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11 agosto, 2026

NÃO FALAR NA POLÍCIA
: dever revolucionário
. [S.l.], Edições Avante, 1972. In-8.º (17x11 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto clandestino de propaganda comunista. Trata-se de um manual de "sobrevivência" para instruir os simpatizantes e activistas do PCP a resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS sem comprometerem o partido e os camaradas.
Não falar na polícia : dever revolucionário é um opúsculo clandestino editado pelas Edições Avante! em 1972. O texto orientava os militantes do Partido Comunista Português (PCP) e os opositores ao Estado Novo sobre como resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS. Publicado em plena fase final do regime, funcionava como um guia prático de contra-informação e segurança na clandestinidade. Estabelece a recusa absoluta em prestar declarações à polícia política como um princípio ético e político essencial. Orientações Principais: Silêncio total - Encarar o silêncio perante os agentes como a única defesa coletiva da organização; Resistência à tortura - Desmistificar a ideia de que a violência ou os métodos da PIDE eram invencíveis para justificar confissões; Proteção partidária - Evitar que a queda de um militante comprometesse a rede clandestina e a segurança dos camaradas. (IA)
Documento histórico, sem menção na BNP.
"A ditadura fascista, ontem com Salazar e hoje com Marcelo Caetano, procura sobreviver e retardar o seu inevitável derrubamento, insistindo em recorrer ao arbítrio e à violência. A ascensão do movimento popular de massas em Portugal e o alargamento da heróica luta dos povos das colónias portuguesas, bem como as vitórias dos mundo socialista e das forças anti-imperialistas acentuam as debilidades e contradições do regime fascista. Quanto maior é o seu enfraquecimento, maior é o seu desespero. Isso explica a intensificação da repressão e o crescente furor das torturas policiais aos comunistas e a outros patriotas presos.
É certo que não é de hoje a crueldade dos torturadores policiais durante os interrogatórios. Ela vem muito de trás, desde a instauração a ditadura em 1926. Desde então milhares de presos políticos foram torturados e dezenas de comunistas e outros antifascistas foram assassinados com torturas por se recusarem a trair os seus ideais.
Sucede, entretanto, que a experiência da polícia é maior. E, se considerarmos os últimos anos, é indubitável que tem vindo a aplicar torturas cada vez mais refinadas, generalizando-as a quase todos os presos e prolongando-as até ao limite da resistência física."
(As torturas policiais aumentam)
Índice:
1 - As torturas policiais aumentam: - As responsabilidades dos comunistas; - Pode ser que sejas preso.
2 - Defende-te e defende o Partido: - A prisão e o 1.º interrogatório; - Os interrogatórios; - A polícia procura conhecer-te e demolir a tua resistência; - Os agentes «bons» e os «maus»; - Mentiras, calúnias, tentativas de suborno; - O isolamento - a incomunicabilidade.
3 - As torturas; - A «estátua»; - A tortura do sono; - As alucinações; - As montagens da polícia; Outras formas de tortura; - Tem coragem e vencerás!
4 - O que a polícia pretenderá de ti: - As «histórias»; - Deves ou não declarar ser membro do Partido? - Não fazer confissões ou declarações; - A polícia «sabe tudo» - as armadilhas; - Os «apóstolos» da traição.
5 - O que decide de um bom comportamento: - Todos podem resistir à polícia; - O Partido e os pseudo-revolucionários; - Os bons e os maus portes na polícia; - Heróis do Partido e do Povo; - Preocupação essencial: defender o Partido.
Exemplar em brochura, com os cadernos por abrir (presos por agrafo), em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
75€

25 setembro, 2021

LIVERPOOL, Lord Russel of - PRISÕES E PRESOS EM PORTUGAL.
Um inquérito independente. Por...
[Lisboa], [s.n.], 1963. In-8.º (19,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório sobre as condições dos estabelecimentos prisionais portugueses, encomendado pelo Governo após denúncias veiculadas na imprensa internacional de tortura e maus tratos infligidos aos presos políticos.
"Durante os últimos dezoito meses fizeram-se certas alegações, em algumas organizações, como «Amnesty», sobre tortura e maus tratos aos presos políticos nas prisões portuguesas, e sobre as condições em que os mesmos vivem. Também foram escritos artigos em certos jornais ingleses a repetirem as mesmas alegações.
O Governo português tinha empenho em que qualquer observador imparcial e autorizado indagasse, nas próprias prisões, sobre as alegações de tortura e de maus tratos a presos políticos, as quais, embora negadas pelo Governo português, continuavam a ter crédito. Em Março de 1963 fui sondado para saber se eu estava disposto a empreender tal investigação. Ao mesmo tempo prometerem-me que teria pulso livre e acesso a todas as prisões e todos os reclusos. Concordei com tudo nesta base.
Cheguei a Lisboa no dia 20 de Abril e comecei a minha investigação logo no dia 22, acabando no dia 1 de Maio."
(Excerto do preâmbulo)
"O autor deste relatório independente - [Lord Russel of Liverpool (1895-1981)] - foi juiz militar adjunto ao Quartel-General do Primeiro Exército britânico (1942-43); ao Quartel-General das Forças Aliadas (1943-45); ao Quartel-General das Forças Britânicas no Próximo Oriente (1945-46) e ao do Exército do Reno (1946-47); foi ainda juiz conselheiro dos Serviços Jurídicos do Exército (1951-54).
Entre as suas obras publicadas contam-se «O Flagelo da Suástica» e «O Julgamento de Adolfo Eichmann»."
(Retirado do verso da f. rosto)
Matérias:
[Preâmbulo]. | A Prisão-Hospital de Caxias. Visitada em 23 de Abril. | A Prisão de Peniche. Visitada em 24 de Abril. | Entrevistas com presos em Peniche. Mário Pedrosa Gonçalves. Dr. Orlando Ramos. Dr. Humberto Lopes. | A Penitenciária de Lisboa. Visitada em 25 de Abril. | A Prisão de Caxias - Norte e Sul. | A Prisão do Aljube, em Lisboa. Visitada em 25 de Abril. Presos por mim interrogados no Aljube, no dia 25 de Abril. | A Escola- Prisão de Leiria. Visitada em 26 de Abril. | A Prisão da P.I.D.E. no Porto. Visitada em 27 de Abril. | A Sede da P.I.D.E em Lisboa. Visitada em 30 de Abril.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível