritas as circunstâncias de diversos casos que resultaram na morte dos pacientes, vindo estes a ser sujeitos a autópsia na Morgue de Coimbra e expostas as respectivas conclusões médicas.
Ilustrado ao longo do texto com desenhos exemplificativos.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Geraldino Brites ao Prof. António de Pádua (1869-1914), ilustre médico e professor catedrático.
"Este catalogo tem por fim archivar as descripções das peças, que constituem a collecção da morgue de Coimbra, e as constatações dignas dignas de registo feitas no decurso das autopsias. [...]
A actual collecção é essencialmente anatomo-pathologica; todas as lesões constatadas nas autopsias vão sendo cuidadosamente recolhidas e todos os especialistas sabem quão valiosas são por vezes as descobertas accidentaes das necropsias, quer em lesões pathologicas, quer em desvios da conformação anatomica normal; se as primeiras são dignas de registo, a conservação das segundas não é merecedora da menor importancia. [...]
Em collecções d'esta natureza é absolutamente indispensavel recorrer a todos os meios conducentes a pôr bem em evidencia as lesões, destacando-as no conjuncto, que tantas vezes occulta a lesão principal. [...]
N'essa orientação o catalogo não será sómente descriptivo mas tambem iconographico, porque é impossivel por simples descripções fazer perfeita ideia d'uma peça. As dscripções serão acompanhadas do estudo miscroscopico e de gravuras e eschemas destinadas a dar uma ideia tão completa quanto possivel da collecção. [...]
A descripção de cada peça será precedida d'um resumido extracto do caso medico-legal a que se refere, tirado dos registos da Morgue."
(Excerto da introdução)
Geraldino da Silva Baltazar Brites (Paranhos, Porto, 1882 - Lisboa, 1941). "Foi um médico, investigador, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e cientista português. Ao longo da sua carreira exerceu diversas funções: médico municipal em Loulé (1908-1910), Chefe do Laboratório da 1ª Clínica Cirúrgica (1910), Director do Hospital Escolar de Lisboa (1910), naturalista da cadeira de Zoologia na Universidade de Coimbra (1910-1913), 1º assistente do Laboratório de Histologia e Embriologia da Universidade de Coimbra (1912-1913), Secretário da Morgue da 3.ª Circunscrição Médico-Legal (1911-1915) e Médico alienista do Conselho Médico-Legal da 3.ª Circunscrição (1913-1915). A 2 de janeiro de 1915 sai de Coimbra e vai para Lisboa, onde passa a exercer funções de Chefe do Laboratório de Terapêutica Cirúrgica. A 14 de janeiro deste ano, cessa as suas funções enquanto Secretário da Morgue e Médico alienista do Conselho Médico Legal da 3.ª Circunscrição. De 1915 a 1922, esteve no serviço de Tanatologia do Instituto de Medicina Legal em Lisboa, do qual foi Chefe de serviço de 1918 a 1921. Entre as centenas de autópsias de que fez parte, destaca-se a autópsia ao Presidente da República Dr. Sidónio Pais que realizou conjuntamente com o Dr. Asdrúbal António d'Aguiar, Chefe de serviço de Clínica Médico-Legal de Lisboa e principal responsável pela autópsia supracitada. Após exoneração do cargo de Chefe do serviço de Tanatologia do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, regressa a Coimbra por convite. Em 1927, fez parte integrante na organização da Sociedade Portuguesa de Biologia e de 1928 a 1933 foi Diretor do Instituto de Investigação Científica."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e vincos.
Raro.
35€

15 junho, 2021

PIMENTEL, filho, Alberto - A MORTE DE CHRISTO.
(Monographia medica). Por... Da "Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa"
. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1902. In-8.º (19 cm) de 127, [1], XII, [4] p. ; B.

1.ª edição.
Ensaio médico sobre a morte de Jesus Cristo, que contempla uma vertente histórico-filosófica sobre ciência e religião, tendo com pano de fundo o sudário de Turim, cuja "descoberta", em 1902, por Paul Vignon, despertou consciências e avivou paixões, pretexto para as reflexões do autor.
"O sudário é uma peça rectangular de linho com cerca de 4,5 metros de comprimento e 1,1 de largura. O tecido apresenta a imagem de um homem de 1,83m de altura que parece ter sido crucificado, com feridas consistentes com as que Jesus sofreu antes de sua crucificação no relato bíblico. A 28 de maio de 1898, o fotógrafo italiano Secondo Pia tirou a primeira fotografia ao sudário e constatou que o negativo da fotografia assemelhava-se a uma imagem positiva do homem, o que significava que a imagem do sudário era, em si, um negativo.
Em 1902, o biólogo francês Paul Vignon levantou a hipótese, até hoje desmentida, de que o desenho de Jesus teria sido feito a partir de substâncias naturalmente exaladas por um corpo morto e misturado aos aloés, plantas usadas nos ritos judaicos."
(Fonte: wikipédia)
"Este trabalho não tem intuitos religiosos: é uma monographia puramente medica. Ocioso seria trazer para a tela da discussão assumptos irritantes, fazer ressurgir a pretendida rivalidade entre sciencia e religião. E sobre ocioso, enfadonho.
Convenção-se os senhores theologos, de uma vez para sempre, de que se esmiuçamos os segredos da natureza, o fazemos impellidos pela sêde de verdade, eterno e doce tormento que nos subjuga o espirito e nos leva a rebuscar a origem da vida, a razão da sua existencia e o fim para que caminha. [...]
Pelo presente trabalho, não lograrei a honra de ser inscripto no Index.
Cautelosamente afastei d’elle todas as considerações de ordem puramente religiosa. A ideia fundamental da monographia, a interpretação medica da morte de Christo, foi-me avigorada pelas recentes investigações scientificas sobre o celebre sudario de Turim. A imprensa portugueza muito pela rama deu conta d’essa palpitante questão, de modo que, na hora actual, a maioria dos portuguezes cultos desconhece o assumpto.
Na primeira parte da monographia, limito-me a expor as conclusões a que a sciencia chegou a respeito do lençol de Christo. Para isso me socorri do trabalho do naturalista francez Paulo Vignon, a cuja intervenção o mundo scientifico deve o conhecimento do sudario. Trabalho notavel sob todos os pontos de vista, de uma clareza e verdade scientifica muito para louvar, está por certo destinado a levantar interessante discussão, tão palpitante e intrincado é o assumpto.
Depois, na segunda parte do meu trabalho, procurarei investigar, á face da sciencia medica, qual a verdadeira causa da morte de Christo, ajudado pelos dados inesperados que o sudario de Turim veio revelar.
Não desconheço a delicadeza do assumpto, nem a sua grande difficuldade. E devo desde já dizer que me não offusca a vaidade de ter cortado o nó gordio.
Formulo hypotheses, que alias procurei assentar em alicerces seguros. Só os da minha classe poderão discutil-as com consciencia e só ás suas observações responderei, se acaso a monographia lhes merecer a importancia de me chamarem á liça."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. |  O lençol de Christo. | A morte de Christo. | Notas. | Bibliographia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

31 maio, 2021

MACHADO, A. Victor -
DO CRIME E DA LOUCURA.
Estudo sobre delinqüentes, observando-os perante as disposições dos Códigos de Justiça e a Medicina Legal. [Prefácios dos Ex.mos Srs. Drs. Luís Cebola e João Ramos de Castro]
. Lisboa, Henrique Torres - Editor, [1933]. In-4.º (24,5x19 cm) de 414, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico, biográfico, sociólogo e médico-legal de alguns conhecidos facínoras portugueses, passando em revista os crimes tenebrosos que na época em que foram cometidos abalaram o país.
Livro ilustrado ao longo de texto com tabelas e desenhos, bem como estampas coladas reproduzindo o retrato dos meliantes, e num dos casos, as fotografias (chocantes) da vítima no local do crime, conforme foi encontrada, e noutra, "arranjada" e exposta para reconhecimento popular.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Álvaro de Almeida, popular actor da primeira metade do século XX, e pelo seu ex-libris, colado no canto inferior esquerdo da mesma página.
"Investigador criterioso, A. Victor Machado, depois de haver colhido notas devéras interessantes em vários arquivos de cadeias, tribunais e manicómios, concatenou-as hábilmente e elaborou um livro, de estilo apropriado - simples e fluente - porquanto o destinava ao grande público. Mas não só este irá deleitar-se com sua leitura; tambem os cientistas, que se dedicam aos estudos médico-forenses do crime, acharão aqui elementos preciosos, para melhor fundamentar os seus pontos de vista ácêrca da responsabilidade e anomalias dos malfeitores célebres."
(Excerto do prefácio do Dr. Luís Cebola)
"O crime praticado por Francisco de Matos Lobo, num primeiro andar do prédio número 5 da rua de S. Paulo, na noite de 25 para 26 de julho de 1841, - há perto de um século - é uma das maiores monstruosidades que a História Criminal regista. [...]
Matos Lobo, após a horrenda chacina que pôs em prática, dizimando, com a mais requintada ferocidade, quatro vidas, foi entregue ao Poder Judicial, que o julgou e condenou, sem que a Ciencia Médica se pronunciasse sôbre o estado mental do assassino.
Prêso na noite em que praticára o crime (25 de Julho de 1841), fôra julgado  trinta e seis dias depois, (30 de Agosto), e enforcado em 17 de Abril de 1842, - 265 dias depois do seu hediondo feito."
(Excerto de Francisco de Matos Lobo)
Indice: Prefácio. | Duas palavras. | Nota preambular. | Francisco de Mattos Lobo - (Homicidío e roubo) (1814-1842). | Luís Augusto Pereira (o Físico-Mór) - (Furto) (1858-1866). | Diogo Alves (o Pancada) - (Homicidío e roubo) (1810-1841). | Joséfa da Conceição - (Infanticidio) (1875). | João António Lobo (o Mestre Lobo) - (Homicidio, fôgo-posto e roubo) (1893) . | Virgínia Augusta da Silva - (Homicidio por envenenamento) (1860-1897). | Tomaz Ribeiro - (Assassínio) (1871-1893). | Adriano Joaquim Moreira - (Homicídio) (1879). | Tatuágem e Gíria das Prisões. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade - desvanecida - atinge as primeiras folhas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e forense.
Indisponível