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19 abril, 2025

DANTAS, Julio - CRUCIFICADOS
. Lisboa, Manoel Gomes, Editor, MDCCCCII [1902]. In-8.º (20x13 cm) de [8], 136 p. ; B.
1.ª edição.
Edição original desta obra "licenciosa" de Júlio Dantas - "Peça em 4 actos, representada pela primeira vez em janeiro de 1902, no Theatro D. Amelia", - que deu brado na época. Trata-se de um drama social onde, pela primeira vez no teatro nacional, é abordado o tema da homossexualidade, com o relacionamento de dois protagonistas, circunstância que terá provocado perplexidade e repugnância a importante franja do meio literário e social. "Após uma tumultuosa estreia, Júlio Dantas retira a peça de cena, alterando-a".
Peça rara e muito curiosa, por certo com tiragem reduzida. Seria republicada mais tarde, em 1914 (2.ª ed.) e na década de 20 (3.ª ed. refundida).
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrada do autor "Ao grande politico, orador e homem de lettras Sr. Conselheiro José Maria de Alpoim".
"Um interior modesto de solteirões, em pleno Bairro Alto. Casa velha da rua da Atalaya: rodapé baixinho de azulejos; sacada de taboinhas. Porta para a escada; silhar de tijolos; vê-se o corrimão, descendo. Estante de livros; papeleira; cadeiras de sóla. O ar desaconchegado das casas onde não ha mulheres. Um sophá. Perto, uma mesa de trabalho: livros, papeis, grande castiçal, com pára-luz de seda côr de rosa."
(Primeiro Acto - sinopse)
Júlio Dantas (1876-1962). "Figura destacada da actividade social, política e cultural durante as seis primeiras décadas do século XX. O elevado número de cargos (Comissário do Governo junto do Teatro Nacional, Director e Professor da Secção Dramática do Conservatório Nacional, Inspector das Bibliotecas Eruditas e Arquivos) e funções políticas que desempenhou (Senador, Deputado em diferentes legislaturas, Ministro de várias pastas – Instrução Pública e Negócios Estrangeiros – em diversos Governos, Presidente do Partido Nacionalista, Membro da Comissão de Cooperação Intelectual da Sociedade das Nações) compete com o número de títulos que publicou em vários géneros literários: romance, conto, poesia, teatro, crónica, oratória, ensaio.
Os seus escritos revelam uma predilecção pelo século XVIII, tempo a que dedicou alguma veia ensaística em O Amor em Portugal no Século XVIII (1915) e onde se situa a acção de muitas das suas peças de teatro mais emblemáticas: A Severa, 1901; A Ceia dos Cardeais, 1902; Um Serão nas Laranjeiras, 1904; Sóror Mariana, 1915.
Em 1908, após concluir a licenciatura em Medicina, é admitido como sócio na Academia de Ciências de Lisboa, instituição que virá a presidir, a partir de 1922, durante décadas. Ao abandoná-la, invocou este exercício de cargos públicos cuja profusão acumulativa, aliada à sua ligação à Academia - que incorporava tudo o que «os novos» desprezavam - fizeram dele um alvo privilegiado dos ataques de renovadores e vanguardistas.
De facto, o seu academismo literário encontra-se bem patente na formalização dos seus escritos; a Ceia dos Cardeais (1902), por exemplo, um dos seus maiores sucessos nacionais e internacionais (conta com mais de 50 edições, e foi traduzida para mais de uma dezena de línguas), foi composta em alexandrinos emparelhados. A maioria do seu teatro revela alicerces românticos, sobretudo na temática de cariz histórico e da mitologia nacional, com a idealização da história pátria como pano de fundo de uma idealização do amor, de pendor saudosista, não deixando de imprimir um cunho fortemente anticlerical (Santa Inquisição, de 1910), vacilando entre o sentimentalismo romântico, o grotesco e a sátira. Não é avesso, porém, a experimentar correntes novas, como o realismo/naturalismo decadentista de Crucificados (1902), com aspirações a drama social, que pretende retratar uma actualidade degenerada, causa e vítima de promiscuidade e doença."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/j/206-julio-dantas-1876-1962)
Belíssima encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura originais. Aparado e carminado à cabeça.
Exemplar em bom geral estado de conservação. Lombada apresenta uma ou outra falha de pele, com pouco impacto visual. Capas de brochura frágeis, manchadas, com pequenas falhas de papel.
Raro.
Peça de colecção.
75€

30 dezembro, 2023

ROSARIO, Mario do -
ALCÁÇOVAS. Sua historia, suas belezas, seu comercio e sua industria. Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1924. In-8.º (20x13 cm) de 63, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Monografia dedicada à bonita vila alentejana de Alcáçovas (Viana do Alentejo), local carregado de história, dado ter sido aí que se realizou a assinatura do tratado como o nome da povoação, entre Portugal e os Reis Católicos, que pôs fim à Guerra de sucessão de Castela (1475-1479), e estabeleceu a "divisão do mundo", convénio que precederia o Tratado de Tordesilhas.
Abrilhanta o livro, a abrir, textos de conhecidas personalidades do meio literário nacional, que escreveram sobre a vila a pedido do autor: Júlio Dantas; Eduardo de Noronha; Amadeu de Freitas; Pedro José Teixeira. No final, inclui lista: Indicações de utilidade local - Entidades oficiais, comerciais, industriais e particulares da vila.
Ilustrado no texto com desenhos, retratos, paisagens, aspectos da vila, "tipos" locais e imóveis relevantes.
"A vila de Alcáçovas, com as suas tradições romanas, o seu castelo de D. Denis, o seu foral velho do bispo Martinho - tão interessante para o estudo dos costumes portugueses da Idade-média -, possue ainda um título de nobreza de que talvez ela própria já se tenha esquecido. Foi, por assim dizer, o tálamo d'amor onde se geraram duas grandes figuras reais: uma, que realizou a unidade política da Espanha, tornando possível o império de Carlos V; outra, em cujo reinado se produziu a formidável revolução geográfica que ligou o Oriente ao Ocidente e conferiu às nações atlânticas a hegemonia comercial do mundo."
(Excerto do Prefácio)
"Pertencem ao mundo das interrogações historicas o inicios da vila, sabendo-se apenas que se relacionam com uma distantissima antiguidade.
Na velha Luzitania já, portanto, ela existia. Ptolomeu falou dela como a Castraleucas, que teria sido uma formosa cidade fundada pelos romanos nas faldas do monte hoje denominado Alcáçovas e que pertenceu á magestosa serra de Ossa.
Castraleucas, que significa Castelos brancos, era muito apreciada pelos fundadores, que lhe tinham buscado uma localisação magnifica. Mas, acerca desse nome prevalecem duvidas. Segundo versões de alguns arqueologos, ele seria Ceciliana, que tambem se atribue a Agualva."
(Excerto de Dados sobre a origem da vila - As dominações)
Índice:
Duas palavras de introito | Considerações de Júlio Dantas | Considerações de Eduardo de Noronha - Terra alentejana | Considerações de Amadeu de Freitas | Considerações de José Pedro Teixeira - Uma saudade | Subsidios para um estudo monografico: - Dados sobre a origem da vila : As dominações; - Da posse da Egreja á pertença real. Os forais; - Residencia real e teatro de grandes cerimoniais; - Da posse da Corôa á senhoria feudal. Os donatarios; - A produção agricola e pecuaria. O comercio e a industria; - Os edificios; - A situação e o clima; - Pela categoria de vila de primeira ordem!; | A industria tradicional da vila | Na Revolução de 5 de Outubro de 1910 |  Pelo mutualismo local | A Mulher | Indicações de utilidade local.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
30€

10 novembro, 2023

ROSA, Marques -
TRES MULHERES (novelas historicas).
Prefácio de Julio Dantas. Lisboa, Depositaria a Empreza Portugal-Brazil [Composto e impresso na Tip. do Instituto - Sernache do Bonjardim], [1921]. In-8.º (17x11,5 cm) de [4], 203, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de três novelas históricas tendo como protagonistas, cada uma delas, uma mulher "lendária" em diferentes épocas da história nacional, reportando a primeira à lenda de Gonçalo Hermigues, o Traga-Mouros, cavaleiro templário, companheiro de armas de D. Afonso Henriques, e a sua amada Oureana (Fátima). Livro interessante, de leitura agradável.
Ilustrado com três bonitas capitulares, uma por novela.
Inclui no final um glossário dos termos antigos utilizados pelo autor.
"Do alto do minarete da masejad (mesquita) de Al-Kassr-bun-abu-Danés (Salatia, Urbs Imperatoria - Alcacer do Sal) o muezzin debruçado nos balustres, rodeando a bôca escancarada com as mãos em campânula, lançou o apêlo, gritado na sua lingua, vagaroso e cantante:
«Só Deus é Deus e Mahomét o seu profeta: - Orai.»
Como se apenas esperasse que os ultimos écos do brado se apagassem, ondulando pelas quebradas do rio e pelos recôncavos da várzia, o sol espreitou por cima das cumiadas da Serra das Chagas e da Serrinha os corucheus da mesquita e dirigiu para as glaucas e arrepiadas aguas do Chetawir (Sado) as primeiras flechas de luz.
N'este comenos desaportilhou-se lentamente, com estrépito de trancas e guinchos de roldanas, a porta de ferro aberta ao Leste da muralha; e uma alegre cavalgada irrompeu e serpeiou, descendo a congosta que vinha dar á veiga extendida a montante do rio, ao Norte e ao Oriente da povoação.
Mancébos e donzelas, a jovial mocidade da opulenta capital de Al Kassbr vozeavam, parolavam, trocavam salamaleks e cortesias, vibrando o ar ambiente de ruidos d'estribilhos e saturando-o de perfumes de laranjeira e nardo. [...]
Acoudelava a turba das mulheres, a filha do kaid d'Al Kassr.
Quinze anos. Estatura esbelta. Busto onduloso. Contornos amplos. Na côr mate da pele a bôca fendia-se curta, abrindo os lábios rubros sobre os dentes pequeninos, brancos de nacar. [...]
Em tôrno d'ela agruparam-se os moços almuades enamorados e volteiros.
E a joven castelã ria d'êles, com um riso sonoro e soluçado, desnorteando-os com a sua irónica desenvolvura."
(Excerto de Fátima)
"Na sexta feira 17 de janeiro de 1578, o senhor bispo conde D. Manuel de Menezes voltou-se a meio na grande cadeira de jacarandá com o assento e o alto espaldar de coiro lavrado de Córdova, tauxiado de prata. Acomodôu sôbre as rebeldes farripas de cabêlo já grisalho, o solideu roxo. Sofraldou um pouco a samarra e puxou de leve os cordões da murça.
Antes de falar, fixou sucessivamente a queixosa e o arguido. Depois tornou a medir com o olhar a queixosa.
Era ela uma destas criaturas de idade imprecisa, tanto aparentando 25 como 40 anos, que nunca tiveram ao menos aquêle período de frescura que caracteriza os primeiros tempos seguintes á puberdade.
Não tinha contornos.
Toda a figura era angulosa, dura de linhas, espalmada. [...]
Era esta criatura filha do grande matemático Pedro Nunes, lente de Prima nos Estudos Gerais de Coimbra."
(Excerto de Guiomar)
"Acabára tempestuosamente a refeição da manhã.
Tinham as madres do convento de Santa Clara de Vila Real começado apenas a dispersar do refeitório para o lavabo erguido com a sua dupla concha no claustro, quando a garria de bronze entrou de tanger a capítulo.
Em volta do tanque, as freiras dividiram-se imediatamente em dois bandos. As mais velhas, com as mãos metidas nas mangas dos habitos cinzento, sorriam irónicamente. As mais novas e as noviças, torcendo as mãos brancas, quasi diáfanas, cheias de aneis, e gesticulando com violencia, batiam de quando em quando o lagêdo polido com os sapatinhos de tacão de perdiz, altos tacõis pintados de vermelho, fivelados de oiro ou prata com pedras preciosas, e arremessavam para a nuca os veus negros da Regra."
(Excerto de Soror Clara)
Índice:
Fátima. (Século XIII) | Guiomar. (Século XVI - 4.º Quartel) | Soror Clara. (Século XVIII - 1.º Quartel).
Policarpo Marques Rosa (1864-1927?). "Natural de Pederneira, Nazaré. Ilustre filho adoptivo de Alvaiázere. Apesar de não ter nascido no concelho de Alvaiázere, adoptou Alvaiázere como sendo a sua terra natal, pois foi aqui que viveu a maior parte da sua vida. Desempenhou vários cargos, entre eles, presidente do Senado Municipal, Administrador do Concelho de Alvaiázere, Director do Hospital e do Grémio Alvaiazerense, durante a Primeira República.
Como activista republicano fundou, na vila de Alvaiázere, os semanários “O Combate” e o “Pátria Livre”, dos quais foi seu director e seu principal redactor, sendo colaborador nos semanários “A Voz da Justiça” e “Gazeta da Figueira”, ambos da Figueira da Foz.
Marques Rosa foi um escritor erudito, escreveu vários romances históricos sobre diversas personagens de épocas diferentes, o que o obrigou a fazer muita investigação no Arquivo Nacional/Torre do Tombo, Lisboa. No entanto, o seu estilo literário na época estaria muito longe do modernismo emergente, pois estava muito próximo dos escritores Júlio Brandão e em particular de Júlio Dantas.
Este nosso conterrâneo foi um nome sonante no seu tempo, viveu uma vida intensa e multifacetada, foi um republicano convicto, advogado, notário, solicitador, arquitecto, politico, investigador, escritor, prosador, ensaísta, jornalista e poeta."
(Fonte: https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/category/policarpo-marques-rosa/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e literário.
45€

09 setembro, 2023

SOUSA, Avelino de - O FADO E OS SEUS CENSORES. (Artigos colligidos d'A Voz do Operario). Critica aos detractores da canção nacional. Com uma Carta do illustre poeta e dramaturgo Dr. Julio Dantas. Lisboa, Editor, O Auctor, 1912. In-8.º (19,5x12,5 cm) de [8], 56 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Rara edição original de uma das mais apreciadas obras sobre o Fado - a "canção nacional".
Ilustrada extra-texto com o retrato do autor.
Com a seguinte inscrição manuscrita na f. rosto: "Pertença e recordação de: Salvador Gomes (guitarrista)".
Inclui ainda uma carta de António Frazão - conhecido fadista - para Salvador Gomes, dobrada e colada entre a f. rosto e o retrato, a agradecer o empréstimo do livro a quem tece os mais rasgados elogios, bem como ao seu autor - Avelino de Sousa, entre outras considerações.
"O Fado e os seus censores é uma compilação de onze artigos publicados originalmente por Avelino de Sousa em A Voz do Operário. Trata-se de uma acérrima defesa do Fado contra os seus caluniadores, sendo sobretudo uma obra de resposta em que o seu autor assume a luta contra opiniões, sobretudo de Samuel Maia e Albino Forjaz de Sampaio, publicadas em jornais como A Luta e O Século e até do próprio público d'A Voz do Operário.
O estilo de prosa panfletária reflecte o insulto elegante a que tão avidamente se recorria no Parlamento, com constante recurso aos grandes autores e à inegável sagacidade do autor, que terminaria a sua carreira como bibliotecário da Torre do Tombo."
(Fonte: https://www.fnac.pt/O-Fado-e-os-Seus-Censores-Avelino-de-Sousa/a9461645)
"O fado, simples annotação melodica do sentimento popular, não merece, talvez, que se preocupem tanto com elle, - e muito menos que o discutam sob o ponto de vista da hygiene social. Uma canção não faz degenerados; os degenerados é que podem ter perdileções por determinada canção, - e, em geral, por determinada fórma d'arte. É a velha historia da dypsomania: não se é degenerado porque se bebe; bebe-se porque se é degenerado.
Que culpa teem os numeros da obsessão dos arithmomanos? Que culpa teem as praças do delirio dos agoraphobos? Que culpa tem o fado de que os degenerados o cantem? - Mas isto levar-nos-hia longe, e eu não tenho um minuto meu."
(Excerto da Carta-proemio)
Avelino de Sousa (1880-1946). "Fadista, compositor, poeta popular e dra­maturgo. Nasceu em Lisboa e residia nos Bairro de Campolide. Começou a trabalhar numa livraria, foi posteriormente tipógrafo e bi­bliotecário da Torre do Tombo. Aos 15 anos já cantava as suas obras. Era pre­sença obrigatória em qualquer festa de trabalha­dores. Cantando apenas obras suas, nor­malmente acompanhado pelo guitarrista Domin­gos Pavão, seu amigo de infância, o mote das suas letras, versava o amor, saudade e também usava o Fado, para através dele veicular as suas ideias politicas e sociais.  Cantou em tabernas, retiros, colectividades de recreio, em salas de gente elegante.  Travou grandes “despiques” com João Patusquinho, Manuel Serrano, João Black, Júlio Janota, Carlos Harrington e o Calci­nhas Narigudo.  Publicou, entre outros, os livros Canções do Fado, O Fado das Mulheres, A Canção Nacional (com prefácio de Angelina Vidal), Cinquenta So­netos e Cantem Todos... Colaborador regular da imprensa operária e da imprensa do Fado, coligiu em 1912 os artigos escritos em A Voz do Operário sob o título O Fado e os Seus Censores, com prefácio de Júlio Dantas, obra de referência na bibliografia fadista."
(Fonte: https://www.portaldofado.net/content/view/2461/379/lang,pt/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com pequenos defeitos. Lombada reforçada com fita adesiva nas extremidades que se prolonga para as capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
75€

25 outubro, 2017

HOMENAGEM AOS SOLDADOS DESCONHECIDOS : IX-IV-CMXVIII - IX-IV-CMXXI. - Ministério da Guerra. O produto da venda deste folheto é destinado ao monumento aos mortos da Grande Guerra. [Desenho de Sousa Lopes. Poesias de Júlio Dantas, Jaime Cortesão e Augusto Casimiro]. [Lisboa], Ministério da Guerra [Comp. e imp. nas oficinas da Direcção dos Serviços Graficos do Excercito], [1921]. In-fólio (25,5x32,5cm) de 6 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada em página inteira com uma belíssima cromolitografia de Adriano Sousa Lopes (dim. 25,5×32cm) representando uma cena bélica, com um soldado português em 1.º plano.
Contém três poesias emolduradas por desenhos de guerra a p.b.

"Se alguem julga que o enterra,
Esse é que leva a mortalha;
Quem morreu em bôa guerra
Fica sempre na Batalha.

Nunca de Deus foi ouvido
Quem se não dá, quem não ama;
E por mais que ande na fama,
Esse é que é desconhecido.
A morte não tem sentido
P'ra quem se deu todo à Terra;
É desses mortos da guerra
Que nasce a esperança da vida
Bem traz a mente iludida
Se alguem julga que o enterra."

(excerto do poema de Jaime Cortesão, Para os soldados cantarem ao Irmão Desconhecido)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Muito raro.
Peça de colecção.
75€

14 maio, 2017

DANTAS, Julio - SANTA INQUISIÇÃO : peça em 4 actos e 1 quadro. Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira & C.ta, 1910. In-8.º (19cm) de 205, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original desta peça de índole histórica cuja acção se desenrola no século XVII. Estreada em Lisboa, no Teatro Dona Amélia (actual São Luiz), em 18 de Março de 1910.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Júlio Dantas (1876-1962). "Nasceu em Lagos, a 19 de Maio de 1876. Ingressou, em 1886, no Colégio Militar, onde se manteve até 1892.Foi admitido na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa onde, em 1900, se licenciou em Medicina. Médico militar, entre 1902-1903, desenvolveu posteriormente larga actividade como escritor e professor de arte dramática no Conservatório (1909-1930). Foi comissário do Governo junto do teatro D.Maria II entre 1906 e 1912, director da secção de arte dramática do Conservatório (1909-1912), inspector das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, de 1912 a 1916, presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais (1925-1926), professor e inspector do Conservatório Nacional (1930-1935). Autor multifacetado – teatro, poesia, conto, romance, tradução e ensaio – viu, na época, alguns dos seus textos alcançarem grande êxito, mais tarde adaptados a óperas, operetas e cinema. O drama e o romance histórico, tendo como findo o século XVIII, grangearam alguma projecção, mas também a crítica acerada de autores modernos de que é paradigma Almada Negreiros através do conhecido Manifesto Anti-Dantas. Passou pelos partidos Reconstituinte, Progressista e Nacionalista. Convidado por Bernardino Machado, em 1914, para ministro dos Negócios Estrangeiros, só entraria para o executivo quando ocupou a pasta da Instrução entre 21 de Outubro e 20 de Novembro de 1920, experiência logo repetida entre 20 e 30 de Novembro do mesmo ano. Regressou ao Governo por mais duas vezes, agora à frente dos Negócios Estrangeiros: de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922 e de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Efectuou diferentes missões ao Brasil e foi membro da Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Sociedade das Nações entre 1933 e 1943. Sob o Estado Novo foi procurador à Câmara Corporativa (1935-1959). Faleceu em Lisboa a 25 de Maio de 1962."
(
fonte: http://193.137.22.223/pt/patrimonio-educativo/museu-virtual/galeria-de-ministros/ministerio-da-instrucao-publica/1913-1920/)
Encadernação em sintético com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

