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31 julho, 2023

UMA VIDA ESPINHOSA
. Lisboa, Typ. e Lith. de Adolpho, Modesto & C.ª : Fornecedores da Sociedade de Geographia, 1885. In-8.º (18 cm) de 112, [2] p. ; [8] f. il. ; E.
1.ª edição portuguesa.
Romance social. Publicado anónimo, a sua autoria pertence a Sarah Smith, também conhecida por "Hesba Stretton", pseudónimo literário que utilizou para assinar a maioria dos seus trabalhos.
Primeira edição portuguesa de um livro publicado originalmente em Londres, 1878, com o título A Thorny Path, tendo conhecido cerca de dez edições entre nós ao longo do final do século XIX/primeiro quartel do século XX. A BNP não menciona esta. Trata-se de um livro precioso, exemplo paradigmático dos primórdios da literatura protestante em Portugal. Relativamente à tradução, refira-se a título de curiosidade, que os nomes dos personagens da história são portugueses, com excepção de Hagar, a figura principal.
Ilustrado com oito bonitas gravuras separadas do texto.
"Era um dia do mez de novembro, sombrio e triste, pela espessura das nuvens. Os ramos seccos das arvores no Jardim Publico entrelaçavam-se n'um labyrintho de linhas escuras contra o céu negro e carregado. Tinha havido um nevoeiro muito espesso pela manhã, mas já tinha espalhado algum tanto, e já se podiam vêr no firmamento as grossas nuvens e os troncos das arvores plantadas a pouca distancia umas das outras.
No chão estendia-se um tapete castanho de folhas murchas, que iam apodrecendo por causa das gottas d'orvalho que estavam caindo constantemente dos ramos que ficavam por cima. O ar não era frio, mas a atmosphera estava humida e pesada. A curta tarde já tinha começado, mas não se viam grupos de creanças brincando nos longos passeios e largas avenidas do Jardim Publico. Os chuviscos d'um dia de novembro tinham feito com que muita gente se tivesse deixado ficar em casa.
Porém havia alguns transeuntes que caminhavam apressadamente pelos passeios molhados, sem se demorarem no seu caminho ou olharem vagamente para a scena triste em volta d'elles. Iam todos tão preoccupados com o seu proprio mau estar, que nem prestavam attenção a um pequeno grupo melancolico, que com passos tristes e vagarosos caminhava por baixo das ramos das arvores molhados pelo orvalho. Uma mulher com o vestido esfarrapado formava o centro do grupo. Ella levava n'um braço um pequenino de poucos mezes de edade, emquanto que com a outra mão conduzia uma menina de tres annos quasi descalça. Um velho cego caminhava ao seu lado , apoiando a mão descarnada sobre o hombro d'ella para se poder guiar. Nem o velho, nem a menina andavam depressa; e este pequeno grupo de pobresa e soffrimento, caminhava com passos vagarosos, cançados e fracos, por um dos paseios. [...]
- Para onde nos vaes conduzir, Hagar? perguntou o velho passado algum tempo.
Ella não lhe respondeu."
(Excerto do Cap. I - No Jardim Publico)
Sarah Smith (1832-1911). Nasceu em Wellington, Inglaterra. Filha de pai livreiro, impressor de literatura evangélica; sua mãe era conhecida pela sua dedicação à causa evangélica, tendo morrido quando Sarah era ainda jovem. Na edição de 19 de Março de 1859 da Household Words, - uma publicação dirigida por Charles Dickens, - ela publicou o seu primeiro conto - The Lucky Leg. É uma história intrigante sobre um homem que se queria casar com uma mulher sem uma perna. O conteúdo era secular, mas o seu talento acabou por ser reconhecido. Adoptou o pseudónimo "Hesba Stretton". Stretton vem do nome de uma vila vizinha e Hesba vem das iniciais de seus irmãos. H (Hannah ou algumas fontes Harriett), E (Elizabeth), S (Sarah), B (Benjamin) e A (Annie).
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas manchadas. Lombada apresenta falha. Assinatura possessória - safada - na f. rosto.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

29 outubro, 2019

ALBUQUERQUE, Dom Prior Manuel d' - A VERDADEIRA IGREJA DE CHRISTO. Póvoa de Varzim Livraria Povoense - Editora, de José Pereira de Castro, [190-]. In-8.º (19 cm) de 106, [6] p. ; B. Colecção "Sciencia e Religião", XXXV
1.ª edição.
Estudo comparativo, histórico e religioso, sobre a Igreja Católica e a Igreja Protestante.
"Entre nós, neste reino fidelissimo, a idea religiosa está passando por uma crise grave.
Este doentio estado dos espiritos tem uma de suas causas no indiferenttismo religioso, que procede d'uma quasi-incredulidade, que em muitos é gerada pela materialidade, que tem suas origens no exaggerado amor á independencia, no ingenito orgulho humano e, quem tal diria! no bem-estar individual.
Consiste essa quasi-incredulidade em se não acreditar em todo o ensino da Igreja e em se acreditar com pouca firmeza e ardor no que se crê do seu ensino. E essa materialidade está no esquecimento de que, sendo o homem composto d'alma e corpo, está sujeito, não a uma attracção terrena somente, mas tambem a uma attracção celeste; d'onde vem que muitos e muitos não consentem que a sua independencia, o seu orgulho e o seu bem-estar lhes sejam perturbados pela imposição de preceitos da Igreja, que os irritam, ainda que suaves, e pela idea, que os aterra, de que um dia, que só Deus sabe, lhes serão tomadas contas por este Deus supremo, que, segundo o conceito catholico, tudo vê e a todos julgará."
(Excerto do Prologo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

20 dezembro, 2018

JARDIM, Cónego Gomes - A IGREJA E O PROTESTANTISMO. I. A Igreja e a Biblia. A Igreja e a sua Hierarquia. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Typographia «Esperança», Funchal], 1940. In-8.º (21,5 cm) de XIV, [2], 599, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo religioso.
Trata-se do primeiro volume de dois publicados pelo autor. O segundo volume viria a ser editado em 1944 com o título: A Igreja e o Protestantismo. II. O Dogma Católico e as Negações Protestantes.
 "Varios motivos nos levaram aos sacrificios da edição d'este trabalho em vez d'outros. Era um estudo em grande parte já feito. Apesar do respeito devido á sinceridade das crenças de cada um, o protestantismo n'esta terra de turismo anda facilmente a ferir as vistas, e a insinuar n'alguns dos nossos a duvida, o menos apreço da religião dos nossos avós, a indiferença religiosa."
(Excerto do preâmbulo, Aos nossos amaveis leitores)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa com mancha de humidade no pé.
Invulgar.
Indisponível

02 outubro, 2017

ENTREVISTA SOBRE O PROTESTANTISMO. Porto, Edições Salesianas, 1947. In-8.º (14,5cm) de 38, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso libelo contra o protestantismo, publicado durante o regime do Estado Novo. Trata-se de uma entrevista em jeito de "lição", em que as perguntas preparadas para o efeito são respondidas em tom recriminatório e de censura.
"Perg. - Em que consiste o protestantismo?
Resp. - Consiste na absoluta independência de toda a autoridade em assuntos religiosos. O protestantismo ensina que cada um pode interpretar a Bíblia à sua vontade e tirar dela os artigos de fé que muito bem lhe pareça. Deste princípio formou-se a multidão de seitas (mais de duzentas) tendo cada uma o seu Credo.
Perg. - Os protestantes podem saber de certeza que a Bíblia é um livro divino?
Resp. - Nem o sabem nem o podem saber, porque, despresando eles a autoridade da Igreja que recebeu a Bíblia da mão dos Apóstolos e não admitindo mais que a razão pessoal para julgar estas coisas, como podem eles saber que os livros sagrados são inspirados ou são sagrados ou não? [...]
Perg. - Porque mostram tanto zelo em espalhas Bíblias entre os Católicos?
Resp. - Para enganar. Aproveitam-se do respeito que os Católicos têm pela Sagrada Escritura e dão-lhes Bíblias truncadas e corrompidas.
[...]
Perg. - Como arranjaram então sequazes?
Resp. - Lisonjeando as paixões, a concupiscência da carne, a das riquezas e o orgulho."
(excerto de O que é?)
"Perg. - O Católico que  que abraço o protestantismo, comete algum mal?
Resp. - Um mal? Dize melhor: dois crimes: um contra Deus, outro contra a Igreja.
Perg. - Contra Deus?
Resp. - Sim, tornando-se réu da mesma culpa de Lúcifer que se revoltou contra Deus, querendo fazer-se independente. Efectivamente, o católico, ao fazer-se protestante, rebela-se contra Cristo que pôs a Igreja como mestra e guia dos homens. Di-lo o Evangelho: «Se não ouvir a Igreja, seja para ti como um gentio e um publicano»."
(excerto de O crime dos traidores)
Matérias:
O Protestantismo: - Donde vem. - O que eram? - O que é. - Quem o quer? - O crime dos traidores. - Ensaio de contradições. - Para onde irão? - Nem as portas do inferno. - Pela árvores os frutos. - Os que eles odeiam. - A Missa. - O Culto dos Santos. - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Escritos no interior. Capas frégias com defeitos.
Raro.
10€