21 fevereiro, 2016

DANTAS, Júlio - PÁTRIA PORTUGUESA. Ilustrações de Alberto Sousa. Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1914. In-4.º (23 cm) de 294, [2] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
Com um retrato do autor em extra-texto.
1.ª edição.
Belíssima edição impressa em papel encorpado e superiormente ilustrada pelos desenhos de Mestre Alberto de Sousa.
Conjunto de contos sobre personalidades e episódios da História de Portugal.
"Numa casa quadrada da alcáçova de Coimbra, junto de um lar montado sôbre cachorros de pedra, onde estalavam toros de castanho a arder, três figuras bárbaras de homem, debruçadas sôbre uma arca enorme coberta de guadamecins vermelhos, jogavam em silêncio, comendo pedaços de nata com as mãos e marcando os trebelhos doirados sôbre uma velha távola de xadrez. Um dêles, moço, ruivo, gigantesco, os cotovelos na arca, os dedos metidos pela barba revôlta, a expressão dura e selvagem, embrulhava-se num perponte de pano verde de Ruão e tinha os pés calçados em fortes balegões de ferro: era o conde Afonso Enriques, que os seus homens de armas já tratavam de rei."
(excerto de Dom Cardeal)
Contos: 
- Dom Cardeal. - O senhor do Paúl de Boquilobo. - Rei-Saudade. - O Prior do Hospital. - A carta de Roma. - Os doutores de Portugal. - O Tambor. - Cruz de sangue. - Frei António das Chagas. - A barba d'el-rei. - O Joanico. - Galaaz. - Mousinho. - O duelo. - Santa Isabel. - As violas de Alcácer-Kibir. - A sentinela. - A embaixada. - O chanceler Julião. - Epílogo. 
Júlio Dantas (1876-1962). "Nasceu em Lagos, a 19 de Maio de 1876.
Ingressou, em 1886, no Colégio Militar, onde se manteve até 1892.Foi admitido na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa onde, em 1900, se licenciou em Medicina. Médico militar, entre 1902-1903, desenvolveu posteriormente larga actividade como escritor e professor de arte dramática no Conservatório (1909-1930). Foi comissário do Governo junto do teatro D.Maria II entre 1906 e 1912, director da secção de arte dramática do Conservatório (1909-1912), inspector das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, de 1912 a 1916, presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais (1925-1926), professor e inspector do Conservatório Nacional (1930-1935). Autor multifacetado – teatro, poesia, conto, romance, tradução e ensaio – viu, na época, alguns dos seus textos alcançarem grande êxito, mais tarde adaptados a óperas, operetas e cinema. O drama e o romance histórico, tendo como findo o século XVIII, grangearam alguma projecção, mas também a crítica acerada de autores modernos de que é paradigma Almada Negreiros através do conhecido Manifesto Anti-Dantas. Passou pelos partidos Reconstituinte, Progressista e Nacionalista. Convidado por Bernardino Machado, em 1914, para ministro dos Negócios Estrangeiros, só entraria para o executivo quando ocupou a pasta da Instrução entre 21 de Outubro e 20 de Novembro de 1920, experiência logo repetida entre 20 e 30 de Novembro do mesmo ano. Regressou ao Governo por mais duas vezes, agora à frente dos Negócios Estrangeiros: de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922 e de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Efectuou diferentes missões ao Brasil e foi membro da Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Sociedade das Nações entre 1933 e 1943. Sob o Estado Novo foi procurador à Câmara Corporativa (1935-1959). Faleceu em Lisboa a 25 de Maio de 1962."
(fonte: http://193.137.22.223/pt/patrimonio-educativo/museu-virtual/galeria-de-ministros/ministerio-da-instrucao-publica/1913-1920/)
Excelente encadernação inteira de carneira mosqueada com ferros a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado, com vestígios de assinatura de posse safada na capa e na f. anterrosto.
Invulgar.
35€

02 fevereiro, 2015

FORJAZ, D. António Pereira – NASCENTES IMORTAIS. Por… Da Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1950. In-4.º (24,5cm) de 13, [3] p. ; B. Separata das «Memórias» (Classe de Letras – Tomo V) 
1.ª edição.
Discurso pronunciado na soleníssima sessão em honra de Júlio Dantas, na noite de 4 de Março de 1950.
Valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Dr. José de Brito Carregal da Silva Passos.
“1 de Novembro de 1913.
O diário «A Capital» insere o primeiro folhetim da «Pátria Portuguesa».
É «Dom Cardeal», episódio do século XII, que logo assombrava, pela potência da evocação.
Para o ler, socorro-me de todos os dicionários. As vozes de indumentária e armaria, não recolhidas por Viterbo, serão depois esclarecidas.
O seu autor tem pouco mais de trinta anos e já está em plena glória. Vai agora fazer a sublimação da História.
Esse «Dom Cardeal», purpurado de Honório II, é pretexto para que ressurja diante dos nossos olhos a figura selvagem de Afonso Henriques, «calçado de ferro» e «flamejante de sonho», «miserado de feridas para dar terras a Deus».
Vozes longínquas sobem das raízes: o rebento fulvo dos duques de Borgonha cumpre o destino sagrado de talhar um reino.”
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

23 maio, 2014

DANTAS, Júlio - MARCHA TRIUNFAL. Narrativas da epopeia militar portuguesa do século XII ao século XX. Porto, Lello & Irmão, 1954. In-8º (19,5cm) de 307, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Colecção de episódios militares históricos, de D. Afonso Henriques, em 1139, ao general Pereira d'Eça à frente das tropas portuguesas, em África, no ano de 1915.
"A personagem principal deste livro - personagem confusa e ululante - é a multidão. A multidão heróica que, no decurso dos séculos e das gerações, criou um Pátria e soube morrer por ela. Vamos vê-la passar nas nove tapeçarias animadas que se desdobram ao longo dos nove capítulos deste livro, - cavalgada refulgente, tropel vertiginoso de préstimos e de combates, marcha triunfal da Nação no tempo e no espaço."
Matérias:
- Homens de ferro (século XII). - O breve do Papa (século XVIII). - As lágrimas da Rainha (século XIV). - Guerra de generais (século XVII). - O cavaleiro negro (século XVI). - O Estandarte (século XV). - O moleiro de Sula (século XIX). - Navas de Tolosa (século XIII). - Marcha da sede (século XX).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Falha de papel na extremidade inferior da lombada. Assinatura de posse na capa, flhs de rosto e 1ª p. texto.
Invulgar.
10€

12 novembro, 2013

COMEMORAÇÕES CENTENÁRIAS. Programa Oficial : 1940. [Lisboa], Secção de Propaganda e Recepção : Comissão Executiva dos Centenários, 1940. In-4.º (25cm) de [100] p. ; [1] desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa e Planta de Fred Kradolfer.
Ilustrações de Bernardo Marques e Carlos Botelho.
Fotografias de Horácio Novaes, Judah Benoliel e Carvalho Henriques.
Contém desdobrável com planta do recinto da Exposição.
Bonita edição impressa em papel de qualidade extra, superiormente ilustrada com desenhos e fotografias a p.b.
“Resolveu a Comissão Executiva, a que tenho a honra de presidir, que se publicasse, além da edição de vulgarização que corre impressa em várias línguas, uma edição especial do programa das Comemorações, destinada a perpetuar, nas bibliotecas, arquivos, museus e outras instituições congéneres de Portugal e dos países estrangeiros, a memória do nosso jubileu nacional, e a tornar conhecida, na sua expressão sinóptica, a forma porque os portugueses de 1940 conceberam e levaram a efeito a celebração dos oito séculos de existência histórica da Nação.
Essa concepção é, aliás, simples. No presente ano, rico de efemérides, três factos dominantes se comemoram: a fundação da nacionalidade (1140); os fastígio do Império (1540); a restauração da independência depois do colapso de sessenta anos representado pela monarquia dualista (1640). Consequentemente, o programa estabelece a sucessão lógica de três Épocas: a Época medieval; a Época imperial; a Época brigantina (regresso à plenitude da soberania sob a égide da estirpe de Bragança). E, atendendo a que outros actos e solenidades se situavam, no programa calendário, fora destas três épocas, previu-se a organização de um período intermédio no qual se incluiu, entre outras celebrações, a do sexto centenário da batalha do Salado, em que Portugal eficazmente colaborou na defesa da Espanha cristã (1340).”
(Excerto da introdução de Júlio Dantas)
Exemplar brochado, com as folhas unidas por cordão, em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

01 maio, 2013


DANTAS, Julio - O CAMINHEIRO.

Manuscrito original, 1891
e
Edição impressa, 1905

Manuscrito original da tradução livre da peça de Jean Richepin - "O Caminheiro" -, por Júlio Dantas, datada de 1891, e que viria a ser publicada em Lisboa, em 1905, pela editora Viúva Tavares Cardoso.
In-fólio (30x23cm) de [1], [114] p. inum. manuscritas pela frente ; E.
Encadernação inteira de percalina com ferros a seco e a ouro na pasta anterior. 
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas apresentam pequenos sinais de desgaste à superfície; folha de guarda anterior rasgada sem perda de papel; miolo irrepreensível, muito limpo; papel utilizado de excelente qualidade.
e
DANTAS, Julio – O CAMINHEIRO. Traducção libérrima da peça em cinco actos, em verso, de Jean Richepin, Chimineau. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1905
In-8º (19cm) de 219, [1] p. ; B.
Edição original impressa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas com defeitos marginais. Assinatura de posse na f. anterrosto.

Conjunto muito invulgar.
Peça de colecção.
160€

05 novembro, 2012

DANTAS, Júlio – MULHERES. Mulheres de hoje – mulheres de ontem – para Miss Kate lêr. Porto, Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, 1916. In-8º (18cm) de 278 p. ; E.
1ª edição.
Júlio Dantas (1876-1962) foi um médico, escritor e jornalista português.
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. anterrosto, f. rosto e 1ª p. texto.
Invulgar
10€

02 março, 2012

FONSECA, Quirino da - VIAGENS MARAVILHOSAS DE AVENTUREIROS PORTUGUESES DOS TEMPOS IDOS : Vulgarização de Episódios da História Marítima e Colonial dos Portugueses. [Prefácio de Júlio Dantas]. V. N. de Famalicão, Tipografia Minerva : Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1935. In-8º (19,5cm) de XI, 251, [5] p. ; errata ; B.
Todos os exemplares são numerados e rubricados (chancela) pelo autor (Nº 271).
Episódios: I - A fusta de Diogo Botelho; II - O aventureiro mestre Afonso, cirurgião em 1565; III - O marinheiro Francisco Rodrigues, primeiro português que deu a volta ao mundo em 1522; IV - Aventuras de João Baptista, na dupla travessia de África, em princípios do século XIX; V - Nove meses em canoa, do Pará a Mato Grosso, no ano de 1750; VI - Portugueses de Elvas, que foram conquistar a Flórida, em 1538; VII - Bento de Góis vai descobrir o Grão Cataio, em 1603.
"Arqueólogo, filólogo, ensaísta, novelista, historiador das navegações portuguesas dos séculos XV e XVI, membro da Academia das Ciências, o sr. Comandante Quirino da Fonseca ocupa hoje, no quadro da cultura nacional, um lugar de superior relêvo." (excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação, por abrir; anterrosto com defeito no canto inferior direito.
Raro, com interesse histórico.
25€

31 janeiro, 2011

DANTAS, Júlio - REVOADA DE MUSAS : As mulheres na vida dos homens célebres. Lisboa, Portugália Editora, [1965]. In-8º de 214, [5] p. ; [1] f. il. ; il. ; B.
1ª edição.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€